segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CARTA ABERTA AO JORNALISMO ALTERNATIVO

Recebi hoje o link para uma reflexão muito instigante e bem redigida sobre o machismo na "mídia independente", mais especificamente no jornal Tabaré, publicação conceituada de Porto Alegre.
O texto fala sobre como o machismo existe também na esquerda, muitas vezes de modo sutil. Tanto que geralmente se torna invisível não só para os homens que o perpetuam como para as mulheres que o sofrem. Vale muito a leitura. 
O texto é escrito e assinado por Jessica Dachs, Julia Schwarz, Juliana Loureiro, Luísa Santos, Luna Mendes, Natascha Castro, e Yamini Benites. 

O feminismo hoje é pauta. As discussões nas redes sociais, as denúncias, os debates e os questionamentos frequentes demonstram o quanto as questões relativas ao lugar da mulher na sociedade vêm sendo gradualmente abordadas em espaços diversos. No entanto, sabemos que o combate ao machismo é feito no dia-a-dia, em nossas relações pessoais, familiares, de trabalho, nas ruas -- naquelas situações de assédio tão banais pelas quais, nós mulheres, passamos e que nos ferem cotidianamente.
Parece redundante falar em machismo nas salas das redações dos grandes veículos de imprensa. Redundante porque o próprio resultado final do trabalho jornalístico -- as matérias, reportagens, artigos -- na grande parte dos casos se resume a produtos machistas, que seguem as mesmas lógicas midiáticas da propaganda abusiva. A forma como as mulheres são tratadas no jornalismo serve de exemplo evidente: enquanto fontes e personagens das matérias, aparecem ou como objetos decorativos a serem apreciados por sua beleza ou como super heroínas que conseguem conciliar uma carreira bem sucedida, a maternidade dedicada e o cuidado religioso com a saúde e a beleza. 
Enquanto fontes especialistas, dificilmente são ouvidas, dando-se preferência aos seus colegas homens nos comentários sobre política, economia, esporte, etc. Como repórteres, são impedidas ou desestimuladas a desenvolverem pautas investigativas, ficando com as pautas “softs”, visivelmente menos valorizadas na profissão. Como público leitor, os assuntos de seu interesse, relativos às suas vivências enquanto mulheres (como aborto, violência doméstica e obstétrica) são visivelmente relegados a segundo plano ou simplesmente marginalizados e silenciados. Fora isso, na rotina diária das redações da grande imprensa, o assédio contra mulheres ocorre a vistas grossas, e a valorização da posição autoritária dos “machos-alfas” é mantida enquanto “cultura profissional”.
Ainda assim, nós, que assinamos esta carta acreditávamos que havia outras possibilidades no jornalismo, que este poderia assumir uma postura de questionar os pré-conceitos e duvidar das verdades e certezas estabilizadas. Tínhamos a esperança de haver espaço para uma prática jornalística diferente, principalmente naqueles ambientes que se colocavam como contestadores, a exemplo das iniciativas de jornalismo alternativo e independente que pipocavam em Porto Alegre e outros lugares.
Como estudantes, procurávamos um espaço livre para poder trabalhar com o que acreditávamos da mesma forma que nossos colegas homens, e com esse intuito decidimos construir alternativas. Formamos parte de um coletivo, de uma equipe, de uma redação independente. Estivemos desde o começo trabalhando em diversas etapas da criação, formação e produção de um jornal impresso em Porto Alegre chamado Tabaré. Algumas colegas se uniram ao grupo tempos depois -- artistas, designers, escritoras, fotógrafas, etc. Muitas nos deixaram com o tempo, poucas se mantiveram durante os quase quatro anos de existência do jornal. Os motivos das desistências eram diversos: outras ocupações, outros interesses, outras necessidades. Apenas uma coisa permaneceu constante durante todo o tempo: a desproporcional presença de homens e mulheres. O movimento de saída gradual das mulheres do jornal estimulou nossas inquietações -– atualmente o Tabaré conta com apenas uma integrante mulher na redação.
