domingo, 28 de julho de 2013

GUEST POST: ENTRE A CRUZ E A ROSA LUXEMBURGO

Manifestante ontem na Marcha das Vadias do RJ, em Copacabana


Ontem aconteceu a Marcha das Vadias do RJ (sábado que vem será a de João Pessoa, e eu estarei lá!). Foi um sucesso: muita gente, muita irreverência e alegria, características desses protestos.
Mas o que a mídia deu mais destaque foi a um casal que quebrou uma estátua da virgem, e "profanou" outros símbolos sacros. 
Minha opinião? Acho totalmente ignorante fazer algo assim. Depõe contra os nossos objetivos, que é também conquistar corações e mentes. Querendo ou não (eu não quero), somos o maior país católico do mundo. Muitos católicxs que poderiam ficar do nosso lado -- até porque, aleluia, os fiéis não são tão conservadores quanto a igreja que seguem -- se revoltam ao ver esse tipo de provocação, que não ajuda em nada. 
Mas dizer que a atitude do casal que destruiu uma estátua de santa representa toda a Marcha das Vadias do RJ, ou, ainda mais risível, que representa o feminismo como um todo, é como dizer que o fiel católico que cuspiu numa das manifestantes da Marcha representa o Papa, ou todo o catolicismo.
Nós feministas temos motivos de sobra para nos rebelarmos contra a igreja católica (e demais religiões). É uma igreja machista e homofóbica que não se cansa de se meter no Estado, que deveria ser laico. É principalmente graças à igreja católica que milhares de brasileiras (em sua maioria católicas e casadas) morrem todo ano em decorrência de abortos clandestinos. 
É também por causa da igreja que temos uma "educação" sexual repressora, que é contra o uso de métodos anticoncepcionais. Se depender dessa mesma igreja, o aborto será proibido em todos os casos (inclusive em casos de estupro e risco de vida pra gestante). E a pílula do dia seguinte também. E o divórcio. E basicamente qualquer avanço feminista conquistado nas últimas décadas.
Por causa desse histórico de opressão da igreja contra as mulheres, causa espanto que alguém, como a jornalista Monica Waldvogel, tenha a ingenuidade de perguntar no seu Twitter, sem ironia: "Quem tem alguma boa explicação sobre por que o catolicismo desperta tanta irritação?"
Não é questão de "se você não gosta da igreja, não a frequente". Eu não gosto, não a frequento, e mantenho uma distância saudável. Mas a igreja não me trata com a mesma cortesia. A igreja teima em frequentar meu Estado Laico. Aliás, se fosse apenas frequentar, como algo esporádico, ainda ia. Mas estamos muito longe de termos um Estado Laico. E é uma via de mão dupla: é o Estado Laico que garante a liberdade religiosa. 
Lembrando que o ocorrido ontem não foi o primeiro confronto entre feministas e católicos: mês passado, um padre mandou a polícia prender manifestantes da Marcha das Vadias de Guarulhos porque elas ousaram marcar como ponto de concentração o marco zero, a praça central, que fica em frente a uma igreja. 
Obviamente, este é um assunto polêmico. A estudante de jornalismo Thaís Macedo me enviou este texto para por mais lenha na fogueira.

Sou católica e sou feminista. E não, não acho que uma coisa exclua a outra. Na verdade, não posso deixar de ser nenhuma das duas coisas da mesma maneira. Meus conceitos ideológicos estão profundamente enraizados nessas duas coisas, e posso dizer que não sinto nenhum conflito interno. Arrisco dizer que são duas faces da mesma moeda.
Senti-me extremamente triste ao ver o confronto entre a Marcha das Vadias e a Jornada Mundial da Juventude ontem, sábado, dia 27/7. Não acredito em depreciação. Se tem uma coisa que tanto o feminismo quanto a religião me ensinaram é que a palavra-chave de tudo é TOLERÂNCIA.
Esse sempre foi o pilar principal do catolicismo. O amor, não o ódio. O ódio –- aos gays, ao aborto, ao que é chamado de pecado -– só veio séculos depois, na Idade Média. Mas lá, no princípio de tudo, no novo Testamento, tudo o que é pregado é o amor ao próximo, cada versículo de cada capítulo.
Mas, como qualquer instituição mantida por seres humanos, houve corrupção dos valores. Interesses pessoais entraram em jogo e o resultado é o que estamos tentando arrumar agora. Na última década, a Igreja pediu desculpas formais pelas atrocidades geradas durante a Inquisição. Mais do que um atraso de séculos, isso foi o início de uma mudança. A escolha de um Papa franciscano jesuíta é outra mudança.
A Igreja ainda é uma instituição milenar, entretanto. Mudanças são lentas, e mais algumas décadas vão correr antes que algum Papa diga que “it’s okay to be gay”. Mas, em algum momento, isso pode acontecer. O próprio Jorge Bergoglio, antes de virar Francisco, já havia dito que Deus não manda para o inferno quem ama de forma diferente. Vamos lembrar que a Bíblia foi escrita muito antes de existir a possibilidade do feminismo, logo seus conceitos em relação a gênero são, no mínimo, anacrônicos. 
Da mesma maneira, dificilmente veremos uma mudança no posicionamento contra o aborto ou a camisinha. Séculos de crença não mudam rápido assim. E esses dois assuntos são apenas uma bifurcação (distorcida) do amor à vida. O posicionamento da Igreja é, essencialmente, o de amar toda forma de vida, seja já existente ou apenas no início. Enquanto vivemos em um estado laico em que as bancadas católicas têm representatividade ao lado de evangélicos, espíritas, ateus e agnósticos, tudo o que a igreja pode manter é a sua ideologia entre seus iguais.
Apesar de toda essa polêmica, o que vemos nos discursos do Papa, nas homilias dos padres e nas salas de catequese não é esse posicionamento radical contra aborto e camisinha. Tudo o que vemos é o discurso de amar ao próximo, respeitar as diferenças e evitar a violência. Francisco chegou até a defender o diálogo entre povo e governo de forma bilateral.
E o que querem xs feministas? Amor livre, respeito às diferenças, fim da violência contra a mulher, diálogo com o governo. Não é nada tão diferente. Tirando fora todas as más interpretações, o que resta é o discurso do amor e do fim do preconceito.
O feminismo sempre foi, para mim, uma ideologia de respeito a todos e a todas. Por isso, quebrar uma imagem de Nossa Senhora é como uma declaração de intolerância e até hipocrisia. É desconsiderar todo o trabalho que as igrejas têm feito em favor da mulher.
Sim, a igreja também tem lutas feministas. A Pastoral da Mulher Marginalizada, por exemplo, luta para tirar as mulheres da prostituição forçada (por vícios, por exemplo) e as acolhe na comunidade. 
O acompanhamento social ajuda a denunciar casos de abuso. Na minha própria comunidade, um prédio de seis apartamentos é reservado para acolher mulheres em situação de risco, além de oferecerem transporte até a Delegacia da Mulher caso agressão física seja constatada. Uma palestra bimestral é dada às adolescentes do bairro para ensinar como prevenir gravidez indesejada -– e, acreditem, a abstinência é citada apenas como desejável, não obrigatória.
Por tudo isso, acredito que seja possível conciliar as duas ideologias. Também é possível se focar apenas nas diferenças, mas isso nunca vai levar à tolerância. E caso nada disso tenha te convencido, esqueça. O que um velhinho de 70 anos que mora do outro lado do mundo pensa sobre você e sua vida sexual não é tão importante assim.
Escrevo mais sobre a performance na Marcha das Vadias RJ aqui.

123 comentários:

Anônimo disse...

Ei, escrevam direitinho o que aconteceu, eles não quebraram as estátuas apenas !!!

A mocinha com o rosto coberto enfiava o crucifixo na vagina e a cabeça da imagem no anûs do rapaz!!

Tá filmado gente e é claro q não passou na Rede BOBO de televisão.

Agora só não entendi pq a Raíssa estava de rosto coberto e agora deletou o facebook... Será que é pq a página da Marcha no face publicou que "A performance que envolveu quebra de imagens de santas na Marcha das Vadias hoje não foi programada pela organização deste evento."

Sara disse...

Me desculpem todXs Xs religiosos, mas li aqui mesmo na Lola há algum tempo atrás uma frase que pra mim se tornou um lema.
-A mulher religiosa faz tanto sentido como um judeu nazista.
Todo o seu texto Thais é uma grande contradição, a partir do ponto que todas as religiões cristãs são baseadas no livro sagrado a bíblia, algumas incluindo livros apócrifos, outras que só colocam os livros que lhe beneficiam de alguma forma, mas TODAS se baseiam nesse livro, e todo os seu discurso vai exatamente contra o que esse livro prega, tornando assim sua fé vazia de sentido.
Não tenho nenhuma critica ao q as manifestantes fizeram na marcha, afinal me sinto agredida todos os dias pelo que as religiões pregam, e me senti representada no ato tão criticado, faltou apenas que outros símbolos IGUALMENTE ofensivos para mim tb fossem destratados ou até queimados, pois meu desejo sincero é viver em um mundo onde a religião não exista mais, e para de espalhar preconceitos, ódios, injustiças pelo mundo, que causam muito mais mal do que o bem que a caridade de fachada que é oferecida.

Vitória disse...

Lola, sou feminista, ateísta, ODEIO a igreja católica e mesmo assim odiei a performance de ontem. A luta pela laicidade está historicamente atrelada à luta pela tolerância religiosa, e no país onde santas são chutadas esse ato foi um desserviço! E sabe quem vai responder pelos dois mascarados?! Nós feministas, lgbts, ateus, defensores da laicidade, as organizadoras da marcha que não tem nada a ver com isso... escrevi um texto sobre no meu blog tb http://www.daterceiraonda.blogspot.com.br/2013/07/defesa-da-laicidade-voce-esta-fazendo.html

Se o objetivo era atrapalhar quem luta de verdade, eles estão de parabens!

Patty Kirsche disse...

A desconstrução de símbolos religiosos sempre foi utilizada em manifestações artísticas, haja vista trabalhos de Madonna e Lady Gaga, que neste vídeo engole um crucifixo: http://youtu.be/niqrrmev4mA

Acho que a reação das pessoas reflete uma ideia naturalizada de que a IC é intocável. Agora, se o efeito é bom ou ruim, nem tenho opinião sobre isso. Acho que o questionamento sempre é válido. Mas posso dizer que eu não usaria essa abordagem, pois o senso comum tem muita dificuldade de perceber certas nuances. O triste é trazer um estigma ruim para o feminismo e tornar a IC coitadinha. Sendo que IC nunca respeita uma manifestação feminista.¬¬

Vitória disse...

Agora outro caso q tb ocorreu na marcha, mas q não teve quase repercussão da mídia foi a cusparada que uma participante levou no rosto de um católico.

Anônimo disse...

Olá,
Muito bom seu texto, mas permita-me uma correção, o papa Francisco é jesuíta, e não franciscano, como você disse.

abraços,

Raquel

P.S. Lucas disse...

Achei o texto dela muito bonito e o seu também. Eu estava acompanhando a marcha pela internet, através daquela mídia ninja, mas só vi a parte em que o cara cuspiu em agluém. As pessoas chegam a um ponto de tanta mágoa e rancor que acham que têm razão em quebrar as coisas dos outros, em depredar patrimônio ou imagens santas. Eu até entendo o casal que quebrou a santa lá, coitada, mas é algo que me irrita tanto quanto os comentários que nós recebemos dos evangélicos e outros religiosos. E claro que eles vão reclamar, tem que reclamar mesmo, tá pisando no pé deles, como é que não vão reclamar? Só que eu também sou religioso e me sinto ofendido com a quebra de qualquer santo. É sempre tao difícil conciliar no dia-a-dia o feminismo com a religião, por que a pessoa tem que piorar as coisas indo lá e cuspindo na cara da fulana ou quebrando a santinha dos outros? Ignora a santa, ignora a fulana. Vamos protestar, mas não vamos protestar quebrando.
E esse desrespeito com a religião acontece em ambas as partes. Quantos despachos (não sei que outra palavra usar) as pessoas chutam na encruzilhada por achar que aquilo é adoração do demônio? Não é melhor só dar um passinho pro lado? Passar por cima? Ao invés de chutar o despacho dos outros, é melhor ir pra casa, dobrar os joelhos e reforçar a própria fé, pedir pra Deus nos ensinar a respeitar o que é diferente e não nos deixar fraquejar nessa vida, espalhando o ódio e o preconceito por aí.

Tava linda a marcha ontem!

Beijo gurias!

Nadine Silva disse...

Oi Lolinha. Acompanho seu blog a um tempão mas nunca comentei. Hoje é a primeira vez :)

Em relação a quebra da estátua , achei totalmente desnecessário e desrespeitoso. Por que esse ato tão agressivo? Pra mim isso só representa intolerância. Desse jeito se desperta a raiva dessas pessoas e não a empatia.

Anônimo disse...

Teve repercussão a cusparada sim. Em todos s jornais e sites.


Teve mais repercussão até do que o rapaz sentado nos crucifixos com o corpo pintado com a frase "Dar o c* é bom"!!





P.S. Lucas disse...

Tava lendo os comentários aqui, sério que ela enfiou a cruz na vagina? Sério que ele enfiou a cabea da santa no cu? Pra quê isso, gente? Não é um horror, é ridículo, pra quê, esfregar pedaço de gesso no cu só pra zombar com a cara dos religiosos? Eu sei que é difícil e que a religião ataca impiedosamente todos os dias, mas não é porque ela nos ataca que vamos atacar com a mesma violência. Poxa meu, esfregar a cabeça da santa no cu no meio de tanta gente, bah, que coragem. Mas óh, não curto não. Desrespeito e um ridículo desses pra mim não é feminismo, não é forma de amar. Desculpa, prefiro lutar de outras formas.

Julia disse...

Eu, que também sou católica e feminista, fico enormemente feliz em ler mais um texto fantástico no blog da Lola.

