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Queridas pessoas, vocês que moram no Rio estão cordialmente convidadas para
irem a minha palestra e a do grupo de gênero amanhã, a partir das 18 horas (calculem umas duas horas, entre atrasos, discussões, perguntas etc), no IFCS da UFRJ. A minha palestra se chamará “Gênero e mídia: o problema dos estereótipos”, e eu tô preparando umas coisas bem legais, só que ainda falta muito, e eu não deveria estar escrevendo este post, e se eu não acabar a tempo vou ter que sapatear no palco. Palco?! Tava marcada pra uma sala, mas me falaram que a procura estava muito grande (falaram mesmo, o que me deixou preocupada e ansiosa), e pode ser que tenha sido transferida pra um auditório.
No dia seguinte, terça, das 9 às 13 horas, darei uma aula inaugural sobre gêner
o, educação e blogs para a especialização do Curso de Coordenação Pedagógica. Inicialmente fui convidada só pra essa aula, mas o pessoal começou a pedir uma palestra, e decidimos marcar a palestra também. Bom, a aula inaugural tem tudo pra ser muito interessante (o tema é ótimo). A professora Susana, da Faculdade de Filosofia, que é coordenadora do curso e foi quem me convidou, disse que a UFRJ não está divulgando muito essa aula, mas que o auditório é grande e quem quiser ir, pode ir. Só que é longe, no campus do Fundão -- Auditório do Centro de Tecnologia (CT), situado na Avenida Athos da Silveira Ramos n⁰ 274, Bloco A.
Meu tempo no Rio será super corrido. Chego amanhã às 4 da tarde no aeroporto e já volto pra Fortaleza às 18 h do dia seguinte. Mas espero que dê tempo pra falar com todo mundo. Quero muito conhecer todo mundo que está me mandando mensagens tão carinhosas. Eu morro de vergonha, não entendo essa empolgação toda, mas não vou negar que gosto. Obrigada por tudo, pessoal!
Aproveito pra comunicar à galera de Franca – SP que, na semana que vem (dias 12 e 13), estarei aí pra duas palestras: uma na Faculdade de Direito de Franca (a gente já definiu o título: “As faces do machismo e a relevância do movimento feminista hoje”), e outra na Unesp (“Como a mí
dia engessa as mulheres”). Lá será bem menos corrido que no Rio, porque ficarei duas noites. Só quero ver quando vou preparar as palestras...
E pra quem mora em Fortaleza, fica o convite pro curso de extensão Análise dos Preconceitos na Mídia. Será uma quinta-feira a cada duas semanas, das 11 às 13 h, na UFC, campus Benfica, sala de reuniões do DLE. O curso é aberto a toda comunidade (não precisa ser alun@ da UFC), é grátis, vale certificado, e é muito bacana. Mesmo. Eu tinha marcado pra começar as aulas na quinta, dia 8/3, mas terei reuniões nas próximas quintas, então adiei a primeira aula pro dia 22/3. Vá lá se inscrever na UFC.
Agora eu realmente preciso acabar de preparar tudo pra amanhã e terça... Vejo vocês lá. E quem quiser falar comigo, por favor, vá falar comigo. Lembrem-se que eu não conheço ninguém pessoalmente e que tenho péssima memória visual. Vai ser difícil eu reconhecer alguém pela fotinho do Twitter...
