segunda-feira, 11 de março de 2019

AS LIGAÇÕES PERIGOSAS DE BOLSO COM AS MILÍCIAS VIRTUAIS

Hoje tenho várias notícias sobre a direita que cria e espalha ódio. Resta saber a conexão entre elas.
Um caso grave é o envolvimento de Jair Bolsonaro com as mentiras. Certo, todo mundo sabe que ele foi eleito graças às fake news do WhatsApp e que o Supremo deu carta branca pra que ele continuasse fazendo isso. Mas não podemos nos acostumar com isso. Não é aceitável que um presidente (ou seus filhos) coordenem uma rede profissional de calúnias e difamações.
Não consigo entender como o Twitter permite a ação de bolsobots. Se você não sabe o que são, são os robôs do Bolsonaro. Contas no Twitter com pouquíssimos seguidores, cheias de números no nome, geradas recentemente, e que surgem em massa para atacar desafetos ou divulgar mentiras. Se alguém ainda tem alguma dúvida, é só conferir que todas as hashtags pró-Bolso, sem exceção, entram nos Trending Topics de países que nem falam português, como Malásia e Ucrânia.
Bolsominions difamando deus
Obviamente o Twitter tem tecnologia para barrar robôs na sua rede. Provavelmente não o faz porque seus números cairiam muito (a quantidade de robôs é imensa,e é uma indústria, com firmas que criam e vendem milhares de perfis para inflar contas). Mas é intolerável que a inércia do Twitter permita que o exército de robôs de Bolso ataquem pessoas reais impunemente e dominem o debate.
Ontem os bolsobots lançaram e mantiveram no topo durante horas a tag #EstadaoMentiu (hoje substituíram por #AImprensaMente). 
Eu entrei e vi um monte de ofensas a uma jornalista, Constança Rezende, e, claro, ao jornal. Numa gravação em inglês com legendas em português que não combinavam muito com o que estava sendo dito, a repórter dizia que as investigações sobre Flavio Bolsonaro só foram noticiadas depois das eleições. Eu ouvi aquilo e pensei: ué, isso depõe contra a direita. Quer dizer que havia gente que sabia das falcatruas da famiglia Bolso, mas guardou as informações para que ele não perdesse as eleições. Os bolsominions encararam aquilo como conspiração internacional para derrubar o governo, como se as movimentações de Queiroz fossem uma ficção.
Bolsominions contra a
"impressa"
A origem da acusação contra a repórter surgiu no site Terça Livre, especializado em teorias da conspiração e fake news, como todos os canais da direita. Mas não foi só uma mentira. Foi uma montagem do áudio, com pausas e frases selecionadas (além de legendas que não batem). Pra piorar, Constança nunca falou com o jornalista francês que o Terça Livre coloca como autor da entrevista com ela. No dia 23 de janeiro, pelo que apurou o Estadão, ela conversou com um suposto estudante americano que disse estar fazendo um estudo comparativo entre Trump e Bolso.
Isso tudo já é bastante sério, mas o próprio presidente tuitou a mentira. Ele escreveu num tuíte que a repórter "diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente", que ela é filha de um jornalista do Globo (ué, não pode?), e que "querem derrubar o governo com chantagens desinformações e vazamentos".
É irônico que um noticiário de direita que apoiou a eleição de Bolso seja chamado de comunista, mas esta é a sina de toda a mídia numa ditadura, ainda mais nos tempos de internet. A intenção da direita é desacreditar toda a imprensa. Pra Olavão e cia, Veja, Globo, Folha, enfim, todo mundo, é de esquerda e contra a direita. Eles fazem campanhas para que leitores deixem de assinar esses veículos e se "informem" apenas através de canais recomendados por Bolso. Canais que não somente são totalmente a favor de Bolso como também inventam um monte de fake news.
