terça-feira, 5 de janeiro de 2021

DIVA, OU POR QUE UMA VAGINA INCOMODA TANTO?

A artista plástica Juliana Notari construiu uma vagina de 33 metros na Usina Santa Terezinha, zona rural de Pernambuco. Com isso, está provocando a maior raiva da extrema-direita brasileira desde o QueerMuseu, em 2017. 

A instalação artística, feita à mão, chama-se "Diva", e é linda. Vermelhona, brilha. Chama muito a atenção. E sua autora está sendo trucidada nas redes sociais por conta desse destaque.

Tipo: alguma moralista de plantão reclamou: "cenário de filme pornô". Porque essa gente detesta filme pornô, né? Tem até incel marcando um "punhetaço" ao redor do "bucetão". "Vá em celibato para melhores efeitos", recomenda o cartaz. 

Olavão, o guru dos palavrões, escreveu num tuíte: "Por que estão falando mal da buceta de 33 metros em vez de enfrentá-la com um pirocão?" Pra variar, ele não é nada original. O que mais se vê nos comentários são menções a um pênis gigante, como se uma vagina não pudesse existir por conta própria, como se uma vagina não fosse nada, um vazio a ser preenchido por uma rola ou pelo corpo de um bebê (de preferência macho) saindo de lá.

A ideia da vagina como uma fenda na Terra não é exatamente uma novidade. Tampouco é a ligação da natureza com o corpo feminino. A arte de Juliana é uma vulva e uma ferida ao mesmo tempo. Como diz a artista, "Se fosse só a vulva, eu teria feito os grandes lábios, o clitóris. É uma ferida também. A partir do momento que ela aparece, o campo de interpretação da obra se abre para outras dimensões, como a da exploração da terra pelo capitalismo". 

Em entrevista ao Metrópoles, Juliana explicou: “Eu busco tratar da reflexão acerca da desigualdade de gênero e também da destruição do planeta Terra, como entidade e ser vivo. A vulva representa o nascimento, de onde vem a vida, e a obra construída na terra relembra para onde todos vão após a morte, de volta à natureza". 

Esse tipo de arte se chama Land Art. Tem nome, não é invenção. O projeto Usina da Arte, inspirado no Instituto Inhotim, ocupa uma antiga usina de açúcar que faliu na década de 1980. Assim, faz "um ajuste de foco, em que a decadência da monocultura canavieira dá lugar à potência plural e transformadora da arte". A descrição do projeto é inspiradora: "A terra, o maquinário e as instalações físicas da antiga usina foram convertidos em ateliês, galerias, salas de aula: espaços para a criação, produção e exposição da arte, em diálogo com a fauna e a flora locais".

Ou seja, pra quem reclama dos danos que a land art de Juliana causou ao meio ambiente, é bem o contrário. O projeto ajuda a manter de pé um espaço que havia sido abandonado. Transforma uma usina falida em museu ao céu aberto. Além do mais, Juliana afirma que não houve desmatamento para a instalação e que a resina usada não tem contato com a terra. 

E convenhamos: não há muitas coisas mais patriarcais que um engenho de cana de açúcar. Como diz Juliana: "Além de questões de gênero, a obra tem como objetivo combater a lógica capitalista de exploração do corpo e da terra, como se os recursos fossem ilimitados".

A revolta contra a instalação da Juliana não é tão diferente do que aconteceu em Belo Horizonte no final de novembro. Um morador de um prédio entrou na Justiça para remover um belíssimo mural da artista Criola. O bolsominion alega que "não é uma simples pintura, é uma decoração de gosto duvidoso". A obra, que se chama "Híbrida Ancrestral: Guardiã Brasileira", mostra uma mulher preta, uma cobra coral e um útero.  

"Gosto duvidoso" é a expressão na ponta da língua da maioria das pessoas que teima em censurar a arte. Uma leitora, a Marcia Mattos, comparou o fuzuê gerado por "Diva" ao famoso quadro de Courbet, "A origem do mundo", uma obra de 1886 que ainda provoca escândalos. Mas por quê uma vagina seria tão polêmica? (Agora fiquei sabendo, através da Marcia, que o quadro já pertenceu ao psicanalista Jacques Lacan, que o mantinha em sua casa de campo, atrás de um biombo). 

Levou onze meses e a mão de obra de vinte pessoas para "Diva" ficar pronta. Teve bastante gente nas redes sociais pondo em disputa a autoria da obra. Afinal, se foram homens que cavaram, por que a artista seria a Juliana? Não sei se esse tipo de crítica é ignorância ou má fé. Por exemplo, um prédio do Oscar Niemeyer não foi construído por ele, e ainda assim o prédio é visto como sua obra. Um filme conta com uma equipe de centenas e às vezes milhares de pessoas, e, no entanto, geralmente é apresentado como "um filme de Steven Spielberg". 

