segunda-feira, 29 de julho de 2013

A DIMENSÃO DO ESTRAGO

Ontem, quando escrevi sobre a depredação de estátuas religiosas na Marcha das Vadias do Rio, peguei leve, pisei em ovos. Você pode ler o texto, não mudei uma vírgula. 
Eu me coloquei contra o ato, pois o considerei ignorante e desnecessário. Continuo com a mesma opinião. Mas, à medida que o dia foi passando, obtive mais informações. Bom, primeiro teve uns ataquezinhos básicos contra a minha pessoa (pois é, você pode se perguntar: o que eu tenho a ver com isso? É que quando você tem um blog mais lido, tudo que você diz ou não diz pode e será usado contra você). Então desde cedo teve um reaça que escreveu que eu aplaudi o ato. E uma feminista que só fala de BBB me chamando de feminista covarde porque eu não aplaudi o ato. Normal, tô acostumada: haters gonna hate. Sempre
Mas foram chegando outras imagens e detalhes do que foi o ato. Primeiro que foi uma performance de duas pessoas de um grupo que costuma fazer intervenções como essa, o Coletivo Coiote. Segundo que não foi só fazer picadinho de santa que o tal coletivo fez. Teve crucifixo sendo enfiado na vagina e no ânus. Essa imagem que eu ponho ao lado é de uma página que apoia o ato. Mas pode apostar que esta imagem e outras mais gráficas estão circulando entre reaças que neste exato momento denunciam a Marcha das Vadias ao Ministério Público. 
Porque de repente depredar símbolos religiosos pode configurar crime segundo o Código Penal, neste artigo aqui: "Art. 208 - vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa." Eu ser contra ou a favor dessa lei não muda nada (sou contra). 
Não quero que o casal do coletivo seja punido, e muito menos a organização da Marcha, que nem viu a performance e não teve nada a ver com ela. Mas num momento em que todxs nós deveríamos estar comemorando o sucesso que foi a Marcha, aqui estamos nós na defensiva, brigando entre nós, com as organizadoras precisando consultar advogados e sendo ameaçadas de estupro e morte. 
Minha pergunta é: precisava mesmo disso tudo? O que a gente ganha com o ódio de quem viu seus símbolos desrespeitados? O que essa performance acrescentou ao feminismo? À Marcha das Vadias? 
É esquisito porque só de fazer essas perguntas no Twitter já fui bombardeada e chamada de traidora por outras feministas. Eu, que sempre sou a primeira a dizer que abro mão de ser uma feminista educada e limpinha. Eu, que sempre digo que o feminismo vai ofender e escandalizar muita gente sim, e que não devemos deixar de falar e dizer as coisas por conta disso. Eu, que sou ateia, que não tenho o menor apreço pela igreja católica (ou por qualquer religião), que vivo escrevendo sobre como o cristianismo é machista, que sou frequentemente tachada de anti-religiosa. Desta vez eu fui acusada de defender o Papa e o catolicismo. 
Pô, o Papa e o catolicismo têm grana e séculos de tradição e milhões de fiéis e a mídia para defendê-los. Certamente não precisam do apoio de uma feminista ateia. Além do mais, eles não têm o meu apoio. Por mais estúpido que seja o que o Coletivo Coiote tenha feito, nada chega perto de chamar mulheres de bruxas e queimá-las em fogueiras. Ou de condenar à morte, negando-lhes a possibilidade de um aborto seguro, milhares de mulheres. Ou de, no caso de uma menina de 9 anos que foi estuprada e engravidada pelo padrasto, proibir que essa menina, mesmo correndo risco de vida, fizesse o aborto, e excomungar a mãe da menina, as feministas que apoiaram a menina, os médicos que finalmente, correndo contra o tempo, realizaram o aborto -- enfim, a igreja excomungou todo mundo menos o estuprador. Acho meio difícil defender essa igreja. 
Por outro lado, admiro o Católicas pelo Direito de Decidir, por exemplo. Já dividi mesas-redondas com suas representantes e aprendi muito. Minha chance de mudar a igreja é zero. As chances de um grupo dentro da igreja poder mudá-la? Talvez não sejam chances muito maiores que zero também, mas são maiores que as minhas. Fico pensando no que o CPDD -- que eu considero aliadas no feminismo -- sentiu ao ver o que fez o Coletivo Coiote.
Fico pensando também se haveria alguma feminista defendendo e justificando o ato se ele não tivesse vindo de um coletivo desconhecido, mas do Femen, por exemplo. Não, não estou comparando a Marcha das Vadias com o Femen. Estou comparando a performance do Coletivo Coiote com as tantas performances do Femen, que são feitas unicamente para atrair a atenção da mídia. E aí: e se fosse o Femen? Estaríamos dizendo que pior que o ato foi um participante da Jornada Mundial da Juventude que cuspiu numa das manifestantes da Marcha das Vadias? Que tudo bem desrespeitar símbolos religiosos porque a igreja desrespeita mulheres? Que os cristãos "chutam macumba" direto e ninguém faz nada, então também se pode chutar estátuas de Maria? 
Desconfio que não, que se fosse o Femen, nossa reação seria de repúdio. Elas nem são feministas, diríamos! Elas foram pra Marcha pra sabotá-la, só pode. 
Pois é. Não estou dizendo que o pobre casal do Coletivo Coiote, que certamente deve estar sofrendo centenas de ataques e ameaças (e, lembrando, ameaçar alguém é crime), foi pra Marcha sabotá-la. Provavelmente suas intenções foram lindas e nobres. Mas, diante da dimensão do estrago, eu digo que nem que alguém tivesse planejando vilipendiar a Marcha, teria se saído melhor. 
Sério. Caso real: um mascu esteve em Copacabana no sábado pra atrapalhar a Marcha. Foi premeditado -- o sujeito avisou o fórum durante semanas que iria; eu avisei a Marcha pra que ela pensasse sobre como agir (pra não correr o risco de repetir o exagero da excelente Marcha das Vadias de Brasília). O mascu levou um cartaz ridículo, que foi tirado de suas mãos em dois tempos, e voltou pra casa com o rabinho entre as pernas. Se ficou dez minutos na Marcha, foi muito. Ou seja, não fez nem cócegas.
Mas vamos supor que mascus tenham algum neurônio e decidam que, na próxima Marcha (e nem precisa ser no Rio, e nem precisa ser Marcha das Vadias; pode ser qualquer protesto feminista), pra que todo mundo fale mal das feministas, eles, em vez de levarem um cartaz mal-escrito, levem símbolos religiosos. E vamos supor que eles, fingindo fazer uma performance feminista, destruam os tais símbolos, se masturbem com eles, enfiem no c* (mascus fazem qualquer sacrifício pra desmoralizar feministas). E vamos supor que as manifestantes da Marcha, pegas de surpresa, fiquem só olhando, e talvez se deem as mãos e façam uma roda para impedir que os performáticos sejam atacados. E vamos supor que no dia seguinte todo mundo só associe uma bela marcha de mais de três horas de duração com esses dez ou quinze minutos infames. E aí? Diríamos que os mascus foram vitoriosos em arruinar a marcha, ou não?
Ontem a organização da Marcha do Rio deixou um comentário pouco incisivo no Facebook (não o encontrei mais, acho que tiraram, mas os reaças printaram; clique para ampliar). A Folha de SP interpretou a nota como se as organizadoras lamentassem a "quebra de imagens sacras". Não foi bem isso que entendi não. Tinha que ser uma nota bem mais dura, desvinculando a performance da organização. Essa desvinculação é difícil. Se no ano passado a Marcha do Rio teve um minúsculo conflito com uma igreja em Copacabana e ficou marcada por isso, imagine agora. 
Lindo ato na Marcha de São Carlos
Mas é preciso que a organização se posicione melhor, sem ambiguidades. É preciso que a Marcha do Rio (e todas as outras) discutam o que fazer se ocorrer um outro caso desses. Interromper? Expulsar e dizer que a Marcha não compactua com intolerância religiosa? Ou todas as performances (não os gritos de guerra, mas os atos artísticos, teatrais) teriam que passar pelo crivo da organização antes do dia? Eu realmente não sei. Mas pense em quantas performances têm potencial pra dar errado (sei lá, imagine alguém simulando o abatimento de um animal, ou castrando um cara fingindo ser o Feliciano, ou fazendo merchandising de alguma marca). Depois que o ato é realizado durante a Marcha, não é nada fácil explicar que ele não fazia parte da Marcha. 
Eu me solidarizo com a Marcha, com todas elas. Participei da de Fortaleza, da de Recife, e sábado estarei na de João Pessoa. Só posso imaginar como é complicado organizar tudo isso, ter que lidar com mil e um imprevistos, cuidar da segurança dxs participantes, dar declarações pra mídia que não raro são incompreendidas. É impossível ser capaz de controlar tudo num protesto ao ar livre com milhares de pessoas, mas é preciso tomar posições. E rápido.
A linda Amana
No sábado eu vi mais de duas horas da Marcha das Vadias do Rio pela internet, em tempo real, através do Mídia Ninja. E foi tudo lindo. Não vi o Coletivo Coiote. Vi um montão de gente descontraída, cantado gritos de ordem como "Ô Vaticano, vou te dizer, existe amor independente de você" e "Papa, levanta seu vestido, quem sabe aí embaixo está o Amarildo?" Óbvio que tem reaça que se ofende com isso também, com qualquer menção ao Papa, com a própria existência de mulheres (algumas de topless, algumas fora do padrão de beleza) reivindicando direitos. Mas chutar santa é descer ao nível universal do reino de deus de intolerância. É dar combustível pro inimigo. Não ajuda em nada, só atrapalha.
Apesar do meu otimismo incontrolável, eu não tenho muita esperança que o feminismo possa fazer reaças deixarem de ser reaças. Só que tem muita gente que não é reaça, e não é feminista, mas pode se identificar com as nossas lutas, e eventualmente vir a lutar conosco. Eu vejo isso acontecer todos os dias. E são essas pessoas que a gente perde ao depredar símbolos religiosos. Ou ao apoiar quem depreda.
E creio que ainda não chegamos à fase em que podemos descartar aliados. Ou chegamos?

199 comentários:

Rafael disse...

fui chamado de imbecil e reaça por ter escrito, no facebook, que esse ato foi desnecessário e contraprodutivo. vai acontecer com qualquer um que resolver se posicionar dessa maneira, pois, na cabeça de muita gente, se você é contra uma parte, você é contra o todo. (e nem era uma parte da marcha, não é?)

Camila disse...

O posicionamento que voce mostrou ontem, foi bom, exeto pelo Guest Post, que nao sendo uma opiniao sua, mas estando em seu blog, pode confundir os leitores...

Eu entendo que todo ato politico tem que avaliar os seus beneficios, pesar os pros e os contras. Sim, a igreja oprimi feministas a seculos, nos tiram direitos e ainda, obriga mesmo quem nao eh de sua ordem religiosa a seguir certas regras.

Mas o que nos feministas vamos fazer com os fatos historicos, dar o troco? Queimar machistas em praca publica, ser tao intolerantes quanto eles nos foram?

Quebra imagens santas, pra quem eh ateu, eh como quebrar imagens do Mickey. Mas para mulheres catolicas eh mais que isso, e eu desejo que estas mulheres tbm sejam feministas.

Nao vejo como este ato aproxima estas pessoas, porque a luta feminista nao se faz so com mulheres ateis, se estamos crescendo, temos que buscar o apoio em varios setores, inclusive nas igrejas, fazendo-as a questionar seus paradigmas.

Camila disse...

Este texto nao eh meu, mas representa o que eu entendo por este ato:

A luta dos socialistas é contra a Igreja Católica como instituição, contra suas medidas, sua riqueza e ostentação, sua visão de mundo conservadora e reacionária, seu financiamento direto ou indireto por parte do Estado etc. Mas os socialistas não lutam contra a fé das pessoas. A relação com a fé é um problema íntimo de cada um e os socialistas não pretendem interferir nesse âmbito. A destruição de imagens consideradas sagradas por pessoas religiosas é errada por um simples motivo: dividem as pessoas em base às suas crenças, ao invés de uni-las em base à luta contra o capitalismo e seus males.
Quebrar a imagem de uma santa não é radical. A radicalidade de qualquer ação não está na forma. Formas são formas e nada mais. A radicalidade está no conteúdo do que se faz. Fazer um sério e difícil trabalho de unir mulheres católicas, protestantes e ateias contra o bolsa-estupro, por exemplo (e há uma grande base para essa ampla união!) é muito mais radical do que o que foi feito ontem em Copacabana. Deixaria o Papa, Felicianos e Malafaias muito mais preocupados e enfurecidos. Agora, ao contrário, o sentimento religioso ofendido de milhões de pessoas será usado pela Igreja contra uma causa justa, e pela qual é preciso lutar com extrema paciência e ampla união."

cvvnd1979 disse...

Lola, parabéns, você foi direto ao ponto aqui.

Não se trata de defender a igreja, mas sim de não descermos ao nível de intolerância que devemos combater. Se lutamos contra monstros, temos que tomar cuidado pra não nos transformarmos neles; simples assim.

E gostei particularmente de um ponto colocado por você nesse post: Se fosse uma "performance" do FEMEN, todo mundo cairia de pau em cima. FATO, FATÃO, FATAÇO. Como caíram de pau no FEMEN no protesto contra a Marisa, como caíram de pau por conta das manifestações "performáticas" que tem o objetivo claro do choque como fim em si mesmo. E olhem que o FEMEN JAMAIS chegou no extremo desse grupo performático! Mas era o FEMEN, aí então pode meter o pau, porque "elas depõem contra o movimento".

@vbfri disse...

Lola, assino embaixo.
Não é porque a igreja cometeu tantas injustiças no passado que temos o "direito" de cometer injustiças contra ela.
Uma coisa não justifica a outra.
E este Papa ganhou meu respeito por aceitar os homossexuais e "mães solteiras" (essa expressão é horrível, mas ok) na igreja, dizendo que não temos o direito de julgá-los.
A igreja SEMPRE vai ser machista. SEMPRE vai ser homofóbica. SEMPRE vai ser contra métodos contraceptivos. SEMPRE. O que vai mudar é a intensidade disso tudo, mas sempre vai haver.
Não somos obrigadxs a seguir qualquer religião (ainda bem), mas desrespeitar a religião (qualquer que seja, o que quer que tenha feito), não vai ajudar EM NADA a nossa luta.
E é CLARO que qualquer coisa que aconteça de negativo em 5 segundos de Marcha das Vadias ganhará 365 dias de repercussão negativa.
Sei lá, mas acho que se a gente combate violência com violência, ignorância com ignorância, não vamos muito longe... Vamos?
Boa semana!

Thays disse...

De um ponto de vista "estratégico" e instrumental, que visaria a trazer pessoas pro nosso lado, talvez eu concorde que tenha sido desnecessário.

Mas que questões essa performance deve nos colocar? Sobre como ganhar aliadxs ou sobre os princípios do feminismo?

Do ponto de vista dos "princípios", considerando que o feminismo é imanentemente crítico à sociedade em que vivemos, fico feliz que uma instituição que nos oprime tenha sido atacada. Acho certo, acho legítimo. Não acho que se deva defender a liberdade religiosa de um grupo que me impede de não viver conforme uma religião. Eles não respeitam meu direito a não crer, e enquanto não respeitarem, não acho justo que sejam resguardados dos ataques de quem oprimem. O ato de quebrar uma estátua e enfiar um crucifixo no cu nunca vai ser tão violento como a opressão que essa instituição exerce há milênios.

E outra: o ato não pode ser tomado em si mesmo. Depende de quem o faz. Foi realizado por um coletivo feminista, crítico, de esquerda, tem o meu apoio. Foi feito por mascus, não tem meu apoio, porque a "ideologia" masculinista nunca vai ter meu apoio pra nada, me recuso a estar do lado deles, mas ainda assim não vai ser ataque à liberdade religiosa. Foi feito pelo Femen, deve ser questionado. Quem performa um ato atribui, independente de sua vontade, um sentido e um significado diferente à ele.

Yaya K disse...

Concordo com você, Lola.
Embora historicamente a Igreja tenha violado o direito das mulheres (e isso seja indefensável), não acho que quebrar santo e enfiar cruz no rabo seja a melhor forma de ~protestar~.
Se o feminismo luta por um estado LAICO, precisamos lembrar que um estado LAICO é bem diferente de um estado ATEU. Apoiar atos como esses é ir contra essa pauta do feminismo.
Eu conversei com várias pessoas BEM conservadoras e várias delas já tinham manifestado apoio à marcha das vadias, mas estas pessoas ficaram absolutamente horrorizadas com o que aconteceu.
Então, feministas mais radicais que me perdoem, mas não dá para apoiar um ato como esse - mesmo com tudo que a Igreja já fez.

Anônimo disse...

oras dolores, você somente esta diante de um monstro que ajudou a criar.
Problemas para dormir ?

Anônimo disse...

Se não se importar quero copiar meu coment pq com certeza a chuva de comentários intolerantes continuará nesse post.
Nossa Lola dá uma tristeza infinita ler os comentários deste post, acho que esse é o que mais ressaltou a intolerância dxs que se dizem feministas.
Sou feminista sim, mas acho que muitos esquecem da idéia principal do feminismo que é que todos queremos ser tratados IGUALMENTE, ou seja, não importando se sou homem, mulher, católicx, evangélicx, ateu, espirita, whatever...
Mas o que mais vi aqui é a intolerancia, aquela mesma praticada por religiosos fanáticos; a mesma que vi na bancada fundamentalista, que vi dizer atrocidades na câmara; a mesmíssima intolerância que vi no padre que mandou chamar a polícia pra "proteger" a igreja contra as manifestantes que estavam no marco zero; a mesma intolerância que o policial do Canadá disse à vitima de estupro era culpada por se vestir como uma vadia; a mesma intolerância que eu e muitas sofrem todos os dias quando dizem que são feministas e são chamadas de mal comidas, sapatas, desocupadas, vadias e etc...
Essa mesma intolerância, vi surgir aqui dizendo que não posso ter uma religião por ser feminista, pq a religião prega a submissão feminina. Por esse mesmo motivo muitas também não deviam trabalhar, ora! Há empregos em que literalmente pregam a submissão feminina também, as faculdades que fazem vista grossa a trotes missóginos, concursos públicos (principalmente cargos militares) que fazem um tratamento diferenciado entre mulheres e homens.
Acho extrema burrice querer combater a intolerância com mais intolerância ainda, concordo plenamente com a frase: Você atrai o que você transmite, e como queremos atrair a simpatia das pessoas com o movimento se reagimos desta maneira, e pior, excluindo as pessoas que já participam do movimento pq possuem uma crença?!
Está aí a resposta que todas nós buscamos, do pq das pessoas terem tanta resistência em dizer que são feministas; muitxs do movimento são extremistas e denegrindo a imagem do movimento e desfocando a idéia principal de querer direitos iguais para todos.
Me parece a velha frese de Geoge Orwel: "Somos todos iguais, mais uns são mais iguais que os outros"

Patty Kirsche disse...

Eu continuo achando que foi uma performance feita na hora errada para o público errado. A questão é como explicar pra toda essa gente que não sabe nada sobre o assunto que a ação foi de autoria do Coletivo Coiote e não da MdV?

Mas eu admito que esse mimimi católico me irrita um pouco. Fica pra mim esse lance de que a IC é intocável, mesmo artisticamente.

Diego M disse...

E creio que ainda não chegamos à fase em que podemos descartar aliados. Ou chegamos?

Lola, mamãe Dilminha deve estar orgulhosa de você! quanta politicagem! "vale tudo para estar no poder", é essa a cultura política que o PT deixa de herança para o país. lamentável.

Vitória disse...

Lola, ia fazê-lo no outro post, mas já que vc entrou no assunto nessa publicação, vou aproveitar a deixa.

No post passado um monte de gente veio cassar a carteirinha de feminista da autora do guest post pq ela é católica. Tb tentaram cassar a carteirinha de feminista dos "ateus com cabeça de cristão" - foi esse termo que a Julia usou. Não sei se foi especialmente para mim, mas já que me declarei ateísta na página de comentários e mesmo assim rechacei o ato do casal, me vejo no direito de responder.

Primeiro em relação à escolha religiosa da autora: Parece que tem gente que não sabe, mas escolha religiosa diz respeito às liberdades individuais, e questionar alguém por sua religião é um contrassenso, inclusive segundo a ótica feminista. Lutamos tanto para ter nossa liberdade individual respeitada, para poder fazer de nossas vidas o que quisermos, para poder trepar com quem quisermos (ou não trepar), para vestir a roupa que nos agrada (ou não vesti-la e fazer top less), e de repente nós mesmas questionamos alguém pq a pessoa segue tal religião. Eu não conseguiria ser católica e feminista ao mesmo tempo, mas se tem gente que consegue quem sou eu para duvidar dessa pessoa, chama-la de hipócrita e contraditória, como vi algumas pessoas aqui fazendo? E como estamos falando em liberdades individuais, não é muito diferente de apontar o dedo na cara de alguém dizendo que não deveria ter determinado estilo de vida, usar tal peça de roupa ou se relacionar com determinada pessoa.

