sábado, 24 de novembro de 2012

GUEST POST: NO MOVIMENTO ESTUDANTIL TAMBÉM TEM HISTÓRIA DE HORROR

A L. tem 20 anos e estuda na área de Humanas numa universidade de excelência. Ela me enviou este email em julho. Começa assim, falando de quando me conheceu pessoalmente, numa das palestras que dei pelo país: "Quando te conheci, eu era parte do 1/3 de mulheres que nunca tinha sofrido violência sexual. Era".
Em outubro, no debate em SP organizado pela Marcha das Vadias, eu disse que acreditava em reabilitação. Que eu sabia que havia muitos casos de agressões e estupros de mulheres em movimentos de esquerda, e que eu queria que houvesse, além da punição, a reabilitação daqueles indivíduos. Mas uma moça no público, que havia sido vítima, me lembrou que o que ocorre sempre é que quem acaba sendo excluído após as denúncias é a vítima, nunca o agressor. E é a pura verdade. Em todos os relatos que ouço, é isso mesmo que acontece.
É incrível como mesmo movimentos de esquerda, que lutam contra o sistema, repetem esse mesmo sistema quando se trata de culpar a vítima, como se fosse um microcosmo da sociedade que combatemos.

Eu estava em um evento do movimento estudantil onde conhecia quase ninguém e não conhecia ninguém a fundo. No entanto, irresponsável que fui, me permiti beber muito em uma festa que fui com a galera com a qual tinha me enturmado. Éramos todas feministas na companhia de rapazes que conhecem e dizem apoiar nossa luta. Éramos todxs jovens militantes, bem informadxs, com aspirações revolucionárias. Simpáticxs, sorridentes, amáveis.
Em nosso acampamento apertado, várias pessoas dormiam no mesmo espaço, com os colchões incrivelmente próximos uns dos outros. Eu não fui exceção. No meio da madrugada, fui acordando gradativamente com a sensação de que alguém tocava em mim. Libidinosamente. Alguém passava as mãos pelas minhas coxas, alguém apertava meus quadris. Alguém tinha uma ereção. Eu estava inerte. Drogada. Sem conseguir me mexer. (Tinha ido dormir mais cedo inclusive porque tudo o que eu queria era me entregar ao torpor e poder ter forças na manhã seguinte para todas as atividades programadas).
Eu sei que fui conseguindo readquirir algum controle sobre o meu corpo, mas não conseguia articular pensamentos direito. Lembro de ter pensado: se eu "colaborar", talvez ele pare logo e eu possa dormir. E isso possa acabar. Consegui mexer minhas mãos e tatear o corpo dele. Pensando somente em voltar a dormir.
Ele é um líder na nossa área. É um rapaz considerado bonito. Nunca tinha conversado comigo. Nunca conversou comigo depois disso.
Acordei na manhã seguinte achando que tinha tido um sonho muito louco como vários que tenho. Mas a minha calcinha estava fora do lugar e o meu saco de dormir também. Eu saí do saco de dormir sozinha? Não exatamente, mas acho que a iniciativa foi minha. Pensando em terminar, em dormir.
Eu colaborei tanto que me convenci de que era isso aí. De que eu tinha que calar a minha boca e não colocar em risco todas as tarefas que tinha para fazer. Porque, afinal, como eu ia explicar a minha colaboração? Como ia ser quando ele dissesse que eu -- depois de uns bons minutos inerte como um trapinho na cama -- tinha saído "sozinha" do saco de dormir, que eu tinha colocado a minha mão dentro das calças dele? Eu não poderia negar. Mas e aquele nó na boca do meu estômago? E os minutos que eu fiquei inerte, pensando que queria que ele parasse, pensando no meu companheiro (Y.) que me esperava em casa, pensando na minha liberdade sexual, pensando em como eu colocaria TANTA COISA a nível político em risco se eu gritasse. Como se eu conseguisse falar alguma coisa (sei, de outras experiências, que, muito drogada, não consigo me mexer e menos ainda falar).
Liguei para a minha mãe e contei o que aconteceu. Ela perguntou se ele tinha me batido. Eu disse que não. Ela disse que era esquisito, mas não havia nada que pudesse fazer porque eu "tinha bolinado ele também".
Então pensei de novo: "é isso aí". E fiquei mais dias calada sobre isso. Rindo, andando com o mesmo grupo que ele, dormindo ainda ao lado dele, falando com xs amigxs dele e olhando para ele quase o tempo todo. Eu queria entender.
Ah, nas noites subsequentes ele se aproximou de mim durante a madrugada e permitiu que nossos corpos se encostassem, mas sem a libido de antes. Eu não me senti mal sobre isso, eu não fiquei pensando naquela noite repetidas vezes. Só algumas vezes por dia. Então "era isso aí".
Dois dias depois, eu não aguentei mais. Era estranho demais para mim. Contei para a única menina com quem tinha feito amizade por lá e ela ficou revoltada. Disse que era abuso, que eu deveria denunciá-lo. Que logo eu, que sou tão feminista, não podia ficar em silêncio sobre isso. Mas eu implorei que ela ficasse e eu fiquei. Continuei em silêncio. Tentei convencê-la de que não era abuso. Eu não tinha "comportamento de vítima", então não podia ser vítima.
Ele foi embora uns dias depois e eu respirei aliviada. O assunto tinha morrido, lógico, se ele não estava mais perto de mim. Me senti tão bem que até me permiti me interessar por um rapaz que apareceu depois, ficar com ele. E viver minha vida.
Voltei para casa e reencontrei o Y. Eu estava morrendo de saudades, eu tinha tanto para contar da viagem, das lutas! E o Y. veio me dizer, antes de tudo, que alguém tinha dito que eu tinha ficado com o cara do movimento estudantil. Que ele, Y., odiava o sujeito (não por minha causa, já se odiavam anteriormente), que não tinha conseguido lidar bem com a notícia e que... Eu não prestei mais atenção. Ver o assunto voltar, ver Y. falando dele perto de mim, falando como se eu tivesse querido o que aconteceu... Só consegui dizer com uma voz muito esganiçada que eu NÃO tinha ficado com ele, que era mentira. Y. fez uma expressão de que não acreditava em mim, mas me beijou mesmo assim. Eu fiquei tão perturbada com o assunto que nem debatemos o fato de ele ter sentido tanto incômodo com o que eu fiz longe dele quando estamos em uma relação não-monogâmica. (Debateremos, Lola, debateremos).
Acabei contando para uma amiga que milita nos mesmos espaços que eu e ela ficou totalmente chocada, totalmente revoltada. Pela primeira vez eu disse a alguém: "eu não queria. Eu não gosto de lembrar. Eu não consenti. Eu não tinha como consentir". Ela me convenceu a levar isso ao partido do cara, deixar que eles decidam o que fazer com ele, mas que isso não passasse em branco. Levei ao partido. Ainda não sei qual será a decisão deles. Não tenho nenhuma intenção de buscar a lei jurídica. Porque sei que não valerá a pena nesse caso, porque não tenho apoio dos meus pais, porque não quero que ele seja preso. Quero que o partido faça um intenso trabalho de debate e conscientização dele. Não quero exclui-lo da sociedade, quero tê-lo trabalhando para mudá-la e usando sua experiência como estuprador (ai caramba, é tão difícil usar essa palavra) para nos ajudar a combater o estupro com força. Combater a cultura de estupro.
E quando foi que eu passei a entender que sou uma sobrevivente? Quando contei ao Y. a minha versão. Não por ele, mas por mim. Porque eu mereço ter uma relação sem meias-verdades, porque eu mereço apoio e carinho do meu companheiro, porque eu não tenho que ter vergonha. Ele me abraçou, me deixou chorar e balbuciar coisas desconexas que fazem menos sentido do que este e-mail e me apoiou.
Só meses depois finalmente entendi porque me comportei "normalmente" durante o tempo em que o líder estudantil estava por perto, porque permiti que ele me tocasse em outras noites. Porque, se eu achasse tudo isso normal, porque, se eu me comportasse normal, então "era normal". Então eu não tinha passado por nada de ruim e não podia sentir nada de ruim. Se eu fizesse de conta que não existiu, não devia ter existido mesmo.
De lá pra cá, cheguei a fugir de casa porque os pesadelos que começaram a me assolar quando eu admiti que era uma sobrevivente de abuso sexual não me permitiam dormir, e eu não confiava em meus pais para contar o que estava acontecendo ou continuar fingindo que estava tudo bem. Fiquei alguns dias fora, na casa de uma amiga que muito amo, e fui convencida por ela a conversar com a minha mãe. Minha mãe me entendeu, me perdoou por ter sumido e pediu perdão por não ter podido me apoiar e por eu ter sentido que ela não me apoiaria. Disse que não passou de um mal-entendido quando eu achei que ela estava me culpando, que ela se expressou mal e agora tem me dado todo o meu apoio. 
Meu pai não me perdoa, voltei a morar em casa, mas, para ele, eu ter fugido de casa não tem justificativa e ele diz que nunca mais poderá me amar como antes. Além disso, ele diz que eu não me cuidei o bastante e que devia imaginar que uma coisa assim aconteceria.
Y. me deu todo o apoio nesse meio tempo, cuidou de mim em minhas crises e me abrigou na casa dele na minha primeira noite fora de casa. O partido também tem me ajudado, através de um grupo de feministas deles, que estão cuidando desse caso e acreditam 100% na minha palavra.

Ainda não falaram com o líder e eu não sei o que será de mim quando falarem: tenho medo que isso se espalhe, que eu fique conhecida como uma golpista que quer desestruturar um grande líder estudantil, que eu fique conhecida como uma pobre vítima e todas as minhas lutas se tornem secundárias, que eu me meta em um buraco mais fundo do que sou capaz de sair.
Acho que mandei esse e-mail, Lola, para ajudar a limpar um pouco mais do pus que está preenchendo o meu coração e para que várias meninas e mulheres possam saber que no movimento estudantil também tem histórias de horror. Para que saibam que, no seio de organizações que a gente ama e nas quais a gente luta, também aparecerão estupradores. Para que saibam que nem toda sobrevivente fica cheia de sequelas, que "comportamento de vítima" é uma coisa absurdamente relativa. Para saber que, para ser vítima do machismo, basta viver no aqui e no agora.

