segunda-feira, 26 de novembro de 2012

GUEST POST: REAGI À VIOLÊNCIA

Ontem foi o Dia Internacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, e publiquei um guest post sobre violência obstétrica. No sábado, foi a vez de uma leitora do movimento estudantil narrar o abuso sexual que sofreu. Hoje C. relata sua sua história de horror, mas com um final diverso do que costumamos ler.

Logo eu, que sempre falei, escrevi e publiquei, dessa vez escolho o anonimato. Lola, sou feminista há bastante tempo, atuo em coletivos, tenho blog e uma rede de ativistas ao meu redor. Mas, por alguma razão, no momento quero contar uma história sem revelar a protagonista, porque acredito que poderia ser qualquer uma de nós. Pensei no seu blog por ser um espaço bastante diverso, que pauta questões cotidianas e, em especial, casos de violência sexista.
Hoje, eu tenho uma história de horror pra contar, mas o final é um pouco diferente. Eu estava na casa de um amigo e precisei ir embora por volta das 20h, então ele me levou até o ponto de ônibus. A lotação chegou normalmente, me despedi e entrei. Na hora de passar a catraca, notei um homem meio bêbado sentado no chão ao lado do motorista, com uma garrafa de cerveja na mão, balbuciando coisas. Logo depois da catraca, deu pra perceber que três moleques na faixa dos 20, do tipo "causões", metidos a malandros, acompanhavam o cara, falando alto e rindo. Ignorei e me sentei no banco à frente deles, no assento da janela. Agora percebo que se tratava de um ambiente ameaçador, onde eu deveria ter ficado alerta, mas, na hora, achei que não devia me preocupar.  
Estava usando fones de ouvido que isolam o ambiente, distraída, ouvindo minha música, quando de repente senti alguém do banco de trás me cutucando no ombro. Tirei os fones e disse "Pois não?". Era um dos moleques que tinha visto antes. Ele vestia uma camiseta rosa e me perguntou se eu gostava de rosa, com um sorrisinho e aquele tom de voz "olha, sou bandidão". Eu uso piercing, a maioria das minhas roupas são pretas e eu suponho que no senso comum eu me enquadre como algum tipo de "roqueira", ou alternativa tosca, alguma coisa assim, pro tipo do cara que me abordou, logo, acredito que era alguma tentativa de me zoar ou dar alguma cantada estúpida. Respondi algo como "Não, mas pode usar. De boa", e voltei ao meu fone imediatamente, deixando de ouvir qualquer outra coisa que pudessem ter dito.
Eu, como mulher, estou habituada ao tratamento machista e abusivo nos espaços públicos. Cantadas, gracinhas, todo tipo de assédio, que costumo revidar, ainda mais por ter consciência de que não é direito dos homens nos constranger, e de que temos direito de ir e vir nas ruas sem sofrer ameaças de estupro e ouvir grosserias. Não engulo desaforo e já passei por situações bem tensas, mas nenhuma comparável ao que aconteceu em seguida naquele ônibus.
Sem que eu notasse a movimentação anterior, aquele homem bêbado, com uma camiseta de time de futebol popular e seus 30 anos, barba por fazer, alto e com uma garrafa de cerveja barata na mão, sentou-se ao meu lado de forma intimidadora, me pressionando contra a janela. Tomei um susto, porque foi uma aproximação muito brusca. Olhei para ele, me encarava com uma expressão típica de quem vai assaltar ou agredir alguém, mas, na versão patriarcal, equivalia a um olhar estuprador, do tipo que violenta de longe. Aqueles olhos avermelhados e sádicos estavam a apenas um palmo da minha cara.
Ele dizia coisas nojentas, dignas de um agressor sexual, e repetia constantemente "Não vai nem olhar pra mim?", eu tentava empurrá-lo pro lado e ele não cedia. Eu não conseguia olhar novamente, meu coração acelerou, ele continuava me assediando e expandindo seu corpo em direção ao meu. Uma sensação de terror tomou conta de mim, ouvia as risadas daqueles moleques amigos dele ao fundo, pensava no que fazer pra sair daquela situação. 
Era um bairro estranho, perigoso, olhei pra fora e as ruas eram escuras e desertas. Ele podia descer atrás de mim. Pensei em levantar e mudar de lugar, mas ele iria atrás, ou pior, nem deixaria eu me levantar. Olhei pra cobradora e ela tinha um olhar de pena. Comecei a apertar as mãos nervosamente. Me senti profundamente violada naquele momento. Ele ultrapassou todos os limites, invadiu meu espaço e estava me agredindo com um forte terrorismo psicológico, com teor misógino. O meu medo só dava mais prazer a ele; conforme eu me encolhia ele avançava, sorrindo como um monstro. Minha decisão de tentar ignorá-lo só fazia com que ele exigisse mais e mais a minha atenção, e não sei a que ponto ele teria chegado, se não fosse o que ocorreu no instante seguinte.
Quando meu único conforto era conseguir não encará-lo de frente, ele fez algo que enfim destruiu qualquer possibilidade de fuga: comigo já esmagada contra a janela, ele se posicionou diante dos meus olhos, colocando a cabeça na minha frente a uma distância de uns 10 cm. Eu não podia mais ignorar. Pensando agora, talvez a única opção de uma garota devidamente educada por uma sociedade patriarcal fosse começar a chorar -- talvez fosse exatamente isso que ele e a plateia esperassem.
Mas, espera aí, eu não sou só uma garotinha assustada, pensei eu, naquele um segundo decisivo. Eu sou feminista, eu participei de aulas de auto-defesa para mulheres, eu aprendi e ensinei mulheres a reconstruírem sua autoestima e conhecerem sua própria força, eu bradei aos quatro ventos que nenhum machismo passaria, e que as mulheres precisavam se fortalecer e lutar contra seus opressores. Por que eu derramaria uma lágrima? Por que daria àquele agressor o triunfo da minha rendição e do meu sofrimento? Por que eu seria mais uma vítima que é impedida de se defender? Por que, mais uma vez, eu seria vencida pela cultura do estupro, que dá a homens estranhos nas ruas o direito de invadir meu espaço e violar minha integridade?
Foi então que os limites da teoria foram rompidos, e trazidos à prática. Não sei explicar ao certo como ou de onde surgiu, mas alguma coisa explodiu dentro de mim. De repente aquele era meu inimigo, e devia ser destruído. Em um segundo, eu empurrava com toda a minha força aquele sujeito para longe e gritava SAI DAQUI; no outro, ouvia lentamente ele dizer "Eu...não...encostei...em...você", e, diante da permanência daquela figura horrenda à minha frente, segurava no pescoço ossudo e desferia um, dois, três murros na face. Respirava, gritava mais, e mais empurrões e socos. Ele desperta do choque: 
"Você bateu na minha cara, sua filha da p*ta?"
"Bati, e vou bater mais, seu estuprador do c*ralho." 
Ele tenta me dar um soco, eu defendo com sucesso (ok, talvez a bebida tenha me dado um milésimo de segundo de vantagem aqui), e enfim os outros rapazes interferem e jogam ele sobre o banco do outro lado.
Começa a discussão. Eu, enfurecida, quero matá-lo. Procuro uma faca, oh wait, não tenho uma faca. Pena. Em pé, grito e imponho meu corpo, berro o mais alto que posso, digo a ele que é um bêbado nojento, que merece morrer, que eu vou pegá-lo. Em coro, os três capangas da lotação dizem "Ele não encostou em você". A cobradora diz que vai chamar a polícia. Eu digo pra chamar essa porra logo, e agora. Os caras dizem "Pode chamá, quem tá devendo é você, você bateu nele sua loca". Nessa hora, os três disputam espaço comigo, numa briga à distância que define quem se impõe melhor fisicamente e causa mais receio no oponente. Nesse momento, são quatro contra uma, mas o meu ódio vale por cem. Não tinha lugar pra medo, eu estava sendo levada a sério e não ia parar. Vi os olhos transtornados, chocados, finalmente amedrontados ao redor. Ninguém mais podia rir da menininha. 
Continuei com os olhos fixos no meu inimigo, bufando, praguejando, quando um dos rapazes tocou no meu ombro e disse algo como "Você tem que se acalmar". Reconhecendo algum traço de humanidade, disse a ele "E se fosse sua irmã aqui?", porque é claro, só importa para o macho aquela fêmea que está no raio da sua propriedade e merece ser considerada gente. Imediatamente, vi o olhar dele mudando, e ele disse lentamente "Desculpa, colega... desculpa". O discurso de dois deles mudou; apenas um queria que me batessem. Os dois que "acordaram" foram levando o bêbado para o fundo, enquanto ele gritava que "muié não bate na minha cara, sua vagabunda", "vo enchê sua cara de porrada", "desgraçada" e coisas afins. Eles apenas respondiam "a mina teve um ataque e essa fita já era, vai trocá com muié?". Isso tudo deve ter durado dois minutos, tanto é que o terminal ainda estava longe, mas parecia uma eternidade.
O rapaz de rosa, aquele que agora tinha certa compaixão por mim (afinal, até sua irmã podia passar por isso, coitada), disse para que eu me acalmasse, colocasse meu fone e ficasse tranquila, porque eles iam segurar o cara até o fim da viagem. Não foi bem o que aconteceu, já que durante aqueles minutos intermináveis o bêbado ia e vinha, enchia o saco da cobradora pedindo pra chamar a polícia, apontava pra mim e xingava, gritava, ia se segurando pelos bancos e esperneando. Mas, muito importante: longe de mim. Não ousaria sentar novamente ao meu lado, ainda vago. E eu não sairia dali por nada, porque de alguma forma eu sentia que o MEU espaço devia ser protegido a todo custo.
Mas aí, a minha fúria foi passando. Aquele fogo que tinha me impulsionado a reagir drasticamente foi dando lugar a uma sensação terrível de insegurança, pavor e receio. O que eu havia feito? Podia ter morrido! Com quem eu fui mexer? E se estivessem armados? Eu estava em uma lotação que vinha de um complexo de favelas, e eu, pequenina burguesa de m*rda, não deveria temer aquelas pessoas? Não estava no meu território, não tinha ninguém por perto, e estava confrontando ao máximo todos aqueles caras. Só tinha uma cobradora e um motorista, e mais meia dúzia de pessoas apavoradas naquele veículo.  
Cheguei ao terminal fragilizada, e o agressor, ao contrário, usou aquele tempo pra se fortalecer. Tentou me agredir novamente antes de ser arrastado pra fora pelos amigos, e eu consegui pará-lo mais uma vez, não me pergunte como. A cobradora pediu que eu ficasse na lotação até ele embarcar no metrô, do outro lado, porque ele queria me bater a todo custo, gritava feito um louco e assustava a todos no caminho. Aquela cena foi muito chocante, todas aquelas pessoas me olhando de olhos arregalados, a cobradora tentando me proteger, o cara berrando que ia me matar, estuprar e sei lá o que, e eu tremendo de medo, já aos prantos. O rapaz de rosa ainda teve tempo de bater no vidro e me pedir perdão mais uma vez, com os olhos marejados. Então, o motorista acompanhou o grupo até ter certeza de que o cara tinha embarcado, e voltou pra me dizer que eu já podia sair. A essa altura eu já chorava muito, as pernas estavam bambas, e eu fui tomada por uma paranoia de que ele voltaria a qualquer momento pra me matar. Desci, e o motorista me aconselhou a tomar um café em um bar próximo antes de ir, pra não correr o risco de encontrá-lo.
Atravessei a rua sem pensar, entrei em um bar, pedi um café preto e liguei para uma pessoa de confiança vir me buscar de carro, contando o que aconteceu aos soluços. Mais um cara ainda veio me encher o saco, se aproveitando do momento vulnerável: "Uma moça tão bonita chorando? Posso te pagar uma cerveja?" Parece que quanto mais frágil você está, mais atrai homens dispostos a te abusar. Esquivei do cretino e esperei longos 10 minutos. Mil coisas passaram pela minha cabeça, eu via um filme onde aquele homem estava vindo me pegar, cada vez mais próximo, e tinha certeza que ninguém ia me ajudar. Eu batia os dentes incessantemente, mas não sentia frio. 
Fiquei olhando para as facas do lado de dentro do balcão da padaria, calculando como poderia pegar uma rapidamente e acertar a jugular do crápula, ou uma garrafa que eu poderia quebrar, qualquer coisa, não podia contar com ninguém. Se um dia qualquer uma de vocês estiver em uma situação extrema, não espere que alguém sinta compaixão, as pessoas têm mais curiosidade e um desejo mórbido de ver a coisa pegar fogo do que capacidade de oferecer auxílio.
Felizmente, logo a pessoa chegou pra me socorrer e eu voltei em segurança. Fisicamente eu estava intacta, fora algumas dores nas articulações resultantes do estresse, mas, psicologicamente, me sentia destruída. A paranoia, as tremedeiras, o ranger dos dentes e as pupilas dilatadas duraram por mais algumas horas (e eu fui pedir justo um café no bar?). O pior de tudo era a sensação de profunda injustiça. Como pode você estar quietinha, no seu canto, tranquila, e de repente aparecer um sujeito maldito desses pra tirar seu sossego e te infernizar de graça? Mas o pior é que eu tenho a resposta pra isso, e (ainda) se chama patriarcado.
A verdade é que todos os dias milhões de mulheres são importunadas, assediadas, tocadas sem seu consentimento, agredidas verbal e fisicamente, abusadas sexualmente e estupradas, em espaços públicos e privados. A verdade é que sair na rua é uma batalha diária, porque em um sistema de dominação masculina, supõe-se que mulheres estão sexualmente disponíveis e não são suficiente humanas para terem seus espaços respeitados. Pode ser um cara de bermuda ou gravata, que pode dizer "Oi, princesa" ou "Quero f*der sua b*ceta", pode te perseguir ou apenas berrar do outro lado da rua, pode passar de carro e gritar alguma asneira ou passar do seu lado e sussurrar no seu ouvido, pode pegar no seu braço ou passar a mão na sua bunda, ou, no pior dos casos, tentar te violentar. Mas, no fim das contas, a motivação de todas as situações é a mesma, em todas elas somos silenciadas, constrangidas e violadas, e todas são, em maior ou menor grau, invisibilizadas ou normatizadas pela sociedade. Eu chamo de terrorismo machista, e considero uma opressão sistematizada.
Defender-se ainda é um grito solitário no escuro. Refletindo depois, já que não conseguia pensar em outra coisa, concluí que a experiência foi traumática, porém necessária. Não havia nada que eu pudesse ter feito além daquilo, fui encurralada como um cão medroso e ele merecia a mordida. Mas devo dizer, reagir não é como as pessoas imaginam. Não há nenhum tipo de prazer em atacar seu agressor. O sentimento é de que é a coisa mais triste do mundo você precisar fazer isso. É revoltante ter que agir dessa maneira, porque você não teve culpa nenhuma, você sabe que não fez nada errado, você simplesmente é mulher e os homens te enxergam como um alvo constante.
Um dos meus medos ao contar essa história era de que inspirasse outras mulheres a reagirem de forma impensada, e de fato, quero que fiquem atentas ao risco. Recomendo sempre reagir, mas tendo em mente que o objetivo é sempre sair da situação, nunca confrontar o agressor diretamente. E, principalmente, é preciso prevenir essas situações, estudando os ambientes, as pessoas ao redor e imaginando as piores possibilidades -- viver na nóia e com medo? Exato. Welcome to patriarchy. Eu podia, facilmente, ter sido espancada, morta ou qualquer coisa do tipo, tenho consciência disso, mas foi um caso muito específico em que não tinha pra onde correr, então não me arrependo. Sou uma moça de um metro e sessenta e poucos, magra, ajeitadinha, e não precisei ter uma força descomunal pra intimidar fisicamente um homem, apenas muito ódio, alguma técnica e determinação. Não estou dizendo que o combate físico é uma opção, porque é perigoso demais, mas acredito que todas as mulheres deviam conhecer sua força e treinar alguns golpes para emergências como essa.
Talvez eu seja o tipo de pessoa que aceita a ideia de correr riscos em nome da resistência, mas isso não deve servir como exemplo. Se tem algo que eu gostaria de dizer para todas as mulheres nesse momento, é que precisamos romper o silêncio e levar nossas histórias de horror a público, auxiliar outras mulheres a reagir, compartilhar com todxs em quem confiamos, porque o problema é real, grave e urgente. Já imaginou sair na rua livremente? Ir e vir sem ser importunada? Parece o mínimo, mas o caminho ainda é longo até que os homens entendam que somos pessoas, e vamos ter que lutar pelo direito de ocupar nosso lugar no espaço público. Eu decidi prosseguir reagindo, treinando minha postura, buscando formas de me fortalecer fisicamente e emocionalmente, encarando meus medos de perto, pela minha sobrevivência e dignidade. Prefiro ser acusada de exagerada do que me sujeitar a um agressor.
E aos que desqualificam minha atitude, alegando que é perigoso demais reagir, deixo as reflexão: desde quando a passividade diante de um agressor é garantia de segurança?

188 comentários:

Hamanndah disse...

Infelizmente, o álcool na cabeça de algumas pessoas que não se policiam é responsável por muitos casos de agressão sexuais/emocionais/físicas

É claro que o álcool não é desculpa. Quando uma criatura que é violenta( seja física, sexual ou emocional) usa o álcool como desculpa para liberar sua agressividade

Imaginem, vocês, como é desagradável ver uma pessoa bêbada fazendo papel de ridículo, não ter cuidado com o pudor perto de crianças, por exemplo, deixar os órgãos sexuais expostos e/ou semi-expostos. Sem ter nenhuma consciência de que este cometendo um abuso visual. Sem ter consciência que abuso verbal também é abuso. Usando o alccol como justificativa e desculpa

Tudo isso é violência!

Tudo isso é agressividade da pessoa liberada pelo álcool!

Bjs a todos
Hamanndah

Anônimo disse...

Qd reagimos,falam que foi um ato arriscado pq é perigoso e etc.

Mas qd não reagimos,falam que a gente tava gostando,que a gente queria,que somos bananas.

Isso é um porre! Será que ninguém se toca que cada um age de uma maneira diferente? Que vai de pessoa pra pessoa?

Lembro de uma vez em q eu fui atacada por um bêbado na rua.
O cara tentou me agarrar e ficou me chamando de "gostosa".
Uma tia tava comigo e deu uma bolsada e porrada no sujeito que saiu correndo.
Fiquei aliviada,mas ela me repreendeu dizendo q eu tinha q reagir,fazer alguma coisa.
Só que eu tinha apenas 12 anos e era mt baixinha. Fiquei paralisada de medo pq nunca tinha passado por isso antes.
Ou seja,eu era apenas uma criança! Como iria fazer alguma coisa?

Maria Luiza disse...

Terminei de ler o texto de olho arregalado e com o estomago embrulhado. Já passei por situações onde a vontade foi socar a cara do fdp e não fiz por medo. Medo de apanhar de volta, medo de morrer, medo das pessoas não me ajudarem, ficarem contra mim. Querida, vc tem uma coragem enorme. Não acho que tenha feito nada errado e fiquei extremamente feliz por ninguém ter agredido vc fisicamente. Vamos esperar o dia e lutar pelo dia, em que esse tipo de reação não seja mais necessária.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Tens meus parabéns. Claramente, é um perigo reagir, por outro lado, a passividade também é um perigo, é uma situação sem escolha.
Por outro lado, a atitude mais cívica e educativa é reagir: Aquelas quatro pessoas pensarão duas vezes antes de novamente fazer algo do tipo. Tanto os dois sujeitos que perceberam o que estavam fazendo, tanto quanto o pinguço que levou um sacode épico.

Ainda assim, sugiro que tu não te preocupes, homens em geral tendem a ter respeito por quem os cobre de porrada.
Não sei se isso se aplica quando o "vencedor" é uma mulher, mas, os motivos para reagir são diversos.


Novamente, te congratulo por tua vitória, não só sob o pinguço - que era cachorro morto - mas principalmente por ter vencido seu medo de reagir.

Que tu sirvas de exemplo à todas as outras.

Ronaldo disse...

Sou homem, e sei que talvez algumas pessoas achem que eu não deveria me intrometer ou que esse assunto não me diz respeito, mas minha opinião é que não se deve reagir. Essa moça deu sorte que havia quem contesse o bêbado. Em outra situação, ela poderia ter sido gravemente ferida. Certa vez meu irmão foi assaltado e fez a bobagem de reagir. Ele foi baleado e por pouco não morreu.

Priscila Boltão disse...

Se eu soubesse por gifs em comentários (nem dá, na verdade, mas se pudesse) eu encheria esse comentário de gifs de palmas respeitosas. Eu sei que não é fácil, mas viver com medo tb não é fácil. E sim, foi perigoso, mas admiro sua atitude. Pequenos gestos podem mudar o mundo aos pouquinhos. O seu por exemplo, mudou a visão do cara da camiseta rosa. Talvez ele comece a observar as próprias atitudes, e as dos amigos, e influencie outras pessoas. Talvez a cobradora e o motorista se sintam motivados numa próxima - infelizmente, pode haver uma próxima - e façam algo. E de pouquinho, em pouquinho, uma mulher a menos sofre um abuso psicológico e/ou físico.
Eu tb, vivo com medo. Todas vivemos. Eu ando com um estilete (pq me corto, nao pra me defender) e se tenho q sair do trabalho mais tarde, ou se vejo um ou mais homens vindo nas sombras na minha direção, começo a calcular quanto tempo levaria pra que eu pegasse o bendito, abrisse e escondesse sob a manga. Isso quando já não fico com ele na mão. Sem falar que ando sempre quase no meio fio, pq se alguém fizer um movimento brusco na minha direção, eu me jogo na frente dos carros.
E parando pra pensar, dos meus 3 sobrinhos, dois nunca vão precisar pensar em nada disso. E me dói pela minha sobrinha viver num mundo assim.

Nina disse...

Olá! Toda a minha solidariedade à autora do post. Ao mesmo tempo que é bom ler relatos assim, que a pessoa generosamente fala de sua história e mostra um panorama sensato (saber se defender é importante, mas não é fácil) é muito triste saber que, como ela disse, a todo momento, a cada segundo, nós mulheres estamos sujeitas a isso só por estarmos fora de casa.

Gostaria de poder reagir assim em uma situação como essa mas sei que não teria forças. Seu relato me inspira a buscar saber me defender e a estar cada vez mais atenta.

Força!

SeekingWisdom disse...

