quarta-feira, 28 de novembro de 2012

"EU FUI ESTUPRADA?"

B. me enviou este relato. E eu sei que o tema é polêmico e que vai me render algumas pedradas, mas pedi permissão para publicá-lo mesmo assim.

Email da B: Há anos uma dúvida me intriga muito e tenho certeza de que muitas mulheres também têm a mesma dúvida.
É muito fácil saber quando um estupro é um estupro em casos extremos: quando há violência, recusa, reluta, choro, grito e dor. Mas em casos menos extremos, como a gente sabe? Como a gente classifica? Existe uma gradação que torna alguns estupros mais "aceitáveis" do que outros? Eu fui estuprada?
Há cinco anos, aproximadamente, no dia em que voltei ao Brasil depois de ter morado um tempo fora, um amigo meu me chamou para ir a sua casa para tomarmos uma cerveja. Aceitei, é claro. Ainda não tinha visto nenhum amigo desde que havia voltado e estava com saudade deles.
Já na casa, conversa vai conversa vem, cerveja vai cerveja vem, ele começa a me beijar. Eu jamais teria cogitado ficar com ele, porque ele era um cara com uma aparência meio esquisitona e eu jamais tinha sentido atração por ele. Eu virei a cara e disse que isso era muito estranho. Ele puxou de novo meu rosto, disse que "estranho é bom" e tornou a me beijar. Ele então me encaminhou para o quarto e eu fui, meio relutante. Eu não sabia o que pensar da situação; eu estava bêbada e não sabia se queria isso ou não, então meio que me deixei ser levada pela situação, embora eu transparecesse estar desconfortável e hesitante. Ele me deitou na cama e começou a tirar minha roupa. Eu tapava meus olhos com as mãos e ficava repetindo que era muito estranho, mas não fazia nada para fazer com que ele parasse. E eu tampouco incentivava o sexo ou demonstrava tesão. Tenho a impressão de que eu dizia "não, não", às vezes, com os olhos tapados, mas já não tenho mais tanta certeza disso. Depois que acabou, eu coloquei minha roupa e fui para a casa. Chorei um pouco no caminho e me senti abusada.
Eu fui de fato abusada?
Embora eu saiba que ele não agiu da forma mais correta, eu também sei que ele não fez por mal. Eu sei que se eu tivesse dito um "não" mais categórico ele teria parado, porque ele é uma das pessoas mais gentis e respeitosas e queridas e prestativas que conheço. Talvez se eu não tivesse bebido eu teria dito "não" de início e ele teria respeitado. Talvez se ele não tivesse bebido ele teria levado em conta meu claro desconforto com a situação e teria parado. Talvez, por ser uma pessoa socialmente diferente e por provavelmente ter tido poucas experiências sexuais, ele tenha agido mal por não saber como agir. Por não saber o que, nessas horas, era errado. Isso torna o ato dele mais aceitável? Sempre penso que a culpa é minha, que eu deixei acontecer, que ele achava que eu estava querendo que acontecesse. Será que ele achava isso mesmo? Será que ele se aproveitou da minha falta de ação na hora e propositalmente não impediu o sexo, embora percebesse que eu não queria? Ou ele não percebeu que eu não queria? Nunca sei exatamente o que achar disso tudo.
Ficamos mais ou menos um ano sem nos falar, e depois aos poucos voltamos a ser amigos e hoje somos grandes amigos de novo. Até ficamos de novo por pouco tempo, no ano passado, e eu, enquanto ficávamos, pela primeira vez toquei no assunto daquela noite, mas sem mostrar que eu o culpava de abuso nem nada parecido. Ele disse "naquele dia eu fiz tudo errado, tudo errado...".
Eu deveria ter sido mais dura com ele? É muito estranho que eu tenha voltado a falar com ele sem guardar rancor? Eu deveria guardar rancor? Eu deveria sentir nojo dele? Eu deveria tê-lo denunciado? Teria sido "overreaction" se eu o tivesse denunciado? É um sinal de submissão o fato de eu achar que ele não tem culpa de nada porque eu sei que ele não tinha a intenção de me abusar, embora tenha, de certa forma, me abusado? Devo soar como uma daquelas mulheres submissas e apaixonadas que encobertam violência e abuso domésticos. Mas eu realmente não desconfio do caráter desse meu amigo. Ele é uma boa pessoa e acho que o que aconteceu foi só um erro.
Mas quão grave é esse erro?
Como eu deveria ter reagido?
Como posso categorizar esse acontecido?
Me soa duro demais dizer que foi estupro. Mas será que foi? Se não foi, foi o quê?
Essa situação me deixou extremamente confusa. E imagino que essa confusão deva estar presente na cabeça de muitas, muitas mulheres.
Às vezes me sinto uma idiota por pensar que foi estupro; às vezes me sinto uma idiota por pensar que não foi estupro.
Como é que reconhecemos um estupro, nesses casos menos extremos?

Minha resposta: Bom, em primeiro lugar quero dizer que sinto muito por vc estar passando por essas angústias todas.
Em segundo lugar, é muito difícil eu dizer se o que aconteceu entre vc e seu amigo foi estupro ou não. Se nem vc sabe!
Todo estupro é inaceitável, é claro. Mas tem aqueles (que geralmente são os únicos que são punidos, e mesmo assim sempre se duvida da vítima) em que resta pouca dúvida. É quando o estuprador segue o clichê de "desconhecido numa rua deserta à noite". Se há muita violência física, de ferir a vítima, as pessoas tendem a crer que houve estupro. 
Em quase todos os outros casos, a maior parte das pessoas costuma achar que não. E na maior parte dos casos o estuprador é conhecido/amigo/familiar etc. E acontece em casa, não na rua! A maior parte desses estupros não é sequer denunciada. E me diga se uma violência direta, ou a ameaça dessa violência física, é necessariamente pior que uma ameaça do tipo "se vc não transar comigo vou procurar a sua irmã"? Ou "se vc não deixar eu te mato", vindo de um conhecido?
Eu acho que "meio que ser levada pela situação" não é estupro. Estupro é sexo sem consentimento. Vc não consentiu, mas vc também não recusou. Vc não disse "não" categoricamente, e vc não tem certeza se disse "não, não". Acho que seu amigo foi um babaca por não levar um "não" tímido ou um "isso é muito estranho" mais a sério, e acho que muitos homens fazem isso (e são ensinados a fazer), mas não que seja necessariamente estupro.
Uns dois ou três anos atrás aparecia uma comentarista meio chatinha no meu blog. A gente discordava sobre tudo. Em geral, ela era muito mais "suave" no seu feminismo do que eu, mas, quando o assunto era sexo, ela era categórica: ela achava que fazer sexo quando não se queria era estupro. Tá, parece óbvio. Concordo. Mas esse "não querer" é relativo, não acha? Por exemplo, vc tá com seu namorado, e ele quer transar, e vc não. Mas ele vai fazendo uns carinhos e vc, mesmo sem estar a fim, acaba transando com ele. Eu não consideraria isso estupro de jeito nenhum. Mas essa minha leitora considerava.
Eu já fiz sexo algumas vezes sem estar com vontade. Mas ainda assim foi consentido. Pra mim é diferente transar sem vontade de transar sem consentimento. Quando transei sem estar muito a fim, fiz pra agradar. A gente (qualquer um) faz um monte de coisa pra agradar na vida, e muitas dessas coisas a gente faz sem vontade. Meu marido também já transou comigo sem ele estar com muita vontade. Não consigo ver nada disso como violência.
E quanto a transar com caras que eu nunca pensei em transar, mas aí ele começou e eu fui deixando pra ver como seria (mesmo achando estranho), bom, já aconteceu algumas vezes também. Se bem que eu não disse "não" e nem estava bêbada... Sabia muito bem o que estava acontecendo, mas não tinha certeza mesmo se queria transar com aquele cara ou não. E fui deixando. E nesses casos quase sempre o sexo é muito ruim, não é? Pelo que me lembro...
Eu concordo com todos os "talvez" que vc colocou naquele parágrafo. Talvez se vc tivesse dito um não mais categórico, seu amigo teria parado. Talvez se ele não tivesse bebido, ele levaria o seu suave não mais a sério. Isso não torna o comportamento dele mais aceitável (continuo achando que ele agiu feito um idiota insensível e egoísta naquela noite -- o ideal seria que no primeiro "não", na primeira hesitação, a pessoa parasse na hora), mas tampouco faz dele um estuprador.
Eu acho que vc mesma dá a resposta quando diz "Eu sei que se eu tivesse dito um 'não' mais categórico ele teria parado, porque ele é uma das pessoas mais gentis e respeitosas e queridas e prestativas que conheço". Se vc sabe disso, tem certeza disso, vc tem a sua resposta.
Se vc deveria tê-lo denunciado, mesmo com tantas dúvidas? NÃO. Mesmo que a enorme maioria das acusações de estupro não gere condenações, estupro é uma acusação seríssima. Se vc tem tantas dúvidas sobre o que aconteceu e sobre o que vc queria e sobre o que vc fez e sobre o que ele fez, vc fez bem em não denunciá-lo.
Eu acho que vc foi muito generosa em não guardar rancor nem ódio dele. Mas acho bom. Se vc guardasse rancor dele, vc provavelmente guardaria rancor de vc também, por não tê-lo denunciado, por achar que a culpa foi sua... Essa parece ser uma amizade importante pra vc. Não estou dizendo, de jeito nenhum, que se vc tivesse certeza que foi estupro, vc não deveria denunciá-lo pra salvar a amizade. Num caso desses dane-se a amizade, ele tem que ser denunciado sim! Mas esse não parece ser o caso que vc narrou.
Eu não sou a dona da verdade, então não posso responder categoricamente à nenhuma das suas perguntas. Mas não acho que vc esteja sendo submissa por perdoá-lo e por não guardar rancor. E não existe uma reação certa. Existem muitas reações. Se isso acontecesse novamente, com esse mesmo amigo, vc muito provavelmente reagiria diferente, não? Ou não dá pra saber? Ou depende do dia? Se algo parecido acontecesse com outro amigo, vc também agiria diferente. Mas não existe uma forma correta de agir. Quer dizer, talvez o seu amigo deva saber que a forma como ele agiu não foi correta de jeito nenhum. Mas, como eu disse, nem por isso foi estupro.
Querida, acho que vc não tem que ficar se martirizando. Faz muito tempo (cinco anos, né) que isso aconteceu, vc não tem certeza de nada, vc e o cara são amigos, vc acha que ele é um cara legal... Na dúvida, considere que não foi estupro. E se não foi estupro, foi o quê, vc pergunta? Não sei, uma noite péssima? Uma transa que vc não tinha vontade nem sentiu prazer? Só sexo ruim, mas sem nada de violência? Acho que é forte demais vc marcar isso como estupro e ter que carregar esse fardo. Porque vc tem muito mais dúvidas do que certezas!
Se vc quiser falar com seu amigo sobre isso, porque isso ainda te incomoda (e dá pra ver que te incomoda), tente conversar com ele. Sem brigas, sem acusações, só tentando explicar pra ele as suas dúvidas e porque isso te perturba e porque vc acha que ele agiu errado naquela noite. E, se vc quer desculpas, exija desculpas. Ele dizer que "fez tudo errado" não é um pedido de desculpas.
Não tem uma fórmula certa pra reconhecer se foi estupro num caso assim. Vai muito da pessoa. É a pessoa que se sente mal que tem que manifestar o tamanho do seu sofrimento. E, baseado nisso, denunciar ou não seu amigo. Claro que a gente aprende que casos assim não são estupro, e a gente faz um esforço danado pra se convencer disso, e muitas vezes, anos mais tarde, a gente acha que foi, sim. É uma reação bastante comum. Mas vc não concluiu nada. 
Lembre-se que estupro tem mais a ver com demonstração de poder que com tesão. O cara que estupra raramente é um cara que não consegue controlar seu desejo; é um cara que quer usar sexo pra mostrar quem manda, pra humilhar. Pelo que vc narra, essa não parece ter sido a atitude do seu amigo.
Não sei se este email gigantesco mais te ajuda ou atrapalha. Mas espero que vc chegue as suas próprias conclusões, se é que já não chegou a elas ainda.

