terça-feira, 9 de agosto de 2022

MACHOPALESTRINHA, A ESTÁTUA

Eis a estátua definitiva para representar a prática do mansplaining, muito bem traduzida para machopalestrinha. Estou esperando os homi virem aqui explicar o que é feminismo pra gente.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

NINGUÉM AGUENTA MAIS O COISA RUIM

Dois tuítes que dizem muito sobre Bolso e o ânimo dos brasileiros para tirá-lo do poder pra sempre: um do Chris Gonzatti, da Diversidade Nerd (com quem fiz esta live muito bacana faz um tempinho), e um da Xuliana. Ainda bem que faltam menos de dois meses pras eleições mais importantes da nossa história!


quinta-feira, 4 de agosto de 2022

EXCELENTE PERGUNTA

Pois é: se brincar com arma não incita a violência, por que vocês reaças conservadores bolsonarentos têm tanto medo quando menino brinca de boneca?

terça-feira, 2 de agosto de 2022

NAZISTINHAS INCELS AMEAÇAM DUDA, MANU E SÂMIA

Os nazistinhas não param de atacar. Domingo à noite Duda Salabert, a vereadora mais votada da história de Belo Horizonte, entrou em contato comigo para pedir orientações.

Ela, que junto a outras vereadoras trans e negras recebe ameaças de morte e estupro desde 2020, foi ameaçada mais uma vez, por email, por um rapaz que assinava como William Maza dos Santos, e se despedia com o típico 14/88, uma saudação nazista. 

Digitando o nome de William, chega-se a um comentário anônimo deixado no meu blog em meados do ano passado, contando algo costumeiro dos incels de chans (fóruns anônimos): a briga entre os membros. Quando brigam, um expõe o outro, espalhando fotos e dados pessoais do novo inimigo. Também é extremamente comum um cara ameaçar uma política ou celebridade com o nome daquele desafeto para tentar incriminá-lo. 

Por isso, é bem possível que o neonazi ridículo que tenha enviado as ameaças mais recentes a Duda não seja William, e sim alguém se passando por ele. Não cabe a nós descobrir, mas à polícia.

O que ficamos sabendo bem rapidinho é que quem ameaçou os jornalistas Lucas Neiva e Vanessa Lippelt, do Congresso em Foco, por uma matéria publicada em junho sobre como o 1500chan produz fake news em massa para Bolso, também foi William, ou alguém se passando por ele.

Ontem também foram divulgadas novas ameaças a Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) e sua filha Laura, de 6 anos. A menina é ameaçada desde que nasceu, e é incompreensível que até hoje ninguém foi preso. Manu, que respira política desde os tempos de estudante, desistiu de se candidatar este ano por conta das ameaças.

Como ela escreveu no seu Instagram, "Ser uma mulher pública no Brasil é ser ameaçada permanentemente. É escolher um lugar para o medo, outro para a coragem, outro lugar pro fingir ignorar. Ser mulher pública é conviver com a ameaça de estupro como correção pela coragem, com a ameaça de morte como silenciador".

Duda, que além de vereadora é professora, não ia se candidatar este ano. Porém, diante das ameaças, que fizeram com que ela perdesse o emprego numa escola particular, e também porque é mais fácil conseguir proteção no Congresso do que numa Câmara de Vereadores, ela decidiu concorrer à deputada federal (pelo PDT). Tomara que ganhe com excelente votação!

Esse tipo de ameaça é o que chamamos de violência política de gênero. São ameaças terroristas que alvejam mulheres, sempre com a intenção de calá-las. Não conseguirão. Toda minha sororidade a Duda e Manu, guerreiras que conheço pessoalmente e que têm a capacidade de mesclar força e doçura.
 
