quarta-feira, 1 de abril de 2009

CRÍTICA: SIM SENHOR / Só diga “não”

Com a fortuna que o Jim tem, ele podia ter dito não a esta bomba.

Após ver Sim Senhor, só pude pensar: coitado do Jim Carrey. Quem é o agente que tá escolhendo seus roteiros? Porque, pelo amor dos meus filhinhos, SS é uma barbaridade. E veio depois de Número 23. E antes de I Love You Phillip Morris, que parece ser uma comédia gay em que o Jim se apaixona pelo Ewan McGregor (bom, quem não se apaixonaria?) e que, por causa de uma cena de sexo, não encontra distribuidor nos EUA e tá arriscado a ir direto pro vídeo. Li que, pra fazer SS, o Jim abriu mão do seu salário habitual de 20 milhões de dólares. Ele “só” vai receber 33% dos lucros. Isso deve dar mais grana que o Coringa deu pro Jack Nicholson, então eu começo a entender o motivo do Jim se envolver num projeto tão deplorável.
Mas, quer saber? Pela primeira vez, eu, que sou grande fã do Jim, reparei que ele tá envelhecendo. Ok, todos estamos, certo. Mas são poucos os que ganham o pão de cada dia com comédia física. Desta vez notei cada ruguinha do Jim, e acho que ele aparenta os 47 anos que tem. Pode ser porque o personagem que ele interpreta em SS devia ter uns trinta anos no roteiro. Sua ex-mulher, seu melhor amigo, seu par romântico, todos têm umas duas décadas a menos que ele. Não se convenceu? Quer um argumento definitivo? Pois bem, a velhinha do filme, que usa dentadura, é apenas vinte anos mais velha que o Jim.
Deixa eu resumir logo a trama pro caso de algm estar boiando. Lembra de O Mentiroso, em que o Jim fazia um advogado proibido de mentir durante 24 horas? Aqui é quase idêntico. Jim precisa falar sim pra tudo. Ou seja, a fórmula do filme é a coisa mais simples possível: mostre o Jim dizendo não pra um convite pra sair com os amigos, pra empréstimos bancários, pra emails tipo spam, pra ir a um show de rock etc. Daí mostre-o numa palestra de auto-ajuda onde aprenderá com o Terence Stamp, o Wilson Grey americano, a dizer sim pra tudo. Agora repita todas as situações da primeira parte, mas com ele dizendo sim. Mostre o lado maravilhoso dessa atitude. Mostre o lado negativo também. No final mostre como ele encontra o verdadeiro equilíbrio. The end. Dormiu? É, eu também. Quase.
Nisso de dizer sim pra vida, Jim acaba se envolvendo em altas aventuras. Eu fui comparando essas diversões com a minha Fuck It List (as coisas que eu não preciso fazer antes de morrer). Bungee jumping? Já tá lá. Patinar com o corpo inteiro e ter de brecar com o queixo? Eu nem sabia que isso existia, mas é só me dar um nome pra entrar correndo na minha listinha. A impressão que eu tive ao ver o trailer confere: Sim Senhor é um Antes de Partir sem o câncer. Mas com Red Bull. Acho que dá na mesma. Quanto merchandising num filme só, ó senhor! Além da bebida energético, tem também propaganda de uma moto super cara que nunca ouvi falar (Ducati) e de Lincoln, Nebraska. A cidade é promovida a excelente roteiro turístico onde a gente recebe um tour pra aprender como frangos são abatidos. Pena que eu e o maridão nos casamos faz tempo, porque senão nossa viagem de lua de mel estaria garantida. Ah sim, e se você estiver se perguntando “Por que toda essa obsessão de SS com Harry Potter?”, e, principalmente, “Por que o Jim tem uma cena numa locadora e ele pega logo 300?”, eu tenho a resposta. É merchandising interno. Esses filmes são da Warner, o mesmo estúdio de Sim Senhor.
Eu gostei exatamente de duas cenas. Uma é com o Luis Guzman querendo pular de um prédio. Eu me identifiquei, porque o suicídio passou pela minha cabeça enquanto eu via a comédia. No final da cena, pra quem é muito jovem e não entende a piada, o Jim diz “Estou com bolhas nos dedos”, numa referência à reclamação do Ringo após tocar “Helter Skelter” (se você perguntar “Quem é Ringo?”, você não tem salvação). A outra cena é com a Zooey Deschanel com uma espingarda, apontando pra todo lado, e o pessoal se jogando no chão. Pra ser franca, achei a Zooey a melhor coisa da SS. Sua canção performática é muito fofa. Ela desfez um pouco a péssima impressão causada por Fim dos Tempos.
Em compensação, olha só o desperdício total de talentos na comédia. Sabe quem faz o chefe do Jim? O Rhys Darby. Ok, ok, você não tem que saber quem é ele. Não é um Ringo. Mas o Rhys é o agente da dupla neozelandesa no adorável Flight of the Conchords (veja um clip aqui, um onde o Rhys aparece, aqui, e melhores momentos dele aqui). Ele é hilário na série. Aqui, no entanto, parece que está se esforçando demais. Ou pode ser o papel dele como gerente bancário. Quando Jim passa a aprovar empréstimos, o banco onde trabalha descobre que microcrédito pode ser uma boa ideia. Puxa, o filme é de 2008? Alguém já avisou pros roteiristas que um indiano ganhou o Nobel da Paz de 2006 por fazer justamente isso, microempréstimos? E nunca na história do cinema alguém aprendeu uma língua estrangeira tão rapidamente. Não, sério, é oficial. O Jim aprende a falar coreano fluentemente em apenas uma lição. Nem aqueles cursos que prometem inglês em seis meses conseguem ser tão eficientes. Coreano em cinco minutos! Tudo bem que deve ser uma língua facinha, mas...- Puxa, preciso aprender a falar coreano e pilotar um avião! O que mais tem na lista do "Que se Dane" da Lolinha?