Obrigada por existir e pelo seu blog, Lola, ele me fez passar a dizer que sou feminista, ele me ajuda a questionar meus posicionamentos todos os dias, ele é um bálsamo para as dores que me atormentam por vezes.
Sigo vivendo. Sigo fazendo minha faculdade e, agora, com a ajuda da minha mãe, das minhas melhores amigas, do Y. e das feministas do partido, aceito as crises de desespero e tristeza quando elas vêm e não penso sobre esse assunto o tempo todo. Penso em todas as minhas conquistas, em tudo o que sou para além do que o machismo quer que eu seja.
Penso em todas as pessoas que lutam todos os dias e tenho forças. Tenho forças. Nós, mulheres unidas, somos maiores e mais capazes do papel ínfimo a que nos querem condenar.

Mais capazes de quê, eu cheguei a me perguntar?
De ser "socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres".
Citando Rosa Luxemburgo, me despeço com um imenso beijo.

74 comentários:

Anônimo disse...

Pois é. Conheço um sujeito de um partido de esquerda que transou com uma menina, ela engravidou e descobriu estar grávida quatro meses depois. Com um feto de quatro meses, ela decidiu não abortar. Pediu ajuda do sujeitinho de esquerda, progressista etc., e ele saiu fora. Foi para Brasília onde ganha muita grana como assessor político. Pede se alguma vez, em mais de cinco anos, pagou um tostão de pensão? Nada. A moça entrou na justiça contra o esquerdinha fajuto e tudo o que conseguiu foi xingamentos de uma juíza de primeira instância (possivelmente ligada ao partideco do sujeitinho). Cada dia que passa, eu estou mais e mais firme em uma conclusão: essa gentinha de esquerda é ainda pior do que os canalhas da direita.

Karol Lisboa disse...

Cara L. você não imagina como me emocionei ao ouvir seu relato, pois também passei por um caso de violência sexual semelhante há alguns anos. Não foi em um partido de um movimento estudantil, mas foi em um grupo que lutava por ideologias que pregavam a igualdade. Um dos rapazes, que naquela época era um dos nomes promissores da política onde morava e que tinha grande prestígio com os jovens, aproveitando de um momento em que eu tinha bebido numa reunião deste grupo e estava passando mal, se ofereceu para me acompanhar até minha casa e no caminho usou de sua força para me agarrar. Não gosto sequer de lembrar destes momentos desesperadores em que tentava me debater e gritar mas não tinha forças para me desvencilhar. Até hoje me culpo pelo acontecido. Por que fui beber naquela ocasião? Por que fui acreditar naquela pessoa que parecia ser tão feminista, tão humanista, tão gentil mas que me estuprou? O que fiz de errado para que minha família, meus amigos e até os membros do grupo não acreditassem em mim e me condenarem?
Mudei de cidade, de vida, de amigos tentando fugir dos fantasmas destas lembranças e de coisas bem vivas que me assombram até os dias de hoje. Não consigo confiar em mais ninguém e isso tem me causado vários transtornos. Esse guest post despertou novamente em mim toda dor que senti naquela hora.

Vish disse...

Enquanto as mulheres se calarem os homens,não importa quem sejam,vão se sentir no direito de violenta-las,afinal a vida deles vai continuar a mesma.

Maryam disse...

Acho que o caso de violência sexual dentro do movimento estudantil que eu presenciei de forma mais próxima foi em 2009 quando era uma acadêmica da Unesp de Araraquara e duas moradoras da moradia estudantil sofreram abuso sexual, tornando público o fato para a justificada expulsão do agressor, caso esse que foi apoiado por diversos moradores, porém houve uma resposta negativa, que eu sinto que nunca teve o real motivo apurado, que foi um incêndio criminoso do quarto das meninas. Discussões levaram a crer que a denúncia tornou público o fato que alguns moradores da moradia estavam em situação irregular, ou seja, não foram contemplados com o auxílio que a universidade dispõe para alguns estudantes de famílias de baixa renda. O fato é que numa denúncia tentaram calar as vítimas de uma forma criminosa quando que o verdadeiro culpado de tudo (inclusive do descobrimento das irregularidades) era o agressor.

Teresa Silva RJ disse...

L. e Karol, eu sinto muito pelo o que te aconteceu. E pelas próximas mulheres que certamente virão nessa caixa de comentários contar as suas histórias de horror.

Por que será que alguns militantes de esquerda, apesar de pregarem novas ideias defendendo igualdade e justiça social, não abandonam o patriarcado e o machismo? Podiam fazer um estudo a respeito. Lembrei de uma história que eu li a respeito de um psicanalista: comunista, liberal, dizem que foi um dos fundadores de um partido de esquerda há uns 30 e poucos anos. Um dia, ele chega em casa e a mulher conta que uma das filhas tinha ido passar o fim de semana com o namorado em Cabo Frio. Já era de noite, ele estava sem carro e sem o endereço de onde a filha estava. Pois ele pegou um táxi e chegando na cidade saiu pelas ruas gritando o nome da filha, até encontrá-la e levá-la de volta para casa.

Carolina S. disse...

L., queria muito poder te abraçar e saber quem você é. Conheço líderes do movimento estudantil - alguns amigos de longa data, com quem não tenho mais o mesmo contato - e tudo que consigo pensar agora é que, se quem fez isso com você foi um de meus conhecidos, todo o meu ódio a eles. Esse tipo de liderança sobe a cabeça de uma forma, e esses caras acham que podem fazer o que quiserem, que qualquer pessoa tem que servi-los. L., minha querida, coloque a cara para bater sim, e nunca desista de suas lutas, não importa o que disserem ou do que te acusarem. Seus ideais e sua integridade são mais importantes. Nós somos fortes.

Sara Cerq disse...

Hoje em dia você não pode simplesmente dividir bonzinhos - esquerda e mauzinhos - direita. É infantil e estúpido acreditar que pessoas que se dizem de esquerda não possam ser machistas, violentas e homofóbicas. As vezes esse discursinho aí é só pra parecer "cool" pros coleguinhas. Enquanto que uma pessoa que se considera de direita pode respeitar muito mais os direitos das pessoas que qualquer moleque metido a socialista, mas super machista e preconceituoso.

Koppe disse...

O que ocorre muitas vezes é que há uma mentalidade pragmática, que faz os grupos se concentrarem unicamente na causa, e tudo aquilo que puder atrapalhar deve ser tirado do caminho. No caso, o que o grupo vê é um líder útil e importante, de um lado, e "uma qualquer" do outro lado, e acreditam que pelo bem da causa devem ficar do lado dele. Por mais que ela esteja certa, não são poucos os que acham que ela deveria se calar para não "atrapalhar" o movimento.

Eu já tentei trazer esse assunto aqui antes, mencionando esse caso: http://www.pstu.org.br/opressao_materia.asp?id=12638&ida=40 Notem a reação do movimento, tentando resolver as coisas nos bastidores e de forma amena, para "não atrapalhar a luta"...

Acho que isso não difere muito dos mascus dizendo que "o feminismo está destruindo a família". Em ambos os casos (e em muitos outros) se coloca uma causa ("a família", "o movimento", "a luta", "o partido", etc.) acima de questões "menores", como se a luta de indivíduos contra abusos e agressões devesse ficar em segundo plano para não atrapalhar coisas "mais importantes".

Não importa a bandeira que uma pessoa carrega. Se ela faz algo condenável, deve ser tratada de acordo. Um abuso é abuso igual, seja cometido por um reaça de direita, seja cometido por um "companheiro de luta", o sofrimento da vítima será o mesmo, então deve ser julgado igual. A menos que acreditem em pessoas "mais iguais" que as outras, que devem receber tratamento privilegiado por pertencer a esse ou aquele grupo ou ideologia...

Anônimo disse...