Em relação a ser uma "ateísta com cabeça de cristã defensora da Igreja": Primeiro que eu não defendo a Igreja, quem me conhece sabe que a questiono de forma incansável. Inclusive não tenho mais vida familiar e perdi uma parte de meus amigos por causa disso, e são poucos que tem coragem de enfrentar a opinião pública. Rechacei sim o ato do casal, primeiro pq é crime perante a Constituição, e segundo pq foi um ato de intolerância religiosa. "Ah, mas estátuas de deuses africanos são quebradas o tempo inteiro e ninguém se importa". EU ME IMPORTO! Da mesma forma que me revoltei com o casal, me revolto sempre que uma notícia de terreiro ou centro espírita depredado chega até mim, e o fato de (infelizmente) esses casos não terem tanta repercussão na mídia não exclui o absurdo que aconteceu na Marcha das Vadias. Um erro não anula o outro.

E antes de alguém querer me questionar, tente conhecer 1/3 da minha vida. A luta pelo feminismo e pela laicidade do Estado é algo que carrego há anos, que respiro em minha vida pessoal e profissional. Por causa disso perdi minha vida familiar, perdi muitos amigos, fiquei conhecida como "a menina chata que persegue o Feliciano", "a feminazi", já quase apanhei de evangélico fundamentalista diversas vezes, já me arrisquei (e continuo me arriscando) por lutar e por VIVER o que eu acredito. E sempre que eu ver algum absurdo como o que o coletivo coiote fez, eu vou sim me revoltar. No caso deles eles estavam de rostos cobertos, mas diversas participantes da Marcha não estavam e já estão sendo questionadas. Aliás, já estão relacionando o ocorrido à todas as feministas, que presentes ou não no ato, estão levando a culpa. O que eles fizeram foi de uma irresponsabilidade tremenda, não só por terem cometido um crime, mas tb por envolverem o nome de um coletivo sério e milhares de pessoas que se declaram feministas.

Graziella Testa disse...

Participo da Marcha desde a primeira que houve em Brasília.

Sou feminista e como tal acho que só quem pode decidir sobre minhas escolhas - o que fazer com meu corpo, quem amar, no que acreditar, a que instituição me associar - sou eu mesma.

A marcha das vadias luta pelo direito da mulher ser o que quiser sem ser culpada ou criminalizada por isso.

Ao longo do globo vemos grupos de cristão se assumindo enquanto tal adeptos a causas LGBTTT e feministas.

Sabe o que é triste? Quando vejo você perguntar, Lola, "Ou chegamos?", não me sinto mais contemplada nesse "nós".

Não estou dentro desse "nós" que insiste em perpetuar o modelo invertendo-o. A marcha das vadias não terá mais minha presença.

Rê_Ayla disse...

Essa performance, em si, não é um problema. Os motivos da existência da Marcha das Vadias são vários, lógicos, legítimos, urgentes. A questão não é essa. O problema é que, para quem é leigo, fica apenas a imagem de duas pessoas quebrando santos e enfiando crucifixos no cu. O problema é que esse tipo de ato acaba afastando religiosos menos conservadores, que poderiam ouvir as demandas caso não fossem ofendidos em sua crença. Não chego ao ponto de dizer que a tal performance foi um desserviço ao feminismo, afinal, independente do que se faça em Marchas das Vadias, o senso comum sempre acaba achando um bode expiatório para deslegitimar o movimento. Mesmo que a organização da Marcha do Rio de Janeiro se posicionasse com mais ênfase contra essa performance, ainda assim o ato seria ligado à Marcha para deslegitimá-la.

Sinceramente, não sei até que ponto é válido fazer esse tipo de ato. Duas pessoas resolvem depredar símbolos religiosos e agora todo um movimento é acusado de desrespeito a uma religião. Um ato isolado deslegitima todo um movimento que luta pelos direitos das mulheres? Por quê? Só hoje já vi a Marcha ser chamada de Marcha das Vazias, Marcha da Vergonha Alheia e outras denominações fofas.

Eu, pessoalmente, acho perigoso defender o olho por olho, dente por dente. Agressão ser defendida com agressão não significa barbárie? Argumentar que anteriormente foi agredido não significa um desejo ditatorial de gente que imporia seus próprios dogmas, caso tivesse o poder em mãos? Não acho que pagar na mesma moeda, com mensagens de intolerância e desrespeito, ajudem muito. Ao mesmo tempo, não sei o que ajudaria.

Meu texto de ontem sobre o ocorrido e no qual linkei esse seu texto:
http://dozeeum.blogspot.com.br/2013/07/entre-cruz-e.html

Anônimo disse...

Lutam contra a cultura do estupro, mas encenam estupro com a imagem de uma santa (e poderia ser QUALQUER outro santo, mas escolhem justamente a MULHER mais representativa do catolicismo). E depois ser mulher e religiosa é que é "sem sentido"...

E argumentam que "é só gesso": mesmo argumento de quem diz "foi só uma piada!"

De quebra, desrespeitaram outros credos (afinal, qualquer imbecil sabe que os umbandistas também respeitam Maria - existe uma ligação entre os santos e orixás).

E o pior de tudo isso é que tem gente que achou tudo isso, tipo assim, superlegal.

Feminismo: tô fora. Definitivamente.

Roseane Viana disse...

Excelente Lola!

Nati disse...

Lola querida,

Sou religiosa (não sou católica, mas religiosa, sou devota de Nossa Senhora, rezo em casa, tenho altar, faço novenas etc., tudo por minha conta), sou absolutamente feminista, defendo até o último segundo o direito de escolha das mulheres em relação ao aborto por ex, desejo profundamente que todos os grupos historicamente perseguidos tenham os mesmos direitos da população privilegiada! Tb sou formada em Teatro e trabalhei uma época com performances, ou seja, me sinto triplamente envolvida nesse assunto, como feminista, religiosa e performer..., parece muito contraditório? Pois é, mas é assim mesmo, nem tudo é simples, quase nada é simples, somos altamente complexos e dentro de todos nós cabe o mundo inteiro.
Claro que certas ideias, acredito, são irreconciliáveis e não podem caminhar juntas, mas outras, nem tanto, podem ser conciliáveis sim, se vc sentir que pode conciliar, com algo de inteligência, reflexão e seriedade.
Concordo com vc em cada vírgula!
A marcha das Vadias é um evento lindo. Ponto. A vinda do Papa traz junto uma onda conservadora muito poderosa. Com certeza.
Entendo a Marcha defender a liberdade de manifestação, de performar, a necessidade de garantir a segurança das pessoas e a liberdade artística, tudo bem, mas o estrago e a confusão de informação que isso causa é enoooorme, e como vc disse, não estamos mesmo na posição de dispensar aliados, de jeito nenhum!!
E apesar de achar que a dupla de performers pode sim atuar da maneira como achar que deve atuar, não posso deixar de pensar que a marcha não tem absolutamente nada a ganhar com essa atuação, só mesmo confusão, mal entendidos, fúria e rechaço de futuros possíveis aliados que poderiam sim, se aproximar das ideias feministas...
É uma questão de estratégia, de inteligência estratégica mesmo, de que serve essa confusão toda?
Uma injustiça vc ser acusada de covarde ou reacionária diante desse acontecimento, uma injustiça, porque na verdade vc só está tentando expandir a reflexão e o pensamento, tentando abarcar outros ramos possíveis de entendimento, tentando realmente pensar com mais amplitude, tentando refletir todos os aspectos envolvidos nisso.
E são muitos.
E são urgentes.
Porque imprevistos, situações não programadas, vão se repetir todos os anos, claro.
Não tem solução fácil, tem? Difícil é descolar o pensamento e entender que tudo que aconteça dentro da marcha, terá repercussões sérias que podem ajudar ou atrapalhar, que podem causar danos ou tecer redes de apoio.
Queremos causar abismos no entendimento ou tecer redes de solidariedade e de pensamento?
Essa deveria ser a pergunta. Talvez.




Anônimo disse...

Texto perfeito Lola! O tal coletivo é livre para se manifestar, mas não para representar todo o feminismo.A Marcha das Vadias é legítima e não deve ser julgada por atos isolados e que nem foram planejados pela organização.

Palavras Vagabundas disse...

Infelizmente uma imagem vale mais que mil palavras!

Anônimo disse...

sei lá, pra mim pessoas nuas enfiando objetos que são símbolos religiosos em seus orifícios não deveria causar problemas. Nós não saímos da idade média, os seres humanos são uma vergonha. Enfim, azar de que vai passar a vida se reprimindo e sendo arrogante por achar que é superior a quem é diferente. Azar das mulheres católicas que não conseguirão, em sua grande maioria, fazer um sexo gostoso na vida porque vão sentir muita culpa. É isso, todo mundo deveria enfiar uma cruz no cu uma vez na vida p/ saber com se sente. Pode ser que seja extremamente libertador, vai saber.

Anônimo disse...

Acho que o problema foi na escolha das santas para fazer a performance. Sei lá, fiquei pensando no que uma pessoa comentou ontem, sobre queimar a bandeira do arco-íris numa marcha da família, e se tivessem escolhido o chico xavier pra criticar o espiritismo, p/ ex. O que mais tem é símbolo cristão/católico, e acho que a ira maior foi justamente pela escolha das santas, únicas mulheres "respeitáveis" para a IC. Mas esse respeito todo com o catolicismo também passa dos limites. E ele está tão entranhado que mesmo eu, ateia, antes espírita, parei pra pensar nessa questão das santas.

Anônimo disse...

quase vomitei vendo a foto do cara com a cruz na bunda,ridiculo é pouco,isso resolve o q????

Anônimo disse...

Eu tive o perfil clonado por um grupo de homossexuais misóginos chamados ''sanctos'' e propagam fotos de meninos entre 5 e 8 anos sendo abusados por pedófilos.

Já denunciei pra PF e Safernet mas como nada funciona nessa imutação de país, estamos à mercê do protagonista do BBB para legislar leis que envergonhariam até os sodomitas.

Valéria Fernandes disse...

Post muito pertinent, Lola, ainda que, na minha opinião, você já tivesse marcado bem sua posição ontem. Fecho em quase tudo com você.

Mena disse...

O comentário da cvvnd1979 lembrou-me de uma citação de Nietzsche: "Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."

Julia disse...

Essas pessoas que dizem que essa performance estragou/manchou/acabou com o feminismo e que as manifestantes sujam a imagem de todas as mulheres do mundo (das que ainda não nasceram as que já morreram) nunca serão nossxs aliadxs.

Como alguém falou no outro post, não serei eu, feminista e agnóstica, quem irá condenar as pessoas que fizeram essa performance. Já tem bastante gente pra fazer isso.


Cláudia Dans disse...

Lola,
texto perfeito! E concordo plenamente com você: se lutamos por direitos iguais e por respeito, é essencial respeitar o outro, ainda que ele pense diferente. O ato do Coletivo coiote foi desnecessário. Como disse a Patty, o ato foi feito na hora errada para o público errado!

Rebecca souza disse...

BOa tarde,lola
SE aqui fosse o face eu ia curtir este teu texto um milhão de vzs,como não é já postei lá no meu :),sem tirar nem por,vc falou tudo que eu pensei,só acabou causando um desserviço ao feminismo, para não se alongar muito deixo aqui um pensamento super atual neste momento: : “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.(Nietzsche)

ufa disse...

"papa diz que ser homossexual não é pecado só não pode ser homossexual"

Cuidado com o Papa, ele é dissimulado.

Eve_ke disse...

Thays, concordo com muito do que dissestes.
Estava simpática à ação das estátuas, pq acho que até Jesus em uma passagem critica a adoração de imagens, tornando a igreja católica anti-cristã.
Quando vi a foto do crucifixo fiquei extremamente chocada. Pensei "ah não, mas ai já é demais". Me afastei do texto, fui tomar um ar. Fiquei pensando, pq já é demais? É algo que eu não faria, mas e daí? Eles obrigaram alguém a fazer isso? Obrigaram a ver a fotografar? Eles oprimiram alguma pessoa?
Se alguém considera itens materiais sagrados, que repense. Que sejam católicos, mas questionem a adoração material que Cristo desaconselha.
Isso tudo me lembra a história dos manequins da Toulon. Pessoas se preocupam e se chocam mais com imagens de gesso do que com mulheres assassinadas e estupradas, acordem! Foi o recado. O que precisam para acordarem? Algo que choque? Então toma.

E sobre trazer adeptos... bem, nesse ponto tenho uma outra opinião. Primeiro de que não deveria ser uma preocupação. Se não acaba se tornando politicagem e não política. Temos que nos preocupar em agradar a todos? Isso não afastaria outrxs adeptxs, que se identificam com um movimento libertário?

Conspirar que poderia haver infiltrados para desacreditar o movimento. Não sei, me parece ser muito diferente desse caso em específico!

Bom, é isso, me choquei bastante. Mas, não considerei ofensivo ou desrespeitoso. Achei libertador. São imagens, são gesso, se alguém depende disto para ter valores espirituais atenção, está indo pro caminho errado.
Casas são destruídas, casas que as pessoas precisam para não morrerem de frio, e ninguém parece se chocar tanto!

Pili disse...

Ok, sobre estratégias:

Além do escracho, que é meramente sonoro e visual sem nunca tocar em quem está sendo afastado da marcha... O que que vcs sugerem????????

Pq o bla bla bla mais comum que estou ouvindo por aí é que os proprios manifestantes devem coibir comportamentos agressivos nas manifestações, mas, escuta.... Desde quando isso é obrigação de manifestante?

Isso é obrigação de polícia, que tem os meios pra fazer isso sem se arriscar pessoalmente e sem alastrar a violencia pra uma pancadaria generalizada. (policia dos meus sonhos, né. Rsssss. Bom, é essa a teoria)

Naquele momento que estamos discutindo a policia sequer estava presente, só apareceu depois.
E é a polícia a primeira a vir com esse discurso, que manifestantes é que devem conter "vandalos".

Cara, se a polícia joga pra gente a obrigação de fazer nossa propria segurança, se a policia nem aparece num evento que já estava avisado, se a policia nos deixa entregues à propria sorte pra lidar com os agressores que eles não prendem, se a propria policia nos atropela e nos assedia quando aparece.... Então o que a gente precisa é exigir a mudança dessa polícia que aí está.

Mais uma vez a gente cai na DESMILITARIZAÇÃO da PM, isso é urgente!

Anônimo disse...

Mas, Thays, isso não é ter dois pesos e duas medidas?

Roxy Carmichael disse...

pô eu não caio no continho falido desse papa não. faço uma analogia do papa chico com o obama. enquanto era o bush, o mundo inteiro se insurgiu contra o imperialismo yankee, era impossível se identificar com um caipira texano ignorante, e pior, perigoso. mas agora é muito fácil se identificar com um negro de origem multicultural, lindo, fã de boa musica, charmoso, com uma família maneira. acontece que esse preto lindo tá fazendo o mesmo que o branco caipira, na minha opinião tá fazendo pior, então assim, conveniente né, ter um preto inteligente e sedutor no poder???pra quem???chico segue a mesma lógica, vem com um discursinho de pobreza... sei... vaticano pobre...traz essa cartilha NEFASTA, é eleito papa num momento em que uma das regiões mais católicas do mundo perde fiéis (região de onde ele é proveniente, assim, casualmente), e justamente quando o país de origem dele aprova a lei do matrimônio igualitário...pura coincidência! acho incrível esse tipo de performance? claro que não, mas tb me dá certa preguiça essa discussão toda sobre esse tema, acho exagerada essa repercussão. sou a favor da tolerância? certamente... vivemos numa sociedade tolerante? DEFINITIVAMENTE não. que o digam os pretos jovens que morrem em proporção muito maior que os brancos, que o digam as mulheres igualmente pretas que morrem em proporção muito maior que as brancas em abortos clandestinos.

Natascha disse...

Lolita, estava esperando por sua voz. Concordo totalmente com você, o ato não acrescenta em nada no nosso movimento e ainda, a meu ver, oprime o opressor (é possível!). Dificulta ainda mais um diálogo que já é praticamente impossível. E ao usar de tamanha violência (sim, violência), atrai ainda mais ódio sobre nós. Uma pena.

Elaine Pinto disse...

E se em vez de Maria, fosse uma estátua de Iemanjá? Houve um desrespeito à religião alheia, não há como negar. Desceu ao nível da IURD.

Também esperava um posicionamento mais incisivo por parte da organização do evento.

Junior disse...

http://incandescencia.org/2013/07/28/quebrar-santos-liberdade-religiosa-e-outros-elefantes-brancos/

Recomendo a Leitura desse texto.. o oprimido não pode ficar ao lado do opressor.."Não é no mínimo curioso que liberdade religiosa seja, ao mesmo tempo, a liberdade de oprimir e a liberdade de calar quem está sofrendo a opressão?"

André disse...

Até acho que foi uma ofensa desnecessária, mas não dá para comparar um ato que fere o bom gosto com a atuação de uma instituição que promove sofrimentos físicos reais.

Janaina disse...

Eve_ke

Discordo de vc, pois não acho que a "ação" tenha sido 'libertadora'. Por mais que o Coletivo tenha destruido imagens, aquilo são simbolos de fé para muitos (antes de qqer coisa, sou ateia), e soa sim como ofensa e desrespeito. Não acho que se trate de atacar a 'idolatria de imagens', mas sim de pisar em algo que é caro ao outro. Como ateia, ativista e feminista, acredito que elxs não produziram nenhuma reflexão,e sequer tentaram,pois não houve nenhum discurso, nenhuma tentativa de fazer pensar, apenas a destruição e"ofensas"por si só. Posso estar enganada, mas a meu ver um movimento/ação libertario é aquele que faz com o que o outro repense suas ideias e passe a ter um novo olhar de mundo, coisa que não foi apresentada pelo Coletivo. Quebrar cruzes, imagens e se masturbar com um crucifixo é chocante e chama atenção, mas simplesmente não acrescenta nada, pelo contrario, repele. Ou será que alguns grupos sérios dentro da Igreja como o "católicas pelo direito de decidir" vai reagir bem a tal ato? Não é uma questão de "atrair gente" ou de "agradar todo mundo", mas de demonstrar respeito e educação, coisas que nunca são demais. Se combatemos aqueles que tentam nos ofender, vamos agir da mesma forma? Enfim, é só minha opinião.

Joana disse...

Fiquei arrasada... Manchou uma marcha tão bonita e importante, aqui no trabalho só falaram do ato que aconteceu, ninguém quer nem saber o que representa a marcha agora...

Anônimo disse...

Patty, não acho que é mimimi católico. No outro post várias pessoas comentaram "sou de tal religião e se fizessem isso com minha Deusa/Oxum/entidade tal, eu me sentiria ofendido". Pode-se questionar aí se a repercussão teria sido a mesma... Sem falar que o crucifixo e Maria não são símbolos somente da Igreja Católica, então acabou que o coletivo ofendeu a fé das pessoas e não somente a instituição, a coisa já começou errada na sua concepção.

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Pra alguns, a santa pode ser só um pedaço de gesso, da mesma forma que a bandeira gay pode ser só um pedaço de pano, acho até desnecessário discutirmos a importância dos símbolos.

Claro que a atitude do coletivo não representa a Marcha como um todo, tampouco o feminismo, mas é fato consumado, está aí um prato cheio pros reaças de plantão. Concordo quando a Lola diz que as manifestações e atos tem que ser pensados, avaliados...De que forma? Fica aí algo a se pensar.

Concordo quando dizem que, enquanto performance artística (embora eu relute em chamar essa manifestação de arte), escolheram o local e a hora completamente errados. Uma marcha é uma oportunidade de dialogar com outros grupos e, naquele momento em específico, com os cristãos, perdeu-se uma oportunidade de trazer mais gente pra luta. Os movimentos não podem falar "pra dentro" o tempo inteiro.


E eu não sei vocês, mas eu quero cristãs, espíritas, ateias...Todas no feminismo! Vamos parar de querer confiscar as "carteirinhas" alheias.
Gabriela

Anônimo disse...

Elaine Pinto

eu te devolvo a pergunta: se fosse a estátua de Iemanjá (jamais seria, pq estamos falando diretamente com a INSTITUIÇÃO OPRESSORA, que o povo santo não é e não faz parte), a comoção seria tão grande?

porque, meu bem, não costuma ser.

então vamos parar de criar falsa simetria?

fernando hist disse...