15 comentários:

asnalfa disse...

Quem é Ringo?

kkkkkkkkkkkkkkkk

Nao quero ver esse filme.... mas ... vc vai assistir Simplesmente feliz?

Masegui disse...

É só citar Beatles que eu meto o bedelho: Esta canção é do McCartney e Ringo berra ao final da gravação: "I've got blisters on my fingers!".

Fuçando no google eu lí algo interessante: alguns historiadores dizem que Helter Skelter foi a precursora do estilo Heavy Metal.

Malu disse...

Eu amo Jim Carrey, ele faz bons filmes como O show de Truman, Brilho eterno de uma mente sem lembranças, mas quando se trata de comédia...
Não me leve a mal, amo ver O mentiroso mas filmes como Ace venture me fazem passar bem longe da prateleira de comédia. Mas ainda não desisti dele, espero que receba um roteiro bem melhor que esse de Sim Senhor.
Estou louca para ver I love you Phillip Morris, mas li que acharam que as cenas eram verídicas demais por isso ia direto para as locadoras.

Ah Lola, só agora vi o seu pedido. Vou ficar te devendo um guest post, ok? Mas acho meio complicado escrever sobre a leitura labial porque é meio como explicar como aprendi a falar. É que é tão natural que nem penso no assunto. O engraçado é que achei que todo mundo dominava perfeitamente a leitura labial mas vi que só compreendem algumas palavras. Você tem algum tipo de fluência? Garanto que é mais fácil que aprender coreano...

Ósculos

Srta.T disse...

Quando li a sinopse desse filme no Cinema em Cena, já pensei: "passarei longe". Agora é certeza. Também adoro o Jim Carrey (já falei aqui que "Brilho Eterno..." é o filme da minha vida, jundo com "Shopgirl"), mas as comédias dele... não. A cena mais engraçada dele, na minha opinião, é a adança com as sobrancelhas em "Eu, eu mesmo e Irene".
Aliás Lola, não sei se comentei aqui sobre o documentário "Religulous", bem interessante.
Tô curiosa pra ver "Gran Torino", gosto bastante do Clint. Pretende ver?
Ah, "Simplesmente Feliz" também não me apetece. Sinto que tem uma vibe meio "A Vida é Bela", e acho um pé-no-saco esse pollyanismo. É, tenho espírito velhinho e resmungão mesmo.

asnalfa disse...