B responde: Acho que você tem toda a razão. Não foi um estupro. Foi uma transa ruim, numa noite ruim, numa situação de vulnerabilidade emocional. Pior do que qualquer outra experiência sexual que eu tive e que pudesse ter sido caracterizada da mesma forma, isso foi. Mas não foi estupro. E eu acho que já estava convencida disso antes mesmo de você me responder (como você mesma já notou), mas acho que eu precisava ouvir isso de uma pessoa que não tivesse tido um envolvimento tão pessoal quanto o meu. Ouvir isso de uma pessoa imparcial me dá mais segurança sobre meu julgamento. Porque estou cansada de saber de histórias de estupro que são amenizadas pelas próprias vítimas por causa do seu envolvimento com o estuprador. E tinha medo de achar que talvez eu fosse uma dessas pessoas. Medo de achar que era só eu contar o acontecido a uma pessoa qualquer, mesmo com todos os meus "talvez", que essa pessoa qualquer poderia tê-lo rotulado facilmente como um estupro, embora eu mesma não me convencesse disso. Não foi o caso. Fico feliz por isso, embora eu fique triste por perceber que carreguei essa dúvida por mais tempo do que eu precisava.
Se tem uma coisa que qualquer mulher numa situação semelhante tem que fazer é dividir isso com alguém. Relatar. Perguntar. Ouvir. Abrir-se sem manipular os fatos por proteção. Dá mais forma ao acontecido e às vezes resolve coisas que, sozinha, a gente não resolve nunca.

94 comentários:

Anônimo disse...

Lola, pensei no que aconteceu com uma amiga. Ela ficou com um cara, um amigo nosso, bêbada em uma festa, e dormiram juntos. No dia seguinte, ela não lembrava nem de ter ficado com ele, eu que tive que contar, já que ele foi embora de casa antes que ela acordasse. Acontece que eles transaram, ela percebeu no dia seguinte. Olha que delicado. Como saber se ela consentiu ou não? E ele, que também estava muito bêbado, tinha condições de perceber que era melhor não fazer nada, sendo que eles já tinham transado outras vezes?
Beijos,
Bia.

Marina disse...

Sabe, lendo todas essa estórias de bebida e sexo que ocasionam dúvidas sobre se o ocorrido foi ou não estupro, começo a pensar que, a partir de um determinado nível de álcool no sangue as pessoas começam a agir automaticamente, da forma como foram ensinadas desde pequenininhas, o homem tentando fazer sexo pq "ele é machão" e a mulher não negando, pq é "seu papel"..daí acaba rolando um sexo horrível, tanto para o homem quanto para a mulher...
PS: só pra deixar bem claro que estou me referindo SOMENTE a esses casos nos quais a dúvida sobre se foi ou não estupro é geral!

Anônimo disse...

Eu acho q foi um estupro sim,pois ela estava bebada e ainda colocou as mãos nos olhos para n ver a cena,tá na cara q o ato não foi consentido.Esse homem se aproveitou dessa garota ,e ainda acho um absurdo alguém gostar de transar com outra quando ela faz um sinal desse de nojo!

Bruna B. disse...

Complicado, mas concordo com a Lola.
Já me arrependi de fazer sexo algumas vezes, principalmente quando rolava depois de uma festa, sob o efeito do álcool. Já cheguei a sentir nojo do cara, mas nunca me senti estuprada porque em todas as vezes eu consenti, por motivos errados ou por estar bêbada, mas consenti.

Paula disse...

Transas, ficadas, fumar um baseado oferecido pelo amigo sem querer de verdade, aceitar uma pilha de trabalhos impostos pelo chefe... estas situações ocorrem também pela falta de limites que a pessoa impõe ao mundo exterior. Nós também costumamos desconhecer os nossos limites pessoais para impor uma barreira quando algo DE FATO nos desagrada. O álcool ajuda a tornar esse limite mais difuso, mas uma personalidade insegura também pode tornar qualquer um (homem e mulher) mais permissivo.
Essa moça não tinha nem confiança suficiente pra dizer um NÃO sonoro na hora que desejou dizê-lo (ou achou que desejava). Depois ficou com medo da opinião externa por não guardar rancor, um julgamento alheio de fora a alcunhava de "vítima submissa".
Depois ela precisou da confirmação explícita pra Lola pra poder legitimar um pensamento que ela mesmo já tinha há muito tempo, só não acreditava por si mesma.

Estou vendo um padrão...?
B., confie mais no seu taco menina! Confie nos seus sentimentos!

Binha disse...

Quando ambas as partes bebem é tão difícil de chegar a alguma conclusão... O álcool prejudica o raciocínio e o discernimento, isso quando não causa amnésia alcoólica mesmo. Pra mim, no caso do post, ela sabia que não queria, mas não tinha condições de dizer não com firmeza. Acho que a pessoa drogada não tem como dar um consentimento livre. O certo mesmo seria o cara ficar na dele. Por outro lado, ele também estava bêbado, também sem discernimento para perceber que ela não queria e sem controle para refrear seus desejos. Depois de sóbrio ele percebeu que estava errado. Mas já ouvi tantos casos que ambos estavam bêbados e que se diz que o cara deveria ter parado mesmo assim, pois é estupro. Qual a diferença para aquele famoso caso do Big Brother? E para o da moça do recente post daqui, aquela do encontro do movimento estudantil? Pergunto por dúvida mesmo, porque os casos me parecem similares, pois os homens também estavam bêbados, não?

Anônimo disse...

Eu sou gay e já passei por isso, tudo muito rápido, bêbado, na dúvida acabei brochando, depois me senti mal com tudo, mas não me senti "estuprado" ou "abusado" (até acho engraçado falar disso nesse tom), me senti mais ridículo, senti que foi um momento infeliz que se eu estivesse sóbrio poderia ter evitado

Mas é assim mesmo, a bebida quando não mata humilha

Mirella disse...

Concordo que não tenha sido estupro. Foi uma péssima noite. Meio parecida com estar carente, transar com um ex e depois de arrepender.
Existem babacas e existem estupradores, ainda que não sejam mutuamente exclusivos. Existem transas sem tesão, transas protocolares, transas para agradar, transa do "não to fazendo nada nem você". São diversos tipos de transa que talvez não devessem acontecer, mas estão longe de serem estupro, na minha opinião. Tipo filme pornô, não são duas pessoas transando, são duas pessoas encenando sexo. O que não significa que você não deva conversar com ele a respeito, já que são amigos e isso ainda incomoda você um pouco.

É como dizemos muito por aqui: estupro é uma demonstração de poder, de humilhação. Não à toa é horrorosamente comum em zonas de guerra.

O que você descreveu parece ter sido um erro, não O erro.
Na minha opinião, caso ele fosse um desses "estupradores confiáveis*", nas próximas vezes ele tentaria de novo, pois já deu certo uma vez, entende?

Acho que ele errou em não respeitar certos sinais que são tidos como frescura feminina, sim. Mas não acho que ele tenha feito isto do ponto de vista de que tinha direito de fazer isto, de quem não se importava com você, de quem queria exercer poder sobre você.

Acho que vale conversar com ele, mas não acho que tenha sido estupro.




*o amigo, o pai, etc, essas figuras de pessoas próximas que usam de sua proximidade e intimidade para ameaçar e violentar

Letícia M. disse...

Lola, bem que você disse que o assunto era polêmico.

Bem, minha opinião:

Não sei se a quantidade de álcool que você ingeriu foi capaz de atrapalhar o seu discernimento, o que caracterizaria estupro, mas pelo que eu entendi, acredito que o seu amigo foi apenas sacana. Assim, você disse não, o seu corpo também disse não, mas tem homem que acha que mesmo quando a mulher diz não, quer dizer sim, e aí passa dos limites. Como você não "lutou" e foi se deixando levar pela situação, ele aproveitou e, como disse a Lola, "sexo ruim".

Enfim, existem infrações (estupro, no caso) e existem atitudes moralmente reprováveis, mas que não chegam a ser infração. No seu caso, a atitude do seu amigo não parece ser infração, apenas reprovável...

Bola pra frente, B.!

Paola disse...

Lolinha

Adorei a sua resposta, achei incrível o seu posicionamento e a sua lucidez a respeito, parabéns.

Sinto mto pela moça q tem dúvida se foi estuprada ou não, espero q vc lide da melhor maneira possível com esse capitulo tão desagradável da sua vida.

Bruno S disse...

É um tema delicado mesmo e acho que boa parte das pessoas conhecem ou já participaram de histórias parecidas. Especialmente com álcool envolvido.

O cara foi bem babaca sim, mas a reação dele demonstra que tem noção do erro e que a história também o incomoda. Se ele tivesse achado normal, ele não teria pronta a resposta de que errou.

Eu diria que os papéis sexuais machistas que "aprendemos" ajudam bastante nessa coisa. O homem aprende que tem que insistir, a mulher aprende a se resignar.

Tatiana McAlister Leal disse...

Acho que, de fato, ela foi estuprada, mas tudo acabou de uma forma positiva, ele reconheceu que fez tudo errado, então pronto. A B. não precisa esquentar a cabeça.

Anônimo disse...

Tô confusa sobre o que aconteceu comigo agora. Eu não sei mais se foi estupro ou não depois desse post. Talvez tenha sido bom não denunciar...
Foi horrível e eu disse nao no começo mas depois parei de lutar. Só que não sei se realmente não conseguia reagir ou se podia ter lutado, se foi frescura minha ou se eu realmente estava debilitada. Se ele ter me persuadido com "volte pra casa se nao gostou" pode ser considerado ameaça (pq ele sabia q eu tava perdida, sem celular nem dinheiro) o suficiente para eu ter aceito fazer sexo oral, e pq ele nao tinha como saber que eu só fiz pq achei q se fizesse ele me deixava em paz.

Márcio disse...

Olha, pelo que eu entendi, essa pessoa não sentia nenhuma atração sexual pelo amigo,isso fica bem claro quando ela fala que ''achava ele um cara com uma aparência meio esquisitona''

Ela foi pra cama por ''pilha'' dele e não por tezão. Logo o sexo foi horrivel.

Agora, no meu ver não foi estupro. Ela tinha que ter sido enérgica com ele e ter falado logo no inicio 'que o lance é só amizade, e que não ia rolar nada mais além disso'. Aí sim, se ele tivesse avançado o sinal, sem o consentimento dela, poderia ser caracterizado como estupro.

Anônimo disse...

Tema delicado mesmo. Numa ocasião, regada à muita cerveja, acabei ficando com um cara e fomos pro hotel onde ele estava hospedado. No caminho eu vomitei, passei mal mesmo, mas transamos. Depois eu fiquei com ressaca moral ao pensar na situação: se ele fosse um gentleman teria me levado pra casa ou coisa parecida, não insistido a irmos pro hotel e transarmos, como aonteceu. Foi uma transa péssima mesmo. E eu nunca mais quis saber da figura que sempre me liga quando vem pra cidade, querendo um encontro. Achei feio, humanamente feio. E tenho uma regras: se vou prum lugar entre quatro paredes com alguém, é porque vai rolar sexo, afinal, fica difícil se esquivar quando é assim, não é?

Sara disse...

