sábado, 22 de novembro de 2014

MACHISMO E OUTROS PRECONCEITOS NO VESTIBULAR DA UNESP

Vestibulandos fazendo facepalm

Texto machista
(clique para ampliar)
O vestibular da Unesp, realizado no último domingo, incluiu trechos de textos de autores reaças como Rodrigo Constantino e Leandro Narloch, além de um outro da revista Exame com colocações duvidosas sobre o papel da mulher (o texto fala que "mulheres estão dispostas a abdicar de sua natureza em nome da carreira" -- qual natureza, cara pálida? -- e que o papel de mãe "é a grande e única questão de gênero que importa").
Quer dizer, são várias questões que partem de textos retrógrados. A Maria Frô escreveu sobre isso. E, hoje, recebi por email o texto de ex-alunos da Unesp, agora professores de ensino médio e superior, que escreveram uma carta aberta a respeito do conteúdo ideológico deste vestibular:

Carta Aberta à VUNESP, Professores e Vestibulandos
Partindo do real papel do vestibular na sociedade brasileira, qual seja, selecionar segundo critério meritocrático a entrada de estudantes nas universidades do país, falar desse processo seletivo obrigatório significa compreender que mesmo com a expansão da oferta de vagas efetuada na última década (através do Reuni, Prouni, Fies, entre outros Programas de acesso implementados nas universidades nos últimos anos, sobre os quais cabem críticas relevantes, porém não é o que nos pretendemos aqui no momento), ela ainda não é suficiente e, portanto, o vestibular continua ranqueando estudantes e deixando um grande número para o lado de fora dos muros das universidades públicas, ratificando a desigualdade econômica, de acesso à educação pública de qualidade, aos bens culturais e a meios de comunicação mais democráticos. 
Nesse contexto, as provas dos vestibulares geraram e continuam gerando discussões na sociedade em geral a partir dos temas levantados nas questões de cada ano, (re)colocando muitas vezes assuntos importantes na ordem do dia, com base num conteúdo cientificamente embasado e utilizando-se de autores expressivos da sociologia, filosofia, história, geografia, literatura etc. para fazer com que os candidatos reflitam sobre o que se espera que respondam. 
Porém, tendo em vista o último vestibular da Unesp -- que coloca em xeque conceitos históricos que refletem a história política, econômica e cultural brasileira -- vimos por meio desta carta, nos manifestar a respeito de algumas questões que ferem gravemente a legitimidade do vestibular que oferece acesso a esta Universidade, bem como seu estatuto científico, ambos frutos de conquistas às quais sempre fomos instigados a respeitar e defender, enquanto ex-alunos desta Instituição.
Na questão 7, a temática da maternidade é apresentada de maneira absolutamente inapropriada para o momento histórico presente em que se coloca a questão de gênero como central nas análises sociais. Inexplicavelmente a Vunesp recupera uma anacrônica leitura da questão de gênero, concebendo-a a partir de parâmetros naturalizantes. Mesmo não encontrando qualquer evidência nos processos reais, o vestibulando é obrigado a ratificar uma visão que trata o tema como uma fatalidade biológica, se não mesmo como uma obrigação social ou moral da mulher. 
Se a máxima lançada por Simone de Beauvoir, há mais de sessenta anos ("Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a fêmea humana no seio da sociedade"), parece não incomodar a comissão elaboradora da prova, nos causa estranheza que não se sintam envergonhados por desrespeitar a obra daquela que foi provavelmente a mais destacada professora da Universidade Estadual Paulista em toda a sua história, Heleieth Saffioti, autora do clássico estudo "A mulher na sociedade de classes: mito e realidade".
Ainda em relação a esta questão, cabe frisar que não é o acesso -- ou falta dele -- à educação que faz de um grupo social uma minoria política, mas sim a desigualdade vivenciada na correlação de forças, na distribuição do poder existente na sociedade. Desse modo, reduzir toda a luta feminina a um singelo pedido por condescendência dos patrões em relação à 'vocação natural da maternidade' nos soa inadmissível.