E aquela lá no fundo é a Marilyn Monroe!Dei tanta informação errada sobre a Alexandra, a grande vencedora do meu bolão do Oscar deste ano, que estou até com vergonha. Certo, não tanta vergonha quanto a vergonha alheia que eu tenho de uma hater. Ela diz me odiar e, por tabela, odiar o blog. Diz que nunca me lê, mas não para de fal
ar de mim. E ela reclamou pras amigas que eu fiz dezoito posts sobre o Oscar. Tipo, ela teve o trabalho de contar (não sei se a conta está correta, porque eu não contei). Agora, pra quem odeia o blog e não o lê de jeito maneira, que diferença faz se eu escrevi trezentos ou três posts sobre o Oscar?Ok, agora voltando a falar de criaturas inteligentes, como é o caso da Alexandra. No post em que falo do vexame que foram minhas apostas, eu disse que a Ale mora em Montreal. Ahn, não. Ela tá morando em Nova York, antes morava em Madrid. Eu também disse que ela participava do bolão desde 2008. Ela disse que não se lembra, mas que acha que começou em 2003, ou antes. E que esta não é sua segunda vitória (consecutiva) -- que ela já ganho
u outras vezes. Por que as pessoas têm a necessidade de esfregar essas coisas na sua cara? Por quê?Como a Ale é fina, ela não quis sapatear em cima de mim, e escreveu um textinho tão curto que talvez nem a hater que nunca lê o blog possa reclamar:Veni, vidi, vici! Melhor do que ganhar o bolão é ser bicampeã, garantindo o recorde do bolão pago, e ganhar sozinha para coroar! Há alguns anos já participo do bolão e sem dúvidas isso torna a experiência muito mais emocionante. Não gostou dos filmes? Está achando a cerimônia chata? Não está concordando com os resultados? Tudo isso fica com um peso menor do que acompanhar suas apostas na tabela e se deliciar, como no meu caso, vendo que depois de sair na frente ir mantendo a liderança. O que foi uma grata surpresa: esse ano eu não esperava ganhar e fiz as apostas na última hora, o que prova que há chances
para todos. Como não se lembrar do ano da Lola apostando tudo no Senhor dos Anéis sem nem mesmo ter visto o filme, e se sagrando vencedora graças aos seus adorados hobits? Dedico minha vitória em especial para o Júlio César, sim, o mesmo das tabelas. Mais do que ganhar, ele quer uma pontuação maior do que a minha. Esse menino que nada sabia entrou no bolão por meus braços e se transformou em uma verdadeira Eve para minha Margo. Quem sabe no próximo ano, não é mesmo, Jules? Boa sorte, vai precisar, porque eu estou indo é para o tri! Sou eu de volta. A Ale tinha que lembrar do ano em que vendi minha alma e chutei os hobits pra tudo, né? Acho que preciso explicar as referências pro pessoal muito novo: gente, por favor, vejam A Malvada, sobre fãs que querem o seu lugar ao sol, com a diva Bette Davis não no papel-título (aliás, o tít
ulo original deste clássico de 1950 é All About Eve, Tudo sobre Eva, e não tem nada a ver com Adão. De quebra, A Malvada é a inspiração para um dos melhores filmes do Almodóvar, Tudo sobre Minha Mãe). Pior é que, nesta troca de emails entre Alexandra, Júlio e eu, o Júlio manda uma mensagem e um link: “Pode guardar esta foto pois ela será usada no meu guest post de comemoração por ganhar o bolão em 2013!”. E lá vou eu, toda animada, esperando encontrar um Júlio no mínimo em trajes íntimos, e a foto é...
...da Anne Baxter! Pô! Enfim... Parabéns, Ale, sua malvada!
Julia me enviou um relato gostoso, que aponta que não precisamos apenas combater os preconceitos dos outros, mas os nossos também. Vamos ao post.Adoro seu blog, acompanho religiosamente embora comente muito pouco.
Depois de ler várias coisas interessantes, fiquei com vontade de fazer uns comentários e contar umas histórias minhas.