Outra notícia interessante é a que foi publicada ontem por um site de esquerda, o Diário do Centro do Mundo. O site teve acesso a um podcast gravado por Loen e Hiram, trolls bastante conhecidos no Twitter, que atacam a mim e a muitas outras pessoas de esquerda (principalmente feministas) há anos. No podcast, Hiram, que está morando na Suíça (ele trabalhava na TAM de Joinville mas foi demitido depois da empresa saber o que ele fazia na internet), conta como se encontrou com Bolso, Sérgio Moro, a comitiva toda, em Davos. Pra conseguir isso, ele entrou em contato por DM (direct message) com Eduardo Bolsonaro, que lhe deu acesso irrestrito.
O DCM , que já havia publicado um perfil sobre Hiram dois anos atrás, em que afirmava que ele era um "Proud Boy" (uma organização supremacista), e dono da página "Antes e Depois da Federal", no Facebook, diz que ele foi o primeiro perfil a atacar a filha menor de idade de Maria do Rosário. Ela foi difamada em massa há dois anos, e comparada com os filhos de Bolso (que seriam modelos de ética, enquanto a deputada depravada só poderia criar uma filha degenerada). O DCM aponta que o 55chan fez alguns dos ataques. Mas eu acompanhava o Dogolachan na época e sei que ele também colaborou.
Eu ouvi esse podcast citado pelo DCM (no mesmo podcast, Loen conta que espalhou fake news sobre Jean Wyllys), e é aquele festival de misoginia, racismo e homofobia de sempre, marca registrada da direita. Não resta dúvida pra mim que tanto Hiram quanto Loen são channers e mascus. Eles usam o mesmo vocabulário de mascus e têm a mesma ideologia (mulher não presta, "travesti é melhor que mulher"). Ainda não sei se eles fazem parte também do Dogolachan. Num outro podcast de Hiram que escutei, ele se posicionava contra mulher poder votar e exercer cargos públicos.
Infelizmente, apenas Hiram ter se encontrado com Bolso em Davos e ser seguido por ele e seu filho Dudu no Twitter não é prova de que trolls são contratados por eles para perseguir e difamar inimigos políticos (e seus familiares). Mas é mais um indício dessas ligações perigosas. Afinal, se a famiglia Bolso tem conexões com as milícias de carne e osso, por que não teria com as milícias virtuais?
A outra notícia chegou até mim ontem à noite. Existe um filósofo e escritor muito bom, Henry Bugalho, que tem feito ótimos vídeos no seu canal no YouTube. Como ele tende à esquerda, alguns de seus vídeos são críticos (mas comedidos, coerentes, com fontes confiáveis) a figurinhas da direita, como Olavão, Nando Moura e, mais recentemente, um jovem "analista" da Joven Pan (emissora que virou um reduto tão reaça que estamos chamando de Jovem Klan), Caio Coppola. Ontem Henry divulgou esse print do Dogolachan (que está na Deep Web desde setembro):
É uma ação rotineira do chan: tentar incriminar alguém. No print, um mascu sancto diz que conseguiu o endereço de Henry (que mora na Espanha com a esposa Denise) com o "anão do embu" (como Nando Moura é conhecido; lógico que a palavra de um anônimo num chan não vale nada, mas os boatos de que Nando é channer e está envolvido com milícias virtuais já têm muitos anos). No fórum, os mascus compartilham ideias de como incriminá-lo: comprar espaço num site e pedir pra uma "dogoleira" gravar um áudio dizendo que foi molestada por ele (a Emma ainda existe? Pensei que ela estivesse internada). 
Minha solidariedade a Henry e Denise. Eles fizeram a coisa certa: além de registrarem queixa na delegacia, divulgaram as ameaças. Esta é uma eficaz arma de defesa. Como ele tem um canal que só cresce, muita gente já fica vacinada contra as prováveis mentiras que os sanctos vão espalhar sobre ele. Se reaças maiores ajudarem a divulgar essas mentiras, vale a pena processá-los. 
A quadrilha do Dogolachan não parece que vai parar, mesmo depois de seu líder, Marcelo, ter sido preso (em maio) e condenado a 41 anos de prisão (em dezembro). Falta prender o resto da quadrilha, que segue cometendo crimes e ameaçando. Eu continuo recebendo ameaças semanais nos comentários do meu blog ou por email. Faz dez dias, recebi este email:
