Mostrando postagens com marcador perguntas e respostas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador perguntas e respostas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de abril de 2025

ESTUPRO COMPARADO A FURTO POR FOME

Certo dia um desses caras insanos que comentam no meu blog deixou este comentário num post sobre estupro, sabe como é, tentando justificar... estupro. Olha a comparação:
"O homem tem tanto tesão que se ficar sem mulher por muito tempo ele acaba perdendo o controle e abusando de alguma. Felizmente, são a minoria. A maioria dos homens consegue se auto controlar. Mas vejam que são homens pobres, sofridos, que provavelmente as mulheres não queria saber deles e até os humilhavam. O tempo vai passando e o homem sem mulher vai enlouquecendo até entrar em desespero total e agarrar alguma mulher. Alguns podem ter até algum problema mental. Não estou defendendo esses caras, mas temos que ver a causa disso. Muitas vezes uma pessoa rouba porque está desesperada, passando fome. O mesmo pode ter acontecido com esses caras. Fome nós sentimos em algumas partes do dia, já a necessidade de fazer sexo é toda hora. Imagine então ficar privado disso por muito tempo"

segunda-feira, 12 de abril de 2021

E O DIREITO DO HOMEM AO ABORTO?

A Marina me mandou este comentário:

Tenho lido frequentemente seu blog desde que o descobri, e venho assumindo cada vez mais uma postura feminista, de refletir e tomar posições contra ideias, atitudes, falas, etc que como você já escreveu, estão tão enraizadas em nossas vivências que muitas vezes não percebemos o quão machistas são.  
Antes do STF autorizar o aborto em casos de fetos anencéfalos, em abril de 2012, li uma matéria sobre a dificuldade de uma mulher de Recife em conseguir autorização para aborto de seu feto anencéfalo. O que mais me revoltou, além da não-autorização pela equipe médica do hospital (havia milhares desses casos antes da decisão do STF), foi saber que, dentre a documentação exigida para autorização do aborto, estava uma autorização por escrito do pai da criança. Eu não sabia disso e não consegui encontrar em lugar algum uma listagem do que é realmente necessário pra se fazer esse requerimento, em termos de documentos. 
Quer dizer, além de toda a dificuldade e violência velada contra essas mulheres, por parte da sociedade, religiosos e profissionais da saúde, imagino ainda existirem muitos casos de discordância entre o casal, e caso o homem não "autorize", nada de aborto. Fiquei pensando em como não li nada antes sobre isso, se isso realmente não é discutido, e como isso reforça o papel de submissão e de falta de liberdade da mulher.
Por mais que o bebê também seja filho de um homem, que envolve seu DNA, sonhos, planos, etc, é tão óbvio que a primazia de direitos e de escolha, sobre a do feto e a do homem, é da própria mulher! Fiquei estarrecida em saber dessa condicionalidade para o aborto, e quis saber sua opinião. Às vezes tenho receio de virar uma feminista um tanto extremista e não conseguir olhar outros pontos de vista. Afinal, poderia em algum momento ponderar se o homem não tem mesmo direito nenhum nessa história. 
O que você pensa?
Obrigada e parabéns pelo seu trabalho, além de muito esclarecedores e com um imenso potencial de promover uma transformação em nós, leitorxs, é sempre uma delícia ler seus textos!

