Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de junho de 2024

PERIGO: CÂMARA QUER EQUIPARAR ABORTO APÓS 22 SEMANAS A HOMICÍDIO

A Câmara quer aprovar de um dia pro outro, sem debate, o PL 1904/24, que dita que qualquer aborto acima de 22 semanas de gestação (incluindo nos casos de aborto legal, como gravidez decorrente de estupro, ou risco de morte para a gestante) tenha a mesma pena que um homicídio. É mais uma tentativa do Congresso mais reacionário de todos os tempos proibir o aborto em todos os casos e acabar com os direitos de meninas e mulheres. Publico aqui o texto da campanha Nem Presa Nem Morta. 

A campanha “Criança Não é Mãe” pede que PL 1904/24 não tenha requerimento de urgência votado. Este projeto de lei, além de equiparar o aborto acima de 22 semanas de gestação ao crime de homicídio, derruba também a não punibilidade do aborto legal por estupro nesses mesmos casos, o que afeta, principalmente, crianças e pessoas vulneráveis vítimas dessa agressão.

Organizações da sociedade civil lançaram, nesta segunda-feira, uma campanha via e-mail na plataforma Criança Não é Mãe, de pressão sobre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e sobre as lideranças da Câmara dos Deputados, para que não seja colocado em votação o requerimento de urgência do PL 1904/24. Conhecido como PL da Gravidez Infantil o texto, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e outros/as, visa alterar o Código Penal (CP) para equiparar o aborto acima de 22 semanas de gestação ao crime de homicídio simples, e estender este conceito aos casos de aborto por estupro, hoje autorizados pelo CP, sem limite de idade gestacional.

Caso o PL 1904 seja aprovado, o aborto por estupro acima de 22 semanas passará a ser totalmente proibido, e as principais afetadas por esta mudança seriam crianças vítimas de estupro, cujos casos de abuso e consequentes gestações demoram a ser identificadas, levando a uma busca tardia pelos serviços de aborto legal. Vale ressaltar que 74.930 pessoas foram estupradas no Brasil em 2022, 61,4% delas tinham até 13 anos de idade, segundo dados do Fórum de Segurança Pública.

Espantoso notar que, para o crime de estupro, a pena máxima é de 10 anos. E se a lei for aprovada, mulheres estupradas e profissionais que as atendem, quando as gestações têm mais de 22 semanas, estarão sujeitas/os à pena máxima de 20 anos.

O requerimento de urgência para este projeto, que foi apresentado em 17 de maio, estava na pauta do Plenário da Câmara na última quarta-feira, dia 5 de junho. Entretanto, a votação não aconteceu, devido a tumultos, em particular na sessão da Comissão de Direitos Humanos, que resultou em problema de saúde da deputada Luiza Erundina (PSOL-SP).

Há um compromisso do presidente da casa, Arthur Lira, com o autor do PL, indicando que o requerimento deve ir a votação no dia 12/06. Caso a urgência seja aprovada, o projeto irá para votação no plenário da Câmara, sem passar por análises nas comissões, onde poderia ser modificado ou vetado, e sem debate com a sociedade. Para impedir que isso aconteça, organizações feministas lançaram um abaixo-assinado para pressionar Arthur Lira e as lideranças da Casa, e evitar que aumente ainda mais o número de crianças que têm sua infância interrompida pela maternidade, no Brasil.

Por que o PL 1904/24 é um problema?

Desde 1940, o Código Penal que criminaliza o aborto garante às brasileiras o direito de interromper a gestação em casos de estupro e risco à vida. E desde a decisão do STF, em 2012, esta permissão se estendeu aos casos de anencefalia fetal. O PL 1904/24 limita um direito que a população tem há décadas, colocando em risco, principalmente, as pessoas mais vulneráveis.