Anônimo disse...

Eu sou de uma família católica. Nos últimos tempos com muito dialógo e muitas explicações as pessoas aqui de casa começaram a entender o que é feminismo. Outro dia minha mãe se meteu em uma conversa com meu irmão e mandou que feminismo não era o contrário do machismo. Ela apoia casamento gay e até o direito do aborto ser uma decisão exclusivamente da mulher. Ontem ficou extremamente ofendida com o que aconteceu na JMJ e não posso tirar a razão dela. O que aconteceu lembra o caso do tal pastor que chutou uma santa, como um gesto de intolerância religiosa.

Pablito Matraga disse...

Vadia não tem coragem de chutar Preto Velho. Católico ora, pede reparação. Quero é ver evitar praga de macumbeira pra nunca arranjar marido.

R.B. disse...

Achei bacana a análise de aproximação entre as diferentes visões do catolicismo e do feminismo. Assim, a Igreja me pareceu menos intolerante e as feministas menos radicais. Ainda que sejam aparentemente opostas, lutam pelo humano, pelo direito humano. Manifestações isoladas realmente não representam o todo dos movimentos, ainda que manchem os ideias. :)

Anônimo disse...

Post muito interessante! Sei que é sempre controverso, mas, sim, existem muitxs e muitxs cristãs (ãos) praticantes que se posicionam bastante à esquerda e que veem nisso todo o sentido; tudo a ver com suas crenças e experiências mais profundas de fé. Tolerância, respeito, alteridade, luta em prol da diminuição das desigualdades (de todos os tipos); esperança, fé e amor. E quando os chamados líderes religiosos não se posicionam assim... azar o deles.

Não importa a religião; o que ainda move muitas pessoas é a intuição de que ela (e não apenas o cristianismo) aponta para algo profundo, intenso e importante sobre a Vida.

Etc., etc.... milhares de controvérsias e questionamentos filosóficos, ambiguidades... é a história da humanidade.

[...]

Sou mulher, feminista, de esquerda e discípula de Jesus. Ele mesmo foi muitíssimo controverso p/os religiosos de sua época; os desautorizou e reinterpretou as leis de opressão.

Prof_Pedro disse...

Só complementando o que já disseram: apesar do engano comum, o atual Papa não é franciscano. É jesuíta. A escolha do nome passa mais por São Francisco Xavier ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier ), um dos fundadores da ordem jesuíta, do que do badalado Francisco de Assis...

Valéria Fernandes disse...

Eu li o guestpost e vi alguns problemas que preciso pontuar. O primeiro deles, já foi apontado, o papa é jesuíta, não franciscano. Percebo nele um apego ao carisma franciscano, MAS ele pertence a outro grupo. Mas isso é o de menos. Incomoda-me a afirmação de que todo o Novo Testamento só fala de amor e tolerância. Quem quer que tenha lido, sabe que há práticas condenadas, há hierarquias que são afirmadas em algumas passagens (*como a tal submissão das mulheres aos seus maridos, usando o mesmo verbo em grego que se aplica aos escravos em relação aos senhores*). Pode-se ponderar se muitos desses textos são inclusões posteriores (*interpolações como no caso de Coríntios “as mulheres devem estar caladas nas igrejas”*), de discípulos de segunda ou terceira geração, como parece ser o caso dos famoso texto que afirma que as mulheres não devem ensinar, devem aprender em silêncio. É preciso começar admitindo que esses tipos de textos existem para que tenhamos o mínimo terreno para diálogo. Sim, porque eu sou cristã (*protestante/batista*) e sou feminista. Não posso negar (*nem quero, nem me diminui, nem me incomoda*) as minhas contradições ou as do livro sagrado da minha fé, tampouco, como historiadora que sou (*e que lecionou História do Cristianismo por quase dez anos*) posso fechar os olhos para o fato dele ter sido construído ao longo de séculos e por intervenção humana. Eu defendo o direito a uma leitura subversiva da Bíblia que permita retirar uma mensagem para além desses percalços, entretanto, negar o que está escrito (*neste caso independente de versões e traduções*) seria má fé.

Acompanhei por alto a confusão sobre a Marcha das Vadias do Rio. Queria muito que esse pessoal que fala que manifestantes enfiaram símbolos religiosos no ânus e vagina subissem os vídeos ou fotos (*provas irrefutáveis*) para algum lugar, pois considero muito difícil que os veículos de comunicação, tão ávidos por escândalos, não fossem mencionar. Outra coisa, a Marcha, e se eu estiver errada alguém me corrija, estava marcada para a Zona Sul, foi a JMJ que foi transferida para Copacabana em cima da hora, já que deveria ter sido no extremo oposto da cidade do Rio de Janeiro.

De resto, Lola colocou muito bem que a Igreja Católica – e a maioria das outras igrejas – não tem o mínimo pudor em tentar minar o Estado Laico e impor seus dogmas e interesses a quem quer que seja. Também, sou contra a destruição de símbolos religiosos, especialmente, da forma como aconteceu ontem. E digo mais, isso constitui crime (LEI Nº 9.459, DE 13 DE MAIO DE 1997), não é ato sem importância. Argumentar que me agrediram e eu tenho o direito de agredir, é defender a barbárie. Argumentar que isso é atenuante para erros e/ou crimes é usar dois pesos e duas medidas, fora o ranço de desejo ditatorial, pois está, para mim, sinalizado que esse tipo de gente não teria o mínimo pudor em impor seus dogmas e vontades se tivesse o poder nas mãos. Exemplo: O fato da agressão aos cultos de matriz africana não despertar tanta comoção, não justifica vilipendiar imagens de santos católicos (*um bispo de Universal fez o mesmo e o causo rende até hoje*). Temos, sim, é que exigir tratamento igualitário em caso de idêntica agressão.

De resto, os feminismos, assim no plural, podem não concordar em tudo, mas temos tod@s a vontade de construir um mundo melhor. Mensagens de intolerância e desrespeito não vão ajudar muito nisso.

Anônimo disse...

quebrar imagens católicas é fácil.
Quero ver os "corajosos"queimarem o alcorão ou xingar maomé quando uma autoridade islâmica visitar o brasil.

Anônimo disse...

A quantidade de imagens quebradas por essas duas pessoas durante a marcha não chega nem perto da destruição provocada por católicos a crença de povos pré-colombianos nativos da América. E não eram só imagens destruídas, eram templos e toda uma cultura. Eu tenho ódio profundo da igreja católica, qualquer um que tenha memória ou que saiba o mínimo de história deve ter. E além do mais, PRA QUE, me digam, PRA QUE uma mulher seguir um livro de praticamente dois mil anos escrito e mantado por homens e para homens?

lola aronovich disse...

Gente, por favor, help! Onde no post (digam perto de que foto, ou em que parágrafo) está escrito que o Papa é franciscano? Eu reli o texto rapidinho e não consegui localizar (é que estou trabalhando e fazendo 50 coisas ao mesmo tempo).


Sobre o que foi feito pelo casal com os símbolos sacros: vi várias fotos, vídeos não. Tem algumas fotos em preto e branco em que um deles se senta em cima de um estátua pontuda, simulando estar enfiando o troço na vagina ou no ânus. Enfim, há fotos que realmente fazem parecer que foi mais que quebrar estátuas. Entendo que isso seja uma performance, um ato teatral, assim como, na Marcha das Vadias de Porto Alegre, houve um ato de uma mulher vestindo branco cheia de sangue, para simbolizar a morte de mulheres que abortam. Mas o que questiono é: no que isso nos ajuda? Para as pessoas que mal sabem o que é a Marcha das Vadias, que imagem isso passa? No quê uma performance assim ajuda a elucidar nossas causas?
Não ajuda em nada! Isso só dá combustível a quem odeia o feminismo.

Valéria Fernandes disse...

Lola, procure por "A escolha de um Papa franciscano é outra mudança." logo no parágrafo acima do cartum do Cristo acolhedor.

E quem falou em Francisco Xavier: eu também pensei no primeiro momento que a homenagem fosse para ele, santo jesuíta e de primeira grandeza, no entanto, o próprio papa disse que se inspirara do santo de Assis. Se ele disse, está desfeita qualquer confusão.

Sara disse...

anon 13.03hs
Eu faria isso com ENORME PRAZER, detesto todas as religiões mas a islâmica em especial tem um lugarzinho de ódio em meu coração por ser na atualidade a religião mais machista e patriarcal desse planeta.

B.R. disse...

Alguns pontos do texto não me pareceram muito corretos.

"Esse sempre foi o pilar principal do catolicismo. O amor, não o ódio. O ódio –- aos gays, ao aborto, ao que é chamado de pecado -– só veio séculos depois, na Idade Média. Mas lá, no princípio de tudo, no novo Testamento, tudo o que é pregado é o amor ao próximo, cada versículo de cada capítulo."

O pilar principal do catolicismo é manter a doutrina, a qual provém do Antigo Testamento. O "amor cristão" sempre me pareceu um ato de levar quem é considerado "errado" para a Verdade, assim como Jesus fez com Madalena. A ortodoxia católica envolveu, desde o princípio, os conceitos patriarcais e misóginos do Antigo Testamento -- a Idade Média serviu apenas como um reforço.

"A escolha de um Papa franciscano é outra mudança.

A Igreja ainda é uma instituição milenar, entretanto. Mudanças são lentas, e mais algumas décadas vão correr antes que algum Papa diga que "it’s okay to be gay"."

A escolha do papa jesuíta é uma revolução conservadora. Embaixo da casca libertária, já ficou claro que existe um reacionário. A Igreja precisa de uma figura "moderna" para dialogar com os jovens, mas só consigo ver nisso preocupação com a diminuição dos fiéis. Ele mantém as mesmas ideias sobre controle do corpo e do prazer, sendo contra até a legalização das drogas. Nenhum Papa nunca vai dizer que está tudo bem ser gay. Controle sexual faz parte da instituição. (E se há dúvidas sobre o caráter duvidoso de Francisco I, recomendo que procurem a briga em que ele se envolveu com o artista argentino León Ferrari).

"Por isso, quebrar uma imagem de Nossa Senhora é como uma declaração de intolerância e até hipocrisia. É desconsiderar todo o trabalho que as igrejas têm feito em favor da mulher."

Não é intolerância. Uma violência simbólica contra séculos de violência concreta não me parece uma grande demonstração de intolerância. Ninguém disse que todos os católicos deveriam morrer ou que deveria ser proibido ser católico. Intolerância é isso. É uma reação. É extrema, é radical? Sim, é. Mas a luta, de vez em quando, precisa ser extrema e radical. Chocar, causar repugno, também são armas. Citaram aqui nos comentários a Madonna e a Lady Gaga, mas posso igualmente lembrar de Sade, Nietzsche, Bataille, Pasolini. O quanto aqueles garotos que quebraram as imagens não sofreram por conta da moral católica? Eu entendo o ódio e a raiva deles e acho que cada companheiro de luta tem o direito de agir como melhor o apetece. Os setores progressistas da Igreja realmente se preocupam com a mulher, mas não se preocupam em compreender que a doutrina que seguem é uma das causas primeiras da violência. O jogo não é só concreto, mas é também ideológico.

"O que um velhinho de 70 anos que mora do outro lado do mundo pensa sobre você e sua vida sexual não é tão importante assim."

É por causa do pensamento deste velhinho de 70 anos que uma mulher, no Brasil, não pode escolher se deseja abortar ou não ou um homossexual não pode estabelecer uma união civil com o seu namorado. Então, é bem importante, sim.

Veronica disse...

Bom questionamento o da Lola.

máscara da morte disse...

Sara, cabe a ti decidir quem pode ser feminista?

Ana Carolina disse...

Concordo com vc em seu comentário acima, Lola, e repito algo parecido com o que disse no guest post do beijo lésbico na outra manifestação:

Qual imagem um ato desses passa para o feminismo? Qual a mensagem transmitida? E no que ajuda a causa?

Sim, duas pessoas não têm poder para falar por um movimento plural, mas se tal manifestação acontece no meio de uma manifestação assumidamente feminista, o ato se amarra à imagem do feminismo.

E se dentro do feminismo é um ato controverso (achei, pessoalmente, desnecessário e desrespeitoso para com as PESSOAS que professam aquela fé), imagina fora do feminismo? Para x católicx que poderia ser aliadx de luta? Para a pessoa mais conservadora que pode não ser militante mas simpatiza com a causa? Para quem odeia o feminismo e ganhou de bandeja uma arma contra o movimento ("tá vendo, olha o que elas fazem" - não interessa para essas pessoas se foi ato isolado de dois participantes)?

Como feminismo organizado, como divulgação de ideias (o feminismo é plural mas possui uma raiz comum), essa ideia de marketing, de o que você passa com as ações, é, sim, muito importante. Porque como divulgação de uma ideia (qualquer ideia) a imagem é mais forte do que o discurso. Lembram do caso da Marcha das Vadias DF? Então para o feminismo organizado, para as ações públicas, deveria, sim, haver muito, muito cuidado na imagem que passa, na mensagem que transmite, até mesmo para conseguirmos transmitir melhor nossas ideias.

Anônimo disse...

isso é triste,mas é uma realidade:muita gente é feminista,defende seus direitos e tá certo.mas tem a alma tão cheia de preconceitos contra religião,etnias,que entristece.Vamos defender nossa causa,mas vamos respeitar etnias,religiões,idéias alheias.

Danielma disse...

Lola, a parte do Papa Franciscano creio que seja essa: Mas, como qualquer instituição mantida por seres humanos, houve corrupção dos valores. Interesses pessoais entraram em jogo e o resultado é o que estamos tentando arrumar agora. Na última década, a Igreja pediu desculpas formais pelas atrocidades geradas durante a Inquisição. Mais do que um atraso de séculos, isso foi o início de uma mudança. A escolha de um Papa franciscano é outra mudança."

Flor disse...