Hoje conseguimos perceber que na via “alternativa” algumas estruturas e relações semelhantes às vivenciadas na grande mídia se mantêm. Antes, no entanto, costumávamos acreditar que em um jornal “independente” estaríamos minimamente distantes das opressões das redações dos veículos da indústria da comunicação. Formamos um projeto de relações de trabalho horizontais, de tomada de decisões em assembleias em que todos possuíam o mesmo peso de voz e voto, enfim, de ilusões igualitárias. A partir dessa experiência ficou evidente para nós que as opressões sutis são tão ou mais eficazes do que as opressões explícitas. Seria lindo se de fato mulheres e homens tivessem o mesmo peso de voz e voto em um ambiente de trabalho. No entanto, na prática, muitas vezes tivemos nossas características profissionais desacreditadas e desestimuladas nesse ambiente, fomos silenciadas em nossas reivindicações, outras tantas ridicularizadas em nossas críticas.
Quando passamos a nos reunir fora do trabalho começamos a perceber que alguns constrangimentos eram compartilhados, que alguns sentimentos eram ecoados pelas poucas mulheres que restavam na redação. Percebemos a dimensão do que ocorria quando cada uma contava sua história e de repente tínhamos uma quantidade enorme de relatos de situações que passavam despercebidas por uma vontade de acreditar naquele rótulo “alternativo”. Pensávamos, assim como sabemos que inúmeras colegas pensam, que em espaços independentes, em ambientes “livres”, em grupos de esquerda, o machismo seria pelo menos combatido por todos, seria uma preocupação de homens e mulheres. A verdade é que isso não acontece.
Por mais que muitos dos nossos colegas homens se declarassem apoiadores das causas feministas, quando eram acusados de posturas opressoras e machistas respondiam com indignação. Alguns simplesmente não reconheciam nossas críticas e muitas vezes adotavam a postura nojenta, tão conhecida por nós mulheres, do escárnio. Outros poucos se sensibilizavam, mas na frente dos outros homens dificilmente bancavam um apoio às nossas demandas e reclamações (muitas vezes fomos taxadas de “exageradas”, de “extremistas” ou de “vitimistas”). 
Tentamos esforçadamente discutir opressões, mas a abertura para a crítica e a autocrítica era quase nula –- chegamos a escutar que os homens sabem o que é ser mulher e que portanto nossas reclamações não faziam sentido. Era cansativo ver que todo esforço, todo debate, a cada novo episódio era como se começasse do zero. Juntas, compartilhando nossas experiências, sentimos o quanto esse machismo aparente nas discussões e na falta de abertura para aceitação a críticas é apenas a superfície de um problema muito mais profundo.
É triste perceber que essa é uma característica dos meios de comunicação alternativos. A imprensa independente brasileira sempre esteve fortemente firmada sobre posicionamentos machistas. A grande referência desse estilo de jornalismo, O Pasquim, já foi acusado inúmeras vezes de machismo, principalmente pela forma como expunha as mulheres -- talvez o maior exemplo seja a famosa entrevista com Betty Friedan. Os membros do Pasquim eram declaradamente antifeministas e ridicularizavam as mulheres que lutavam por seus direitos da mesma forma que ridicularizavam o governo militar.