B.sua duvida, é a de muitas de nós, por sorte vc encontrou um espaço como esse e as palavras da Lola que são exatamente o q eu penso tb.

Anônimo disse...

Gente, tem também uma coisa: às vezes as mulheres são educadas para levar o sexo (estou falando de sexo, não de estupro) mais a sério do que se deveria.

Às vezes é assim mesmo: se está em dúvida, mas se transa. Se está bêbado, mas se transa.

Sou homem e uma vez encontrei com uma ex-ficante. Bebemos muito e fomos para minha casa. Daí ela insistiu em dormir comigo, eu disse que estava em outra relação e não estava afim. Ela tentou me beijar. Disse que não acreditava que eu não ia beijar ela. Até que, de tanto ela insistir, eu não aguentei. Rolou um sexo bem sem graça. E pronto.

Nunca me ocorreu pensar nisso como algo desesperador, algo de que eu devesse me arrepender amargamente, algo terrível. Por que para as mulheres isso se torna tão crucial? Mas quero deixar bem claro: não me refiro a estupro, que é e deve ser levado bem a sério.

Anônimo disse...

Parabens lola! A causa homossexual feminina deve continuar! Me espelho em voce!!!!!!!!

Bruna B. disse...

Lola, texto interessantíssimo que fala sobre a relação entre o machismo e a violência, sobre a motivação principal dos estupros (poder e dominação social) e sobre a violência doméstica.


Um trecho:

"Machado comenta que todos estupradores que entrevistou em sua pesquisa, apesar de confessarem que forçaram a relação sexual (o que teria sido feito 'como uma fraqueza ou 'num momento de fraqueza'), no fundo acreditavam que a mulher queria ser violentada.
Essa crença, de um lado insinua pelo menos duas coisas: 1) Macho mesmo, do ponto de vista sexual, deixa-se levar pela fraqueza, pois seus impulsos são tão fortes que ele não consegue controlá-los, por isso, 'naturalmente precisa ser compreendido e perdoado; 2) O "não" da mulher nunca deve ser considerado verdadeiro e sim parte do ritual de sedução. Portanto, a plenitude da 'macheza' não admite que a mulher (em sendo objeto) possa dizer "não"."

http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/cd26/a03cv10n1.pdf

Bruna B. disse...

" Anônimo disse...
Tô confusa sobre o que aconteceu comigo agora. Eu não sei mais se foi estupro ou não depois desse post. Talvez tenha sido bom não denunciar...
Foi horrível e eu disse nao no começo mas depois parei de lutar."


Oi moça, se você disse "não", foi estupro.
A moça do guest post não lembra de ter dito que "não" e o rapaz também estava alcoolizado, por isso ficou a dúvida.
Se a mulher diz que não, É ESTUPRO.

Karla disse...

Bom, pelo relato não acho que tenha sido estupro. Aliás, mesmo ele sendo "esquisitão" ela diz que ficou com ele depois de um ano do acontecido. Isto é, as qualidades dele que ela cita no texto, são mais importantes que a aparência e do que a noite ruim.
Foi só sexo sem tesão de dois bêbados e depois bateu a ressaca moral. Tá certo que ele deveria estar menos bêbado que ela já que conseguiu ter uma ereção ... enfim.. se aproveitou, mas não estuprou.

Moema L disse...

Anonimo 15:33

Eu a credito que seja porque a sociedade nos enxerga de maneiras diferentes.

Se você contar essa estoria pras pessoas ninguém dirá nada.Ou dirá que esta tudo bem.

Se eu contar a mesma estoria vão me chamar de vagabunda, vadia e muitos outros nomezinhos nada agradáveis de ouvir.
Se eu acrescentar então, que estava namorando, como você disse que estava, a coisa vai ser mil vezes pior.

E se por uma desgraça monstruosa, depois de contar essa estoria eu for estuprada ninguém vai me dar o menor credito, não vão acreditar em mim. Afinal de contas sou uma vadia e vadia merece isso mesmo.

Vadia não é digna de respeito.

é simplesmente por esse motivo que as mesmas situações são encaradas de maneiras diferentes.Por que infelizmente não somos tratados da mesma forma, você em uma situação dessas vai ser mais digno de respeito do que eu.

Moema L disse...

B. é uma situação complicada a sua mas concordo com a Lolinha, acho que foi só uma transa ruim. Não fique mais pensando nisso.Acho também que seu amigo foi um babaca, devia ter cuidado de você e levado o seu não tímido mais a sério. De qualquer forma não acho que ele seja um estuprador e você fez bem em não denuncia-lo. Viva e deixe isso para trás.


Anonima 14:45

Você devia denunciar esse cara.
Leia o que você mesma escreveu:

Foi horrível e eu disse NÃO no começo mas depois parei de LUTAR

Você estava resistindo, você não queria, estava lutando.

ele ter me persuadido com "volte pra casa se nao gostou"

Ele te persuadiu, sabia que você não tinha como voltar para casa, que estava sem dinheiro nem celular e perdida.

Você fez sexo oral nele por que queria que ele te deixasse em paz. Se você realmente quisesse estar ali não teria feito querendo que ele sumisse.

Rob disse...

Lola,vc poderia ser psicologa.Fico impressionado com o tanto de gente q se abre com vc.De qualquer forma,tbm acho q não foi estupro,ambos estavam bêbados e tudo mais.

Anônimo disse...

Affe, por isso não me meto com esses esquisitos sem vida social, são tudo um bando de mascu, e potencialmente estupradores! Esses esquisitões não são mais que aberrações desesperadas porque irão ser excluídos pela Seleção Natural, ai não aguentam isso por causa do orgulhozinho machista e estupram!
Denuncia ele logo, é uma aberração a menos!!!

Masculinista disse...

"Tatiana McAlister Leal disse...
Acho que, de fato, ela foi estuprada, mas tudo acabou de uma forma positiva, ele reconheceu que fez tudo errado, então pronto. A B. não precisa esquentar a cabeça."

Acho muito complicado acusar alguém deliberadamente de estuprador, especialmente quando a autora do depoimento nem se arrisca a rotular o "agressor" dessa forma. Todos sabemos que trata-se de uma acusação gravíssima, então toda cautela é fundamental.

Parabéns a Lola por tratar o tema com maturidade, firmeza e imparcialidade.

Anônimo disse...

Moema L, eu sei disso, e concordo plenamente. Mas por que é que nós, feministas (sou homem), deveríamos nos julgar da mesma maneira que machistas julgam? Essa foi minha dúvida.

Foi uma trepada ruim, em dúvida, um tanto contrariada? Paciência. Virão outras melhores. Mas há grande exasperação, grandes crises, grandes sofrimentos, nos comentários e nos posts. Por quê?

É como se uma mulher não pudesse transar tendo dúvidas ou receios etc. Como se, para a mulher, as possibilidades de viver a sexualidade estivessem reguladas por idealizações irrealizáveis, levando a infindáveis culpas e críticas.

E repito: me refiro a sexo ruim, transa ruim, meio inconsequente etc. Estupro, agressão, violência, isso é outro departamento.

Para a autora do guest post, eu diria, se ela fosse minha amiga: "Cara, relaxa. Pára de se perguntar, encucar, racionalizar. Isso é um fato pra se rir e debochar. Pra se lamentar. Não um fato pra passar o resto da vida repisando. Insistir na culpa não vai tornar aquela noite mais agradável, nem vai ajudar as noites futuras a serem melhores".

Ah, sim, deixa eu dizer: o cara foi um bobalhão.

Marina disse...

mesmo que eu tenha dúvidas sobre o caso, (por exemplo: acho que independente ou não se se configurar estupro, no mínimo demonstra uma falta de caráter e consideração IMENSAS por parte do "amigo),
acho que o mais importante é que a Lola fez questão de fazer uma coisa que quase ninguém faz em casos de abuso:
dar devida importância ao sentimento da mulher.
estabelecer que a palavra e o sentimento DELA é o que contam na hora de analisar uma situação dessas.
nos sentimos tão inseguras nessas horas, duvidamos de nosso próprio discernimento.. então fodam-se minhas dúvidas, minha opinião. a voz que importa sempre é a da mulher que vivenciou a situação - mesmo que precisemos as vezes de um empurrãozinho pra ouvir nossa própria voz.

tem muita gente com o mesmo nome que eu aqui, haha.

Anônimo disse...


Eu vou usar uma frase da amiga aqui de cima pra exprimir o que eu penso sobre o que esse sujeito que você chama de amigo, prestativo e gentil fez:

“Achei feio, humanamente feio."

Eu peço que você reveja seus conceitos do que é ser gentil, amigo e prestativo. Ele não foi seu amigo te penetrando enquanto você estava parada, tampando os olhos e dizendo “não, isso é estranho”. Ele se aproveitou de você. E se você disse NÃO, aí foi estupro.

Sinto muito que isso tenha acontecido a você. E não se culpe pelo que você não poderia ter evitado. Mas reveja seus conceitos sobre esse rapaz.

Abraços.

André disse...

É um pouco demais condenar o cara por, mesmo bêbado, não ter percebido os sinais que a própria autora não sabe se emitiu.

Eliana Calado disse...

Lolaaaa, concordo inteiramente contigo! Nossa, parabéns pela tua coragem, pela tua solidariedade, pelo teu bom senso. @lanaklado

Masculinista disse...

A autora do depoimento deixou claro que não se lembra exatamente se disse "não". Ou no máximo disse um "não" muito tímido.

Acredito que o "agressor" não tinha uma bola de cristal para saber os sentimentos dela naquela momento.

TALVEZ tenha faltado percepção (ou até maturidade) do sujeito, pois não é dificil perceber quando alguém não está curtindo o sexo, porém, é apenas minha opinião, já que a própria autora declarou que ambos estavam bêbados.

E concordo com o anônimo no trecho: "É como se uma mulher não pudesse transar tendo dúvidas ou receios etc. Como se, para a mulher, as possibilidades de viver a sexualidade estivessem reguladas por idealizações irrealizáveis, levando a infindáveis culpas e críticas."

Algumas feministas ficam procurando pêlo em ovo, apenas para acusar o sujeito deliberadamente de estuprador.

Anônimo disse...

o QUE APENDEMOS COM ISSO ?

que bebida e uma merda !
não bebam e transem, n~]ao bebam e dirijam,não bebam e tentem arrumar a antena no telhado ( experiencia própria ¬¬)
a midia tenta vender que beber, fumar, transar adoidado e moderninho, libertário, NÃO, se interiorizem, cobantam dentro de vcs mesmas, so assim poderão vencer o que as atinge por fora !

Anônimo disse...

Estupro é sexo não consensual mediante a violência ou grave ameaça.
Estupro é a denúncia de um crime de uma violência grave não é algo que a mulher pode usar para se sentir menos culpada(crise moral) de ter feito sexo ou para proteger sua reputação se assim precisar, é natural que um sexo ruim com um homem egoísta e ruim de cama a mulher se sinta estuprada mas não significa que foi caso tenha sido consensual. Homem também pode fazer sexo e também achar ruim não é exclusividade apenas da mulher.

Essa banalização da denúncia ou de querer achar ou não se foi estupro é perigosa pois daqui a pouco vitimas verdadeiras não vão ser acreditadas pois serão julgadas apenas como vitimas de crise moral ou que estão apenas arrependida já ouvi algumas feministas mas fanáticas dizer que uma cantada já é estupro isso é perigoso pois qualquer denúncia de estupro verdadeiro(mediante a violência ou grave ameaça) vai ser desacreditada. A mulher não pode culpabilizar um sexo feito de forma consensual como sendo estupro apenas porque ela esta arrependida ou teve crise e ressaca moral, assim como uma vítima de estupro não se pode ser culpada pela violência sofrida.

