Mostrando postagens com marcador tradução. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tradução. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

POR QUE CORINGA ESTÁ SENDO CHAMADO DE GRITO DE GUERRA TÓXICO PARA INCELS

O aguardado filme Coringa estreou ontem no Brasil, e eu planejo vê-lo semana que vem (agora estou viajando) e escrever sobre ele. 
Ainda que eu esteja cansada de filmes de super-heróis, o trailer pareceu excelente (assim como o da sua ex, Arlequina, maravilhosamente interpretada por Margot Robbie em Aves de Rapina). 
Vi este este interessante artigo de Courtney Thompson para a Whimn e pedi pro querido Vinícius Simões traduzi-lo.

O Coringa foi interpretado várias vezes em mais de cinquenta anos. Primeiro com a caracterização brincalhona de Cesar Romero no primeiro Batman e Robin, depois o toque mais encantadoramente espirituoso de Jack Nicholson no filme de Tim Burton de 1989 e, é claro, a representação infame e maníaca, cortesia do falecido Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas.
Todd Phillips é o primeiro diretor a pegar o personagem e dedicar um filme inteiro à sua história de origem em Coringa e, se acreditarmos nas primeiras críticas, os filmes de quadrinhos “nunca mais serão os mesmos”.
O filme, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Veneza, já inspirou milhões (provavelmente bilhões) de palavras a serem escritas sobre ele. Estrelado por Joaquin Phoenix no papel principal, o longa conta a história de Arthur Fleck, um palhaço em busca de trabalho e aspirante a comediante de stand-up que ainda mora com sua mãe doente e se ressente do fato de que o mundo não lhe dá tanta atenção quanto ele acredita que merece. Soa familiar?
Os críticos estão divididos em relação à performance de Phoenix, com alguns elogiando-o como o 'melhor da carreira' e outros alegando que na verdade ele atua demais para poder levar o filme tão a sério quanto ele quer ser levado.
Mas enquanto eles discordam sobre a qualidade de sua performance, são quase unânimes em afirmar que o filme não se define se é uma sátira ou propaganda de homens brancos que, sentindo-se rejeitados pelo mundo, se voltam à violência e ao ódio como resposta para esses problemas. De acordo com as primeiras críticas, o filme segue uma linha tênue que poderia ser potencialmente perigosa se recebida do modo errado. Parece que não lida com certos temas com a cautela necessária para evitar glorificar incels (celibatários involuntários, os chamados "virjões") e seu comportamento às vezes violento.
David Ehrlich, do IndieWire, chamou o filme de “um grito de guerra tóxico para os incels que sentem pena de si mesmo” e acredita que “não tem disciplina nem nuances para lidar com material tão perigoso” em um mundo de trolls do Reddit e fãs maníacos da Marvel.
Igualmente, Jessica Kiang, da Playlist, escreveu que é “um filme tão perturbador que parece quase perigoso: independentemente de quão restritiva seja a classificação indicativa, talvez eles devam pensar em verificações de antecedentes e em um período de espera obrigatório de três dias nos cinemas”.
Continuando, ela escreve: “Coringa, baseado em um IP reconhecível, e agora com o selo da aprovação crítica e também com possíveis indicações a prêmios, é tão esteticamente impressionante, eficaz e persuasivo de sua própria realidade, que você claramente vê como pode facilmente ser (mal) interpretado e cooptado pelos mesmos elementos do tipo ‘perturbado mental e solitário’/ 4Chan/ Incel que ele pretende sinistramente satirizar”.
Richard Lawson, da Vanity Fair, inciou sua crítica observando a atual obsessão da sociedade em dissecar e encontrar uma causa para as motivações de “homens brancos insatisfeitos que se tornam violentos”.
“Se essa violência nasce de doenças mentais, isolamento, raiva culminada da identidade masculina ou tudo isso junto em um nó hediondo, parecemos certos de que há alguma causa possível de ser salva”, escreve, explicando que ele mesmo não conseguia parar de pensar nessa obsessão enquanto assistia Coringa, por conta dos paralelos entre aqueles “homens brancos insatisfeitos” e Arthur.
Da mesma forma, em uma crítica negativa para a Time, Stephanie Zacharek escreve que o filme é um “exemplo primordial” do “vazio da nossa cultura”. “Nos Estados Unidos, há um tiroteio em massa ou tentativa de ato de violência por um cara como Arthur praticamente semana sim, semana não. E, no entanto, devemos sentir algum tipo de simpatia por Arthur, o cordeiro perturbado; ele apenas não teve amor suficiente”, diz. “Ele poderia facilmente ser adotado como o santo padroeiro dos incels”.
Com um já entusiasmado burburinho de Oscar envolvendo Phoenix, este será sem dúvida apenas o começo da discussão sobre o filme e o que ele diz sobre incels, masculinidade, saúde mental e violência. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