Minha solidariedade moça. Esse comportamento do agressor é baseado nessa ideia tosca de entitlement. Respeitar o direito do outro é difícil. É horrível ser obrigado a usar a força para se defender, os sentimentos que você descreve são muito fortes, quem sofreu algum tipo de violência sabe. Acho que o pior é sentir ódio tão intenso por várias horas, esse momento pós agressão é bastante doloroso.
Engraçado, lendo o relato me lembrei de quando fui acuado em um onibus nos EUA, não sei se foi xenofobia ou racismo, mas me tornei alvo para um grupo de negros. Não estou dizendo que brancos são coitadinhos, longe disso, mas notei lá uma necessidade de afirmação negra através de uma postura violenta.
Nesse caso, apenas minha indiferença foi suficiente para me resguardar, mas os sentimentos de invasão e vergonha foram fortes.
O entorno ignora essas situações mesmo, acho absurdo, talvez a solução para a violencia seja uma reação de todxs a ela. Quando vemos na nossa frente e nos calamos estamos "autorizando" os agressores.
Espero que consiga superar essa história. Abraços, Phillipe.

Mirella disse...

C., é isso aí.

Reação é se colocar em risco, mas vamos admitir: quando estamos sendo intimidadas, já estamos em risco.
A passividade não é sinônimo de segurança. Pelo contrário, enquanto você assumiu uma postura "passiva" isto só o instigava, pois é o que se espera que a "mulherzinha" faça: não reagir, não se defender, não se impor. Ver você se encolhendo diante dele é o prazer que este cretino procurava. Ele tinha certeza de que você não ia reagir - como todo abusador, esse também é um covardão. Por isto é importante toda reação à violência, e quando digo reação não é somente no momento em que acontece. É contando para o máximo de pessoas, marginalizando este tipo de comportamento, parando de nos esconder e colocar esse tipo de gentinha abusadora, criminosa e misógina nos seus devidos lugares. Chega de nós mulheres sermos marginalizadas por existirmos e deixarmos o caminho livre para esses abusadores.
E a necessidade de se defender é, como você disse, algo que não causa satisfação. Ser obrigada a se impor numa situação bem simples, andar de condução, é deprimente. Ser obrigada a se impor apenas porque anda na rua é ultrajante. Mandar um VTNC para o cretino porque você não tem o direito de ir e vir não é libertador, é a noção do espaço ridículo que a mulher ocupa na sociedade. E é por esta necessidade existir que PRECISAMOS reagir, da maneira possível a cada uma.

isa disse...

Acho que todo mundo precisa conhecer pontos de imobilização e técnicas pra se livrar de certos tipos de aproximação. Que técnicas de autodefesa a autora do guest post utiliza? Recomenda alguma arte marcial específica?

Sara disse...

Foi muito corajosa sua atitude C., apesar de toda a violência a q somos submetidas e temermos por nossas vidas , se formos sempre covardes só vamos acumular mais e mais abusos.

BETO disse...

Fiquei tenso só de ler o seu post. Como homem, me pego pensando: o que faz com que esses imbecis ajam desse jeito? Qual é o prazer sádico em ver o rosto amedrontado de uma mulher acuada? Mas o que mais me intriga é o envolvimento das pessoas sem que elas se apercebam disso. O rapaz de rosa também foi violento, assim como os outros dois. Qual é esse poder, que vai tomando conta levando as pessoas a agirem de forma totalmente impensada, transformando a situação numa histeria/catarse coletiva?
Por que ao citar a irmã do sujeito, parece ter havido um "clic" na cabeça dele, como se ele estivesse saindo da situação alienante? Sei lá, filosofei um pouco, mas a violência gratuita me assusta muito.

Anônimo disse...

Eu já passei por isso no onibus varias vezes...mas na verdade eu era muito jovem, e não sabia como reagir...os homens sentam do nosso lado e aos poucos vão colocando a mão na nossa perna :@

Dá um odio muito grande, mas o medo de reagir também vem...infelizmente

Bia disse...

Parabéns com louvor, C. Viu como eles afinam quando a gente vira bicho?



Raíssa disse...

Acho que você agiu certo sim, não tinha o que fazer, quem estava errado era o cara, se vc não fizesse nada poderia ter sido pior. Eu realmente não sei nenhuma técnica de defesa, mas se alguém tentar me tocar eu vou reagir. Claro que não devemos sair dando paulada pra cada cantadinha besta, mas quem não é mulher e não passa por isso não sabe o quanto é péssimo, o quanto nos sentimos mal, humilhadas. Uma vez eu estava no trem e um casa sentado do meu lado começou a encostar em mim, achei que ele estava dormindo (as pessoas as vezes dormem e caem pra cima da gente) dai olhei pra ele e o cara estava me olhando, ele deu um sorrisinho e pos a mão na minha perna, na hora fiquei chocada, mas imediatamente peguei a mão dele e empurrei de volta e fiz a cara mais de mau que consegui, o cara se encolheu e eu pensei se deveria levantar e sair dali, mas resolvi que não, se ele tentasse denovo eu ia fincar as unhas nos olhos dele decidi. Pouco depois o cara desceu do trem e eu segui no meu lugar.

Raíssa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Uau! Esse é um relato de tirar o fôlego!!!
Vc vai virar heroína de mts!
Obrigada e parabéns!!!

Agora espero que todos prestem a atenção na hora em que vc fala sobre analisar os riscos.

Me lembrou um pouquinho o filme Tomboy, na hora em que a menina vai bater no outro por causa da irmã, dps a irmã pergunta como ela conseguiu bater num menino (pois bater não é coisa de menina, né?!), ela diz algo assim "primeiro eu fecho o pulho, dps os olhos, aí bato" (simples assim, mostrando q não é algo exclusivo dos meninos).

Lord Anderson disse...

Situação dificil mesmo.

A recomendação é sempre não reagir pra evitar o "pior", e em caso de roubo ou furto as vezes não vale a pena mesmo.

Mas em outras situações, se há opção, se há uma chance reagir é valido sim. Ta certo que criminosos custumazes estão prontos pra tirar e perder a vida, mas alguns agressores não acreditam nem se preparam que sua vitima possa reagir.


A autora demonstra sua sensatez ao ponderar como reação nem sempre é uma opção e as vezes nem é a melhor mas não deixa de ser uma delas.

Parabens pela coragem e pela sinceridade.

Kinna disse...

Eu concordo com a autora do post. Deve-se reagir calculando os riscos, mas reagir sim. Pois, enquanto vc fica quieta, o agressor só CRESCE pra cima de vc, acha que está no direito dele e seu silêncio legitima isso.

Por isso que eu aconselho TODAS AS MULHERES comprarem um aparelho de choque ou um spray de pimenta para terem um instrumento para afastar esses caras nesse tipo de situação. O aparelho de choque eu acho ainda mais eficaz do que o spray, o barulho que ele faz ao ser acionado assusta até o mais psicopata dos homens.

Anônimo disse...

Não importa o quanto a autora diga que fez errado, que não recomenda, enfim.... Girl, você é a minha heroína! OMG!

Fiquei tensa lendo a história inteira, mas no final soltei um 'UAU'. Aplaudo de pé a sua atitude.

Eu sou loira, de 1.58m, olhos claros, enfim, mas eu treinei por anos minha cara de psicopata. Sempre que um engraçadinho chega perto, eu visto a cara de psicopata e digo o mais firme que consigo: CARA, VAZA. Funciona bem, eu nunca tive problemas com insistentes.

E por mais perigoso que possa ser, eu sempre sou a favor da reação. Chegar em qualquer lugar chorando e explicando a situação não comove os outros, pelo contrário, você é taxada de fresca, de exagerada, enfim. Agora, se você apanhou e chega em qualquer lugar seguro com a cara esfolada, as pessoas estarão ao seu favor. Ainda vai ter um dizendo "não devia ter reagido", mas basta gritar "E EU IA FAZER O QUÊ?" que tudo se resolve. Ou em partes, se resolve.

~Ana

Mari disse...

Nossa, adorei essa história. Uma vez eu dei um tapa num senhor que resolveu falar umas besteirinhas pra mim na rua. Foi praticamente um reflexo: dois segundos e minha mão estava lá, estalando no ombro do sujeito que saiu xingando e sendo xingado. Hoje eu me arrependo é de não ter acertado um belo chute no meio das pernas... Sei lá, sou meio contra a agressão física mas acredito que tem hora que não dá para usar mais os meios pacíficos de defesa.

Ou: sorte do mundo que eu não sei soltar bola de fogo =P

Binha disse...

É um absurdo mesmo como estamos sujeitas a tudo e como não nos sentimos seguras nos espaços públicos. Já fui passiva em uma situação horrível em um ônibus também, tinha apenas 16 anos. Mas não sei se seria diferente hoje, 20 anos depois. Talvez ficasse sem reação de novo. Realmente precisamos aprender a reagir pois, como isso não é esperado, assusta o abusador. Acho que pra ele uma reação faz até "perder a graça" pois gosta mesmo é de intimidar e inferiorizar as mulheres para se sentir superior e "macho". Partir para a agressão física talvez seja necessário em situações extremas, onde agredir seja a única forma de se defender. Sou totalmente contrária à violência, de qualquer tipo, e não acho que ela seja o caminho para resolver essas situações. Acho que só a mudança de paradigma da sociedade e uma nova forma de educar as futuras gerações pode acabar com esse tipo de situação que enfrentamos. Até lá, espero que tenhamos coragem de não nos submetermos e reagirmos sim, mas da forma mais pacífica que a situação permitir!!

Vivi disse...

Eu me solidarizo totalmente com a autora e sua atitude. Lembrei imediatamente do verso do Brecht:

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem."

Achei o verso apropriado para quem achar que é desproporcional ela bater no cara sendo que ele "afinal de contas, não enconstou nela". Mas até ela bater nele, são séculos de opressão que as mulheres sofrem e são violentadas. Enfim, situação compreensível.

Só uma observação que eu acho importante: o machismo e a violência contra mulher acontece INDEPENDENTEMENTE dela estar passando num bairro considerado perigoso (considerado perigoso porque tem "pobre" não tem nada a ver com a violência de gênero), INDEPENDENTEMENTE do cara falar um português errado (provavelmente um pobre) como descrito no texto. Acontece até mesmo se ele não estivesse bebado.
Acontece em todas as classes sociais e cor de pele.
Abraços e acho muito importante nós mulheres sabermos nos defender sim!! Gostei muito também da última frase.Afinal, passividade não garante nosso respeito ao corpo idem.

André disse...

Me parece que a autora reagiu não apenas contra o assédio do bêbado, mas contra séculos de opressão. Mas para quem observava de fora, a reação pode ter parecido claramente desproporcional. Provavelmente a polícia, se chamada, também pensaria assim e tentasse por panos quentes na situação. E isso porque era um pingaiada, se fosse um mauricinho ia dar BO para o lado dela.
Mas a reação dos caras que contiveram o bêbado também não pode ser considerada machista?

charoles disse...

Eu já bati num cara que passou a mão em mim numa festa. E é o pretendo continuar fazendo, enquanto houver cretinos fazendo esse tipo de coisa.

Parabéns a autora pela coragem e sim, é preciso fazer alguma coisa.

Anônimo disse...

não existe violência de mulher contra homem, o que existe e reação a uma cultura de opressão a mulher, desde sempre !

Anônimo disse...

ja passei por isso varias vezes. Umas dessas eu era adolescente esta indo a uma locadora de vidios e tinha que passar por uma praça. Estava com uma amiga, passou um grupo de guris por nós, todos eles passaram a mao na minha bunda. fiquei com muito medo e nojo. Outra eu estava na rua indo ao mecardo um velho passou de bicicleta me deu um tapa na bunda eu cai e rasguei todo meu joelho. Outro foi quando estva no onibus um carra sentou ao meu lado, eu estava distraida de fones, quando percebi algo na minha perna. Olhei para o lado ele estava com a mao na minha perna e me olhando com aquela cara nojenta. Depois foi ja na faculdade, morava na capital, eu e uma amiga estavamos passeando a noite, estava quente. um cara estava vindo em nossa direção, sorrindo com aquele sorriso assuatador e eu jafiquei com medo. Quando ele passou por nos passou a mao bem forte na minha bunda. minha amiga comecou a xinga-lo, ele olhava para traz com cara de deboche e atirando beijos. Em nenhuma das x eu reagi, ficava com vergonha e medo. Na vez do onibus so o que fiz foi levantar e santar em outro banco. Mas nao sei como seria hoje. Acho que nao seria uma reação tao passifica assim. PARABÉNS para moça do post.

Karla Shimene disse...

Eu também já sofri um abuso dentro do ônibus e estava acompanhada do meu marido e do meu irmão.
A gente entrou no ônibus e não tinha nenhum lugar para sentar. Então fiquei em pé perto de dois bancos meu marido do meu lado e meu irmão do lado dele. Comecei a perceber que um velho nojento ficou se lambendo olhando pra mim. Pensei em falar alguma coisa mas como odeio barraco fiquei quieta. Quando chegamos no terminal o velho fingiu que ia se segurar onde eu estava e colocou a mão na minha vagina, assim .. descaradamente. Na hora dei um soco no antebraço dele e ele se fez de desentendido .. disse que a mão dele "escorregou". Engraçado que deu tempo de eu xingar ele e meter um soco. Meu marido já deu uns tapas de mão aberta na cara dele, e meu irmão deu uma bicuda. Ele ficou se fingindo de bobo .. disse que foi sem querer .. eu comecei a xingar ainda mais.. chorei muito. Fiquei o dia todo fragilizada e tremendo. Meu irmão ficou no terminal esperando um outro ônibus e ainda ouviu uns rapazes dizendo que o velho era "sortudo". Meu irmão não ficou quieto e disse pra eles calarem a boca que eu era a irmã dele... nem mesmo acompanhada por outros homens tive segurança. Pq a gente imagina que esses machinhos respeitam uns aos outros e quando temos um "dono" somos respeitadas, mas nem assim.

Também já reagi quando eu e minha irmã passamos por um bar e nele havia um monte de bêbados prontos para invadir nosso espaço.
Gritei bem alto: NUNCA VIRAM MULHER NÃO? BANDO DE BÊBADO DO CARALH*. VÃO PROCURAR O QUE FAZER, INUTEIS" logo começaram a chamar a gente de vadia, puta .. mas eu e ela saímos rapidinho e dando risadas de alívio. Nossa alma tava lavada.

FÁBIO disse...

Priscila Boltão
Eu tb, vivo com medo. Todas vivemos. Eu ando com um estilete (pq me corto, nao pra me defender)
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Lola essa menina precisa de ajuda profissional, não de historinhas fakes, você perece ter uma enorme influencia sobre elas, pare de ficar ensinando elas a odiar e ajude-as !

Anônimo disse...

E parando pra pensar, dos meus 3 sobrinhos, dois nunca vão precisar pensar em nada disso. E me dói pela minha sobrinha viver num mundo assim.
-
Os homens são a grande maioria das mortes violentas no brasil um dos paises onde mais se mata no mundo, ficando a frente ate de paises em guerra, não se preocupe, sua sobrinha tem grandes chances de viver muito.

Já seus sobrinhos terão sorte se passarem dos 35.

Priscila Boltão disse...

Esse é mais um caso onde eu acho que não cabe muita comparação com assalto, pq vejam. Geralmente se um assaltante te ameaça, ele acha q vc tem dinheiro, vc dá o dinheiro e ele não te machuca. No caso da autora do post, ela tentou não reagir, e não adiantou. A única reação que - provavelmente - não geraria mais problemas pra ela seria "dar oq ele queria", e pelamor né? São coisas diferentes. Nesse caso não reagir não significa q ela não vai se machucar. Então é melhor lutar e pelo menos tentar se livrar.
Será q a moça não pode fazer um post falando um pouco de técnicas de auto defesa? Sei q é o tipo de coisa mais fácil de aprender em academias, mas não tenho como por aqui, e seria legal saber oq fazer numa situação ruim (só oq penso em fazer é chutar as pessoas desordenadamente)

Anônimo disse...

Eu sou totalmente a favor da auto-defesa, mas eu tenho 1,55 de altura, sou magra e tenho cara de menina (tenho 24 anos mas a maioria das pessoas acha que sou menor de idade)

Mas aí eu vejo casos assim, onde a postura e a imposição contam mais que a força física, e acho muito legal.

Parabéns, sua história é muito inspiradora.
Acho que é importante reagir quando a situação eprmite. Não deixa de ser arriscado, claro, mas a gente tem que fazer valer a pena.

Vanessa Macêdo disse...

Sofro esse tipo de situação sempre que coloco as minhas pernas, a minha bunda, ou melhor a minha pessoa fora dos domínios domésticos. Moro em Belo Horizonte e já cansei de ser chamada de "Princesa", "Gostosa" e até frases elaboradas como "Você está linda hoje", "Logo cedo encontro uma belezura dessa?" E sempre rejo "Vá se foder", "Diga isso a sua mamãezinha", "Não estou interessada na sua opinião". Tem dias que eu me sinto fortalecida por ter reagido, tem dias que eu me sinto numa batalha desnecessária e me pergunto "Para sair de casa eu tenho que me armar de argumentos e respostas contra a agressão alheia, apenas pelo fato de ser uma mulher no espaço público?". A minha atual reação é de baixar a cabeça assim que vejo qualquer homem, de feio a bonito, gordo, magro ou pobre, não importa, sim, estou associando espaço público à: violência gratuíta à: homens e lamento por isto profundamente.

Rob disse...

Ela tava certa.Esses dias assisti um documentário chamado "Pink Saris"em que uma mulher dona de uma gangue que anda com cajados para dar porrada em homem que estupra e mexe com mulheres disse uma frase q se aplica ao Brasil tbm."Aqui se vc for tímida vc morre".

Bruno S disse...

Lendo e relendo a história, fico com a impressão de que os agressores estão tão certos de que provocarão medo sem reação da vítima que ficam completamente desorientados após o revide de C.

Definitivamente não deviam estar preparados para que alguém reagisse a sua covardia.

Outro ponto é que só há alguma demonstração de empatiacom a vítima depois que ela reage. Se ela fica quieta, provavelmente diriam que não tinham percebido que tinha algo acontecendo ou que achavam que ela tava gostando.

Marta disse...

Eu achei sensacional a sua atitude! Precisamos de mais gente ocm esta fibra e que diga não a estes cretinos. Infelizmente algumas vezes isso dará errado individualmente e algumxs de nós seremos vítimxs deste machismo. Mas coletivamente isso será bom no fim pois o movimento precisa de mártires que atrairão atenção à nossa causa.

Anônimo disse...

Olá a todxs, sou a autora do post e queria fazer uma retratação aqui. Agradeço ao apoio recebido, mas preciso dizer que escrevi tudo isso sem pensar direito em alguns detalhes, e me parece que o conteúdo ficou bastante classista em alguns trechos. Sim, eram pessoas de classe baixa que me agrediram, mas temos que lembrar que a agressão sofrida não se compara à agressão das classes mais altas em diversas outras esferas, e em dimensões muito mais danosas socialmente. E além do mais, eu nasci na periferia, infeliz minha menção "pequena burguesa", imaginei que me vissem sob esse estigma por causa do visual "atípico" e não tem relevância, no fim das contas. Fora o fato de que a bebida é um problema social para xs trabalhadorxs, e a expressão "bêbado do caralho" e demais é extremamente preconceituosa, assim como "bairro perigoso", perigo mesmo está nos bancos e mansões. Enfim, achei importante rever os termos porque pensei que podiam ser interpretados como preconceito de classe, e isso precisa estar bem distante das nossas propostas para qualquer transformação social.

Anônimo disse...

Acho que todas as mulheres deveriam fazer Krav Maga!

http://www.kravmaga.com.br/?id=o-krav-maga

Karen Cavalcante disse...

Você teve muita coragem. Passei por uma situação muito parecida e também reagi. O que mais me deixou pasma foi a reação das pessoas no coletivo: ficaram contra mim, afinal, eu era uma louca que não ficou calada e nem agradeceu com um sorriso no rosto o abuso que sofri.

A.H.B. disse...

Absurdo isso, acho que não deveriam deixar entrar pessoas bêbadas ou, pelo menos, carregando latas e garrafas com bebidas alcoólicas em ônibus, metrô, etc.

Os funcionários do transporte coletivo são muito mal treinados para lidar com esse tipo de situação, também. Ficam com medo de assaltarem a caixa do cobrador e então se omitem quando tem um passageiro intimidando o outro. Muito irresponsáveis!

E se haviam outros passageiros, vergonha também. Se eu visse outra mulher sendo agredida nesse tipo de situação, partiria em defessa dela.

Que bom que a autora do post sabia se defender! Aliás, acho muito correto que organizações feministas ensinem defesa pessoal às participantes.

Sabrina Vaz disse...

Olha, eu já reagi e não me arrependo. Uma vez estava indo para o curso, era 19:00 e um cara me agarrou por trás falando para eu não gritar, detalhe é que meu celular estava no bolso,então percebi que ele não queria apenas me assaltar. Nunca fiz nenhum tipo de aula para auto defesa, mas carreguei o elemento e joguei no chão, ele caiu de costas ficando extremamente vulnerável, mas decidi não prosseguir e saí correndo olhando para trás, vi que ele também estava correndo fugindo de mim! Como sabiamente disse a colega a passividade em determinadas situações não é requisito para nossa segurança. Eu tenho 1m57cm,58kg e ele era bem maior. Eu procuro ter cuidado, pois essa sociedade está cheia de pessoas loucas e não sabemos se o agressor tem uma arma, porém não costumo aceitar calada ataques machistas nojentos.

Anônimo disse...

sou sua fan!
eu sempre passo por isso, em geral no metro, que é o meio de transporte que mais uso. nunca lutei, mas tenho tanto odio de cada babaca que me agride, seja com o olhar de desejo ou com a aproximacao interessada.
comprei um canivete que fica sempre na minha mochila. se eu vejo que o cara ja ta me olhando, tiro o canivete de forma que ele possa ver que estou armada. mas espero nunca ter que usar.

e quanto a sua reacao, acredito que vc nao tinha escapatoria, era tipo "matar ou morrer", vc nao tinha pra onde correr.

Anônimo disse...

Continuo dizendo ,comprem uma ilha o só deixem feministas entrar...

Maria Fernanda Costa disse...

Meu deus, VOCÊ É INCRÍVEL!!!!!!!

Em alguns poucos minutos de leitura você conseguiu me transformar em uma MEGA fã.

