sábado, 17 de outubro de 2009

ADEUS ÀS ILUSÕES

Desculpe, pessoal. O Dia do Professor passou em brancas nuvens pra mim. Esqueci completamente. Então, pra dar um exemplo do que não deve ser feito na profissão, publico aqui uma crônica antiga minha (bem amarga). Não sei nem de quando é, deve ter seus seis ou sete anos. Mas na terça publico uma novinha sobre algumas professoras que eu tive.

As coisas que a gente descobre! Olha só, eu pensava que a vontade dos professores era transformar, mudar o mundo. Mas pouco a pouco começo a perceber que este tipo de utopia ficou pra trás. Dois exemplos me mostraram como ando fora de moda. Ambos se passam em colégios particulares bem conceituados em Joinville.
Num deles, a mãe de um menininho de seis anos é chamada pela diretoria porque o filho dela é meio esquisito, diferente demais. Ele faz muitas perguntas e isso incomoda o andamento da classe, sabe como é. Outro dia, imagina só, ele narrou algo que tinha visto no Discovery Channel relacionado à evolução das espécies! Ele ousou contar pros coleguinhas que a primeira humana era negra. Mais a mais, ele conversa sobre religião, um assunto tabu. Futebol, religião e política são temas que definitivamente devem ficar longe da mesa de jantar e da escola, pra evitar debates, que debate não é coisa de garoto bem-educado.
O outro caso envolve uma menina de 14 anos que adora ler, filosofar e sonhar que pode fazer a diferença. Às vezes, ela fica deprimida com o que vê no planeta. Mas suas professoras já têm uma solução: pára de ler esses livros, guria! Na sala dos mestres, as professoras discutiam alegremente os problemas da moça. Uma torcia pra que ela abrisse os olhos logo e deixasse de crer que pode mudar o mundo. Outra dizia que a culpa disso tudo é da garota, claro, que precisa arranjar um namorado rapidamente. Onde já se viu, 14 anos e nunca ter beijado?!
Não sei se sou só eu, mas esses episódios me lembram dois filmes – primeiro e óbvio, “Pink Floyd – The Wall”, onde as crianças caminham em fila para dentro de uma máquina de moer carne. O segundo é o formidável “Truman Show – O Show da Vida”. Numa cena curta, um piá levanta a mão e fala que pretende ser um grande explorador, um desbravador. A resposta da professora? Algo como “Você não pode! Não há mais nada pra ser descoberto!”. Pois é, pra que mais serviria a escola se não pra esmagar nossas ilusões?

17 comentários:

L. Archilla disse...

todo mundo tem uma história de terror pra contar sobre professores...

Danda disse...

Eu não te achei amarga, se eu escrevesse uma crônica baseada na minha experiência escolar seria muuuuito mais amarga. Você foi até educada com esse tipo de professor...
O John Savage da crônica de ontem me remeteu imediatamente à Hair. Acho que vc nunca escreveu sobre hair (ou já?) eu gostaria taaaaaanto de ler sua opinião sobre o filme.

Carol Fontes disse...

É Lola, acho que já comentei diversas vezes minha surpresa e insatisfação ao descobrir que nem escola e nem faculdade pretendem formar seres pensantes e sim absorventes. Sempre fico chocada quando um professor não gosta de responder algo ou de alunos que tem uma dúvida, mas dizem "ah, depois eu olho num livro", mas cara a gnt tá na faculdade é pra isso! Aprender. Pq se a gnt naum consegue pensar como vamos ensinar nosso aluno a fazer isso?

cronicasurbanas disse...

Por isso é que eu sempre recomendo aos professores (e pais) que conheço que assistam a palestra que o Ken Robinson fez no TED Talks, sobre a escola e a criatividade... Absolutamente imperdível.

abraço,
Mônica

Serge Renine disse...

