sábado, 22 de outubro de 2011

GUEST POST: E QUANDO UM AMIGO DEFENDE O INDEFENSÁVEL?

Faz uma semana, uma leitora querida chamada Hellen, que mora em Mariana, MG, me enviou o email abaixo (que eu pedi para publicar e ela autorizou). Ele me fez pensar em vários pontos: primeiro, em como podemos reagir quando um amigo nosso fala um monte de besteiras. Segundo, se os jovens são mais tolerantes que o pessoal de outras faixas etárias. Já ouvi gente falando que o problema está em pessoas da minha geração pra cima, e que quando nós de 40, 50, 60 anos morressemos, aí sim teríamos um mundo sem preconceitos. Eu adoraria acreditar nisso, mas a gente sabe que não é verdade. O terceiro ponto é que eu estava lendo uma Caros Amigos (não me lembro do mês), e nela tinha uma reportagem sobre universidades feitas para pessoas ligadas ao Movimento Sem Terra. Nessas universidades, iniciadas pelo governo Lula, as pessoas aprendem coisas mais específicas, mais ligadas a sua vivência no campo e a sua luta. Parece totalmente legítimo pra mim que advogados formados nesses cursos serão advogados, juízes e promotores que defenderão os trabalhadores, e não seus patrões. Que a ambição desses advogados não estará em ficar rico defendendo, sei lá, o Rafinha e o CQC. Que eles tenham sonhos diferentes. Mas várias reportagens da imprensa tradicional (sempre alinhada com a direita) condenam a existência dessas universidades e da formação desses profissionais. A Caros Amigos cita um editorial impressionante do Estadão que questiona: oh meu deus, e se esses advogados virarem juízes, já imaginaram o horror? Eles trarão seus próprios valores e ideologias pro tribunal! Só rindo, né? Quem escreve isso realmente acredita que os juízes de sempre são tábulas rasas? Que só gente do MST têm ideologia? Que o filhinho de papai que faz Direito porque a família quis assim e depois passa num concurso e vira juiz pra ganhar bem não trará seus valores pro tribunal?
Viu como o email da Hellen é bom? Ele me fez pensar em todas essas coisas.

Olá Lola,
Meu nome é Hellen e tenho 21 anos. Sou mulher, negra, lésbica e feminista.
Sou o que de pior pode existir para os mascus, como vc tão carinhosamente os chama, não é?
Devo dizer que adoro seu blog e que todo dia acesso ele para ler não so os novos posts colocados mas também os antigos. Seus textos têm verdadeiro dom de ser sempre muito atuais.
Te escrevo para alem de afirmar minha admiração pelo que vc escreve, e neste post não foi diferente, lhe dizer o quanto suas palavras são reais. Como eu disse, sou mulher, negra, lésbica e feminista. Faço questão de reafirmar isso pois tenho muito orgulho de ser, ou ter, com toda complexidade, cada uma dessas caracteristicas. Sou tudo isso e cada uma dessas coisas, ainda que muitos dizem ser impossível. Há homens e mulheres que não conseguem perceber o quanto é fundamental para cada ser humano ter a liberdade de poder afirmar ou de gritar aos quatro ventos o que é, ou como pode se reconhecer.
Falando especialmente de mim, ainda que eu seja muito tranquila em dizer tudo isso e de geralmente as pessoas que convivem comigo "respeitarem" as minhas "escolhas" (como se respeitar fosse uma escolha ou tratar o que sou como escolhas fosse sinal de respeito), tenho amigos e familiares machistas. O que óbvio. Afinal, vivo nessa mesma sociedade que promove esses absurdos que vc citou no seu texto.
Eu sei que o machismo existe, sei que ele mata. Vejo isso no noticiário e vejo isso na minha militância, onde ouço tantos depoimentos. Nunca acreditei que vivesse num lugar sem preconceitos ou descriminações, pois desde muito jovem sofro e percebo as atitudes e insinuações preconceituosas, seja por ser mulher, ser negra, homossexual, feminista ou pelo pacote completo.
Mas ao ler esse caso absurdamente chocante, comentei com um amigo que vi no Facebook sobre o caso da menina que teve o braço quebrado por ter dito não ao cara. Para resumir a história, eu e meu amigo passamos mais de duas horas discutindo sobre o caso. Eu dizendo que era um absurso por todos os motivos óbvios e ele, um estudante de direito, dizendo que eu tinha que antes de julgar a atitude do rapaz, ver os dois lados da situação. Afinal de contas, possivelmente ele não teve dolo ou intenção de quebrar o osso do braço dela. E que o incidente pode ter acontecido apenas porque a menina pode ter fragilidade nos ossos e eles se partiriam com facilidade. Ou que se ela tivesse parado apenas para dar atenção ao que o pobre rapaz queria dizer, todo mundo sairia bem da balada.
Qualquer argumento que eu use aqui para reforçar meu repúdio em relação a esses comportamentos não será suficiente para dizer o quanto aquela discussão me deixou perplexa. Lá estava eu, discutindo com um futuro advogado, promotor, juiz (cada vez eu fico mais assutada com as possibilidades), sobre aquela situação específica, e ele dizendo que eu estava exagerando em achar que o cara deveria ser punido, pois podia ser sem querer... E que eu como toda feminista xiita estava sendo dura demais em julgar o caso. E que eu como lésbica deveria entender que para se chegar numa mulher às vezes precisa ser mais agressivo, pois mulher adora ser "pega de jeito".
O que dizer após um argumento desses?
Dentre todos esses absurdos, me dói saber que não é só meu amigo equivicado que pensa assim. Como você mesma citou, os comentários em grande número justificam a atitude masculina no momento em que o macho alfa ouve um não. Mas me dói ainda mais saber que um cara desses poderá em breve ocupar um cargo público para julgar ou ser o promotor num caso assim. Você acha que quem será beneficiado nesse caso? A mulher vai ter que ser vítima mais uma vez?
Para mim ainda existe mais um agravante. Eu tenho 21 anos, meu amigo tem 24. Pior, eu sou minoria, ele maioria. Me assusta muito mesmo ver a juventude com pensamentos tão retrógrados como esse. Eu na minha ingenuidade ou na minha fé nas pessoas, acreditava de verdade que minha geração tinha evoluído sua forma de encarar o mundo junto com a tecnologia. E não. Não evoluímos com relação ao machismo de cada dia. Toda minha reflexão me lembrou uma frase que uma amiga que me apresentou o feminismo me disse há cinco anos: "O feminismo está na contramão da sociedade". Eu nunca tinha pensado como essa frase é verdadeira. Eu nunca tinha refletido tanto sobre ela.
Como eu disse, eu sei sobre preconceitos pois sofro com eles toda vez que digo não a uma cantada babaca na rua, ou quando eu e minha namorada somos destratadas nos mais diversos lugares por estarmos de mãos dadas. Nada disso é novo para mim. Mas é incrível como algo que não está relacionado diretamente a mim pode me ferir tanto.
Desculpe o desabafo, Lola. Mas eu precisava dividir isso.
Saudações Feministas.

101 comentários:

aiaiai disse...

Ótimo texto. Realmente a mudança social - inclusive a igualdade entre as mulheres - tem que passar pela compreensão do que é a ideologia dominante, como ela exerce esse domínio e do que podemos fazer para dar maior visibilidade às ideologias ñ dominantes, como o feminismo.

Paulo Freire, que sabia tudo sobre isso, escreveu um livro lindo - Pedagogia do Oprimido -(leiam http://www.mda.gov.br/portal/saf/arquivos/view/ater/livros/Pedagogia_do_Oprimido.pdf).

Mas, é duro perceber q mesmo ele, o mestre, não percebia naquela época o machismo das suas colocações. O livro é cheio de "o homem..." quando na verdade ele queria se referir a "o ser humano ..."

Mais tarde ele admitiu que era uma escrita machista. Vejam aqui:

http://www.centrodandara.org.br/Subsidios/Linguagem%20inclusiva.htm

Acho esse um bom exemplo de como é difícil perceber que você está sob a influência de uma ideologia que, as vezes, nem é mesmo a sua.

Portanto, temos que ter muita paciência para lidar com pessoas amigas q não conseguem enxergar. (embora eu não seja das mais pacientes, confesso, mas tenho trabalhado para isso)
Se Paulo Freire não percebia, imagina a dificuldade q é para outras pessoas que não são gênios.

Dária disse...

Belo e-mail. Fico arrasada também com os comentários de algumas pessoas próximas. Recentemente, em um bar, o namorado de uma amiga contava que a primeira vez que ficou com ela foi a força, que ele a puxou e roubou um beijo e que ela ficou com raiva na época. Ele contava com orgulho! Quando ele viu que todo mundo, ao invés de aplaudir, estava achando aquilo tudo errado, ele saiu com essa: "mas quando você pega a força, a menina acaba pensando em você" ^^
Minha amiga estava no dia nitidamente envergonhada e chateada por ele contar esta história... eu já tava incomodada com ela também pela situação. Enfim, constrangimento geral e o cara alegre contando peripécias afins e nem se tocava.

Sobre o caso da menina aqui de Natal, do braço quebrado, recentemente uma colega de trabalho de minha mãe estava defendendo o carinha também, gritando aos quatro ventos que ela provavelmente tinha dado em cima dele, tinha se insinuado, e que ai depois ficou "fazendo jogo duro", numa clara tentativa de justificar a agressão. Resposta de mainha, que me matou de orgulho (em vários pontos ela ainda é tradicionalista, mas acho que tem uma forte veia feminista não trabalhada rss): "ela podia tá nua se esfregando no cara, e ainda assim ele não tem direito de bater nela!"

Isabel SFF disse...

Belo post, um convite à reflexão por meio de palavras muito corajosas.

A todo o momento nós nos deparamos com pessoas defendendo o indefensável: brutalidade policial, machismo, racismo, homofobia... A lista é grande. E quanto a minha geração, com seus 20 e poucos e anos, acredito que ela esteja dividida: uma parte é realmente menos preconceituosa do que a geração anterior, mas outra parte é tão conservadora quanto nossos avós. Mas eu sou uma otimista e acredito que o futuro será melhor e mais tolerante com as diferenças.

Desconstruindo a Mãe disse...

A falta de argumento e a incapacidade de tolerar a frustração levam à violência. O exemplo, também.

As pessoas acreditam ainda que existe justificativa plausível para o que os homens fazem quando sentem ciúmes (com ou sem motivo), insegurança, raiva... E há mulheres fazendo também, porém não são maioria.