Causo 1. Gatas e sapatosEu e umas seis amigas (todas moças cultas, com boa formação e independência financeira) conversando sobre assuntos variados, quando a conversa recaiu sobre sapatos. Aí veio a sequência de relatos:Amiga 1 - Eu adoro sapatos de salto, mas eles me machucam muito porque meu pé é gordinho, então tudo aperta.Amiga 2 - Eu também tenho problemas com isso: meu pé é largo, meio grande, então nunca dá certo.Amiga 3 - Meu
problema sempre foi que meu pé é muito fino, então nenhum sapato ajusta direito... É um inferno! Tudo machuca.Amiga 4 - Eu acho que tenho a pele muito fina, então sempre forma bolhas...Amiga 2, tendo o insight - Olha... ouvindo vocês, estou chegando à conclusão de que o problema não é com nossos pés, mas com os sapatos femininos, que são feitos para machucar! E, o surpreendente não é que as empresas façam sapatos que machuquem, mas que a gente automaticamente assuma que o defeito é em nosso pé, não no sapato!Causo 2. Vergonhas de moça
Eu estava em um churrasco com colegas da pós-graduação, e acontecem os seguintes fatos:A certo ponto, chegam duas meninas e mais um rapaz. As meninas eu conheço, uma é mestranda e outra é pós-doutoranda; o rapaz, nunca vi. Rapidamente reparo que o rapaz é bonito, bem musculoso, relativamente mais jovem que o resto da turma (parece ter uns 22 anos) e chama a atenção porque está vestido como um "mano", calça larga, gorro na cabeça (desculpe o estereótipo). Quando me apresentam, vejo que ele tem um nome que reforça meu preconceito de classe, porque é daqueles que misturam inglês com português, preferidos por pessoas pobres.Mais adiante, vejo a pós-doutoranda beijando o rapaz. Confesso que percebo o casal como "estranho", por causa da diferença de idade, porque o rapaz é mais bonito que ela e, também, porque ela é muito
mais culta que ele... Ou seja, "não combina". Mas me acostumo com a ideia rapidamente e não penso mais no assunto.O churrasco continua e a certo ponto vejo a moça chorando. Vou conversar com ela e ela explica que está sofrendo porque as colegas a estão tratando mal por ela ficar com um rapaz pobre e ignorante. E ela ainda continua explicando que foi gorda por muito tempo e passou anos desejando homens que não podia ter. Agora, depois da operação de estômago, ela finalmente pode ter um cara bonitão e bom de cama, então quer ser respeitada por isso.Eu imediatamente entendo o que ela está passando e dou o maior apoio, mas não adianta muito porque ela está realmente sofrendo.A história me fez refletir: por que quando vemos um cara com uma gostosa, acha
mos que ele é o bonzão? E quando vemos uma menina na mesma situação, achamos que ela está agindo mal? Como se justifica essa ingerência nos desejos alheios quando ela vem de amigos próximos, de pessoas bem educadas, de gente que supostamente é tolerante? Tão difícil entender que uma mulher possa estar feliz em uma relação que se baseia no sexo?
Num fórum mascu, um membro resolveu contestar um dos “conceitos básicos da Real”, que é que mulheres não gostam de sexo. Ele acabou sendo banido. Meus comentários estão em itálico e negrito e com outra letra. Os dos mascus estão em letra normal, em homenagem à normalidade deles.
Várias vezes me deparo com esse tipo de comentário "Mulheres não gostam de sexo" acho uma grande falácia dentro da real, gostam e muito, umas até mais que muitos homens, não gostam de sexo com betas, nerds, semi-virgens, mais molham a calcinha e imaginam varias safadezas com alfas, destacados, esse tipo de pensamento muito difundido na real é enganoso ao meu ver, conheço muita mulher que é compulsiva por sexo não ficam uma semana sem levar rola.
Esse questionamento filosófico causou grande rebuliço nos guerreiros. E alguma impaciência: Quantas vezes vamos ter que voltar nesse assunto, mulheres gostam de sexo sim mas não tanto quanto a gente, isso já foi biologicamente comprovado, claro que elas vão dizer que gostam e algumas até fazem bastante sexo mas é tudo teatro e enganação, elas gostam mesmo é de EMOÇÕES FORTES, tanto faz pra elas se isso vem através do sexo, de um pedaço de chocolate ou de compras.Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.