Entendo seu ponto de que é perigoso reagir, mas imagine só, tudo isso aconteceu dentro de um ônibus, certo? Se você estivesse sozinha na rua e ele encostasse em você, você teria que partir para a agressão de qualquer maneira... Não sei, enfim... Apesar de todos os pesares, sua coragem é algo a se admirar!

Obrigada por compartilhar sua história conosco! TODOS OS DIAS eu sofro para simplesmente conseguir pegar um ônibus, e fico imaginando quantas mulheres não passam pela mesma situação...

Se você estiver lendo os comentários, você poderia nos indicar onde poderíamos fazer um curso de auto-defesa?

Anônimo disse...

Quando eu vejo relatos assim, apesar do terror e da injustiça que nos são impostas por sermos mulheres por essa sociedade patriarcal de merda, e por tudo que esta moça corajosa passou, eu me sinto um pouco vingada. Só de pensar que um verme babaca machista apanhou, levou socos na cara de uma feminista e PERDEU, é como se o gênero feminino todo tivesse triunfado um pouco por um breve momento. Por isso, hoje em dia, eu tenho um enorme prazer em colocar homens machistas em seus devidos lugares. Eu moro no norte da Europa, de modo que faz bastante tempo que eu não sofro nenhum atentado contra minha integridade por conta do machismo. Mas hoje entrei no trem e vi que tinha um cara ocupando dois assentos, com as pernas abertas. Havia pessoas em pé, talvez muito tímidas para pedirem para o cara fazer justamente aquilo que é o mínimo de civilidade. Pois eu vi aquele assento e quis me sentar direto lá só para comprar briga com o cara. Cheguei pedindo licença. Ele mal se moveu, daí eu disse olhando na cara dele que ele tinha que chegar pro lado. Ele disse que não tinha espaço - só porque havia um homem sentado na frente dele, e ele não queria deixar as pernas próximas da do outro homem. Mas eu continuei apontando pro espaço que havia e encarando ele até ele chegar as pernas pro lado.Eu então ocupei todo o meu espaço e disse para ele que havia regras no trem, que ele só tinha direito a um assento, e não a dois. Ele respondeu dizendo bem baixinho que não havia nenhuma regra e que ele fazia o que queria. Eu repeti, aumentando o tom de voz, o que eu havia dito e que ele NÃO ia fazer, de modo algum, o que ele queria, que ele iria respeitar meu direito de sentar naquele espaço. Como eu falei alto, ele provavelmente se sentiu constrangido pelas pessoas em volta. Uns babacas amigos dele ainda deram uns latidos, para dizer que eu era braba como um cão. Eu olhei feio e eles não me encararam. Mas eu nem liguei. Abri meu livro e fui sentada no MEU lugar. Agora, as pessoas vão achar que é racismo, mas esse cara era árabe. Como imigrante, eu sempre fico enfurecida quando as pessoas generalizam, porque eu gostaria muito de dizer para as pessoas não generalizarem, mas o caso do homem árabe é muito complicado, porque há casos demais de desrespeito, de misoginia, de violência para dizer que são casos isolados. Todas as vezes que eu passei por situações opressivas aqui foram com homens árabes que sequer me conheciam. Então não dá para tapar o sol com a peneira, existem sim culturas mais machistas, como a brasileira, que é a mesma coisa que a árabe para mim, e outras menos machistas, como as do norte da Europa, onde as mulheres tem tantos direitos quanto os homens.

Ana Cristina disse...

Uma conhecida, há muitos anos, estava na barca rio-niterói, à noite, voltando do trabalho. Um exibicionista sentou-se ao seu lado e abriu as calças, mostrando seu pênis. Ao invés de se constranger, ela ficou de pé e anunciou: "Gente, esse cara está com o pinto pra fora! E que pinto horroroso!"
O sujeito, pego de surpresa, ajeitou a roupa, murmurou "você é louca" e foi-se embora.
O nome dela é Dulce, mas mostrou que não era nada dócil!

t. disse...

Acho que foi um dos depoimentos mais impactantes que li neste site até hoje. Não só pela história, que já é forte, mas pelas reflexões e ponderações precisas da autora. Sinto, como homem, concordar com ela: as mulheres estão mais sujeitas à violência quotidiana do que os homens, mesmo que estatísticas digam que mais homens morram violentamente do que mulheres (e uma simples pergunta diz tudo: mortos por outros homens ou por mulheres?).

Sem conseguir dizer muito nem oferecer respostas, concordo tudo quanto a autora escreveu. Não sei como resolver esse paradoxo constitutivo de seu discurso: não desejar ser tomada como exemplo, por saber dos riscos que correu, mas entender que não é mais seguro uma postura passiva diante da violência.

Quero parabenizar a autora pela coragem, pela força, pelo excelente relato e pelas reflexões precisas. Obrigado por partilhar suas palavras conosco.
t.

Aline A. disse...

Pois eu acho que a gente deve sempre reagir. Eu sempre reagi. A unica vez que eu não reagi eu tinha nove anos e meu padrinho quase me estuprou. Ali eu aprendi, somente eu era responsável pela minha integridade física. Meu pai jamais iria me salvar, minha mãe jamais iria me salvar. Então EU iria me salvar. E eu não tenho medo de homem. E as pessoas tem que entender: uma coisa é vc reagir a um assalto, onde a motivação do cara é uma; o cara que tenta te pegar, te passar a mão, te dar uma encoxadinha, faz isso porque SABE que nós somos ensinadas a não reagir. Menina que reage é louca, maloqueira (essa foi reservada pra mim em várias ocasiões, tenho até um carinho especial), sapata, maria machadão. E o que eu digo? Foda-se. Se o cara invadir meu espaço, eu quebro a cara dele, sem remorso.

Anônimo disse...

Estou aqui indignada... Pessoal acabou de subir no twitter uma tag sobre estupro #TuíteUmFilmeComEstuprandoSuaMae ... Senti nojo ao ler isso!

Anônimo disse...

Não sei se já viram: http://www.naointendo.com.br/fotos/igualdade

Um absurdo tudo e ainda usaram a imagem do babaca que ficou provocando na marcha das vadias em Brasília como um "coitadinho".

Os comentários são tão ridículos quando a tirinha.

Telsen disse...

C. você é minha heroína. Eu sei que reagir nem sempre é uma boa, mas saber reagir (com técnicas) facilita muito.

Por que violência patriarcal não é a mesma coisa que assalto ou sequestro. Eles sabem que estão errados e não aceitariam que alguém agisse assim com qualquer mulher conhecida... mas é só com a reação - as vezes violenta - que conseguimos chamar atenção das pessoas em volta.

Ninguém fez nada por você enquanto ele te assediava e violentava, por que isso é normalizado, mas se eles resolvessem te bater de volta ninguém ficaria quieto. E isso faz diferença, reagir é levar a violência a um nível que incomoda todos. Por isso é sempre bom reagir quando tem alguém por perto, ou quando você consegue acabar com o cara sozinha...

Se alguém tiver informações sobre esses cursos de defesa pessoal eu aceito!

Thiago Baptista disse...

Toda minha solidariedade à autora dessa mensagem. Entendo - no máximo que um homem pode entender - o caldeirão de sentimentos ruins que você passou, mas acho que, ao contrário, você deve sentir orgulho de si mesma; porque soube sair da passividade a qual as mulheres são empurradas no patriarcado; porque soube juntar coragem e forças pra garantir sua integridade física; porque não perdeu seus limites de vista em momento algum, e soube respeitá-los - quando, por exemplo, em momento algum deixou de contemplar que o ato de agredir é algo ruim, e extremamente triste ser levada a ter que fazê-lo.

Sua coragem é extremamente louvável; não se repreenda nem por um segundo pelas suas atitudes.

Lógico, reagir sempre é um perigo. Porém, você teve a inteligência de perceber que você JÁ ESTAVA em perigo, sua ação foi justa e certa para livrar você dessa situação.

Mais uma vez, parabéns. Da próxima vez, não se sinta amedrontada, pelo contrário: entenda isso como uma prova do seu poder e da sua força.

\\//

ofilmedatarde disse...

Acho que no caso do assalto não vale a pena reagir, o máximo que você pode perder sendo passivo são objetos ou dinheiro, quando reagindo você pode perder a vida. No caso dela, bem, ela podia perder muito mais que bens materiais sendo passiva, e considerando que o sujeito nem estava armado,acho que ela fez certo sim.

Moema L disse...

Amiga to batendo palmas de pé para você.

Sei que é terrível o que você passou, imagino o seu medo mas a sua coragem foi admirável.

Quando, infelizmente, passo por situações como essa, penso exatamente como você pensou.Não sou tão ativa no movimento feminista como você mas sou feminista, jovem mas feminista. então quando me sinto ameaçada lembro disso. Lembro que prometi a mim mesma aos sete anos que jamais permitiria que um homem me machucasse.

hoje ando com um belo canivete na bolsa, isso não é motivo de orgulho mas não sei lutar e peso 50kg, tenho que me defender de alguma forma.E só pretendo furar alguém em casos extremos.

Anônimo disse...

GAROTAS, DICA PALIATIVA de prevenção: sempre que possível, em ônibus, trem, avião, whatever: sentem-se sempre no corredor, NUNCA na janela.
Não previne todos os problemas de assédio, mas nos poupa de vários... ;)

Ângela

lola aronovich disse...

UAU, essa é uma das maiores unanimidades que já presenciei aqui no blog. Todo mundo orgulhoso do que vc fez e te aplaudindo, C! claro, tem os mascutrolls de sempre falando umas besteirinhas, mas mesmo eles estão relativamente calmos. Parabéns! Acho que sim, vc tem razão: precisamos reagir. Avaliando os riscos, sempre, mas precisamos. Aliás, quem quiser fazer um post sobre defesa pessoal para mulheres (nunca publiquei nada aqui sobre o assunto), por favor, mande pra mim! Acho que está na ordem do dia. Ou mesmo quem quiser falar com um pouco mais de detalhes sobre carregar spray de pimenta ou troço que dá choque, também. Sei que é proibido, mas é importante poder se defender.

Anônimo disse...

acho que nem todo teaser é proibido, depende do alcance e da potência. sei que aqueles que são de "disparar", pra acertar a pessoa de longe, são proibidos e só a polícia pode usar.
mas aqueles que é só encostar no corpo do agressor, que nao tem potencia suficiente pra causar morte, acho que qlquer um pode comprar. tem até uns baratinhos no mercado livre, to juntando dinheiro.
na descrição de um dos anúncios, o anunciante diz "só o barulho do choque a distancia já vai afastar o possível agressor".
meu sonho é ter um desses. tocou em mim, me chamou de gostosa, me agrediu? meto choque. o choque é forte o suficiente pra pessoa cair no chão e ficar desnorteada/imobilizada por vários minutos, dá perfeitamente pra fugir, meter uns chutes, chamar a polícia.

SeekingWisdom disse...

Lola, fiquei mais impressionado com a unanimidade em relatos de assédio. :(
Phillipe

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

troço que dá choque

Você quis dizer: Taser. =P

Li disse...

Parabéns, C! Parabéns!

Aliás, essa história de aulas de auto-defesa me interessa muito. Alguém tem alguma dica? Algum tipo de luta pra recomendar? :)

Anônimo disse...

sua narrativa é muito intensa, tanto como a experiência. acho que vc o suhjugou no momento em que deixou de ter medo, os agressores nunca contam com isso. mas, ao partir pra agressão física, se arriscou demais. claro que digo isso do conforto da minha casa.... mas, se eu puder tirar duas lições disso, seriam: 1 - fones de ouvido em ônibus de linhas e ambientes estranhos: JAMAIS. 2 - se constrangida verbal ou fisicamente, nunca demonstre medo, use as pessoas que estão ao seu refor como alidas, discutindo com o agressor e pedindo a ajuda dos outros.

Denise disse...

Eu não conheço uma mulher que não tenha sofrido assedio e agressão física. Eu sofri, varias vezes e minhas amigas também. É tao comum que a a gente tende a relevar e ignorar muitas das vezes. Eu sempre coloquei um limite quando a agressão chegava a ser física (na minha opinião, encostou em mim, de propósito, sem pedir autorização, é agressão). Aí eu reagia sempre. Nas outras vezes dependia se eu estava a fim ou não. Mas é sempre um risco pois ninguém sabe dos malucos covardes por aí.
Quando eu era adolescente e tinha que andar de ônibus, eu sempre levava aquele guarda chuva de madeira e usei. Até o ponto que desisti do ônibus quando dava e andava de bicicleta. Um saco. A gente não tem direito de ir e vir em paz.

Anônimo disse...

Reagir é risco sim. Mas sair na rua já é risco. Estar sendo abusada deste jeito já é risco. Diante de todos estes riscos os agressores que prevejam a reação, POIS A REAÇÃO VIRÁ! Se abaixar jamais. JAMAIS JAMAIS JAMAIS.



Unknown disse...

peço anonimato também apenas para relatar o que coorreu com uma das minhas irmãs que teve a sorte de perceber que seria abordada por um homem quando estava a caminho do seu trabalho na universidade federal.
o outra sorte foi ela andar, ainda que fora da lei, com um spray de pimenta na bolsa.
ela ia a pé todos os dias para o trabalho, DE MANHÃ, por lugares relativamente movimentados, e foi próximo a uma república de estudantes que o episódio ocorreu.
chovia no dia e por azar não havia em frente as casas os estudantes que normalmente circulavam constantemente por ali, minha irmã viu quando um homem passou por ela de bicicleta e conseguiu perceber que ele dera meia volta e retornava ao seu encontro. ela teve frieza e tempo para colocar a mão na bolsa, destravar o frasco de spray de pimenta poucos segundos antes de ouvir o sujeito intimando-a a ficar quieta. ora, se se tratasse de um assalto ele falaria pra passar a bolsa. mandar calar a boca deixa claro q as intenções eram evidentemente outras, mas minha irmã num movimento rápido, e arriscado também, é verdade (mas que outra alternativa restava?) sacou do spray e praticamente o esvaziou no rosto do agressor. segundo ela, mesmo no milésimo de segundo em que pode ver o rosto do homem, a expressão dele era de um pavor tal que, ela supõe, ele deve ter julgado que se tratava de uma substância química que desfiguraria seu rosto irremediavelmente (quase lamento que não fosse).
depois disso minha irmã não teve mais condições de voltar a percorrer o mesmo trajeto e adiantou a compra de um carro em mais de um ano se endividando no limite do seus ganhos. o importante é que um simples frasco de spray de pimenta certamente a salvou de ser violentada por um homem que talvez nem tivesse ali com essas intenções, mas resolveu se aproveitar das circunstâncias. e se querem saber, recomendo que todas as mulheres comprem esse spray de pimenta e o levem sempre consigo na bolsa. é um pouco dificil de encontrar, acho que no Brasil não se vende, é tipo um chaveiro, e de um tamanho que permite que seja encontrado numa bolsa sem maiores dificuldades. mas o mais importante é evitar ao máximo se expor a situações de risco, muito embora saibamos que são difíceis de se prever e em alguns casos inevitáveis.
boa noite a todas e todos.

Anônimo disse...

Defesa pessoal e importante, mas lembrem-se, USO PROPORCIONAL DA FORÇA, nem para mais, nem para menos, se vocês estiverem numa situação totalmente desfavoravel ( muitos oponentes,individuo armado) não reajam, não ponham suas vidas em risco, e também não vale jogar splay de pimenta na cara do namorido, so porque ele chegou tarde da sinuca ¬¬

Esqueçam kong fu, karate, capoeira etc, isso tudo e muito bonito coreograficamente, mas na hora que as cadeiras começam a voar no buteco,( eu sei, fiz muita segurança em casa noturnas) não quer dizer nada, BATAM RAPIDO, BATAM FORTE.

Vocês não podem querer enfrentar alguém com o dobro do seu peso, e tamanho superior de igual para igual, precisam usar estrategia, e o de efeito surpresa, e tecnicas de de defesa pessoal baseadas em torções e imobilizações são as mais apropriadas para mulheres, o hapkido e perfeito, pois ussa a força do oponente contra ele mesmo.

http://www.youtube.com/watch?v=odGeATDk6h8

http://www.youtube.com/watch?v=_6fXy6k0KlU&feature=related

para que quer algo mais adaptado ao dia a dia, o KRAV MAGÁ, e uma tecnica israelense considerada a melhor do mundo em defesa pessoal,

http://www.youtube.com/watch?v=kJs30EY__B4

Esta e uma otima escola, e de formção de seguranças e vigilantes, mas também ministra aulas de defesa pessoal para mulheres, os instrutores são israelenses, especialistas em KRAV MAGÁ.

http://www.youtube.com/watch?v=sFsJSy-EZAI&feature=fvsr

http://www.uzil.com.br/formacao_vigilantes.htm
-
em ultimo caso, chutem o saco, e saiam correndo, gritem e façam barulho, atraiam atenção para si ( ULTIMO CASO MESMO, não qualquer crise de ciuminho )

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Clap, clap, clap!!!! Não tenho outra reação pra autora do post. Fomos educadas durante tanto temmpo a sermos boazinhas, educadinhas, quietinhas e outros "inhas" que pra gente se defender, entender que a nossa fornteira pessoal é nossa e de de mais ninguém, precisamos de muita coragem.
Eu faço artes marciais, mais como exercício do que como instrumento de luta mesmo. Mas reparei que, quando nós aprendemos maneiras de nos defendermos, nossa atitude muda e os molestadores não se aproximam tanto, talvez porque não tenhamos mais aquela aura de medo que faz com que eles ataquem.
Temos que aprender a não nos encolher, olhar nos olhos com a mensagem "esse espaço é meu!" escrita neles.

Anônimo disse...

Eu já cheguei a julgar mal por paranoia, uma vez um senhor cedeu o lugar para mim e só depois eu percebi o bafo de álcool (isso no carro das 6h da manhã)... Daí eu comecei a achar que ele queria me deixar sem saída ficando de pé ao meu lado no ônibus lotado para se esfregar. Eu passei a viagem toda com a minha sacola, daquelas ecológicas, cheia de pastas de plástico pontudas saindo para fora funcionando como uma barreira, qualquer movimento mais brusco do ônibus e eu via que ele se espetava. Mais adiante eu vi que ele sentou assim que vagou outro lugar, fiquei sentindo remorso, e o pior é que esse senhor pegava o mesmo ônibus que eu todos os dias. Mas o que fazer? Já me passaram a mão por eu não querer trocar de lugar e passar por preconceituosa, e isso quando eu tinha 16 anos. Vocês concordam comigo que o pior, pior mesmo, a respeito do abuso machista é perder um pouco o “frescor", a fé nas pessoas, a vontade de não julgar sem conhecer?

Carolina Lucas Paiva disse...

Eu achei a reação dela bem proporcional ao ataque sofrido.
O cara estava espremendo ela contra a janela, intimidando e forçando-a a olhar para ele. Que eu saiba, empurrar alguém que está te espremendo é bem proporcional.
O soco só veio depois de de o cara continuar a ser agressivo.
Cabe direitinho em legítima defesa.
Sonho em fazer algo assim também, ter coragem e reagir. Nesse caso, se ela não tivesse reagido, poderia até ter sido abusada sexualmente, pois a cobradora não iria fazer nada e provavelmente o bêbado a seguiria onde quer que ela descesse.

Rose disse...

Parabéns à autora do post, não só pela reação ao abuso, mas principalmente por dividir a experiência. Eu creio que quanto mais mulheres (cis ou trans) divulgarem esse tipo de postura com relação aos abusos, mais mulheres terão coragem de reagir. É perigoso? Claro que é, mas ser mulher é perigoso num mundo machista e ficar calada é uma sentença de morte.
Seria interessante também se as pessoas, no geral, reagissem e não deixassem (por comodismo, medo ou coisa assim) a vítima acuada e sozinha. Alguém me disse que os homens agem assim porque apelam para o comportamento de grupo e mesmo que ele esteja agindo só, tem sem alguém que estaria disposto a apoia-lo na covardia. Talvez seja a hora de reagirmos em grupo, de dizer basta de violência e deixar bem claro a nossa indignação. Enfim, homens e mulheres reajam.

Mariana disse...

C., que horrível a história, mas fico feliz que você reagiu e acabou tudo bem.

Entendo quando você diz "Mas devo dizer, reagir não é como as pessoas imaginam. Não há nenhum tipo de prazer em atacar seu agressor. O sentimento é de que é a coisa mais triste do mundo você precisar fazer isso."

Só "reagi" uma única vez e senti a mesma coisa. Não me senti mais forte ou livre, e sim triste.
Estava quase chegando em casa, após caminhar meia hora no sol carregando peso (sou sedentária e isso é algo que me cansa muito e me irrita hehe), quando comecei a ouvir algo como "morena, gostosa etc" vindo de trás e passando por mim. Não pensei duas vezes e ergui o dedo do meio com força para os três caras que estavam dentro do carro. Ainda lembro da cara de um deles, saindo do riso para o choque.
E mesmo que eu estivesse bem disposta e feliz, eu quero poder andar na rua em paz.

Uma coisa que comecei a fazer nesse ano e tenho me policiado sempre é andar na rua com a cabeça erguida. Percebi que eu costumava abaixar o olhar quando algum homem na direção oposta começava a me olhar, tentando me anular para que não fosse percebida e não tivesse que ouvir alguma gracinha. Agora sigo com o olhar adiante, não abro espaço para que me diminuam, não cedo meu espaço. A rua é tão minha quanto deles.

Anônimo disse...

Olha, eu nao gosto desse site e só entro aqui pra ver como está a onda feminista.

Mas pra este post, devo comentar. Meus parabéns. Parabenizo você a partir de pessoa, de homem, e de lutador. REVIDE, REVIDE, E REVIDE SEMPRE.

Infelizmente, as atuais condicoes deixam as mulheres em desvatangem em relacao aos homens. Mas essa postura de enfrentamento pode trazer algum benefício, tenho certeza.

Senhor h.

Anônimo disse...

Anon das 19:48

Não é que uma vez uns guris fazendo farra na rua, ao me verem mudar de calçada, me falaram entre divertidos e chateados: "pôxa, moça, a gente não é estuprador, não precisa ter medo da gente não!"
Ri sem graça e fui tristonha pra casa por ter tido que me "prevenir" de garotos que só estavam rindo alto pela rua...

Ângela

Augusto disse...

Não acho que é podido andar armados, pois não somos donos da razão. Equívocos acontecem e pessoas podem se machucar por bobeira. Não acho que ela deveria reagir deste jeito, ela deveria sair do ônibus, anotar a placa do ônibus, denunciar à polícia o sujeito e ele seria preso, se tivesse cometido um crime.

