segunda-feira, 1 de junho de 2020

MASCUS, O CRIME NÃO COMPENSA

Sexta recebi a notícia de que Raphael Imbuzeiro se matou. E é verdade. Se você for ao Portal Extrajudicial do Estado do RJ (onde ele vivia), e digitar seu nome, aparecerá que ele veio a óbito no dia 4 de março.
Certo. E quem é Raphael Imbuzeiro, muitxs de vocês podem perguntar. 
Raphael, também conhecido como Raziel von Sophia Imbuzeiro, ou simplesmente Technomage, foi um mascu, neonazi, e frequentador de chans (fóruns anônimos). Não sei exatamente quando fiquei sabendo de sua miserável existência, mas em dezembro de 2011 publiquei e respondi um longo comentário dele em que ele se assumia masculinista, reclamava de mulheres só gostarem de cafajestes, e dizia estar em tratamento psiquiátrico. Ao longo do tempo ele foi trollando meu blog, fazendo propaganda de remédios que o "castravam quimicamente" (palavras dele), restringiam sua libido, o que permitia que ele deixasse de ser um "escravoceta". Eu o ignorava solenemente.
Até que, em setembro de 2012, ele me enviou um longo email avisando que havia comprado um livro meu e queria uma dedicatória. Contou também sua história: ele entrou no "movimento" masculinista em 2007, no meio de uma crise depressiva, doido pra culpar alguém (as mulheres, a esquerda, a "modernidade") pelo fracasso que era sua vida. Em 2012, começou a tomar hormônios por conta própria. Foi aí que começou sua transição. Virou Raziel, uma mulher trans.
Não lembro bem o que escrevi na dedicatória, mas certamente foi algo torcendo para que ele -- agora ela -- recomeçasse sua vida, abandonando a misoginia. Ela pediu para que eu publicasse seu relato, e foi o que eu fiz. Algumas leitoras entraram em contato com Raziel, que cursava Física na UFRSG, e até tornaram-se suas amigas.
Comecei a ficar preocupada quando três dessas mulheres, todas feministas, me escreveram contando a mesma história: Raziel era uma pessoa bacana (embora extremamente carente) até que surtava, aí chegava a ameaçá-las de morte (depois fiquei sabendo que ela passava os nomes e endereços das ex-amigas para outros mascus persegui-las também). Recomendei a elas que cortassem todo e qualquer contato com ela. Ela seguia comentando no meu blog, e muitos dos comentários apontavam que ela não tinha mudado muito. A gota d'água foi em 2013, quando ela escreveu para uma mulher que havia escrito um guest post sobre o estupro que sofreu, se a leitora sentia saudades do estuprador. Eu avisei Raziel que qualquer comentário seu dali pra frente seria deletado.
Ainda no mesmo ano, alguém fez um site no estilo "travesti é melhor que mulher", e incluiu várias fotos minhas pra comparar com a de atrizes pornô travestis. Achei que fosse Raziel a autora. Marcelo Valle Silveira Mello saiu da cadeia e passou a ameaçar um monte de gente, entre elas, Raziel, que ele já conhecia e ainda tratava como Technomage.
Quando fiquei sabendo do Dogolachan (isso foi mais ou menos em maio de 2014, quando Marcelo me enviou o link), o chan que Marcelo havia criado após ter sido expulso de todos os chans, vi que Technomage era um personagem frequente por lá. Tanto que em 2016 Marcelo a promoveu a moderadora do chan.
Num dia de novembro de 2016, recebi vários telefonemas na minha casa. Marcelo havia mandado que me ligassem e me ameaçassem. A enorme maioria dos telefonemas foi de Coelho, um mascu que mora nos EUA (e que continuou me ligando durante meses). Eu nem falava nada, só desligava na cara. O primeiro telefonema foi da Raziel. Nem lembro o que ela falou, foi muito rápido. Eu disse algo como "Vai procurar um psicólogo" e desliguei. Ela ficou dizendo no chan que iria me processar. Aliás, isso era frequente, jurar que iria me processar. Por que, eu não sei. 
