quinta-feira, 8 de setembro de 2011

GUEST POST: AMAmentaÇÃO

Jaqueline Pascon tem 24 anos, mora em Assis, interior de SP, é psicóloga, e fez a gentileza de compartilhar conosco um artigo de conclusão de curso que escreveu no ano passado. Vocês podem ler o artigo inteiro aqui (são onze páginas que valem a pena). O que segue é um post fascinante sobre os caminhos e as origens da amamentação no Brasil.

Diante das discussões sobre a amamentação que vieram à tona devido à proibição de uma mãe de amamentar seu filho no Itaú Cultural, em São Paulo; ao texto “Mamonas celestinas” de João Pereira Coutinho, colunista da Folha, que colocou no mesmo balaio o direito das mulheres de amamentar seus filhos em lugares públicos e a reivindicação do direito de se fazer outras cositas em público como masturbação, sexo, necessidades fisiológicas e até mesmo um banho na fonte; e à discussão do trio de apresentadores do programa CQC 3.0, decidi escrever para nossa querida Lola e acrescentar algo para o debate.
O tema obviamente é a amamentação. Quando comecei a estudar o assunto, meu objetivo era passar rapidamente pela história da amamentação; em um segundo momento discorrer sobre a visão médica, em especial, a atuação dos pediatras com as mães e os bebês, e finalmente falaria da importância da amamentação para a construção do vínculo mãe-bebê. Contudo, conforme fui lendo e refletindo a respeito do aleitamento materno e da construção da maternidade, meu objetivo inicial tornou-se insustentável por vários motivos. Abdicar de escrever sobre a importância da amamentação para a construção do vínculo mãe-bebê a princípio não me foi claro, pois como o artigo destinava-se à conclusão de uma graduação em Psicologia, discorrer unicamente sobre a história da amamentação parecia-me “pouco”. Com as leituras e com a orientação de uma pessoa muito sensível, a psicóloga Karin Prado Telles, fui compreendendo que olhar para a amamentação como uma construção social, atravessada por interesses político-econômicos e influenciada pelo contexto cultural, poderia ser muito importante justamente para a relação da mãe com seu bebê. Contribuir para o esclarecimento das formas de regulação do comportamento feminino exercidas pelos discursos vigentes de cada período histórico, que restringem as inúmeras possibilidades de construção da maternidade, seja por meio da amamentação, do parto e por tudo mais que se possa transformar em conhecimento especializado algo que antes fazia parte do conhecimento popular, poderia encorajar as mulheres a tornarem-se protagonistas de sua maternidade. E aí entra outro impasse que divido com vocês, a dissociação entre a academia e a vida. No meu caso, decidi fazer desse artigo uma ferramenta para sensibilizar os profissionais de saúde às demandas de cada mãe e cada bebê, e isso eu posso autorizar-me a fazer porque sou uma profissional de saúde. Eu também poderia facilmente ter feito desse artigo um instrumento para dizer às mães que a Psicologia (com a letra maiúscula da Ciência) sabe que amamentar o bebê é primordial para o vínculo entre elas e seus bebês, como seu eu, sob a égide da ciência, pudesse dizer-lhes que só existe uma maneira correta de ser mãe, eu que nem mesmo sou mãe, que nunca amamentei. Reconhecer que cada mulher é dona de seu corpo e tem o direito de exercer a sua maternidade a partir dos gestos, das palavras, dos saberes, enfim daquilo que lhe faz sentido, considerando que as decisões relativas ao processo de tornar-se mãe cabem a elas, e não simplesmente aos médicos, é mexer na relação de poder que os mestres do conhecimento científico estabelecem com a sociedade contemporânea. Eliane Brum, colunista da Época, presenteou-nos com um belo texto, “Parto com Prazer”, sobre o parto humanizado. Em um trecho ela relata a experiência de uma mãe que ao fazer perguntas sobre o parto ao seu médico teve de ouvir a seguinte frase: “Por que você está tão preocupada com o parto? Cuide das roupinhas e da decoração do quarto e deixe que do parto cuido eu”. Mais à frente, Eliane coloca que a internet permite às mães trocar informações sobre seus partos humanizados, resgatando uma tradição perdida: a das mulheres mais velhas ou experientes que compartilham seu conhecimento com as mais novas. Nossa sociedade legitimou o discurso “neutro” da academia, que desqualificou as experiências das mulheres, substituindo o conhecimento construído a partir dos acontecimentos da vida por protocolos técnicos. Não há dúvida de que os recursos da medicina são importantes para a realização de alguns partos e para o auxílio de situações específicas durante a vida de uma criança, mas o que coloco aqui é o direito da mulher, e do homem também, em decidir como trazer seu bebê ao mundo e como cuidar dele, pois afinal o bebê é deles e não da equipe de saúde. Bom, como se diz aqui no interior, para não espichar a prosa, sugiro que leiam o texto de Eliane Brum, pois nos faz acreditar que existem formas de descontruir práticas e discursos que desconsideram as vivências femininas, que velam seu machismo pedindo às mães que amamentem seus bebês em banheiros ou com paninhos porque o macho alfa do alto da sua racionalidade não pode evitar que diante de tamanha obscenidade seus instintos sexuais venham à tona.
A história da amamentação no Brasil nasce do embate cultural entre os índios tupinambás -– que amamentavam seus bebês –- os colonizadores portugueses -– que trouxeram na mala o hábito de mães ricas não amamentarem seus filhos -– e os escravos africanos -– deduz-se que amamentavam suas crianças a partir de retratos do tráfico negreiro. Não demorou muito para que se implantasse na sociedade brasileira a cultura de que não era apropriado às mulheres pertencentes à classe social dominante utilizar seus seios para alimentar seus filhos. Em Portugal, coube às saloias, camponesas da periferia, amamentar as crianças das famílias abastadas, e aqui no Brasil, com a recusa das índias em desempenhar essa atividade, as escravas africanas foram comercializadas e utilizadas como as conhecidas amas-de-leite.
A partir do século XIX a Igreja, o Estado e Medicina uniram-se na construção do amor materno e na valorização da maternidade como estratégia de controle social das mulheres. Os higienistas tratavam a amamentação como uma obrigação da mãe, que era vista como um ser determinado biologicamente, sem influências sociais e psicológicas.
No fim do século XIX e começo do século XX, o aleitamento materno deu lugar ao aleitamento artificial. A industrialização, a urbanização, a entrada da mulher no mercado de trabalho, a redução da importância social da maternidade e a descoberta das fórmulas de leite em pó foram os principais fatores que contribuíram para a diminuição da amamentação.
No início da década de 70 do século XX, foi discutida mundialmente a prescrição e o uso indiscriminado de leite em pó, especialmente nas áreas pobres como Ásia, África e América Latina. Nesses locais as precárias condições de higiene e até mesmo a ausência de saneamento básico favoreciam a mortalidade infantil por desnutrição, desidratação e doenças infecciosas. As mães, ao prepararem as mamadeiras de seus filhos, utilizavam água de péssima qualidade e não utilizavam a proporção adequada de leite em pó para economizarem.
Na sociedade brasileira, a partir da década de 80, inicia-se um movimento de valorização da prática do aleitamento materno graças ao desenvolvimento, em 1981, do Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (PNIAM). Desde então, várias políticas públicas de incentivo ao aleitamento materno têm sido desenvolvidas com o apoio da OMS e da UNICEF. Hoje contamos com os dez passos para o sucesso na amamentação, considerados um divisor de águas na promoção do aleitamento materno e um pré-requisito básico em todo o mundo para que uma instituição de saúde receba o título de Amigo da Criança, implantado no Brasil em 1992.
Bom, gente, é isso. Fico feliz em poder contribuir com a discussão, já que ainda não posso participar dos “mamaços”.

102 comentários:

Liana disse...

Parabéns pelo texto. Precisamos de mais e mais iniciativas assim, Lola. O vínculo entre mãe e bebê, o desenvolvimento da maternidade(sim, porque é algo construído, não automático) depende muito de deixar que a mãe tome suas próprias decisões com o mínimo de intervenção possível. A medicina é aliado importante mas secundário. O protagonismo deve ser sempre da mulher.

Lord Anderson disse...

Otimo post

Mais liberdade e apoio e menos regras e imposiçãosó vão ajudar a maternidade e a familia.

Agora em off, será que alguem vai confundir esse guest com a opinião da Lola?

pq sempre tem quem fazisso. rs

André disse...

Lord Anderson,

A própria Lola afirmou que na internet um blogueiro concorda automaticamente com os posts que publica.

Lívia Pinheiro disse...

Nunca amamentei e nem pretendo, já que não tenho a menor intenção de engravidar. Mas acho essa conversa de amamentação importante - se não essencial - ao desenvolvimento do vínculo mãe-bebê conversa fiada. Se assim fosse, tal vínculo nunca seria tão forte com os homens, ou mães que não podem amamentar, e tampouco com pais e mães adotivos, o que felizmente não é verdade.

Não estou dizendo que não possa ajudar, só acho que soltar assim, sem explicação nenhuma, que amamentar é de suma importância para o desenvolvimento pleno deste vínculo soa altamente questionável.

Daní Montper disse...

Com certeza a amamentação é muito importante, e deve ajudar na construção dos laços entre mãe e filh@ (que também penso ser construído e não que seja intríseco), além da saúde de ambos, mas me dá arrepios quando escuto frases como "quem ama amamenta" pois parece que uma mãe que opta por não amamentar, seja lá qual for o motivo, não é uma mãe de fato, que ama. Tudo bem que devemos incentivar a amamentação e desconstruir os argumentos que são contra a prática, até em locais públicos, e que as mulheres devem ser sensibilizadas quanto a importância do aleitamento para o bebê,mas demonizar mulheres que não querem amamentar é grotesco, até mesmo elas devem ser respeitadas e não deixam de ser mães por isso.
Ps Não estou dizendo que a autora falou isso, pois não o fez, estou falando de pessoas que usam essas frases por aí.

Sobre o texto da Eliane, já tinha lido quando publicado, e concordo com ela, às vezes deixamos as coisas muito nas mãos de cientistas e médicos como se eles soubessem de tudo e não errassem ou que não tenhamos direito de decidir porque não termos determinada formação, e não é por aí. Se um médico dissesse para mim que eu não deveria me preocupar com o parto o mandaria se fuder, sem nenhuma educação mesmo, porque estaria me tomando por alguma imbecil que não tem voz sobre o próprio corpo - ou esquecem que o parto acontece no corpo da mulher? E que é assunto da mulher tanto quanto amamentação, decoração, etc. e certamente um dos o mais importantes.

Daní Montper disse...

Lívia, é verdade, do jeito que alguns expõe a questão da amamentação fica parecendo que não existe vínculo entre bebês e mães que não os amamentam ou entre bebês e pais.
Acho que o maior tempo de contato e carinho com o bebê forma esse vinculo, com qualquer pessoa, e mães adotivas são a prova disso.

A questão principal da amamentação é ser o alimento mais saudável para o bebê, pois estimula mais o sistema imunológico e a criança tem menos riscos de contrair doenças.

EriCab disse...

Dizer que a amamentação ajuda no vínculo entre a mae e o bebe, nao nega que existem outras formas de se criar e estabelecer vinculos.

A amamentação ajuda a formar e fortalecer o vinculo mae-bebe sim. Mas dar o leite na mamadeira com carinho, dar banho, trocar fraldas, colocar para dormir, brincar, etc. tambem formam e fortalecem vinculos.

A autora nao disse que a amamentacao eh a unica forma de se estabelecer esse vinculo, releiam o texto.

lola aronovich disse...

André, vc aparece aqui só pra provocar, né? Vc por acaso é o André daquele post das feminazis que o Nassif publicou com tanto prazer? Bom, eu não disse que um blogueiro concorda automaticamente com os posts que publica. Aqui eu publico guest posts, pelo menos uma vez por semana. E adoro publicá-los, porque eles trazem uma visão e uma experiência que não são minhas. Acontece muito de alguma leitora ou leitor dizer “Lola, vc já escreveu sobre...?”, e aí eu me dou conta que não, nunca escrevi, e tampouco sei muito sobre o assunto em questão. Então peço pra pessoa escrever o guest post. Outras vezes são emails que chegam pra mim, e peço autorização pra publicá-los como guest posts. Às vezes são comentários num post que transformo em guest post. E outras vezes (como no caso da Jaqueline) são guest posts enviados diretamente. Mas quase sempre as palavras “guest post” aparecem no título. Sempre tem alguma introdução minha apresentando a autora, o autor ou/e o assunto, colocando o link (caso a pessoa tenha blog ou twitter). Acho que fica bem claro que aquele texto não é meu, mas da pessoa convidada (e mesmo assim SEMPRE tem gente que confunde. Num guest post de uma mãe que tá com uma filha vidrada em concursos de beleza e princípio de anorexia, comunidades mascus no orkut escreveram comentários do tipo “Tomara que a filha da Lola morra”). Quase sempre eu concordo com as linhas gerais do guest post, o que não quer dizer que concordo com tudo. Afinal, não é a MINHA opinião, nem o meu texto, e acho impossível concordar com tudo, sempre. Mas já publiquei guest posts dos quais discordo na íntegra, e deixo isso claro. E peço para que o post seja debatido nos comentários. Bom, agora que vc já sabe como é o meu modo de agir, vamos analisar o do Nassif. Ele só publica o post sem uma só linha dele. Pra piorar, ele publica o nome da pessoa que mandou o post, que quase nunca é a mesma pessoa que escreveu o post. Isso cria uma confusão danada e é totalmente injusto pro autor do post, que ora não é mencionado (links quase nunca aparecem no blog do Nassif — tem blogueiro profissional que age como os jornais, que pelo jeito nunca ouviram falar em links), ora é citado como co-autor da pessoa que mandou o post. É ridículo. E o pior: quando esses blogueiros que publicam posts alheios sem se posicionarem são contestados, eles costumam responder com ataques e gracinhas.
Imagina se eu publicasse um post (sem dizer que é guest post nem nada, sem apresentar o autor, sem me posicionar) que chamasse os ativistas gays de “gayzistas” ou “gaystappo”, tentando provar que sim, os ativistas LGBTTT são extremistas e estão errados e nem deveriam existir (como o tal André fez no post sobre feminazis, ou como alguma Nassif fez esta semana, dizendo que o feminismo foi péssimo pras mulheres). Não pegaria mal pro blog que publica tal atrocidade? Quando eu publico coisas das quais discordo integralmente, ou eu respondo no post, ou peço pra responderem.