Anualmente, 25 mil crianças de até 14 anos têm filhos no país, segundo dados do Sistema de Nascidos Vivos. Lembrando que, por lei, relação sexual com menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável. Por isso, todas elas têm o direito de interromper a gestação legalmente. Esses números já indicam como o acesso ao direito é dificultado e pouco acessado. Entre 2015 e 2022 foram em média 1.800 abortamentos legais realizados por ano, no Brasil, segundo levantamento segundo levantamento da Revista Azmina. “Muitas vezes, a situação de abuso demora a ser descoberta e a gravidez identificada, fazendo com que demorem mais a chegar nos serviços de aborto legal ou nem cheguem a eles”, explica Laura Molinari, coordenadora da campanha Nem Presa Nem Morta.

Somente 3% dos municípios brasileiros contam com um serviço de aborto legal. Além das crianças, muitas mulheres precisam viajar para acessar o direito e não contam com recursos, nem estrutura para isso. Aquelas que são mães ou cuidadoras, precisam também se organizar para realizar essas viagens. Tudo isso explica porque muitas vezes a busca pelo direito ao aborto legal acaba acontecendo após 22 semanas de gestação. 

O contexto 

O requerimento de urgência para o PL 1904/24 e toda essa movimentação acontecem em um cenário de complexas disputas políticas em que, mais uma vez, os direitos das mulheres, crianças e pessoas que gestam são usados como moeda de troca no campo das negociações. Diante de decisões que pressionam o Governo no sentido de garantia e ampliação do direito, cresce a pressão no sentido contrário.

Em 17 de maio, uma decisão liminar do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que tentava coibir o aborto acima de 22 semanas. No mesmo dia, o PL 1904/2024 foi protocolado pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) na Câmara Federal. Já no início de  junho, o Brasil foi cobrado pelo Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW) da ONU para que descriminalize e legalize o aborto no país. Segue a disputa, e a cidadania precisa estar alerta.

Assine e divulgue o abaixo-assinado Criança Não é Mãe!

sábado, 30 de setembro de 2023

VAMOS VOTAR PRO CONSELHO TUTELAR

Quem falou que este ano não tem eleição? Tem sim, mas o voto não é obrigatório. É pro Conselho Tutelar!

Em 2019 eu votei pela primeira vez (como mostra a foto acima), e lógico que amanhã (domingo, 1o de outubro) eu vou de novo. Basta encontrar sua seção eleitoral (pro pessoal do Ceará, aqui) e levar o título de eleitor e um documento oficial com foto. Algumas cidades, como Fortaleza, vão garantir ônibus gratuito das 6 às 18h pra que todo mundo possa ir.

E por que é importante? Porque as conselheiras tutelares (imagino que a maior parte seja mulher) tem um mandato de quatro anos para defender e garantir os direitos das crianças e adolescentes, conforme previstos pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Acontece que, na prática, os Conselhos de cada cidade são lotados de crentes -- já que as igrejas evangélicas fazem forte campanha pra cada eleição --, e muitos conselheiros acabam agindo de forma totalmente errada (tirando a guarda de pais que seguem religião de matriz africana ou que são gays, por exemplo, ou perseguindo meninas de onze anos grávidas que desejam abortar). 

Se queremos um Estado laico (e eu quero sim, por favor!), é essencial a gente eleger pessoas que não sejam fundamentalistas religiosas para conselheiras. Neste site você encontra candidatas progressistas com o link pro perfil de cada uma. Anote e leve sua colinha. Em São Paulo dá pra votar em até cinco nomes, mas, em outras cidades, só em um. 

Este ano, pela primeira vez, a votação será através de urna eletrônica, o que promete ser mais rápido. Então não tem desculpa pra não ajudar a escolher as mulheres mais comprometidas em combater abuso e violência contra as crianças. 

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O SOM DAS TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Hoje estreia no Brasil O Som da Liberdade (veja o trailer aqui), baseado na história real (ou quase) de Tim Ballard, um ex-agente do governo americano que foi pra Colômbia resgatar crianças hondurenhas que foram sequestradas pelo tráfico sexual infantil.