FRIENDS FAZ 25 ANOS DE VIDA: UMA SÉRIE QUE NÃO ENVELHECEU BEM

Este mês Friends, considerada por muitos a melhor série de todos os tempos, completa 25 anos de vida.
Antes de mais nada, devo dizer que eu sou uma das fãs desta série que teve dez temporadas, entre 1994 e 2004. Ainda a vejo inteira a cada 3 ou 5 anos, e ainda rio muito todas as vezes. Isso não quer dizer que eu não enxergue problemas. 
O show tinha pouquíssimos personagens que não fossem brancos e héteros (quase nada de diversidade para uma Nova York dos anos 90), há bastante transfobia no que se refere ao "pai" de Chandler (uma mulher trans), Joey tem um comportamento bem misógino na maior parte das vezes, e ninguém gostou que Rachel desista de uma carreira promissora em Paris para ficar com Ross. Mas, pra mim, o pior problema da série sempre foi sua gordofobia escancarada. Monica foi uma garota gorda, e Friends não permite que ela se esqueça disso. Há um incontável número de piadas feitas pro público rir de mulheres gordas. 
Li este artigo que Scaachi Koul escreveu pra BuzzFeeeNews e pedi pro querido Vinicius traduzi-lo. Há muita coisa que eu discorde no texto, mas achei que ele seria um bom ponto de partida pra gerar uma discussão sobre a série. 
Friends feitos de Lego
Estou começando a me dar conta de que, em anos de internet, sou muito velha. Mas em vez de me sentir irrelevante por conta da minha ignorância sobre memes atuais ou do fato de que, cada vez mais, todos os meus tweets são sobre como eu odeio viagens aéreas, me sinto compelida a compartilhar minha sabedoria adquirida com muito esforço. Quanto mais me distancio de minha juventude, mais quero alertar a geração mais jovem, essa Geração Z com seus colares de conchas, xuxinhas de cabelo e Vans, que o que ela gosta é na verdade um lixo absoluto. 
Nunca soube que repetiria as frases que meu irmão da Geração X costumava dizer para mim -– “Quando você for mais velha, irá compreender que estou certo” –- no entanto aqui estou, dizendo à minha sobrinha que não, não assistirei Friends com ela. Friends, minha querida, é terrível.
Marca de café
Este setembro marca o aniversário de 25 anos da estreia de Friends, e como a maioria dos aniversários significativos da cultura pop, desencadeou uma onda de nostalgia coletiva. Eventos temporários, exibições públicas e produtos estão se materializando para os fãs mais radicais, afinal, qualquer um usaria uma pulseira com uma cantada gravada nele. Pessoas estão debatendo qual série é melhor, Friends ou Seinfeld (sem querer dar spoiler no meu próprio texto, mas é Seinfeld e isso deveria ser óbvio). 
Biólogos marinhos que provavelmente passaram anos na universidade e gastaram centenas de milhares de dólares em educação estão por aí nos informando que, na verdade, lagostas não formam pares para a vida, ao contrário do que Phoebe, uma personagem ficcional em um seriado de televisão ruim, cujo traço inteiro de personalidade é ser instável, disse em algum momento no final dos anos 90. 
Nós também ficamos sabendo recentemente que o macaco-ator que interpretou o animal de estimação de Ross (um enredo real de uma série sobre pessoas vivendo em Nova York, onde metade dos senhorios sequer permitirá que você tenha um cão bem-comportado) segue em atividade -– o que, imagino, é bom para o macaco. O conteúdo nunca acaba e, no entanto, de alguma forma, as pessoas parecem nunca perder o apetite por mais. Recentemente foi divulgado que Robert De Niro está processando uma ex-funcionária por, em parte, assistir 55 episódios de Friends em quatro dias.