A Julia e a Eve me representam. Eu fico realmente pensando se essas pessoas que se afastam do feminismo por causa desse ato não são pessoas que nem valem a pena tentar conquistar. Em um país com tanta interferência da Igreja Católica nos nossos direitos por que um ato pra questionar isso é tão errado!?
Lola, teus pontos me fizeram fazer uma autocrítica, mas eu fiquei pensando: esperar a aprovação de gente conservadora ou tentar cativá-los pro nosso lado não ofendendo seus dogmas. Não é parecido com os concern trolls que ficam dizendo "Você pode levar cartazes, mas não é correto ficar nua ou ter beijaço de casais do mesmo sexo. Não faça isso, por que eu só quero o seu bem." Isso lembra um pouco a retórica despolitizante da mídia que incentivava as pessoas a irem de camisa branca de reveillon, a não se "misturarem" com partidos. Aqui em Belém deram o exemplo da manifestação "pacífica", "ordeira" e inútil. Até aplaudiram a PM! A mesma PM que mais tarde matou a gari Cleonice Vieira.

Elaine Pinto disse...

"eu te devolvo a pergunta: se fosse a estátua de Iemanjá (jamais seria, pq estamos falando diretamente com a INSTITUIÇÃO OPRESSORA, que o povo santo não é e não faz parte), a comoção seria tão grande?"

Não, não seria. Mas não deixaria de ser desrespeitoso, foi o que frisei.

Roxy Carmichael disse...

esse papinho de tolerância e respeito à religião é muito bonitinho, mas assim, tem um assunto MUITO mais sério que deveria ser o CENTRO das nossas atenções nesse momento (sem querer pautar mas ja pautando...)

http://oglobo.globo.com/pais/dilma-enfrenta-lobby-religioso-para-vetar-projeto-que-da-assistencia-vitimas-de-estupro-9118345#ixzz2Zpokzm00

TOTAL FALSA SIMETRIA QUERER COMPARAR A RELIGIÃO CATÓLICA COM AS DE MATRIZES AFRICANAS. na minha cidade todos os anos esculturas e monumentos de orixás são vandalizados e nobody gives a shit. então assim, que tal focar no mundo real, onde existem sim hierarquias, onde existem assimetrias, desigualdades e porque não, resistências? qualquer discussão que não levar isso em conta não terá a minha adesão.

Ana Claudia disse...

Olha Lola, achei perfeito o seu texto! Eu não participei de nenhuma marcha da vadia ainda, principalmente por não estar no Brasil no momento, mas o que eu vinha sentindo da mídia em relação às últimas marchas era um posicionamento melhor (não sei se é impressão minha) explicando a origem do movimento e ressaltando a luta contra a questão do estupro. Acho que muito de carona na sequencia de estupros que vinha sendo noticiada (como se isso nunca houvesse acontecido antes). Agora, o que vejo foi que esse ato, no meio de toda a comoção jornalística causada pela visita do Papa, com pessoas que nem são católicas se empolgando para acompanhar os peregrinos, foi a coisa mais desastrosa que poderia ter acontecido.

Roxy Carmichael disse...

e não me venham com esse papo aranha que a igreja defende os direitos das mulheres pq tem certas organizações que abrigam mulheres vítimas de violência doméstica. como eu tô cheia das comparações hj,é a mesma coisa que dizer que bill gates defende o interesse dos pobres. ou seja os mega empresários racham de ganhar dinheiro se beneficiando de um sistema político e econômico que tem a desigualdade em sua estrutura, aí fazem uma fundação onde "doam" um dinheiro e voilá: são santos em defesa dos pobres. defender o direito de mulheres pobres ou gays não é dizer: acho ok putas, ops mãe solteira, e não tenho nada contra bichas, ops, gays. também não é se hospedar em hotel barato e dizer que tá fazendo voto de pobreza. defender direitos significa não só para de obstaculizar como lutar pela institucionalização dos direitos reprodutivos e pela educação sexual, porque são as camadas mais pobres da sociedade as mais afetadas com essa política OBSCURANTISTA da igreja católica.

Elaine Pinto disse...

"TOTAL FALSA SIMETRIA QUERER COMPARAR A RELIGIÃO CATÓLICA COM AS DE MATRIZES AFRICANAS."

Desculpe, realmente não entendo essa grita de "falsa simetria". Estou falando de respeito à religião alheia, e pra mim, isso é simétrico. Não existe menos ou mais respeito, existe respeito, ou a falta dele.

Eu me importo com as imagens de religiões afro-brasileiras que são quebradas, com as oferendas que são desfeitas por gente ignorante. É um absurdo. Se eu condeno isso, acho muito lógico não bater palmas para gente que quebra imagens de santo.

Kika disse...

Lola, em um primeiro momento a minha reação foi aplaudir essa performance. Mas ao longo do dia, me veio um mal estar, e depois de ler os seus textos, eu fui entender melhor porquê. Eu acho que o cerne da questão toda é que esse é um tipo de feminismo que falha demais. A Marcha em si já é estigmatizada pela sociedade, a mídia se encarrega de transformar a coisa toda num espetáculo, nos colocando como vilãs. E eu acho que é importante sim ganhar adeptas. E esse tipo de atitude realmente não ajuda em nada o movimento. Deveríamos pagar as ofensas e os milênios de opressão com algo chocante, ou seria mais efetivo tentar dialogar sem logo de cara ferir a fé das pessoas? Eu falo porque, mesmo não sendo atéia, eu já fui religiosa, sabe? E essa história toda de enfiar a cruz no cu me entristeceu.

Eu sei que não podemos medir o estado psicológico de todas as pessoas que integram um movimento. Sempre há alguma coisa que não vai funcionar tanto assim. Ao olhar pra esse casal eu não pude deixar de me sentir mal por eles. Porque imagina o grito que estava guardado, imagina o rancor, imagina o dano emocional e psicológico que a igreja causou neles? Sim, porque a encenação militante tem um fator pessoal muito forte envolvido. Portanto, não dá pra falar que são "só" atores. São atores muito machucados com toda uma situação. Mas, assim, não dá pra simplesmente continuar aplaudindo e dizendo "rum, tantos anos de opressão, tanto tempo que a igreja está a quebrar as pessoas e ninguém fala nada", porque essa é uma questão que precisa de reflexão sim.

Da mesma forma que os reacionários adoram colocar vídeos da marcha lgbt em que as pessoas pretensamente se excedem (drogas, álcool, sexo sem camisinha e toda a cartilha que os cidadãos "de bem" já conhecem, esse tipo de performance vai acabar servindo de combustível para que eles ganhem mais adeptas. Isso acaba isolando a gente em torres de marfim. E seria isso o ideal? Vejo mulheres dizendo que perderam as esperanças na humanidade depois disso. E são mulheres que estavam se aproximando do feminismo, sabe? Quantas dessas mulheres não estão vivendo situações de abuso dentro de casa, mas se apegam ao feminismo, e à fé, para continuarem a lutar? E se o feminismo falha, elas se voltam rapidamente para o patriarcado. Pq as pessoas sentem medo, e é aterrorizante pensar que aqueles que supostamente lhe ofereceriam um consolo estão, literalmente, enfiando sua fé no cu. Muito triste com tudo isso. Muito mesmo.

Luiza Original disse...

Sabe o que me vem a cabeça quando eu leio "o problema é que esses atos afastam possíveis católicos mais abertos ao feminismo e aos direitos dos homossexuais"?

O opressor, numa bancada, olhando para baixo, para os oprimidos, tentando ser convencido a ouvir as queixas e demandas da "ralé". Dependendo, dependeeeeeendo do que disserem, pode ser que ele jogue um pedacinho de pão para matar a fome. Talvez. Se os oprimidos forem bonzinhos.

Karla disse...

Mantenho meu ponto de vista: manifestação é pra incomodar, agredir o status quo. Não é a hora de angariar aliados, senão a gente cai naquele papo de: "poxa, tudo bem fazer manifestação, mas precisa parar o trânsito?"

A hora de angariar aliados é outra. É fazer trabalho de base, conversar, dialogar.

qualquer militância tem que incomodar, senão tá fazendo algo errado.

Julia disse...

Isso mesmo, Roxy. Tanto alarde por causa desses dois que enfiaram a cabeça da imagem e cruz no cu enquanto isso, religiosos tentam impedir que a Presidenta aprove um projeto de assistência a mulheres estupradas.

Existe gente nesse mundo que é capaz de pressionar a presidenta de um país para não aprovar um projeto de assistência para mulheres que engravidaram de um estupro.

É esse o mundo em que vc vive.
É esse o país em que vc vive.
Essa é a religião que vc segue.


ENTÃO PAREM DE FRESCURA.


Vamos falar de coisa mais importante. A iogurteira TopTherm, vale ou não vale a pena comprar uma?

Anônimo disse...

Eu estou impressionada sim com 3 milhões e meio de pessoas na rua aplaudindo tudo o que foi dito por Francisco. A lavagem cerebral está feita. Companheiras a luta não é fácil. Penso como a Lola, que é necessário organização diante de tais manifestações. Os trolls estão por aí prontos para nos surpreenderem e aguardam qualquer vacilo. Reuniões para avaliar os fatos e pautas de organização.

Anônimo disse...

Vejo duas coisas:
sobre o ato em si (quebrar santa, enfiar crucifixo no c*, etc) eu acho até divertido, e válido, afinal porque temos que respeitar a IC (como já frisaram, se fosse iemanjá não teria repercussão). Nós temos a tendência de ficar cheio de dedos com a IC, e acho ótimo quando alguém subverte isso.

Porém incluir esse protesto num movimento cuja base não é necessariamente, ou principalmente, a briga com a IC acho, como a Lola, que não leva a nada, talvez seja prejudicial ao movimento, porque afasta possíveis adeptos (e para muitas bandeiras feministas não há a menor contradição em ser religioso). E dizer que a IC mata muitas mulheres porque não permite o aborto é muita bobagem. Os religiosos tem todo direito às suas posições, mas quem proíbe o aborto é o Congresso Nacional, não é o Papa (outros países católicos permitem o aborto).

wagner

Anônimo disse...

Eu não acho que o que esta dupla fez na manifestação foi correto, pelo simples fato de ser crime. Mas, também ficar com medo de se expressar por causa de gente indecisa (pessoas religiosas que são progressistas) é bobagem. Quem é inteligente compreende o simbolismo de se quebrar uma imagem religiosa.

Cereja disse...

Eu tenho sentimentos bem ambíguos em relação ao que aconteceu na Marcha.
Não achei legal, não achei bonito, não achei revolucionário. Também acho que não ajudou nada o movimento - mas também não vou dizer que manchou o movimento.

Mas também acho que não foi tão ofensivo. Sou suspeita pra falar, pois não sou cristã. Aliás, eu odeio o cristianismo. Eu sempre respeitei os meus amigos cristãos (tanto católicos como evangélicos) e infelizmente nem sempre eu recebo a mesma cortesia.

Enquanto a igreja está tentando interferir nos nossos direitos, devemos nos manifestar e fazê-lo de uma forma que chame atenção, mas não acho que esse casal chamou atenção da maneira certa.
Da mesma forma como a JMJ foi extremamente infeliz distribuindo fetos de plástico pra condenar o aborto.
Eu acredito que deve haver maneiras mais efetivas e menos ofensivas de chamar atenção para o problema da interferência da igreja nas nossas liberdades individuais. Quer dizer, a realidade já é chocante. Basta ver o número de mulheres que morrem por causa de aborto clandestino.

Até que ponto destruir imagens sacras é legítimo?
Argumentar que os católicos também destroem símbolos de religiões africanas e afins não adianta, porque o povo não ta nem aí pra isso. O país é majoritariamente cristão, então só o que for feito contra os cristãos vai gerar repercussão.

Acho que falei um monte e não disse nada.

Anônimo disse...

julia, vc apoia uma encenação de estupro e ainda se diz feminista?

prq o q eles fizeram ali foi encenar um estupro. com maria. uma das poucas personagens femininas do catolicismo, e escolheram justo uma MULHER para difamar, desrespeitar.

quando vi a imagem de maria sendo destruída, agredida, pensei em todas as mães de familia, que sofrem opressao da sociedade e encontram como unico consolo a imagem dessa santa.

"é só um pedaço de gesso". vcs precisam de umas boas aulas de simbolica/semiotica, viu?

Anônimo disse...

Estou tendo grande dificuldade em entender o "humanismo" que deveria existir por tras do feminismo.

Simplesmente não entendo como a intolerancia religiosa ou até o militantismo agressivo possa reverter ou modificar o que a Igreja fez(ou não). Me sinto extremamentel mal à vontade quando vejo isto acontecendo. Agora, o que pode ser notado é o fato que aquilo foi extremamente chocante, mas mesmo assim, não houve agressão, nem escracho. O "ato" foi executado até o fim.

O militantismo tem que existir, sim. A pluralidade de pensamento deve existir, sim. Porem o feminismo deve fazer um mea culpa, pois lei é lei. Até mesmo o militantismo não pode escapar da punição.

A situação é tão delicada que a Lola é obrigada a fazer um post para apaziguar as suas proprias fãs. Por isto que a maneira mais facil de terem protestado contra a religião, seria ingnorar os acontecimentos ou debater.

Por enquanto, não estou nem um pouco convencido dos ideais feministas...

Anônimo disse...

Eu acho que o discurso vai além do "a gente não pode combater ódio com ódio".

Sim, a gente deve quebrar tabus, e a gente deve ir contra as instituições repressivas. Tudo bem. Revolta é natural.

Mas toda performance implica em PASSAR UMA MENSAGEM. Quem viu essa performance, aprendeu o quê? Achou o quê? Foi um desconforto que ensinou, ou simplesmente não ensinou nada?
Acho que esse pessoal vanguardista esquece de um ponto muito básico - os movimentos sociais não dialogam só com a torre de marfim da academia e das artes.
Excluir os demais fazendo uma performance pra eles incompreensível é contraproducente.

Não é uma questão de ser bonzinho, e sim de se fazer entender. Não devia ser problema enfiar crucifixo no cu, eu sei, esses tabus deveriam terminar, etc, etc, etc, a revolta é compreensível, etc... Mas... O que isso ensinou? O que as pessoas entenderam? Que mensagem chegou?
Tá na hora de abandonar as vaidades e dialogar.

Kika disse...

"quando vi a imagem de maria sendo destruída, agredida, pensei em todas as mães de familia, que sofrem opressao da sociedade e encontram como unico consolo a imagem dessa santa."

Faço coro. Inicialmente eu não sabia que era a imagem de Maria. O que agrava ainda mais, na minha opinião. Foi um ato de violência simbólica. Quando os dois lados agem com violência, quem perde são aquelas mulheres que estão mais vulneráveis. É um tapa na cara ter que ouvir de familiares machistas: "Tá vendo o que esse feminismo que vc tanto defende faz? Se são tããão pacíficas, pq agredir?"

E adianta retrucar que a igreja tem feito coisa muito pior com pessoas que ainda se encontram aquém do limiar de uma consciência política? E o diálogo acontece a todo momento. No dia-a-dia e na marcha das vadias sim, não temos tanto tempo assim a perder.

Anônimo disse...

"É só um pedaço de gesso" é o novo "é só uma piada".

Arrasou, Lola!

Luiz disse...

Bom, gostaria de tecer alguns comentários sobre esse tema. Primeiro gostaria de falar sobre manifestações. Participei de uma única manifestação em minha vida. Foi em Berlin e me parece que o ano era 2007. Pela primeira vez desde 1945 grupos neonazistas iriam fazer um ato público em Berlin, uma passeata. Isso nunca tinha acontecido depois da queda de Hitler. Berlin é uma das cidades alemãs mais refratárias ao Nazismo, ao contrário de outras como Dresden, portanto a marcha sobre Berlin era carregada de um simbolismo muito grande. Eu fui ao ato anti-nazismo basicamente por ser bisneto de uma sobrevivente do holocausto. O nazismo para alguns é história, para uma parcela significativa da minha família é memória. A grande questão para minha avó era o fato dela sempre se perguntar porque ela não morreu. Como ela se salvou.

Bom, como soubemos da manifestação? Porque os neonazistas pediram autorização a prefeitura de Berlin para fazer o ato. Não se faz em Berlin atos públicos sem autorização e sem planejamento do ato. Essa coisa de ocupar as ruas e fechar a Paulista como se ela fosse a sua casa é coisa de Banânia. Em Berlin isso dá cadeia. Você tem todo o direito do mundo de protestar mas nada de tentar fechar a estação de Trens da Potsdamer como fizeram esses dias em SP na estação MASP-Triaton em um protesto contra, pasmen..... o Sergio Cabral! Bom mas assim que a comunidade judaica soube do ato, pediu a polícia de Berlin autorização para fazer a contra resposta. Logicamente a autorização para o ato saiu 4 dias depois da fatídica marcha dos neonazistas.

Mas no dia da marcha dos neonazistas fui lá ver o ato em frente ao Portão de Brandenburgo. Não vi nenhum ato de hostilidade aos neonazistas apesar de ver muita vergonha e espanto na face dos berlinenses. Não houve agressividade de ninguém, nem dos trogloditas que marchavam. Os berlinenses sabiam que aquele era o dia de os neonazista exporem as suas idéias, mesmo que estúpidas mas respeitavam civilizadamente aquele direito. Foi a maior demonstração do que é liberdade de expressão que eu experimentei até hoje. Quatro dias após a marcha dos neonazistas saímos nós, os judeus e os discordantes dos nazistas refazendo o mesmo trajeto que os nazistas fizeram 4 dias antes. Eram quase 500 mil pessoas nas ruas de Berlin caminhando no trajeto previamente combinado com a polícia e sem interditar vias ou praças. Não poderíamos nem deixar lixo no trajeto pois caso isso acontecesse os organizadores seriam processados. Também neste dia não apareceu nenhum neonazista para nos achincalhar. Bom mas você foi picado pelo vírus do povo nas ruas? Não. A melhor definição para gente na rua foi dada pelo Chaplin. Multidões ensandecidas é a face mais genuína da besta coletiva. Eu não respeito multidões pois ela espoe o que o ser humano tem de pior e oferece as pessoas uma máscara para eles saírem por ai cometendo atrocidades.

Luiz disse...

Outra coisa. Eu não tenho nada contra os católicos de hoje apesar de ser judeu. Olha, a inquisição matou mais judeus que qualquer outra categoria de pessoas. O número de judeus mortos na fogueira é infinitamente maior que qualquer outro grupo. Quem duvidar pode consultar os arquivos da Torre de Tombo. Estão disponíveis na internet. Mas me parece totalmente injusto e desonesto culpar os católicos de hoje pelo que foi feito lá atrás com os judeus. A igreja católica tem seus dogmas e cabe a cada ser humano decidir segui-los ou não. Faz tempo que o catolicismo ser uma imposição para a sociedade.

Ao que me consta católicos não costumam frequentar marchas feministas ou marchas gays para afrontar seus participantes. Caso forem estão também igualmente errados. Já o oposto anda acontecendo com alguma frequência. As tais marchas dos inimigos do catolicismo durante o evento são todas, sem exceção, inconvenientes e desrespeitosas. Os tais beijaços e outras provocações feitas contra os católicos relatadas pela imprensa foi algo que eu não presenciei nem quando neonazistas marcharam em Berlin. O ápice sem dúvida foi a profanação de símbolos sagrados para os católicos nos locais onde eles estavam. Ou seja, as pessoas que fizeram isso queria ofender e agredir deliberadamente os católicos. Tanto é verdade que procuravam se manifestar em portas de igrejas e em locais onde os católicos realizavam os seus eventos. Queriam sangue e só não tiveram sangue porque os católicos tiveram muito sangue frio.

Durante a jornada mundial da juventude as tais "vadias" e seus asseclas tiveram realmente um comportamento vadio. Nem os Nazistas de Berlin conseguiram fazer igual.

Anônimo disse...

tou com a Luisa, a Karla, a Julia e o André. não foi nada demais a performance. performances chocam muitas vezes, e você pode achá-las positivas politica/esteticamente ou não, mas, gente, NÃO FOI NADA DEMAIS. acho que as próprias feministas estão mais preocupadas com isso que o pessoal da JMJ.
sério, não é essa perfomance que nos tira a credibilidade, nem da Marcha das Vadias, nem do feminismo, nem das mulheres.

Anônimo disse...

gente, aquilo não foi encenação de estupro. eles usaram a estátua para se masturbar, não estavam encenando o estupro da virgem maria. pelamor...

Cereja disse...

Anonimo das 17:20, quem decide as leis sobre o aborto pode até ser o congresso, mas os religiosos estão fazendo tudo o que podem para interferir. É por isso que o feminismo luta por um Estado LAICO.

Lutar por um Estado laico não significa ser anti-cristão, mas a dominação cristã no congresso deve ser combatida.

Livia Siqueira disse...

Olha, pessoalmente, não achei nada de mais nessa performance. Não acho que a IC e seus símbolos devam ser intocáveis. E é um verdadeiro abuso que uma performance dessas seja crime, mas padres/pastores incitando o ódio contra mulheres e homossexuais dentro de seus templos não.