O trailer não parece ruim. O problema é que Som virou o filme de cabeceira da extrema-direita. Figuras proeminentes do extremismo como Trump, Elon Musk e Mel Gibson apoiaram o filme publicamente. Aqui no Brasil, é certeza que bolsonaristas vão adorar e divulgar. Afinal, a produção mais ou menos propagandeia as mentiras que os reaças tanto gostam -- de que há uma rede internacional de pedófilos (de esquerda) e que só Trump pode combatê-la. Pois é, Trump, aquele que foi amigão do Jeffrey Epstein e condenado por estupro. Sem falar que durante o seu governo, 545 crianças, filhas de imigrantes ilegais, foram separadas de seus pais. Muitas delas se perderam pra sempre. 

Quando Hillary Clinton perdeu para Trump em 2016, uma das maiores teorias da conspiração da extrema-direita foi que assessores da democrata escravizavam, torturavam, estupravam e até comiam crianças numa pizzaria em Washington DC. A mentira se espalhou tanto que resultou num lunático invadindo a pizzaria em questão e disparando um rifle lá dentro para abrir um cadeado. 

Mas talvez o pizzagate nem seja a mais bizarra das teorias conspiratórias. Uma loja de móveis nos EUA também virou alvo. Começou quando um ativista da QAnon apontou que armários para escritório vendidos pela loja Wayfair tinham nomes de meninas, logo, obviamente eram usados por uma rede de prostituição infantil para transportar garotas desaparecidas com aqueles nomes (sério: quão lobotomizado você tem que estar pra acreditar numa coisa dessas?!). 

Assim que uma nova teoria conspiratória é lançada, ela não para mais. Todos que acreditam na teoria absurda se empenham para ampliá-la. Então uns caras da QAnon descobriram que se você digita alguns produtos da Wayfair num site de buscas russo chamado Yandex, aparecem imagens de mulheres jovens. Até era verdade, mas o Yandex gerava os mesmos resultados para várias outras buscas (essa falha foi corrigida). 

O Som da Liberdade não trata diretamente dessas teorias conspiratórias, mas o fato do filme ter sido abraçado pela extrema-direita é sintomático. O ex-agente Ballard (acusado de assédio sexual por sete mulheres e ainda assim planejando virar senador; ah, e um dos maiores financiadores do filme foi preso por sequestrar uma criança), que inspirou a história, já divulgou a barbaridade sobre o Wayfair, e o astro do filme, Jim Caviezel (que interpretou o protagonista na Paixão de Cristo), não só é idolatrado pela direita como é figurinha carimbada no circuito de Steve Bannon para compartilhar teorias como a que a elite pega um hormônio do sangue das crianças para criar uma droga que, além de ser dez vezes mais potente que a heroína, também é rejuvenescedora. 

Na realidade, essa teoria do hormônio é uma teoria antissemita antiga que prega que judeus ricospara ficarem jovens para sempre, bebem o sangue de crianças que são mortas em rituais satânicos (sabe vampiros? Mesma coisa). 

Teresa Huizar, diretora de uma organização de combate ao tráfico infantil há quinze anos, explica que a maior parte das crianças traficadas no mundo não são sequestradas de espaços públicos por desconhecidos como o filme mostra, mas vendidas por familiares ou "namorados", ou seja, por gente que a vítima conhece e confia. Há vários adolescentes traficados (67% dos menores traficados têm entre 15 e 17 anos) após serem expulsos de suas casas por sua orientação sexual ou por sua identidade de gênero e passarem a trocar sexo por comida.

Um dos problemas em fazer um filme com narrativas sensacionalistas é espalhar lendas urbanas. Jean Bruggeman, diretora de uma outra organização anti-tráfico, lembra que ajudar sobreviventes é muito mais difícil e demorado que simplesmente realizar uma batida policial. Muitas das vítimas de tráfico nos EUA, por exemplo, frequentam escolas, e uma das tarefas da organização de Jean é treinar professores para que possam identificar sinais de que alguma aluna está sendo traficada. Quando passamos a crer em lendas urbanas, casos menos flagrantemente violentos de tráfico e estupro acabam levando júris a não condenar acusados. O júri espera algo como Taken (Busca Implacável, grande sucesso de 2006 com Liam Neeson), e, ao se deparar com uma situação mais nuançada, absolve traficantes.