Lola,

Ontem li o guest post, ele me deixou com um gosto tão amargo na boca que tive que desligar o PC. Tentei esquecer, deixar pra lá, mas não deu...
Antes de tudo gostaria de dizer que entendo a garota, não é fácil passar pelo que ela passou e ainda ter que aguentar pela frente.
Digo isso pq essa história parece um revival do que aconteceu com uma grande amiga-irmã dos tempos da faculdade. Contarei: assim como eu, ela (T) fazia parte do mov estudantil, éramos ligadas a grupos progressistas, partidos de esquerda, e tudo o mais... tal e qual o caso relatado, numa renomada univ federal. Isso faz mais de 15 anos. Nos achávamos as tais, todas modernas e antenadas, as donas da verdade. Ela se envolveu com um dos líderes do mov, numa relação aberta... e o mundo parecia lindo e cheio de possibilidades. Não demorou muito para os dois viverem juntos e o apê deles virar ponto de referência para todos, um exemplo! Até que ela não aguentou a barra e veio me contar dos abusos - psicológicos e físicos - constantes e do estupro que havia sofrido daquele que até então achava que era o homem da sua vida. Tentei de todo modo fazer ela o denunciar à justiça. Acabei virando inimiga do casal, já que não sei como T acabou por perdoar e continuar ao lado dele, em nome do "amor" e do "ideal" que partilhavam. Passaram-se dois anos sem que ela me deixasse me reaproximar, hoje sei que sentia vergonha, já que eu era a única que sabia de tudo. Por fim, ela engravidou do canalha. Ele ficou furioso, perguntou de quem era o bebê, dentre outras baixarias... Durante a gravidez, ele a rejeitou sexualmente e... atente para isso: passou a levar para cama deles outras pessoas, de ambos os sexos, forçando-a a assitir tudo. Aos sete meses de gravidez, depois de mais uma surra ... ela me ligou, pedindo ajuda pois achava que ia morrer ou perder o filho. Ajudei em tudo que pude, chamei a família dela (moravam em outro estado), contamos tudo o que tinha acontecido... e recebemos todo apoio deles, que sinceramente não esperávamos. Acabei por me tornar a madrinha dessa criança, fato do qual me orgulho muito. Novamente T se recusou a procurar a polícia, a justiça ou qq coisa do tipo. Dizia que não queria prejudicar ele, que estava entrando na política e afinal de contas... eles tinham todos aqueles ideais em comum, não queria prejudicar a causa. Admitiu apenas fazer uma queixa dentro do partido dele. O que aconteceu? Ele ouviu um "que menino mau! promete que não vai mais fazer essa coisa feia?", junto com um tapinha nas costas e pronto.
Hj o infeliz tem uma carreira política em crescimento, e uma nova família, casou-se e tem filhos. Da última vez que tive a infelicidade de o encontrar perguntei se ele fazia com a esposa o mesmo que tinha feito com minha amiga. Sabe o que respondeu? Que não, afinal a fulana era a ESPOSA dele, e T não passava de mais uma vadia.
Tenho vontade de chorar quando vejo que tal comportamento se perpetua, justamente pq não é coibido, denunciado e condenado. Estupro É caso de polícia sim. Se minha amiga (e imagino, outras...) o tivessem denunciado talvez o mov hj tratasse com maior rigor esse tipo de caso. Pena que ela não teve coragem... pena que a nova geração (L) vá cometer o mesmo erro de T.
Homens canalhas e bandidos existem em todos os lugares, inclusive nos movimentos sociais e partidos de esquerda. Infelizmente o que vejo é a esquerda passar a mão na cabeça deles e os proteger, mais até que a tão combalida direita. Tenho asco desse tipo de atitude, tanto que me afastei do mov e do partido.
Tinha ilusão de ver a nova geração superar e vencer esse tipo de situação... depois do relato de L, não tenho mais.
Eles continuarão impunes!

Anônimo disse...

É curioso como essas depoentes que aparecem pelo blog tem o mesmo estilo de escrita seu, Lola!

Anônimo disse...

Gente querida, a ocasião faz o ladrão e o estuprador e o abusador. Espero em Deus que não venham de novo com a história de que podemos beber até cair na companhia de homens que não vamos ser alvo de qualquer ato libidinoso enquanto estamos imobilizadas pelo álcool.

Lori disse...

Obrigada pelo seu depoimento L. Obrigada pelo seu comentário tbm Karol. Passei por um abuso parecido e ainda vivo os impactos negativos q isso teve na minha vida e no meu emocional. São as mesmas perguntas, 'pq eu fui beber?', 'pq eu não relutei mais?', 'será q eu fui a responsável?'.
Acompanhar os relatos de outras sobreviventes me ajudam a encontrar as minhas respostas. Muito obrigada mesmo.

L disse...

Gostaria de agradecer àquelas pessoas que manifestam apoio e dizer a todxs xs tolxs com problema de interpretação de texto que eu não deixei de denunciar o cara porque acho-o um coitadinho ou o partido mais importante, mas porque a justiça é torpe e eu não tinha corpo de delito para apresentar e nenhuma chance de vencer essa batalha judicial. Desculpe, não estou disposta a me destruir, a destruir o mundo que eu conheço para vê-lo sair impune. Não estou disposta a ser questionada por advogados dele, a ouvir que não devia ter usado drogas e que a culpa é toda minha.
Mas ele não está impune, as rodas já estão girando. As feministas do partido estão atuando e ele será repreendido, será reeducado.

Saudações,
L.

yulia2 disse...

ainda bem que o namorado dela e a sua mãe entenderam o caso...
ela teve muita sorte... pois geralmente o namorado e familia não entende e acabam por culpar a vitima
SEMPRE.

Espero que o partido tome providencias com o estuprador. esse é o pior tipo que existe, se valer do poder para abusar.... um verdadeiro LIXO!

yulia2 disse...

essa gentinha de esquerda é ainda pior do que os canalhas da direita.
________________

Isso não tem nada a ver com direita ou esquerda, tem a ver com CARÁTER.

yulia2 disse...

''Gente querida, a ocasião faz o ladrão e o estuprador e o abusador. Espero em Deus que não venham de novo com a história de que podemos beber até cair na companhia de homens que não vamos ser alvo de qualquer ato libidinoso enquanto estamos imobilizadas pelo álcool.''
___________________

OK MASCUTROLL...

Anônimo disse...

enquanto muitas de nos continuarmos a "dormir com o inimigo"
enquanto não nos dermos conta de que não podem existir homens feministas, por uma simples questão de coerencia, não teremos forças e foco, para conduzir nossa luta como se deve,o foco do feminismo deve ser a mulher.

A mulher e o unico grupo oprimido que sonha em ter relações romanticas com os opressores, devemos ter em mente que o homem como ele e socialmente e , deve ser totalmente desconstruido, para termos exito em nossa luta.

Anônimo disse...

Que homem nojentooooo,espero q morra sem nunca mais ter uma mulher na face da terra!

Anônimo disse...

Guest post e Lola,

leio e esse blog frequentemente, e também comento com frequencia. Só que dessa vez não vou me identificar. Queria dizer que foi só através desse blog que eu fui perceber que uma situação pela qual passei anos atrás foi abuso sexual. Dói muito pensar nisso, e por anos pensei que a culpa fosse minha. Os adultos a minha volta também me responsabilizaram pelo ocorrido, sempre inocentando o abusador. Foi só há poucos meses que consegui pensar na situação como eu tendo sido a vítima, não a causadora dela. Chorei, contei pro meu namorado, ele entendeu e ficamos bem. Uma coincidência? Eu e meu abusador fazíamos partes do mesmo movimento estudantil de esquerda.

Voces não sabem como esse blog é importante para mim, e como a colaboração dxs autorxs dos guest-posts é fundamental. Obrigada por tudo, Lola.

Um abraço,
R.

L disse...

Lori,
foi por companheiras como você que eu mandei o meu relato.

Anônimo disse...

Certa vez, no movimento estudantil daqui, um rapaz que conheço, de um grupo pelo qual simpatizo, foi acusado de ter sido agressivo e machista com um grupo de meninas de outro grupo, por diferenças ideológicas. Ouvimos as histórias de ambos os lados - e eu lembro que fiquei com muita dor no coração, já que a esquerda era sempre tão desunida e esse rapaz era sempre tão esquentado. Ia dar merda.

Por sorte, o menino, numa plenária, tomou o microfone, e disse "não cabe a mim me defender. só o oprimido, o agredido, sabe o que passou. eu sinto muito, e concordo que as meninas deveriam participar mais do movimento, sem medo."

Eu lembro que soltei um "ufa, ainda bem".

Ariadne Buendía disse...

Anônimo das 15:47, todas sabemos até demais dos perigos, ou não é o que dá para entender das histórias de horror contadas aqui? Acontece que não DEVERIA ser assim, e acreditamos que é possível lutar para que, pelo menos, muito menos mulheres passem por isso e que tenham todo o acesso aos mecanismos legais e ao apoio da sociedade caso sejam vítimas. Isso é combater a cultura de estupro que fica bem clara em sua fala quando vc coloca como questão de “ocasião" e como ato “libidinoso" (corrijam-me se eu estiver errada, mas libido tem a ver com desejo sexual, e estupro não é sexo, é violência). Além do mais, deixar de fazer as coisas que a sociedade considera como “pedir por isso" não protege ninguém da violência sexual, está mais que provado que ela atinge mulheres de todas as idades, comportamentos, orientações sexuais, classes sociais, condições físicas e mentais, etc. Há mulheres e meninas muçulmanas e vestindo burca que são abusadas pelo mundo... Isso sem mencionar que a lista de coisas que são vistas como provocadoras de estupro é longa e contraditória, sugiro que, em vez de apelar a Deus, vc dê uma olhadinha rápida no Slut Shaming Detected e veja as desculpas mais ridículas que as pessoas usam para humilhar mulheres. Assim vc vai ver que é preciso lutar e mudar, nem que seja apenas a nossa mentalidade, e não ficar esperando a intervenção de alguma divindade...

lola aronovich disse...

Sim, anônimo das 3:31, que acha “curioso como essas depoentes que aparecem pelo blog tem o mesmo estilo de escrita [m]eu”. Eu escrevi todos os 250 guest posts já publicados aqui no blog! Eu tenho uma imaginação muito fértil pra inventar todas essas coisas assim do nada, porque, de fato, abusos, estupros, e outros tipos de violência contra a mulher não existem, e só podem ser criações de uma mente ociosa feminista. Droga! Vc descobriu meu segredo!


L., querida, obrigada pela coragem em escrever este guest post. E desculpe demorar pra publicá-lo.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Usa droga com quem não conhece(inclusive o álcool, uma das piores), dorme ao lado de gente do sexo oposto que nem conhece...

Enfim, consequências infelizes são previsíveis.

Agora só te resta correr atrás de Justiça e ter mais cuidado na próxima.

Não te acho uma vadia nem nada do tipo, apenas acho que o caso todo foi fruto do uso irresponsável de entorpecentes.


Lembrem-se, caros entusiastas das ciências humanas: Não superestimem a racionalidade humana. u.u

Augusto disse...

Que estranho. Senti a mesma coisa que você quando fui transar com um cara. Ele passou dos limites na transa e, apesar de ter sentido mal, não me senti como vítima. E a consciência veio depois. Que ele não deveria ter forçado, ter tentado penetrar sem camisinha etc.

Eu não consigo parar, acho que fico envergonhado, eu continuo a transa sem prazer nenhum. E nem consigo gozar. Eu fiz isso duas vezes, comecei a transa e não queria. Eu não queria transar, mas, como comecei,continuei até o final.

Augusto disse...

O povo de direita é uma merda. FIM. Mas ainda há muita gente de esquerda escrota. Viés político não define carácter.