Objetificar uma pessoa, fazendo-se dono dela mostra total incapacidade do ser humano de relacionar-se. A criatura pensa que poderá fazer de sua "coisa" o que quiser, inclusive jogá-la contra a parede, maltratá-la para descarregar tensões (e aí o sexo, que deveria ser manifestação de desejo e carinho vira estupro), até quebrar os ossos ou matar

Nossa sociedade não pode se calar diante de atitudes como essa.

Em minha família situações repetidas de violência doméstica contra minha tia não fora suficientes, até chegar o ponto em que o esposo dela esperou que ela saísse pro trabalho e matou minha prima, por pouco não conseguiu também com meu primo e se matou.

E o peso da omissão de quem era adulto e competente pra lidar com a situação na época segue até hoje, mas não altera a história.

Um abraço,
Ingrid

Niemi Hyyrynen disse...

Parabens Hellen pela sua coragem!

Olha eu fico passada com essas coisas, então quer dizer que o cara acha tudo isso normal? ok?

Só pelo fato dele dizer que a menina poderia "quebrar fácil" já dá para ver que ele tem essa imagem de mulher frágil, como se nós fôssemos feitas de cristal né! Ah vá, a Hellen teve muita paciência, eu teria mandado o cara catar latinha na hora (pq catar coquinho não é lá muito sustentável).

É incrível como os homens defendem essa cultura do merecimento, dizer não, não é opção, o que nos resta? Ficar com todos os homens que nos abordam, ir pra cama com todos e levar a fama de "putas" sermos julgadas e tratada que nem coisa e ainda ficarmos contentes com isso. ¬¬ pelo amor.. né

Eu tenho medo, (momento regina duarte) mas muito medo desse papo "Brasil país do futuro" ouço isso sempre, pq as pessoas são tão passivas assim? Pq não podemos fazer as mudanças necessária AGORA?

E esse cara ai poderá engressar na carreira pública, magina ele defendendo um cara que teve a intenção de agredir! Pq ele se achou no direito de reinvindicar um direito que ele acha que ele tem!!! Como se a menina não tivesse o direito dela de dizer não!

aff, fico muito muito revoltada

Será que esse idiota não procurou inverter a situação, imaginar como seria se fosse um homem que tivesse sido atacado por uma mulher?

Ele ia dizer que o cara é de cristal tb? Que ele não tem direito de rejeitar? Que ele não deveria estar na balada?

Claro, se fosse o contrário a mulher estaria errada, aliás em qualquer hipótese estamos erradas!!!

Depois vem fulano aqui dizer que não temos nada para lutar, pq temos tantos direitos quantos os homens!!!

O feminismo precisa lutar exatamente contra essas amarras invisíveis, eles querem que tenhamos a falsa sensação de poder fazer, ou ser o que quiser,mas com ressalvas bem grandes!

Vc pode ir na balada: Pode!
MAS vc é uma puta, e se dizer um não para algum macho qualquer, vc estará errada e merece apanhar.

Isso é só um exemplo, de como o machismo está oculto, e como ele age assim sistematicamente para que continuemos presas em nossa "liberdade".

TO MUITO BRAVA

Morenão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Liana hc disse...

Boa reflexão. Também acho ingênuo acreditar que os jovens são tão menos preconceituosos que os demais grupos. Essa juventude que passa cada dia mais tempo ligada em mídias e menos em pessoas "reais" são altamente influenciáveis por estes conteúdos em sua maioria machistas e misóginos.

Uma irmã minha é advogada e também já tive conversas desanimadoras com ela. Ela relativiza tanto casos como este da mulher que teve o braço quebrado que parece que nem aconteceu nada de mais.

Engraçado é que ela fala que em Direito devemos ser imparciais, julgar com base em fatos, em evidências, mas a maioria das vezes que eu escuto advogados falando desses casos já é defendendo o agressor e desmerecendo a vítima. Cadê a tal imparcialidade? Advogados não cresceram numa bolha, eles chegam lá em sua maioria cheios de preconceitos assim como tem nas demais pessoas e no cerne das instituições, eles não são especiais. Ética é um conceito que não faz lá muito sentido no vocabulário profissional dela.

É vendo o comportamento padrão desses profissionais que eu defendo com unhas e dentes a Lei Maria da Penha e sua exclusividade para mulheres. Tem vários advogados e policiais na minha família, convivo com esses profissionais há tempos e acho que muita gente não percebe o quanto de machismo e misoginia está entranhado nestas áreas. A mulher que tenta denunciar já chega em desvantagem.

Morenão disse...

"Mas várias reportagens da imprensa tradicional (sempre alinhada com a direita)."

Você com sempre adora distorcer as coisas né Dona Lola ?

Confesso que esse trecho me fez rir, aqui no Brasil Mal temos um outro político de Direita, quem dirá um imprensa de Direita.

O esquerdismo domina o mundo lentamente, mas o Brasil já está tomado pelo mesmo a muito tempo.

Flávio Brito™ disse...

Belezela!
Texto bacana...
Mas só não entendi uma parte:

"juízes e promotores que defenderão os trabalhadores, e não seus patrões"

Como assim?
Eles devem proteger quem estiver certo, quem for a vitíma.
E não uma categoria em detrimento da outra basiada no coitadismo socialista/comunista.

Ou eu estou trolando e falando besteira aqui?

Arlequina disse...

Esses dias tava tendo um momento de reflexão com o meu namorado. Esse pensamento do 'entitlement' vai muito fundo nas nossas raízes culturais. Algo que, pra mim, parece pouco comentado e que é algo que perpetua problemas não é só o direito da mulher dizer 'não' quando conhece o cara, mas o dizer 'não' em qualquer momento da situação.

Alguns exemplos que me vieram à cabeça:

- Tem homem que respeita você não querer fazer sexo com ele no começo do relacionamento. Mas depois da primeira vez, parece que negar sexo é um crime, algo que a mulher está fazendo com um propósito, sendo má, etc. O homem 'merece' sexo, pô. É a única parte boa de estar num relacionamento - o sexo é garantido. [notem a ironia nas últimas frases, por favor]

- Quando a mulher vai terminar um relacionamento, existe o eterno questionamento: 'Por quê?'. Não o questionamento saudável, que vem de ambos os lados, mas o questionamento que não aceita que simplesmente ela não está mais interessada, que o amor acabou, etc. Que a mulher só tem direito de largar um homem se ele fez algo errado com ela (traiu; bateu; etc). Ou você usa a tática do 'O problema sou eu, não você; a culpa é minha', ou você vai se sentir questionada. Pior: vai ser acusada (como se isso fosse um crime terrível!) de trocar um homem por estar de olho em outro. Como se não tivessemos o direito de querer ficar sozinhas, sem aquele cara.

Acho que a situação do rapaz de Natal é só uma das pontas do iceberg. E concordo com o que foi dito: acho que é muito complicado você simplesmente dizer que a geração mais jovem, por ser jovem, é menos preconceituosa.

Eu vejo inclusive, pessoas que foram criadas em ambientes mais arejados, repetindo velhos preconceitos, porque, a gente sabe, aprende-se muito com o meio e a sociedade.

E eu entendo exatamente quando você tem que conversar com alguém que gosta e que discute uma posição indefensável: tenho problemas similares com meu irmão mais novo...

Parabéns pelo guest post, moça. =) Achei ótimo!

fabi disse...

Nossa como me identifico com esse post. Não sofro somente com o feminismos, mas é sempre as questões machista que ocorrem com mais abundancia e levam a discussões mais "calorosas", e sempre fico chocada em perceber que conhecidos são mente fechada e preconceituosos.

Para abrir os olhos disse...

Lola, sempre acompanho seu blog, e depois de ler seus textos me sinto esperançosa e um pouco menos solitária, visto que toda vez que entre em qualquer tipo de discussão de gêneros com pessoas próximas sempre recebo respostas como: "Larga dessa mania de perseguição, o que há é um sistema meritocrático, mulheres não são descriminada!" ou "há tantas coisas mais importantes que a desigualdade entre gêneros, não perca seu tempo com isso", ou "é histórico, bem ou mal funciona, deixa quieto".

Fiquei muito feliz de saber que tem alguém aqui tão pertinho (sou de Ouro Preto - MG) que também questiona o machismo do dia-a-dia e o ver como um mal real! De alguma forma me senti menos sozinha!

Obrigada, Hellen, por reforçar esse meu sentimento de união por uma causa real e gritante por mudança!

Niemi Hyyrynen disse...

¬¬

É claro Flávio que vc ta falando besteira! Quando alguma vez vc falou alguma coisa que presta aqui!?

"Eles devem defender que está certo".

É óbvio que pela posição social economica priveligiada, esses patrões para a justiça (que não é cega, sabe ver muito bem os zeros na conta) estão sempre certos, é só vc ver os casos recentes de greves, como os trabalhadores são tratados como se fossem bandidos por terem a ousadia de exigirem um direito deles que não é vingado.

Vc acha isso certo? Devo imaginar que vc seja algum dono de empresa, ou algum tipo de trabalhador muito burro para apoiar essa cultura que sempre tenta botar a culpa na vítima, e não estamos aqui fazendo "vitimismo" algum aqui, o próprio fato das esferas dominantes colocarem a seus dispor mecanismo que as protejam de reivindicações trabalhistas já é um indício da desigualdade.

Vc está sempre acusando a Lola aqui de caçar pêlo ovo, mas é sempre vc e os seus amigos que estão aqui procurando forçar a barra nos textos dela para acharem alguma "razão".

Guarde sua neurose pra vc.

Flávio Brito™ disse...

"niemY" a advogada da Lola...

Eu sou um troll não me alimente!

Na sua mentalidade o Juiz deve:

Defender o empregado em detrimento do patrão independente que quem for a vitima.

Defender o negro em detrimento do branco independente que quem estiver errado.

Defender o MST em detrimento do fazendeiro independente que quem for a vitima.

Defender a mulher em detrimento do homem.

Afinal os últimos tem posição social econômica privilegiada em relação aos primeiros...

Starsmore disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Starsmore disse...

Num guentei passar da parte do horário eleitoral gratuito. Então não cheguei a ler o guest post.

Juro me dá náusea ver defesa do governo petista e depois vir reclamar de homofobia.

Quem sabe quando o número chegar a um homossexual morto por hora o pessoal para de viver da utopia dos Caros Amigos.

Aoi Ito disse...

O que me espanta é que o pessoal confunde "explicação" com "justificativa".

Devemos ver os dois lados, sim, para entender a situação e ver por que ela chegou aí, para então entendermos como podemos consertar para evitar que isso se repita no futuro. O cara quebrou o braço da moça porque ela não cedeu a ele. Ela podia estar se insinuando pra ele, OK.