Minha resposta:
Isso do direito do homem de ter um filho é sempre lembrado pelos conservadores. Entre os "pró-vida" dos EUA você vai encontrar milhares de homens que dizem que aquela jararaca maligna da ex-namorada ou ex-esposa engravidou e abortou o bebê que eles, homens, tanto queriam. 
Aí a gente volta pra realidade. E a realidade é: qual mulher em idade fértil na face da Terra não atrasou a menstruação e pensou "Estou grávida"? Quantas dessas mulheres contaram ao parceiro sua preocupação em estar grávida? Dessas que contaram, quantos homens responderam com "Oba, maravilha, era tudo que eu queria!"? Quantos fugiram? Quantos negaram ser o pai? 
Você acha que homens assim querem mesmo ter um filho? Olha o que eu retirei de um fórum misógino. 
Um mascu perguntou se camisinha funciona sempre. Outro respondeu: "Preservativo é eficaz contra a gravidez sim. Em caso de estourar, soca uma pílula do dia seguinte na vadia e deixa ela se arrebentar com essa porra, mas pelo menos você se preserva".
Um outro incel quis saber: "E se ela não quiser engolir a pílula? E se ela tentar dar o golpe da barriga e ganhar pensões absurdas?" (Ha ha, pensões absurdas! A pensão alimentícia é pro filho, não pra mulher, e geralmente varia entre 20% a 30% do salário
Quando o cara não tem emprego formal, a pensão é fixada com base no salário mínimo. Assim, a "pensão absurda" paga ao filho pode ser de 200 reais! E lembrando que mulher também
pode pagar pensão. Quem fica com o filho é quem recebe a pensão. Se o cara quiser ficar com o filho, ele pode cobrar pensão da ex. Mas ficar com o filho, quantos homens querem?).
O mascu segue ensinando seus "confrades" a como forçar o aborto, sem que a mulher saiba: "Eu sei que existe um hormônio de uso veterinário, compra em qualquer loja veterinária para fazendeiro, que é de uso tópico. Faz efeito apenas sobre a mulher. Então você deixa um potinho no bolso, joga na sua mão e toca a mulher em um ponto em que ela não pode ver, por exemplo, pega ela abaixo do cabelo, na nuca. Aí o medicamento é absorvido pela pele e aborta o feto".
Tenho certeza que esses caras que ensinam como dar remédio pra cavalo pra mulher abortar são contra o aborto. Acham que mulher deve ser presa ou morta por abortar. E, óbvio, defendem a pena de morte pra feminista que luta pela legalização do aborto.
Mas pensando em homens que não sejam completos lunáticos como os incels (que, convenhamos, não correm grande risco de engravidarem uma mulher -- tem que fazer sexo pra isso), há um monte que, mesmo sem ser misógino, não quer ser pai. Não naquele momento, pelo menos. Não sem planejar. 
Os números não mentem: há mais de 5,5 milhões de crianças no Brasil sem o nome do pai na certidão de casamento. Só no primeiro semestre do ano passado, 6,31% das crianças foram registradas sem o nome do pai, afirmam os cartórios. Foram 80 mil crianças que nasceram "sem pai" apenas até o meio do ano! Isso gera uma série de problemas. Um dos principais é que a criança será criada pela parte que já ganha menos (os talvez 20% que os homens têm que pagar de pensão alimentícia pro filho equivalem aos 22% que as mulheres ganham menos que os homens no país). 
No final de novembro, em SP, um rapaz de 28 anos foi preso por colocar pílulas abortivas na vagina da namorada, sem ela perceber ou consentir. Ela abortou. Para ela a atitude do ex foi uma surpresa, pois ele "estava acompanhando a gravidez normalmente". Mas a verdade é que isso não é nada incomum. Digite "homem preso por forçar aborto" nos sites de busca pra você ver.
Ah, vamos deixar de hipocrisia! Quantos homens a gente não conhece que pagaram o aborto pra parceira ou ex?
O que eu quero dizer é que essa ladainha dos "pró-vida" de que o sujeito foi impedido de realizar seu sonho de ser pai pela pilantra abortista não me convence nem um pouco. 
Mas sem dúvida deve existir um ou outro que queria que a mulher prosseguisse com a gravidez, e ela não queria. E aí? E aí nada, ué. O corpo é dela. A decisão é dela. Quer dizer, é e não é, pois o aborto é proibido neste país atrasado e obscurantista que é o Brasil. Mas a decisão deveria ser toda dela.
Geralmente, quando há um casal formado (lembrando que 65% das mulheres que abortam são casadas ou estão em relacionamentos estáveis; quase 8 em cada 10 já têm filhos) que engravida sem planejar (e a grande maioria de nós fomos gerados sem planejamento -- pergunte a seus pais), o casal conversa sobre se quer ter (mais) esse filho. A decisão muitas vezes é tomada em conjunto.
Porém, se houver discrepância nessa tomada de decisão, quem tem que decidir é a mulher. E é justamente isso que nós feministas defendemos: que as mulheres tenham o poder de decidir sobre o corpo delas. Parece bem simples, mas o controle do corpo da mulher é uma das bases do patriarcado há milênios.

sábado, 15 de dezembro de 2018

KÉFERA ENSINA RAPAZ SOBRE FEMINISMO

Romário (não o ex-jogador e senador) me enviou um email anteontem:

Olá, Lola, há algum tempo acompanho seu blog com certa frequência e gostaria que você se puder elucidasse uma dúvida que tenho referente a um fato acontecido no programa Encontro com Fátima. A atriz e youtuber Kéfera estava debatendo a respeito do feminismo, quanto a apresentadora resolveu levar o assunto a plateia. Um rapaz se levantou e disse que concordava em parte com o discurso feminista (a cena está aqui).
"Ganhar salário igual, tudo bem. Eu concordo, mas eu encostei em uma feminista e perguntei onde ficava o banheiro, ela olhou pra mim, me encarou e parecia que seria uma cena de novela O Beijo do Vampiro. Não podia falar nada com ela".
Kefera se incomodou com as falas do rapaz e disse que ele estava fazendo mansplaining, ou seja, tentando explicar sobre feminismo para as mulheres. “Não é necessário, a gente sabe muito bem o que é feminismo. A gente entende o seu ponto de vista, só que é desnecessário", disse a atriz.
Continuando sua explicação, Kefera foi interrompida pelo rapaz: 
“Agora você tá manterrupting, que é quando você tenta interromper uma mulher explicando o feminismo". Ela continuou: “Entenda, não é o seu lugar de fala. Você pode ouvir, complementar e nos respeitar, você não tem que ensinar pra gente", finalizou.
Gostaria de saber sua opinião se a maneira que a Kefera utilizou pra explicar seu ponto de vista foi a mais assertiva, por que pra mim não sei se por eu ser psicólogo, que busca ao máximo não causar danos através da fala, me pareceu no mínimo rude da parte dela não deixar o rapaz terminar o raciocínio dele, e vir com termos apenas pra demonstrar que sabe mais do que ele sobre o assunto, e dizer que todas as mulheres sabem sobre o feminismo, sendo isso infelizmente uma verdade não absoluta. 
Tentar afirmar que só por ser homem estamos fadados a não saber a importância desse assunto a mim parece generalização, eu enquanto profissional esperaria o rapaz explicar o porquê dele não concordar, e de forma educativa diria a ele que o feminismo não espera ser melhor que os homens, apenas espera direitos iguais e respeito, empatia acima de tudo.
Gostaria de saber sua opinião a respeito do assunto. 
Meus comentários: Romário, só de ver como a Kéfera vem sendo atacada nas redes sociais por causa do que ela falou, dá pra ver que ela mandou muito bem. Ou no mínimo incomodou um monte de machista (veja um trecho maior do programa).
É muito bom ver que um programa popular na TV aberta esteja discutindo feminismo. Esta parte do "Encontro com Fátima Bernardes" foi muito didático e contou também com a participação da respeitada professora Heloísa Buarque de Hollanda. 
O tal rapaz, o Wallace, começou reclamando de um rapaz que disse apenas sua opinião (machista) e foi "atacado" por um colmeia de feministas a ponto de ter que excluir suas redes sociais (tadinho). Em seguida Wallace contou que tocou numa feminista e perguntou pra ela onde ficava o banheiro, e ela olhou feio pra ele. Talvez porque ele tenha tocado nela, de acordo com suas próprias palavras? Daí ele generalizou ao sugerir que todas as feministas seriam assim, de um cara não poder lhe dirigir a palavra. Ele nem notou que possivelmente o mal estar não foi por ter falado com ela, mas por ter tocado nela. 
Foi interessante Kéfera trazer termos que são bastante conhecidos na internet, como mansplaining (eu gosto da tradução homexplicanismo) e manterrupting (hominterrompendo?), para a TV. E ainda apresentou o termo lugar de fala. Pelos aplausos do público, as pessoas no estúdio conheciam todas essas expressões. 
"Só um minutinho, Wallace"
Na minha opinião, Kéfera foi muito bem educada. Pelo jeito, Wallace iria longe na sua "explicação" sobre o que ele não gosta no feminismo (ou de como ele discorda que feminismo seja luta por direitos), tanto que Fátima teve que cortá-lo. 
Kéfera não "veio com termos para demonstrar que sabe mais do que ele sobre o assunto". Ela sabe mais do que ele, não precisou demonstrar. E ela não usou as expressões pra se exibir, mas pra se comunicar. São termos que existem, que foram inventados recentemente por feministas para tratar de velhos problemas, como muitos homens quererem explicar tudo pras mulheres, ou muitos homens interromperem a fala de mulheres (em qualquer tema). 
Wallace (à direita) ficou pistola
Eu não ouvi a Kéfera dizer que todas as mulheres sabem mais do que homens sobre feminismo. Isso foi a sua interpretação. Ela tampouco disse que homens não sabem a importância do "assunto" (você quer dizer do feminismo?). A gente adoraria que homens reconhecessem a importância do feminismo pra sociedade. Eu conheço vários rapazes que veem essa importância. 
Você está tentando dizer como a Kéfera, uma moça que se declara feminista, deveria agir e falar. Você tem todo um roteiro pronto pra ela. Já eu penso que ela se saiu bem usando suas próprias palavras, sem precisar usar as suas, Romário. 