Augusto disse...

As pessoas são sempre egoístas. Todos nós somos. Temos de largar desse egoísmo, que nos torna cruéis.

Acho que, nós leitores da lola, entendemos de direitos humanos e isso nos levou à ESQUERDA, porém há pessoas que são esquerdistas que não foram influenciadas em movimentos sociais, mas, sim, por outros motivos. Existem pessoas de esquerda que não possuem essa força de mudar os problemas comportamentais e sociais. Nós não entendemos de tudo na política e nem sabemos qual é o ideal de vida.

Tudo é relativo. Tudo é difícil. Somos muito pouco e isso me mata.

André disse...

Se a intenção dele era abusar dela rapidinho antes dela acordar, então foi estupro. Mas se a intenção dele foi acariciá-la para ver se seria correspondido, e a reação dela foi interpretada como uma retribuição, então fica difícil considerá-lo um estuprador.

Mônica Cianfarani disse...

Muitas vezes achamos que nós somos as culpadas porque consentimos com a situacao....pq nao dissemos nada na hora...e mesmo assim somos julgadas... vou contar a minha história pq apesar de eu ter falado de ter feito escândalo tive que ouvi que eu pedi para que fizessem isso comigo tive que ver contarem pro meu pai como seu eu fosse a prostituta da história. Em 2010 teve uma festa na república que eu morava eu me arrumei pq acreditava q meu até entao namorado ia...mas ele teve um problema e como eu morava na casa fui curtir a festa, conversar com as pessoas mas nao bebi pq tinha aula no dia seguinte de manha e tinha um cara, meu veterano, ele tbm nao bebe, já tinhámos ficado no passado mas eu nao tinha gostado de sua atitude um pouco invasiva e nunca mais fiquei com ele e nesta época eu estava namorando, quando ficou muito tarde ele ainda estava na casa e como eh meio perigoso andar pela nosso bairro as meninas sugeriram de ele dormir na casa, como minha colega de quarto tinha ido viajar eu ofereci o meu quarto para ele dormir tinha uma cama extra a uns 2m da minha, entao me troquei no banheiro pus meu pijama de ursinho (imagina aqueles mais infantis nadaaa sexy) e fui dormir, ele tbm...Nao imaginam a minha surpresa quando tarde da madrugada acordo com ele em cima de mim beijando meu pescoço foi algo muito estranho eu dei um pulo da cama, berrei fiz um escandalo sai do quarto e chamei as meninas que estavam acordadas ele estava em cima de mim me beijando eu nao pedi pra ele fazer isso, fui dormir em outro quarto com nojo dele, no outro dia ele pediu desculpas mas até hoje eu nao o perdoo me senti abusada, invadida, consentir com aquilo nao era pra mim...mas minha surpresa veio meses depois quando discuti com uma das meninas que eu morava e ela me disse " vc traiu seu namorado, vc pediu pra ele ir para o seu quarto, vc estava se insinuando pra ele a noite toda", ela escreveu um email pro meu pai de como eu havia seduzido o cara e inventado que ele estava em cima de mim me beijando quando eu acordei, mas na verdade eu tinha pedido pra ele fazer isso. Foi horrível de qualquer pessoa a ultima que eu esperava um julgamento era de alguem que estava naquela festa que viu tudo o que aconteceu e viu o meu comportamento, ainda tenho que suportá-lo na universidade mas nao converso com ele nem com quem me acusou ando de cabeca erguida pq sei que o que eu fiz foi certo nao queria ser abusada nao queria ele em cima de mim...pq é tao dificil alguém entender um nao?

Sara disse...

Acho ingenuidade esperar que o comportamento machista de um homem vai mudar em função de sua ideologia politica.
O estupro em si infelizmente foi como tantos outros, a impunidade tb.
O q mais me chocou é q mesmo dentro de um grupo supostamente mais esclarecido, apesar da injustiça q a L recebeu ainda seja ela a excluida desse grupo.
Por outros relatos aqui na cx de comentários parece ser a norma, e tb foi o que escutei de uma garota na palestra da Rosa Luxemburg, que sofreu violência de um dos integrantes e apesar de denuncia-lo, alem de nada fazerem contra ele, ela estava se sentindo excluída, e em lagrimas disse q ja pensava em abandonar esse grupo.
Nessa palestra outros relatos semelhantes foram ouvidos, o q me deixou a impressão que não existe diferença nem mesmo na reação do grupo, que pelo q parece dentro deles ou no Irã a mulher é a culpada e ponto.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Mônica,

Fiquei bastante assustada e o que ele fez em nada justifica. Não tem ninguém que possa ajudá-la em denunciá-lo?

E por que sua amiga contou ao seu pai? Achei estranho, talvez se ela quisesse te fazer mal, fosse mais eficiente contar ao seu namorado.

Enfim, melhoras desse trauma.

beijos

Anônimo disse...

Na boa, não vou nem comentar sobre o estupro, porque é lógico que é um estupro, ela não estava em condições de consentir e mal lembra do que aconteceu... só vou dizer o quanto é patético que essa gente "revolucionária" dos movimentos estudantis, da esquerda, dos direitos iguais, fique por aí usando drogas ilícitas. Ao menos ela mencionou duas vezes estar drogada.
Do que adianta "lutar contra o sistema" e fazer com que ele perpetue? Ou você acha que o dinheiro das droguinhas que você compra dos traficantes vai pra quem? Vai pra corruptos, amada, os mesmos que desviam dinheiro de merenda recebem seu quinhão do tráfico (e é só por isso que a maconha é proibida, rende mais que se for lícita). O lucro do traficante fica mais com os corruptos que com ele. O policial corrupto é um chinelão que leva o dinheiro pro chefe dele repartir com os chefes dele, normalmente ocupantes de cargos altos do governo.
Fico deprimida ao ver que a maioria dos "jovens militantes e revolucionários" de nosso país não passem de um bando de playboyzinhos drogados, que sustentam um sistema que dizem combater. Parabéns a vocês, espertões.

Sofia

Anônimo disse...

"O povo de direita é uma merda. (...) Viés político não define carácter."

E coerência é luxo. (E dos dois lados, certamente).

Assinado: alguém que é "xingada" de reaça em meios esquerdistas e de esquerdalha em meios direitistas, e que ri para não chorar desse cenário patético que é cada lado clamando para si o monopólio das virtudes (reconhecendo, de vez em quando, que apesar do seu lado deter o monopólio das virtudes, também há maçãs podres nele).

L disse...

Sara: Eu não fui excluída de grupo nenhum, muito pelo contrário. Fui abraçada, apoiada e continuo militando com as mesmas pessoas que militava antes.

Sofia: Álcool é droga. E me pergunto para que corrupto vai a grana da maconha plantada em casa que meu amigo nos forneceu naquela noite.

Anônimo disse...

Vixi... complicado!!

Leio o blog todo dia, leio os comentários, reflito, concordo com muita coisa, acho que vivemos na cultura do estupro, etc etc.

Por outro lado: a sexualidade humana é muito complexa e cheia de "jogos", inclusive sobre consentimento/não consentimento/conquista do consentimento, sobre diversos níveis de consciência sobre aquilo que está fazendo/topando...

Então penso que é preciso analisar em quais situações queremos nos colocar... jovens dormindo em colchões pertinho um do outro, depois de beber... acredito que está "implícito" que muita gente ali está disposto a "jogar o jogo" de um grupo em que há tensão sexual no ar, e mesmo o "jogo" de fazer coisas sobre as quais não se tem certeza após beber demais... faz parte da graça, pra muita gente ali (eu acho).

Se alguém se coloca nesse jogo sem querer jogar, e numa condição em que não consegue nem esboçar reação negativa a um contato vindo do outro... putz... fica muito complicado.

Como compreender o que a autora estava querendo na hora do "primeiro abuso, se nem ela mesmo sabia direito? Como interpretar a reação dela? (estou perguntando de verdade!! pois eu que sou totalmente contra o estupro e entendo perfeitamente a cultura do estupro, inlcuindo a tendência a culpar a vítima, não sei como compreender a reação da autora, sem ao menos um NÃO...).

Para evitar o abuso que ela sofreu, o que deveria ser feito?? Ninguém nunca devia jogar esses jogos sexuais nesses contextos?

Me parece mais verdadeiro, mais responsável, mais seguro, mais honesto... não ficar quase inconsciente num contexto desses! Se nem um NÃO conseguimos falar... como esperar que o outro compreenda que não queremos jogar?

Anônimo disse...

Há uma enorme quantidades de pessoas com uma dificuldade incrível de conciliar discurso e prática, infelizmente. Não quero entrar em detalhes, mas já tive o azar de conviver de perto com um sujeito desses que fez o inferno da minha vida. E pelo visto isso é muito mais comum do que eu imaginava.
(nessas horas eu até prefiro um mascu louco desses, porque esse pelo menos diz a que veio e dá a chance de me afastar a tempo em vez de iludir com discursos de igualdade)

Marina disse...

pros conservadores de plantão e pessoas que tão dizendo que o problema é dormir e beber com vários jovens:
entendam que pra nós, jovens de hoje, essas coisas são comuns e acontecem sempre, normalmente, SEM ABUSOS. eu sempre bebi, fiz farra, com amigos, independente do genero, e sempre dormimos juntos, nos mesmos locais. é um contexto comum, de acampamento, de coletividade. isso é NORMAL. estamos ACOSTUMADOS.

L. e nós estamos inseridos em outra cultura. esse é o nosso normal, relacionamentos não-monogamicos, conviver com ideias diferentes do padrão.
O QUE NÃO É NORMAL É O ABUSO.

no contexto do casamento tradicional, todo mundo sabe que ocorrem inúmeros abusos por parte do MARIDO. alguém diz que a culpa é do CASAMENTO? não né. a culpa é do marido que é um abusador.

então porque no contexto NORMAL da vida de L. a culpa é da situação e não do abusador ?????

