domingo, 13 de novembro de 2011

A CÓLERA E A OCUPAÇÃO DA USP

Estou correndo. Já é praticamente final de semestre, e qualquer professora sabe o que isso representa. Além do mais, uma grande amiga minha ficou aqui em casa uma semana (voltou para Belo Horizonte agora pela manhã), e eu tive que dar a ela o mínimo de atenção (bem mínimo mesmo, tadinha).
Sexta passei à tarde assistindo a duas ótimas palestras do Projeto CASa, programa que faz parte do estágio probatório que todos os novos docentes da UFC precisam cumprir (e eu gosto, aprendo muito, e é também uma boa oportunidade de conhecer professor@s de outras áreas). Pois bem, uma das palestrantes foi a Dra. Selma Garrido Pimenta, professora titular da Faculdade de Educação da USP. Ela disse muitas coisas interessantes, entre elas que existe uma desvalorização do trabalho docente pelos jovens (eu concordo: o anti-academicismo é enorme), ao mesmo tempo em que a percepção geral é que as universidades públicas ainda garantem bons empregos (logo, um monte de gente faz ou quer fazer concursos públicos para conseguir um emprego estável com um bom salário). Apesar dessas percepções, nós, professor@s, cumprimos um papel social. Tant@s de nós queremos mudar a sociedade!
A doutora não falou muito sobre a ocupação da USP (entenda o que está acontecendo), mas ela disse que cabe a nós tomarmos uma posição que vá contra o senso comum. Qual o senso comum sobre tudo isso? Ah, você sabe: que aluno de Humanas é tudo vagabundo e maconheiro mantido com a grana do papai, que a PM tem mais é que invadir o campus e descer o cassetete neles, que professor desses cursos é tudo comunista, que, aliás, essas excrecências como cursos inúteis de Humanas nem deveriam existir! Bolsonaro pra reitor da USP, yay!
É de chorar. Nessas horas é que vemos o conservadorismo dessa abstração que podemos chamar de “senso comum”. Porém, mais uma vez, é preciso ver o contexto. É completamente ridículo associar a atual crise da USP a três alunos que foram flagrados pela PM fumando maconha no campus. Para o sociólogo Michael Löwy, vivemos num tempo de grandes revoluções (e isso é fantástico!): “Há uma indignação com a ordem das coisas no mundo. Um sentimento de cólera. E, diante dessa percepção de injustiça, os estudantes têm um papel essencial, começando movimentos de protesto” (leia a entrevista inteira de Löwy).
Aproveito para divulgar a nota assinada por mais de 260 doutores, doutorandos, mestres e mestrandos da USP. Meu posicionamento sobre a crise fecha com a deles (mas continuo aguardando um guest post de alun@s da USP que estejam acompanhando os conflitos bem de pertinho). Nota pública de pesquisadores da Universidade de São Paulo sobre a crise da USP
Nós, pesquisadores da Universidade de São Paulo auto-organizados, viemos, por meio desta nota, divulgar o nosso posicionamento frente à recente crise da USP.
No dia 08 de novembro de 2011, vários grupamentos da polícia militar realizaram uma incursão violenta na Universidade de São Paulo, atendendo ao pedido de reintegração de posse requisitado pela reitoria e deferido pela Justiça. Durante essa ação, a moradia estudantil (CRUSP) foi sitiada com o uso de gás lacrimogêneo e um enorme aparato policial. Paralelamente, as tropas da polícia levaram a cabo a desocupação do prédio da reitoria, impedindo que a imprensa acompanhasse os momentos decisivos da operação. Por fim, 73 estudantes foram presos, colocados nos ônibus da polícia, e encaminhados para o 91º DP, onde permaneceram retidos nos veículos, em condições precárias, por várias horas.
Ao contrário do que tem sido propagandeado pela grande mídia, a crise da USP, que culminou com essa brutal ocupação militar, não tem relação direta com a defesa ou proibição do uso de drogas no campus. Na verdade, o que está em jogo é a incapacidade das autoritárias estruturas de poder da universidade de admitir conflitos e permitir a efetiva participação da comunidade acadêmica nas decisões fundamentais da instituição. Essas estruturas revelam a permanência na USP de dispositivos de poder forjados pela ditadura militar, entre os quais: a inexistência de eleições representativas para Reitor, a ingerência do Governo estadual nesse processo de escolha e a não-revogação do anacrônico regimento disciplinar de 1972.
Valendo-se desta estrutura, o atual reitor, não por acaso laureado pela ditadura militar, João Grandino Rodas, nos diversos cargos que ocupou, tem adotado medidas violentas: processos administrativos contra estudantes e funcionários, revistas policiais infundadas e recorrentes nos corredores das unidades e centros acadêmicos, vigilância sobre participantes de manifestações e intimidação generalizada.
Este problema não é um privilégio da USP. Tirando proveito do sentimento geral de insegurança, cuidadosamente manipulado, o Governo do Estado cerceia direitos civis fundamentais de toda sociedade. Para tanto, vale-se da polícia militar, ela própria uma instituição incompatível com o Estado Democrático de Direito, como instrumento de repressão a movimentos sociais, aos moradores da periferia, às ocupações de moradias, aos trabalhadores informais, entre outros. Por tudo isso, nós, pesquisadores da Universidade de São Paulo, alunos de pós-graduação, mestres e doutores, repudiamos o fato de que a polícia militar ocupe, ou melhor, invada os espaços da política, na Universidade e na sociedade como um todo.

158 comentários:

Taty Valéria disse...

Oi Lola,

Quando fiz minha faculdade de jornalismo (pública), tinha uma visão de mundo bem parecido com a maioria dos meus amigos. Exceto por um detalhe: eu já era mãe, trabalhava o dia todo e estuadavaà noite. Mal tinha tempo de jantar, e muitas vezes ia pra facul de barriga vazia mesmo, enganando o apetite com Free Ligth. Eu definitivamente não tinha tempo pra revolucionar coisa nenhuma, a não ser minha própria vida: eu era mãe solteira, sem apoio de pai e mãe e dependeia da boa vontade de amigos.
Lógico que daqui de onde estou, o que eu sei da ocupação e de todo o caso da USP é o que a mídia me mostra.
Posso estar sendo medíocre, egoísta, leviana, e tals e tals...
Mas não sinto solidariedade pelo movimento. Acho que falta algo... vi umas imagens em que mostraram alguns estudantes se atirando em cima dos PM's, como se esperassem uma reação violenta. Enfim...
Na minha visão limitada pela geografia, acho que falta uma dose de vida real pra esses "meninos". INteligência e vontade eles já mostraram que têm, falta só escolher a causa certa.
Bj!

A.H.B. disse...

Lola, como estudante de História da USP, estou muito indignada com a forma como a mídia tem se referido a nós e incentivado as pessoas a fazer o mesmo em redes sociais. Vi vários amigos e conhecidos fazendo comentários horríveis e completamente anti-intelectuais. (Ao menos, para mim, é totalmente anti-intelectual desejar que estudantes de cursos voltados ao ensino de política sejam reprimidos).

Em tempo, tem dois relatos bons de pessoas que estavam lá: "Esclarecendo para quem vê de fora" e "Desabafo de quem estava lá".

A.H.B. disse...

Outra coisa é essa atitude da mídia de dizer que a causa desses eventos na USP tem a ver com liberação de maconha.

Mentira.

Essa não é uma pauta do movimento estudantil. E nem é de agora os atritos políticos com o reitor, que por sinal está sendo investigado pelo Ministério Público por corrupção.
Eu nunca participei do ME, mas nos cinco anos que estive aqui, posso afirmar que eles possuem causas legítimas - por exemplo, aqui na História tem várias reclamações sobre decisões arbitrárias quanto às disciplinas oferecidas. Também é dada muita importância para a autonomia da universidade e críticas à privatização de espaços no campus.

Mesmo que possam ser feitas críticas à atuação e aos slogans das organizações estudantis, não são válidos comentários vindos de uma mídia mal intencionada que utiliza termos da ditadura militar.

Fernando Borges disse...

Sou aluno da USP e tenho uma opinião que não vai de encontro, em diversos aspectos, com o discurso mais popular na universidade, que, a meu ver, não representa a opinião da maioria.

Participei de quase todas as assembleias das últimas semanas e o que vi foi uma discussão não acerca das bases, não acerca do que seria feito, mas sim de COMO seria feito.

Na questão da greve, por exemplo, não foi discutido se haveria ou não greve, mas sim se ela seria imediata ou não.

Por mais que seja muito bonito ver 2.000 alunos reunidos e participando, ainda assim estes não refletem os anseios dos 80.000 alunos da USP.

E o DCE da USP em momento algum cogitou a realização de um plebiscito para apurar o desejo da maioria sobre as questões centrais, embora alguns CAs (como o da POLI) tenham pedido isso.

O cerne de tudo isso não é se a PM fica ou não, se a ocupação da reitoria foi correta ou não (não foi), mas sim a ausência de diálogo.

Na USP, principalmente na FFLCH, se você não concorda com algo que esse "eixo" diz, você automaticamente é taxado de fascista, extrema direita e fã de Reinaldo Azevedo, mas as coisas não são bem assim.

A.H.B. disse...

Não é culpa da FFLCH que existe isolamento acadêmico na universidade, a ponto de faculdades diferentes terem opiniões completamente contrárias.

Falta sim diálogos entre os cursos, mas isso não faz com que o ME esteja automaticamente errado ou que não tenha pontos legítimos, mesmo para quem não concorda com eles.

Além disso, o maior problema é que é erradissíma a forma que a mídia retratou os estudantes.
Vale dizer também que os professores da FFLCH, em geral, estão favoráveis à greve e também são críticos às atitudes do reitor.

Eduardo Marques disse...

Só um texto para refletirem sobre isso:

http://papodehomem.com.br/8-mentiras-que-voce-anda-lendo-sobre-a-pm-na-usp/

1. A PM extrapolou suas funções

[...]
Tampouco houve “enquadramento” – tudo o que a PM faria seria levar os alunos para a delegacia e os fazerem assinar um termo de compromisso. O próprio diretor do DCE, João Victor de Oliveira, afirmou que os 3 estavam “aceitando” ir pra delegacia (como se precisassem). Qual o problema com isso? Nós sabemos: nesse processo, um PM liga pro papai e pra mamãe dos alunos e assim eles descobrem que aquele menino brilhante estava era puxando fumo no carrão que deram pra ele voltar da USP de noite.
[...]

2. A PM no campus não ajuda na segurança

http://blogs.estadao.com.br/ponto-edu/crimes-na-usp-caem-ate-92-apos-convenio/

[...]

5. Os estudantes decidiram em assembleia

[...]
Isso é ponto pacífico. Para evitar que percam vergonhosamente, há uma tática comum da galera pró-baderna: “decidir” tudo por “assembleias”. Isto é, marca-se uma reunião, em 102% dos casos em horário de aula (mesmo de prova), em que se “vota” algum tema.

Como quem mais pode cabular aulas são (não é preciso argumentar) o povo da maconha e da violência, conseguem uma derrota menos inglória. Ainda assim, costumam perder. O mecanismo padrão, assim que uma votação contra invasão de prédios, greves ou PM se mostra um fracasso, é cancelar a assembleia e marcar uma outra. Assim, nova aula cabulada, nova votação – dessa vez com menos gente sendo obrigada a matar aula apenas para votar por ter aula. O mecanismo geralmente se repete três, quatro, cinco vezes até que conseguem “votar” alguma coisa. Enquanto isso, dizem que votações “um homem, um voto” não lhes representam.

Os votos nas assembleias são contados pedindo-se para se levantar a mão e contando, no olhômetro, quantas mãos se levantaram de um lado, quantas se levantaram de outro.
[...]


*********

Lola, cuidado para não deixar seu esquerdismo falar besteira sobre esse assunto, isso é sério.

Rosanna Andrade disse...

Eduardo Marques, faz-me rir!
Ao menos no campus de Sao Carlos, as assembleias foram apos as 6, qdo a maioria dos cursos (exceto os noturnos) n tem aula.

Alias, quais sao suas fontes mesmo?

Leila Silva disse...

Eduardo,

Cuidado para não deixar seu direitismo falar besteira sobre esse assunto, isso é sério.

*Cuidado redobrado porque a direita tende a falar MUITA besteira. Por favor, não leve a mal, é conselho de amigo, tão bonzinho quanto esse que você deixou para a Lola...e completamente imparcial.

denise disse...

Fernando Borges minha filha foi estudante da USP, na Poli, mas tem muitos amigos por la ainda que não se formaram ainda, e a maioria fala o mesmo que vc, que esse grupo de alunos que participou dessa invasão se quer quis ouvir os demais, foram totalmente autoritários, diante de todo o resto da universidade.
A depredação promovida ali, toda a imprensa noticiou, acho um absurdo tratar patrimônio público dessa maneira, embora esse estudantes afirmem que não foram eles quem fizeram aquela destruição, fica bem difícil pra população acreditar em gente tão fascista como eles demonstraram ser.
E mais, uma das maiores reivindicações da população é por mais policiamento, qual o motivo pra esses estudantes não quererem, justamente o que mais a população precisa.
Infelizmente esse grupinho deixou uma imagem bem lamentável nesses episódios todos.

Thays Mossi disse...

Acho que as demandas dos estudantes da USP são comuns a todos os estudantes. E que os problemas que eles denunciam se repetem por aí. Na minha visão, eles estão defendendo a autonomia universitária, que vem sendo ferida de diferentes formas. Uma delas é a PM no campus, outra é a lógica de mercado que vem pautando nossos cursos de graduação, outra ainda são as diretrizes de produtividade da Capes e do Cnpq que recaem sobre professores e alunos de pós-graduação.

A questão da autonomia é transcendental, e por isso a luta na USP é mais do que legítima, é necessária. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nessa semana que passou, os alunos do PPG em Antropologia Social fizeram uma paralisação linda, e ganharam apoio de todos os PPGs da universidade. Só que mostrar antropólogos lacrando suas salas de aula e sentados na grama fazendo oficinas pacificamente, ou em assembléias organizadas e plurais não tem nada de espetacular, aí ninguém fica sabendo, porque não dava pra mídia chamar eles de vagabundos, maconheiros nem nada do tipo (não que dê pra chamar os alunos da USP disso).

A.H.B. disse...

denise: não, você só está comprando o que viu na TV. Ao contrário do que estão falando, não houve "destruição" na reitoria.
o pessoal da Poli não é só distante do pessoal da fflch, de forma que não há comunicação entre os cursos, como a politécnica tem tendências a alinhar-se com certa ala política que será sempre contra qualquer revindicação estudantil.
Tente se informar por outros meios, antes de sair ofendendo uma faculdade inteira sem razão para isso.
O professores da FFLCH foram contra a atitude do reitor de utilizar a tropa de choque para tirar os estudantes da reitoria.

A.H.B. disse...

Thays Mossi: concordo. Agora, como que alguém deveria se sentir ao ver as pessoas fazendo afirmações falsas sobre sua faculdade?
As pessoas não percebem que é ofensivo estereotipar todos os alunos de um curso, incluindo membros de uma organização legítima, de "vagabundos" e "maconheiros"?

Rosanna Andrade disse...

Fernando Borges,

interessante sua visao do q aconteceu em SP, afinal nada melhor do que a visao de quem esta ai.

Aqui no campus de Sao Carlos acredito q havia cerca de 1000 alunos na assembleia de quinta passada. Nesta ocasiao foram discutidos os pontos um a um, inclusive se haveria greve ou nao. Tanto que decidimos por nao fazer greve. Depois a maioria decidiu por indicativo de greve mais paralisacao, mas havia possibilidade de nenhuma dessas acoes acontecer, se assim fosse decidido.

