sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O QUE O PÚBLICO-LEITOR TEM CONTRA ANTI-HEROÍNAS?

O querido Flávio Moreira me enviou a tradução deste post da Emma Jane Unsworth que foi publicado no The Guardian

Leitores amam um bom anti-herói – então por que evitam anti-heroínas?
Homens monstruosos são mais do que bem vindos em obras sérias de ficção, mas crie uma personagem feminina desagradável e você estará em apuros.
Quando estava escrevendo meu romance Animals, eu sabia que estava criando personagens femininas que vão em sentido contrário ao senso comum. Que bebem. Que pensam. Que vagueiam pelas cidades nas horas pecaminosas. Que têm crises filosóficas. Sabe, do mesmo jeito que personagens masculinos fazem aquilo que é mais genericamente classificado como histórias da “condição humana”?
Tem surgido argumentos eloquentes nos últimos anos sobre a “aceitação” de personagens femininas -– particularmente nas posições de Roxane Gay e de Claire Messud. Em uma entrevista para a Publishers Weekly, a romancista Messud deu uma resposta espetacular a uma pergunta sobre se ela gostaria de ser amiga da narradora de seu último romance, a personagem Nora, já que a entrevistadora tinha a percepção de que Nora era “insuportavelmente sinistra”. 
Messud disse: “Pelo amor de Deus, que tipo de pergunta é essa? Você gostaria de ser amiga de Humbert Humbert?”, antes de arrolar uma lista de anti-heróis clássicos e concluir: “Lemos para descobrir a vida em todas as suas possibilidades. A pergunta relevante não é se ‘esse [personagem] é um amigo potencial para mim?’ mas sim ‘esse personagem tem vida?’”
Em janeiro a autora Roxane Gay, do ensaio "Bad Feminist", escreveu um ensaio para o site Buzzfeed em que descrevia ser aceita e apreciada por outros como “uma mentira bem elaborada, uma performance, um código de conduta”, e salientava as diferenças entre personagens masculinos e femininos que não barganham a afeição do leitor: "Um homem desagradável é misteriosamente interessante; obscuro, ou atormentado, mas definitivamente irresistível, mesmo que se comporte de maneira repugnante [...] Quando mulheres são desagradáveis, isso se torna uma obsessão em discussões críticas.”
Quando o romance Tampa, de Alissa Nutting, promovido como um “Lolita invertido”, foi publicado em 2013, fiquei furiosa com o número de entrevistas com ela que começavam expressando surpresa –- não, na verdade, alívio -– ao verem quão simpática Alissa era na vida real. Tenho certeza de que nenhum desses mesmos entrevistadores se encontrariam com Bret Easton Ellis e expressariam surpresa ao não serem brutalmente assassinados ali mesmo, durante o café. 
Escritoras são muito frequentemente confundidas com suas personagens, como se às mulheres não fossem garantidas as mesmas capacidades imaginativas [dos homens]; afinal como uma mulher poderia criar um monstro sem ser ela mesma uma monstra? Há um reducionismo nisso, uma mesquinhez crítica. Temos um caminho a percorrer antes que personagens femininas possam, sem ser definidas pelo gênero, se expor na busca pelo significado impossível de tudo.
Assim, enquanto isso, o que compõe uma boa “anti-heroína”? A definição normalmente se baseia em duas categorias: mau comportamento e escolhas de vida não-convencionais. Anti-heroínas existem em muitas formas. Aqui estão algumas das minhas favoritas...
- Emma Bovary, do romance Madame Bovary de Gustave Flaubert
Madame Bovary é um livro que revisito muitas vezes. Tenho tanta afeição pela protagonista e pela complexidade de sua natureza – a malcriada esposa do médico que ataca sua vida provinciana enfadonha e o futuro traçado para ela nessa vida. Flaubert foi corajoso ao perscrutar sua moralidade e sua ambivalência maternal – há alguma coisa em comum entre Emma Bovary e a afiadíssima Eva em Precisamos falar sobre Kevin, de Lionel Shriver.
- Hatsumomo, de Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden
Mesquinha, mal-educada, Hatsumomo é provavelmente a coisa mais próxima de um vilão tradicional nesta lista, mas sua frustração, insegurança e recusa (como se fosse uma diva) a simplesmente entrar na linha, faz com que, no fim, fiquemos ao seu lado, mesmo que isso envolva todo tipo de problemas para a heroína, Sayuri.
- Lise, de The Driver’s Seat, de Muriel Spark
Lise está de saco cheio de seu emprego. Muito cheio. Num último ato de tomar as rédeas de sua vida, vai para a Itália. É o distanciamento de Lise e seu egoísmo consciente – a mesma amoralidade enervante que encontramos em Emma Bovary – que fazem dela uma anti-heroína.
- Jane Eyre, de Charlotte Brontë
Ela foi minha primeira. Eu estava ao seu lado quando foi forçada a ficar de pé naquela cadeira e ser chamada de mentirosa. Eu estava com ela quando se colocou “tão sóbria e silenciosa às portas do inferno”. Intensa, direta, corajosa e um pouco fantasmagórica, Jane Eyre é o sonho de toda adolescente solitária. Através dela, Charlotte Brontë desafiou muitos preconceitos vitorianos sobre gênero e classe, e contou muito bem uma tortuosa história gótica.
- Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
Ela não se comporta mal (Lydia é bem mais divertida), e sua personagem funciona amplamente graças aos contrastes das outras mulheres que a cercam, mas ela é inteligente e franca, destemida e determinada a buscar sua própria felicidade e, dessa forma, ela representa tudo que a reprimida sociedade georgiana teme: uma mulher com ideias.
- Lisbeth Salander, da trilogia Millenium de Stieg Larsson
Amo Lisbeth Salander, embora deteste os livros em que ela aparece. Ela de alguma forma os transcende: uma hacker de computador tatuada, que fuma um cigarro atrás do outro, que sobreviveu a uma infância traumática para viver à margem da sociedade, com raras interações. Como resultado, sua sanidade é assunto de muito debate. Larsson disse que baseou Lisbeth no que ele imaginava como seria Pippi Longstocking na vida adulta. Há um aspecto super-humano nas duas, e pressão de todos os lados para que se conformem.
- Becky Sharp em Vanity Fair de William Makepeace Thackeray
As pessoas que mais desprezamos são frequentemente as que incorporam nossos atributos mais desprezíveis. Thackeray sabia disso – por isso ele fez a estrela de Vanity Fair uma alpinista social implacável e a esfregou na cara das pessoas que provavelmente eram, elas mesmas, alpinistas sociais. Melhor ainda – ele as fez se apaixonarem por ela. Não consigo imaginar por que ela é tão popular...
E então, vamos lá – quem eu deixei de fora? Quais são as suas favoritas?