Niemi Hyyrynen disse...

Gostei muito do artigo, do post em si...nem tanto acho que deu muita volta.Mas enfim, parabens a autora pelo ótimo trabalho.

Essa questão da relação de vinculo entre o bebê e a mãe na amamentação sempre me faz pensar no paralelo com o parto.

A mãe que faz uma cesária estaria perdendo uma oportunidade de criar um laço maior com seu filho? Não sei. Tanto pro sim quanto pro não é dificil saber até onde essa resposta é fruto de construção emotiva, subjetiva da pessoa, antes de qualquer construção social que possa vir a interferir.

Claro que uma mãe que não pode fazer um parto natural ou não pode amamentar (ou não quer), não é menos mãe do que as optantes por maior "humanismo".

Gabriele disse...

Muito bom o texto e o artigo. Sobre a questão do vínculo, é claro que mulheres que não amamentam não tem necessariamente um vínculo mais fraco com seus filhos, mas acho que a questão é que o amamentar é sim uma forma muito interessante para cultivar esse vínculo. Ele pode sim ser trabalhado de outras formas, mas é preciso se ter consciência que privar a mãe e o filho de terem essa possibilidade simplesmente em função de uma cultura machista chega a ser cruel.

Mariana. disse...

parto humanizado.

outro dia estava lendo sobre o assunto.

é um parto normal, sem qualquer tipo de anestesia, realizado, de preferência, em casa, ou num lugar mais caloroso do que um hospital.é o renascimento das parteiras.

eu respeito quem opta por isso, mas acho que não será o meu caso, no futuro. dou muito valor a evolução da medicina e da ciencia, as quais me ajudam a não sentir dor nenhuma.

já vi muita gente dizendo que cezariana não permite que a mãe vivencie o parto, mas é importante lembrar que a mãe permanece acordada. E outra, pra que vienciar uma dor? o filho vai nascer do mesmo jeito. Não quer dizer que você ama menos seu bebê pq não passou DOR por ele. é uma dor evitável, oras.

Enfim. é só a minha opinião. ainda preciso ler mais sobre o assunto (provavelmente quando for mãe).

Juliana Leodoro disse...

Tive as duas experiências - cesárea e aleitamento difícil, e parto normal e amamentação bem-sucedida, e em minha experiência o pós-parto tranquilo e o aleitamento mais fácil facilitaram muito a formação de vínculo. Não amo mais uma ou outra das crianças, apenas a construção do vínculo foi mais rápida, menos ambígua e mais prazerosa.

Agora, argumentos de mais ou menos mãe desvirtuam qualquer discussão séria sobre aleitamento. Saber que o aleitamento é o melhor do ´ponto de vista nutricional e psíquico não implica valorar ou rotular mães,

Andréa disse...

Gente, quando se diz que a amamentação aumenta o vínculo mãe-bebê não é só pela questão dos cuidados e da atenção, é algo fisiológico. Alguns hormônios específicos estão ligados ao ato de amamentar e ao aumento do vínculo.

Mas isso não quer dizer que mulheres que não amamentam não possuem vínculos com seus bebês ou são más. Muitas, mesmo querendo, não podem amamentar. E ainda são julgadas e condenadas pela sociedade.

Muitos médicos usam a chantagem emocional "vc não é uma boa mãe" para obrigar mulheres a amamentar. Já vi casos assim de perto.

Sou totalmente favorável à amamentação e totalmente contra fazer disso uma obrigação.

=)

Niemi Hyyrynen disse...

Mariana

Concordo contigo, acho que não preciso vivenciar uma DOR, para dizer que vivenciei o PRAZER do parto.A ciência está como opção.(ou não, as vezes...rs)

Mas o parto normal, aquele assistido por uma parteira é extremamente benefico para o bebê, o esforço que ele tb faz para sair fortalece os seus pulmões por exemplo (estou me baseando nisso em leituras que fiz).


Juliana

Vc tocou numa questão interessante, minha mãe fez cesária da minha irmã e teve dificuldades em produzir leite e amamentar, o parto do meu nascimento foi natural, por coincidencia o meu aleitamento foi mais tranquilo ...será que tem relação???

Se alguem souber de alguma coisa a respeito, responde ai por favor :)

Juliana Leodoro disse...

Mariana, parto humanizado pode ser feito em hospital e com anestesia, sim. A humanização vem no respeito às decisões da mulher, em não fazer intervenções desnecessárias, em permitir o contato com o recém-nascido logo após o nascimento, etc. Parto natural e parto domiciliar são outros 500.

Se você realmente não quer sentir dor, tenha parto normal com anestesia. Cesárea causa dor intensa por semanas e suportável durante meses. Dói muito mais que o trabalho de parto.

Juliana Leodoro disse...

Niemi, embora não seja 100% determinante, essa relação é comprovada por estudos. Os hormônios envolvidos no parto ativam a produção de leite, na cesárea o corpo tende a demorar mais para processar o nascimento. Além disso, raros hospitais promovem o aleitamento na primeira hora quando se faz cesárea, e o contato com o bebê é fundamental para a produção de ocitocina, um dos principais hormônios do aleitamento.

A dor da recuperação da cirurgia também atrapalha um bocado os cuidados e contato com o bebê. Se a cesárea foi traumática, se ficou ainda um sentimento de violação, é mias um ponto.

Liana disse...

Acho importante lembrar que na hora do parto e durante a mamentação, uma intrincada e muito delicada combinação de hormônios, liberados com precisão britânica, atuam no corpo da mulher. Em especial a ocitocina que é importante para se estabelecer vínculos. Não quer dizer que ele só é liberado nestas situações mas que ocorre de forma particularmente intensa aí.

O vínculo entre mãe e bebê não é "somente" psicológico, há um componente biológico que é instintivo e que promove esta ligação em níveis inconscientes. Notem que não estou falando de amor materno que considero diferente de instinto materno, este último está na mesma categoria de instinto de perseguição e fuga entre caçador e caça. Esse não é o único fator a ser considerado mas é com certeza importante. Percebo uma tendência da ciência e dos tempos mudernosos em minimizar isto.

A autora não fez críticas a quem não amamenta. O objetivo ali foi informar e só.

Liana disse...

Sobre a cesariana, um bocado de mulheres sentem dor após esta cirurgia que é considerada de grande porte e muito invasiva, mesmo com o coquetel de medicamentos que se toma e a recuperação é mais lenta e demanda mais cuidado por motivos óbvios. É preciso tomar cuidado com essa maré que põe a cesarea como algo quase inócuo e simples. Não é, qualquer escolha que se faça vai implicar em efeitos intensos no corpo feminino. No parto natural ou normal a dor quase sempre é na hora e passa. Então a questão de sentir ou não dor é relativa, vai depender de uma série de fatores.

Já vi uma mulher 4 dias depois da cesarea ir para uma festa, com salto agulha ainda por cima, como se nada tivesse acontecido mas isto é exceção. Eu por exemplo, fiquei 3 semanas sem conseguir esticar a coluna direito de tanta dor no ventre e ainda tinha a impressão de que os pontos internos iam arrebantar(2pts externos arrebentaram) tamanha era a pressão que eu sentia no corte, não iam é claro, mas dava nervoso. Fora que os órgãos demoram mais para voltar ao lugar e isso pode ser todo um capítulo à parte, não sei quanto ás outras mães mas isso me deu uma agonia tremenda durante quase 2 meses e li que na cesarea é pior. Enfim, as reações podem variar bastante mas costumam ser menos onerosas no parto natural.

Niemi, os hormônios liberados quando o parto é natural ajudam(mas é claro não impede que uma mãe depois da cesárea amamente normalmente). Tem também estudos provando que o coquetel de medicamentos que se toma durante e após a cesarea influenciam de forma muito negativa nesses gatilhos naturais pois "confundem" o automatismo do corpo. Também repercutem mal no bebê que costuma nascer mais apático em comparação ao parto natural, ele pode ter mais dificuldade de se ligar à mãe e de sugar o seio indicam algumas pesquisas. Às vezes, a questão nem é a mãe mas sim o bebê que também passa por processos muito intensos.

André disse...

Lola,
Não sou o André do post das feminazis, mas poderia ser. Não por andar vendo feminazis escondidas embaixo da cama, mas por desconhecer (na época) o termo e não achar algo tão ofensivo.
Admito uma dose de provocação no meu comentário, minha intenção era provocar (de leve) o Lord Anderson, mas relendo vejo que ficou mais provocativo a você.
De um modo geral meus comentários podem parecer provocativos porque eu só comento quando discordo de alguma coisa. Mas eu leio a maioria dos posts, então dá para ver que concordamos mais que discordamos (o que não implica em nenhum mérito meu ou seu, nem em uma tentativa de angariar simpatia).
O blog do Nassif é um pouco confuso/bagunçado com relação a links e autoria dos posts, mas com um pouco de boa vontade dá para identificar o que se quer. Não creio que exista apenas uma forma correta de se fazer um blog, e o comportamento do Nassif é muito diferente da mídia gorda em geral.

Lord Anderson disse...

Ops, mal ai Andre

não vi seu comentario a tempo.


Mas oq eu ia dizer a Lola ja explicou.

Tme pessoas que confundem muitas vezes o guest post acreditando que ela é a autora

e se vc ler posts antigos vai ver que ela ja publicou muitos com os quais não concorda ou que concorda apenas parcialmente.

Ao contrario do que algumas pessoas mais raivosas dizem, sempre existiu espaço para opnião diferente no blog.

Basta não chegar agredindo ou querendo dar ordens.

André disse...

O parto do meu primeiro filho iria ser natural, mas como havia mecônio no líquido aminiótico deve que ser feita uma cesárea de emergência. Apenas por acaso o médico passou na maternidade e identificou a situação que a parteira não tinha identificado.
Creio que a opção pelo tipo de parto deveria ser feita objetivando a saúde da mãe e da criança. Infelizmente o que anda contando é a parte financeira, uns promovendo a cesárea para ocupar menos tempo dos médicos envolvidos, outros promovendo o normal para poder usar apenas parteiras e economizar com médicos e centro cirúrgico.

Niemi Hyyrynen disse...

Liana/Julaina

Obrigada meninas a troca das suas experiências está ajudando demais a deixar essa discussão muito interessante e informativa :)

Osmar disse...

Oi.

Recomendo muito a leitura do livro "O Mito do Amor materno" que ajuda muito a entender a história da amamentação e que foi o Estado quem primeiro percebeu que sua riqueza poderia ser medida em braços para trabalhar e para defender seu território, e por isso começou a defender a necessidade das mães amamentarem.
Abraços,

Osmar

bruna disse...

Lola! ótimo post. Há tempos venho acompanhando a sua preocupação em relação à liberdade feminina e a amamentação. Este ano, também defendi a minha dissertação de mestrado em História sobre o tema na UFPE. Chama-se "modernidade na lata". Na verdade, é um estudo sobre o consumo, mais especificamente sobre os impactos sociais do consumo do leite em pó. Há muito mais por trás da questão do não incentivo à amamentação, livremente, do que podemos imaginar, questões estas que você aborda tão bem, como sempre. Mas dá uma conferida lá porque tem além da discussão de gênero com material publicitário das décadas de 50 e 60, análises sobre manuais de como cuidar do bebê distribuídos pela Nestlé ( imagina o que eles recomendam), entrevistas com pediatras, o panorama político das campanhas de distribuição de leite pelo Estado e finalmente os números incríveis de mortalidade infantil de uma epoca. Apesar do cenário ser o Recife, serve para uma análise macro. beijos e parabéns pelos posts.

André disse...

Um adendo informativo: minha mulher passou muito mal quando voltou para o quarto. Na época não sabíamos, mas ela tem hipoglicemia, achamos que pode ter sido um soro glicosado que fez ela passar tão mal. Mas na maternidade nenhum profissional cogitou que poderia haver algum problema além de frescura.

Ártemis disse...

Bom, nada como falar de parto e amamentação pra me colocar na roda!

Eu tive dois partos, ambos sem anestesia. O primeiro me deixaram sozinha, apavorada, sem uma mão amiga, fizeram o que quiseram comigo. Os partos que fazem por aí são uma violência.

O segundo foi em hospital tb, mas com médico ético, com doula, marido. As decisões feitas por mim, respeito total à minha autonomia por parte do médico.

