quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

O SONHO ROUBADO POR SER MULHER

Hoje publico este ótimo post da Chrislly Catta Preta Fulgoni, servidora pública federal, sobre algo que não acontece com os homens.

Deveria começar escrevendo que sempre fui uma mulher empoderada e determinada. Estaria mentindo. Quando mais jovem, era apenas uma menina insegura quanto ao sucesso que poderia ter, tanto na vida pessoal como na profissional. Todas as experiências que me forjaram ao longo dos anos tornaram-me mais forte, reservada e confortável com quem sou e com quem desejo ser no futuro. As reflexões sobre o que é ser mulher se intensificaram após o nascimento da minha filha, em 2017.

Conheci aquele que mudaria muito de mim em 2006: meu marido. Um entusiasta do serviço público que me ajudaria incessantemente a estudar para que eu alcançasse aquilo que passara a ser um sonho: ser aprovada em um concurso público. Foram anos de preparação divididos com faculdade e trabalho, anos de reprovações, anos de “fiquei por um ponto”. Muitas e muitas lágrimas. Finalmente, no dia 20/06/2016, meu nome estava no Diário Oficial: APROVADA no tão sonhado concurso público.

Não há como colocar em palavras a sensação que tive. Não era apenas uma alegria pela conquista profissional. Era como um bálsamo de alívio. Finalmente eu provava a mim mesma e para todos -- família, amigos, colegas de trabalho -- que eu também era inteligente como meu tão bem sucedido marido. Finalmente tinha conquistado algo.

Deixo claro que essa sensação de estar sendo julgada não decorre de atos explícitos. Na maioria das vezes vem dos que mais amamos. Lembro bem de um episódio peculiar que demonstra bem o julgamento do outro sobre nossa vida. Ainda na faculdade em que eu e meu marido (então namorado) cursávamos Direito, ouvi de um colega de classe em tom jocoso que eu era uma “Maria Concurseira”, porque tinha escolhido namorar o rapaz mais inteligente da sala, servidor público desde os dezoito anos. Esse comentário era tão absurdo e ofensivo que não tive reação. Ouvi calada. Cheia de raiva, mas calada. Estudávamos os três na mesma sala, minhas notas sempre foram excelentes, eu tinha desenvoltura nos trabalhos, mas, mesmo assim, um homem achava que era engraçado reduzir-me e reduzir meu relacionamento a um alpinismo ou oportunismo. As mulheres dividimos os mesmos espaços que os homens, mas é como se fosse um favor permitirem que estejamos lá.

Enquanto esperava minha nomeação, resolvi engravidar. Acreditava ser o momento certo, pois finalmente não estava sob o estresse da preparação para um concurso público e o decorrente desgaste físico e emocional. Engravidei. Nos nove meses de gestação ouvi coisas assim: “Não entendi por que você fez concurso. Você engravidou, vai trabalhar depois que ela nascer?” -- dita por uma jovem de 20 anos. “Esse salário aí que você vai ganhar é um bom salário para uma mulher!” -- dita por um tio amado.

O tempo passou e há dez dias da data prevista para o parto da minha primeira e única filha, recebi um telefonema de Brasília. Uma pessoa do recursos humanos me ligava para avisar que minha nomeação seria publicada e que eu deveria me antecipar e realizar os exames admissionais. A nomeação foi publicada numa quarta-feira e na quinta-feira, dia 01/07/2017, eu saía de casa para tomar posse no tão sonhado concurso público. Após muito sofrimento, a nomeação estava ao meu alcance. Como num conto de fadas eu estaria empossada no meu cargo e, em seis dias, nasceria minha filha. Como em um roteiro clichê, tudo daria certo.