53 comentários:

Raven Deschain disse...

Lisbeth s2

Lola, que post ótimo. Falando em anti heroína, eu como fã do Stephen King, não poderia deixar de citar a Odetta/Detta Holmes. A mulher mais insuportável do Mundo Médio. Kkk

Mas ela é puro amor. :)

buca disse...

ótimo texto!
penso com frequência nisso, primeiro porque adoro literatura e depois porque ela é minha fonte de pesquisa.

acho que na lista das anti-heroínas daria pra incluir ainda a Mrs. Dalloway da Virgina Woolf. o salinger é lembrado principalmente pelo anti-herói Holden Caulfield, mas a Franny também é uma personagem bem interessante.

em relação à literatura ainda ser machista fica claro quando autoras usam só as inicias para conseguir vender, como a J.K. Rowling e a E.L. James. Sobre essa última eu escrevi um texto no meu blog. A Anastasia Steele, de "cinquenta tons de cinza" é uma personagem bem fraca, praticamente sem personalidade própria. Quem se destaca na narrativa e é o anti-herói da saga é o Chystian Grey.

um último adendo que eu lembrei é que vi uma vez uma fala muito legal de uma menina que trabalhava com o livro "lolita" e falava que nossa sociedade usa a expressão como sinônimo de uma menina sedutora, sendo que a lolita do livro é vítima de abuso, ou seja, a culpa sempre é da vítima na nossa cultura do estupro.

Anônimo disse...

Lisbeth é foda. <3 <3 <3

Eduardo Freitas disse...

Lisbeth é fantástica, embora sofra do mal de todas as personagens femininas do Larsson: cai de amores pelo Super-Blomqvist. Tudo bem, Pippi Meialonga é do mesmo autor do Super-Blomqvist, mas isso faz a menina perder parte da força, ah faz.
Mas as heroínas do Stephen King, aí, sim... Carrie, Dolores Claiborne, até a sobrinha do Iluminado no Dr. Sono, todas fantásticas!

Anônimo disse...

http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/mulher-condenada-a-pagar-r-93-mil-por-traicao-na-bahia-tem-bem-penhorados/?cHash=2732848568a62147e4da071b15d8eec1 viu isso lola?

Anônimo disse...

