quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O POVO CONTRA A PROMOTORA DO CASO O. J. SIMPSON

Vida real: Chris Darden e Marcia Clark em 94

Eu estava vivíssima em 1994, mas, por algum motivo, não acompanhei um caso que dominou a mídia nos EUA e no mundo durante meses: o julgamento de O. J. Simpson.
Clark (Sarah Paulson) e Darden
(Sterling K. Brown) na série
E só fiquei sabendo esses dias da série de TV que reconta o caso, quando fui atrás das indicações dos Emmy. American Crime Story: The People v. O. J. Simpson liderou as nomeações, e eu achei o tema instigante o suficiente pra baixar a série.
Capa de revista em 1977
Pra quem não tinha nascido em meados dos anos 90 ou, como eu, não seguiu de perto o evento midiático, um breve resumo: O. J. Simpson, carinhosamente apelidado de O. J. (orange juice, ou suco de laranja), ou simplesmente "Juice", foi um ídolo do futebol americano na década de 70. Negro, ele era bonitão, tinha carisma, fez montes de comerciais e passou também a fazer cinema (eu me lembro dele em Corra que a Polícia Vem Aí).
Teve um casamento conturbado com uma moça branca, Nicole Brown, entre 1985 e 1992, com varias acusações de violência doméstica. No dia 12 de junho de 1994, Nicole foi esfaqueada até morrer em sua casa, junto com o amigo Ron Goldman. As provas do crime rapidamente apontaram para O. J. Simpson como o único suspeito. Seus advogados de defesa aproveitaram o longo histórico de racismo da polícia americana para afirmar que o ex-jogador havia sido incriminado. 
Pesquisas da época mostravam que a maior parte das pessoas negras achava que Simpson era inocente (só 20% dos negros viam Simpson como culpado), e as pessoas brancas não tinham dúvida que ele era culpado. Hoje, mais de 50% dos negros acha que Simpson cometeu os assassinatos. O que mudou nessas duas décadas para alterar a percepção da população negra?
Irmã e pai de Ron Goldman
Bom, pra começar, em todo esse tempo que se passou, ninguém mais foi investigado pelos assassinatos. E há outros motivos.
Em 97, Simpson foi condenado num processo civil a pagar 33 milhões de dólares de indenização às duas famílias. 
Em 2006, Simpson mais ou menos redigiu uma confissão (este caso é fascinante: o ex-jogador, falido, recebeu US$ 3.5 milhões para escrever o livro intitulado "If I did it". O público ficou indignado que Simpson lucraria com os assassinatos, e o pai de Goldman -- que até hoje diz que não recebeu um centavo da indenização que Simpson lhe deve -- conseguiu impedir a publicação do livro. Um ano depois, no entanto, o livro saiu: com a palavrinha "if" bem pequena, fazendo parecer "I did it", e o subtítulo "Confissões do assassino". O lucro com a venda do livro foi para o pai de Goldman, não para Simpson, que usou os 3.5 mi para pagar dívidas, segundo ele). 
E talvez o principal motivo da mudança de percepção do público sobre a culpa de Simpson é que ele está preso hoje. Aliás, está preso desde 2008, e a gente vai ouvir falar bastante em seu nome no ano que vem, quando Simpson pedirá condicional. Ele foi condenado a 33 anos. Não pelos assassinatos, mas por ter tentado roubar à mão armada um hotel e cassino que continha algumas peças de suas coleções esportivas.
Na série: Cuba Gooding Jr (O .J.) e
Courtney B. Vance (Johnnie Cochran
A série de TV, com apenas dez episódios, foi indicada a 22 prêmios Emmy e ganhou 9. Ela tem muita coisa ótima e, digamos, sensível (pra não dizer polêmica). Mostra como um caso perdido, cheio de evidências contra Simpson, foi transformado num show midiático -- cortesia do juiz que permitiu que o julgamento fosse transmitido pela TV -- que só foi vencido porque a defesa o tratou como perseguição racial. 
Darden e Cochran na vida real,
22 anos atrás
Mostra como o advogado negro Johnnie Cochran, que havia feito fama lidando com casos de direitos dos negros, foi defender um cara que não tinha nenhum laço com a comunidade afro-americana (a cena na série em que Cochran muda a decoração da casa de Simpson, para torná-la mais "racialmente consciente", é exemplar). Mostra como o promotor negro Chris Darden sabia que estava sendo usado para fingir que o governo, e principalmente, a polícia de Los Angeles, não era racista. 
Darden, na vida real, deu entrevistas muito interessantes. Ele diz que não viu nem verá a série, porque sabe que ela inventará narrativas, e que ele não poderá fazer nada contra. E que ele se arrepende de ter trabalhado na acusação de Simpson. Não porque Darden não acha que Simpson é culpado (ele tem certeza absoluta), mas porque sua vida foi extremamente afetada pelo caso. Darden foi muito criticado pela comunidade negra (ironicamente, Darden estava bastante ligado ao ativismo negro, ao contrário de Simpson). Ele conta que, no primeiro dia do julgamento, foi acometido por uma dor nas costas tão forte que não conseguia se levantar do chão da sua casa. Se ele tivesse ficado lá, diz ele, teria sido melhor.
Steven Pasquale interpreta Mark
Fuhrman na série de TV
Os dois primeiros episódios estão longe de ser maravilhosos, mas depois engrena. O final do quinto episódio, quando o policial racista vê a medalha nazista que guarda em casa, é primoroso (Mark Furhman, o policial em questão, acabou sendo a única pessoa condenada no caso, já que ele mentiu sob juízo; depois ele deixou a polícia, passou a escrever livros, e virou comentarista da Fox News -- o que, convenhamos, fala muito sobre a Fox News). 