Gostei muito do texto. É bom lembrar que ao mesmo tempo que um Papa que realmente parece ser uma boa pessoa (de forma pessoal mesmo), muitas polêmicas da igreja ficaram silenciadas durante toda JMJ. A participação das mulheres dentro da instituição, a questão do divórcio, a homossexualidade nada foi nem tocado. É como se não existisse. Muito do ensinamento de Jesus pode ser reaproveitado, e não da forma como a igreja prega. Espero que a campanha contra a pobreza e dependência química só seja o ínicio, porque senão ela não irá fazer muito sentido

Rafaella disse...

"no Novo Testamento, tudo o que é pregado é o amor ao próximo". Desculpa, mas então a gente não leu o mesmo livro. Já li a Bíblia do início ao fim três vezes, coisa de quem nasceu em lar evangélico. Hoje me considero agnóstica - não ateia, que considero uma arrogância (afinal ninguém pode realmente dizer o que existe ou não existe), mas isso não vem ao caso. Tenho 24 anos hoje e faz mais ou menos uns 6 anos que me desliguei da religião de vez.E sabe o que fez eu me afastar? Adivinha? Sim, ler a Bíblia. É impossível vc ler a Bíblia do início ao fim e não sentir um mal estar por fazer parte daquilo. O que acontece, digo por experiência própria, é que a maioria dos religiosos NÃO LÊ a Bíblia de verdade. Gosta de ler só as passagens bonitas, de paz e de amor, os Salmos, os evangelhos. Já que vc fala tanto do Novo Testamento, vai lá ler o que Paulo fala das mulheres. Primeiro leia o Novo Testamento TODO (não só as partes bonitas, ok?) e depois venha me dizer se não existe total contradição entre a religião cristão e o feminismo.

Rebecca souza disse...

O Lha,eu vou escrever a mesma coisa aqui que escrevi em meu,eu tenho religião,não sou cristã ,mas,fiquei chocada com a atitude desse casal na marcha.eu ia ficar puta se alguém chega-se e quebra-se os símbolos da minha Deusa ,e como foi bem falado,não é todos os católicos que são reças,ou vcs não sabem que na marcha estavam também os ``católicas pelo direito de decidir`´?Sabe que eu acho engraçado dizer que o aborto no Brasil é proibido por causa da igreja católica,mas, e na Espanha e em Portugal que são católicos e lá é liberado?Para mim,se realmente os políticos daqui não estivesse mais preocupados com seus cargos comissionados,eles já teriam liberado os abortos,as igrejas iriam espernear,mas,teriam que aceitar.As igrejas tem o direito de pregar o que elas quiserem,logico que não podem entrar no governo,que se permite isso,é pq realmente depende desses segmentos religiosos,e não consegue ter autonomia.Outra coisa,na minha religião,acreditamos no sagrado feminino,aceitamos o aborto,o casamento homo afetivo,e ai sambem não podemos existir só pq somos uma religião?Sempre achei que o feminismo defendia a livre escolha da mulher ,uma vez,li acho que até aqui mesmo,que era direito da mulher até ser submissa se fosse uma escolha dela.Temos que ter cuidado para nossa militancia ,muitas vzs não virar totalitarismo igual ao que combatemos

Anônimo disse...

Fui à marcha das vadias do Rio de Janeiro ontem e de modo geral foi uma linda marcha. Havia gritos fervorosos que pediam pelo fim do moralismo, machismo, racismo e homofobia além de cartazes criativos. Considero a igreja católica um símbolo da opressão de milhares e anos e a bíblia ainda que contenha conceitos éticos e morais de amor ao próximo, também está repleta de ódio, genocidio, machismo e homofobia, especialmente no velho testamento. E se fizeram isso com as cruzes e as imagens de gesso foi porque já estão cansados da igreja se impondo em tudo. A religião é um atraso para humanidade. E de retrocessos, já estamos cheios.

Anônimo disse...

Sara
se vc fizer isso mesmo com os islâmicos,prepare-se para ser perseguida onde quer que esteja.eles não costumam perdoar blafêmias com o profeta

Graziella Testa disse...

Oi Lola, Olá a todxs,

Pessoal que distribui a carteirinha de quem pode ou não ser feminista ou religosx, o que vocês fazem não é diferente de quem procura patrulhar a maneira como os outros vivem sua sexualidade ou o que fazem com seu corpo.

Sou feminista, católica e reativa quanto a qualquer um que queira "confiscar" qualquer uma dessas "carteirinhas".

Thaís Macedo disse...

Tudo o que quis passar nesse texto é uma ideia geral de como, para mim, essas duas ideologias não precisam ser inimigas. Toda a questão cultural e histórica geraria uma discussão muito mais acirrada. Mas devo lembrar que todos sempre teremos a opção de escolher no que acreditar. A IC não muda de acordo com o que os fiéis querem, como algumas igrejas neoevangélicas fazem. É uma tradição, e que pode ser conciliada, se escolhermos bem no que acreditar, com qualquer outra ideologia. Até por que, no dia-a-dia, essas questões mais pesadas passam muito longe do discurso.

Marussia de Andrade Guedes disse...

Quanta visão rasa das coisas num só texto! Concordo com a Sara quando ela lembra a frase : "mulher religiosa faz tanto sentido quanto um judeu nazista". Segundo Frei Betto, em entrevista à revista Istoé, a igreja católica se baseia , ainda, na teologia medieval segundo a qual a mulher é comparada aos loucos e crianças que não são racionais. Ele disse que, nas aulas de teologia, sempre fazem a pergunta: um escravo pode ser sacerdote? Sim , desde que livre, pois sendo homem é um ser pleno. A mulher pode ser sacerdote? Não , mesmo livre, pois não tem plenitude.
Quem desejar pode ver a entrevista inteira na Istoé.
Não precisaria de Frei Betto e nem de muitos neurônios para perceber isto nas instituições católicas. Basta observar o dia de eleição do papa, quando as mulheres são totalmente excluídas e ficam só do lado de fora ,
esperando a tal da fumaça . E eu me pergunto: como
as mulheres se submetem?
Essa conversa de que é católica mas não compartilha com as idéias da igreja é conversa pra boi dormir.
Quando vc participa de um grupo é por identificação. Seria razoável dizer que vou entrar pro grupo dos
nazistas, pois não compartilho de todas as suas idéias
e sim do "amor" que eles tem pelos seus
"semelhantes", esperando que daqui a alguns séculos
eles mudem de opinião ? Eu aconselho que vc fique do
lado certo agora , daqui a alguns séculos vc nem estará
mais viva . Faça a diferença agora! Pense um pouco naquilo que vc mesma disse: " ... A bíblia foi escrita há muitos séculos e seus conceitos sobre gênero são anacrônicos". Isso só mostra que a bíblia não foi ditada e nem teve inspiração divina. Só se esse seu Deus for o próprio demônio!
Também é no mínimo cinismo dizer que a religião prega tolerância. Os oceanos de sangue e lágrimas derramados em nome da religião ao longo de toda a História da humanidade evidenciam o oposto.
Com relação as manifestações na marcha das vadias eu digo que não seria a minha maneira de me manifestar, mas digo que as religiões não merecem respeito. Como respeitar instituições que sobrevivem de sua misoginia, homofobia e hipocrisia ? Vc mesma defende a hipocrisia no seu texto. Vc diz que a posição da igreja é uma e os padres fazem vista grossa. Isso se chama hipocrisia.
Por fim , vc está muito enganada quando diz que a opinião de um velhinho tãooooooooo inocente não interfere nas nossas vidas. Todas as representações do patriarcado , todas as atitudes machistas e homofóbicas, todas as mulheres incapazes de conquistar sua liberdade sexual, todas as mulheres que tem seu direito ao aborto negado sofrem na pele a influencia desses velhinhos nada inocentes de 70 anos.




Rebecca souza disse...

EU acabei de ver as fotos,e ler o relato de uma feminista da MMM,que estava na marcha e ficou chocada,gente,o cara fingiu que estuprava a imagem?como assim,gente?Por mais que seja uma imagem de gesso,mas,não é uma forma subliminar de violência contra mulheres?Mais enojada ainda...

Anônimo disse...

Sou candomblecista e se alguém pegar un adjá ou um eruexim, por exemplo e enfiar no c*, no meio da minha celebração (pq a JMJ era uma celebração dos católicos ) EU QUEBRAVA O SUJEITO.

Falta de respeito. Agora por causa desses 2 estrupícios sou obrigada a ouvir que a Marcha é de "vadias de vitrine " , sem conteúdo, uma vergonha para as mulheres.

Pablito Matraga disse...

Só para constar, o que essas "senhoritas" e "senhoritos" fizeram não foi apenas um escárnio e uma violência contra a fé alheia, mas também um CRIME, previsto no código penal. Deveriam neste momento estar presas.


"Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência."

Ana Claudia disse...

Olha, vou dizer que essas manifestações da Marcha das Vadias durante a JMJ vem gerando um conflito interno na minha pessoa. Eu tenho formação católica mas agora sou espírita e ainda sinto que não encontrei o meu caminho. Sou feminista (acho que é a primeira vez que assumo isso) e concordo plenamente com todas as argumentações contra o cristianismo. Na verdade acho que, qualquer que seja o Deus ou Deusa ou Energia que esteja vendo a forma como o cristianismo tem sido conduzido deve estar balançando a cabeça e pensando que a galerinha entendeu tudo errado. Acho válido protestar. E tem que protestar mesmo. Mas eu não acho que a forma como tem sido feito o protesto vá ajudar em alguma coisa. Admitamos, como a própria Lola falou, que estamos em um país de maioria cristã. E alguns tipos de atitude não ajudarão nem um pouco na mudança do pensamento e da opinião pública. Entendo perfeitamente por exemplo, a intenção do beijo entre duas mulheres com os seios expostos na frente da Igreja. Só que a opinião geral será de que o demônio está tentando se manifestar através dessas pessoas, por isso que temos que estar atentos, etc, etc. Isso mais ainda com a quebra da imagem. Mais ainda por quebrarem a imagem de Maria. Então eu não sei... Fico imaginando que tipo de protesto poderia ser feito para tentar fazer as pessoas entenderem o nosso ponto de vista. Ou se isso é possível...

Aninha disse...

Sou ateia e fiquei chocada com as imagens. Como pedir tolerância se não oferecemos isso? Dizer "religioso não serve" é excluir um monte de gente da nossa luta. Puta desserviço.

E de boa: eu ia ficar muito, mas MUITO puta se a galera queimasse uma bandeira do arco íris, por exemplo, numa Marcha para Jesus.

Anônimo disse...

"É principalmente graças à igreja católica que milhares de brasileiras (em sua maioria católicas e casadas) morrem todo ano em decorrência de abortos clandestinos".

Parei a leitura aqui. Gostaria MUITO de continuar a leitura, mas assim não dá, gente. Por favor, POR FAVOR. Mulheres morrem abortando clandestinamente POR CAUSA DA IGREJA CATÓLICA? Ai, POR FAVOR.

A igreja católica manda você fazer filho, sem condições de criá-lo, e depois assassinar uma VIDA inocente?

Sinceramente, sou católica, mas uso camisinha SEMPRE. A igreja ORIENTA, mas você não é obrigado a assinar um contrato, por favor, por favor, BOM SENSO.

Agora, AS PESSOAS, tô falando de mulheres E DE HOMENS também, escolhem transar com qualquer um, todos os dias. Ok. Cada um deve fazer o que acha digno com o próprio corpo. A igreja não se mete nisso. Ela orienta em relação ao que considera adequado. Se vc quer fazer diferente, faça.

Mas é preciso responsabilidade com as consequencias: sexo gera FILHOS, VIDAS. E aí vocês querem que a igreja, que o Papa, como aquele que está no lugar de Pedro e tem a missão de orientar as pessoas, ABENÇOE, DÊ O SEU AVAL PARA QUE MILHÕES DE FETOS SEJAM MORTOS POR IRRESPONSABILIDADE DE ADULTOS IRRESPONSÁVEIS?

Por favor, não é possível que alguém realmente defenda uma barbaridade como essa. Não consigo aceitar uma coisa TÃO sem sentido: igreja católica responsável por mortes de milhares de mulheres.

Camisinha e pílula anticoncepcional ESTÃO AÍ, MINHAS AMIGAS. Eu sou católica E USO, pq quando engravidar, quero ser capaz de oferecer VIDA e DIGNIDADE ao meu filho. E, enquanto esse momento não chega, não quero MATAR nenhuma vida inocente.

Que Deus esteja em seus corações.

Ana Lúcia.

fernando hist disse...

Essa moça que escreveu esse texto é uma Pollyana. A IC é uma instituição patriarcal e que representa e sempre representou os ricos. Duvido muito que isso vá mudar tão cedo. Ah e existem acusações que o papa foi convivente com a ditadura militar argentina, além disso, não fez nenhuma menção séria de permitir a teologia da Libertação ou quebrar a ortodoxia da IC.
E apesar do comentário muito esclarecedor da Valéria Fernandes, eu honestamente não sei como alguém pode estudar História e,especificamente, sobre a mitologia judaico cristã e não ser ateu ou ateia. Quando as escrituras sagradas claramente são textos escrito por homens, alguns dos quais nem conheceram Jesus, segundo seus interesses e com ideias que refletem o tempo em que foram escritas.

Anônimo disse...

Até onde eu sei, a Virgem Maria e o crucifixo não representam apenas a Igreja Católica, mas sim o cristianismo em geral já que o primeiro é a mãe de Jesus (e não uma santa somente do catolicismo) e o segundo a salvação dos fiéis. Ou seja, no meu entender, o casal protestou contra uma doutrina e não a Igreja Católica em si e os discursos do papa.

Usar outras formas de violência contra outras religiões como argumento é tanto infantil quanto hipócrita, que não justifica o ato da Marcha das Vadias no sábado. Quer dizer que vamos entrar numa roda de "olho por olho, dente por dente" e todo o discurso de igualdade e amor pelo qual o feminismo lutou tantos anos vai, simplesmente, por água abaixo.