Na questão 59, existe a tentativa não apenas de suavizar, mas sim de eximir as nações europeias por qualquer responsabilidade sobre as consequências negativas decorrentes do espúrio processo neocolonial que escravizou e explorou diversos povos africanos bem como as riquezas presentes em seus territórios, culpabilizando-os por sua atual situação de miséria, já que segundo o texto da questão, já haviam ali conflitos instaurados, antes da invasão das potências ocidentais. Nos sentimos como se a Unesp estivesse simplesmente negando os ensinamentos de referências como Florestan Fernandes (“A integração do negro na sociedade de classes” ou "O negro no mundo dos brancos"), Octavio Ianni ("As metamorfoses do escravo" ou "Cor e mobilidade social em Florianópolis" -- em parceria com Fernando Henrique Cardoso), o pluralismo inaugurado por Levi-Strauss ("Raça e história") e fundamentalmente o método crítico de autores como Walter Benjamin ("Teses sobre a história") e Edward Palmer Thompson ("A história vista de baixo").
O autor joga uma nuvem de fumaça sobre a Conferência de Berlim (1884) e a partilha da África, com todas as suas consequências, portanto é negacionista. Depois, espontaneamente, faz uma alusão ao iluminismo (sem citar fontes), e nega os efeitos da presença de oligopólios europeus no Continente. Ou seja, a análise do texto não se sustenta nem como reles nota de roda pé de estudos consagrados dentro da tradição crítica de interpretação dos processos sociais. 
E é esta interpretação crítica que vem sendo valorizada em todos os documentos referenciais para o tratamento de tais fenômenos no campo das ciências humanas quando voltadas para o ensino fundamental e médio, para não dizer da educação em geral. É conhecida de todos nós, trabalhadoras e trabalhadores da educação, a resistência imposta pelas universidades públicas de São Paulo em adotar medidas que favoreçam a inclusão em seu meio de estudantes que fazem parte das minorias políticas, mas nem a tão defendida 'autonomia universitária' lhes dá o direito de fazer vista grossa para os Parâmetros Curriculares Nacionais em suas avaliações admissionais.
Na questão 56, chegamos à conclusão de que o debate sobre o multiculturalismo e o relativismo cultural deseja relativizar as construções sociais e políticas mais profundas da Sociedade Brasileira e sugerir uma 'tolerância aos que intoleram'. O problema da questão da Vunesp não é quem escreve e nem quem é citado como referência, mas o que se escreve e a maneira como se questiona: o lugar e os termos a partir do qual se decide formular um problema e transformá-lo em questão para os vestibulandos. 
Franz Fanon, lembrando daquilo que certa vez um professor seu lhe disse, afirmou: "sempre que você ouvir alguém maltratar um judeu, preste atenção, porque ele está falando sobre você [um negro]". Quer dizer, falar de diferença enquanto atraso e barbárie no Iraque pode ser também um jeito de falar, por exemplo, de populações indígenas no Brasil, sobre países ou populações africanas ou afro-brasileiras e por aí vai. 
Nossa preocupação com a questão envolve a linguagem e o formato no qual esta foi construída. Tal discurso, defensor do caráter hierárquico no trato das tradições culturais, pode até encontrar amparo ou legitimidade dentro daquela tradição denominada criticamente por Edward Said como 'orientalista', mas soa como 'palavra mofa' à luz da renovação crítica que a área dos estudos culturais sofreu nas últimas décadas.
Defendemos uma educação plural, que valorize a diversidade inesgotável no campo das ciências. O que não podemos fazer é nos calar diante de uma proposta educativa que se negue a ser crítica! 
Esperamos que esta manifestação quebre o silêncio até agora existente a respeito do problema aqui apontado. O corpo docente parece alienado deste debate, não se incomodando com o fato do vestibular estar fazendo chacota aberta das teses e ideias que eles mesmos nos ensinaram nesta instituição que tem tão larga tradição de participação crítica no debate público nacional. 
Os estudantes também não se manifestaram publicamente a respeito da questão. Esperamos que o façam a partir de agora, e utilizando os mais variados instrumentos e meios de pressão. Como ex-alunos da Unesp, mas fundamentalmente como trabalhadoras e trabalhadores da educação, nos recusamos a acreditar que auxiliar os alunos a 'escovar a história a contrapelo' possa promover a seleção de respostas erradas nas provas admissionais.
Neste sentido, convidamos a todos que sintam-se representados por este documento que assine embaixo e divulgue da melhor forma que julgar possível. Mais que um texto nosso, é uma construção coletiva. 
(Seguem várias assinaturas que podem ser conferidas na página do FB em que a carta foi inicialmente publicada). 

52 comentários:

Anônimo disse...