Raziel seguiu sendo moderadora do chan do Marcelo um tempão, inclusive depois d'ele voltar à prisão (em maio de 2018) e ser condenado a 41 anos. Que eu saiba, era ela a moderadora (provavelmente não a única) quando o chan migrou pra Deep Web e protagonizou o massacre de Suzano. Ano passado, pelo que entendi, Raziel destransicionou -- voltou a ser Raphael. Nunca deixou de ser misógino. 
Em agosto de 2019 ele me mandou este email, se vangloriando da força do chan. Fechava com "Você não vai nos destruir, e nem ninguém. Nós vencemos, você perdeu".
Em janeiro, ele foi um dos cinco mascus presos pela Operação Illuminate. Ficou uma semana preso. Relatou sua prisão no chan sem nenhum trauma. Mas estava falando em se matar. Dizia que havia encomendado um veneno e que iria fazer uma live se suicidando. No final de janeiro, ele me mandou este email:
É doentio, eu sei, que esses mascus pensem que têm algum tipo de relacionamento comigo, que achem que têm que se despedir de mim. Eu nunca respondo. Em algum chan, ele anunciava seus planos, e recebia "ofertas" como esta, de vir para Fortaleza me matar:
No final de fevereiro, um mascu avisou que Raphael estava se suicidando ao vivo:
Este email do dia seguinte falava para eu "fugir do Ceará", pois Raphael iria me matar com uma bomba:
No dia 6 de março, o velho Goec (que mora na França e ainda não foi pego, apesar de todo mundo saber quem é ele), mandou este email para todos os seus contatos, eu inclusa:
Raphael já havia se matado, e não foi com uma bomba. Não houve live. Um ou outro chan diz que ele sumiu das redes sociais no final de fevereiro. Ele tinha 29 anos e, pelo seu relato, era mascu desde os 17. O que ele conquistou dedicando sua curta vida ao ódio?
Mascus (e nesse termo mais genérico entram incels, PUAs, sanctos, MGTOWs, guerreiros da real, tudo que é misógino mais organizado) adoram dizer que ensinam o "desenvolvimento pessoal". Que com eles um rapaz desajeitado e antissociável aprenderá a deixar de ser "escravoceta" e investir no seu sucesso. Pois bem, já vimos a história de sucesso do Raphael. Vamos a mais três. 
Marcelo, chefão de Raphael, nasceu de uma família de classe média alta em Brasília. Filho único, poderia até viver sem trabalhar, só sustentado pela mãe, funcionária pública de alto escalão (já aposentada por invalidez -- problemas mentais). Mas não. Sempre foi desajustado, invejoso, rancoroso. Foi o primeiro condenado por racismo na internet brasileira, ainda em 2009. Depois de passar anos criando sites de ódio e ameaçando e atacando pessoas (principalmente mulheres, gays e negros) nas redes sociais, está agora numa prisão de segurança máxima em Campo Grande, de onde (espero) não sairá tão cedo (mascus desistiram da mentira de que Marcelo estaria solto. Acreditaram num alvará de soltura fake).
Outro mascu foi André Gil Luiz Garcia, mais conhecido como "Kyo" e "Fuego Sancto". Era da gangue do Marcelo desde 2011, se não antes. Não teve tanta sorte quanto seu chefão. Vinha de uma família de classe média baixa. Passou sua vida toda em Penápolis, interior de SP. Só era capaz de se aproximar de mulheres pela internet. Seu passatempo era convencer rapazes com tendências suicidas a se matarem. Apesar de ter sido humilhado diversas vezes por Marcelo, foi moderador do Dogolachan por vários anos. Nunca foi preso. 
Em junho de 2018, um mês depois de Marcelo voltar à cadeia, Kyo deixou um recado no Dogolachan, que ainda moderava, dizendo que sua vida não valia a pena e que iria se matar. Ouviu o de praxe nos chans: "Leve a escória junto". Ou seja, mate-se, mas mate o máximo de pessoas antes. Houve também ofertas para que ele viajasse a Fortaleza para me matar. Mas Kyo saiu naquela noite mesmo nas ruas de Penápolis e atirou pelas costas na nuca de uma moça que ele nunca havia visto antes. Andou um quarteirão e se matou. Ele tinha 29 anos. Sua vítima morreu vinte dias depois, ainda na UTI. Luciana tinha 27 anos e desconhecia a existência de mascus.