Mulher caga e anda para a maior parte dos homens, se eu dependesse de uma mulher sentir tesão e ir atrás de mim estava virgem até hoje. Não se iluda, elas vão te tratar infinitamente como lixo humano, elas não tem qualquer humanismo, irão te pisar fundo e vão te desprezar a vida inteira. A única saída é vc comprar quando puder uma vaquinha de presépio para sexo. Nós somos terríveis. Tão terríveis que dizemos que homens não têm nenhum humanismo e nos referimos a eles como vacas. Quer dizer, como búfalos. Quer dizer, búfalo não tem a mesma conotação negativa.Mulher nenhuma gosta de sexo, pois para ela não tem a mesma importância que tem para os homens. Não se esque
ça da regra básica da diferença entre homens e mulheres: Homem : Libido (o sexo é uma necessidade fisiológica, seu instinto reprodutor tem a mulher como fim); Mulher : Status (Físico/social/Financeiro).Eu fico confusa, porque mascus são aqueles caras que dizem que não vão casar ou ter filhos de jeito nenhum pra não ter que sustentar vagaba. E, segundo eles, mulheres são aquelas que vão atrás de camisinha usada na cesta de lixo pra tentar engravidar. Esses instintos reprodutores estão tão caóticos hoje em dia...Mulher não gosta de sexo e ponto final. Há uma grande diferença entre gostar de sexo e putaria , mulheres odeiam sexo mas adoram putaria. A mulher transa co
m 100 homens em um ano se ela quiser, mas ela nunca vai transar 100 x com o mesmo homem no mesmo ano. Nunquinha! Mulheres casadas que fazem sexo duas vezes por semana com o mesmo marido, vocês não existem! Ou seu homem não é o mesmo homem, e você nem reparou. Isso é um conceito tão básico, não sei como nego não entende. Se 90% das mulheres são p*tas diretas ou indiretas, me expliquem como elas podem gostar de sexo... Não consegui acompanhar a lógica irrefutável. Perdi a concentração no 90% das mulheres são p*tas. Mulheres odeiam sexo e sentem nojo de homens. E tem nego q fala que mulher gosta MENOS de sexo que homem,
o que tb é uma puta falácia, na verdade mulher não gosta NADA de sexo. Se gostassem o mundo seria um eterno bacanal, não existiria isso de 20% dos homens comerem 80% das mulheres.Pois é, não existiria MESMO essa história ridícula inventada por mascus de que 20% dos homens transam com 80% das mulheres... e os 80% restantes dos homens ficam chupando o dedo, vendo futebol na TV, ou escrevendo em blogs misóginos.Mulheres gostam mais de fingir orgasmo do que senti-lo. Fingem tão bem que elas mesmas acreditam que gozaram.
Fingimos orgasmo para nós mesmas. E fingir é tão bom que.. pra quê orgasmo mesmo?Que coisa mais óbvia. Se mulher gostasse de sexo liberaria pra qualquer homem independente de seus status e não teria frescura de preliminares. Preliminar não é sexo. É frescura de mulher. Anotem no caderninho.O fato das mulheres estarem com fogo no rabo hoje não quer dizer que elas estão doidas pra fazer sexo,como a gente.Elas só querem é tentar dar essa impressão de máquinas do sexo,só como forma de tentar se igualar aos homens. Além de não go
starmos de sexo, somos umas dissimuladas. Fingimos ser máquinas do sexo só pra tentar igualar os homens. Quer dizer, só aqueles 20% dos homens que fazem sexo.Se tirar o orgasmo do homem, acabou o sentido de viver. Se tirar da mulher, isso não vai interferir muito em sua vida.Então todos aqueles insultos de “mal amada” foram à toa? Já que não faz diferença na nossa vida se temos ou não sexo, se gostamos ou não...Um cara que diz que mulheres gostam de sexo com certeza nunca namorou e nem viu uma b*ceta na vida, qualquer homem que já tenha tido um relacionamento sério, sabe que as mulheres são cheias de frescura e as vezes pra se ter sexo é preciso fazer milhões de agrados para a sua namoradinha mediana...Se mulheres gostam t
anto de sexo, porquê tem milhões de caras no mundo que não conseguem nem levar um selinho ? Imagino que existam inúmeros fóruns dedicados a esses caras que não conseguem nem um selinho. E não conseguem porque nós não gostamos de sexo, não porque não gostamos de homens desagradáveis e machistas que ficam falando que não gostamos de sexo.Os meus ultimos dois namoros as mulheres NUNCA negaram sexo, e duraram mais ou menos 1 ano cada um. Elas queriam mais sexo que eu. Mas isso não significa que elas gostem de sexo. Como eu era desapegado nos namoros elas queriam me domar. Arrisco dizer que elas preferem comprar um sapato caro ao invés de fazer sexo com um alfa bombado. Claro, né. Mas não é porque a gente gosta de sapatos. É porque queremos domar os saltos.Se elas não gostam de sexo, o clitóris é um caroço inútil então?