Eu tenho que admitir que, como feminista, o que mais me cativou na série foi a promotora Marcia Clark (que era e hoje, aos 63 anos, continua sendo branca). Clark largou sua carreira de promotora após perder o caso. Virou escritora de ficção. Ela conta que, quando soube que fariam a série (não que tenha sido a primeira série, muito pelo contrário), ficou super preocupada.
Paulson e Clark foram juntas ao Emmy
Teve Síndrome do Pânico. Achou que iria reviver todo aquela pesadelo novamente. Mas aí descobriu que Sarah Paulson, que ela tanto admirava, iria interpretá-la. Foram almoçar juntas, e a atriz disse pra ela que a série faria algo diferente -- falaria de sexismo.
E foi exatamente isso que aconteceu. A série transformou Clark num ícone feminista. Quando o "julgamento do século" começou, em 1994, ela estava no meio de um divórcio. O ex-marido (o segundo) queria a guarda dos dois filhos pequenos, pois alegava que Clark passava tempo demais trabalhando. 
Clark havia participado de 19 casos de assassinato na sua carreira como promotora e, antes de Simpson, só tinha perdido um. Não era exatamente o currículo de uma pessoa incompetente. Mas toda a mídia, o juiz, os advogados de defesa, a tratavam como se fosse.
Sarah Paulson em atuação marcante
O episódio "Marcia, Marcia, Marcia", o sexto da série, é o melhor. Se você não for assistir à série inteira, assista pelo menos a esse episódio. Ele mostra como o público odiava Marcia -- apenas por ela ser mulher. Entrevistados diziam "Eu não queria ser o namorado dela" e a resumiam a uma só palavrinha conhecida: vadia. Vadia por ser mandona, por ter poder, por estar acusando um homem, por não estar onde deveria estar -- em casa, cuidando dos filhos. 
A mídia julgava Clark diariamente. Suas roupas, seu penteado, sua falta de maquiagem. Todo mundo detestava os cachos de Clark. Na época, o penteado "permanente" (imagina só, no nosso mundo de chapinhas, um período em que as mulheres encaracolavam os cabelos!) já estava fora de moda, mas Clark o fez de qualquer jeito porque queria um penteado que não exigisse trabalho algum, só lavar e sair de casa. Ela precisava de um penteado assim, já que lhe faltava tempo pras crianças e pro trabalho.
O juiz Lance Ito disse na corte para os jurados não prestarem tanta atenção na saia curta de Clark. Um dos advogados de defesa a chamou de histérica. Clark teve que pedir que uma sessão terminasse às 8 da noite, porque ela tinha que ir pra casa cuidar dos filhos. Mas, quando foi avisar seu superior que estava indo pra casa, ele a forçou a varar à noite no escritório. 
Pouco depois, o ex-marido contou pro mundo que Clark usava a "desculpa" de cuidar das crianças para sair cedo, mas ficava trabalhando ("típico de homem achar que cuidar de criança pode ser resolvido com um telefonema", disse um colunista). 
Ela ia à farmácia comprar absorvente e tinha que ouvir do caixa, um total estranho, "A defesa vai se dar mal esta semana". 
E mais: um tabloide sensacionalista pagou ao primeiro ex-marido de Clark (na realidade, à sogra dela) por uma foto em que Clark, quinze anos antes, fazia topless na Europa. A foto da promotora "nua" percorreu um dos países mais conservadores do mundo, os EUA. Naquele dia, no tribunal, Clark superestimou sua força para aguentar todo tipo de ataque. 
Assim que seu colega Darden lhe apertou a mão em solidariedade, Clark começou a chorar. O juiz, em um raro momento de empatia, deu recesso a todos até o dia seguinte.
Clark, que pensa duas vezes antes de se assumir feminista, diz hoje: "Eu me lembro de ser chamada de feminazi. Tenho muito orgulho dessas mulheres jovens que não têm medo em dizer que são feministas".
O único erro que a série comete no retrato de Clark é o seguinte. A série sugere que há uma tensão sexual, um romance, entre os dois promotores, Clark e Darden (na vida real, ambos negaram qualquer conexão deste tipo, disseram que eram apenas excelentes amigos). Só que a amizade dos dois muda na série depois do fim de semana que passam juntos. Faz parecer que Clark não perdoa Darden por ele não beijá-la ou convidá-la pro quarto no hotel. É uma questão de timing. Tudo bem Clark e Darden brigarem um pouco, mas tem que ser depois daquela noite?
Jeffrey Toobin escreveu o livro em que a série é baseada. No livro, ele critica Clark por perder o julgamento (e não é problema criticar Clark. O problema é ser sexista ao criticar Clark. O problema é não ver o sexismo nos inúmeros ataques sofridos por Clark. A ex-promotora se justifica: "Trabalhei nesse caso 24 horas por dia durante 15 meses. Dei o meu melhor"). 
Toobin diz hoje: "De repente a metade dos anos 90 parece ter acontecido há muito tempo, e um motivo que eu acho isso é que o clima na mídia está quase irreconhecível de 1994 e 95. Não havia internet, não havia Fox News, não havia MSNBC, não havia mídia social. Então você tinha um enfoque geral grosseiro sem a compensação das vozes alternativas no Twitter e Facebook. Então quando o National Enquirer decidiu zoar do penteado da Marcia Clark, não havia artigo nenhum no Slate ou Salon ou comentários no Twitter para dizer 'Parem como essa porcaria sexista'".
Clark jovem com o 1o marido
Achei essa análise fascinante, porque é verdade. Como é difícil pra gente lembrar de como eram as coisas antes da internet! Só pra ter uma ideia -- as fotos de "Marcia Clark pelada" foram publicadas em pleno Dia Internacional da Mulher. Isso seria possível hoje? Ok, dãã, seria, lógico. Mas até parece que a gente iria ficar quietinha!

