Hoje é uma data importante, Dia da Consciência Negra. Falarei mais disso amanhã. Pelo que estou vendo no Twitter, uma coisa é certa: sempre que houver gente lutando contra o machismo, contra o racismo, contra a homofobia, haverá reaças lutando contra a gente que luta. E depois eles se ofendem ao serem chamados de machistas, racistas, homofóbicos.
Bom, em primeiro lugar, permitam-me vender meu livro, que não é exatamente meu, mas tem um artigo lá escrito por mim, além de 22 outros artigos, um prefácio do Lula e uma entrevista com a Dilma.
Compre o excepcional Golpe 16. custa R$ 43 pelo correio, e você o recebe na sua casa com uma dedicatória caprichada. Você só precisa depositar o valor na minha conta no Banco do Brasil, agência 3653-6, conta 32853-7 (está no meu nome oficial, Dolores), ou na minha conta no Santander, agência 3508, conta 010772760, mandar um email pra mim (lolaescreva@gmail.com) com o comprovante ou foto do comprovante, e o seu endereço.
Com a ajuda da Sofia, finalmente cheguei a 60 exemplares vendidos. Agora só falta vender 40. É que recebi em consignação (eu fico com metade, ou R$ 17,50, de cada livro vendido) cem exemplares, e acho chato ter que devolvê-los. Um blogueiro vendeu oitocentos exemplares, e duvido muito que o blog dele seja doze vezes maior que o meu, que conta com 400 mil visualizações de página por mês.
Mas, sinceramente -- e eu não minto --, eu nem tentaria vender o livro se eu não tivesse orgulho de fazer parte desse projeto, se o Golpe 16 não fosse ótimo e importante. E por isso gostaria que mais leitores e leitoras minhas adquirissem o livro. Como um reconhecimento dessa importância.
E agora vou contar com um pouco mais de detalhes o que disse rapidamente na segunda, quando comentei sofre uma nova onda de ataques que estou sofrendo. Se já não bastasse a situação do país ser desanimadora, ainda tem o cenário da internet, que reflete a crise moral que o Brasil atravessa.
Do penúltimo sábado pra cá, mascus fizeram com três leitoras minhas o que fazem comigo há seis anos. Chama-se doxing, que é descobrir e divulgar dados de uma pessoa, para que grupos organizados e criminosos possam, juntos, atacá-la. Então fizeram montagens pornôs dessas leitoras, colocaram seus telefones residenciais em sites de prostituição, enviaram mensagens com ameaças de estupro e morte. Várias dessas mensagens foram enviadas com cópia pra mim.
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Perfil falso no meu nome e
ameaça corriqueira:
"Vamos abater o porco" |
Como os planos de ataques sempre se originam num chan mascu chamado Dogolachan, costumo enviar os dados do criador do chan para as vítimas, para que elas possam fazer boletins de ocorrência contra um dos responsáveis. Mas eu, pessoalmente, já registrei nove BOs (o primeiro em janeiro de 2012), e nada acontece. Não há investigação, muito menos punição para esses criminosos que fazem de atacar mulheres sua maior missão na vida.
Então eu, que sempre encorajo meninas e mulheres a criarem blogs e vlogs na cara e na coragem, com seus nomes e rostos, começo a repensar isso. Porque, numa terra sem lei, ser uma mulher sem medo é ser alvo de vários crimes que permanecem impunes. E é impressionante -- até entre familiares, amigos e colegas, a primeira pergunta que te fazem (e que às vezes não é feita, mas pensada) quando você conta que está sendo alvo de ataques na internet, é: "Mas o que você fez?" Aí você pode optar por responder: "Sou mulher" ou "Sou feminista".
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Levou três dias e dezenas ameaças
para o Twitter tirar este perfil do ar |
Uma repórter de uma rede de TV que veio em casa me entrevistar (e que nunca tinha ouvido falar do meu blog) já abriu a entrevista com essa pergunta. Numa palestra minha pra advogadas, uma advogada, integrante da Comissão de Mulheres da OAB, me fez essa pergunta: "O que você fez para ser atacada assim?" Outra perguntou: "Por que você foi falar de masculinistas?" Eu respondi: "Porque eu tenho um blog feminista e acho relevante denunciar grupos organizados que atacam e ameaçam mulheres na internet. Você preferiria não saber que eles existem? Além do mais, eu já era atacada por eles muito antes de falar neles no meu blog, só não sabia que eram grupos organizados".