Não quero soar dramática, mas se eu ler mais uma manchete que diga “Poderíamos ESTAR mais animados?” sobre alguma notícia relacionada a Friends, me jogarei dentro do vulcão ativo mais próximo.
Ninguém, sobretudo eu, deveria julgar o gosto de outras pessoas para programas de televisão. 
Atualmente, meu programa favorito são clipes no YouTube de uma série britânica chamada Just Tattoo of Us, em que “amigos” ou “parceiros” desenham tatuagens profundamente humilhantes que serão aplicadas permanentemente nos corpos um do outro sem aprovação prévia envolvendo o desenho ou o local da tatuagem. Eu e meus gostos somos lixo e não mereço nada além de uma morte dolorosa. 
Mas enquanto alguém que viveu durante a primeira leva do reino cultural de Friends, que estava consciente por pelo menos uma metade, e que participou disso em tempo real, eu estaria sendo negligente se não lembrasse a todos vocês da verdade: Friends, um programa sobre pessoas brancas sendo magras e possuindo os mamilos mais aparentes das Américas -– e um programa que eu, em certo momento, assisti e aproveitei –- é um lixo absoluto. 
Friends estreou em 1994, quando eu tinha três anos de idade. O final foi uma década depois. Muito de meus anos formativos foram gastos assistindo Friends. Minhas colegas de classe e eu encenávamos a série na escola. Eu queria ser uma Rachel, mas me contentava com uma Monica, embora eu dissesse às outras pessoas que era uma Phoebe, quando na verdade era um Ross. 
Meu irmão, que estava na minha frente no percurso de saber que o programa era “inassistível”, costumava brigar comigo quando eu insistia em assistir reprises que eu já havia visto na semana anterior. (Espero que ele nunca leia isso; eu jamais superaria.) Em 2004, quando meus pais me proibiram de ver televisão (após eu ter sido esperta o suficiente para passar um trote em um professor e burra o suficiente para deixar meu número na caixa postal), escrevi uma carta implorando para eles me deixarem assistir o episódio final. Rachel desceu do avião!!! Eu estava feliz, mas também eu era uma virgem e não compreendia que Rachel certamente poderia achar outro pau em algum lugar de Paris.   
Há uma discussão online recorrente sobre a estranha divergência entre a nostalgia de Friends e a realidade da baixa qualidade da série. Mas ainda assim, esmagadoramente, o público parece estar Ok em fingir que Friends tinha algo de bom. Provavelmente contribuindo para essa conclusão errônea é quão fácil é acessar o catálogo de episódios, que está prontamente disponível em serviços de streaming que adolescentes adoram maratonar em massa. 
Parece estranho que o seriado que a geração mais suscetível ao marketing esteja, por algum motivo, assistindo, é também o seriado menos relevante ainda disponível no mercado (e é aqui que eu livremente admito que o BuzzFeed tem oferecido um fluxo constante de Friends para jovens impressionáveis, o que pode ter algo a ver com tudo isso).
Muitos programas envelhecem mal, mas ainda são convenientes de rever de vez em quando. Mas diferentemente de outros programas semelhantes que inspiram maratonas nostálgicas –- Seinfeld, The Office, 30 Rock, Parks and Recreation ou Cheers -– Friends não possui a vantagem de ser de fato bom. Steve Carell está certo: The Office nunca deveria ser refilmado, porque é um seriado sobre um chefe abusivo que assedia moralmente seus empregados, que desenvolvem uma espécie de Síndrome de Estocolmo para continuar a trabalhar em uma empresa de papel (adolescentes se lembram de papel?). Mas é, ainda assim, muito engraçada e cheia de compaixão e redenção.