Clique para ampliar
Veio assinado por um tal de Breno Alves, que festeja o crescimento do Dogolachan na deep web e promete que, "com a quantidade de doações que estamos recebendo, em breve vamos finalmente contratar algum pistoleiro em Fortaleza para matar você. Sim, você irá morrer ainda esse ano, em uma simulação de latrocínio, eu juro em nome de Deus e com a mão no túmulo do meu pai". 
A Polícia Federal já tem o nome completo, cidade onde ele mora (Franca, SP), imagens dele. Eu enviei esses dados pra polícia quando Breno fez um vídeo em que dizia: "Kyo, meu confrade, que saudade de você, meu amigo. Mas por outro lado eu fico feliz e satisfeito com seu recente acto de ter aleijado aquela sapatona imunda e ter condenado ela a uma vida infeliz. Muito bom, meu irmão. Te abençoo aonde for que você esteja. Fique tranquilo, que em breve eu vou te acompanhar, e eu pretendo levar comigo a Lola, meu confrade, ela não vai te difamar e não vai difamar nenhum confrade mais. Isso eu prometo aqui, perante todos. Abraço, meu irmão". 
Kyo, ou André Garcia
Kyo, ou André Luiz Gil Garcia, foi um mascu sancto que esteve ao lado de Marcelo desde pelo menos 2011. Ele chegou a ser moderador do Dogolachan durante vários anos. Porém, quando Marcelo e Emerson (hoje foragido na Espanha) foram presos pela Operação Intolerância, Kyo (cujo nome real não conhecíamos na época) ficou livre, e continuou tocando o site de ódio. Um mês depois de Marcelo ser preso pela Operação Bravata, em maio de 2018, Kyo deixou uma mensagem no chan anunciando que iria se matar. Ouviu o mesmo de sempre: "Leve a escória junto". Ou seja, mate mulheres, feministas, negros, LGBT, e só depois se suicide, e vire ícone. Houve várias ofertas para comprar uma passagem só de ida para Kyo vir a Fortaleza me matar.
Na mesma noite, Kyo saiu às ruas da pequena cidade onde morava (ele tinha 29 anos e não estudava, não trabalhava, não namorava, morava com os pais), Penápolis, SP, e assediou duas moças que ele nunca tinha visto na vida. Elas saíram correndo, e ele usou sua arma calibre 22 para covardemente atirar numa delas pelas costas. Acertou a nuca de Luciana, 27 anos. Andou mais um quarteirão e se matou. Luciana aguentou vinte dias numa UTI, mas não resistiu e morreu em 5 de julho. Uma leitora me informou que Luciana estava com sua namorada quando foi abordada. Quando Breno gravou o vídeo, Luciana ainda estava viva.
Breno já tinha indiretamente aparecido na TV. Em 2017, ele vestia uma camiseta de Bolsonaro quando passou numa praça de Franca e bateu com seu capacete na cabeça de um rapaz negro que estava sentado num banco. Na maior cara de pau, Breno processou o rapaz que o acusou (e depois abandonou o processo). Você pode ver a reportagem aqui. Quer dizer, se houvesse qualquer interesse em prender a quadrilha, a PF poderia entrar em contato com o delegado da Polícia Civil do caso, e, no mínimo, chamar Breno para explicar as ameaças a mim (a PF tem o vídeo). 
Eu já disse e repito: os mais antigos apoiadores de Bolso à presidência (quando ele não passava de uma piada) são os misóginos. Eles já faziam campanha pra ele em 2010. E continuam muito fiéis. Sentem-se representados por ele. Fantasiam com o dia em que todos eles possam portar armas e criar mais "heróis" (homens frustrados que atirarão na "escória"). E isso vai acontecer, se a polícia não agir logo. Por outro lado, qual a vontade deste governo em investigar e prender seguidores do presidente?
Um jornalista pelo qual não tenho o menor apreço, Reinaldo Azevedo disse há poucos dias que seu site havia sido hackeado, e que, em quatorze anos fazendo oposição (virulenta) ao PT, ele nunca tinha passado pelo que está passando ao se opor ao governo de Bolso. Pois é. 
Cria corvos, imprensa, que te arrancarão os olhos. 