Huizar espera que espectadores comovidos com O Som da Liberdade procurem organizações anti-tráfico sérias e confiáveis em vez de embarcar em teorias da conspiração do QAnon. "Você não precisa inventar teorias sobre abuso sexual infantil", diz ela. "Tem muita coisa de verdade que não inclui divulgar boatos horríveis sobre loja de móveis ou pizzarias".

Uma das narrativas fantasiosas da extrema-direita é que a esquerda corrompe as crianças (seja pela mídia, pela doutrinação nas escolas, por hormônios colocados na água), quando não as mata e estupra. E a direita está aí para salvar as criancinhas. Misóginos de chans adoram acreditar nessas besteiras. O pior é que muitos deles são pedófilos. Esses são justamente os que mais vão enxergar O Som da Liberdade como um documentário, não como uma obra de ficção. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

PINTOU UM CLIMA? TÁ MAIS PRA PINTOU UM CRIME

Ninguém deve se esquecer que, numa live do dia 14 de outubro, o presidente do Brasil fazia o que sempre fez (mentia sem parar) quando, ao narrar a narrativa inventada de que ele viu umas meninas bonitas de 14, 15 anos, "pintou um clima". Bem coisa de pedófilo mesmo. Ele ainda tentou explicar e varrer o assunto pra baixo do tapete, através de processos. Não adiantou.

Pedi pras minhas leitoras no Twitter contarem suas histórias de horror que a fala de Bolso as fez recordar. E coletei algumas pra publicar aqui (veja a parte 2 e parte 3). É história que não acaba mais. A pedofilia, o assédio, o estupro, a violência contra as mulheres precisa acabar. Só tirar o presidente mais misógino de todos os tempos não será suficiente pra que isso aconteça. Mas já é um começo. Neste domingo vá às urnas pensando na sua filha, no seu filho, na sua mãe, na sua esposa, na sua namorada, na sua irmã, em todas as meninas e mulheres, e aperte 13 com força.

"Com 10 anos pegava ônibus para fazer aulas de piano, o senhor de bengala, óculos acinzentados, chapéu preto, calça marrom, esperava eu sentar e em pé ao meu lado esfregava no meu braço. O motorista um dia percebeu e fez ele descer. Nunca contei com medo de ficar sem aula de piano." (Mariazinha)

"Eu devia ter uns 14 anos. Tive que sair correndo e me esconder dentro de uma loja movimentada em um shopping pq um grupo de marmanjos achou divertido sair em bando para encurralar uma adolescente." (Fernanda)

"Qdo eu tinha 8 anos brincava na rua de subir no muro e pular. Um homem passou por mim e disse q ia me ensinar a trepar. Eu sorri e disse q já sabia e mostrei, subindo e pulando. E ele disse: 'Vou te ensinar a trepar com tesão'. Percebi o tom de voz estranho dele e corri pra casa." (Gigica)

"Quando tinha uns 8 anos, estava no ônibus escolar e um motorista de carro emparelhou o carro com a lateral de ônibus, achou que PINTOU UM CLIMA e se masturbou de forma que nós víssemos. O motorista notou e acelerou o ônibus." (Katiane)

"Eu tinha 14 anos e minha irmã 8. Minha mãe pediu q eu fosse de ônibus até o centro, ela nos encontraria lá para fazermos nosso RG. Um homem sentado na nossa frente tirou o pênis pra fora e começou a se masturbar no ônibus lotado. Ninguém fez nada. Eu q gritei e comecei a bater nele." (FernandW)

"Quando eu tinha 12 anos, um senhor de uns 65 anos da igreja dos meus pais, que sempre frequentou minha casa, me abordou na rua e falou que já me amava desde que eu era pequenininha e que agora q eu já estava moça ele queria se casar comigo. Eu fugi e nunca mais falei com ele, peguei um ódio mortal dele nesse dia, pois ele falou q só ia na minha casa visitar meus pais pra me ver e que já sentia atração por mim desde que eu era pequena, que precisava muito de mim, me senti segura quando ele morreu." (Vy)

"Tinha 13 anos, meu pai fazia tratamento de câncer em SP. Minha mãe deixou que eu e minha irmã fôssemos passar o finde na casa de umas amigas. Todos no sofá, vendo filme, o pai delas começa a passar a mão nas minhas pernas. Fiquei paralisada e só muitos anos depois consegui contar." (Jô)