Quando vemos a prova do Enem, endeusando Marx e Gramsci. e distorcendo fatos historicos, como a parte que afirma que o socialismo cubano e sovietico, foram sucessos,ninguém na ixxxquerda iluminada abre a boca. Porque será?

EU DIGO NÃO A DOUTRINAÇÃO POLITICA NAS ESCOLAS E UNIVERSIDADES.

Anônimo disse...

A USP hoje, aderiu ao pensamento retrogrado de esquerda,e o governo paulista esta boicotando a mesma sabiamente, a UNESP e a esperança de uma educação de qualidade focada no merito.

Desistam petralhas, vcs nunca vão por as mãos em SP

Arthur Aleks disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arthur Aleks disse...

Um detalhezinho importante novprimeiro texto da imagem:
"...Metade das mulheres de 15 entrevistadas..."
Ou são garotas de quinze anos, ou uma pobre garota foi rasgada no meio.
Ambiguidade brutal aí nesse texto. Acima de tudo eles não permitem um pensamento objetivo aos alunos. É uma tristeza, mesmo.

Anônimo disse...

Nossa, se eu vou fazer um vestibular e tem esses artigos, acho que eu rasgo a prova e boto fora pra não queimar meus olhos ao ler texto desses lixos humanos

Jonas Klein disse...

Olá Lola.

Vamos indo por partes, quanto ao que você escreveu sobre o Rodrigo Constantino, eu gosto de ler o que ele escreve sobre politica e economia, Agora quando se trata de lidar com questões de gênero o Rodrigo pisa na bola as vezes.

Eu não acho que que seja um cara machista (a menos que ele seja um enrustido, e claro), acho apenas que ele não tomo devido cuidado com as frases que ele escreve, ai sem querer o Rodrigo acaba sendo sexista mesmo sem querer.

Sabe eu também já fui muito descuidado ao me expressar, e por causa disso eu já fui machista varias vezes sem ter ser machista, ai a medida que comecei frequenta o seu blog, assim como mesmo que esporadimente visita outros blogues feministas, eu aprendi a tomo cuidado quando vou expressar, para não ser machista por descuido.

Acredito que isso e o que falta as vezes pro meu colega (vamos dizer assim) de direita Rodrigo.

No que se refere ao Leandro Narloch, eu nem conheço esse cara.

Já entrando na questão do vestibular, eu acho que isso atualmente no brasil e um mal necessário, pois o vestibular serve como uma espécie de filtro, que evita entrada nas faculdades de pessoas, que são analfabetos funcionais ou quase totais, além de não saber o básico que qualquer pessoa deve saber.

Agora se todos no brasil tivessem acesso a um ensino básico e médio de qualidade, e que não diplomasse pessoas sem um razoável nível de conhecimento, ai sim daria para acabar com vestibular no brasil.

Por outro lado se o vestibular e mal conduzido, ai já e outro assunto.


Por fim pelo menos, no que se refere a questão 7 do vestibular da Unesp, eu concordo integralmente com você, ai da 59 em diante eu já não tenho elementos para discutir o assunto, mas quero acreditar que você esteja correta, no que se refere a isso.

Boa tarde.


Patty Kirsche disse...

Credo, que prova horrível... Nunca tinha visto algo assim. Uma vez até vi uma questão da Unicamp em que foi publicado um texto com conteúdo misógino, mas isso era pontuado na questão. O autor do texto chamava mulheres de "fêmeas", e era pedido pra apontar qual palavra no texto denotava um profundo desrespeito por mulheres...

Anônimo disse...

O autor do texto chamava mulheres de "fêmeas", e era pedido pra apontar qual palavra no texto denotava um profundo desrespeito por mulheres..."

?????
Na especie humana, mulheres são as fêmeas, isto as agride?

Anônimo disse...

Se voce, das 13:34, for rico e elitista, então com razão desqualifica o PT, mesmo que o MELHOR PRESIDENTE DO BRASIL, LULA, seja do partido. Mas se não for, então voce é "inteligente".

Claudio disse...

Mas a gente tem que repor para dar continuidade a sociedade, ou tu é a favor da extinção dos humanos? Se é, por quê?

O machismo no brasil nunca vai acabar, pois a maioria dos homens e mulheres heterossexuais são machistas, e contra a maioria NINGUÉM PODE!

Anônimo disse...