Isso EXPLICA. Não JUSTIFICA.

O fato é: Ele quebrou o braço da moça. Isso é errado e ele deve ser punido. Pode explicar o quanto quiser; no final vamos chegar no machismo e temos que resolver isso. Mas nada justifica o que ele fez. Nada.

Aliás, Hellen, eu teria mandado ele se foder no momento que disse que "lésbica devia saber que mulher gosta de ser pega com jeito". Ele claramente não entende NADA dos relacionamentos lesbianos (E nem dos heterossexuais, né). Dizer que lésbicas funcionam do mesmo jeito que homens heterossexuais machistas é um chute muito, muito feio. Nem a lésbica que mais quer/acha que tem privilégio masculino que eu conheço agiria de forma troglodita assim. Tem uma diferença: Lésbicas são MULHERES, não homens que acham que têm direito a mulheres, não importa o que.

Que falta de bom-senso e sensibilidade, putz.

A pior coisa que eu vi no FB foi uma mulher casada defendendo o Rafinha contra a Wanessa... Porque a Wanessa é interesseira, só quer riqueza, só está aí pra se achar; aí eu perguntei pra ela se ela acharia legal se um qualquer que não tem a confiança dela dissesse que iria comê-la e comer o filho dela junto. Ela se esquivou demais, e depois de um tempo a resposta dela basicamente foi "Bem, eu ficaria incomodada, mas ele é pago pra isso, né"

Nem mesmo quando a gente está certa, como vítima, achamos que podemos reclamar das coisas. Essa passividade feminina que a dominação masculina impõe me incomoda muito. É sempre "não, não vamos gritar, não vamos reclamar, não vamos bater, vamos fazer tudo na paz"... Sofrimento glorificado é um dos jeitos de opressão, a gente acha que se estamos sofrendo em silêncio somos superiores por não estarmos reclamando e tentando nos livrar, não estamos "nos rebaixando", mas no final, no final, quem tem o poder não quer largar e nenhum random vai olhar pra mulher que sofre em silêncio e dizer "Poxa, tadinha dela, ela é tão iluminada, tão alta, tão mágica, vamos parar de oprimi-la, pessoal" :|

Putz.

Flávio Brito™ disse...

E “niemY” não tenho nada contra você, mas espero que você nunca seja juíza.
Por que você vai levar essa sua ideologia para os tribunais...
E se um cara negro, gay e pobre agredir um homem branco hetero e rico, é bem capaz de você mandar o cara da classe social econômica privilegiada para cadeia e ainda mandar ele pagar uma indenização para o cara da minoria desfavorecida...

disse...

Excelente guest post, realmente faz a gente refletir bastante.

Até pouco tempo também tinha essa ilusão de que a minha geração não tinha preconceitos, mas aumentando meu círculo social fui percebendo que infelizmente não, que muitos ainda são bem preconceituosos e alguns até mesmo mais preconceituosos que pessoas mais velhas. E pude perceber que isso não tem relação com faixa etária.

Acontece várias vezes de pessoas do nosso convívio (e que nós acreditávamos que não tinha preconceitos) fazerem comentários ou terem atitudes machistas/racistas/homofobicas ou qualquer outra manifestação de preconceito, e o que acho pior é que a maioria das vezes, se a gente vai discutir com essa pessoa, tentando mostrar nosso ponto de vista, mostrando que ela foi preconceituosa, ela nao quer papo, é opinião dela que vale, e pronto. Meu pai me mandou um email com um video super homofobico que ficou um tempo bombando no facebook, falando contra o kit contra homofobia, eu respondi, falando que achava que o vídeo era preconceituoso, que não concordava, que crianças não viram homossexuais e várias coisas, esperei a resposta por várias semanas, e nada, ele nunca nem tocou no assunto novamente. Isso é muito ruim, porque se mais pessoas aceitassem dialogar sobre esses assuntos, provavelmente esses preconceitos iam diminuir, porque eu acho que muitos na verdade não querem ser preconceituosos, mas são porque nunca pensaram a respeito, e infelizmente acabam nem querendo pensar!

Niemi Hyyrynen disse...

Flávio Madruga

E vc bem está advogando o exemplo que estamos discutindo aqui, para vc, se algum juiz resolver não culpar a pessoa que já está em desvantagem por ser minoria, esse juiz não presta, ele está "contaminado" com usa ideologia "esquerdista/comunista".

Mas se um filhinho de papai resolve botar na cadeira alguem só pq essa pessoa é pobre, negra, ou mulher, homoafetivo, enfim, esta tudo "ok".

Mas tb não tenho nada contra vc ser uma pessoa tosca, vou até te dar uma dica cultural, assista o documentário "crime de bagatela" (não tem nada haver com o post em si, but, mostra muitO a MENTALIDADE destes juízes homens, brancos e héteros.)

Vc vai se identificar MUITO com eles! pode crer!

Daniela Rodrigues disse...

Parabéns pelo texto, Hellen. Também sei o quanto é difícil ver alguém de quem gostamos dizer barbaridades como essa.

Trabalhei como jornalista por 5 anos, no interior de SP. Um dia fui à Delegacia da Mulher acompanhada de um colega, que era repórter fotográfico, cobrir o depoimento de uma menina de 12 anos que havia sido estuprada por um padre - caso que atraiu grande atenção na época.

Ao voltarmos à redação do jornal outros repórteres quiseram saber como tinha sido na delegacia. Para a minha surpresa, meu colega respondeu, mostrando as fotos que havia feito da vítima: "Ah, olhem pra essa menina e falem a verdade... Maior cara de putinha. Vocês acham realmente que ele foi o primeiro, que ela não se ofereceu? Eu vi na cara dela que ela é safada".

Eu fiquei ali, paralisada, sem acreditar no que vira e ouvira, esperando uma reação imediata de todos. Mas ela não veio.

Nessas horas, o que fazer? Não dá pra conseguir que uma anta dessas seja capaz de enxergar um palmo à frente do nariz após meia hora de conversa. Há falhas estruturais, gravíssimas, na sua formação. E na maioria das vezes é um tempo precioso que perdemos tentando explicar alguma coisa a esse tipo de gente (se bem que, aos mais esforçados e pacientes, recomendo que continuem tentando.

Situações como esta me lembram um ótimo post onde a Lola traz um dilema recorrente nas vidas de nós, feministas: "DÚVIDA: MANDAR UM CARA PENTEAR MACACA OU EXPLICAR POR QUE ELE É MACHISTA".

http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/09/duvida-mandar-um-cara-pentear-macaca-ou.html

Nefelibata disse...

Lola, Hellen.

Formei-me em direito ano passado. E posso dizer seguramente que é isso mesmo. Ao ver como os alunos são ensinados, como entram (no filtro classista do vestibular) e principalmente como saem, formados, ou deformados, fica mais fácil entender porque a realidade política e jurídica é tão errada.

Há uma ideologia que percorre o ambiente universitário, as aulas, os alunos, e sobrevive no meio profissional, uma ideologia perniciosa, porque não se assume como ideologia. Finge-se de neutralidade, de imparcialidade. Mas é tudo mentira, uma mentira na qual até mesmo alguns juízes, advogados e promotores acreditam.

Numa disputa entre um forte e um fraco, eles se colocam numa pretensa imparcialidade que faz o forte vencer não porque tem necessariamente direito, mas simplesmente porque é mais forte. Isso sem contar que as leis são escritas pela camada social dominante, e julgadas por essa mesma camada, que trata formalmente como iguais aqueles que materialmente não o são. Só não vê quem não quer. E por isso é conveniente que a justiça seja cega (e armada).

Af, tem tanta coisa errada e revoltante, que me deu até dor de cabeça tentar contá-las. Depois tento montar um comentário mais coeso.

Flávio Brito™ disse...

nYemY hIIrInen

Eu disse que o judiciário deve defender a vitima ou quem estiver certo ou com a razão. Independente de ser branco/negro, gay/hetero, rico/pobre.
É a na sua ideologia que o juiz deve defender só quem for de minoria ou de classe desprivilegiada (Mesmo que o rico/branco/hetero seja o certo no caso).
Ou seja, na sua ideologia, se a disputa judicial for entre um “negro gay e pobre” VS um “branco, hétero e rico” o juiz deve dar ganho de causa para o “negro, gay e pobre”. Independente que estiver com a razão no caso.
Vou te dar uma dica: a justiça deve defender/proteger quem estiver com a razão quem for a vitima/inocente. E não proteger minorias em detrimento dos homens brancos e heteros malvados*

Niemi Hyyrynen disse...

Flávio

Vc não faz questão nenhuma de entender o que as pessoas te dizem né? Que medo que vc tem do fim da supremacia do homem branco/hetero/"honrado".

Em nenhum momento eu disse que deve-se julgar como culpado quem faça parte de uma classe dominante, disse que devesse olhar para quem está já em posição socialmente desfavorecida.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é o que vc entende.

Mas numa coisa vc tá certo ai na sua fantasia, para que alguns obtenham direitos, outros previlegiados terão que perder suas vantagens, como imunidade e complacencia da lei.

Vc não quer abrir mão da segurança que a sociedade presta né? Não me admira.

As vezes me pergunto pq perco meu precioso tempo argumentando com idiotas que nem vc.

Nefelibata disse...

Lembram-se do juiz que sentenciou dizendo que não aplicaria a Lei Maria da Penha porque ela era "diabólica", já que Jesus foi "homem", e etc.? Tem link aqui: http://tinyurl.com/nsksph

Esse certamente não se formou na Florestan Fernandes.

Nefelibata disse...

Também não se formou numa universidade "ideologizada" o juiz que sentenciou que "futebol não é esporta para gays".

http://tinyurl.com/6yhyd63

É uma questão de imparcialidade e justiça, certo?

Flávio Brito™ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nefelibata disse...

Flavio e Flasht, eu entendo muito bem a resistência que vocês levantam para a Niemi. E confio que é um sentimento de justiça que os move a isso. Mas infelizmente, poucos são os casos em que é tão simples distinguir o certo do errado. Um julgamento não é dedução óbvia e imediata das leis. Quando acontece, a "justiça" vira um jogo, um jogo mesmo, e nessa hora, o mais forte tende a vencer.