46 comentários:

Anônimo disse...

Mickey Knox e Colby Chambers são meu OTP.

Anônimo disse...

Casal lindo e mt fofos.

Anônimo disse...

Vou assistir a série Lola.

b) Lola gostaria que vc falasse do concurso miss Brasil que elegeu Raissa Santana uma mulher negra

Anônimo disse...

Obrigada pela indicação de série, Lola. Vou ver :)

lola aronovich disse...

Eu não vi o concurso de miss, anon das 14:10. Só li que uma mulher negra foi escolhida.
Se alguém quiser escrever um guest post sobre o miss Brasil, eu publico!

leonardo neves disse...

Post muito legal, gostei.

Vou assistir ao piloto da série, pra ver se presta.

Anos 1990 eram muito loucos!

Anônimo disse...

Amo os anos 1990, melhor década!

Anônimo disse...

Os negros tem todo direito de reclamar do racismo, mas nesse caso específico não mostra um machismo por parte dos negros? O racismo por parte dos brancos é evidente.

Anônimo disse...

Machismo por parte dos negros? Homem é machista. Nao importa se é branco, negro ou amarelo.

Anônimo disse...

Quero saber a porcentagem de mulheres negras que achavam/acham que O.J. Simpson era/é inocente. Elas que são as maiores vítimas de violência doméstica deviam pensar 3 vezes antes de defender macho. Não to falando dos casos em que a policia mata homens (e mulheres) negros desarmados.

Erisson disse...