Como bem lembrou uma leitora, a Karenzita, em Pernambuco há um outro monumento muito conhecida: a fálica Torre de Cristal, de Brennand, que os recifenses chamam de "Pica de Brennand". Será que o artista fez sua obra sozinho ou contou com a ajuda de toda uma equipe?

Também não faltaram críticas a uma das imagens, uma selfie que Juliana postou no seu Facebook, em que ela, branca, posa com a equipe que fez a escavação: "Eu e a equipe estávamos em harmonia, mas quando você vê a imagem, realmente, ela mostra a diferença de classes, a racialização. Tirei a foto e na minha branquitude reafirmei um processo de trabalho típico do contexto brasileiro", reconhece. 

Como artista, Juliana está acostumada a polêmicas. Em "Mimoso", performance de 2014, ela foi muito criticada por ser arrastada nua por um búfalo na ilha de Marajó, e por comer o testículo do búfalo castrado. Ela conta: "Realmente, era muito pesado. Mas nada como está sendo agora. A coisa extrapolou". Juliana vem sendo atacada nas redes sociais. 

Aqui o que ela escreveu no Facebook no penúltimo dia do ano: 

Em meio a tantas rochas no meio do caminho desse ano distópico, finalmente termino o ano com a obra Diva pronta! Foi um processo longo, quase 11 meses de muita persistência, convivência e aprendizado.

Diva no final das contas é uma grande escultura feita à mão. Como demonstrou Roberto, o engenheiro arretado responsável pela obra (e que bota a mão na massa!), não era possível usar escavadeira, pq ela não permitiria esculpir com precisão os relevos que precisava. Por isso, foram mais de 40 mãos para fazer Diva nascer, mais de vinte homens trabalhando num esforço hercúleo embaixo do sol a pino, em meio a muita música e piada.

Diva é uma Land Art, uma enorme escavação em formato de vulva/ferida medindo 33 metros de altura, por 16 metros de largura e 6 metros de profundidade, recoberta por concreto armado e resina.

Em “Diva”, utilizo a arte para dialogar com questões que remetem a problematização de gênero a partir de uma perspectiva feminina aliada a uma cosmovisão que questiona a relação entre natureza e cultura na nossa sociedade ocidental falocêntrica e antropocêntrica. Atualmente essas questões têm se tornado cada vez mais urgentes. Afinal, será através da mudança de perspectiva da nossa relação entre humanos e entre humano e não-humano, que permitirá com que vivamos mais tempo nesse planeta e numa sociedade menos desigual e catastrófica.

Só tenho a agradecer por esse longo e rico processo. Agradeço a Bruna Simões Pessoa de Queiroz, Ricardo Pessôa Filho, C Mabel Medeiros e a Bárbara Maranhão por acreditarem e apostarem na ousadia do projeto.

Agradeço a Roberto Gatis pelo profissionalismo, paciência e sensibilidade (que contradiz a fama dos engenheiros) e a todos os homens que trabalharam na obra: Felipe, Ricardo, Bergue, Irmão Elias, Lilo, Nem, Lorinho, Garanhão, Nó, Jau, Fernando, Pó, Renildo, Nando, Pombo, o filho do irmão Telmo e os que agora não lembro o nome.

Vida longa à Usina de Arte, esse projeto lindo coordenado por Bruna e Ricardo que tem revirado a paisagem histórica e cultural neste ponto da Mata Sul pernambucana.

PS: Diva é fruto da minha residência artística na Usina e de um convênio da Usina de Arte e do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM).

59 comentários:

Anônimo disse...

"Gosto duvidoso" é a expressão na ponta da língua da maioria das pessoas que teima em censurar a arte.

^ É que... bem... é de gosto duvidoso mesmo. :/ A maioria das pessoas não vai ver uma obra representando uma vagina gigante e pensar "uau, vou fazer uma reflexão acerca da desigualdade de gênero e também da destruição do planeta Terra", a maioria das pessoas vai achar tosco. E quem já é incel doente, olavete escroto, etc. vai continuar na mesma, e ainda vai se aproveitar disso pra dizer "tá vendo como eles [de esquerda e qualquer outro grupo que eles não gostem] são?".

Anônimo disse...

boa reflexão, lola. tenho lido alguns artigos debatendo a obra, mas ainda não tenho opinião formada. especialmente após ler algumas críticas de quem considera a obra "transfóbica". o que vc pensa a respeito dessas críticas? beijos

Anônimo disse...

O verde, as colinas, as árvores, a natureza tão bela, aí no meio uma bucetona sangrando. Ridículo.

Atenais disse...