Reconhecemos que O Pasquim era uma grande influência para nossa produção no Tabaré. E a verdade é que todas nós sentíamos nossas potencialidades diminuídas pela maioria dos homens do jornal, duvidávamos de nossas capacidades, e por vezes nos convencíamos de que eles eram melhores. Nossas pautas eram anuladas, nossas propostas sempre pareciam incoerentes e não "jornalísticas" -- retrospectivamente, avaliando as publicações, percebemos pautas publicadas, escritas por homens, que quando haviam sido propostas por mulheres, foram derrubadas. Sem falar nas críticas textuais, muito mais incisivas; nos conteúdos derrubados por atrasos com a justificativa de desconhecimento sobre o andamento de nossa produção; na desconfiança sobre nossos materiais. 
Éramos mais cobradas, precisávamos dar explicações maiores sobre pautas, matérias, textos, imagens, falhas, atrasos, fontes, modos de escrita e a mesma cobrança era feita em outras áreas, como na diagramação e na administração. A inovação deles era criativa, a nossa era anômala. Colegas elogiavam nosso "crescimento" profissional -- elogios que insinuavam o quão inesperado era esse crescimento e que demarcavam a nossa posição de “aprendizes” ali dentro. Éramos avaliadas inclusive pela nossa forma física. Em diferentes momentos era necessário reforçar que não estávamos ali para flertes, mas para trabalho.
Sabemos que "ser mulher" em nossa cultura é ter nossas capacidades questionadas o tempo inteiro. Somos criadas como sendo o Outro (o estranho, o diferente, a emoção ao invés da razão), somos avaliadas e criticadas constantemente (em relação ao nosso corpo, à nossa capacidade intelectual, à nossa sexualidade e desejo). Essas avaliações e cobranças constantes nos fazem sentir menores, inseguras, temos que estudar e trabalhar o dobro pra conseguir "provar" que somos capazes (e mesmo assim nunca será o suficiente). Lidamos desde pequenas com certas formas dos homens se "colocarem" em relação a nós, através de assédios, do aumento do tom de voz, das risadinhas, dos olhares de desprezo, dos questionamentos sobre nossa racionalidade. Práticas muitas vezes sutis, mas que nos dizem desde cedo qual é o nosso "lugar no mundo", sempre abaixo, atrás de alguém. Com o tempo, muitas vezes passamos a acreditar nessa "verdade". As palavras e os gestos, quando reiterados, têm esse poder de se estabilizarem, de se tornarem "verdades", inscrevendo-se em nossos corpos e subjetividades.
Estar no Tabaré foi sentir ainda mais essa diferença de ser localizada cultural e subjetivamente enquanto mulher e os efeitos dessa diferença. Nas nossas trocas percebemos que em nenhum outro lugar, nem em “veículos convencionais”, nos sentimos tão inseguras em relação ao nosso trabalho. Todas nós, em algum momento, nos sentimos menores do que muitos colegas homens, duvidando da nossa capacidade enquanto jornalistas, fotógrafas, artistas e designers. Todas já sentiram algum incômodo com a negação veemente de que eles eram machistas (afinal, os machistas são sempre os outros). De alguma forma, acabamos acreditando nessas falas, olhares e posturas de superioridade. Caímos na falsa ideia de que éramos mesmo menos capazes, que nosso trabalho tinha menor importância e que nossos incômodos eram “exageros”, que era “tudo coisa da nossa cabeça”.
O irônico é que estes nossos colegas não se encaixam no estereótipo do homem machista agressor de mulheres, totalmente insensível às injustiças e desigualdades que atravessam o social. Pelo contrário, são homens de esquerda, supostamente libertários, muitos inclusive afirmam que são feministas; mas, infelizmente, são homens que esqueceram que são humanos, passíveis de erros e falhas, cheios de incoerências e que carregam em si os preconceitos do seu tempo, o que os impediu de exercer um mínimo de autocrítica e de alteridade. Assim, as práticas desses colegas revelam o lado mais perverso do machismo -- sua capacidade de se mascarar em atitudes que não parecem violentas ou graves, através de conversas leves, de uma falsa inexistência de hierarquia, de elogios (em relação à nossa beleza e aos nossos corpos, a como “a gente tinha crescido” graças à oportunidade de estar trabalhando ali naquele lugar, ao lado de homens tão brilhantes), sorrisos de aprovação, demonstração de interesse em nossa vida afetiva-sexual, etc. 