Ao menos em Sao Carlos, q eh um campus de Exatas, e bastante dificil ver a maioria das pessoas discutir a fundo o assunto, saindo do discurso da velha midia. Entao, e dificil falar que 1000 alunos nao representam com legitimidade a opiniao de todos, quando a maioria simplesmente se absteve de emitir opinioes (nao comparecendo a assembleia).
Garanto que houve uma boa representatividade de todas as opinioes, as pessoas falavam ao microfone, havia direito de resposta. So vi unanimidade quanto ao "FORA RODAS" mesmo.

Eduardo Marques
Sobre as alegacoes:

A PM supostamente melhora a seguranca no campus. porem, foi incapaz de coibir acontecimentos mais graves nos ultimos meses, inclusive a morte de um estudante da FEA (a PM ja estava no campus, depois disso apenas foi aumentada sua presenca), e o caso da aluna Camila que levou um tiro no olho apos sair da universidade.
Ninguem quer falta de seguranca! Discute-se formas alternativas de obter essa seguranca, cuja falta e devida a um problema historico de arquitetura no campus: grande presenca de espacos vazios e mal-iluminados, por exemplo.
O problema e q a PM, amparada pelo discurso da seguranca, usa arbitrariamente de forca para inibir manifestacoes pacificas dos estudantes, como em 2009, quando estudantes e funcionarios foram agredidos com bombas de efeito moral.
O problema nao e apenas da PM, mas de toda uma estrutura autoritaria da universidade hoje em dia, como foi visto num recente caso em Bauru, em q 3 meninas foram impedidas de colar cartazes com os escritos "FORA RODAS" pela guarda do campus, e posteriormente encaminhadas a diretoria.

Estou com pressa no momento, se necessario mais tarde dou a fonte detalhada dessas informacoes. Muitas delas pode-se encontrar aqui:
http://ocupauspcontrarepressao.blogspot.com/

Seu discurso e raso, bem alinhado com o q a midia tradicional vem falando. Se quer uma discussao de qualidade, procure por mais informacoes.

Lola
Nao sou de Sao paulo, mas venho participando de assembleias no meu campus, em Sao Carlos. Se quiser, tenho o pdf da ata da ultima assembleia geral, que ilustra bem a opiniao dos alunos do campus que compareceram.

aiaiai disse...

Valeu, Lola. Acho incrível as pessoas acharem q faculdade é curso de capacitação...Li um texto de um aluno da USP que fala exatamente disso, mas está no facebook e não sei se todo mundo acessa. O link é esse:

http://on.fb.me/tNuQKv

Se vcs não conseguirem acessar e quiserem que eu reproduza aqui, avisem.

Me lembrou um episódio q passei na faculdade. Eu fiz um determinado trabalho, com muito esforço e dedicação. O professor disse:
"se vc trabalhasse na empresa "tal" ou "tal" (não vou dizer p não revelar minha profissão), ñ poderia fazer um trabalho desses. Não é o que eles fazem. É bom mas não é o que o mercado quer."

Eu disse para ele:
"porra, legal, vc me arrumou um emprego nessas empresas? Eu não sabia. Achei q estava na faculdade para estudar e tentar achar formas diferentes de resolver problemas da nossa sociedade. Não achei q estava aqui para replicar o que o mercado quer. Mas com um empregão desses, quem vai querer mudar algo, né. (modo ironia no power plus)."
Sai da sala indignada. Eu tinha nota para passar, aquele trabalho não ia mudar muito a minha nota. Mas foi uma ducha de água fria.

A sorte é que o povo naquela época era diferente de hoje. Meus colegas de classe ficaram indignados também e deixaram a sala e foram me dar apoio. Fizemos protesto e tudo. Isso foi em 1984. Eu achei q a sociedade fosse avançar, mas tava enganada, né?

Rosanna Andrade disse...

denise
Os estudantes nao defendem a falta de policiamento. Defendem o fim do convenio da PM (o q nao impediria a PM de entrar eventualmente no campus, desde que a coordenadoria assim permitisse).
Pedimos a saida da PM por sua arbitrariedade, mas defendemos ao mesmo tempo o aumento no efetivo da guarda universitaria, criacao de uma ala da guarda feminina, que poderia auxiliar por exemplo, no combate a abusos sexuais e estupro.

A.H.B. disse...

aiaiai: Pois é. Aqui na História não temos cursos de pré-história brasileira, por exemplo - E foi só em 2008/2009 que História da África passou a ser disciplina obrigatória.
-
Enquanto isso, estão sendo incluídas disciplinas que visam mercadorizar o curso, como "História Empresarial".

A.H.B. disse...

Rosanna: é mesmo! Essa questão de não haver uma guarda feminina na USP é muito importante. Mesmo tendo o batalhão da PM a cinco minutos do campus (tem um batalhão na Vila Indiana, perto do portão 3), não tem nenhum tipo de delegacia da mulher naquela região.

Carol disse...

Eu me formei na USP. Quem estuda nos campi no interior nem fica sabendo do que está acontecendo no movimento estudantil. Pessoal do DCE só aparece lá em época de eleição para entregar panfletinho. E pior: panfletinho que fala sobre, sei lá, tropas brasileiras no Haiti ou cita frases de Mao Tsé Tung, mas que não fala de alguns problemas estruturais da universidade, como hã... segurança!

No mais, eu não vi a polícia impedindo nenhum periódico acadêmico de publicar um texto sobre Foulcaut, nem vi a polícia proibindo o pessoal de ver palestra sobre a obra do Zizek... ISSO seria ferir autonomia universitária. E se fizessem isso, eu, mesmo não sendo mais da USP, iria engrossar o caldo de alunos protestando.

Mas a polícia fez cumprir a lei. Pode-se não gostar da lei, mas não pode-se culpar a polícia por cumpri-la. Além disso, gente: fotinho do Mao Tsé Tung (em que século esse povo está?) no ônibus, cobrir o rosto com moletom da GAP, tentar se fazer de vítima quando NÃO HOUVE agressão da polícia, cara de quase 30 anos no meio dos "estudantes"? Eu não consigo levar a sério esses wannabes de 68 sustentados com dinheiro da mãe.

Enquanto isso, um monte de gente fica com processo de bolsa atrasado porque baderneiros que nunca puseram um pé no interior invadem a reitoria (porque protesto para melhorar o tempo de processamento dessas coisas, né? Não tem). Enquanto isso, faltam livros na biblioteca em quantidade suficiente para os alunos. Enquanto isso, tem faculdade que não tem dinheiro nem para pagar o próprio papel higiênico direito (e depois reclamam quando essas mesmas faculdades lançam cursos pagos de pós graduação porque "privatizou" a faculdade, mas também reclamam porque só nessa faculdade "privatizada" tem cadeira estofada, ar condicionado, banheiro decente e professor REALMENTE bem pago).

Sério, como ex-estudante, eu fico p* com isso. DCE nunca representou ninguém. Esses "estudantes" aí representam menos ainda a comunidade uspiana. Vão caçar Fapesp e produzir algo de útil em vez de brincar de revolucionário.

Thays Mossi disse...

A.H.B,
Desculpa, acho que meu comentário ficou inconcluso. O que eu queria dizer, mas acabei de fato não dizendo, é que a mídia está se aproveitando da situação de violência que existe na USP pra passar esses estereótipos terríveis. Acho que essa situação de violência não foi gerada pelas manifestações dos estudantes, e sim pela simples presença da polícia no campus. Só o fato dela estar lá já é uma forma de violência contra os princípios que pautam a existência de uma universidade pública e que produza conhecimento autônomo e de qualidade. E pelo que eu entendi, ela estava revistando os estudantes, estou certa? E isso é uma inversão do pseudo "propósito" da presença da polícia no campus, que seria a proteção da comunidade universitária.

Compartilho da tua indignação, porque também sou estudante de humanas e acho horrível essa tentativa de transformar estudante em bandido. Ser vagabundo-maconheiro-bancado pelo pai é uma sina de todo estudante de humanas. Mas isso é uma grande besteira em uma área tão plural como a nossa, aqui na UFRGS, por exemplo, o curso de filosofia se alinha à direita no debate político, e hospeda alunos skin-heads aparentemente sem maiores conflitos (o que me apavora, sinceramente). Já um aluno da história que distribui material de caráter facista em aula está sofrendo processo. Enfim, só nos resta a consciência de que somos plurais de mais pra caber num estereótipo mesquinho desses.

No blogueiras feministas, li um texto sobre a USP e a autora dizia que 9 cursos da USP estão entre os 200 (?) melhores do mundo. 6 deles são FFLCH. E aí eu pergunto pra quem vem aqui criticar esses estudantes: vagabundos, sério? (desculpa a falta de referência)

Força pros colegas da FFLCH/USP!

A.H.B. disse...

Ah, interessante saber que toleram numa boa skinheads enquanto querem reprimir a esquerda.
Mas é, não há necessidade de reprimir skinheads, eles estão alinhados com a mídia que nos chama de "maconheiros vagabundos", afinal.

Thays Mossi disse...

Carol, sugiro que leias a entrevista do Michel Löwy linkada no post da Lola.

Sobre a autonomia universitária, a idéia é muito mais ampla do que colocaste. Não é autonomia só sobre a produção do conhecimento, mas também da forma como esse conhecimento for utilizado. A universidade pode ser um instrumento de transformação social (o que obviamente fica difícil quando passa a atender a uma lógica de mercado), e convenhamos que a polícia é uma instituição de repressão social e de reprodução de uma ordem já dada. Sua presença num campus universitário é incompatível em nível de princípios das duas instituições.

Carol disse...

Oi Thays

Eu li hoje de manhã. Não gostei.

Mas a universidade não pode estar fora da sociedade. Não pode estar acima das leis.

No mais, essa coisa de "lógica de mercado" para mim é meio incompreensível. Entendo que deva haver financiamento público para pesquisas. Mas nunca vi mal em ter financiamentos privados também. Também nunca vi mal em ampliar a oferta de conhecimento mediante alguns cursos de lato sensu. Essas duas coisas o "movimento estudantil" sempre abominou (e depois, claro, todo mundo vai usar o banheiro da FEA, que é mais limpinho, nada contra, mas... né?)

Aliás, o dia que me explicarem como esse movimento estudantil de hoje está fazendo "transformação social", olha, eu vou ficar encantada. Porque, pelo menos para mim, estão promovendo "transformação social" o pessoal que está buscando criar vacina para a malária, criar novos componentes químicos, fazer melhores traduções de clássicos, estudando como melhorar relações de trabalho em organizações, etc. E esses têm prazo para entregar TCCs, monografias, dissertações e teses, não têm tempo de fazer coquetel molotov na reitoria.

Arlequina disse...

Acho interessante: quando faz no horário de aula, fode porque tem prova. Quando tem fora do horário de aula: SÓ VAGABUNDO QUE NÃO TRABALHA é que pode vir pra faculdade se ocupar dessas coisas.

Copio aqui o que vi no FB esses dias:

"* MANUAL DO REVOLUCIONÁRIO POLITICAMENTE CORRETO DO SÉCULO XXI *

Porque hoje em dia, até pra ser subversivo, você precisa seguir algumas regras!

- Se você quer se revoltar, você precisa ser pai de família, trabalhador CLT (estágio é muito sussa), fazer hora extra, além de estudar 5 horas por dia. Se não, você é vaga...bundo.

- É proibido ter experimentado na vida qualquer bebida alcoólica ou droga. Caso contrário... Vagabundo.

- Você não deve usar roupas de marca nem ter carro. Se não, você é um mimado.

- Se fizer faculdade pública, não pode se manifestar porque toda prática dentro dela que não envolve estudos será considerada como gasto do dinheiro do povo.

- Se fizer faculdade particular e se manifestar... Vagabundo e mimado.

- É proibida a ocupação de ruas e prédios públicos. Você deve protestar da sua casa (própria, porque alugada não vale). Se não tiver casa... Você é vagabundo.

- Qualquer manifestação realizada sem autorização da PM e da prefeitura é proibida.

- Não é permitido se revoltar pela Internet. Quem faz isso é árabe briguento ou é porque tem muito tempo livre (vagabundo).

- Greves implicam em não-trabalho. Não- trabalho = Vagabundo ♥.

- É obrigatório o aceite às práticas violentas das forças repressoras ao requerer o Registro Nacional de Revolucionário. Se você não aceita forças repressoras violentas... É vagabundo, mimado e bandido e vai ganhar uma carteirinha própria para estas classes.

Se você não leu até o final, nem é preciso falar o que você é né?"


Isso tudo tinha que acontecer no ano que eu fui pra França de intercâmbio. Tô me coçando aqui com o monte de gente vindo falar merda pra mim.

disse...

Denise, tenho pessoas que conheço que estiveram lá na ocupação e não relataram esta depredação que a mídia divulgou (muito menos o coquetel molotov). Sera que é tão difícil imaginar 400! Pms fazendo isso?

Agora o q me preocupa nessa discussão toda é, quando tentamos nos posicionar sobre esse caso, porqqu não nos detemos nas "ideias" "reivindicações" e toda o "debate" que está por detrás dessa discussão?

Mesmo que fossem vagabundos (o que não são!), mesmo que fossem maconheiros (acredito q devem fumar tanto qnto outro meio), mesmo que fossem filhinhos de papai etc etc etc....O que quero saber é.. O que isso tem a ver com a discussão sobre a PM, obre a Universidade para todos etc etc???

Sério mesmo, porq isso pauta a discussão??? Vamos debater as ideias e aproveitar o debate sobre problemas de nossa sociedade?? Que tal??

Agora uma pergunta que gostaria que todos pudessem fazer com honestidade para si mesmos..Será que não repudiamos, criminalizamos, ricucularizamos (como disse belamente Lowy) todos movimentos sociais de antemão? Sem debater as ideias que estão por detrás???
De onde será que vem nosso "repúdio" por esses movimentos e ridicularização destes, que, ainda com muitos erros, estão tentando lutar por um mundo melhor???

Bjo Lola

A.H.B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A.H.B. disse...

Má: Isso mesmo!

Estava para comentar isso. Não entendo o repúdio imediato que as pessoas tem a qualquer tipo de manifestação que não se alinhe ao status-quo.

Thays Mossi disse...

Carol,

Quando digo que a lógica de mercado invade a universidade indevidamente é porque ao invés de se prestar à reflexão e à formação crítica dos alunos, ela passa a simplesmente prepará-los para o mercado de trabalho, e aí, como no relato da aiaiai, outras formas de pensar - que não aquelas da lógica de mercado - passam a ser menos válidas e a crítica perde sua reflexividade e legitimidade.

Sobre a capacidade de transformação social, não estou falando do movimento estudantil. Falar disso requer uma discussão sobre movimentos sociais e não sobre a universidade. A universidade tem essa capacidade de transformação na medida em que forma cidadãos críticos que, por exemplo, questionam o que a grande mídia coloca sobre acontecimentos.

A.H.B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A.H.B. disse...

Thays: exatamente! Sem falar que "atender uma lógica de mercado" significa que as pesquisas estão atendendo interesses da empresas patrocinadoras, mais preocupadas com lucro próprio do que com a função social que tais pesquisas podem proporcionar.

Thays Mossi disse...

Ah, e quem está desenvolvendo, através da universidade, pública vacinas (ou as outras coisas que tu citaste) com verba privada, de modo que essa vacina passa a ser propriedade de um laboratório farmacêutico e não um bem público, não está transformando o mundo. Está deixando ele exatamente como está: desigual. Não está distribuindo o conhecimento, apenas concentrando ele. E a gente tem que dizer "obrigado"???

denise disse...

Carol onde eu assino, de todos que comentaram aqui vc foi a que viu a situação com a maior clareza do meu ponto de vista.

Carol disse...

Thays: eu sou uma crítica também dessa "massificação" do estudo. Acho que, pelo menos na minha área, que é administração de empresas, ensinam-se esqueminhas e técnicas prontas aos alunos, com zero de reflexão. Isso é uma crítica importante, cuja solução (des-setorizar um pouco a universidade) nunca vi ninguém de movimento estudantil discutir (e olha que dei muita trela e cigarro para esse povo já).