Que lindo texto, Lola. Com o perdão da palavra, precisamos "embucetar" o mundo. Este medo e horror da vagina me causam extrema tristeza. Me lembro quando, há cerca de dois anos, uma matéria no G1 sobre o quadro "A origem do mundo" causou uma grande celeuma na Internet. Me lembro de comentários no Twitter, até mesmo de mulheres, dizendo-se chocados com a imagem e chamando-a de nojenta com seus pelos. É triste constatar que o patriarcado faz as mulheres terem nojo do próprio corpo.

Obrigada pelos textos inspiradores, Lola. Já estou compartilhando com as amigas. ♥

titia disse...

Esse povo imbecil tem medo de vagina justamente porque não entende nada dela. Só pensam na vagina como um buraco pra homem enfiar o pinto e se masturbar. A prova é que ninguém fala em "gosto duvidoso" quando entra na Oficina de Francisco Brennand e vê aquele monte de pirocas, bundas e peitos pra todo lado. Brennand não tem muitas vaginas, afinal ele era homem e homem não entende muito de vaginas... mas é o olhar de um homem, né? O olhar de um homem, que obviamente glorifica o falo e representa o feminino como objeto sexual, ou de forma extremamente superficial. Aí pode. O que não pode é um olhar feminino sobre o feminino, principalmente se envolver a vagina.

Apresentar a vagina como algo mais além de buraco pra homem se masturbar enfiando o pinto? Apresentar a vagina como poderosa, forte, que se mostra vermelha, brilhante, chamativa e madura ao invés de escondidinha, rosada e infantilizada como a sociedade aprova? Aí não pode não, é imoral, é tosco, é de mau gosto, é pornô! Queimem a prostituta na fogueira! Quer saber? Quem tem medo de vagina deve se limitar aos pintos e se calar quando as mulheres falarem.

Vixi, lembrei dos posts sobre a artista que fez uma performance com depilação na frente do Museu de Arte Contemporânea em São Paulo. Foi o maior mimimi e um dos posts dizia que o problema das pessoas com a performance não é nem nunca foi a nudez, mas o fato da mulher nua ter se colocado como sujeito ao invés de objeto. provavelmente tem algo do tipo envolvido nisso; além da obra representar uma vagina (o grande medo dos covardes), é uma vagina projetada por uma mulher, construída sob um olhar feminino, que se mostra o oposto do que a sociedade aprova (na surdina), essa é uma vagina real. Não aquele órgãozinho nada ameaçador todo alterado por cirurgias e aplicações de químicos, mas uma vagina REAL, como ela é de verdade, sem qualquer vestígio das fantasias masculinas a respeito do que é/deve ser uma vagina.

Enfim, frescura de gente ruim de cama e mal resolvida sexualmente que não faz sexo de verdade, mulheres carentes e frustradas por causa de repressão e homens frouxos que não fazem sexo oral/fazem questão de fechar os olhos durante o ato pra não ter que olhar para a vagina. Frustrados e covardes basicamente fazendo mimimi porque não conseguem diferenciar fantasia de realidade.

Lola Aronovich disse...

Não vi crítica dizendo que a land art é transfóbica. Só que algumas pessoas disseram que é, mas sem explicar o porquê. Tem que explicar. Não entendo por que esculpir uma vulva seria transfóbico. Juro, não consigo entender.

Anônimo disse...

Foda é que um bando de gente "progressista" (hahahah!) tá com raivinha deste trabalho. As artes plásticas (bem como a performance) muitas vezes geram essa indignação, pois ainda fica no nosso subconsciente aquela noção de que arte é inútil. Somos progressistas para caramba, mesmo: não aguentamos ver um assunto fundamental como esse ser abordado, é demais para a gente (diria até que rola uma inveja aí, de quem está fazendo, ousando). Fato é que tiramos onda de "doidões", mas somos os mais caretas de todos. Mente aberta até a página 2.

Anônimo disse...

Também acho que tem que embucetar! Temos o direito de falar sobre isso. E às favas com os caretas/pseudoprogressistas. (Sim, tem gente falando que é transfobia - hahahahah! Melhor pararmos de falar de violência obstétrica também, por exemplo).

ATELIER DAS AMIGAS disse...