Eu não entendo essa necessidade feminina de deixar claro que teve sexo mas não teve culpa de ter acontecido tipo um "ai lola vai diz que foi estupro vai eu não quero ter que admitir que eu fiz diz vai que foi estupro para eu me sentir menos culpada menos envergonhada de ter feito".

Acho que esses conflitos estão mas associados a culpa cultural machista ou culpa religiosa ou a nova culpa que veio para se juntar a essas duas a culpa feminista de não está de acordo com padrões feministas aceitáveis esperado de uma feminista verdadeira onde sexo sem vontade sexo ruim já é estupro se não achar que foi se não se traumatizar não é uma feminista de verdade e começa aparecer dúvidas culpas vergonha de ter consentido com um suposto "estupro".

Para mim o que ocorreu com ela foi apenas vergonha de dizer que não queria, disse um não tímido duvidoso com vergonha e medo de ferir a auto-estima do cara, isso já ocorreu comigo já fiz sexo com uma mulher sem vontade não queria dizer não de forma mas clara firme para não deixar ela triste ou confusa sei lá se questionando porque eu não queria ou medo de ferir a auto-estima dela ou fazer ela se sentir rejeitada.

Para mim homem a situação foi algo apenas ruim sem maiores traumas mas para a mulher infelizmente é motivo de conflitos de origem culturais, machistas, religiosos e feministas, a nova culpa por medo vergonha de não esta adequada ao que se espera de uma feminista verdadeira.

abraços pedro08

Anônimo disse...

Sei que vcs já estão cansadas e cansados de ver gente defendendo estupro, mas ele também estava um pouco bêbado na noite; devemos responsabilizar alguém por algo que faz quando não está em plena posse de sua razão? Será que ele teria feito isso se não fosse essa circunstância?

Anônimo disse...

Lola, parabéns pela sua sensatez! Foi muito boa a sua ajuda, que se aplica até a mim!

aiaiai disse...

é isso aí! Boa resposta Lola e legal B q vc colocou pra fora e tirou esse peso.

o ponto fundamental é que o cara não tava se colocando em posição de poder, ele tava a fim e achou q ela tava tb.

Roxy Carmichael disse...

É como se uma mulher não pudesse transar tendo dúvidas ou receios etc. Como se, para a mulher, as possibilidades de viver a sexualidade estivessem reguladas por idealizações irrealizáveis, levando a infindáveis culpas e críticas.

eu diria que tanto a mulher quanto o homem vivem essa sexualidade regulada por idealizações irrealizáveis, mas, porém, contudo, todavia, reagem de forma distinta dados os já conhecidos mandatos da divisão sexual que opera em todos nós.

B.,
eu entendo que cada indivíduo é muito complexo, que as circunstancias muitas vezes são zonas cinzas e nem sempre preto & branco, o que significa que todos podem errar, portanto parabéns por identificar que seu amigo errou, não ter guardado rancor dele e seguir a amizade. caso ache necessário, converse com ele. se entender que ele errou, vc superou e não há necessidade, tudo bem também.

Anônimo disse...

Não quero ser moralista, mas acho que o pessoal anda bebendo demais. Eu já bebi muito quando era mais jovem, fumei meus baseados, mas aprendi a controlar a onda,depois de um ou dois porres com vômitos e demais vexames. A partir daí, aprendi a beber devagar e a PARAR quando a coisa estava ficando demais. Jamais esqueci algo que fiz ou fiz algo que não quisesse fazer.
Gente, bebida é para ser um prazer. Talvez para descontrair os mais tímidos, para entusiasmar os mais melancólicos, mas quando passa a ser motivo para passar mal e fazer o que não se deseja, é um problema!
Vamos aprender os próprios limites.

Anônimo disse...

Quanto ao tema do post, acho que a Lola tem toda a razão.
Eu passei por uma situação quando era menina em que me fiz a mesma pergunta. Eu tinha 16 anos e era virgem. Fui para um motel com um conhecido que eu achava lindo, atraente e tal. Mais consensual impossivel. Porém, no meio da transa, comecei a sentir muita dor, pedi para ele parar, e cheguei ao ridículo de me ouvir pedindo "J., pára PELO AMOR DE DEUS!". Bom, eu estava embaixo, ele em cima, um papai e mamãe convencional. Com a força do corpo, ele me mantinha sem que eu pudesse sair daquela posição, eu só conseguia subir na cama, lembro da minha cabeça batendo na guarda repetidamente.
Eu pergunto, uma mulher não tem o direito de mudar de idéia no meio de uma transa? Eu acho que tem TODO, e achei uma violência. Não fiquei traumatizada nem nada, apenas não gostei, e achei realmente agressivo. Não chego a dizer que foi estupro, mas acho que os homens deveriam ser educados para respeitar um "não". Ou dois, ou dez como foi o meu caso.
Não voltei a transar com ele, apesar da insistência.

Anônimo disse...

Estupro ou não consigo entender o porquê de tantos homens não verem problema em transar com uma mulher vendo que ela obviamente não está gostando/não quer. Já transei chorando e o cara nem aí.
Se fosse eu transando com um homem que aparentasse não estar a fim me sentiria a mais estúpida das estúpidas.

Anônimo disse...

Penso que o cara foi um babaca, alem de demonstrar que não leva jeito para a coisa. Mas não acho que isso se caracterize como estupro.

Anônimo disse...

Isso já me aconteceu... não de ficar bêbada... mas de transar só para agradar, vc meio q sente q nao quer, mas não faz nda tão claro e objetivo para dizer q não quer... então, vc transa, mas a sensação que vem depois é a de frustração... acho q não foi estupro, mas de certa forma, foi um abuso... um ato egoísta da parte do amigo da B. O engraçado é q a gente acaba permitindo essas coisas e não é nda legal... pq vc se sente super mal, porém deixa a agua correr por debaixo da ponte...

Anônimo disse...

Puta que o pareooo!!!!!!
A mulher ficou mal por padrões culturais?? Será que não foi pelo pelo padrão cultural de ser tratada como um buraco sem vida e sem vontade própria, ao qual o macho faz jus seja por que meio for?? Que mal tem, é só uma enfiadinha num buraco, é só uma trepadinha, não é mesmo?
Caramba, a situação foi confusa, mas só aconteceu por uma coisa chamada: cultura do estupro. Se o cara quer, quem é a mulher para não querer??
O cara não estava tão sem controle naquela noite, tanto é que depois disse que agiu mal (almas subindo para o céu, um escroto se emendandooo!!!).
Padrões culturais? Tá bom!!! Vamos viver num mundo em que os homens nunca possam beber, pois isso sempre dará o direito de qualquer oportunista entrar no rabo deles. Se eles não forem capazes de defender com todas as forças, é porque queriam ser enrabados... Aí vamos ver essa conversa de "padrões culturais"...

PS: Saco! Eu nem fico mais a sós com a maioria dos meus amigos. Porque acho que eles nem iriam tão longe, mas vivem achando que com uma cervejinha vão me amaciar. E isso não é coisa só de homem travado não!!! Parece que sexo é ejaculação pra eles, e nós somos o ejaculatário... uns buraquinhos pirracentos que ficam criando caso...
Nem saio mais à noite, e o crivo pra eu me interessar por um homem ficou muuuuito mais fechado exatamente com a experiência... Que tédio, eu não posso conhecer mais ninguém, eu "tenho" que tomar dois goles de cerveja e dar pro palhaço que tem preguiça de seduzir alguém ... Ou eu sou fresca e reprimida...

Maria Valéria disse...

Acho que a autora do post poderia desabafar com o amigo dela sobre o ocorrido, contar a ela como se sentiu.

Pelo relato do post, e um bom amigo, e se for mesmo, compreendera -:)



Bjs.

Fernando disse...

Nossa que difícil.. sexo, drogas e rock'n'roll é um jargão dos anos 1960,1970... e que até hoje vemos muitos repetindo...

Sendo um Homem, queria ouvir a versão de como o Rapaz sentiu a sensação... mas pelo o que a B. conta o que ocorreu foi um abuso, sem dúvidas. Se foi errado ou certo ai é com vc, se foi estupro é tbm um sentimento seu... é difícil dizer o que é ou não é...

Mas foi um abuso isso foi, e se uma mulher diz "não" a qualquer momento eu paro sem dúvida...e é por isso que queria ouvir os fatos a partir da visão do rapaz, pq se ambos estão bêbados pra ela o momento do não pode estar num contexto que pra ele foi diferente(não estou defendendo o rapaz)...

E se já houve um conversa franca com o rapaz descarregue, liberte-se do peso e numa próxima o "não" venha em conjunto de alguma ação mais ríspida! Não aceite abuso!

Alguém acima falou que esse é um dos tipos de abusos que passamos durante a nossa vida! Vamos abrir os olhos...

Daniel disse...

Tenho duas coisas a dizer:

1- Não sei como um homem consegue sentir vontade de transar com uma mulher contra a vontade dela, compra uma boneca inflável e estupra ela. Pra mim, esse cara é doente.

2- Não acho que tenha muita utilidade definir se foi um estupro ou não, já que você não quer prestar queixa. Você bebeu por que quis e ele não deve ter entendido a mensagem de que você realmente não queria nada, afinal ele bebeu também né, vocês optaram por ficar com o senso crítico prejudicado, em um lugar fechado, sozinhos.Todo mundo erra, você errou, e ele errou e é doente, eu ficaria longe.

Augusto disse...

Olhando sobre o aspecto jurídico, dividiremos o estupro em 3 casos:

- Sexo ou ato sexual no qual há agressão e uso de força.

- Sexo ou ato sexual no qual apenas uma pessoa está bêbada

- Sexo ou ato sexual no qual todas as pessoas envolvidas estão bêbadas.

O primeiro caso acima é, certamente, condenado por grande parte da população, pois é caraterizado como agressão.

O segundo caso é estupro de vulnerável. É um caso mais difícil de ser analisado quando a vítima está meio bêbada/meio consciente. Neste caso, o parceiro não deveria transar com a vítima, pois estaria cometendo crime de estupro de vulnerável. Para que uma pessoa faça sexo bêbada, é necessário que ela autorize por escrito (esse tipo de relação sexual, que geralmente é condenada, não deveria ser considerada imoral, pois muitas pessoas têm esse desejo de misturar bebidas e sexo. Ir contra isso é ser moralista.) Portanto, a entrave relacionada ao segundo tipo de estupro está resolvida. Se a vítima autorizasse previamente, o sexo, que muitos consideram estupro, poderia ser feito. Se não houvesse autorização, o parceiro não poderia exercer relação sexual com a parceira embriagada.

O último caso é, sem dúvida, o mais difícil de ser analisado e é o que mais explicita o machismo contemporâneo. Por que? Observe que, quando cai um vídeo de sexo de pessoas bêbadas, a mulher é, geralmente, a acusada de puta e o homem, de machão. É o machismo, senhor todo poderoso. Isso é um problema, porque, neste caso, culpa de "estupro" cai sobre o homem. De novo, preconceitos. A mulher, bêbada e feita para negar o sexo, e o homem, bêbado e feito para abusar. Quando bêbados, os esteriótipos ficam explícitos e não há tempo para racionalizar. Este é um grande problema. Homens e mulheres podem abusar, mas geralmente é a mulher que se torna a vítima e a "puta" e o homem quem se torna o "estuprador" e o "machão". Por que nunca, quando ambos os parceiros estão bêbados, a culpa recai sobre a mulher? Por que é muito difícil observarmos aqui um homem sendo estuprado?

Essas perguntas nos mostram como é difícil classificar o estupro neste caso. O estupro, neste caso, não é o problema maior. O problema é quando há exposição de imagem. O problema é a "vergonha". O estupro, neste caso, se torna um problema inferior às consequências. Claro que as consequências caem sobre a mulher (vivemos numa sociedade machista).