A briga e a guerra não levam a lugar nenhum. Gosto da filosofia de Gandhi.

Sabe por que falo isso? Eu já briguei achando que estava completamente certo na discussão. Depois vi que, pasme, eu também estava errado e agredi a pessoa. Eu poderia estar certo na minha queixa, porém eu estava errado ou agredir a pessoa.

Claro que o assédio que a narradora sofreu é muito pior que a briga que tive. Eu não acho que as pessoas devam reagir, criar clima de briga.

A reação hostil ou agressiva diante de um ataque é nada menos do que o princípio da guerra.

yulia2 disse...

Olha... já ouvi falar desse hapkido...achei muito bom, um dia vou fazer... tem golpes fantásticos.

yulia2 disse...

tenho certeza que o bebum não esperava pela reação.
não somente não esperava como depois ficou com ódio e quis o revide de qualquer jeito....

o melhor mesmo foi aguardar ele ir embora e ter certeza que ele foi embora, pois esses tipos gostam de acerto de contas e poderia até ter feito tocaia...
ainda bem que deu tudo certo.,

bisbibis disse...

Garota, que ótimo que já é feminista... certamente muitas aqui gostariam de tê-la por perto! Não posso expressar tamanha admiração. Mesmo que não nos motive a fazer o mesmo, isso foi uma aula de força e coragem... no mínimo alguém pode evitar de sofrer na mão de um destes canalhas, quem sabe ao menos na do que pediu perdão.

Lembrou um caso em minha pacata cidade: a amiga de uma amiga minha foi obrigada a fazer sexo oral em um cara que portava uma faca. Nisso, ela deu uma baita mordida no pênis do infeliz e saiu correndo! Pena pensar que o desgraçado ainda tá solto por aí.

Não pude ler os comentários, mas vi um da Lola sugerindo post sobre aula de defesa pessoal... gostaria de sugerir que neste post conste locais no brasil todo que ensinem defesa pessoal para mulheres (em especial organizados por feministas, como você que escreveu parecia participar).

Aliás, mudando de assunto, não sei se existe mas sinto falta de saber também onde se encontram os grupos feministas... é difícil saber a quem propor ativismo no interior, por exemplo.

E ainda não desisti da idéia de fazermos um grupo de discussão para criar e moldar idéias de ativismo feminista e campanhas de todo tipo. Idéias coletivas e também aquelas solitárias, tipo sair colando frases em postes. [Vide o "Não acredite nas revistas, você é linda" e afins.]

Mais uma vez, parabéns e obrigada por defender tantas mulheres com suas atitudes.

Anônimo disse...

Fiquei com uma dúvida: algumas vezes, em bares, cafés, na faculdade, quando acho uma garota interessante, eu costumo olhar para ela. Se ela corresponde, eu insisto no olhar, até uma abordagem. Mas às vezes não passa do olhar. Agora me ocorreu que posso estar sendo agressivo. O que vocês acham?

yulia2 disse...

Mas às vezes não passa do olhar. Agora me ocorreu que posso estar sendo agressivo. O que vocês acham?
___________________

Ou vc está de trollagem, ou vc é tão analfabeto funcional que é incapaz de diferenciar uma simples paquera com a agressão verbal que bebum do onibus fez a garota... (vou chupar sua buc**ta e etc... é paquera? vc paquera mulher assim?) sugiro que releia o texto.
boa noite

Anônimo disse...

Nos ilumine então yullinha, nos ensine como e uma paquera não ofensiva, pois para algumas aqui, um simples olhar para um decote, ja e crime hediondo

Grazielle Nascimento disse...

Já passei por algo parecido: estava voltando para casa quando vi dois homens próximo do poste(estavam com garrafas de cerveja), fiquei atenta é claro. Só que quando passei por eles, percebi que estavam me seguindo. Olhei se tinha alguma casa aberta e tinha...pensei vou correr e pedir ajuda. Quando corri, um dos dois falou para que eu não fugisse.Não consegui chegar na casa, um me puxou e começou a me bater(?), eu pensava: não quero morrer, tô perto de casa e tenho fugir de alguma maneira(Detalhe: eu gritava ladrão para o povo da casa aberta). Apertei a parte da traqueia para ele perder ar e eu consergui fugir. Ele me soltou e corri para a casa aberta(descalça, sem bolsa e machucada), estava tão amentrodata que gritei com o povo que estava lá, perguntei pq não me socorreram,então a moça da casa disse pensava que era briga de marido e mulher(?) e que não entraria numa briga por causa disso. Xinguei pouco, falei como VOCÊS deixam qq pessoa bater em outra e eu quero um telefone para ligar para meus pais.Quando liguei meus pais vieram correndo e me levaram para a delegacia, quando cheguei lá, disseram para eu ir para o hospital e depois fazer a ocorrência.Fiquei com o rosto todo inchado e com hematomas e com a queda, quase quebrei o pé(fique quase 1 mês com bota ortop.). O que me revolta nessa história é por pensarem que era uma briga de marido e mulher e o povo aceitar, como também, de poder sair tranquila de casa para qq canto de minha cidade. Fiquei com medo e insegurança, só saia com meu irmão e ligava para alguém me buscar no ponto. Se posso saio com o carro, me tranco e vou para os lugares que quero ir. Agora estou conseguindo sair a pé, mas sempre com aquele medo.

CSM disse...

Só um texto interessante que eu li essa semana: "A Não Violência é Patriarcal"

Trercho do texto: "Se retirarmos esta filosofia da arena política impessoal e a colocarmos num contexto mais real, a não violência implica na crença de que é imoral que uma mulher se defenda de um agressor ou que aprenda autodefesa. A não violência assume que para uma mulher maltratada seria melhor partir, ao invés de se mobilizar em um grupo de mulheres e dar uma surra no marido agressor, escurraçando-o de casa. A não violência afirma que é melhor ser estuprada do que tirar uma caneta do bolso e afundá-la na jugular do agressor (porque fazê-lo seria supostamente alimentar um ciclo de violência e fomentar futuras violações)."

http://pt.protopia.at/wiki/A_N%C3%A3o_Viol%C3%AAncia_%C3%A9_patriarcal

Carol NLG disse...

Eu ando, sempre, com um spray de pimenta. É um pouco maior que um batom, fácil de achar na bolsa, mas com um protetor discreto. Curiosidade: no Brasil é ilegal vender, comprar ou trazer pra dentro do país o spray, mas não é ilegal portar. Sobre usar, entra na história do uso proporcional.

Quando se tem um item desses, tem que se saber que não dá pra ameaçar. Se tirar, tem que ser pra usar mesmo. Ainda bem, nunca precisei usar o meu. Mas só de saber que ele está lá me dá uma segurança tão grande que eu acho que a minha própria postura indica um "não mexa comigo". Quem me deu foi meu então namorado, atual marido. Eu tinha aulas até tarde da noite num lugar meio complicado. Ele ficava com medo por mim. Essa solução foi a melhor possível.

Outra coisa que tenho por hábito, sobretudo agora que moro num país muçulmano: quando dirijo, tenho sempre do meu lado algum objeto grande. No Brasil tinha um taco de baseball. Aqui, ando com o macaco do carro e uma chave de roda do lado do banco do motorista.

Aqui tenho dois problemas: eles não sabem dirigir e vivem se batendo, e eu tenho placa diplomática (o que atrai batidas). Já aconteceu uma vez de eu estar dirigindo sozinha por algum motivo. Alguém bateu no meu carro. Vi que o cara desceu pronto pra me intimidar. Mulher, sozinha e diplomática? Sorte grande. Desci com minha chave de roda na mão, spray de pimenta destravado na bolsa. Na hora que o cara viu a minha chave de roda (e sim, já desci batendo ela em uma das mãos, pra intimidar mesmo) já começou a murchar. Eu olhei o dano no meu carro, era pouca coisa e nem compensava brigar. O carro do cara estava bem acabado. Ele tentou brigar, eu olhei pra chave de roda, olhei sério pra ele, e disse: "você sabe que a culpa foi sua. Se você tentar criar problemas pra mim, eu vou criar problemas pra você, e você vai perder. No meu país, as mulheres sabem se defender, e eu sei exatamente onde te bater pra te deixar com dor, e onde te bater pra te deixar ainda mais feio. Você quer ir embora agora?".

Ah, pra minha sorte eu falo o idioma local fluentemente. Isso ajuda muito, porque a enorme maioria dos estrangeiros não fala um "a" de hassania. Assim, já assusto o cara no idioma. Esse em especial, pediu desculpas e foi embora.

Em outro momento, nova batida (sim, eles miram o carro e aceleram, pra você oferecer dinheiro). Daquela vez, estava com meu marido. Que não fala o idioma local. O cara viu nós dois descendo do carro (sim, eu com minha chave de roda!) e pensou em tentar brigar. Um amigo nosso, local, estava passando por lá e viu tudo. Foi nos ajudar. E disse pro cara a coisa que mais me faz rir até hoje: "se eu fosse você, não ficava preocupado com o cara, que é grande. Ficava preocupado com a mulher. Ela vai te machucar e você além de tudo vai passar vergonha e ir preso.". Acabou por isso mesmo.

Mulherada, a postura é uma das coisas mais importantes. Como a guest post disse (aplausos pra você, querida! Parabéns!), muito da briga ganha-se na postura. Parecer grande, parecer confiante, já é 80%. Em geral, acaba nisso mesmo. Espero que cada vez menos mulheres cheguem às vias de fatos com ignorantes, misóginos inúteis como os mencionados.

Anônimo disse...

Mariana, eu não só não abaixo a cabeça como olho pra quem está se aproximando de mim. Engraçado que quando a gente começa a olhar pras pessoas, elas se acuam. E quem devolve o olhar, geralmente é de paz, ou fica em paz. Quando o espaço é pequeno e tem gente chegando perto, abro bastante espaço pra ele dando a entender que eu já percebi a presença e já não consinto com a proximidade. Tem dado certo. Uma das razões por que não atendo celular na rua é pra não me distrair e ficar de olho no que tá rolando em volta. Mesma coisa com mp3 player e afins.

@ guest-poster,

Tá perdoada para todo o sempre. Você é a nossa Lisbeth Salander,
sem desmerecer as outras comentaristas que contaram seus percalços e como se saíram bem. Torço pra que todas nós cheguemos a esse ponto muito em breve.Bj

Anônimo disse...

20:56, de vez em quando, olha pras não tão interessantes. Você vai se surpreender.

yulia2, 'vou chupar s/b*****' é estupro mental.

Dree disse...

Acho que lendo esse post muitas mulheres(eu inclusa) pensamos em alguma situação em que gostaríamos de ter reagido e enchido a cara do abusador de tapas e socos, dá um certo sabor de vitória...
Nunca tive problemas com homens embriagados, aliás poucas vezes tive problemas com desconhecidos, minhas histórias de abusos, foram com homens de "confiança".
Mas não consigo me imaginar reagindo,por medo, por vergonha...por tudo aquilo que me foi ensinado, embora ache a reação válida e infelizmente as vezes necessária.

Lola, não vi nenhum post sobre a novela Lado a Lado da globo, sei que a globo não é muto bem quista, mas acho que estão acertando o tom nessa novela. Vou linkar dois trechos para quem interessar , assiste, é rapidinho e acho que você vai gostar.
Esse é sobre a responsabilidade dos brancos em questões raciais, lindo. http://globotv.globo.com/rede-globo/lado-a-lado/t/cenas/v/laura-conversa-com-edgar/2262379/

Esse é quando as protagonistas conversam sobre como até homens ligados a causas feministas são influenciados pelo patriarcado. http://globotv.globo.com/rede-globo/lado-a-lado/t/cenas/v/laura-conversa-com-edgar/2262379/

Aline A. disse...

Olha, gente, aula de defesa pessoal é ótimo, mas pra quem nunca fez ou não tem tempo, algumas dicas:
1 – procure acertar os lugares no corpo que são mais vulneráveis (olhos, nariz, estômago, testículos, etc. Por incrível que pareça, o lugar mais vulnerável em uma pessoa é aquele “buraquinho” que a gente tem no pescoço, logo abaixo do “pomo de adão”. Se um cara te agarrar pela frente, enfie o dedo com força ali, a dor é imensa);
2 – objetos do dia-a-dia podem ser usados como armas: chave do carro entre os dedos, se vc usar como soco inglês o estrago é grande; se vc usar muitos anéis, também funcionam como soco inglês (só tomem cuidado para não machucar os dedos); se um cara te agarrar por trás, usem o salto do sapato para machucar a canela ou o pé do infeliz ; até mesmo uma caneta bic comum pode ser usada como arma branca, envolva a mão no corpo da caneta, com a ponta virada para dentro, levante a mão alto e faça um movimento de arco (essa é para quem não tem dó);
3 – no ônibus, se vc está sentada e o cara está ao seu lado, para inutilizá-lo (essa é pancada, use com moderação): gire o tronco do lado contrário do cara, traga o braço nesse movimento, e acerte no nariz dele com o cotovelo, isso quebra o nariz ou os dentes (às vezes as duas coisas);
4 – se ele está de frente para vc, acerte no nariz dele de baixo para cima com aquela parte onde os ossos da mão encontram com os ossos do antebraço;
5 – ande olhando nos olhos das pessoas, não abaixe os olhos para ninguém, isso também costuma desencorajar os engraçadinhos. Uma postura autoconfiante geralmente é suficiente para afastar atenções indesejadas. Uma das coisas que me chamou a atenção quando assisti um documentário sobre o maníaco do parque foi que ele procurava meninas que estivessem de cabeça baixa no metrô, portanto, bora levantar a cabeça, mulherada.
Se eu me lembrar de mais alguma dica, escrevo aqui.

Bia disse...

Aline, seus conselhos são bala. Tô adorando este post!!

Carolina Lucas Paiva disse...

É incrível, a gente falando em mulheres sendo espremidas contra a parede, sendo seguidas e espancadas quase perto de casa, e os loko achando que nós reclamamos de olhares? Enfim, é muita trollagem.
Dica pros amiguê: não haja como um maníaco do parque, fi. Se a pessoa não retribuir, não insista. Acha difícil perceber o limite? Não xingue/siga/toque/ameace/agrida/grite com a mulher que não quiser nada com você. Enfim, entenderam os limites da paquera? Tenham empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro) e é isso aí.

Anônimo disse...

Carol NLG, hahaha ganhei o dia com seu comentário. Vou fazer a mesma coisa. Vou me dar ao luxo de comprar algo bem apropriado para me acompanhar no carro. Thanks!!

Val

Gabi M disse...

Lindo texto! O que me chamou a atenção foi você escrever como se sentiu logo depois de reagir. Eu já reagi a um assalto quando vi que ele não estava armado e me senti exatamente da mesma maneira, entrei no primeiro lugar que vi, chorando e pensando que ele iria me seguir até o inferno para se vingar, só saí de lá acompanhada e nos dias seguintes tive medo de sair na rua e encontrá-lo de novo. Trabalho em um parque em minha cidade e preciso entrar na mata para fazer minha pesquisa, outro dia dois homens passaram perto demais dizendo gracinhas e dando risada, eu reagi mostrando o dedo do meio. Muito corajosa na hora, mas depois não consegui entrar na mata nem continuar no parque trabalhando com medo de eles me seguirem, precisei voltar pra casa e voltar na semana seguinte para terminar o trabalho atrasado. Alguém pode explicar que sentimento é esse de não ter o direito de reagir mesmo depois de reagirmos e conseguirmos afastar o agressor? Será que esse direito é tão negado que quando o utilizamos ainda assim não sentimos que nos apropriamos dele? Ou qualquer um se sente assim após reagir a uma violência?

Dree disse...

Ops, mandei o segundo link errado:
O correto é esse: http://globotv.globo.com/rede-globo/lado-a-lado/v/laura-diz-a-isabel-que-vai-se-divorciar-de-edgar/2226295/

dree disse...

Aline A. lendo seu comentário lembrei do meu pai m obrigando a aprender a dar socos (esse 4 eu treinei bastante), na época eu tinha 13 anos e não entendia, e ainda achava um saco, mas hoje agradeço, nunca usei mas quem sabe o dia de amanhã.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Nossa, esse tópico me deixa triste, seria tão bom um mundo onde nós, meninas, pudéssemos ser livres. Ás vezes vejo esses meninos minimizando a situação, e eu fico mais triste ainda, sei que não são mascus, mas sim pessoas que nunca estiveram na nossa pele e acham tudo surreal.
O que eu sempre costumei mais sofrer foi a homofobia, pois mesmo como homem sempre fui muito "sensível", agora com minha transição tem gente que vem mexer, mas minha cara de "psycho" sempre faz a pessoa fugir depois do "repete".

Mas estou começando a entender e experimentar o que as meninas cis e trans mais experientes passam. ='/

yulia2 disse...

Nos ilumine então yullinha, nos ensine como e uma paquera não ofensiva, pois para algumas aqui,
um simples olhar para um decote, ja e crime hediondo
_______________________

continuo achando que vc ta de trollagem... mas enfim
topo perder mais 5 minutos da minha vida....

o que disse o texto..

''Ele dizia coisas nojentas, dignas de um agressor sexual, e repetia constantemente "Não vai nem olhar pra mim?",

coisas nojentas o que entendemos por nojento? sua bucetuda, vou te comer, vou gozar na tua
cara ... bla bla bla.... com certeza foi nesse naipe
somente um PSICOPATA acha que isso é paquera.
e sei que foi assim pois o que aconteceu com ela já aconteceu comigo na rua , um marginal chegou
perto de mim falando esse tipo de coisa...
que nem vou repetir aqui.
e no onibus um fdp vagabundo já passou a mão na minha
coxa... levantei da cadeira com toda a estupidez do mundo e empurrei o joelho dele pra fora da cadeira foi o minimo que eu pude fazer já que o onibus estava
quase vazio e o vagabundo tinha o dobro do meu tamanho esses lixos se valem da vantagem física para assediar de maneira abjeta, sabem que a maioria jamais vai reagir
fisicamente sob pena de ser quebrada.. mas enfim não foi o caso do texto, continuando...

''eu tentava empurrá-lo pro lado e ele não cedia.''

mais um sinal emitido por ela para esse bebum de que ela NÃO ESTAVA ACEITANDO o seu assédio.
ele foi empurrado e ele prosseguiu...
se ele não fosse um vagabundo assediador ELE TERIA PARADO. qualquer homem de bom
senso se quer começaria, se começasse depois dessa, PARAVA. Não parou...
prossigamos...

''ele continuava me assediando e expandindo seu corpo em direção ao meu.''
''comigo já esmagada contra a janela, ele se posicionou diante dos meus olhos, colocando a cabeça na minha frente a uma distância de uns 10 cm. Eu não podia mais ignorar.''

ou seja, o cara além de falar merdas na orelha dela
pressionar o corpo dele contra o dela ela empurra para repeli-lo ele piora e bota a cabeça dele na cara dela...tava NA CARA que o vagabundo bebum usou de todos
os artificios nojentos , toques totalmente indesejáveis, dizeres pornográficos para ter atenção dela...
e repito SOMENTE UM PSICOPATA COM MENTE DE ESTUPRADOR
acha que isso é normal , é paquera.
ai não deu mais.. ela fez o que tinha que fazer.

Ela estava no onibus voltando ou do trabalho ou dos estudos... querendo chegar em casa vem um bebum senta do lado dela e começa
isso... isso NÃO É PAQUERA É AGRESSÃO.

e como todo VAGABUNDO, na cara de pau ainda vira e fala que não encostou nela..
é o que todo estuprador diz quando vai preso, começa a chorar que nem criancinha dizendo que é (trabalhador) e que nunca
fez nada. sei sei...

e ela teve sorte, pois um BANDIDO
desse poderia ter armado uma tocaia pra ela.

Voce , supondo que seja um homem normal vc chega em qualquer mulher e fala(sua bucetuda, vou te traçar ... eu acho que não.
vc chega e mete a mão na coxa, na bunda? acho que
também não... )
Suponho que vc sendo inteligente e normal vc não paquera mulher desse jeito se vc não faz isso porque raios acha fica agora vitimizando
o vagabundo assediador? vc sabe que não se compara esse tipo de agressão com paquera , pra que se fazer de besta e meter essa?
dá um tempo.

yulia2 disse...

Ás vezes vejo esses meninos minimizando a situação, e eu fico mais triste ainda, sei que não são mascus, mas sim pessoas que nunca estiveram na nossa pele e acham tudo surreal.
__________________

Nego achar esse tipo de coisa
NORMAL é o fim da picada o fim dos tempos...
Engraçado, é normal pros outros...
mas vá um vagabundo desse assedir
a irmã deles, a mulher deles..
ai a conversa muda.

Luiza disse...

Concordo com as meninas que disseram pra andar de cabeça erguida e olhando as pessoas. Nada de parecer fraquinha indefesa, não.

Nunca passei por uma situação em que precisei reagir, mas se precisar estou aí pra luta. Quando estou no ônibus e um homem senta ao meu lado e eu começo a desconfiar, já deixo uma mão fechada, pronta pro soco. Minha amiga e eu vamos comprar um spray de pimenta e um taser.

Ah, e outra dica que funciona comigo: por mais que seja horrível andar sempre com medo e pensando no pior, pense em você mesma lutando. Descendo a porrada no infeliz. Isso ajuda pra te deixar confiante.

Anônimo disse...

Nos temos o direito de nos defender, e por não sermos neandertais primitivos cheios de músculos, dificilmente no mano a mano, portanto levem sempre contigo um estilete afiado, se forem tocadas ou assediadas de alguma forma, e o cara não estiver armado, puxem o estilete, se ele vier para cima cortem ele sem dó, lembrem-se que e eles te pegarem não terão piedade !

Eu sou favorável até, que por termos menos força física,que a lei permitisse somente as mulheres possuirem porte de arma, claro que devidamente depois de um curso de tiro, mulheres são mais responsáveis, deveriam ser maioria entre policiais na nossa sociedade, so depende de nos !

Dona Coisa disse...

Nunca me esqueco do dia em que achei que ia matar um cara. Estava com minha namorada numa trilha e esse "moco" local estava nos levando para uma cachoeira. Na volta ele ficou ultra estranho e comecou a dizer que era conhecido como opsicopata da cidade. Eu e ela nem ficams em panico, nao. ele guiava a gente (na ida tinhamos prestado atencao e nao deixavamos ele desviar) e eu e ela, ao mesmo tempo agarramos duas pedras pontudas. e ensaiavamos o golpe. mas minha namorada tem uma conversa mole que ninguem acredita e conseguiu ficar conversando com o cara ate voltarmos pra cidade... desde coisas tipo " nao, eu vejo em voce uiuma pessoa boa" ate,: mas me conta o que passa pela sua cabeca quando vc ouve isso..." e conversa vai conversa vem, voltamos pra cidade.