Quanto a vacinas, olha, eu não entro em discussão ideológica na internet (não mais)pq tenho preguiça e pq não adianta. Mas só lembrando que criação de vacinas =/= distribuição de vacinas. Alguém pode lucrar com isso e ainda assim essa vacina chegar a todo mundo. Ou ninguém estaria vacinado a essa altura e todas nós (espero) estamos.

No mais, Thays e AHB: função social é uma coisa BEM subjetiva. Depende da comissão que está avaliando a sua pesquisa.

Mas a questão que aconteceu na USP não está relacionada a nada isso. Nem ao Rodas, porque na época da Suely Vilela invadiram a reitoria também. As discussões não são sérias, o movimento não é organizado, as assembleias contam com pouca presença porque são dominadas por grupelhos que não representam ninguém.

Eu fui de entidade estudantil, da empresa Júnior. Tinha contato com outras entidades. Era muito legal, cheio de gente participando e a gente vivia na diretoria da faculdade falando sobre os problemas. Chegamos a ir em reunião de departamento para discutir os problemas da faculdade. Nunca nem pensamos em contar com DCE para nada, porque a gente já conhecia esse esquema de "protestar just for fun".

No mais, digitem SINTUSP WARS no Youtube. É um clássico. AQUILO é a USP dos invasores. Não é a minha. Nunca foi.

Carol disse...

Oi Denise.

Tks.

Patrick disse...

É óbvio que a PM não está no Campus da USP para aumentar a segurança, ela está lá para fazer patrulha comportamental.

Tanto é assim que ao invés de prender assaltantes, estupradores ou assassinos (não foi na FEA que um aluno foi morto ao ter seu carro roubado?), preferem esculachar aluno que fuma maconha.

Sabem qual é a pena criminal para uso de maconha? Advertência! E se reincidir? Curso sobre os malefícios da maconha.

Então, se você tem recursos escassos (materiais e humanos da polícia), onde você os concentra? No combate aos estupradores das alunas da Unicamp (vide post aqui da Lola sobre a situação em Barão de Geraldo) ou da USP, crime com pena de 6 a 30 anos de reclusão? Ou no combate a usuários de maconha, crime com pena de "advertência"?

aiaiai disse...

excelente a entrevista do Michael Löwy. Não pude deixar de pensar, enquanto lia a abertura: "esse cara é um vagabundo". Afinal, segundo nossa imprensa e classe dominante, uma pessoa q passa a sua vida toda estudando, só pode ser vagabundo, né?

LisAnaHD disse...

aiaiai
No romance "A Nascente", de Ayn Rand, temos um enredo similar à sua experiência sobre fazer o trabalho escolar de acordo com o mercado de trabalho! Roark, terminando o terceiro ano de arquitetura, está por ser expulso da faculdade por não seguir as diretrizes do curso universitário pra fazer as plantas (desenhos) de arquitetura. Querem que os estudantes se perpetuem reproduzindo obras no estilo greco-romanas e outras obras do passado, enqto Roark tem uma visão moderna e arrojada... ele quer criar para servir as pessoas e não para que as pessoas se amoldem à criação.

A faculdade não quer perder brilhante aluno, mas mesmo a pedido da reitoria, Roark se recusa a compactuar com a exigência do curso. Ele é expulso da faculdade de arquitetura ao final do terceiro ano... aluno brilhante.

Durante a conversa que o levou à expulsão o acadêmico lhe pergunta: - E quem vai te permitir construir assim?

Ao que Roark responde: - O problema não é quem vai me permitir e sim quem vai me impedir?

E a vida dele é uma luta tremenda pq ele se recusa a se adequar ao padrão vigente. Uma vez, um arquiteto de grande reputação e influência no mercado, fala poucas e boas pra Roark, assim gratuitamente e em seguida diz a Roak pra que ele (Roark) diga o que ele pensa do sujeito; Roark responde: - Mas eu não penso em você...

O livro é estupendo... uma ode à liberdade de expressão e respeito pela criação!

LisAnaHD disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aiko disse...

Oi Lola,
me tornei leitora fiel do seu blog há alguns meses (desde que li artigos seus referentes à Marcha das Vadias), e fico feliz que esteja retratando algo tão próximo de mim.

Sou aluna de Pedagogia, da UNESP, e esse assunto da PM já está dando o que falar no meu campus... REALMENTE, falta dialogo, mesmo dentro do campus, entre os alunos. Algo bem triste eu ter que ouvir colega meu se referir a quem está reclamando de idiota ou desejando que PM vai lá espancar o sujeito. (discurso que escuto muito também fora da universidade e me assusta tb). Acho bem triste essa de cada um pensar em si mesmo e esquecer do coletivo. Ou de reclamar que vai ter assembleia durante o período de aula, mas o mesmo sujeito reclamaria se fosse, por ex, no final de semana (comentário que li no grupo do facebook da UNESP "só falta eles resolverem marcar assembleia no domingo"). Ou seja, assembleia? Por favor, que nunca aconteça.

Aliás, algo que não entendo, como ser humano, é essa reação violenta de algumas pessoas para cima de estudantes. O que fica, pelo menos o que fica registrado na internet (pessoalmente ngm tem coragem), é de que idiota e/ou imundo é todo aquele que vai contra a sua opinião. Acharia justo ouvir "não concordo com a atitude dos alunos da USP", mas acho desumano ouvir "idiota aluno da usp, tomara que a PM te espanque". Bizarro, não?

Em relação ao meu Campus, tem de tudo. Contra PM, a favor de PM. Gente que quer debater, gente que se acha dona da verdade. Gente que vai na assembleia para se informar, gente que quer ir na assembleia apenas para votar...

Meu curso está sem Centro Academico, meu campus está sem Diretorio Academico. Não é a toa que falte dialogo. Falta dialogo, falta organização, falta pensar no coletivo, falta um movimento estudantil forte e organizado. Porque, indiferente do que se decida, o mais importante é se decidir num coletivo e de forma consciente.

Devo ter esperanças?

estela_ disse...

Foi assustador o número de insultos destinados aos alunos da FFLCH nessas últumas semanas. No facebook, pessoas diziam que nós merecíamos levar porrada. Na mídia, Marcelo Tas disse que nós fedíamos. No ponto de ônibus em frente a Poli, ouvi um rapaz dizer que se a FFLCH fosse eliminada da USP não haveria falta alguma.

Pois eu digo: dentre os nove melhores cursos da USP eleitos pelo QS World University Rankings, seis são da FFLCH. E se a Poli desaparecesse da USP, ela sim não faria falta, pois os alunos de lá não colaboram nada com a universidade. Apenas usam o diploma que conseguiram com dinheiro público para bem próprio. E nós somos vagabundos que disperdiçamos dinheiro?

Alguns dados comparativos

FFLCH total de alunos: 11 mil
Poli total de alunos: 5 mil

FFLCH área construida 52 mil m²
Poli área constrida 160 mil m²

A.H.B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A.H.B. disse...

estela: aham. A galera acha que os financiamentos privados vem por "mérito" dos cursos, mas é óbvio que preferem técnicos da Poli, que vão estar projetando asas de avião ou outras coisas assim que só servem a elite a futuros professores e pensadores que são formados na FFLCH.

Eduardo Marques disse...

Patrick,

Você é um delegado, não é? Você não sabia que houve denúncia? Os policiais até que estavam fazendo vista grossa (pois muitos mais devem ter fumado desde que a polícia chegou lá), mas se não tivessem atendido ao chamado, estariam cometendo prevaricação. Acho que alguém com o seu cargo deveria demonstrar mais conhecimento. Você não tem desculpa para falar besteira.

Não há patrulha comportamental porcaria nenhuma, é tudo um bando de desocupado que goza com a possibilidade de enfrentar a "ditadura", de lutar contra a "repressão" etc, quando essas coisas não existem. A ditadura acabou há mais tempo do que durou. Parem de forçar essa baboseira para intimidar os outros.

Eduardo Marques disse...

Aliás, fumar maconha ainda é proibido. Dura lex, sed lex. A lei deve ser para todos, a polícia não deve se abster de reprimir os filhinhos-de-papai também, se eles a infringem.

denise disse...

Estela ao ler seu comentario, a única palavra que vem a mente, é
"QUANTA ESTUPIDEZ".

Les temps sont durs pour les rêveurs. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ramon Melo disse...

Infelizmente esse é o problema da despolitização dos alunos dos cursos de tecnologia e ciências naturais: os maconheiros dos cursos de humanas ganham espaço no movimento estudantil e queimam a imagem pública da universidade, como se todo aluno de lá fosse desocupado e maconheiro.

O mais incrível é que a lenga-lenga é a mesma em todas as universidades. "Mercantilização do ensino", "autoritarismo acadêmico", sempre o mesmo papo, como se todos os alunos pudessem e quisessem ir contra a lógica de mercado, justamente aquela que os levará adiante em suas carreiras.

É nessas horas que eu vejo como tenho sorte de ter conseguido minha vaga na UFRJ, uma universidade que fez questão de abraçar o REUNI e o apoio da iniciativa privada. É assim que os bons cursos da UFRJ mantém sua tradição de qualidade: dialogando com as empresas e aproximando-as do ambiente universitário.

Carol disse...

AHB

E como isso afetaria a FFLCH negativamente? De nenhuma maneira.

Aliás, já que essa "garotada" (entre aspas porque gente de 29 anos que já foi jubilada e entrou na USP de novo, caso de um dos caras, está longe de ser "garoto" - nada contra gente mais velha na universidade, mas tipo, trabalhar, né? 29 anos não dá mais para ficar com "vida de estudante") está precisando tanto de uma pauta, que tal regulamentar doações de empresas para a universidade, tipo, exigindo que uma % vá para a instituição? E que tal organizar um grupo alumni no qual ex alunos façam contribuições mensais financeiras à USP voluntariamente?

Para que, né? O dinheiro vem todo mês mesmo. Dinheiro dos impostos de um monte de gente de classe baixa que nunca vai por os pés na USP mesmo...

M disse...

Arlequina

Achei perfeito o texto que você postou. Vi no Facebook e nos jornais tantos comentários sobre como os estudantes eram desqualificados para reivindicar qualquer coisa, pois eram riquinhos, mimados, maconheiros, vagabundos, etc...
Alguém decidiu que existe um perfil correto para quem quer protestar.

Mas esse discurso não é novo, durante a ditadura quem protestava era chamado de isso tudo e muito mais.Não me considero de esquerda (até acho que tenho uma leve tendência a ser de direita), mas acho óbvio que quando o "senso comum" começa a ditar regras na universidade mais conceituada do país tem algo muito errado...

Aiko disse...

Patrick

a ditadura talvez acabou, teoricamente, mas as pessoas que participaram desse movimento ainda estão no poder - como é o caso da reitor da USP - e como se não bastasse ele destruiu patrimônio da USP e é acusado de corrupção.. Isso é fato.

lola aronovich disse...

Pra quem não acredita em esquerda e direita, esses comentários (e TODA a discussão que vi até agora sobre a ocupação na USP) mostram como essa polarização segue firme e forte. Sabe quem diz que esquerda e direita não existem mais? A direita. Só. (É o jeito que os reaças têm de dizer “Ganhamos!” sem precisar debater, encerrando o papo antes de chegar à crise de 2008).


A diferença entre nós da esquerda e o pessoal da direita é que nós temos orgulho em sermos de esquerda. Já os reaças preferem dizer que esquerda e direita não existem mais...

lola aronovich disse...

Os preconceitos senso comum que citei sobre os “maconheiros da Humanas” são típicos da direita. Deve haver gente de esquerda que seja a favor da militarização do campus, mas ainda não conheci. E pode até haver gente de direita que pense “Putz, desta vez os estudantes têm razão!”, mas ainda não conheci. Quer dizer, não tem. Simplesmente não existe reaça que pense que manifestante tenha razão em se manifestar, ainda mais se for manifestante ligado a centro estudantil ou sindicato.


Putz, Le temps, você não crê em direita e esquerda, mais crê em astrologia? Tipo assim, SÉRIO?!

Aiko disse...

Les temps sont durs pour les rêveurs.:

"Não fizeram NENHUM tipo de reclamação(pacifica) antes do episódio da maconha...."
tem certeza????

É estranho perceber que o pessoal de fora das universidades não saibam da realidade nossa (no meu caso, aluno da UNESP).

Desde que eu entrei, eu lembro de revindicações no ano de 2009 (e não foram as primeiras). Através de assembleias são tomadas decisões e são feitas reclamações por escrito. Movimentos de greve e passeatas são comuns, mas o caso da tomada da reitoria não foi decidida em assembleia por uma maioria, uma minoria resolveu ocupar e pronto.

Outra, não é de hoje que PM parte para violencia quando estudante resolve fazer uma passeata pacifica... Mais: na retomada na reitoria eles acabaram jogando bombas de gas lagrimogenio dentro da crusp, atingindo estudantes e crianças que nada tinham a ver com a invasão. Outro fato: aluno morreu mesmo depois que a PM invadiu o campus. que segurança é essa? não vejo uma melhoria da segurança não viu...

Ramon Melo disse...

Sabia que a Lola não iria deixar de ironizar o comentário sobre o signo da moça! hahahahahaha

Dayane Ok. disse...

Eu tive, infelizmente, o desprevilégio de conhecer alunos da USP qwue seguem exatamente essa cartilha do preoconceito: Filhinhos de papai, pseudo culyts que falavam de revokução mas só faziam baderna e uma coisa que me irritava muito , eles tinham um enorme desrespeito pelo papel de educadores aos quais exerciam, fumando maconha entre uma turma e outra, recebendo as crianças totalemnte desorientados.
Quando explodiu toda essa história, eu acreditei na Mídia, fiquei revoltada com os estudantes e até twittei duas frases sobre isso "Triste é quando estudantes fecham e detonam uma universidade pq não podem furmar maconha dentro dela.Isso sim é pra repensar #USP" e "E o problema nem é a maconha, juro!O problema é atitude mimada e imatura dos estudantes. #USP". Mas cm disse, não tinha conhecimento de causa. Quando fazia curso na USP ficava com muito medo, já que lá é um matagal, um prédio é muito longe do outro e é deserto! Então pensava que a melhor coisa para eles era a PM estar lá dentro (vendo pelo lado da segurança). Mas só depois, conversando com uma colega que estuda lá dentro, ela colocando todos os pingos nos is, fui raciocinar o quanto as medidas tomadas são abusivas, e o quanto apenas três estudantes não mobilizariam todo Campus!Segundo a Maya, os PMS já vinham tomando medidas autoritárias a muito tempo, dentre elas, PMS homens parando e "revistando" mulheresm o que é ilegal. Ela disse que esta revista onde foi encontrado os estudantes com a droga tbm foi nesse naipe, cheio de prepotência e autoridade, sem contar que Cavalarias e policiais a paisana estavam por todo lugar. Ou seja: Ao invés de protegerem os estudantes, estavam os coagindo e intimidando.
Fiz uma reflexão com ela, após tudo isso:Engraçado é que a USP pertence ao Estado de São Paulo, e está com todo esse problema com os pMs, que estão lá as pencas. Enquanto isso, há escolas Estaduais no emio de favelas, onde o tráfico rola solto, estupros são recorrentes e não há um PM se quer por perto!

Dayane Ok. disse...

Porém, apesar de entender muito bem o motivo da revolta, ainda acho que os estudantes agiram de forma mimada. O diálogo deveria ocorrer ao invès de depedrarem prédios.
Cm disse no post anterior, conheci muita gente da USP que fazia jus a imagem que temos dos estudantes de humanas de lá, ela não é totalmente utópica. Mas muita gente esforçada, que acorda as 6 da manhã ou que sai de lá as 11 para chegar em casa a 1 da manhã que quer estudar, e eles paralisaram tudo! Não houve um acordo, um diálogo, esse pequeno grupo invadiu o prédio e ponto!Assim não haverá mesmo revolução alguma: reclamam da violência mas estão agindo violentamente, os mesmo com a autoridade, pois estão sendo autoritários. Concordo com a Taty Valéria: Para muitos, falta um pinguinho de realidade.