Anônimo das das 13:29, aprenda a utilizar a crase antes de comentar merda do blog de uma professora formada em letras.

Anônimo disse...

"Nossa, se eu vou fazer um vestibular e tem esses artigos, acho que eu rasgo a prova e boto fora pra não queimar meus olhos ao ler texto desses lixos humanos"

A faculdade em questão será bem melhor com você sendo reprovado(a) no vestibular. Faça isso por favor.

Anônimo disse...

Fiz essa prova com muita raiva. O mais difícil foi pensar na lógica deles. E teve sim, muita reclamação no fb sobre essas e algumas outras questões.

Anônimo disse...

como se aqui em sp não tivessem petistas kakakaka

Anônimo disse...

Qual a relação de partidos políticos no post? É culpa do PSDB reproduzir toda a ladainha de dizer que ter filho é a realização de qualquer mulher?

Patty Kirsche disse...

Anônimo 14h53:

Vc já ouviu falar numa coisa chamada conotação? É o que explica o fato de que a palavra "fêmea" é utilizada como um insulto vulgar em português, enquanto "female", em inglês, não. Uma questão cultural, filho.

Anônimo disse...

É estranho dizer isso, mas me sinto vingado pela quantidade de baboseira marxista que eu tive que engolir no ensino médio.
Agora esquerdistas, engulam as baboseiras do outro lado também.

Enfim, acho que qualquer professor em sala de aula ou conselho que esteja elaborando uma prova como essa deve tentar ser o mais imparcial possível com ideologias e procurar se atentar somente aos fatos, uma boa parte da raiva que eu sinto de Marx foi plantada por meus professores que empurravam sua filosofia de qualquer jeito, igualzinho os pastores evangélicos fazem.

Anônimo disse...

Patty pq "Fêmea" é um insulto o.O? Na boa queria muito entender de onde você tirou isso kkkk acho que ta forçando um pouco a questão do que é ou não insulto. Pode ser que você se sinta ofendida ao ser chamada de fêmea (pq afinal?), mas nunca vi antes nenhuma mulher se ofender por ser chamada de fêmea, talvez dependa de algum contexto sei lá né, to realmente tentanto entender.

Anônimo disse...

O que acontece comigo? Eu tenho lido os comentários do Jonas Klein, não sei desde quando parei de simplesmente saltar o que ele escreve.

Quanto ao Narloc:

http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,fernando-morais-e-leandro-narloch-batem-boca-na-fliporto,798563

Nanda disse...

Patty Kirsche, por favor, escolha: você está falando de conotação ou de denotação? Assim fica realmente difícil entender o que dizes...

Victor disse...

Acho engraçado, se fosse um livro de uma feminista radical, como o manifesto SCUM, ninguém reclamaria... Mas em fim, baboseira existe dos DOIS LADOS. Pela primeira vez vejo uma baboseira direitista numa prova.

Death disse...

Tambem não entendi pq o femea é ofensivo

Anônimo disse...

Anon das 20:48 e Death, fêmea nesse sentido é ofensivo porque reduz a mulher ao status de animal, de um ser vivo não-humano, inferior, principalmente ao homem. Mascus usam muito o termo fêmea pra limitar a mulher à sua função reprodutiva e sexual, colocando-a num lugar inferior, animalesco. Um lugar que permite aos homens dominar, explorar, cometer abusos contra as mulheres e lhes negarem direitos.

Eu normalmente me irritaria muito se ouvisse que a natureza da mulher é procriar e ser mãe. Ah, eu ficaria muito irritada mesmo e começaria uma briga. Mas hoje eu me limito a dizer ao autor ou autora desse texto que pegue o manuscrito, faça um canudinho, enfie e gire-onde, fica ao próprio critério do neanderthal-e saia por aí com uma melancia no pescoço cantando alalaô com a bunda pintada de rosa choque.

Anônimo disse...

Victor, você nunca leu esse blog, né? Só veio reclamar do governo de esquerda. Pelo seu comentário dá pra perceber que você estava procurando sites que permitissem comentários pra falar mal do PT (em que eu também não voto, mas eles ganharam, fazer o quê né) ou então veio querendo trollar geral. Fail, fio, fail.

Anônimo disse...

ZZZzzzzzz pra vocês, hein?

"fêmea" é tão ofensivo quando "macho".

Quando se usa esses termos pra se referir a seres humanos estamos tirando a humanidade deles.