Foi ridículo, sequer com base em algo prático com fins benéficos pra Marcha como um todo. Foi egoísta e um erro do qual não necessitávamos agora.

Anônimo disse...

Esse texto é uma contradição gigantesca. Eu poderia apontar diversos argumentos, mas vou ser bem simplório.

Esse texto não resiste a uma única pergunta: pode uma mulher ser sacerdotisa na Igreja Católica?

Leiam a Bíblia, amigas. A doutrina cristã trata vocês que nem gado.

Fazendo paralelo com o post anterior, uma "princesa" é mais livre e feminista do que uma "católica".

Entendo que aqui a maioria é jovem, mas procurem se informar sobre os argumentos anti-divórcio que a Igreja usava em 1976 (Lei do Divórcio veio só em 77). Era a mesma ladainha de hoje. "Divórcio destruirá a família".

Vitória disse...

Caraca, que conclusão foi essa? Tem que ser muito INGÊNUA pra acreditar que um papa não influencia (e dita) todo esse sexismo e homofobia que vemos por aí. Tem que ser muito INGÊNUA pra fazer um guest post tentando nos convencer de que a igreja católica, essa maravilhosa instituição milenar, esta aí somente pregando o amor. O amor branco, heterossexual, de preferencia sem sexo. O amor que dita a submissão da mulher. O amor a um feto com uma semana de vida. O amor a um deus, homem. O amor a Jesus, mais um homem. A aos seus 12 apóstolos, todos curiosamente.... Homens. O desprezo a María Madalena, apenas uma prostituta. E a Eva que, coitada, veio apenas da costela de Adão (esse sim, criado a imagem e semelhança de deus). Se for pra amar uma mulher, que seja María, virgem e temente a deus. Serio queridona, todo esse discurso nao te causa estranheza? Acredite no que quiser, mas nao venha dizer que feminismo e cristianismo nao iguais, já que, veja soh, estão aí para pregar o amor.... Que lindo.

Anônimo disse...

" O que um velhinho de 70 anos que mora do outro lado do mundo pensa sobre você e sua vida sexual não é tão importante assim."

Como já comentaram, não é bem assim, a influência de líderes religiosos é um dos grandes problemas que nos impedem de ter um país verdadeiramente laico. Infelizmente muitos religiosos aceitam acriticamente qualquer coisa que sai da boca do papa/padre/pastor/bispo, justamente porque confiam nessas figuras. E confesso que acho estranho conhecidos meus religiosos mais liberais acharem linda a visita do papa, sem pararem pra pensar que essa visita tem muuuitos interesses por trás.
Não sei se vocês já viram, mas mesmo que eu fosse religiosa eu me recusaria a apoiar uma jornada que distribuiu essa cartilha nojenta, que é machista, homofóbica, transfóbica e ainda por cima condena métodos contraceptivos, tendo a coragem de se esconder atrás da "ciência" (sem citar fontes) pra isso.
http://www.paroquiabenedita.org/noticias/Manual-de-Bioetica-Versao-PT-WEB.pdf

"Hoje me considero agnóstica - não ateia, que considero uma arrogância (afinal ninguém pode realmente dizer o que existe ou não existe)"

Olha, acho que a tua ideia do que é ateísmo não está muito correta, ser ateu não é afirmar uma verdade absoluta, é apenas dizer " eu não acredito em deus".

Jéssica disse...

Thais, dois pontos do seu texto que eu achei batsante errados:

- "A Bíblia surgiu antes do feminismo", sempre houveram religiões, e sempre houve feminismo, ou você acha que na época de Jesus não haviam mulheres contrárias a opressão que viviam?
- "A Igreja ser contra o aborto e métodos anticoncepcionais existe há séculos e não vai mudar tão cedo", eu não sei a data exata, mas esses "pecados" foram criados por volta de 300 anos atrás, para haver mais soldados para se mandar para guerras, apenas 3 séculos, uma parte mínima do total.

Pam Kris disse...

Nada justifica esse ato repulsivo.O feitiço virou contra o feiticeiro.Existem formas mais inteligentes e civilizadas de se protestar.Feminismo,machismo,tudo a mesma porcaria.

F. disse...

Oi Lolinha! Primeira vez que comento no teu blog e, olha que ironia, pensava exatamente em algo relacionado com o texto ontem. Pois bem, fui criada no catolicismo, grande parte da minha família é católica (a outra parte se divide exatamente entre a umbanda e o protestantismo), meu pai é católico fervoroso, minha mãe é umbandista (que vai a missa tb) e eu me resolvi espirita (embora continue com bases católicas como acreditar em santos, Nossa Senhora e afins). Resolvi contar isso porque com tanta "mistura junta" acabei sendo criada com a ideia de respeitar toda e qualquer religião/pensamento/opção/orientação, mesmo que eu não concordasse. Descobri o feminismo a pouco tempo e concordo com tantas coisas (inclusive, graças ao feminismo minha visão sobre as mulheres e sobre mim mudaram muito)que também passei a defende-lo. Ou seja, tenho esse ponto da dualidade da religião com o feminismo em mim, mas admito que ando sabendo lidar com isso de uma forma tranquila. Por conta desse pensamento, meio que até entendo os motivos das pessoas que fizeram isso, embora não concorde. Mas é como já falaram: Essa postura me sugere intolerância. E eu não acho que a gente deva combater intolerância com intolerância. Não acredito que seja muito lógico tentarmos explicar um erro com outro porque isso acaba entrando num loop sem fim. Enfim, os episódios de ontem foram lamentáveis (tanto o do peregrino que cuspiu - que exemplo de amor ao próximo, ein? - na cara da manifestante, como essa atitude de queimar imagens sacras). Acho que todxs nós temos meios, vias mais respeitosas de mostrarmos aquilo que acreditamos e defendermos nossa postura. (Amo seus textos e acho você é um amor! Beijo!)

Luiz F. disse...

Acredito que a intenção deste post não foi a de defender a igreja católica e sim criticar a atitude lamentável de alguns manifestantes. A marcha das vadias, desde o início, tem a intenção de chocar as pessoas. Seu próprio nome choca as pessoas. Mas, eu realmente acho que simular um estupro com uma estátua de gesso da Santa Maria e depois quebrá-la no chão é uma atitude lamentável.

Sara disse...

anon 14.03hs não vou falar aqui o q eu quero que aconteça com a bunda do Maomé pq acho q a Lola não publicaria rrrssss, não tenho o menor respeito por nenhuma instituição que não me da respeito em troca, quanto a ser ameaçada, todas as religiões me ameaçam, na medida que levo a minha vida completamente avessa ao que elas pregam, além do mais eu sei muito bem sobre a covardia extrema da religião islâmica que chega ao ponto de atacar meninas pelo simples fato de estudarem, se eu pudesse os varreria do mundo, mas como não é possível tenho que conviver com eles , assim como convivo com bandidos , assassinos, estupradores e coisas do genêro.

Marussia de Andrade Guedes disse...

Ana Lúcia, das 15:00hs
Para o que é conveniente vc ignora os mandamentos da fé católica! Mas quando se trata dos outros é pra fazer valer a lei da igreja né? Se toca !

Anônimo disse...

Será que a Thais Macedo é considerada "católica" para a igreja católica?

cvvnd1979 disse...

Lindo post da Lola. Esse ato só serviu pra depôr contra a imagem do movimento da Marcha das Vadias, que é muito, MUITO maior do que a simples luta contra a opressão da igreja católica. É uma luta sobre sermos capazes de escolher nosso destino, nosso caminho e até mesmo nossos atos diante de qualquer fé, seja ela qual for. Claro que uma católica pode ser feminista, e claro que um ateu pode ser machista e misógino. Uma coisa não exclui a outra. Mas a intolerância exclui qualquer tentativa de conversa civilizada.

L. G. Alves disse...

Parei de ler no "Tolerância "Esse sempre foi o pilar principal do catolicismo" KKKKK JURA?! Essa pessoa é deste mundo? Acho que não :D

Azerfin disse...

A Igreja condena diariamente a liberdade sexual, a homossexualidade, os direitos da mulher e tem grande influência sobre o governo, impondo a todos os cidadãos, independente de sua religião, suas regras; violentando, dessa forma, inúmeras pessoas. Mas quebrar imagens sacras, que representam exatamente essa influência e esse mal todo que a Igreja fez e faz (cujo passado não devemos nem podemos esquecer), não vale?
Qual é, gente. A violência é praticada diariamente em PESSOAS, não em imagens que representam uma fé opressora e violenta que já matou milhões de pessoas; até na JMJ teve violência contra manifestantes, onde um peregrino cuspiu em uma ativista. Opa, esqueci, isso pode, violência contra gente pode, nem se comenta porque já estamos acostumados, mas quebrar uma santa já é um desrespeito aos milhões de cristãos que violentam todas as minorias do Brasil e do mundo.
Sei que esses atos não representam toda a Marcha, mas até que deveriam, pois enquanto dançamos, cantamos e nos divertimos, “sem polemizar”, mulheres morrem diariamente em abortos clandestinos e diversas crianças vivem em situação decadente e desumana em orfanatos, à espera de um pai e uma mãe tipicamente cristãos, ao passo em que duas pessoas do mesmo sexo lutam para poder adotar uma criança e criá-la com tudo o que necessita.
Essa ideia de imagem intocável é repugnante, ainda mais em pessoas que mantêm respeito por crenças (que não são a mesma coisa que pessoas) que os violentam diariamente, e é ainda mais ridículo em ativistas, que querem mudar o pensamento da sociedade mas não reconhecem que não há mudança em uma sociedade sem “polêmica”, sem contradição, sem quebra de valores opressores impostos a todos nós. Mostrar os seios em forma de protesto é um exemplo disso: quebra-se a imagem da mulher submissa, que não luta, que não tem direitos, que não merece direitos.
Não me posiciono nem contra nem a favor de quebrar imagens sacras; se a pessoa comprou ela faz o que ela bem entender com ela: quebra, enfia nos órgãos sexuais, joga no lixo ou admira e trata melhor que trata as pessoas à sua volta, humanos, feitos de carne e osso.
Enquanto vocês gastam tempo discutindo se quebrar uma imagem foi errado ou não, eu me preocupo com os humanos, os humanos que são MORTOS, VIOLENTADOS e MENOSPREZADOS graças a uma crença arcaica e que só corrói a moral.
E não me venham com essa história pra boi dormir de que na igreja “de Jesus Cristo” se ensina “tolerância”. “Tolerância” não é aceitar um gay somente se ele repreender todos os seus desejos sexuais, pedir perdão pra uma divindade que ele nem sabe se existe por ser dessa forma, tampouco aceitar uma mulher somente se esta for submissa e se aceitar ser ainda mais subjugada. “Tolerância” é “aceitação”, CARALHO!
O feminismo tolera cristãos, não tolera violentadores, assassinos, opressores. E hipocrisia é querer que os violentados tolerem os violentadores.

Flavio Arezzo disse...

O que é ter seu direito? As primeiras mulheres que conquistaram seus direitos não precisaram mostrar seu corpo, elas usaram a força de sua crença em que poderiam ser mais. A marcha das vadias não concorda comisso? foi feito um cordão de isolamento para a performance. E ainda vou mais além. Se a marcha defende o direito da mulher porque atacaram uma imagem feminina. a partir do momento em que viram o inicio de um ato e não fizeram nada para impedir vocês se tornaram cúmplices dele. Um homem cuspiu no rosto de uma manifestante? pois bem, a marcha cuspiu na minha fé e na de muitas pessoas. A verdade é que não é a igreja que proíbe nada. Existem leis para essas regulamentações, mas essas pessoas querem atacar a fé de outras e forçarem as pessoas a terem o mesmo pensamento. As mulheres podem decidir já a muito tempo oque querem e oque não querem sem precisar mostrar os peitos. muitas mulheres que trabalham comigo e tenho o orgulho de dizer isso conquistaram o seu espaço com a cabeça.Dizer eu odeio a igreja? essa igreja que vocês odeiam é a mesma que lutou por seus primeiros direitos, que ajuda muitas mães solteiras.Que salva crianças indefesas. Vocês são a favor do aborto? engraçado. será que é porque vocês já nasceram?

Carol disse...

Acho que atingiram o ponto errado fazendo isso, não se luta preconceito com preconceito, eu sou ateia mas odeio ateístas militantes sabe? Muita gente fica ofendida pois aquela santa representa muita coisa pra certas pessoas, e e não me sinto na posição de criticar no que as pessoas acreditam e sim da posição da Igreja como a Lola menciona no posto em questão de oprimir o direito das mulheres e homossexuais e com isso trazendo consequências que influenciam nossa politica e sociedade.

Beatriz Correa disse...

Como feminista e umbandista, devo dizer: esse """"ato"""" com as imagens quebradas tbm me ofendeu.
Primeiro, pq a imagem de Maria representa na umbanda as entidades mães da umbanda, Yemanjá e Oxum, e eu como devota de ambas me senti ofendida.
Segundo pq as pessoas que quebraram as imagens sujaram ainda mais o nome que o feminismo tenta diariamente limpar e mostrar-se digno e claro. Sujou o nome da marcha das vadias, ainda q xs organizadorxs da mesma tenham se ausentado de qq responsabilidade sobre o ato.

Concordo plenamente com o fato do catolicismo oprimir secularmente minorias e de derramar sangue inocente ao longo de sua existência, mas nada, repito, NADA justifica tamanha intolerância. E ainda por cima usando um espaço que certamente NÃO PREGA A INTOLERÂNCIA, SEJA ONDE FOR, CONTRA QUEM/O QUE FOR.
Conheço feministas cristãs/ãos, assim como conheço machistas umbandistas (mulheres tbm, infelizmente), e eu n vou ofender a religião de ngm, por mais ojeriza q ela me traga, independente do q acontecer.
Além de criminosas, as pessoas que fizeram o ato são de um preconceito gigante pois, como mencionei no início do comentário, não foi apenas o catolicismo q ofenderam com a quebra das imagens. E ainda que fossem, isso não as fizeram pessoas melhores, muito pelo contrário, provaram o quão mesquinhas e cheias da razão elas se mostraram.
Meu direito começa onde o seu termina, e fim de papo.