Mas eu lembro de pensar: caralho, eh hoje. ou eu mato ou eu morro.

Anônimo disse...

yullia eu entendi o que assedio, e não tomo o caso como referencia, achei nojento também, o que eu perguntei, e você parece não ter a minima ideia, e A MANEIRA CORRETA DE UM HOMEM PAQuERAR UMA MULHER EM UM AMBIENTE COMUM,como faz ?

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Yulia2,

Quer ser minha amiga? Tu pareces uma pessoa legal apesar de meio "nervosa", mas te entendo. Pareces ser interessante de conhecer.


Luiza,

Quando conseguir, nos conta. Estou atrás dessas coisas a um tempo, mas o complicado é a alfândega.

Vanessa disse...

Estou dando aulas em um curso técnico, e devido aos meus 23 anos, e aparentar menos idade sempre me confundem com aluna, hoje fui pedir a sala de informática da escola para usar e um aluno de outro curso disse alguma coisa que eu mesma não ouvi, mas as alunas riam e apenas falaram, que horror nem a professora ele respeita, fiquei tão sem graça, e espero que isso não se repita se não serei obrigada a passar o caso a direção. Mulher ser tratada como coisa é triste demais.

Márcio disse...

Sabe o que me chama mais atenção de vocês feministas? É que vcs querem generalizar, e dizer que TODOS os homens são espancadores,estrupadores ou seja lá o que for.

A mesma coisa faz os ''mascus''de querer generalizar e dizer que todas mulheres são ''vadias, que só querem sair com alfas e cafas''. Na boa, ambos estão errados!

Agora, agente só ver em blogues feministas criticas aos homens. Agora eu pergunto: por que nenhuma feminista se manifestou quando teve o massacre de Aurora, onde três jovens deram suas vidas (escudo humano) para salvar suas namoradas daquele atirador maluco?

Anônimo disse...

Não é que uma vez uns guris fazendo farra na rua, ao me verem mudar de calçada, me falaram entre divertidos e chateados: "pôxa, moça, a gente não é estuprador, não precisa ter medo da gente não!"
Ri sem graça e fui tristonha pra casa por ter tido que me "prevenir" de garotos que só estavam rindo alto pela rua...

Ângela
-
pois você deveria ter respondido : " ando pelo lado da calçada que eu quiser, não lhes devo satisfações, não os conheço, portanto sim, você são estupradores em potencial,e vocês deveriam se comportar como gente na rua, ela não e so de vocês "

Anônimo disse...

Eu sou a favor que pelo menos os trasportes publicos fossem separados por gêneros, so a presença de homens estranhos em ônibus já nos e agressivo e intimidador !

Anônimo disse...

Ganhei a semana com esse post! Muitas dicas boas nos comentários. Eu costumava andar de cabeça baixa até passar por uma situação que me mostrou claramente que isso atrai gente maldita. Agora só ando de cabeça erguida e encarando as pessoas!

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Eu sou a favor que pelo menos os trasportes publicos fossem separados por gêneros, so a presença de homens estranhos em ônibus já nos e agressivo e intimidador !

27 de novembro de 2012 00:32
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Lá que vocês citam tanto a empatia, imaginem a cena, um homem de meia idade, trabalhou o dia inteiro, ele e humilde não tem carro, tem que pegar um ônibus para voltar para casa,está cansado de sua batalha diaria,so pensa em chegar em casa, jantar, rever a familia, o ônibus esta cheio, ele vai em Pé, assim que sobe, as mulheres já o olham com rabo de olho, de repente vaga um luga perto dele, na janela tem uma moça, ele pensa que ela vai fica constrangida se ele sentar ao lado dela, mas ele está cansado, o serviço foi pesado, ficou em pé o dia inteiro, e pombas, ele tambem esta pagando a passagem, ele se enta, wente o desconforto da jovem, tenta ignorar, se disser algo será pior, assim que ônibus vai esvaziando, e vaga outro lugar, a jovem se levanta e se enta em outro lugar, aquele homem trabalhador, se sente como a escoria da raça humana, ele nunca pensou em machucar ninguém, quanto mais abusar de uma menina, ele tem filhas, ate por isso entende o comportamento da jovem, ela não o conhece, portanto está se precavendo, ele orienta as filhas a fazerem o mesmo, mas mesmo assim o vazio por dentro continua, ele se sente menos humano, menos digno.

agora imaginem se este homem for o seu pai?, filho?, irmão ?

Dona Coisa disse...

Anonimo das 00:34 - Nao seja ridicul@, segregacao nao traz beneficio a ninguem. daih vamos segregar os heteros, pq eles podem agredir os gay, ou os brancos porque sao racistas? Achei absolutamente besta a proposta. O mundo nao evolui assim.

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agora imaginem se este homem for o seu pai?, filho?, irmão ?

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Anonimo das 00:51

Se fosse meu irmao eu sei o que ele pensaria (pois tivemos essa conversa muitas vezes). Ele pensaria que eh sacanagem tratwerem ele assim por algo que ele nao fez, que ele nunca deu nenhuma pista que faria. Mas ele entederia que HA UM MOTIVO por tras da paranoia da menina. E a paranoia dela doi nela. Uma vez que vc passa por situacoes de violencia vc nao eh mais @ mesm@.
Imagina se cada vez que um homem sentasse ao seu lado vc pensasse naquele tiozinho que tirou opau do seu lado e se masturbou olhando para seu olho de horror.
Nao consegue imaginar? Bom, isso ja aconteceu comigo 3 vezes. Com mnha mae outras 4. Uma vez ela pegou o pau do cara na mao e gritou: olha o pau dele! ele ta me mostrando achando que eh bonito, mas eh feio e mole e mau cheiroso... nao, nao sei como ela conseguiuy fazer isso, mas fez. E quando vc senta no cinema e o cara se masturba do seu lado? Bom, se vc passar por uma situacao dessas, da proxima vez que um tiozinho sentar do seu lado vc vai lembrar e vai reagir. Se o cara ficar magoado com aquilo, sinto muito. eh chato. mas nao me venha falar que a magoa dele eh maior que os meus traumas.

(nao eu nao costumo levantar, mas se eu levantar e alguem ficar magoado - CAGUEI!)

Luiza disse...

Mimimimimiiiiiiiiiiii. Parece aquele personagem dos Muppet Babies.

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Raziel, tem na Santa Ifigênia. Você é de SP?

Ju disse...

Preciso comentar antes de ler outros comentários. Vc é minha heroína!
Eu acho que as mulheres tem que reagir sim, mas vc estava numa situação realmente desfavorável e mesmo assim reagiu. Parabéns!

Nesses relatos sempre aparecem os mascus/machistas dizendo que isso é misandria (!), que ele não encostou em vc, vc não poderia bater nele. Pra eles o correto e justo é a mulher aguentar tudo caladinha. Sendo uma boa menina.
aham, sentem lá Claudios.

Marina disse...

pro anonimo mimimi do "agora imaginem se este homem for o seu pai?, filho?, irmão ?"

larga de ser ridículo, pelo amor de deus.
as mulheres nao andam por aí fazendo cara feia e desprezando TODOS OS HOMENS AUTOMATICAMENTE, que babaquice.

pelo seu exemplo, assim que o hipotético "pobre senhor trabalhador" entrou no onibus, "todas as mulheres" já fizeram caras de desagrado. até parece. quando qlquer pessoa entra no onibus, as outras não estão nem aí. estão VIVENDO SUAS VIDAS, normalmente, ouvindo música, pensando, olhando pela janela.

e se um homem sentar do meu lado não vejo absolutamente NENHUM problema. jamais olharia feio aleatoriamente pra uma pessoa que simplesmente sentasse do meu lado.
sim, nossos casos de abuso são vários e horríveis, mas isso não nos torna mal educadas odiadoras de todos os homens por tabela. pelo amor de deus. temos namorados, pais, amigos, NÓS SABEMOS que nem todos os homens são assim.

só fazemos cara feia se o homem se portar de forma desagradável. use sem bom senso. se o cara estiver me olhando, olhando meu corpo, sentar do meu lado e meter a mão, sentar do meu lado ocupando mais da metade do espaço, me espremendo.. se esfregar em mim absurdamente pra passar, caso eu esteja em pé.. aí faço cara feia, escandalo, empurro. nunca vi mulher tratar mal homem só pelo fato de "existir e ser homem".
se vc já se sentiu vitima disso, pare e pense:
reveja suas atitudes do momento.
ou, caso vc realmente nao tenha feito nada, releve, já que isso não é algo COMUM e generalizado, como a violencia contra mulher É.

Marina disse...

e outra,
pros que vem perguntar "MIMIMI qual é a forma certa de paquerar uma mulher?"

pelo amor de deus, use seu BOM SENSO. não invada o espaço alheio. isso é tão ÓBVIO.
esse papo que a "linha entre a paquera e o que podem considerar abuso é tenue" pra mim é papo de potencial psicopata estuprador.
tênue, sério??

e outra, pra que porra vc que paquerar mulher no meio da rua? numa hora em que estamos ocupadas, nos locomovendo, indo pro trabalho, pra faculdade? vc acha que se me chamar de "princesa" na rua, eu vou responder "oi, tudo bem, que legal sua cantada, adoro ser incomodada na rua, vamos tomar um café e nos conhecer melhor?"

o que se passa pela cabeça de um cidadão desses??
agora, se o objetivo não é causar resposta da mulher, é só constatar sua opinião sobre o corpo dela, a beleza dela, o que quer que seja.. PIOR AINDA. respeite o corpo dos outros. não tem nada que ficar impondo sua opinião, quem perguntou ?

são coisas que qualquer pessoa com bom senso sabe.

quer saber qual a forma certa de paquerar uma mulher?

NA RUA, NENHUMA.
repetindo: NENHUMA.
a mulher não está na rua pra ser paquerada. sei que esse é um conceito muuuuito revolucionário pra enfiar na cabeça de vcs, machistas, mas é a verdade. ESTAMOS NA RUA PRA NOS LOCOMOVER. não pra sermos admiradas e paqueradas.

se vc realmente se interessar por uma mulher desconhecida, siga o BOM SENSO BÁSICO. ela te olhou ? ela SORRIU pra vc? se não, deixe ela em paz. simples.

mas uma dica: vc não tem lugar melhor pra se interessar por mulher do que NO MEIO DA RUA não meu filho?

Anônimo disse...

Infelizmente passei tb por uma situação envolvendo bêbado escroto.

Tava indo pra aula de ônibus e estava sentada num banco sozinha, daí veio o bêbado e sentou do meu lado. E eu já sabia que ia dar merda, pois ele começou a falar besteira que nem ouvi direito pq ignorei e foquei na janela do ônibus... Porém, quando eu fui descer, pedindo licença educadamente (OH GOD WHY?) ele me prendeu no banco. Não queria me deixar sair e ficou falando "ahh vc não vai sair não". Eu fiquei tão puta com isso, ele nessa brincadeira e o pessoal que estava próximo rindo... Que dei um empurrão no camarada e gritei "AH! EU VOU SAIR SIM!" e fui embora.

Nem se compara a situação que a colega do guest post passou, mas eu me senti acuada sim! Temos que reagir sim! Mesmo que pareça uma brincadeira besta... Não é!

Anônimo disse...

Eu fiz um comentário aqui sobre um cara que não queria me dar o MEU lugar no trem e depois vi as mulheres falarem sobre auto-confiança. Este, apesar de não ser um caso de assédio, mostrou como o homem crê que o espaço público é só dele. Mas Eu tenho tanto nojo, desprezo, ódio de machista que isso me dá auto-confiança e prazer em humilhá-los. Em nenhum momento me senti acuada pelo fato dele estar com seu grupinho e resistir em me obedecer. Insisti, até ele fazer o que tinha que fazer. Se ele não fizesse, eu teria azucrinado ele a viagem inteira. Mas a minha vantagem nesse caso é que ele sabe que não poderia me agredir, porque a lei do país dele não vale aqui. Eu já lutei judô e acho que isso me deu uma auto-confiança. Refletindo sobre sobre o que as pessoas falam aqui, lembrei que minha irmã já sofreu umas três tentativas de estupro, das quais ela só se safou pq reagiu, e ela realmente tem uma aparência mais frágil, é mais sorridente. Eu sempre ando na rua de cara feia, acho que isso ajuda e nunca passei pela mesma situação que ela. Seria legal ter uma página só com relatos de mulheres que reagiram e que ferraram com o agressor. Seria uma inspiração. Machista é covarde, se corresse por aí a notícia de que mulheres começaram a quebrar a cara desses vermes, acho q eles começariam a tomar cuidado.

Mirella disse...

Márcio das 00:10

o dia em que uma atiradora maluca fizer algo parecido, quem sabe.

Por que você não faz um post sobre o acontecido e divulga aqui, então?

E sabe o que eu acho mais engraçado ainda? Que você não vai conseguir pegar um comentário dos mais de 100 que diga que "todos os homens alguma coisa".
Isso realmente é engraçado.
Tente novamente mais tarde, champ.

Priscila Boltão disse...

Cara, nem ia mais comentar, mas alguém teve a audácia de falar dos meus sobrinhos, que amo como filhos, e do meu disturbio. Então lá vou eu.
Primeiro, sim, se depender de mim eles passam dos 35 anos, sabe pq? Pq a violência que vitima os homens é perpetuada pelos próprios homens, e pelo MACHISMO (não pelo feminismo, saca?), que instituiu a crença de que homens tem que ser violentos, entre si e com as mulheres tb. Eu e minha família fazemos o que podemos pra que eles não se envolvam em meios violentos - e é difícil, mas fazemos o possível pra que eles entendam que a juventude é muito passageira e que eles tem é que pensar em um futuro onde nada disso importe e onde tenham suas carreiras e famílias e amigos pra aproveitar - pensar nisso faz o presente, os coleguinhas briguentos e bullies de escola parecerem muito irrelevantes.
Agora, não, eles nunca vão precisar ter as preocupações da menina. Eles nunca vão ter que se preocupar em colocar jeans em vez de saia e que horas sair e com quem sair e como se comportar e nunca vão ter de viver com medo de violência como meninas fazem. E se vc não entende isso, não vou me esforçar em fazer vc entender pq empatia parece não ser o forte de algumas pessoas por aqui.
Sobre quem disse q eu preciso de ajuda profissional, te ocorre que eu tenho ajuda profissional? Sim, eu me corto. Eu não tenho vergonha disso. Eu não vou mais sentir vergonha de ter uma doença mental, não vou mais deixar gente que não me conhece me julgar, me dizer que é frescura/que só quero atenção, nem que me digam doq preciso. E oq a Lola tem a ver com isso, plmdds? Esse blog me ajuda mais doq vc pode imaginar. Muitos dos meus distúrbios e traumas são curados aos poucos pelo q vc chama de "historinhas fakes". Só de saber que tem gente lá fora que tb sofreu, que lutou, e que a culpa das coisas q me aconteceram não foi minha, que a vergonha não tem que ser minha, já me sinto muito mais forte doq já me senti antes. Então vão tudo tomar no c* pq, ó, não to com saco de ver gente reclamando de feminismo hj, ainda mais depois de ler um post lindo e inspirador desse.
Por fim, Aline, muito, muito obrigada! Suas dicas são ótimas (eu só penso naquela do soco quando me sinto ameaçada) e só de saber que posso fazer algo já me sinto melhor.
E Dona Coisa, Cheers to you! Cara, disse tudo. Não entendo cabeça de homem que acha que a ofensa que eles sentem qdo achamos que um desconhecido é potencial estuprador é pior do que o trauma que quase toda mulher sente q faz com que pensemos assim. É q nem branco que acha que ser chamado de racista é pior que o racismo em si. Cara, sem noção.
Hoje é um daqueles dias q to meio sem esperança no mundo, mas tem umas pessoas lindas aqui (incluindo a lola) que fazem eu me sentir melhor.

Mirella disse...

Completamente off topic, mas não achei um post atual que pudesse encaixar:

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1191460-tpm-e-mito-machista-segundo-pesquisadora-canadense.shtml


"Pesquisadoras da Universidade de Toronto revisaram 47 estudos em língua inglesa que tentaram acompanhar alterações de humor femininas no ciclo menstrual.

Resultado: apenas sete das pesquisas mostravam uma relação direta entre mau humor e período pré-menstrual.

Coincidentemente, nenhum desses sete trabalhos que atestavam a existência da TPM tinha sido feito às cegas. Isto é: as participantes sabiam que o assunto pesquisado era TPM e podem ter sido sugestionadas."


Isso me lembra um dos últimos números da Superinteressante que dizia que 1/3 dos cientistas mente.

http://super.abril.com.br/cotidiano/25-coisas-estao-escondendo-voce-717510.shtml

Bruna B. disse...

Eu reajo, sempre. Perdi todo o medo que tinha quando o covarde do meu ex me atacou pelas costas.
Há pouco mais de um mês não hesitei em socar um babaca que apertou a minha bunda.
Faço Krav Maga e Muay Thai duas vezes por semana e sempre tenho algum objeto que possa ser usado como arma de defesa à mão (molho de chaves, canivete, spray de pimenta). Também tenho uma arma em casa (espero nunca precisar usá-la).

Aqui em POA está tendo uma série de sequestros-relâmpago seguidos de estupro, onde os bandidos atacam as mulheres (principalmente as que estão com os filhos, por sua vulnerabilidade), levam até um local ermo, as estupram e abandonam, levando o carro. Por isso, estar atenta e manter cuidado é extremamente necessário.

A primeira coisa que eu aprendi no Krav Maga foi a evitar situações de risco. Seguem algumas dicas:

1) Estar sempre atenta e manter o máximo de distância de todas as pessoas (na rua qualquer um é agressor em potencial). Quanto mais longe, melhor;
2) Evitar locais 'desertos' e mal iluminados. Se não puder evitar, fique atento e não se aproxime de locais que possam esconder alguém (muros, carros, plantas, etc);
3) Evitar o uso de fones de ouvido em espaços públicos, ruas, ônibus, etc (eles são um meio de distração e farão com que você não note a aproximação do agressor. Entre ouvir baboseiras e ser atacada fisicamente, prefira a primeira opção;
4) Andar sempre na direção contrária dos carros, para mantê-los em seu campo de visão;
5) Atravessar a rua sempre que for cruzar com alguém e estiver sozinha, isso evita um possível ataque;
6) Prestar atenção em pessoas próximas ao seu carro antes de entrar nele; Se houver algum suspeito, é melhor aguardar que ele se afaste. Isso evita uma abordagem surpresa, um sequestro relâmpago (grande parte dos bandidos usa uma faca para render a vítima, e pra isso ele precisa chegar perto dela). Assim que entrar no carro, você deve travar a porta, antes mesmo de colocar a chave na ignição. Só abra os vidros quando já estiver circulando;
7) Mantenha um objeto que possa ser usado para se defender sempre à mão. Um molho de chaves pode ser usado como soqueira, por exemplo;
8)Se estiver andando na rua, segure a bolsa junto ao corpo, com o braço travado (cotovelo dobrado), isso evita que alguém arranque ela de vc;
9) NUNCA reaja a uma arma de fogo;
10) JAMAIS HESITE E SE MOSTRE ACUADA. O MEDO ALIMENTA A MAIORIA DOS AGRESSORES (principalmente os estupradores e terroristas psicológicos).


Parabéns à autora do guest post. É importante bater nessa tecla, as mulheres precisam sair da posição de passividade, mesmo que isso incorra em algum risco. Não estou dizendo que você deva sair se colocando em frente a uma arma ou tentando desarmar um bandido que tenha uma faca (o Krav Maga até ensina a fazer isso, mas se você não é treinada e segura é melhor evitar o risco), mas estou dizendo que muitas situações podem e devem ser contornadas através de um pouco de atitude e coragem.
Chega de baixar a cabeça!

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Luiza,

Não sou de SP, mas saber que existe no Brasil já é suficiente. ]:}


E acho bobeira ter medo de "Mimimi cometer crimi" por andar com esses acessórios de defesa pessoal. Polícia consegue nem pegar estuprador, quem dirá "Mocinhas indefesas que supostamente usaram algo que não existe no Brasil". HUEHUEHUE


Obrigada pela dica.

Anônimo disse...

FÁBIO disse...

Lola essa menina precisa de ajuda profissional, não de historinhas fakes, você perece ter uma enorme influencia sobre elas, pare de ficar ensinando elas a odiar e ajude-as !

-

Fabio, porque fake? Você acha mulheres tão incapazes de se defender assim?
De qualquer forma, só queria comentar que:
1-Ninguém está ensinando ninguém a odiar. Mas no fundo você sabe disso, eu não acredito que alguém seja bobinho a ponto de interpretar texto tão mal.
2-Você disse bem. Ajuda profissional. Até onde eu sei a Lola não é psiquianalista.
3-Eu só queria te falar que pra quem tá "defendendo o bem" dessa menina, você agiu como um completo idiota separando o comentário dela do resto e apontando pro nariz de alguém falando "você precisa se tratar". Eu recomendo, sim, terapia pra qualquer pessoa que tenha hábitos auto-destrutivos, mas não é assim que se fala com ninguém. Você fez muito mais mal do que bem, te garanto. Dê uma procurada em como lidar com esse tipo de coisa, não custa duas googladas e pode fazer uma diferença enorme.

Quanto a Priscila... Eu não sou ninguém pra te falar o que fazer, mas apelo para que você pense no porque se corta. Fale com alguém de confiança, caso você já não o tenha feito. Eu sei que é difícil de acreditar, mas não precisa ser assim e TEM alguém disposto a te ajudar. Se cuida, menina. E Lembre-se que você merece que você se trate bem.

Quanto ao texto, concordo que se defender tem riscos. Mas como alguém que foi violentada calada por anos, eu sinceramente morro com gosto antes de passar por algo parecido de novo.
Quando a violência constante contra mim parou? Quando eu reagi. Porque nunca mais aconteceu? Por que eu respondo feio a cada "cantada" de rua, porque eu olho feio pra cada um que indique que vai fazer qualquer coisa sem meu consentimento, porque eu fiz anos de aulas de artes marciais depois de todo o abuso e quando tentaram qualquer coisa comigo sem meu consentimento eu reagi.
Eu sou a favor de se defender. Não reagir não é mais seguro. Não estamos seguras quando tem um idiota prensando a gente no canto só pra ver o desespero.