Ou você acha que feministas chamam machistas de "machos" pra elogiar?

Tá desenhado.

Anônimo disse...

O termo macho de uma especie, e ofensivo também?

Anônimo disse...

"porque reduz a mulher ao status de animal, de um ser vivo não-humano, inferior,"

Cara, me poupe desse seu especismo! Animais tem o mesmo valor e os mesmos direitos de um ser humano!

Anônimo disse...

Anon 00:41: Zzzzzzzzz pra quem não lê os comentários com perguntas já respondidas.

Death disse...

Anon das 23:06

Não acho que cola essa explicação para o termo fêmea ser ofensivo,acho até especista da sua parte dizer que a palavra fêmea "reduziria" a mulher a um animal, nós somos animais, não deixamos de ser. (homens, também).

Acho que o problema está muito mais no contexto de quem fala e pq usa esse termo, não com a palavra em si, (como me pareceu no comentário da Patty).

Mascus como sempre não são bons exemplos e nem bons para parâmetros.

Anônimo disse...

Anon das 10:23 e Death, se vocês acham que é especismo e que não deveria ser assim, ok. O problema é que no mundo em que vivemos, dominado pelo machismo, é assim que é. Esse sentido ofensivo pras palavras macho e fêmea existem e é usado o tempo todo. Não, os mascus não são exemplo nem parâmetro pra ninguém, mas muita gente pensa como eles, que a mulher é um ser inferior, que não deve ter os mesmos direitos e liberdade do homem. Se pra vocês pessoalmente ser chamado de macho ou fêmea não é ofensivo, ok também. Mas a opinião de vocês não muda a mentalidade de quem pensa o contrário, e permitir que as mulheres sejam chamadas de fêmeas (e, consequentemente, inferiorizadas) por causa de opiniões particulares não tem cabimento.

Anônimo disse...

Maioria das mulheres e homens heteros uma ova mulher não é machista reproduz o machismo, já homens sim gays e heteros parem com essa ladainha que só hetero é machista meu bem. machista não tem nada a ver com macho machão

Anônimo disse...

A mulher realmente tem um enorme benefício sendo machista zomis não querem nem pagar a conta.

lola aronovich disse...

Gente, o Lauro fez um comentário que excedeu o número de caracteres permitidos (é, tem isso). Então ele me mandou um email, que eu cortei em dois pra publicar aqui:

LAURO, PARTE I
Olá Lola, é a primeira vez que escrevo aqui, e também não sou um seguidor muito fiel, venho mais quando a minha namorada marca seus texto no facebook dela, sempre acho muito bom o seus posts, só não sou muito fã de ler textos, sou mais um cara que prefere ver vídeos, ou ouvir podcasts... Bom eu não sabia que existia uma regra de número de caracteres e acabei escrevendo um texto um pouquinho grande =P, ai como já tinha escrito resolvi mandar por e-mail... espero que não se importe... se num der pra colocar nos comentários eu entendo, mas enfim está ai meu parecer sobre o assunto:

Gente, eu posso provavelmente falar uma merda... Não sei o quanto do meu pre-set Machista/Discurso Elitista pode estar no meu modo de pensar, me ajudem a melhorar se for o caso...

Assim, eu noto que nas questões citadas, a Vunesp sempre faz questão de colocar algo do tipo "segundo as ideias expressas pelo autor", ou algo que o valha, portanto, no meu ver, já seria um caso de interpretação de texto, e que por si só seria uma questão OK, afinal sabemos que todos temos formas diferentes de pensar e diferentes ideologias, e que qualquer um pode demonstrar qualquer evento sobre as suas "lentes" (Guilherme Briggs, um dublador muito famoso, diz em suas palestras que pensa na arte da dublagem a partir de "layers do Photoshop" já que esse foi um programa que o marcou; Provavelmente um outro dublador pense mais nas técnicas vocais de uma forma mais pura).

Sendo assim uma pessoa machista (se não quiser chamar a autora de machista, porque acha que mulher não pode ser chamada de machista troque pela expressão "reprodutora do discurso machista") pode enxergar um determinado evento, "A ausência de participação feminina no mercado de trabalho", como um "chamado da natureza para ser mamãe", é o que a lente machista dela vê, até porque na cabeça dela existe um evento anterior que justificaria essa atitude das mulheres: "No Japão, as mulheres têm níveis semelhantes de educação, mas deixam o mercado assim que se casam e têm filhos" (Eu sei que o Japão não é um exemplo de igualdade de gênero, mas estou exatamente tentando explicar o como provavelmente funciona a cabeça da autora), Sem falar que isso reforça os paradigmas que existem no seu modo de pensar, e ninguém gosta de ser contrariado, vamos concordar: é muito mais fácil se manter estático em uma ideologia a questioná-la.