E, por favor, quem vier com esse papo de "religiosa e feminista não pode, mimimi", entre na fila pra confiscar minha carteirinha.

Anônimo disse...

Flavio Arezzo, por favor, me explique por que você acha que o nosso nascimento é um argumento contra o aborto. Por acaso é possível ser a favor de qualquer coisa sem ter nascido?

Anônimo disse...

Pois é gente, imagine se as 3 milhões de pessoas queimassem bandeiras de arco-íris...

Quebraram uma SantA, que era mulher, e mesmo que representasse um homem seria um absurdo.

Esbravejam que querem respeito, mas não respeitam a si e nem aos outros.

Não conheço nenhuma mulher na igreja católica que esteja lá por obrigação, todas estão porque querem.

Nenhuma marcha das vadias reúne 3 milhões de mulheres... 3 mil e olhe lá.

Acho que respeito a gente dá e recebe, não o contrário.

Estou deixando o feminismo. Voltarei a não estar ligada a nenhum grupo, porque não concordo com atitudes de nenhum dos dois lados.

Obrigado Lola, mas percebo que EU preciso de limite, e o feminismo não dá limites, basta ver o que houve na JMJ.

Havia mulheres e crianças lá. Não precisavam ver isso.

Bye

Patty Kirsche disse...

Bom, eu acho que não foi o lugar pra tal performance. A gente tem que pensar com qual público está se comunicando, e ali na MdV não era lugar pra fazer uma cena mega polêmica e conceitual.

Mas que sempre houve provocação a religião na arte, isso sempre houve mesmo. Se fosse uma peça de teatro, ou um show... Mas em protesto, a gente se comunica com um público bem senso comum.

Eu acho que foi um desserviço para o feminismo, mas não entendo de forma alguma como desrespeito ao catolicismo. Só acho que foi feita no lugar errado e na hora errada.

Décio Rivas disse...

Sara disse que TODAS as religiões são baseadas na Bíblia? É nessas horas que não dá pra ser ateu, só existindo uma força superior mesmo pra nos dar paciência.

Eli disse...

Eu entendo as pessoas revoltadas, mas daí colocar a IC como coitadinha já é outra coisa, né? Não vejo nada além de mecanismo de defesa na ação dessas duas pessoas. Quem é que faz lavagem cerebral nas pessoas há séculos dizendo que mulher tem que ficar em casa esperando o marido e que gay vai pro inferno? É só colocar um exemplo simples: se a igreja de repente começasse a falar que negros são do diabo (já não falaram isso?), estilo Feliciano, vocês ainda justificariam a IC se um grupo de pessoas negras fizesse a mesma coisa que essas duas pessoas? Quem está em posição de poder aqui? Quem é o marginalizado? Satirizando a igreja aqui: não dá pra culpar essas pobres almas pecadoras.

Anônimo disse...

Acho um pouco complicado dizer que houve uma conduta criminosa. O art. 208 do Código Penal, que protege os cultos religiosos, de fato, fala em "vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso", mas isso pode ser interpretado de muitas maneiras. Primeiramente, deve-se considerar o direito à liberdade de expressão, preceito constitucional, e o fato de que a pura blasfêmia jamais poderia ser crime em um Estado laico. Então a interpretação mais adequada do art. 208 é a de que ele se refere a objetos que pertencem ao próprio templo ou local de culto, não se configurando o crime quando o objeto "vilipendiado" pertence aos próprios vilipendiadores. Mas não é só isso. Entende-se também que o meio utilizado para propagar a mensagem também é relevante na hora de ponderar o conflito de direitos. Uma coisa é alguém quebrar a imagem de uma santa no meio da rua, outra, bem distinta, é alguém fazer isso em rede nacional, invadindo a residência de milhares de pessoas com essa mensagem agressiva, como um pastor fez há alguns anos.

Infelizmente, o direito não é algo tão óbvio. Mas uma coisa é certa: Ministério Público e Magistratura são o cúmulo do conservadorismo e, certamente, não perderão a oportunidade de enquadrar a performance como crime, o que levará muitos reacionários ao delírio de tanta alegria e só vai dar mais força para os religiosos intolerantes.

Nane disse...

Totalmente incompatível com o feminismo fazer parte de instituições
que reservam à mulher um lugar de segunda ( quando não mais baixo) categoria!
Nossa luta não é sobretudo contra a desigualdade de gênero?
E o que os líderes religiosos ( todos homens) fazem por nós? Porque seguí-los?

Pili disse...

A performance foi ruim pro movimento... e já foi neutralizada!
Mas ela em si não diminui a Marcha tanto quanto O rechaço que vcs estão fazendo.
Parem, o fogo amigo tá foda!

Os dois que fizeram a performance usaram de sua propria iniciativa, nao estavam em nada vinculados com a organização da Marcha.
Foram devidamente criticadas. A marcha deixou bem claro o repúdio ao ato e a ausencia de qualquer vínculo!
Vcs queriam o que mais?
Que as proprias manifestantes fossem lá prender o casal? Eu acho correto responsabilizar criminalmente o casal, mas isso não é obrigação minha. Nenhuma das participantes estava obrigada a se arriscar tentando impedir aquele casal de fazer o que eles queriam.

Digam o que quiserem, que foi feio, que foi crime, etc, não importa.... Tinha polícia lá pra prender? Pois é, não tinha.

A polícia só apareceu depois. E apareceu assediando manifestantes e pasmem, atropelando a massa.

Foram as manifestantes que tiveram que fazer a propria segurança durante a concentraçao inteira. Tivemos que lidar com as dificuldades de espaço porque a pista estava cheia de grades que encurralavam as manifestantes. Tivemos que lidar com peregrinos violentos. As manifestantes que foram à marcha com cadeira de rodas tiveram dificuldade no deslocamento e teve quem desistisse indo embora. Quase não tinha presença de voluntarios da OAB, eu vi dois advogados apenas praquela quantidade inteira de gente.
...TAVA UM FRIO QUE NÃO É CARIOCA! Sim, pra gente isso é um problema, tá, não venham fazer graça.
O esquema de transito arbitrario e decidido em cima da hora também prejudicou o acesso das pessoas ao local da marcha. Caso vcs não saibam o Rio inteiro perdeu seu direito de ir e vir. A cidade ficou sitiada por dias. E quem foi a marcha depois de participar das outras manifestaçoes politicas nos dias anteriores já chegou lá cansado, zoado, quebrado, de saco cheio de apanhar.

Porra!
Dentro dessas condições, fizemos foi coisa pra caramba!

E se optaram por fazer um cordao de isolamento durante a performance do casal, Não se enganem: foi sim uma opção pela segurança de todos ali!
Pra evitar ainda mais atritos e confrontos físicos.

Da mesma forma as manifestantes fizeram cordào de isolamento pra impedir que exaltados se aproximassem da igreja.

A marcha das vadias não comete nem aceita atos de violencia simbolica.

E vcs aí que acham que a Marcha de via ter sido assim, devia ter sido assada, cobrando algo além de tudo o que foi feito, vcs não sabem da missa a metade.

Pronto falei.
Parem de atacar a Marcha das Vadias, que esse ano (ainda mais do que nos outros) foi um ato de heroísmo.

Tiago disse...

Sei lá, a ICAR hoje é só uma sombra do que já foi um dia.
O maior perigo mesmo são as igrejas neopentelhocostais, estilo edir, rr soares, waldemiro santiago, etc. Essas sim tem como meta estabelecer uma teocracia no brasil (e no mundo todo).

Jessica disse...

Ao anon das 15:00
A eficácia da camisinha masculina sozinha é de cerca 97%. Isso significa que 3 em cada 100 mulheres podem engravidar mesmo usando a camisinha. Isso pode parecer pouco, mas estamos num país com milhões de habitantes.
E mesmo a Pílula do Dia Seguinte pode vir a falhar facilmente caso a mulher dependa do uso de outros medicamentos.
Entenda que ninguém aqui quer abortar fetos de 7 messes. Estamos falando a legalização do aborto de fetos sem o cérebro formado. Você acha mesmo que um feto assim vale mais que uma mulher formada? Se sim, espero que ele não vire uma menina.

Thaís Macedo disse...

Lendo os comentários, vejo com clareza que faltou aprofundar muitos assuntos. Volto a frisar: em nenhum momento me disseram, na Igreja, que eu estou errada por querer direitos iguais. Na verdade, muitos jovens de lá me acompanham nessa luta. E em nenhum momento eu disse que a igrej espa totalmente certa. Só quero que as pessoas vejam que é possível conciliar as duas coisas sem prejudicar o cerne delas. Na minha visão, o objetivo da igreja é a caridade e o amor. E é isso o que eu vejo, muito mais do que o ódio.

Religião não tem a ver com homens ou mulheres. Tem a ver com espiritualidade e filosofia. O que vem depois (intolerância, críticas, etc) é resultado de processos históricos, mas não atingem os ensinametos fundamentais, aqueles que iniciaram tudo.

Entendo o posicionamento dos ateus. De verdade. Mas acreditar em um Deus e tentar viver segundo o que acredito ser Sua vontade não me torna uma pessoa pior ou menos digna. Apenas faz bem para a minha alma.

Anônimo disse...

Muito bem colocado Pili, sempre irão achar motivo para deslegitimar o feminismo. Esse ato foi individual e não representa a marcha e nem invalida todas as questões discutidas no protesto.
Acho preocupante dizer que quebrar santas é equivalente à violência do opressor, porque não é, é errado mas não é igual, assim como não tem o mesmo valor que um peregrino cuspir em uma manifestante. Sempre bom lembrar que coisas são coisas e pessoas são pessoas.
Outro ponto levantado na discussão que achei muito relevante é que não vemos essa indignação quando as atacadas são as religiões de matrizes africanas. Já teve pastor mandando matar mães-de-santo, sem contar o quanto essas religiões são motivos de piada e chacota, mas quando se fala de Igreja Católica o buraco é mais embaixo. Por quê?

Dai disse...

Ainda estou digerindo essa discussão e os argumentos colocados. Mas meio confusa com as duas questões colocadas dentro dela.
Primeiro, acho muito importante que existam cristãs feministas, acho que o papel delas é importantíssimo. As Católicas pelo Direito de Decidir, por exemplo, são importantíssimas na Marcha das Vadias, e penso que deve haver inúmeras razões para quem a religião constitui parte importante de suas vidas se manter nesses espaços. O feminismo é importante para estas mulheres, como para todas as outras, para que se fortaleçam, resistam e lutem contra os abusos e opressões destes espaços e façam a crítica do interior deles.
Acho que as CPDD são um movimento transgressor e libertador. Assim como a teologia da Libertação foi, um dia. Mas justamente porque não faziam concessões. Não entendiam que houvesse justificativa para a concentração ilícita de riquezas e a intervenção política da IC em questões políticas. A TL fazia duras críticas ao vaticano e a seu modo de governar. Por isso seus representantes foram perseguidos e silenciados. Acho que os ativistas cristão contemporâneos deveriam somar vozes, pois o contexto requer isso.
Bom, sobre o outro ponto debatido pelo texto, a meu ver, a 'santa' e a 'cruz' só serão objetos sagrados se estão dentro de uma igreja. Seria, claro, uma violação e uma demonstração de intolerância entrar numa igreja e destruir um objeto sagrado.
Numa encenação performática esses objetos são instrumentos cênicos. Assim é no cinema, no teatro, nos clipes, como já citaram antes de mim. Se a intervenção urbana tinha esse pressuposto conceitual, entendo que não se tratavam de objetos sagrados, mas de produtos manufaturados fora de um contexto religioso, um recurso cênico.
Assim como a atriz do grupo Loucas de Pedras de Lilás, vestida de virgem maria na foto que encabeça o texto, não é a virgem maria, mas alude a esta imagem cristã para discutir direitos sexuais e reprodutivos. Como não tentar ressignificar os símbolos de uma instituição que os utiliza com o pretexto doutrinário de regular nossos corpos e vidas?
Como discutir os símbolos da igreja em contextos diferentes se não podemos nos apropriar deles? Não estaríamos, deste modo, reconhecendo o caráter intocável da IC?
Estou perguntando porque não estou totalmente convencida, mesmo.
Não gostei particularmente do ato, assim como não aprovo absolutamente todas as ações e palavras de ordem ditas na marcha das vadias - que considero, hoje, o maior evento do feminismo no país.
Mas acho que manifestações pontuais não desmerecem a marcha para nada.
Acho que ela foi com tudo para cima do cristianismo, claro, pelo senso de oportunidade, mas podíamos ter enfatizado a legitimação do estupro promovida pelo vaticano, a falta de cabimento dos Kits distribuídos por este para impedir o atendimento hospitalar às vítimas de violência sexual. Como afirmam sempre, a Marcha das Vadias não é sobre sexo, é sobre violência. Mas entendo que quando as repressões vêm à tona, surgem num caldo grosso, dolorido. A que ponto podemos controlar o tom da dor de quem protesta? Sobretudo num movimento grande e plural como a Marcha das Vadias?

Jessica disse...

E gente, respeito não é moeda de troca.

Sara disse...

DECIO RIVAS vc deve ser muito ignorante pois nem ler ao que parece vc sabe.
Eu escrevi bem claramente que falava de religiões cristãs, e sinceramente não sei de NENHUMA RELIGIÃO CRISTÃ, QUE NÃO SE BASEIE NA BIBLIA....
Da próxima vez tente frequentar o ensino básico e aprenda a ler, antes de fazer comentários tão estúpidos...

Mirian Rash disse...