Alguns pontos ficaram confusos para mim.
Eu achei incrível a ideia de usar gênero e classe para o debate, a Estética da obra também, todas as ligações que foram feitas perfeitas, até saber sobre a execução.
Porque qdo ela justifica a obra como gênero e classe e não utiliza para a concepção da obra o gênero e a classe me parece confuso. Não acho q ela tenha que fazer sozinha, não é isso. Mas poderiam ter outras ideias que usassem a
Classe e o gênero.
Por exemplo, pq não usar para a concepção já que foi um trabalho de 11 meses, o trabalho braçal de mulheres, incluindo todas que se reconhecem como mulher, de todas as raças e classes para moldar e escavar a vulva/ferida?
Imagina os debates que poderiam sair dali? Será que usar homens não reforça a questão da força física sendo prioridade masculina? , (como ela utilizou o termo “esforço hercúleo” usando de um adjetivo androcentrico) não afasta ela de uma discussão de genero?
Com relação a foto, o reconhecimento sobre os problemas de questão de classe e pela primeira vez visibilidade da raça ( que pra mim deveria ser incluído desde o início, mas aí sou eu) mesmo tendo concebido uma obra que a ideia era criticar essas questões também não fazem mto sentido e na auto crítica ela não fala sobre a questão de gênero na foto problemática que é justamente o diálogo que ela gostaria de abrir.
É eu sei que é foda dizer o que poderia ter feito depois do que já está tudo pronto, entretanto o que me Pareceu foi que a preocupação foi mais pelo produto final que o processo de execução. Não quero criar polêmica mas não consegui respostas para meu questionamento.

ATELIER DAS AMIGAS disse...

Se me permite, não é transfóbico, mas me parece um
Pouco excludente, já que nao representa ou “não dá conta” de todas as questões de gênero. Pode ser que este seja o propósito. Debater só uma parte. Não?

avasconsil disse...

Achei mais bonita longe (naquela foto em que ela aparece distante). Parece um antúrio, aquela planta que ficou famosa na novela Pedra sobre Sobre, a flor do Jorge Tadeu. Era um fotógrafo interpretado pelo Fábio Jr. Ele costumava urinar num antúrio. Quando ele morreu, a mulherada da cidade, saudosa, olhava a haste fálica da planta e o fantasma do Jorge Tadeu aparecia pra saciá-las... Pelo tamanho e pela cor, provavelmente a artista a concebeu pra ficar bonita, ou mais bonita, à distância. Mas se tivesse a haste amarela, a estrutura fálica (vi no Google que o nome é espádice) , não haveria tanta polêmica: a potência de um pênis gigante metafórico estaria lá. Numa sociedade patriarcal e machista o pênis é bem valorizado. Quanto maior, mais admirado. Acho que o pessoal da direita tá reclamando tanto porque a mulher de direita tem problema com o próprio prazer. Elas preferem esquecer que têm uma vulva. Com uma tão grande isso fica impossível. E o homem de direita se incomoda porque eles só querem usar as mulheres. Querem gozar sozinhos no sexo. Afinal pra muitos deles mulher que goza só pode ser puta. Têm pavor de mulher que reividica o orgasmo. Dessas eles morrem de medo e costumam xingar de tudo quanto é nome. Enfim, a pessoa pode achar feia, de mau gosto, de gosto duvidoso. Mas se o abalo e o incômodo forem grandes demais, a pessoa certamente tem problema sexual. São mulheres e homens que temem o gozo feminino. E isso é sintoma de pessoas doentes numa sociedade também adoecida.

Lola Aronovich disse...

Então, Atelier, mas desde quando uma obra de arte tem q cobrir todos os temas? Aliás, não só uma obra de arte, mas uma obra, ué. Qualquer obra: um livro, um filme, um artigo... Se não incluir tudo (o que é impossível), é excludente? Mas concordo com seu outro comentário, sobre gênero e classe. Seria ótimo se a obra tivesse sido feita inteirinha por mulheres. Mas será que há pedreiras suficientes na Zona da Mata? Eu vi também uma crítica de que a obra foi feita durante a pandemia, colocando em risco todo mundo que trabalhou. Eu não sei os detalhes sobre a execução, mas teria sido muito legal se o processo todo fizesse parte da obra.

Anônimo disse...

Eu, particularmente, achei a obra feia, em termos estéticos. Não posso fazer nada quanto a isso. Acredito que outras pessoas tem a mesma opinião. Normal, ninguém é obrigado a curtir. Mas daí a ficar incomodada, com raiva, atacar a artista por causa disso? Ah isso é coisa de gente com sérios problemas mentais e/ou sexuais.

Anônimo disse...

Lembrei deste excelente texto da Eliane Brum:
http://elianebrum.com/opiniao/colunas-na-epoca/por-que-a-imagem-da-vagina-provoca-horror/

Anônimo disse...

Mais Eliane Brum:
http://elianebrum.com/opiniao/colunas-na-epoca/a-cara-da-vagina/

Anônimo disse...

(Agora espero deitado os revoltados pedirem a remoção de todos os obeliscos fálicos que há por aí.)

ATELIER DAS AMIGAS disse...