Bom, posso ter me desviado um pouco na justificativa do meu ponto, mas retomando: Sim é uma questão de interpretação de texto válida. Ela por si só também não acho que vai fazer ninguém ser machista, pois realmente acredito que seja muito trabalhoso mudar a ideologia das pessoas, pode até ser um reforço da cultura machista, mas até ai... a pessoa pode achar esses reforços em quase tudo, mas imagino que uma pessoa com ideais feministas tem TOTAL condição de pensar: "Eu sei muito bem o que você quis dizer ai, sua patriarcal..." e exatamente por isso conseguir fazer uma interpretação suficientemente boa para responder B na questão sete. Veja bem... não estou dizendo que a pessoa concordou com a autora, nem que deva concordar, ela apenas entendeu o que ela quis dizer.

lola aronovich disse...

LAURO, PARTE II

Continuando, não sei se o vestibular é uma forma justa de avaliação (na verdade até acho o da Unicamp bem humano, apesar de eu ter muitos problemas para escrever, principalmente sem um corretor automático e sob pressão), e principalmente não sei se ele deve ter essa característica missionária de ensinar alguma ideologia em detrimento de outra. Se a intenção é desenvolver uma reflexão, científica ou não, sobre algo, a melhor forma é mostrar, de uma forma honesta, duas lentes ideológicas conflitantes sobre um mesmo evento, vamos usar o exemplo "A ausência de participação feminina no mercado de trabalho":
De um lado você até poderia ter o texto da autora "reprodutora do discurso machista", mas do outro coloca um(a) autor(a) - Eu sei que vocês dizem para colocar @ no lugar de (a), mas é que no caso o masculino dessas palavras não é "umo autoro" - que fale que essa ausência tem outras causas como: Preferência pelos candidatos masculinos nas entrevistas de determinados tipos de emprego, uma cultura trabalhando a mulher desde pequena com brincadeiras de boneca e casinha, enfim... por ai vai...

De um lado você tem um "Análise pseudocientífica" (não estou querendo denegrir a análise, mas é que tipo, ela vira e fala: é da natureza da mulher, porque ser mãe é a única questão de gênero que importa, e é isso ai... tipo não prova esse argumento através de um estudo biológico da mulher, algum mecanismo de seu corpo que seja tão forte que interfira no seu, se existir tal mecanismo, falso livre arbítrio) do outro você tem uma "Análise psicológica da cultura ocidental", e o candidato teve que ler os dois pontos de vista se quisesse pontuar na prova. A ideologia d@ candidat@ não deveria, ao meu ver, interferir na aprovação delæ, mas sua capacidade de apontar o porque do primeiro texto ter falhas argumentativas em detrimento do segundo me soa mais como um conhecimento científico, lembrando que o segundo texto poderia também ter alguma falha que poderia ser explorada também, mas como ele só está no plano das ideias só podemos falar desse da revista Exame.

Eu entendo o porque o pessoal que escreveu a carta queira usar escritores do meio acadêmico, até porque eles quebrariam fácil a perna de todos os argumentos desses textos da Vunesp, mas eu temo que por um texto científico contra uma coluna de revista, é pender para um dos lados, o ideal, na minha humilde opinião de merda, seria colocar textos que circulam em meios equivalentes para ser um debate equivalente, e infelizmente dois textos científicos (talvez até um) seja uma sobre carga muito grande para um(a) vestibuland@ na situação de agonia do vestibular.

"Mas..." imagino vocês falando "...nós já somos bombardeados por uma cultura opressora, machista e elitista, o vestibular poderia só fazer o contra ponto" ainda acho que um texto que represente esse discurso vai: 1- Deixar ele em evidência e passivo de análise crítica; 2- Evitar o mimimi: "vestibular virou cartilha de esquerda, feminista, heterofóbica e satanista/ateia".
Um beijo Lola, tudo de bom pra vc... e desculpe se fui babaca com qualquer parecer meu... realmente não foi a intensão.

Rene Freire disse...