Anônimo disse...

... Se feminismo indica igualdade, então para quê o prefixo -FEMINI ????

Cerise disse...

Além de nos proteger da violência urbana cotidiana, temos que viver amedrontadas e paranóicas com a violência de gênero. Gostaria que as coisas não fossem assim...

Após sofrer com isso de várias formas e cansada de viver amedrontada, aprendi a me defender e a tomar precauções como andar sempre no meio da rua, em locais iluminados, onde há grande trânsito de pessoas, sempre de cara fechada como se estivesse pronta pra "avançar e morder", como diz minha mãe (Rsrsrs). Tudo isso pra evitar qualquer ataque por parte de um possível agressor sexual. Claro que nem sempre posso fazer isso devido ao local onde moro e aos horários em que tenho que trafegar por aí (Moro em um bairro periférico, sempre chego tarde da universidade e as ruas estão desertas e mal iluminadas). Mas desde que fui assediada na porta do meu trabalho e em plena luz do dia (Um grupo de rapazes me cercou, um deles que estava armado me pegou pelo braço e disse que eu só entraria no meu serviço se eu beijasse ele. A única reação que tive na hora foi correr deles e me esconder) eu ando com um estilete escondido na roupa e um aparelho de choque na bolsa (É ilegal, mas se encontra facilmente para comprar pela internet). Isso dá uma sensação de falsa segurança, pois sei muito bem que essa violência sexual continuará sendo reproduzida por inúmeras pessoas contra mim e as demais mulheres. Novamente digo que desejo muito que isso não aconteça mais, que sejamos respeitadas e não vistas como uma máquina de sexo ambulante ou seres que podem ser subjugados sexualmente a todo momento por qualquer pessoa.

Bruna B. disse...

http://www.edershop.com.br/produto/601231/Spray_de_pimenta_90ml.html

http://todaoferta.uol.com.br/comprar/lanterna-tatica-police-5000w-arma-de-choque-recarregavel-8BCYWN9EM4#rmcl

http://www.falconarmas.com.br/shop/defesa-pessoal-aparelhos-choque-c-238_49.html


Pra quem quer comprar.

Bruna B. disse...

As armas proibidas são as que dão choque a distância - como a TASER. As chamadas armas de choque elétrico "de contato", que funcionam apenas quando encostadas na pele, não são de uso restrito.

suelen disse...

Lola olha a pergunta de um doente que eu vi no yahoo respostas,mostra bem como pensam q a culpa do estupro é da vitima e que homens são pobres coitados q n conseguem se controlar:


wanderson
Vcs acham q as roupas de hoje em dia influenciao ao estuplo ou ate mesmo a pedofilia?
na minha opiniao sim. Hoje em dia vc v ai meninas uzando roupas tao curtas q da pra ver tudo. Ai o homem fais as coisa e a culpa so cai nele. Ate mesmo criancas hoje em dia usam roupas provocantes. Vc v ai meninas de 6,7,8 anos usando sainha,vestidim,tudo muito curto. E por isto q na maioria dos casos de pedoflia eu nao culpo os homens, aqui perto de casa mesmo aconteceu um caso e pra mim a culpa foi da mae da menina. Pra mim ele nao teve culpa nenhuma. A menina tem 8 anos e so anda mostrando as pernas. E sainha,shortim. Maquiada. O padrasto nao resistiu e feis as coisa com ela. Nada de tao grave. So pasou a mao nela. A mae pegou no flaga. E ele fugil. Pra mim ele nao tem culpa de nada. A culpa e da mae. Q deixa a menina se vestir igual *******.

até se uma criança é estuprada ,a culpa dela,claro crianças de 8 anos já são safadas e só querem atiçar os velhos tarados,NOJENTO!!!!!

Anônimo disse...

Lola, dê uma olhada na hashtag #1reasonwhy no twitter. As mulheres que fazem parte da indústria de games estão jogando no ventilador como sofrem com machismo e masculinismo no meio onde trabalham.

Anônimo disse...

"Uma coisa que comecei a fazer nesse ano e tenho me policiado sempre é andar na rua com a cabeça erguida. Percebi que eu costumava abaixar o olhar quando algum homem na direção oposta começava a me olhar, tentando me anular para que não fosse percebida e não tivesse que ouvir alguma gracinha. Agora sigo com o olhar adiante, não abro espaço para que me diminuam, não cedo meu espaço. A rua é tão minha quanto deles. "

Quando uma mulher passa por min e abixa a cabeça e começa a caminhar mais depressa me sinto um bandido rs.

No onibus tambem quando eu mais novo sentava atraz não em tendia porque as mulheres sempres sentavam na frente entre o motorista e cobrador, mesmo o onibus estando vazio ou não sentavam ao meu lado. Até hoje quando acontece isso me sinto um marginal mesmo não tendo nenhum esteriotipo.

Anônimo disse...

"pelo seu exemplo, assim que o hipotético "pobre senhor trabalhador" entrou no onibus, "todas as mulheres" já fizeram caras de desagrado. até parece. quando qlquer pessoa entra no onibus, as outras não estão nem aí. estão VIVENDO SUAS VIDAS, normalmente, ouvindo música, pensando, olhando pela janela."

Bom na realidade sabemos que isso não acontece basta ver com alguns esteriotipos.

Luiza disse...

Raziel, eu concordo plenamente.
Polícia não tá prendendo nem que merece, quanto mais ficar atrás de spray de pimenta.
Além do mais, antes pagar uma multinha do que ser abusada.

Roxy Carmichael disse...

essa caixa de comentários tá mesmo muito joia hoje (excluindo claro, alguma bobeirinha aqui e acolá dos pobres homens todos confundidos com estupradores e agressores). mas infelizmente nao pude ler tudo
achei o relato muito bem escrito, como ela desenvolve o suspense e a tensão até atingir o ponto máximo, esse texto me prendeu muito, mas além das qualidades literárias, essa menina conseguiu colocar em práticas questões muito importantes da própria teoria política!a questão da consciência é a primeira delas, claro, e como ela consegue se impor num ambiente hostil, foi emocionante e inspirador. eu super imagino que na hora não se possa desfrutar muito dessa sensação, eu por exemplo se tenho que falar de forma mais ríspida com alguém já me dá taquicardia, enfim, fico muito alterada e me sinto muito mal, mas sempre que tive que me comportar de forma diferente da habitual, apensar dessas reações físicas, me senti muito, muito bem depois.
ah sim, só mais um detalhe, pra quem sempre usa o senso comum para diminuir a violência contra as mulheres, afirmando que homens morrem mais e mais cedo:
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2012/11/sus-atende-25-vezes-mais-mulheres-vitimas-de-violencia-do-que-homens.html

mirella: adorei a pesquisa sobre a tpm, acho importante pra eu mesma não me sugestionar hehehe
bruna b: obrigada pelas dicas, tanto das compras quanto as dicas pra se manter mais segura no espaço público, ontem debatendo com meu namorado esse post, me convenci a comprar um gás pimenta.

Anônimo disse...

Anônimo disse...
... Se feminismo indica igualdade, então para quê o prefixo -FEMINI ????

27 de novembro de 2012 09:28


Não custa nada se informar melhor sobre o assunto antes de vir com insinuações típicas de uma criancinha mimada que dá escândalo quando pensa que vai ter de dividir os brinquedos com os/as coleguinhas e que todo mundo vai receber uma fatia do bolo que ele queria só pra ele.

Anônimo disse...

Ah, mas reagir é perigoso... Quantas vezes ouvimos isso né?

O que ninguém fala é que tarado tem horror a mulheres que reagem. Eles gostam de mulheres medrosas, que se encolhem em um canto, enquanto o sádico esmaga a vitima, triunfante!

Ninguém fala sobre tarado ter medo de mulher que reage, porque querem que continuemos na posição passiva de vitimas, porque mulher é frágil, mulher não reage, mulher tem que ficar caladinha...

Eu também já reagi, em um acesso de fúria, contra uma certa pessoa que estava me assediando, inclsuive tentando me encoxar. Essa pessoa era o meu meu cunhado. Vivia me emprensando na parede. E nem adiantava eu abrir a boca. ninguém iria acreditar mesmo, porque a assediada é sempre a vagabunda. Eu precisava tomar uma atitude! Eu me esquivava e ele ria. Igualzinho a esse bebado nojento do relato. Porque eles se divertem quando a gente tem medo! Eu estava de saco cheio! Eu tinha 15 anos e pulei com uma faca na frente dele, assim que ele tentou passar mão em mim ! Perguntem pra mim se ele se meteu a besta novamente! Se cagou de medo!

Anônimo disse...

http://www.sbt.com.br/defrentecomgabi/videos/f430ff54db34a44e303ce4449c842540/Gabi-recebe-modelo-plus-size-Fluvia-Lacerda---Parte-1.html

Lola, veja essa entrevista com a modelo plus size Fluvia... é mto interessante. bjs

Bruna B. disse...

http://www.ndonline.com.br/florianopolis/noticias/39095-adolescente-e-queimada-pelo-namorado.html

Gente, um apelo pra quem puder ajudar, de qualquer forma, a jovem Pâmela, que foi queimada pelo ex namorado (o monstro ainda está solto) e precisa MUITO de apoio.

Dentre os itens necessários estão um ventilador, óleo Dersany, bloqueador solar fator 60 ou 80, malhas compressivas.

Ela é de Florianópolis-SC

Anônimo disse...

Fábio,

Essa não é uma "historinha fake" que a Lola inventa para criar polêmica ou doutrinar alguem.
Conheço a pessoa autora deste post e confirmo sua veracidade.
Sobre o lance da moça dizer que carrega um estilete com ela, pq senti medo, já se colocou no papel da vítima e imaginou o cenário hostil que é a nossa sociedade patriarcal coloca as mulheres? De mini-saia á burca, as mulheres continuam sendo vítimas de assédio/violência cotidiana apenas pq são mulheres.

Anônimo disse...

Eu sou homem e uma mulher(que eu não acho atrativa) passou a mão na minha bunda na escada...O que devia ter feito segundo a filosofia de voces? encher ela de porrada,por que ela é uma estupradora em potencial ?

Anônimo disse...

Há 6 anos, passei por uma situação em que não soube como reagir. Eu estava grávida de 5 meses e uma vez, voltando do supermercado, eu estava com ambas as mãos ocupadas com bolsas e um homem vinha andando em minha direção contrária já me olhando da cabeça aos pés. Qual não foi minha surpresa quando ele passou ao meu lado e disse: "que seios lindos" e os lambeu! Foi tudo muito rápido, eu deixei as bolsas caírem no chão, mas não tive forças pra fazer mais nada. Enquanto isso ele foi embora rindo. Me senti a pior pessoa do mundo por não ter conseguido sequer esmurrá-lo ou xingá-lo. Nem grávida fui respeitada. É o tipo de coisa que não sai da nossa cabeça nunca mais. Imagino o que essa menina passou. Parabéns pela coragem!

suelen disse...

a anonima de 27 de novembro de 2012 13:26 esta certa,esses covardes tem medo quando a mulher reage e tb perde a graça.
vi uma entrevista da elke maravilha q disse q quando era nova um infeliz tentou abusar dela e enquanto ela se debatia cheia de medo só aumentava a vontade do infeliz.

ai ela resolveu fingir q ia ceder,ficou parada,com certeza deve ter perdido a graça pro tarado pq ele parou e deixou ela ir embora.

Marcus disse...

Bom, essa é a versão da "vítima". Quando obtivermos a versão do suposto agressor, poderemos julgar.

Sem esquecer que... Ele não tocou a "vítima" e foi violentado primeiro.

@vbfri disse...

Marcus,

Sua mãe ia achar o *máximo* o que o cara fez, né? Ficar a 10cm, prensando-a contra a janela. Super legal.

Olha, nota 10 pra você. O cara era um coitadinho mesmo. Nem mereceu... Ele não a violentou... Imagina.

Preguiça dos mascus. Muita preguiça...

Depois ficam reclamando que #mimimi as mulheres não gostam de homens honrados como vocês e que é por ISSO que vocês não tem namoradas.

Deixa eu explicar uma coisa:

Meu anjo, vocês não tem namoradas porque essa atitude SUA é misógina, machista e babaca.

Se um bêbado fizesse contigo o que fez com a moça do post, você teria feito a mesma coisa ou pior.

Quer uma namorada? Seja verdadeiramente legal com TODAS as pessoas. Respeite TODAS as pessoas. Seja gentil.

Não é física nuclear isso. Juro.

Faça da gentileza um hábito. Garanto que dá mais certo do que ficar de mimimi...

Priscila Costa disse...

Parece incrível, mas por coincidência hoje na saída do meu trabalho ocorreu algo semelhante comigo ao que relatei aqui ao comentar pela primeira vez neste post(Meu primeiro comentário foi como Cerise). Fiquei me questionando se valeria a pena reagir ou como reagir e pedir respeito para com um grupo com histórico de violência e coação física e sexual não somente comigo, mas com outras mulheres. Me veio à cabeça aquela ideia da falsa segurança que andar "armada" proporciona mas que no momento da agressão sofrida não ocorre e a maior parte de nós ficamos acuadas, pois ninguém sabe a forma com a que o outro indivíduo vai reagir.

Qual ação tomar numa situação dessas?

Julia disse...

Machistas assediadores tem um senso de humor bem peculiar, não anon 27 de novembro 13:26? Sempre estão risonhos.

Mas um sorriso banguela depois de um soco bem dado é sempre mais engraçado... pra gente.


---------

Marcus,
VAZA MASCU!!!!!!!!

Ana disse...

@15:37
"Eu sou homem e uma mulher(que eu não acho atrativa) passou a mão na minha bunda na escada...O que devia ter feito segundo a filosofia de voces? encher ela de porrada,por que ela é uma estupradora em potencial ?"

Cara, ninguém tem o direito de pôr a mão em você se você não quer. Então se uma mulher vem e passa a mão na sua bunda, é totalmente válido reagir.

Agora, reagir é diferente de "encher de porrada".

Se você leu com atenção o relato da C., percebeu que ela só partiu pra agressão quando não viu outra saída. O cara a assediou tanto que ela teve um ataque - foi medo, não foi "ah seu homem opressor a serviço do patriarcado, seu estuprador em potencial, vou encher-lhe de porrada segundo a minha cartilha feminista!". Não foi completamente racional, foi desespero. Ela tentou simplesmente empurrá-lo e gritar, mas não funcionou - ele ainda fez questão de se vangloriar que não tinha encostado nela. Aí sim, e só aí, é que C. perdeu o controle.

Da próxima vez, não fique quieto. Olhe bem para a agressora e reclame em alto e bom tom. Faça um escândalo se for o caso. Não deixe ela atropelar o seu direito sobre o seu corpo assim. Não é porque você é homem que tem que aturar @s outr@s passando a mão em você.

A grande maioria das mulheres que passa por isso geralmente fica quieta, engole a seco e segue andando sem olhar pra trás, principalmente por medo de represália. Eu imagino que, você sendo homem, esse medo seja menor e seja mais fácil criar coragem pra reagir. Vá em frente. Mas não parta para violência se não for necessário.

Espero sinceramente que você nunca passe por uma situação em que 'encher alguém de porrada' pareça a única saída. E que se alguém abusar de você de novo, você consiga fazer alguma coisa e não deixar passar em branco. Boa sorte!

Anônimo disse...


Lola, imagino quantas mensagens com esse teor e piores que o do Marcus, o mascu, vc não aceitou publicar aqui. Falta de paciênca com esse tipinho. Vítima entre aspas, dizer que o bêbado assediador foi violentado primeiro. Esses tipinhos são perigosos. Com certeza já agrediu ou estuprou alguma mulher.

MonaLisa disse...

Senti a mesma sensação que a autora descreveu várias vezes.

Quando eu tinha 15 anos, iamos pra balada sempre a pé e em trio, eu, a G e a T (que é homossexual, naquela época não se vestia de mulher). Uma vez passando por um beco escuro, nos deparamos com 11 caras, aparentemente, drogados e eles começaram a mexer com a gente e a G que é mais desbocada, começou a xingar o cara, mandar mexer com a mãe. Porém, o beco estava muito escuro e de repente, eu olho pra tras e numa fração de segundo consigo desviar de uma voadora que o sujeito tentou dar em mim, pensando que era eu. Entrei em pânico e disse pra nós corrermos, porém já estavamos chegando perto de uma avenida e a G disse pra andarmos calmamente.

Outra vez, estavamos passando em uma Avenida que estava bem movimentada, quando passa um carro devagar com 5 caras e olha pra amiga T e começam a chamar de viado, traveco, etc... e jogam uma lata de cerveja na gente. Nessa hora a G pegou pedra de calçadinha no carro deles e eu peguei pra ajudar e eles saíram disparado.

Mas quando eu to sozinha, eu ando sempre bem perto de casas, pro caso de for abordada, eu bato na primeira casa que achar e começo a chamar mãe, pai, prefiro passar a vergonha de contar o que aconteceu, do que coisa pior. Quando passo por lugares que não tem casa por perto, eu olho bem o movimento e passo correndo até achar a próxima casa.

Ana disse...

@Marcus
"Bom, essa é a versão da "vítima". Quando obtivermos a versão do suposto agressor, poderemos julgar.

Sem esquecer que... Ele não tocou a "vítima" e foi violentado primeiro."

"Vítima"?
Cultura do Estupro, é você?

Mas até que que faz sentido. Eu garanto que foi ela que provocou o bêbado!/chega.

"Não encostou nela e foi violentado". Leia o texto de novo, o bêbado estava determinado a aterrorizar a garota. Ele começou, ele persistiu pra caramba, e depois de tudo ainda a ameaçou. Pode ser só eu, mas na minha cabeça se você teima em se jogar em cima de uma pessoa que já gritou e te empurrou, as chances são de que você receba uma reação negativa.

A garota estava no lugar dela, ele foi até lá. Não simplesmente pra ocupar um lugar, mas pra espremê-la contra a janela. Pra não dizer que isso foi coisa da cabeça de C., ele ainda disse "não vai nem olhar pra mim?". Desde quando as pessoas fazem isso normalmente num ônibus? Ou eu perdi alguma coisa?

Quando a coisa ficou preta, ela o empurrou e gritou, e o que ele fez? Respondeu "eu não encostei em você". Lentamente. O que isso nos diz? Uma cara normal que não tivesse feito nada ao receber essa reação teria saído de perto, nem que fosse pra sentar em outro lugar pensando "menina louca, paranóica!". Ele ficou ali. Encarando a garota a 10cm do rosto dela.

Se isso não é assédio, não sei o que é.

A própria C. diz que não estava pensando quando bateu no cara (até porque o risco que ela corria de receber uma agressão muito mais forte em troca era alto). O ideal era que isso não tivesse sido necessário (nem receber ameaças de morte, nem ter ataque de choro, nem ter que esperar por ajuda...). Mas daí a me dizer que o cara é inocente porque não encostou nela é apelação demais pro meu gosto. Agora vale tudo desde que não tenha contato...

Jéssica disse...

Só uma coisa que disseram sobre o teaser, sobre depois do cara cair no chão poder chutá-lo. Se você fizer isso você passa a ser agressora tb, pq se perde o direito de dizer q foi legitima defesa qd vc continua batendo no agressor após ele ter sido incapacitado.

Eu apoio a reação e a postura agressiva. Agressividade é, lamentavelmente, essencial para uma mulher ser respeitada por caras machistas, e está cheio deles por aí. Há alguns anos eu sempre reajo a agressões e não me arrependo, fico estressada pela situação, mas pelo menos não fico me sentindo um lixo, baixando a cabeça para humilhações!

Eu pratico Krav Maga a 2 anos, gosto bastante desta arte marcial, já q o objetivo dela é realmente vc aprender a se defender, não a atacar de graça, e baseado em tecnicas bastante eficientes. Inclusive o professor já contou 2 historias de alunas dele que se defenderam de estupradores usando KM.

Andar com a cabeça erguida tb ajuda muito... Esses covardes de merda evitam mexer com mulheres que eles achem que podem reagir. Quando estou andando na rua triste é quando mais recebo assedio, o que só piora minha tristeza.

E para quem diz que ela exagerou, ele a estava ameaçando, e isso é motivo para legitima defesa. Quem defende esse cara só pode estar muito feliz com esse mundo em que as mulheres vivem amedrontadas.

Roxy Carmichael disse...

oi anonimo das 15h37
antes de responder a sua pergunta, gostaria que vc respondesse algumas perguntas:
1) vc viu ja homens preocupados em ser discretos em relação a sua vida sexual pra não serem estigmatizados como putos ou vadios?
2) vc ja viu homens serem repreendidos por estarem "vestidos como prostitutos"?
3)quando vc liga a televisão, vc vê uma apresentadorA de programa dominical e ao fundo ao menos uma dúzia de homens semi nus apenas dançando durante todo o programa, calados?
4)quando vc vai na feira do automovel em são paulo, tem homens considerados atrativos vestidos de forma provocante ao lado dos automóveis?
5)por acaso quando a imprensa diz que o presidente da argentina não tem corte de cabelo adequado pra sua idade?
6)a imprensa argentina já colocou a foto de nestor kircher se masturbando na capa de uma revista?
NÃO?
7)alguma mulher ja te convidou pra sair, pagou o jantar e exigiu que vc masturbasse ou fizesse sexo com ela só por ela ter pago o jantar?
8)no seu trabalho, a sua chefe mulher "sugere" que vc vá vestido de forma provocante pq isso atrai as clientes MULHERES da empresa?
9)quando a sua mulher foi mãe por primeira vez de um menino, escutou as mães das outras crianças afirmando que ela passou de consumidora a fornecedora?
NÃO?
ué, então talvez, só talvez, a construção do corpo, da sexualidade e da identidade feminina seja um pouquinho diferente da masculina.

***

e pq essa informação de que não acha a garota que passou a mão na sua bunda atrativa?pq isso é relevante? se ela fosse atrativa poderia ter feito isso e vc não iria se incomodar?

Bruno disse...

Lola, mandei para o seu e-mail (lolaescreva@gmail.com) algumas linhas sobre o spray de pimenta e o taser. Se quiser usar como guest post, fique à vontade.

Ju disse...

Rob, onde vc achou o documentário pra assistir Pink Saris?

Carol disse...