Se não acredita, leia estas monografias; tive que estudá-las para me formar, porque meu tema envolveu exatamente esta polêmica:

http://tinyurl.com/6h5ofrh

Aqui, mais detalhes de uma variação do estudo:

http://tinyurl.com/423nlz8

O resultado da primeira pesquisa foi:

"a) os juízes favorecem a parte mais poderosa. Uma parte com poder econômico ou político tem entre 34% e 41% mais chances de que um contrato que lhe é favorável seja mantido do que uma parte sem poder; b) Uma parte com poder apenas local tem entre 26% e 38% mais chances de ser favorecida pela Justiça do que uma grande empresa nacional ou multinacional, um efeito aqui batizado de subversão paroquial da justiça. c) Nos Estados Brasileiros onde existe maior desigualdade social há também uma maior probabilidade de que uma cláusula contratual não seja mantida pelo judiciário. Passando-se, por exemplo, do grau de desigualdade de Alagoas (GINI de 0,691) para o de Santa Catarina (0,56) tem-se uma chance 210% maior de que o contrato seja mantido".

O da segunda acrescenta:

"O favorecimento dos economicamente privilegiados não se dá através da intervenção direta, mas sim de uma neutralidade que ignora as maiores chances de defesa que o litigante organizacional naturalmente tem a seu favor".

Tudo observado empiricamente, tudo observado de decisões dadas por juízes "neutros", "sem ideologia", etc.

Nefelibata disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lola aronovich disse...

Horário eleitoral gratuito, Starmore? Até eu perdi essa parte. O guest post fala sobre um monte de coisas, e a minha introdução só direciona um pouco pra essa questão de ideologia. Mas não fala de governo do PT. Ou mencionar que as faculdades pro MST foram criadas durante o governo Lula soa como propaganda pra vc? E por que eu tô respondendo toda educadinha? Vá catar coquinho!


Concordo com a Aoi Ito. Essa “justificativa” do amigo da Hellen de que “lésbica devia saber que mulher gosta de ser pega com jeito” não é um insulto só às mulheres, mas também às lésbicas. Aliás, é impressionante como quase toda vez que homem hétero fala de lésbicas, só fala besteira. Eu como mulher hétero sei quase nada de lesbianismo, então evito falar como se soubesse. Mas sei que achar que lésbicas funcionam do mesmo jeito que homens héteros machistas é de uma ignorância fantástica.

lola aronovich disse...

Exato, Daniela. Nesse caso que vc citou, de um colega seu ter “blamed the victim”, o problema é tão mais fundo que só dizer que o cara está errado na hora não resolve. Pô, pra alguém achar que uma mulher (qualquer uma, mas ainda mais uma víima numa delegacia!) tem “cara de putinha”, o sujeito tem que ser muito misógino. E vai precisar de muita conversa pra mudar isso. E talvez o cara nunca mude, mas pelo menos, depois de longas discussões, entenda que dizer essas coisas em público vão desaboná-lo perante qualquer pessoa minimamente sensata. E não dá pra lutar com todo mundo que é machista. É preciso escolher nossas lutas. E aquele post da dúvida sobre “mandar um cara pentear macaca ou explicar por que ele é machista” era sobre o Pondé, eu acho, que semana sim, outra também, escreve algum texto cretino contra mulheres e feministas. Gente assim, que faz do seu modus operanti a polêmica e escolhe sempre atacar um grupo discriminado, acho que nem vale a pena discutir. Esse é o ganha pão do cara. Se ele deixar de atacar feministas, vai perder sua boquinha na Folha.


Thiago, pois é, essa ideologia “invisível” é a mais perigosa. Porque como o pessoal cai nessa ladainha, meu zeus! É o mesmo pessoal que acha que a Caros Amigos é parcial e subjetiva, mas que a Veja é imparcial e objetiva. Ideologia é só a dos outros, né? É muita burrice isso. Ideologia todo mundo tem. Dizer que não tem ideologia é uma ideologia, pô! Aí o pessoal vem reclamar dos professores universitários marxistas que “doutrinam” e “contaminam ideologicamente” seus pobres alunos, que, óbvio, não têm ideologia nenhuma! Essas mesmas pessoas acreditam que a justiça é cega, que as oportunidades são iguais pra todos... Desde quando acreditar nessas mentiras não é ideológico?

Liana hc disse...

troll surtando..

Nefelibata disse...

Lola, eu andei discutindo bastante coisa sobre feminismo com colegas da faculdade estes últimos dias. E funciona assim; esse grupo de homens brancos héteros e da elite, os privilegiados, dizem que nós de esquerda somos muito ideologizados.

Se o cara que diz isso for inteligente, você até consegue convencê-lo de que não existe neutralidade ideológica, que toda a neutralidade é um apoio tácito ao mais forte.

Mas aí ele responde que "tudo bem, tudo tem ideologia, mas vocês são muito radicais". Aí, se ele for MUITO inteligente, você também consegue convencê-lo de que não dá para ser muito ou pouco radical, que como ser radical é ater-se a raiz do problema, ou se é radical ou não se é. E nisso, radicalidade é exatamente a mesma coisa que integridade e honestidade. Não dá para ser um pouco, ou muito. Ou se é ou não se é.

Por fim, o cara desiste, e diz que somos exagerados no fim das contas. E isso é revelador. Somos exagerados porque exigimos uma igualdade humana que abala a posição dominadora deles. Abala o mundo seguro deles. Para eles, tudo deve ser decidido no consenso, mas apenas no consenso formal dos interesses dominantes que não são perdidos.

É por isso que os direitos das minorias foram, são e terão de ser conquistados, e nunca negociados.

Nefelibata disse...

Flavio, que campo da igualdade foi esse seu aí? Perdi a conta das ofensas que você soltou... e pra quê?

Niemi Hyyrynen disse...

Não fica assim com cara de buldogue velho madruguinha!

Vc tem todo direito de achar certo quando um juíz resolve manter o status quo, mas achar condenável quando um juíz levar em consideração o outro lado da moeda tb.

Claro que no primeiro caso, não houve ideologia, foi uma questão de isenção, e no segundo caso sim, uma decisão motivada por uma ideologia de gente "burra".

owwww nunca xingou ninguém até então, que louvável!

Agora só falta falar alguma coisa que preste.

:)

Flávio Brito™ disse...

Thiago Leal

Nunca xingui ninguém aqui...
Trabalho com reciprocidade

lola aronovich disse...

Flavio, seu comentário xingando a Niemi foi deletado. E eu tô ficando muito de saco cheio de trollzinhos idiotas (redundância, eu sei). Assim como estou automaticamente apagando qualquer comentário do Oliveira e Sr. Dig Din, estou pensando em estender essa cortesia a outros trolls. Este é um blog que assume sua ideologia: ele (eu) é feminista e de esquerda. Não gostou? Vá reclamar ao bispo. Vá embora e não volte mais, ué. E não se esqueça de pegar seu dinheiro na saída.


Thiago, obrigadíssima pelas teses! Parecem ótimas. Fico feliz que vários cursos de Direito ensinem aos alunos que neutralidade não existe.

Flávio Brito™ disse...

Eu gosto de você Niemi Hyyrynen, de verdade sem trollafgem viu!

: )

Nefelibata disse...

Então, Lola.

Para ser justo, e triste: esses trabalhos, nos quais me baseei para fazer o meu, foram feitos apesar da universidade, e não graças a universidade, se é que você me entende.

O discurso oficial pedagógico ainda é o da neutralidade. São muito poucos professores e alunos que contestam isso. E esses são os acusados de agirem enviesadamente...

Caradepau disse...

O cara tava bêbado ai fez besteira.Não acredito que ele tinha intensão de quebrar o braço da menina,mas isso não importa porque tem que ser julgado pelo que fez,não pelo que tinha intensão.Esse tipo de marginal que da motivos de sobras para algumas pessoas criticarem todos os homens,como se existisse uma conspiração machista para manter uma ditadura masculina e transformar todas as mulheres em escravas sexuais Amélias zumbis.

Flávio Brito™ disse...

Lola sempre apoiei essa sua regra.
Feminismo é igualdade né?
Apaga o dela me xingando também...

Flávio Brito™ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Niemi Hyyrynen disse...

kkkk

Reciprocidade é ótimo,eu te chamo de idiota(e vc é mesmo,no fundo sabe disso)

E vc acha que está me detonando com aquela verborragia de xingamentos.

oh, traumatizei.

Vc não é o primeiro troll a surtar comigo Flávio, sinto muito lhe dizer.

Já desejaram que eu fosse estuprada, outro acha ruim que eu seja estrangeira, agora vc que trabalha com "reciprocidade".Na mesma medida!(ironia)

Mas deixa pra lá, vai que vc tem um ataque cardiaco e cai da cadeira, por mim a discussão com vc acaba aqui, não quero instaurar uma guerrinha particular nos coments do post.

abçs

Flávio Brito™ disse...

Surtei não Niemi Hyyrynen...
To mais tranquilo que água de poço...
Sou apenas dramatico e exagerado mesmo...
Não perca o controle viu....

Paola disse...

Ô loko...
Pra menina ser tão frágil a ponto do marginal (sim, quem faz esse tipo de coisa é um marginal) ter quebrado o braço dela, só se ela tiver osso de frango ou a doença dos ossos de vidro...
Pelo o q me consta até o momento, parece q não se enquadra em nenhum dos dois casos...
Fala sério!!!

Zéninguém disse...

Para dar um pitaco nessa discussão sobre direito e justiça e suas relações com as desigualdades econômicas e o domínio ideológico, cultural e étnico, nas mais variadas formas, contra as mulheres e os homosexuais, inclusive. Aos defensores do direito, não acredito que possa haver qualquer justiça real, qualquer democracia real (no sentido forte do governo de todos), e portanto qualquer possibilidade de paz social e respeito entre os seres humanos (princípios fundamentais para todas as religiões) enquanto não houver uma igualdade econômica, enquanto aqueles que fazem, reformam e aplicam as leis forem os ricos ou representante dos ricos.
A possibilidade de um pobre (esquece o "vitimismo", eu falo de uma situação bem concreta e fácil de entender) terminar o ensino médio, entrar na faculdade (que poder ser publica e privada, o que vai ser importante em vários sentidos), terminar a faculdade e exercer a profissão de advogado, é menor quanto mais pobre ele for. Dizer que vencer o filtro social que separa os trabalhadores das funções importantes (que realmente decidem questões), depende do esforço, e aqueles que não "sobem2 na vida são preguissosos, é um ignorância lamentável. Estamos falando de um mero advogado, imaginem pra alcaçar um cargo de deputado, senador, juiz, diretor de multinacional, promotor, e é claro patrão (sem dizer que os grandes inimigos dos trabalhadores são as pequenas empresas, o que sabemos não ser central....falo de grandes patrões)
Ou seja, o capitalismo impede a justiça, a democracia, a solidariedade, o desenvolvimento do ser humano pra além das mediocridades do que vemos todos os dias...e mesmo lamentável, mas não acho que voces (defensores do direito) são os culpados). Acredito que vocês também são vítimas, pois como o velho Marx ensina, os seres humanos são resultado das determinações sociais, nós somos filos de nosso tempo...e em tempos terrríveis como esses, não se pode esperar grande coisa de nossos irmãos. Devemos, contudo, trabalhar como Paulo Freire na transformação desta sociedade preconceituosa, limitadora, que é a sociedade capitalista, pouco interessada no fim do machismo, do sexismo, racismo e classismo. Pros gandes interesses capitalistas interessa é seu lucro....e nós somos apenas pobres mortais, ainda que os advogados tenham mania de grandeza, muitas vezes...

lola aronovich disse...