Um outro caso é o de Caroline de Paula Dini, mais conhecida como Emma (às vezes ela dizia se chamar Maria Dolores e fantasiava ser minha filha). Emma começou a se envolver com mascus quando ainda era menor de idade. Com muitos problemas mentais e autoestima baixa, ela foi atraída por chans por também gostar de pornografia infantil e gore. Sofreu um bocado na mão de mascus. Teve que gravar vídeo nua, vídeo dizendo que foi estuprada por um mascu (Gustavo Guerra, internado há tempos depois de tentar esfaquear seu pai) e que gostou, vídeo acusando desafetos dos channers de estupro. Pra tentar fugir deles, fingiu que se suicidou. Mas já havia tentado suicídio outras vezes, de verdade.
Em 2017 eu e outra feminista tentamos ajudá-la. Emma já era maior de idade então. Eu nunca falei com ela, mas passamos o contato de um agente para que Emma pudesse denunciar tudo que havia passado com os mascus. Encontramos advogada para defendê-la. O que Emma fez? Foi e contou tudo pro Dogolachan. Foi promovida à moderadora do chan.
Elídia Geraldo
Emma morava em Ubá, cidade mineira com 115 mil habitantes. Em julho do ano passado um caso chocou a cidade. Elídia Geraldo, de 19 anos, desapareceu no dia do aniversário de Ubá. Seu corpo foi encontrado por um tio vinte dias depois, num terreno. Foi morta por asfixia, e estava com as roupas de baixo desarrumadas. As últimas pessoas a serem vistas com ela foram Emma e um namorado, Igor. Eram amigos de Elídia. Deram entrevistas pra TV como testemunhas. 
Quando Emma e o namorado (que era ex da vítima) foram chamados para testemunhar, se contradisseram. Mais tarde, acabaram confessando. Pelo que Caroline (Emma) contou à polícia, ela teve um surto psicótico e atacou Elídia. O namorado estava lá e não fez nada. Carol disse também que abaixou as roupas da vítima depois de matá-la para sugerir estupro e confundir as investigações.
Como na época circulava um vídeo de Carol torturando e matando um cachorro, houve suspeitas de que Elídia foi vítima de um ritual satânico. Mas nada de material desse tipo foi encontrado no local (só na casa dos autores do crime). 
Não sei mais sobre o caso, creio que está em segredo de justiça. Faz quase um ano, e não sei se Carol/Emma e o namorado foram julgados e condenados. Imagino que continuem presos. Imagino também que Carol vai alegar insanidade para tentar escapar da pena. Mas havia registros de que ela fantasiava matar alguém. 
O que sei é que os assassinatos tanto de Luciana, de Penapólis, quanto de Elídia, de Ubá, poderiam ter sido evitados se André/Kyo e Carol/Emma tivessem sido presos junto com Marcelo. Afinal, todos faziam parte da mesma quadrilha (e uma das diversas condenações de Marcelo foi justamente por associação criminosa). A polícia sabia deles.
Felizmente, Raphael não matou ninguém antes de cometer suicídio.
Mas é isso. Falei apenas de quatro pessoas de um mesmo chan: duas se mataram, duas estão presas. Todas fizeram mais duas vítimas que não tinham nada a ver com a história. Eu poderia falar de vários outros mascus que são sinônimo de fracasso, como Emerson, Robison, Mallone, Fernando, Arthur, Breno e tantos outros. É isso que cultivar ódio faz -- destrói vidas. Começando pela vida dos próprios misóginos.
Escrevo isso sem comemorar o suicídio de Raphael, mas aproveito para deixar um conselho. Mascus: parem de culpar outras pessoas pelo seu fracasso pessoal. Abandonem os chans e recomecem suas vidas pra valer. Enquanto vocês ainda têm tempo. 