Frasier ainda é uma série agradável sobre os únicos dois homens vivos que ainda bebem xerez. Tudo em Família nos mostrou como alguém que você ama também pode ser um babaca racista (que presságio, Cristo), e Seinfeld mudou para sempre como uma comédia de meia-hora seria. 
Mesmo hoje, eu preferiria assistir o mesmo episódio de Will e Grace em que a mãe de Grace aparece do que sequer dar uma chance a Chernobyl. Maratonar séries que são confortáveis e familiares é tranquilizante, como ligar para sua mãe quando você está chateada, ou fumar um cigarro de cravo no estacionamento da sua escola -– o que, é claro, eu nunca fiz, e se meu irmão mais velho estiver lendo isso, não conte para a mamãe, seu dedo-duro de merda.
Mas amar Friends em 2019 requer um nível de ginástica mental que deveria forçar a série a permanecer num ponto esquecido do passado. Liste qualquer um de seus episódios “favoritos” e provavelmente haverá algo grotesco enterrado no enredo. O pai de Chandler é desnecessária e inexplicavelmente drag queen, interpretada pela atriz cis Kathleen Turner, e é a fonte de várias piadas transfóbicas
Quando adolescente, Monica era gorda e é isso, essa é a piada, aqui, veja-a dançar em uma fat suit (disfarce para parecer gorda). A ex-esposa de Ross é lésbica e não é engraçado que seu filho tenha duas mamães? Salvo alguns personagens não-brancos que surgem de vez em quando, a série era tão branca que Phoebe, como única loira, poderia ser considerada uma minoria. 
Múltiplos artistas que fizeram participações especiais em Friends revelaram, duas décadas e meia depois, experiências não muito especiais no set. E, claro, há o infame processo de 2004 que Amaani Lyle, uma assistente dos roteiristas, moveu contra o programa por ter sido forçada a ouvi-los contando piadas sobre Joey estuprando Rachel, e a assisti-los imitando masturbação e caçoando da “fala negra do gueto” (o juiz decidiu que o comportamento dos roteiristas era necessário para um ambiente criativo, lançando bases problemáticas para que uma defesa de "necessidade criativa" fosse implantada em outro lugar).
Além de tornar mais difícil processar por assédio em ambiente de trabalho, qual legado cultural Friends nos deixou, exatamente? Um penteado? Justin Theroux?? Matthew Perry chocado no The Graham Norton Show quando a septuagenária atriz Miriam Margolyes falou sobre “ficar com a calcinha molhada”?? (Esse último é muito bom, na real.) 
Pelo menos agora temos o gostosão Jughead. Mal posso esperar pelos bebês de 2020 no futuro tentarem argumentar que Riverdale é na verdade uma obra-prima.
Mas, é claro, nada disso importa. Pelas regras da internet, não sou nada além de uma mulher velha, uma millennial perdendo importância com a idade. São as garotas VSCO e estrelas do TikTok que herdarão a Terra –- suas tolices, suas falhas, seus sucessos. E elas também irão crescer um dia e perceber a verdade sobre Friends, que era apenas uma série sobre lindas pessoas magras usando suéteres, com uma máquina gigante de marketing de uma emissora por trás.
Esse será o rito de passagem delas, e a boa notícia é que elas provavelmente se acertarão com o desapontamento de retornar a algo que elas amavam; o seriado que elas gostavam aos catorze anos, embora tenha terminado antes de elas nascerem, não é de fato tão bom. Minha vingança terá que esperar. Eu poderia ESTAR mais animada para o momento em que ela finalmente vier?