Imagina, Flávio, se vou deletar comentário da minha querida Niemi, uma das comentaristas mais frequentes que tenho aqui. E também uma das mais espirituosas. Ela só te chamou de idiota, o que todo mundo que lê os comentários (com as possíveis exceções como o mascu aí em cima que nos chama de, ha ha, Amélias zumbis) já sabe. E aí vc despejou um monte de insultos. Mas mesmo que fosse um só eu já deletava. Os únicos insultos que permito nesta caixa de comentários são contra trolls (portanto, se quiser xingar seus coleguinhas, vá firme). My blog, my rules. Se não gostou, repito: pega seu dinheiro de volta na saída.
E por que euzinha, cheia de coisa pra fazer, tô falando contigo?


Thiaguinho querido, vc tem Twitter? Vc desativou o seu antigo, ou não? Ah, apareça aqui na segunda. Acho que vc vai gostar do meu post.
E não quer escrever um (mais um!) guest post falando da "neutralidade" da justiça, do estudo que vc citou, das ideologias dos estudantes de Direito, e da sua tese? Eu adoraria!

Flávio Brito™ disse...

Ah Lola entendi!
Uma mulher pode xingar um homem.
Mas se um homem xingar uma mulher ai você apaga.
Viva a igualdadde do feminismo!
Suas regra...
fazer o que né...
Você ta dando dinheiro é?

Nefelibata disse...

Lola, querida, eu nunca tive Twitter, hahaha! Mas estou quase fazendo...

Eu estou meio que psicologicamente detonado com umas lutas aí contra apoiadores de Rafinhas, idólatras da pseudo-neutralidade, defensores de tradições opressoras e tal... vou tentar descansar e organizar um texto que diga algo sobre isso tudo! Prometo me empenhar mais para não me atrasar tanto e também para fazer um texto mais enxuto!

Grande abraço!

Liana hc disse...

"Esse tipo de marginal que da motivos de sobras para algumas pessoas criticarem todos os homens,como se existisse uma conspiração machista para manter uma ditadura masculina e transformar todas as mulheres em escravas sexuais Amélias zumbis."

Bem, podemos tranquilamente trocar a palavra "conspiração" por 'cultura", aí ficaria mais acertado. Se bem que na prática o efeito é o mesmo. E, uhmm, a palavra "zumbi" teria que ser entendida metaforicamente.



Faz um favor Flash t, vai dançar moonwalk de costas para um barranco ou até o próximo fim do mundo.

Liana hc disse...

"defesa incondicional", ataque incondicional.. disso trolls e misóginos entendem.

dizer que ninguém tem direito de quebrar o braço de uma pessoa, estuprar, matar e etc só porque ficou contrariado com a resposta que recebeu, não é "defender incondicionalmente" a vítima, nem é "vitimização", é ética e bom senso. disso trolls e misóginos não entendem.

Ginger disse...

Na boa, quando alguem CONHECIDO pega no nosso braço sem a gente querer já é ruim, errado, imagina um desconhecido né?

Aff, eu odeio essa falta de privacidade do nosso espaço, do nosso corpo, parece que ele não nos pertence! Aff, msm que o cara não tenha a intenção de ter quebrado o braço da menina ele teve a intenção de machucar sim! De assustá-la, de obrigá-la a dar-lhe uma resposta satisfatória, isso já basta, pra ser errado!

E concordo com quem disse, não tem coisa pior do que homem achando que sabe o que nós achamos bom ou ruim, eles não tem como saber! Não podem sair por ai determinando nosso comportamento.

ótimo texto Hellen! apareça mais por aqui nos coments seja bem vinda :)

Nefelibata disse...

Flasht, é óbvio que toda a verdade terá de ser apurada no processo legal. Mas isso é diferente de identificar agressões como resultado de machismo, que ocorrem, mesmo que não seja esse o caso (e há muitíssimos indícios de que seja!). Outro assunto é como a sociedade em geral é generosa com o agressor nesses casos, tendendo a culpar a vítima por sua própria desgraça. Um quarto assunto é a disparidade de tratamento legal entre os opressores e oprimidos. Desses quatro assuntos, nós podemos discutir livremente sobre os três últimos apenas. O primeiro - a veracidade absoluta do caso - vai ficar para a apreciação do juiz, coisa que ninguém aqui é. Aliás, ninguém aqui, salvo engano meu, defende execução sumária do agressor ou que ele não seja devidamente julgado. Você está confundindo tudo isso, e de maneira desnecessariamente belicosa. Polêmica pela polêmica não leva a nada.

Marilia disse...

Ah, Lola, sou professora de adolescentes e tenho muito medo das ideias que eles têm. Tento, de todas as formas, mostrar posicionamentos diferentes, mas nem sempre consigo mudar muita coisa.

Mas uma coisinha mudada já me deixa feliz. =D
A luta é contínua e concordo com o Thiago: direitos precisam ser conquistados, porque, para os conservadores, é difícil abrir mão do status quo pela igualdade que deveria existir.

blackstar disse...

isso de dialogar com amigos que não percebem que são machistas é complicado mesmo. dia desses amigo postou o vídeo do ataque das clientes ao funcionário do mcdonalds e a reação violenta dele, dizendo que se fosse com ele, ele reagiria da mesma forma.

fiquei surpresa, pois ele não é um ignorante. e eu questionei esse pensamento dele. foi uma longa discussão (amigável :p), mas no fim das contas, ele entendeu que violência não trás bons resultados nunca (as clientes foram parar no hospital, o funcionário, de volta à prisão não é um belo final).

é complicado dialogar com amigos, mas não fico calada. vi muitos postarem no facebook aquela frase que o brasil é um pais em q humoristas são levados à sério e políticos na palhaçada, relacionando ao caso do rafael bastos, e sempre citei esse post da lola ao explicar pq ele n deve ficar impune http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/05/politicamente-incorreto-nao-e.html

se vou mudar a cabeça das pessoas, não sei, mas pelo menos elas vão ter acesso a outro ponto de vista...

yulia disse...

''Ou que se ela tivesse parado apenas para dar atenção ao que o
pobre rapaz queria dizer, todo mundo sairia bem da balada. ''

se tá brincando que ele disse isso.... era só o que faltava,
temos obrigação de dar atenção ao mané se não ele nos agride.
porque tantos caras defendem esses psicopatas? será que eles são
assim também?


''E que eu como lésbica deveria entender que para se chegar numa mulher às vezes precisa ser mais agressivo, pois mulher adora ser "pega de jeito".

o troglodita querendo que vc também seja também ogra como ele?
putz... sem palávras para esse cara... da onde ele tirou
que mulher gosta de homem que haja com estupidez? que otário.
nossa... tudo que esse cara te recomendar, faça o contrário do que
ele disse...pelamor.

''O que dizer após um argumento desses? ''

mais nada... o silencio é de ouro.

eu não sei se impressão minha, mas a geração de agora está bem pior, reacionária ,bem tfp se vcs me entendem... horrível.

yulia disse...

aliás um cara no maranhão nesse momento mantém refén sua ex mulher no motel. idade do cara 36 anos , idade da ex mulher 17 ANOS!!!
pergunta... se agora ela tem 17 anos com quantos anos ela começou a relação com ele???

yulia disse...

os defensores do quebrador de braços alheios esqueceram de um detalhe...

ele já tem um passado violento com a ex- mulher. ele já tem ficha na polícia por agressão a mesma.

Anônimo disse...

Olha só o que acontece quando pessoas sem moral chegam ao cargo de Juíz de Tribunal:

http://theveganowl.blogspot.com/2011/06/justica-divina.html

Deveria haver algum tipo de teste psicológico antes de um advogado ser aceito como Juíz.

EdFurtado disse...

Um fato interessante para os conspiracionistas:http://g1.globo.com/bahia/noticia/2011/09/professora-e-presa-por-nao-pagar-pensao-das-duas-filhas-na-bahia.html

O homem conquistou a guarda das filhas, a mulher que deve pensão vai presa, a ordem é dada por uma juiza. Brasil que funciona.

Robson Fernando de Souza disse...

Se ser homossexual já é viver no nível very hard, ser ao mesmo tempo mulher, negra e lésbica já é viver no über level (o pior dos níveis em jogos de RPG).

Imagino como deve ser dureza a autora desse texto viver com dignidade nessa sociedade imundamente preconceituosa.

Priscila Boltão disse...

Aoi Ito disse tudo com a frase "Isso EXPLICA. Não JUSTIFICA."
Claro que deve ser ouvida a versão do rapaz. Mas NADA justifica o fato de que ele teve intenção de machuca-la. Comixzone disse ali que ele não deve ter tido intenção de quebrar o braço dela, isso eu não sei, mas pelas imagens e depoimentos, ele teve certamente intenção de machucar. E isso não se justifica.
Daniela, seu comment me lembrou de um filme sobre uma garotinha - uns seis, sete anos - que é adotada por uma família, que descobre que a menian tem tendencias estranhas e agressivas. Ela tinha sido abusada fisicamente, psicologicamente e sexualmente (história real). Num determinado ponto, ela se oferece pro novo avô (depois alguém diz que ela acreditava que aquilo era um modo de conseguir carinho, já que obviamente ela teve uma educação distorcida). E ele, muito sabiamente, fica horrorizado e chama os pais dela. Claro, o caso que vc citou foi estupro, mas uma coisa q pessoas como seu colega não entendem é que, mesmo na hipótese rara da criança achar q deve se oferecer, é responsabilidade do adulto segurar o bicho dentro das calças e explicar que ela não tem idade pra isso. Essa de "ela me provocou" NON ECZISTE.
Por fim, blackstar, tb vi aquela imagem no facebook. Postada por alguém q eu gostava muito. Foi mais decepcionante q vc imagina. Pior q eu tinha excluido a pessoa já (por decepções anteriores) e nem pude tentar racionalizar a questão. Tenho esperança que alguém o faça.

Bruna disse...