Assisti no início do ano e gostei muito!
Racismo, mídia e sexismo foram muito bem abordados!
E a Sarah Paulson esteve sensacional como Márcia Clark. O episódio Márcia, Marcia, Márcia é excelente por mostrar o sexismo que a Márcia teve que enfrentar durante o julgamento. Paulson mereceu muito o Emmy que ganhou!

Mila disse...

Ainda não vi a série, vou ficar de ver.
É imperativo lembrar que o caso O.J. Simpson é uma exceção nos casos judiciais. Trata-se de um negro famoso assassinando sua esposa branca; esse caso não serve como parâmetro para a gente avaliar e classificar que a mulher branca não se beneficia do racismo institucional, como algumas feministas brancas postulam. Na balança da Justiça, às vezes prevalece o sexismo, às vezes prevalece o racismo. Não irei me alongar no assunto porque ele é muito extenso e sobra pra todo mundo: feminista branca, movimento negro...

Lola, a Raíssa Santana é Miss Paraná. É negra e de cabelo natural. Este ano, 6 candidatas negras estavam disputando o Miss Brasil, sendo que a Miss Maranhão, também negra ficou em 3º lugar. Eu ainda continuo achando concurso de misses uma balela, acho que não deveríamos ter padrões de beleza. Mas a vitória de uma mulher negra, num país como o nosso, inspiradora para nós, principalmente agora que vivemos um momento de reafirmação da nossa estética.

leonardo neves disse...

Eu fico observando, ninguém consegue mais ler um simples texto sem começar com esses mimimis, incrível. Leio esse ótimo blog porque penso haver pessoas com algumas ideias interessantes, a autora inclusive. Mas isso que vocês fazem tira todo e qualquer prazer de compartilhar qualquer ideia. Ou até mesmo concordar minimamente com o que os adeptos dos "ismos" propugnam. Incrível.

Anônimo disse...

Que mimimis são esses, você pode exemplificar?

Anônimo disse...

Em tempo, a nova Miss Brasil ganhou porque é linda e inteligente, não porque é NEGRA. Parem de tratar tudo como se fosse futebol, essa torcida contra aquela, nós contra eles. Essa mania de contar placar em tudo ( XX brancos x negros XX) é o que alimenta o racismo no país. Enquanto tiver gente com essa mentalidade, seja branco, negro, amarelo ou transparente, o racismo terá forças. Só existe uma raça, a HUMANA. Querem falar de cores, comprem uma caixinha da faber castell e vão ser felizes.

André disse...

Basta voltar para as montanhas, Abominável Leonardo das Neves.

Anônimo disse...

" É negra e de cabelo natural."

Cabelo natural? Essa é boa.

Anônimo disse...

10:32, tem fotos da transição dela viu?

Mila disse...

09:50,

Bora lá. O discurso de "somos todos humanos, raças não existem" é até bonitinho e pode ser bem intencionado, mas quando se repete à exaustão ele invisibiliza pautas como o racismo, tornando condutas racistas como individuais e não atreladas ao racismo social.
Ganhou porque é linda e foi merecedora. No entanto, quando uma mulher negra ganha um concurso de beleza significa muito para nós. Vou falar apenas de estética, ok?
Sabe esse movimento de volta ao cabelo natural, que inclusive a Miss Brasil passou (viu anônimo de 10:32?)? Ele não é só moda. Por causa dele, as pessoas estão visualizando o quanto de racismo há quando se assume seus traços negros e não tenta camuflá-los na estética branca. Antes que acusem, não estou culpando as mulheres que alisam os cabelos, muitas delas veem como obrigação social. Na maioria dos casos, é uma tentativa de auto aceitação dentro de uma sociedade com rígidos padrões sociais.
Para quem sempre teve sua estética ridicularizada, ter uma mulher negra ganhando um concurso de miss implica em representatividade. Significa mais meninos e meninas deixando de se submeter a procedimentos malucos para assumir quem eles são.
Ah, outra coisa. Me lembro aqui de alguns casos que mostram a loucura que é mulheres negras ganhando concurso de misses.

A miss Itália no Mundo, que por ser negra, foi vítima de racismo: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/07/brasileira-eleita-miss-italia-no-mundo-e-vitima-de-racismo-em-site-nacionalista.html

A miss Japão, Ariana Miyamoto, uma blasian:
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2015/05/23/a-primeira-miss-japao-mestica-levanta-a-voz-contra-o-racismo.htm

A miss universe Leila Lopes:
http://entretenimento.r7.com/moda-e-beleza/noticias/-o-racismo-nao-me-atinge-diz-miss-universo-2011-20110913.html

"Ah, mas isso foi coisa de nacionalista/racista/extremista". A gente às vezes contribui para o racismo com pequenas atitudes quando ridiculariza o cabelo da miss negra pois não é liso e lindo com a da miss loira.