Eu olho os números. De uma lado mais de um milhão de católicos, do outro lado uma meia dúzia de pessoas na marcha das vadias. Os cristão com 100% de respeito ao direito dessas pessoas protestarem, a Marcha das Vadias faltando com o respeito e agredindo os cristãos com provocação e quebrando seus símbolos.

Cristão 10 X Vadias 0

Eu não vi sentido nessa manifestação tão agressiva que só causou repulsa e má imagem para o movimento.

Claudia disse...

Estou chocada com os comentarios e o rumo que a discussao tomou por aqui. Feministas nao podem ser religiosas? Um eh realmente o oposto do outro? Deste jeito vou ter que parar de ir na MdV, de lutar pela igualdade de generos, ser a favor do aborto soh porque eu fui a missa hoje de manha.

Anônimo disse...

Parem de atacar a Marcha das Vadias??????

#oioioi ?

O problema não é nosso se VCS se deixaram representar por um casal enfiando cabeça de gesso no cu.

Pq não chegaram nos atores e falaram AQUI NA MARCHA DAS VADIAS, NÃO PODE ENFIAR TROÇO NO CU ao vivo.

Foi grotesco, se vc estava lá viu bem o que eles fizeram.

Mesmo que não fosse símbolos católicos, digamos q eles tivessem usado um cabo de vassoura, o q ajuda na luta feminista pessoas nuas, mascaradas enfiando objetos no cu??? QUAL mulher se sentiu representada por aquilo??

Eram peças de madeira e gesso, qual anormal usa aquilo para enfiar na vagina???

Encaixar o cu na cabeça de gesso??


Peito de fora, APOIADO, pauta da marcha, APOIADA, agora azar é de vcs se jogaram o nome nessa merda toda.


Estragaram tudo, pq quiseram.

Anônimo disse...

Pra quem quer ver as fotos e apoiar o cara fazendo o quadradinho de 8 e a menina enfiando o crucifixo no ** dele.

Ah, dá pra as feministas fazendo cercadinho.


Qual é mesmo o objetivo? Libertar a mulher? Quadradinho de 8 dancinha que coisifica o corpo feminino??

http://periodicovero.blogspot.pt/2013/07/encenacao-polemica-na-marcha-das-vadias.html

Joel Freitas disse...

Qual é a moral dessa marcha das vadias? Nunca entendi... elas se ofendem usando o termo "vadias" e ainda por cima ficam causando polêmica enfiando santo na bunda e na vagina, não entendi qual foi o foco do protesto

Sara disse...

Um Estado laico tem direito de submeter a sociedade inteira a uma minoria de fanáticos decididos a impor suas idiossincrasias e intolerâncias em nome de Deus? Em que documento está registrada a palavra do Criador que os nomeia detentores exclusivos da verdade? Quanto sofrimento humano será necessário para aplacar-lhes a insensibilidade social e a sanha punitiva? [Dráuzio Varella]

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2013/07/1317180-fascismo-em-nome-de-deus.shtml

Pra quem diz que se sente ofendido pela performance do casal na marcha das vadias, respondam a indagação desse conhecido médico.

Julia disse...

Não é a religião que tem que mudar.

São as pessoas que tem que ignorar a religião.


Parar de frequentar igrejas, seguir bíblia, batizar crianças.

Até que essas religiões desapareçam.

E sejam lembradas apenas como um capítulo vergonhoso (e patético) da história da humanidade.

afrolesbofeminista disse...

As religiões baseadas na bíblia não me descem. É muita misoginia num livro só.

Confesso que estou tentando ser uma pessoa melhor e tolerar essas religiões, mas também confesso que é uma tarefa muito difícil.

Lohanna França disse...

Uma comentarista( se n me engano, a Valéria) pediu as fotos do que aconteceu, e aqui estão. Algumas sao bem ofensivas. Acho que como participante e divulgadora que sou do "católicas pelo direito de decidir" e da igualdade, fiquei muito constrangida com o que esse pessoal fez. Tira a credibilidade sim.

Luh disse...

Eu nem sei direito o que pensar.. Mas de forma alguma acho que o casal deva responder criminalmente.

Eles podem ter errado mas simplesmente estar errado não deve configurar crime nenhum


Engraçado que o pessoal que reclama do que o casal fez é o mesmo que justifica como liberdade de expressão dizer que os gays são doentes anormais etc.
Quando eles dizem tais absurdos é apenas exercício de um direito quando um casal quebra imagens relacionadas à fé católica, que tbm é uma forma de expressão, aí deve ser criminalizado


E como já foi dito a marcha fas vadias já estava programada pra acontecer naquele local ANTES da JMJ então eles não invadiram evento religioso nenhum foi justamente ao contrário


Julia disse...

Que raiva eu sinto desses ateus com cabeça de cristão.

Bando de inúteis.

Atéia/Ateu que baixa a cabeça pra religião, qual a utilidade do teu ateísmo?

Ateísmo limpinho é igual a feminismo limpinho.

Não serve pra nada.


Pablito Matraga disse...



"EU SEI QUE NINGUÉM me pediu, mas ainda assim eu dou aqui um conselho aos meus amigos intelectuais, aos estudiosos diletantes ou, simplesmente, aos homens e mulheres de bom caráter. Assumir certas posições é importante, ainda que sejam acidentais e provisórias. A transigência, a pusilanimidade travestida de tolerância e a preguiça moral são venenos da alma. Não confundam isso com ideologia, no entanto. Não estou dizendo que se deve ter um arcabouço conceitual com o qual esquadrinhar os eventos; fujam disso. Estou apenas dizendo que, diante dos eventos, é necessário tomar certas atitudes por vezes imediatas, sob pena, por medo, de se pecar por algum excesso, pecar-se ainda mais por muita omissão. Noto que certos leitores compartilham alguns textos, mas com a ressalva: “Opinião interessante”. Alguns textos são mesmo opinativos, é evidente. Mas outros, não. Outros são a exposição de certos fatos, e o julgamento moral que deles faço é quase que inevitável. Não concordem comigo: concordem com seus próprios olhos. Se, por exemplo, as ligações políticas de certo grupo como o Mídia Ninja são apresentadas (e mal disfarçadas pelos próprios), chamá-los de aproveitadores ou mentirosos não é exatamente uma ‘opinião’ minha, mas simplesmente uma constatação! Eles podem ser lindos (são feios), eles podem ser espertos (são tolos), eles podem ser criativos (são démodé). Isso tudo, estou de acordo, é passível de discussão. Mas uma coisa é certa: ‘independentes’, eles não são. Sigam o dinheiro e verão o tamanho da dependência. Se assisto a uma cena dessas, como a protagonizada pela bestial entidade na marcha das vadias, o que vejo não é a ‘expressão política’ de certo grupo, mas sim um crime tipificado no Código Penal, somado à sordidez moral fazendo as vezes de ‘protesto’ ou de ‘arte performática’ num evento religioso. Por favor, há que se aprender a ver e a dizer as coisas tais como são. Intolerante não é quem grita ‘Crime!”, quando vê um crime. Fascista não é quem grita “Escândalo!”, quando vê algo escandaloso. Intolerantes e fascistas são aqueles que, vendo crimes e escândalos, falam baixo e educadamente: “Cada um tem sua opinião”."

Gustavo Nogy deu uma resumida no assunto.

L. G. Alves disse...

Lola e quem mais quiser ler: https://www.facebook.com/edilson.ctf/posts/644018545610734 Muita gente achou interessante. Trata-se de um desabafo da Juno Cremonini

Anônimo disse...

Eu sempre me senti oprimida pelo católicos e evangélicos. Não sou ateia, mas também não faço parte dessas duas religiões, o que me torna uma minoria menor ainda. É meio chato ouvir tanta baboseira desses religiosos fanático. Tenho uma amiga evangélica que é hipócrita e contraditória, totalmente cega pela fé. Como ela guarda a ignorância para ela e os outros evangélicos, nem falo nada. É melhor assim. Mas não consigo e nunca irei conseguir entender o que essas pessoas pensam e como elas agem. É muita hipocrisia para alguém que prega amor ao próximo, caridade e bons valores. Ou, pelo menos, deveria pregar. Acho que não tenho como ser imparcial aqui. Achei lamentável a atitude de certos manifestantes, mas sempre tem uns, aqui no Brasil, para desvirtuar os movimentos. E as revoltas do mes de junho? Também teve os vândalos. Mesmo assim, consigo entender a raiva que eles tem pela igreja. A história do catolicismo é mais ruim do que boa e parece que as pessoas não aprenderam, mesmo estudando inquisição na escola (eu espero), que muita religião deixa as pessoas malucas. Se conseguissem pensar e questionar e refletir a bíblia, talvez o mundo estivesse diferente. Mas ouvir o pastor/padre falando e não questioná-lo nunca é mais fácil...

Amana disse...

Pegando carona no comentário da Pili, eu queria dizer que achei a Marcha linda este ano. Super politizada. Um astral incrível. Lidando com a dificuldade que foi realizar um evento numa situação completamente diferente daquela em que foi planejado - Copacabana foi simplesmente INVADIDA por um evento que estava previsto para acontecer do outro lado da cidade [pra mim, ISSO é vandalismo: gastar rios de dinheiro público numa obra mal feita para preparar um lugar privado para a realização de um evento, e em cima da hora o prefeito reconhecer que o lugar não tem condições de receber o Papa porque está ALAGADO! Mas enfim, voltemos à Marcha].
Vamos falar de proibição do aborto? Vamos falar da criminalização do corpo da mulher? Da cultura do estupro? Porque eu estava lá e vi: foram 15 minutos, 15 minutos de performance em sete horas de Marcha! Com pautas importantíssimas, cartazes divertidíssimos, afeto, cuidado, humor, respeito.
Foi maravilhoso, e ANO QUE VEM VAI SER MAIOR!

Vinicius disse...

Sobre as imagens quebradas e todo o restante da performance, eu só fico com o pé atrás a respeito de começarem a delimitar o que pode ser manifestações 'correta' e a 'incorreta'. Quase como o que fizeram com as manifestações contra o aumento da passagem, como quando paravam uma pessoa qualquer na rua e perguntavam se os 'vândalos' eram ou não da manifestação (já que eles haviam "ultrapassado" algum limite, então falavam que eles não eram mais legítimos).

Acessórios Artesanais disse...

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/renuncia-do-papa/leia-a-carta-do-papa-francisco-sobre-o-casamento-homossexual-na-argentina,91f7d6030566d310VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

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Olha o amor cristão do Papa.

Ai Lola, porque tens de ser tão reformista???!!

Verônica disse...

Eu não consigo me decidir quanto à destruição dos santos e etc. Entendo a revolta de quem é oprimido todos os dias por uma religião misógina, racista e homofóbica, e acho que uma agressão simbólica como essa não se equipara nem de longe com a agressão real que tantos sofrem todos os dias pela opressão religiosa. No entanto, acho que o ato é contraproducente na medida em que desconsidera a possível aproximação de uma parcela de religiosos mais progressistas. Não dá pra ignorar que a religião é um assunto muito íntimo e que isso é sim uma agressão grave pra alguém que vê nesses símbolos sinal de amor, proteção e fé. Enfim, estou dividida.

Só queria dizer que quem se revolta com isso e passa a ofender mulheres em geral (é só ver qualquer página feminista falando da MdV: "putas, vadias, merecem ser estupradas", etc etc etc) nunca esteve realmente do nosso lado, por mais que o diga. Se abandona o movimento porque ele tem defeitos e pontos de tensão, é porque nunca fez parte dele pra começar. Quem realmente respeita as mulheres e o feminismo nunca ia dizer as barbaridades que tenho visto nessas páginas, mesmo que discorde. Acredito que quem nos respeita realmente está disposto a criticar, discordar e dialogar. Porque, vamos combinar, quebrar uma santa e desejar que alguém seja estuprada são duas agressões BEM diferentes. Quem diz isso não é porque acha que "respeito só se dá a quem me respeita", é porque nunca respeitou pra começar.

Anônimo disse...

Estou bem confusa com essa confusão toda.
Não estou entendo pq mt gente que não é católica se doeu tanto com o que aconteceu na Marcha das Vadias. Pq qd alguma outra religião é atacada, ninguém liga ou dá a mínima!
Já viram tanto mimimi e chororo por conta de imagens de religiões afro-brasileiras serem destruídas? De quem chuta a macumba? De quem é agredido por acreditar no espiritismo? De ser zuado pq é judeu? De ser chamado de terrorista por ser muçulmano? De xingar de alienado um evangélico? Hein?

Acho que o que houve na Marcha mostrou mt bem que por mais que o Brasil tenha gente de esquerda, ateus e pessoas de outras crenças, o povo em geral ainda é mt preso ao catolicismo.
Ainda meio que sem perceber acaba defendendo uma instituição que tanto atacam no dia a dia!

Pois católico pode tudo pq o papa é santo? Pq eles aparentemente estão proferindo a sua fé, rezando? E por isso todos devem respeitar sem contestar pq o catolicismo só quer o bem?
O governo pode gastar uma puta grana com a JMJ pq é coisa da igreja, de gente de bem, mas não com outros eventos?

O que há com o povo brasileiro???
Pq tratar a igreja catolica a todo momento como uma coitadinha que nada fez de mal? Mesmo ela estando errada em vários momentos?
Pq essa proteção toda?
E as outras religiões e crenças?
Não merecem o mesmo tratamento, a mesma preocupação?
Pq chutar uma macumba pode e quebrar uma santa não?
Pq o catolicismo pode e as outras não?
2 pesos, 2 medida, ué.