Não responda, ô do caroço! Eles têm a resposta:Pois é, inútil eu não diria.... mas olha o tamaínho daquilo ali.... (comparado à um pênis)...Pra tú ver a importância que tem... Entendi: tamanho é importante. O que significa que os atores pornôs, aqueles bem dotados, é que gostam de sexo. Já o resto dos homens e seus pênis de tamanho médio entre 12 e 14 cm não gostam. Ou pelo menos sexo não tem importância pra eles.Esse tópico ta me dando câncer. Fóruns mascus deveriam vir com advertência. O Ministério da Saúde adverte: ler um bando de preconceituosos pode causar câncer. Ou no mínimo danos cerebrais irreversíveis.
José Tarcísio Costa tem 25 anos, é de Campinas e está morando na Europa desde agosto de 2010. Depois de um ano na França, agora está em Estocolmo, onde cursa mestrado em Física. Em suas palavras: "Sempre tenho interesse
em fazer uma imersão na cultura do país em que estou vivendo. Acho um desperdício de oportunidade morar num país diferente e ficar só focado na Física. Por essa razão procurei conhecer pessoas nativas e também estudar mais sobre a cultura local e acabei descobrindo essa disciplina voltada pra estrangeiros, na faculdade onde estou". Então vamulá. Acho que vocês vão gostar do que o Zé tem a dizer.
Acompanho seu blog como um religioso e sempre acho muita coisa interessante. Hoje estava discutindo com uns amigos sobre a igualdade entre os sexos, machismo, feminismo e etc, quando me dei conta de que muitos homens usam a "diferença natural" dos sexos pra justificar certas atitudes machistas, algo que eu achei absurdo. Contei para eles sobr
e a minha experiência na Suécia e muitos não acreditaram que as coisas aqui realmente são do jeito que são. Inclusive eu não acreditava muito antes de viver aqui, então achei uma boa ideia te escrever pra contar sobre isso. Não sei se você conhece bem como as coisas funcionam aqui, mas em todo caso...
Eu sempre ouvi falar da extrema igualdade entre os sexos na Suécia, mas nunca tive ideia da real extensão disso até vir morar em Estocolmo e cursar uma disciplina chamada "Sociedade e Política Suecas" no Instituto Real de Tecnologia (KTH) e, claro, viver dentro dessa sociedade. A primeira coisa que aprendi e, não tinha a menor ideia, é que a "licença maternidade" por aqui dura 480 dias, que podem ser divididos entre os pais (sendo o mínimo de 60 dias obrigatório para cada um deles).
Entretanto, a igualdade aqui vai além das leis, ela já está bem imersa na cultura dos suecos devido à ed
ucação pela igualdade que eles recebem desde a infância. Eu conversei com algumas garotas mais novas do que eu, na faixa dos seus 20 anos, e perguntei como ocorria o flerte por aqui. Isto é, perguntei como elas agiam quando se interessavam por algum rapaz e a resposta foi unânime: "Vamos falar com ele, oras." Continuei e perguntei se isso não fazia com que os rapazes as vissem como fáceis ou algo do tipo, e pra isso recebi caretas de desaprovação: "Como assim? Por que eu seria julgada como sendo fácil ao conversar com um garoto que me interessa? Não é isso que eles fazem quando estão interessados em alguém?" Tentei explicar pra elas como as coisas funcionam no meu país de origem e vi qu
e elas acharam tudo um pouco absurdo. Para ter certeza de que elas não estavam só falando isso da boca para fora, resolvi conversar com rapazes na mesma faixa etária e, novamente por unanimidade, todos eles me confirmaram que o sistema por aqui é de mão dupla: "Se nós estamos interessados em uma garota vamos falar com ela, se elas estão interessadas em um de nós elas vêm conversar conosco. Nada de mais."