sábado, 9 de março de 2019

PARATODAS

Suene Honorato, professora do Departamento de Literatura da UFC (e uma amiga querida, junto com seu companheiro e também professor da UFC Atílio), 
me enviou uma versão que fez da maravilhosa canção do Chico, "Paratodos" (que eu li que ele criou como canção de ninar para as filhas. Imagina que chique ter um pai como o Chico!).
Sue pegou emprestada a letra e fez dela a sua vida. Agora só falta alguém cantar!

[Paratodas]

Minha mãe é bem goiana.
Minha avó, arqui-mineira.
Minha bisavó, baiana.
A tataravó, se diz,
recebeu letais facadas
do marido ciumento.

Dos maridos ciumentos
Há aquelas que escaparam.
Outras muitas sem saída
não se dizem feministas
e assumem de Eva a face
fabricada por seus machos.

Nessa tortuosa sina
não há nada que as redima.
Vejam, vejam, os horizontes
que outras muitas construíram!
Contra todos hematomas
-- braços pernas almas morte --
vá de Lei Maria da Penha.

Vi poemas, vi romances
Exaltarem as mulheres.
Mas seus nomes não importam
Para a história das famílias.
Já é hora de compor
novas genealogias.

Viva Lola, Marielle,
As Sabrinas, palmas para
ativistas, não damares.
Salve as muitas Carolinas
que tentaram apagar
da história literária.

Minha mãe é bem goiana.
Minha avó, arqui-mineira.
Minha bisavó, baiana.
Quero vivas as lembranças
das mulheres que habitam
minha alma brasileira.

sexta-feira, 8 de março de 2019

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: MAIS DO QUE NUNCA, PRECISAMOS LUTAR

Este é o décimo-primeiro ano que este humilde bloguinho que vos fala comemora o Dia Internacional da Mulher. 
Mas hoje é ainda mais especial, porque nunca corremos tanto perigo. O Brasil, num ato de suicídio coletivo que espero ser reversível, elegeu um fascista para presidente. Apesar de todos os nossos avisos e alertas, gente ignorante (na melhor das hipóteses) ou simplesmente mau caráter votou em Jair Bolsonaro, um político de baixo escalão que, em seus quase trinta como deputado, não fez nada além de espalhar ódio. 
Todos que votaram em Bolso sabiam que ele é misógino, racista, LGBTfóbico, todo um combo de preconceitos. Talvez alguns não soubessem que ele era também corrupto, imagem que se desmanchou logo no primeiro mês de seu governo, devido aos conluios de seu ex-assessor Queiroz. E acredito que a maioria de nós não sabia das suas ligações com as milícias e do envolvimento dele e de seu filho Flavio com policiais suspeitos de terem executado Marielle Franco quase um ano atrás. 
A eleição de um monstro moral que no seu pronunciamento logo após o primeiro turno prometeu acabar com o ativismo no Brasil abriu os porões para que gente que pensa como ele passasse a ter orgulho da sua imbecilidade. Tivemos um período eleitoral extremamente violento, em que os correligionários de Bolso ameaçaram, espancaram, e até mataram pessoas que não pensam como eles. Isso tudo continua acontecendo, agora com um agravante -- a liberação das armas de fogo no Brasil. 
Eu passei quatro anos acompanhando um fórum anônimo em que todos eram eleitores de Bolso. Todo dia havia fantasias e promessas do que esses neonazistas misóginos fariam assim que tivessem acesso às armas. Um deles, moderador do chan, sequer esperou a eleição de seu ídolo. Em junho, o rapaz de 29 anos saiu às ruas de Penápolis, SP, onde morava, assediou duas mulheres que ele nunca tinha visto antes na vida, atirou na nuca de uma delas (que morreu vinte dias depois), e se matou. Virou ícone entre seus seguidores.