44 comentários:

Unknown disse...

Nossa! Fiquei pasma com esse relato. São coisas chocantes e envolvem tantos inocentes. A justiça ainda é muito falha para criminosos como esses. Obrigada por compartilhar.

Prof.Karina disse...

Lola obrigada pela matéria esclarecedora.

Alexandre Costa e Silva disse...

Sou psicólogo e me lembro de alguns pacientes e ex-pacientes, adolescentes e adultos jovens, que se beneficiarão muito deste relato. Vou encaminhar este link para eles. Obrigado, sinceramente.

Unknown disse...

Não fazia idéia desse tipo de coisa,e olha que não sou nem um pouco ingênua,a maioria desses nomes ( chans,mascus) não faço ideia do que seja

Anônimo disse...

Eu não sofri bullying (físico e verbal) durante toda minha época de escola pra uma gorda rica mesquinha vir me dizer que é fácil mudar.
Eu fui rejeitado por todos, inclusive pela minha própria família. Nunca transei, nunca beijei, nunca namorei, nunca sequer toquei nas mãos de uma garota, nunca tive um trabalho de verdade, vivo de favor e tenho quase 30 anos. Tenho marcas das surras que levei do meu pai, da minha mãe, dos descolados do meu tempo de colégio. E guardo na memória as vadias rindo e debochando de mim.
Sou um aborto mal sucedido da sociedade, todo mundo me odeia. E você, sua mal caráter, acha que eu não devo retribuir o ódio? Vá se foder, maldita!

Luise Mior disse...

Lola, muito obrigada por postar isso. Realmente, ser mascu não é bom para ninguém, nem mesmo para eles. Que eles possam evoluir.

Anônimo disse...

Anonimo das 14:45, dou 3/10 para sua fanfic.
Melhore.

Anônimo disse...

Que otario. Qual futuro um fracassado que nem vc tem? Se eu fosse vc, já desistia de tudo logo

Allan dos Santos - Terça Livre disse...

Descanse em paz, amigo.

Anônimo disse...

Nossa Dolores que gente louca.
Esse tipo de gente e perigosa.
Se cuida.

Anônimo disse...

Anônimo de 14:45

O sofrimento pelo qual vc passou é lamentável. Mas quem se dedica ao ódio irá pagar com mais e mais sofrimento. Se sua escolha é seguir a vida dedicando-se ao ódio, tendo plena consciência disso, a consequência é apenas afundar-se em mais sofrimento. E é uma escolha consciente sua. Independentemente de ter sofrido bullying no passado, vc é adulto e tem capacidade de tomar decisões. Não adianta culpar as circunstâncias por todas as escolhas que vc toma.

Anônimo disse...

Então a única mulher que aparece se envolvendo com essas criaturas sofre violência misógina (gravar vídeo nua etc) — uma evidência CLARA da diferença de tratamento que esses estúpidos dão a mulheres — e você continua respeitando os pronome do otário (e provavelmente autoginéfilo) do Imbuzeiro? Ah Lola, plmdds, né.

Dri Caldeira disse...

Sinto muito, mas não lamento essa morte. É bom o universo ficar livre dessa gente

Anônimo disse...

Anônimo das 19:06

Vc leu a porcaria do texto? Não viu que a tal da garota é uma psicopata igual aos mascus? A Lola até tentou ajudar, mas a garota preferiu os mascus. Não viu que a psicopata escolheu sofrer o que sofreu? Alguém a forçou a mergulhar no universo de ódio mascu e a permanecer nele, mesmo podendo receber ajuda, por acaso?

Anônimo disse...

Quanto sofrimento...

Alan Alriga disse...

Uma pena que só foi um e não TODOS que se suicidaram de uma vez, mas mesmo assim isso é algo para se comemorar.
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Aparecida Joaquim disse...

Eu morava em Penápolis quando esse moço se matou, é uma cidade pequena,falou-se muito sobre esse suicídio/crime.
O mais bizarro foi o tanto de moleque que fazia questão de "parecer ser igual a ele!" Não eram, mas, de alguma maneira, virou uma espécie de moda macabra!
Penápolis já tem muitos registros de suicídio e para piorar tem várias cidades bem menores (cinco mil, dois mil habitantes...)ao redor nas quais acontecem muitos suicídios também, então tem-se a impressão que acontecem todos no mesmo lugar
Não sei o que dizer, estou chocada com tudo isso, toda essa gente infeliz e má, fui lendo e lembrando da UNISAM, é realmente assustador e triste.