Chamaremos de estupro este último caso, porém não podemos culpar e criminalizar alguém que cometa este tipo de estupro da mesma forma que os outros, pois não há intenção clara de dizer não e de realizar ato sexual por ambas as pessoas envolvidas. Aqui tudo é complexo e requer atenção ao analisar. Temos de tomar cuidado quando acusamos alguém de estupro neste caso. É fácil estarmos cheios de preconceitos. Como a Lola disse, acusação de estupro é grave e com as minhas palavras digo que não pode ser usado como arma contra machismo.

Anônimo disse...

Sou mulher e acredito que fui estuprada por outra mulher. Mas as pessoas para quem contei a história me disseram que isso é impossível. Estou confusa... Não sei o que pensar.

Anônimo disse...

Anônimo das 21:53, é possível ser estuprada por outra mulher SIM. Essas pessoas não sabem do que estão falando. Estupro é sexo sem consentimento, independentemente do gênero do perpetrador!

Maria Valéria disse...

Tem gente acima que condenou a moca por beber e transar ao mesmo tempo, mas e bom lembrar que ela estava com um amigo de longa data e da confiança dela, com quem nunca tinha rolado nada

Se voce esta com um amigo do sexo oposto, com o qual nunca rolou nada, nao pode tomar uns goles sem que haja necessariamente o perigo de ser abusada?...
Com um desconhecido concordo que e bom tomar cuidado, mas com um amigo e um pouco demais pra minha cabeça,( ou entao, nao e tao amigo assim)
Bjs

Carolina Lucas Paiva disse...

Bom, para que haja estupro, é necessário o não consentimento da vítima, ou a impossibilidade de consentir.
Nesse caso houve consentimento, mesmo que sem vontade. A guest não queria, mas deixou rolar, e não sabe se deixou claro se não queria ou não.
E bem, não dá para acusar um cara de estupro se não se sabe se houve consentimento ou não.
Até porque o que torna a conduta do estuprador condenável é justamente ele saber na resistência da vítima e consumar (ou tentar consumar) o ato mesmo assim.

Em tempo, eu acho que nossa cultura de glorificar a bebida tem grande responsabilidade nesses tipos de história. Acho o gosto de certas bebidas muito bom, mas assim como não temos o costume de beber mais de um copo de suco/água/refri (a não ser se estivermos com sede), acredito que esse comportamento de repetir a dose em bebidas alcoólicas deve ser desencorajado, pois parece mais uma obrigação social e nos deixa mais vulneráveis para qualquer coisa (andar, dirigir, consentir em ato sexual, etc). Detalhe, desencorajas esse comportamento não significa carta branca para sair xingando e humilhando mulheres estupradas por terem bebido ao ponto de não conseguirem consentir com o ato. Favor não confundir essas coisas tão diferentes.

Além disso, faltou empatia e comunicação nessa situação relatada pela Guest. O cara não prestou muita atenção no que ela estava achando, e ela não soube comunicar a ele o que queria e o que não queria. Sexo é um dos contatos físicos mais íntimos entre as pessoas, se você não faz sozinho, não dá para entrar em modo automático e criar uma barreira mental.

Dá para notar que sexo ainda é tabu, falar sobre sexo é um tabu maior ainda e que as mulheres ainda tendem a sentir culpa por fazer sexo, já que nos é ensinado que sexo sempre deve ser feito por um motivo sério e bem pensado, de preferência com o amor da vida, depois de anos fazendo corte.

Mallu disse...

Isso me mata, essa dúvida, mas acho que concordo com absolutamente tudo o que a Lola escreveu.
As minhas primeiras experiencias foram simplesmente horríveis! Por algum tempo passou pela minha cabeça se eu não havia sido estuprada. Da primeira vez, eu não estava a fim, me senti abusada, mas percebi que embora eu estivesse meio relutante, eu nunca disse 'não'. Eu deixei aquilo acontecer e bem que tentei aproveitar. Durante algum tempo culpei o sujeito por ser um cafa que me induziu a fazer algo que eu não queria, mas hoje percebo que ele não teve culpa, pois eu não disse não, eu não pedi pra ir embora, eu não fiz nada. Eu apenas percebi que deixei aquela coisa acontecer porque eu não queria que ele pensasse que eu era "cu doce". Queria pagar de bem resolvida que faz sexo sem compromisso. Ele apenas queria transar e estava mais bebado que eu, educado pra crer que tem o direito, conduziu a situação pra essa finalidade. Dá pra culpa-lo? Não.Dá pra me culpar? Acho que não. A culpa é dessa sociedade, correndo o risco de soar clichê falando isso.
Depois disso passei por mais uma situação em que me senti pressionada pra transar e foi ainda pior. O meu quarto parceiro foi o que ouviu vários "nãos" e fez do mesmo jeito. Eu levei oito anos pra aceitar que foi um estupro.
Mas assim como a minha primeira má experiencia, acho que esse caso não foi estupro, não. Foi sexo ruim e pelo menos o rapaz sabe que fez errado. Provavelmente vai pensar duas vezes antes de criar uma situação semelhante.

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Foi horrível e eu disse nao no começo mas depois parei de lutar. Só que não sei se realmente não conseguia reagir ou se podia ter lutado, se foi frescura minha ou se eu realmente estava debilitada. Se ele ter me persuadido com "volte pra casa se nao gostou" pode ser considerado ameaça (pq ele sabia q eu tava perdida, sem celular nem dinheiro) o suficiente para eu ter aceito fazer sexo oral, e pq ele nao tinha como saber que eu só fiz pq achei q se fizesse ele me deixava em paz.
28 de novembro de 2012 14:45


MENINA, nãããão. isso é estupro, sim, com toda certeza! ele te pressionou, aproveitou da sua vulnerabilidade (perdida e sem dinheiro) e vc afirma que só fez pra ele te deixar em paz! você lembra de ter resistido fisicamente e dito NÃO. tá mais do que claro que não havia consentimento.

Anônimo disse...

e, pra mim, o caso da autora é estupro tb pq é diferente do que a lola descreveu. se parceiros fazem sexo sem tesão para agradar o outro, nao é estupro. pq há consentimento, só que esse consentimento não depende só de tesão (nesse caso é vontade de agradar o outro).

o perigo disso é q justificaria o estupro marital, só que - muito importante: quem deve afirmar que cedeu de boa vontade é a suposta vitima. nao adianta o marido forçar a esposa a transar e depois negar que foi estupro alegando que é normal q ela tenha feito só para agrada-lo. é ela quem tem q se sentir segura e demonstrar que está com vontade, ainda que seja só para agradar. se ela nao se manifesta nesse sentido ou fica simplesmente morta, é estupro.

se eu amo, sei la, manga. nao tenho a menor vontade de dar manga pros outros e ficar sem. mas se eu decido dar a manga pra outra pessoa unicamente com o intuito de ve-la feliz, ha - ainda que por motivo diverso do normal - a vontade de dar a manga. o meu normal seria nao dar, seria comer, eu só daria a manga se estivesse sem fome. mas para agradar alguem, eu abro mao da manga, é uma escolha consciente. nao adianta o outro tomar a manga das minhas maos e dizer "olha como fulana é legal, ela me deu a manga" enquanto fulana ainda estava pensando se dava ou nao. pq aí nao ha vontade.

entende? num caso que nao há ameaça ou violencia, como esse, oq define o consentimento sao os atos da suposta vitima. nós nao somos cadaveres, se estamos de certa forma colaborando com o sexo (retribuindo o beijo, abrindo as pernas, fazendo qualquer coisa), é pq estamos cedendo voluntariamente ao desejo do outro, ainda q sem tesao. mas se estamos imobilizadas (por sono, duvidas, alcool, ou seja la qual for o motivo) nao ha NADA que indique vontade em agradar.

no caso da autora, ela diz que não sentia tesão pelo cara (que era "esquisitão"), nem queria agrada-lo (" ficava repetindo que era muito estranho"). ela só permitiu que ele continuasse (ela nem mesmo LEMBRA se permitiu ou se disse "não" ALGUMAS VEZES) pq estava confusa e alcoolizada. ela VIROU A CARA, tapou os olhos. o primeiro sentimento dela foi o de CHORAR e SE SENTIR ABUSADA. parece bastante legitimo pra mim.

só depois ela começou a racionalizar e arrumar desculpas pro cara. ok, ela tem a escolha de nao procurar a policia, ela tem a escolha de perdoar. MAS que houve uma forçaçao de barra, sexo sem consentimento, houve. e isso é estupro. fico feliz q ela tenha superado isso sem traumas, pq de fato era uma situaçao atipica.

eu nao sei a educaçao q essa menina teve, talvez ela tenha sido educada para ceder e passar por cima dos proprios sentimentos. e nesse caso talvez ela tenha se sentido mal durante o ato, mas nao tenha tido coragem de mandar parar e interromper. talvez ela tivesse plena ciência de que não queria, mas nao tenha interrompido pq uma vozinha ficada racionalizando: "bom, eu ja cheguei até aqui, vou aguentar até o fim. nao vou interromper pq estou errada". isso nao é vontade de agradar o outro nem aqui nem na china.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Secundo todos que disseram que não saber beber é um problema.

Claro, não vejo nada de errado em uma ou duas cervejinhas ou vinhozinhos para quebrar o gelo e assim um casal tímido conseguir se abrir melhor ou até dar uns primeiros beijos e quem sabe até depois mimirem juntos sem sexo(se isso for estupro... Vixi! :3) Mas embriagar para levar para a cama... me parece um pouco exagerado, se me permitem a analogia, acho que existem diferenças entre dar um copo d'agua ou jogar alguém numa piscina.
Just sayan

Anônimo disse...

daniel, wait a minute

"Você bebeu por que quis" - isso nao quer dizer nada. beber nao significa consentir sexo

"afinal ele bebeu também né" - se ele estava consciente o suficiente para tentar convence-la, ele estava consciente o suficiente para perceber se ela estava colaborando ou nao. pelo texto, eu nao entendi beeem oq rolou, me pareceu q ela n cedeu. só a autora pode saber.

"vocês optaram por ficar com o senso crítico prejudicado, em um lugar fechado, sozinhos" - entao beber com amigos ta proibido agora? beber com amigos significa liberar geral desde quando?

"você errou" - ela errou? talvez. ela poderia ter sido assertiva, certamente, mas vc sabe pq ela nao foi? eu nao sei. se ela foi criada de forma repressora, ha grandes chances de estar acostumada a permitir abusos.

tipo, eu tenho amigas que topam qualquer coisa q vc pede (me empresta seu fichario na vespera da prova, fulana? a fulana empresta e depois se arrepende, e fica desesperada com medo de ir mal na prova. enquanto a pessoa folgada q pegou o fichario estuda fresca e bela, cagando pras necessidades da fulana), tudo pq nao sabem dizer nao. podemos culpa-la? pq diabos alguem se sabotaria, a nao ser por influencia externa opressora?

Anônimo disse...

E se já houve um conversa franca com o rapaz descarregue, liberte-se do peso e numa próxima o "não" venha em conjunto de alguma ação mais ríspida! Não aceite abuso!

concordo com o fernando. e fernando esta certissimo em parar qd é rejeitado, mesmo que de forma sutil

Anônimo disse...