Pela primeira vez chorei lendo um post aqui no seu blog, Lola. A maneira como ela contou, como ela se sentiu, é exatamente como eu me sinto e como já me sentí em situações parecidas com essa (nunca nada tão grave assim, ainda bem!). Eu fico perplexa em perceber como as pessoas não tem nenhuma compaixão nessas situações e em como os homens acham que estamos exagerando quando contamos essas histórias para eles. É simplesmente desumano. É simplesmente machista.

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Que relato triste e preocupante. Fiquei o tempo todo tentando imaginar o que estava passando pela cabeça da garota, Um situação perigosa e degradante pela qual muitas mulheres brasileiras passam todo dia!

vivian disse...

MINHA IDOLA!!!!

deveria ser mais natural uma mulher reagir diante de uma situação como essa!

que homem iria aguentar um bêbado desaforado a 10 cm do nariz sem partir pra porrada?

fez muito bem, nunca parti pra briga, mas sempre refuto com muitos berros e palavroes a todos aqueles que invadem meu espaço!

vc escreve muito bem, adorei varias frases do seu texto!!

MUITO obrigada por compartilhar com nos!

está faltando um clube da luta pra mulheres ^^

galera, ensinem suas filhas a se defenderem e atacarem desde cedo, coloquem em aulas de luta, de defesa pessoal... o mundo é agressivo, e nós nao podemos viver numa bolha achando que ninguem nunca vai nos atacar fisicamente. os homens sabem disso e são preparados desde cedo para conviver nesse mundo. as pessoas querem nos privar das brigas e nao nos ensinam nada achando que assim ficaremos fora do circulo de violencia, resultado? mulheres q nao sabem brigar e homens q sabem!mulheres com medo de brigas e homens que alem de serem mais fortes, sao ensinados a lutar desde pequenos.

temos que por fim a essa diferença!!! se todas mulheres revidassem como a autora, ninguem ia mexer com nos, nunca mais!

vivian disse...

Meu depoimento:

Depois de ter sido assaltada algumas vezes, eu aprendi a andar na rua. A rua é ambiente hostil - e não só para mulheres, apesar de que nós sofremos tb a hostilidade sexual, coisa que homens nao sofrem, mas todos sofremos hostilidade fisica, medo de assaltos, agressão, etc.

Eu ando com o rosto altivo e demorei a me dar conta o quanto isso faz diferença. Ando com o queixo erguido, e antes era dessas pessoas distraidas que ficam comendo mosca na rua, olhando pra qq lugar. Mesmo um homem se andar comendo mosca pode ser vitima de assalto tb.

Eu encaro nos olhos. Qq pessoa q vejo como potencial agressor - sempre homens, eh claro - encaro mesmo. Três a cinco segundos sao suficientes para marcar seu território mas não soar agressivo demais. Mas nao encaro com cara de abobada, costumo ficar bem seria, apertar a boca e franzir a sobrancelha, bem animal em posição de ataque. Agora é no automatico, mas no inicio eu observava os homens andando na rua para aprender as expressões deles, como faziam, pedia dicas para amigos homens, e muitos andam assim mesmo o tempo todo, podem reparar. Eu como boa menina nunca fui treinada para brigar, mas tive que aprender sozinha ao menos como mostrar que estou ai para briga, se for necessário.

Meu trunfo é quando estou em uma parada de ônibus, e os mendigos e moleques de rua vem pedir dinheiro pra quem está esperando o bus. Pra mim eles nunca pedem, basta encarar um pouco que eles não se atrevem a invadir meu espaço. Nem sempre um mendigo é um assaltante em potencial, mas não pago pra ver.

A postura é tudo, se estou parada em algum lugar público fico sempre em posição de ataque, pernas afastadas, levemente flexionadas. Também não gosto de andar de salto se preciso caminhar relativamente ou usar tranporte público. Saltos são atestado de vulnerabilidade, são lindos, ,as se o agressor precisar escolher entre uma vítima de tênis e uma de salto, adivinhem qual delas não conseguirá correr quando precisar...

Eu não era acostumada a andar assim, mas simplesmente por que meninas não são ensinadas a se defender ou marcar território. O meu irmão, por sua vez, tem um jeito todo diferente de andar na rua, e já precisou brigar várias vezes. Eu não tenho a força dele, mas se necessário, farei uso de toda força que eu tiver. E deixo isso bem claro no meu semblante.

Já reagi com gritos a dois assaltos e tive sucesso, os ladrões (um deles tinha uma faca)fugiram correndo no meio da rua. Outros dois optei por não reagir por estar numa situação em que ninguém podia me ajudar, então achei melhor ser assaltada logo e me mandar do local. Se você puder reagir e se sentir segura pra isso, vá em frente. Eu acho que se o cara puder, vai assaltar alguém que dê menos trabalho pra ele do que uma mulher histérica numa rua movimentada... agora uma mulher histérica numa rua solitária, a noite, já não sei.

A última vez que fui assaltada, aliás, foi num dia de extrema vulnerabilidade, estava tristissima chorando em plena rua, à noite, e é claro que quando você está vulnerável um neon chamando vagabundo se acende na tua cabeça.

Obrigada pelo seu relato, é muito encorajador!

vivian disse...

CANTADAS DE RUA - CONTE O SEU CASO

page otima no facebook, para mostrar o tamaho deste problema q muitos ainda chama de mimimi:

http://www.facebook.com/CantadaDeRua?ref=ts&fref=ts

conte seu caso, leia os depoimentos, e fique chocado com o silencio que envolve a cultura do machismo no nosso país.

Anônimo disse...

anônima das 23:49, eu também acho que todas as mulheres, e só as mulheres, deveriam ter direito a porte de arma, devidamente instruídas a atirar. queria ver algum babaca se meter com a gente sob o risco de tomar um pipoco na fuça, duvido! as ruas iam ficar uma tranqulidade só.

bandidinho que conseguisse arma de fogo ilegal ainda ia ter alguma chance, mas esses são minoria. a maioria dos abusadores usa faca, força física e coação moral. a maioria dos feminicídios não ocorre através de armas de fogo, mas estrangulamentos, facadas, surras... se pudessemos andar armadas, isso acabaria.

e quem vem aqui com peninha de estuprador é estuprador em potencial. homens decentes se solidarizaram com a autora, basta ler os comentários do início.

Pequenas histórias cotidianas disse...

Já reagi, muitas vezes. Nunca cheguei a esse ponto de ter que bater assim, mas já bati sim! Me senti super bem depois. Acreditem; revidar me deu uma sensação de alívio tremenda.

Agora pros mascus de plantão: realizem a cena de vcs machinhos, heteros.. etc. Aí vcs estão num lugar onde só existem homens gays tarados (não estou dizendo que gays são assim, por favor não entendam que estou sendo homofóbica, é só pra essa gente realizar a situação). E esses homens gays querem tocar em vc, fazem caras assustadoras e te intimidam. Gostaram? Acho que não, né. Então cala e boca e vaza daqui! Vcs iriam ficar caladinhos, né? Não iam tentar reagir, né? E se batessem no cara, achariam justo alguém vir falar pra vcs que a reação foi desproporcional? Não encham.

Anônimo disse...

Roxy Carmichael
Voce esta afirmando que o cara devia ter ficado quieto ?
Só a mulher tem direito a vingança quando tem o corpo tocado ?
Feminismo não é sobre igualdade ?

Anônimo disse...

Por isso que eu como pai dei um carro primeiro para minha filha do que para o meu filho, mesmo tendo varias criticas de terceiros.

Lucas disse...

Ah, e ainda bem que ela conseguiu livrar-se desse bêbado.

Mordred Paganini disse...

Eu reajo. Sempre! A menos, é claro, que o cara esteja armado. Assumo esta como a minha escolha, eu assumo os riscos se algo der errado. Esta decisão se deu pelo fato de considerar que mais vale apanhar reagindo do que me sentir humilhada pelo resto da vida.

Em minha vida pregressa já estive em diversas situações de impotência, fragilidade. Decidi então não ser mais frágil e tal decisão por si só me fez mais forte. Se você se acostuma a fugir de conflitos, acredite, o conflito encontra você. Então, é mais fácil criar uma fachada que diga "não vale a pena mexer com ela".

Eu estudava em escola pública municipal e, bem, para quem não conhece a realidade...Digamos que às vezes as coisas podem ficar um pouco feias e não são necessários realmente "motivos"para uma briga. Se resolvem que você merece apanhar, então você merece apanhar...

O primeiro passo é se decidir, resolver que não vai mais "engolir sapos", que não vai mais "deixar para lá". Estar decidida a não ser mais acuada te deixa com uma linguagem corporal mais agressiva e isso por si só já ajuda e sinaliza para o mundo "hey, se quiser confusão, vai ter trabalho aqui!". Uma postura mais decidida e agressiva pode te livrar de muitos problemas.
Agressores são realmente covardes e procuram os alvos mais vulneráveis. Então, parecer vulnerável é realmente um problema.

Só que, autoconfiança você não conquista do dia para a noite e neste ponto, artes marciais são fundamentais.

Quando você pratica uma arte marcial, você se fortalece por dentro e por fora. Você aprende a ter autocontrole e frieza o suficiente para encarar um mundo de frente, passa a conhecer a própria força e saber usá-la. Não acho positivo, ao menos em princípio, procurar uma técnica de defesa pessoal específica para mulheres. (sinceramente, parece quase como um "mulheresprecisam de uma técnica específica porque não são capazes detodas as outras").

Em primeiro lugar, porque é extremamente positivo para meninas/mulheres que lutam treinar com homens, por vários motivos. Entre eles, o fato de que no contexto das artes marciais você conquista respeito pela técnica, esforço, seriedade e inteligência. Ao menos em todos os lugares de artes marciais que já conheci, as mulheres são sim respeitadas e nada mais positivo para a formação do caráter de um homem do que conhecer e admirar mulheres "fortes" (entendendo força em sentido amplo, por favor).

E bem, acho que técnicas de defesa pessoa são um complemento apenas, mas a preparação física e psicológica que uma arte marcial oferece é insuperável.

E para quem falou mal das "acrobacias", sinto informar que é uma grande besteira. As "acrobacias" são extremamente importantes uma vez que quanto mais refinados e ágeis são os movimentos que você consegue fazer, mais resistentes seus músculos são e isso faz toda a diferença para quem corre o risco de ser lesionado. Não é para enfeitar, é para treinar a flexibilidade, o equilíbrio e seus reflexos. Uma pessoa capaz de movimentos/manobras complexas também será capaz de cair no chão sem se machucar (ou evitar uma queda) e se esquivar facilmente. E acredite: isto é uma vantagem e tanto, principalmente se você estiver em desvantagem numérica! Lembrem-se: agressores são covardes.
(cont.)

Mordred Paganini disse...

(cont.)

Enfim, além de se fortalecer por dentro e por fora também é importante ver o mundo como uma arma em potencial. Quando estou andando sozinha na rua fico atenta não apenas para as pessoas por perto, mas também ao que poderia ser usado como arma. Normalmente o "cenário" oferece paralelepípedos, pedras portuguesas, pedaços de pau, pedregulhos, garrafas de vidro, etc. O que, claro, não exclui spray de pimenta e canivetes. Eu mesma, por muito tempo andei com canivetes e estou pensando em comprar outro, afinal são muito úteis e dão uma sensação de segurança.

Pode parecer uma forma excessivamente paranóica de viver no mundo e realmente é! Mas ao, por exemplo, andar com um pedaço de pau pela rua, me sinto muito mais confortável e segura. Se defender não deve ser apenas reagir a um ataque, mas antecipá-lo, seja evitando a abordagem, seja dando o primeiro golpe. Nós mulheres não podemos nos dar ao luxo de levar o primeiro golpe, afinal, basta apenas um soco bem aplicado para ficar incapacitadas. Então: fora de questão apenas "reagir". Aliás, prever a ação do oponente e tomar decisões em frações de segundo é uma das muitas vantagens que artes marciais oferecem.

OUtro aspecto importante é nunca jamais se dirigir ao agressor com um "por favor senhor, poderia por favor se retirar?". Mais vale um "sai da aqui agora, porra!"dito de maneira firme e ríspida, acompanhados de um olhar amedrontador. Eu já fiz homens mudarem de calçada com o olhar certo. Ou seja, o certo é intimidar antes de ser intimidada. Você precisa passar a impressão de quem corre risco é ele e não você.

Mordred Paganini disse...

Dois casos resumidos:

O primeiro, eu estava sozinha porque a minha amiga havia saído de perto por alguns instantes. Era logo após um show de rock em um encontro de motociclistas. Estava apenas esperando que ela voltasse para então irmos embora dali, quando um grupo, mais garotos e garotas me abordou. Aparentemente, eles queriam "coloca alguém na minha fita" ou whatever. Como eu não tinha absolutamente nada para fazer, dei atenção a eles por alguns momentos. Estávamos conversando em grupo quando de repente senti alguém me abraçar. Pensei que era a minha amiga até que vi um braço grande e peludo em volta de mim. Quando percebi o que estava acontecendo, girei meu corpo e dei o chute mais forte que consegui na canela dele e desta forma me desvencilhei. O golpe foi tão rápido que eu ouvi algum moleque gritando "caralho, é matrix!". Acreditando que o sujeito tinha aprendido a lição, estava ainda no mesmo lugar, falando com as mesmas pessoas e esperando a minha amiga e de repente ele voltou, desta vez, ainda mais decidido a me agarrar à força. Diante da abordagem, automaticamente cai em base de luta e ele, infelizmente para ele próprio, resolveu zombar de mim, ainda decidido a me agarrar. Foi quando eu o chutei bem no saco e quando me virei para fugir ainda mandei uma cotovelada que deve ter doído. Depois disto, vi minha amiga chegando e fomos embora.

No segundo, eu estava na chopada do meu curso, a qual geralmente recebia mais de 1000 pessoas. Estava conversando com uma amiga na área "VIP" (só o pessoal da psi podia entrar) quando de repente vejo um olhar de exclamação da minha amiga. Um bêbado retardado havia dado uma mordida em seu quadril (ele estava enchendo o saco antes, mas de longe). Diante desta agressão,encarei o bêbado, que estava com mais 2 amigos e disse: sai agora da minha chopada! Como vocês sabem, bêbados são mais autoconfiantes, né? Ele disse que não ia sair. Daí eu repeti: eu quero que você saia daminha chopada agora! Daí ele respondeu: você quer chupar meu pau! Eu respondi: até gosto, mas essa miserinha aí eu dispenso. Daí, como percebi que estando bêbado não seria intimidado tão fácil, parti para o plano B, que foi procurar uma arma no ambiente. Em princípio, procurei uma garrafa para quebrar na cara do sujeito, caso ele insistisse, mas como não encontrei, peguei um latão de cerveja e rasguei ao meio com um olhar altamente ameaçador. Desta vez, a intimidação funcionou e o amigo perguntou:O que você vai fazer? E eu, com os dois pedaços de lata de alumínio altamente cortante nas mãos respondi: isso depende. Tira esse bêbado retardado daqui agora que eu não faço nada. Enfim, expulsei os 3 da chopada, sem precisar bater em ninguém. Final feliz!

E sim, me senti muito feliz por ter reagido! :D

Anônimo disse...

http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/11/primeira-mulher-comandar-tropa-de-elite-venceu-bope-sem-pedir-para-sair.html

Anônimo disse...

"Voce esta afirmando que o cara devia ter ficado quieto ?
Só a mulher tem direito a vingança quando tem o corpo tocado ?
Feminismo não é sobre igualdade ?"

Vingança? Isso é sério?!!! Vingança?! Estamos falando de reação à uma violência generalizada dos homens contra as mulheres. Se quiséssemos realmente vingança contra vocês... nem estariam aqui, vivos, reclamando e lamuriando sobre as coisas mais insignificantes. Mas os homens parecem ter uma ideia fixa, milenar, de ressentimento e vingança contra as mulheres, isso explicaria todo o ódio gratuito dirigido a nós.

Por fim:
Feminismo significa libertação e emancipação feminina. Igualdade de direitos é somente uma parte da luta.

Anônimo disse...

Mostruário de Autodefesa para Meninas

O que é autodefesa?

É uma estratégia para adquirir segurança e confiança em si mesma. Conta com diversas técnicas para:
.defender-se das agressões
.não ter medo
.aprender as possibilidades do teu corpo

Vivemos é uma sociedade machista na qual os varões são educados para ter o poder, a maioria das vezes através da violência. A violência machista é uma forma de dominação das mulheres para conseguir controlá-las


Por que a autodefesa?

A sociedade (através da família, da publicidade, da escola, da igreja, da polícia, das leis, etc.) ensina as meninas a serem: fracas, caladas, dóceis, obedientes, suaves, serviçais, envergonhadas. Todas essas características nos farão supostamente femininas.
Isto não é certo.
Só serve para controlar nossos atos e nossos pensamentos.
Tu podes decidir como queres ser.


A autodefesa é um experiência de autonomia, ou seja, de liberdade.


Segurança

.voz forte
.caminha com passo firme
.mantém teu espaço
.confia em tuas sensações
.olha para o alto
.atitude confiante
.postura afirmativa


Força

.treine seu corpo
.ter músculos não é só para os homens
.faça você mesma
.não deixe de fazer coisas porque te dizem que 'não são de menina'
.desenvolverá força e habilidade
.conhece as possibilidades do teu corpo


Confiança

.teus pensamentos valem por si mesmos
.não te desculpes o tempo todo
.acredita em si mesma
.o movimento de liberta
.domina tua vergonha
.faça-se ouvir


Prazer

.podes mudar de opinião quando quiseres
.diz SIM quando sente vontade
.segue o teu desejo
.conhece teu corpo
.diz NÃO quando te sentes incomodada
.disfruta do que faz e do que sente


Autonomia

.não se importe que te chamem de machona
.teu corpo é teu e de ninguém mais
.tu decides
.inventa tua vida
.se queres brincar com bola e não com bonecas, faz isso
.não nasceste para servir nem para ser mãe


Conforto

.usa a roupa com que te sintas bem (esteja ou não na moda)
.a beleza depende dos teus olhos
.teu corpo é único
.não permaneça em situações que não te façam sentir bem
.não tenhas medo do ridículo, a zombaria é uma forma de te controlar
.escolha a roupa que te permita mover-se com liberdade


Solidariedade

.tua companheira é uma possível aliada, não tua rival
.rompe o silêncio e o isolamento
.quando uma menina está sendo agredida, procure ajuda
.não justifique comentários grosseiros de teus companheiros contra outras meninas
.o que acontece com a outra também importa
.os/as namorados/as vêm e vão, as amizades permanecem
.constrói teus afetos a partir da confiança e do respeito


Independência

.valorizará o que és capaz de fazer
.em caso de agressão física: corre, grita, morde, arranha, golpeia em partes fracas
.exige que se distribuam por igual as tarefas da casa com teus irmãos homens
.não nasceste para ser dona-de-casa
.aprende o ofício que queira, não importa que seja considerado para homens
.leva sempre a mão algum objeto com que possa se defender


Alerta

.se alguém te molesta não peça 'por favor'
.sempre reaja diante de uma agressão
.os assédios (meigos ou grosseiros) são um abuso de poder
.exige respeito
.ninguém tem direito de te fazer calar
.presta atenção ao teu redor e detecta o que te dá segurança


Denunciar

se foste agredida
.não foi tua culpa
.não se cale
.conte para alguém de confiança
.recorra a todas as pessoas e lugares que podem te ajudar
.faça tu mesma a denúncia na defensoria da infância
.procure alguém que te acompanhe, não fique sozinha
.se vê que agridem a outra, também denuncie

Márcio disse...

Cara Mirela do comentario 08:31

Eu acho que você não entendeu direito a critica que eu fiz.

Favor reler denovo meu comentário.

Grato.

Mirella disse...

Márcio, se eu não entendi, por que você não explica? Fiquei curiosa!

Sabe o que me chama mais atenção de vocês feministas? É que vcs querem generalizar, e dizer que TODOS os homens são espancadores,estrupadores ou seja lá o que for.


Respondi com: "E sabe o que eu acho mais engraçado ainda? Que você não vai conseguir pegar um comentário dos mais de 100 que diga que 'todos os homens alguma coisa'". Porque, de fato, você não consegue encontrar ninguém aqui que tenha dito o que você acusou. Você generalizou "as feministas" de algo que elas não disseram e não consegue provar. Acho que foi você quem não entendeu o que eu disse.


"A mesma coisa faz os ''mascus''de querer generalizar e dizer que todas mulheres são ''vadias, que só querem sair com alfas e cafas''. Na boa, ambos estão errados!"

Eu não respondi porque né. Ambos quem estão errado? As vadias que saem com quem querem ou os mascus que generalizam? Super linha de raciocínio.

"Agora, agente só ver em blogues feministas criticas aos homens. Agora eu pergunto: por que nenhuma feminista se manifestou quando teve o massacre de Aurora, onde três jovens deram suas vidas (escudo humano) para salvar suas namoradas daquele atirador maluco."

Você queria o que, um post sobre os tais heróis (?) num blog feminista sobre algo que nada tem a ver com feminismo?
Lá veio você querendo pautar o blog alheio, ao que eu sugeri:

"Por que você não faz um post sobre o acontecido e divulga aqui, então?"

Já que você acha que falta comentários sobre o assunto. As pessoas fazem sempre isso aqui. Você pode até mandar um guest post para a Lola, pois ela publica diversos assuntos aqui. Maaaas você tá tãããão preocupado com a divulgação do ocorrido que comentou aqui "acusando" as feministas malvadas de falar mal dos pobres homens e nem se importou de linkar uma notícia, um post, qualquer coisa.

Daí, como a informação ainda é que um atirador homem maluco fez isso, comentei:

"o dia em que uma atiradora maluca fizer algo parecido, quem sabe."

porque né, faz tanto sentido quanto.

Realmente, você não entendeu nada (ou não quis entender) do que eu disse.

Luiza disse...

Mordred, tiro meu chapéu para as suas palavras.

Ju disse...

"caralho, é matrix!" kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Mordred, vc é foda!

Mas acho que essas técnicas exclusivas para mulheres sugerem situações específicas e que envolvam golpes que não precisem necessariamente de força para serem aplicados, não que não sejamos capazes de usar as outras. É só um pitaco porque vc claramente entende mais sobre o assunto do que eu.

Hiléia disse...