E ainda digo mais:
Q religião é essa q prega o amor ao próximo sendo intolerante?
E os dogmas e a hipocrisia?
Pois o q mais vi nessa JMJ foi um carnaval católico!
Vi jovens zuando e ofendendo uma moça que entregava panfletos de uma outra religião na Central do Brasil.
Vi jovens se agarrando e praticamente se comendo na frente de todos na rua.
Vi jovens enchendo a cara em barzinhos, paquerando outros jovens(inclusive do mesmo sexo).
Fazendo arruaça no meio da rua, gritando e pulando sem parar tirando o sossego das pessoas nos transportes públicos.
Vi jovens furtando(!)coisas de outros jovens no metrô!

Q juventude católica é essa?

E se vc reclamar disso, só faltam te baterem pq temos q respeitar os católicos por mais q mts deles sejam mal educados com outros.

Esse Brasil dá uma canseira às vezes...

Cora disse...


acredito que falta aprofundamento na crítica, sim, como argumentaram algumas pessoas (não li tds os comentários. dei apenas uma passada d'olhos).

e não serei eu a aprofundar o debate, mas mesmo assim gostaria de apontar algumas questões pra reflexão.

importa dizer que o feminismo não precisa de ato nenhum para ser achincalhado pelos detratores. esse é apenas o mote do momento. afinal, o esporte preferido de dez entre dez machistas, é achincalhar, diminuir, menosprezar, xingar, ridicularizar e generalizar mulheres que saem da linha. não é preciso muito. levantou a cabeça e olhou um machista nos olhos, pronto. isso já é considerado subversão demais.

então menos, gente. não é o ato radical de duas pessoas numa marcha que acabará com o feminismo. ele é mais do que isso. é claro que o ato pode ser criticado à exaustão. mas não é ele que define um movimento histórico e importante. e as feministas que aqui criticam sem pensar nesse aspecto, sem entender que o movimento é muito maior que a marcha das vadias, que o movimento é muito maior do que o casal performático, que o movimento é muito maior do que qualquer pessoa que se identifica como feminista e faça qualquer bobagem, tem pouca convicção do que representa e do que propõe o feminismo. tem pouco orgulho do movimento que se propõe defender.

existem milhares de textos, ações, atos, performances, documentários, campanhas, livros feministas que não ofendem, que são limpinhos e cheirosos e ainda assim o feminismo é mal visto e mal compreendido por muitas pessoas. quer dizer, tem muito material bom e adequado pra quem quiser se aproximar e conhecer o feminismo.

no entanto, as pessoas continuam repetindo falácias, mentiras e deturpações. e o feminismo continuará sendo mal compreendido por quem se recusa compreendê-lo. porque quem repudia o feminismo (quem repudia a autonomia e a agência feminina), os formadores de opinião que repudiam o feminismo e o feminino, têm tradições milenares os apoiando na defesa do status quo patriarcal. e eles não vão mudar.não por livre e espontânea vontade, mas apenas de instados a isso por pressão. muita pressão. pra qualquer lado que se olhe, historicamente falando, detratores do feminismo encontrarão reforço de suas teses. isso sem contar que o feminismo é revolucionário. não no sentido de tomada do poder, mas de mudança de paradigmas. e toda mudança encontra resistência. então, sem querer dar lição (por favor não entendam por aí), acredito que rebater as críticas à performance deve ter um outro viés, um outro tratamento. não dá pra embarcar no lugar comum das críticas dos detratores. não dá pra cair no jogo barato que quem se recusa compreender o feminismo e ficar dizendo que isso mancha ou denigre as mulheres ou o feminismo. e dá menos ainda pra achar que uma performance de quinze minutos vai acabar com um movimento que tem abrangência mundial e centenas de anos de história (apesar do nome recente, ideias que questionam o lugar social do feminino são tão antigas quanto o patriarcado).

ih! pessoas, não poderei concluir a ideia agora. tenho que sair. a vida chama. se puder, volto. se não puder, fica inacabado mesmo, fazer o quê?

Anônimo disse...

Poxa Ana Lúcia, assim fica fácil, ser católica hardcore só quando lhe convém. O uso da pílula e a camisinha que você diz que estão ai pra quem quer por acaso é apoiado pela IC? Mas já q você precisa tudo ok, já o que passa longe de ti, você é contra. Ô bendita hipocrisia!

Já o texto em si, a pessoa parece viver em outro mundo, onde a IC prega a aceitação, onde o líder é um velhinho sem influência, as mulheres têm vez, etc. É difícil até comentar..

Maria Fernanda Lamim disse...

Toda essa historia envolve varias questoes pra mim...
sou atriz, e por isso prego a liberdade de expressao. nao me chocaria de ver essa performance em um festival de teatro experimental. Mas acho que a hora e o lugar foram muito inadequados, pq desviou a atencao das pautas da Marcha. Faltou Maquiavel a esses performers: com a imprensa que a gente tem no Brasil, que resultado eles queriam ter?
Como feminista,'sei que enecessario questionar a Igreja. Mas , algumns pontos: se a Igreja influencia o Estado em questoes como o aborto, errado esta o Estado,que nao deveria servir a ela. O wue os catolicos acreditam e problema deles. Devemos combatet a influencia da Igreja sobre o Etado, nao os catolicos. Esses, a gente deve convidar ao dialogo.
Sei que a Igreja ja foi muito violenta
olenta, as isso tem tempo e os catolicos que estai nao.protagonizaram nada disso.
E rola uma distorcao tb: a Igreja nao e contra a camisinha,.mas sim a favor da abstinencia. E so precisa seguir isso quem e catolico. e a ICAR nao e a unica instituicao a nao respeitar o Estado laico.
E outra: existem diferentes correntes catolicas. Minha mae, a mulher que me ensinou a ser feminista, era catolica e fa de Leonardo Boff. Por isso meu nome e Maria. E por isso, nao acho absurdo alguem ser catolica e feminista.
Como religiosa (sou paga), me sentiria ofendida se visse, nesse contexto, uma performance que envolvesse o pentagrama.
E por ultimo: se pregamos amor, igualdade e tolerancia, e incoerente ser agressivo.

Agora, e importante tb lembrar que essa nao foi a tonica principal da Marcha! Estive la e vi humor , irreverencia e respeito por parte tanto das feministas quanto dos peregrinos! a atitude questionavel de duas pessoas nao pode condenar duas mil!

Cora disse...


não vai dar pra concluir como eu gostaria, então deixo um presente que eu não me canso de ouvir:

http://www.youtube.com/watch?v=Yk1y1NrESEw

não tem nada a ver com a ideia do renato, mas eu vejo o feminino nesse trecho:

“Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou”

hahahahahahahahahahaha...

agora que o toddy vai dizer q é religião!

e #eusedivirto e vou de carona junto com a Amana.

chocar as pessoas não é nada diante dos milênios de violência simbólica aos quais o feminino esteve (está) submetido. violência essa que nem mesmo é reconhecida pelas instituições patriarcais.

sem incômodo, não há mudança.

feministas podem criticar a performance? evidente que sim. mas sem usar as mesmas pedras dos detratores. nosso papel é iluminar. é fazer pensar.

malz aê o mau jeito, galera. a vida urge.

não esmoreçam!

Pablito Matraga disse...

Feminismo é isso. De Nicheline Frazão:

“A escolha sexual de um homem é o resultado de suas convicções fundamentais. Diga-me o que um homem acha sexualmente atraente, e eu te direi toda a sua filosofia de vida. Mostre-me a mulher com quem ele dorme e eu te direi o que ele pensa de si mesmo.”
Francisco d’Anconia

Rapazes, escolham bem suas mulheres e lembrem-se, o gene da inteligência vem da mulher. rsrs"

Anônimo disse...

Nossa Lola dá uma tristeza infinita ler os comentários deste post, pq de todos que você já publicou, acho que esse é o que mais ressaltou a intolerância dxs que se dizem feministas.
Sou feminista sim, mas acho que muitos esquecem da idéia principal do feminismo que é que todos queremos ser tratados IGUALMENTE, ou seja, não importando se sou homem, mulher, católicx, evangélicx, ateu, espirita, whatever...
Mas o que mais vi aqui é a intolerancia, aquela mesma praticada por religiosos fanáticos; a mesma que vi na bancada fundamentalista, que vi dizer atrocidades na câmara; a mesmíssima intolerância que vi no padre que mandou chamar a polícia pra "proteger" a igreja contra as manifestantes que estavam no marco zero; a mesma intolerância que o policial do Canadá disse à vitima de estupro era culpada por se vestir como uma vadia; a mesma intolerância que eu e muitas sofrem todos os dias quando dizem que são feministas e são chamadas de mal comidas, sapatas, desocupadas, vadias e etc...
Essa mesma intolerância, vi surgir aqui dizendo que não posso ter uma religião por ser feminista, pq a religião prega a submissão feminina. Por esse mesmo motivo muitas também não deviam trabalhar, ora! Há empregos em que literalmente pregam a submissão feminina também, as faculdades que fazem vista grossa a trotes missóginos, concursos públicos (principalmente cargos militares) que fazem um tratamento diferenciado entre mulheres e homens.
Acho extrema burrice querer combater a intolerância com mais intolerância ainda, concordo plenamente com a frase: Você atrai o que você transmite, e como queremos atrair a simpatia das pessoas com o movimento se reagimos desta maneira, e pior, excluindo as pessoas que já participam do movimento pq possuem uma crença?!
Está aí a resposta que todas nós buscamos, do pq das pessoas terem tanta resistência em dizer que são feministas; muitxs do movimento são extremistas e denegrindo a imagem do movimento e desfocando a idéia principal de querer direitos iguais para todos.
Me parece a velha frese de Geoge Orwel: "Somos todos iguais, mais uns são mais iguais que os outros"

Hey Jude disse...

"Sou católica e sou feminista. E não, não acho que uma coisa exclua a outra".

hahahuaahuahauahauhauahuahuanahuahauahuahauahaquhauahauhauahahahuaahuahauahauhauahuahuanahuahauahuahauahaquhauahauhauahahahuaahuahauahauhauahuahuanahuahauahuahauahaquhauahauhauahahahuaahuahauahauhauahuahuanahuahauahuahauahaquhauahauhauahahahuaahuahauahauhauahuahuanahuahauahuahauahaquhauahauhauahahahuaahuahauahauhauahuahuanahuahauahuahauahaquhauahauhauahahahuaahuahauahauhauahuahuanahuahauahuahauahaquhauahauhaua

Ass: ateu que vê as coisas de fora da situação.

Roxy Carmichael disse...

achei o guest post da thais válido, mas ao mesmo tempo facílimo de ser desconstruído. especialmente esse final, que alguém aqui ja linkou o "excelente" material distribuído em decorrência da visita do papa (e se isso não tiver absolutamente nada a ver com o papa interferindo na minha vida....) em que compara pílula com aborto e ainda diz que proibir casais homossexuais de serem pais não é homofobia, ué! claro que não, é só a vontade divina que as crianças sejam criadas a partir de valores heterossexistas. eu entendo que a pessoa pode pensar: ah, o papa quer que vc trepe só pra se reproduzir, que não tome anticoncepcionais, mas vc é livre pra fazer o que quiser. só acho que esse raciocínio tb pode ser aplicado à ku kux klan. aos neonazistas. ah, eles queimaram negros pelo simples fato de serem negros, intoxicaram zilhões de judeus com gás, mas isso foi no passado, e se existem essas instituições e eu não concordo, não acho que negros devem ser queimados ou judeus limados da face da terra, tudo bem, eles lá, e eu aqui. ??????????????????????????????????????????????????????????????????????

também não entendo essa fixação (equivocadíssima) em definir uma doutrina, uma fé, uma "filosofia" como uma completa abstração, "separada" de sua prática, ou seja que é exercida por seres humanos e para seres humanos.

dito isso, gostaria que se possível você aprofundasse melhor essa ideia: "Religião não tem a ver com homens ou mulheres. Tem a ver com espiritualidade e filosofia. O que vem depois (intolerância, críticas, etc) é resultado de processos históricos, mas não atingem os ensinametos fundamentais, aqueles que iniciaram tudo."

é porque eu realmente não consigo entender isso de um lado a abstração pura livre da interferência humana, e por isso mesmo, apolítica, e por outro lado a política, as disputas de poder, as desigualdades e as resistências.

Monica disse...

Lola,

ok. a performance de quebra de estatua de gesso não foi organizada pela marcha.

ok. é injusto culpabilizar a marcha por isso.

mas não vai seu eu que, feminista, e atéia que vou dizer é desrespeito quebrar imagem de santa! me poupe! tem que quebrar mesmo!

Alvaro disse...

Parabéns pela coragem de escrever sobre como conciliar religião e o feminismo, ainda mais nessa gaiola de ateus (que por vezes, é lotada de extremistas), constituída na luta ideológica. Sou ateu, feminista e considero um verdadeiro espúrio e, naturalmente, hipócrita, o julgamento acerca da religião da guria. "A mulher religiosa faz tanto sentido como um judeu nazista." - Isso me parece um mantra, tão preconceituoso que é repetido cotidianamente pelos opressores.

Nane disse...

Claudia,
Não precisamos ser atéias ou agnósticas pra professar o feminismo. Eu só acho contraditório estar sob regras de religiões que nos desejam submissas.
E longe de mim pensar em " confiscar
carteirinhas de feministas" , como uma comentarista acima falou.
Ter feministas dentro dessas religiões pode até ser positivo , desde que possam fazer diferença significativa, realizar mudanças concretas.
Abs

Lohanna França disse...

http://periodicovero.blogspot.com.br/2013/07/encenacao-polemica-na-marcha-das-vadias.html

Lola, parece que eu esqueci de enviar o link das fotos de lá.

http://periodicovero.blogspot.com.br/2013/07/encenacao-polemica-na-marcha-das-vadias.html

(até mandei duas vezes por via das dúvidas, ahahaha)

Anônimo disse...

que fantástico mundo de bob o dessa menina, hein? é claro que a igreja manda sinais dúbios, porque sabe que, aqui no brasil, a classe média não toleraria uma igreja radical - a classe média é anti-evangélica, em peso. mas lá, dentro do congresso, onde nos interessa, a ICAR está presente e se postando contra a liberação do aborto, a favor do estatuto do nascituro e contra o PL de atendimento às vítimas de estupro. é fácil no púlpito ter um discursinho paz e amor - palavras VAGAS - e chegar no congresso pra mostrar sua verdadeira face, diluída nas figuras dos deputados...

