segunda-feira, 29 de novembro de 2004

CRÍTICA: VAN HELSING / Troque o Van Helsing pelo Van Bora

Isso de juntar vampiros, lobisomens e a Kate Beckinsale num pacote só não é novidade. O tenebroso “Underworld” fez isso. Eu disse tenebroso? Comparado a “Van Helsing”, “Under” é uma obra-prima. “Van” ainda inclui a criatura do Frankenstein, o chato do Hyde de “O Médico e o Monstro”, e o Hugh Jackman (o Wolverine de “X-Men”) no papel-título caçando todos eles. Perguntei pro maridão qual era seu monstro preferido no filme, e ele respondeu que seria o Hyde, que aqui é outro mix entre Hulk e Shrek. Eu: “Por quê, só porque ele engole charutos?”. Ele: “É, tem esse problema d’ele fumar. Mas pelo menos é divertido”. E todas as outras aberrações são de um tédio monumental, certo? Eu dormi feito bebê em várias partes de “Van Hallen”, apesar da barulheira da insistente trilha sonora. Quando eu não tava dormindo eu tava bocejando, e sentia a minha boca se alongando tal e qual a dos mostrengos. Sem os dentes, claro.

O diretor Stephen Sommers, o mesmo de “A Múmia”, dedica essa atrocidade a seu pai, a quem ele obviamente nunca foi muito chegado. Você pode até achar massa os cenários e efeitos especiais de “Van Anta”, mas lembre-se: a superprodução custou 200 milhões de dólares. Hum, com essa grana dava pra botar mais 5 reais no salário mínimo brasileiro sem aumentar o rombo da previdência. Mas não podemos misturar arte e política. Afinal, os americanos gastam os tubos pra fabricar cinema de entretenimento de altíssima qualidade. Burp. Desculpe, acho que arrotei.

E por falar em qualidade. Os diálogos aqui são o fim. Por exemplo, o destemido Van Bam-Bam dá um treco pra Kate e a instrui a cortar o dedo de um carinha se ele não cooperar (esses são os mocinhos da história. Como sabemos pela Guerra do Iraque, até os heróis têm que usar métodos de tortura). A Kate replica: “Vou cortar outra coisa”. Um grupo de guris perto de mim riu e gritou “Caraca!”. É, acho que era a isso que ela se referia. Daí o assistente do Van Helsing, terrível contra os insetos, só contra os insetos, que funciona como alívio cômico sem graça, desenvolve uma arma que imita a luz do sol, mas ele não sabe pra que serve. Vejamos: vampiros... Trevas... Morcegudos morrem quando expostos ao sol... Mas nossos brilhantes heróis só vão descobrir a utilidade de tal invenção no final, sabe? E lógico que existem várias horas do chá na película. Eu explico. O vilão vai morder a mocinha. Basta mordê-la e ela morre, ou algo terrível desse tipo. Mas antes o vilão passa uma eternidade ameaçando a beldade, e ela se salva na hora h. Troca o disco, gente! Quer mais? Olha, tem uma cena muito esquisita: um lobisomem tá meio agachado, de costas, e o assistente aciona um símbolo fálico automático e parte pra cima dele a mil. É só minha imaginação fértil ou nada é por acaso? Ah, e tem também a indefectível cena de veículos explodindo. O chato é que, como a ação se passa no século 19, não há carros. O jeito é carruagem ir pelos ares. Agora, o que possivelmente pode fazer uma carruagem explodir? A flatulência dos cavalos?

Outro ponto legal é o da censura. “Van Bobo” é PG-13 nos EUA, ou seja, os menores de 13 devem ir acompanhados de seus infelizes pobres pais. Mas como uma aventura tão violenta, com mortes e monstros o tempo inteiro, pode ser classificada assim? Fácil. É só tirar qualquer conteúdo sexual e tudo passa. Os lobisomens são 100% peludos mas, quando eles voltam à posição Homem, eles já surgem com uma tanga à la Tarzan. Se pelo menos o filme mostrasse os balangandãs dos sujeitos, talvez eu não tivesse dormido tanto durante a sessão. E note que as noivas do Drácula viram monstras voadoras nuas, mas – detalhe – sem os mamilos dos seios. Este detalhe é fundamental. Mamilo de seio é quatro anos a mais de censura na certa! Viva o liberalismo americano!

A menos que “Van’ Bora” vá (Deus proíba) indiscutivelmente mal na bilheteria, pode ir se preparando pra parte 2. Eu adoraria prestigiar a continuação, mas estarei ocupada na ocasião afiando meus crucifixos. Ou são estacas que matam esse lixo puro?

2 comentários:

Elizabeth Resendiz disse...

Este tipo de filmes que eu amo, terror e horror são para o meu gosto , como uma nova série de Terror Eu tenho Biendo , me fascina.

Anônimo disse...

Lola,assino em baixo de tudo aue vc edcreveu.Sua crítica é fantástica. O filme é uma droga,uma palhaçada. Nunca vi um Dracula tão canastrão!Roteiro péssimo. Só prestaram as vampiras nas cenas iniciais.