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segunda-feira, 16 de junho de 2008

FIM SEM GRANDE VIOLÊNCIA

- Se eu começar a atuar como o Mark Wahlberg, já sei o que fazer.

Na saída do
press screening de Fim dos Tempos, contei o filme inteirinho pro maridão (ele pediu!). Enquanto estava narrando, fiquei surpresa ao ver como Fim não é violento. Há duas ou três cenas um pouco mais gráficas, mas nada que não tenhamos visto milhares de vezes em qualquer arrasa-quarteirão. O maridão quis saber a classificação do filme. Eu não tinha certeza; chutei um PG-13
(menores de 13 anos não podem entrar desacompanhados dos pais; como é isso no Brasil, pra maiores de 12 anos?). Aí cheguei em casa, li algumas coisinhas, e descobri que o estúdio pediu pro Shyamalan fazer seu primeiro filme R-rated (menores de 17 anos só podem entrar acompanhados de um adulto. Li também que a classificação no Brasil é pra 16 anos, bem alta). Olha, pruma obra ser classificada como R, tem que ter sexo (necas em Fim), muitos palavrões (não ouvi nenhum), ou uma violência muito explícita. Ou seja, o Shya não consegue fazer um R-rated film nem quando lhe mandam (e o que tem de errado em só fazer produções mais sugestivas do que gráficas?). Pra mim fica a impressão que Fim só ganhou essa classificação após ter insistido muito. Deve ser um caso inédito: censor, reduza o público pro meu filme, please!
Crítica aqui.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

CRÍTICA: FIM DOS TEMPOS / Casal discute relação durante o fim do mundo

Shyamalan pros extras: Todo mundo seguindo o estilo Mark Wahlberg de atuar! Agora!

Fui ver Fim dos Tempos (The Happening), que estréia hoje em todo o mundo, numa sessão pra críticos em Detroit, e levei o maridão a tiracolo. Acredita que não o deixaram entrar? Nem comigo insistindo muito e garantindo que a múmia (ele) não entenderia nada do filme mesmo. Não quiseram nem saber: press only, só pra imprensa, apesar da sala vazia. Esse tipo de sigilo absoluto eu não vi nem em Indy 4. Injusto. O que aquele mentecapto ia poder contar pra alguém? Aliás, o que mesmo uma grande sábia como eu posso contar nessa crônica? Êta filminho difícil de criticar. Qualquer coisa é um spoiler. Portanto, cuidado com as críticas que você ler antes de ver o filme. Quer dizer, pode ler este texto sem medo que você não vai encontrar nada de relevante aqui. Prometo não desvendar lhufas. Mas tente ir virgem ao cinema. E não perca os primeiros minutos, que estão sem dúvida entre os melhores.

Tudo que você precisa saber tá no título do filme. Eu já cri-critiquei o trailer e, se posso dizer uma coisa, é que me enganei ao falar mal daquela cena dos hominhos voando. Não era o que eu tava pensando. Bom, o Mark Wahlberg faz um professor de ciências, o que já é preocupante. Imaginar o Mark como professor de qualquer coisa é uma árdua tarefa. Mas ele fala com a classe sobre crescimento de nariz e de como as abelhas estão sumindo (não preciso apontar qual assunto desperta a atenção dos alunos). Parece que Einstein disse que, depois que isso acontecesse (as abelhas sumirem, não o nariz crescer) a humanidade teria apenas mais quatro anos de vida. E Einstein, ao contrário do Mark, é um gênio, certo? Pausa pra um dado real que li: sabe quanto por cento dos professores de ciências nas escolas americanas têm curso de ciências que não seja o regular do ensino médio? 15%. É sério. Os outros 85% lecionam ciências com a bagagem que tiveram no high school. Imagina ensinar inglês com o curso que você teve na escola. É similar. Junte esse dado alarmante à teoria da evolução ter sido banida de boa parte dos estados americanos e... e a gente não precisa esperar pelo fim do mundo pra be afraid, be very afraid.

Outro ponto bastante assustador do filme é que o personagem do Mark tá em crise conjugal com a esposa. A mulher recebe telefonemas de um carinha, e a gente pensa que ela traiu o marido com esse sujeito. Lá pelas tantas ela confessa que comeu sobremesa com ele, e que tá se matando de culpa. Comentei isso com o maridão, e ele quis saber: “Qual sobremesa?”. De fato, tem uns chocolates por aí que podem significar muito mais que um adultério. Depois o Mark diz que comprou pastilhas pra tosse com uma farmacêutica atraente, e ele nem tava com tosse. Hello? O mundo na reta final e o casal brinca de provocar ciuminho um no outro? Deixa eu repetir: o mundo tá acabando. Essa não é a hora propícia pro casalzinho ficar discutindo relação.