No entanto, a perita recusou-se a declarar-me apta para o cargo sem um exame ginecológico chamado colposcopia, mesmo com uma declaração da minha obstetra informando que se tratava de  exame invasivo demais para ser realizado no nono mês de gestação. Saí aos prantos do prédio. Meu sonho estava escapando de minhas mãos. Liguei para meu marido. Na minha mente ele estaria mais lúcido e conseguiria me ajudar a resolver aquela situação. Ele e minha grande amiga Ludimila Poirier (advogada também) saíram da cidade vizinha onde ambos trabalhavam e vieram ao meu encontro, para me consolar e pensar no que faríamos. A decisão foi recorrer ao judiciário. Ingressamos com um pedido de tutela antecipada antecedente a fim de afastar a exigibilidade do exame. O juiz negou. Um juiz homem e jovem. Deferiu apenas a reserva da vaga para quando meu exame pudesse ser feito (segundo a obstetra, seis meses após o parto).

Com a negativa, voltei à esfera administrativa. Falei com o gerente executivo, com o chefe do RH local e com o chefe do RH em Brasília. Todos eram unânimes em afirmar que o que tinha acontecido era absurdo, mas que nada poderia ser feito, pois a perita tinha autonomia para decidir. Por fim, procurei a chefe do departamento de perícias. Ouvi da médica chefe: “Não sei por que você está com tanta pressa, você deu sorte de ser nomeada.”

“Sorte”. Após todo sacrifício da aprovação, após toda aquela situação no fim da gravidez, todo o estado emocional envolvido, tive de ouvir que não tive mérito algum. Foi “sorte”. 

Sem nada mais a ser feito e temendo perder a vaga, decidi conversar com minha obstetra sobre o que tinha acontecido. Aos prantos, contei toda a história. Ela deu a solução: “Consigo fazer esse exame em você com um pequeno risco de sangramento, o que é normal, mas sem risco para a bebê. No entanto, será um exame sem efetividade. É um útero todo alterado e ferido pela gestação avançada. Mas, se é um laudo que eles querem, um laudo eles terão.”

Terça-feira, dia 06/06/2017, um dia antes do parto, eu estava com todos os exames exigidos em mãos. Voltei à perita e fui recebida com a frase: “Hoje não posso. Vou ao dentista, volte depois de amanhã.” Indignada, respondi: “Não, doutora. Meu parto é amanhã. Vou sentar aqui e espero quantas horas for preciso.” E esperei. Depois que ela voltou, o exame foi feito. Durou cerca de dez minutos. Ela olhou os exames e disse: “Você fez a colposcopia? Deveria ter esperado.” Fiquei em silêncio, pensando como uma mulher, médica, podia ser tão desumana assim.
Tomei posse na véspera do parto e entrei de licença imediatamente. Não queria encontrar nenhum deles pelos próximos seis meses. Isso faz quase quatro anos e ainda hoje sinto muita tristeza e raiva dessa história. É como se tivessem roubado algo que não pode ser repetido. A experiência da conquista do primeiro concurso após tanto sacrifício. Mesmo vencendo outros, esse, o primeiro, roubaram. 

Quando finalmente comecei a trabalhar, após a licença maternidade, outra pergunta era constante, já que eu estava trabalhando na mesma entidade federal em que meu marido havia trabalhado. Era “óbvio” para as pessoas que nos conheciam que eu “só” estava lá, porque “ele” tinha “arranjado” para mim. “O Ricardo arrumou para você essa vaga?” No começo eu tentava explicar que concurso público não funcionava daquela maneira, que ele tinha me ajudado muito a estudar, mas eu tinha feito prova e conseguido a aprovação por meus méritos. Mas depois de algum tempo desisti e passei a responder: “Sim, foi ele mesmo que arrumou. Você acredita que eu sento até na mesma cadeira?” E a vida seguia.

A filha crescia e os objetivos da nossa família se tornavam maiores. Quando meu marido decidiu estudar para a magistratura eu sabia que exigiria um esforço coletivo ainda maior do que os anteriores, vivenciados em outros concursos. E tem sido assim por quase dois anos. Agora, novamente, a condição de mulher, esposa, profissional e mãe virou questão de debates. A eterna opressão para que eu, mulher, esteja em um cargo melhor, com mais títulos, para que eu permaneça interessante para ele e não seja trocada. O olhar da sociedade para a mulher é eternamente julgador e sem empatia. Novas perguntas surgem: “O marido vai ser juiz, você não vai fazer outro concurso? Vai ficar para trás?” Como se eu e ele estivéssemos numa eterna competição e precisássemos provar que merecemos o amor do outro pelo que conquistamos e não pelo que somos.