Dayane Ok. disse...

Gente, agora, na boa mesmo, desculpa pessoal, é só uma questão que gostaria de saber de quem estuda lá ou em outra universidade pública, juro mesmo, não me levem a mal, já fui chamada de mascu, agora não quero ser cahamada de reacionária:

Lá é uma universidade, não é? PÚBLICA ainda por cima!Vcs não pagem nada para estar lá! Vcs tem até bandejão!
Pq simplesmente, vcs não se preocupam em estudar, aproveitar o que a universidade oferece? Pq vcs não vão, assistem as aulas, saem da facul e fazem o que querem fora dela?
Estudei em universidade particulçar (mas fui bolsista) e via cm amigos se matavam para pagar a mensalidade e cm lá tinha várias regras. Drogas lá dentro???Nem pensar!Até fumar era probibido!Quisesse furmar?Fumasse fora da facul!E isso não prejudicou de forma nenhuma meu ensino, nem a qualidade do meu curso. Pqw então, teria que ser diferente em uma universidade Pública? Que eu saiba hospitais públicos, escolas públicas, parques públicos tem suas regras!
Se não interfere na qualidade do curso, pq então tudo isso?
É só um questionamento meu, sério!Gostaria mesmo de uma resposta para eu entender melhor.

estela_ disse...

Denise, sim, eu concordo "Quanta estupidez!"
Resta saber se estamos falando da mesma coisa...

Dayane Ok. disse...

"Na USP, principalmente na FFLCH, se você não concorda com algo que esse "eixo" diz, você automaticamente é taxado de fascista, extrema direita e fã de Reinaldo Azevedo, mas as coisas não são bem assim."

É verdade!

Dayane Ok. disse...

"Acho que essa situação de violência não foi gerada pelas manifestações dos estudantes, e sim pela simples presença da polícia no campus. Só o fato dela estar lá já é uma forma de violência contra os princípios que pautam a existência de uma universidade pública e que produza conhecimento autônomo e de qualidade."


Mas gente, a plícia entra na sala de aula para dar pitaco no curso?pq vcs simplesmente não estudam e fazem o que querem fora da universidade?É isso que não entendo!

Dayane Ok. disse...

"É óbvio que a PM não está no Campus da USP para aumentar a segurança, ela está lá para fazer patrulha comportamental.

Tanto é assim que ao invés de prender assaltantes, estupradores ou assassinos (não foi na FEA que um aluno foi morto ao ter seu carro roubado?), preferem esculachar aluno que fuma maconha."


isso tbm é verdade!

Rosanna Andrade disse...

Dayane OK

Respondendo a sua pergunta: e meio estranho vc falar q entendeu o q seu amigo disse, e fazer essa pergunta, mas vamos la.

De uma vez por todas, NAO esta se questionando o direito ou nao de fumar maconha dentro da universidade. Uma movimentacao maior comecou sim do episodio de tres estudantes fumando maconha q foram detidos, nao pela maconha em si, mas pela forma truculenta como foram abordados. Afinal, e um crime q como um colega citou acima, tem pena de advertencia, e em caso de reincidencia, so vai fazer um curso.

Segundo, muitos estudantes fazem sim o q vc sugeriu, vao p as aulas, e voltam p suas vidas. Mas nao e esse tipo de formacao q uma universidade se propoe a fazer. Alem de formar um especialista em determinada area, e papel da universidade a formacao de cidadaos criticos, nao apenas atraves de aulas, mas de toda a vivencia universitaria. O que se espera de um cidadao critico, e q ao ver algo errado em seu pais, cidade, na sua universidade PUBLICA, que ele chame a atencao paraa o fato. Converse com as autoridades, e se n resolver, pq nao fazer uma manifestacao pacifica?
O que ninguem parece contar e q desde o comeco da gestao desse reitor, o dialogo com a comunidade uspiana foi completamente negligenciado (como por exemplo, numa greve ocorrida em 2009, ou no projeto de 2 estacoes do metro passando dentro da faculdade). Como resultado da falta de dialogo em diversas ocasioes, nao em apenas uma como a midia gosta de colocar por ai, q se resultou nos movimentos q vemos hoje inclusive a ocupacao da reitoria.
Sobre a ocupacao da reitoria eu realmente acho questionavel a forma como foi feita, mas ainda n tenho opiniao formada e por enquanto n quero me estender mto nos motivos.

Completando, querer que os estudantes simplesmente "estudem e aproveitem a oportunidade" e subestimar sua capacidade critica como cidadaos.

Eduardo Marques disse...

Lola, não existe realmente essa coisa de esquerda e direita. Vc que tenta desqualificar a opinião dos outros dizendo que são de direita blá blá blá. Como se cada pessoa "de direita" pensasse exatamente a mesma coisa. Tenho orgulho de cada uma das minhas opiniões, sou contra o aborto, o racismo, a homofobia e o uso de drogas (mas já que querem tanto assim, podem liberar, só acho que quem usa não tem direito a tratamento gratuito pelo governo). Também sou estudante de Humanas. Me classifica, agora!

Os comunistas, gente de que eu só posso achar graça por ainda acreditarem nessa porcaria que chamam de ideologia, sabem da falta de poder persuasivo dessas idéias e sempre apelam para a violência, como no caso desses alunos. São sempre os comunistas, minoria que acha que está causando alguma reação por ler Marx, que fazem essas distinções. Sério que vocês se acham os perigosões por ler Marx? A única distinção que eu vejo é esta: pessoas normais (99% da população) e comunistas, estes últimos, que são extremistas e forçam seu pensamento nas pessoas normais.

Rosanna Andrade disse...

"Mas gente, a plícia entra na sala de aula para dar pitaco no curso?pq vcs simplesmente não estudam e fazem o que querem fora da universidade?É isso que não entendo!"

Dayane OK

quem esta falando q a policia se intromete no curso? Poxa desculpe, ou vc esta mto mal informada ou n esta sendo esperta! A PM tem entrado em predios, revistado pessoas arbitrariamente (principalmente na FFLCH), sem contar as interferencias em manifestacoes estudantis com bombas de efeito moral por exemplo. Sem falar q pra tirar 70 estudantes de uma reitoria, precisaram de 400 policiais armados, helicoptero... n parece um pouco demais nao?

Sandro Aurélio disse...

olha, eu fumo maconha desde os 16 anos.

sou totalmente a favor da legalização da erva. totalmente mesmo!

mas protesto contra essa protesto dos estudantes. porra, tem gente ali que é fã de mao tse tung!sou comunista desde os 14 anos e conheço beeeeeem de perto o movimento estudantil, posso afirmar: é uma merda. se você for lá no flamengo, sede da une, vai ver um monte de caras de quase 30 anos, que são estudantes e filhinhos de papai. e bom, o problema maior tá nos pobres da une: 90% deles se diz de esquerda mas age de forma facista, como hitler, stálin (não sei quem matou mais) e a própria pm, que eles tanto criticam.

aliás, onde eu moro a pm mete a porrada! mas como o (filho da puta do) haddad falou, não pode tratar estudante como marginal (por mais que eles cometam marginalidades). hipocrisia, né...

tem muita gente que pensa na periferia, e esses têm que ser mais ouvidos. enfim, critico o reitor, critico o protesto dos estudantes, critico tudo o que acho que está errado. critico principalmente a esquerda, justamente por pertender à ela.

Rosanna Andrade disse...

Completando o raciocinio, cito trecho da nota de repudio do CAASO (centro academico de sao carlos) a presenca da PM no campus de sp:

"Desta forma repudiamos esta ação, por acreditar que a liberdade de expressão é um direito de qualquer
pessoa ou grupo, independente se isso vá de encontro com interesses de um grupo, faculdade, ou da própria
Universidade. A Universidade como um todo, e a sociedade, devem se configurar como espaços de livre expressão e
pensamento, inclusive para críticas e intervenções em relação à estrutura de poder dada."

Agora como seria possivel fazer esse tipo de critica com a PM dentro da universidade, pronta para acabar com qualquer manifestacao estudantil ou de funcionarios, a mando da reitoria?

Dayane Ok. disse...

Sim Rosana, exatamente por saber que estou muito mal informada é que fiz a pergunta.
E eu sou a favor da manifestação pacífica, mas não tenho visto nada de pacífico nessa manifestação!

Dayane Ok. disse...

Bem, obrigada por esclarecer
Eu realmente acho um problema a PM estar lá dentro, mas desculpe, não vejo esses alunos que "fazem e acontecem" dentro da facul levarem isso adiante para suas vidas.

yulia disse...

essa é a policia de sp do psdbosta.
bate em aluno, em camelÔ, e morador de rua....
mas afina para os bandidos, traficantes,pro pcc....

yulia disse...

Já os reaças preferem dizer que esquerda e direita não existem mais...

pior aquele que se diz centrista...rsrsrsr

Rosanna Andrade disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rosanna Andrade disse...

Dayane OK

Bom, sobre a manifestacao ter sido pacifica ou nao, eu nao estava la, portanto n sou a melhor pessoa p falar, por isso sugiro esse texto, que foi citado nos primeiros comentarios:

https://www.facebook.com/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892#!/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892

e acredito q a sua impressao de "nada pacifica" seja culpa da grande midia.

Enfim, so pra reinterar, nao sou completamente a favor do q aconteceu na ocupacao nao (pq foi a acao de uma minoria, enfim, e discutivel). Mas tbm achei a acao da policia vergonhosa, sitiando o crusp, por exemplo!

E sobre os estudantes q nao faem e acontecem depois q vc conhece, achei ate engracado! Realmente acredito q mto revolucionario por ai se empolgue mas depois suma.
Disso eu nao posso falar mesmo, afinal todos os meus amigos ainda estao na faculdade ou no mestrado, estamos todos ainda amparados pela "mae USP". SOu de um curso de exatas, n tenho a menor base teorica de sociologia, filosofia, historia, nem gostava dessas coisas no colegial. Mas te digo uma coisa, foi de uns 2-3 anos pra ca q eu deixei de ser uma completa analfabeta politica, pra vc ter nocao aos 19 anos eu nem tinha tirado titulo de eleitor. E isso foi gracas a USP, gracas as amizades q fiz aqui, gente q realmente gosta de discutir (minoria, mas existe). Gracas a eles, e a internet (hehehehe), eu votei bastante consciente nas ultimas eleicoes, vivo de olho nos meus deputados, se eles tao coerentes com as causas q eu acredito, senao vao perder meu voto na proxima certamente!
Essa coisa de fazer e acontecer, depende mto do q vc quis dizer. pode ser q nenhum desses alunos vire um grande lider na sociedade, um politico, ou talvez um blogueiro influente rsrsrs
Mas se ja forem cidadaos conscientes, votarem direito, sem esquecer em quem votou na ultima eleicao (convenhamos q n e o forte do brasileiro), se participarem da vida da sua comunidade, ajudarem ONGs, questionarem as informacoes q recebem, pra mim ja valeu a pena! E o q eu espero fazer desde ja, e eh por isso q eu tava na ultima assembleia por 5h, discutindo e votando o posicionamento do meu campus.

Rosanna Andrade disse...

Desculpem me estender demais no assunto, mas a ocupacao da reitoria foi apenas uma etapa dessa manifestacao toda. E sim, foi questionada inclusive por boa parte dos alunos q compartilham de opinioes comuns aos q invadiram, como o fim do convenio da PM, e a mudanca do reitor.
Como exemplo de manifestacao pacifica (q nao ocorreu dentro da usp), deixo a seguinte noticia:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/11/entre-estudantes-favoraveis-e-contrarios-a-ocupacao-na-usp-2-mil-fazem-passeata-pedindo-fim-da-pm-na-universidade

E as greves e paralizacoes q estao ocorrendo tbm contam como manifestacoes pacificas.

Dayane Ok. disse...

Sim, eu entendo isso que vc disse. E penso que com total certeza, estar na USP deve por si, ensinar muito sobre cidadania e política, já que a p´ropria universidade já traz uma carga histórica sobre isso!

denise disse...

Se NÃO apoiar esse bando de criançinhas mimadas e rebeldes é ser de direita podem me tachar extrema ultra DIREITA.

Unknown disse...

Lola, você já viu esse vídeo ridículo feito pela folha em que "influentes" socialites "debatem" os conflitos na USP ?

http://www.youtube.com/watch?v=NGLKBX-Cno4&feature=player_embedded

Elas dizem exatamente o que a grande mídia propaga e uma delas, em descarado apoio ao PSDB,diz que os estudantes "tem que aprender democracia com o Alckmin.

É tão ridículo que eu morri de rir !

Barbara disse...

O fetiche do emprego

O post dessa aluna da USP levanta uma questão bem interessante: se o aluno não trabalha, sua opinião já é automaticamente desclassificada. Vi alguns comentários aqui nesse sentido, "aluno de x anos, não está na hora de arrumar um trabalho e cair na real?"

Relicário disse...

Eu me considero uma pessoa esclarecida, e fiquei sem saber o que pensar dessa ocupação por um bom tempo...confusa entre o que eu acreditava ser, deduzia, e o que a mídia vinculava...por isso pra mim foi bom demais ter lido o ponto de vista dos ocupantes. Fiz parte do movimento estudantil, DCE da minha faculdade durante todo o período que estudei lá, tivemos discussões importantíssimas na época e ainda fico absurdamente boquiaberta quando ouço sobre intolerância e abuso de poder dos reitores e dirigentes de universidades...

Fico feliz de saber a real mtivação para a ocupação da USP, e assustada com o poder de convencimento dos meios midiáticos, pois até eu me vi em dúvida...

Laurinha (Mulher modernex) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Giovanni Gouveia disse...

Engraçado que não se vê tanta virulência da PM de São Paulo pra enfrentar o PCC, desculpe a "facção criminosa" porque até o nome PCC não se fala mais, por medo ou conivência. Não vemos a Polícia agir tão vigorosamente contra os traficantes que abastecem a cracolância, tampouco se vê tanta disposição com homens armados, helicóptero, cães... pra diminuir a criminalidade do estado de São Paulo.
Tenho cá minhas discordâncias contra a ocupação da reitoria (foi uma minoria que agiu em detrimento da maioria), sem nenhum planejamento de ação, sem discutir os possíveis desdobramentos da ação. Mas muito mais revoltante foi ver uma ação de teatro montado pelo governo do estado de São Paulo pra dar um espetáculo à sociedade, tentando passar a visão de "Governo competente".
Depois vem o governador dizendo que os estudantes deveriam ter uma "aula de democracia", ué, se quer democracia comece nomeando quem de fato teve maioria dos votos da comunidade acadêmica para reitor.
Vejo também muita gente achando que a função, única, dos estudantes é "estudar pra ter boas notas e, assim, conquistar um bom emprego", não, não é assim que educação funciona, ao menos não é assim que deveria funcionar. Muito mais que simplesmente absorver conteúdos, é ofício da educação, principalmente, a construção de espírito crítico. não dá simplesmente cair na conversa do "cavalo dado não se olha os dentes" quanto estamos discutindo a formação não apenas de profissionais, mas principalmente de cidadãos e cidadãs.
Ah, estudei em escola e universidade públicas. Não terminei no "tempo complementar", principalmente porque meu curso era diurno, e eu tinha que trabalhar pra me sustentar. Sou, então, "vagabundo"?

Relicário disse...

Uma coisa me irrita profundamente; a ligação que se faz entre a esquerda e as drogas...que m* isso!!! Eu nunca usei droga, não tolero nem alcool e cigarro e tenho meia duzia de amigos alienados (direitista e reaças) que adoram um baseado...

Ou seja, quando essa relação drogaXesquerda acontece normalmente é produzida para desqualificar a discussão, e o pior é que tem gente do movimento (que se diz de esquerda) que engrossa o coro e bate no peito se achando o maioral porque fuma maconha. Fala sério??? Ninguém precisa exercitar o intelecto para acender um baseado né...
Portanto dizer que um movimento inteiro foi aceso por causa de três maconheiros é prático e rápido para eliminar a discussão, é o que direita adora fazer, rotular movimentos sociais...