Homens aparentemente engajados, mas que infelizmente não demonstraram sensibilidade e disposição pra fazer o difícil movimento de ouvir as nossas denúncias e reclamações de machismo, de olhar pra si, pensar sobre as suas práticas e discursos.
Isso não é de maneira alguma algo exclusivo do jornal Tabaré, tampouco dos homens que ali trabalham. Queremos deixar claro que o Tabaré é MAIS UM desses ambientes ditos libertários/alternativos pelos quais nós, e tantas outras mulheres como nós, circulamos. O silenciamento e a objetificação que sofremos nesses ambientes é mais difícil de desconstruir e combater justamente por essa sutileza, por essa identificação libertária das pessoas -- dos homens -- que frequentam esses lugares. Não existe uma oposição escancarada, do machista contra a feminista. 
Existem pessoas que dizem apoiar nossas lutas, compreender nossas posições, mas que não têm nenhuma abertura pra qualquer crítica ou denúncia -- ou até a sensibilidade de olhar para os lados e perceber que está cercado de mulheres que não se sentem à vontade para falar ou participar ativamente de uma discussão. Homens que não perceberam que, em um dado momento, sequer havia mulheres ali, que agora se tratava de uma conversa exclusivamente entre homens, homens que não se importam com essa “repentina” ausência de mulheres e muito menos cogitam ter qualquer responsabilidade ou implicação nesse afastamento.
O machismo está em todos os espaços sociais e em todos nós, seres simbólicos que somos, constituindo a nossa subjetividade e se fazendo presente nas nossas relações mais cotidianas. Ser de esquerda, ter tido contato com discussões sobre desigualdade de gênero, achar bonita a “liberdade sexual” feminina e defender relacionamentos abertos não te fazem um homem que busca pensar e problematizar o machismo. 
Pertencer ao movimento feminista e ter a vida toda questionado as inúmeras injustiças que sofreu por ser mulher não te impedem de às vezes cair na armadilha de duvidar da tua capacidade, de se sentir insegura em relação a homens que estão o tempo inteiro te avaliando e duvidando de ti. O medo da rejeição e do desprezo acaba atravessando nossas existências e por isso muitas vezes nós, mulheres, silenciamos e nos acomodamos a uma posição passiva. Estar e participar da construção desses “lugares” de crítica não te faz uma pessoa “iluminada”, imune à reprodução de relações desiguais.
Queremos, portanto, com este relato coletivo fazer um convite à reflexão por parte das mulheres e homens que estão engajados nesse tipo de projeto: qual o papel das mulheres nas iniciativas independentes? Por que a discussão de gênero sempre é relegada a um papel secundário? Por que outras questões parecem ser mais “urgentes” nesses espaços e projetos “independentes”? São perguntas que nós mulheres precisamos fazer. Entendemos ser fundamental compartilhar experiências (parecidas ou diferentes) para perceber na cumplicidade dos relatos que esses espaços independentes precisam mudar. 
Nós, mulheres, precisamos assumir o protagonismo de iniciativas alternativas e combater toda forma de machismo, a sutil e a violenta. Contamos nossa experiência na esperança de estimular outras mulheres a problematizar esses espaços de “liberdade” que ainda não nos inclui completamente.