É cansativo ser mulher. Mas eu não desisto. Há um mundo a preparar para minha filha. Ela está crescendo, conhecendo esse mundo aos poucos. Precisamos lutar. A luta feminista não é por privilégio. É por igualdade. É por equilibrar a balança entre os ônus e os bônus femininos. O mundo que minha filha vai viver será melhor? Não sei. Mas farei tudo para construí-lo. Utópico? Talvez. Mas como meu marido gosta de dizer, é a utopia que nos faz caminhar. Caminhemos, pois! Lutemos! A mulher pode ser o que ela quiser.

36 comentários:

Anônimo disse...

Concurseira ñ tem que se envolver com ninguém. São situações conflitantes. Digo ppis casei com uma concurseira e larguei 08 meses depois, pois tive que decidir: "ou vc fica comigo estudando aqui e ñ assume o concurso que vc passou lá no MT, pq eu ñ vou pra lá com vc, ou fica com seu cargo e me deixa". Optei por assumir o concurso e larguei a Maria concurseira sozinha. Melhor decisão da minha vida. Se fosse ao contrário, ela nem sequer pestanejava. Só pensava em seu próprio umbigo e seus próprios interesses. Graças a Deus me livrei.

Luise Mior disse...

Chrislly, meus sentimentos pelos comentários babacas dos teus parentes e conhecidos. Essa perita é uma canalha, não posso pensar como lidar com tal insensibilidade. Estou na torcida pelo teu marido, que vocês continuem bem. Obrigada por publicar esse guest post Lola. Abraços fortes.

Anônimo disse...

a) Sempre tentam diminuir nossas vitórias um dia eu estava em.um parque e acabei conversando com um guarda municipal e comentei que havia percebido o aumento do número de guardas mulheres ele exclamou que as mulheres tiram as notas mais altas nos concursos mas porque elas não trabalham fora na hora argumentei que mesmo que a mulher nao trabalhe fora ela trabalha em casa que é tão cansativo quanto trabalhar fora.

b) Conheci uma mulher mãe de 4 filhos que o marido não fazia nada em casa que passou em um concurso estudando de madrugada quando as crianças estavam dormindo quando foi aprovada e chamada chutou o inutil

Unknown disse...

Sobre o primeiro comment:

Concurseira ñ tem que se envolver com ninguém. São situações conflitantes. Digo ppis casei com uma concurseira e larguei 08 meses depois, pois tive que decidir: "ou vc fica comigo estudando aqui e ñ assume o concurso que vc passou lá no MT, pq eu ñ vou pra lá com vc, ou fica com seu cargo e me deixa". Optei por assumir o concurso e larguei a Maria concurseira sozinha. Melhor decisão da minha vida. Se fosse ao contrário, ela nem sequer pestanejava. Só pensava em seu próprio umbigo e seus próprios interesses. Graças a Deus me livrei.


É no mínimo bizarro esse tipo de comentário. O cara teve uma frustração gigantesca e já chega generalizando a postura de todas as mulheres que prestam concurso. E ainda vem cagar regra. Há casais que não se separariam por conta dessa dificuldade. E ta tudo bem. Outros não ficariam juntos por projetos de vida imcompatíveis, e ta tudo bem tbm. Mas o cara tem que causar demonizando a mulher. Foda isso.

Anônimo disse...

O cara exagera no primeiro comentário. Separar por tal imcompatibilidade é normal, fazer o que. Ela corre atrás do dela e ele do dele. Ser civilizado é isso.

Ruim é quando você se compromete a ser correto e sua mulher se torna "amante" do professor da faculdade,faz projeto com ele escondido por meses, depois vai trabalhar no escritório dele e, ainda, quer que você apoie a decisão dela. Pagando de fada sensata, garota exemplar, injustiçada.