O que te vem à cabeça quando pensa em MST por exemplo???

denise disse...

A via democrática entre todas , pelo menos para mim, sempre será a melhor.
O que mais incomodou nesse movimento foi o desprezo por essa via.
A democracia que respeita as minorias é a melhor forma de governo, ainda que o resultado obtido seja contrario ao que eu acredito ou desejaria, essa forma de governo deve ser defendida.
No caso da USP, um grupo até pequeno de alunos , que eu acredito que até tenham boas intenções,( embora o inferno tambem esteja repleto de boas intenções), em uma atitude totalmente anti democrática, decidiu fazer a ocupação de um órgão público.
Agrediu com essa atitude aos demais alunos, a boa parte do corpo docente, as autoridades governamentais e policiais.
Os motivos que eles alegam para tanto não me convenceram, e nem a maior parte da população.
O que ficou bem patente nisso tudo, foi a destruição do patrimônio público, a agressão a policiais e repórteres, e seria bem absurdo NÃO esperar uma reação contraria.

Eduardo Marques disse...

Ainda estou esperando a resposta do Patrick.

lola aronovich disse...

Este vídeo recomendado pel@ Unknown é incrível. Nele é repetido um clichê que tenho ouvido muito ultimamente, e que me parece bastante novo. Vários alunos meus falam isso: que {insira aqui o que quiser} funciona em países avançados, "sofisticados", como dizem as socialites, mas não aqui no Brasil, um país pobre, miserável, cheio de pessoas corruptas e feias. Movimentos como Occupy Wall Street? Ah, é até bonito lá em NY, mas aqui não, né, coração? Bolsa Família, Seguro Desemprego, aposentadoria, cotas raciais? Pois é, os programas em si não são ruins e podem dar certo no exterior, naqueles distantes países ricos, mas aqui não! Aqui não estamos preparados pra tamanha civilização! Juro que já ouvi tudo isso.
Mas e aí, reaças? Como é ver que os chavões que vcs repetem sobre a ocupação na USP são os mesmos que saem das bocas de socialites?
O que mais me impressiona é que essa elite se considera avançada! Mas ela defende os interesses dela. E vc, defende os de quem?

Raquel disse...

Oi Lola,
sobre um reaça que apoia os estudantes da USP tem o Boechat, mas, claro, ele apoia estudantes que briguem, tenham ideologias e não se degladiem em busca de um emprego/salário melhor... fora isso faz como todo bom reaça, nos xinga de maconheiro e encerra o assunto, aliás como tem feitos muitos colegas aqui nessa caixa de comentários, que tá bem tristinha...

Link: http://www.youtube.com/watch?v=Ay_pqJTbPkg

Raquel disse...

O que será preciso fazer para que as pessoas vejam além da grande mídia?

Faço um convite honesto e sincero para tod@s quem estão contrários às pautas dos estudantes por acharem que estes cometeram danos ao patrimônio público (e por isso suas pautas não são mais válidas - afinal paredes e baratas valem mais do que gente) visitem a usp, ou melhor, visitem o prédio da FFLCH, venham conhecer nossas salas de aula, garanto que serão muito bem acolhidos pelos alunos, professores e funcionários mas serão depredados pelo estado e pela universidade e garanto que mal encontrarão uma cadeira para se sentar ou um teto livre de mofos e goteiras, mas são tod@s muito bem vindos!

Flavia Vianna disse...

Lola, taí um assunto que me faz bufar de ódio nas últimas semanas.

Não pelo povo da FFLCH, mas pelas reações contrárias.

Faço História na UFF e dói pra caramba escutar o chavão "todo estudante de humanas é vagabundo". Quem fala isso não tem o mínimo conhecimento do que se trabalha e pesquisa na área de humanas, não tem a mínima noção dos nossos gastos com livros e material de apoio. Não tem a mínima noção do que é perder duas, três ou até uma semana de sono só para ver um artigo pronto. E quem tem bolsa CAPES tem trabalho dobrado... Isto é, se conseguir uma bolsa CAPES, Faperj, etc.

Quanto à ocupação, discordo da maneira como determinados membros do movimento agiram. Mas não discordo nadinha da pauta de reivindicações. Eu adoraria que minha universidade tivesse tremenda bilbioteca que a FFLCH tem, eu adoraria que minha universidade tivesse um museu e um setor destinado à arqueologia. E torço para que o pessoal continue lutando para que elas tenham o mínimo de condições de funcionamento para atender o público.

Força para todo o pessoal da USP.

Starsmore disse...

Eu até ia argumentar sobre o post, mas quando a dona do blog me escreve "militarização do campus" aí nem tem jeito, tá vivendo numa realidade alternativa junto com duendes e fadas.

Culpados mesmos devem ser os jovens assaltados ou as alunas estupradas. Ou os policias que para fazer a reintegração deveriam distribuir sorvete para que os vândalos saíssem.

isabella ☆ disse...

Olá!
Eu li tudo aqui e ainda não entendi muito bem qual foi o PROPÓSITO de toda aquela manifestação... Desde quando começaram os protesto tenho tentado entender, não me guiar EXCLUSIVAMENTE pelo o que a grande mídia tem dito...

Não sei se é pq sou estudante de universidade particular e todo esse universo é muito distante da minha realidade... mas geralmente concordo, ao menos parcialmente, com o que sempre é postado aqui. Só que dessa vez ainda não me convenci por completo.

Em nenhum lugar consegui encontrar de forma clara e objetiva quais são as reivindicações dos estudantes.

Acho válido protestar a favor de uma idéia, de algo que não esteja correto e etc...
Só que não encontrei ainda QUAL é o problema na USP.

Acredito que grande parte da revolta contra os alunos da USP seja por conta de... muitos, como eu, jamais estiveram sequer perto de entrar em uma universidade como a USP. E portanto, estão ralando como loucos para conseguirem pagar a faculdade, trabalhar e ainda ir bem nas provas, trabalhos e etc. Quando a gente se depara com manchetes do tipo 'alunos param faculdade pq foram presos por fumar maconha' a primeira reação é revolta MESMO. poxa, tantos queriam estar lá levando os estudos a sério e se esforçando pra se tornar alguém e aí aparecem uns caras que não fazem nada da vida a não ser estudar sem pagar nada revoltados por causa de maconha?
Claro que depois, quem se informou, viu que não era APENAS isso... mas não deixa de ser revoltante!

O meu problema com esse assunto é... ok, vocês não são somente maconheiros vagabundos querendo fumar na faculdade... MAS O QUE VOCÊS QUEREM ENTÃO?

Polícia fora do campus? Quais os motivos pra ela não poder ficar dentro do campus?
Estudo numa faculdade pequena, com apenas duas portarias, e 5 blocos, mas sempre tem uma viatura em frente a cada portaria. E nunca tivemos problemas com eles.
Como disse, pode ser que a minha realidade seja realmente MUITO diferente da que é vivida lá... mas tenho buscado entender o que acontece e simplesmente não consegui.

E creio que essa dificuldade não seja só minha. Qualquer pessoa que não tenha estudado numa universidade pública (a grande maioria da população) não sabe o que quer dizer METADE das expressões utilizadas por quem explica a situação lá.

Talvez o que eu queira seja complexo demais para ser dito em comentários... Mas gostaria de ao menos tentar...

Sou estudante de comunicação... E uma das coisas mais importantes que aprendi é que sempre devemos saber COMO nos comunicar com quem queremos atingir.
E a maneira como quem é a favor dos protestos tem se comunicado simplesmente não atinge quem é contra... Queria muito entender como funciona esse universo onde estão protestando, mas até agora não consegui!

Starsmore disse...

E é claro, a culpa do país ser um lixo é da direita. Mas parece que ninguém leu sobre o passaporte diplomático do Edir Macedo ou sobre um Nobel da Paz criticando Belo Monte.

Ahhhh essa hipocrisia deliciosa dos esquerdistas.

Cachorro Míope disse...

Só um detalhe: na operação de reintegração, o CRUSP NÃO foi sitiado, a polícia só fechou UMA das saídas, q dava acesso à Reitoria... Outro detalhe: a PM lá dentro, desde o convênio, não reprimiu nenhuma manifestação pacífica, na reintegração, ela estava executando uma ordem judicial no q NÃO era uma manifestação pacífica (invasões não são manifestações pacíficas, mesmo q não haja depredamento)... E, por último, a abordagem da PM aos alunos fumando maconha NÃO foi violenta (eu VI, não ouvi falar), mesmo a situação havendo sido armada pelos estudantes... Ah, e antes q me chamem de qq coisa, sou estudante da USP tb, e mais especificamente, da Letras, portanto, FFLCH...

Serge Renine disse...

A USP, onde eu estudei, não pode ser invadida por ninguém. Nem pela polícia, nem por vagabundos ricos e maconheiros, traficantes, ou gente da esquerda retardada que, até, o próprio Lula aprendeu a se afastar.


Uma universidade estadual é lugar de quem quer, e precisa, estudar não de pilantras ricos e baderneiros. Minha filha está indo pra lá no próximo ano e eu quero estes palhaços lá.

Neste caso a policia fez muito bem em retomar a universidade.

lola aronovich disse...

Ah, que lindos os reacinhas que comentam aqui, como o Starsmore e o Eduardo Marques (cujo último comentário foi deletado – que tal argumentar em vez de dizer que eu falo m****? Muito difícil pra você?). Ignoraram totalmente o vídeo das socialites. Eu também ignoraria se fosse de direita. Afinal, pega mal ter opinião IDÊNTICA, repetir os mesmos clichês, que pessoas fúteis e francamente ignorantes. Aliás, gente, essa é uma dica boa: sempre veja com quem suas opiniões combinam. Combinam com os editoriais da Veja e dos jornalões? Com as bravatas do tio Rei? Com os textos reaças do Mídia sem Máscara? Com os fóruns mascus? Com as besteiras que falam as socialites enquanto tomam seu cafezinho importado? Bom, tudo bem. Mas vocês não ficam nem um pouquinho incomodados em terem as mesmas opiniões dessa gente? Pensem: por que eles defendem esse tipo de ideologia? (Sim, porque ser de direita e fingir que não tem ideologia É uma ideologia). Quais interesses eles estão apoiando? Os seus interesses são os mesmos do Civita e do Marinho? Vocês são da mesma classe social? Ou vocês apenas sonham em ser?


Starsmore, sabe quem diz “lixo deste país”? A direita! Ou seja, vczinho. E quem fala em militarização do campus é a nota divulgada pela pós-graduação da USP, assinada por mais de 260 doutores, mestres e estudantes de pós. Que obviamente acreditam em duendes e fadas... Certos estão as socialites e você!

Ana Clara Telles disse...

É engraçado ver como algumas pessoas são tão liberais para umas coisas e tão conservadoras para outras.

As mesmas pessoas que defendem a autonomia da mulher, o fim do patriarcado e a livre sexualidade feminina acreditam que estudantes são vagabundos, que maconheiros têm de ser criminalizados e que a Polícia traz segurança.

anielarte disse...

A mídia é muito forte aqui no Brasil. Uma vez li uma pesquisa sobre a influência dos meios de comunicação (sobretudo a televisão) no mundo. Adivinha quem é campeão?

Dale rede BOBO!! até o jornal da cultura esculachou a FFLCH! Estamos bonitos nessa estória mesmo. Claro, porque a rede Globo sim promove uma discussão democrática sobre os eventos políticos no país!! e o governo estadual de São Paulo é fantástico para a educação!! Abraços a tod@s!!!

Rosanna Andrade disse...

isabella, seguem os eixos decididos em assembleia geral, dia 8/11, em sao paulo:

"1. Retirada de todos os processos movidos contra estudantes por motivos políticos!
2. Fora PM! Pelo fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública.
3. Liberdade aos presos e nenhuma punição administrativa ou criminal!
4. Fora Rodas!
5. Outro projeto de segurança na USP! Que a reitoria se responsabilize por:
1. Plano de iluminação no campus;
2. Política preventiva de segurança;
3. Abertura do campus à população para que tenhamos maior circulação de pessoas;
4. Abertura de concurso público para outra guarda universitária, que tenha treinamento para
prevenção dos problemas de segurança e com efetivo feminino para a segurança da mulher;
5. Mais circulares;
6. Circular até o Metrô Butantã."

Esclarecendo algumas coisas: como vc pode ver, nao pedimos apenas a saida da PM, mas uma melhor capacitacao da guarda universitaria, e um projeto urbanistico para a melhora da questao da seguranca no campus.
Como ja foi explicado largamente nos comentarios, a PM e basicamente um orgao repressor, e os problemas n vem de hoje, ja houve problemas em 2009, ano da posse do reitor, e em 2007, quando o reitor era outro, na ocasiao dos protestos contra decretos do Serra que tinham a ver com a universidade (e melhor eu nem falar disso senao me alongo demais). ha todo um historico de usar a PM para reprimir os movimentos estudantis, e isso nao e compativel com o ambiente da universidade, que e de livre circulacao e discussao de ideias.
Quem critica todo o movimento apenas por causa do episodio da invasao da reitoria ignora completamente as demais manifestacoes pacificas q vem ocorrendo desde entao, como passeatas nas ruas de SP e mesmo a greve.
Creio q a proncipal reinvidicacao e na verdade a saida do reitor, coisa pedida desde a sua nomeacao. Para quem n sabe, por meio de eleicoes indiretas na USP (das quais participam 1% da comunidade uspiana) e escolhida uma lista triplice, da qual o governador do estado escolheria um dos nomes. Era uma convencao nao formal sempre escolher o candidato mais bem votado. Pois nas ultimas eleicoes, o governador Jose Serra contrariou essa convencao, o q nao acontecia desde os tempos da ditadura militar. O reitor escolhido foi justamente o responsavel por chamar a PM para "conter os estudantes" nos movimentos de 2007, e desde entao o mesmo tomou varias medidas arbitrarias sem consultar os interesses da comunidade uspiana, como construcao de predios, por exemplo. Vale lembrar que o reitor esta sendo investigado pelo MP pelo desvio de 25 milhoes em verbas na universidade.
Sobre os pontos de anistia aos presos: pelo q entendi na assembleia, muitos so tomaram processo por participar da manifestacao. SObre depedracao do patrimonio, ha quem diga que foi armado, acho q isso nao vale a pena discutir pq iriamos cair na questao de em quem acreditamos estar com a razao.Enfim, pelo q entendi a anistia a todos seria uma forma de n criminalizar quem n merece, partindo da presuncao da inocencia. Ao meu ver e um dos pontos mais polemicos da discussao.

Espero ter conseguido explicar, comunicacao n e o meu forte!

Rosangela disse...

O conteúdo dessa caixa de comentários é sensacional! Não somente por esclarecer pontos obscuros sobre a manifestação na Usp e acrescentar novas informações ao debate mas, sobretudo, por revelar o posicionamento de cada um dos comentaristas no espectro político e, por que não dizer, diante da vida. Desculpem-me por escapar da discussão proposta, mas é muito interessante constatar como o típico defensor do status quo se deleita por se saber e se mostrar lúcido e racional. É a objetividade, "seus estúpidos-abnegados-que-sonham-com-um-mundo-mais-igualitário"! Vai trabalhar, vagabundo! Vai trabalhar, criatura! O mundo não é e jamais será justo - c'est la vie! - então, pare com essa mania infantil de querer transformá-lo! Quanta soberba, minha gente!

Fernando Borges disse...

Nem sempre precisa haver toda essa polarização... Nem tudo se resume a isso.

Da mesma forma que o pessoal de "direita" estereotipa os de esquerda, o oposto também ocorre.

E quem é de centro, então, coitado... É um sem opinião ou reaça enrustido.