33 comentários:

Claudio disse...

"(...)e a valorização da posição autoritária dos “machos-alfas”(...)"

Tu sabia que teu feminismo só ajuda tais 'machos-alfas' usarem as mulheres na juventude e as descartarem na velhice!?

O feminismo brasileiro para as mulheres heterossexuais só servem para deixá-las mais elitistas possível.

lola aronovich disse...

Fala a verdade, mascuclaudio: vc só leu machos-alfa no texto inteiro e decidiu fazer o seu inútil comentário.
Vc nem notou que o tal termo "machos-alfas" tá entre aspas. Só mascus e demais derrotados dividem os homens em duas categorias, beta e alfa. Já falei: até horóscopo tem mais validade que vcs. Pelo menos divide a humanidade em doze categorias...

Anônimo disse...

"Tu sabia que teu feminismo só ajuda tais 'machos-alfas' usarem as mulheres na juventude e as descartarem na velhice!?"

O que vcs mascus mais fazem é agredir mulheres que nem conhecem apenas porque chegaram a uma determinada idade. O tal "macho alfa" se for alfa mesmo nem precisa usar mulheres para se auto-afirmarem como fazem os mascus.

Anônimo disse...

Nos últimos tempos tenho feito algumas reflexões sobre o feminismo e cheguei a alguns pontos que tem me incomodado bastante, não sei se vocês concordam:
1-Está se dando atenção demais pra quem é machista assumido, misógino. Não adianta entrar em discussões, diálogos e ficar dando atenção, compartilhando links deles. É perda de tempo e de energia. Se a pessoa não vai mudar, só quer trollar, pra que dar palco pra ela? Acho que só se volta o foco pra essa gente, se cometerem algum crime, se passarem dos limites, se prejudicarem alguém, senão, não quero nem saber o que andam vomitando por aí.
2-Outra é a tal história do "protagonismo de luta", que já me encheu a tampa. Parceiros de luta que são tratados pior que um inimigo. Você lê um texto legal, aí vai pros comentários e não encontra discussões sobre o texto, mas reclamações de que o autor é homem e está "roubando o protagonismo".
Nessa hora imagino um monte de atrizes e atores canastrões, brigando pra ver quem aparece mais em uma peça mal escrita.
3-Ser agressiva com uma pessoa machista, misógina, mal-intencionada é uma coisa. Mas se a pessoa se interessa por feminismo, mas dá um escorregão, é tratada com dez pedras na mão. Tá tendo pouco diálogo e muita briga.
Enfim, acho que temos perdido tempo.
Serei sempre feminista, onde posso faço minha parte, mas me afastei dos espaços onde tenho visto essas coisas acontecerem com frequência.
Acho que estamos em um momento onde além de crítica, estamos precisando também de auto-crítica.
Abraços, Lola.

B disse...

Muito obrigada por esse post!

Bárbara disse...

Isso me lembra um jornalista dono de um jornal de esquerda também de Porto Alegre, que jura não ser machista com argumentos do nível "minha mãe e esposa são mulheres, ora". Um cara mega inteligente que adora se gabar de sua cultura erudita e que volta e meia posta em seu blog publicações expondo mulheres como objeto sexual. Que nojo! E diz que faz isso porque "ama as mulheres".

Anônimo disse...

Esse mascu claudio só quer chamar atenção.

Anônimo disse...

Machismo no esquerdismo? Nossa, mas que grande novidade!

Anônimo disse...

Lindo relato!

Claudio disse...

"Só mascus e demais derrotados dividem os homens em duas categorias, beta e alfa. Já falei: até horóscopo tem mais validade que vcs. Pelo menos divide a humanidade em doze categorias..."

Eu era parcialmente masculinista por acreditar que as mulheres com o comportamento interesseiro, eram assim por convicção, hoje eu sei que elas são assim por indução do sistema, sendo vítimas, pois como havia dito, pessoas interesseiras só poderiam adotar tal postura se nunca envelhecesse...

Existe sim, homens alfa e beta, alfas são aqueles que mulheres escolhem à primeira vista, já os betas são aqueles que quando são escolhidos [as mulheres só o escolhem quando são alfas artificiais (úteis)], NUNCA são à primeira vista!

Não subestime o horoscopo, ele diz com quem tu vai se entender ou não.

Não sou mascu, qualquer homem que não concorde o que é dito aqui = mascu.

Vou dizer porque não sou mascu... mascu quer casamento pois tem baixo poder sexual, mascu é antipetista, mascu lambe-ovo de americano e europeu, mascu questiona a seleção sexual, etc...

Anônimo disse...

"Nessa hora imagino um monte de atrizes e atores canastrões, brigando pra ver quem aparece mais em uma peça mal escrita".