Sim, concordo! Não tem como dar conta de todos os temas e achei dizer que é transfóbico um pouco over mas tb não tô nesse lugar para debater por isso usei excludente.
Com relação as pedreiras, eu não tava me referindo a profissões específicas, dei uma “viajada” na obra já feita e pensei em mulheres especialistas e não especialistas que ajudassem a artista a conceber a arte. “Colocassem a mão na massa” junto dela , uma integração com experiência de mulheres diferentes.
Com certeza ela tinha um planejamento e um capital pra isso( olhando de forma neoliberal), não sei se procurar mulheres seria um problema real para execução, e por isso interpretei que ela tinha a preocupação no projeto final e não nas experiências e execução da obra. E interpretei assim pq ela que entrou na questão política, usando classe e gênero se fosse só uma questão moral eu acharia realmente genial. Pq a obra é linda.
Abri o diálogo com minha opniao porque ela fez questão de mostrar com as fotos e descrever o processo de execução, coisa que geralmente um espectador não tem acesso. :)

Anônimo disse...

a questão da transfobia é muito importante quando ela associa, na fala, a vulva ao feminino, reduzindo o gênero a genitália. vim ler o que Lola tinha a dizer pois foi com ela que aprendi sobre o movimento das rads e achei que ela falaria sobre. infelizmente nem entrou na questão.

Cão do Mato disse...

Kkkkkkkk...coisa horrorosa essa "obra de arte"... pior foi a autora tendo que explicar o significado da xoxota gigante. Se precisou explicar é porque não é uma obra tão boa assim, né?

Anônimo disse...

Transgeneristas forçando esse papo acusatório de "transfobia" em tudo que diga respeito às mulheres são os mesmos misóginos de sempre, os mesmos veneradores de machos & falos e odiadores de fêmeas & xanas, os mesmos machistinhas invejosos incapazes de segurar seu recalque violento e assassino, os mesmos colonizadores adoradores de paus duros em riste ejaculando ou mijando em cima de tudo para marcarem "seu território" e empestarem o mundo com masculinidade, os mesmos pervertedores desesperados para fincar paus em tudo que é feminino e só diz respeito às mulheres, para subjugar e substituir bocetas por pintos... O fraco verniz falsamente progressista com que se pintam é incapaz de esconder esse fato.

Anônimo disse...

Por que não foi escavado por mulheres?

Homens e mulheres não são ambos capazes das mesmas tarefas?

Lola Aronovich disse...

Anon das 1:28, outra coisa q ñ muda é o seu discurso transfóbico. É sempre tão embaraçoso quando a gente não sabe se quem tá falando essas bobagens é uma radfem ou um mascu.


Anon das 9:23, talvez pq não houvesse mulheres pra cavar? Hoje 10% dos pedreiros no Brasil são mulheres. Ainda é muito pouco. Tem muita mulher que quer ser pedreira. Ainda faltam oportunidades.

Anônimo disse...

Embaraçoso é se dizer feminista e contraditoriamente surfar essa atual onda misógina antifeminista que já é mainstream, defendendo a objetificação dos corpos das mulheres por homens, que reduzem a real forma feminina (da fêmea humana) a um artefato a ser conquistado por eles, que eles podem comprar e possuir, ter.

As mulheres são humanas, e o feminismo radical reafirma esse fato. Mas sob o transgenerismo, mulheres e meninas são objetos passivos que possibilitam aos homens fantasias escapistas de "feminilidade" - um espaço despreocupado de diversão e moda, uma forma de ser percebido e validado como sexy e desejável - um estereótipo misógino criado pelos homens que subordina e rebaixa as mulheres e coloca os homens acima, em primeiro lugar.

Anônimo disse...

"Gosto duvidoso" é a expressão na ponta da língua da maioria das pessoas que teima em censurar a arte.

Concordo, por isso não vejo sentido em querer censurar o programa do Danilo Gentili ou o filme: "Como ser o pior aluno da escola", se você não gosta não significa nada.

Anônimo disse...

Duvidoso é o conteúdo do seu cérebro viu criatura

Anônimo disse...

É porque tem gente sem sensibilidade como você que não é capaz, sozinho, de refletir e extrair significados a partir da observação da obra

ATELIER DAS AMIGAS disse...


Mas pq só pedreiras? Pq não mulheres de várias profissões que quisessem participar. De novo não me sai da cabeça a falta de execução e só o produto final. Ou até o “lacre”. Então é apenas para a polêmica moral? Não tinha necessidade de entrar em questões políticasz
Quantas mulheres não possuem habilidades manuais, força física, por exemplo? Que mexem com terra, cerâmica ou até de qualquer outra profissão. Não é sobre a integração dessas mulheres com a questão da mãe terra? Ia ser muito mais interessante aproximar essas mulheres com as questões que q ela quis abordar. Voluntarias feministas, estudantes de artes, tantas possibilidades, sei lá. Sei que é complicado eu aqui de novo, uma mulher criticar uma outra mulher que já executou mas é que como disse lá em cima me parece mais um lacre do que um real discussão sobre feminismo, bem viver, sagrado feminino, classe,
Opressão e todos os assuntos e recortes que ela quis abordar. A gente não precisa se prender a profissão de pedreira. Será que não existem engenheiras que pudessem orientar? Por isso insisto na falta de planejamento e execução e apenas no resultado final.
E repito que só estou aqui especulando porque a artista resolveu abrir a questão da execução pelas explicações que ela deu e publicando uma selfie que foi realmente infeliz. Não consigo ver muita intencionalidade no processo.

titia disse...