Eu entendo e compartilho a situação de viver com medo e andar na rua com medo. Tb já passei por algumas situações e isso é sim uma realidade mais comum do que se imagina, não é algo raro. Moro em SP, sou de classe média-baixa e vivo com minha mãe e minha avó, ambas mães solteiras, uma família inteira de 3 mulheres que lutaram e se viraram sozinhas a vida toda. Nunca tivemos carro e sempre dependi de ônibus e metrô pra ir e vir, sozinha. Me lembro a primeira vez que fui assediada no ônibus. Eu tb já tinha mania de me sentar no banco da frente, o mais longe possível das outras pessoas, o mais perto possível do cobrador e do motorista, com MEDO. A gente cria esses rituais "seguros" por medo. Não podemos nos dar ao luxo de sentar em qualquer lugar ou de permanecermos tranquilas num espaço público. Enfim, nesse dia eu estava sentada no banco da frente, o ônibus encheu um pouco e sentou-se ao meu lado um rapaz branco, um pouco mais velho que eu, com jeito de estudante. Não estava bêbado, mal vestido nem nada, e eu não me importei. Era noite e eu estava voltando da aula da faculdade. Não estava vestindo roupas provocantes, estava de jeans e camiseta. Digo isso pq ouvimos muito que "roupas provocativas são um convite", mas eu digo que não importa se vc está de burca se o outro tem má intenção e não te respeita. Eu usava uma bolsa com alça transversal que atravessava por cima do peito e as vezes fazia uma pressão familiar no meu seio, que não me assustava pq eu sabia que era a alça da bolsa. Eu costumava ler durante a viagem e realmente ficava imersa e distraída com a leitura. Nesse dia eu senti uma pressão em cima do meu peito enquanto lia e não me importei de imadiato pq "sabia" que era a alça da bolsa. Mas a pressão persistiu e num momento eu olhei pra baixo pra arrumar a bendita alça. Qual não foi a minha surpresa qdo baixei o olhar e a MÃO do sujeito ao meu lado estava aberta em CIMA do meu seio! No primeiro momento eu fiquei paralisada, assimilando a situação. Eu olhei pro lado, pra ele, e ele estava olhando pra frente como se NADA estivesse acontecendo, com os braços cruzados e a mão que vinha na minha direção ali, pousada no meu seio! No segundo seguinte eu explodi: Levantei, arrancando a mão dele dali, e comecei a gritar com ele, com raiva, e a bater nele com a bolsa. Olhei em volta e as pessoas presentes me olhavam como se eu fosse louca. Ele me olhava como se eu fosse louca, exibindo um sorrisinho cínico e dizendo "mas eu não fiz nadaaaaa"... Eu passei a catraca, desci do ônibus e fui pra casa me sentindo mal, desrespeitada, violada e insegura. Nunca mais usei aquela bolsa e nunca mais li no ônibus. Hj sou alguém que vive em alerta. Passei por outras situações depois dessa, e me tornei a garota que não tem medo de ser ridícula e pula do ônibus qdo a porta se abre no meio do nada, ou que pula por cima dos bancos pra sair de perto do cara que sentou do lado, ou que esconde o cabelo numa touca de lã pra não chamar atenção - tudo isso eu já fiz. Mas é triste. É triste que tenhamos que viver em alerta, se escondendo, fugindo, se defendendo, com o coração disparando de SUSTO, criando táticas de SOBREVIVÊNCIA urbana se queremos ir e vir, pelo simples fato de sermos mulheres, e por isso sermos alvo em potencial de todo tipo de assédio, independente das nossas roupas ou das nossas atitudes, só por estarmos ali.

Mordred Paganini disse...

Ju:

Entendo perfeitamente seu ponto. Eu não desqualifico a defesa pessoal voltada para mulheres, mas a entendo como complemento. É importante que mesmo pessoas franzinas sejam capazes de se defender.

Mas as artes marciais possuem uma função distinta na vida de quem pratica e estes muitos benefícios não podem ser desprezados. E artes marciais são sobre superação. A cada aula, você se superar! É lindo! E tem um significado especial para nós mulheres, sabe? Não tem aquelas cenas de luta em câmera lenta? Não é exatamente assim, mas com treino você ganha uma vantagem bem grande em tempo de reação.

Eu estou precisando voltar para o kung fu tipo para ontem! Saudades de sentir dor em músculos que eu não sabia que existiam...hahah

E acredite, eu ri muito do "caralho é matrix!" Até então eu jamais havia imaginado que seria capaz de uma reação tão ágil! E eu nem praticava artes marciais na época, só aproveitava o que os meus amigos que lutavam me ensinaram...Sobrevivência, né? rs

E bem, as artes marciais de maneira geral tem como princípio o triunfo da técnica sobre a força bruta. O karatê, por exemplo, foi inventado justamente como resistência. Era a resistência camponesa desarmada do Japão Feudal. Então, grosso modo, qualquer mulher é capaz de praticar qualquer arte marcial, a menos que tenha algum problema de saúde que a impeça.

Márcio disse...

'E sabe o que eu acho mais engraçado ainda? Que você não vai conseguir pegar um comentário dos mais de 100 que diga que 'todos os homens alguma coisa'". Porque, de fato, você não consegue encontrar ninguém aqui que tenha dito o que você acusou.'


Minha querida, a minha critica é sobre o post, é a mensagem que ele quer passar que por causa de um ''patriarcado''que o homem tem o direito de violar o corpo da mulher a tal ''cultura do estupro.Quer um exemplo de preconceito?

Na marcha das vadias tinha um cartaz escrito: ''não ensinem as mulheres como se vestir, ensinemos os homens a não estuprar'. Ora, vc acha que os homens de bem não já sabem que estuprar é errado. Precisa de um cartaz pra ''ensinar'' os homens a não estuprar? Agora vc vai me dizer que isso não é preconceito? Que elas não estão generalizando que todos os homens podem estuprar se a mulher não se vestir direito.

Seria o mesmo que dizer: ''não ensinem o cidadão a esconder a carteira na rua, ensinemos os favelados a não roubar''

Agora, todos que moram em comunidades carentes são ladrôes? É justo todos os favelados pagarem por causa de uma pequena parcela de safados que descem os morros pra assaltar? Não querida, não é justo, pois todos nós sabemos que a MAIORIA dos moradores de comunidades carentes são gente de bém. O mesmo vale para os homens. Não é justo que todos homens paguem por causa de meia duzia de safados e psicopatas que saem por aí estuprando.

'Eu não respondi porque né. Ambos quem estão errado? As vadias que saem com quem querem ou os mascus que generalizam? Super linha de raciocínio.'

Olha querida, Essa parte eu me expressei errado e você não entendeu direito. Quando eu disse que ''ambos estão errados'', eu me referia a mulher está errada de generalizar que todo homem é um possivel estuprador e os masculinistas radicais estão errados em dizer que todas as mulheres são vadias, pois, só querem sair com alfas e cafas.

'Você queria o que, um post sobre os tais heróis (?) num blog feminista sobre algo que nada tem a ver com feminismo?'

Como assim nada tem a ver com feminismo??? Não é vocês que dizem que o tal ''patriarcado'' existe unicamente para oprimir a mulher e beneficiar os homens?

Pois agora eu vou te dizer por que esses três rapazes deram suas vidas, se colocando como escudo humano pra salvar suas namoradas; foi por causa de um tal 'sistema patriarcado'que ensinou homens desde pequenos que tem que proteger as mulheres! Se por acaso um deles não tivesse se colocado como escudo, e sua namorada vinhese a morrer, esse rapaz iria ficar com um sentimento de culpa, tipo: 'poxa eu sou um covarde, minha namorada morreu e eu não fiz nada pra proteger ela. já essa responsabilidade na sociedade não é colocado nas costas na mulher, é tão verdade que existe o famoso ditado em uma emergência de vida ou morte 'MULHERES E CRIANÇAS PRIMEIRO'.

Agora você entendeu do porque eu fiz a critica, e coloquei como exemplo o massacre de Aurora? Quer dizer, elogios aos homens de bem não tem não. Agora criticas aos piores tipos de homens que existe na face da terra, sempre está nas primeiras paginas feministas. E o pior de tudo, POR CAUSA DE MEIA DUZIA DE SAFADOS TODOS OS HOMENS DE BÉM ACABAM PAGANDO O PATO.

Anônimo disse...

Eu tenho um amigo que é modelo, desfila e tal. Ele é muito assediado, do nivel de estar de mão dada com a namorada e vir uma garota dar em cima dele na frente da namorada dele. Ele ja ouviu coisas bizarras de cantadas sexuais vinda de mulheres. Entao amiga isso nao é só homem que faz. E outra, o cara teve a 10cm de voce, e voce socou ele, entao o AGRESSOR foi voce, sim voce mesma, que pensou em pegar uma faca enquanto tomava café, bizarro! Voce poderia ter pedido licença, levantado e mudado de lugar, falado com o cobrador que o cara tava te importunando, pedir pro motorista se dirigir pra delegacia, mas vc preferiu socar a cara dele, pensar em pegar uma faca, e vim contar essa historia de merda de um cara que estava atraido por voce, bebado, mas atraido. Enfim, nao gostei desse texto. E outra ja passei situações mil vezes pior do que essa e nao virei homo por isso, nao começei a odiar generos (metade da raça humana) por isso. Entao na boa fuck off!Procure colegas seus muito bonitos mesmo, acima da media, e pergunte pra eles do assedio q eles passam por mulheres, até pegar na bunda elas pegam.

Vivi disse...

Hiléia e demias colegas, é triste mesmo estes truques que aprendemos- seja para nos proteger, seja para reagir- de um agressor. E como cansa isso! Como é chato viver assim!
Eu faço algo parecido tb. geralmente quando ando na rua à noite, prendo o cabelo, tento usar roupa com touca e uso a touca qq hora do dia, para parecer o menos "mulher" possível. Se for muito à noite, apesar do meu tamanho pequeno, a ideia é que a pessoa de cara não saiba se é um menino ou uma mulher.
Também já ando pensando onde poderia fugir, o que poderia servir de arma. Apesar de saber que é psicológico, tb ando bastante com guarda chuva destes grandes e pontudos e tb já peguei pau na rua, como também finjo estar falando no celular qndo alguém se aproxima.

Não é louco? Triste tudo isso?
abraço a todas!

Mirella disse...

Márcio,

Para começar, eu tenho nome e não é "Minha Querida". Trato você pelo seu nome e peço que ceda a mesma cortesia.

"Ora, vc acha que os homens de bem não já sabem que estuprar é errado."

Ai ai, homens de bem. Sério, mesmo? O que são homens de bem? Os homens de família, tão bonzinhos? Você conhece alguma estatística de estupro além das fornecidas pelo Instituto de Pesquisa Homens de Bem?

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/quatro-em-cada-dez-criancas-vitimas-de-abuso-sexual-sao-agredidas-pelo-proprio-pai-20110518.html

http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol38/n4/143.htm Esse aqui deve ser meio chato para um homem de bem ler, na tabela 1 apenas 3% dos abusos foi cometido por desconhecidos. Os outros 97% foram cometidos por: pai, padastro, tio, primo ou vizinhos. ADORO HOMENS DE BEM. Mas sabe quando eu gosto MAIS AINDA de homens de bem? Quando o primeiro aspecto psicológico das vítimas é de CULPA. Homens de bem s2

Leia estes post aqui ó:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/11/guest-post-homens-de-confianca-nao.html

http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/08/cultura-de-estupro-nao-imagine.html

"Pois agora eu vou te dizer por que esses três rapazes deram suas vidas, se colocando como escudo humano pra salvar suas namoradas; foi por causa de um tal 'sistema patriarcado'que ensinou homens desde pequenos que tem que proteger as mulheres!"

Bom, eu não sei você, mas se estou com pessoas com quem me importo (namorado, mãe, avó, avô, amigas) e algum deles estiver em risco não hesitaria em defendê-los. Isso não é exclusividade de homens e eles não fizeram isso por conta de SENSO COMUM. Ninguém vai arriscar a sua própria vida pelo SENSO COMUM, "querido". Tenha santa paciência.
E me explica melhor, o atirador era um homem de bem também ou é um dos poucos que fazem os homens de bem pagar? E a culpa é do feminismo? Ah tá! Fez sentido! E você continua TÃÃÃO preocupado em divulgar os seus homens de bem que só falou neles para reclamar do feminismo! S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L. Agora a morte deles não foi em vão.

E sobre o "mulheres e crianças primeiro" sugiro você se informar melhor bem aqui:

http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/11/desenhando-mulheres-e-criancas-primeiro.html


Já antecipando: se você for falar que adora a dupla sertaneja "Nemli & Nemlerei" e apenas comentar devidamente assessorado pela Homens de Bem Inc. não irei mais comentar e já deixo avisado aqui.

Mirella disse...

só mais uma coisa que me intriga:


como é que os ~homens de bem~ pagam o pato?

São estuprados/sofrem abusos?

São assassinados?

São tachados por exercer sexualidade?

Ficam sem seus direitos reprodutivos?


A Lola postou hoje um texto com o seguinte trecho:
"Homens adultos são vítimas de mortes violentas em número muito maior que mulheres. A diferença é que quase sempre homens são mortos por outros homens."

Como no caso do "atirador maluco", quem matou os "homens de bem" foi um homem.

Por favor, me diga mais como todo menino não brinca de "guerrinha" com "arminha" e é ensinado a "não levar desaforo pra casa" e resolver tudo no braço para mostrar que é macho. Explique melhor como não existem papéis de gênero definidos e que isto não é fruto do patriarcado. Conte melhor como todo homem também NÃO é vítima do patriarcado e sim do feminismo.

http://www.jacarebanguela.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ironia-wonka.jpg

Bruna B. disse...

Mirella


<3

Roxy Carmichael disse...

oi marcio
tudo bem? posso te perguntar de onde vc tá escrevendo? fiquei com a impressão de que é direto de gotham city!
beijo pra você e vê se aprende direitinho com a mirella a não ser um ANALFABETO em sociologia
beijo no seu coração

Mirella disse...

Bruna B. e Roxy <333

Mônica disse...

Lógica do Márcio:

ensinar homens a não estuprar = fazer os "homens de bem" PAGAREM O PATO (?) por meia dúzia (?) de safados

realmente, que horror, não vamos fazer essa maldade com os maravilhosos homens de bem, minha gente! pensem bem! é muito melhor se conformar com a violência que as mulheres sofrem...

as mulheres que são estupradas? ah! deixa pra lá. tem importância não. se só tem meia dúzia de caras safados por aí. o números de estupros dever ser tipo... só um pouquinho, tô fazendo a conta.... já sei... uma meia dúzia por ano, mais ou menos. tá certo, né?

beleza então. problema resolvido.

Márcio disse...

Cara Mônica. Eu estou muito triste com o quê vc falou no seu coméntario a meu respeito.

Claramente vc manipulou meu coméntario.

Você passou a imagem de que eu não me importo com as mulheres que sofrem abuso sexual, me importo e muito!!! Eu só acho que não pode generalizar!

Olha, eu fui criado num local barra pesadissima, e aprendi desde pequeno que qualquer tipo de viôlencia contra a mulher, seja fisica e sexual é algo, onde eu fui criado inaceitavel!

Eu só não vou ti falar o que eles fazem, se fizerem algo contra mulher onde fui criado, porque eu não quero tirar seu apetite na hora do almoço.

Te pergunto: você acha que vale a pena usar golpe baixo pra vencer um debete?

Márcio disse...

Anonimo das 21:38. Infelizmente a pressão as cobranças que o homem sofre na sociedade, em nada interesa pra mulher (principalmente a grupos feministas).

Mais eu entendi o que essa garota passou dentro do ônibus. Ela sofreu uma pressão psicologica muito grande, se sentiu acuada e partiu pra violencia. Foi esagero da parte dela? Foi. Mais ela estava muito nervosa. Provavelmente ela deve ter se lembrado de uma situação muito ruim que aconteceu com ela, e não queria que acontecesse denovo.

Mônica disse...

ah é, Marcinho, meu querido, fui eu que manipulei teu comentário?

tem certeza que não foi vc que manipulou a frase do cartaz da marchas das vadias para inventar um pretexto absurdo para se sentir ofendido na sua condição de "homem de bem"?

fez um baita mimimi por causa de um CARTAZ!

realmente, essas feministas, tem que ficar quietas mesmo, onde já se viu achar que podem andar por aí carregando cartazes, que horror.

tadinho de ti, tem que ficar tristinho mesmo.

Débora Lima disse...

Inspirador! Eu pratico Kung Fu e costumo testar minha força física em situações cotidianas e durante o treino, imaginando se fosse um oponente real no meio da rua, se conseguiria afastar e machucar um agressor, nunca me acho bem sucedida pois desconsidero que meus colegas de treino realmente malham os músculos e eu não. Apesar das pessoas em geral me acharem forte para uma garota.

Mas como é a filosofia das artes marciais, sempre tento resolver as situações sem um confronto físico... nunca estive em uma situação nem de longe tão aterrorizante quanto o relato acima, mas a reação que tive essa semana foi bem pacífica e agora depois desse relato incrível não me orgulho de ter deixado tranquilo o rapaz que tentou me abordar no onibus.

Um rapazinho com cara de problema, "trombadinha" como dizemos por aqui, sentou ao meu lado no ultimo banco do fundo do onibus, eu estava na janela e lá fiquei lendo meu livro sem dar atenção à ele que estava sentado muito à vontade e ficava se aproximando. Ele perguntou do percurso do ônibus, expliquei e voltei ao livro. A tática de 'ignorar' uso o tempo todo por ser antipática mesmo, não gosto de conversar com estranhos de forma geral, apesar de ser educada se alguém se arrisca a falar comigo.

Ele perguntou do livro que eu lia, disse à ele que era bom e voltei a ler. Parou de se aproximar mas ficou me encarando algumas vezes. Persisti ignorando. Quando chegou perto de onde ele parecia querer chegar - pelas perguntas que me fez sobre a rota do ônibus - avisei que poderia decer e tals, mas me disse que não estava indo para o lugar e ficou me olhando...

Fechei o livro pq estava muito sol e fiquei observando a rua pela janela. Ele falou mais uma vez, disse que não ia "Bulir comigo" só que ele falava baixo e sem mexer muito a boca, então fiz ele repetir 3 vezes até entender. Não sei ainda o que eu fiz para ele querer me dizer aquilo, mas não dei atenção ao comentário e voltei a minha observação entediada da rua.

Mas como eu estava indo para um lugar meio vazio procurar um endereço que não conhecia ainda, e fiquei com receio que ele fosse atrás, resolvi descer na parada seguinte, pois era ao lado da minha academia. E ele já estava encostando a perna na minha novamente.

Logo levantei para descer e fiquei próxima à porta, imaginando se ele iria me seguir, se fosse o caso eu estaria protegida dentro do clube, e se me abordasse antes de entrar lá, eu já estava planejando acertá-lo mesmo de sopetão, saindo drasticamente do jeitinho tranquilo que eu estava - até minha roupa coloridinha com uma roda gigante e meu cabelo preso de forma meiga devem ter passado pra ele uma ideia errada sobre minha "fragilidade", tenho 1,61 mas peso 66kg e não sabe ele que pratico kung fu a 4 anos...

Ele ainda tentou prender meu pé e por a mão sobre a minha enquanto eu estava em pé e para descer na próxima parada, mas outra vez ignorei tudo aquilo como se nada estivesse acontecendo. Eu deveria no mínimo ter perguntado qual o problema dele! Se fosse alguém mexendo com uma amiga minha, eu teria virado bicho só com a aproximação dele, um rapaz chegou a me chamar de doida pq afastei o cotovelo dele que tentava roçar no seio de uma amiga num empurra-empurra de fim de show, e só encarei ele de volta esperando que fosse embora ou fizesse outra gracinha... mas quando qualquer coisa acontece comigo eu tiro por menos...

Na academia meu mestre perguntou pq não dei logo uma surra nele. Apontei para um banner com ensinamentos de que a melhor batalha é aquela vencida sem violência... eu evito conflitos, sejam familiares, pessoais ou profissionais... mas nem sempre isso é o melhor, as vezes é preciso reagir de forma energica à essas situações, até para pequenos abusos, pq ele podia estar testando minha reação e ser pior com outra garota menos sem noção que eu...

Anônimo disse...

Esse post me fez lembrar da época da escola. Eu chorava horrores, hoje vejo que deveria ter lutado. Vergonha.

Luciana Xavier disse...

"Parece que quanto mais frágil você está, mais atrai homens dispostos a te abusar".
Essa frase é tão profundamente real que senti uma dor no peito. Aco que podemos pensar também no sentido de abusos em geral... Eu sou enorme, 1,78m, negra, com o cabelo black, gorda, o que pode ser assustador para muitas pessoas (ontem uma menina ficou com medo de mim na padaria). Mas sofro de constantes abusos. Uma vez só reagi, e bati no braço de um gigante que ousou passar a mão em mim, em uma parada gay em Salvador (o que tem diversos significados aqui). Ele ficou assustado, eu o xinguei brevemente e fui embora. Enfim, achei o post dolorosamente importante, para pensarmos em possíveis formas de contornar a agressão.

Eduardo disse...

A autora fez bem em reagir e fazer valer seus direitos, e os socos foram a única forma de sujeito deixá-la em paz, com certeza! Só não concordo com partes do texto e dos comentários que dão a entender que todos os homens são assim, que são todos inimigos! Qualquer um podia ser importunado por aqueles caras, pois na rua impera a covardia, é sempre um grupo importunando quem está sozinho (seja homem ou mulher)ou um mais forte iniciando confusão com o mais fraco (H ou M). As maiores vítimas de violência são sim os homens, e muitos morrem defendendo mulheres, conhecidas ou desconhecidas. Mulheres adoram generalizar: se um cara agiu mal então todos os homens são assim! Vamos com calma, nada de maniqueísmos do tipo "os Homens são maus e as Mulheres são anjinhos". Certas mulheres são tão capazes de cometer atrocidades quanto certos homens. Abraços.

Gisele disse...

http://www.viciadasendorfinas.blogspot.com.br/2014/09/fato-ocorrido-em-03082014.html

Gostaria de compartilhar um fato que ocorreu comigo, que mexeu muito comigo...me identifiquei muito com seu relato, pois é exatamente isso que ocorre no momento de fúria o medo sequer passa perto da gente, mas depois o terror toma conta e começamos a pensar...e se...e se...e se.
Acho que temos que reagir sim, principalmente quando é possível,

http://www.viciadasendorfinas.blogspot.com.br/2014/09/spray-de-pimenta-ou-spray-de-gengibre.html

Compartilho aqui dois links expondo um fato que ocorreu comigo e como passados quase dois meses, esse fato ainda me aterroriza. É irracional, mas é o que ocorre.