Mas sou, sim, contra sua execução na Marcha por um motivo bem simples: há feministas católicas. E elas foram desrespeitadas. Não somos todas ateístas, sabe? E é o cúmulo da contradição uma manifestação feminista desrespeitar algumas de suas participantes.

Clara disse...

Me senti extremamente ofendida com a "performance".

Nunca mais irei em uma marcha das vadias e tenho vergonha de já ter defendido uma publicamente.

Intolerância só vai gerar mais ignorância. Torço para que, ano que vem, essa marcha vai esteja vazia.

Anônimo disse...

"Não tenho nada contra cristãos. Inclusive tenho até muitos amigos que são cristãos. Mas..."

Olha só, um monte de gente que eu respeitava caindo na retórica do opressor. Que merda.

Anônimo disse...

Queria saber então porque a fofa da Raíssa Vitral e o Coletivo Coiote delataram as respectivas páginas e agora sumiram que nem pó.
Se na hora de fazer a coragem tava lá, na hora da retaliação não podem receberem críticas de reaças?
Tá.

LUana Tolentino disse...

Estou com você, Lola! Se ser Traidora é ser contra a intolerância, sou Traidora também!
Abraços grande!
Luana Tolentino

MARIA, L.P. disse...

Brilhante Lola.
Não poderia ser melhor!

Anônimo disse...

Lola, muito obrigada, muito obrigada mesmo pela sensatez de sua postagem sobre o caso das imagens quebradas. É exatamente o que penso: o que um ato desses serve ao feminismo? E até disse a amigos antes de você: se fosse o Femen tava todo mundo caindo de pau em cima como já caiu. Mas o que me espanta, muito, é como as pessoas na internet, no feminismo on-line estão concordando, referendando, aplaudindo o ato. E para ser sincera? Um feminismo que aplaude um ato desses, tenta justificar a qualquer custo, não me representa. E é o que mais anda me incomodando no final de semana: não quero pertencer a esse feminismo.

Sei muito bem que a igreja católica como instituição nunca foi boa para mulheres como gênero (claro e evidente que existem pessoas dentro da religião e através de seus preceitos que ajudam e muito mulheres e lutas sociais diversas e mulheres que foram ajudadas por instituições religiosas nas mais diversas circunstâncias). Não precisa nem entrar nos crimes históricos para saber disso, basta dizer que dentro da própria JMJ distribuíram coisas pavorosas como o terço de fetos e o fetinho anti-aborto, além do tema ter sido tocado nas representações e por fiéis com camisas e mensagens anti-aborto. Na recusa de uma educação sexual, de conversar sobre sexo, de falar aos jovens sobre camisinha e anticoncepcionais.

Só que penso: uma manifestação tão agressiva ao que leva? Posso dizer que, pessoalmente, feminista, militante, teísta porém não católica, fiquei extremamente ofendida. Porque, como você disse, é um nível de intolerância religiosa universal do reino de deus. E o feminismo é intolerante? É anti-religião? Não, né (por mais que existam pessoas intolerantes e/ou anti-religião dentro do feminismo).

Tinha visto o guest post sobre o beijo lésbico das ativistas sem camisa alguns dias antes. No começo, o ato não me agradou (mas em momento algum ofendeu) por um motivo parecido, por afastar pessoas que poderiam ser aliadas do feminismo mas se sentem agredidas. Aliás, falei isso no post na ocasião no comentário que deixei, que do que serve o feminismo se ele se volta apenas para as feministas e não para quem está de fora? Pensando em retrospectiva, como protesto, acho muito mais eficiente - pode nada trazer ao feminismo, mas o protesto das imagens além de não trazer, tira.

Não sei. Convivo num meio conservador (não reaça, conservador mesmo, aquele pensamento de "gente antiga", digamos assim) e tento incutir ideias do feminismo nesse meio. É um trabalho de formiguinha que tento fazer devagar. Consegui mudar muitas ideias em família, como sobre aborto, slut shaming e estupro. Consegui que amigas se assumissem feministas e lutassem junto. Aí fico pensando: o que pensariam minha mãe e minha avó, por exemplo, se vissem essa imagem da santa quebrada? Como várias colegas, católicas e evangélicas, que repassaram essa imagem dizendo-se contrárias a esse feminismo, veem que o feminismo pode fazer algo por elas?

Aí já vi comparações com Madonna, Lady Gaga, Sinéad O'Connor que fizeram coisas semelhantes em clipes, mas acho uma baita descontextualização: não estavam atreladas a nenhum movimento social, não foi no quintal de um evento religioso lotado de pessoas que realmente se importam com aqueles símbolos. Sei que foi a JMJ que mudou de lugar, mas penso, se o evento fosse mesmo em Guaratiba, essa performance ainda sim ocorreria? Ela ainda ocorreria se não houvesse JMJ nenhuma? Ou foi uma provocação direta?

Entendo o sentimento de desforra. Entendo que pessoas que já foram vítimas de intolerância religiosa (falando num nível pessoal e não necessariamente institucional) possam ter o desejo de descontar algum dia. Só que a mensagem que passou pra mim foi "estou me lixando para o que você acredita, mas você vai ter de aceitar minha ideologia". Mas tal atitude dentro de uma marcha atrelada a um movimento não vincula todo este movimento aos olhos do outro? E não exclui automaticamente uma grande parcela de pessoas?
(cont)

Sara disse...

Lola entendo todos os seus argumentos, até concordo com eles.
Mas continuo achando um absurdo que a religião tenha tanta força ao ponto de querer que os de fora de sua igreja tenham que respeitar seus símbolos.
Em cada esquina existem lojas que vendem esses santos e santas de barro, se vc os paga com seu dinheiro, deveria poder fazer com eles o que bem entende, inclusive enfia-los onde bem aprouver.
Não tenho o mesmo respeito que os católicos tem por suas imagens, alias pelo contrário, pra mim são símbolos de opressão.
Entenderia perfeitamente se as imagens veneradas por essa gente fossem profanadas após terem sido roubadas de igrejas ou lares cristãos, ai sim poderia criticar os performáticos, mas as imagens eram de propriedade deles e de mais ninguém.
No mais estou completamente a favor do que disse sabiamente a ilustríssima CORA, o FEMINISMO não precisa de absolutamente NADA para ser criticado, vilipendiado, achincalhado por essa gente machista.
Se não fosse esse casal autor do ato que botou em polvorosa essa gente, certamente procurariam outro motivo para continuar a campanha contra o feminismo.

Anônimo disse...

(cont.)
Porque a impressão que está me passando é a de um feminismo "interno", um feminismo que quer se afirmar apenas para feministas (e mesmo dentro do feminismo as reações foram controversas), de feministas que agem para outros feministas. Que, como você também disse, se dá ao luxo de dispensar aliados na medida em que os desrespeita dessa forma. Porque sério, se eu fosse uma moça católica, por mais ideias de igualdade que tivesse, se a propaganda do feminismo que fizessem para mim fosse essa, eu passaria longe.

Mas minha grande tristeza e decepção não é nem pelo ato em si, mas pela recepção. Não sei se por ter sido um evento de dentro da Marcha das Vadias, se foi porque é contra a igreja católica ou sei lá, mas a impressão que tenho é que a maioria das feministas on-line, ao menos as que tenho contato, achou lindo! E qualquer posicionamento contrário é visto com cinco pedras na mão.

Não me sinto confortável com uma posição ideológica em pacotes, de já que é "feminista", "contra o patriarcado", é tudo certo, lindo, merece apoio, é justificável e quem é contra é porque tá a favor do outro lado. Em que nada é exagerado, nada pode ser objeto de questionamento.

E penso também nas pessoas que são excluídas dessa forma de fazer feminismo. E me lembra, de certa forma, toda polêmica da Marcha das Vadias DF (sim, a marcha também erra, a militância, às vezes, também erra) - ali houve um consenso muito maior de que houve um erro, por que não se pode dar o braço a torcer agora também, admitir que sim, não foi uma coisa legal, que para a próxima Marcha as atitudes merecem ser questionadas. Mas parece que poucas estão se permitindo fazer esse questionamento. E justamente pelo argumento sobre a forma pela qual esse ato serve ao feminismo.

Se estamos divulgando uma ideia - e uma Marcha das Vadias, aliás, uma manifestação, não é uma forma de divulgar uma ideia para o mundo, para fora dos círculos onde ela foi gestada? - temos sim de pensar em como essa ideia se propaga. Claro, a revolução não será fofinha, mas há approachings e approachings - e esse em específico foi péssimo. Até porque assim como eu outras pessoas de dentro do feminismo também não gostaram e talvez estejam sentindo o mesmo desconforto de nadar contra a corrente.

Não gosto muito quando se fala em "feminismo branco de classe média", porque acho que todas as formas de feminismo são válidas e essa é uma forma de diminuir um deles em relação aos demais. Mas é no que mais penso quando vejo esse ato e a repercussão dele - o que faz pela vítima de violência sexual, violência doméstica, de feminicídio, de aborto malsucedido, de homofobia, de transfobia, de prostituição, de racismo? Aliás, será que alguém fora da posição de privilégio dentro do feminismo protestaria quebrando santas? Ou não estaria lutando para poder expressar sua religião (como praticante de religião de matriz africana ou mesmo espírita kardecista)? O que quebrar imagens no contexto de um evento religioso faz pelas mulheres que precisam de ajuda agora, hoje? Faz para divulgar o feminismo? Faz para mudar ideias?

(cont)

Marussia de Andrade Guedes disse...

Nada vai mudar enquanto as pessoas respeitarem as religiões . Liberdade religiosa todos devem ter, mas nós também temos todo direito de criticar a religião e os religiosos das mais diversas maneiras. Lembro que religião é opção assim como ser de direita ou de esquerda. Quem respeita alguém que escolhe ser nazista? Então me explica o motivo pelo qual feministas tem que respeitar religião. Acabei de ouvi o Papa dizer que as portas são fechadas para ordenação de mulheres. E ainda tem católica querendo se dizer feminista . É patético!

Caroline Cardoso disse...

Lola,
parabéns pelo post!

Tomei a liberdade de compartilhar no facebook aqui

Abraço

@dddrocha disse...

Lola, sua posição é totalmente coerente com o que defende. O feminismo não é só pelo direito das mulheres, como também das minorias e de nos tornar pessoas melhores e mais tolerantes.
O ato foi extremamente desnecessário e incompatível com esses ideais.
"Deixe que digam, que pensem, que falem..."

GHOULS IAMHOME disse...

não entendo esses ateus esquerdista, não compreendem nada de filosofia.

ateísmo é essencialmnete niilismo, no ateísmo só a morte é real

niilismo é negação da metafísica, afirmação da vida, nietzsche explicou isso perfeitamente

o que leva um ateu amar a pobreza como um apostolo de jesus ou um monge budista?

ateísmo/niilismo tem muito masi a ver com individualismo, do que querer defender o comunismo, o cara em vez de focar em si, quer se igualar ao miserável que mora no barraco e faz uma porrada de filhos.

esquerdistas não pensam filosoficamnete, ta a aí a diferença entre alguem que pensa de maneira filosofica e um imbecil que pensa de maneira social, no coletivo

Anônimo disse...

Não precisa respeitar símbolos religiosos, mas também não precisa aparecer na mesma manifestação religiosa para mostrar isso. Que se profane sem provocar os que estão ao seu lado. Ou será que o feminismo quer respeito mas não respeita a ideologia alheia. Nunca vi algum protesto religioso invadir a marcha das vadias.

Cereja disse...

Livia Siqueira disse...
Olha, pessoalmente, não achei nada de mais nessa performance. Não acho que a IC e seus símbolos devam ser intocáveis. E é um verdadeiro abuso que uma performance dessas seja crime, mas padres/pastores incitando o ódio contra mulheres e homossexuais dentro de seus templos não.

Mas sou, sim, contra sua execução na Marcha por um motivo bem simples: há feministas católicas. E elas foram desrespeitadas. Não somos todas ateístas, sabe? E é o cúmulo da contradição uma manifestação feminista desrespeitar algumas de suas participantes.


Aqui vou assinar embaixo. Acho que era isso que eu tava pensando, mas não tinha conseguido verbalizar.

Anônimo disse...

CÉUS!!!!!!!!!!!!!

COM É DIFÍCIL DO POVO ENTENDER!!

Dane- se a Igreja, não importa, se eram imagens de santos ou não.

Enfiar madeira e gesso no cu é q não dá.

Pq entaão as vadias fizeram cercadinho e tudo.

Parem com essa mania de tentar justificar essa merda.

Acabou, foi um lixo, tentem outra vez...

Eliana disse...

Parabéns pela lucidez, Lola!!! Amei principalmente esse trecho aqui: "Minha pergunta é: precisava mesmo disso tudo? O que a gente ganha com o ódio de quem viu seus símbolos desrespeitados? O que essa performance acrescentou ao feminismo? À Marcha das Vadias?" @lanaklado

Sara disse...

anon 19.39hs pergunte para quem foi na marcha de Guarulhos aqui em SP, se a igreja não interferiu na marcha das vadias organizada por lá.
Tiveram até a extrema petulância de não permitir a simples passagem da passeata em frente a igreja, agora temos que respeitar os quarteirões onde estão instaladas essas "igrejas"(pra não dizer outra coisa que me ocorre agora).
Se todos os religiosos começarem a exigir o mesmo, não teremos mais nenhum espaço em nenhuma cidade para fazer nossas marchas e protestos (que alias é bem isso que querem), pois as cidades estão empesteadas dessas igrejas.
MAS NÃO NOS CALAREMOS....GOSTEM OU NÃO...

Pili disse...

Por favor, foco!!!

Aos que não concordam, lembrem-se que foi um ato próprio, DESVINCULADO da Marcha das Vadias.

Aos que acham que atos que desvirtuam a marcha devem ser combatidos.... então digam como vcs acham que podemos combater!

Eu estou de acordo com o que a Marcha fez. Ali no momento era importante segurar o cordão de isolamento pra impedir que houvesse mais violencia.
E assim que a organização teve tempo, ela fez bem de publicar a nota de repúdio.

Não concordo, não faço igual.
Fora isso, eu jamais faria nada, pra tentar calar o ato daquelas pessoas.
Se vcs acham que o certo é tentar impedir, então digam... Como?

Anônimo disse...

Cereja: os religiosos estão realmente fazendo tudo que podem pra passar o que acham certo no congresso. E o que tem de errado nisso? está errado porque não concordamos? Isso é democracia. Os pró-abortos tem todo direito de fazer o mesmo, nas ruas, nos sindicatos, na porta do Congresso, etc.

Eu sou totalmente pró-aborto mas é uma falácia dizer que a Igreja é quem impede uma lei mas progressista. Nossa sociedade é conservadora e os deputados e senadores refletem isso.
Não é porque religiosos tem voz que o estado não é laico, os religiosos tem tanto direito quanto nós, ateus.

wagner

Roxy Carmichael disse...

luiz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

pro seu papinho de "pode se manifestar mas sem parar o trânsito" ou pra essa síndrome de vira-lata piscando em neon "na alemanha até aqueles que tem a legitimidade de se insurgir - ou seja as vítimas do mal encarnado que aterrorizou a HUMANIDADE INTEIRA (ZZZZZZ) são mais educados que os habitantes de banânia, que nem tem tanta legitimidade pra se insurgir (usa uma referência super utilizada por um "intelectual respeitadíssimo" como reinaldo azevedo e quer mesmo que eu me comova com sua conversinha fiada? tu não me engana luiz, ja veio diversas vezes dar pitaco aqui sobre o corpo das mulheres, contra a despenalização do aborto)

meu querido foi mal, essa ideia de que hilter e neo nazistas são a encarnação do mal na historia da HUMANIDADE não cola num país que escravizou negros durante 300 (leu direitinho?) 300 anos. nao cola numa região em que zilhões de índios foram exterminados e cola menos ainda numa região em que os descendentes desses mesmos escravos sofrem genocídio até os dias atuais. então essa historinha de que até os seguidores do "mal encarnado" (ui!) foram respeitados, me parece um tanto quanto megalômana. menos luiz. menos. cê tem certeza que quer entrar na olimpíada do opressão?

a alemanha é mesmo um farol que ilumina a escuridão das banânias do resto do mundo. deve ser por isso que angela merkel prometeu ser solidária e enviar um pacote de ajuda à grécia. ops, só tem um detalhe, exigiu que o país falido continuasse sustentando a indústria armamentista alemã...

"Ao que me consta católicos não costumam frequentar marchas feministas ou marchas gays para afrontar seus participantes"

ao que me consta católicos fazem muito pior: chantageiam o executivo para que mulheres vítimas de violência sexual não tenham direito à informação sobre SEUS PRÓPRIOS DIREITOS.

beijinho na sua alma.

Anônimo disse...

Esse é o tipo de ato não dialoga com a maioria da população, mas a questão é: esse grupo queria dialogar com alguém além de suas apoiadores natos?

Quem apoiou esse ato já é a favor do aborto e contra a violência de gênero ... mas nós precisamos aumentar o movimento pra atingir justamente aquelas pessoas que são conservadoras por falta de conhecimento, por falta de acesso a informações que a mídia corporativa não oferece.

Marcelo Soares disse...

antes de qq coisa parabens pela INTELIGENCIA e POSTURA!

fui chamado de reaça, mandado a merda e chamado de conservador moralista por ter criticado essas cenas!! nao importa se eam materia ddo oglobo .. eu havia visto a mesma cena no ninja tv no sabado e fiquei acompanando ate encontrar algo que preste mas dentre poucas coisas positivas so vi ataques aos catolicos.

sexta chegamos ate perto do palco em meio a todos os JMJ protestando contra nosso governo estadual e nossa prefeitura e alem de algums JMJ aliando-se a nos no grito e nos parabenizando em nenhum momento fomos vaiados por milhoes de catolicos que poderiam nos expulsar dali.

na mesma noite de sabado, o datafolha mandou rpa os veiculos de imprensa (vi no JN) uma pesquisa entre os JMJ e temos entre 21% e 56% de JMJs que apoiam causas feministas de GBLT ... é uma pena que pessoas deixam de somar pra separar em nome de um ateísmo que nao faz parte da pauta.

uma pena mas espero mesmo que a causa nao se denegrida, mas por favor afastem esse povo niilista ao menos das manifestações deixem eles fazerem a deles.

viva a igualdade entre homens mulheres e qq tipo de sexo que a pessoa queira se representar.

obs: nao sou catolico mas tenho origem catolica e sim, acredito em coisas alem do nosso conhecimento, mas respeito quem não é assim

Letícia disse...

Olha, acho impossível defender essa "performance". Foi de mau gosto, ofensiva e absolutamente desnecessária sim. Também não sou católica, não defendo o papa e acho que a causa feminista não pode se calar, mas quebrar santas vai ajudar em quê mesmo?
Enfiar uma cruz no c* mudou alguma coisa? Melhorou o entendimento da marcha? Não né.
Acho sim que atitudes como essa são de pessoas que não tem comprometimento com o feminismo e só querem ~causar~ o máximo que puderem. O que é triste pro movimento, que fica desmoralizado SIM com isso.

Desculpa quem é a favor de radicalismos, mas eu vivo num mundo em que devo conviver com católicos, evangélicos, ateus, espíritas, enfim. E imagina só que impossível seria conviver com essas pessoas se eu considerasse que defender a causa feminista é ofender as crenças dos outros?
A gente luta por respeito, vamos respeitar igualmente. Espero de coração que a marcha tome atitudes para evitar esse tipo de acontecimento novamente. Isso só ofende o feminismo.

Letícia disse...

Esqueci de comentar que, como li no facebook, quebrar imagens de santas é desrespeitoso tbm com mulheres. Temos que considerar que as santas católicas são provavelmente a única homenagem que se faz à mulheres durantes vários séculos.
Joana D'arc é considerada santa, e tem outra santa, acho que santa Ursula, que foi canonizada na idade média após se matar para evitar o estupro por soldados.
Ou seja, ofender imagens de mulheres ~historicamente~ importantes não é um bom jeito de ser feminista, desculpa dizer.

Anônimo disse...

Lola querendo desviar do assunto colocando novamente os tais mascus, um bando de moleques no meio desse fuzuê todo.

O Coletivo coiote tem culpa e se é crime o que fizeram, além do crime de atentado ao pudor. Devem sim ser encriminados e pagar pelos erros que cometeram. Só assim aprendem a virar gente e respeitar tanto a crença dos outros, quanto trabalhar pra fazer valer o que os movimentos dizem seguir realmente.

Roxy Carmichael disse...

pro fofo que disse que em outros países católicos o aborto foi despenalizado: realmente, vc tem toda razão e nesses países não houve uma luta com igreja que queria barrar isso e até hoje querem revogar esse direito, não, imagina! mais um colonizado abobalhado que acha que o problema não é a influência da igreja e sim do nosso "povinho" incivilizado...

e falando em falácia...
"Não é porque religiosos tem voz que o estado não é laico, os religiosos tem tanto direito quanto nós, ateus."

errado docinho: eu não tenho direito a decidir sobre o meu próprio corpo

Thiago Caires disse...

