quinta-feira, 7 de março de 2019

COMEÇANDO O PÓS-DOUTORADO!

No Museu da Gente Sergipana, em janeiro (não vai ser lá!)

Pessoas queridas, faz tempo que quero escrever este post contando um pouco da minha vida, que é monótona mas eu gosto, e que só contém alguns mínimos segredos porque, infelizmente, tem gente que me persegue. 
Faz tempo que não falo de mim. Acho que não fiz uma grande retrospectiva do ano passado e muito menos anunciei as resoluções do ano novo. Não contei as novidades. E senti essa necessidade ainda maior quando vi, no Twitter, uma leitora falar pra outra que tentou se inscrever numa disciplina minha na pós este ano, e eu não estava oferecendo nenhuma.
Imagino que todas as minhas amadas alunas e alunos da UFC já saibam, mas quem não está regularmente lá não tem como saber, a não ser que eu diga aqui: estou afastada da UFC este ano, pois estou fazendo pós-doutorado. 
Pós-doc, pra quem não sabe, é algo que vários professores e pesquisadores fazem depois do doutorado (meio óbvio, né?). 
Tirinha mais relacionada
a recém-doutorxs
Não é um curso (você não cursa disciplinas, como faz no mestrado e doutorado), você não tem um orientador, mas um supervisor, você não recebe um título (em algumas universidades estaduais há um aumento salarial depois do pós-doc, mas não é o caso das federais), e a atividade costuma ser mais curta (de um a dois anos). Mas é uma grande oportunidade de se aperfeiçoar na sua área, de se atualizar, de conhecer outros pesquisadores, e de produzir e publicar pesquisas importantes.
Minha defesa em 2009
Este ano, em junho, vai fazer dez anos que concluí o doutorado na UFSC. No meu departamento, em geral podem se afastar dois docentes por semestre (gera substituto). A gente estava dando prioridade para aqueles professores que ainda não eram doutores. Agora que todos os quinze têm doutorado, fizemos um rodízio planejado para ver quem sai pro pós-doc. 
Eu já tinha quase desistido do pós-doc. Em geral, vários pós-docs são realizados no exterior, mas como ultimamente não há bolsas, e o nosso salário é razoável no Brasil mas não vale muito lá fora, essa deixou de ser uma opção pra mim. Além do mais, minha mãe mora conosco, e não temos como deixá-la sozinha agora que ela se aproxima dos 84 anos (ela está bem e continua independente, mas não se sente confortável em ficar sozinha em casa). 
Foi conversando com um colega meu ano passado que vi que você não precisa necessariamente morar em outra cidade ou estado para fazer o pós-doc. Pode continuar morando em Fortaleza e se deslocar quantas vezes for preciso. Então comecei a investigar quem eu gostaria de ter como supervisora. Pedi sugestões pra Susana Funck, que não tive o prazer de conhecer pessoalmente (ela se aposentou da UFC quando eu entrei, em 2003, e voltou a trabalhar quando eu saí, em 2009; agora já tem uns anos que se aposentou definitivamente), e ela me recomendou vários nomes. O bom de trabalhar com gênero é que é uma área incrivelmente multidisciplinar. Eu poderia ter como supervisora alguém da Sociologia, Antropologia, Comunicação, História etc. Entrei em contato com algumas pessoas, mas a que mais gostei foi a Ildney Cavalcanti.
Conheci a Ildney (ainda não pessoalmente) ano retrasado, quando eu estava montando a disciplina Utopias e Distopias Feministas, que dei na pós-graduação ano passado (você pode ver todo o cronograma dos dois semestres, com todos os links pros textos, aqui e aqui). O nome da Ildney aparecia direto, e incluí vários artigos dela na disciplina. Ela é uma referência internacional na área de ficção científica e distopias! 
Em meados do ano passado mandei um email pra ela pedindo se ela podia me enviar um de seus artigos (que não encontrei na internet). E ela foi super generosa e gentil, e passamos a conversar. Descobri que ela havia sido mestranda da Susana na UFSC (eta mundo pequeno!). Ildney foi tão receptiva que logo pensei: tenho que fazer o pós-doc com ela! O resto foi a correria de bolar um projeto e aprová-lo em todas as instâncias. Não pedi bolsa nem nada (porque não tem mesmo); como professora afastada, continuo recebendo salário. 
Então é isso: vou fazer pós-doc na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió! O plano é pesquisar e publicar artigos (alguns em co-autoria com a Ildney), e, espero, um livro sobre como trabalhar com gênero através da literatura e cinema. Pra mim é fundamental encontrar tempo para escrever, e ter a supervisão de uma pesquisadora ultra-competente, já que nem meu mestrado nem meu doutorado tinha relação com gênero. 
Também vou lecionar uma disciplina na pós na UFAL. E as outras coisas (orientações, bancas, palestras etc) continuam normalmente.
Semana que vem já temos nosso primeiro evento: uma mesa-redonda para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Será no dia 13 (quarta-feira), das 16:30 às 19h, na Fale da UFAL (auditório Heliônia Ceres). O poster está quase pronto! Você que é de Maceió, venha acompanhar esta mesa: Lutas de Mulheres e Culturas de Resistência. Estou muito ansiosa!
Por coincidência, pouco depois de fechar essa mesa na UFAL, recebi um convite para dar uma aula inaugural no mestrado em Ensino, Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual da Bahia, campus Caetité. Será minha primeira vez no sertão baiano! Como estarei em Maceió, será um tiquinho menos longe chegar lá (mas ainda assim é looonge!). Mas quem for de Caetité ou região, venha!
E dia 21 de março estarei na UnB compondo uma mesa com a Sabrina Fernandes, que além de doutora é youtuber da Tese Onze. Ela que me avisou que estaríamos na mesma mesa. Ainda não sei o os detalhes. E dia 28 tenho uma mesa na UFC também. E duas bancas na mesma semana. Por enquanto é isso pra março.
Mas é isso. Ainda quero fazer outro post sobre outras novidades (não acadêmicas) na minha vida. Nada de mais. E em fevereiro de 2020 eu volto à UFC com energias renovadas. 
Ah, fica o convite pra participar do curso de extensão Discutindo gênero através de cinema e literatura. Eu não estou coordenando (não pode quando se está afastada), mas uma aluna querida de longa data, Janaína Lisboa (doutoranda na UECE) vai tocar o curso, junto com meu colega Carlos Augusto Viana. A primeira aula é já na terça que vem, e você pode se inscrever enviando um email pra Jana (janalisboatradutora@gmail.com). 
Pra quem vive em capitais próximas de Maceió (tipo Recife, João Pessoa, e Aracaju) e outras cidades da região, me chame pra palestrar aí. Vou estar por perto! E pra quem é de Maceió e quiser me paparicar me levando pra conhecer alguma praia e/ou sorveteria, não precisa nem chamar duas vezes! 