Scout de to kill a mocking bird, a anti heroina de 8 anos mal vista por sua cidade por nao uaar vestidos e fazer brincadeiras de meninos <3

Anônimo disse...

Senti falta da Cathy Earnshaw!

Anônimo disse...

Totalmente off topic mas Lolinha, já viu que legal, a Dilma colocou a Katia Abreu,a líder dos ruralistas e como ministra da Agricultura. Acho melhor começarmos a dar tchau pra Amazônia e pro Cerrado... e além disto, olha que mais legal ainda, Dilma chamou o Trabuco, presidente do Bradesco, pra ministro da Fazenda. Mas não era a Dilma q tanto bateu na Marina, porque era um absurdo 'entregar' esse posto pra um banqueiro? Não torço contra o novo governo Dilma pq isso seria torcer contra o país, mas que ela é uma hipócrita, isso ela é.

Sarah disse...

Isso de não conseguirem desassociar a autora das personagens femininas representa bem a sociedade em que vivemos: Quem tem imaginação mesmo escreve sobre homens e seus feitos e mulher é só um acessório... pra quê alguém escreveria sobre uma mulher "real" se não fosse a autora mesma uma mulher? Daí vem todo o tipo de acusação de autobiografia. Por isso rejeito o titulo de poesia confessional dado as mulheres como Sylvia Plath, por exemplo. Pergunte se já deram esse título a qualquer poeta que fale de suas vivências: nunca. Mas pra variar a poetisa que escreve deve estar ~confessando~ algo.

Anônimo disse...

Não sei de onde tiram que todos adoram os anti-heróis.
Dessa lista aí torcer para Hatsumomo é sacanagem,ela é invejosa,mesquinha e faz de tudo para ferrar com a vida da Sayuri que não fez nada contra ela.
Muito legal torcer para quem sacaneia os outros...Acho que estão confundindo a mulher ser ela mesma sem padrões com não ter caráter.
Adorei a Lisbeth,é diferente,forte e só pisa nos outros se for preciso,se mexerem com ela primeiro,bem diferente da Hatsumomo que tentou ferrar a Sayuri só por q ela era mais bonita e mais jovem.

Anônimo disse...

Adoro Madame Bovary, Jane Eyre, Lisbeth Salander. Tem uma personagem que não é muito conhecida, a Manon Lescaut de um romance do sec. XVIII

Raven Deschain disse...

Pois é Eduardo. Faz bastante tempo que busco encaixar as personagens femininas do tio aqui e nunca tem como. Esse post tá perfeito! A Lois do Insônia, uma senhora na terceira idade, a Bev no It. Meu, a própria Christine, como não amar a Christine? Huashuas

Pra todos que reclamam que não leem livros com personagens femininas legais eu sempre recomendo o King. Se forem pessoas mais jovens tem Phillip Pulmann, Rick Ryordan, Suzanne Collins, J.K. Rowling, tem muita coisa boa. É só procurar.

Mas isso pra literatura fantasia neh? Se a pessoa não curte o gênero, sei lá o que recomendar.

Anônimo disse...

Adorei!
Leila

Anônimo disse...

http://petisco2.org/pockets/comic/pockets-comix-119/

Anônimo disse...

A hora da estrela da clarice lispector... maravilhoso! !

Anônimo disse...

Não li quase nenhum, vou anotar para ler todos, hehe.

Dona Coisa disse...

Saindo da literatura, mas chamando de anti-heroina a personagem que subverte seu papel na sociedade, o Netflix ta com uma serie IN-CRI-VEL e SUPER FEMINISTA chamada The Fall. Sao poucos episodios, mas absolutamente interessante.

Erres Errantes disse...

Quando vi na lista de anti-heroínas da autora do post a menção a Jane Eyre, personagem d eCharlotte Brontë, me lembrei de outra anti-heroína ótima de outra Brontë: a Catherine Eanshaw do Morro dos Ventos Uivantes. A geniosa e determinada personagem que teve a audácia de amar alguém como Heathcliff.

Barbara disse...

Não entendo por que a Eva está listada como anti-heroína. Também não entendo muito bem porque Jane Eyre, mas enfim. Pensando rápido, eu citaria Daenerys (GoT), talvez Morgana e com certeza a Morgause de As brumas de Avalon.

Jackeline disse...

Falando em série e falando em Netflix, tem também Once Upon a Time.
Na minha opinião tem uma variedade de personagens femininas muito legal. Gosto principalmente da Regina, que começa como vilã e aos poucos vai virando uma anti-heroina.
O problema da série é que pra variar rola um whitewashing, tem uma representação muito pobre de personagens não brancos, mas pra quem curte fantasia / conto de fadas, é uma boa.