Pensei que era só eu qe pensava isso, kakak

Anônimo disse...

ah claro, os homens só descartam as mulheres por culpa delas mesmas
ta "serto"

Anônimo disse...

"Vou dizer porque não sou mascu... mascu quer casamento pois tem baixo poder sexual, mascu é antipetista, mascu lambe-ovo de americano e europeu, mascu questiona a seleção sexual, etc..."


Nem todos os masculinistas querem casamento Claudio, aliás, é cada vez maior o números dos que preferem não casar, praticar o chamado "Marriage Strike" como uma solução para acabar com o feminismo. Fora isso, o que você falou é verdade.

Gle disse...

Jornal desse tipo tem de Monte. Aqui na região eu deixei de assinar um jornal pq ele foi completamente nojento ao relatar um fato ocorrido em uma Universidade, que dois jovens mantiveram relações na biblioteca. E adivinha? A menina que era a errada, claro. O menino era o bonzao e pegador. A máxima foi que quem fez o relato do fato era o proprietário do Jornal. Cancelei assinatura na mesma semana. Parabéns ao grupo pelo texto, realmente muito bom.

Anônimo disse...

Não acredito que homens possam realmente entender o que passamos. Do mesmo modo que tenho consciência de que eu, branca de classe média nascida no sul, jamais entenderei o que uma pessoa negra nascida na periferia ou do nordeste passa em questão de preconceito.
Por mais que eu estude e perceba o que eles passam, o mesmo nunca vai acontecer comigo. Cariocas e paulistas não vão ter aquela raiva toda de mim, pois eu nasci no sul.
Ninguém vai pensar que roubei algo por causa da cor da minha pele.

Eles nunca passarão os medos que passamos, pois o sexo deles os deixa imunes disso.

Mas como vc escreveu, são humanos e erram, mas deveriam saber disso e não ficar bravinhos quando repreendemos algum comentário sem noção.

Anônimo disse...

Os mascus vivem menosprezando mulheres que eles consideram inferior a eles principalmente pela idade e aparência física e depois vem posar de vitima na maior cara de pau do mundo. Como alguém ainda aguenta esses imbecis que não param de trollar descaradamente repetindo a mesma ladainha de sempre?
O que mais tem é mascu sem interesse em casamento e querendo passar a vida gastando com gp. Falam tanto na Europa mas os países mais desenvolvidos costuma ser bem mais liberal que a America Latina e Africa.

Julia disse...

Machos gaslighteadores tem de monte.
Feministos tem de monte.
Anarcomachos tem de monte.

Achei o texto muito bom, me senti representada, mesmo não sendo jornalista e nunca tendo pisado numa redação de jornal, mas sabemos que coisas assim acontecem em todos os lugares.

Claudio disse...

"Nem todos os masculinistas querem casamento Claudio, aliás, é cada vez maior o números dos que preferem não casar, praticar o chamado "Marriage Strike" como uma solução para acabar com o feminismo."

Na teoria eles defendem a 'greve de casamento', até chegar uma bonitinha se relacionando com eles.

Casamento = neutralizar poder sexual da mulher.

O feminismo brasileiro apenas deixa as mulheres mais elitistas, o feminismo só é possivel pois os capitalistas selvagens permitem porque os convem.

Lidiany CS disse...

Gostaria de parabenizar as autoras da carta pela força e pela coragem de vir a público expor o que elas viveram, mais um exemplo de que tem machistas em todo canto, infelizmente.

Anônimo disse...

O que é marriage strike?

Andreia disse...

Que texto maravilhoso! Um dos melhores aqui postados. Esse tema é excelente e pouco discutido. Parabéns gurias! - e obrigada, Lola.