Anônimo disse...

Essa perita é daqueles seres covardes que se escondem atrás de um crachá de servidor. Gente medíocre que talvez quisesse ser outra coisa mas só conseguiu ser funcionário público e quando "chega lá" desconta a raiva e as frustrações nós outros.

Anônimo disse...

Isso é um ser fracassado que não busca nada para ele, e se acha o centro do universo. Conheci um imbecil assim. Se contentou com um emprego medíocre, ganhando pouco mas por outro lado tinha tempo de sobra pra enrolar, tocar violão, ficar na internet lambendo rabo de Bolsonaro ou vendo vídeos de conspiração. Não chego a ser concurseira mas participei de alguns concursos. Eu trabalhava, chegava em casa tarde da noite, tinha que arrumar as coisas porque ele não fazia nada em casa no tempo livre. Toda vez que eu sentava para estudar ele dava um jeito de me atrapalhar. Ele nunca corria atrás de melhorias para ele e empatava minha vida ao máximo. Ele queria era alguém pra ele se encostar. Depois de anos me livrei desse traste.

Anônimo disse...

"Ruim é quando você se compromete a ser correto e sua mulher se torna "amante" do professor da faculdade,faz projeto com ele escondido por meses, depois vai trabalhar no escritório dele e, ainda, quer que você apoie a decisão dela."

Aconteceu contigo, otario??

Anônimo disse...

É muita idiotice desses analfabetos e alienados colegas dela. Eles não tem coragem de criticar os prefeitos de cidades,como os de duas da RM do Rio De Janeiro, que nomearam para cargos CC irmãos, cunhadas, pai numa verdadeira farra de nepotismo!!!!!! Ficam quietinhos diante de tamanha desfaçatez desses governantes imorais e oportunistas!!!!!!

avasconsil disse...

A condição da mulher vem melhorando. Demora, é verdade. E o processo consome a vida de vários indivíduos, que infelizmente muitas vezes não puderam desfrutar dos avanços que ajudaram a edificar, e que acabam ficando como legado pra as gerações futuras. Fantine, a personagem de Os Miseráveis, de Victor Hugo, que caiu em desgraça por ter sido mãe solteira, hoje não precisaria mais se prostituir por não ser uma mulher casada. Muitos lares só tem por arrimo a mulher. Homem virou opcional. Tem até uns em cyber skin bonitos e realísticos. Com a vantagem de poderem ser trancados no guarda-roupas depois. Não bebem. Não fumam. Não assistem ao futebol. E não se frustram quando você não está a fim de sexo. Quanto às opiniões e às piadinhas inconvenientes, sempre vão acontecer. Gente babaca ou que fala babaquice por lapso tem muita e ainda sobra uma dúzia. Quem tem que decidir sobre futuros concursos são você e seu marido. Você deve ser muito jovem ainda. Tem tempo pra pensar no assunto. Infelizmente a gente já sabe de antemão que com a reforma administrativa poucas serão as carreiras que continuarão bem pagas. Acho que com as carreiras de apoio do judiciário e do ministério público vai acabar acontecendo o que houve com as da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. Já estiveram nos sonhos de muita gente. Já hoje... O capitalismo financeiro tem um apetite insaciável por mais dinheiro. Vai continuar comendo os direitos e a renda das pessoas, na iniciativa privada e no serviço público. Dá até tristeza pensar nessas coisas. Ainda bem que você ainda tem tempo. Principalmente se você gosta do Direito. Acho tão esquisito alguém gostar do Direito. Pra mim é como gostar de jiló. Trabalho com isso e nessa área mas acho uma chatice. Acho chatas também a maioria das pessoas que trabalha nesse meio. Uma gente utilitária. Poucos tem o gosto de aprender por prazer. "Por que você tá lendo Machado de Assis se não vai cair na prova, ou se você não vai usar o que tá aprendendo aí amanhã ou no máximo semana que vem?" A mentalidade da maioria deles e delas é essa. Não só deles. Mas de muita gente no geral também. Eu gosto de ler porque ler é bom. Não preciso ter uma finalidade. E infelizmente não tenho prazer nenhum em leitura jurídica. Pra mim é um osso do ofício. Me sinto a Tina Turner cantando Private Dancer. Mas não fui o primeiro nem vou ser o último.