Eli disse...

Esse post todo me lembrou de uma música: https://www.youtube.com/watch?v=gibUTd0AiUA

Carolina disse...

Lola, você ouviu falar da primeira novela africana que está passando no Brasil?

Começou a ser exibida faz alguns dias.
Eu descobri hoje, por acaso:

http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/novela-angolana-windeck-estreia-nesta-segunda-na-tv-brasil-14499913

Patrick disse...

Totalmente off topic mas Lolinha, já viu que legal, a Dilma colocou a Katia Abreu,a líder dos ruralistas e como ministra da Agricultura. Acho melhor começarmos a dar tchau pra Amazônia e pro Cerrado...

O Ministério da Agricultura está com o agronegócio desde o início do governo Lula em 2003 e mesmo assim o desmatamento hoje é um quinto do que era no último ano do governo FHC (redução de 80%).

e além disto, olha que mais legal ainda, Dilma chamou o Trabuco, presidente do Bradesco, pra ministro da Fazenda. Mas não era a Dilma q tanto bateu na Marina, porque era um absurdo 'entregar' esse posto pra um banqueiro?

Um quadro técnico do mercado financeiro operando à luz do dia num governo de coalizão de centro-esquerda é qualitativamente diferente de uma sócia do maior banco do país operando no cerne do comando do governo.

Usando os seus termos reducionistas, prefiro um governo que formule projetos a partir da esquerda e, pragmaticamente, tenha quadro operacionais de direita; do que um governo que formule suas ideias a partir da direita.

Exemplificando: um dos projetos de proa do governo do PT mais odiados pela direita teve uma notável contribuição de um quadro técnico "liberal": o bolsa-família (Fonte).

Não torço contra o novo governo Dilma pq isso seria torcer contra o país, mas que ela é uma hipócrita, isso ela é.

"Claro" que você não torce contra, só deixa um pouquinho da sua bilis antipetista post sim, outro não.

Anônimo disse...

Recomendo fortemente a série Trono de Vidro da Sarah J. Maas. A personagem principal é uma mulher, a assassina Celaena Sardotien (que eu pessoalmente achei o máximo), e é uma série cheia de mulheres "bad-ass", até mesmo a criada do castelo. A princesa da história, ao invés de procurar marido, está envolvida na política, combatendo o império e apoiando forças rebeldes. Além disso a princesa é a melhor amiga da assassina. O livro trata de amizade verdadeira, sem segundas intenções, entre homens e mulheres. Ah, e o vilão é um homem que quer dominar a droga do mundo inteiro e eliminar todos que não concordarem com seu "direito" de mandar em tudo e em todos (qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência). Saiu agora o segundo volume, Coroa da Meia Noite. E tem muita ação e lutas, pra moças como eu que adoram um pouco de briga mas estão de saco cheio de só ver homens brigando e mulheres sendo donzelas indefesas hehe.

Anônimo disse...

Ah, e se alguém disser que a Sarah J. Maas é uma assassina odiadora de homens, já vou dizendo logo que é um retardado e que deveria enfiar a cabeça na privada e dar descarga, porque já se sabe o que tem dentro da caixa craniana no lugar do cérebro...

Domenico Scandella disse...

Adoro a Rosario Tijeras, do romance de mesmo nome, de Jorge Franco. Rosario ganha seu "sobrenome" depois de cortar fora os testículos de um sujeito que a estuprara quando criança e, no decorrer da história, acaba se tornando uma criminosa cultuada pelo povo, num fenômeno parecido com o que ocorria com os foras-da-lei durante a lei seca e a grande depressão nos EUA.

Quanto à Sylvia Plath, acho que o problema é outro. Muitos poetas de seu período também foram incluídos esse grupo dos intimistas, dos que falam sobre si, incluindo aí Robert Lowell. Considero um erro, mas tinha mais a ver com o estilo de poesia que nascia na época do que com o sexo de quem escrevia.
Agora, se formos falar de como a lírica dela foi sempre atrelada seu suicídio e da dificuldade de reconhecimento sob a sombra pesada de seu marido (que, convenhamos, escrevia bem pior que ela), aí sim concordo que tinha muito a ver com o fato de ser uma mulher.

Anônimo disse...