12:12 dizer que o filme era uma merda, que não devia ter sido feito, não tinha a menor graça e não valia o ingresso não é censurar. É dizer a verdade apenas.

avasconsil disse...

Foi necessário o trabalho de um engenheiro pra coordenar as escavações onde a escultura foi encaixada. Não se tratou simplesmente de pegar uma pasinha e fazer uns sulquinhos. A escultura é grande e sua instalação exigiu mão de obra especializada e ou experiente. Essa discussão sobre que a execução da obra devia ter sido assim ou assado me lembrou um texto pequeno do Mário Quintana, que li há um bom tempo:

Um dia o Diabo viu uma criança fazendo com o dedo um buraco na areia e perguntou-lhe que diabo de coisa estaria fazendo.
- Ué! Não vês? Estou fazendo com o dedo um buraco na areia! – espantou-se a criança.
Pobre Diabo! O seu mal é que ele jamais compreenderá que uma coisa possa ser feita sem segundas intenções.

Mario Quintana

Moral da história: não importa quão simples uma coisa seja, sempre vai aparecer alguém - ou muita gente - pra complicar.

Anônimo disse...

Arte de extremo mau gosto. E agrediu a natureza. Criou ambiente propício para o mosquito da dengue.

Anônimo disse...

Não concordo com tudo que você escreveu mas falar em transfobia é forçar a barra mesmo!

Anônimo disse...

Sou mulher e não sou capaz de escavar nada nesse mundo... Menos, né?

Anônimo disse...

Anon das 9:23, pedreiras normalmente só fazem serviços de acabamento, não fazem serviços tão pesados quanto os pedreiros e a escavadeira não pôde ser utilizada, tudo teve que ser feito "no braço", por isso foram homens que executaram a obra.

avasconsil disse...

Pazinha. Quando estava escrevendo pazinha me pareceu uma paz pequena. Estranhei. Aí acabei trocando z pelo s.

Alan Alriga disse...

Lola na verdade isso está se tornando perseguição contra feministas, pois várias feministas estão sendo atacadas e perdendo as suas redes sociais de forma permanente, devido a ela criticar a queima de livros da saga Harry Potter, ela só falou que o ato de queimar livros era algo fascista, e uma porta aberta ao nazismo. Nisso ela foi ataca, sendo chamada de transfóbica e um termo que esqueci como se chama, que classifica feministas como transfóbicas, e em pouco tempo o Twitter dela foi deletado, e logo o Facebook, Instagram e as outras redes sociais dela, ou seja foi um ataque em massa. Depois disso outra feminista menos famosas tiveram o mesmo destino que ela, juntamente com outras mulheres que tentaram defender ambas.
Mas aí que está, não sei se éverdade, vi isso em um vídeo no YouTube que tomou um strike do próprio YouTube, dois dias depois de ser postado, e quem postou não entendeu nada, sendo que o vídeo tinha sido monetizado.
Então quem realmente souber a verdade sobre isso fale.

Alan Alriga disse...

Exatamente isso Titia, e detalhe era quase tudo crianças comentando isso, fazendo meme pra ofender a artista, e detalhe vi uns prints mostrando que alguns só estavam xingando ela porque viram outros fazendo isso, ou seja ódio gratuito por simples ódio sem sentido algum, só porque é uma mulher.

Alan Alriga disse...

Já vi alguns cientistas falando que têm muitos progressistas que são tão apegados a essa a alucinação coletiva chamada construção social, que já foi totalmente desmistificada por mais de 200 cientistas, ou seja está no mesmo nível do que a terra plana, signos, terra oca e qualquer tolice que gente burra, ignorante animalesca acredita. Chegam a seren negacionistas ao ponto de que, fascistas são muito mais tolerantes do que os progressistas atuais, e detalhe isso saiu da boca de um cientista. E por causa disso que se não existir inclusão total em tudo, tudo será visto como transfóbico, ao ponto que gays estão sendo taxados de transfóbicos por não gostarem de buceta, e lésbicas por não gostarem de pinto.

Alan Alriga disse...