Uma coisa que me veio a cabeça: qual a posição da nossa presidente sobre essa caça as bruxas que ocorre com as feministas pela internet e também pelas ruas? Ela só é mulher e feminista na hora de se chamar, de maneira tosca e errada do ponto de vista da gramática, de presidentA?

Cada vez mais que venho a esse blog, que fico por dentro desses assuntos, mais me espanto com essas criaturas que se dizem homens (sou homem e me recuso a me considerar igual a esses animais) agindo de forma brutal contra as mulheres.

Eu sonho um mundo onde ninguém vai perseguir ninguém, onde homens, mulheres, gays, lésbicas, transexuais, negros, brancos, todas as pessoas, todas mesmo, sejam tratadas iguais. Mas, cada vez mais, fico triste em pensar que isso pode nunca acontecer.

Anônimo disse...

Eu só consigo pensar no exorcista.

E meu, eu tive muito medo desse filme!

Anônimo disse...

(cont. da anon de 19:01 que perdeu um pedaço do texto)

No fim, acho que a ofensa maior que recebi não foi pelo ato em si, mas pela reação geral. Sabe, já tive minha carteirinha de feminista cassada várias e várias vezes. Mas acho que essa cassação tá sendo a mais pesarosa de todas, porque é uma que me faz perder gosto, e muito, por trocar ideias online com outras pessoas. Aliás, me faz ter uma ideia muito ruim das feministas de minha idade e classe social que estão online, de não me fazer querer ser igual a elas, no mesmo balaio. Sei que o feminismo é múltiplo, mas prefiro focar meu trabalho em quem precisa (trabalho muito com aconselhamento de adolescentes, já abri os olhos de muitas sobre pautas feministas, sobre como devem se emponderar, que feminismo não são misândricas satânicas queimadoras de sutiã e destruidoras da família e da moral). Sei que tou muito, muito decepcionada.

Mas obrigada pelo seu posicionamento, por me lembrar que não, não são todos que concordam, não são todos que acham que sai algo de positivo disso tudo. Aliás, só vi algo negativo, porque não bastam os ódios internos do feminismo (questões que vc já colocou como radfemns e trans, mesmo casos de rachas entre ativistas negras e brancas), ainda precisamos mesmo criar outros?

P.S.: acho que no fim, pra quem tá disposto a ouvir, a dialogar, tem uma coisa boa, sim: uma discussão sobre limites, finalidade, questionamentos sobre por que se está em tal movimento, por que se faz tal ato. Mas só isso também, acho que não compensa o negativo.

P.P.S.: não sou contra o ato da encenação em si. Acho extremamente ofensivo, mas também acho que o coletivo tem todo o direito de realizá-lo. O meu problema é esse ato ser atrelado à Marcha das Vadias e, por consequência, ao feminismo.

Aurelio Moraes-Jornalista disse...

Lola, gosto muito do seu blog e diz um comentário sobre o fato:
Abraços
http://aureliojornalismo.blogspot.com.br/2013/07/quebrar-imagens-religiosas-nao-auxilia.html

Roxy Carmichael disse...

"O que eu vejo é que nenhuma ação anticlerical é possível. Tudo que eu fizer é uma agressão individual. Caso de polícia. Quebrei uma santa. Nossa. Violei a liberdade religiosa e impedi o culto. O que me resta é ver o Papa passar. Minha proposta (sim, eu tenho uma proposta, a loka etc) é que enfrentemos. Vamos voltar a dizer que as religiões cristãs se erguem sobre uma cultura do ódio. Que historicamente eles tem impedido as pessoas de existirem. Impediram negros, índios, mulheres, gays, muçulmanos. Que eles nunca abandonaram a guerra santa. Que ~respeitar~ o discurso deles é legitimar o ódio. Que a Virgem Maria não é uma imagem feminina. É uma das imagens mais machistas já criadas pela cultura humana. Que não existem mulheres na Igreja deles. Elas lavam os pés e puxam o saco de homens. Que Simone de Beauvoir já dissecou A Religiosa (ou A Mística) no segundo volume de O Segundo Sexo. A liberdade mistificada da mulher, promovida pelas religiões, bem como a aniquilação da carne da mulher religiosa. Estranhamente, as feministas que apoiaram os manifestantes também fazem ressalvas individualista. “Eu não faria isso“, “eu respeito quem não respeita mas não faria“. Um espiral de justificativa que para mim é o cerne da questão: ´para combater criacionismo, cartilha bioética papal e que tais PRECISAMOS enfrentar as religiões. Ué. Não teve outro jeito. Até chegarmos nessa sinuca teórica. Se-eu-critico-não-respeito. É uma falsa sinuca. O relativismo é um método de compreensão. Não é a aceitação de todas as práticas e discursos. Podemos sair do armário. Podemos dizer que falta senso crítico àqueles que sacralizam um homem segundos depois da fumaça vaticana. O preço que estamos pagando por não enfrentar é alto demais. Cada vez mais vemos pastores e padres invadindo o Estado. Cada vez mais abaixamos a cabeça e dizemos “ó, mas eles tem o direito de estar“. Como se não soubessemos o que eles fazem quando tem o Estado nas mãos. Ao invés de ficarmos dizendo sem parar que não quebraríamos santa, está na hora de dizer que cagamos e andamos se uma santa foi quebrada."

http://wireshoes.wordpress.com/2013/07/28/517/

Anônimo disse...

"gente, aquilo não foi encenação de estupro. eles usaram a estátua para se masturbar, não estavam encenando o estupro da virgem maria. pelamor...""


nossaaaa, que graaaande diferença, ne?


se um cara me roça no trem ele nao ta me estuprando, ne? ta so se masturbando comigo... e isso nao eh nada demais, ne?



hahahahhahahahahahhaha


pra um movimento que luta contra a degradaçao que eh ouvir um "gostosa"logo as 6h da manha, que luta contra a objetificacao, enfim, contra a cultura do estupro em geral, essa cultura horrorosa q acha q sexo bom mesmo eh aquele nao eh consentido pela mulher... vai lá e perturba um monte de senhora que nao quer ver coisas q sao muuuito mais obscenas do que ouvir um 'gostosa' na rua, admitam. se a gnt ja fica sem dormir por ser assediada na rua, imagine as MILHARES de mulheres que estavam lá, querendo rezar, andar, enfim, fazer qq coisa... elas nao estavam a fim de sexo e, mesmo assim, foram OBRIGADAS, COAGIDAS e ASSEDIADAS a verem coisas totalmente constrangedoras, vergonhosas pra elas.


ah, entao elas tem q se libertar das amarras do cristianismo?? tem q se sexualizar?? prq sexo eh vida, orgasmo eh uma delicia, ui ui ui?



ué, mas esse nao eh o mesmo discurso dos estupradores? "como estupro pode ser ruim se sexo é bom?"


DESRESPEITO, INVASÃO TOTAL. POR ACASO ELAS CONSENTIRAM EM VER TUDO AQUILO???


NÃO, PORRA!




vcs querem o q? expressas livremente sua sexualidade? mas à custa dos outros? FAZENDO COM OUTRAS MULHERES AQUILO QUE A GENTE MAIS CONDENA?



VOCES SAO BURRAS, CARA, O Q VCS FAZEM EH BURRICE, O Q VCS FALAM EH BURROOOO

Anônimo disse...

Roxi,
Em primeiro lugar acho que você pode ser mais bem educada, ao invés de agredir os outros, mas, tudo bem, isso é comum em quem não aceita discordâncias.

Mas, no que interessa, o que quero dizer é o seguinte: se o nosso povo é religioso e acredita em milagres, em nossa senhora do pau oco e outras besteiras, azar o nosso, o máximo que podemos fazer é lutar contra isso, mas não podemos impedir que esse pessoal tenha voz, por mais que achemos ridículas as suas posições. Afinal isso é democracia, ou não?

Culpar a igreja (seja qual for) pela inércia, escrotidão, falta de ética, falsos interesses e outras (grandes) mazelas do nosso congresso (e do executivo, que aceita, também por interesse, as demandas dos religiosos) não me convence, não acho que precisamos de culpados externos. E, repito, como cidadão, um religioso é igual a mim ou a você, independente do que acredita.

wagner

Anônimo disse...

Lola, eu sou sua fã, sempre li discretamente seus posts. Sou mestranda em Antropologia Social pela UFSC e desde o primeiro momento me posicionei contra esse episódio ultrajante. Para mim, isso é feminismo coxinha! E feminismo coxinha nãe me representa! E, claro, também fui tachada de machista, feminista traidora, etc e tal. Agora, diga-me, qual é o/a antropólogo/a da religião que em sã consciência antropológica aplaudiria esse episódio? Aliás, a ameaça às organizadoras da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro a meu ver só demonstra o quanto é tentador e ameaçador quebrar e pisotear de forma ultrajante imagens sacras. A Antropologia da Religião nos ensina que as imagens de santos e santas, enfim, de qualquer objeto sacro de qualquer religião ou crença, são muito mais que apenas pedaços de porcelana ou de gesso. Como futura antropóloga eu não ousaria fazer isso com nenhum povo ou comunidade étnica ou religiosa, por uma questão de respeito aos ancestrais deles/delas, seja de que forma se dá essa ancestralidade. Por isso, entendo que a veneração a imagens religiosas tanto provoca repulsa quanto fascínio.

Abraços,

Anahi Guedes de Mello.

Anônimo disse...

Eu estava assistindo tv com meus pais, que estão longe de ser machistas mas são bastante religiosos, e o jornal nacional (como era de se esperar) fez a caveira da Marcha das Vadias e só mostrou essa cena (do casal quebrando os santos)... resultado: meus pais ficaram escandalizados. Pensei na hora: obrigada casal desconhecido por estragar a imagem do feminismo e da marcha das vadias com essa atitude (principalmente perante a pessoas como meus pais, que representam de certa forma o "senso comum")... eu tb não sou religiosa, cago pro papa e pra igreja, mas acredito que esse não é o momento de ofender a crença de pessoas que poderiam estar do nosso lado, compartilhando das nossas lutas.

Samantha

Cereja disse...

Wagner, o Estado deve ser Laico por isso. Não é a minha religião, eles não podem impor o valor deles nas leis que eu também devo respeitar.
Supondo que o aborto seja descriminalizado, uma pessoa que é cristã vai continuar podendo NÃO fazer o aborto se assim lhe convir.

Imagine agora se uma bancada islâmica tenta passar uma lei proibindo todas as pessoas, mesmo as não islâmicas, de beberem álcool, porque na religião deles é proibido, você continuaria achando democrático?
Imagine se a igreja católica resolvesse proibir todas as igrejas, os templos, os centros de outras religiões, definindo que só a católica é válida, será que os evangélicos, os budistas, os espíritas, os judeus e etc. iriam achar que isso é democracia?
E se daqui por diante você tiver que pensar duas vezes antes de transar porque nem com sua esposa você pode usar uma camisinha porque a igreja passou lei proibindo o uso de contraceptivos?

Claro que isso são cenários utópicos, mas a lógica é a mesma. Só porque os católicos são contra o aborto e os contraceptivos, eles não podem impedir as pessoas - especialmente as não católicas - de usarem a camisinha ou um DIU.
Isso é interferir na liberdade individual. A liberdade religiosa também é uma liberdade individual e só é possível com o Estado laico.
Se você quer ter o direito inalienável de ser católico (ou de qualquer outra religião) e seguir a sua vida de acordo com o que a sua igreja prega, é imprescindível garantir o direito do outro de não ter religião.

E eu vou dizer mais uma vez, pra que fique bem claro:
Se o aborto é ilegal, isso impede que pessoas não religiosas o façam de maneira segura.
Se o aborto é descriminalizado, pessoas que o fazem podem fazer com segurança e pessoas que não querem fazer seguem tendo o direito de não abortar.

Diana disse...

Blasfêmia agora é crime? É isso? Voltamos à Idade Média, ou estamos na Rússia contemporânea? Tolerar as crenças religiosas é ser obrigado a respeitar imagens de santinhas, mesmo que não as consideremos sagradas? Claro que ninguém pode invadir local de culto (o que não aconteceu) e destruir imagens de santas ALHEIAS. Mas uma pessoa não pode quebrar uma imagem sua? Peraí, né, gente? Isso, sim, é intolerância! Querem que todos cultuem imagens de santinhas virgens? Acordem. Pelo direito a blasfemar livremente!

Anônimo disse...

LAMENTÁVEL SEU TEXTO LOLA, DESRESPEITO AOS SÍMBOLOS RELIGIOSOS PRA MIM NÃO É INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Meu nome é Érica Leonardo e como filósofa (professora de Ética e Filosofia do IFRJ) e atriz performática do Projeto Boceta de Pandora (que tb foi apresentado na Marcha das Vadias) eu não posso deixar de mostrar meu descontentamento com o cunho moralista (quanto ao respeito à religião) e não reflexivo( quanto ao teor artístico da performance) presente no seu texto!

Eu como atriz, educadora e filósofa atenta ao feminismo, devo questionar se precisamos de aliados que ainda constroem seu discurso no campo da fé e no respeito aos “símbolos católicos”. Luto pelo direito à reflexão radical dos tradicionalismos, das significações milenares. O filósofo que eu estudo tem uma frase ótima: “a tradição é o esquecimento das origens”! Quando se respeita uma tradição de certa forma se esquece das linhas de tensão e das tragédias que fomentaram a construção desse símbolo. Devia-se se perguntar: o que é uma santa! O que ela representa? Mas condenando a performance do jeito que você faz, dizendo que ela é somente uma imagem da intolerância religiosa, você fica no mesmo nível de censo comum dos trezentos posts que li de ontem pra hoje! Você tem direito de questionar a performance, imagina eu desconsiderar isso, mas não procurou um mínimo de fundamento crítico, artístico e reflexivo sobre a performance em si! Não questiona nem ao mesmo que tipo de respeito é este dado aos símbolos cristãos e não pensa a possibilidade artística de como esse respeito pode ser questionado num enfrentamento corporal com tais símbolos! Por que temos que nos aliar a esse respeito??? Somente para termos aliados? Ou é uma questão de perpetuação das tradições???

Deveria primeiro questionar a sua equivocada e perigosa SUPOSIÇÃO/ comparação” com a Femen e com os “mascus”: Não há como supor, pois não foram intolerantes que estiveram lá! Foram grupos de artistas que pensam o enfrentamento da sociedade heteronormativa, gordofóbica, elitista e católica (opressora) diferentemente da linearidade do campo teórico!
Ao abrir para esses movimentos a Marcha das Vadias do Rio marca pontos na questão da radicalidade do direito de expressão em vistas da reflexão e da liberalização da situação das mulheres e trans e lésbicas! Supor que a performance tenha resultados tais quais esse grupos é supor primeiro: 1. uma ignorância quanto a natureza do coletivo COIOTE (que não se assemelha nem um pouco a nenhum deles!) 2. que a marcha posso ser invadida por pessoas que pensam diferente dela! Isso é um risco assumido pela organização da Marcha e há uma comissão de segurança que se responsabiliza tanto pela liberdade dos corpos nus, pex. quanto a expulsão dos indesejáveis que promovem violência contra a Marcha!
Sua suposição permite gerar um medo, uma moderação que me cheira a censura, supõe um cuidado “covarde” que todos as feministas e tb Marcha deveriam ter: supõe então uma falta de liberdade! Supõe: há limites para as posturas de críticas, senhores não usem “saias tão curtas”, queridos não sejam tão radicais nas suas críticas! E o primeiro limite é: respeite os símbolos da Instituição que mais te oprimiu no mundo!!! SEI !!!!

Cereja disse...

E não é só a igreja que impede leis mais progressistas, mas a igreja tem um grande papel nisso.

Anônimo disse...

Continuando o post anterior
Meu nome é Érica Leonardo e participei da Marcha com uma outra performance ....
Não sei se precisamos mesmo de todos ps aliados "cristãos" , mas sei que não precisamos de aliados que pensam radicalmente o papel da Igreja na milenar opressão da mulher! Não precisamos de aliados que não possam apreciar a radicalidade de uma ressignificação artística! Não precisamos de aliados que não consigam distinguir que na história da libertação contra os dogmas da Igreja o desrespeito aos tais símbolos religiosos fez parte das tensões e conquistas e lutas feministas e tb científicas! Não se esqueça que o mundo hoje é um planetinha redondo que gira em torno do sol, graças ao maior vilipendio da história! Não há como pedir que teremos apenas uma carinha bonitinha (não somos todas teóricas) tem gente que pensa e trabalha na linha dos afetos e da destruição, não dá pra simplesmente ficar com cartaz na mão durante uma jornada em que um MANUAL DE BIOÉTICA de conteúdo equivocado e homofóbico junto ao "feto de brinquedinho" foi distribuído aos jovens em idade de educação sexual. As feministas teóricas precisam perceber que há outras formas de pensar a opressão que não seja a clareza e a logicidade argumentativa da escrita! Uma performance artística não lida imediatamente com alianças e diálogos, lida com ressignificação e reflexão! Não queremos só escrever e vender livros e blogs! Queremos mais: experiências radicais do pensamento.
É preciso imediatamente reconhecer o papel da violência da arte do desrespeito às tradições e ao estado de direito como uma liberdade radical, como movimento legítimo da criação e recriação o mundo, é preciso lutar pelo direito de se estabelecer a mercê desta tradição! De impactar também pela violência das imagens e atitudes!
Vários artistas usam de imagens sagradas para repensar o estatuto do sagrado na nossa sociedada: tais como Farnese do Santos, Márcia X, até mesmo Joãzinho Trinta usou o cristo pra mostrar a contradição da pobreza abaixo do pé de cristo! E todo eles forma condenados pela sociedade “laica” pero no tropo!

Agora: EU REALEMENTE NÃO VEJO COMO QUEBRAR IMAGENS SEJA INTOLERÂNCIA, QUEBRAR SANTOS E ENFIÁ-LAS NA PARTE ÍNTIMA É NO MÁXIMO DESRESPEITO, desrespeito NÃO É INTOLERÂNCIA!!!!!!!! HÁ UMA IMENSA DIFERENÇA!!!!!!



Anônimo disse...

Continuando o post anterior
Não assuma o respeito ao sagrado e o nojo ao corpo tão disseminado pelos cristãos, por favor! Não seja tão “limpinha” como vc mesmo diz, esse não é seu desejo! Então comece agora a pensar fora da caixinha do blog! Vc não pretende fazer um feminismo limpinho então saiba, faz parte de desconstrução de uma a ideologia católica de adoração de imagens não reais (as santas, essas mulheres não humanas, perfeitas, maculadas) faz parte disso tudo mostrar que os símbolos sagrados são símbolos sagrados apenas para os cristãos!! Que ressignificando-os estamos radicalizando o seu papel nas nossas vidas! Enfiá-la no cu é dizer: o seu símbolo não me diz respeito! Não é meu, falo com ele o que faço com seres inanimados!!! Fora a crítica ao que sabemos, existe, a perversão no mudo cristão!

Acabei de ler em um comentário a um post: "Quando vejo essas imagens entendo pq Hitler perseguiu os homossexuais." Veja: muitas vezes a violência nos eventos performáticos traz como consequência a derrubada das máscaras! E é por isso que eu não posso e não consigo condenar performance artísticas de enfrentamento radical aos símbolos e aos estereótipos do corpo!!!
A violência derruba as máscaras e elas não param de cair!
No mais passo vários textos que pensam a performance para além do seu “descer ao nível universal do reino de deus de intolerância e do “É dar combustível pro inimigo. Não ajuda em nada, só atrapalha.”
No fim me pergunto a performance atrapalha a quem? A que Feminismo? Estamos falando do teórico ou do cotidiano?
http://srtabia.com/2013/07/meu-apoio-a-marcha-das-vadias-do-rio-de-janeiro/
https://www.facebook.com/notes/ivana-bentes/teatro-da-crueldade-na-marcha-das-vadias-%C3%A9-performance-pol%C3%ADtica/684642388217284
http://foradacaxa.blogspot.com.br/2013/07/sobre-santas-e-vadias


Érica Leonardo

Roxy Carmichael disse...

"Venho ao povo de deus trazer uma boa notícia (embora ela venha acompanhada de uma não tão boa assim, para alguns). A boa notícia é que o evento por vós tão aguardado aconteceu: Jesus voltou. A má notícia é que ninguém avisou que ele precisava agradar a sociedade patriarcal cristã.

Jesus voltou e só anda com gente esquisita. Seu lugar é ao lado dos marginalizados, dos não-aceitos, dos diferentes. Foi visto enrolado numa bandeira de arco-íris na Parada Gay e cercado de amigas com os seios de fora na Marcha das Vadias. Ele, ao contrário dos fariseus dos nosso tempos, não carrega preconceitos mesquinhos, nojo de gente, ódio de pessoas por elas serem o que são. Vejam só, que surpresa.