Realmente me pergunto se o Patrck acredita em tudo o que diz. Ainda me surpreendo com o quão fanáticos os PTistas podem ser. Ou será que alguém acha que a miss motossera Katia Abreu realmente é a melhor opção pra pasta da Agricultura ? Lembrando-se que em 2010 o PT fez uma extensa campanha de amedrontamento justamente com o risco da Katia Abreu acabar sendo ministra do Serra, caso ele fosse eleito. E o desmatamento hj é 80% menor que na era FHC? Ótimo, mas o que tem sido noticiado é justamente o aumento dos índices de desmatamento durante a era Dilma. Não é pq FHC fez merda que a Dilma tem carta branca pra fazer "qualquer coisa que seja só um pouquinho menos pior"

Vie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Nossa Patrick, agora forçou. Com a aberração q foi o Novo Código Florestal, Belo Monte e etc, diminuir desmatamento é mínimo do mínimo, é nivelar por baixo a importância desse setor. Votei na Dilma porque né, não se tinha muita escolha, mas isso não apaga toda a problemática da esquerda do PT.

Fernanda

Raven Deschain disse...

Preciso ler esse Trono de Vidro.

Patrick disse...

Realmente me pergunto se o Patrck acredita em tudo o que diz. Ainda me surpreendo com o quão fanáticos os PTistas podem ser. Ou será que alguém acha que a miss motossera Katia Abreu realmente é a melhor opção pra pasta da Agricultura ?

É exatamente por não ser fanático que o PT engole sapos como a Kátia Abreu. Porque se fossemos fanáticos e puros, a Ministra da Agricultura seria Perfeita, mas em 6 meses, acossado pela mídia e pela oposição, o governo cairia (para sua felicidade).

Como nós sabemos o que está em jogo se o governo de coalizão liderado pelo PT cair (ataques ao bolsa família, às cotas, ao Prouni, ao Reuni, ao Ciência sem Fronteira, à redução de desigualdade social, ao Mais Médicos, etc.) é que as nossas condições para o exercício do fanatismo são absolutamente nenhuma.

Guardem suas acusações de que o PT é excessivamente pragmático, que é vira casaca como o Partido Socialista francês ou o espanhol, para o dia em que tivermos maioria na Câmara e no Senado.

A próxima legislatura é mais conservadora e a bancada do PT diminuiu.

Lembrando-se que em 2010 o PT fez uma extensa campanha de amedrontamento justamente com o risco da Katia Abreu acabar sendo ministra do Serra, caso ele fosse eleito.

"Extensa campanha" onde? Na Carta Maior e no Brasil de Fato? Piada, né?

E o desmatamento hj é 80% menor que na era FHC? Ótimo, mas o que tem sido noticiado é justamente o aumento dos índices de desmatamento durante a era Dilma.

Destaquei "o que tem sido noticiado" porque é o centro da questão, mostra como o governo é tratado a chutes e pontapés pela mídia, ou seja, pelo poder de fato.

Quando temos uma redução de 80% no desmatamento, de 24 mil km2 (mais do que um estado de Sergipe) para 4,5 mil km2 (três municípios de São Paulo), é muito mais difícil, em termos percentuais, continuar reduzindo ano a ano. O aumento "noticiado" de um ano para o outro foi de 900 km2 - o equivalente a 15 dias de desmatamento no governo tucano.

Não é pq FHC fez merda que a Dilma tem carta branca pra fazer "qualquer coisa que seja só um pouquinho menos pior"

Se no seu conceito redução de 80% é "só um pouquinho menos pior", o fanático não sou eu.

Vie disse...

Mais do que a Dany, eu citaria a Cersei!
E pode crer, Morgana e Morgause são ótimos exemplos. Eu amo As Brumas De Avalon. Com certeza uma das melhores séries que eu já li.

Patrick disse...

Nossa Patrick, agora forçou. Com a aberração q foi o Novo Código Florestal, Belo Monte e etc, diminuir desmatamento é mínimo do mínimo, é nivelar por baixo a importância desse setor. Votei na Dilma porque né, não se tinha muita escolha, mas isso não apaga toda a problemática da esquerda do PT.

Fernanda


Eu entendo a sua crítica, também me frusta não ter um governo mais à esquerda. Mas eu só concordaria com você se o PT tivesse descartado coalizão com um partido mais à esquerda que tivesse 4 representantes no Senado e 40 na Câmara para se aliar ao PSD.

Devo lembrar que não estamos num processo revolucionário, mas numa democracia liberal burguesa, com suas limitações.

E se reduzir em 80% o desmatamento é o mínimo do mínimo, por favor me ilumine e mostre-me quem está fazendo melhor no Brasil.

Anônimo disse...

Entendi, Patrick.