May disse...

Pô, raziel morreu?

ANTES ELE DO QUE EU!!!

Lola, meu amor, pode comemorar, sim!
Eu mesma faço questão de tomar uma catuaba pra celebrar cada mascu morto!!!

Anônimo disse...

É a garota que matou outra garota? A garota que torturou e matou um cachorro?

Anônimo disse...

Pertubador o sofrimento dessas pessoas e o sofrimento que afligem a outras que nada tem haver com isso

Anônimo disse...

Sinto em dizer que muitos de nós sofreu bullying na escola, maus tratos dos pais, rejeição das outras pessoas e nem todos se tornam um poço de ódio e vitimismo. A pergunta que deixo é o que você está fazendo para melhorar sua vida? Para não ser sustentado? Para se emancipar? A vida é uma sucessão de escolhas e aparentemente você escolheu culpar os outros por sua inércia em reagir. Se você não teve sua primeira relação social foi porque motivo? Você é muito tímido? Você se sente inferior? Você é chato e não conquista ninguém? Pense e trabalhe isso, procure um terapeuta e não se deixe consumir pelo ódio

Anônimo disse...

nunca é tarde pra tentar...

natal disse...

Lola, qdo vejo esses relatos me dá um feio na espinha. Tenho um filho de 17 anos que se considera gender fluid no twitter e algum tempo atrás vivia postando que ia se matar, foi pra psicólogos diversos mas não aceita nenhum,hj está melhor, eu acho, não tem falado mais em suicídio, mas tenho muito medo desses grupos que vc fala.

Kico Santos disse...

forte, obrigado pelo relato

Anônimo disse...

"Lola, qdo vejo esses relatos me dá um feio na espinha. Tenho um filho de 17 anos que se considera gender fluid no twitter e algum tempo atrás vivia postando que ia se matar, foi pra psicólogos diversos mas não aceita nenhum,hj está melhor, eu acho, não tem falado mais em suicídio, mas tenho muito medo desses grupos que vc fala"

A teoria queer e esse modismo de ser "gender fluid" está comprometendo a sanidade mental dos jovens e adolescentes. Numa fase em que é normal ter dúvidas e incertezas a respeito de si, esse tipo de teoria confunde e não traz respostas.

Anônimo disse...

Quem é o Goec? Sei que Goec é a sigla de Grupo de Operações Especiais do Cartola, da Comunidade do fantasy da Sportv Cartola FC que após o fim do Orkut e migrou pra o VK, e ainda continua movimentada com seus mais de 5 mil membros. Mas quem se apropriou do nome do Goec? O Goec nasceu pra fazer cyberbulling com criminoso. O primeiro caso que me lembro foi com um torturador de animais. Depois se espacializou em descobrir dados e usar cartões de terceiros, como o Anonymous fez hoje com o Bolsonaro.

Anônimo disse...

