sexta-feira, 17 de setembro de 2021

UMA OU DUAS NOTAS SOBRE KILL ALL NORMIES

Faz pouco tempo acabei de ler Kill All Normies: Online Culture Wars from 4chan and Tumblr to Trump and the Alt-Right, (algo como "Mate todos os normais: guerras culturais online do 4chan e Tumblr a Trump e a Alt-Right"), um livro de 2017 escrito pela irlandesa Angela Nagle. 

Gostei mais ou menos. A autora parece ser fascinada por uma figura grotesca, Milos Yiannopoulos (que acabou sendo cancelado pela própria direita e hoje está meio no ostracismo, ainda bem), e isso me irritou um pouco.

Porém, Nagle aponta algo bem interessante em Kill All Normies: que o clichê de filmes sobre a escola americana (American high school) sempre mostrou que os piores machistas eram os que naquele universo altamente hierarquizado seriam os jocks, os atletas do ensino médio, descritos como cheios de músculos e sem cérebro. No entanto, com a internet, agora que podemos ver a vida interna das pessoas, uma das revelações surpreendentes é que o nerd que se considera um cara legal é muito mais cheio de ódio, racista, misógino e invejoso da felicidade alheia que o estereótipo de atleta.

Para ela, a alt-right (a direita alternativa), sem qualquer restrição cristã moral devido ao seu anti-moralismo nietzschiano (embora carregue a maior parte dos preconceitos da extrema direita tradicional), tornou-se mais transgressora e subversiva que a esquerda. Odeia tudo que seja mainstream ou conformista. 

De acordo com a autora, meio século depois dos Rolling Stones, depois de Siouxsie Sioux e Joy Division terem flertado com a estética fascista, depois de Clube da Luta, é a hora de por pra dormir os valores da contracultura e criar algo novo. Será?


5 comentários:

Anônimo disse...

A esquerda antes era subversiva, mas se tornou elitista demais. Não me surpreende que jovens busquem a alt-right, já que a esquerda se acomodou com o tempo.

Firewest disse...

Eu não entendi nada.

Anônimo disse...

"Nagle aponta algo bem interessante em Kill All Normies: que o clichê de filmes sobre a escola americana (American high school) sempre mostrou que os piores machistas eram os que naquele universo altamente hierarquizado seriam os jocks, os atletas do ensino médio, descritos como cheios de músculos e sem cérebro. No entanto, com a internet, agora que podemos ver a vida interna das pessoas, uma das revelações surpreendentes é que o nerd que se considera um cara legal é muito mais cheio de ódio, racista, misógino e invejoso da felicidade alheia que o estereótipo de atleta."

Os atletas musculosos sem cérebro, os nerds sem traquejo social, os celibatários involuntários, os esquisitos, os horrorosos, os doentes mentais e os rejeitados. Todos esses homens e outros semelhantes, juntos, não são tão perigosos e danosos como os piores machistas que existem, os mais insidiosos; até mesmo porque eles são fáceis para as mulheres terem nojo, odiarem, desgostarem, se afastarem, evitarem, recusarem e nem terem que chegar perto e conviver com eles, ou por outro lado facilmente controlarem e manipularem, caso dos musculosos sem cérebro. Os piores, os que mais se aproveitam das mulheres e as fazem de gato e sapato, são os bons atores, os bons mentirosos e enganadores, os ilusionistas, aqueles que fazem as mulheres acreditarem que eles são realmente bonzinhos, valorosos, superiores e indispensáveis. Estes são até venerados pelas mulheres como "exceções entre os homens" e vão as usando como querem....

Alan Alriga disse...

O canal ContraPoints fez um vídeo bem completo sobre os incel e sobre o 4chan, é em inglês mas têm legendas em português.
Link:
https://youtu.be/fD2briZ6fB0

Anônimo disse...

Uma revolução social genuína não pode ser realizada pelo macho, pois o macho que está no alto quer a permanência do status quo, e o macho que está abaixo quer unicamente ser o macho que está no alto. O macho “rebelde” é uma farsa. Esta é a “sociedade” do macho, feita por ele para satisfazer às necessidades dele. Ele nunca está satisfeito, porque não é capaz de se satisfazer. O macho “rebelde” revolta-se basicamente contra o fato de ser macho. O macho só muda quando é forçado a isso pela tecnologia, quando não tem escolha, quando a sociedade atinge o estágio em que ele precisa mudar para não morrer. Nós estamos nesse estágio agora: se as mulheres não mudarem rapidamente sua mentalidade, poderemos todos morrer.