Ser uma educadora, herdeira de um banco e amiga pessoal de uma presidente é estar mais comprometido que ser presidente de um banco na cadeira de Ministro da Fazenda...

Anônimo disse...

Raven, se decidir ler Trono de Vidro vai achar muita coisa legal. A cena em que a Celaena salva a vida do amigo (só amigo, mascus), o ladrão Nox Owen, é uma beleza. As heroínas de Sarah Maas são amigas, sempre se ajudam umas às outras, protegem umas às outras, não competem por nada, muito menos por macho. E os babacas que menosprezam Celaena por ela ser mulher são mostrados exatamente como isso, grandes babacas. Eu amei, espero que você tbm goste.

Vie, eu gosto muito da Morgana, e gostava ainda mais da tia dela, Viviane. Eram mulheres fortes e inteligentes no meio daquele mar de mulheres moles e burras. Confesso que tenho uma certa antipatia pela Morgause, mas só porque ela matou um cachorro pra usar o sangue(e eu adoro cachorros). Se não fosse isso eu também acharia a Morgause legal.

Patrick disse...

Entendi, Patrick.

Ser uma educadora, herdeira de um banco e amiga pessoal de uma presidente é estar mais comprometido que ser presidente de um banco na cadeira de Ministro da Fazenda...


Quem mais teria a ideia de colocar no programa de governo de Marina o fim do direito individual da pessoa de ter acesso à Justiça do Trabalho (Fonte)?

É essa a diferença entre ser formulador do programa de governo (Neca Setúbal, Itaú, Marina) versus ser um quadro operacional do governo (Trabuco, Bradesco, Dilma).

Em política não fazemos análise com o fígado. Do contrário, estaremos sempre dando murro em ponta de faca.

Anônimo disse...

Patrick, qualquer um que acompanhou a campanha da Marina Silva sabe que esse tipo de política tinha influência do Eduardo Gianetti e não da Neca Setúbal.
Fora que esse enxugamento das leis trabalhistas tem mais a ver com beneficiar o empresariado que os banqueiros.

Mas eu até concordo com você, Ministro da Fazenda no governo Dilma é um cargo simbólico que na prática não serve pra nada. Só não tente esconder a hipocrisia da propaganda política petista sob o manto da "coalizão". É bem simples: disse que não faria, escrachou quem disse que faria e... fez ele próprio. (os juros atuais devem ter deixado a sra. Neca Setúbal satisfeitíssima)

Anônimo disse...

Patrick, sim, não estamos em um governo ideal, é justamente por isso que criticamos medidas que vão contra nossos interesses. Mas é claro que vai das convicções políticas de cada um discriminar quais são as questões que merecem essas críticas.

"E se reduzir em 80% o desmatamento é o mínimo do mínimo, por favor me ilumine e mostre-me quem está fazendo melhor no Brasil."
Você não tem noção do quanto eu gostaria de poder te "iluminar", mas não existem bons exemplos da condução de políticas ambientais no Brasil, por isso que usei a expressão "nivelar por baixo", a falta de preocupação com o setor é tão grande que temos apenas um exemplo de melhoria e por isso deveríamos aceitar de boa e inclusive achar legal uma ministra que vai reforçar o agronegócio.
É o mínimo do mínimo se pensarmos que outras pautas ambientais exigem nossa atenção (e, principalmente, do governo):
-Diminuir emissões de CO2
-Diminuir o desmatamento
-Repensar o consumo de água
-Preservar espécies ameaçadas de extinção
-Preservar a diversidade biológica
-Tratar nossos resíduos
-Tratar nossos efluentes
-Implantar de fato a logística reversa
-Repensar as práticas de geração de energia utilizadas no país
-Reforma agrária sustentável
-Combater as ações totalitárias dos grandes proprietários de terras
-Acabar com o genocídio indígena e com a destituição de suas terras (e também dos ribeirinhos, quilombolas, etc.)

Enfim, a lista segue. E dos citados todos são problemas complexos que exigem vários programas para termos mudanças efetivas. Então a redução de 80% do desmatamento da Amazônia (lembrando que existem outros biomas muito devastados e com enorme importância) não é tanto considerando o que precisa ser feito.

Fernanda

Patrick disse...

Fernanda, a pauta que você coloca, com a qual eu concordo plenamente, tem a oposição - item a item - de entre 250 e 400 parlamentares. Eu falei em comentário anterior: estamos numa democracia liberal burguesa, não num ambiente pré-revolucionário. E uma democracia liberal com um parlamento eleito num sistema político esclerosado e extremamente favorável ao capital.