Nem tudo se trata de defender interesses de uma classe específica! Essa ideia de constante luta de classes me incomoda.

Esse pessoal que em geral se diz de direita ou de esquerda parece vir com um pacote de opiniões pré definidas... Poxa...

Essas socialites são umas escrotas, isso é mais do que óbvio, mas convenhamos que é um reducionismo tremendo querer colocar no mesmo patamar qualquer um que tenha uma ideia que não vá de encontro ao "Fora PM" e "Vamos Ocupar Tudo e Fazer Greve".

Cachorro Míope disse...

Mais uma coisinha: rotular de "reaça" todo mundo q tem uma opinião divergente é o mesmo q dizer q todos da esquerda são "comedores de criancinhas"... Não rotulem para não serem rotulados... Não ajuda em nada na discussão e só alimenta animosidades...

Relicário disse...

Muito boa sua explicação Rosanna Andrade...

Flávio Brito™ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
aiaiai disse...

achei, no classemédiasofre, o vídeo ideal para vocês, que consideram que os alunos da USP estão errados, se identificarem. Até machismo ele conseguiu colocar no meio. Vocês já têm um líder para seguir:

http://migre.me/69CDv

Flávio Brito™ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flávio Brito™ disse...

Temos que fazer algo urgentemente.
Os "estudantes" de filosofia estão de grave.
O que faremos agora?
A economia vai dasabar...
E os jogos olimpicos?
A copa?
Por lei vocês tem que manter pelo menos 30% deles fumando ops... quer dizer estudando.
O que não pode acontecer é a populção ficar prejudicada devido a essa greve!!!

Patrick disse...

Eduardo, você já ouviu falar numa tal de economia? A primeira lição diz que, numa sociedade, os recursos são finitos e as necessidades infinitas. Razão pela qual os recursos públicos devem ser aplicados sempre com inteligência, para dar o maior retorno possível a quem paga impostos. No caso aqui debatido, não houve denúncia coisa nenhuma, foi patrulha comportamental. Denúncia houve no caso dos estupros na Unicamp, mas o que foi que a polícia fez? Até tratou mal as vítimas da violência sexual!

Prevaricação é isso.

P.S.: não me surpreende nada que, ao mesmo tempo que tem tanto ódio dos usuários de drogas, você não tem empatia alguma pelas vítimas de estupros, roubos e assassinatos.

Thays Mossi disse...

Bom, Dayane, te decide!

Se você concorda que a PM está fazendo patrulha comportamental, como não concorda que ela pode ferir o princípio da autonomia universitária?

universidade não é só sala de aula, minha querida, se a tua foi, meus pêsames. e essa é a diferença entre uma universidade pública e uma particular: existe vida acadêmica, discussões políticas, manifestações culturais e tantas outras coisas que contribuem pra formação de pessoas pensantes. como eu já disse, a polícia se presta à repressão e reprodução e uma universidade de verdade à formação de pessoas que saibam viver sem ser patrulhadas pelas opiniões de uma imprensa reacionária.

lola aronovich disse...

A Aiaiai recomendou mais um vídeo para comprovar como vcs que defendem a violência policial contra os estudantes da USP estão em boa companhia. Como se não bastassem as socialites, o tio Rei, os mascus, a grande mídia e tantos outros, tem também o Prates. Prates é um ícone entre os reaças de SC! Vejam como ele representa vcs.


Cachorro míope, pra mim "reaça" é apenas um termo mais carinhoso pra chamar quem é de direita. Vem de "reacionário", que seria mais ou menos o oposto de "progressista", que não tinha sentido pejorativo até ser cooptado pelo partido do Maluf. E não posso acreditar que alguém que escolhe se chamar de "Cachorro Míope" esteja realmente preocupado com rótulos.

Unknown disse...

Lola, abaixo alguns trechos extraídos do blog do Altamiro Borges sobre quem são essas socialites ( nada íntegras por sinal)

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/11/quem-sao-as-socialites-do-video.html?spref=tw

"...No encontro, que parecia tão espontâneo, nenhuma delas é inocente. Todas elas têm longa trajetória. A psicanalista Maria Cecília Parasmo, que coordenou a reunião do grupo de mulheres batizado de “Ação em Cidadania”, tem forte ligação com os tucanos de São Paulo. Já em 2002, ela organizou uma badalada recepção à Mônica Serra, esposa do candidato derrotado José Serra"

"Já Ana Paula Junqueira ( a super botoxida)uma das mais falantes na reunião da “Ação em Cidadania”, é bem conhecida nas colunas sociais, que vive bajulando a distinta senhora. Ela também é veterana na política. Dirigente da Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil (Libra), ela já disputou três eleições para deputada federal, mas nunca conseguiu transformar a sua fortuna em votos e só colheu derrotas.

Segundo reportagem da Veja de abril de 2008, a socialite é uma expressão quase perfeita da elite nativa:

Não que Ana Paula seja perfeita, ao contrário. Dois defeitinhos ela assume: sonha em fazer carreira política (já se candidatou, em vão, duas vezes a deputada e pretende tentar de novo) e tem uma relação maleável com os fatos quando se trata da data do nascimento. "Às vezes a gente mente a idade, sim", diz, com seus 37 anos declarados. As intervenções estéticas também são tratadas em termos vagos. "Fiz uma lipozinha há muito tempo. E é claro que já coloquei Botox e já fiz preenchimento", resume.

"A rainha das amazonas"

Ana Paula já foi chamada pela revista Veja de “A rainha das amazonas”. Seu marido, o empresário sueco Johan Eliasch, dono do grupo Head, de materiais esportivos, e que tem uma fortuna calculada em 700 milhões de dólares, comprou 160 mil hectares de terra no Amazonas, um latifúndio “maior do que Londres”. O projeto, segundo a aduladora Veja, teria fins ecológicos.

Depois se descobriu a existência de uma madeireira no local. A compra foi, inclusive, motivo de investigação por crime ambiental. O empresário foi acusado pelo governo de explorar e transportar madeira nobre da floresta. Mesmo assim, Ana Paula Junqueira se apresenta como ecologista. No ano passado, ela se engajou de corpo e alma – e grana – na campanha de Marina Silva..."



Como são hipócritas essas mulheres, esse comentário do YouTube resume tudo: "... votaram no Adhemar, no Jânio, exigiram o GOLPE MILITAR, foram Malufistas de carteirinha, elegeram Collor e hoje são PSDB. São leitoras da "Veja" e se julgam informadas, olham "Caras" e pensam que são chics. Mulheres assustadoramente M O N S T R U O S A S. "

Thays Mossi disse...

Starsmore,

conheço MUITA gente de esquerda, inclusive eu, que é contra Belo Monte.

Acho complicado sair chamando os outros de reacionários, sendo que eu mal conheço esse povo, mas aos "direitosos" de plantão, sugiro que saiam dos seus mundinhos, estereótipos são restritos e fracos de mais para serem argumentos.

Cachorro Míope disse...

Lola, ad hominem, sério? Te ofendi ou algo do tipo? O nome utilizado aqui é o da minha conta de blog no Google, e se deve à foto q escolhi para ilustrá-lo. Não me importo q as pessoas me rotulem, o rótulo é aceito ou não por cada um, quem quiser me rotular, q o faça... Só estranho esta opinião generalizada de quem é a favor do q está acontecendo de dizer q, quem tem opinião discordante, é reacionário... Vc, inclusive, me segue no twitter exatamente por termos conversado, vc ter lido o q posto em meu perfil e ter percebido q concordamos em muitos pontos de visão de mundo, como, por exemplo, eu ir contra a homofobia, a misoginia, o machismo, o autoritarismo, o preconceito religioso, o racismo, ser a favor do direito ao aborto, da legalização das drogas, dos direitos das minorias e outras coisas mais... Agora, por eu discordar em uma opinião, vc acha justo eu ser chamado de reacionário? Para mim, pouco importa, sei quem sou e o q penso, mas chamar qq um assim por ter uma opinião discordante me parece muito maniqueísta...

anielarte disse...

Vc viu isso Lola?: http://esporte.uol.com.br/lutas/boxe/ultimas-noticias/2011/11/06/entidade-causa-polemica-ao-sugerir-que-boxeadoras-usem-saias-em-londres-2012.htm

denise disse...

É incrivel mas um cachorro miope ta enxergando mais que muita gente aqui, me desculpem.

Ramon Melo disse...

Francamente, Lola, esse ad hominem contra os comentaristas não combina bem com você e com a sua experiência. Não me interessa se quem partilha da mesma opinião que eu lê a Veja ou não, o que me importa é que eu não leio. Existe uma coisa chamada "autonomia", que permite a mim e a todos os seus leitores discordarmos de você neste ponto sem estarmos necessariamente do lado do PIG/PSDB/socialites/Bolsonaro/quem quer que seja.

Até porque seu passado recente lhe condena. Não foi você que colaborou com a Myrian Rios apenas algumas semanas atrás? Se bem me lembro, você não ficou satisfeita com o rótulo de "reacionária" quando lhe acusaram (injustamente) de ter feito uma "aliança" com ela. Seus leitores não só a compreenderam, como concordaram com a atitude e a defenderam, portanto não os ataque com a mesma falácia mesquinha que usaram contra você há tão pouco tempo atrás.

Estamos na Web 2.0, inspirada pela democracia desde suas mais profundas entranhas. Portanto, se você quer defender seu ponto de vista (e tenho certeza que todos nós o queremos, caso contrário não teríamos nos dado ao trabalho de ler os comentários), use argumentos de verdade e não ofenda a inteligência dos leitores.

Flavia Vianna disse...

Denise, cega eu não sou. Mas chamar o que fiz durante cinco anos de vagabundagem, eu não tolero. É um desrespeito não só comigo, mas com todo mundo que opta pela área de huamnas.

E se formos estender o seu argumento baseado na premissa do "bando de baderneiros", digamos que professores que fazem greve por melhores salários estão dentro da argumentação.

Porque eu já setou de saco cheio do povo de Extas e pais de estudantes de Exatas dasqualificarem o meu trabalho.

lola aronovich disse...

Ramon, Cachorro Míope, ah é, minha resposta ao Cachorro foi SUPER ofensiva! Nossa, que ad hominem grosseiro que eu usei, dizendo que é estranho alguém que se chama de Cachorro Míope reclamar de rótulos como “reaça”! Pelamor, gente! Sejam menos sensíveis, s'il vous plait. Enquanto isso tem gente chamando todos os alunos e professores de Humanas de maconheiros, baderneiros e vagabundos, e ISSO não fere a sensibilidade de vocês, né? Poupem-me!
O que eu disse no post e aqui nos comentários (e até agora ninguém rebateu) foi que este debate sobre o conflito na USP está altamente polarizado entre posições de esquerda e de direita. E dei vários exemplos desta polarização. As socialites, o Prates, o tio Rei, a mídia, os mascus – todos defendem o mesmo lado. E todos sempre vão defender o mesmo lado em qualquer situação. Que é o lado da direita. Porque essas pessoas e entidades são de direita (que eu chamo de reaças), mesmo que tenham vergonha de se assumirem como tal. E o que eu quero dizer é que pessoas que não se identificam como de direita (como alguns comentaristas) deveriam sim questionar por que suas opiniões são tão parecidas com as desses reaças. Do outro lado há alunos e professores de pós-graduação da USP, o sociólogo que deu a entrevista pro Estadão, a professora da faculdade de Educação que deu a palestra na UFC... Todos eles parecem ter a mesma opinião sobre o conflito na USP.
Portanto, antes de tomarem o caminho fácil e cômodo do “senso comum”, reflitam se querem mesmo estar ao lado das más companhias. Os reaças têm interesses de classe para defender. Vcs, quando defendem os mesmos valores que eles, estão defendendo o quê? É essa a reflexão que peço.
E Ramon, nada a ver citar a Myrian Rios. Eu não mudei o jeito que penso quando mandei um e-mail pra ela (depois d'ela me pedir via Twitter) com os dados que tenho sobre os mascus sanctos que fizeram (fazem ainda) ameaças de morte contra Jean Wyllys, eu, e vários outros. Alias, ela já se manifestou sobre os conflitos na USP? Hum... de qual lado será que ela está? Ela é de direita e de esquerda? Reacionária ou progressista?

denise disse...

Flavia querida eu jamais em hipotese alguma desrespeitaria seu curso ou de qualquer outro estudante de qualquer faculdade, acredito piamente que vc mereça todo o meu respeito, eu ja disse o que achei que considero um crime, a não ser que vc tenha participado da invasão e consequente depredação, que esses sim eu considero que não respeitaram nem seus colegas, nem a lei, nem a força policial, nem boa parte dos professores.
Ainda que vc esteja apoiando esse grupo, meu respeito por vc não ira diminuir, o meu repudio é contra a atitude desses estudantes, que não levaram em conta todos os demais.
Quanto a vc estar de saco cheio de estudantes e pais de exatas, eu só posso lhe dizer que sua intolerancia é lamentavel e injustificada.

Aiko disse...

Cachorro Míope:

Veja esse depoimento:

https://www.facebook.com/notes/leo-rodarte/tratamento-especial/10150445414614515

Há divergências sobre a ação policial nesse evento, mas, em 2009, minha amiga, participando de uma passeata pacifica, foi perseguida por PMs...

Aiko disse...

Aliás, acho pertinente esse depoimento da Marilena Chauí, de 2009, mas mesmo assim atual...

http://www.youtube.com/watch?v=uUgSGS0lUfA&feature=share

A.H.B. disse...

Lola: pois é. Nesses momentos que vemos que o "espírito" da ditadura militar ainda ronda a mentalidade das pessoas.
Não me conformo como podem achar que alunos da USP, mesmo sendo de graduação, não sabem o que estão fazendo. Eu penso: "Sério mesmo que vocês acham mesmo que não temos mais o que fazer e que nenhum de nós tem razão em reclamar, inclusive pelos problemas de outros grupos sociais?"
De verdade, quem são as pessoas politizadas do Brasil? As socialites, o Datena, os mascus...? - incrível como as pessoas não conseguem ter senso crítico quando o assunto entra em política.

Flavia Vianna disse...

Á propósito, Denise, eu não sou da USP, mas já participei e vivenciei de perto uma ocupação na reitoria. Não dormi lá, mas passava lá para saber como estavam as coisas.

E é bem diferente do que a grande mídia pinta. Ninguém ocupa reitorias porque quer; geralmente, ela é uma espécie de último recurso quando o diálogo com os reitores não existe mais. A da UFF (minha universidade) ocorreu no início do semestre e teve como um dos motes pricipais a maneira arbitrária que o reitor encontrou para aprovar a construção de duas avenidas dentro do campus que estudo. Não ele (campus do Gragoatá) mas também outro campus (Praia Vermelha). Porém as obras das duas vias não eram os únicos pontos de pauta de revindicações. Envolviam também pedidos de melhoria das condições em todos os campi.

Foi uma situação tensa? Foi. Os dois dias que envolveram a reitegração de posse foram bem tensos. E com direito a policial federal armado e se achando. Sorte que conseguiram negociar a saída do povo de forma pacífica, sem a necessidade da entrada do Batalhão de Choque, que estava posicionadinho do lado de fora da Reitoria.

Pode parecer intolerância minha quando disse sobre boa parte dos estudantes de Exatas terem preconceito com o pessoal de humanas. Mas o preconceito existe, principalmente das Engenharias. E o preconceito dos pais existe também. Volta e meia nas nossas formaturas fazemos piada sobr eo assunto. Fico chateado, pois gostaria que o que eu faço fosse mais respeitado pelas pessoas.

Eliane Ramscheid disse...