Jesus voltou e não é cristão (aliás, coisa que nunca foi). Ele não frequentou nenhuma igreja ainda, não apareceu nos grandes templos, não pagou o dízimo, não está do lado de quem explora a fé dos outros. Aparentemente, ele se recusa a seguir uma religião tão empenhada em condenar pessoas, em impor proibições e pensamentos, em interferir na lei. Inclusive, Jesus foi fotografado em uma manifestação pelo Estado laico, segurando um cartaz que dizia: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

Jesus voltou e não é filho da virgem, é filho da puta. É por isso que ele sabe a barra que essas mulheres enfrentam, o perigo que correm, a humilhação a que são submetidas, a cidadania que lhes é negada. Jesus é amigo das prostitutas, das travestis, das que são empurradas para o submundo ou das que escolhem esse caminho para juntarem uma grana legal e batalharem por uma vida melhor, como qualquer outra pessoa, afinal de contas.

Jesus voltou e talvez seu retorno não tenha sido alardeado, celebrado e divulgado na TV e nos sites de fofoca porque ele nasceu invisível. Jesus voltou negro e, como tantos e tantas outras que não nasceram da cor “certa”, ele foi invisibilizado por uma cultura que celebra apenas a branquitude e que esperava por um Jesus loiro dos olhos claros, como nas imagens espalhadas nas igrejas. Além disso, nenhuma estrela-guia marcou o nascimento de Jesus, porque aparentemente estrelas-guia não chegam na favela onde ele nasceu – lá, onde só chega o descaso do Estado e o preconceito das elites. Sabe-se apenas que sem dúvidas ele é Jesus porque só um milagre explica como uma pessoa negra que cresceu na favela ainda não tenha sido “desaparecida” pela PM em uma de suas truculentas operações no morro."

http://www.alinevalek.com.br/blog/2013/07/se-jesus-existisse-hoje/

Anônimo disse...

Bem, primeira vez que eu entro aqui e já percebo que cristãos não são bem vindos. Quer dizer, não tenho religião, justamente por ser contrária a tudo que as religiões fazem ao longo da história, mas sou uma aberração por acreditar em Cristo. Paciência.

Anônimo disse...

Olá
Meu nome Érica Leonardo: mandei 3 textos que seguiram com erros, estou editando e vou reenviar!
Mandei na força dos afetos e do descontentamento!
abraços!

Anônimo disse...

Lola, geralmente concordo com vc, mas esses argumentos me parecem paternalistas e de uma natureza quase publicitária. Então o feminismo é um clube tentando conquistar adeptos e esses 2 manifestantes erraram na estratégia de marketing, é esse o resumo da ópera?

Que se chame a performance de anacrônica (oi, anos 70), escatológica (uma palavra, aliás, ironicamente religiosa, em sua origem...), de mau gosto, tudo bem. Mas falta de respeito porque quebraram a imagem de uma santa, juram?!

Já tem gente em profundo delírio, interpretando a tal performance como o estupro da virgem Maria... Tem gente dizendo que uma marcha feminista não tem nada a ver com religião - bem, e o fato de que a Igreja Católica é uma das instituições mais machistas e misóginas do mundo?

As feministas pretendem se concentrar nessa discussão, e dessa maneira (perderemos adeptos etc.)? Não preferem discutir a lupa midiática sobre um acontecimento localizado da marcha e o sensacionalismo com que o trataram? Não preferem discutir a distribuição grotesca de fetinhos de plástico na JMJ enquanto os religiosos fazem lobby para evitar que mulheres estupradas recebam do sus um tratamento mais adequado?

Isso sim me deixa chocada.

Ághata disse...

Hum...

a) acho super válido a gente discutir a validade de qualquer forma de expressão, em especial, quando elas fomentam uma boa discussão, né;

b) mas também acredito que não devemos ser autoritários a ponto de expulsar alguém da marcha porque não concordamos com a forma dela de se expressar, a menos que ela pregue a intolerância;

c) a questão é: foram intolerantes com a religião?

d) ouvi muita gente falando que o casal que fez a performance em questão se masturbou (o povo até engasga quando dize isso, né?) com santos, imagens e cruzes;

e) mas outras pessoas também interpretaram a performance como a materialização da frase "tirem seus rosários dos nossos ovários", só que no caso, ao invés de usar rosários, usaram santos, cruzes, etc;

d) então, acho que a interpretação vai depender bastante de suas convicções;

f) mas o que me intriga mais nessa questão é que nem houve a discussão sobre ser ou não intolerância religiosa - já se presumiu que era e acabou!

g) eu acho isso bastante complicado porque concordo com Mary W¹quando ela diz que a Instituição da Igreja Católica não pode ser insuscetível de crítica;

h) acho bastante complicado que ninguém esteja questionando sobre o fato de "vilipendiar objeto de culto religioso" seja crime;

i) bizarro também que este ato tenha sido chamado de "terrorismo", mas distribuir rosários com imagens de feto não seja considerado um tipo de violência ou "terrorismo" também;

j) Por fim, pro que não discutimos melhor a questão? A intervenção foi considerada ofensiva pela quebra? Pela conotação sexual?
É difícil ficar só nessa de 1."é crime"; 2."é intolerante porque me ofendeu"; 3."era mais do que gesso".

1. Engraçado como misoginia e homofobia não são crimes, mas quebrar santa na rua...

2. Tudo bem, é sua opinião. E quero saber mais sobre isso. A intolerância religiosa também mata. Mas será que o ato fomentou o ódio contra os religiosos? Porque essa não foi uma das consequências...

3. Claro que era. Por isso que foi utilizado na performance, né? Imagina só se fosse mesmo só pedaços de gesso.

Anônimo disse...

E eu que pensava que coisa de enfiar na vagina e no c# além de penis, mãos e boca era algo feito para tal coisa ( vendido em sex shops)

Agora um monte de mulher defendendo o direito de enfiar cabeça de gesso e cruz de pau no rabo bem no meio da rua....

Só gostei de uma coisa q li aqui, alguém disse que como vcs podem defender o direito de não serem estupradas, acoitando entre si sujeitos se masturbando com uma imagem (feminina q não interessa se é sagrada , MAS É UMA IMAGEM DE MULHER)??

Kassia disse...

Lola, querida, se fosse o femen que fizesse essa performance seria reprovável, sabe por que? Porque seriam garotas brancas, femininas, heterossexuais reivindicando uma identidade queer. E, mais que tudo, o femen tem um histórico de islamofobia, de transfobia, de gordofobia e etc. É CLARO que importa quem está fazendo o ato. Importa pra caramba!!! O coletivo que performou era de pessoas não brancas, não ricas, não cis, consideradas feias e que tem seus corpos hostilizados pela sociedade heteronormativa (hostilizados de uma maneira que vocês, feministas cis, heteros, que reivindicam uma identidade feminina, não fazem a menor ideia). Foi chocante? É claro que foi. A intenção é chocar. O feminismo não é único. Um feminismo pode (e deve!) criticar outros feminismos e me parece obvio que haverão estratégias diferentes.

Anne disse...

Fiquei feliz de ler esse post aqui, me deixou surpresa talvez porque eu não conheça tanto o seu blog (fui apresentada há pouco tempo).

Fiquei muito decepcionada ao ver essa performance na marcha. Me fez lembrar de quando o Silas Malafaia espalhou aqueles outdoors nas ruas. Foi praticamente a mesma coisa. E é muito estranho pensar isso.

Eu pensava que a lógica que seria seguida com tais segmentos religiosos seria: "esse jogo tem que parar" e não "nossa, amei! participarei do jogo também!" (o que aconteceu, embora tratando-se de temas diferentes, uma vez que os outdoors eram sobre a homossexualidade, exclusivamente).

E se a Marcha e seus manifestantes defendem um ato simbólico não violento (fisicamente) contra um grupo, qual o argumento para ser contra atos não-fisicamente violentos contra outro grupo (mulheres, homossexuais...)?

É foda essa pressão em sermos totalmente a favor a um grupo, mesmo quando fazemos parte do grupo. Se discordamos de um ato, automaticamente passamos para o lado negro da força? Como assim?

Daí antes de dizer "Fui contra, achei desnecessário", temos que jurar de pés juntos sermos atéias e feministas para termos a chance (pequena) de que nossa opinião seja pelo menos ouvida com o mínimo de respeito? Como assim?

Eu super entendo o sentimento que leva as pessoas a agirem assim. Somos oprimidas e agredidas há anos pela religião cristã (e pelo poder da Igreja Católica). Isso justifica que então nós tomemos a posição de opressores e agressores? E mesmo que justifique... é isso que se quer?

A luta tem quer ser com o Estado. O estado se finge de laico? A luta tem quer para o Estado ser verdadeiramente laico. E, embora eu entenda o sentimento, eu não entendo a lógica de como se masturbar com um crucifixo ou quebrar imagem de uma santa ajuda nisso.

Élvio disse...

Primeira vez que comento, Lola, no seu ótimo blog. Confesso que essa história toda me fez pensar. Tenho lido simpatizantes e contrários ao ato. Eu tentei racionalizar essas ideias com um texto, que segue abaixo, pq também é reflexo da leitura do seu artigo.

Papa Francisco faturou 5496259 pontos no Candy Crush ao eliminar, numa única jogada, todas as frutinhas rosas do seu tabuleiro quando declarou seu amor aos homossexuais. É óbvio que esse dicurso de amor aos homossexuais é mentira. Óbvio que é fácil ler nas entrelinhas e concluir que o que ele quis dizer é " Seja gay, mas não pratique o ato". Foi uma jogada muito inteligente em resposta à quebra da estátua.

Eu entendo o gesto da quebra da imagem. Mas tenho que reconhecer que ele pode ter um impacto negativo imenso. Na verdade, não sei. Estou em dúvida mesmo.

Há pouco tempo a França, país reconhecidamente laico, viu a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo ser votada sob as vaias de reacionários liderados por católicos enraivecidos que quebraram a cidade. Não houve nenhum atentado a nenhum católico. Ainda assim, eles se sentiram ameaçados e reivindicaram seu direito a protestar. E em seu protesto, todo aquele discurso bacana que a gente tá cansado de saber.

O meu ponto é: católicos não precisam de seus santos quebrados para continuar disseminando seu discurso de ódio. Vai se justificar, como sempre, em seu direito pátrio à liberdade religiosa.

Liberdade que eles insistem, sistematicamente, em negar a mulheres e homossexuais hoje, assim como negaram, no passado, a negros e a índios. A Igreja destruiu civilizações inteiras, patrocinou outros genocídios e opressões políticas e uma simples imagem quebrada nos faz tremer.

Podemos pensar que a atitude da quebra da imagem não teve, em si, um efeito EFETIVO. Nada mudou com esse gesto, a não ser uma imagem negativa da Marcha. Dois indivíduos em 2000 fizeram a tal performance. Assim como, provavelmente, dois indivíduos da JMJ cuspiram em manifestantes. Um gesto atentou contra um objeto. O outro, ao indivíduo. E o que mereceu execração pública foi, justamente, o atentado contra a imagem. O sagrado não é mais o indivíduo, é o tal gesso (eu venho, repetidamente, chamando a estátua de gesso, justamente, para dar uma dimensão material da coisa).

O que teria sido usado para questionar a legitimidade da Marcha, caso a tal performance não tivesse ocorrido? Os peitos, os beijos, as provocações de mulheres nuas. Terço em punho não constitui um gesto de violência simbólico? Não equivale a empunhar uma arma?

E a distribuição de fetos de plástico durante a Jornada? Ninguém achou isso desrespeitoso com as mulheres que abortam ou que precisam abortar clandestinamente no Brasil, como se essa escolha as relegasse a um estatuto moral abjeto. Esse objeto não foi destruído. Mas a violência do gesto pode ser considerada inferior à quebra da estátua? Estaria eu defendendo uma - religiosa - lei do talião? Estátua-por-estátua, cuspe-por-cuspe?

A Igreja Católica relega os homossexuais ao gueto. A Igreja enfia, diariamente, há séculos, a cruz dentro do rabo de todos nós. Sem KY. Sem cuidados. Repetidas vezes. Quando alguém representa esse gesto e exige libertação dele todos imediatamente se preocupam com a opinião e a sensibilidade de religiosos.

A sensibilidade de um religioso é muito obtusa para ter qualquer prelazia à dignidade de qualquer ser humano em SER e VIVER.

Tudo isso para dizer que... Vamos condenar o Grupo, que estava, provavelmente, do nosso lado, ou vamos tentar captar católicos que podem, virtualmente, ser simpáticos à causa?

E esses católicos esclarecidos não seriam capazes de entender essas ponderações todas sem se virar, automaticamente, contra nós?

Muitas questões. Talvez tenha sido a única coisa de bom que tudo isso resultou.

Anônimo disse...

Cereja,
É claro que a religião não deve pautar as leis do país em um país laico, estamos completamente de acordo com isso.
Mas isso não significa que um religioso não tenha tanto direito quanto um ateu pra brigar pelo que pensa (dentro da legalidade, claro). Afinal as leis do país (mesmo laico) representam o que a população quer (pra isso está aí o parlamento) e os religiosos fazem parte da população. Você pode argumentar que as idéias de um religioso são baseadas na religião. Claro que são, como as ideias de qualquer um são baseadas em sua ideologia, seus valores, suas crenças (religiosas ounão), ninguém consegue escapar disso.
Não estou negando a pressão da Igreja, enquanto instituição. Ela é nefasta, sem dúvida. Mas o que quero destacar é que se a população realmente fosse progressista, e se o nosso Congresso e Executivo não fossem a porcaria que são, batendo continência para as forças religiosas mais retrógradas em troca de favores diversos, não seria a Igreja que impediria qualquer mudança no status quo.

E, apesar do poder que a Igreja Católica ainda tem, já vai longe o tempo em que uma pessoa não religiosa tinha que seguir o que ela prega, como usar camisinha etc. E não vejo nenhuma tendência para que isso ocorra, pelo contrário, o poder da Igreja Católica é cada vez menor (o das evangélicas está crescendo, o que me parece até pior).

Resumindo, acho que estamos muito atrasados em diversas questões ditas morais, mas não acho que as instituições religiosas são as responsáveis, há muitas forças reacionárias e conservadoras no país e eu não gosto da ideia de ficar como vítima, achando culpados externos aos problemas, seja a igreja, os imperialistas, a mídia etc.

Quero deixar claro que não estou defendendo a Igreja, pelo contrário, não tenho nenhuma simpatia por nenhuma delas, sou ateu, e completamente a favor do direito da mulher abortar, sob qualquer circunstância ou motivo.

Wagner

Max Mallmann disse...

É a primeira vez que publico um comentário neste blog, mas já o acompanho há algum tempo. Concordo integralmente com a Lola.
Destruir símbolos do que quer que seja me parece uma agressão burra. Quebrar uma imagem de Nossa Senhora, de Buda, de um Orixá é tão ofensivo quanto, por exemplo, queimar a bandeira de um país. Alguém gostaria de ver a bandeira do seu país sendo queimada por estrangeiros? É a mesma coisa. Atacando o símbolo, ataca-se apenas a embalagem da coisa, não a coisa em si. São as ideias, não as representações materiais das ideias, que precisam ser atacadas. Com outras ideias, é claro.

Ághata disse...

Obrigada, Max, por fazer exatamente a analogia correta.

Quebrar santa da igreja católica não é igual a destruir imagens de religiões de matriz africana. Porque, pra começo de conversa, essas religiões Não são instituições.
Instituições que interferem em nossas vidas e em nossa política.

Para os que tem memória curta, os lobby católicos impedem a distribuição de camisinhas e a educação sexual em escolas, só para ficar num exemplo.

Quebrar santa é como queimar bandeira de um país. É atentar contras as tradições e contra a cultura hegemônica de um povo.

Não é à toa que das várias bandeiras presentes das passeatas deste ano só uma foi considerada "neutra" e acima das demais.

Daí, a imagem da "Santa Maria" não é mais o símbolo católico - um símbolo católico questionando desde sempre pelas feministas, diga-se de passagem.
Não.
A quebra da santa de uma das igrejas cristãs é uma afronta a todas as religiões! Ela representa a religiosidade e a fé de todas as pessoas. Então, quebrá-la, atenta e ofende a todos.

Simples assim.
Tem que representar todo mundo.
E todo mundo tem que respeitar.

Que nem a bandeira do Brasil.

Anônimo disse...

Sério, vamos deixar bem claro: não é questão de puritanismo, nem de ser legal e bonzinho e passar a mão na cabeça da intolerância cristã e condenar os críticos.

Mas esse feminismo performativo e acadêmico não tá fazendo nada além de falar sozinho. Pergunta pra operária o que ela achou. Pergunta pra qualquer mulher na rua pra ver se aquilo faz sentido pra ela.

O feminismo PRECISA SAIR DA ACADEMIA E PRECISA PARAR DE SONHAR COM ESSE PÓS-MODERNISMO MASTURBATÓRIO (com o perdão do trocadilho) EGOÍSTA.

Anônimo disse...

Cereja, complementando:

VocÊ pergunta se uma bancada islâmica passa uma lei proibindo o álcool é democrático? Se for num parlamento legítimo, claro que é!!!
Cabe a quem não é islâmico não deixar que eles ocupem o parlamento.

Há uma porção de leis que eu não concordo que eu tenho que seguir porque a maioria (representada pelo parlamento) assim quis. E assim para todos, não é só o aborto que não é permitido, há muitas outras coisas que não nos são permitidas, apenas não ligamos ou já nos acostumamos. A democracia é assim, não podemos escolher que lei vamos seguir. Podemos lutar para mudá-la.

wagner

Anônimo disse...

a marcha tava marcada há seis meses. o papa deveria estar em guaratiba esse dia, não em copacabana.

Anônimo disse...

ainda tenho que ler q santas são homenagens a mulheres.

como vocês são tolas.

Dani disse...

Quando a Sara do femen protestou na mesquita todo mundo criticou ela e olha q ela não fez nem a metade dessas coisas e ela até se recusou a cumprir uma orden do femen internacional q mandava ela queimar uma cruz... Eu tbm não gostava do femen não, mas acho muita incoerência daquelas que criticavam a Sara apoiando tudo isso agora.

Anônimo disse...

vaza, macu.

não sabe nem o que é estupro.

Anônimo disse...

(...) Mas esse feminismo performativo e acadêmico não tá fazendo nada além de falar sozinho. Pergunta pra operária o que ela achou. Pergunta pra qualquer mulher na rua pra ver se aquilo faz sentido pra ela.

O feminismo PRECISA SAIR DA ACADEMIA E PRECISA PARAR DE SONHAR COM ESSE PÓS-MODERNISMO MASTURBATÓRIO (com o perdão do trocadilho) EGOÍSTA. [2]



Em tempo: combater cultura do estupro estuprando um símbolo feminino é bem eficaz, hein, champz! E ainda chamam isso de "delírio". As imagens falam por si! Simular violência sexual de um símbolo da virgindade, enfiando-a no cu, é usar uma mulher que representa todas as mulheres - principalmente pretas e pobres - do Brasil pro seu próprio prazer. Porque o que importa é gozar, né? E porque sexo é uma delícia. Principalmente quando se usa a imagem de uma mulher virgem. Os estupradores super concordam com vocês. Sigam em frente. Cavem a própria cova. Essa contradição dói tanto, né? Xinguem, esperneiem, mas, repito, as imagens FALAM POR SI.


Sabem por que vocês renegam essa verdade gritante?
É porque vocês não tem o mínimo de empatia. Se acham muito esclarecidas, mas continuam presas ao hermetismo das cátedras, dos livrinhos feministas, dos TCCs da PUC e da USP e NÃO OLHAM PRAS MULHERES MAIS POBRES.


REPITO, SE NÃO ENTENDERAM:
VOCÊS QUISERAM VIOLENTAR A IGREJA CATÓLICA, MAS VIOLENTARAM TODAS AS MULHERES POBRES DO BRASIL. NÃO SÓ AS CATÓLICAS, MAS PROTESTANTES, UMBANDISTAS, ENFIM.


Pra vocês, Maria não simboliza nada, mas todas, TODAS as católicas se sentiram violentadas, corrompidas, enfim, ESTUPRADAS vendo essas fotos.

Felizes?

Durmam bem. Se conseguirem.

Anônimo disse...

apoiada !!!!!!!!!

surreal esse pessoal aqui dizendo que tem que respeitar estatua de gesso.

MonaLisa disse...

E esses mascus não cansam de ser patéticos?

Dri Caldeira disse...

O ato pra mim foi imbecil pq não resolveu nada. Anos de luta contra a igreja católica foram jogados no lixo por causa disso, no meu entendimento. Os dogmas da igreja jamais serão combatidos com atos hostis, somente com atitudes sensatas, demonstração de que o diferente tb é "santificado" e argumentação. Fiquei muito triste e desanimei mesmo.