E isso são casos de mulheres negras mestiças, ou seja, que não possuem toda a carga negativa que mulheres negras escuras sofrem. Podem ver. Até hoje não vi um caso de uma mulher fora de padrões ganhando concurso de beleza sem que suas características raciais não tenham sido questionadas.

leonardo neves disse...

Oi André,

Para mim, é essa galera dos "ismos" que está vivendo num mundinho paralelo. Adotando uma filosofia que pede bênção ao projeto de poder de certos partidos políticos.

Misturando tudo num coquetel molotov de lavagem cerebral e ofertando a seus seguidores, seus "crentes".

Você faz piada, mas pelo menos estou tentando raciocinar honestamente sobre a coisa toda.

Penso que mais gente podia subir às montanhas, para ficar em silêncio, parar de repetir ideias que soam como refrões grudentos de música ruim e, por fim, encontrar formas autênticas de viver e ver o mundo.

Refletir como no sermão da montanha de Jesus, para os religiosos. Ou como no poema de zaratustra, para os ateus:


"Esta árvore cresceu solitária na montanha. Cresceu muito e bem acima de homens e animais.

E se quisesse falar, ninguém haveria que a pudesse compreender, de tanto que cresceu.

Agora espera e continua esperando. Mas o que espera? Habita perto demais das nuvens. Acaso espera o primeiro raio?"










Anônimo disse...

Leo, seu mimimi é o mais chato de todos. Bem li tudo.

Anônimo disse...

Tão falando tanto do tal "cabelo natural" da miss.

Cabelo natural é aquele que a pessoa apresenta quando sai do banho, sem cremes, sem efeitos, sem 1001 produtos aplicados. Nem a miss, nem as outras candidatas, nem 95% das mulheres no mundo tem o tal "cabelo natural".

O que a miss (gata pra caramba, diga-se de passagem) apresentou foi a tendência natural de seu cabelo. Mas com certeza tinha um kg de produtos em cima pra ficar bonito como vimos na tv, assim como as concorrentes dela também. Se uma parcela da população se identificou e sentiu-se representada pelos cachos da morena, que bom.

Anônimo disse...

Sério 16:17 que sua picuinha com a nomenclatura natural é o cabelo sem finalização? Cê jura que o comentário é inválido por causa de um nome? Cê jura que não entendeu por cabelo natural que é sem químicas? Você entendeu o que a moça quis dizer com cabelo natural, que é nesse sentido de apresentar a sua estrutura não alterada. Arruma outro motivo pra trollar, esse tá muito fraco.

Anônimo disse...

Abominável Leonardo das Neves (gostei do apelido), cê falou, falou e falou. Qual é o exemplo de mimimi, dos ismos, de pedir "benção aos partidos políticos" que você identificou no post e que tanto te irritou?

André disse...

"tentando raciocinar honestamente"
Quem está fazendo piada agora?

André disse...

16:30

Pelo que eu entendi tem a ver com arborismo.

EneidaMelo disse...

"cachos da morena" Que morena?

leonardo neves disse...

Anônimo,

Não falei em relação ao post principal, mas às ideias rasas que se sucederam nos comments. Exemplos:

"Os negros tem todo direito de reclamar do racismo, mas nesse caso específico não mostra um machismo por parte dos negros? O racismo por parte dos brancos é evidente."

"Machismo por parte dos negros? Homem é machista. Nao importa se é branco, negro ou amarelo."

"Quero saber a porcentagem de mulheres negras que achavam/acham que O.J. Simpson era/é inocente. Elas que são as maiores vítimas de violência doméstica deviam pensar 3 vezes antes de defender macho."

Falei dos "ismos" simplesmente porque tenho lido esse blog e alguns outros e observo que os leitores compram um conjunto de ideias prontas, do feminismo, direitismo, petismo, socialismo, capitalismo e não fazem nenhuma avaliação crítica, antes de reproduzir o pacote completo de ideias (preconceitos inclusive) que esses 'ismos' vendem.