Infelizmente convivi por algum tempo com homens desse perfil... Poetas, professores, escritores, pacifistas, homens declaradamente livres de amarras sociais, porém machistas não assumidos. Sempre muito difícil tratar do tema com essas pessoas, justamente pela dificuldade de reconhecer em si condutas e posições incompatíveis com a ideia não ortodoxa que trazem de si mesmas. É nesse ponto, muitas vezes, que o machismo ganha força. Não obstante o ato machista inicial, posteriormente, vem os inúmeros atos contra a mulher que ousou questionar, alertar, ou sentir-se incomodada com a sua postura. Em forma de indignação ou ~piada~. Aí que o machismo corre solto! Vale se fazer de ofendido, fazer piadinhas, descredenciar e expor a mulher, coloca-la na roda para os amigos "zoarem", pinta-la como mal-agradecida por todas as vezes anteriores em que ele foi simpático ao feminismo, etc...

Anônimo disse...

Achei o texto incrível. Me identifiquei com a questão do silenciamento. Na revista acadêmica para os estudantes da minha universidade, no curso de Letras, não existiu, até agora, uma única homenagem a escritoras brasileiras/estrangeiras. Isso num curso onde a maioria é de alunas, ironicamente. Quando eu sugeri que fizéssemos algo a respeito, ouvi que "tinha que haver um motivo forte para tal evento, que se ligasse à proposta da revista". Isso mesmo. Claro que veio de um homem, mais velho e que atua mais tempo na revista. Eu estava ali apenas como "ouvinte". Eu não representava uma entre muitas das alunas do meu curso de Letras, imagine!

Pollianna.

Kittsu disse...

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/11/homem-que-tirou-foto-antes-de-esquartejar-admite-odio-por-gays.html

gay homofóbico se passando por macho pegador e que acabou matando uma pessoa por causa da própria contradição.
E a homofobia nunca matou ninguém...

B disse...

Dois comentários:

1) Falaram aqui que os mascus que comentam aqui só querem atenção. Mas vocês DÃO atenção, isso me incomoda! Uma pessoa vem aqui, faz um pergunta ou um desabafo, ninguém tchum, vem um mascu e vem mil querendo debater. Como diz o "ditado": não alimentem o troll, parem de dar atenção!


2) Esse post me contemplou muito...Vi muito machismo na esquerda e sempre que me questionava sobre isso, diziam, ou insinuavam, que era "racha no movimento"que apontar machismo era rachar a "classe trabalhadora". Então, tinhamos que aceitar ser vistas como objetos pelos "esquerdões" que eram machistas que nem os de direita. Machismo não escolhe posição política.

Ana disse...

Muito bom o texto, até porque o que ele fala pode ser aplicado a todas as áreas "alternativas", não apenas ao jornalismo. Os homens, por menos convencionais que se julguem, não estão isentos de perpetuar as mesmas relações de poder que prevalecem em toda a sociedade. E COMO sabem ser hostis, sarcásticos e debochados quando reclamamos.
Acredito que todo mundo aqui já deve ter lido no face comentários furibundos de machinhos atingidos na sua "benevolência" para com o sexo feminino. O cara "ajuda" em casa, se ocupa um pouquinho mais que a média com as crianças e pensa que por isso se tornou um paladino do feminismo. Daí, alguém posta um texto criticando alguma conduta machista e o mimoso
salta gritando que "nem todos", ou pior, "a maioria não", cof, cof.... E como nós, mulheres, acabamos sendo condescendentes com esse tipos e evitando o confronto.

Maicon Vieira disse...

"B disse...

2) Esse post me contemplou muito...Vi muito machismo na esquerda e sempre que me questionava sobre isso, diziam, ou insinuavam, que era 'racha no movimento'que apontar machismo era rachar a 'classe trabalhadora'...".

Parece o mesmo comportamento quando algumas mulheres apontam racismo de outras mulheres que são feministas ou quando apontam machismo num homem homossexual, mesmo esse se dizendo feministas.
Curioso como as vezes o oprimido acaba oprimindo e usando os mesmo argumentos do opressor, apenas mudam o alvo.