"Aos 8 anos, na porta da casa de uma colega, um velho achou que pintou um clima, pediu uma informação para se aproximar e agarrou a minha mão e colocou no pênis dele." (Gabriela)

"Eu já fiz um relato pesado aqui de estupro que sofri quando tinha 20 anos. Hj aos 47 após ficar viúva (perdi meu marido ano passado pra covid e negligência desse governo) o mecânico de meu marido disse que se eu quisesse poderia pagar o conserto do carro de outra maneira." (Claudia)

"Eu tinha 8/9 anos quando os vizinhos começaram a tentar me tocar, depois que fui crescendo 11 anos por aí, só foi piorando. Foi um assédio atrás do outro." (Wellyna)

"Aos 5 anos sofri a minha primeira violência sexual, através da pessoa que DEVERIA me proteger! Meu pai! Minha mãe alcoólatra não via ou fingia que não via… sei lá! Mas era diariamente os abusos. Tive que casar cedo para me livrar disso, mas graças a Deus eu encontrei um cara parceiro que me ama mesmo com as cicatrizes desses sucessivos abusos! Não consigo ter amigos e não confio em ninguém, além de ter desenvolvido outras situações. Hoje meu pai está ficando cego graças a diabetes. E eu já o perdoei pq não quero perpetuar ódio!" (Larissa)

"Qdo criança e adolescente sofri vários assédios d homens mais velhos. É repugnante e sempre muito constrangedor e assustador. E acredito q esses homens achem normal fazer isso. Acho q a maioria das meninas já passou por algum tipo d assédio." (Sheyla)

"Eu tinha 15/16 anos e estava com uma amiga e a mãe dela no aeroporto, porque ela precisava resolver um problema na passagem dela. Um velho nojento passou e perguntou em inglês: 'Quanto é?' Eu nem entendi o que ele quis dizer, na época." (Claudia)

"15 anos. Estuprada pelo tio do amigo. Que provavelmente me dopou pq pintou um clima tbm! Eu não sei nem definir meu sentimento! Não sei! Que desespero!" (Canhota)

"Tinha 6 anos e vinha da escola. Tinha 17 anos e fui tomar um passe com o dirigente de um Centro Espírita. Tinha 20 anos e fui discutir meu projeto de TCC com um professor. O único 'clima que pintou' em tds essas situações foi de aflição e desespero." (Simone)

"Entre 13 e 14 anos, um tio e um primo me assediaram com falas e gestos obscenos. Foi a duras penas que consegui superar esses traumas. O presidente representa todo esse horror." (Lili)

"Com 6-7 anos era abusada por um tio-avô. Com 9 por um vizinho.  Aos 13 por um cunhado. Todos homens que devem ter achado que 'pintou um clima' com uma criança." (Bora13)

"Eu tinha 11 anos e tive q ser empregada na casa de tios, dormindo lá. Todas as noites, prq pintou um clima, ele tapava minha boca e me assediava. Eu não podia contar a ninguém prq na época diriam q a empregadinha tinha seduzido. Além do mais eu não tinha p/onde ir morar. Absurdo!" (Miriam)

"Eu tinha uns 10 anos, estava na rua com a minha família, de repente um velho me chamou, eu, na inocência, fui até ele, me perguntou quanto eu cobraria para 'sair' com ele! Tenho 44 anos e até hoje essa cena está presente na minha cabeça!" (Janete)

"Aos 6 anos de idade, meu primo, hoje bolsonarista, cidadão de bem, conservador, provavelmente acreditou que #PintouUmClima e abusou de mim algumas vezes." (Meire)

"Um dos primeiros que eu lembro, aos 5 eu tava no mercado e me afastei um pouco da minha mãe, um velho parou na minha frente e alisou a minha barriga. Minha mãe e minha tia chegaram q nem duas leoas e ficaram gritando muito com ele, eu só fui entender mto tempo depois. Mais tarde, na virada da adolescência era um festival de carro parando na rua pra pedir Informações e o motorista pedindo pra eu entrar e mostrar o caminho, q dpois me levava de volta (ainda bem q minha mãe me orientou sobre isso)." (Kaella)