Todas essas histórias tristes e pesadas me parecem o caminho mais provável quando alguém entra nessa, mas eu confesso que me lembrei de uma história de um incel que conseguiu sair dessa bolha através de camarões! Uma história muito fofinha, embora ele ainda seja preconceituoso, deu muitos passos para fora da bolha, conseguindo criar laços porque finalmente se importou e se comprometeu com algo saudável:
https://www.reddit.com/r/wholesomememes/comments/a9n6hy/shrimp_saved_my_life/
Eu sei por experiência própria que o simples fato de ter um animal de estimação querido muitas vezes não consegue nos dar forças pra nos tirar da depressão. É um buraco complicado, e eu não estou julgando quem não consegue. É só que é bom às vezes ver essas histórias e ter esperanças na humanidade, sabe?
No meu caso particular o Mindfulness tem me ajudado bastante para, bem aos pouquinhos, mas consistentemente, ir melhorando. Eu continuo fazendo terapia, tomando remédio, tenho a sorte de ter uma mãe incrível e um amigo em especial muito querido. Tenho alguns azares muito grandes tb (como por exemplo o fato de ter um transtorno de personalidade, que é algo comum na minha família)... Mas enfim, são um monte de pequenos passos que vão se somando. Eu tentei muitas outras coisas, que me ajudaram um pouco, e às vezes eu me sentia culpada porque elas davam MUITO certo pra outras pessoas, e eu ficava me odiando por elas não estarem dando tão certo assim pra mim. Eu me sentia um fracasso até nas coisas terapêuticas que eram pra ajudar, sabe? Acho que o que tem dado mais certo pra mim no Mindfulness é que ele te mostra na prática e com muita calma como os fracassos vão necessariamente fazer parte do caminho, e sobre olhar pra sua vida/experiência com sinceridade, seja ela qual for. Mas eu vejo que outras pessoas se encontraram em outras coisas (como os camarões na história acima, kkk). Então é um pouco mais sobre achar algo que te dê gosto em viver e te faça crescer do que propriamente sobre o Mindfulness ou os camarões em si. E continuar procurando isso exige muito esforço e honestidade consigo, mas tb tem uma certa esperança. Já andei um tempo suicida, e tendo ataques de pânico, então não julgo mesmo quem se mata. A vida pode ser muito difícil. Mas sinto muito mesmo, Lola, que vc tenha que conviver com tanto ódio. Vc coloca tanto amor em tantos dos seus posts, fala tanto sobre tolerância e tudo. Sei que em alguns posts vc fala tb que recebe muito mais amor do que ódio. Ainda bem, mas que incrível que vc tem forças pra continuar aqui apesar desse ódio. Faz uma diferença muito positiva, obrigada de coração por estar aqui por todos esses anos!

Anônimo disse...

Lola, uma pergunta que não tem nada a ver com o texto: esses Anonymous que reapareceram, eles tem alguma coisa a ver com Anonymous verdadeiro?
Porque pelo que eu saiba, Anonymous surgiu no fórum anônimo de extrema direita 4chan, e até hoje o 4chan a maioria é fiel ao Trump.
Esses Anonymous se separaram do 4chan, ou ainda tem ligação?

Anônimo disse...

Não sei se vc viu, tem dois vídeos que achei legais sobre incels de um psicólogo que fala que teve uma fase da vida dele que ele estava propício a se tornar um incel, que se ele tivesse acesso ao conteúdo talvez tivesse se tornado. Mas ele tb fala de coisas que ele fez que fizeram que ele tivesse um caminho diferente (hoje ele tem outra visão de mundo, uma família, um emprego, etc).
O vídeo dele no youtube é "10 traços dos Celibatários involuntários (Incels - virgindade) | Fred Mattos". E lá na descrição do vídeo tem um link pro site dele onde tem outro vídeo: "Incels- Caminhos Alternativos", com dicas pra sair dessa.

Anônimo disse...

Se tivesse tido acesso a conteúdo teria se tornado incel?
Você não sabe o que é incel?Deixa eu te explicar: é um CELIBATÁRIO INVOLUNTÁRIO. Leia novamente: CELIBATÁRIO e INVOLUNTÁRIO. CELIBATÁRIO. INVOLUNTÁRIO.

Anônimo disse...

Realmente GOEC era a sigla da comunidade do Cartola. Foi lá que surgiu o GOEC do dogola, que passou a usar a sigla como pseudônimo para cometer crimes.

Anônimo disse...

Triste ler essas coisas. Eu sei que não dá pra ter empatia com Mascu, mas acho muito triste ver a que ponto chega o buraco onde eles se metem, e a merda de vida que levam. Lola, como sempre, espero que siga forte apesar de toda essa loucura que te ronda. Abraços.

Anônimo disse...

Se a pessoa em questão se radicalizasse, e aderisse ao conteúdo mascu, certamente não conseguiria se desenvolver como ser social. Por isso talvez o comentário fale em "tornar-se incel", por mais contraditório que isso possa parecer.

Anônimo disse...

Sim 23:29, segundo a pessoa do 19:06 essa assassina é uma pobre coitadinha que não tem noção do que faz

Anônimo disse...