Do mais velho eu tive uma dor de morte. Do caçula eu cheguei ao cúmulo de perguntar 'já posso ir embora' antes mesmo de sair a placenta rs.

Doeu sim, mas a sensação de plenitude, de força, de felicidade foi algo que eu nunca nunca vou esquecer. Eu me sentia a própria Deusa.

Nanda disse...

Adoro quando venho aqui e vejo textos bem embasados sobre os assuntos da minha área de estudos.
A Lola e a autora do guest post estão na mesma posição sobre o assunto: não passaram por essa experiência, e ainda assim a defendem e compreendem a importância de colocá-la na pauta para discussão.
Mariana: amamentar também dói nos primeiros dias, e se você evitar amamentar por causa da dor, perderá a oportunidade de fazê-lo.
É uma coisa que acho importante jogar na pauta: os benefícios da amamentação são exaustivamente repetidos, ainda bem. É difícil, ou raro, uma mulher que diga que não amamentou simplesmente porque não quis, visto que ela seria julgada das piores maneiras.
O mesmo deveria acontecer com o parto, uma vez que a via de nascimento tem também importante influência na saúde materno-infantil. Enquanto as pessoas não conseguirem enxergar a cesariana como um problema de saúde pública, fica complicado...

Anna disse...

Lola, parabéns pelo post. Há muita desinformação sobre a amamentação e quanto mais gente falar (bem) sobrte isso melhor.

Bruna, já baixei seu trabalho!

Este tema muito me interessa por ser lactante de um bebezinho de 1 ano e meio. O começo da amamentação foi complicado e a minha ignorancia e preconceitos sobre assunto só pioraram a situação. O que me salvou foi pesquisar muito na internet em sites e artigos cientificos pro-amamentação. li muito mesmo, desde a estoria da amamentação no brasil e no mundo, passando pela lobby do leite em po, à parte fisiológica.
E hoje me orgulho de ter amamentado exclusivo e em livre demanda ate os seis meses e de ainda estar amamentando meu filhotinho.

Ana Vitória disse...

Não tem como a história da amamentação não andar diretamente de mãos dadas com a história da maternidade (compreendendo que a maternidade é uma construção social). Eu tenho achado interessante que agora algumas frações do movimento feminista tenham abraçado a causa da amamentação, sendo que há pouco tempo atrás eu conseguia ver um antagonismo implícito entre mulheres que defendem a maternidade X feministas.

Mas até quando essa camaradagem vai existir? Eu como feminista penso que a amamentação não tem que ser obrigação da mulher. Acho que se uma mulher não quer amamentar, mesmo que ela tenha leite, não deve ser obrigada. É aí que algumas defensoras da "maternidade virtuosa" vão aparecer para "defenderem as pobres crianças das mães relapsas". De um lado, o foco são as mulheres. Do outro, o foco são as crianças. Ambos se uniram num interesse comum, porém fato isolado (a repressão da amamentação em público). Uma caractérística no meio de muitas. No caso das feministas, o que pesou foi a repressão ao corpo feminino, que nem mesmo numa atividade que deveria ser cotidiana, deixa de existir. No caso das defensoras da maternidade, o que pesou mais é o bem do bebê. Apesar de serem discursos parecidos e dialogarem muito bem (inclusive, um ajudando o outro), há uma diferença de foco, que só fica explícita em outros casos.

Acho que nós feministas poderíamos aproveitar o momento para estudar novas formas de abordagem quanto à maternidade, e talvez, renovar nosso discurso.

Flasht disse...

A amamentação é menos importante que a dor do parto, para o tal vinculo falado aí...

Nanda disse...

Ana Vitória, compreendendo que a maternidade é uma construção social, que existem métodos contraceptivos e métodos abortivos, eu me pergunto os motivos de uma mulher - feminista ou não - para engravidar caso não queira parir e amamentar.
Sabe, eu me enxergo feminista. E eu, como feminista, enxergo a amamentação como obrigação fisiológica da mulher, simplesmente porque acho que a escolha não está entre amamentar ou não, parto normal ou não.
A escolha é ter um filho, ou não. Ser mãe, ou não.
Claro, esse argumento é válido somente para as mães biológicas, apesar de ser possível que uma mãe adotiva (de RNs) amamente.
Não acho que amamentar e parir façam parte de alguma base fundamentadora da "maternidade virtuosa" que você menciona, acho somente que elas são parte intrínseca da maternidade. Como uma convenção social, é claro.

Daní Montper disse...

Não concordo com isso de que a mulher que escolheu ser mãe só existe um jeito para fazer isso, parindo e amamentando. E nem disso de obrigação fisiológica, ora veja, agora teria que fazer o que os outros acham que é certo e ponto final, para mim é o mesmo caso dos médicos que jogam a cesárea como única opção ou que mulher não deve amamentar em público.

Ana Vitória, sou desse feminismo também, defendo parto humanizado e amamentação por ser um direito da mulher, ela deve escolher com as informações corretas e sem pressões. Quando digo informações corretas, penso na futura mãe sabendo o que é melhor para ela e para o filho, os prós e contras e então se decidir, e ser respeitada por isso.

Não gosto de determinismo e nem de demonizar uma pessoa por ela optar por um caminho diferente do que outros acham o certo.
Ora, o certo para mim é o que me deixar mais confortável, o que eu decidir, e seu eu decidi que quero ter um bebê, mas não quero ter parto normal porque, sei lá, tem que ser quando a bolsa estourar e eu ficaria na agonia sem saber quando, ou porque eu não quero fazer força, não admito que ninguém me aponte o dedo por isso.
A questão é a mulher não receber as informações de forma correta para que ela decida o que ela considera melhor, pesando os prós e contras de cada coisa - e é o que acontece hoje, os médicos jogam a cesárea pra cima das mulheres e elas acabam aceitando porque é @ médic@ falando.
O mesmo para amamentar, uma vez uma ginecologista disse que eu sofreria muito para amamentar por causa do meu bico que é extremamente sensível e pontudo, se eu optar por amamentar ou não, ou tentar amamentar e decidir que não é a minha, não admitirei que seja tida como menos mãe só porque alguém aí resolveu dizer que sou obrigada fisiologicamente de amamentar se resolvi ter filhos.

Nanda disse...

Lola, o que você acha desse caso?

http://www.change.org/petitions/mcintosh-county-georgia-schools-allow-my-transgender-son-to-use-a-safe-restroom-at-school?utm_medium=facebook&utm_source=share_petition&utm_term=autopublish

Liana disse...

Tem uns sites que eu acho interessantes para se pesquisar mais:

http://maternativa.blogspot.com/2010/12/evidencias-indicacoes-de-cesariana.html

http://guiadobebe.uol.com.br/sistema-hormonal-do-parto/ (fala também dos horm. sintéticos)

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2003000600006&lng=pt&nrm=iso
(este é um estudo sobre a cultura de cesarianas e de quem parte, se da mulher ou do médico)

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-21062010-175305/fr.php (este é sobre violência institucional em maternidades)

Daní, isso que sua gineco falou me soou errado, os hormônios da gravidez e os liberados durante a amamentação alteram a percepção que o corpo e a mente da mulher terá da dor e preparam o organismo para tudo isso. O mamilo e a auréola mudam sensivelmente de tamanho e formato. Pareceu mais uma das muitas bobagens que se escuta de médicos numa hora dessas. Eu mesma já escutei cada uma. Tem médicos instrumentalizando e problematizando demais coisas que deviam ser simples.

.. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Vitória disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Vitória disse...

"E eu, como feminista, enxergo a amamentação como obrigação fisiológica da mulher, simplesmente porque acho que a escolha não está entre amamentar ou não, parto normal ou não.
A escolha é ter um filho, ou não. Ser mãe, ou não".

Posso discordar novamente? De fato, a primeira pergunta é "Vc quer ou não ter um filho?", mas uma vez que vc opta por ter um, seu poder de escolha não acabou aí. Vc pode optar em ter parto normal, cesárea ou humanizado. Vc pode optar por amamentar ou não. Infelizmente há situações que não podemos optar (há mulheres que gostariam de ter parto normal, mas não podem. Outras gostariam de amamentar, mas não possuem leite, etc). Mas se vc pode tomar uma decisão, pq não?

E como assim enxergar a amamentação como obrigação fisiológica? A mulher é dona do próprio corpo, e se há no mercado alternativas à amamentação, se tem acompanhamento médico e se a mulher em questão tem condições de arcar com isso, pq não? Tem mulheres que realmente sentem dor. Conheci uma mãe que relatou ter saído até sangue do peito dela. Ninguém merece sentir dor se assim não quiser.

Ana Vitória disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Vitória disse...

Me esqueci da outra parte:

"eu me pergunto os motivos de uma mulher - feminista ou não - para engravidar caso não queira parir e amamentar".

Parir não tem escolha, uma vez que a mulher engravida e não sofre um aborto, ela de fato vai parir. Só que esse parto pode ser normal ou cesárea.

Quanto a amamentar, há muito mais motivos para desejar sem mãe além da vontade de amamentar. Sim, ajuda na construção do vínculo entre mãe e bebê, mas a maternidade não se resume a isso. Compreendo perfeitamente o desejo de uma mulher querer ser mãe, mas sem desejar a amamentação. Fora que na minha opinião, a maioria das mulheres decidem entre amamentar ou não depois que dão o peito pela primeira vez. Em algumas vai doer e elas podem optar em não amamentar mais (e a dor é um motivo legítimo). Em outras não vai doer, e tem aquelas que mesmo com dor, decidem continuar amamentando.

bruna disse...

Apesar de ter tido a oportunidade de perceber que a amamentação é melhor para a saúde da criança e a da mãe também defendo o direito da mulher de OPTAR por amamentar ou não. Sem dúvida, isto deve ser uma ESCOLHA DELA. No entanto, as mulheres têm o direito de saber destes benefícios para poder escolher, porque a falta de informação aliada à concorrência com as propagandas das indústrias de leite em pó chegam a ser desleais, e aí não enxergo uma liberdade de escolha e sim um fluxo de consumo orientado para produção destes produtos. Me preocupo principalmente com uma grande parcela da população deste país que além de não ter tido acesso à educação, exprime enorme simpatia e confiança para com a maioria das informações que chegam via T.V. Desta forma, este público, principalmente, esta grande maioria, diga-se de passagem, fica extremamente suscetível à imagem da mãe linda, tranquila e sem olheiras e dos bebês esbanjando saúde dos comerciais da Nestlé. Isto porque além de tudo isto, a amamentação pode sim, ser bem difícil num primeiro momento e também pode doer pacas. Aí, já viram quem ganha o embate né?!Diante de uma população recorrentemente "educada" por tais programas, chega a ser um absurdo que um deles satirizem o amamentar. É por isso que tanto os protestos como os mamaços são importantíssimos, porque divulgam que o ato de aleitar além de ser LIVRE, promove a saúde ( e não é só a do bebê). Além do mais, tem tantas coisas que são difíceis, mas valem a pena, eu poderia elencar dezenas, começando por fazer um mestrado :) Em tempo: concordo que o discurso sobre a maternidade pode ser usado para reafirmar questões de gênero tão bem discutidas pela Lola. Recomendo o último livro de Elisabeth Badinter "Le Conflit: La Femme et la Mère" infelizmente ainda sem tradução, mas que pontua esta questão da maternidade que oprime as mulheres jogando sobre nós até a responsabilidade sobre a poluição ambiental quando optamos pelo uso de fraldas descartáveis e leites enlatados obrigando-nos tanto a amamentar quanto usar fraldas de pano. Separemos o joio do trigo....

lola aronovich disse...

A discussão aqui está muito boa, gente! Sei que é complicado usar slogans como “quem ama amamenta”, porque, afinal, fica implícito que quem não amamenta não ama, o que obviamente não é verdade. Há muitas mães que adotam, e não acredito que mães biológicas amem mais ou menos seus filhos que as adotivas. Tem mãe que não pode amamentar por N motivos, e isso não quer dizer que não ama o filho. E, claro, tem um outro ser que não pode amamentar, e que ainda assim ama os filhos: O PAI. Eu não acredito que amor materno seja algo instintivo, natural, ou que mães amem mais seus filhos que pais. Então sim, tudo isso está misturado na discussão. Mas ou outro lado é que há muitos mitos a respeito da amamentação, isso de não ter leite suficiente, ou de prejudicar a estética dos seios... E ultimamente temos tido a estupidez de certos machos em condenar a amamentação em público. Tudo isso faz com que mães não amamentem. Por isso, campanhas pró-amamentação são tão necessárias O TEMPO TODO.
Pra mim, ser feminista é querer liberdade. A mulher deve ser livre para fazer o que quiser com seu corpo. Isso significa que ela pode amamentar, pode não amamentar, pode ter parto normal, pode fazer cesárea, pode ter parto humanizado. O problema é que as coisas não são colocadas na mesma balança. Mesmo que uma mulher queira, as chances de conseguir fazer um parto humanizado são mínimas. Não há infra-estrutura. Então, quando falamos em liberdade, precisamos também falar em conseguir que outras opções estejam à disposição, para que a mulher pode escolher. Hoje em dia não há muita escolha. 90% das mulheres que têm plano de saúde fazem cesárea. No SUS, esse número é 45%. É altíssimo. E a outra escolha pra mulher do SUS é parto normal (com cortes, dolorido pra caramba), não humanizado. Mas cesárea não é o melhor caminho. E quem diz isso não sou eu, mas a Organização Mundial da Saúde, que considera aceitável uma porcentagem de 15% dos partos através de cesárea. Mas no Brasil cesárea virou uma epidemia, e isso é péssimo. Cesárea é ruim pra mulher (que tem dores sim, e a recuperação é muito mais lenta e difícil), é ruim pro bebê. E não tem nada a ver com “avanço da tecnologia”. Pô, em Macbeth (1603) o Shakespeare já fala em cesárea! Se cesárea fosse um avanço, por que nos países ricos as mulheres fazem muito MENOS cesáreas do que aqui? Países ricos não têm mais tecnologica e melhores recursos médicos? Lá a onda é parto humanizado. Mas isso não quer dizer que a brasileira que vai na onda do que todo mundo fala e faz cesárea deve ser criticada. O que deve ser criticado é a CULTURA DA CESÁREA. Tem diferença, gente.

lola aronovich disse...