"Assediador, comigo, se ferra! Aos 14 anos, enfiei um alfinete -- daqueles usados para prender fralda de criança -- no braço de um mané que tentou se esfregar em mim no ônibus. Aos 21, quebrei o nariz e os óculos de um tarado que foi me atacar no banheiro da redação do jornal." (Célia)

"Eu tinha 8 anos e ele uns 50 e por algum motivo ele achou que rolou um clima mas eu só tava dormindo." (13)

"Aos 16, sofri assédio do patrão advogado. Aos 18, fui seguida na rua. Era domingo, 20h, em uma cidade do interior. O homem me segurou e ficou repetindo 'Abaixa a calça senão eu passo fogo.' Enfrentei, gritei e e me salvei." (Lirana)

"8 anos - o padrasto de uma coleguinha me puxou e me colocou no colo dele enquanto eu nadava numa lagoa. Ele estava de P* duro. Isso com a minha família toda sentada na areia não muito distante de mim. Sofri muito achando que podia engravidar daquele jeito pq foi na água. Quando eu tinha 13 um vizinho adulto que tinha a janela virada para minha janela do quarto começou a jogar ursinhos de pelúcia e cartas dizendo que me queria no seu quarto. Uma vez olhei pra fora e ele estava pelado na janela se masturbando. Eu nunca mais fiquei de janela aberta." (Lilica)

"Eles tiram nossa inocência, nossa infância, a liberdade de brincar na rua, de usar short no verão, de passar batom, de usar transporte público. Eles cortam pedacinhos da gente, que a gente cede por medo. Imaginar que as pessoas vão VOTAR nesse assediador pra presidente é absurdo." (Anna)

terça-feira, 25 de outubro de 2022

"PINTOU UM CLIMA", PARTE 3

Pedi para leitoras no meu Twitter compartilharem suas histórias de horror, aquelas que o atual presidente classificou como "pintou um clima" entre ele, um senhor de 67 anos, e meninas pobres de 14, 15. Esta é a terceira parte. Leia aqui a parte 1, a parte 2 e a parte 4.

"Tinha 8 anos e toda semana minha mãe me dava uma moeda para dar a um senhor q pedia esmola. Achava que ele era cego. Um certo dia ele, no portão de casa, pegou nas minhas partes íntimas (seios q nem existiam) e disse: não diga a ninguém. Eu fiquei com medo. Nunca falei pra minha mãe." (Mônica)

"Tinha uns 9/10 e numa festa de família eu estava brincando em frente ao quarto do meu tio (dono da casa) quando ele me puxou pra dentro do quarto, abaixou as calças e pediu pra eu pegar! Chorei e ele voltou pra festa como se nada tivesse rolado. Hoje é bolsonarista fervoroso!" (Larissa)

"Lá pelos meus 12 ou 13 anos estava voltando de uma padaria quando um homem começou a assobiar e me seguir. Literalmente corri pra casa, atravessei a rua quase me jogando nos carros e ele ainda bateu na porta (!) e o ouvi dizer rindo que não queria me assustar, pqp. Detalhe: eu não contei pra ninguém! Apesar de ter uma família amorosa e q com certeza iria me apoiar, na época me passou pela cabeça que eu teria alguma culpa, além do sentimento de vergonha! Triste mundo o nosso." (Mulher)

"Eu tinha 13 anos e ficava na lanchonete da minha mãe! Em frente descia um ônibus cheio de homens todos os dias vindo da barragem! Um se achava no direito de ficar falando sobre meu corpo! Lembro que ficava apavorada qnd o ônibus chegava! 13 anos...." (Carissa)

"Quando eu saio com a minha neta 13 anos é stress o tempo todo, é cada velho babão, outro dia um teve a cara de pau de me chamar de tia! Eu disse a ele que não tenho sobrinho velho e pedófilo." (Denise)