Quando eu tava no comecinho do curso de direito, nas disciplinas de introdução, tive que ler textos sobre a carga de preconceitos, noções, ideias pré-concebidas etc que os juízes trazem consigo para o exercício da magistratura. Não existe muito isso de "defender aquilo que está certo", não, até porque o conceito de "certo" é relativo.
Meu professor sempre dava um exemplo disso: num processo em que o réu era acusado de corrupção de menores por ter feito sexo com uma menina de 13 anos, o juiz afirmou, na sentença, que as meninas de 13 anos hoje em dia não seriam mais como as da época em que o Código Penal havia sido escrito, então ela teria consentido no ato sexual (descaracterizando a ilicitude do ato)- o que vai abertamente contra o texto da lei, que considera que o menor de 14 anos não tem discernimento para decidir se quer ou não fazer sexo.
O fato é que o juiz, a despeito do conteúdo da lei, usou suas visões de mundo para decidir - nesse caso, inclusive, contra a lei.
Outro exemplo é: na lei que estabeleceu o regime de união estável como entidade familiar tem uma parte que diz que "Os conviventes poderão, de comum acordo e a qualquer tempo, requerer a conversão da união estável em casamento" (art. 8º, lei 9278/96). O caso é que o regime de união estável foi estendido às uniões homoafetivas pelo STF, o que, por consequência, estenderia também a possibilidade de casamento civil a tais casais. No entanto, não são raros os casos em que o juiz nega tal conversão. Por outro lado, já assisti uma palestra (bem antes da decisão do STF) em que o orador, um juiz, disse que realizaria a união civil de casais homoafetivos sem problemas.
Então, são inúmeros os exemplos que contrariam essa ideia de que o juiz é imparcial e decide com base no que é "certo".
Se a Lola acha melhor que o advogado/ promotor/ juiz defenda o trabalhador, o pobre, a mulher, o homossexual, o negro... é porque se a balança sempre vai pender pra um lado, então que seja para o lado do grupo que ela (e eu) considera(mos) que precisa de maior representação (já que, geralmente, o privilegiado pela "justiça" é o patrão, o homem, o branco...).

Anônimo disse...

Ele não teve intenção de machucar quando pisou forte, duas vezes, no braço da moça. Está tão claro no vídeo.
E a maioria das mulheres dá corda para o homem ser machão, no velho primitivismo de "ter quem me defenda". No quesito defesa, sou mais um cachorro.

Bruna disse...

Antes das tão aclamadas redes sociais, era mais fácil conviver com as pessoas sem saber muito quais as opiniões delas. Agora, com o botão de "compartilhar" tão à mão, as pessoas publicam cada coisa que dá até medo. E com a rafinhabastização da sociedade, acaba que vale tuudo pelo (ênfase nas aspas) "humor". E se você decidir discordar, é taxada de chata, de exagerada, "deixa isso pra lá, que besteira".

Carol disse...

As pessoas vão levar seus valores consigo. Juízes idem. Por isso, é necessário seguir a letra da LEI e não fazer ativismo judiciário, independente do lado que for beneficiado. E é bom que existam mais instâncias, para que seja possível recorrer quando algum juiz faz o tal ativismo.

Eu não vejo com bons olhos o MST, porque o MST é uma entidade que simplesmente não existe formalmente (não tem nem CNPJ) e recebe dinheiro público via ONGs laranja. Além de tudo, o MST prega abertamente contra a lei (nem vamos entrar no mérito de ser uma organização que pensa em revolução comunista por meios violentos, o que é bem... caricato). Um cara que sai de lá e vira juiz vai querer fazer ativismo judiciário.

Quanto ao caso da menina com o braço quebrado e os defensores do cara, é evidente que é um absurdo. Estão culpando a vítima e obviamente estão sendo machistas. Mas não vejo muita diferença em relação ao próprio MST, que diz que comete crimes porque na verdade a vítima é o culpado....

Existem leis. Juízes devem aplicá-las, tentando minimizar (já que não dá mesmo para evitar completamente) pessoalidade nessa aplicação. Se as leis estão ruins, existe uma via democrática para mudá-las, ainda que imperfeita.

Pedro Joffily disse...

no meu facebook sempre tem pessoas da minha idade (16 anos) falando de como o Rafinha é injustiçado e que o humor é levado a sério demais no Brasil. :/

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caradepau disse...

Virei mascu! esse negocio de amelia zumbis ai,foi ironia.

ana gabardo disse...

Entendo muito bem a Hellen (por sinal, adorei o texto dela).. além dos amigos, talvez pior, é ter alguns dos meus familiares assim: preconceituosos e machistas. Incluindo no pacote pai e irmão. Dói, porque são pessoas próximas e que estão comigo desde que nasci, então quando a gente começa a perceber que tal coisa preconceito, é machismo, é errado, dói mesmo. É frustrante.

Anônimo disse...

Opa, opa, opa!
Juízes devem ser imparciais, devem aplicar a lei, senão corremos o risco de ter justiceiros andando por aí e não juízes.
Não é legítimo ao juiz usar qualquer ideologia seja a dominante ou não. Não é por que há juízes que a aplicam de um lado que deve se comemorar juízes a aplicando de outro. O Poder Judiciário não é uma praça de guerra ou um jogo de futebol!
Deve-se sim evitar ao máximo juízes que apliquem sua ideologia aos casos. Não se pode admitir um juiz formado em direito pelas universidades do MST julgando sempre à favor daquele movimento.
O que se deve é buscar sempre a justiça realmente cega.

Anônimo disse...

As pessoas vão levar seus valores consigo. Juízes idem. Por isso, é necessário seguir a letra da LEI e não fazer ativismo judiciário, independente do lado que for beneficiado.
[2]

Eu não vejo com bons olhos o MST, porque o MST é uma entidade que simplesmente não existe formalmente (não tem nem CNPJ) e recebe dinheiro público via ONGs laranja. Além de tudo, o MST prega abertamente contra a lei (nem vamos entrar no mérito de ser uma organização que pensa em revolução comunista por meios violentos, o que é bem... caricato)
[2]

aiaiai disse...

brilhante o comentário da Bruna. Os que defendem imparcialidade dos juízes não conseguem enxergar q essa imparcialidade é algo inexistente. Eles sempre acham que é imparcial quando está do lado da ideologia dominante. Sugiro a essas pessoas que visitem um presídio e conversem com os que estão lá cumprindo pena para ver o quanto foi "imparcial" o julgamento da maioria deles.

acerca desse assunto, lembrei-me do filme Meu nome não é johnny (história real). A juiza que o condena a uma pena mais leve, claramente porque ele "não é um marginal" é apenas um rapaz de classe média que se envolveu com as drogas. Se ele fosse filho de pobre, ao invés de escrever filme e ganhar dinheiro, estaria apodrecendo em nosso sistema prisional para todo o sempre.

Nefelibata disse...

Pra quem diz em seguir letra da lei, seguir a letra da lei, etc... prestem atenção: direito não é ciência exata. Nada mais leviano que achar que basta fazer uma operação lógica da lei ao caso e encontrar com isso, tal como uma equação matemática, a solução absolutamente correta e inatacável. Se fosse assim, máquinas bastariam para fazer o trabalho de juízes, e advogados seriam praticamente desnecessários. Isso sem contar com a complexidade processual, com a burocracia, etc., etc..

Quem fala que não pode haver ativismo judiciário simplesmente ignora, na melhor das hipóteses, que essa pretensa placidez e torre de marfim desejada aos juízes já é um ativismo judicial. Um ativismo pró-conservador. Aliás, essa é a principal ideologia do direito: conservar o status quo, conter qualquer tipo de transformação substancial. Para haver maior justiça, é preciso tratar desigualmente os desiguais, sim, mas aí o direito tradicional levanta todo o tipo de dificuldade teórica, técnica e ideológica contra isso, para manter os estamentos sociais no seu devido lugar.

Quanto ao MST, Carol: desde quando CNPJ é garantia de confiança? O MST prega abertamente contra a lei, mas que lei? Eu também prego abertamente contra a criminalização do aborto, como pregaria contra a criminalização do adultério, se tivesse nascido há mais tempo. Como pregaria contra o AI-5, se tivesse vivido naquela época. Como prego contra a descriminalização das drogas. Não é só porque está na lei que é justo, legítimo, certo. Cuidado para não cair do fetichismo da legalidade.


E como assim, eles pregam a revolução comunista por meios violentos? Você realmente se perdeu na caricatura; volte pra realidade. Já ouviu falar de Eldorado dos Carajás? Ao contrário dos grupos de jagunços que agem na ilegalidade a serviço de latifúndios da Syngenta, Cutrale, etc., o MST não é uma facção paralimitar. Onde você leu essas coisas?

Anônimo disse...

'Como prego contra a descriminalização das drogas. Não é só porque está na lei que é justo'

Que eu saiba a lei ainda é contra o liberou geral das drogas

Anônimo disse...

Pra que lei, pra que constituição então? Se é pra todo juiz decidir baseado na iterpretação subjetiva e só, vamos fazer como os nazistas e queimar os livros

Nefelibata disse...

Crowley, interpretação subjetiva de quê? Da realidade E da lei. A lei não é inútil, a constituição não é inútil. Nem eu disse isso. O que eu disse é que sua aplicação não é automática ou simplória. São coisas muito diferentes.

aiaiai disse...

acho o que crowley nunca ouviu falar em liberdade de expressão kkkkkkkkkkkkkk

Juliana Abι disse...

nossa , realmente assustador saber que um homem desses está prester a ser promotor, juiz.
mtas pessoas não evoluiram, infelizmente e isso é de quebrar o coração

Niemi Hyyrynen disse...

Eu acho que o ntwsopadeletrinhas nunca ouviu falar é de interpretação de texto mesmo.

A pessoa diz que não acha que tudo que está na lei seja justo e o cara já acha que estão querendo jogar fora a lei e a constituição.

Nada exagerado esse rapaz.

Carol disse...

Thiago, eu acho que devem existir medidas para MINIMIZAR a influência dos valores do juiz no julgamento, pois é óbvio que esses valores serão carregados sempre. É um dos motivos pelos quais existem outras instâncias judiciárias e um dos motivos pelos quais o réu tem direito de recorrer às mesmas. E claro que direito não é ciência exata. Às vezes nem ciência exata é tão ciência exata assim... Mas a lei e a jurisprudência são tentativas de consenso sobre as regras sociais e esse consenso vai surgindo via democracia, o que é bem melhor do que cada um decidir com base no que quer.