Como sou do Rio, vejo de longe e não conheço a USP. O que eu acho é que estamos muito carentes de lideranças que nos levem a protestar. O que sobrou da ditadura militar foi uma sociedade individualista e egoísta. Passamos por vários governos "democráticos" que cometeram e comentem barbaridades e a sociedade não se mobiliza e nem se mobilizou ( a não ser no caso do Collor que foi midiático, certo?). Sei que a juventude comente atos impulsivos. Claro que a invasão e os atos relacionados a ela não foram corretos, mas eu olho como um impulso saudável e positivo dos jovens. Erram na maneira mas não o mérito. Eu fui uma das pessoas que jogaram pedra no carro do Collor na época da campanha eleitoral, o que não permitiu que ele discursasse em Niterói. Hoje, claro, não jogaria pedras. Mas são impulsos de uma juventude que não quer abaixar a cabeça e que se manifesta de uma maneira intepestiva. Não consigo dar razão a centenas policiais da tropa de choque para tirar setenta e poucos estudantes de um prédio. Os discursos estão por aí e os rótulos também. Muito fácil simplificar tudo a um grupo de maconheiros filhinhos de papai. Isso, para mim, não cola.

Vera disse...

Mais absurdo foi o advogado de um dos alunos chamá-los de "presos políticos".

Dayane Ok. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dayane Ok. disse...

Mas sim, já entendi que é abusivo o que a PM faz, já entendi tudo após ler tudo isso aqui. Muito obrigada a todos!Estou do lado da manifestação que reivindica a falta de totalitarismo, mas não estou do lado dos pseudo-revolucionários que mal sabem como conseguiram entrar naquela universidade (vi muitos, muitos mesmo!Não é preconceito, é conceito, gente assim existe lá dentro TBM, assim cm há pessoas muito longe desse estereótipos).

Lobo Mau disse...

A cólera aos estudantes da USP está relacionada ao fato de a maioria das pessoas terem prestado vestibular para uma universidade pública e não terem passado. Por se sentirem rejeitadas pela Universidade elas despejam esse ódio chamando os estudantes de "maconheiros filinhos de papai e etc." É algo muito semelhante ao que vocês feministas fazem com os homens ao chamarem todos eles de "machistas agressores e etc.". Sendo que esse ódio de todas vocês advém do fato de um dia vocês terem sido rejeitadas por um desses machos que vocês tanto odeiam.

A cobertura da mídia ao fato foi completamente lamentável e a todo momento generalizou "estudantes da USP" como sendo representado por aquele grupo de estudantes. Sendo que quem convive na comunidade uspiana sabe que eles não representam nem 0,5%.

Mas afinal, desafio a Lola a comentar esse vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=LSwrqEiVOv4
Eu nem vou falar nada sobre o vídeo

Eduardo Marques disse...

"Afinal, pega mal ter opinião IDÊNTICA, repetir os mesmos clichês, que pessoas fúteis e francamente ignorantes."

Ah, tá. É muito fácil dizer que eu defendo a mesma coisa que gente estúpida para invalidar minha opinião do que discutir. Essa idéia de roubar todas as melhoras sociais para a "esquerda" também é muito boa.

Não faço idéia do que pensa a revista Veja e não assisto televisão há anos. Tente outro argumento.

denise disse...

Lobo Mau suas analogias são um pouco pra la de toscas, mas esse vídeo que vc postou chega as raias do ridículo, ta me parecendo coisa plantada, não consigo acreditar que tenha estudantes com esse tipo de postura, a garota falou a frase "TEMPOS AUREOS DA DITADURA", pohaaam que que teve de áureo nesse tempo?????????
Às vezes tenho a impressão que tem jovens que acham que esses tempos foram glamorosos, e querem repetir o clima, só quem viveu sabe que não tinha nada de bom essa época.
As reivindicações eram só um pouquinhos mais sérias, como não ser morto pelo DOPS, pela liberdade de imprensa que não havia, por ter direito a votar, que também não podíamos.
Ai meu deus dai me paciência.

aiaiai disse...

Denise, se vc não entendeu que ela estava sendo irônica ao falar "tempos áureos da ditadura", vc não entendeu nada.

denise disse...

depois dessa aiaiai nem to querendo entender mais nada, mudar o rumo da prosa pq essa parada é bem indigesta.

Raquel disse...

Nossa, lendo todos os comentários desse post, fica a pergunta que não quer calar: como algumas pessoas podem ir contra a opressão de um grupo e ser a favor da opressão de outros?

disse...

Lendo todos os comentários por aqui, vejo o quanto nossa sociedade nos criou para não conseguirmos enxergar além de nossos pequeno mundinhos...
Gente, parem de (des)qualificar o que os estudantes são (riquinhos, mimado, etcetcetc)....
Se eles enxergassem só o mundinho deles, estariam fumando, bebendo e sendo"mimados" em suas baladas, arranjando bons empregos, e não discutindo política..

Vamos debater democracia?
O caso da USp não é só sobre a USp.
É sobre a sua, nossa sociedade..
Quando a polícia estiver arrombando a porta de seus filhos vai ser tarde demais....

Isto tudo está me deixando profundamente triste e com medo de nossa sociedade..
Solidariedade com quem quer um mundo melhor!!

Bjo lolinha

denise disse...

MA, não gosto de falar nesse assunto , mas infelizmente eu já fiz parte de um grupo semelhante a esses que hj eu critico.
Vcs jovens não tem idéia do poder que tem nas mãos, a minha geração lutou por tudo isso que esta aqui hj.
Eu me sinto responsável por muito do que acontece hj.
E sinceramente não estou satisfeita, na verdade me sinto envergonhada.
Em minha defesa só tenho a dizer que pelo menos fui muito sincera nas minhas motivações, e as causas pelas quais lutei no passado eram um pouco mais relevantes no meu ponto de vista das que foram levantadas nesse episódio, ainda que não desmeraça todas as pautas incluídas.
Vcs embora sejam criticados vão continuar o curso, nada vai dete-los, muito menos agora que gozam de liberdade quase irrestrita, não sera um punhado de criticas que ira segura-los, nem toda a repressão política e policial nos deteu no passado.
Eu e o povo brasileiro construímos o que ai esta, agora é a vez de vcs.

denise disse...

Em tempo : tentem dar uma melhorada OK!!

Letícia Rodrigues disse...

Me chama a atenção que tanta gente aqui - e não só aqui - use argumentos como "trabalho de 8 as 6, não tenho tempo de participar de manifestação política", "assisto as aulas, faço as provas, estou trabalhando no meu TCC, não tenho tempo para manifestação política", "tenho filho pra criar, não tenho tempo para manifestação política". As pessoas realmente acreditam que o papel do cidadão se limita a trabalhar e/ou estudar, pagar impostos e votar de quatro em quatro anos. O bom cidadão é o cidadão passivo. Manifestação política é coisa de vagabundo.

O texto do "papo de homem" citado aqui ilustra bem isso. Quem escreveu acha que a discussão sobre a atuação da PM se limita a prisão dos três alunos que fumavam maconha, quando se trata da presença da PM no campus em si, e da autonomia universitária.

A acusação de que as assembleias são em horário de aula é de fazer chorar de rir. EM uma universidade como a USP tem aula de sete da manhã as dez da noite. Em que horário querem que as assembleias aconteçam? De madrugada? Nos fins de semana? As vezes interesses comuns precisam ser colocados a cima de interesses pessoais. As vezes discutir sobre a autonomia universitária é mais importante que assistir uma aula. Mas tem gente que não consegue enxergar além do próprio umbigo. É essa turma que chama quem encontra tempo para manifestações políticas de "o povo da maconha e da violência".

Maia disse...

Sobre os alunos que não têm tempo para se dedicar à política porque trabalham e estudam recomendo um texto muito bom que está rolando no facebook, mas também pode ser lido aqui: Você não me quer como aluno da USP (http://blog.filipesaraiva.info/?p=436).

Ramon Melo disse...

Ramon, Cachorro Míope, ah é, minha resposta ao Cachorro foi SUPER ofensiva! Nossa, que ad hominem grosseiro que eu usei, dizendo que é estranho alguém que se chama de Cachorro Míope reclamar de rótulos como “reaça”! Pelamor, gente! Sejam menos sensíveis, s'il vous plait. Enquanto isso tem gente chamando todos os alunos e professores de Humanas de maconheiros, baderneiros e vagabundos, e ISSO não fere a sensibilidade de vocês, né? Poupem-me!
O que eu disse no post e aqui nos comentários (e até agora ninguém rebateu) foi que este debate sobre o conflito na USP está altamente polarizado entre posições de esquerda e de direita. E dei vários exemplos desta polarização. As socialites, o Prates, o tio Rei, a mídia, os mascus – todos defendem o mesmo lado. E todos sempre vão defender o mesmo lado em qualquer situação. Que é o lado da direita. Porque essas pessoas e entidades são de direita (que eu chamo de reaças), mesmo que tenham vergonha de se assumirem como tal. E o que eu quero dizer é que pessoas que não se identificam como de direita (como alguns comentaristas) deveriam sim questionar por que suas opiniões são tão parecidas com as desses reaças. Do outro lado há alunos e professores de pós-graduação da USP, o sociólogo que deu a entrevista pro Estadão, a professora da faculdade de Educação que deu a palestra na UFC... Todos eles parecem ter a mesma opinião sobre o conflito na USP.
Portanto, antes de tomarem o caminho fácil e cômodo do “senso comum”, reflitam se querem mesmo estar ao lado das más companhias. Os reaças têm interesses de classe para defender. Vcs, quando defendem os mesmos valores que eles, estão defendendo o quê? É essa a reflexão que peço.
E Ramon, nada a ver citar a Myrian Rios. Eu não mudei o jeito que penso quando mandei um e-mail pra ela (depois d'ela me pedir via Twitter) com os dados que tenho sobre os mascus sanctos que fizeram (fazem ainda) ameaças de morte contra Jean Wyllys, eu, e vários outros. Alias, ela já se manifestou sobre os conflitos na USP? Hum... de qual lado será que ela está? Ela é de direita e de esquerda? Reacionária ou progressista?


Lola, confesso que não li todos os comentários, mas não lembro de ninguém chamando estudantes de ciências humanísticas (e não "humanas", porque toda ciência é ou deveria ser intrinsecamente humana) de "maconheiros". Embora haja uma parcela representativa dos estudantes dessa e de outras áreas que se enquadrem no estereótipo, tenho certeza que a maior parte do corpo discente está ali realmente para estudar.

A opinião da direita conservadora continua não me interessando. Não vou mudar de opinião só porque algum direitista recalcado concorda comigo, mesmo que toda a direita concorde comigo! Isso é uma falácia e você sabe muito bem disso!

O impacto desta revolta contra a PM na USP exaspera o resto da sociedade não apenas pelos tais "maconheiros", mas porque, num país assolado pela violência, existe um grupo que se coloca ativamente contra a polícia! Ora, a presença da PM é algo que nós, alunos da UFRJ, invejamos profundamente, já que os assaltos e sequestros-relâmpago dentro do campus estão se tornando cada vez mais comuns com o passar dos anos.

A sociedade se revolta porque a violência lhe restringe seus direitos mais essenciais: o direito à vida, à propriedade e ao ir e vir, enquanto os alunos da USP ficam reclamando porque não têm direito a voto na eleição para reitor.

Ser esquerdista agora é isso, diminuir a importância da vida alheia só para votar numa eleição onde a maioria dos estudantes já não vota mesmo? Eu sempre chamei isso de egoísmo mesmo, não sabia que havia mudado de nome, Lola.


OBS: sou a favor do debate da legalização da maconha e de outras drogas, até como uma forma de conscientização dos riscos e, por que não?, dos benefícios. Mas, até lá, consumir maconha continua sendo um crime e, portanto, tem que ser reprimido mesmo.

Letícia Rodrigues disse...

Ramon Melo,

Os alunos que participaram dos protestos na USP não querem ficar sujeitos a assassinatos, sequestros e roubos. O que eles não querem é ter que abrir mão da autonomia pela segurança.
A proposta do DCE da USP é que a segurança do campus seja feita por uma guarda da própria universidade, e não por uma polícia subordinada ao governo, o que eles acreditam que fere o princípio da autonomia universitária.
Ainda que a PM tenha que ficar na USP como medida provisória, o papel dela lá dentro tem que ser o de policiar as áreas onde esses crimes mais graves acontecem, e não ficar revistando alunos nos corredores.
Todo o seu comentário parece se apoiar na ideia de que ser contra a presença da PM no campus é ser a favor da violência. Essa é uma redução simplista do debate.

aiaiai disse...

não brinca q um comentarista acaba de escrever que o "direito à propriedade" é um dos "direitos mais essenciais"???? MORRI!

matedoce&leitequente disse...

Como ex-estudante de jornalismo de uma universidade pública e com histórico de participar de movimentos estudantis durante metade dos anos 90 e início do século XXI, digo que esse péssimos hábitos de blogueiros, professores e estudantes em estereotiparem todo e qualquer ação policial como "facista" é mostra de falta de capacidade para discernir entre Estado de Exceção e Estado de Direito; onde todos tem deveres e direitos garantidos pela constituição, inclusive policiais e estudantes classe média alta- isso mesmo, alta, pois é a maioria que se encontra dentro dos portões de faculdades públicas - independente do local em que se encontram.

meia água disse...

Me gustan los estudiantes! :)
http://www.youtube.com/watch?v=__ck2SqKcqQ&feature=fvst

É HORA disse...

Eu tenho acompanhado este blog a muito pouco tempo, mas Já tenho me sentido ligeiramente satisfeito. Não pelo teor das opiniões mas pela expressão delas.
A situação atual do que vejo nesse fato ocorrido dentro da USP como algo cabal para discussão, é ser hoje um revolucionário.
Não quero entrar nos por menores da ação da polícia especificamente na retomada de posse do prédio da reitoria. O que tem me feito refletir são as ações de todos os lados.
Sou extremamente a favor da reintegração de posse, sou extremamente a favor do cumprimento das leis estabelecidas ( mesmo não concordando com algumas) e sou extremamente a favor do diálogo verdadeiro. Diálogo esse que ocorre quando mais de uma pessoas fala e onde todos chegam em um consenso.
Entendo que a forma adotada pelos manifestantes nesse episodio deveria estar enterrada no último seculo. A Ditadura militar foi algo obscuro, oportunista que ocorreu porque o país era alienado quanto a questão politica (fato que ainda não foi modificado)e as ações extremas naquela época se fizeram necessárias.
Não podemos nos privar a reproduzir apenas atos que foram representativos em outros momentos em outras circunstâncias.
A PM não é um resquício da ditadura, é uma herança. Que vem sendo modificada, vem sofrendo grandes baixas pela criminalização de seus internos, mas já não pode agir como agiu em tempos passados.
Aos manifestantes exigisse mais que dar as mãos e correr em direção ao problema. Hoje precisamos ser mobilizados primeiro com argumentos plausíveis, que cheguem ao conhecimento de todos.
A polícia não prenderia e embarcaria no ônibus, 50 mil estudantes que reivindicassem de forma bem organizada e inteligente, sem estopins frágeis as tantas e ótimas causas que já ouvi e li de docentes e acadêmicos.
aos três que foram intimados a irem a delegacia pelo uso de entorpecente (que ainda é proibido por lei) tenho lástimas quanto a se entregarem ao vício, não falo como exemplo pois todos tempos nossos vícios.
Certo será quando nossas ideias forem capazes de sobressair qualquer tipo de ações que destruam o patrimônio físico e moral de nós mesmos.

Letícia Rodrigues disse...

É HORA,

Em 2008, 100 alunos da UNB ocuparam o gabinete da reitoria exigindo a saída do reitor corrupto, e acabaram conseguindo tirar o cara do cargo. Ou seja, todos os milhares de alunos da universidade se beneficiaram com a ação daqueles 100. Ocupações são manifestações políticas legítimas.

Rosa Parks pensava diferente de você sobre cumprir leis estabelecidas mesmo quando injustas. Ela se recusou a ceder lugar em um onibus a uma pessoa branca, como a lei exigia que os negros fizessem na época, e iniciou um movimento pelo fim da segregação racial.

A reintegração de posse não teria sido necessária se a reitoria tivesse se aberto ao diálogo, ou se a justiça tivesse entendido a manifestação como o que realmente era: um ato político, não uma tentativa de se apropriar de um prédio público.