"Estava indo pra casa do meu namorado (eu tinha 18 anos), usava uma calça de moletom larga e uma camisa xadrez. Um cara me acompanhou maior parte do caminho de carro. Ele ficava me chamando e sorrindo, nunca vou esquecer o medo que senti. Só de lembrar me dá calafrios. Em outra ocasião, estava no trem voltando pra casa do trabalho e um velho sentou na minha frente e começou a se masturbar. Desci correndo na estação e ele correu atrás. Entrei no primeiro ônibus que vi para fugir dele." (Georgia)

"Quando eu ia pra escola sozinha com 13 anos eu tinha que ir por outra rua porque o caminho mais curto tinha um bar cheio de homem que ficava assoviando. Um dia me atrasei e passei correndo na frente do bar. Um velho gritou 'Volta aqui, gostosinha'. Nunca me esqueci. NOJO." (Nina)

"Ensino fundamental, fase de começar a usar sutiã, e um professor de educação física olhava p mim sempre com intenção até que um dia eu parei na frente dele (ele estava agachado) e ele disse 'nossa eu te namoraria se eu fosse mais novo', 'olha a linguinha', quando me concentrava." (Taíne)

"Eu tinha 12 anos, estava indo pra escola às 6:45h da manhã e um homem me abordou e me prendeu, me abusou passando a mãos nos meus seios mas me largou quando escutou alguém se aproximar. A camiseta do uniforme era branca e depois daquilo eu usava blusa de frio até no verão. Desculpem os erros. Desde sábado estou chorando por essas meninas..." (Renata)

"Minha mãe tinha uma loja de lingerie quando eu era mais nova. Um cara foi comprar  presente pra esposa/sei lá. Quando minha mãe perguntou o tamanho, o cara, q já tinha me visto antes, pediu pra eu ficar de pé, me olhou de cima pra baixo e falou q era o mesmo q o meu. Eu tinha uns 13." (Isa)

"Eu tinha 12 anos e fui comprar figurinha na banca perto de casa. Na volta, o pedreiro que estava trabalhando na construção de uma igreja na esquina da minha rua me agarrou. Na volta da escola, ele ficou esperando que eu passasse. Falei com meu pai, que após voltar de viagem no dia seguinte, foi na tal da igreja em construção, procurando o cara. O pastor não quis passar o contato. Meu pai bateu no pastor e pegou a info na marra. Como meu pai era da polícia, descobriu que o cara tinha ficha criminal, com direito a acusação de estupro. O cara fugiu." (Barbara)

"Tinha o pai de um coleguinha na adolescência que vivia me elogiando e me tocando, pegando na minha cintura, abraçando, pegando no pescoço…. Eu sempre fugia e ele falava que eu era mal educada pois não agradecia os elogios… tinha mt medo dele…" (Efemera)

"No carnaval qd tinha 18, um cara achou que eu não fiquei com ele à tarde porque estaria bêbado. De noite, ele me viu na praça, disse que agora eu ia ficar com ele porque estava bem, aí me deu um mata leão e tentou me beijar. Dei uma dentada nele." (Nanna)

"Um dentista enquanto examinava minha boca aproveitou pra apoiar os braços nos meus peito e ficava o tempo inteiro 'se ajeitando' se esfregando neles." (Carol)

"Quando tinha 12 anos, minha mãe pediu pra eu buscar meu avô na rodoviária, morávamos pertinho… eu andando no meio da tarde na avenida principal da cidade (interior) e um cara parou do meu lado num carro preto e chamou pra ir dar uma volta, tomar sorvete. Pediu meu celular e eu disse q não tinha (mentira), pois ele disse q íamos comprar um pra mim no dia seguinte… eu falei q não queria e q ele tinha idade de ser meu pai, ao q ele perguntou 'mas nem uma trepadinha?' Sinalizei negativamente e sai andando… Tinham umas pessoas na calçada q ficaram olhando e qndo passei tiveram a cara de me parabenizar por 'ser decente e não ter aceito'." (Amandah)

"Amigo de irmão mais velho que me punha no colo (com 9) ✅ Cara me perseguindo na rua com o p@0 pra fora quando eu tinha 10 anos ✅  Velho se esfregando no ônibus até climax ✅ Chefe que tinha idade do meu pai batendo na porta do quarto de hotel em viagem de negócios ✅." (C4r0l)