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André, não estou compreendendo seu ponto. Acho que você simplesmente não sabe, ou não consegue argumentar.Exponha seu ponto de vista com a mesma dignidade com que te respondi. Aí poderemos conversar.

Julia Elias disse...

Escelente analise!

Anônimo disse...

Se eu visse um negro machista na minha frente, chamaria ele de tudo que é termo racista pra ele ver como é bom.

Anônimo disse...

bom, vou deixar meu ultimo recado

só porque ele é doente não significa que eu ficaria com ele caso ele quisesse ficar comigo

porque doença pode dar em qualquer um, inclusive eu mesmo

e se meu namorado ficasse doente assim e tivesse que raspar cabeça e tudo mais, eu estaria ao lado dele apoiando e amando como se nada tivesse mudado

e quem fica chamando o cara de doente com certeza largaria uma relacionamento assim por isso

beijos, vou dormir

Ricardo Leone disse...

Excelente artigo. Gostei da sugestão da série

Anônimo disse...

Você já deve ter visto a história de muitas pessoas que passam dos limites por causa de seus ídolos ou para provarem a sua admiração. Mas o caso de Ricardo López vai muito além disso: ele era completamente obcecado pela Björk e, durante mais de 8 meses, registrou em diários e vídeos o seu plano de acabar com a vida da cantora.

Ricardo nasceu no Uruguai e, quando ainda era uma criança, se mudou para os Estados Unidos. Tinha grandes ambições, queria ser famoso na terra dos grandes astros: Hollywood. Por isso, abandonou os estudos e começou um curso de teatro, mas o cotidiano difícil e as poucas condições financeiras o fizeram abandonar o sonho.

Resolveu trabalhar com o irmão em uma empresa de controle de pestes e vivia sozinho em um pequeno e desorganizado apartamento.

Foi nesta época que ele desenvolveu uma verdadeira obsessão pela vida dos famosos e encontrou a sua verdadeira “deusa”: a cantora Björk.


O início das gravações

“Meu nome é Ricardo López, hoje é dia 14 de janeiro de 1996. É o meu aniversário de 21 anos, e eu começarei a documentar a minha vida, minha arte e os meus planos”.

Foi assim que Ricardo iniciou a gravação da sua primeira fita. Durante mais de 8 meses, ele gravou monólogos que mostravam seus pensamentos mais íntimos, as frustrações com a própria aparência e sua admiração doentia pela artista.

Ricardo dizia que as pessoas precisavam de algo para viver: alguns eram apegados a religiões e deuses; outros, segundo ele, se satisfaziam com o sexo e a aparência. Mas, para Ricardo, a grande motivação de sua vida era ela, Björk.

Ele colecionava fotos, músicas e informações sobre a cantora. Até mesmo uma escultura foi feita pelo jovem.


O namoro de Björk e o preconceito de Ricardo

As coisas começaram a piorar quando a cantora começou a namorar o também músico Goldie. Mesmo confessando que não sentia desejo sexual por ela, mas sim adoração, Ricardo não aceitava o relacionamento. O assunto parecia tirar o jovem do sério, o levando a gravar diversos depoimentos preconceituosos.

Em um deles, Ricardo mostra uma imagem de Björk, enquanto diz:“Olhem para este lindo rosto. Esta coisa delicada, inocente e infantil. Ela está transando com um negro. Vocês conseguem acreditar nisso? Isso é inaceitável”.

Em outro vídeo polêmico, ele revela a imagem depreciativa que tinha de si mesmo e continua a atacar, com mais declarações ameaçadoras:

“Antes de tudo, sou um exterminador, isso é um ponto de referência. Eu sou um exterminador, um ‘homem-inseto, como muitas pessoas se referem a mim. O ‘Homem-barata’. A maioria das pessoas neste mundo são baratas. Eu sou uma delas. Se você olhar ao redor perceberá que sou um pedaço de merda. Sou sujo, medíocre, gordo, nojento.

Eu sou um pedaço de merda e essa é a razão pela qual eu não consigo arrumar uma namorada. Eu sou uma barata, como a maioria das pessoas. E negros são os dejetos das baratas, no meu ponto de vista. Isso é ignorância em sua forma mais pura, mas é como eu me sinto. Exatamente como me sinto.

E quando vejo uma mulher branca com um homem negro, isso é completamente inaceitável. O melhor alvo seria um show de rap. Esse tipo de gente eu adoraria exterminar.”