Basta lembrar que os únicos partidos que votaram contra o Código Florestal foram PT e PSOL. Todos os demais, inclusive PSB e PC do B, na melhor das hipóteses racharam ao meio.

Concordo com seu diagnóstico, com suas propostas, mas entendo que você erra na observação da correlação de forças da "sociedade" (parlamento, mídia & demais estruturas de poder), atribuindo uma capacidade mitológica de poder ao executivo federal, sem nexo com a realidade.

Anônimo disse...

Ótimo texto! Acho que tudo relaciona-se a costume. Estamos acostumados a aceitar um amplo aspecto de coisas quando vem do homem, mas uma mulher fugir da regra é algo que ainda assusta.

Eu adoro personagens assim, me identifico, e incluiria a Katniss Everdeen (já que vi que você curtiu Jogos Vorazes) na lista, obviamente, numa dimensão um pouco mais jovem do que as listadas.

Anônimo disse...

Daenerys não é anti-heroína nunca... ela personifica tudo que se espera de uma "heroína mijona", bem clichê, tanto que acaba falhando miseravelmente (uma boa lição dada pelo autor fantástico que a escreve).

Arya e Asha/Yara Greyjoy cairiam como uma luva na descrição da anti-heroína!

donadio disse...

"Pippi Meialonga é do mesmo autor do Super-Blomqvist"

Oi?

A Pippi Meialonga é da Astrid Lindgren. Sim, ela também tem um personagem chamado Super Blomqvist - mas a única relação entre ele eo Blomqvist da série Millenium (que é do Stieg Larsson) a não ser o fato de que "Super Blomqvist" é um apelido irônico às vezes dado ao Blomqvist do Larsson (provavelmente num momento de auto-ironia do autor).

donadio disse...

"Totalmente off topic mas Lolinha, já viu que legal, a Dilma colocou a Katia Abreu"

Off-topic por quê?

O assunto não é anti-heroínas?

donadio disse...

Alguns comentários parecem confundir "anti-heroínas" com vilãs. São duas coisas bem diferentes.

donadio disse...

"Daenerys não é anti-heroína nunca... ela personifica tudo que se espera de uma "heroína mijona", bem clichê, tanto que acaba falhando miseravelmente (uma boa lição dada pelo autor fantástico que a escreve).

Arya e Asha/Yara Greyjoy cairiam como uma luva na descrição da anti-heroína!
"

De fato, a Danaeris não é uma anti-heroína, mas uma heroína convencional. Também não é uma "mijona" nem "fracassa miseravelmente no final" - pelo menos não até onde eu li, e ao que eu saiba o que eu não li é só o que o %#$@%@%# do George Martin ainda não escreveu ou está guardando para publicação póstuma...

Mas nem Arya Stark nem Asha Greyjoy são anti-heroínas também. Arya é uma heroína convencional (embora seja uma "tomboy") cuja moralidade é "do bem", dentro dos limites impostos pelo mundo distópico em que vive. Bom, pelo menos no início; não sei muito bem o que ela anda fazendo em Essos, mas talvez ela esteja fazendo a transição para um personagem bem mais pesado, talvez uma anti-heroína mesmo, ou até uma vilã.

Asha Greyjoy é um personagem secundário demais para ser heroína ou anti-heroína.

... na verdade, quem leva mais jeito para anti-heroína é a improvável Samsa Stark. Se aprender direitinho no curso de maquiavelismo ministrado pelo Mindinho, tem tudo para ser uma das jogadoras mais perigosas no jogo dos tronos.

Anônimo disse...

Então, né... falar com tantas certezas e depois emendar com "até onde eu li" é foda. Desculpa, mas leia tudo. Se a sua impressão continuar, ótimo.

Anônimo disse...

Asha Greyjoy é um personagem secundário demais para ser heroína ou anti-heroína.

Sem querer fazer spoiler, é uma visão bem limitada pra se ter de uma história tão complexa como As Crônicas de Gelo e Fogo, em que tantas personagens ascendem enquanto outras afundam. Sim, temos nossas "estrelas", mas elas não existem sem outras personagens tão ou mais interessantes ao redor. E o jogo está sempre mudando, assim como a vida.

George não criou um mundo tão foda pra gente ignorar, né... se bem que é a escolha de cada um.

donadio disse...

"Então, né... falar com tantas certezas e depois emendar com "até onde eu li" é foda. Desculpa, mas leia tudo. Se a sua impressão continuar, ótimo."