Só um blog disse...

Estou feliz por ela ter conseguido o cargo apesar das dificuldades

Anônimo disse...

Se a autora do post for uma mulher na casa dos 30 anos, ela não é "uma jovem", nem "muito jovem". Não estou dizendo que é uma mulher "velha" mas alguém "muito jovem" é uma pessoa abaixo dos 25.

Anônimo disse...

Desculpe, mas achei esse texto muito ruim, Lola. A pessoa em questão parece fazer um esforço enorme para se colocar na posição de vítima. Reconheço as dificuldades advindas da posição feminina e certamente essa não é uma delas. O que essa moça passa com seu texto é uma dificuldade enorme de sustentar qualquer comentário que não sejam elogios. Ou, ao menos, foi o que o texto passou. Dá pra perceber que ela sofreu alguma injustiça, mas não ficou muito clara qual. Talvez se ela se atentasse aos próprios privilégios, que jorram sem fim em sua história, passaria um pouco mais de credibilidade com sua dor.

Anônimo disse...

Isso e verdade, sempre tentam diminuir nossas conquistas, eu estava desde 2017 tentando tirar habilitação, abri uma pauta na minha cidade fiz todo o processo e não passei, a prova de direção e em uma cidade vizinha, por ser no interior. Minha pauta venceu e eu abri outra nessa cidade onde fazemos as provas, saia pra lá de carona pra fazer as aulas, o pessoal sempre falava: " Na sua cidade não tem auto escola?" Eu dizia que sim, mas preferi fazer lá pq eu já treinava pra fazer a prova pq no local da prova o trânsito era diferente. Continuei indo fiz as aulas, na primeira prova não passei, veio a pandemia ficou um tempo sem ter aulas, depois que liberou fiz mais aulas e fiz a segunda prova, fui aprovada, depois de mto esforço, não tenho carro por enquanto, fui da uma volta com meu namorado dirigindo o carro dele, fiz igual aprendi na auto escola, pq ele nunca teve paciência de me ensinar, aí ele virou pra mim e disse: " Você deve ter pagado pra passar ou foi sorte pq vc dirige muito mal." Fiquei mto decepcionada com esse comentário dele.

titia disse...

Chrislly parabéns pela sua conquista e pelo seu sonho realizado. Parabéns, foi uma conquista e nada do que falarem vai mudar isso.

E essa porra de exigir exame ginecologico pra assumir não é nada mais que uma tentativa de humilhar ou constranger a mulher que se atreveu a sair do "seu devido lugar" e assumir um cargo público onde, na cabeça de merda dos machos brancos misóginos, só devia haver outros machos brancos misóginos. E a única maneira de não ser obrigada a fazer a colposcopia é trazer um atestado de virgindade. Estão vendo a misoginia dessas regras? É algo feito só pra inferiorizar a mulher, pra manter o corpo feminino como propriedade pública, pra tirar da mulher que passou num concurso à frente de vários machos brancos misóginos sua dignidade e mantê-la como "inferior".

E quem vier de mimimi pro meu lado dizendo que eu estou exagerando, lembrem-se que homem não tem que fazer exame de próstata pra assumir o cargo. Homens não tem que expor sua intimidade pra assumir um cargo público.

HAHAHAHAHAHAAH mano, que teatro. O anom 16:50 contou a historinha que a namorada dele o trocou por um cargo público achando que íamos nos indignar pela moça não ter sido trouxa e trocado seu futuro profissional pelo "amor" dele. Percebeu que ninguém aqui ia jogar pedra na garota por ter largado o macho pra investir na carreira (achamos, aliás, que ela está mais do que certa) e inventou que ela botou chifre, que deu para o professor pra ganhar privilégios, ajuda nos estudos e até cargos... o mesmo que fizeram os babacas que disseram que a autora "deu" pra ganhar o cargo. Patético. Macho misógino nunca consegue deixar de ser ridículo, até as fanfics deles são ridículas.