Nane disse...

Não leu que a performance não fazia parte da marcha?

Anônimo disse...

É preciso que se esclareça algo muito importante:
Em razão de o Brasil ser um país Laico, ao menos na teoria, toda a legislação visa proteger as pessoas e seus bens ou os bens públicos, e não uma religião.
Mesmo o artigo do Código Penal citado por Lola tem como intenção a proteção da moral (estado da pessoa) daqueles que tem o objeto, in casu, como parte da realização de seu culto.
Atentem: a lei não prevê neste caso a proteção do objeto religioso em si, mas a pessoa daquele que vê no objeto algo de sagrado.
Acredito ser este um artigo (mais um) desnecessário no código penal. Mas o excesso de criminalização de condutas não é o cerne aqui.
Apesar de não concordar que a conduta deva ser considerada criminosa, concordo com o entendimento do legislador: proteger o sentimento da pessoa do religioso.
Outra coisa importante a salientar: legalmente religião não pode ser ofendida, porque não é pessoa. O mesmo se dá com as imagens sacras: não são pessoas.
Portanto, do ponto de vista legal, e do meu ponto de vista particular (que se confunde com o legal... é evidente...) o casal do Coletivo Coiote, por óbvio, não ofendeu a religião católica. Não ofendeu a Igreja Católica Romana. Mas ofenderam GRAVEMENTE as pessoas dos católicos e cristãos não católicos, uma vez que alguns dos símbolos usados no ato pertencem ao espiritismo, ao umbandismo e a igrejas protestantes por exemplo.

Entendo o simbolismo do ato. Não concordo com o ato em si, mas concordo que as razões que o motivaram são de fato, no mínimo, revoltantes. A mensagem passada no entanto, foi de intolerância, de ódio.
A população precisa ser instruída, informada, conscientizada quanto as questões de gênero, liberdade sexual e empoderamento do corpo, e não ter suas crenças atacadas.
Me sinto repetitiva em dizer isto, mas o Brasil é o "país do carnaval". Festa pagã e condenada pela Igreja Católica Romana. No entanto muitos fiéis participam ativamente do carnaval.
Se os fiéis católicos agem de forma intolerante com a população LGBT ou com o feminismo, o fazem por falta de informação e por uma hipocrisia que nada tem com a religião que professam.

São hipócritas porque são. Não por fazerem parte da Igreja Católica Romana.

É fato que as tradições católicas estão enraizadas em nossa cultura e tem grande influência no pensamento, mas não são elas que tornam intolerantes a população, esta mesma população que vai a missa aos domingos e que festeja o carnaval. @carolinatxrf (continua...)

Anônimo disse...

O que torna a população intolerante é a falta de informação e a hipocrisia.
Atingir diretamente a fé das pessoas ao invés de informá-las e provocá-las a reflexão induz a uma guerra religiosa.
O ato do casal do Coletivo Coiote não traz informação nem provoca a discussão, pelo contrário, se parece muito mais com uma declaração de guerra.
A luta deixará de ser por uma realização plena dos direitos civis e constitucionais e passará a ser uma guerra religiosa.
O casal demonstrou que é preciso que a religião católica seja destruída para que a existência deles seja plena. E isto é uma mentira.
Se queremos um estado laico devemos fugir de uma guerra religiosa, devemos persistir numa linguagem laica. Devemos persistir na afirmação do exercício de nossos direitos ignorando os preceitos católicos ou evangélicos. A nós, não interessa o que diz a bíblia ou o alcorão, nosso texto sagrado é a Constituição Federal de 1988.
Não estamos sujeitos a bíblia. Sujeita-se a ela quem quer. No entanto TODOS estão sujeitos a carta magna.
Não quero o respeito dos católicos, quero o respeito dos meus concidadãos.
A Igreja Católica Romana é retrógrada e preconceituosa? É.
É da nossa conta? Não!
As revoluções que devem acontecer na Igreja tem que ser realizadas por seus fiéis.
Nossa luta não é contra os fiéis católicos, nossa luta é contra os cidadãos brasileiros preconceituosos.
Tenhamos ainda em mente que há uma enormidade de católicos que se posiciona a favor dos direitos da comunidade LGBT e da mulher e que foi atacada justamente por aqueles por quem lutam.
Ser católico/cristão não é sinônimo de intolerante, não significa ser a favor do aborto, não significa ser homofóbico ou transfóbico.
NÃO SE COMBATE PRECONCEITO COM PRECONCEITO.

@carolinatxrf

Roxy Carmichael disse...

"usar uma mulher que representa todas as mulheres - principalmente pretas e pobres - do Brasil pro seu próprio prazer."

gente, pára.
tem argumentos até interessantes contra a performance, mas assim, esse argumento foi como posso dizer...atroz!

e continua! socorro!
"VOCÊS QUISERAM VIOLENTAR A IGREJA CATÓLICA, MAS VIOLENTARAM TODAS AS MULHERES POBRES DO BRASIL . NÃO SÓ AS CATÓLICAS, MAS PROTESTANTES, UMBANDISTAS, ENFIM."

não, amiga, o nome disso não é performance, é a igreja obstaculizando qualquer progresso social, com destaque para aqueles que trariam sim uma mudança significativa na vida principalmente dos mais pobres chamado política de planejamento familiar, direito reprodutivo, educação sexual e aborto legal e gratuito. é essa "performance" que custa a vida de milhares de mulheres, a maioria delas, católicas...

afirmo que melhorou meu humor. então dormirei feliz sim. porque esse argumento é tão absurdamente tosco, non sense, delirante, mal formulado que me sinto assim, gilles deleuze, lacan, derrida, foucault, toda essa galera bafuda junta! hahahahahahaha

Sam disse...

Se eu entendi bem o texto, a Lola não estava exatamente se opondo ao ato de vilipêndio às imagens (não vi claramente uma opinião contrária ou a favor ao ato em si) , mas sim questionando o contexto em que o ato ocorreu. Na verdade, não sei se é tão pertinente discutir a validade artística da performance de um modo geral, porque não dá mesmo pra comparar a situação da MdV (manifestação aberta ao público) com um evento musical ou teatral, por exemplo, pelos quais as pessoas pagaram e foram voluntariamente assistir.

O fato é que as pautas são muitas e a manifestação é plural, mas, antes de ser uma mera exposição de ideias, acho que a Marcha tem objetivos maiores e mais práticos. Quer dizer, eu acho bem prático expor mensagens favoráveis aos direitos reprodutivos e tentar criar um vínculo de solidariedade entre as mulheres, porque isso realmente passa a mensagem que nós queremos passar, acima de tudo: respeito às liberdades individuais. Daí, eu não vejo como que desrespeitar símbolos religiosos pode trazer um resultado interessante no contexto da MdV, pelo contrário, atrair repercussão desnecessariamente negativa atrapalha um bocadinho.

Também acho muito válido considerar que várias pessoas na Marcha são católicas e elas merecem toda a consideração. No entanto, eu acho um exagero que haja tanta comoção por causa do desrespeito à IC. Claro que foi desrespeitoso, ué, era esse o objetivo. Longe de dizer que eu aprovo, mas também não me esforçaria muito pra rechaçar o ato. Claro que eu sou realmente suspeita pra falar, mas não dá pra colocar no mesmo patamar o vilipêndio aos símbolos católicos e o desrespeito a símbolos ou práticas umbandistas, por exemplo, ou quaisquer outras crenças, como algumas pessoas comentaram. Porque não é o representante dos orixás ou de Iemanjá (perdoem-me a provável ignorância) que atravessa países para pregar o amor homofóbico, a submissão da mulher perante o patriarcado e a relativização do laicismo. Então, não, não consigo ter muita compaixão pelos sentimentos papais. E eu também acho meio absurda essa tipificação de vilipêndio a símbolos religiosos. Quer dizer, se os ateus forem ridicularizados e comparados a criminosos por um apresentador sensacionalista, em plena tv aberta, incitando o ódio e a intolerância contra pessoas que não creem em um deus, o ordenamento jurídico brasileiro não fornece nenhuma proteção adicional contra esse tipo de desrespeito a crença alheia (partindo do princípio que não crer em deus é... bem, uma crença). Enfim, não consigo concordar com um excesso de tato em relação à religião que basicamente institucionalizou a homofobia e o patriarcalismo - e, pode parecer infantil querer dar o troco, mas realmente foram eles que começaram.

Resumo da ópera: não concordo com o ato na MdV; entendo a chateação dos católicos; não vamos querer comparar os danos morais causados pela performance com todo o histórico de opressão da IC.

Anônimo disse...

Olá,

o simples fato de, digamos assim, "metade" concordar que essa performance foi muito linda, muito perfeita, e "a outra metade" ver um estrago mostra o seguinte: o movimento como um todo precisa passar por uma autocrítica e repensar seus valores, talvez uniformizá-los um pouco mais.

Eu só vejo mesmo estrago.

Pq esse movimento tenta se comunicar com pessoas que, na média, bem, elas não estão nem aí, elas estão ocupadas demais com seu dia a dia e é mais fácil consumir a notícia e o modo de pensar que é servido quentinho no café da manhã antes do trabalho pela Globo do que em ir a fundo, pesquisar, refletir, e -JEZUIZAMADO, DEUSULIVRE- contestar.

A comunicação já é difícil.

Agora com essa porcaria de atuação (sim, achei uma merda desnecessária e não vi nada de útil, foi só provocação imunda a céu aberto) como ruído no meio da comunicação as coisas só ficam piores pra marcha.

Vale lembrar pras feministas que hostilizam as coleguinhas que isso nada mais é do que a divisão que permite ser conquistado.

Anônimo disse...

Estão dizendo que foram atos individuais, que ninguém da marcha apoiou e tals, mas e aquele monte de feministas em volta, de mãos dadas, fazendo um cordão de isolamento pra a tal performasse ?

Ana Líbia Fernandes disse...

A primeira notícia que chegou a mim sobre essa intervenção foi justamente do JN. Da forma como foi posto lá achei bem rude. Mas aí (como disse no post de um amigo) me lembrei da marcha LINDA da qual eu fiz parte, da marcha honesta, de uma marcha plural, e definitivamente caguei pra cobertura sempre com fins distorsivos da Rede Goebbels.

Fui bem reativa a princípio. Como uma boa coxinha, inicialmente desconsiderei TODO O CONTEXTO da reportagem, mas aí eu mesma me cutuquei, e disse pra mim: cara, tô engolindo essa história muito fácil, peraí. E fiquei com a questão na cabeça, matutando.

Como ontem foi meu aniversário e eu fiquei praticamente o dia inteiro fora - cheguei da marcha umas 6 da noite em casa, nem sentei no pc, tirei um cochilo, me arrumei e fui pra minha festa - só hoje pude perceber melhor o impacto da notícia. Então li alguns textos que, pelo menos pra mim, fizeram muito sentido.

Como eu havia dito ontem, essa intervenção não me representa. Eu não sou católica - passo longe de igreja justamente por ter sido criada numa e ter um cérebro e língua grandes demais - mas eu não voltei os meus olhos pra minha experiência com o catolicismo. Eu olhei pra minha mãe. Eu olhei pra minha avó. Duas pessoas que eu amo. E quando olhei pra elas, me imaginei fazendo a performance realizada por essas pessoas. Me desculpem se eu estiver parecendo moralista. Não é isso. Não é mesmo. Mas é que eu não consigo entender de que forma essa intervenção possa promover a dialogicidade. E dialogicidade, no momento, é uma bandeira que eu acho bastante importante.

Havia peregrinos da JMJ por perto, e alguns deles pediram informações, queriam estar cientes do que ocorria. E é nessa galera que eu presto atenção. Nesse pessoal que conhece a igreja, de repente até melhor do que eu, que tem questionamentos. Eu posso ser inocente, mas eu acredito que quem vai implodir a igreja enquanto instituição são eles. Mas eles vão precisar de alguém que os oriente. Eles vão precisar de informação. É claro, eles também terão que buscar isso por si mesmos. Quem tem interesse DE VERDADE corre atrás. Mas, desde ontem eu bato na tecla: não sejamos hostis com essas pessoas.

Entretanto, eu entendo perfeitamente que as pessoas que protagonizaram a intervenção podem ter todos os motivos do mundo para ter ódio da instituição católica, que os reprime brutalmente, física e psicologicamente há pelo menos dois milênios. Não os julgo moralmente. Quero que a ~moral~ tal e qual a conhecemos discursivamente vá mais é pro inferno. Mas eu, Ana Líbia, não faria isso. Todavia entendo, de verdade, que aquilo é uma resposta por toda a exploração, discriminação e abusos promovidos, legitimados e ainda tocados adiante pela merda da igreja.

Lilian Soares do Nascimento disse...

Performance artística? Liberdade para protestar e se manifestar? E desde quando enfiar uma cruz no meio do cu em plena praça pública é sinal de manifestação de liberdade? Como sair em plena praça pública, espaço de todos, para fazer coisas que competem a esfera privada? A primeira vez que vi essas imagens pensei ter clicado por engano em alguma imagem pornô de BDSM! Que que é isso? Uma coisa é um grupo fazer uma imbecilidade tremenda como essa, outra é ter pessoas defendendo esse tipo de... "liberdade". Condenar essa atitude não é defender a Igreja católica ou a religião. É estritamente e exclusivamente condenar esse tipo de atitude. Como tem ativista BURRO e FANÁTICO. Incrível. Realmente.

L. G. Alves disse...

"aquele monte de feministas em volta, de mãos dadas, fazendo um cordão de isolamento pra a tal performasse ?" Acho que a Lola postou sobre isso também. Dá uma lida ;)

L. G. Alves disse...

"que as manifestantes da Marcha, pegas de surpresa, fiquem só olhando, e talvez se deem as mãos e façam uma roda para impedir que os performáticos sejam atacados."
Aqui ela explica o que aconteceu para que ficassem olhando de mãos dadas e fizessem o tal "cordão de isolamento". Foi para impedir que o casal fosse atacado. Foram pegas de surpresa. Não souberam o que fazer.

Vera disse...

Desde quando alguem tem direito de praticar atos sexuais no meio da rua?
Mais bizarro q aquela cena é ter gente defendendo esses doidos,se o cara gosta de se masturbar com madeira enfiada no ku .q faça isso em casa.
Falta de respeito n só com religiosos mas com todos,daqui a pouco vai ter gente praticando orgias no meio da rua,está passando dos limites.

ZERO disse...

lola não estou debochando só vou ser irônico. vocês feministas engravidam muito facilmente hein? que tanto filho vocês tem pra abortar? usem camisinha, ou melhor não percam tempo fazendo sexo com homens inúteis sejam independentes. eu sei que escrito ficou um pouco agressivo, de fato mas faz algum sentido. os: não sou masculinista.

Anônimo disse...

A marcha das vadias está cada vez melhor... primeiro racismo e agora intolerância religiosa. sqn
Só quero saber uma coisa... aonde eu deixo minha carterinha kkkkk

Anônimo disse...

"Tem que argumentar," "tem que respeitar."

Há quanto tempo o feminismo vem respeitando e argumentando do modo limpinho e cheiroso?

Isso deu no quê?

Pois é. Se ficar sentada quietinha no meio do caminho, a opressão passa por cima e o sistema agradece.

Muito linda a retórica de um Martin Luther King, mas é preciso um Malcolm X pra sacudir as estruturas.

Cereja disse...

Não existe democracia em um Estado não-laico, porque nem tudo é uma questão de "ser contra" ou "ser a favor". Aborto, métodos contraceptivos (a igreja pode não ter o apoio dos próprios fieis sendo contra a camisinha, mas de vez em quando alguém aparece querendo dificultar o acesso à pílula, por exemplo), essas questões são de saúde pública e quando você coloca valores vinculados à crenças pessoais acima de um problema de saúde pública a democracia é ferida.
Agora a bancada religiosa está pressionando a Dilma pra que ela vete uma lei que garante atendimento à vítimas de estupro. O que o povo ganha com isso? Qualquer segmento do povo, mesmo aquele que jamais será estuprado, o que eles ganham com isso?
Quem perde são às vítimas de estupro.
E quando a bancada religiosa tentou passar por cima de uma resolução do Conselho Regional de Psicologia com o projeto que dava margem pra "cura gay"? Quem ganha com isso? A sociedade? Acho que não. Então não venha dizer que a interferência religiosa no Estado é democracia.
A democracia não deve interferir nas liberdades individuais, enquanto o poder religioso faz isso o tempo todo.
É como eu disse, numa democracia as pessoas tem o direito de fazer aborto, de usar pílula do dia seguinte, de consumir álcool, de fazer várias outras coisas, elas continuam tendo a opção de NÃO fazer essas coisas. ISso é democracia. Você tirar o direito de escolha é anti-democrático. Tipo, por definição. E isso independe se quem está tirando o direito de escolha são religiosos, militares, qualquer outro grupo conservador e outros extremistas.
O fato é, como eu já disse, a Igreja Católica pode não ser a única a fazer isso (infelizmente existem vários grupos que fazem isso), mas a IC faz isso. Ponto.
Quando VOCÊ, Wagner, tiver uma liberdade sua ameaçada por causa da crença religiosa alheia, eu quero ver se vai continuar achando democrático tentar passar leis que vão contra os direitos humanos em nome de crenças PESSOAIS.

Cereja disse...

Lilian Soares do Nascimento disse...

Performance artística? Liberdade para protestar e se manifestar? E desde quando enfiar uma cruz no meio do cu em plena praça pública é sinal de manifestação de liberdade?


Por que isso não seria manifestação de liberdade? Se eu quiser enfiar uma cruz no meu cu, tirar uma foto e colocar na internet eu to ultrapassando o limite da minha liberdade?
A performance deles pode ter sido de mau gosto e ter acontecido na hora e no lugar errado, mas eu tenho que defender a liberdade de expressão deles. Acredito que aquilo tenha seu cunho artístico sim.
Arte não é feita pra agradar, pra todo mundo achar bonito.
Tenho certeza que eles tiveram uma intenção com a encenação e o fizeram pra chocar, pra chamar atenção, pra provocar, pra causar todo tipo de reação. Arte é isso.
Eles só foram infelizes de fazer isso durante a Marcha das Vadias, sem levar em consideração que o ato deles poderia ser vinculado com a Marcha (não só a do Rio, mas todas as Marchas das Vadias pelo Brasil), nem levaram em consideração que existem feministas que são católicas e que existem católicos que apoiam o movimento feminista.

Mariana disse...

A performance foi de mal gosto. E sinceramente , as imagens geradas pela quebra de santos e crucifixos introduzidos no ânus me incomodaram. Porém não consigo me "juntar ao coro" e condenar esses atos por que acredito que o feminismo seja simpático ao oprimido. Eu vi uma manifestação artística na performance (de gosto duvidoso), onde nenhum templo foi invadido, nenhum dos símbolos utilizados foi tirado de nenhuma igreja. Nenhuma das imagens estava consagrada, então acho sim que quem defende a idéia de intolerância religiosa ou está ingenuamente equivocado ou sendo intelectualmente desonesto.
Creio que a condenação do ato pela maioria das feministas seja mais político do que ideológico, e entendo os argumentos que as fazem agir assim, só que me sinto mais simpatica a quem realiza uma performance equivocada de forma sincera do que quem busca agradar gregos e troianos.

Patrícia disse...

Lola, sou militante do movimento feminista há cerca de dez anos. Já fui chamada de assassina MUITAS vezes, já gritei em audiência pública, fui agredida por policiais (e reagi), já marchei ao lado de várias mulheres cometendo atitudes que de longe podem ser chamadas de fofinhas. Algumas, aliás, nem posso narrar aqui.
Bom, me orgulho, dentro desses anos todos, de saber que sim, sou uma referência para meus amigos/amigas e conhecid@s quando o tema é feminismo. As pessoas se sentem provocadas, eu visto a camisa mesmo. Não fico calada diante de uma atitude machista, homofóbica, transfóbica (trabalho num ambiente muito masculino) e hoje em dia, quando alguém tem alguma dúvida, quando alguém quer uma ajuda (Lei Maria da Penha, por exemplo), nem pensa duas vezes: vez falar comigo.
Mas minha posição, quando comecei no movimento (e agora me dei conta de que são 12 anos de militância) era extremamente radical. Eu não aceitava qualquer questionamento quando bradava aos quatro ventos sobre a opressão patriarcal, e reagia de forma bem violenta com machistas de plantão.
Hoje, só pra situar que lerá o comentário, me aproximo mais do que se chama "feminismo marxista", e além do meu grupo feminista específico, busco inserir em todos os movimentos onde ajudo a construir aqui em meu estado a luta das mulheres. Bom,disse isso por que essa mudança me fez perceber que a minha agressividade precisava ser revista (acho que a maturidade com o passar dos anos tb, claro). Muitas vezes um comentário que eu considerava apenas idiota, comecei a perceber que partia de uma realidade muito diferente da minha: aquele companheiro ou companheira foi criado num contexto tão, mas tão diferente, que reagir sem considerar aquilo (logo, sem paciência)não só não ajudaria em nada como deixaria o feminismo cada vez mais distante das grandes massas oprimidas, da classe trabalhadora.