A ideia do atentado

Além das diversas demonstrações de raiva, Ricardo decidiu que ele precisava matar Björk, ou pelo menos feri-la gravemente. Sua primeira ideia foi enviar uma bomba com diversas agulhas contaminadas com vírus HIV. Percebendo que isso não seria possível, ele desistiu e partiu para o plano B.

O jovem arquitetou uma carta-bomba, semelhante a um livro. Assim que alguém abrisse a correspondência, o dispositivo iria explodir, espalhando ácido sulfúrico. Ele acreditava que poderia, pelo menos, desfigurar a cantora.

Anônimo disse...



O último dia

No dia 12 de setembro de 1996, Ricardo gravou o que seria a sua última fita. Naquela manhã, ele se preparou para enviar a carta-bomba pelo correio. Com receio de ser descoberto, levou uma arma carregada e deixou uma declaração: “Fita nova. Como eu estava dizendo, eu vou colocar o ácido sulfúrico dentro (do livro). Eu vou até lá, eu tenho minha arma carregada aqui na minha bolsa. Caso eu não volte, já adianto a minha despedida a todos. Caso eles queiram me prender, eu vou explodir a minha cabeça”.

Sem ser descoberto, ele voltou para casa e começou a gravar novamente. Ricardo estava fora de si: raspou a cabeça, se pintou com tinta vermelha e, nos últimos momentos, sentou em uma cadeira em frente a uma faixa com a frase “O melhor de mim” e colocou as músicas de Björk ao fundo.

“Ok, eu estou pronto, mas o síndico está lá embaixo. Isso é um problema. Bem, agora eu gostaria de dizer minhas últimas palavras: que se foda o mundo. E que se foda a Björk. Ela e o seu parceiro negro. As chances de eu ser totalmente bem-sucedido, como eu disse antes... Eu não vou contar com isso.

No entanto, eu considero uma grande aventura. Eu iria morrer de qualquer jeito, não por causa dela, mas por meus próprios motivos. Essa morte é para você, Björk. Não, desculpe, é para você ver. Uma compensação pela dor que eu tenha lhe causado.”

Ele então deu um tiro na própria cabeça e caiu no chão da sala. Quatro dias depois, sentindo o forte odor, um funcionário do prédio ligou para a polícia. Ao chegarem no local, além do cadáver de Ricardo, os oficiais se depararam com recados nas paredes que diziam que ali estavam documentos e provas de um crime que deveriam ser entregues ao FBI.

Foram recolhidas mais de 18 horas gravadas em fitas, das quais muitas estão disponíveis na internet, além de mais de 800 páginas dos diários escritos por Ricardo.

O pacote foi interceptado pela Scotland Yard antes de chegar à casa da cantora.


***

André disse...

Leonardo,

Não há dignidade alguma nessas generalizações que você faz. O seu tipo é bem conhecido, chega com uma conversa mansa, todo educadinho (em geral adoram chamar os outros de "meu caro fulano") vomitando preconceitos contra a esquerda em geral e os movimentos sociais em particular. Se traveste de defensor de algum tipo de humanismo mas só contribui para manter o status quo. Tem comentários problemáticos aqui? Sim. Quer ver problema de verdade? Frequente os sites da direita. Nem precisa ser os mais criminosos, pode ir nos pseudo civilizados como o Amálgama, por exemplo.

Anônimo disse...

Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

Anônimo disse...

Tão dizendo por aí que agora tem cotas raciais no concurso de miss. Será? Não, não, é apenas meritocracia.

Anônimo disse...

Leonardo, eu creio que existem muitas pessoas que compram discursos prontos sim. É por isso que tem muita feminista racista, tem muitos homens negros misóginos, tem muito gay misógino.
O que estamos tentando fazer é olhar de forma intersseccional para todos esses dilemas. E não, os "ismos" não vão desaparecer magicamente se a gente parar de falar neles. É preciso o tempo todo debater, encontrar inconsistências, tentar encontrar a essência das coisas.
São poucos os espaços que a gente têm a oportunidade de fazer isso e os que existem são atanazados por trolls ou por carentes de atenção que vêm aqui para redirecionar o foco para eles. O que vejo fora da blogosfera progressista? Repetições papagaísticas, um quilo de senso comum e muita mediocridade. Faz parecer os piores comentários dessa caixa verdadeiras teses de mestrado.

leonardo neves disse...

André,

Legal você responder assim, gostei. Obrigado.