Anônimo disse...

Na maioria dos casos que eu conheço homens não largam suas carreiras e suas vidas para acompanhar a mulher, no caso do comentário ele não quis ir com a mulher pra MT pra tentar uma vida melhor prós dois, pq ele sabia q se ela ganhasse melhor ele se sentiria inferior, se fosse o homem passando em um concurso a mulher dele o acompanharia sim pra onde ele fosse. Maioria das mulheres qdo casa acompanha os maridos, homens nem sempre acompanha as mulheres, eles gostam de ser o macho alfa.

titia disse...

09:20 meus sais, outro macho que nunca teve suas conquistas desmerecidas ou diminuídas querendo cagar regra sobre como as mulheres devem agir e se sentir sem nunca ter passado pelo mesmo! Vocês conseguem entender quando a gente diz que, se não tem nada bom pra dizer, apenas cala a boca e vai embora quietinho? Ou que, se você nunca passou pela situação mencionada, cala a boca e ESCUTA quem já passou?

Ricardo Fulgoni disse...

Você é homem,né?

avasconsil disse...

Pra mim alguém com 30 anos é muito jovem. Vai me bater por causa disso? Tem gente que entra na magistratura depois dos 50 anos. Eu mesmo tive 02 professoras nessa situação. E olha que estudei Direito entre 1995 e o ano 2000. Uma delas era professora de Português e Literatura. Graduou-se em Direito com mais de 40 anos e com 52 tornou-se juíza. Uma pessoa com 30 anos é 22 anos mais nova que uma de 52. Então pra mim é bem mais jovem sim. Posso pensar assim, ou preciso pedir licença?

Anônimo disse...

Concordo que ser mulher é ter que escutar comentários desnecessários muitas vezes, porém, vejo mulheres extremamente opressoras quando conseguem cargos de liderança, já trabalhei e trabalho com várias. Atualmente a diferença salarial minha e do meu marido é de R$500,00 e sim, todos acham que ele que pagou tudo que temos, mesmo com salários praticamente iguais.

Anônimo disse...

Segura a raivinha por favor. Nem precisa pedir licença. Porque eu iria bater em alguém? Só expus minha opinião aqui, educadamente, assim como vc expôs a sua. E mais uma vez: gente com 30 anos não é alguém "muito jovem". É uma pessoa adulta. Também não é velha, claro, em nenhum momento disse isso. E claro que é mais nova que alguém de 50, sei fazer conta. Mas não é "muito jovem". Isso é gente com 18, 20, 25 anos. Passou dos 30 deixou de ser "muito" jovem.

avasconsil disse...

Pergunte a uma pessoa de 80 anos o que ela acha de alguém com 30. Pode crer: quanto mais a gente envelhece, mais acha muito jovem alguém de quem poderíamos ser pai, mãe, avô ou bisavó. Quanto a ser adulto, a partir dos 20 já é. Deixou de ser "teen" é adulto. Mas tem muita discussão e teoria sobre esse assunto. Tem pra todo gosto. Você tem na faixa de 30 anos, né? Por isso se melindra quando alguém te acha muito jovem. Se sente infantilizado(a). Sei como é isso. Passou, viu, bebê? Os melindres passam com a idade. Ou aumenta a altura do acionamento deles.

Anônimo disse...

Exame de colposcopia para exame admissional??? Passei recente num concurso público e isso nem de longe foi exigido! É uma condição para mulheres grávidas ou era assim antigamente? Fiquei em choque

Anônimo disse...

Jovelhos de 30 e 40 anos hahahahah!!!!!

Anônimo disse...

Desculpe, não sabia que você tem idade para ser pai de alguém de 30 😬

Anônimo disse...

Também nunca vi disso...

Anônimo disse...