Ai, Bruna, please, escreve um guest post fazendo um resumo da sua dissertação de mestrado, mais ou menos como a Jaque fez aqui? Por favor! Quero saber os impactos sociais do consumo de leite em pó! E o que os manuais da Nestlé diziam (e dizem) sobre amamentação. Esse tema de “consumo acima do bem estar” me fascina.


E eu ainda estou esperando um guest post sobre partos (normal, cesárea, humanizado etc) escrito por alguém que está estudando obstetrícia na USP! Imaginem vcs que a cultura da cesárea tá tão forte que o curso de obstetrícia corre o risco de ser fechado. E aí, onde fica a questão da escolha? Se continuar nesse ritmo, daqui a pouco as mulheres poderão escolher entre cesárea e... cesariana.

Liana disse...

Ana Vitória, a decisão de amamentar é da mãe. Agora, deixar de fazer algo simplesmente porque causa uma certa dor e desconforto não me parece lá um bom motivo.

Eu entendo a grande preocupação que uma mulher possa ter pela relativa perda de autonomia e o medo da dor pelos quais ela passa ao ter filhos mas sabe de uma coisa.. faz parte. Dá pra fugir muito não.

Eu também sangrei durante um período da amamentação a ponto de o leite sair rosado, minha filha nasceu com dois dentes e machucava quando ela pegava mas a dor passava em segundos e era algo suportável. O mamilo fica meio que dormente. Fora em casos de alguma doença específica, mastite ou deformação real, não é esse horror todo.

Mas enfim, tanto física quanto psicologicamnete cada mulher tem os seus limites. Só não vejo lá muito sentido em não amamentar por esses motivos visto que tem coisas até piores e que a mãe provavelmente vai acabar fazendo. E não estou pregando essa idéia de mãe-mulher-maravilha mas penso que os benefícios da amamentação para a saúde do bebê deveriam ter um peso bem maior, a meu ver, do que uma possível dor que provavelmente será momentânea.

Quer dizer, tem muita mãe que não dorme direito por um longo tempo após ter filhos. Distúrbios de sono estão relacionados com dores diversas. Uma mãe, ou um pai, vai deixar de atender a criança para não perder uma boa noite de sono quando sabe que aquilo vai lhe custar dor e desconforto? E vou falar uma coisa, para a maoiria das mães que eu conheço isso é, disparado, muito pior do que qualquer dor decorrente da amamentação, de parto ou o que for. O nível de cansaço às vezes é brutal. Então, dor é uma coisa muito relativa. Nós escolhemos aquilo em que focar, nossas prioridades e até onde estamos dispostas a ir pelos nossos filhos mas a dor em algum momento fará parte do processo, quer aceitemos disso ou não.

Relicário disse...

Acredito na amamentação, não só pelos vínculos, eis que existirão sim apesar dela, mas pelos benefícios para o bebe, não concordo quando dizem que a mulher pode optar em amamentar pelo simples fato de que o corpo é dela, pois bem o corpo que receberá o leite industrializado é do bebê e ninguém pergunta pra ele qual leite ele prefere. Quando vc opta em ser mãe, essa sim é uma opção, suas obrigações estão intrínsecas. Fiz três cesáreas por ter sido mau orientada, ou talvez pelo fato de não ser possível pra mim, mas de fato meus médicos não tentaram o necessário, e todos sabem que na sua maioria os obstetras possuem preferência pelo parto cirurgico com horário para terminar, não foi uma opção pra mim, pois se fosse com certeza optaria pelo melhor para o meu filho.

bruna disse...

No fim de semana te envio. Preciso do teu e-mail. beijossss
bruhanny@hotmail.com

Juliana Leodoro disse...

Ana Vitória, o que me mata por dentro é a falta de informação patrocinada pelas grandes empresas e pelo nosso governo. Sair sangue do peito = rachadura = pega incorreta. Qualquer banco de leite público resolve o problema em meia hora, atendimento gratuito, rápido e de qualidade, mas isso não é divulgado. Não, ninguém merece sentir dor, mas ninguém merece ser enganado.

Passei por isso com a primeira filha, n especialistas, rios de dinheiro... e a solução era tão simples e tão ao alcance de todas. Com a segunda, eu já sabia como fazer e senti zero dor.

Dani, sua gineco colocou os pré-conceitos dela acima das evidências científicas. Bico pontudo é o mais fácil para amamentar e a sensibilidade muda (aumenta na gravidez e depois diminui drasticamente). Se a pega for correta, não machuca.

Juliana Leodoro disse...

Ana Vitória, ter cesárea não é parir, embora envolva um nascimento.

Bruna, Badinter é contra o aleitamento por considerar que prende a mulher em casa, pensamento bem geração X. Não é uma questão de culpa, e sim de consciência do impacto ambiental de nossas decisões. Eu uso fralda de pano (das modernas, que não dão trabalho), comecei quando o bebê fez 3 meses e a rotina já estava mais em ordem e menos cocôs por dia. No início, que é mais punk, usei a descartável sem culpa.

Lola, se quiser contato de alguém do curso, posso conseguir.

Ana Vitória disse...

Os limites são pessoais, e logicamente que cada um sabe onde o calo aperta. Para algumas pessoas a dor pode não ser suficiente para optar em parar de amamentar, mas para algumas mulheres a dor pode ser insuportável. Vamos fazer o que? Dizer para essas mulheres que elas são frescas e que as dores delas são pequenas? Acho que não.

Como a Juliana já falou aqui, a informação tb tem que estar presente. Tem que haver esse tipo de campanha pelo próprio estado e a população, pq só assim para a livre escolha ser exercida de forma plena. Mas mesmo com informação se a mulher não quiser amamentar, ou não quiser ter parto normal, resta respeitar essa vontade.

Quanto à alimentação com leite industrializado, se a dieta é posta em prática de forma consciente e com acompanhamento médico, não há problemas. Eu rejeitei o leite materno quando recém-nascida, e minha alimentação foi à base de leite industrializado, e logo depois a comida sólida. Problemas relacionados a isso? Nenhum, e olha que fui um bebê que já nasceu com complicações.

Ana Vitória disse...

Só para deixar claro: é claro que o melhor alimento para o bebê é o leite materno, e é claro que a amamentação deve ser encorajada sempre e constantemente. Mas não podemos cair com isso num discurso de amamentação obrigatória e única opção viável.

Daniel Quaresma Dias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mirella Nogueira disse...

Off topic novamente, Lola...rs

É que mais uma vez a revolta me pegou! rsrsrs.

Olha que revoltante isso, mais uma vez uma mulher prestando um desserviço. Dá uma olhada nesses videos e chora (e detalhe, essa fulana ainda tem inúmeros outros videos que meu estômago não aguentou ver, mas com certeza devem ser no mesmo naipe):

http://www.youtube.com/watch?v=wkpN0B7OVtg&NR=1&feature=fvwp

http://www.youtube.com/watch?v=dUcYw4VD9a0&feature=relmfu

lola aronovich disse...

Bruna, querida, aguardo o seu email, então. O meu é lolaescreva@blogspot.com
Não precisa ser pra tão já, porque tenho uma série de outros guest posts pra publicar. Mas mande sim, please!

Juliana, obrigada, mas foi uma aluna de obstetrícia da USP que entrou em contato comigo por email. Foi na mesma semana que eu fui dar palestra na USP (semana retrasada, é isso?). Ela ficou de falar com outras pessoas do curso pra ver qual o melhor approach pra um guest post. Mas se demorar vou insistir, porque o assunto muito me interessa.

Ah, e gente, procurem mais de um médico. Meu irmão e cunhada tiveram o primeiro filho agora em agosto. Eles queriam que fosse parto humanizado. Mas primeiro viram que o plano de saúde não queria cobrir isso. Eles só fazem cesáreas, sabem? Depois foi o problema em encontrar um médico que se dispusesse a fazer. Eles passaram por OITO médicos até encontrar um. Um deles disse pra minha cunhada: “Vc se preocupa com o enxoval do bebê, que eu me preocupo com o parto”. Quer dizer, menos humanizado, impossível. No final deu tudo certo, com doula, dentro de uma banheira, com meu irmão lá na banheira, ajudando. E isso que foi o primeiro parto da minha cunhada, e ela tem 40 anos.

Liana disse...

Naturalmente que não se deve virar para uma mãe e falar certas coisas. Não nos cabe, não é nosso direito. A questão nem é essa.

Dor insuportável.. é muito difícil doer absurdamente. Até o parto em si é suportável, salvo raríssimas situações então não acho que a amamentação vá chegar a essa ponto.

Acho difícil, por ex., que uma mulher com uma doença que precise de tratamento invasivo e dolorido deixe de se tratar porque não quer sentir dor. Quando é do nosso interesse fazemos um monte de coisas que nos causam problemas mas aceitamos os riscos e malefícios e seguimos em frente. Para mim, não é realmente uma questão de dor, é de querer, é decidir se a amamentação vale, ou não, o sacrifício, se o filho vale ou não o esforço. Para algumas, não vai valer, não vai interessar passar por aquilo. E a decisão continua sendo da mãe.

Ártemis disse...

Eu concordo com a colega acima que, quando a gente aceita/decide ser mãe, vem um pacote de coisas junto. Não temos mais o direito de sermos sozinhas no mundo, voltar qualquer hora, dormir sem pensar no mundo, não nos preocuparmos, viajar 15 dias pra Europa no puerpério, viajar 3 meses a trabalho despreocupada, etc.

Pra mim, tentar fazer o melhor pelos nossos filhos é o mínimo. E não consigo bem compreender como uma mãe, dessas que quer mesmo o melhor pro filho, não tenta de verdade parir ou amamentar. Porque se você sabe que é melhor pro bebê, não vai tentar melhorar os seus limites?

Obviamente, eu não compreendo, mas no fim eu apóio. A gente não tem que obrigar a ter normal, a gente tem que melhorar a assistência a ponto de as mulheres perceberem que optar por cirurgia é loucura.

Se conseguíssemos apenas que as mulheres que querem parir e querem amamentar o conseguissem, já seria o supra-sumo do que desejo.

Acho que nada dói mais nessa vida que imaginar que alguém pode causar mal ao nosso filho. Ser mãe dói a cada notícia.

Aliás, odeio o que a Badinter diz. Pra mim, ela é uma feminista MUITO antiquada da geração X, que vê a maternidade como um fardo e não como uma gratificação da vida. Dispenso COMPLETAMENTE o que ela diz, porque né.

Ártemis disse...

Eu já disse isso no meu blog:

http://mamaecintia.blogspot.com/2011/07/maternidade-e-feminismo.html

Mas essa visão de que o médico sabe mais, que o corpo feminino não consegue amamentar, não consegue parir, que não tem prazer é MUITO MUITO MACHISMO.

Nesses anos de maternidade, eu tive que me 'empoderar' muito pra aceitar o meu corpo como feminino e, olha só, perfeito. Não preciso de médico me salvando da minha própria feminilidade, consigo ser fêmea sem ajuda de bisturis.

É uma apropriação do próprio corpo, um processo bem grande.

Fernanda disse...

Texto interessante, porem discordo de algumas coisas. Nao acredito mesmo na coisa do vinculo criado pela amamentacao ja que ate agora, pelo que saiba, nao existem estudos/pesquisas provando isso. Alem disso, onde isso deixaria as maes adotivas? Sera que vinculo nao se cria com o amor e carinho que se demonstra ao bebe, independente dele ser amamentado ou nao? A mesmas maes que pregam a coisa do vinculo sao as que as vezes colocam filho em frente a TV mais tarde porque nao tem paciencia com ele.
Moro na Inglaterra, onde a questao (e tambem a pressao) em torno de amamentacao eh grande. Acabei de ter gemeos e estou amamentando os dois no peito, mas o que sinto falta na discussao em torno do assunto eh que ninguem explica o quanto amamemtar eh dificil, complicado e exaustivo. So se passa a visao cor de rosa da coisa, com maes lindas e maravilhosas e seus nenes calmos e doces inocentemente grudados no peito. Mas a verdade nem sempre eh assim. Tem nene que nao amamenta bem, tem intolerancia ao leite da mae, o peito nao produz o suficiente, etc. Nao estou aqui defendendo que por causa disso ninguem deva amamentar, muito pelo contrario. Mas acho que o outro lado da moeda deva ser mostrado, ate para que maes que nao consigam amamentar nao se sintam culpadas. Existe uma tendencia enorme em colocar a responsabilidade da falha da amamentacao na mae, ou seja, ela nao fez o suficiente, nao tentou, nao perseverou. E nesse sentido acho importante a comunidade medica intervir sim, ja que so eles podem dar credibilidade a um fato que todo mundo sabe: tem mulher que nao produz tanto leite, ponto final. Todo mundo aceita que uma mulher nao produza ovulos suficientes, insulina o suficiente (se for diabetica), mas quando a questao eh leite, a culpa sempre eh nossa...
A demonizacao das maes que nao amamentam (por qualquer que seja o motivo) tem que parar. Esse preconceito eh ridiculo e absurdo , coisa de grupo de maes "xiitas e fundamentalistas" que nao tem o que fazer.
Eu continuo na minha jornada ardua de amamentar dois bebes. O faco por amor e por saber que o leite materno no momento eh a melhor opcao para eles. Mas asssim que nao der mais usarei leite em po de consciencia limpa, sem me achar menos mae por causa disso...