Quanto a pregar contra a lei, reconheço que usei a palavra errada. O MST age contra a lei e tenta justificar a partir do discurso, com respaldo de algumas pessoas que têm poder em instituições (alguns membros do MP, como é o caso onde eu moro ou até do governador do RS, Tarso Genro, que esses dias falou que invasores têm 90 dias para desocupar uma área produtiva invadida ilegalmente, agindo contra a lei, que diz que a ocupação deve ser imediata). E nem vou entrar em discussão sobre o que o MST prega, porque é só entrar no site deles para ver. E se tem gente que tem jagunço, esses devem ser combatidos também, porque estão na ilegalidade.

Pregar contra as coisas é diferente, concordo com você. Eu também prego pela descriminalização do aborto, mas não saio invadindo igrejas que pregam contra e machucando pessoas em nome da minha causa. Eu também prego para que o consumo e a produção de maconha sejam descriminalizados, mas não saio forçando médicos que discordam de mim a fumar erva por aí. Quanto ao AI-5, bom, não estávamos vivendo em um Estado democrático na época, então qualquer comparação fica descabida.

Ah, e CNPJ é garantia sim. Cidadão sem documentos não pode ser assistido pelo Estado. Empresas sem documentos não podem ter crédito em bancos. ONGs sem existência comprovada não podem (poderiam) receber recursos estatais. Porque existe um controle. Porque o Estado deve poder identificar pessoas físicas e jurídicas quando é necessário puni-las ou beneficiá-las. Faz parte do nosso contrato social.

Anônimo disse...

"Os que defendem imparcialidade dos juízes não conseguem enxergar q essa imparcialidade é algo inexistente. Eles sempre acham que é imparcial quando está do lado da ideologia dominante.!"

É como aquela história de que não existe mais direita e esquerda no mundo... Se vc acha isso, parabéns, vc é de direita.

aiaiai disse...

Carol, leia Pedagogia do Oprimido, acho que você vai conseguir identificar a ideologia que está defendendo.

http://www.mda.gov.br/portal/saf/arquivos/view/ater/

Sara disse...

Eu já não tenho mais conseguido ter paciência com "amigos" assim, tenho excluído algumas pessoas de meu convívio, não da mais pra suportar, a última que exclui foi minha cabeleireira de anos, eu tinha acabado de voltar da marcha das vadias aqui em S.Paulo, e explicava pra ela o motivo da marcha, quando ela disse na minha cara que se fosse homem e visse uma mulher usando roupas curtas na rua estupraria mesmo, pra arrematar ainda disse sobre uma vizinha que tinha loja na rua em que ela mora e que foi assassinada pelo marido, que desconfiava que essa mulher recebia homens ali no seu comercio, e que portanto o marido tinha direito de se sentir ofendido e te-la matado, pra mim foi a gota d'água, essa não vai mais ver minha carinha linda nunca mais.
Infelizmente já desfiz algumas amizades por conta de comentários semelhantes, uma amiga que tinha um casal de filhos, e que me disse que o filho podia levar a namorada pra transar em casa, mas que a filha nem pensasse em fazer isso, também escutou poucas e boas.
Eu sei que o movimento feminista possui pessoas de todas as raças, credos, ideologias, e embora não compactue com muitas idéias acho que devemos nos unir, mesmo que tenhamos pensamentos diferentes sobre muitas coisas, mas pessoas que me ofendem com esses tipos de idéias como as dessa cabeleireira eu não vou mais tolerar, e deixo bem claro pra essas pessoas o porquê da minha atitude.

Patrick disse...

Eu gostaria de ter chegado antes na discussão para acrescentar que nos meus 4 anos de faculdade de direito também vi o mesmo padrão de comportamento na defesa do DEUS CARRO.

A quantidade de colegas que considerava injusto fazer um atropelador pagar uma indenização ao pedestre... o professor de direito penal que deu um escândalo numa aula quando eu discordei dele... porque ele estava indignado com o fato de seu cliente estar sendo processado criminalmente por atropelar um pedestre a 80km/h, afinal o semáforo estava verde (e claro, sinal verde é licença para matar, mesmo em zona urbana, o pedestre sendo uma pessoa de idade e o tempo de abertura pro pedestre sendo mínimo)... e por aí vai.

Os cursos de direito não tem se esmerado por fazerem seus alunos pensarem, infelizmente...

Anônimo disse...

'Eu acho que o ntwsopadeletrinhas nunca ouviu falar é de interpretação de texto mesmo.'

é mesmo? vamos ver

'A pessoa diz que não acha que tudo que está na lei seja justo'

O que estavam falando ates nesses comentarios era sobre o problema do juiz interpretar a lei usando sua ideologia.E o argumeto esquerdista era de que quem afirma isso, que usar ideologia é ruim, é um lunático pq TODO mundo usa, tanto direita quanto esquerda.Tanto que o exemplo citado pela lola foi o publico da veja que supostamente acham que a revista lá é imparcial.

Era isso que eu tava comentando e não sobre o conteúdo da lei.Logo quem falhou em interpretação de textos foi vc...

'e o cara já acha que estão querendo jogar fora a lei e a constituição.'

Pelo que sei a constituição garante a propriedade privada, se vc sinceramente acha que o MST não tem nenhum problema com isso, vc deve ter tido a felicidade de não conviver tempo suficiente com esse povo

Isabel SFF disse...

Esse post me fez lembrar de uma discussão que tive com alguns colegas de trabalho sobre a diferença entre um grupo de médicos e psicólogos em relação a ouvir e lidar com os mesmos pacientes.

Todos os meus colegas foram unânimes em dizer que a escuta do grupo de psicólogos era mais acolhedora. Não apenas porque eles passaram 5 anos aprendendo isso no curso universitário, mas também (aí foi uma hipótese que nós pensamos) porque os psicólogos tinham origem muito mais humilde do que os médicos, algo que os aproximava dos pacientes (que são usuários de serviço público, ou seja, também bastante humildes).

É claro que eu não quero generalizar e dizer que nenhum médico não sabe escutar seu paciente de maneira empática, até porque isso é mentira. Mas é que eu fiquei pensando: se fatores como classe social à qual o profissional pertence podem influenciar os médicos de uma maneira tão intensa, que dirá advogados e juízes. Afinal, como já disseram antes de mim, as leis não são ciências exatas.

Eu confesso que até acho engraçado quem defende a parcialidade da lei, como se fosse algo capaz de existir. A ideologia dominante permeia tudo isso, afinal, quem foram os responsáveis por elaborar essas leis? As classes dominantes ou as dominadas?

Anônimo disse...

Aliais, nem sei de onde veio essa história de que o leitor da veja acha que ela é imparcial.Da seção de cartas? Isso não prova nada.

Eu sei que ela tem uma linha, pra mim menos importante do que ter ou não uma ideologia é se essa ideologia faz as pessoas acreditarem que existe almoço grátis.

'A ideologia dominante permeia tudo isso, afinal, quem foram os responsáveis por elaborar essas leis? As classes dominantes ou as dominadas?'

As 'leis' da venezuela estão sendo refeitas e não é pela zelite, ta ficando uma maravilha...

Francisca disse...

Lola,

Não são só os direitistas que discordam dessas Universidades ligadas a movimentos políticos. Eu não sou de direita e discordo. Ou será que basta ser contra a existência delas para ser de direita?

Hellen, acho que seu amigo não entendeu direito o que é agir com dolo e não sabe que sempre, tenha ou não a vítima uma doença, o juiz vai julgar apenas até que ponto o ato do acusado foi determinante para produzir o resultado. Nesse caso, ela não tem uma doença óssea terrível e o resultado demonstra que ele puxou o braço dela com muita força, o que torna explícito a intenção dele de agredi-la.

O juiz não vai julgar se ela merecia apanhar porque estava na balada ou por ter dito não, com ou sem educação, porque para o Direito não é legítimo agredir alguém por esses motivos. Caso contrário, as coisas seriam assim: "Que conste nos autos que a acusada atropelou e matou de propósito, mas foi absolvida porque ele era mascus e troll."

Por isso, não se preocupe, seu amigo pode defender que é legítimo bater nos outros por qualquer motivo, mas como Juiz ou advogado, ele encontrará muitos que discordam dele, todos loucos por uma boa briga, e um sistema organizado para impedir que ele aplique essa ideia sem ter que convencer um montão de gente a mudar seu conceito de Justiça.

Afinal, nosso Direito, não formado na Florestan Fernandes, aprovou a união estável para casais gays. Não por amor à causa gay, mas por reconhecer que a Lei não pode discriminar seus cidadãos por suas escolhas amorosas. Assim, como não discrimina por cor, sexo, religião etc.

P. P. P. disse...

este texto me fez lembrar desta estorinha-
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Os olhos dos pobres

De Le Spleen de Paris (Os Pequenos Poemas em Prosa)

Quer saber por que a odeio hoje? Sem dúvida lhe será mais fácil
compreendê-lo do que a mim explicá-lo; pois acho que você é o mais belo
exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar.

Tínhamos passado juntos um longo dia, que a mim me pareceu curto. Tínhamos
nos prometido que todos os nossos pensamentos seriam comuns, que nossas
almas, daqui por diante, seriam uma só; sonho que nada tem de original, no
fim das contas, salvo o fato de que, se os homens o sonharam, nenhum o
realizou.

De noite, um pouco cansada, você quis se sentar num café novo na esquina
de um bulevar novo, todo sujo ainda de entulho e já mostrando
gloriosamente seus esplendores inacabados. O café resplandecia. O próprio
gás disseminava ali todo o ardor de uma estréia e iluminava com todas as
suas forças as paredes ofuscantes de brancura, as superfícies faiscantes
dos espelhos, os ouros das madeiras e cornijas, os pajens de caras
rechonchudas puxados por coleiras de cães, as damas rindo para o falcão em
suas mãos, as ninfas e deusas portando frutos na cabeça, os patês e a
caça, as Hebes e os Ganimedes estendendo a pequena ânfora de bavarezas, o
obelisco bicolor dos sorvetes matizados; toda a história e toda a
mitologia a serviço da comilança.

Plantado diante de nós, na calçada, um bravo homem dos seus quarenta anos,
de rosto cansado, barba grisalha, trazia pela mão um menino e no outro
braço um pequeno ser ainda muito frágil para andar. Ele desempenhava o
ofício de empregada e levava as crianças para tomarem o ar da tarde. Todos
em farrapos. Estes três rostos eram extraordinariamente sérios e os seis
olhos contemplavam fixamente o novo café com idêntica admiração, mas
diversamente nuançada pela idade.