"Numa festa de 15 anos, eu com 14 ainda, fui encurralada num canto com todo mundo olhando parado. Custou um entender e ir lá me socorrer. Outra festa, dessa vez com 15 anos, um grupinho esperou eu ficar de costas pra apertar a minha bunda. Descobri quem foi porque ficou se gabando." (Fernanda)

"Eu tinha 10 anos... não estou preparada para falar sobre isso. Foram horríveis as 4 vezes em que aconteceram e até hj, 44 anos depois, nunca me esquecerei." (Helga)

"Uma recente que aconteceu comigo foi no sinal. Trabalho no sinal e tinha um freguês q comprava água direto na minha mão, aí ele começou a me olhar estranho, depois a acariciar minha mão, comecei a ignorá-lo e ele persistia, sempre me olhando esquisito, troquei de sinal. Ele continuou indo me ver, até q um dia eu não vendi água p ele e ele ficou insistindo e falou q um dia eu seria dele, estressei, mandei ele ir se fuder e até hoje ele não apareceu mais, glória a Deus. Detestava o jeito q ele me olhava e a insistência. Não é não." (Brenda)

"Tinha uns 7 anos qd passeava na pça de alimentação com minha família. Usava uma saia. Um pedófilo ficou olhando para as minhas pernas, por debaixo da mesa, de maneira tão vulgar que criou-se um circo. Tenho 31 e até hj não vi meu pai com tanta raiva quanto naquele dia..." (Beréu)

"9 anos, velho na banca de jornal exibindo ereção e dizendo 'ela já sabe o que é'. 15 anos, apalpada em viagem de ônibus por moço sentado no banco de trás. Em pânico, terminei a viagem noturna sentada na beira da poltrona. 16 anos, peão de obra passou a mão enquanto eu ia trabalhar." (Une)

"Me lembro muito bem de uns senhores na saída da escola. Um deles sempre murmurava algo do tio 'já tem peitinhos', 'bucet.. de anjo'. Nojo, vergonha era o que sentíamos. Lamentável as falas do presidente." (Lila)

"Eu tinha 10 anos voltava da escola um homem acho que 'PINTOU UM CLIMA' cortou o meu caminho e me mostrou o pênis, corri e a mãe de um colega da escola me viu correndo e perguntou o que tinha acontecido e me ajudou, nunca falei isso pra ninguém já se passaram 37 anos nunca esqueci." (Cris)

"Eu tinha 10 e minha prima 9, fomos ao cinema sozinhas (era ao lado da minha casa) assitir MIB2 e 2 homens sentaram ao nosso lado e se mast*. Ficamos em choque e até hj tenho horror a esse filme." (Aline)

"Nossa! Qdo criança, os véios de olho; véio mostrando o pênis; maior, passada de mão qdo caminhava; moça, chefe assediador; adulta: UM MOTOQUEIRO me seguiu, fez uma meia volta e me disse MTA nojeira; parente assediador. Hoje com duas filhas, tenho mto medo! Mto!" (Eli)

"Tinha 19 anos e fui p outra cidade treinar funcionários de uma filial. Estava hospedada no mesmo hotel que um amigo do meu chefe, um cara com seus 60 anos. Durante o dia fui cordial e, à noite, o cara bateu no meu quarto e queria entrar. Fiquei com muito medo e não abri a porta." (Juju)

"Eu tinha 15 anos e um cara de 40 e poucos da igreja começou a se aproximar. Ele sempre tentava passar a mão, me elogiava o tempo todo, me chamava pra transar na casa dele, dizia q tinha sonhos eróticos comigo. Detalhe: era casado e participava do grupo jovem." (Halime)

"5 anos qd o moço pergunta onde morava a Terezinha, ele tinha um cachorrinho pra ela e me mostrou a mamadeira do cachorro num pano por 2 dias consecutivos. No segundo desconfiei e contei pra minha mãe, anos dp entendi pq minha mãe saiu nervosa procurando." (Vania)