Outra coisa que me incomodou, e que é comum no cinema-catástrofe, é que o foco mantém-se sempre na família nuclear (que, apesar do que pensa o maridão, não tem a ver com hecatombe). Ou seja, no casal e filhinhos. Como muitas vezes o casal é jovem e ainda não teve tempo de cumprir sua missão de povoar a Terra, e como não dá pra esperar nove meses, porque de repente o planeta acaba antes, é frequente o casal ser brindando com um rebento, no melhor estilo “toma que o filho é teu”. É o que acontece em Fim. Se bem que, mesmo com a presença infantil obrigatória, um adolescente cobra o Mark por ele e a esposa não terem filhos. É o fim mesmo. Vai cuidar da tua vida, rapá! A presença da menininha é um problemão pro filme e elimina o suspense, já que é raríssimo criancinha sofrer arranhão em produção hollywoodiana. É como se existisse um seguro-criança. Então, se alguém acompanhar a menina, tá com Deus (ainda assim, temi pela vida da garotinha no momento das declarações de amor eterno do casal. Temi que isso pudesse induzi-la ao suicídio). E existe o seguro-astro também. Eu não sou uma completa otária. Sei que não pagaram a maior grana pro Mark pra ele morrer rapidinho (por isso que o excelente O Nevoeiro foge das convenções de tantos jeitos. Mas sorry, periferia, esse você não vai ver no cinema).

Quem faz a mulher do Mark é a Zooey Deschanel (Assassinato de Jesse James). Não conheço direito a atriz, que é bonita, mas estranha pacas. Faz caretas e tem reações bizarras, que não correspondem à trama. Na hora pensei: quem é essa amadora? Mas depois entendi a intenção do M. Night Shyamalan em escalá-la. É que há várias cenas com ela em que não acontece nada. Por exemplo, é só ela, um celular tocando, e suas caretas. O seu jeito esquizo de ser proporciona suspense. Será que ela bate bem? Será que ela já foi afetada por não-vou-dizer-o-quê-tá-afetando-a-população? E a parte que me toca: a mulherada ainda vai ter que usar batom quando chegar o apocalipse? Ai, já imagino a resposta: “é importante não perder a vaidade nunca”. Porém, pra ser justa com a Zooey (que raio de nome é esse? Zoei de Chanel?), o John Leguizamo, que faz o melhor amigo do Mark, também tá esquisito. Não há um só close do rosto dele que pareça natural. Apenas o Mark tá normal como sempre, com sua uma só expressão. Neste caso, a de preocupado. Não entendo bem a carreira do Mark, começando por quando ele era modelo de cueca da Calvin Klein. Gente, o Mark é lindo em qual universo alternativo? Porque no meu não é. Ele tem o torso compridão, pernas curtas, rosto comum. Como ator, ele fez algo de bom fora Infiltrados e Boogie Nights? Lamento dizer que, em Fim, seu momento iluminado é quando ele conversa com uma planta de plástico. Porque aí não tem ninguém pra roubar-lhe a cena (se bem que a planta passa mais emoção).

Talvez o que Fim tenha de mais refrescante (e, pensando bem, de inacreditável) é que o apocalipse chega e ninguém menciona Deus ou religião. Mesmo que o filme se passe no nordeste dos EUA, e não em Utah, ainda assim deveria estar cheio de fanático religioso. Tampouco está bem explorado o trauma pós-11 de setembro. Imagina que morre um monte de gente no Central Park, em NY. Iria gerar muito pânico e suspeita em todas as partes dos EUA. Cadê a paranóia? Pessoalmente, adoro história de epidemia e de catástrofe. Uma das coisas mais legais é o nosso lado consumista que vem à tona. Ah, o mundo acabou? Então dá pra entrar em qualquer estabelecimento comercial e pegar qualquer mercadoria? Eu acreditava que dava, até que veio o Katrina e li que seguranças preferiram atirar em possíveis saqueadores morrendo de fome e sede a deixá-los invadir a loja. Mas Fim não tem nada disso, até porque o período retratado é curto. No entanto, um adolescente tenta arrombar uma casa aparentemente abandonada e Mark o reprime: “O que somos agora, criminosos?”. Isso, o fim da civilização veio com tudo mas vamos continuar defendendo a propriedade privada.