A obra de arte ficou linda, parabéns para a artista que deu reconhecimento para quem pegou no pesado, e confesso que essa foi a primeira vez que vejo algum artista de verdade fazendo isso, só pra vocês terem uma idéia de como quem realmente constrói os projetos nunca recebem os devidos créditos, têm um episódio do Naruto Shippudem onde dois ninja inimigos, criam uma enorme armadilha para pegar o Naruto, a armadilha em si é uma gigantesca obra de arte, a ninja que fez o desenho fala que aquilo é sua obra prima, enquanto o ninja que vai construir tudo sozinho diz que eles vão ficar muitos famosos, e a artista ri e responde que só importa quem fez o desnho, e não quem de fato construiu a obra. E se algo assim apareceu em um anime, é porque é uma verdade universal onde ninguém se importa com quem realmente fez a obra de arte, mas a Juliana foi totalmente na contra mão dessa verdade, se mostrando totalmente humilde e humana, e completamente diferente da gigantesca maioria dos outros artistas. Novamente os meus parabéns pela sua belíssima obra de arte.

Alan Alriga disse...

"Qualquer obra: um livro, um filme, um artigo... Se não incluir tudo (o que é impossível), é excludente?"
Sim Lolinha, hoje em dia é sim excludente, racista, lgbtfobico e todo o resto. Pra você ter uma idéia o jogo Cyberpunk 2077 que é o jogo mais inclusivo já criado na história do mundo dos games, mas quando estava sendo desenvolvido, foi taxado de racista, machista, lgbtfobico e o caraio a quatro só porque o criador do jogo é um homem negro, é o único jogo já feito que têm a possibilidade de criar e jogar com um personagem trans, tendo a possibilidade de customizar as partes íntimas, alterando o formato, cor, tamanho, penteado/corte e cor dos pelos pubianos, voz, seios e o que mais quiser no personagem, e não fica só na criação do personagem mas dá pra ver as partes íntimas em ação, já que no jogo têm cenas de sexo bem pesadas, e mais um enorme quantidade de vibradores espalhados por tudo que é canto, por segundo alguma jornalista sem importância dusse que vibradores empodera as mulheres, então eles colocaram milhares deles espalhados pelo jogo, sem falar da enorme quantidade de prostituição disponível no jogo, pra não deixar ninguém excluído.

Kasturba disse...

Nos espaços de esquerda hoje existe um culto ao trans, e uma verdadeira inquisição a tudo o que reafirma a questão do sexo biológico, que se assemelha demais a fundamentalistas religiosos querendo impor suas crenças e acusando de "pecadores" e até mesmo "perseguidores da fé quem não acredita no que pregam.

Eu não sou religiosa (já fui, hoje em dia não mais). Mas respeito o direito de quem é, ser. Julgo positivo que existam igrejas onde as pessoas possam ir professar sua fé e acho certos trabalhos de caridade feitos por algumas igrejas maravilhosos. Em algumas raras ocasiões sociais que me vejo obrigada a frequentar cultos religiosos (normalmente quando algum parente morre), me porto da maneira mais respeitosa possível, e até passo despercebida em meio aos verdadeiros religiosos presentes. De toda forma, continuo com minha descrença em tudo que é proferido por esses pastores/padres/guias. Mas isso não faz de mim uma cristofóbica.

De maneira análoga, enquanto feminista eu simplesmente não acredito em gênero. Acredito que pessoas nascem com sexos biológicos (cromossomos XX ou XY), salvo raríssimas exceções (os XXY, por exemplo), mas gênero é algo construído socialmente, sem nenhuma ligação com o "mundo natural", e que por isso pode (e deve) ser desconstruído. Não acredito que meninos que gostam de balé sejam na realidade "meninas em corpo de meninos". São simplesmente meninos que gostam de balé e fim. Mas de toda forma, defendo o direito ao uso do nome social, trato qualquer pessoa pelos pronomes e artigos que a fizerem se sentir mais confortável e defendo pautas que visam inserir essas pessoas trans (que, ao meu ver, são vítimas do machismo) no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. Mas continuo sem acreditar em transexualidade, e isso não faz de mim uma pessoa transfóbica.

avasconsil disse...

Não dá pra saber. Pode ser que haja sistema de filtragem e drenagem. Agrediu a natureza. Até o pum do boi é da vaca agride a natureza. Construir prédio agride a natureza. Andar de avião. Ter ar-condicionado...

Kasturba disse...

Se uma escultura em formato de vagina é transfóbica, então uma estátua de Darwin é cristofóbica...

Anônimo disse...

“““o problema, segui meu raciocínio, é que a vulva de gaia estava fora de um contexto erótico ou pornográfico, e fora deste contexto, a buceta é uma boca silenciada””” (Lelê Teles)

https://revistaforum.com.br/rede/o-pete-e-o-sinal-de-jonas/

Anônimo disse...

Não vi nada demais e muita gente já se cansou de só viver de lacração. Isso já se desgastou.

Alan Alriga disse...

Desculpem pelo corretor, não dá pra desativar ele

Alan Alriga disse...