Sofri bullying durante quase toda minha adolescência. Sofri humilhações de todo o tipo e por várias vezes agressões físicas. Tive depressão por quatro anos, pensei em me matar várias vezes. Também pensei em matar quem me fazia mal (embora fosse mais provável que simplesmente desse cabo da minha própria vida). Acredito que se naquela época eu tivesse acesso a chans como o Dogola teria acabado por me matar ou teria machucado alguém. Nunca tive ódio por mulheres, mas penso que se eu tivesse tido contato com esse pessoal na época teria me tornado masculinista e passaria a odiar. A verdade é que isso é uma lavagem cerebral feita em jovens muito influenciáveis, gente de cabeça fraca mesmo, como eu era na época.

Eu acredito totalmente que os abusos são o percussor dessa coisa toda. Longe de dizer que essa gente é inocente, são criminosos sim, mas eu noto que essa é o denominador comum.

Eu gostaria muito de que nossa sociedade fosse mais aberta a dialogar sobre bullying em especial, mas não só sobre ele, também sobre outros tipos de violência: racismo, preconceito de classe social (aparentemente foi um dos que eu sofri, estudei durante o ensino médio em uma escola onde haviam muitas pessoas de classe mais alta) e contra pessoas com necessidades especiais. Cito esses pois foram os que eu mais notei na minha passagem por ambientes escolares. Acima de tudo temos que discutir como a escola tem se tornado um ambiente tóxico. Debate sobre o bullying quando feito dentro das escolas quase nunca é levado a sério pelos alunos, todo mundo pensa que bullying é chamar o colega acima do peso de baleia ou dar apelidos, sendo que na verdade é uma agressão muito mais sistemática.

Faz quase sete anos desde que terminei o ensino médio, mudei muito desde aquela época. Não machuquei ninguém, não me matei (logicamente), mas guardo muita coisa daquele tempo. Vez ou outra acabo me lembrando de alguma agressão ou humilhação que passei e fico triste ou com muita ansiedade. Nessa quarentena tem acontecido o tempo todo. Não sai da minha memória a vez que um colega me empurrou propositalmente da carteira onde eu estava sentado, sem mais nem menos, só pra me ver cair e ninguém da sala fez nada, ou da vez que roubaram meu material e ficaram jogando tudo pela sala, também sem motivo. Aliás, advinha pra quem boa parte desse pessoal votou pra presidente nessas últimas eleições, só advinha. Pior mesmo é ver que muitos deles se dizem cristãos, postam fotinha no Facebook falando sobre amor, respeito, o blá blá todo. Um hoje já é pai e posa de cidadão de bem. Outro se meteu num negócio de venda de perfumes que mais parece um esquema de pirâmide. Teve um que começou a namorar com uma menina aparentemente de esquerda e parece mais perdido que cego em tiroteio, não sei se o cara mudou e deixou de ser escroto ou se tá fingido. Outro, autodenominado "de esquerda", foi estudar na UNICAMP, toda a pose de universitário engajado, fica postando coisas sobre Setembro amarelo, etc.. mas me tratou mal em várias ocasiões. Enfim, se eu for falar da hipocrisia desse pessoal vai dar um livro.

Mas de toda forma usar isso como pretexto pra agir feito psicopata e bolar teorias mirabolantes para explicar as próprias falhas é ridículo. Eu poderia usar o mesmo modus operandi desse pessoal do chan pra lidar com esses desafetos (sou profissional de TI, como muitos deles, e tenho conhecimento pra no mínimo zoar esse pessoal um pouco), mas pensando bem, não vai resolver nada, talvez só me coloque na cadeia ou coisa pior. A real é que dá sim pra sair dessa, esse pessoal dos chans está perdido, é isso, os caras são geralmente jovens com algum transtorno psicológico, e precisam é de tratamento antes que seja tarde demais. Aliás é difícil discutir isso principalmente do ponto de vista de quem sofre com esses problemas. Lola, se não for realmente atrapalhar muito, você daria espaço para pessoas que sofrem ou sofreram com isso (bullying, abuso dos pais, etc...) falar sobre o assunto? Talvez em guest posts.

Anônimo disse...