Baixar Vídeos do Youtube disse...

Bravo, lola, bravo!

Camila Val. disse...

Minha solidariedade às autoras da carta.
Lola, li o artigo da Rachel Soihet que vc linkou. Fiquei mto curiosa: os ex-integrantes do Pasquim (Henfil, Millor Fernandes, Ivan Lessa etc) mudaram a forma como pensam ou continuam os mesmos idiotas retratados no artigo?

Anônimo disse...

O que é marriage strike?


Greve de casamento. O cara não casa, sai com Gp's e marmita civis por aí mas não casa. Acham que se todos os homens pararem de casar, as mulheres voltam pra cozinha caladinhas.

Anônimo disse...

Tá vendo o que eu comentei lá em cima?
As autoras escreveram um ótimo texto, mas os tais mascus tem espaço pra fazer suas trollagens, seus comentários idiotas. A caixa de comentários vira uma discussão com gente com quem a gente não devia perder tempo nem de dar bom dia.

Anônimo disse...

Isso não me surpreende..eu já vi diversas vezes feministas de esquerda alegando que machista é só o tal "homem branco heterossexual de clase média pra cima",sendo que já ouvi atrocidades de homossexuais,negros e gente de comunidade em relção ás mulheres e a´s feministas...sem falar nas declarações do Mr.Catra,que passaram despercebidas e tidas como "progressistas".

Então,minhas caras,viram agora que o nosso grande problema não são os mascuzões? São justamente os "bem intencionados hoemns feministas" e nossas coleguinhas machistas?
E mais: sem punição,queridas,não vamos a lugar algum.Homem não vai deixar de nostratar com crueldade se não forem punidos.temos estatísticas mil aí pra provar...

Mas...já como me chamam de troll por aí...vai ficar difícil...

clarice

Anônimo disse...

"Infelizmente convivi por algum tempo com homens desse perfil... Poetas, professores, escritores, pacifistas, homens declaradamente livres de amarras sociais, porém machistas não assumidos. Sempre muito difícil tratar do tema com essas pessoas, justamente pela dificuldade de reconhecer em si condutas e posições incompatíveis com a ideia não ortodoxa que trazem de si mesmas. É nesse ponto, muitas vezes, que o machismo ganha força. Não obstante o ato machista inicial, posteriormente, vem os inúmeros atos contra a mulher que ousou questionar, alertar, ou sentir-se incomodada com a sua postura. Em forma de indignação ou ~piada~. Aí que o machismo corre solto! Vale se fazer de ofendido, fazer piadinhas, descredenciar e expor a mulher, coloca-la na roda para os amigos "zoarem", pinta-la como mal-agradecida por todas as vezes anteriores em que ele foi simpático ao feminismo, etc..."

Sinistro Andréia...e digo mais: acredito que hoje em dia,o que mais acirra o machismo são esses pseodo-libertário que inclusive deturbam as conquistas femininas para seu proveito,como o lance da "liberdade sexual" que aparece também entre aspas no texto(e imagino o porque).Já vi uns caras desses se utilizarem disso para assediar alunas,se achar com o direito de serem abusadinhos,etc.

clarice

Anônimo disse...

A EAV-Parque Lage (escola de artes visuais importante do Rio de Janeiro, onde se originaram alguns dos maiores artistas plásticos brasileiros) é um ambiente extremamente machistas. Há poucas mulheres professoras, que são zombadas pelos professores por ser incompetentes ou intelectualmente superficiais. Tive um professor que julgava o trabalho de suas colegas/alunas analisando se eram de "mulherzinha" ou se teriam sido feitos por um homem. Eles também têm uma postura bem desrespeitosa com as alunas no sentido de considerar muitas delas acéfalas que compõem a paisagem da aula, tornando-a mais agradável aos olhos e eventualmente se disponibilizando para transar com os grandes gênios professores, progressistas, modernos e sensiveis.