UPDATE: Agora à noite veio a notícia que a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) também foi ameaçada, ainda na semana passada. O mesmo esquema de xingar de vagabunda, de ameaçar filho e marido e de fechar com saudação nazista. Aposto que é assinado por William também. Ou seja, não é ele. É alguém fazendo hora extra para incriminá-lo. Óbvio que todos eles são nazistas repulsivos. Que continuem! Serão presos e talvez a polícia encontre outros nomes da quadrilha no computador. De quebra, ajudam a eleger ou reeleger as políticas que ameaçam, porque todo mundo fica do lado delas. Ninguém concorda com barbárie de incel.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

AS PLATAFORMAS SOCIAIS QUE CONHECEMOS VÃO ACABAR

Não estou no Instagram nem no Facebook, mas venho notando que, no Twitter, minha timeline muitas vezes não é composta pelas 189.500 pessoas que me seguem e nem das 13.400 que eu sigo. Tá cheio de gente estranha. Muitos têm reclamado da mesma coisa.
Pra entender melhor este fenômeno (uma decisão errada das plataformas), reproduzo este ótimo artigo publicado ontem na Folha pelo advogado Ronaldo Lemos, que também é diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Na semana passada houve muita gente furiosa com as mudanças que o Instagram está implementando. A rede social que surgiu com fotos está cada vez mais tornando-se uma plataforma para vídeos curtos e ficando cada vez mais parecida com o TikTok. Após protestos de influenciadores importantes (como as irmãs Kardashian) o Instagram voltou atrás em algumas das mudanças. No entanto, as reclamações só atrasam o processo. A mudança do Instagram (e do Facebook como um todo) é profunda e inevitável.

Mais do que isso, a reconfiguração das plataformas da empresa tem o potencial de produzir impactos enormes não só sobre a indústria de tecnologia, mas para a sociedade como um todo. Por isso é importante entender exatamente o que está acontecendo.

O Instagram e o Facebook estão gradativamente abrindo mão do chamado social graph. O termo em inglês diz respeito às pessoas que você se conecta, que decidem seguir você e que você segue. Em um mundo em que as instituições coletivas estão cada vez mais enfraquecidas, a sua rede social é o que existe mais próximo no mundo digital de uma comunidade. É a sua tribo no mundo online, as pessoas que você decidiu acompanhar a vida e que decidiram acompanhar a sua.

É dessa comunidade que o Facebook e o Instagram estão querendo se livrar. A ideia é que quando você entrar nessas plataformas, o conteúdo que aparece para você não venha mais das pessoas que você decidiu seguir.

O algoritmo vai buscar conteúdos produzidos no mundo todo, por pessoas que você não sabe quem é e que podem nem viver no mesmo país, e mostrar aquele conteúdo para você caso determine que é algo que pode te interessar.

Em vez de comunidades, as pessoas vão se conectar com uma massa amorfa e abstrata, com a qual não têm nenhuma conexão direta. Para quem produz conteúdo isso torna o jogo totalmente diferente. Você não vai falar mais para uma plateia que é sua. Cada conteúdo que postar vai competir por atenção com outros conteúdos postados no mundo inteiro. Sabe-se lá onde seu conteúdo irá chegar e, na maioria dos casos, chegue somente para desconhecidos ou não chegue a lugar nenhum. Em outras palavras, é você contra o mundo.

Atualmente cerca de 20% dos conteúdos que já são mostrados para os usuários no Facebook e Instagram não vêm mais do social graph, mas diretamente da decisão do algoritmo onisciente que fica pinçando o que acha que você vai gostar. A ideia é subir esse percentual. Qual o teto? 60%? 80%? Hoje ninguém sabe.

As consequências sociais disso são profundas. Se o ocidente já vive uma crise de individualismo exacerbado, essas mudanças (que estão sendo puxadas pelo TikTok) têm a capacidade de aprofundar a atomização das pessoas. Elas dinamitam o último bastião de coletividade ainda possível no universo digital. Nossa tribo será uma só: o algoritmo. Vai importar cada vez menos quem você segue. O algoritmo vai gerar um broadcast incessante e probabilístico, baseado na medição dos nossos estados mentais mais subjetivos. Nuvens de conteúdos globais vão viajar como aves migratórias parametrizadas.

Nas redes ditas sociais você estará sozinho, relacionando-se principalmente com fantasmas e ilusões plantadas na frente dos seus olhos por um software onisciente.