Acho que vc ñ entendeu certinho o comentário, cara Anon das 10h: pelo relato, ELE foi aprovado em um concurso em MT, e ELA ñ quis ir com ele pra lá, pois ELA teria feito a afirmação: " ou vc fica comigo estudando aqui e ñ assume o concurso que vc passou lá no MT, pq eu ñ vou pra lá com vc, ou fica com seu cargo e me deixa". ELE optou por ir trabalhar em MT, ELA ñ foi com ele, e se separaram por conta disso. Essa foi minha interpretação. Vc, possivelmente, entendeu errado o relato. Interpretação de textos

avasconsil disse...

Sem previsão no edital não podem exigir um exame. Provavelmente ela usou esse argumento na ação judicial dela. Infelizmente são frequentes os abusos em concursos públicos. No caso dela deu certo corrigir. Ainda bem.

avasconsil disse...

Com 14 anos já daria pra eu ser pai. Mas felizmente não aconteceu. Paternidade ou maternidade dá muita despesa, muito trabalho e é pra vida toda, pelo menos certas responsabilidades. É pior que casamento. Ainda não criaram o divórcio parental. Quem sabe um dia. Pra ser pai ou mãe só muita vocação. E essa voz não me chamou. Ser pai de 3 gatos e de 3 cachorros já me supre. Sorte minha.

avasconsil disse...

Se bem que o juiz só deu a reserva de vaga e ela teve que fazer o exame. Ou seja: a ação judicial quase não serviu de nada. Se ela tivesse o famoso QI teria dado certo. Lá em Sergipe, na década de 1990, uma conhecida passou no concurso pra juiz 28 posições depois da última vaga no edital. Pois a família dela, toda aboletada no tribunal de justiça e no ministério público, amiguinha do governador na época e do presidente do tribunal de justiça, conseguiu uma lei criando mais umas 30 vagas pra juiz. E ela entrou. Quem pode pode. Outra conhecida, agora mais recentemente, tem uns 12 anos isso, passou em 2o lugar pra psicóloga do TST, o Tribunal Superior do Trabalho. Como a família do marido dela era na época - deve ser ainda - muito ligada ao PT, usando suas articulações e rede de contatos, conseguiu que o presidente do tribunal transformasse um cargo vago de enfermeira em mais um cargo de psicóloga. E assim essa conhecida foi chamada pra assumir o cargo no TST. E por aí vai. As safadezas comuns no Brasil, que me fazem olhar o meio jurídico com o pé atrás. Onde tem poder tem safadeza. E o judiciário é um poder. O MP não é um mas tem as características de um. Então tem safadeza também. E isso me dá engulhos. Deve ser pra eu aproveitar e evoluir espiritualmente, aprendendo o que é errado fazer.

Kasturba disse...

Que bom que no fim das contas você conseguiu sua nomeação. Sua médica foi bastante bacana e coerente, enquanto essa perita foi ridícula...

É bem comum e bem chato mesmo esse negócio de minimizarem as conquistas das mulheres, como se fosse de alguma forma uma conquista de seu marido, e não sua própria. Eu e meu marido somos militares. Ele ganha um pouco mais que eu (tem mais tempo de exército), mas como paga pensão pras filhas do primeiro casamento, na prática eu recebo mais que ele. Mesmo assim, sempre que algum amigo dele descobre que eu tb sou militar, o primeiro comentário (unânime) feito é: Nossa, que sorte, você ganha salário em dobro. Como se meu salário fosse dele... o fato de eu trabalhar, de eu ter uma carreira, nada disso me pertence, já que é ele quem ganha "salário em dobro". Não muda em nada a minha vida, continuo com minha vida, minha carreira e MEU salário. Mas de toda forma, esse tipo de comentário me incomoda bastante.

avasconsil disse...