Aronovich:

Os professores, assim como alguns outros profissionais, nos últimos anos, perderam o auto-respeito de forma assustadora. Eu sei, também, que os alunos não são grande coisa, mas cabe ao professor, um idealista pela própria natureza da profissão, vencer certas resistências a disciplina; minhas filhas têm professores assim, fortes na disciplina, e ninguém brinca com eles e geralmente são ótimos professores. Porem, a verdade é que os professores não se vêem como alguém que vá mudar o mundo e não se dedicam verdadeiramente a serem mestres. O resultado é professor no piloto automático e aluno mal instruído. Se aparece um aluno realmente inteligente, culto e bem informado como esse que você citou, é tachado de aberração e contido pelo “bem” da maioria ignóbil.

Neste ponto eu concordo com esses radicais de direita que escrevem pro seu blog. Estamos vivendo num tempo de muita complacência com gente incompetente e desinteressada e isso é péssimo para uma sociedade de esquerda, de centro, ou de direita. Principalmente a nossa querida esquerda, que tende a confundir falta de esforço pessoal, com falta de oportunidade

Perdem todos.

Alba Almeida disse...

Olá, Lola

Lembro que quando cursei o ensino fundamental II, tive uma professora de o.s.p.b., que ela dizia: “ nada do que ensino vocês devem seguir ou acreditar, o que ensino deve servir pra acrescentar e nunca esqueçam de questionar sempre”.
.....
Trabalho a 17 anos na área, constantemente surpreendo-me com atitude de alguns professores. Fico muito triste, parece que hoje qualquer um quer ser professor e com isso cada vez mais encontramos professores desqualificados. Aqui no nordeste, é fato,...fazer pedagogia ou qualquer licenciatura pra prestar concurso.
Por outro lado, tenho uma filha que terminou recentemente o curso de jornalismo e que tem uma visão completamente diferente, inclusive porque durante seu curso iniciou mais um desses cursinhos preparatórios pra prestar vestibular, (exclusivamente para aluno da escola pública), onde todos os professores são voluntários, comporta um nº pequeno, mas o aproveitamento é muito além do esperado chega a 70% de aprovação, o ponto principal do curso é o compromisso em preparar educando e fazer do aluno, um ser pensante.
.... isso dá um orgulho danado! ... não percamos a esperança!
Bom sábado, minha blogueira preferida!
beijos

Anônimo disse...

Enquanto no Brasil a Grande Bruxa Plastificada, Musa dos Empreiteiros Dilma Roussef veta metas arrojadas de emissão de carbono, alinhando o Brasil aos piores criminosos do aquecimento global, países insulares pequenos como as Maldivas, que serão afetados diretamente pela calhordice brasileira e de outros ‘grandes’, se mexem para evitar o pior.

Parabéns para eles e vergonha pra nós, um país de bundões que não se mexe pra nada, nem pra evitar que a irresponsabilidade de nossos des-governantes criminosos prejudique os outros. A ‘solidariedade sul-sul’ vomitada pelo (des)governo Lullão Metralha só serve pra negociatas com outros ditadores de republiqueta bananeira, enquanto condenamos nações inteiras a desaparecer para o nosso ‘pogreço’ que só enriquece os mesmos de sempre...


http://www.cbc.ca/world/story/2009/10/17/maldives-climate-change.html

Fátima Campilho disse...

Não escreva, Lola, não escreva!
É muito fácil falar ou escrever sobre qualquer pessoa. Difícil é viver, ou melhor, colocar-se no lugar do outro.

Bárbara Reis disse...

todo mundo tem uma história de terror pra contar sobre professores...

VERDADE! hahahaha

Mariana N. disse...

uma vez uma professora minha me chamou de hipócrita, cretina e daí pra baixo.

não lembro o motivo.

aquela bruxa maldita do sovaco cabeludo.