Anônimo disse...

num filme de terror uma menina endemoniada pode se estuprar com um crucifixo e ninguém diz nada, mas uma performance política e artística não pode se valer dos mesmos dispositivos? pq?

Bruno disse...

Olha, eu estava lá na Jornada mas, ainda bem, não vi esses protestos. Porém, ouvi relatos sobre ele. E tudo foi muito além de quebrar imagens. O que me relataram foi uma total falta de respeito para com jovens que estavam APENAS professando a sua fé, que não buscavam ofender a ninguém. Não havia razões plausíveis para um protesto contra nós, garanto. Então, surgiram esses grupos que, desnudos, quebravam coisas, mulheres que colocam crucifixos em suas vaginas e gritavam palavras de ódio e desrespeito com os peregrinos. Você sabia, inclusive, que alguns manifestantes, um dia antes da Via Sacra, fizeram um manifesto e tentaram quebrar todos os palcos do evento? E só não o fizeram graças ao cordão de isolamento dos policiais? Agora, me diga, qual a necessidade disso? Porque tanto ódio? Li o texto e não concordo com dezenas de pontos. A igreja não se cansa de se "meter" no Estado? Explique-me isso. "É também por causa da igreja que temos uma "educação" sexual repressora, que é contra o uso de métodos anticoncepcionais." Se as pessoas fossem atrás de pesquisar antes de criticar as coisas, evitariam coisas assim. Se vissem o porquê da Igreja dizer não aos anticoncepcionais, saberiam que não há nenhum pingo de machismo nisso. Não se trata de sexismo. "É principalmente graças à igreja católica que milhares de brasileiras (em sua maioria católicas e casadas) morrem todo ano em decorrência de abortos clandestinos." ???? Não ponha a culpa da irresponsabilidade alheia na Igreja. Não ponha o sangue dessas mulheres nas mãos da Igreja. A Igreja tem motivos plausíveis para se pôr contra o aborto - motivos que sou totalmente a favor... e o "não" da Igreja não obriga NINGUÉM a arriscar suas vidas em clínicas clandestinas.

Karen disse...

Tenho acompanhado a discussão de longe porque infelizmente não estou no Rio e não fui à marcha. Primeiro gostaria de colocar que acredito que a(s) marcha(s) acrescente(m) um debate saudável em torno de questões feministas tão necessárias e urgentes. Segundo, não vi problema nenhum em expor os seios, mesmo porque quem já trabalhou em favela e conviveu com a miséria (ainda que por tempo limitado) ver seios femininos é até lúdico. Agressão é a pobreza e a fome. Quanto à performance com as imagens religiosas, com a qual não concordo, não comentarei aqui. O que mais me consternou foram as afirmações de alguns comentaristas: "uma católica não pode ser feminista". Não pode? Ah é? E quem decidirá quem pode ser feminista ou não? Hey Jude (que debochou da companheira católica)? Nane? O anônimo que afirmou ser a Ana Lúcia “católica hardcore só quando lhe convém”? O vizinho? Eu? Não, muito obrigada, eu não quero esse papel de catalogar “quem pode e quem não pode” entrar no feminismo e/ou ser feminista… Como uma pessoa que já passou por uma militância política que na juventude incluiu estar nas manifestações pelas "Diretas Já", eu gostaria de lembrar aqueles com “amnésia histórica” das mártires, não da religião, mas da justiça social e dos direitos humanos:
1) Irmãs Maura Clarke, Jean Donova, Ita Ford e Dorothy Kazel, que lutando contra o imperialismo americano e a injustiça social em El Salvador foram estupradas, mortas e enterradas numa vala comum pelos carrascos do regime ditadorial salvadorenho. As quatro trabalhavam junto a mulheres de populações carentes no país.
2) Irmã Dorothy Stang, assassinada em Anapu, estado do Pará por latifundiários; brava lutadora pelos direitos humanos dos camponeses e incansável defensora do meio-ambiente.
Estas são apenas alguns exemplos de religiosas corajosas que pagaram com suas vidas porque exigiram direitos humanos para mulheres, crianças, camponeses, pobres, negros, etc. Viram na Teologia da Libertação um ideal de vida, de humanidade, de sentimento pelo próximo. Identificaram-se com essa mensagem de libertação humana, física, mental, emocional e espiritual.
Espero que no Feminismo (assim mesmo, com letra maiúscula), todas possam ser convidadas a entrar e compartilhar: ateias, agnóstica, católicas, umbandistas, negras, brancas, asiáticas, ricas, mulheres de classe média e pobres. Putas, santas, pecadoras, abençoadas, malditas. Porque somos muitas, somos múltiplas, somos mulheres. E a beleza está nisso.

Joel Bueno disse...

Quebrar imagem é mais ou menos como queimar bandeira. Dia sim, dia também, queimam bandeira dos Estados Unidos em algum lugar do mundo e NINGUÉM fica indignado. Acho que até o Tea Party já se acostumou....

Masturbação com crucifixo já teve no filme O Exorcista, há exatos 40 anos. Em que século nós estamos?????

A performance mexeu com um tabu - o de que a religião é algo inatacável. Pode até criticar, mas com luvas de pelica. Eu, que no início achei uma coisa um tanto tola, começo a pensar que valeu a pena.

Feminista capitalista disse...

Primeira vez que eu concordo 100% com um comentário da Marussia,em epsecial essa parte aqui que está perfeita:

''Todas as representações do patriarcado , todas as atitudes machistas e homofóbicas, todas as mulheres incapazes de conquistar sua liberdade sexual, todas as mulheres que tem seu direito ao aborto negado sofrem na pele a influencia desses velhinhos nada inocentes de 70 anos.''

[2]

Posso não gostar da quebra e depredação de imagens sagradas ,mas não dá pra seletivamente ignorar toda a opressão,misoginia e homofobia que essa imagens ajudaram a fomentar e representam. As ideologias por trás do que esses simbolos representam são as piores possíveis e a razão do nosso feminismo estar aqui em primeiríssimo lugar,lutando contra as injustiças propagadas por essa mentalidade.
Racismo inclusive,visto que a igreja católica foi muito conivente com a escravização dos afros, e pior ,seus fiéis costumavam dizer que negros não eram filhos de Deus,por isso não tem alma.

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Pablito Matraga


Preto velho não é responsável pela nossa opressão, visto que vivemos num país onde maioria esmagadora é crista e aqueles 1 ou 2% que seguem as afro-religiões e crendices,também são oprimidos.

preto velho não faz questão de censurar a sexualidade feminina,com palavrões como vadia,biscate,piranha e afins...

Nem odeia as mulheres por elas serem seres sexuais como todo mundo é e quererem ter o controle sobre o próprio corpo e sexualidade.

O preto velho não é responsável pelas milhões de mulheres que já foram assassinadas por aí por seus ex-maridos,ex-namorados,ou até mesmo namorados e esposos ciumentos, também não é responsável pela imagem da mulher como uma propriedade,uma posse sem autonomia que homens simplesmente podem obter.


PORTANTO, atenha-se ao contexto querido.

Anônimo disse...

Não me interessa um feminismo revolucionário, que rompa verdadeiramente com as bases da nossa opressão. A religião, principalmente a ICAR é uma das bases do sistema patriarcal. Sem demagogia.
"A mulher religiosa faz tanto sentido como um judeu nazista" é isso Sara.

Anônimo disse...

Thais, como você, a maioria das mulheres brasileiras é religiosa. E, não, isto não impede que você lute pela representação igualitária das mulheres na sociedade. Ser feminista não é apenas enfiar coisas no ânus. é muito mais que isto! Mulheres importantes da história e para a história do feminismo, foram religiosas (ex.: Hanna Arendt). Masturbação em público é algo vazio, que não representa o feminismo nem a luta pelos direitos das mulheres.

Heat disse...

Adorei seu blog.

Sou uma feminista um tanto acanhada... confesso. Não participo de manifestações e nem nada, mas sei de muita história...

Gostei muito do post. Me tocou imensamente. Pois, cercada de gente católica, com educação cristã pesada, muitos paradigmas ainda me prendem.

Li todos os comentários, e tenho a dizer, a todas, obrigada, enriqueceram-me.

priscila disse...

bela performance anarquista, pena que Marx destruiu os anarquistas em seu Miséria da Filosofia, aliás que desserviço eles prestaram a nós. A Igreja católica e demais religiões são alienantes sim, mas que pensemos um pouco mais além desse senso comum intelectualoide: é a unica igreja que manda seus missionarios pros confins do Brasil e muitos deles morrem peitando coroneis na luta pela reforma agrária, vide Dorothy Stang e outros. Chocar por chocar é melhor ler Antonin Artaud, esses caras da performance se julgam a ultra vanguarda, os lideres de uma suposta religião e na verdade são tão ou mais intolerantes que muitos padres e pastores por ai, aliás já vi muito mais coer~encia politica em missas de padres nas ocupações do movimento sem terra do que nessa ação ridicula deles, e não adianta me falar que a religião tem q ser destruida e tudo mais, ora, o cristianismo tem mais de 2 mil anos, o próprio Nietzsche que se rebelou contra o cristianismo aponta que é dificil se libertar de todos valores cristãos enraizados em nossa sociedade. Prefiro os caras da teologia da libertação do que os anarquistas q fizeram essa merda. aliás o próprio Marx dizia q não é da noite pro dia q vc politiza alguém e sim através de conversas, debates, problematizações e etc e não só o choque pelo choque, simples, cru e contextualização

Nathalia disse...

O que mais me incomodou na performance realizada pelo casal que quebrou e profanou as imagens durante a manifestação foi o fato de que eles fizeram com que o objetivo da manifestação se perdesse, pois deram munição aos machistas e conservadores. Ninguém comentou o objetivo da manifestação ou os ideais feministas, a atenção se voltou totalmente para o ato injustificado.
Sou feminista, não tenho nenhuma religião definida, pois nunca conheci uma que me representasse satisfatoriamente, mas acredito que o que foi feito não atingiu a Igreja, apenas ofendeu seus seguidores.
Foi um ato exagero que mais despertou a intolerância que ajudou a saná-la.

priscila disse...

vou passar a noite rindo de uns que estão aqui falando que só quem é ateu pode ser feminista, o próprio Marx preferiu não falar sobre religião, só disse q era o ópio do oprimido, quem são vcs pra dizer isso? os felicianos da esquerda? a vanguarda que só conhece a teoria e nunca contou moeda p comprar pão?

Marilia disse...

Eu sou católica e sou feminista. Fiquei extremamente triste com o episódio. Primeiro porque sempre apoiei a marcha das vadias e me via representada nela. Segundo porque vi nesta "performance" tudo aquilo que abomino: intolerância, desrespeito, violência. tudo junto e misturado. deu vontade de sair correndo e gritar: socorro!! fomos todas enganadas!!!
Eu vivo a minha fé muito como o texto convidado fala. No amor. no amor aos outros. E eu tenho fé. Minha história de vida me levou a crer. EU CREIO. Fui criada no catolicismo e entendo a Igreja como uma instituição gerida por homens, e assim, com diversos defeitos que resultam disso. Mas mais importante que a minha Igreja, é a minha FÉ.
Estou vendo diversos comentários criticando a Igreja Católica. Eu respeito isso. Mas vejo alguns falando que não deveria haver religião nenhuma no mundo. dá preguiça de discutir com pessoas assim. A fé é minha. É um direito meu ter fé.
E isso vale para a "performance". Quebrar imagens que eu considero sacras, entre outros atos, antes de uma crítica à IC, é um desrespeito à minha fé.
É uma intolerância sem tamanho. Não é apenas "uma imagenzinha" sendo quebrada, é um ato de violência gratuito contra tudo o que eu acredito. E eu crer faz parte da minha liberdade como indivíduo. Onde está a coerência disso com o movimento feminista? Nós não lutamos para que as mulheres possam sair na rua com a roupa que desejarem sem que isso signifique aos olhos dos outros um convite? Pois bem, acho que seria legal também que as pessoas possam sair na rua sem que suas crenças sejam vilipendiadas.

Gustavo disse...

Muito obrigado, Lola! Achei que tinha virado um reaça por ter reprovado a atitude do casal. Quebrar os santos nem foi tão tenso, mas tudo que era tolerância e até mesmo higiene se rompeu quando eles enfiaram crucifixos em seus orifícios. Mesmo sendo o cu e a buceta alheia, fazer isso com símbolos que representam a fé de milhões de pessoas (que sim, muitas vezes é bela!) é destilar ódio, é energia negativa demais pra mim. Talvez por eu ter crescido no meio do sertão e ver como a fé é essencial na vida daquelas pessoas sem esperança de melhora de vida.
Estarei na sua mesa redonda na UFPB dia 1, até lá!

Anônimo disse...

Quebra as imagens e não tem coragem de mostrar a cara? Dois idiotas!!!Tinham que ser presos.

Protestar pelado não vai ganhar o respeito de ninguém, só irá fazer com que as pessoas tenham mais desprezo pela causa.

Anônimo disse...

"AI, QUE VÂNDALOS"

Símbolos são símbolos. Assim como um prédio de uma prefeitura pode e deve ser atacado quando esta não representa seu povo, uma cruz também pode e deve ser atacada por quem se sente atacado por ela.

Não entendo esse medo todo. Ok, é sempre bom conquistar pela simpatia, mas o Brasil está tão afundado em religião que não, isso não cola mais.

P.S. Lucas disse...

No texto que escrevi com a minha opinião, eu citei o seu texto. Obrigado, Lola, por todos os esclarecimentos!

{http://www.duasgotas.com.br/2013/08/minha-fe-nao-pode-quebrar-meus-direitos.html}.