Francisca disse...

Lola,

Eu também achei que a atitude do governo de mandar a polícia invadir e prender os estudantes foi idiota!

O governo e as autoridades da USP deveriam ter se reunido com todos os estudantes, não só com os que participaram da ocupação, para ouvir o que eles queriam dizer e depois ter feito um plebiscito para decidir sobre o policiamento no campus. Porém, como sempre, preferimos o caminho da truculência.

Concordo que o sentimento de insegurança realmente é manipulado. Na verdade, ele é ocultado, porque é muito maior do que aparece na mídia, principalmente na periferia.

Porém, não entendi por que a polícia militar é incompatível com o Estado Democrático de Direito. É por que ela é uma estrutura militar ou apenas por ser polícia?

Fabrício Onnil disse...

Letícia Rodrigues...


Entendo perfeitamente o que quis dizer, e não menosprezo as ações feitas anteriormente. A ocupação foi já um ato político valido e em casos extremos. Hoje não pode ser dado como a opção mais acertada. A invasão da UNB tinha fundamentação politica básica e clara e de alguma forma chegou a mídia (que em sua maioria é uma mídia oportunista) no formato em que o país inteiro pode entender e dar seu parecer quanto a relação.
A questão é que nesse caso a invasão não chegou até aqui da forma certa, o jornalismo verdade que documentou esse ato tinha exatamente a versão que precisavam. Fundamentações fracas por parte dos manifestantes, que empurravam microfones e falavam de forma elaboradíssima para uma população de analfabetos funcionais. Se querem apoio hoje, é necessário saber falar a língua da maioria, não querer mudar o idioma.
E quanto a Senhora Rosa Park, não posso me valer pelos preceitos dela, em uma outra realidade diferente da minha (não digo por ser mais ou menos preconceituosa) de ações. As pessoas se enchem de conhecimento é para julgar melhor, refletir de forma elaborada e não dominar os frágeis. Para representarem alguém hoje precisamos ser melhor guiados.

Conversar sobre um assunto problema, não quer dizer ser atendido. Partir para a ocupação, invasão, seja lá o que for é admitir que não é capaz de mudar a sua realidade de uma forma consistente.

Letícia Rodrigues disse...

Fabrício,

Concordo com vc: a ocupação da UNB funcionou pq a mídia achou que as reivindicações eram legítimas, e deu voz aos estudantes. Já em relação a ocupação da USP, como a mídia não concorda com as reivindicações, esta resolveu fazer a caveira dos estudantes, dando destaque as atitudes erradas de um ou outro, como a desse cara que agrediu a repórter.
Quer dizer, o problema dessa vez não foi a ocupação, e sim a cobertura que a mídia fez da ocupação.

Ramon Melo disse...

aiaiai

Pode até ofender seus princípios comunistas/anarquistas, mas o direito à propriedade é sim um direito básico do ser humano.

Eu sei que é chato ler isso, porque certamente sempre tem alguém faz questão de repetir isso para você, mas o computador que você está usando é um filho do capitalismo, portanto seja menos ingrata a ele.

meia água disse...

Nossa, mas esse blog é cheio de ingratas! :) Não bastasse a Lola ingrata com o patriarcado, agora a aiaiai ingrata com o capitalismo! adouuuuuuuuuuuuuuro!!! :)

Francisca disse...

Ramon Melo,

Acho que não é ingratidão, é insatisfação mesmo. Só não compreendi ainda em que rumo vai toda essa insatisfação. Sim, claro, nós temos problemas terríveis. Há miséria, violência, desigualdade, subvalorização do trabalho etc. São coisas ruins que devemos e podemos mudar. Entretanto, muitos não estão interessados em discutir ideias e propostas concretas de mudança.

Não digo que esse seja o caso de ninguém aqui. Afinal, a pessoa vem no blog pra quê? Porém, muitos dos insatisfeitos atuais são iguais aos americanos que brandam contra o sistema de saúde de lá. Ora, os problemas do setor são um fato! A questão é como resolvê-los. A maioria pensa que basta mandar o governo investir mais, mas ninguém diz quanto, como e de onde virá o dinheiro que o governo deve investir para reestruturar o sistema. Então, no fim, resta apenas acampamentos em praças públicas e gritos de ordem contra o capitalismo.

Na visão dessa gente, o capitalismo é a causa de todos os nossos males e nunca gerou nada de bom para o mundo, exceto é claro para os ricos. Então, diante deste vilão, basta gritar acusações. Uma patetice, porque todo mundo sabe que o capitalismo tem problemas. O que ninguém parece saber é como resolvê-los.

Se os problemas existem, por maiores que possam ter sido os méritos do sistema até hoje, nós temos que pensar em fazer mudanças. A questão é: mudar pra onde? Reformas? Abolir o capitalismo? E que tipo de sistema econômico implantaríamos no lugar dele?

Num debate político, toda proposta deve ser discutida e, pessoalmente, tenho muita vontade de assistir um debate em que as pessoas exponham realmente seus pontos de vista. Queria poder ouvir alguém defender o comunismo como sistema econômico. Expondo por A mais B como esse sistema funciona. Também queria ouvir os outros: os que defendem o atual, quem tem propostas de reforma e aqueles com ideias radicalmente novas. Até porque antes de qualquer mudança, as pessoas sempre discutiram o que mudar e como. Só recentemente, inventou-se essa proposta de mudança sem destino certo.

Veja como a situação atual tem gerado mesmo muitos insatisfeitos, de todos os tipos. Minha avó está insatisfeita! Ela diz que a minha geração é mimada, porque na época dela as coisas eram muito piores. Não havia direitos trabalhista, democracia, transparência governamental, consciência ambiental, SUS etc e etc! Porém, as coisas mudaram, porque nas palavras dela: “Nós fomos à luta e fizemos acontecer, mudamos tudo. Vocês, os jovens de hoje, não são de nada. Vocês só querem fazer pirraça!"

Só pra não deixar dúvidas sobre a ideologia dessa insatisfeita. Ela acha que o dinheiro é um marco civilizatório, porque “o escambo, minha filha, é um b*sta!”

Patrick disse...

Lola, é interessante o cenário ideológico atual. Até pouco tempo, liberal era aquele que defendia as liberdades individuais. Atacava a esquerda por meter o Estado na economia e a direita por querer intervir na vida das pessoas. A revista The Economist é um expoente, nos dias de hoje, desse campo das ideias. Mas o que nós vemos prevalecer atualmente - e fica muito fácil de reconhecer aqui pela sua caixa de comentários - é o casamento do liberalismo econômico com o facismo.

Comentaristas que em tópicos relacionados à economia querem menos intervenção estatal, pois "sufoca" as liberdades dos empreendedores, se tornam defensores do megaestado interventor, que deve mobilizar 19 viaturas e dezenas de policiais para controlar o que três pessoas estão fumando.

Aqui eu aplaudo - sarcasticamente - Milton Friedman, que foi o criador dessa linha de pensamento. Quando questionado sobre o seu apoio ao Chile de Pinochet ou à China atual, Friedman não se fazia de rogado em suas respostas: a principal liberdade do ser humano é a econômica, e nesse ponto esses regimes são muito livres.

Eu só queria deixar o alerta para quem está comprando, algumas vezes ingenuamente, essa ideologia, do caminho para onde está nos levando. A China é um estado que controla o que você fuma, o que você bebe, quantos filhos você pode ter, nomeia os pregadores da sua religião e por aí vai. E o que temos visto é as democracias ocidentais copiando ipsi literis esse modelo. Ontem mesmo a prefeitura de Nova Iorque desalojou os manifestantes de Wall Street usando a mesmíssima desculpa do regime militar egipcío: precisamos "lavar" a praça por motivos de higiene.

Defendam o estado máximo - um belo dia vocês vão acordar e descobrir que ele se tornou realidade! E não vão gostar! Claro, talvez até o admirem publicamente (como tantos fazem na China, graças ao aparato ideológico-comunicativo), mas internamente isso vai deixá-los eternamente insatisfeitos "com os tempos de hoje". Talvez até nostálgicos de eras passadas. Porque nem o direito de conseguir expressar e debater o que os torna insatisfeitos vai estar disponível. Afinal, isso é "subversão" e "coisa de maconheiro".

Fabrício Onnil disse...

PAtrick...

Mesmo que tentasse ser instaurado qualquer tipo de governo totalitário por aqui, acredita mesmo que seria fácil ou de semelhança com os que citou?

O debate sempre será bem vindo, o país mesmo analfabeto funcional, precisa disso. Mas invadir, tomar posse a força é uma forma de expressão realmente valida?

Vivemos um regime dominante que respeita e defende a propriedade privada. Esperniar e gritar é a melhor forma de ser ouvido?

Ainda não estou convencido disso...
Quero a sua opinião não de terceiros...


Francisca..
Sensacional, concordo plenamente. Se tiver a oportunidade de ver um debate desses, me convide.

Patrick disse...

Mesmo que tentasse ser instaurado qualquer tipo de governo totalitário por aqui, acredita mesmo que seria fácil ou de semelhança com os que citou?

Pelos aplausos ao uso maciço de força estatal para controlar o que três pessoas estão fumando, eu pergunto por que você está fazendo o uso do tempo futuro no seu questionamento.

Letícia Rodrigues disse...

Francisca,

Países capitalistas da Europa tem um sistema de saúde publico, gratuito, de qualidade, que atende a todos. O problema nos EUA é que a saúde foi privatizada. Mesmo em um sistema capitalista o Estado precisa se responsabilizar por saúde e educação.

Os manifestantes do ocupe wall street podem não saber como resolver o problema, mas sabem de quem é a culpa pela crise - da elite financeira. Já é alguma coisa.

Gosto do fato deles dizerem "Nós somos os 99%", em oposição ao 1% da população que concentra a maior parte da renda. Já é melhor do que o que acontece aqui - a classe média achando que a culpa é do pobre que ganha bolsa família, os pobres achando que a culpa é da classe média que ocupa as vagas da USP.

Ramon Melo disse...

Francisca

É evidente que reformar o capitalismo é essencial, acho que ninguém duvida disso, mas não concordo quando você diz que não há soluções. Elas existem, só não são postas em prática. O estado de bem-estar social, as agências reguladoras, os programas de transferência direta de renda, o investimento maciço em saúde e educação públicas, tudo isso aí já mostrou que dá certo nos países que tiveram disciplina para seguir a cartilha.

Os recursos para isso também existem, falta só vontade política e popular mesmo. Hoje tive uma aula na faculdade sobre a infraestrutura de informação que sustenta o Bolsa-Família [sacrilégio, na visão de Lola & cia, onde já se viu aluno de engenharia estudando ciências sociais?] e, num dado momento, percebi que a isenção fiscal dada aos carros, aos tablets e às geladeiras provocaram uma renúncia fiscal capaz de sustentar 31 milhões de benefícios integrais do Bolsa-Família. Os elogios da mídia e da opinião pública deixam claro: tablet com desconto é mais importante que alimentar famílias miseráveis.

O problema dos comunistinhas é a memória curta. Eles já não se lembram que também havia fome e miséria na distopia comunista, que também havia repressão e que esses ideais de democracia e liberdade só floresceram na sociedade capitalista. Eles também não gostam muito de serem lembrados de que os seus instrumentos de comunicação favoritos só foram inventados porque havia o direito à propriedade e ao lucro.

Ramon Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabrício Onnil disse...

Pelo que chegou até mim, o uso da força excessiva não foi pela maconha, foi pela ocupação.
Mas vai ver que eu to errado...
A tropa de choque estava lá pra apagar cigarro...

Francisca disse...

Fabrício Onnil,

Convido, sim, fi! Mas, pelo andar da carruagem, vai demorar muito...

Francisca disse...

Patrick,

Há liberais e liberais!

Nunca defendi a ação da polícia na retomada. Não era necessário a tropa de choque para retomar o prédio de um grupo de estudantes desarmados! A truculência dessa ação da polícia e os abusos cometidos pelos estudantes na ocupação desviaram a discussão da questão central: o papel da polícia na segurança do campus.

A incompetência das autoridades, universitárias e governamentais, para resolver essa crise é típica de quem tem medo de mostrar a cara e enfrentar as feras. A Luizianne e o Cid, que são de esquerda (não fascistas, certo?), fizeram a mesmíssima coisa contra a manifestação dos professores!

Friedman não inventou o liberalismo. Ele existe desde antes desse senhor nascer. Há muitas formas de ser liberal e cada um deve responder apenas pelas ideias que defende. Você certamente nunca me viu ou verá defendendo a China, Pinochet, a ditadura brasileira, Cuba etc.

Francisca disse...

Letícia Rodrigues,

Sim, o Estado não deve se eximir de manter uma saúde pública. O SUS é uma das grandes conquistas da Constituição de 88. Nos EUA, as coisas estão desequilibradas, mas as pessoas não tentam entender os vários aspectos do problema. A estrutura dos bons hospitais privados americanos é caríssima e esse é apenas um dos pontos da questão.

Por aqui, o SUS é caótico. Isso é um fato. Entretanto, quando o mostram na TV é só para expor os velhos problemas de uma forma sensacionalista. Quase nenhuma reportagem faz denúncias sérias.

Os manifestantes de Wall Street podem gritar contra quem quiserem, mas isso não os isenta de conhecer a situação de uma forma mais madura e construir um discurso político de fato.

Será que 1% detém toda a riqueza, como eles dizem? Aqui no Brasil, sozinho, o orçamento público federal para este ano foi de mais de 2 trilhões de reais, o equivalente a mais da metade do PIB nacional. Há ainda os orçamentos estaduais e municipais.

Porém, se eles querem tirar dinheiro dos mais ricos, qual é a proposta? Mais impostos? Tributar os investimentos? O problema é que o dinheiro investido em ações já é tributado nas empresas. Criar um outro tributo sobre os dividendos dessas ações só serviria para afugentar ainda mais os investidores do mercado e tornar mais difícil o financiamento para as empresas. Resolver a questão exige diálogo e reflexão. Entretanto, esse é exatamente o tipo de discussão política madura que os manifestantes não estão promovendo.

Fico aqui pensando como essa juventude um dia estará no comando de universidades, empresas e governos, se eles não querem entender as coisas e se contentam em gritar frases de efeito.

Francisca disse...

Ramon Melo,

Eu nunca disse que não havia soluções. Disse que nós não estamos debatendo sobre elas nos protestos de rua.

Sobre o bolsa família, entendo o que você colocou sobre tablets e cia., embora a inclusão digital e os empregos gerados por essa indústria também sejam importantes.

Eu tenho críticas à execução do bolsa família. Acho que ele deveria vir junto com uma revolução na educação. Há anos defendo escolas em tempo integral para o ensino básico.

Atualmente, o governo federal investe cerca de 16 bilhões por ano com o bolsa família, mas se recusa a investir mais para implantar as escolas em tempo integral, com alimentação balanceada, para as crianças. Hoje, o repasse federal para o Fundeb está em torno de 10 bilhões e, mesmo para esse valor, faltam recursos. Se tivéssemos uma contribuição maior para o Fundeb, poderíamos garantir que nossas crianças não dependessem de auxílios quando fossem adultas.

Não estou dizendo que deveríamos acabar com o bolsa família, mas, se as crianças fossem alimentadas na escola, o governo poderia “congelar” os benefícios. Diminuir seria um abuso, mas como o governo reajustar sempre o valor do benefício, ele poderia para os reajustes durante algum tempo, mantendo o orçamento do programa no valor atual.

No caso do Fundeb, também temos a questão da distribuição no orçamento da educação. Os recursos totais do governo federal para a área da educação somam uns 26 bilhões. Porém, a maior parte do orçamento federal para a educação é destinado ao ensino superior e ao ensino técnico. Um desproporção terrível já que o ensino superior e técnico atende cerca de 2 milhões de alunos e o ensino básico mais de 50 milhões.