Bolso definitivamente não veio sozinho. Trouxe com ele o pior das pessoas e da política. Temos um ministério medíocre de causar vergonha em qualquer país do mundo. Nosso Congresso, que já era lamentavelmente conservador e golpista, ficou pior, com a chegada de mais de 50 deputados de um ex-partido nanico, o PSL (Partido do Suco de Laranja?), que espera-se que tenha o mesmo destino do partido que elegeu Collor, o PRN. É verdade que cresceu a bancada feminista e que a oposição ao governo será firme e valente, mas também cresceu a bancada BBB (Boi, Bala, e Bíblia). 
A Reforma da Previdência promete punir ainda mais as mulheres, que podem ter que se aposentar com dois ou cinco anos a mais que hoje. "Não querem igualdade?", provocam os reaças, fingindo não saber que, mesmo trabalhando fora, as mulheres têm dupla e tripla jornada, ou que o nosso salário seja muito mais baixo que os deles. 
Mas há vários outros projetos no Congresso pra nos atazanar a vida. Um deles é o desarquivamento de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que visa incluir o direito inviolável à vida "desde a concepção". Com essas três palavrinhas, fundamentalistas pretendem proibir o aborto em todas as situações no país, inclusive em casos em que a gestante corre risco de vida se prosseguir com a gravidez, ou quando uma mulher que foi estuprada engravida. 
Faz anos que nós feministas avisamos que esta é uma das principais pautas dos conservadores. Lembra o que os reaças diziam? "Mimimi, imagina, ninguém está querendo proibir aborto em todos os casos, a maior parte da população é a favor da lei como está". E agora?
Mais do que nunca, nós, mulheres que lutamos, não podemos nos calar. "O silêncio ajuda nossos inimigos". Foi o que escutei hoje no belo hino do coletivo Cabaré Feminista, que você pode ver aqui. 
Vamos às ruas lutar. Há inúmeros atos de protesto marcados para hoje (e também para o dia 14 de março, que marca um ano sem Marielle) em várias capitais e cidades do Brasil. Vamos gritar #EleNão de novo, vamos nos posicionar contra reformas que querem retirar nossos direitos, vamos exigir #ForaBolsonaro. Aqui há uma lista dos atos. Daqui a pouco eu vou participar do protesto aqui em Fortaleza. 
Aproveito para recomendar o primeiro episódio da série que nossa candidata à vice-presidenta Manuela d'Ávila está fazendo, E Se Fosse Você? Pra abrir, eu tive a honra de ser entrevistada por Manu.  
A Defensoria Pública do Estado do Ceará fez uma reportagem sobre a primavera feminista e entrevistou algumas ativistas, entre elas, euzinha. Leia aqui. Gostei muito também da foto que tiraram de mim no bosque da UFC no mês passado. 
Pra não me repetir, gostaria de deixar os links para os posts que eu e leitoras convidadas escrevemos sobre esta data tão importante, o Dia Internacional das Mulheres.
- Toda mulher tem uma história de horror pra contar
- Dia internacional da mulher: toda rosa tem espinhos
- Troca-se rosa por salário decente
- Mulheres, saiam do armário
- Meu feminismo não é pra mim 
- Como o machismo limita a vida de um homem (guest post do Rubens)
- Atire a primeira pétala (sobre "homenagens" ridículas)
- Vencendo o cansaço
- Dia de luta. Não só hoje
- É dia internacional da mulher, e quem ganha presente é você (um post cheio de indicações bibliográficas feministas)
- Faz dez minutos que me descobri feminista (guest post da B. e um resumo das piores homenagens)
- Razões pra ser feminista: Dados para você usar
- "Quero um dia no qual nenhuma mulher chorará pela sua existência" (guest post da Maria Clara)
- Um feliz dia internacional da mulher sem smurfs
- Por que lutamos tanto? 
- Hoje no Dia Internacional da Mulher, nós paramos
- O feminismo e o Dia das Mulheres nas mãos das feministas
- Pra comemorar o Dia Internacional da Mulher: Lei Lola aprovada no Senado