Vai ter Narloch e Constantino sim, e se chiar muito vai ter Olavo de Carvalho.

Anônimo disse...

Na boa,não sei porque esse faniquito todo...se prestarem atenção,o cara só relatou um fato.Muitas de nós mulheres estão fazendo isso sim: dessistindo da carreira para ser mãe.

Se tem algo de errado é essa dificuldade que muita feminista tem de reconhecer que a vasta maioria das mulheres é machista,está pouco se ferrando para ter status de ser-humano e se bobear,até cagam nas nossas cabeças.

Combater o machismo feminino vai ter mais efeito do que ficar dando murro em ponta de faca como estou vendo aqui.Mas aí,né...quando mulher contribui com o sistema é "escolha"...aí fica realmente muito difícil...

clarice

Death disse...

Anon

Eu não quero mudar a mentalidade de ninguém, só coloquei um ponto na questão para discutir, muito menos quero dar carta branca para alguém ofender e inferiorizar outra pessoa, isso é vc que botou na sua cabecinha oca.

Pode continuar achando que usar fêmea é ofensivo em qualquer situação, sinta-se ofendid@ o quanto achar que deve.

abçs

Anônimo disse...

Não, Death, eu não acho que usar 'fêmea' pra se referir à mulher é ofensivo o tempo todo. Já li e ouvi trabalhos em que a mulher é chamada de fêmea e o homem de macho sem conotações machistas negativas. Mas se sua cabecinha não consegue abrir o suficiente pra entender qual o problema de usar 'fêmea' no contexto tratado nesse texto e na fala dos machistas, tudo bem. Quando se está muito apegado ao seu ponto de vista é difícil mesmo ver por algum outro.

Anônimo disse...

"A faculdade em questão será bem melhor com você sendo reprovado(a) no vestibular. Faça isso por favor"
Pode ficar feliz então pois estou muito bem obrigada na minha universidade e não pretendo prestar nenhum vestibular.
*

Esse é o texto que a Patty tá falando sobre:
"A recente morte violenta de uma jornalista choca a todos porque, nesse fato, o assassino foge ao perfil
comum de tais tipos, mas certas situações que levam a isso estão aí, nos círculos milionários, meios artísticos,
esportivos e de poder. Tudo porque o homem não aprende. Há milênios, gosta de passar aos demais
uma imagem de eterna juventude e virilidade, posando com fêmeas muito mais jovens. Fingem acreditar
que elas estão aí por amá-los. São poucas vezes atraídas pelo seu intelecto, e muitas pela fama, poder e
dinheiro. A durabilidade de tais ligações, no geral, termina quando tal fêmea atinge seu objetivo. Pior
ainda, quando essa fêmea mostra também intelecto e capacidade de sobrevivência sem seu protetor.
Duro, triste, real."
Acho que fica mais fácil de entender o sentido machista da palavra (nesse contexto, é óbvio que existem momentos em que pode-se usar a palavra sem ser preconceituoso, como exemplo consigo pensar agora em questões onde se discute biologia entre vários vertebrados) pra quem não achou antes.
*

E Jonas, pesquise no google "Rodrigo constantino machista", leia os textos dele que aparecem (ou as críticas a eles) e volte aqui pra me dizer se você continua achando ele um machista não-intencional.

Fernanda

Anônimo disse...

Vamos pontuar melhor isso ai.

Cão do Mato disse...

Com relação à questão sobre a África: foi falada alguma mentira?

Anônimo disse...

Como esse Claudio fala besteira, como alguém assim consegue se suportar? Esses mascus falam tanto da importância do machismo da preservação da especie humana, mas ao mesmo tempo ignoram completamente o tanto de crianças abandonadas que existem nas ruas e nos orfanatos e se alguém for anotar uma criança num orfanato os mascus falam que é desonra. Os mascus são uma tristeza.

A função "natural" do pai é apenas $ustentar os filhos? Por que mulher tem dua opções, ou trabalhar ou virar dona de casa e homem só tem a opção de $ustentar? E se um homem tbm querer desistir da vida estressante do trabalho fora de casa e querer viver para lar e cuidar dos filhos tbm? Como fica isso?

Sawl the rebel disse...