Os olhos do pai diziam: "Como é bonito! Como é bonito! Parece que todo o
ouro do pobre mundo veio parar nessas paredes." Os olhos do menino: "Como
é bonito, como é bonito, mas é uma casa onde só entra gente que não é como
nós." Quanto aos olhos do menor, estavam fascinados demais para exprimir
outra coisa que não uma alegria estúpida e profunda.

Dizem os cancionistas que o prazer torna a alma boa e amolece o coração.
Não somente essa família de olhos me enternecia, mas ainda me sentia um
tanto envergonhado de nossas garrafas e copos, maiores que nossa sede.
Voltei os olhos para os seus, querido amor, para ler neles meu pensamento;
mergulhava em seus olhos tão belos e tão estranhamente doces, nos seus
olhos verdes habitados pelo Capricho e inspirados pela Lua, quando você me
disse: "Essa gente é insuportável, com seus olhos abertos como portas de
cocheira! Não poderia pedir ao maître para os tirar daqui?"

Como é difícil nos entendermos, querido anjo, e o quanto o pensamento é
incomunicável, mesmo entre pessoas que se amam!

CHARLES BAUDELAIRE

Niemi Hyyrynen disse...

ntwsopadeletrinhas

ntw disse:
"Pra que lei, pra que constituição então? Se é pra todo juiz decidir baseado na iterpretação subjetiva e só, vamos fazer como os nazistas e queimar os livros"

niemi disse:
"A pessoa [Thiago] diz que não acha que tudo que está na lei seja justo e o cara [ntw] já acha que estão querendo jogar fora a lei e a constituição."

Aonde está a parte em que vc contexta sobre a afirmação que leitores da veja não sabem que a sua revista tem ideologia?

Vc tava falando de uma coisa, agora vem falando de outra e com isso vem justificar que eu não sei interpretar texto?

Interpretar texto eu sei, oque vc quer que eu faça é advinhação e eu ainda não tenho poderes mentais para advinhar o que um cara desconexo como vc pensa.

Faça o favor tá, da próxima vez pelo menos não desvie o assunto, sei que é dificil pra vc's trolls seguirem uma linha de raciocinio, mas tenta, blz?

rizk disse...

Alguns professores meus costumam dizer que é muito boa e produtiva a atual exigência de 3 anos de prática para poder ser juiz. Porque não pode ser juiz a pessoa que nunca pegou trem pra ir pro fórum, que nunca foi ao presídio, que nunca acompanhou um despejo, não conheceu o sofrimento das famílias.

E, honestamente, NÃO É POSSÍVEL ser "a-ideológico". Ideologia não é "puxar a brasa pra sua sardinha". É o SENTIDO que a pessoa dá pro mundo, não é um chapéu que se tira ou se coloca conforme a ocasião.

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Outro dia me dei conta de que perdi meu melhor amigo por causa disso. No decorrer dos anos, perdemos qualquer tipo de refencial comum. Passou do nível da conversa pro do pentear macaca e agora já não quero mais nem falar com ele porque é muito desgosto.

É isso que o mundo do Direito faz com as pessoas. Tenho muito medo (#reginaduartefeelings) porque tenho certeza que isso vai me pegar a qualquer momento.

Sara disse...

Ha muitas coisas nas leis que considero injustas, nem por isso, desejaria que não houvesse um parametro pra todos, se as leis existem é pra serem respeitadas por todos, se as leis são injustas, o correto é lutar pela mudança dessas leis não previlegiar uma ou outra parte motivado pelas injustiças sociais.

Violet Etoile disse...

Acabei de ver uma matéria no Fantástico sobre o caso da boate de Natal na qual os repórteres afirmavam que a abordagem dos homens estava ficando cada vez mais violenta nas baladas. E durante essa discussão o câmera dava closes nas roupas que as meninas estavam usando na balada. Na barriga de fora, nas pernas de fora, no decote..eu me pergunto se isso é uma forma subliminar de dizer: "Mas também..olha a roupa que vestem...e depois não querem ser atacadas..." Slut walk neles? Só eu tive essa impressão??

Francisca disse...

A questão não é ser sem ideologia. Na minha faculdade, há todo tipo de gente e os mais variados pontos de vistas, como ocorre na própria sociedade. Não há uma linha oficial. Todo mundo briga para defender suas ideias e ideologias. Parece uma loucura na minha sala quando começamos a gritar uns com os outros, mas é uma espécie de terapia coletiva. A gente sai revigorado. Nessa loucura, já repensei algumas ideias e achei novos argumentos para defender outras.

Entretanto, sei que em muitos lugares existe uma certa pressão, um espécie de alinhamento ideológico compulsório. Tenho colegas brancos, ricos e heterossexuais que são esquerdistas e, por isso, já foram acusados de defender os próprios inimigos! Como se nossas ideias não fossem uma escolha pessoal, mas determinadas a priori por gênero, cor, posição social, opção sexual, etc.

Anônimo disse...

Cheguei atrasada, que pena!

Eu me formo em Direito agora, no final do ano.

O clima na faculdade não inspira muitos debates mas felizmente faço parte de uma turma que gosta de discutir assuntos polêmicos em um ambiente bem mais propício do que a sala de aula. Falo obviamente do bar. As conversas costumam ser bastante interessantes e ricas de argumento, embora muitas vezes eu destoe da opinião da maioria.

Embora haja certo conservadorismo, fico bastante feliz que a maioria dos meus colegas sejam pessoas que tem ciênca da responsabilidade que a nossa profissão inspira. Claro que os salários são muito atrativos, mas fico feliz de ver que ali ninguém pretende ingressar na magistratura, por exemplo, com a finalidade de favorecer grupos. Todos ali sabem a dificuldade que é se tornar juiz e ninguém está disposto a por a carreira em risco. Além, é claro, da consciência social e da responsabilidade. Não temos costa quente.

Mas eu sei que essa não é a realidade, e não só na minha profissão. Vejo médicos fazendo medicina pelo dinheiro, e pessoas querendo estudar para a promotoria sem a menor vocação, achando que o promotor é um advogado comum.

Eu não tenho nada contra quem defende pessoas que eu não defenderia. Todos tem direito a defesa. Mas certamente há um sutil liame ético que não cabe a mim decidir qual é.

No mais, devo dizer que um julgamento imparcial é impossível. Não é um robô que profere a sentença. É um ser humano bombardeado por informações e criado por outros seres humanos. Somos sociais. Mas nada disso impede que a justiça seja feita. :)

Quanto ao caso da boate, eu fico indignada de constatar que algumas pessoas realmente acreditam que uma pessoa não tem direito de escolher não ser tocada. Eu não quero passar e um bêbado imbecil cheirar meu cabelo; e também não quero parar pra ouvir outras pessoas. E não quero ser agredida por isso!

E sobra a nossa geração ser mais tolerante, acho isso utopia brava. Ontem mesmo meu amigo compartilhou no facebook algo assim sobre o rafinha bastos "o fato de exitirem políticos corruptos não dá a ninguém o direito de agir como idiota" (em resposta a um outro quadrinho que dizia ser absurdo o fato de nos indignarmos com o rafinha e não com o malouf, como se uma coisa impedisse a outra). O fato é que veio uma imbecil dizer que era só a opinião dele e ainda arrematou com a pérola "mas então vamos prender todo mundo que critica negro, gay, mulher, etc? opinião ué".

Eu respondi com um PQP, é claro que é pra prender! Racismo é crime! A garota tem a minha idade. :/

Lucia Rodrigues disse...

Em 1987, quando ainda era dirigente sindical, fui trabalhar, cedida, no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, recém criado e ainda cheio de mulheres de deputados, peruas de Ipanema de dos Jardins... Mas foi uma das experiências mais legais e malucas que tive, por que as madames não me incomodaram e tive a oportunidade de conviver com a mulherada que fazia as pesquisas, os textos, publicava os livretos e levantava de fato "a poeira". Companheiras incríveis e muito pé no chão, tinham claro, o que pra mim ainda é, infelizmente, a real situação: Nós, mulheres, somos responsáveis pela cultura machista, mais do que qualquer outra variável. Mudou alguma coisa mas muito pouco. A gente ainda pede pra Denise pegar um copo d'água pro irmão.. Ainda estebelece horários diferentes pra chegar da festa... Ainda diz, "cuida da tua irmã".
Tá certo, não tá igual aos anos 50 ou 60, mas não diferente o suficiente que garanta, mesmo a médio prazo, mudanças mais animadoras...

Rebecca disse...

Lola, isso me lembrou uma discussão que eu tive com um colega de trabalho na semana passada.

Ele disse que estava no bairro da Lapa, um lugar bem boêmio aqui do Rio de Janeiro, onde encontramos pessoas de todas as tribos e classes sociais, e foi a uma boate meio trash, barata e tal.

Segundo ele, havia um grupo de 3 travestis que enganavam os homens. Pelo que ele me falou, os homens claramente bêbados abordavam os travestis (porque nenhum homem em sã consciência faria uma investida em um travesti, claro! *ironia), e eram enganados pois os travestis de faziam passar por mulheres.

Para não me alongar muito, a nossa conversa girou em torno de que ele achava justo um travesti se declarar um travesti ao ser abordado por um homem. Como se agora todos nós devêssemos andar com uma placa identificando a nossa sexualidade.

O tal colega de trabalho é jovem, tem 20 e poucos anos, é estudante de marketing e morador do Rio de Janeiro, cidade conhecida por ser mais "aberta" à diversidade.

Enfim, eu tenho outros exemplos de amigos até mais machistas que esse, então posso dizer que a nossa geração realmente não é tão esclarecida.

Parabéns pelo blog, Lola!

Juno disse...

Eu decidi simplesmente cortar relações com amigos machistas.Ser amiga de machista encoraja e não adianta dizer que não!

Excluo e pronto. Machistas não tem muito a acrecentar na vida de alguem mesmo.Amizade a meu ver é crescimento....mais nada.

Unknown disse...

Lola gostaria de, se possível, ter o contato da Hellen. É que moro em Mariana e acho interessante ter esse contato por aqui. A cidade é bastante conservadora, pode dar uma troca legal.

Att,
Gerliani

Obs: Parabéns Pelo bolg. Seu blog é para o bem!

Chris disse...

Não sei se alguém vai ler, mas preciso escrever, colocar pra fora o que to sentindo...
Não sei mais como aguentar viver num mundo que trata a mulher dessa forma...não queria, mas to ficando sem nenhuma esperança... qdo eu leio essas coisas, meu dia acaba... eu choro, tenho raiva...transborda todo esse sentimento horrivel que passa aqui dentro com essas informações... ah... não sei o que fazer. só isso. não sei mais o que fazer pra conseguir sobreviver aqui.