Anônimo disse...

"André: Se a intenção dele era abusar dela rapidinho antes dela acordar, então foi estupro. Mas se a intenção dele foi acariciá-la para ver se seria correspondido, e a reação dela foi interpretada como uma retribuição, então fica difícil considerá-lo um estuprador."

NÃO. o que configura estupro NÃO É A INTENÇÃO DO ABUSADOR.
que comentário ABSURDO.
"acariciar pra ver se seria correspondido" uma pessoa DORMINDO E DROGADA?? e o tempo que ele passou acariciando ela, e ela NAO ESTAVA SE MEXENDO NEM TENDO REAÇÃO ALGUMA??
releia o relato. olhe o tempo enorme que ela demorou para "corresponder".
ele nao se aproximou dela em nenhum momento enquanto ela estava consciente. nao tentou acordar ela normalmente antes de tocar nela. vc ve uma mulher dormindo, e COMEÇA A PEGAR NELA INTIMAMENTE sem sequer ter trocado duas palavras, só pra "testar se ela vai corresponder" ??
é dificil considerar isso um estupro ?????
parabéns viu, que homem maravilhoso vc deve ser.

Gabriel Pompeo Pistelli Ferreira disse...

Sinceramente, não existem palavras que possam definir, de fato, o que é isso. L., juro, não tenho palavras pra transmitir realmente o que eu sinto. Essa vergonha de saber que estamos num mundo tão sujo, tão descomprometido com os outros, com o respeito. E mais, essa vergonha se multiplica quando sei que tais atos partem de quem se diz progressista e humanista, de "esquerda".

Vocês, minhas companheiras militantes feministas, tem toda a razão do mundo em desacreditar nos homens, de certa forma. A mudança verdadeira só pode partir de vocês. Somente vocês sentem o que é isso, essa dor, essa dificuldade de ser coisificada, desumanizada, transformada em mero objeto sexual.

Mas eu peço, por favor, não percam as esperanças jamais em suas lutas. Jamais. Sem ela, não podemos fazer nada. Não se afastem dos homens que se dizem progressistas, também. Sejam radicais, incansáveis, nunca desistam de defender o feminismo -- especialmente quando houver homens incoerentes e falsos. Nós também sofremos com o machismo: desde pequenos somos ensinados a manter um modelo de atitude completamente dicotomizado do que realmente somos.

Querem, nessa sociedade machista nojenta, que sejamos animais "pegadores", "viris" e tudo mais, sem sentimentos e emoções. Por isso, às vezes, vemos tantas atitudes incoerentes: desvencilhar-se do machismo, sabemos, não é fácil. Mas não é por isso que nossa luta cotidiana de auto-reconstrução deva ser encerrada. Muito pelo contrário: ela deve ser intensificada, visando que retiremos esse opressor que introjetamos em nossas ações e em nosso dia-a-dia.

Por isso, gostaria de desejar todas as forças do mundo às minhas queridas colegas. Reitero, sei que jamais compreenderei plenamente o que é esse sentimento do estupro, mas quero dizer que, ao ver esse post, me emocionei profundamente. Não consegui parar de pensar nessa maldita situação à qual inúmeras mulheres sofrem diariamente. Pergunto-me: será que um dia eu posso ser um desses estupradores nojentos? Esse é um grande medo que tenho. Logo, acho que esses posts não devem atingir apenas vocês, minhas companheiras queridas, mas também nós, homens(-opressores).

Somente com relatos sinceros e tocantes assim poderemos fazer nossa reconstrução histórica, transcender essa sociedade machista e entender que meu dever vai muito além do discurso favorável ao feminismo: meu dever, enquanto militante verdadeiramente comprometido e humanista, é de me unir à luta das mulheres, de fato; é respirá-la, fazê-la uma de minhas essências, também. Esse trabalho não é fácil. Mas é o que nos cabe fazer, se quisermos um mundo diferente. Isso é algo que nós, militantes homens, temos que entender no fundo da nossa práxis; somente assim poderemos ser verdadeiramente revolucionários.

Com toda a sinceridade e sentimentos possíveis.

Augusto disse...

"O povo de direita é uma merda. (...) Viés político não define carácter."

Incoerência ou falta de interpretação de texto? Eu quis dizer que pessoas de direita são uma merda, pois são contrários os direitos da minoria. Tem de ser muito inteligente e muito estudioso para chegar a conclusão que o capitalismo pode funcionar junto aos direitos dos cidadãos. E ainda quis dizer que pessoas de esquerda podem ser merda como as de direita, pois podem não se interessar por direitos humanos.

Anônimo disse...

Gabriel Pompeo Pistelli Ferreira disse...

xonei!

Karol Lisboa disse...

Ainda fico por entender essas pessoas que culpam a ocasião, as roupas, as companhias, as substâncias entorpecentes que a vítima usou e até mesmo a própria pessoa violentada no lugar de culpar o próprio estuprador e a cultura do estupro que perpetua estas atrocidades.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

pros conservadores de plantão e pessoas que tão dizendo que o problema é dormir e beber com vários jovens:
entendam que pra nós, jovens de hoje, essas coisas são comuns e acontecem sempre, normalmente, SEM ABUSOS. eu sempre bebi, fiz farra, com amigos, independente do genero, e sempre dormimos juntos, nos mesmos locais. é um contexto comum, de acampamento, de coletividade. isso é NORMAL. estamos ACOSTUMADOS.


Onde isso? Sou Jovem e nunca fiz nada disso, meus amigos são jovens e nunca fizeram nada disso.
Enfim, nem todo jovem é estudante de humanas coletivista e etilista.
Enfim, ainda assim, se vocês tem prática nisso sem esses problemas, o fator imprevisibilidade devido aos entorpecentes passa a ser descartado, fazendo com que isso seja culpa dele mesmo.

Karol Lisboa,

Substâncias psicoativas desativam partes do cérebro e superativam outras, fazendo com que potencialmente o usuário se torne temporariamente "outra pessoa". Esse é o perigo de utilizar entorpecentes em situações extremas e não experimentadas.
Isso é o básico de neuroendocrinologia, não ciência de foguetes.

Anônimo disse...

Karol e Marina, sou a Anônima das 20h (vou colocar um pseudônimo, M. M.)

Sinto que não tenham entendido o que eu quis dizer... não culpo a vítima, gostaria de refletir sobre como ela se comunicou (ou não) com o "agressor". Desejo que homens e mulheres possam se comunicar melhor nesses jogos sexuais, pois nesse caso em específico, o que fica na minha cabeça é FALHA DE COMUNICAÇÃO.

Obs: nos casos que a Lola citou sobre a novela Suburbia por exemplo, na linguagem ridícula que a Globo usou para descrever as agressões, vejo cultura do estupro pura e simplesmente, e não falha de comunicação. Mas no caso desse post vejo diferente.

Na minha formatura, há alguns anos (Marina, sou jovem, 28 anos, feminista, meu pai é gay, não tenho nada contra relações não monogâmicas...já fui em muito encontro de estudantes... enfim... não me considero conservadora), vi uma menina no meio de uma rodinha de homens. Ela aparentava estar bem bêbada, olhos quase fechados. estava dançando com eles, e uns 5 caras estavam tocando nela (seios, bunda, beijando...). Era num canto mais afastado da festa. Eu e uma outra formanda tememos pela segurança dela, parecia que ela não estava consciente do que estava fazendo, não sei pra onde aqueles caras poderiam levá-la, se ela ia se lembrar depois... enfim, achamos melhor fazer alguma coisa! Nos aproximamos e tentamos puxar conversa com ela (pra ver se os carinhas iam se envergonhar, ou sair dali, sei lá). Perguntamos de quem ela era convidada, puxamos um papo qualquer. Imediatamente a menina voltou ao normal!!! Parecia apenas levemente bêbada!! E nos achou duas intrometidas!! Ou seja, ela estava jogando um jogo com aqueles caras (nada contra!!!! a sexualidade humana tem disso mesmo!!! muitos jogos!!!). Ou seja: essa situação poderia ser um abuso terrível ou apenas um jogo normal!

Se eu fiquei em dúvida sobre como interpretar esse jogo, a reação dessa menina... imagino que o cara do post tb possa ter ficado confuso com a reação da autora (é apenas uma hipótese). E ainda que nesse caso não tenha sido assim, mantenho a teoria de que a comunicação nos jogos sexuais é complexa, temos que saber disso quando nos colocamos em determinadas situações!!

Se até quando dizemos NÃO isso pode fazer parte de um jogo... imagina quando não há nem isso!

Repito: o consentimento/não consentimento/conquistar o consentimento pode fazer parte do jogo sexual. E não sei bem como diferenciar o que faz parte do jogo e o que é abuso (e pelo que leio em relatos, às vezes nem a própria vítima sabe... como exigir que o "abusador" saiba?). Obs: em outras vezes, a vítima sabe muito bem. Estou falando de casos específicos.

Anônimo disse...

Li o relato ontem.... fiquei tão mal que nem consegui pensar em palavras para comentar... Milito a alguns anos no Movimento Estudantil de uma importante if e, parando pra refletir, comecei a relembrar alguns casos de abuso ocorridos neste meio (sempre passando despercebidos)... Passei o dia inteiro lembrando deste relato... E a unica coisa que me vem a mente é: nojo!! Nojo de saber que talvez milite ao lado de homens como este rapaz, nojo de pensar que ainda existem seres como ele que falam sobre algo que não fazem, pessoas que tem total consciência sobre o que estão fazendo (afinal eles são militantes!!! Sabem o que é um estrupo, sabem o que é abuso... e mesmo assim, fazem!)
É complicado parar pra pensar e ver que este tipo de comportamento ocorre corriqueiramente dentro do m.e. ... Dificil pensar que mesmo entre pessoas que teoricamente são esclarecidas este fato continua a ocorrer....
não são poucos os abusos sofridos dentro deste meio... Li nos comentários casos de abuso verbal bem... uma retratação publica durante uma Assembleia pode ter algum efeito... mas quase de nada vale quando situações parecidas voltam a acontecer...
E parece tão normal, que uma menina seja chamada de coisas horriveis ao pegar um microfone e fazer uma fala que não é boa pros moldes de quem assiste.... De desmerecer todo um trabalho e insulta-la por conta de discordancia... De usar a força e oprimir outra menina mediante palavras e até açoes.... De "forçar a barra" pra ficar com alguém (e isto é só uma maneira enfeitada de falar a palavra estrupo)....
não sei o que dizer, nem o que pensar... Apenas deixo meus votos de força para todas as companheiras que aqui postaram e para as que não postaram também! E a esperança de que algum dia estes relatos sejam apenas uma lembrança sombria de um tempo que não existe mais...