Para anônimo(a) de 09:31

Os mascus, querido(a) não são uma tristeza são uma DESGRAÇA MESMO!!
São tão IMBECIS, ACÉFALOS E IGNÓBEIS que esquecem que as sociedades mais evoluídas são aquelas em que as mulheres tem os mesmos direitos e deveres e a mesma importância de cidadania dos homens.
Se falarem de novo no Japão, recomendo à essa cambada, kkk, que veja um documentário do programa Vice da HBO que mostra como as mulheres japonesas jovens preferem ficar solteiras ou divorciadas mas independentes e ocupando cargos de chefia do que casadas e infelizes como suas avós e como a mentalidade ainda fechada dos homens japoneses está prejudicando a interação entre eles e as moças.
Toda sociedade onde uma mulher é vista como uma mera "fêmea", procriadora e "coisa sem valor" apenas pra servir o homem nos quesitos "cama e mesa" são MISERÁVEIS: Índia, Congo, Afeganistão, Quênia, Irã, etc.
Quero ver algum destes fracassados de merda tentarem rebater meu argumento de forma coerente e inteligente(aliás inteligência e misoginia não são coisas que anda juntas).

Marcia Baratto disse...

A questão sobre o multiculturalismo tem um erro básico: nenhum autor multiculturalista no ocidente (e eu desafio, alguém me cita um que abra mão dos direitos individuais, por que eu pesquiso o tema faz 10 anos e ainda não li nenhuma alma viva ou morta que o diga) abre mão do limite dos direitos individuais.

Afinal, democracia, pelo menos desde Alexis de Tocqueville, imprimi a defesa dos direitos individuais face ao paradoxo da vontade da maioria. Favor avisar que para ler os multiculturalistas é bom saber o mínimo sobre pluralismo!

E, para o caso específico, vamos comentar: quem disse que casar meninas de 9 anos é o 'cerne' da cultura islâmica?

Eu sei quem disse: o ignorante do autor, que desconsidera por completo toda a mobilização de ativistas islâmicos que são contrários a prática descrita.

E essa merda toda tá numa questão de vestibular?

Unesp estou profundamente decepcionada com isso tudo...

B disse...

Concordo com a Clarice! Não queria "ter que" concordar, pq é "incomodo" ver o machismo presente nas mulheres, mas muitas são esmo e como clarice falou, até "cagam" nas nossas cabeças...

Anônimo disse...

Ai, que vontade de vomitar. Estudei na Unesp, o que foi responsável pela formação do pensamento crítico em mim. Que bosta. "Constantino acaba sendo sexista sem querer" Oh my balls.

Arnold Sincero disse...

"(aliás inteligência e misoginia não são coisas que anda juntas)"


O Correto é:

"(aliás inteligência e misoginia não são coisas que andam juntas)"

Isso, partindo do pressuposto de que a sua afirmaçãun é verdadeira.

Rindo virilmente da sua cara.

Sawl - aways the hysterica.

Lauro disse...

Obrigado por postar Lola...
Me sentindo burro de não pensar em dividir em partes o meu comentário
=P

Anônimo disse...

Sawl

Arnold querido.
Um mero erro e vc repara?!!
Vc só escreve errado, é um analfabeto e vem reparar em mim? kkk.
Melhor ser histérica (e não hysterica) do que um imbecil que odeia as mulheres. Passar bem.

Anônimo disse...

Sawl

Arnold
Ps: de onde vc tirou que é viril?!! Vc é um moleque e provavelmente um enrustido.

donadio disse...

Por que "fêmea" é ofensivo?

Sei lá, pergunta pra sua mãe se ela gosta de ser chamada de "fêmea". Ou o que ela pensava sobre o assunto quando estava "prenha" de você.

Tem gente que, sinceramente, parece que nunca viu uma mulher na vida.

Devem ter saído de chocadeira, né?

Anônimo disse...

Eu não aguento mais as baboseiras dos mascus, o feminismo defende o direito das mulheres, quer ser mãe seja, mas o que não aceitamos é a maternidade imposta como vcs querem, nós queremos direito de escolha, a sensação que tenho é que os coxinhas querem reduzir os direitos dos negros e das mulheres aos anos 30
Vou botar minha colher em outro assunto, li em um posts que um mascu afirmava que o feminismo ensinou aos homens a largar as mulheres quando esta envelhece, quem ensinou está lição foi o machismo, que propaga que somente as mulheres jovens têm valor, que os homens têm que andar com mulheres mais jovens
O feminismo me ensinou a enxergar com clareza as coisas