sexta-feira, 28 de novembro de 2003

CRÍTICA: FREDDY VS JASON / Morte aos adolescentes

Chegou o filme que todos nós dementes, nós que gostamos de ver gente cortada em picadinho, estávamos esperando: “Freddy vs. Jason”. E, como você pode imaginar, o negócio é uma enorme frustração. Não tem graça e não assusta. O que sobra de um filme de terror sem esses dois ingredientes? Não muita coisa. Mas lá estava eu no meio da sessão cercada por um monte de adolescentes. Comentei com o maridão que ele era a pessoa mais idosa daquela sala, e ele disse: “Mais respeito! Eu sou o único aqui que viu o primeiro ‘Sexta-Feira 13’ e ‘A Hora do Pesadelo’ no cinema!”. É verdade: esses troços são, respectivamente, de 1980 e 84. Acho que nem os pais dos adolescentes vendo “Freddy vs. Jason” tinham nascido na época.

Sério, os dois serial killers do celulóide viraram ícones, e já faz tempo. Entre ambos, eles geraram 17 filmes. Nem todos lucrativos, e boa parte deles baratinhos. Na realidade, o gênero horror (também conhecido como slasher movie) estava bem falido até que a série “Pânico” veio ressuscitá-lo. “Pânico” já era uma paródia desses produtos, e com a comédia “Todo Mundo em Pânico”, então, inventaram o pastiche do pastiche. Como fazer hoje um filme em que uma moça peituda ande semi-nua pela floresta à noite sendo perseguida por um maníaco mascarado portando um facão? Ué, só como piada. Se for sério não vai funcionar. O último “Sexta-Feira 13”, “Jason X”, até que dava certo porque ria de si mesmo. Mas “Freddy vs. Jason”, do diretor Ronny Yu (do escandaloso “A Noiva de Chucky”) é todo sisudo, com raríssimos momentos de auto-paródia. Se bem que alguém deve estar gostando, porque esta joça fez sucesso nos EUA.

É difícil mesmo explicar a longevidade desses caça-níqueis. A de “Sexta-Feira” a gente até entende: os adolescentes sacrificados na série são todos pecadores, merecem a pena de morte após fazerem sexo e fumarem maconha. Não é mera coincidência que a franquia surgiu e floresceu nos anos Reagan. Jason não usa máscara para conciliar sua identidade, já que todo mundo sabe quem ele é – ela serve pra que a gente possa se colocar no lugar dele e degolar com requintes de crueldade aquela gostosa da escola que nunca nos deu bola. Quer dizer, agora você vê porque o gênero conquista muito mais fãs masculinos que femininos, né? Parece que nós, mulheres, não nos escandalizamos tanto assim com sangue. A gente menstrua todo santo mês e sobrevive. “Freddy vs. Jason”, não por acaso, proporciona várias oportunidades para que os atores chamem as atrizes de “vadias”, geralmente antes de cortá-las ao meio.

Não existe sujeito mais chato no mundo que o Jason. Ele não fala e usa máscara de hockey, que nem é um esporte popular. Convenhamos: praticamente todos os filmes da série são variações sobre o seguinte tema – um jovem diz: “Ueba! Vamos passar as férias no acampamento Crystal Lake!”, e o outro responde: ”Lá onde tem um maluco que estripa adolescentes?! Massa!”. São suas famosas últimas palavras. Em “Facas Guinzu vs. Meias Vivarina”, Jason se sente em casa quando ataca jovens numa rave. O terrível é que, ao juntá-lo com Freddy Krueger, constatamos o que sempre desconfiamos: que a série “A Hora do Pesadelo” é infinitamente mais elaborada que “Sexta-Feira 13”. Perto do Jason, Freddy é um intelectual. Sempre gostei da idéia que ele nos mata durante os sonhos, e que não podemos dormir pra continuar vivendo. É como se o Freddy representasse o id, sabe, o princípio do prazer, e Jason o super-ego, o princípio da moralidade. Zuzo bem, tô forçando um tiquinho, desculpa.

Tanto “Sexta-Feira 13” quanto “Pesadelo” já revelaram astros como Kevin Bacon e Johnny Depp, mas acho que as chances desses atorzinhos medíocres de agora crescerem e aparecerem são remotas. Pensando bem, qual a finalidade de encenar um duelo até a morte entre dois vilões que já estão mortos? Na saída, eu tava tão decepcionada com o Jason e o Freddy que falei pro maridão: “Argh, quero que os dois morram!”. E ele: “Meu anjo, todo mundo quer isso desde a terceira sequência”.

6 comentários:

Elisa Maia disse...

Lola, eu não acho exagero comparar o Jason ao superego não. XD Acho que ele funciona muito bem como isso. Mas olha, eu odeio o Freddy! Ele é um misógino do c4r4lho!!! Todas as suas vitimas principais são mulheres, e elas sempre sofrem assédio ou abuso sexual dele. P0rr4, você não ficou chocada com aquela cena dele transando com uma mulher morta, ou dele enfiando as garras embaixo da camisola da protagonista? O Jason é mais igualitário, mata tanto homens quanto mulheres, e não pratica violencia sexual (quer dizer, tem as classicas mortes antes/durante/depois da transa, mas nada tão explicito quanto um Freddy sussurrando pra garota que "a primeira vez tende a fazer um pouco de sujeira").

Enfim, eu torci pelo Jason.

jhonny jhonson disse...

critica de bosta sua vaca do caralho o jason nao é chato sua bosta o que tem a ver filme de terror com esporte popular vc nao entende porra nenhuma do filme dos dois entao vai assistir novela e enfia essa merda dessa porcaria de site escroto no seu cu seu pedaço de lixo do caralho vai se fude.

lola aronovich disse...

Jhon Jhon, isso quer dizer que vc não vai comprar meu livro com crônicas de cinema?

Patty Kirsche disse...

Incrível como o vocabulário do Joãozinho é rico, né? Uma certa obsessão por cocô e ânus, devo entender que ele ainda está na fase anal do desenvolvimento? Não sabe nem conjulgar palavrão... Está precisando muito ler, menino. Não compra o livro da Lola mesmo, compra uma gramática. =P

Anônimo disse...

"o jason não é chato" hahahaha. Argumento mais engraçado já visto em caixa de comentários de blog.

Chiyoko disse...

Pra que serve um fã/troll semi-analfabeto? Pra fazer todos rirem. Agora, Patty, não precisa dele comprar gramática. Tem uns sites bons e gratuitos que prestam esse tipo de serviço.