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

ALERTA ÀS MÃES E PAIS DE ADOLESCENTES

Outro dia uma escritora americana, Joanna Schroeder, escreveu uma thread no Twitter que viralizou (passou dos 180 mil likes). Como o que ela disse é muito relevante, e como eu vivo dizendo algo parecido (pais, vocês precisam saber o que seus filhos fazem na internet, porque imagina que tragédia se eles se tornam terroristas), pedi ao querido Vinícius Simões para traduzi-la.

A thread de uma mãe sobre garotos
brancos e propaganda da extrema
direita é leitura obrigatória para pais
Você tem filhos adolescentes brancos? Preste atenção.
Tenho observado o comportamento online dos meus filhos e percebi que as redes sociais e os vloggers estão ativamente lançando as bases em adolescentes brancos para transformá-los em supremacistas e membros da alt-right [“direita alternativa”, uma nova leva de conservadores de extrema direita identificados com a supremacia branca que ganhou fôlego na segunda década deste século].
Eis como:
É um sistema que acredito ser propositalmente criado para desiludir garotos brancos para longe de pontos de vista progressistas/liberais [liberal aqui deve ser entendido como costuma ser empregado na política norte-americana, isto é, algo próximo do “esquerdista” usado no Brasil].
Primeiro, os garotos são inundados por memes com piadas sutilmente racistas, sexistas, homofóbicas e antissemitas. Sendo garotos, eles não veem as nuances e os repetem/compartilham.
Depois eles são chamados à atenção por essas piadas/ frases/ memes por pais, professores e crianças (principalmente meninas) na escola e online. Os garotos então sentem vergonha e constrangimento –- e a vergonha é a força que, acredito, leva as pessoas às suas piores decisões.
Exemplo de meme antissemita
O segundo passo são os garotos consumindo mídia com temáticas do tipo "as pessoas estão muito sensíveis" e “você não pode dizer mais nada!”. Para esses meninos, isso soará legítimo -- eles estão tendo problemas por “nada”. Essa narrativa permite que os garotos abandonem a vergonha -– substituindo-a por raiva.
E de quem eles sentem raiva? Mulheres, feministas, liberais, minorias étnicas, gays, etc etc. Os chamados "floquinhos de neve especiais". E não há ninguém lá para desmontar a falácia do “floquinhos”.
Esses garotos estão sendo configurados -– eles são colocados como bolas de beisebol em um pino e atirados direto para fora do parque. E NINGUÉM parece notar isso acontecendo -– exceto, ao que parece, mães de garotas adolescentes que veem o assédio bizarro que suas filhas sofrem. 
Me chame de floquinho de neve
especial mais uma vez
E, claro, mães como eu, que vigiam as redes sociais dos filhos.
Esses meninos são frequentemente de famílias progressistas ou moderadas -– mas seu comportamento online e hábitos de visualização são muitas vezes ignorados.
Aqui está um alerta vermelho prévio: se o seu filho reclamar de como as pessoas andam sensíveis para se ofenderem com uma piada, ele já está sendo exposto e a caminho. Intervenha! Olhe seu Instagram Explore junto com ele. Explique o que está sob esses memes. Explique por que “se sensibilizar” não é uma piada, o que um gatilho de estresse pós-traumático realmente é. 
Evoque empatia sem envergonhá-lo. Lembre a ele que você sabe que ele é uma boa pessoa, mas explique como a propaganda funciona. A propaganda faz com que pontos de vista extremos soem normais devido a pequenas quantidades de exposição ao longo do tempo -– tudo com o propósito  de converter pessoas a pontos de vista mais extremistas. Diga ao seu filho que ele não precisa ser enganado por ninguém.
Steve Bannon, responsável pelo
crescimento da direita online
Adolescentes possuem um impulso inato em direção à independência, e, uma vez que este sistema é exposto, é provável que eles passem a questionar as intenções dos memes e vloggers. Diga que você está sempre presente, não julgando, mas olhando para o conteúdo e tentando identificar a mentira -– sem julgamento.
Então não julgue!
Você pode também assistir a shows políticos cômicos com ele, como Trevor Noah, John Oliver e Hasan Minhaj. Fale sobre o que torna suas piadas engraçadas -– quem é o alvo das piadas? Eles fazem piada com o opressor ou com o oprimido? Nossos garotos querem se identificar com caras engraçados. 
Um jovem ativista da extrema direita
faz o sinal de "ok", símbolo de
supremacia branca (eu, Lola, só
 descobri agora)
Dê-lhes John Mulaney, Hannibal Burress, Hasan Minhaj, Neal Brennan, Dave Chappelle... e depois converse com seus filhos sobre essa parada engraçada. Explique. (Também apresente a eles comediantes mulheres, obviamente, mas isso não vem ao caso aqui). Mostre a eles que comédia progressista não é sobre ser “politicamente correta” ou segura. Frequentemente é sobre expor sistemas opressivos -– que é a coisa mais distante de “segura” ou delicada possível.
Desmonte essa besteira de "floquinho de neve especial" e “vitimismo” de uma vez por todas. Pergunte ao seu filho: quem é mais “vitimista”: a pessoa que se ofende com racismo/ sexismo e quer ativamente ajudar a acabar com o preconceito? Ou a pessoa que se sente ofendida por quem diz “Boas Festas” em vez de “Feliz Natal”?
Acima de tudo, precisamos nos manter engajados e desafiar nossos filhos sem constrangê-los. Tenho sorte, meus filhos são inteligentes e têm um pai inteligente, crítico e progressista, que não tem medo de apontar a besteira quando vê. Mas vi TANTOS garotos brancos sendo vítimas desse sistema. Então cuidado.
Obrigado ao comentarista que compartilhou essa thread sobre jornalistas que fizeram o trabalho real sobre este assunto. @Max_Fisher, você é um herói por isso.
IFunny se tornou um pólo
do nacionalismo branco
E alguém sugeriu essa entrevista relevante com um ex-supremacista branco sobre como ele se radicalizou (e conseguiu sair).
Outra grande fonte que li em algum momento e tinha me esquecido. Essa é uma história de pais verdadeira. Eu não sei quem eles são, no entanto. Um trecho: “Aos 13 anos, de repente sem amigos, ele não poderia entender como estava sendo manipulado ou como a tecnologia tornava mais fácil para a alt-right online encontrá-lo”.
Mais uma fonte!