Ana Vitória disse...

Liana


Como vc vai falar pela dor de outras pessoas, sendo que dor é uma coisa íntima e cada um sabe do seu limite? Eu não ouso falar pela dor de ngm, pq somente a pessoa que sente sabe, e se uma mulher me diz que quando amamenta sente MUITA dor, eu vou acreditar. Isso é dar autonomia à pessoa de tomar decisões sobre si mesma e a própria vida. Fora que a dor é dela, que não é a mesma que a minha, e só ela pode mensurar se sua dor é pequena ou grande.


Fernanda

"A demonizacao das maes que nao amamentam (por qualquer que seja o motivo) tem que parar. Esse preconceito eh ridiculo e absurdo , coisa de grupo de maes "xiitas e fundamentalistas" que nao tem o que fazer."

Super concordo com isso. Claro que a amamentação é a melhor opção, e acredito que toda mãe a priore deseja amamentar. As que não o fazem é pq simplesmente não podem. Ou pq a dor que sente é muito grande, ou por não dar leite suficiente. Agora tratar a amamentação como obrigação, e culpar a mulher que não a faz, é o tipo de atitude que anda de mãos dadas com o machismo.

denise disse...

Eu amamentei minhas filhas, tive dificuldades com relação a rachaduras e mastites, não foi fácil, mas achei que deveria enfrentar esses problemas, tive muito leite, ao ponto de poder doar para hospitais, passavam em minha casa para recolher meu leite, depois de bem pouco tempo criei uma sincronia com minha bebe, ela nem precisava chorar de fome, porque meu leite pressionava para sair e eu já percebia que isso significava que ela estava com fome, isso acontecia mesmo quando eu dormia, acordava para alimentar minha filha, a amamentação pra mim ocorreu de forma muito natural, nem mesmo quando chegou a hora do desmame tive problemas, minhas duas filhas é que decidiram quando queriam parar, e as duas pararam exatamente aos sete meses, e não forcei o desmame, mas ao introduzir outros tipos de alimentos elas preferiram alimentos mais sólidos.
As duas têm muita saúde, mas também tiveram seus probleminhas como todas as crianças, uma amiga muito querida teve na mesma época que eu um garotinho, e ela optou por não amamentar, na verdade tentei convencê-la a mudar de idéia, mas ela me disse que não se sentia bem ao fazê-lo.
Sou testemunha do quanto ela ama seu filho, e ele assim como as minhas filhas também é um garoto muito saudável, a escolha foi dela, não posso condená-la, acho até que ela é melhor mãe do que eu, mas acho também que ela perdeu momentos muito ternos, momentos que eu vivi com minhas filhas.

Barbara disse...

Fernanda, outras pessoas questionaram a amamentação como ÚNICA forma de criação de vínculo, citando inclusive o que você falou, das crianças adotadas....e outras pessoas já responderam que em momento algum se falou que a amamentação é o único jeito de estabelecer o vínculo entre mãe e filho.

Essas coisas é que nem vestibular, se diz que algo é completamente certo ou completamente errado pode saber que não é a resposta correta!

Claudia disse...

Eu não tive a chance de ver minha filha nascer de parto normal. Foi uma cesárea. O pior foi a sensação de estar grogue nas primeiras horas de vida da minha filha. A anestesia, apesar de peridural, me derrubou.

Por outro lado, tive a felicidade de amamentá-la por 1 ano e 3 meses.Mas eu não condeno quem não queira amamentar. Nos primeiros dias (meses talvez) sentimentos contraditórios se apoderaram de mim. Muitas vezes eu sentia saudade da minha vida de antes. Sentia minha rotina reduzida ao circuito mamar-trocar fraldas-dormir. Passei muitos dias sem sequer tirar o pijama, vendo-me reduzida a uma grande vaca...E como me cobrava por pensar em tudo isso! Como podia ter esse tipo horroroso de pensamento?

O que me permitiu passar por tudo isso foi o apoio incondicional do meu companheiro de vida, que é pai da nossa pequena. Ele apenas não amamentou porque a natureza não lhe deu condições pra isso. De resto, partilhamos tudo. Além disso é maravilhoso perceber no rosto da minha filhota, hoje com sete anos, o mesmo sorriso e o mesmo aconchego no meu colo de quando a amamentava. Somos capazes de ficarmos tempo assim, juntinhas, abraçadas, sem dizer nada.

Só isso compensa as escolhas que fiz. Minha carreira tem passado, desde então, por profunda estagnação. Por incrível que pareça, há lugar no mundo para as mães em tempo integral OU para as profissionais em tempo integral. Sinto-me, o tempo todo, como uma malabarista se equilibrando na corda bamba. Há muita dificuldade, no ambiente profissional, de compreensão de que eu preciso dispor de tempo para ser mãe. Da mesma forma que outras pessoas não compreendem que eu preciso dispor de tempo para meu trabalho. Por exemplo, há escolas que simplesmente agendam apresentações e reuniões de pais de um dia para o outro, sem considerar que precisamos nos organizar para estarmos presentes.

Bem, ônus das escolhas.

Liana disse...

Fernanda, tem estudos comprovando a liberação de ocitocina durante a amamentação e este hormônio favorece a formação de vínculos de maneira intensa. Sendo que, como já foi dito, este não é o único fator que influencia mas ele é real.

E de fato, não se pode demonizar as escolhas que mães façam, julgar é fácil, ir lá ajudar é outra coisa que a maioria não faz. Este é um momento em que informar e dar apoio é fundamental. Muitos dos posicionamentos não beneficiam nem mãe nem bebê, seja da parte da medicina que trata do assunto com extrema frieza e de forma mecânica seja da sociedade com mania de achar que toda mãe deve ter aquele arquétipo virgem-maria-cheia-de-graça(mesmo os não-religiosos, vão as cruzes mas ficam os preconceitos). Não precisamos disto.

Dois bebês é páreo duro. Uma mulher da minha família teve gêmeos e optou por, a partir do terceiro ou quarto mês, alternar algumas mamadas com leite de fórmula pois o cansaço era muito grande e ela cuidava deles sozinha. Acho válido buscar opções, ela fez isso de forma bem conscienciosa. Ela não deixou de amamentar, só não fazia isso o tempo todo. Ela preparava algumas com antecedência e dava de madrugada ou quando a estafa batia, funcionava para ela e para os bebês. Enfim, cada pessoa deve estar apta para tomar decisões que julgue caber na sua rotina.

Ana Vitória, falamos em dor em termos gerais até porque além do componente psicológico existe o lado fisiológico que é mais ou menos o mesmo para todos os serem humanos. Mesmo os médicos trabalham com uma idéia de escala de dor. É algo cabível. Em momento algum eu criminalizei ou coisa parecida a mãe que não amamenta. Disse apenas que esta questão da dor está inserida num contexto mais complexo do que isso pois realmente acho que a dor física(quando existe) de se amamentar é algo menor em comparação com outro tanto de desconforto, dor e sacrifícios que vivenciamos na maternidade. Não quero desmerecer essa dor, só a inseri num contexto.

denise disse...

Claudia, esse ônus que vc fala não deveria ser assim, eu acredito que a sociedade deveria dar apoio integral pra que a mulher exerça seu papel de mãe, nas famílias e nas empresas, acho que o papel que a própria natureza nos deu deveria ser mais respeitado por todos e em beneficio de todos, a licença maternidade é um avanço nesse sentido, mas acho que são necessárias mais políticas publicas de apoio a maternidade.
É fato que grande parte das mulheres não almeja simplesmente ser mãe, e procura realização profissional, mas a mulher que se dispõe a ser mãe não deveria ter nenhum tipo de “punição” por fazê-lo, muito ao contrário.

Paloma, a mãe disse...

Muito bom o texto, parabéns!
Eu, como mãe que já passou por um fracasso e um sucesso na amamentação de suas crias, digo que, infelizmente, os hospitais particulares estão muito mais ocupados com hotelaria do que com o título de Amigo da Criança. Li os 10 passos e não conheço um que siga (tive uma filha em São Paulo - SP e outra em Brasília - DF).
Beijos

lola aronovich disse...

Adorei o que vc disse, Ártemis: se aceitar é uma apropriação do próprio corpo. É isso mesmo. É tomar pra si algo que nos foi tirado, vilipendiado, negado. O nosso próprio corpo, e gostar dele como ele é.

E gente, reitero: o importante é que a mulher tenha opções e condições de fazer suas escolhas. Escolhas conscientes, bem-informadas, sem se deixar levar por preconceitos e pressões culturais. Isso vale pra tudo: pra decidir se quer ou não ser mãe, como quer seu parto, se quer (ou pode) ser mãe em tempo integral, se quer ou não usar maquiagem, tingir o cabelo, fazer plástica. Eu evito ao máximo, sempre, criticar escolhas individuais. O que precisamos criticar são sistemas, padrões, indústrias, ideologias. Não me interessa se a mãe X dá o peito pro bebê no meio da rua, sem se importar, ou se a outra cobre com paninho, ou se uma outra decide não amamentar porque ouvir falar que faz o peito murchar. Mas me interessa se um espaço cultural diz que uma mãe não pode amamentar ali, ou que um programa de TV diga que amamentar em público é asqueroso. Quem está tolhindo as escolhas? Aquela mãe solitária ou o programa que "ensina" que só mulher feia amamenta em público pra se exibir?

Maria Valéria disse...

Como médica, não posso deixar de opinar sobre isso:

"parto humanizado.

outro dia estava lendo sobre o assunto.

é um parto normal, sem qualquer tipo de anestesia, realizado, de preferência, em casa, ou num lugar mais caloroso do que um hospital.é o renascimento das parteiras."

Discordo totalmente desse tipo de prática.
O parto só pode ser considarado ' normal', depois que terminou e que tudo correu bem, sem complicações.
Quero ver dar tempo de correr com a mulher pra um hospital na hora que der uma complicação de um parto feito ' em casa'.E complicações são imprevisíveis, nem sempre dependem da competência de quem fez o parto.Que complicações? Desde uma asfixia do bebê, até uma hemorragia materna, pra não falar em óbito.
Na minha opinião, lugar de parto é no hospital. E parto no hospital pode perfeitamente ser ' humanizado'.quanto a amamentação, concordo que cada mulher faz o que bem quiser, mas acho válido lembrar que ela ajuda a saúde, o desenvolvimento e a imunidade do bebê. sempre orientei as mães a amamentarem- se irão seguir meu conselho, aí é com elas... ;-)
beijos
ps: não sou ginecologista, nem obstetra...rs

Maria Valéria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anna disse...

essa conversa dá pano pra manga... oq eu posso falar da minha experiência é que doeu muito nos primeiros quinze dias, chegou quase no insuportavel, so nao desisti porque tinha muita vontade, determinação e informação sobre os beneficios da amamentação. informação esta que eu cacei na internet porque nem meu obstetra nem o pediatra me orientaram não. e a tremenda sorte de ter uma amiga que soube da minha dificuldade e foi e visitar pra me ajudar. o problema era simples e comum: pega incorreta, a partir dai, pronto, tchau dor e tudo correu bem.

Barbara disse...

A espécie humana existe há 200.000 anos. Obviamente, um sucesso do ponto de vista da evolução. Os partos são feitos em hospitais há pouco mais de 100 anos. Acho que isso diz alguma coisa.

Talvez para uma pessoa que é médica, e se sente confortável e tranquila em hospital, seja difícil entender o medo e ansiedade que alguns de nós sentimos no frio ambiente hospitalar. Não tenho filhos, mas às vezes vou ao hospital por causa de uma simples enxaqueca e posso dizer que fico meio destruída o restante do dia...O ambiente te põe muito para baixo, ninguém conversa com você direito, nem te explica nada, te esquecem passando mal numa maca....e eu tô falando de enxaqueca! Imagina ter um filho num ambiente tão pouco acolhedor.

Não sei se seria a minha opção, mas entendo muito quem opta por ter o filho fora do hospital.

Fernanda disse...

Oi Barbara...Nao me referi em meu comentario a amamentacao como UNICA forma de vinculo com o bebe. Minha duvida eh entender se a questao do vinculo e mais mito do que ciencia.
Liana, antes de mais nada, parabens pelo texto e pela possibilidade de podermos discutir um tema tao interessante. Adoraria poder ler mais sobre as pesquisas que estudam o link entre amamentacao e vinculo com a mae. Sou leiga no assunta mas acho que li sobre a pesquisa que voce mentionou. No entanto a minha dificuldade com essa questao toda eh o fato de honestamente nao entender o que se quer dizer com vinculo. Estamos falando de um bebe que goste mais da mae, seja mais calmo, sera um adulto mais sociavel, ou estamos falando do vinculo que a mae cria com o bebe, no sentido dela amar mais o filho? Entendo o lado biologico da amamentacao que causa mais producao de ocitocina, mas ainda assim gostaria de entender como isso se traduz ou se traduzira na vida do bebe futuramente. Enquanto isso, sigo amamentando meus geminhos por causa dos beneficios pra saude deles :-).
Por fim, concordo com voce e acho que extremismo (de qualquer lado) so presta um desfavor ao debate e confunde mais ainda as mulheres. O que vale eh a possibilidade da mulher escolher conscientemente o que quer fazer e como quer vivenciar a sua maternidade, sem pressoes e julgamentos.