Lola.. sobre a enquete.. nao tem jeito de vc esconder os numeros do resultado das votaçoes nao; e depois comentar em guest post nao?? Com vots parciais isso pode influenciar o votante!!!

Chris disse...

Ai, Lolinha, sinto muitíssimo, mas nem com a sua crítica eu vou ver filmes do Jim Carey.. ele é um daqueles atores que me causa pânico. :s

Beijos

Vitor Ferreira disse...

Eu também achei ruim o filme. Mas nnão gostei nem da Zoey. Eu só me lembrava como esse mesmo papel foi muito melhor escrito em Elizabethtown e como a Kirsten Dunst é melhor atriz que ela.

Ollie disse...

Meu irmão tinha um cachorro que se chamava Ringo. Era um dalmata.☺

Quanto ao Jim Carrey ele entra facinho na minha lista de "atores detestáveis" de Hollywood. Lugar de honra ao lado dos igualmente insuportáveis, Robim Willians e Tom Hanks.
Pronto, falei (agora com licença que vou ali pegar o meu escudo para me defender das pedras que certamente os fãs atirarão contra minha digníssima pessoa... ☺ ).

Ollie disse...

Ah, sim...
Como pude me esquecer dele?
Ponha na lista aí também: Will (The Fresh Prince of Bell-Air) Smith.
Tô podendo nem ver a cara.

FELIPE G2 disse...

Lola, também não gostei de SS e concordo plenamente com você. A mulher é a melhor parte de todo o filme. Eu também notei q o Jim ta ficando velho (e enrugado). Achei o filme mais parecido com O mentiroso do que com antes de partir. Achei ridículo o fato dele não dizer "não". Afinal ele não está enfeitiçado...

Gabriela Martins disse...

Na hora que eu vi o mote do filme, já adivinhei "tá, mais uma dessas comédias óbvias que começam marromenos, poderiam até divertir, mas no final tentam passar lição de moral babaca e fica uma merda". Tô vendo que eu tava certa.

Sou mais uma que gosta mais do Jim Carrey dramático que do comediante. Acho que não tem nenhuma comédia dele q eu curta, tirando O Máscara, claro. Ace Ventura eu mijei de rir, mas era criança, então dá um desconto.

Sobre o filme em que ele faz papel de gay, há quem diga q está sendo barrado porque não tem tragédia. Porque romance gay até pode, desde que haja morte no final...

bobmacjack disse...

Eu jurava que quem gritava isso era o John. Talvez porque guitarra dê mais bolha nos dedos que bateria. Mas bateria também dá bolha nos dedos (sou baterista, hehe).

Gio disse...

Nossa bob, eu toco guitarra e nunca tive bolha tocando, só uns calos.
Já meu amigo baterista reclama sempre de bolha na mão, tem até que usar proteção.

Quanto ao filme, nunca gostei muito do Jim Carrey, e piorou ainda mais quando vi número 23(odiei), então com sua crítica tenho vontade zero hehehe.

N. chaves disse...

po, eu gostei do filme. me fez repensar a vida...

Mari Lee disse...

Comentando post de três anos atrás...
Eu vi esse filme sem muitas expectativas (detesto o Jim Carey com pouquíssimas exceções, como Brilho Eterno...), porque eu tinha lido o livro que o inspirou e gostei bastante. Tá longe de ser um clássico da literatura, mas também tá longe de ser uma perda de tempo. Dei muitas risadas com o livro, ao contrário do filme.
Então, se algum de vocês topar com Yes Man, de Danny Wallace, pode comprar. Principalmente quem gosta desses filmes "repense sua vida antes que seja tarde demais" (Sim Senhor, The Bucjet List, Elizabethtown... não estou comparando-os pela qualidade, mas pela temática).