Me lembrei de uma colega de trabalho. Ela provoca em mim sentimentos contraditórios de simpatia e repulsa. Ela é muito educada. Tranquila. Me passa a impressão de ser uma boa pessoa (mas votou no Bolsonaro. Ela disse...). A presença dela me agrada. Mas ao mesmo tempo é muito católica (me lembrei daquela expressão "terrivelmente evangélico " ... ). Faz parte de um desses grupos que defendem o sexo só depois do casamento. São contra a descriminalização do aborto. E entendem válido como meio contraceptivo apenas a tabelinha. Ela está grávida do segundo filho(a) porque a tabelinha falhou. Como ela e o marido, do mesmo grupo religioso, tem uns 34-35 anos, dá pra concluir que a tabelinha vai dar errado muitas vezes, e eles terão muitos filhos. A família do marido dela é rica. Dessas que têm apartamento de milhões de reais na Beira Mar daqui de Fortaleza. Muitos imóveis e algumas empresas. Essa minha colega de trabalho, porém, apesar de muito educada, simpática, inteligente e até bonita (foi Miss Piauí tempos atrás), é uma reles servidora pública, assim como eu. Então a família do rapaz, apesar de muito cristã, pra aprovar o casamento entre os 02, exigiu dela assinar um pacto antenupcial, de separação total de bens. Ela aceitou. Mas, tendo o sonho de estudar e passar no concurso pra a Defensoria Pública, não está mais conseguindo estudar pra concursos por causa da prole presente e da futura. A primeira menina é bem novinha ainda, tipo uns 02 anos. E ela está grávida da 2a criança. O pai sai cedo de casa e só chega depois das 22h, segundo ele trabalhando nas empresas de cujo crescimento ela não vai ver nenhum tostão em caso de uma separação ou divórcio, pois ela assinou o pacto antenupcial. Tá certo que ela tem empregada e babá. Mas quem vem abrindo mão do sonho de ser Defensora Pública é ela. O marido passa o dia todo fora, e quem gasta mais tempo com a menina é ela. Acho que o outro filho até já nasceu. Estudar pra concursos vai ser difícil. Ela aceitou as regras. E o papai supercatólico não vê nada demais em que a esposa/minha colega de trabalho não tenha direito a nada do patrimônio do casal no caso de uma separação/divórcio, apesar de os 02 terem a mesma obrigação com a criação dos filhos. Na teoria a obrigação é 50% pro homem e 50% pra a mulher. Na prática a gente sabe que é tudo bem diferente. Ainda é natural e muita gente espera que a mulher faça mais, muito mais. E de graça ainda por cima. Porque ser mãe é padecer no paraíso e mulher nasceu pra isso mesmo. Pra se lascar. Me lembrei dessas coisas todas lendo esse texto bacana sobre uma mãe de uma criança autista.

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/01/22/sou-mae-de-autista-e-luto-contra-a-romantizacao-da-maternidade-atipica.htm

Anônimo disse...

Hahahahah!! Estou na mesma que você. Eu nem casamento acho que encaro. Casamento e maternidade (sou mulher) desgastam demais. Infelizmente meu querido gatinho de quase dez anos morreu antes da pandemia. Sinto tanta falta dele que dói 😿😥

Anônimo disse...

Nossa, é por isso que me desencanei dessa praga de "casamento". Tudo estoura na mão da mulher e não adianta, as pessoas não mudam, acham que "é assim que tem que ser". Tô fora dessa armadilha.

Anônimo disse...

Vc só se esqueceu de citar as pensões para tofis os filhos e a pensão vitalícia para ela, no caso de uma separação. E a posse do imóvel é da MULHER, para cuidar dos filhos. Só essa ressalva. Qquer uma queria uma regalia dessas

avasconsil disse...

Foi-se o tempo em que mulher tinha pensão alimentícia vitalícia. Até porque ela ganha o dinheiro dela. E pensão pra filho só fica sob a administração do pai ou da mãe Até o pimpolho ou pimpolha completar 18 anos. A partir dessa idade eles mesmos cuidam da pensão. O direito à posse sobre o imóvel da família é só em caso de morte. Código Civil: Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Mas ainda assim se estiver no nome lá do rapaz. Provavelmente é tudo no nome das empresas. Essa gente rica muito cristã não bate prego sem estopa. Quando a gente tá inda eles já estão é voltando pela 10a vez. Torço é pra que ela cuide da vida dela. Ela é votou no Bozo mas é gente boa (rs).