Caramba, a situação foi confusa, mas só aconteceu por uma coisa chamada: cultura do estupro. Se o cara quer, quem é a mulher para não querer??
O cara não estava tão sem controle naquela noite, tanto é que depois disse que agiu mal (almas subindo para o céu, um escroto se emendandooo!!!).
Padrões culturais? Tá bom!!! Vamos viver num mundo em que os homens nunca possam beber, pois isso sempre dará o direito de qualquer oportunista entrar no rabo deles. Se eles não forem capazes de defender com todas as forças, é porque queriam ser enrabados... Aí vamos ver essa conversa de "padrões culturais"...


obrigada, concordo plenamente

Anônimo disse...

e o cara nem aí. Se fosse eu transando com um homem que aparentasse não estar a fim me sentiria a mais estúpida das estúpidas. 28 de novembro de 2012 18:50

exato. tem pessoas q sao criadas para se preocuparem com o sentimento dos outros, outras nao.

eu sou tao sensivel q quando saio com amigos e alguem fica de cara amarrada, vou la perguntar oq houve e se posso ajudar. pq se tem alguem q eu gosto puto por estar com a gente, é o pq o passeio nao esta bom pra essa pessoa, daí q é absurdo q todas as outras caguem pro bem estar dela e continuassem se divertindo como se nao se importassem.

uma vez ciente do mal estar, aí é problema da pessoa se ela vai continuar ou se vai decidir ir embora. as vezes a pessoa, numa hora dessas, percebe q nem deveria ter vindo e prossegue para nao atrapalhar o programa. é uma escolha valida. mas o importante é ela perceber e ter espaço para se abrir (mesmo q decida nao faze-lo)

claro q eu nao precisaria me preocupar com o bem estar de ninguem (é mto mais facil pensar só em mim) se a pessoa fosse capaz de identificar sozinha oq esta sentindo e oq deve fazer. mas eu acho q se a sociedade pode aliviar um peso nas costas do individuo, pq não fazer, né? fica mais leve pra ele e para todos.

nao sabemos oq levou essa pessoa ser incapaz de expor e priorizar as proprias dores. eu mesma as vezes fico triste, esperando q alguem perceba a minha obvia cara de cu e estenda uma mao, ofereça um ombro. é raro, né. acho q por isso mesmo eu me esforço em fazer isso pelos outros qd sao eles q precisam desabafar. eu tenho minhas proprias travas cultivadas na adolescencia q sao bastante pesadas de se remover sozinha. qd facilitam o meu lado, é um grande alivio.

enfim, esse tipo de caso de abusos sexuais nem aconteceriam se o outro nao visse o corpo q está debaixo dele como um objeto. se ele se preocupasse minimamente em ver o corpo inanimado gostando do ato.

Anônimo disse...

no meio da transa, comecei a sentir muita dor, pedi para ele parar, e cheguei ao ridículo de me ouvir pedindo "J., pára PELO AMOR DE DEUS!". Com a força do corpo, ele me mantinha sem que eu pudesse sair daquela posição, lembro da minha cabeça batendo na guarda repetidamente.
Eu pergunto, uma mulher não tem o direito de mudar de idéia no meio de uma transa? Eu acho que tem TODO, e achei uma violência. Não fiquei traumatizada nem nada, apenas não gostei, e achei realmente agressivo. Não chego a dizer que foi estupro


foi sim. mas se é caso de polícia ou nao, eu nao sei. nao sei se é o caso de se punir com a lei mais severa, a mesma q pune o maniaco do parque. pq nao é nem de longe tao repugnante do q ter alguem q nao te atrai te penetrando, afinal, se nao doesse, teria sido uma coisa boa e consentida. talvez devesse haver uma subclassificaçao desse crime, punivel com uma pena alternativa.

Anônimo disse...

pedro08, vai tomar no cu. cultura do estupro aqui, não.

Luciana Guerra disse...

Lolinha, eu ainda não li todos os comentários, mas não sei por que você achou que fosse levar pedradas... Achei tudo o que você falou tão correto, tão maduro, tão ponderado. E olha que não é sempre que eu acho isso! hehehe Você acha o quê? Que a gente aqui espera que você diga que qualquer coisa desagradável que acontece na cama é estupro? Claro que não! E apesar de eu não achar que a moça estava errada de nenhuma forma, também acho que não foi estupro.
Eu só achei mesmo que ela errou em pensar seriamente em denunciá-lo, mas entendo que ela não ia querer deixar um estupro impune. Mas como você disse, é uma acusação muito séria. E você B, moça do post, se você vier ler aqui, presta atenção no seguinte: também acho que você deve conversar com seu amigo, calmamente. Mas evite usar a palavra estupro quando estiver falando sobre o que houve, ele provavelmente se sentiria muito mal. Use a palavra só quando estiver falando genericamente, tipo "sexo sem consentimento é estupro". Enfim, boa sorte, de verdade, que eu imagino que uma conversa assim não vai ser fácil. Mas acho que você sai dela com a alma lavada.
Paz!!

Anônimo disse...

mano, idealizaçao irrealizavel??? achar o sexo bom é irrealizavel? quando vc toca punheta nao é esperado que seja mto gostoso e vc goze? se vc nao ta curtindo, machuca, arde ou o orgasmo nao vem, vc nao simplesmente para? ou vc é masoquista e continua se masturbando, mesmo doendo?

entao pronto: se a mulher nao ta curtindo o sexo, ela PARA de fazer sexo (nem q seja pra mudar de posiçao, tentar algo diferente). se o cara q está em cima dela continua, nao é uma ~idealizaçao irrealizavel~, é abuso.

as mulheres sao tao educadas a achar q sofrer é ok, q aceitar merda é ok, q a maioria diz q perder a virgindade é um martírio, mas q "faz parte", "é assim mesmo", "ninguem gosta, só as sortudas".

nao existe esse negocio de sorte, fisicamente é perfeitamente possivel romper o himem numa relaçao prazerosa, ha varias mulheres q relatam ter gozado nas primeiras vezes por estarem relaxadas, com alguem em qm confiavam, q respeitou os limites q elas impuseram.

mas a maioria diz q nao, q foi horrivel. se foi horrivel, é pq nao foram respeitados os limites do corpo naquele momento, oras. ou psicologicos/emocionais, sei la. a soluçao pra isso nao é sufocar o sofrimento, as duvidas, e aguentar firme. é simplesmente tentar solucionar oq tá pegando, os grilos, a ansiedade, a dor.

(ah nao ser qd pessoa sente prazer em sentir dor ou nao se importa com um pouco de dor pq o prazer é maior, mas nao é disso q eu estou falando. to falando da ideia de sexo por obrigaçao, "tenho q me livrar logo dessa virgindade", "deixa eu ficar quieta e torcer pra esse cara gozar logo pq ta horrivel")

Ana Carolina disse...

Muito delicado, né...
Comecei a ler compartilhando das dúvidas dela. Depois ficou claro para mim: isso é estupro!
Ela estava em situação de vulnerabilidade, com uma pessoa (que pelo menos deveria ser) de confiança e em momento algum disse que queria transar ou concordou com as atitudes dele. Com certeza isso é abuso e abuso sexual a gente sabe o que é. O fato de ele estar bêbado também não justifica a sua conduta. Acho que é muito diferente não conseguir dizer 'NÃO' para um amigo de não conseguir controlar o tesão e ignorar a recusa do outro. Não é isso que a gente chama de cultura de estupro?
Eu também já passei por situações desse tipo e acho que foi abuso.
Acontece que lembrei de um caso diferente:
uma vez fui com amigos à casa de uma conhecida beber e assistir um filme. Bebemos, jantamos e fomos ao filme. Eu tinha bebido demais e não consegui ficar acordada; fui para o quarto dormir. Estava lá quietinha
e acordei com alguém entrando no quarto. Era um cara que há um tempo já vinha investindo em mim e eu realmente não queria NADA com ele. Bem, ele deitou ao meu lado, conversamos um pouco e ele começou a me beijar. Mas aí - vejam só! - EU abri a calça dele. ELE disse 'não' e eu continuei. Foi uma coisa totalmente sem sentido, porque se eu estivesse lúcida não só não teria ficado com ele, mas não teria permitido qualquer contato intrusivo. E estava lá forçando a barra. Ele disse algo como 'achei uma mais louca que eu' enquanto já transávamos. Isso tudo não durou muito, foi realmente muito rápido e já terminou.
Enfim, tenho MUITA vergonha dessa história. O cara continuou investindo em mim depois dessa noite, mas nunca mais ficamos. Eu não me sinto abusada por ele ter deitado comigo e me beijado mesmo sabendo que eu não estava em condições. Mas e o que eu fiz com ele? Bem, uma coisa que logo depois ficou clara é que ele queria sim transar comigo, mas não daquele jeito (eu bêbada, na casa de outra pessoa, sem proteção). Ele não estava bêbado e era forte o suficiente para me afastar com um gesto, sem esforço. Me envergonho desse caso, mas não me sinto culpada. Estou errada?
Quero dizer que não sei se o caso da B. realmente foi estupro e acho que só ela pode dizer se foi ou não. Acho que o mais correto nesse caso é levar em conta o sofrimento dela. Se o sofrimento não é pelo fato em si, mas pela dúvida de ter sido um estupro ou não, acho que é melhor superar isso com uma conversa com ele, para que os dois se entendam. Concordo com o Fernando, a atitude foi de abuso sim, mas é uma situação delicada demais para quem está de fora dela definir o que é.

Anônimo disse...


Eu vou usar uma frase da amiga aqui de cima pra exprimir o que eu penso sobre o que esse sujeito que você chama de amigo, prestativo e gentil fez:

“Achei feio, humanamente feio."

Eu peço que você reveja seus conceitos do que é ser gentil, amigo e prestativo. Ele não foi seu amigo te penetrando enquanto você estava parada, tampando os olhos e dizendo “não, isso é estranho”. Ele se aproveitou de você. E se você disse NÃO, aí foi estupro.

Sinto muito que isso tenha acontecido a você. E não se culpe pelo que você não poderia ter evitado. Mas reveja seus conceitos sobre esse rapaz.


concordo plenamente

Anônimo disse...


Para a autora do guest post, eu diria, se ela fosse minha amiga: "Cara, relaxa. Pára de se perguntar, encucar, racionalizar. Isso é um fato pra se rir e debochar. Pra se lamentar. Não um fato pra passar o resto da vida repisando. Insistir na culpa não vai tornar aquela noite mais agradável, nem vai ajudar as noites futuras a serem melhores".


queridão (pq eu nao me surpreendo q maioria dos q vem aqui justificar sejam homens? rs), ninguém está sugerindo pra ela ficar encucada. acho ótimo que ela ja tenha superado isso e consiga tratar de forma mais leve. acho realmente maravilhoso. ja disse num caso acima q nao consigo enquadrar essa situaçao na mesma q a do maniaco do parque.

oq está sendo dito é: isso certamente é bem COMUM mas NÃO É ACEITÁVEL, e que na proxima vez, ela nao aceite, recuse, escute mais a si mesma. ao contrario do q vc diz, ela devia ter parado de racionalizar e arrumado desculpas para o cara (e culpa para ela mesma) e respeitado oq o corpo dela dizia.

nossa, eu dou graças a deus por namorar um cara legal. até se o beijo tava ruim, a gente parava e mudava tudo até ficar bom. ele fazia a barba q me espetava, ou bebiamos alguma coisa pra melhorar o halito, e assim por diante. ele nunca me forçou a nada, eu nunca me vi agoniada querendo q ele terminasse logo. se ele parava de me chupar pq tava cansado, eu n ficava puta, eu esperava ele se sentir disposto de novo. se alguma vez ele fez algo meio sem vontade, é pq queria me agradar. se eu tb fazia alguma coisa q nao tava mto boa pra mim é pq sentia prazer em dar prazer a ele.

talvez esse seja o caso da autora, mas nao me parece q seja. me parece q ela se calou pq era inconveniente pedir pra parar. e isso é a porra da cultura do estupro, é a pressao q a sociedade faz contra ela pra q ela aceite coisas q nao quer.

ja basta a gente ter q se prostituir pro mercado de trabalho pra sobreviver, mas nas nossas relaçoes pessoais, temos q ter autonomia para escolher e decidir.