Sou a anônima das 15h44. Fazia muito tempo que eu tinha visto o vídeo, re-assisti e ele fala que se formos ficar só no "celibatário involuntário" ele foi um. Ele fala que passou por algumas das 10 coisas que ele traça comuns nos incels. Duas coisas me chamaram a atenção na fala dele. Primeiro foi o perfil que ele traçou, muito detalhado batendo com coisas que combinam com o que li nos seus posts (e tem gente nos comentários do vídeo que se identifica como incel falando que se identificam muito com as características descritas. Inabilidade social, vício em pornografia, rigidez emocional...). Mas tb o respeito com que ele fala do assunto. É um tema muito difícil, e ainda sim ele consegue ser super respeitoso.
(Diga-se de passagem, não estou de jeito nenhum cobrando esse nível de respeito na sua fala, Lola. Sério, só de vc não estar comemorando o suicídio de pessoas que despejaram tanto ódio em vc e na sua família vc já te considero uma pessoa com um nível de empatia MUITO acima da média).

Enfim, se alguém quiser dar uma olhada, o link é esse:
https://www.youtube.com/watch?v=sC0bgBgIoAs&

Anônimo disse...

Kkkkkkkkkkkkkkk que piada esses caras, culpam os outros por serem uns merdinhas.

Isaac Duarte disse...

Anônimo das 20:38: cara, sei como é essa questão de sofrer bullying. Mas os bullies não são necessariamente maus ou imunes a mudarem. As pessoas evoluem. Adolescência é uma época complicada, e o bullying é uma maneira de afirmação na sociedade, tal qual o machismo estrutural.

O meu principal bully, aquele que tornava a minha vida pior, dez anos depois veio pedir ajuda na carreira (também sou de TI). O que fiz? Ajudei. Eu quero ser uma pessoa melhor e não guardar mágoa ou rancor. Se você não conseguir, saia das redes sociais ou tire esses falsos amigos da sua rede. A melhor resposta é você evoluir independente das dificuldades. Abraços.

Anônimo disse...

A quarentena como você mencionou nos faz refletir e mesmo vir a tona recordações ruins como as mencionadas por você. Eu sou mulher e passei por muitas humilhações na escola e no condomínio onde morei, por ser de estatura baixa, ser desengonçada e muito tímida. As coisas ficaram um pouco mais amenas quando comecei a trabalhar e estudar, mas no trabalho o meu patrão me tratava muito mal, eu era office girl, ainda adolescente e notava a forma diferenciada dele com outros funcionários, enquanto a mim, quando solicitava algo era aos berros. A postura, dicção, falta de segurança, dúvidas quanto ao próprio potencial são a porta aberta para permitir humilhações, falta de respeito, atos degradantes, hoje sou muito mais segura e na primeira atitude adversa, inconveniente, ríspida eu corto na hora e não permito uma segunda vez. Quanto a sua ideia em escrever a respeito? Faça isso, pois será uma forma de desabafo. Detalhe, o ocorrido comigo faz tempo, foi entre 1986 a 1990.

Anônimo disse...

Caroline de Paula Dini, vulgo Emma teve o fim muito semelhante a mulheres subservientes a misóginos, quando não é cadeia por serem cúmplices, ficam deficientes ou são assassinadas devido a violência de seus senhores, sejam namorados, maridos, "companheiros" . É o tipo de "vantagem" em serem biscoiteiras, por endossarem a misoginia e a violência embutida.

Anônimo disse...

E pensar que um mascu desses é "presidente" do país!

Nat disse...

Lola, aconteceu uma coisa engraçada.
Uns minutos antes de ler esse post, eu estava vendo um video de um tal de copini no Youtube e o que ele precisou explicar de forma bemmmmm velada, cheio de palavras de incentivo e misoginia em cerca de 13 min, vc definiu de forma simples, objetiva e em poucas palavras: adoram dizer que ensinam o "desenvolvimento pessoal". Que com eles um rapaz desajeitado e antissociável aprenderá a deixar de ser "escravoceta" e investir no seu sucesso.
Hahahha

Psicoativo disse...

Que triste fim

Anônimo disse...

Nossa, Lola!
Como você consegue manter sua saúde mental, tendo contato com um lado tão horrível da humanidade!
Causa espanto a grande mídia nunca tratar desses crimes e desse assunto com a atenção e seriedade que merece.
Poucas pessoas têm conhecimento desses grupos e de suas atuações, fica parecendo até teoria da conspiração e sei que não é.