Rayssa disse...

Fiquei chateada de só ver este post agora, este é um assunto que vivo intensamente no momento. Queria muito ter tido parto normal, também troquei de médico várias vezes e na época fiquei muito indignada e com vontade de protestar (quando vi que nenhum médico do plano de saúde faria) mas não encontrei um canal para isso, estou encontrando agora, Lola ;)
Acabei tendo que fazer uma cesárea depois de 13 horas de trabalho de parto. Tive muita dificuldade de amamentar no início (acho que pode ter a ver com o parto), meu filho chegou a emagrecer mais do que o normal, falavam que eu não tinha leite, se eu não tivesse um médico legal e uma família que me apoiasse, teria entrado com o complemento. Vi muitos casos de amigas que entraram com a fórmula e o bebê parou de mamar. Fico muito triste com essa orientaçnao errada que muitos médicos dão, sei que muitas mães gostariam de amamentar e disseram pra elas que não tinham leite. Muitos aqui reclamam da demonização das mães que não amamentam, é claro que eu não concordo com isso, mas acho que a gente pode pensar nos motivos que levam uma mãe a optar (aqui falo de uma questão de opção mesmo, não de impedimento) a não amamentar. Vejo casos de mulheres que se recusam porque não querem ter os seios caídos ou então porque não querem ficar presas, sem liberdade de sair por mais de 3 horas pra longe do neném... na minha opinião, essa atitude é egoísta sim.
A questão do vínculo parece meio subjetiva, alguém disse aí que não viu nenhuma pesquisa sobre isso. Só sei que não preciso de nenhuma pesquisa, eu só sei o que sinto quando estou amamentando e não dá pra explicar.
Eu amamento um bebezão de mais de 2 anos e tem muita gente que diz que acha feio um menino daquele tamanho pendurado no peito. Fato é que ainda é muito gostoso e eu não consigo encontrar um argumento plausível pra dizer pro meu filho que ele teria que parar. Já sofri pensando nisso, mas resolvi continuar por um tempo. Quando as pessoas me criticam eu sorrio e deixo claro que essa opinião não me afeta. Vai aqui um blog que me ajudou a me sentir mais segura com as minhas escolhas:
http://solucoes.multiply.com/

aiaiai disse...

cada um deve escolher o q achar melhor, mas parto normal é o parto q deu certo: mãe e bebê ficaram bem.

Esse negócio de q a humanidade deu certo e sobreviveu 200 mil anos sem hospital é muito bonito se você não for a mãe de um bebê q nasceu morto pq não tinha condições para resolver uma complicação no "parto em casa".
Eu tive meu filho em uma maternidade, linda, humana, fui superbemtratada, me deram todo apoio para amamentar, fiz cesária pq escolhi assim. A bolsa estorou, meu filho estava pronto para nascer e eu não ia ficar esperando horas sem saber quando a dilatação estaria perfeita. Vi uma mulher que já estava em trabalho de parto há mais de 4 horas qd cheguei no hospital, sofrendo para ter o parto vaginal (q vcs chamam de normal). O marido desesperado querendo q ela fizesse cesária e ela insistindo. No dia seguinte eu estava ótima, amamentando, comendo, andando, recebendo amigos. Ela ficou de cama dois dias e por causa do cansaço não conseguiu amamentar nos primeiros dias.
Cada caso é um caso, cada mulher é uma mulher, cada parto é um parto. A pessoa deve escolher o melhor para si e aguentar as consequências.

Agora, querer demonizar hospital é absurdo. Nós temos é que lutar para que todas tenham condições de ter filho como eu tive. Com segurança, carinho, atenção e ESCOLHA.

e antes q eu me esqueça: a humanidade viveu 200 mil anos sem penicilina, sem anticoncepcional, sem analgésico. Quer voltar para a caverna, volte. Mas não queira levar todo mundo com você.

Arlequina disse...

OFF Topic

Lola, não sei se aquele e-mail na barra lateral funciona, então, queria deixar um link interessante aqui, caso o e-mail não chegue!

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/972566-posteres-tentam-profissionalizar-imagem-de-prostitutas-na-irlanda.shtml

Acho que é um assunto interessante e sei que você já abordou algumas vezes aqui, mas gostaria muito de ouvir o que acha da iniciativa.

=)

Denise disse...

Bom, eu só queria deixar um exemplo aqui. Eu entendo que muitas mulheres considerem o hospital como o melhor lugar para gerar uma criança (para não ter problemas com os gêneros), mas eu já presenciei e já fui informada de muitas coisas que considero extremamente agressivas para mães e filhotes. Amigas minhas já pariram normal, cesárea e até mesmo parto natural, em casa, com parteiras mesmo. Comparando o que várias delas me falaram, o parto normal, mesmo em hospital, parece-me o preferido, tanto pela questão física (dor, desconforto, invasão etc), quanto pela questão humana (contato, menos agressivo etc). Bom, essa foi a impressão que tive, mas claro que pode ser relativo demais. Outra coisa que queria registrar é que acompanhei o parto de minha irmã. Ela entrou em trabalho de parto e foi para o hospital. Tinha uma césarea marcada, mas a médica dela não estava disponível no dia. Então, foi acompanhada por outra. E ela estava super bem para fazer um parto normal, segundo a médica (contrações, dilatação etc). E daí que ligaram para a outra e ela falou que fizesse a cesárea, mesmo em condições de fazer o normal. A médica presente, claro, não o fez. Ganhou tempo para fazer o normal. E minha irmã ficou super bem, andou no mesmo dia, apesar das dores anteriores, e ficou bem pertinho do neném dela. Outra coisa que também já me falaram é que o neném passa por uma série de procedimentos pós-parto - e que a maioria deles também é super agressivo. Eu não sei afirmar se sim ou se não, mas por via das dúvidas, se um dia eu tiver aquela vontade arrebatadora de colocar mais um ser nesse mundo, vou fazer de tudo para ser normal, com parteira e todo o conforto e paz que tiver direito. Essa vai ser minha escolha :) A discussão tá ótima!

Paula disse...

Lola,

Não tinha visto esse post antes e apenas "passei os olhos" nos comentários.

Adorei saber que sua cunhada conseguiu o parto que ela quis. Eu leio MUITO sobre o assunto de parto humanizado, participo de listas e vejo como sofremos com a desinformação. Outro dia li um texto traduzido que afirma que nos EUA, de 2 milhões de mulheres que tomarão a anestesia na hora do parto 8 nunca mais voltarão a andar normalmente. Esse assunto surgiu na lista Parto Nosso justamente porque apareceu uma mãe de um bebê de 4 meses dizendo estar com dores na perna e que às vezes sente um choque terrível no região dos glúteos e ela perde toda a força da perna.

Já li vários livros sobre o assunto e minha sensação é sempre a mesa: de muita tristeza por sermos tãããão iludidas e manipuladas por médicos que realmente acreditam que fazem um bom trabalho. Sugiro que as pessoas se informem, leiam a respeito, procurem estatísticas. E, depois de tudo isso, se achar que uma cesárea realmente vale a pena, vá em frente! Mas não deixem de se informar.

beijos!!!

Drics disse...

O parto humanizado é muito mais do que o local e a ausencia de anestesia. Na verdade, é possível ter parto humanizado com anestesia. A humanização leva em conta outros aspectos, como a possibilidade da mulher se movimentar, comer e beber durante o trabalho de parto, parir na posição em que se sinta melhor, ter o acompanhante da sua escolha ao seu lado ou ficar sozinha se preferir, poder estar vestida ou sem roupa, ficar em silencio ou gritar, ou seja, ser respeitada.
Envolve também que o bebê lhe seja entregue em seguida, sem procedimentos desnecessários, que a amamentação ocorra em seguida (porque está comprovado que quanto antes, melhor) e que este bebê não seja separado da mãe (alojamento conjunto). Enfim, tudo o que, infelizmente, ainda é raro no Brasil.

Sobre a dor na amamentação, ela existe sim, mas geralmente ocorre porque o conhecimento tradicional que existia se perdeu na geração do leite em pó e as mulheres não são corretamente orientadas em como amamentar, causando fissuras e dor. E, ainda que a dor exista por algum tempo, com alguma persistência, ela passa e só fica um imenso prazer.

Barbara disse...

Putz, sabia que iria ser mal-interpretada e agora me sinto na obrigação de esclarecer: quando eu disse que a humanidade existe há 200.000 anos e os partos são hospitalares há apenas um século, quis apenas sugerir que não, hospital não é o único lugar pra parir.

Eu pretendo engravidar daqui a uns 2 anos e provavelmente o parto será no hospital, como é comum, portanto não tô tentando convencer ninguém a ir para caverna nenhuma!

Mas enfim, hospitais NÃO SÃO o único lugar para partos, e médicos NÃO SÃO os únicos qualificados a fazer um parto. Em diversos lugares do planeta, países de primeiro mundo inclusive, o sistema é bem diferente do nosso brasileiro. E todo mundo sabe que tem algo errado no nosso sistema.

E o motivo principal da minha crítica é que quem fala que parto deve ser em hospital está indiretamente (ou diretamente) chamando de irresponsável a mulher que opta por um parto diferente, por colocar em risco a vida do seu bebê, o que não é justo, pois não tem respaldo nas estatísticas.

Maria Valéria disse...

Barbara,

estatísticas não importam quando o bebê que morre num parto feito em casa é o SEU. e não posso considerar irresponsabilidade da mãe preferir o parto em casa- pois em sua grande maioria são leigas- mas considero irresponsável o médico que autoriza a gestante a fazer o parto em casa.
E sim, vc está certa: médicos não são os únicos qualificados para fazer um parto- também são qualificados os enfermeiros obstétricos,entre outros- e até os bombeiros já fizeram parto em ambulância( vide caso dos gêmeos que morreram ainda na barriga da mãe, por falta de leito hospitalar em Belém).
Mas considero importante que o parto seja feito em hospital,SIM- mesmo que seja por outro profissional não médico- é importante haver um centro cirúrgico à disposição, um banco de sangue e um UTI neonatal para assistência imediata caso seja necessário.
Considero as parteiras para localidade onde não existe médico ou enfermeiros= há inúmeras cidades assim no Brasil- nesse caso, numa emergência em casa, melhor as parteiras darem assistência do ninguém ajudar.Mas não acho que essa condição seja a ideal.
Só pra ilustrar o que acabei de escrever, existe uma complicação chamada ' circular de cordão umbilical', que é imprevisível e pode acontecer poucas horas antes do parto.Se for feito em casa, o bebê morrerá... Assim como uma hemorragia, que não tem como prever( mesmo com todos os exames normais).
Assim, entendo que cada mulher decide a sua vida, mas considero irresponsável o PROFISSIONAL DE SAÚDE que permite/ consente num parto domiciliar.
bjs.

Juliana Leodoro disse...

Circular de cordão é super comum e não mata, nem em casa e nem no hospital.

Juliana Leodoro disse...

http://www.fetalmed.net/item/o-bebe-esta-com-o-cordao-enrolado-no-pescoco-nao-tem-problema.html

vale ler

Maria Valéria disse...

Juliana, li o site que recomendou. mas então minhas amigas obstetras estão equivocadas(?), pois já me relataram sobre asfixia perinatal relacionada a circular de cordão, e não foi um caso só, nem dois. de qualquer forma, vou me informar com elas e depois te dou um retorno.
ainda assim, existe mecônio espesso, hemorragia, etc,... e outras complicações que precisam de uma intervenção em hospital, caso ocorram.
concordo com a parte que diz sobre as cesáreas desnecessárias, mas a causa das cesáreas desnecessárias no Brasil não é a circular de cordão, e sim a ' comodidade'- porque as pacientes n]ao querem aguardar pelo parto normal e/ ou EXIGEM a presença do seu médico no dia do parto( ou seja, médico obstetra não pode tirar férias no Brasil, nem repousar, pq se fizer isso e indicar outro colega de confiança pra fazer um parto normal, ou se for outro plantonista, a paciente nunca mais volta nele- já ouvi isso da boca de várias colegas obstetras) então, fica mais ' fácil' agendar a cesárea, que tem data marcada e não atrapalha os compromissos do médico nem da paciente.( acho esse esquema completamente errado, e tenho várias amigas que tiveram filhos assim...;-( )
não pretendo ser mãe, mas sinceramente, se fosse meu filho, eu não arriscaria... pelo menos não com os conhecimentos que tenho- o que nem todas as mulheres leigas têm.beijos!!;))

Denise disse...