Decidido a levar o assunto um pouco mais a sério e a fundo, resolvi sair com um grupo de amigos e ir a um bar e depois a uma balada para tentar observar o comportamento das pessoas. Em princípio não vi muitas diferenças em comparação à vida noturna no Brasil ou na França (país onde eu vivia anteriormente), mas depois de algum tempo pude constatar o que tinha ouv
ido. As coisas por aqui realmente acontecem em mão dupla, não existe essa de mulher ter que ficar fazendo "charminho" para que o homem vá falar com ela. Se ela está realmente interessada, ela vem e conversa, e não há nenhum problema nisso. Após essa experiência, voltei a conversar sobre esse assunto com vários suecos e suecas de diferentes idades, e também com estrangeiros que vivem por aqui há algum tempo já. O que eu achei engraçado foi o depoimento que recebi de uma argentina que me disse que "a igualdade entre os sexos aqui era um saco porque acabou com o romantismo." Pedi para que ela me falasse mais sobre isso e ela me disse que um sueco não manda flores, não abre a porta do carro, etc. Levei esse assunto pra um grupo de nativos e eles me disseram que na verdade não era bem assim. Algumas garotas disseram que não viam razão para o rapaz abrir a porta do carro, uma vez que ela poderia fazer isso sozinha e, caso ele fizesse questão de fazer isso, ela faria o mesmo pra ele em algumas situações, por que não? Quanto às flores, todos diss
eram que na verdade eles mandam flores sim, nada impede você de fazer isso. Segundo eles, o romantismo fica até maior, porque não só os homens mandam flores, como as mulheres também.
Além disso, o homem sueco é mais participativo no lar, ele lava pratos, ele cuida das crianças, ele limpa a casa, sem que isso seja um problema para a sua masculinidade.
Eu achei tudo isso fantástico e, no meu ponto de vista, o mais importante é que mostra que é sim possível uma sociedade igualitária entre os sexos e que essa desculpa do "naturalmente diferentes" não cola. Reparei que existem muitas mulheres policiais por aqui, assim como muitos homens professores do maternal, coisa um pouco diferente do que acontece no Brasil.
Para finalizar, fiquei sabendo de uma escola onde a igualdade é levada mais a cabo ainda, o que gerou e ainda gera uma certa controvérsia por aqui. Nos subúrbios de Estocolmo existe uma escola ch
amada "Egalia" onde os professores evitam ao máximo "influenciar" a definição do gênero nos seus alunos. Nas palavras de um professor [ou professora?], Jenny Johnsson: "A sociedade espera que as meninas sejam sempre agradáveis e bonitas e os meninos viris e desinibidos. A Egalia lhes dá uma fantástica oportunidade de ser quem eles querem ser." Isso vai desde o espaço físico ao vocabulário utilizado. Em sueco han significa ele e hon significa ela; entretanto, nessa escola, foi inventado um novo termo, hen, que não existe oficialmente na língua sueca, pra ser usado em determinadas ocasiões. A diretora da escola Lotta Rajallin disse que esse termo é empregado em algumas situações como por exemplo quando um bombeiro, eletricista, policial etc vem visitar a escola. As crianças não sabem se será um
profissional homem ou mulher, então a escola dizez "Hen vem amanhã nos visitar", o que, segundo Rajallin, aumenta a perspectiva das crianças. Por que dizer "ele" ou "ela" quando não se sabe o sexo da pessoa que virá?
O espaço físico também evita definições. Na sala de brinquedos podemos ver blocos de construção ao lado de fogõezinhos, assim como carrinhos misturados às bonecas. As crianças podem escolher qualquer um deles pra brincar, não existe isso de que alguns brinquedos são de meninas e outros de meninos. Na biblioteca há livros com histórias infantis que tratam de temas como mães solteiras, casais homo e bissexuais, tudo com grande naturalidade. Cabe lembrar que essa escola é única, e esse não é o tipo generalizado de pedagogia utilizada na Suécia.
Em suma, posso dizer que
a minha experiência por aqui realmente está sendo fantástica. Eu sempre fui um defensor da igualdade entre os gêneros e sempre achei fraco o argumento de "diferenças naturais". Agora vivendo por aqui, eu pude ver que realmente essas "diferenças" podem ser superadas e a igualdade sim pode ser alcançada. Não é à toa que a Suécia é o primeiro país do mundo em igualdade, e um dos primeiros em termos de qualidade de vida. Se as coisas funcionam por aqui, por que não poderiam funcionar em outros lugares?