quinta-feira, 7 de março de 2019

COMEÇANDO O PÓS-DOUTORADO!

No Museu da Gente Sergipana, em janeiro (não vai ser lá!)

Pessoas queridas, faz tempo que quero escrever este post contando um pouco da minha vida, que é monótona mas eu gosto, e que só contém alguns mínimos segredos porque, infelizmente, tem gente que me persegue. 
Faz tempo que não falo de mim. Acho que não fiz uma grande retrospectiva do ano passado e muito menos anunciei as resoluções do ano novo. Não contei as novidades. E senti essa necessidade ainda maior quando vi, no Twitter, uma leitora falar pra outra que tentou se inscrever numa disciplina minha na pós este ano, e eu não estava oferecendo nenhuma.
Imagino que todas as minhas amadas alunas e alunos da UFC já saibam, mas quem não está regularmente lá não tem como saber, a não ser que eu diga aqui: estou afastada da UFC este ano, pois estou fazendo pós-doutorado. 
Pós-doc, pra quem não sabe, é algo que vários professores e pesquisadores fazem depois do doutorado (meio óbvio, né?). 
Tirinha mais relacionada
a recém-doutorxs
Não é um curso (você não cursa disciplinas, como faz no mestrado e doutorado), você não tem um orientador, mas um supervisor, você não recebe um título (em algumas universidades estaduais há um aumento salarial depois do pós-doc, mas não é o caso das federais), e a atividade costuma ser mais curta (de um a dois anos). Mas é uma grande oportunidade de se aperfeiçoar na sua área, de se atualizar, de conhecer outros pesquisadores, e de produzir e publicar pesquisas importantes.
Minha defesa em 2009
Este ano, em junho, vai fazer dez anos que concluí o doutorado na UFSC. No meu departamento, em geral podem se afastar dois docentes por semestre (gera substituto). A gente estava dando prioridade para aqueles professores que ainda não eram doutores. Agora que todos os quinze têm doutorado, fizemos um rodízio planejado para ver quem sai pro pós-doc. 
Eu já tinha quase desistido do pós-doc. Em geral, vários pós-docs são realizados no exterior, mas como ultimamente não há bolsas, e o nosso salário é razoável no Brasil mas não vale muito lá fora, essa deixou de ser uma opção pra mim. Além do mais, minha mãe mora conosco, e não temos como deixá-la sozinha agora que ela se aproxima dos 84 anos (ela está bem e continua independente, mas não se sente confortável em ficar sozinha em casa). 
Foi conversando com um colega meu ano passado que vi que você não precisa necessariamente morar em outra cidade ou estado para fazer o pós-doc. Pode continuar morando em Fortaleza e se deslocar quantas vezes for preciso. Então comecei a investigar quem eu gostaria de ter como supervisora. Pedi sugestões pra Susana Funck, que não tive o prazer de conhecer pessoalmente (ela se aposentou da UFC quando eu entrei, em 2003, e voltou a trabalhar quando eu saí, em 2009; agora já tem uns anos que se aposentou definitivamente), e ela me recomendou vários nomes. O bom de trabalhar com gênero é que é uma área incrivelmente multidisciplinar. Eu poderia ter como supervisora alguém da Sociologia, Antropologia, Comunicação, História etc. Entrei em contato com algumas pessoas, mas a que mais gostei foi a Ildney Cavalcanti.
Conheci a Ildney (ainda não pessoalmente) ano retrasado, quando eu estava montando a disciplina Utopias e Distopias Feministas, que dei na pós-graduação ano passado (você pode ver todo o cronograma dos dois semestres, com todos os links pros textos, aqui e aqui). O nome da Ildney aparecia direto, e incluí vários artigos dela na disciplina. Ela é uma referência internacional na área de ficção científica e distopias! 
Em meados do ano passado mandei um email pra ela pedindo se ela podia me enviar um de seus artigos (que não encontrei na internet). E ela foi super generosa e gentil, e passamos a conversar. Descobri que ela havia sido mestranda da Susana na UFSC (eta mundo pequeno!). Ildney foi tão receptiva que logo pensei: tenho que fazer o pós-doc com ela! O resto foi a correria de bolar um projeto e aprová-lo em todas as instâncias. Não pedi bolsa nem nada (porque não tem mesmo); como professora afastada, continuo recebendo salário. 
Então é isso: vou fazer pós-doc na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió! O plano é pesquisar e publicar artigos (alguns em co-autoria com a Ildney), e, espero, um livro sobre como trabalhar com gênero através da literatura e cinema. Pra mim é fundamental encontrar tempo para escrever, e ter a supervisão de uma pesquisadora ultra-competente, já que nem meu mestrado nem meu doutorado tinha relação com gênero. 
Também vou lecionar uma disciplina na pós na UFAL. E as outras coisas (orientações, bancas, palestras etc) continuam normalmente.
Semana que vem já temos nosso primeiro evento: uma mesa-redonda para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Será no dia 13 (quarta-feira), das 16:30 às 19h, na Fale da UFAL (auditório Heliônia Ceres). O poster está quase pronto! Você que é de Maceió, venha acompanhar esta mesa: Lutas de Mulheres e Culturas de Resistência. Estou muito ansiosa!
Por coincidência, pouco depois de fechar essa mesa na UFAL, recebi um convite para dar uma aula inaugural no mestrado em Ensino, Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual da Bahia, campus Caetité. Será minha primeira vez no sertão baiano! Como estarei em Maceió, será um tiquinho menos longe chegar lá (mas ainda assim é looonge!). Mas quem for de Caetité ou região, venha!
E dia 21 de março estarei na UnB compondo uma mesa com a Sabrina Fernandes, que além de doutora é youtuber da Tese Onze. Ela que me avisou que estaríamos na mesma mesa. Ainda não sei o os detalhes. E dia 28 tenho uma mesa na UFC também. E duas bancas na mesma semana. Por enquanto é isso pra março.
Mas é isso. Ainda quero fazer outro post sobre outras novidades (não acadêmicas) na minha vida. Nada de mais. E em fevereiro de 2020 eu volto à UFC com energias renovadas. 
Pra quem vive em capitais próximas de Maceió (tipo Recife, João Pessoa, e Aracaju) e outras cidades da região, me chame pra palestrar aí. Vou estar por perto! E pra quem é de Maceió e quiser me paparicar me levando pra conhecer alguma praia e/ou sorveteria, não precisa nem chamar duas vezes!