Maria Valéria,
Este é uma dos grandes problemas do profissionais médicos, vocês acham que são donos da gente. Vocês nos tratam como incapazes, como idiotas que não sabem tomar decisões. Se vocês médicos conseguissem sair do seu pedestal e passassem a trabalhar junto com o paciente, toda essa problemática de parto em casa, ou traumas no parto talvez nem existisse e quem sabe o hospital pudesse ser um lugar decente para se ter um filho? Mas vocês são incapazes de aceitar que nós leigos e pacientes possamos decidir o que é melhor para nós mesmos e que possamos inclusive escolher os profissionais com quem queremos trabalhar. Parteiras, doulas, bruxas, quem quer que seja, que não um médico obstetra com todos os preconceitos aprendidos na profissão. Não sei se você sabe, mas a obstetrícia é uma das especialidades médicas onde menos se observa a evidência científica e os estudos científicos. Os obstetras continuam se utilizando de técnicas e procedimentos ultrapassados ou que são prejudiciais para as mulheres e seus filhos. Parto deitada, utilização de soro fisiológico, de pitocin, monitoramento excessivo de contrações e por aí vai. Isso sem falar na epidemia de drogas e de cesáreas. Como confiar nessa classe médica?
Não sei para as outras mulheres, mas em mim vocês não mandam. Nenhum de vocês médicos tem o poder de consentir em nada. Eu tomo minhas decisões. O papel de vocês é de me aconselhar, e só. Então ponham-se em seus devidos lugares.
Onde já se viu isso? Uma outra pessoa consentir ou não com uma escolha minha? O cúmulo da arrogância! Não é à toa que tantas mulhers tem problemas com médicos!
Eu passei por duas experiencias muito marcantes. Tive câncer de mama. E tive uma filha. Nesta ordem. O oncologista quis mandar em mim. Briguei com ele e ameacei parar o tratamento. Ele se emendou. Isso é hora de aborrecer opaciente? Os outros médicos diziam que nao podia engravidar, que nao iria acontecer, que era perigoso, etc. E olha aí. Estou com cura clinica e engravidei naturalmente.
Minha gravidez foi monitorada por parteiras e foi ótimo. Elas trabalhavam com um obstetra que era o back up em casos graves, uns 10%. Elas eram atenciosas e me tratavam com respeito. Isso depois de passar por um desses médicos que como você, que acham que podem ditar o que eu devo ou não fazer. Imagina? O cara achava que podia marcar meu parto (indução), ditar minha posição de parir e não me deixar escolher os meus acompanhantes! Saí de lá e não voltei.
Meu parto foi de emergência, decisão tomada com elas e não por elas. O obstetra back up foi também muito sensacional. Do tipo que acha que a mulher é capaz de ter filho sem interferências e que o papel dele é de auxiliar e não de ditar. Ele participa de casos graves e faz parto pélvico vaginal com sucesso por que trabalha com suas pacientes em vez de mandar nelas. Um exemplo e uma raridade. Por que vocês não conseguem ser assim? É tão difícil ser mais humano?
Minha experiência foi traumática, mas não por causa dos profissionais que escolhi. Eles foram ótimos. Gostaria que todas as mulheres desfrutassem da mesma oportunidade de escolha e de respeito.

Denise disse...

Com relação à liberdade da mulher no que fazer com seu corpo etc. Eu sou totalmente a favor até o ponto dela decidir ter um filho. Aí a liberdade acabou. A partir do momento que a mulher decide botar uma criança no mundo, ela demonstra uma falta total de capacidade de ser uma mãe decente quando põe suas conveniências e confortos em primeiro lugar, a frente do bem estar e da saúde da criança. Quer continuar a pensar em si primeiro? Beleza, dou todo o apoio, mas não tenha um filho. Uma mulher que decide fazer uma cesareana sem necessidade, decide não amamentar por que é incoveniente, usar drogas no parto por que é mais confortável, é uma mulher egoísta e não está pronta para a maternidade. Depois que a criança nascer vai fazer o que? Dar cachaça ou dramim para o bebê dormir e não te acordar? Vai largar a criança com qualquer pessoa para ir para a balada? Vai dar uma educação mínima para o filho para poder viajar para a Europa?
Conheço mulheres que não amamentaram por que dói, mas fazem plástica dos seios. Plástica dói mais que amamentar. Eu fiz os dois.
Eu fui parar na UTI no meu parto com preeclampsia e complicações. Amamentar minha filha foi muito difícil e o estresse para nós duas foi tanto que parei no quarto mês. Mas continuei bombeando até ela completar um ano para ela ter o de melhor. Extremamente incoveniente, mas ela merece o melhor e é minha obrigação dar o melhor. É obrigação. Minha conveniência fica em segundo lugar ao bem estar dela. Ela não pediu para nascer e não tem quem defenda os direitos dela a um começo de vida melhor. Cabe mim zelar por esse começo e drogas no parto e leite em pó para minha conveniência não é o melhor começo.

mundomel disse...

Essa questão de médicos que não respeitam as escolhas de seus pacientes é bem complicada. Infelizmente, o que mais vemos na área médica é profissional totalmente desumanizado. Eu digo isso porque recentemente fiz uma cirurgia de apêndice, um procedimento considerado "tranquilo" pelos médicos. O problema é que pra mim não era tranquilo. Eu estava muito assustada e sentindo muita dor. Eu comecei a perguntar o médico sobre o procedimento e ele me disse: "Olha, a cicatriz vai ficar pequena e você vai até poder continuar usando bikini". Eu fiquei muito p da vida. Eu queria saber o que ia acontecer na cirurgia, eu estava com medo. E vem um idiota falar de bikini? Que falta de respeito!

E se isso aconteceu numa cirurgia de apêndice, que dirá num parto!

Barbara disse...

É isso mesmo, mundomel, tudo pra eles é corriqueiro, mas pra gente não!!!

Quando fui fazer laser para correção de miopia me senti assim, super assustada, o médico sequer me explicou como era o procedimento, porque iria fazer PRK e não Lasik (são técnicas diferentes). Eu tive que procurar tudo na internet pra saber o que iria acontecer com o meu olho, porque o médico não pode parar 5 minutos para explicar, porque ele acha que a gente não precisa saber....

A maioria dos médicos são assim. Acho que por eles era anestesia geral em todo mundo pra ficar bem quietinho e não atrapalhar o trabalho deles perguntando demais.

Maria Valéria disse...

Denise,

Jamais disse aqui que não respeito e que 'mando' no paciente.Eu aconselho o que acredito ser melhor para ele( ou ela). Se o paciente vai fazer ou não vai fazer, são outros quinhentos., É O PACIENTE QUE DÁ A PALAVRA FINAL NO MEU TRATAMENTO.
' não consentir' com algo, significa: se a paciente insistisse eu ter o parto em casa, beleza, escolha DELA, mas então que procure outro profissional que assuma os riscos- pq eu não faria!Tem trocentos mil colegas que topariam fazer
Tenho uma paciente com DEPRESSÃO, uma das doenças mais sérias e estigmatizadas nesse país.Ela não aceita tratamento nem com remédio, nem com terapia. Eu disse a ela" Ok, na próxima consulta a gente conversa sobre esse assunto do tratamento" e expliquei a ela os benefícios de ser medicada- mas quem decidiu foi ELA, não ' mandei' fazer nada , como vc insinua no seu post!!( SÓ PRA ILUSTRAR)
Acho que antes de chamar alguém de arrogante, de dono da verdade, vc deve procurar CONHECER a pessoa com, quem vc fala. VC NÃO ME CONHECE!!!!!!
EXPLIQUEI COM EDUCAÇÃO E RESPEITO porque não considero uma boa escolha fazer um parto em casa- se vc quer fazer o seu em casa, ótimo, mas não venha aqui baixar o nível da discussão e ofender uma pessoa que vc NEM CONHECE!!!
não vou me estender aqui sobre o que vcs acham do médicos- eu mesma, que sou médica, já fui tratada por colegas que foram desumanos comigo- sabendo que eu era médica!!-assim como fui tratada por outros que foram anjos.
Esse é o problema desse blog, os assuntos são interessantes e rendem mil discussões , mas os comentaristas BAIXAM O NÍVEL sem necessidade alguma.
A Juliana foi a única que soube argumentar comigo com educação, ao contrário de vc.
Quer saber de uma coisa??
Faça o que bem entender, da maneira como preferir- eu nem te conheço, minha cara, nem me dirigi a vc antes de seu comentário infeliz e mal- educado.
NÃO TÁ MAIS AQUI QUEM FALOU!!!!!!!!!



PARE DE COLOCAR PALAVRAS NA MINHA BOCA!!

Maria Valéria disse...

Barbara e Mundomel,
Entendo do que vcs estão falando, pq escuto essa queixa de vários pacientes meus- quanto relatam que passam em outro colega que não explica nada;

Acreditem- isso é ruim para o paciente e para mim- porque eu também fico sem saber o que aconteceu, o que o colega de outra especialidade achou ou fez para o paciente- e daí o meu tratamento também fica prejudicado.

Eu não deixo ninguém sair da minha consulta com dúvidas.Procuro explicar na linguagem mais acessível aos ' leigos'( entre aspas, pq usar o termo leigo não é arrogância- só significa que tenho que usar palavras simples e não o vocabulário médico-senão o paciente sai sem entender nada do que falei)- muitos dos meus pacientes são analfabetos- ou semi- analfabetos.Para alguns, vc tem que explicar mais de uma vez.

Barbaram, eu fiz a cirurgia a laser em 2002 e não tive problemas com o colega. Pelo contrário- ele foi explicando direitinho!!
seria muito louco recomendar anestesia geral só pra calar a boca do paciente- a anestesia geral tem um risco bem maior do que a local!!!Mas sinceramente, eu preferia ter tomado a geral na minha cirurgia de laser( se pudesse)- pois sou muito sensível e tive MUITA dor, ok, durou 5 minutos, mas a dor foi insuportável. Mas não dá pra aplicar anestesia geral nessa cirurgia, porque o paciente tem que estar com os olhos abertos;-)

Não atuo mais nessa área, mas minha formação é como hematologista. Fiz muitos exames de biópsia de medula óssea- que se faz com anestesia local, no próprio consultório. Como é um exame que pode ser muito doloroso, mesmo com a anestesia local, nós sempre respeitamos os pacientes que preferiam fazer sedados, com anestesia geral( e eram poucos, pq a gente sempre explicava o procedimento- e a maioria topava a local mesmo, sem problemas).

então, sei do que vc falam, mas generalizar nunca é bom.cada caso é um caso.
no começo do ano, torci o tornozelo e tive um péssimo atendimento-o colega sabia que eu era médica, imagina se não soubesse...!!!.... alguns dias depois encontrei outra médica que foi um anjo- ela e o fisioterapeuta que me trataram.
bjs;))

Liana disse...

Sobre essa cultura de cesarianas que temos no Brasil, num dos sites que eu coloquei em outro comm. tem uma pesquisa* com mais de 900 mulheres em 2 maternidades(uma pública, outra conveniada):

-

"A maioria absoluta das mulheres (82,9%) informou que não pediu para fazer cesárea, tanto aquelas que tiveram parto vaginal (81%) como as que foram submetidas ao parto operatório (85%).

Isso sugere, em primeiro lugar, que a maioria dos partos cesáreos não foi feita "a pedido". A maioria das mulheres que sofreram cesárea não o solicitaram. Ao mesmo tempo, 19% das que tiveram parto vaginal reportaram que haviam pedido cesárea. Isso revela o poder limitado das mulheres em determinar o tipo de parto que vão fazer, seja ele vaginal ou cesárea, nas maternidades estudadas.

Das mulheres que solicitaram a cesárea, a maioria absoluta (77,8%) o fez durante o trabalho de parto e/ou parto, tendo essa proporção variado de 89% nas mulheres que tiveram parto vaginal a 65% nas que tiveram cesárea (Tabela 4). Ainda mais revelador é o fato de que, entre as mulheres que não queriam cesárea, mas que por algum motivo a solicitaram, a maioria absoluta (93,9%) o fez durante o trabalho de parto e/ou parto. Esse fato parece confirmar a opinião das entrevistadas, que enfatizam que o pedido decorre da dor do parto."

"Observamos também que, quanto maior o intervalo de tempo entre a admissão da mulher no hospital e o parto, mais freqüente a solicitação de cesárea."

"As circunstâncias que cercam a assistência no momento do pré parto/parto, incluindo a ausência de um acompanhante no momento do parto (fato que ocorreu em quase todos os casos), o tempo entre a admissão e o parto, e a experiência anterior de parto, foram fatores relacionados com o pedido de parto cesáreo. O não uso rotineiro de técnicas de alívio da dor, farmacológicas ou não, durante o pré-parto e o parto pode, de modo especial, ter também grande peso na construção do pedido da mulher por um parto cesáreo."

-

Ou seja, a coisa toda parece girar em torno da falta de apoio às mulheres, medo e dor.

É uma pena que não estou achando, mas li também um estudo feito apontando que, do percentual de gestações que apresentam problemas, em pouquíssimas a cesariana se justificaria. Quando se fala em dificuldades na hora do parto estão incluindo aí uma gama enorme de problemas, desde os mais simples e cabíveis de serem resolvidos sem maiores intervenções aos que exigem de fato a cirurgia.

Então essa história de parto em hospital ser mais seguro não é necessariamente verdade. Quanto mais tempo no hospital mais chances uma mulher saudável tem de passar por procedimentos desnecessários, incluindo episiotomia, o uso de medicamentos que comprovadamente prejudicam mãe e bebê e que só fariam sentido serem usados quando os riscos justificam mas que são utilizados rotineiramente e etc.


* http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2003000600006&lng=pt&nrm=iso

Maria Valéria disse...