Você pintou um abominável leonardo das neves que é certamente um crápula. Talvez as coisas não sejam bem assim. Mas não importa.

Veja que ao fazer um ataque contra os que ficam "...vomitando preconceitos contra a esquerda em geral e os movimentos sociais em particular...", você endossa um pouco do que eu disse.

Estou tentando ver o feminismo como algo sério, porque tenho uma filha e tal e vejo que há pautas importantes discutidas nesse âmbito.

Mas quando você fala que um ataque a esquerda é um ataque ao feminismo, em sentido oposto,um ataque ao feminismo (ou movimento social) é um ataque a esquerda, isso acaba cheirando muito mal.

Consegue visualizar? Que organizações desse tipo deviam estar centradas na defesa de suas pautas e não desses partidos. Ou como eu sugeri, esses movimento são apenas mais braços de um partido político.

Eu leio sites de direita, lá tem ideias boas e estúpidas ao mesmo tempo, como aqui.E na mesma proporção tem pessoas que defendem pontos de vistas não porque acreditam neles, porque sejam corretos ou bons, mas apenas porque fazem parte da pauta do PSDB, PMDB etc. Uma merda, não acha?

Anônimo disse...

Fodam-se todas as nações.

leonardo neves disse...

Anônimo 12:09,

Também tenho notado que as coisas estão assim. Concordo muito com você.

Só tenho dúvidas em relação a "É preciso o tempo todo debater, encontrar inconsistências, tentar encontrar a essência das coisas.". Há sim os momentos e espaços oportunos a essa investigação.

Mas eu já perdi alguns amigos para os quais os todos os fatos sociais podem ser facilmente explicados pelo combo: racismo, machismo, misoginia.

O cara problematiza do desenho animado [foi south park, no caso prático] à fila do banco, tudo, tudo. É esse o caminho mesmo? Nos tornarmos insuportáveis?


Anônimo disse...

Ah, Leonardo, que bom que você está tentando ver o feminismo como algo sério. Agora podemos dormir tranquilas, não?

Anônimo disse...

existe a internet hoje pra fazer o contraponto com a tv, diferentemente dos anos 90. fiquei muito interessada na série.
contraponto ao machismo naturalizado
e tb ao racismo naturalizado
fico feliz de ver que "cachos da morena" não passou impune.
e como apontou a outra comentarista: cremes para hidratar o cabelo são muito diferentes de química para alterar a estrutura do fio na tentativa de emular uma estética predominante e apagar uma estética considerada inadequada.
dentre as diferenças está: enquanto cremes adequados TRATAM o cabelo, a química DESTRÓI o cabelo. note que a estrutura em espiral do cabelo crespo/cacheado dificulta a retenção de liquido, por isso o cabelo resseca, fica quebradiço, logo, recomenda-se uso do creme para hidratar e se quiser usar creme para modelar, não vejo problema. é divertidissimo brincar com os cabelos inventando diferentes penteados. alguns homens usam gel por exemplo e ninguem diz que o cabelo deles não é "natural". quem tem cabelo liso, por outro lado, muitas vezes tem pouco cabelo e por isso utiliza xampu pra evitar a queda.
e sim, todos fazemos uso de produtos cosméticos que nos auxiliam no tratamento da nossa pele (ou vc lava sua pele com sabão em barra de lavar a roupa, ou diretamente nao lava), mãos, corpos, dentes.
e ninguém chama uma pele hidratada e sem acne de "artificial". ninguém chama uma pele não manchada de sol de "artificial", ou ainda ninguém vai encucar com quem compra pasta branqueadora dos dentes. logo, me parece que alguém aqui está algo incomodada com a ostentação da belíssima estética NEGRA.

Anônimo disse...

Quantos anos tem sua filha,Leonardo?se for uma jovem apresenta o blog a ela.

Anônimo disse...

Nos anos 90 já existia internet, foi quando começou sua popularização, na verdade. Só não era tão acessível quanto a partir dos anos 2000.

Anônimo disse...

04:56, nao faça isso, querida. Xingue-os de termos misandricos, que é o que faço, nao importa a cor do homem. Só tenha cuidado pra nao ameaçarem te processar pq racismo é crime mas misandria não. Mesmo assim vez ou outra me ameaçam de processo por ofender homens que ofenderam a mim ou outras mulheres. Hoje mesmo uma mulher me ameaçou, sim uma mulher.