Carolina Lucas Paiva disse...

"Lembrem-se, caros entusiastas das ciências humanas: Não superestimem a racionalidade humana. u.u"

WTF?

Anônimo disse...

O relato e a prova de que pessoas, independente de sua ideologia ( que muitos usam como mascara) tem uma personalidade característica, e não são um "coletivo" mas indivíduos vivendo em um coletivo, o cidadão "líder esquerdista" apesar de ter tido muito contato com as doutrinações, "libertárias, feministas, marxistas, new hipie etc.., no momento que viu uma garota indefesa, drogada, mostrou sua verdadeira natureza, e total falta de empatia, e abusou da jovem de forma vil.
prova que devemos ter garantias legais para manutenção da lei e da ordem, e para garantir a integridade física de todos os cidadãos em nosso contrato social, e não e vivendo em um mundo anárquico, pseudo libertário, que vamos conseguir conter abusos, pois o relativismo moral como regra social, pode tornar um crime por mais abominável que seja, num mero ponto de vista !

Sander

Anônimo disse...

"Mas eu peço, por favor, não percam as esperanças jamais em suas lutas. Jamais. Sem ela, não podemos fazer nada. Não se afastem dos homens que se dizem progressistas, também. Sejam radicais, incansáveis, nunca desistam de defender o feminismo -- especialmente quando houver homens incoerentes e falsos. Nós também sofremos com o machismo: desde pequenos somos ensinados a manter um modelo de atitude completamente dicotomizado do que realmente somos"

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O que o caro rapaz deste relato, e outros foram levados a acreditar ( lavagem cerebral marxista) e que sua ideologia e o unico caminho, a crença de que a única alternativa para purgar a corrupção e a decadência da sociedade atual é reduzi-la a pó de modo a construir uma nova sociedade, baseada em um novo homem. Esse processo de “destruição criativa” se dá através da violência tanto física quanto simbólica e moral: não basta explodir prédios, sequestrar, roubar ou agredir quem se opoe, mas é imprescindível disseminar o caos, solapar as instituições e inocular profundamente nos indivíduos o veneno revolucionário. O agente principal desta ideologia neo marxista não e feito de carne, mas de ideias; não é um corpo, mas um espírito: o espírito da revolução.
O terror revolucionário e sua perigosa obsessão pela “destruição criativa” são mais fortes do que os valores tradicionais sobre os quais a sociedade se erigiu, representados pelo dito "patriarcado" que nada mais e que a demonização de tudo que conquistamos enquanto civilização, como seres racionais, O marxismo cultural se manifesta na ausência de amarras da velha moral e no seu esforço de pulverizar a velha sociedade. No entanto, a própria situação criada pela chamada " nova ordem marxista( que tem no feminismo um dos seus meios de manobra de massas) torna-se, com o passar do tempo, insustentável; os absurdos brotam, as máscaras caem, as verdadeiras intenções ficam expostas à incômoda luz da verdade.

Obvio que e preciso sempre evoluir,não estacionar sem reflexões de conceitos, mas de forma coerente, e não "revoltada" a revolta escurece a a razão, e nos tona aquilo que mais odiamos sem percebermos.Os valores que nos deram a vida que temos merecem que nos dediquemos à sua preservação, ainda que isso custe nossas próprias vidas. Não é uma decisão fácil, mas é inelutavelmente necessária. Não devemos fazê-lo apenas por nós mesmos: devemos fazê-lo por aqueles que deram seu sangue para que cheguemos até aqui, honrando sua memória e sua luta, e por aqueles que ainda virão, de modo que o mundo que herdem de nós seja menos perigoso, menos venenoso e mais afastado de diabólicos anseios revolucionários.

Sander.

André de Moraes disse...

Queridas(os),

Todo o meu repúdio ao agressor, toda a minha compreensão, solidariedade, palavras e ações para com as queridas companheiras que passaram pela difícil situação ilustrada pela "L".

Certa vez estava em uma discussão pesada com uma grande amiga (estávamos brigados, mas depois nos entendemos) e, num lapso, ela me relatou que, num acampamento (no qual que eu não estava), foi acordada com um então "amigo" nosso tocando-a e se masturbando. O detalhe é que ela havia relatado para todos, inclusive ele, que estava tomando alguns remédios que deixavam o sono dela mais pesado. Ela acordou assutada e gritou com ele e foi acolhida por outro amigo que estava no quarto. Quando soube disso, estava comendo, pedi a fome falei "Ponhamos de lado tudo o que estamos discutindo e vamos resolver isso!". Imediatamente fui na casa do cidadão questioná-lo sobre isso e me coloquei à disposição para apoiá-la em acionar os mecanismos legais ou outras ações que se fizessem necessárias. Mas ela considerou que não foi grave e não queria prejudicar o cara, considerando sua situação familiar complicada. Não concordei mas, não consegui a convencer do contrário.

Com esse meu depoimento, chamo atenção para a questão de que, quando se trata de violência contra a mulher, não tem discussão! Embora eu e a amiga estivéssemos nos odiando no momento por outras questões, isso era mínimo diante do abuso que ela passou. É assim que deve ser! Posição ideológica, movimento, partido, etc. não devem interferir no tratamento da questão. Estes fatores não garantem imunidade contra essa violência e nem devem ser motivo para a injustiça de poupar o agressor. Temos que superar a Cultura do Estupro supurando a ferida.

Fico profundamente triste com os relatos, mas ciente que temos que enfrentar o problema e, para tanto, é necessário contar com a força das queridas companheiras que sofreram a agressão para denunciá-la. Nunca esqueçam que vocês "ainda fazem da flor seu mais forte refrão, e acreditam nas flores vencendo o canhão".

Abraços revoltados, solidários, libertários e utópicos.

Anônimo disse...

realmente horrivel,só n entendi pq ela disse q n quer q ele vá pra cadeia.
o cara abusa dele e fica por isso mesmo?

Panthro disse...

Lola, questão: eu entendo que quando uma pessoa embebeda outra com o objetivo de transar é estupro. E quando ela percebe que a outra está bêbada e se aproveita disso também é estupro. Mas e quando as duas estão bêbadas?

Eu mesmo já fiquei bêbado de acordar com ressaca moral no dia seguinte, de ter preferido não ter transado. Não que eu tenha ficado inconsciente e tenham abusado de mim, apenas fiquei chumbado o suficiente pra ignorar certos aspectos da personalidade alheia que à luz da manhã se revelaram desagradáveis demais. Que é a versão poética de catei um babaca.

Um caso em que a pessoa tinha capacidade física de dizer não mas por conta do efeito de uma droga não quis dizer não você consideraria estupro? Pq eu não consigo ver dessa forma.

Mas entendo que existe realmente uma região cinzenta aí. Em que ponto que realmente perdemos a capacidade de dizer não? Quando ficamos inconscientes? Quando somos influenciados? Um pessoa que tenha sido convencida sob ameaça sutil, como em um assédio sexual foi estuprada? E quando isso se torna ainda mais difuso e começamos a falar de pressão social, como de um grupo convencendo uma pessoa a perder a virgindade?

Eu acho difícil determinar até que ponto nossas decisões são nossas mesmo e até que ponto houve uma forçação de barra. Vendedores fazem até cursos de como "forçar" o cliente a comprar, manipulando as emoções dele, mas sem nunca restringir a vontade do consumidor de fato. Golpistas são mestres nisso, podem fazer você entregar seu dinheiro de bom grado, sem nenhuma ameaça ou violência. Se alguém fizesse a mesma coisa pra conseguir sexo, seria considerado um conquistador (que de certa forma é um golpista, mas enfim).

Nunca li nada sobre isso, sobre essa zona cinza, no que diz respeito a sexo. Você teria alguma coisa pra sugerir?

Anônimo disse...

Esse é um grande medo que tenho. Logo, acho que esses posts não devem atingir apenas vocês, minhas companheiras queridas, mas também nós, homens(-opressores).
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Eu não sou opressor de nada, nunca fui e nunca serei, recuso tal rotulo " reconstruido doutrinado"
Minha virilidade não faz de mim um animal, mas sim um homem,eu jamais pensei em estuprar ninguem e so pelo fato de você estar pedindo desculpas por ser um "homem opressor", ja mostra o quanto devo ficar longe do feminismo !

Anônimo disse...

Lola,
estava lendo esta notícia:
http://noticias.uol.com.br/tabloide/ultimas-noticias/tabloideanas/2012/11/25/polonesa-vence-miss-global-teen-2012-concurso-teve-miss-mundo-brasil-como-jurada.htm

e me deparo com o seguinte comentário:

Lion msn:

russas, ucranianas, polonesas, dinamarquesas, finlandesas... enfim, loiras. Coisa boa. Nada contra as castanhas ou morenas e negras que são coisa boa também, que fique registrado.






Cara ridículo!!

Mônica Cianfarani disse...

Raziel von Sophia Imbuzeiro nao pude fazer nada pois ele estuda na mesma faculdade que eu tem fama de bo garoto ate ja namorou uma amiga minha. Por isso as vezes compreendo a garota que morava comigo nao acreditar em mim pra ela eh mais facil e culpar do q aceitar o fato que sim convivemos 5 anos com uma pessoa capaz de abusar outra. e o fato de ter contado pro meu pai foi pq ela sabia que eu temia...por incrivel que pareca meu pai acreditou em mim...mas nao me importo com qm me julgue eu sei que eu fiz o certo e nunca vou deixar que ele toque em mim novamente.