sábado, 13 de outubro de 2018

MEDO DO FASCISMO: "ESTAMOS ENTRANDO NO ARMÁRIO DE NOVO"

Tem muita, muita gente com medo da vitória do fascistão. 
Medo pela nossa sobrevivência, pelo caos, por milícias neonazis que já estão formadas, pelo fim da democracia. Eu acompanho eleições presidenciais bem de perto desde 1989 e, enquanto outros medos eram irracionais e fabricados (medo do MST invadir sua casa, do PT confiscar sua poupança, da ditadura comunista, de transformar meninos em meninas), o medo de agora é bem real. Porque já está acontecendo! São inúmeros ataques a minorias por bolsominions com total orgulho do seu preconceito e ignorância. 
Hoje recebi este mensagem de uma leitora querida: 
"Eu sou lésbica e moro em São Paulo, capital. Eu e a namorada estamos apavoradas, estamos pensando em sair daqui. Vc acha que valeria a pena ir pra Fortaleza? Estou apaixonada pelo Ceará. Vc acha q é OK para lgbt aí?
Eu respondi: "Calma, querida! Acho que o Nordeste é bem mais seguro para minorias que Sul e Sudeste. Eu pelo menos, como ativista, me sinto mais segura morando aqui. O número de fascistas por aqui é bem menor (Bolso não gosta de nordestino, e nordestino não gosta de Bolso). Se eu morasse em Joinville ou SP (como morei durante 15 e 16 anos, respectivamente), eu ficaria muito mais temerosa. Vc tem sentido medo ao andar na rua agora?"
Ela: "Olha, eu não passei por nada ainda, nem a minha namorada. Quando a gente sai na rua, está tudo normal. Mas estamos cortando atividades, por exemplo, para não voltarmos muito tarde para casa, por exemplo. E não estamos andando de mãos dadas, nem nada do tipo. Estamos deixando o cabelo crescer. Estamos entrando no armário de novo, né. Moramos perto do metrô República e essa região sempre foi a região que os nazi caçam os lgbt. Agora que está assim o medo é na volta para casa, sabe. Mas estamos seriamente pensando em sair do Brasil, e não queremos isso. A gente gosta de morar aqui, nossa vida é aqui, Lola. Pensamos no Ceará porque ainda é Brasil e já é 2018 aí (aqui está no século XIX ainda)." 
Eu: "É terrível, querida. Semana passada me peguei falando com meu marido sobre morar fora do Brasil se Bolso ganhar. Mas vamos esperar, vamos lutar. Não podemos nos entregar. Acho que ainda dá pra virar. Temos quinze dias. 
A gente também pode adotar a postura #EleNãoVaiMeMatar e #EuNãoTenhoMedo, como diz esse lindo do Caio Blanco num vídeo hilário: 
"Se me atacar, vou atacar de volta! É posse de arma que a galera tá querendo? Vai ter posse de arma pra ti? Mas vai ter posse de arma pra mim também, amore! [...] Pensam que podem nos matar? A travesti corta a tua garganta antes que você possa falar 'heteronormatividade', ou então antes que você consiga soletrar 'kit gay'. [...] Eu não tenho medo. Pau no cu de vocês".
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

JOVEM EM RELACIONAMENTO ABUSIVO E PAIS QUE SABEM DAS COISAS

A L., de 15 anos, me mandou este email:

Só queria desabafar um pouco...
Cansei de tanto ouvir que: "Mulher só gosta de cafajeste" e "Mulher não sabe escolher homem que presta e depois reclama".
O problema é: 
e quando o seu namorado parece ser alguém moderno, que respeita as mulheres, que te chama de linda todos os dias, é carinhoso e fofo e te faz se sentir amada? E depois de algum tempo você descobre que na frente de você e dos seus pais ele é tímido, maduro e romântico, e com os amigos se torna um bêbado, exibido e que "tira liberdade" com as garotas? E o pior:
1- Ele tem 14 anos.
2- Ele é ciumento.
Ele já reclamou das minhas roupas (e olha que eu não gosto de roupas curtas), teve crise de raiva porque eu simplesmente disse que um menino era bonitinho...
Até meus pais notaram o ciúme excessivo dele e tiveram uma conversa séria comigo sobre relacionamento abusivo.
No começo eu achava que era um ciúme normal, que meus pais só estavam sendo protetores demais.
Mas se não fosse a conversa franca que eles tiveram comigo, talvez eu ainda estaria achando aquilo tudo de ciúmes fofo, a forma dele se preocupar comigo.
Eu sabia que ele bebia, gostava de festas e essas coisas, mas eu pensava que o amor ia mudar ele (e no começo pareceu que mudou mesmo).
Eu sempre fui uma menina quieta, era a cdf da sala e achava que nunca ia encontrar minha alma gêmea. Até que conheci ele no 9° ano, parecia alguém perfeito e que me amava de verdade...
Mas parece que agora tudo isso é uma realidade distante.
Agora são 01:51 da madrugada e eu ainda não consigo dormir.
Sinto uma mistura de tristeza, angústia e raiva.
O que eu faço? Converso francamente com ele e perdoo ou dou um tempo no relacionamento?

Meus comentários: Seus pais estão certos. Que bom que eles te alertaram sobre relacionamento abusivo!
Vc é quase tão jovem quanto seu namorado, então saiba que vc ainda vai encontrar sua "alma gêmea" (ou como vc quiser chamar alguém por quem vc vai se apaixonar) muitas vezes na sua vida. 
E algumas serão pessoas bacanas, outras nem tanto, outras serão bizarras como seu atual namorado. E vc também pode ter lapsos e não tratar bem um cara de vez em quando.
Não tem isso de "o amor mudar ele". Talvez ele até mude no futuro -- eu acredito que as pessoas podem mudar --, mas dificilmente será por causa do amor. Não será por sua causa, será porque ele quis. E, até que ele mude, se é que ele vai mudar, você quer aguentar alguém que reclama das suas roupas, tem crises de raiva, ciúme excessivo e bebe demais?
Ciúme não é demonstração de amor. É demonstração de insegurança, possessividade, ignorância, desconfiança, de quem te vê como propriedade dele. É o tipo de sentimento que leva a feminicídio.
Vc me perguntou o que fazer -- conversar com ele francamente e perdoar ou dar um tempo no relacionamento? Nenhuma das duas alternativas. Há outra: terminar o relacionamento com ele. 
Vc pode e até deve ter uma conversa franca com ele ao fazer isso, mas acredite, terminar é a melhor opção. E, quando vc for terminar com ele, marque um lugar público para vcs se encontrarem. Tá cheio de cara que não aceita o final de uma relação e mata quem ele vê como sua posse.
E vá decidida. Ele tentará te convencer que te ama, que vc o ama, que ele vai mudar. Não aceite. Se vc aceitar, isso pode levá-lo ao próximo nível do relacionamento abusivo, que é a violência física. Afinal, ele viu que pode fazer o que quiser e que vc irá sempre perdoá-lo.
Bom, querida, essas são as minhas sugestões. Mas fale também com seus pais, que podem te aconselhar melhor.
Boa sorte! Saia dessa arapuca!
Só mais uma coisinha: 
ontem, pouco tempo depois de eu responder o email da L., numa aula da pós, uma aluna minha contou que, conversando com os pais numa escola pública em Fortaleza onde ela dá aula, vários pais disseram saber que os filhos adolescentes eram gays ou lésbicas, mas esses filhos não falavam com eles, não se assumiam. 
Os pais queriam saber como conversar sem preconceitos com seus filhos. A escola fez o que é seu dever: educou. Minha aluna e outras professoras ofertaram uma oficina sobre gênero e sexualidade para os pais. Eles gostaram muito. Estavam cansados de ser ignorantes. Queriam aprender.
Só pra registrar meu otimismo. Em menos de 12 horas, ouvi duas histórias de pais antenados, atenciosos, que realmente desejam o melhor para seus filhos. Há luz no fim.