Luiz disse...

bom, ainda que não exerça a profissão, quando alguém me pergunta o que sou, digo logo: professor! digo isso em um misto de orgulho, estranheza, desalento e alegria. Saí da faculdade preparado pra educar, porém não esperava encontrar tanta resistência por parte dos colegas ao questionar problemas de ordem profissional, tais como projeto pedagógicos equivocados. Toda vez que abria a boca pra apontar falhas em livros, métodos, abordagens... me diziam que não era pra dar mais trabalho... Enfim, me deprimi em menos de um ano, e pulei do barco ao perceber que todas as escolas da minha cidade têm o mesmo viés.

Masegui disse...

Leiam o texto da Mônica no Crônicas Urbanas (muito bom!) e vejam a palestra do Ken Robinson no You Tube, em duas partes. Como ela mesmo disse: imperdível!

Anônimo disse...

Lendo esse blog, vem uma triseza das coisas que perdir durante minha vida, sou mãe de 3 filhos... amo todos, mas sinto que me perdi no tempo, não tive tempo pra ter minha música, meu filme, meu restaurante, ... meu "eu". Ficou tudo perdido no tempo e espaço... tudo passou hj tenho 50 anos e nada sou...

Bárbara Reis disse...

Fiquei com dózinha da anonima a cima! :/

lola aronovich disse...

Eu também fiquei, Bárbara!

Somnia Carvalho disse...

Lolíssima!

li alguns posts ontem e craro que nenhum comentário entrava... oi ceus!

então! eu sempre fui professora de achar que ia mudar o mundo... dai o mundo nao mudou e mudei eu... to mais egoista! yes, horrivel isso! deixo de ler jornal quando nao quero me estressar com o que acho que nao muda... deixo de participar de conversas para convencer alguem quando acho que sera perda de tempo... horribleeeee! yes!

mas... ainda me pego em atitudes total sonhadoras toda santa vez que tenho uma turma diante de mim. Adoro dar aula, adoro os alunos, adoro a paixao deles quando estao aprendendo e adoro pensar que so o esclarecimento - como dizia adorno e horkheimer - pode ser a chave para alguma algumazinha chance de que o sistema nao tenha engolido qualquer manifestacao contraria.

Ai! eu vi por alto o texto 2 dos bastardos! que vontade de ver o filme de novo!!!

Lolinha, mais duas preguntas que nao querem se calar em mim:

1. voce viu Bruno? sabe qual filme e? eu vi e meu! tenho a ideia pra escrever e nao o fiz... mas queria muito saber que vc achou ou acharia... me manda seu endereço pro meu email? queria um dia te mandar um video daqui de presente... dvd... quero dizer...

Vi outro filme sueco muuuuito bom... chama se "homens que odeiam mulheres"... de suspense... amei... dizem que os livros estao vendendo muito...

2. voce bodiou total do concurso da maternidade? haha... os textos nao ajudaram no animo? maternidade brocha os maridos e tambema as blogueiras fazedoras de concursos????

beijocas, sem cobranças craro!

Diana disse...

Muito bom post! Também dou fã de O Show de Truman, e a educação capenga há tempos mesmo.

Assisti ontem ao vídeo do programa Café Filosófico com Marcos Cavalcanti, falando sobre a Sociedade do Conhecimento.

Em um dos casos, ele fala de uma menina bem agitada, mas que ia mal em matemática na escola. A professora recomendou que fosse levada a um psiquiatra. Como essa história aconteceu há muito tempo, o psiquiatra disse que a criança era normal, que só precisava focar sua inteligência em outra coisa no lugar de matemática. Hoje essa criança é a maior coreógrafa da Inglaterra.

Aí, ele diz que se essa história tivesse ocorrido hoje, a escola seria a mesma, mas o psiquiatra teria sido radicalmente diferente: teria diagnosticado a menina como hiperativa e teria "matado" todo seu talento.

Enfim, o vídeo inteiro é excelente, e pode ser visto aqui:
http://www.cpflcultura.com.br/video/integra-desafios-contemporaneos-trabalho-marcos-cavalcanti

Bjs