Gabriel Pompeo Pistelli Ferreira disse...

"Eu não sou opressor de nada, nunca fui e nunca serei, recuso tal rotulo " reconstruido doutrinado"
Minha virilidade não faz de mim um animal, mas sim um homem,eu jamais pensei em estuprar ninguem e so pelo fato de você estar pedindo desculpas por ser um "homem opressor", ja mostra o quanto devo ficar longe do feminismo !"

Meu amigo, eu não sei se você compreende o que estou a afirmar aqui. Se você me entendeu errado, deixe-me lhe explicar melhor: não existe, de fato, homem que seja opressor por pura vontade. Muitos homens, também, jamais pensaram em assediar sexualmente uma mulher, mas, no final, acabam, por exemplo, a fazer isso com suas próprias companheiras. Acabam por não respeitar um limite básico nos relacionamentos. Se você acha que o respeito a esse limite, a esse direito de dizer "não" da mulher é um "coitadismo", você está muito enganado.

Embora saibamos que tais atitudes são deveras complicadas para serem analisadas criticamente no calor do momento (com você bêbado, drogado, ou o que for), cabe a cada um de nós tentar evitar a reprodução dessa cultura do estupro. Não se trata de dizer, por exemplo, que todos os homens são opressores/ o fato é que "todos os homens podem vir a ser opressores". E isso, considerando que vivemos numa sociedade machista que reifica a mulher e a considera mero objeto sexual, é uma possibilidade muito grande. Querendo ou não, introjetamos no nosso dia-a-dia essas práticas, que não são criticadas e analisadas por nós. Se queremos deixar de ser opressores, temos que sair da nossa "zona de conforto", temos que criticar a nós mesmos com a maior voracidade possível. Compreende o que quero dizer? Espero que possamos ter uma conversa saudável.

Gabriel Pompeo Pistelli Ferreira disse...

Sander,

Antes que continuemos nossa discussão, sim, declaro-me, aqui, amplamente marxista. Sou um marxista convicto.

Eu até que gostaria de conservar a "boa moral" da sociedade vigente, se ela não desumanizasse as pessoas. Se ela não colocasse as mulheres em uma posição de submissão; se ela não fosse racista; se nós não tivéssemos sérios problemas com uma sociedade completamente desatenta para a coletividade. Como se nos tempos atuais as coisas fossem bonitas e perfeitas, senhor Sander; como se não houvesse casos como esse do guest post, como se nós mesmos nunca fôssemos, as vezes, cúmplices disso tudo.

Você me defende os "valores morais" da sociedade vigente como se eu, também, não fosse produto desta; como se eu não concordasse com uma sequência desse valores. Eu o faço, se você não sabe, mas prego a reconstrução do homem e da mulher não como uma forma de "instaurar o socialismo diabólico", senão como uma forma de humanizá-lxs.

Sou socialista, sim, queira você ou não, e não acredito numa sociedade capitalista feminista. Isso não existe. O máximo que se poderá encontrar será uma sociedade capitalista QUE SE DIZ FEMINISTA, porque, enquanto as brancas ricas estarão livres no mercado de trabalho, as mulheres pobres e negras estarão em seus trabalhos precarizados, seja como agente de telemarketing ou como empregada doméstica. O fim das desigualdades de gênero, da mercantilização da mulher, etc, só poderá ser efetivado com o fim desse sistema capitalista: ele se reproduz nisto, nessa formação que fazem de nós, agentes sociais.

(Isso não quer dizer, entretanto, que devemos trabalhar "apenas para a revolução": todas as opressões estão unidas, fazem parte uma da outra, fomentam-se, reproduzem-se em conjunto; enfim, concatenam-se de forma orgânica na sociedade. A mera luta econômica é falha -- inerentemente falha -- se queremos estabelecer uma nova sociedade. Também é ainda mais falha a luta militar apenas, porque blanquismo algum poderá transformar a sociedade, cujo bloco orgânico organiza-se de forma deveras mais complexa e complicada. Nesse ponto, Gramsci acertou. Existe a necessidade do diálogo para a conquista da hegemonia; a necessidade da criação de um novo consenso na sociedade para que se consiga efetivar uma realidade distinta.

Por isso mesmo, reitero aqui o que já falei anteriormente e peço encarecidamente que discutamos o feminismo aqui, e não o quão "diabólico" é o marxismo cultural, se você me permite.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Essa juventude estranha neo-hippie militante... Ás vezes eu me pergunto o que se passa na cabeça dessas pessoas e o que elas pensarão disso quando tiverem os seus quarenta anos.

Sério, mas assustador que os casos de abuso, é o que consideram ser "normal" O_o

Mônica Cianfarani,

Bem, como sempre, é o ser humano fazendo humanisse. Que isso seja refletido de forma racional e não sob os dogmas do marxismo e que não só isso seja aplicado em tua vida, mas que tu aconselhe pessoas a evitar isso no futuro.

Anônimo disse...

O ser humano é um bicho bem complicado e contraditório, não?!

Somos feministas, mas muitas reconhecem a existência de ranços machistas.
Somos contra a cultura do estupro, mas até que ponto não somos validadoras dessa cultura também?!
Sim, pq ao não denunciar essas pessoas (e não estou falando de L., ok? aqui entra no ponto em que muitas ficam desamparadas: a falta de provas) estamos... validando seu comportamento!

E falo isso por mim, msm, depois de quase 10 anos que fui falar do comportamento/abuso de um desses 'homens de confiança' para minha irmã... ela se resumiu a dizer que ele era um cara doente. Falar para ela foi um grande salto para mim sobre como lidar com essa questão, mas não resolveu P.N.!

Se de um lado temos peninha de macular/prejudicar a vida desse homens (que não tiveram a mesma peninha por nós), por outro lado há um ponto importante: como conciliar uma possível 'reeducação' do cabra com a devida punição?
Sabemos que, para alguns, punição não implica em mudança (talvez em medo de ser punido novamente), mas o necessário mesmo é uma conscientização e reeducação desse homem.

Help!

Suelen disse...

Queria entender esse comportamento de muitas mulheres,em que o homem pode fazer o q for e que se ele se arrepender esta tudo bem. É um absurdo ela dizer que n quer q ele vá pra cadeia! Fica parecendo q ela n acha estupro tão errado assim. Muitas vivem com um homem q as trata como lixo e elas ficam com eles assim mesmo,pela esperança de q eles mudem um dia.

Anônimo disse...

Acho muito engraçado alguém falar que não existe capitalismo feminista, se quem faz compras é a mulher e as campanhas publicitárias com exceção da cerveja (e do cigarro de outrora) e do carro, são todas dirigidas às mulheres. Meu pai é/foi comunista e se ninguém comprar as coisas pra ele, ele vira mendigo.








Gabriel Pompeo Pistelli Ferreira disse...

"Acho muito engraçado alguém falar que não existe capitalismo feminista, se quem faz compras é a mulher e as campanhas publicitárias com exceção da cerveja (e do cigarro de outrora) e do carro, são todas dirigidas às mulheres. Meu pai é/foi comunista e se ninguém comprar as coisas pra ele, ele vira mendigo".

Ahn? Você só confirma a tese: o sistema capitalista explora as mulheres muito mais do que os homens. Sem isso, ele não se sustenta. A suposta libertação da mulher na sociedade capitalista pós-moderna não é libertação de fato: ainda existe muita coisa a ser modificada e transformada nessa sociedade, especialmente quando se fala das mulheres que não são brancas, que não tem diploma superior e que não vivem em um país do primeiro mundo. Se houver a quebra da desigualdade de gênero, todo esse sistema de exploração do trabalho e de outros fetiches consumistas não seriam mais possíveis. E, ao menos na minha opinião, esses são importantes meios de conservação do sistema. Apenas me referi a isso tudo devido à postagem do Sander. Se acharem desapropriado essa discussão, fiquem à vontade para externar isso, por favor.

A.H.B. disse...

O Movimento Estudantil certamente tem problemas, porque muita gente que participa, embora consiga perceber alguns problemas da sociedade, muitas vezes não percebe que está perpetuando ou sendo conivente com outros problemas gravissímos. Por isso que todo grupo político que se considera de esquerda DEVE TER uma frente feminista muito bem informada que esteja educando todos os participantes, para que esse tipo de coisa que a autora do guest post passou não aconteça.
Uma organização política séria precisa de disciplina e esse tipo de atitude que o colega da autora do guest post teve é simplesmente inaceitável e é necessário que ele seja confrontado e que fique bem claro para todas as pessoas que fazem parte desse grupo que esse tipo de coisa simplesmente não pode acontecer.

@Gabriel Pompeo:
Também sou marxista, achei muito relevante esse comentário: "A suposta libertação da mulher na sociedade capitalista pós-moderna não é libertação de fato: ainda existe muita coisa a ser modificada e transformada nessa sociedade, especialmente quando se fala das mulheres que não são brancas, que não tem diploma superior e que não vivem em um país do primeiro mundo."

Eu também considero que o feminismo liberal e pós-moderno é insuficiente para dar fim à opressão das mulheres, pois este se preocupa mais com lutas jurídicas - leis que podem ser desfeitas, inclusive - do que mudanças estruturais que alterem profundamente as relações de gênero na sociedade. Eu considero que um dos objetivos de uma revolução seria ativamente procurar eliminar as relações sociais que permitem a continuidade do patriarcado. Organizações como a Federação Cubana de Mulheres tem uma grande importância nesse tipo de trabalho.