13 comentários:

Rory disse...

Aaaaah, Lola! Que sensacional!!!! Aproveite bastante esse pós-doc. Quando vier em Recife, vou adorar te encontrar. Torcendo pra UFPE chamar você para alguma coisa. <3

Jaqueline Ribeiro disse...

Acho que esse tipo de post só perde na minha estima para os posts fofos em que o Silvio aparece. Boa sorte, querida! <3

Náy Rocha disse...

Parabéns Lola!Te desejo muito sucesso em seu pós Doc. Por aqui, o plano ainda está em ingressar no mestrado, mas um dia dará certo.

Felipe Roberto Martins disse...

Lola! Vc vai amar o Pós-Doc. Abraços!!! :).

Plenitude Literária disse...

Fantástico, Lola! Eu fui uma das que buscou disciplina sua agora que estou no Mestrado. Podemos nos encontrar ainda em 2020. Sucesso! ❤️

Marina disse...

Q bacana Lola!Curta bastante essa fase!
E nossa, uma mesa com vc e com a Sabrina, não tem como não ser ótimo!!

Anônimo disse...

Pós doutora em comunismo e agitação política.

Marina disse...

09:27, quero. Onde faz?

Anônimo disse...

Acho que todo mundo que se especializa deveria ganhar um aumento de salário, inclusive quem faz pôs doc. Tudo reflete na melhoria do ensino.

Parabéns pra vc Lola, invista na sua carreira

Unknown disse...

Lola, tive contato com sua pesquisa através da palestra ministrada na UFC na Semana de Metodologia, no ano passado. Fui aluna de Letras na graduação e mestrado, mas não tive a sorte, ou talvez não fosse o momento ainda, para que essas leituras fizessem eco em mim, mas o tempo passou. Sua fala dialogou com leituras feminista que percebi necessárias para minha formação como ser humano e mulher e suas recomendações de leitura foram muito importantes para mim. Desejo tudo de melhor nessa nova etapa acadêmica e agradeço por esse esclarecimento. Continuo a acompanhar sua luta ao longe e torcer para seu sucesso e o sucesso dessa batalha que é de todas nós. Muito obrigada por ler, escrever, se expressar e inspirar tantas de nós.

Alan Alriga disse...

Parabéns Lola, te desejo muito sucesso nessa sua nova empreitada.
_
  /~ヽ
 (。・0・)
 ゚し-J゚

  _
  /~ヽ
 (。・o・)
 ゚し-J゚

  _
  /~ヽ
 (。・-・) ...♡
 ゚し-J゚

Daniela disse...

Lola, parabéns pela chance de fazer um pós doc!
muito orgulho de vc <3

Mayara Albuquerque disse...

Uma das bancas foi a minha, que orgulho! <3