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| Ameaças da última terça, 15/11: "Eu ainda vou estuprar a Lola", "Tu só vai ter sossego no dia da tua morte, Dolores!", "Vamo te tortura ate teu ultimo minuto de vida" (sic), etc |
Em janeiro, este bloguinho vai fazer nove anos. Vai certamente chegar aos 9 anos. Não sei se chega aos dez, mas vamos lá, mês a mês, ano a ano. Eu sou muito cuidadosa com o que publico, e uma das provas disso é que, nesse tempo todo (uma eternidade em termos de internet), estou respondendo a apenas um processo na justiça. Como este mundo é surreal e cheio de gente sem noção, quem me processa é logo um mascu que esteve preso por mais de um ano por sua participação num site de ódio que eu ajudei a denunciar, em 2011.
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Alguns dos vídeos do mascu
me difamando |
Assim que ele saiu da prisão, em 2013, me enviou um email dizendo que iria me processar. A ação chegou no começo deste ano. Ele pede 41 mil reais de indenização. Consegui duas excepcionais advogadas, que me recomendaram pedir reconvenção, ou seja, eu processo o salafrário, que só no passado gravou 25 vídeos me xingando e caluniando (entre mil e outros crimes que saíram da cabecinha dele, ele me acusa de matar seu pai, de comprar meu diploma, de não saber falar inglês, de roubar verba pra compra de livros pra biblioteca da universidade, de receber dinheiro do governo para fazer o blog, de ser uma nazista que fugiu pra Argentina, de ter casado com meu marido -- que, segundo o psicopata, é pedófilo e estelionatário -- para obter cidadania brasileira etc). O criativo mascu continua fazendo vídeos contra mim até hoje.
Em maio, eu pedi a colaboração de vocês para pagar os R$ 983 da reconvenção. E vocês demonstraram muita generosidade e contribuíram com cerca de R$ 1.400 (em janeiro, como sempre faço, mostrarei a vocês os valores exatos do que ganhei com o blog este ano).
Agora, a primeira audiência do processo está marcada para meados de abril, e pelo menos uma das advogadas (que não mora no Paraná) terá que ir para São José dos Pinhais. Preciso arcar com passagens e hospedagem, e torcer para que eu (eu gostaria de depor!) possa falar por via conferência, sem ter que ir pra lá.
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Uma boa notícia em
2016: deputada ganha
processo contra
blogueiro mascu |
Não posso contar tudo (minhas super advogadas já não vão gostar deste post), mas sei que vou ganhar o processo. Conto com quatro testemunhas incríveis (dois deputados, um delegado, um professor -- não vou nem dizer o gênero, para não haver especulações) que conhecem o caso todo e vão depor em meu favor. É muito mais que uma questão financeira (quero ganhar para pagar as advogadas e aumentar as doações que já faço a ONGs). Quero ganhar para que sirva de exemplo de que vídeos e textos difamadores e ameaças e crimes que mascus cometem com regularidade não ficam impunes.
Já que a polícia não faz nada, ou quase nada (a Operação Intolerância, que prendeu os dois mascus, foi há 4,5 anos; de lá pra cá, apesar das dezenas de novas denúncias, nada), quem sabe adianta alguma coisa processar civilmente e mexer no bolso deles. Mas é difícil. Vocês veem, leva tempo e custa dinheiro.
E, como mascus são fracassados por definição, não costumam ter nada em seus nomes. Logo, ganhar a ação não é garantia nenhuma de que receberei a indenização. Ainda assim, quero processar mais mascus.
Só de mencionar que preciso de contribuições, duas leitoras maravilhosas depositaram R$ 200 cada na minha conta. Quem puder ajudar, peço que colabore com a quantia que puder no PayPal ou numa das minhas duas contas: Banco do Brasil, agência 3653-6, conta 32853-7, ou Santander, agência 3508, conta 010772760
E, mesmo quem não possa ajudar financeiramente, peço que ajudem divulgando os posts, comentando no blog, dando apoio, enfim.
Ah, antes que me esqueça, participarei de algumas atividades esta semana, e vocês uqe moram no Ceará estão convidadxs.
Na quarta, dia 23/11, às 20:30, estarei na Unichristus para a mesa "Manda nudes: violação de privacidade e crimes online". Na quinta, 24/11, às 16h, vou coordenar a atividade de greve no Bosque, CH1, UFC, com o tema "Discutindo gênero e feminismo através do filme Thelma e Louise". Na sexta, 25/11, 14:30, desta vez na Faculdade de Farmácia, vamos ter uma roda de conversa sobre "Por que ser feminista". E no sábado, 26/11, às 15h, farei parte da jornada pedagógica do projeto social "Ainda existe amor em Fortaleza", com o tema "Sexualidade e resistência feminina numa sociedade machista", no Colégio César Calls, em Fortaleza.
Seguimos na luta!