Aqui tem um texto muito bom (infelizmente em inglês, posso traduzir se necessário) criticando o feminismo liberal por um viés marxista. A autora do texto se identifica como mulher: http://www.reddit.com/r/communism/comments/12n975/a_critique_of_liberal_feminism/

Aqui tem outro texto sobre esse tema que gostei bastante: http://moufawad-paul.blogspot.ca/2012/10/capitalism-is-still-womens-enemy.html

Dona Coisa disse...

Raziel,

voce esta sendo profundamente conservadora.
As pessoas no mundo se comportam de diversas formas, socializam de diversas formas, se comunicam de diversas formas.

Faz parte de boa parte dos cursos de 3o grau encontros estudantis nos quais as pessoas "acampam" umas do lado das outras em um ginasio, escola, praca etc. durante o encontro. Turmas de comunicacao, medicina, economia, do que voce quiser, fazem isso. Tenho certeza que em encotros politicos da juventude se faz o mesmo. Eh um jeito de tornar a coisa viavel e, quando se eh jovem, eh absurdamente divertido. Eh como estar num quarto coletivo com todo mundo. Acontece que ninguem faz isso pensando que pode ser abusad@ sexualmente.

As drogas... Ora, tem as legais, sendo cerveja uma das mais poderosas que conheco. Cigarro, maconha, chocolate, cafe, noz moscada, salvia, lolo... drogas existem. sempre existiram. So que algumas sao legais e outras nao. algumas sao artificiais e outras nao. algumas sao mais forte que outras. umas te matam, outras nao... Mas o fato eh que elas estao por aih e quando se eh jovem a gente experimenta de tudo. Principalmente entre amigos. O que nao significa que a pessoa esta aberta a qualquer coisa. Se ela tivesse sido roubada, era ok, pq ela estavba driogada? se tivesse sido morta? sequestrada? se tivessem enfiado a porrada nela enquanto ela dormia. Tava certo isso?

Anônimo disse...

L.,

Sou sincera em dizer que menos mal que a maconha era plantada e não havia intenção de lucro. E eu sei que álcool é droga também. E como mencionei, eu sou a favor da legalização, não só da maconha, mas também de todas as outras, e que se invista em políticas públicas de educação e saúde para evitar que as pessoas usem e tratar os dependentes. Só que eu conheço um monte de gente que, como você, milita em movimentos, diz-se "contra o sistema", e vai até a boca comprar maconha, haxixe e afins. Acho de uma ingenuidade sem tamanho essa gente não enxergar o quanto colaboram com a perpetuação do sistema.
E você menciona que usar tal droga te faz mal no texto, então por que usa? Pra se enturmar?
Como mencionei, é horrível a situação pela qual você passou, eu, como mulher, já passei por situações de abuso também, só que eu acho que por mais que a gente lute contra a violência contra a mulher, o estupro, pelo feminismo, o mundo continua sendo um lugar ruim pra ser uma mulher, especialmente nosso país. Beber demais, usar drogas, em hipótese alguma será pedir por um estupro, como muita gente gosta de dizer por aí, mas se estas coisas nos tornam mais vulneráveis, é bom não facilitar as coisas.
Uma vez a Lola publicou um texto aqui criticando uma delegada que deu dicas pra se prevenir de estupros. Eu concordo com alguns dos argumentos, mas não acho que a delegada tenha tido alguma má intenção. Embora a causa do estupro seja o estuprador, tomar certas precauções pode sim ajudar que a gente não seja um alvo tão fácil, e isso não é nem questão de feminismo ou de estupro, e sim referente a qualquer tipo de violência urbana. Muitas ações dos bandidos seguem um padrão, procuram tipos de vítimas específicos (idosos, adolescentes, pessoas distraídas etc.), e em nenhum caso a vítima pede pra ser vítima, mas à vezes facilita que seja a escolhida.
É lamentável o que você passou, mas se você se torna vulnerável e incapaz de reagir fazendo uso de certas substâncias, então use quando estiver sozinha e não houver ninguém que possa te por em sério risco. A gente tem que militar, conscientizar, mudar a cultura, mas enquanto as coisas são do jeito que são, temos que também nos precaver!

Sofia

yulia2 disse...

o que aconteceu com ela foi parecido como que aconteceu com a bbb abusada pelo tal daniel....

yulia2 disse...

deveria haver mais critério nesses movimentos de esquerda estudantil...

ta cheio de playboizeta disfarçado de revolucionário....mas suas PRÁTICAS validam a podridão do patriarcado.

Anônimo disse...

Posts como esse me fazem dar graças a "Zeus" pela sorte que tenho.
Uma vez adormeci bêbada na casa de um colega de faculdade e pouco depois percebi que ele me beijava. Pedi calmamente que ele parasse pois eu queria dormir e ele parou. E olha que ele tb estava bêbado! Continuamos amigos depois disso.
Por isso eu acho que, apesar da complexidade dos jogos sexuais, há pessoas que até mesmo sob o efeito do álcool conseguem se controlar e NÃO estuprar.
Esse meu colega que me beijou enquanto eu dormia foi inconveniente? Sim! Mas ele é um estuprador inescrupuloso? Não, por um simples fato: assim que ele notou que eu estava bêbada demais e preferia dormir, ele PAROU! Ele não insistiu, se conformou, virou pro lado e dormiu tb, simples assim!
Será que é tão difícil assim pra um homem (mesmo depois de beber ou fumar um baseado) perceber que uma mulher está dormindo? Ou que está "grogue" pela bebida? Ou que ela simplesmente não está afim?
Sinceramente, acho que mesmo que o cara já esteja embriagado, se ele ainda está em condições de ficar acordado e manter uma ereção, então ele tem condições de perceber se a companheira está correspondendo.
Fica a dica pros amigos homens: Se a menina está deitada, de olhos fechados e não se mexe então NÃO AVANCEM! Se vc já avançou e no meio da carícia notou que ela está "parada" demais, PARE O QUE ESTÁ FAZENDO, é provável que ela tenha dormido ou desmaiado.

Muita força pra vc L.!

Ass: Christy

Anônimo disse...

Nossa, tem gente estúpida na esquerda? Grande novidade

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Anon das 21:57

E ficar abraçada(o) com ela(sem carícias, só abraçar ou no máximo um carinho no cabelo de admiração), pode?

Dona Coisa disse...

por que meu comentário não apareceu. Lola?

.cah. disse...

Lola, boa noite. Estou escrevendo para você porque hoje, quando li esse texto, fui tomada por um grande sentimento de compaixão pela menina - pelo sentimento que ela carregou, e pela maneira como isso a afetou.

Entretanto, eu sempre procuro ver o outro lado da história. Não para justificá-lo ou apoiá-lo, mas para tentar entender as situações em sua total complexidade.

Estou explicando isso porque as especulações que farei aqui provavelmente soarão controversas, e eu não gostaria que soassem dessa forma - mas sim como algo a se pensar: levando em consideração o contexto da primeira noite, eu me pergunto se o rapaz não estaria tão bêbado quanto a menina a ponto de perder o discernimento de suas atitudes.

Isso não torna menos errada a atitude dele - tocar uma moça, uma pessoa, enquanto ela dorme e sem ao menos um pré-consentimento (e aqui estou me referindo a brincadeiras que casais podem fazer entre si) -, mas será que não tornaria ele mais humano e menos monstro? A atitude do rapaz continua sendo primitiva, impulsiva, e abusiva, mas será que colocá-lo na mesma categoria da maioria dos homens estupradores é correto? O que ele fez é crime, mas a lei também fala em redução de pena em caso de embriaguez. Sendo assim, a minha dúvida é moral.

E eu gostaria de saber e entender como você, sob a ótica feminista, enxerga esse tipo de caso - ainda que ele possa não se aplicar a esta história, e o rapaz estivesse mesmo sóbrio, gostaria de conhecer sua visão a respeito do caso da maneira como o apresentei.

Enfim, é isso. E ficarei grata se você puder responder. Até!

Anônimo disse...

Lola não deixa mais essa desgraça de Raziel comentar. Sério, só fala merda, só cega regra. Que pessoa horrível!

Anônimo disse...

gente, e daí que o cara tb estava bêbado? estar bêbado faz a pessoa ficar cega? não perceber que tem alguém semi morta dormindo ao lado? quando você vê alguém dormindo, você vai molesta-la????

sério, NUM CASAL ACOSTUMADO A DORMIR JUNTOS, pode até rolar esse tipo de engano. o cara tentar dar uma avançada e ver se a companheira corresponde. se ela acordar e ficar excitada, pode rolar. se ela nao estiver afim, nao responder, tentar voltar a dormir, nao retribuir, ELE TEM QUE PARAR NA MESMA HORA.

mas um semi desconhecido que NAO ESTAVA FICANDO COM A MULHER ENQUANTO ELA ESTAVA ACORDADA achar que é uma otima hora de aborda-la justamente quando ela esta dormindo???? que porra é essa?! vcs tao trollando ou sao imbecis?

vamos la, fazendo um exercicio:

vc, homem hetero, foi dormir chapado. seu amigo dormindo ao lado começa a te masturbar. você acharia q isso é uma tentativa de paquera valida??? q seria ok ele dar uma investida pra ver se vc curte ou nao??? e q diante do seu silencio (ou murmurios e gestos confusos) ele tem sinal verde pra continuar, ja q ele tb esta meio chapado????

galera, por favor né. um semi conhecido nao tem sequer autorizaçao pra fazer investidas noturnas na cama dos outros. a nao ser q ja tivesse rolando sexo antes da outra pessoa dormir, vc nao tem autorizaçao pra se aproximar dela. se ela nao autorizou enquanto acordada, pq diabos autorizaria estando sonolenta???

Anônimo disse...

ENGRAÇADO.. passei por duas situações onde mtu bebada aconteceu algo com companheiros ... e uma menina apanhou do namorado (tbm militante) e manteve isso em segredo pois blablabla.... pq isso ? pq temos medo de botar o dedo na ferida ...pq temos que ficar quieta e nos culpamos por naum queremos por nada a perder? eh a mesma opressão CHEGA cheeeega