Kasturba assista esse vídeo onde um cientista de verdade, explica tudo sobre sexo biológico, e sim trans, gênero fluído, e outros gêneros são todos na verdade sexo biológico, e que essa história de gênero e construção social é tudo lorota.
https://youtu.be/qhk06A7-wZI

titia disse...

Alan Alriga ridículo mesmo um bando de pirralhos que nunca prestaram atenção na aula de biologia e zé-vai-com-os-outros dando showzinho pra aparecer. Ridículo demais. Os moleques não conseguem nem ver uma vagina em situação não-erótica sem fazer mimimi e depois querem se achar os que sabem tudo de sexo e gênero... sifu, viu?

E esse fanatismo trans, mano... tinham que pegar uma luta justa e estragar tudo, né? Alguém sempre tem que ter o chilique e o rei na barriga e levar tudo na direção do fantismo. Me pergunto se não tem cancervador infiltrado no meio fazendo isso de propósito pras pessoas ficarem com ainda mais preconceito contra a comunidade trans, ou se as lideranças são realmente mimadas ao ponto que ninguém pode se recusar a transar com eles/elas.

Anônimo disse...

Eu e mais seis camaradas estamos em Fortaleza desde o dia 4. Iremos passar em cada hospital da cidade procurando sua mãe. Quando a acharmos, iremos passar a faca no pescoço dela. Não se preocupe, trataremos de deixar um bilhetinho pra você na cena. Hoje a sua mãe irá pagar por ter parido o demônio!

Anônimo disse...

"a questão da transfobia é muito importante quando ela associa, na fala, a vulva ao feminino, reduzindo o gênero a genitália'

Cara, falar que a vulva tem a ver com o feminino, n é reduzir ninguém a uma genitália. O movimento trans q vem com esse argumento absurdo, fingindo que vagina n faz parte do corpo feminino e q pênis n tem nada a ver com o corpo masculino. É simplesmente a realidade, a biologia.
E o mais engraçado é q para eles, é só a genitália que n tem nada a ver, mas tomar hormônios para ficar com a voz e o resto do corpo parecido com o que eles se identificam, aí tem tudo a ver. Problema nenhum.


"ou se as lideranças são realmente mimadas ao ponto que ninguém pode se recusar a transar com eles/elas."

Pior que é isso mesmo. Não posso afirmar que são todos os trans q pensam assim, mas já vi vários canais de pessoas trans, dizendo que se alguém se recusar a transar ou ter um relacionamento amoroso com eles é transfobia.
Quer dizer, a sexualidade das outras pessoas que se dane.

Anônimo disse...

Os trans deveriam ter paz. Na Ilha deles. Só eles. Sem ninguém mais. Ilha. Deles. Todos os trans do mundo na Ilha trans. Em paz. Em paz...

Alan Alriga disse...

Isso foi é por causa da ala radical do progressismo, que nega ciência, nega a biologia, nega o que for preciso para propagar algo que nem sequer existe, e pra isso manipulam a comunidade lgbt e a usam como massa de manobra ideológica, logo não é justo colocar a culpa na comunidade trans, já que eles só estão sendo usados

Christiane disse...

Entao Deus e transfobico!

Alan Alriga disse...

Enfia umas 15 britadeiras no cu que essa sua raivinha passa

Anônimo disse...

Eliane Brum, de novo (texto novo):

https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/eliane-brum-a-vagina-que-interrompeu-a-farra-bolsonarista-e-salvou-o-reveillon-do-brasil.html

Anônimo disse...

Agora falta a vacina gigante!

Anônimo disse...

Coleção histórica feminista! :-)

https://noticiasyanarquia.blogspot.com/2017/12/liberan-la-coleccion-historica-de-la.html

titia disse...

15:50 os elementos falam essas merdas e nem percebem que estão defendendo o estupro...

16:34 na verdade quem ficaria feliz isolado numa ilha sem ninguém mais são os homens hétero top que odeiam qualquer um que não seja um hétero top babaca que nem eles. Se vocês juntarem seus cacarecos e se mandarem, as mulheres e os LGBTs se viram muito bem sem vocês, viu? Vão em paz e sejam felizes.

Anônimo disse...

Fazer uma vagina gigante é arte? Que mundo e esse?
Vai arrumar o que fazer, faz arte de verdade. Isso aí é palhaçada para querer aparecer e ser “moderninha”. Não tem ideia, não cria. Quer aparecer? Pendura uma melancia na cabeça. Tá de sacanagem né , só pode! Quanta imbecilidade. Que merda é essa.

titia disse...

"faz arte de verdade": faça muitas pirocas grandes, grossas e cabeçudas para eu e meus parças podermos babar e usar para nos "inspirar" durante nossas sessões de girocóptero no banheiro.