Fim até tem um bom clima, o que para um filme de terror é tudo. Algumas imagens são bem aterrorizantes. O Shyamalan compreende que portas rangendo e sendo arrombadas habitam meus pesadelos. Mas o gosto que fica no final é que a gente já provou isso antes. Pra ser honesta, não pensei em Guerra dos Mundos ou nos Pássaros nenhuma vez durante a sessão. Pensei em Invasores de Corpos e no Dia Depois de Amanhã, isso sim. Ficando só na obra do Shya, Fim é melhor que Sinais e muito provavelmente, pelo que dizem, que Dama n'Água. E é pior que Sexto Sentido, Corpo Fechado e A Vila. Mas, depois de ver o filme, pense a respeito e me responda: como que uns manés se enforcam? E por que uma velhinha que não sabe o que está havendo convidaria estranhos de quem ela suspeita pra comer e dormir em sua casa? Isso nem o maridão faria.Categoria melhor ator: entre eu e uma samambaia, quem será que ganha? Mais sobre o filme aqui.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

CRI-CRÍTICA DE TRAILER: FIM DOS TEMPOS

Leia a crítica do filme aqui.

Estou com boas expectativas pra The Happening (Fim dos Tempos), que deve estrear nos EUA e no resto do mundo, o que geralmente inclui o Brasil, numa sexta-feira 13 em junho. Pra ser sincera, meu otimismo é mais pela história em si – adoro filmes catástrofe sobre o fim do mundo, porque sempre penso que, se a vida humana acabar, talvez eu não precise terminar minha tese – que pelo diretor M. Night Shyamalan. Eu adorei O Sexto Sentido tanto quanto todo mundo, embora tenha descoberto o final durante a sessão (o que, em se tratando de mim, é uma raridade. Geralmente não consigo descobrir o final nem depois de vê-lo). Gostei bastantinho de Corpo Fechado. Fiquei muito decepcionada com Sinais, e na época montes de almas impacientes me criticaram por isso, mas hoje é ótimo saber que, mais uma vez, eu estava coberta de razão (ou, como diriam meus detratores, redondamente certa). Ninguém mais hoje tem coragem de dizer que Sinais é um grande filme. (Aproveitando pra vender meu peixinho dourado, recomendo a minha crítica de Sinais. Tá engraçadinha. E é verdade aquilo que eu falo sobre a parte “filmada” no Brasil, em que um tal de Juan ou Pablo grita com o maior sotaque português que já ouvi). Já A Vila eu fui a única pessoa no universo, com a possível exceção da mãe do Shya, a ter apreciado. Quero até ver de novo. E aí o trailer de Dama n'Água era tão fraquinho que fiquei sem vontade de pegar o filme inteiro. Mas o consenso é que o Shya, sem dúvida um diretor talentoso, continua sofrendo porque o público espera um final-surpresa em todas as suas obras desde seu primeiro sucesso, aquele do “I see dead people”. Ele fez dois filmes que ninguém viu antes disso: Praying with Anger (aparentemente sua obra mais autobiográfica, que ele dirigiu com apenas 20 aninhos, sobre um menino indiano que vai parar nos EUA), e Wide Awake (aparentemente a busca de um menino de 10 anos por Deus).

Shya quase foi crucificado em praça pública após A Vila e Dama, então o desejo geral é pra que ele se recupere com Fim dos Tempos. Tem chance. O trailer principal é muito bom, apesar do Mark Wahlberg só conseguir fazer uma expressão (surpreso/confuso). Às vezes eu penso que a fala dele - “Temos que admitir que certas coisas acontecem sem o nosso entendimento” - tá lá apenas pra explicar seu êxito na carreira. E por que o Alan Ruck não tá creditado? Aquele professor que aparece não é o Alan, o melhor amigo do herói em Curtindo a Vida Adoidado? Enfim, o trailer gera suspense sem contar muito da trama – como deveria ser. E é sempre assustador ver uma família assistindo TV usando máscaras de oxigênio. Minha principal reclamação é com a cena dos homens voando. Isso não parece nada necessário.

Domingo vi no cinema um outro trailer, e esse eu gostei menos, porque tenta explicar demais. Pra esse dou nota 3. Pro principal, nota 4. E vou ficar aqui com pompons de cheerleader torcendo pra que o Shya acerte.