Anônimo disse...

Paciência. Virão outras melhores. Mas há grande exasperação, grandes crises, grandes sofrimentos, nos comentários e nos posts. Por quê?
É como se uma mulher não pudesse transar tendo dúvidas ou receios etc


vamos lá, desenhando:

a mulher pode ESCOLHER transar com dúvidas. se essa dúvida resulta positivamente, será uma transa boa. se essa dúvida transforma-se em insatisfação, incomôdo, dor, CABÔ, sai de cima, fim da transa. não tem que ser paciente e esperar que "outras melhores virão".

se esse desejo básico for atendido, não haverá crise, nem sofrimento. haverá crise e sofrimento se essa mulher passar por cima da própria vontade para não contrariar o sujeito que está em cima dela, ignorando que ela não está curtindo a transa.

Renata Brick Sólon disse...

Fico passada com gente que comenta aqui dizendo que essa moça teria sido realmente "estuprada". São atitudes e opiniões assim que ridicularizam o feminismo.

Lembrei de um episódio dos Simpsons. O Homer e a Marge estão em uma convenção de feministas. A Lisa está em perigo. O Homer diz "Fique com elas e eu vou salvar a Lisa". É vaiado. Aí ele corrige: "Ok, eu fico aqui e você vai salvá-la". É vaiado também. Então, o Homer diz: "Assim fica difícil saber o que vocês querem, meninas".

Ao menos a sua avaliação do caso foi ponderada, Lola!

Mesmo porque, se isso for estupro, conheço um monte de garotos que são praticamente "obrigados" (muitas vezes por pressão do grupo em que estão inseridos) a fazerem sexo com garotas que não são seus ideais de beleza e nem por isso consideram a possibilidade de denunciá-las. Afinal, eles seriam intensamente ridicularizados pelos policiais se procurassem uma delegacia.

Acho essa coisa de que a pobre garotinha é sempre a corrompida na história um retrocesso na conquista da verdadeira igualdade entre homens e mulheres. Isso, na minha modesta opinião, não passa de machismo internalizado.

Vivi disse...

Puxa, que situação chata deve ter sido para autora, ficar pensando tanto tempo nisso.
Acho que só temos estas dúvidas justamente por termos uma relação desigual entre homens e mulheres e por haver tanto estupro. Se vivessemos numa sociedade mais igualitária acho que teríamos menos este tipo de nóia.

Bom, esta situação é difícil mesmo. Pois quando transamos não há uma pergunta clara pra pessoa "você quer transar comigo?" "sim" ou "não" . As coisas não funcionam desta maneira burocrática (ainda bem!), vai acontecendo e ponto. Por isso que, caso a pessoa não queira transar, acho que cabe a pessoa que não quer demonstrar isso, seja pela palavra "não quero" ou pela expressão corporal.
Como alguém disse aí em cima, não querer transar é diferente de ter sido estuprada, pois há situações que não queremos e fazemos mesmo assim..
Há sempre a necessidade de um "embate"- a meu ver- entre quem diz que "não quer" e o estuprador q mesmo assim "força" o sexo para que seja um estupro no meu entendimento.
Agora, discordo tb de que alguém disse se a pessoa não vai processar não há necessidade de achar ou não que é estupro.
Sinceramente, para mim, fora o querer que todo estuprador pague por isso, a lei sempre diz muito pouco pra mim...
abraços e espero que a autora consiga tirar este peso logo!!

Anônimo disse...

Acho que seria muito radical tratar o caso como estupro. Digo isso, porque existem também vários casos de mulheres que insistem para transar com homens. Isso é considerado estupro? Acho que o diferencial está na forma como a pessoa reage. Se ela tivesse sido clara na hora de dizer que não queria, talvez ele não teria continuado. Ele pode ter encarado o "não" dela como um jogo de sedução (machista, mas muito comum) no qual a mulher 'se faz de difícil' para mostrar que não é qualquer uma ou, simplesmente, para criar um clima de "conquista". Por outro lado, a minha pergunta a essa moça é: por que tão indecisa? É claro que muitas vezes ficamos indecisas em milhões de situações, mas essa é uma situação um tanto quanto especial já que sabemos que a cultura do estupro é tão presente e tão prejudicial a todas as mulheres. Acredito que temos que pensar muito bem nas nossas atitudes quando algo está relacionado (direta ou indiretamente) a essa relação entre homens e mulheres. Que fique claro que não quero culpá-la, jamais. O que eu tento dizer é que todas nós devemos ficar mais atentas a isso. "Por que eu agi assim?" "A minha indecisão teve alguma interferência de uma cultura onde o papel da mulher é transar com o homem sempre que ele quiser?" Se pergunte, se questione. E, sinceramente, tenha uma conversa com seu amigo. Nada de estresse, só uma conversa pra saber o que ele pensa, pra saber o que você pensa. Pra vocês tentarem ter uma percepção melhor do que aconteceu naquela noite. Enfim, é isso. Não sei se fui clara, mas qualquer coisa, estou aqui para esclarecer algum ponto que possa ser mal interpretado.

André disse...

Como saber se a passividade de uma mulher com a qual se está fazendo sexo pela primeira vez é um "não implícito" ou característica dela? Ainda mais quando ambos estão bêbados? Talvez o ideal fosse fazer sexo sem usar nenhum tipo de droga e depois de muita conversa. Mas tenho a impressão que a grande maioria das relações não se dá dessa maneira.

Anônimo disse...

Eu fui estuprada, apanhei horrores, até hj tem gente que diz que a culpada fui eu pq eu estava bêbada.

Cheguei em casa de madrugada, minha mãe tava me esperando, ai entrei de casa com o rosto todo cheio de sangue, meu supercilio aberto a boca cheia de sangue, os olhos não abriam direito inchados.. Ela me levou na delegacia, de lá pra o hospital, os policiais riam da minha cara, o medico foi estupido comigo, na rua demorei uns 2 meses pra conseguir sair de casa, e mesmo assim só olhava pro chão...

Estar bêbada é o novo motivo usado para justificar um estupro. Vc bebeu, vc usou mini saia vc provocou, facilitou...

Anônimo disse...

B., acho que você precisa falar com o seu amigo sobre isso. Se ele é mesmo um cara legal, pode ser que ele esteja passando pelas mesmas angústias que você, sem saber o que aconteceu.

Concordo com quem acha que foi estupro. O fato é que vivemos numa cultura de estupro e isso é ruim pra mulheres, mas também pra homens. Quanto mais a gente falar disso, mais as coisas ficam claras e a gente vai poder destruir essa cultura. Por isso que é importante você e seu amigo conversarem.

Boa sorte.

Augusto disse...

Ao Anônimo de cima:

O menino também estava bêbado e a bebida nos atrapalha a raciocinar. Se ele não raciocina, ele repete os esteriótipos relacionados ao homem. Seria justo culpar apenas o indivíduo por estupro neste caso? Seria? A culpa, na verdade, é de todos nós. Somos culpados por ainda vivermos em uma sociedade que banaliza o estupro.

A segunda coisa que gostaria de dizer é: Não faça acusações incertas. Antes de tudo, isso é um relato de apenas 1 pessoa e que estava bêbada. Ainda há outra parte da história. Pode muito bem ter sido ela quem deu em cima do rapaz e quis levá-lo para cama. Ou o seu machismo besta não te deixa ver isso. Ou o seu machismo só te deixa ver a mulher como vítima quando bebe.

Danizita L. disse...

"Eu sei que se eu tivesse dito um "não" mais categórico ele teria parado..."

Será? Se ele estava bêbado talvez não... O que divide esse caso com um caso de estupro é uma linha muito tênue, ela apresentou características de uma pessoa violentada, chorou e disse que se sentiu abusada. Sei não, mas ela á que sabe o que passou, e como os dois estavam bêbados fica ainda mais difícil chegar a uma conclusão...

Anônimo disse...

Uma pessoa quando bebe, assume os riscos do que pode acontecer, e suas ações não tem atenuante algum, a não ser em casos de inconciencia, ou se for dopado/a induzido, sexo com pessoa bebada não e estupro, a não ser que seja usada de violência física.

Se uma pessoa bebe, e dirige, e isto causa um acidente com vitimas, ela responde por homicidio doloso, pois as suas ações foram deliberadas, e ela assumiu o risco de matar !

Mônica disse...

Gente,

acho que a discussão aqui não é sobre se ela (e ele tb) devia(m) ter bebido ou não, pelo amor de deus!

Quer dizer, vamos deixar de travar a discussão sobre a existência ou não de abuso/estupro, que pode nos levar a entender por que casos assim acontecem (e muito), para simplesmente colocar tudo na conta da bebida?

Muitos citaram as desvantagens de consumir bebida alcoólica. Eu poderia citar muitas vantagens. Mas, na boa, isso não interessa, porque simplesmente devíamos aceitar que cada um bebe se quiser e o quanto quiser.

Colocar a culpa na bebida me parece que está bem perto de colocar a culpa na própria vítima, porque pode implicar que, se ela bebeu, ela deu chance para isso acontecer. Pelo amor de deus, espero que ninguém pense isso.

Mônica disse...

Augusto,

a culpa por qualquer crime cometido sempre é de todos nós. O criminoso pertence à sociedade.

Não obstante, isso impede que o indivíduo seja individualmente responsabilizado por seus crimes, com o perdão pela redundância.

Assim, havendo estupro (e não estou dizendo que no caso específico houve) o estuprados pode sim ser responsabilizados. Ele não vai se safar colocando a culpa na sociedade machista.

André disse...

Ana Carolina,
Seu caso é simples, você estuprou o cara.

Mariana disse...

Na minha opinião, houve estupro sim.

Primeiro que o amigo, que eu não consideraria amigo nunca mais depois do acontecido, arquitetou tudo. Por que ele chamou ela pro apartamento onde ficariam sozinhos? Porque ele esperou ela ficar bêbada pra fazer o que queria? Pra mim ele planejou tudo. Planejou e desejou tanto que nem a falta de vontade dela impediu ele.
E quando ela tocou no assunto, ele disse que foi um erro. Mas CLARO que ele vai dizer que foi um erro, ou ele vai admitir algo arriscando perder a amizade?
Eu acho que ele se aproveitou da amizade.

Mirella disse...

Uma pergunta:


Alguém que bebeu dirige um carro e atropela você. O comportamento desta pessoa deve ser amenizado, porque no momento não estava na sua sanidade para decidir que não deveria dirigir?

Carla disse...

Quando eu quero comentar aqui eu me atenho a ler os comentários depois. Porque senão eu fico só lendo e não dá tempo de comentar (o que acontece sempre). Então, não sei se vou ser repetitiva, se alguém já disse, mas eu vou dizer: foi e não foi estupro ao mesmo tempo.

Se a gente for levar ao pé da letra, foi sim! Porque sexo sem consentimento é estupro, ponto. E acho que ela deixou claro que não queria. O problema é: ele entendeu que não houve um consentimento? NÃO! Isso tudo porque não foi ensinado aos homens que NÃO, QUER DIZER UM NÃO.
Na cabeça deles, não quer dizer um monte de outras coisas, exceto, NÃO. Então, esse e outros casos, muitas vezes não são motivados por "maldade", mas ainda sim são "invasivos" - para não dizer violentos.
No entanto, o cara foi babaca (e MUITO!) e às vezes, caras são babacas simplesmente porque são ensinados a ser. É assim: ensinam as menininhas que elas não podem querer sexo, gostar de sexo, e tem que ser "difíceis" (pq ser "fácil" é um xingamento e tanto na nossa sociedade). Aí ensinam os homens que as "fáceis" não prestam, só as difíceis. E ensinam tb que as menininhas só dizem "não" porque estão se "fazendo de difíceis", e não porque de fatonão querem. Portanto, insistir, insistir, até conseguir um "meio consentimento". Pra eles, não é estupro e nem babaquice, ela, na verdade queria, só estava se fazendo de difícil.