"ao que eu saiba o que eu não li é só o que o %#$@%@%# do George Martin ainda não escreveu"

E aí, quem é que não lê as coisas até o fim?

Quando sair o volume 6 da trilogia de cinco, vou ler com certeza. Mas até lá, a luta continua... onde é que você viu a a Danaeris "falhar miseravelmente"?

donadio disse...

"Sem querer fazer spoiler, é uma visão bem limitada pra se ter de uma história tão complexa como As Crônicas de Gelo e Fogo, em que tantas personagens ascendem enquanto outras afundam."

Bom. Spoilers ahead.

O herói óbvio da estória era o Ned Stark, que não passou do volume I. O herdeiro óbviou era o Robb Stark. Também morreu logo.

De maneira que prever o futuro dos personagens é algo temerário. Mas alguns têm se afirmado até aqui como jogadores importantes (Jon Snow, Danaerys Targaryen, Mellisandre, Tyrion Lannister, Cercei), e outros têm tido trajetórias menos vistosas que entretanto são acompanhadas bem de perto, o que faz supor que possam vir a ser personagens centrais no futuro (Jaime Lannister, Arya Stark, Samsa Stark, Samwell Tarly, Bran Stark). Desta perspectiva, os Greyjoy não parecem destinados a muito mais do que um papel secundário. Ainda mais porque eles não são nem Gelo nem Fogo.

É difícil apontar "heróis", "vilões" ou "anti-heróis" numa história que não tem uma moralidade maniqueísta. Aparentemente, heróis do tipo tradicional estão destinados a uma morte prematura (Ned Stark, Robb Stark), por falta de habilidade em se mover num ambiente moralmente tão complexo. É preciso recorrer à intriga (como Cercei Lannister ou Mindinho, ou como parece que Samsa Stark está aprendendo a fazer), ou ao sobrenatural, saindo do "jogo" para fazer um metajogo (Bran Stark, talvez Arya, Beric Dondarrion) ou para prevalecer no próprio jogo (Mellisandre).

Na verdade, é difícil até perceber quais são os "lados" na disputa. Esta é a estória de Danaerys Targaryen em busca do seu trono usurpado? De Arya Stark em busca de vingança? Ou de Arya Stark transcendendo a vingança e deixando de ser Arya Stark? Ou de Jon Snow e Samwell Tarly defendendo os sete reinos contra os Outros? Ou de Tyrion Lannister contra o preconceito e contra a sua própria casa? Ou de Dondarrion e sua irmandade contra todo o sistema feudal de Westeros? Ou de Mellisandre e Stannis Baratheon lutando pelo trono e pelo deus R'hllor? Ou é tudo isso misturado? Quem é o fogo, Danaeris ou Mellisandre? Quem é o gelo, a Night Watch ou os Outros?

Anônimo disse...

onde é que você viu a a Danaeris "falhar miseravelmente"?

Livro 5. Se você já leu, bom, nada de novo. Falhar não significa que ela não irá vencer, ou que é má pessoa, nem nada. Estamos lendo uma história, isso pode mudar ao gosto do autor. Até lá, causar a morte e a guerra e acabar meio enlouquecida no meio do mato é falhar, sim (mas tudo bem alguém gostar disso).

Anônimo disse...

Desta perspectiva, os Greyjoy não parecem destinados a muito mais do que um papel secundário. Ainda mais porque eles não são nem Gelo nem Fogo.

Infelizmente. Mas aí está a minha questão: descartar alguém como anti-herói por tempo de aparição não é sábio. Ela está lá, por mais que possa morrer na próxima esquina. E o fato dela existir não impede que outras personagens tenham as mesmas características, assim como não existe um só herói na história.

Por exemplo, a Sansa: acredito, sim, que ela vai aprender muito com o Mindinho e conquistar o/um poder. Mas nem por isso acho que se transformaria em anti-heroína. Sansa, assim como a Daenerys, tem as características de heroína. Arya, ao contrário, tem as de anti-heroína, por mais que todos nós a entendamos e até gostemos das coisas que ela faz.

Quanto ao resto, concordo com tudo.

Anônimo disse...

Acho que faltou a diva das divas, Lola:
Katia
Scarlet
O'Hara

a desgraçada de E o Vento Levou, que foi destruída por um amor não correspondido, pela guerra e por julgamentos alheios dia após dia, mas nunca baixou a cabeça pra ninguém e reergueu-se, reergueu a casa dos pais e a família dos escombros

eu amo esse livro demais,
porque a personagem é real demais


Lígia

raissa coutinho disse...

Sobre series,tenho achado a Carrie de Homeland fantastica.