Liana, vou ler o link que vc colocou com carinho e depois posto um retorno pra vc, ok??

Concordo com vc- a grande maioria das cesáreas feitas no Brasil não tem indicação clínica.E entre essas feitas sem indicação, a grande maioria( pelo menos no serviço particular), é feita por ' comodidade' e ' compatibilidade de horários' na agenda do médico e da paciente- quero dize4r: a paciente normalmente NÃO ACEITA que outro médico( que não o do pré natal) faça seu parto. Como o bebê não escolhe dia nem hora pra nascer, acaba- se ' combinando' uma cesárea com a paciente.Para satisfazer o desejo dela de fazer o parto com seu médico e para que o médico esteja à disposição na ' data marcada' do parto- sem problemas com agenda, consultório, viagens, horário, etc...
Não estou dizendo que acho isso certo, pelo contrário. Acho um absurdo que as coisas sejam assim no Brasil.
Ainda assim, tenho várias amigas que foram mães recentemente e que preferiram ' pedir ' a cesárea ao médico( em parte pela ' data marcada', como expliquei acima).
ainda não concorda com o parto feito em casa.uma coisa é vc fazer o parto em casa na europa e países desenvolvidos, onde vc tem o socorro imediato caso a paciente precise ser removida.E e se a paciente sangrar e precisar ser operada? Vai esperar quando tempo por uma ambulância aqui no Brasil??? são realidades diferentes, pode ser que isso funcione lá pq lá é tudo bonitinho, ambulância à disposição
Não sou contra parteiras- inclusive acho que algumas delas sabem mais do que médicos( com perdão da palavra)- mas se o parto for feito por parteiras, no Brasil, sou a favor que seja feito num local com centro cirurgico e banco de sangue à disposição.
Quanto ao hospital aumentar o risco de procedimento e remédio desnecessários, discordo.O que posso dizer é que sou contra qualquer procedimento invasivo( cirurgia, injeção, etc) feito sem necessidade.e ainda mais sem o consentimento do paciente ou o seu esclarecimento!!
guardei o link e vou ver, depois volto pra comentar, ok?? obrigada pela dica;))
bjs

Drics disse...

Maria Valeria,

A questão de quanto mais tempo no hospital, maiores as chances de procedimentos desnecessários é real.

Primeiramente, porque quanto mais tempo a mulher estiver no hospital, maior a probabilidade de os medicos usarem ocitocina para acelerar o trabalho de parto e todas as outras intervenções associadas ao desrespeito ao tempo de cada mulher.

Além disso, há estudos cientificos que mostram que a progressao do trabalho de parto é muitas vezes prejudicada no momento em que a mulher chega ao hospital, seja pela ansiedade ou medo, seja pela ausencia de privacidade, possibilidade de apoio de um acompanhante, etc. Por essa razao, em outros paises, como na Alemanha, a mulher é aconselhada pelo proprio medico a não ir logo para o hospital.

Drics disse...

Lola,

Acho que tem uma questão muito importante que foi mencionada aqui nos comentarios: é a falta de informação a que somos submetidas e que muito nos impede de poder decidir autonomamente. E isso vai muito alem da questao do parto. Vejo isso constantemente em foruns que participo sobre aborto recorrente. Esses foruns virtuais têm prestado um serviço muito importante de auxílio a mulheres para que possam questionar os seus medicos. Existe hoje uma industria de tratamentos relacionados a fertilidade que se aproveita de um momento de fragilidade e angustia.

Liana disse...

Esse aqui é um vídeo documentário produzido por estudantes da UFPE sobre partos. Está dividido em 3 partes, esta é a primeira. Vale dar uma olhada:

http://www.youtube.com/watch?v=BKLpAlQSKco

Este outro, em inglês, é da Ina May Gaskin, uma parteira dos EUA. Já vi alguns vídeos com ela e gostei bastante. Também são 3:

http://www.youtube.com/watch?v=JQn_nTia7FY

Todos dão uma outra visão, mais próxima da mãe/paciente. O outro site* que eu coloquei também é uma tese(tem umas 200 pag em pdf) "Violência institucional em maternidades públicas: hostilidade ao invés de acolhimento como uma questão de gênero". Muito interessante.
*http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-21062010-175305/fr.php


Maria Valéria, o assunto dá mesmo muito pano para a manga, né :) Quero deixar claro que sou totalmente a favor do acompanhamento médico e de todas as intervenções que forem necessárias e pesadas com responsabilidade. Quando disse que isso sobre o aumento no risco de procedimentos isso foi baseado neste trabalho e em outros que eu li, além do fato óbvio de o Brasil ser recordista em cesarianas e também do tanto de intervenções que são bem comuns. Esses procedimentos, quando desnecessários, comprovadamente colocam a vida da mãe e do bebê em risco. E como isso vai acontecer em um ambiente hospitalar, nem sempre estar ali é sinônimo de total segurança e acolhimento. Então, a questão que eu levantei não é sobre a medicina em si, mas a prática médica, é o dia-a-dia de um hospital com suas rotinas enrijecidas por n motivos(conveniência, $, burocracia, má vontade etc), sem espaço para ouvir o paciente.

Para mudar, primeiro precisamos admitir que existe algo que está sendo feito errado. Quando um médico comete erros, isso pode pôr a vida do paciente em risco. Se esses erros são, não só frequentes, como também fazem parte da rotina médica, que é o caso da obstetrícia no Brasil, isso representa um risco para as mulheres que buscam este serviço(vale lembrar também o grande número de diagnósticos errôneos nas mais diversas áreas). Essa é, infelizmente, a nossa realidade. A solução, é claro, não é atacar médicos mas questionar essas práticas para que tenhamos um atendimento de qualidade, com respeito ao paciente e um bom ambiente de trabalho para os profissionais.

Pili disse...

denise,
só faltaram duas palavrinhas não seu comentário sobre obrigações maternas...
Essa pode ser a SUA obrigação MORAL.
E está longe de ser regra pra todas.

Maria Valéria disse...

Meninas que estão debatendo o assunto comigo:

muito legal poder aprender com vcs. vcs sabem, eu sou médica de família/ clínica geral, então não tenho ttanto conhecimento de obstetrícia.
Hoje fui me informar com uma amiga minha( GO e obstetra) sobre circular de cordão, e ela confirmou om o que vc disse, Juliana. Agradeço ter me passado o link, pois frequento blogs tbem para aprender;-)
quanto ao parto domiciliar, minha amiga é contra, pelas mesmas razões que citei, mas ela disse que tem vários GO´s e obstetras que concordam e fazem sem problemas. então, acho que cada mulher deve procurar um médico que atenda às suas necessidades.Se um não faz, ele até pode indicar outro colega que faça.;-)
estou com pouco tempo para escrever, mais tarde volto pra ler com calma os posts de vcs e comentar +( pq nem consegui ler todos
beijos

Bianca Lanu disse...

Olá Lola!
Escrevo p/ compartilhar q linkei o post no blog Parto no Brasil, q co-edito. Discussão muito pertinente, tendo em vista a questão de gênero q está por trás dela. Aproveito, ainda, p/ convidar seus leitores a pensar o parto num viés político, e cultural. Parir é fisiológico, mas nossas regras sociais e as técnicas vigentes condicionam este processo q deveria ocorrer da forma mais natural possível, onde a mulher deveria ser a protagonista da hitória, e não a equipe médica, centrada na figura patriarcal do médico.
Passei o olho nos comentários e discordo daqueles q falam sem saber, e apenas sedimentam o status quo, q oprime e vê no corpo feminino falhas. Por ex., um parto hospitalar é apenas uma das formas de se parir. E, sim, parto domiciliar é tão seguro qto... vide os Países europeus q tem taxas de 80% de partos em casa, c/ obstetrizes.
Enfim...
O link - http://partonobrasil.blogspot.com/2011/09/amamentacao.html
Inté!

Juliana Leodoro disse...

Maria Valéria, essa questão de compatibilidade de horários de fato existe, mas pode ser contornada quando há interesse. Uma amiga estava com um Go, famoso, caro (600 reais a consulta) e estrelado e ele disse que se o parto fosse durante o dia, poderia ser nos hospitais x, y e z, e que se fosse à noite, só no z porque era perto da casa dele e que o parto ficaria mais caro.

Conheço muitas mulheres que marcam a cesárea aparentemente por conveniência, mas você começa a dar corda e descobre que o GO fez um terrorismo básico com sofrimento fetal, pós-datismo, mecônio, circular de cordão (essa é mesmo campeã), entre outras coisas. Aí nasce uma imensa quantidade de bebês que foram para uti neonatal por "pulmãozinho molhado" (desconforto respiratório), porque nasceram antes da hora.

Eu tive um bebê de parto normal após cesárea, nasceu com quase 42 semanas (médicos querem marcar cesárea com 38) e usamos muita tecnologia para acompanhar o desenvolvimento, o fluxo sanguíneo e decidir quando não dava mais para esperar. Descolamos a membrana para induzir o trabalho de parto, usamos ocitocina em pequenas doses, rompemos a bolsa, e tudo, absolutamente tudo, foi discutido comigo antes de ser feito.

Infelizmente, esse respeito à mulher é raro. O médico foi particular, pois entrei em contato com o convênio em busca do profissional com maior índice de partos normais no currículo, e a resposta foi que aquele que fez mais fez 2 partos em 2 anos...

Bem-vinda a um mundo novo e viva a vontade de aprender! Também sou assim, embora seja de outra área de formação!

Maria Valéria disse...

Liana e Juliana

Li agorA os links com calma, e não duvido nem por um segundo do que está relatado ali e nem do que vcs disseram aqui.
quanto ao fato de os hospitais aumentarem o risco de procedimentos ou exames desnecessários, então o problema não é o hospital em si( por isso que discordei), e sim as equipes médicas e de enfermagem que deveriam ser melhor preparadas, com melhor formação tanto no aspecto técnico como na empatia e humanismo com as pacientes.porque se um médico fizer besteira nos hospital, vai fazer também na sua casa, concordam? não vejo muita diferença. a questão, é que se a equipe é mal formada... complica mesmo!
SÓ discordo de quem disse que hospital particular é sempre melhor que o público. tive entorse no pé duas vezes na minha vida.
a segunda vez, paguei 150 reais e fui mal atendida...mudei de médico porque não sou de ficar discutindo com o colega na hora que percebo algo estranho... pra mim, se já começou errado, é melhor não insistir( e nisso ajuda muito não ser leiga, pois um leigo talvez não percebesse que tinha algo errado).
em compensação, da primeira vez, fui atendida num pronto socorro público em Fortaleza( nordeste, SUS!!!) e fui tratada corretamente e super bem atendida...
então, cada caso é um caso...
;-)
bjs, depois volto pra comentar mais
desculpem se esqueci de responder a alguém, tá tudo meio corrido hj.

Barbara disse...

Um tempo atrás teve uma polêmica, muita gente reclamando que os médicos de plano estavam cobrando por fora para atender os partos.

Do que li na época, tive que concordar com os médicos. A mulher que pensa que o médico tem que estar disponível 24x7 é completamente sem noção. Médico é um profissional como um outro qualquer, ele está trabalhando e não fazendo favor! Ele tem horário de trabalho, e se o parto for fora do horário, eu acho que ele tem sim direito de cobrar à parte (mas parece que a ANS diz o contrário).

Como a Maria Valéria falou, de fato deve ser motivo de cesarianas programadas o fato da mulher só aceitar fazer o parto com o médico que acompanhou o pré-natal, com medo do médico plantonista desconhecido...Aí é questão de pesar as coisas, né? Será se vale fazer uma cesárea só pra ter o médico conhecido atendendo o parto?

Denise disse...

Pili,

Então não é obrigação dos pais fazerem o de melhor para o filho?
Que mundo cão, hein? O pobrezinho vem ao mundo e nem tem quem zele por seu bem estar...

Sem mais nem menos disse...

Oi, Lola, descobri teu blog semana passada e venho lendo várias postagens desde então. Como é uma leitura muito agradável e de fácil compreensão, passei a prestar atenção na estrutura dos texto, nas estratégicas posição das imagens para aprender escrever melhorzinho também.

abração!

Fernanda

Sem mais nem menos disse...

Oi, Lola, descobri teu blog semana passada e venho lendo várias postagens desde então. Como é uma leitura muito agradável e de fácil compreensão, passei a prestar atenção na estrutura dos texto, nas estratégicas posição das imagens para aprender escrever melhorzinho também.

abração!

Fernanda

Ministério da Saúde disse...

O leite materno é importante para todos os bebês, principalmente para os que estão internados e não podem ser amamentados pela própria mãe. Toda mãe que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Se você está amamentando, procure o banco de leite humano mais próximo e seja uma doadora. Seu gesto pode salvar vidas. Para você é leite. Para a criança é vida!
Seja um Parceiro da Saúde: utilize o espaço do seu blog e divulgue informações. Entre em contato conosco pelo email:comunicacao@saude.gov.br
Conheça o Blog da Saúde: www.blog.saude.gov.br e saiba mais. Ou acesse: http://on.fb.me/pzCiri
Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/minsaude
Atenciosamente,
Ministério da Saúde

Ricardo O. disse...

http://face-down-asgard-up.tumblr.com/post/12953145322/lets-talk-about-breastfeeding-i-dont-want-my

Lola, vi este comentário no Tumblr sobre amamentação em público e lembrei-me instantaneamente de você. Trata-se de um ótimo argumento contra quem geralmente se opõe.