Por isso que mudar a forma como se enxerga homens e mulheres (o feminino e o masculino) na sociedade é de extrema importância. Talvez ler a alguns desses posts de blogs como o seu façam esses homens bem intencionados, de bom caráter, (como a moça do guest post citou ser o amigo dela) a ver que eles agem errado e são -babacas, porque cresceram acreditando que aquilo é normal. Eu acredito que esse dia ainda chegará, por enquanto, faço meu trabalho de formiguinha.

André disse...

"A minha indecisão teve alguma interferência de uma cultura onde o papel da mulher é transar com o homem sempre que ele quiser?"

Eu também perguntaria, o seu sentimento de ter sido abusada teve alguma interferência de uma cultura onde o papel da mulher é se manter pura e sempres se recusar a fazer sexo?

André disse...

Mirela,
O caso relatado está mais para: alguém bebeu e resolveu brincar de atirador de facas, você também bebeu e, por estar bêbada, não conseguiu se recusar a ser a moça que fica no alvo. Quem é o culpado pelas facadas que você vai levar?

Anônimo disse...

Não PARECE um caso de estupro. Mas uma situação como esta só acontece porque vivemos em uma cultura do estupro. A cultura do estupro afeta a vida sexual de TODAS as pessoas, não só das que estupram ou são estupradas.

Anônimo disse...

Gentes, acho que devemos ensinar os homens a admitirem os nãos e a considerarem os meio nãos. Qual é o problema de um cara perguntar: 'vc não quer mesmo? se não quiser, eu paro.'
Muito bem, esse é um lado da questão. O outro é: devemos reforçar, tanto em mulheres quanto homens, a questão da vontade e do autoconhecimento (sempre na mira o respeito pelo outro, claro). Então, funciona assim: quem é você? Quais são seus limites?
Eu funciono assim: se minha calcinha molha, é um grande sinal de que eu quero transar com um cara, mas não necessariamente isso vai acontecer, pois não é a única variável na situação. Eu em geral sou decidida, inclusive pra tirar alguém da minha cama se algo não vai bem. Isso me dá quase zero de experiências ruins (e olha que eu já levei MUITA gente pra cama). Enfim, não estou culpando você B., estou dizendo que você pode fortalecer seu eu interior, sua vontade, sua personalidade, para no futuro saber sair de situações como essa. E, além disso, sua vida sexual vai melhorar, tenha certeza. (Em tempo, eu já disse para um cara "se você não quiser, tudo bem" ;)

Roxy Carmichael disse...

tá rolando exageros aqui de todas as partes
1. a bebida
até onde se sabe, caso a pessoa bêbada cometa um crime, ela será responsabilizada por isso e em certos casos a bebida serve como agravante e não como suavizante (hehehe). caso do sujeito que bebe e dirige. por outro lado, a bebida é um produto legal, pessoas podem consumir tranquilamente desde que o direito delas de beber nao interfira nos direitos de outras pessoas. ou seja pode beber, ficar loucão, subir no balcão do bar e fazer declaração de amor?pode! pode beber, ficar loucão e sair rolando no chão da boate?também pode (desde que vc não machuque ninguem nesse processo) pode beber e ligar pro ex namorado e dizer que ainda ama ele? pode!pode beber e dançar de forma erótica? também pode!e pra quem disse que não é crime fazer sexo com uma pessoa bêbada, não é bem assim, imagino que já ouviram falar em estupro de vulnerável e alguém que está inconsciente pela bebida configura vulnerabilidade. eu disse inconsciente, ou bem próximo disso... não foi o caso da autora do post. sobre beber e ser responsável por si: até concordo, num mundo perfeito pessoas seriam responsáveis consigo mesmas e com os outros. mas esse não é um mundo perfeito. agora, daí a sugerir que não se pode confiar nem no amigo íntimo é foda!

2. estar sozinhos em casa
até onde se sabe, amigos íntimos como parece ter sido caso, se reúnem em casa, acompanhados de outras pessoas, ou sozinhos, porque são adultos e não necessitam de supervisão de um responsável. beber em casa com amigo é a coisa mais normal do mundo. não importa o gênero. e sim, existe amizade entre pessoas de gêneros distintos. e se vc é homem e só tem amigo homem, problema é seu, agora não venha querer ditar que todas as pessoas se comportem como vc. acho bem exagerado sugerir que o amigo planejou levar a menina pra casa e embebedá-la. isso seria tratar essa pessoa, até onde entendi, adulta, como uma criança. ou seja, o adulto oferece um doce e a criança ingênua, incapaz de medir as consequencias, se põe numa situação de risco. não ser tratadas como crianças é justamente uma das reivindicações de nós mulheres que queremos ter nossas vozes ouvidas e nossas opiniões respeitadas. isso poderia se estender até ao direito ao aborto. ou seja, nós mulheres somos inteiramente capazes de tomar decisões sobre nossas vidas e nossos corpos.(cont)

Roxy Carmichael disse...


3. consentimento versus desejo ou ausência dele
não consentir é não autorizar. ou ser forçado a algo que não se deseja fazer mediante coação ou violência. estupro = sexo em que umas das partes não consente, é coagida ou sofre violência física.se durante o sexo por exemplo, a jovem tivesse pedido pra parar categoricamente e não tivesse o pedido respeitado, seria estupro, porque a pessoa tem total direito de mudar de ideia se assim desejar.

agora, não vamos pensar o desejo (que é completamente diferente de consentimento) de forma tão simplista. sexo não é tão simples quanto parece, é uma zona bem cinza, aliás como muita coisa nessa vida. a autora deixou bem claro que seus sinais não foram muito claros. e "não, isso é muito estranho" é diferente de "não, não quero, pare agora". deixou claro que não pediu pra parar no meio. existe um certo código machista que um não pode ser um sim?existe. mas os caras tiraram isso do nada?não!como alguma comentarista aqui ja disse, mulheres são ensinadas a dificultar (e algumas até curtem ver o homem batalhando pra convencê-las) e homens são ensinados a insistir, a convencer e por fim, a conquistarem (e alguns também desfrutam muito dessa dinâmica). é o caso de se discutir essa prática que funciona porque é mantida pelos dois lados. pelos dois gêneros, não sejamos simplistas por favor!claro que discutir isso também pode nos levar a pensar o estupro, já que como alguém aqui tb já disse, muitos estupradores pensam que a vítima desejou o sexo à força. e isso não é uma defesa do estuprador que fique bem claro! eu penso que ela não queria, mas ao mesmo tempo não quis enfrentar as consequencias de uma negação assim mais categórica: seja pq o cara era amigo dela e ela não queria criar climão, seja pq estava bêbada e talvez num momento sentiu tesão, no outro não, enfim, são várias as possibilidades e só ela é capaz de definir isso! ela se sentiu mal depois de repente porque ela mesma não tomou a atitude de cortar o barato quando ela sabia que no fundo nao se sentia atraída por ele e não queria. também pensou que ele como amigo, podia ter sido um pouquinho mais respeitoso, podia não ter forçado a barra como forçou. é completamente normal que ela se sinta decepcionada consigo mesma e com o amigo. decepção é algo bem comum e em várias circunstancias, nao só a sexual. mas felizmente ela parece ter superado isso. e tá numa boa com o amigo. talvez agora ela saiba que quando ela nao quiser fazer sexo com alguém, bêbada ou sóbria, ela pode falar isso de forma bem clara e bem enfática que isso não vai magoar ninguém e que mais importante: que a opinião dela tem que ser respeitada.

Roxy Carmichael disse...

andré
no caso do atirador de facas, ele pode ser responsabilizado em caso de morte. o crime seria homicídio sem intenção de matar. pode beber o tanto que quiser, agora não pode interferir no direito (inviolável) do outro à vida não.

Roxy Carmichael disse...

"isso é estranho" NESSA SITUAÇÃO pode ser perfeitamente interpretado como: somos amigos, e pra mim, é estranho trepar com um amigo. será que isso não pode interferir na nossa amizade?

+

fechar os olhos pode perfeitamente ser interpretado como um charminho cuja referencia clara é o comportamento infantil. uma mulher adulta quando não está sendo coagida de forma violenta (física ou psicologicamente), é perfeitamente capaz de olhar nos olhos e dizer: NÃO QUERO.

+

"eu estava bêbada e não sabia se queria isso ou não"
se nem ela sabia, é bem difícil que o outro saiba. ela diz não ter incentivado, nem demonstrado tesão, é uma merda, mas na nossa sociedade é até bem aceito que mulher não sinta tesão. é a cultura do: não pago motel, pq afinal,é dever DELE pagar, como se só ele tivesse desfrutado, e eu, tivesse "liberado", "entregado" "dado" pra ele.

***
só sei de uma coisa (que nada sei, hahaha): muitas mulheres não são bem resolvidas sexualmente. alguém relatou que acabou transando com outra pessoa pra "parecer bem resolvida", mesmo sem querer muito. de um lado, ainda persiste a ideia de que mulher tem que se preservar. por outro lado, em alguns círculos sociais, existe uma necessidade de transgredir essa "lei". muitas o fazem porque realmente querem, porque sentem desejo e não se censuram (e bancam as consequencias de ser assim numa sociedade machista). muitas outras fazem isso porque são carentes, querem um mínimo de atenção e carinho e essa é a única forma de conseguir. depois ficam desiludidas porque o "carinho" e a "atenção" cessam exatamente na hora que o cara goza. outras fazem isso para parecer cool.

Anônimo disse...

Olha, pra mim, não pode haver transa se a mulher não estiver indubitavelmente e manifestamente a fim. Que diabos, basta a mulher ficar passiva pra que isso possa ser interpretado como um "sim" e o cara prossiga? Tá errado! E se essa passividade está ocorrendo quando ela está bêbada, ou drogada, pior ainda. Se a mulher diz "não", ou fica hesitante, não pode haver transa, simoples assim.

Anônimo disse...

Parece que na situação,os dois foram vítimas da nossa cultura e costumes... da mulher ter que se fazer de difícil e de o cara ter que ser oportunista e transar com a amiga.
Parece que o cara também ficou se sentido mal depois...

donadio disse...

Eis o que diz o Código Penal:

"Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
"

Tecnicamente, isso é que é "estupro". Naturalmente, as pessoas usam a palavra em outras circunstâncias. Mas para condenar uma pessoa a "6 a 10 anos de cadeia", é preciso ter havido "violência" ou "grave ameaça". E grave ameaça é ameaça grave realmente, do tipo que faça a vítima pensar que é melhor se submeter do que correr o risco de o agressor cumprir a ameaça. Do tipo, "se não eu te dou um tiro", "se não eu temato", "se não eu conto para o seu marido que você trai ele com Fulano", "se não eu mato seu filho", etc. Não são ameaças graves: "se não eu vou te deixar", "se não eu faço uma boneca de vudu e você vai sofrer horrivelmente", "se não eu me mato", "se não eu vou despedir você".

Isso não quer dizer que se aproveitar de uma pessoa embriagada seja impunível. Logo adiante, o Código Penal diz:

"Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
"

Ora, embriagar outra pessoa a fim de lhe reduzir a resistência é exatamente isso.

Em resumo, é crime (se a embriaguez é proposital, com a intenção de abusar da pessoa embriagada), mas não é estupro, e tem uma pena menor.