Ah sim, e por falar em classe trabalhadora, eu tenho um aviso às desavisadas e aos desavisados: a grade maioria da classe trabalhadora no brasil é religiosa - cristã (católica ou não)!!

Não foi de um dia pra outro que percebi que dentro do sistema capitalista não conseguiremos acabar com a opressão das mulheres*, e que o feminismo PRECISA ser fortalecido dentro dos movimentos camponês e operário (simplificando aqui.

Bom, onde quero chegar com tudo isso: eu, logo depois de saber desses atos que considerei absolutamente desnecessários (o dos símbolos, não os beijaços ou palavras de ordem) fui fazer minha parte - ir comentar com minhas amigas e amigos minha opinião a respeito para que tod@s saibam que NÃO, O FEMINISMO NÃO É UMA MASSA HOMONGÊNEA.
Pois fiquei com receio de todo o avanço que consegui com elxs (hoje, por exemplo, tenho uma amiga que é católica,e se dizia fazendo uma luta linda enquanto negra e feminista) desse mil passos pra trás.
E engraçado sua alusão ao grupo de origem ucraniana, pois foi EXATAMENTE A MESMA COISA QUE FIZ QUANTO AO FEMEN: "corri" pra explicar que aquilo não era feminismo!
(continua)

Patrícia disse...

(continuação)
Bom, é chato, pois eu poderia estar direcionando minha energia em outras coisas. Mas a luta não é fácil, ninguém disse que seria.

Sabe, nem de longe as ditas feministas que liberam a carteirinha de feminismo Brasil afora vão mudar minha opinião. Eu vejo essas briguinhas de internet, nunca comento nem divulgo. Acho de uma tristeza sem tamanho e um desserviço ao feminismo.

Eu quero saber quem considera que pra superar a opressão patriarcal precisamos também (embora não apenas) superar o sistema capitalista;
Eu quero perceber que essas pessoas entendem da luta de classes, e que lado escolhem nessa luta;
quero saber quem entende que é preciso respeitar e compartilhar com a classe trabalhadora brasileira, majoritariamente cristã (e como bem dito pela Lola, nem de longe tão reacionária quanto as instituições em que acreditam, é uma questão de fé);

é com essas pessoas que eu me importo, é com elas que eu quero discutir.

Eu não sou católica, às vezes me considero espírita, e às vezes não sei se acredito em deus.

me aproximar da luta d@s camponeses e ribeirinhos aqui no meu estado, pessoas tão à margem, tão exploradas, e perceber a importância das pastorais, da teologia da libertação pra essas pessoas...ver a importância desses símbolos na permanência da luta e na força, quando tudo o mais é difícil, quando a fome impera, quando a morte é a regra...me fez sofre vendo aquilo tudo.

Pra mim? são pedaços de gesso e madeira. Mas sei que pra muita gente, que quero ver um dia dizendo: "SOU FEMINISTA!" representa muito mais que aquilo.
Fico chateada (mas não surpresa) ao saber que um pequeno grupo de uma grande capital se afasta dessa massa,para chocar o papa (??).

Mas bora que bora, a luta continua.

Becx disse...

O pior é que vc acha que fez um comentário muito sagaz. ...não é verdade?

Anônimo disse...

Durante anos defendi o feminismo e "catequizei" diversos amigos e amigas.

Apontei sempre no sentido da tolerância. Tolerância pedida pelos que não são respeitados, pelos excluídos e minoritários.

Sou, por diversas vezes, rotulado de "Homem Feminista".

Hoje vejo que o movimento está virando um dos monstros que quer combater. Vil, excludente, agressivo e desrespeitoso.

Desde o último fim de semana, não me considero mais simpático ao movimento.

E junto comigo, milhares de outros "moderados apoiadores" não mais lhes amplificarão a voz.

Estou certo de que não faremos falta. Na opinião de vocês, enfiar uma cruz no c* é mais importante que angariar a simpatia dos demais.

Becx disse...

Outro que acha que a X abou de fazer um comentário suuuuper inteligente!

Luci Araújo Beauvoir disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luci Araújo Beauvoir disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Becx disse...

Querido, vc nunca esteve dentro. .. se vc ta fazendo tanta força pra não enterder o texto. ... vc nunca esteve dentro. Com certeza é só mais um troll atrás do anonimo....

Anônimo disse...

Tudo isso por causa de uma performance?
poxa, na boa... Porque dar atenção a isso? Porque alimentar isso?
quero saber do fundo dos seus corações porque isso importa? Porque incomoda?
Eu acho enriquecedor e triste ao mesmo tempo.
Enriquecedor pois quem quiser observar isso de uma forma mais afastada, vai reparar que existem grupos reliogiosos terriveis que como vc mesma disse estão até ameaçando as organizadoras de estupro.
Existem pessoas que ficaram tão chocadas que xingam, outras tão chocadas que acham q tem q emitir alguma opinião, mas estão tão perdidas que seria melhor ficar quieto até ter uma opinião para emitir. O triste, que também é enriquecedor, é reparar como as pessoas tem essas crenças enraizadas sem perceber. Porque isso teve tanta importancia? porque vc se sente obrigada a comentar isso, mais ainda, a reprimir o ato da performance, a defender um movimento? nem as organizadoras se sentiram nessa obrigação. é isso, tem que refletir. Eu não curto botar os peitos pra fora, mas eu tava lá. Não critico quem faz isso. Eu não curto enfiar uma cruz no cú, fiquei chocada tb, mas não critico quem fez. Já está feito, já foi. Pode ter sido exagerado, mas nas manifestações tb tem gente que quebra bancos e varias coisas. Sempre que houverem manifestações, estaremos expostos a todo tipo de expressão. Em todo lugar que tem muita gente tem problema, em todo lugar que tem muita gente é impossivel concordar em tudo, eu não concordo com todos os cartazes da Marcha, eu não concordo com todas as pautas das manifestações, mas eu estou lá. Porque o mundo é diversidade, a humanidade é diversidade. E pelo visto, ainda não estamos preparados pra isso.

Luiz disse...

Acho que você pode fazer o que quiser com seu corpo. Faça o que quiser com ele. Até cortar uma perna se quiser, desde que você não bata na porta do INSS depois. Você não tem direito de fazer nada é com o corpo dos outros. Se por livre e espontânea vontade sua você for para a cama com um homem e se engravidar dele, defendo que você cuide da criança e que o pai, na pior das hipóteses pague a pensão. Um dos efeitos colaterais do sexo é gravidez. Aprenda isso. Não quer engravidar. Usa 5 camisinhas. Nada de matar o feto depois. Ele é o único inocente nesta história. Cabe a você e ao pai cuidar bem dele durante e depois da gravidez.

Sobre aborto. Tenho posições muito claras sobre aborto e pena de morte. Primeiro gravidez não é doença. Nunca nenhum médico a trata assim. Quando a gravidez passa a ser uma doença a lei permite que se faça aborto. Acho correto. Outro caso é o estupro. Não me consta que mulher estuprada escolheu engravidar. O resto é escolha.

Já vi alguns argumentos plausíveis em defesa do aborto (Certamente não são os seus). Já vi outros tantos em defesa da pena de morte. No meu conjunto de valores rejeito ambos, porém defendo prisão perpétua principalmente para homicidas de qualquer espécie.

Outra coisa. Sustentar a indústria armamentista alemã? Meu D'us! Quanta ignorância. A industria armamentista alemã é extremamente controlada. Até pouco tempo atrás a Alemanha era proibida de ter exército por causa do tratado de rendição de Potsdam assinado ao fim da Segunda Guerra. A Grécia está em crise por causa da incompetência e a megalomania dos gregos. O resto é armazém de secos e molhados.

Tem razão você. A Alemanha não tem que ensinar nada ao Brasil é o contrário. A Alemanha que tem que aprender conosco.

Um último link. Veja o que Morgan Freeman fala sobre racismo em uma entrevista concedida a um judeu.

http://www.youtube.com/watch?v=ZpNNIMpfrcg

Robson Fernando de Souza disse...

Fico feliz que eu não esteja sozinho na minha colocação contra a depredação. E que alguém como Lola concorde comigo.

Foi um pesar ter escrito o meu artigo criticando o ato, porque eu já sabia que receberia bastante fogo amigo de feministas favoráveis à violência contra símbolos religiosos. Pois bem, fui acusado de ser "alinhado com os conservadores" e de ter uma posição "liberal" sobre a questão da liberdade de crença.

Mas o pior nem foi isso. Foi ter sido apoiado por reaças da pior categoria (aliás, um reaça até o momento), antes de ter posto acima do meu artigo uma advertência de que não aceitarei apoio de nenhum reaça e qualquer comentário odioso deles vai ser apagado.

De fato o ato da destruição das imagens sacras foi um gol contra bizarro que atentou contra o feminismo e a favor dos reaças, que agora vão poder dizer que nós feministas somos "demônios antideus". E sem falar que isso pode ter afastado do interesse pelo feminismo muitas mulheres católicas que, antes de tal ato, simpatizavam conosco e se interessavam em saber mais sobre o feminismo. Isso muito embora o casal de destruidores não represente o feminismo.

Foi um ato que lembrou os atos de entidades que vivem atentando contra as próprias causas que defendem, como o Femen, a ATEA e o PETA. Imaginei por algumas horas que fossem infiltrados sabotando a Marcha das Vadias, tentando pintá-la de ódio antirreligioso.

Cora disse...


Pelo jeito, muitas feministas continuarão usando as mesmas pedras dos detratores para criticar o ato performático do coletivo coiote.

E muitxs estão se afastando do feminismo por causa desse ato. Putz...

Lamentável.

Quem usa um único ato para criticar e desistir de um movimento que é imensamente maior do que o ato, nunca foi um aliado. A pergunta interessante, Lola, é: Vale a pena aliados tão pouco comprometidos? Aliados com os quais não se pode contar e q abandonam o barco sem nenhuma razão?

Achar (e alimentar a ideia) q este ato mancha de alguma forma o feminismo é um absurdo total e me entristece grandemente que muitas feministas pensem assim. Corroborar a ideia de q causou um estrago... gente, se esse ato tem o poder de causar um estrago, só significa uma coisa: o feminismo no brasil precisa se fortalecer muito. Concordar com isso é dizer que tudo o que já foi produzido pelo feminismo brasileiro não tem valor algum. Isso me parece mais rendição do que qualquer outra coisa.

Faço minhas as palavras da anônima que postou em 29 de julho às 22:22.

Principalmente este trecho:

“As feministas pretendem se concentrar nessa discussão, e dessa maneira (perderemos adeptos etc.)? Não preferem discutir a lupa midiática sobre um acontecimento localizado da marcha e o sensacionalismo com que o trataram? Não preferem discutir a distribuição grotesca de fetinhos de plástico na JMJ enquanto os religiosos fazem lobby para evitar que mulheres estupradas recebam do sus um tratamento mais adequado?

Isso sim me deixa chocada.”

Grifo meu. No meu entendimento, é isso que deveríamos estar discutindo aqui. Mas, ao invés disso, nos aliamos aos detratores do feminismo.

.
.

Roxy, saudades de ti. Ainda bem q vc apareceu. E curto o soninho com vc.

.
.

Concordo totalmente com a Julia:

“Essas pessoas que dizem que essa performance estragou/manchou/acabou com o feminismo e que as manifestantes sujam a imagem de todas as mulheres do mundo (das que ainda não nasceram as que já morreram) nunca serão nossxs aliadxs.”

Vicky Berger disse...

Acho engraçado como estão querendo se safar da culpa que lhes cabe.Quem fez a rodinha fez parte do show sim.Não adianta virem com desculpas esfarrapadas.As imagens falam por si sós.Além de ignorantes e sem o menor pingo de respeito,o que chama a atenção é que os artistas dessa palhaçada são muito covardes,esconderam o rosto.Marcha das vadias e desocupadas.

Unknown disse...

Os movimentos sociais realmente não deveriam só dialogar com a Academia e com as Artes, a pergunta deveria ser: o que as pessoas entenderam? Porque o que NÓS entendemos, a contextualização artística da performance, não conseguir deslocar o pensamento para o que isso produz como consequência de entendimento em massa, da notícia que saí no Jornal Nacional, isso sim é não ter capacidade de compreender que a reverberação está muito muito além das salas de aula de filosofia, de Artes, de Antropologia, de qualquer área de conhecimento.
Fica sim um discurso meu para mim mesma e para poucas dezenas de pessoas que me entendem...
isso também é importante, quer dizer, a reflexão crítica e difícil e radicalmente profunda da Academia, dos coletivos performáticos, dos grupos artísticos, enfim, tudo isso é fundamental.
Mas os "monstrinhos" que alimentamos e que vão circular aí pelas ruas promovendo violência e intolerância, são sim de responsabilidade coletiva e de responsabilidade da grande mídia principalmente...
O problema é que esses monstros reacionários ganham alimento nesses lugares, nas rupturas, nos mal entendidos, na informação completa que não chega, na falta de reflexão e profundidade em TUDO.
Foi sim um ato de violência simbólico, isso é inegável e é claro que importa também a violência histórica que a Igreja perpetua e cria, mas importa também pensar que a imagem de Maria é uma Imagem de conforto e de Mãe e de Mulher única na Igreja.
Eu sou devota de Nossa Senhora e NÂO me sinto agredida com a performance,inclusive porque tb trabalhei com performances, mas sei que sou MINORIA nesse entendimento e sei que isso é absolutamente arrasador no entendimento da maior parte das mulheres que são devotas de Nossa Senhora.
Não estamos discutindo Arte e Performance de modo isolado, dentro de uma contextualização artística.
Estamos discutindo um ato performático dentro de um movimento social, dentro do feminismo, isso importa MUITO.
E é nesse contexto que a reflexão precisa seguir, acredito.

Aurelio Moraes-Jornalista disse...

Escrevi "diz um comentário", em vez de "fiz".
http://aureliojornalismo.blogspot.com.br/2013/07/quebrar-imagens-religiosas-nao-auxilia.html

Há uma diferença entre se manifestar e fazer isso. Qual a intenção de quebrar imagens religiosas? O que vão conseguir? Mudar a opinião da Igreja ou dos católicos conservadores? Ou apenas angariar antipatia?
Qual a diferença entre isto e agir como um fanático religioso?

Como querem conquistar respeito dos católicos moderados (que eu acredito que hoje sejam a maioria) e da sociedade em geral, passando esta mensagem de intolerância? Sei que foi uma minoria que realizou este ato e muitas mulheres até tentaram apartar a situação, mas o grupo que agiu acabou atrapalhando a manifestação e infelizmente dando mais corda para o discurso "puritano".


Algumas pessoas usaram a seguinte comparação: "A Igreja Católica reprime as mulheres em uma série de coisas, logo é justificável que quebrem imagens religiosas". Não, uma coisa não justifica a outra. Erros não justificam outros erros. Esta é o velho erro de lógica (falácia) tu quoque. Ex.: Fulano foi abusivo, logo eu também posso ser.

Com certeza o grupo "Católicas pelo direito de decidir", que apoia o feminismo, não gostou deste ato. Para os católicos, imagens da Virgem Maria e tantas outras possuem um grande valor sentimental. Qualquer pessoa, mesmo que descrente no catolicismo, sabe disto.
Tenho certeza que se algum movimento destruísse imagens de religiões africanas, como já ocorreu com evangélicos quebrando imagens assim em terreiros de macumba, mais pessoas criticariam.
Não se conquista o respeito de um nicho da sociedade com baixaria e vandalismo. Também não se responde agressão com agressão. No mesmo dia, um peregrino cuspiu no rosto de uma manifestante da marcha das vadias. Para quê isto? O que se consegue com este tipo de agressão? Nada.

Podemos viver em uma sociedade onde haja sim bastante espaço para feministas se manifestarem, por motivos mais do que justos, e religiosos realizarem seus rituais e terem suas crenças, sem serem ofendidos. Respeito de todas as partes é sempre o melhor.

Anna disse...

Fico feliz de comentários como os de cora, roxy e outros mais acima.

Particularmente, as fotos me deixam meio chocada, mas quem sou eu para dizer o que eles devem ou não fazer durante uma performance? E sinceramente, os comentários do tipo 'eu era feminista mas depois disso não sou mais! Que a marcha morra! #feminazis' são ridículos.. aconteceu isso, que não tinha nem a ver com a marcha (que é por sinal uma pequena parte do movimento) e vocês não se dizem mais feministas? são o que agora? machistas, misóginos? Enfim, tchau pra vocês..

W Monteiro disse...

Lola, discordo de vc em muitas coisas, mas vc foi de uma lucidez impressionante agora. Obrigada, mil vezes obrigada por esse texto.

Lilian Soares do Nascimento disse...

Cereja disse...

"Por que isso não seria manifestação de liberdade? Se eu quiser enfiar uma cruz no meu cu, tirar uma foto e colocar na internet eu to ultrapassando o limite da minha liberdade?"

R: Veja a sua comparação descabida. Uma coisa é você publicar isso na Internet onde pessoas vão acessar suas fotos SE quiserem e preferencialmente em seu ambiente privado - de todo o modo, individualmente, com restrições devidas a idade e informação de conteúdo...
Outra coisa, completamente diferente, é alguém fazer esse tipo de coisa em plena praça pública. É um ato libidinoso, sexual. Tais atos são destinados à esfera privada, devem estar desvinculados de manifestações políticas, pq política é ação discursiva que visa o coletivo. Religião, fetiches, desejos sexuais, atuações sexuais são coisas que se resolvem em esfera privada: seja em casa, motel, casas de eventos propícios para esses fins, mercado pornográfico profissional ou amador, enfim.
...
"A performance deles pode ter sido de mau gosto e ter acontecido na hora e no lugar errado, mas eu tenho que defender a liberdade de expressão deles. Acredito que aquilo tenha seu cunho artístico sim".

R: a performance deles foi criminosa. Se masculinistas resolvessem inventar uma performance artística que visa masturbação pública de seus órgãos genitais seria expressão de liberdade? CLARO QUE NÃO. E sabe pq? Liberdade só pode ser entendida enquanto tal QUANDO contempla a todos que tem o direito de circular pelo ambiente. Desde uma criança a um ancião, dos mais diversos credos e visões. Ou seja: a liberdade na praça pública deve ser plural, atender a todos e por isso ter os seus limites.
...
"Arte não é feita pra agradar, pra todo mundo achar bonito.
Tenho certeza que eles tiveram uma intenção com a encenação e o fizeram pra chocar, pra chamar atenção, pra provocar, pra causar todo tipo de reação. Arte é isso."

R: Nossa, então devo considerar como artistas geniais os diversos grupos de homens reunidos pelas ruas que tem a brilhante criatividade de recitar as palavras mais obscenas e nojentas
enquanto mulheres passam ao seu lado. Recitações que realmente chocam, desagradam e causam todo o tipo de reação. São verdadeiros "artistas". Francamente.
...
"Eles só foram infelizes de fazer isso durante a Marcha das Vadias, sem levar em consideração que o ato deles poderia ser vinculado com a Marcha (não só a do Rio, mas todas as Marchas das Vadias pelo Brasil), nem levaram em consideração que existem feministas que são católicas e que existem católicos que apoiam o movimento feminista."

R: o que já é muito grave. Mas, o ato deles ainda consegue extrapolar tudo isso. È um verdadeiro crime contra a liberdade.

disse...

Sou católica e aquela performance realmente me chocou,conheço gente aqui da Bahia que foi para JMJ com filhos pequenos e imaginar essas crianças assistindo este espetáculo me choca ainda mais.
No entanto não vejo o caso como uma afronta, é apenas o grito daqueles que foram feridos e silenciados.
Já fui no velório de uma pessoa que morreu por fazer um aborto, é incrível, a impressão que é que você foi para o velório de uma assassina, não vi ninguém comentando o que fez aquela mãe de 3 filhos cometer um aborto, o único comentário era: aonde come 3, come 4, blá, blá, blá ...Era adolescente na época e vivenciar isso marcou de forma negativa minha vida, hoje aos 30 tento digerir isso, mas eu não tenho como ser contra o aborto. Mulher não é uma instituição do estado, é um ser com autonomia para fazer o que quer e bem entende, então por mais que não participe, me sinto representada pela Marcha das Vadias. E acho que sim, elxs tem direito de se manifestarem como acharem melhor, só é preciso tomar alguns cuidados como os citados por Lola.
Mudando um pouco de angulo, o que é pecado? É toda forma de desamor. Então fico imaginando como uma pessoa que se diz cristão, pode em sã consciência ameaçar outras pessoas, só porque elas se expressaram, soltaram, colocaram pra fora aquilo que estava em suas cabeças e corações? Esses cristãos não me representam, e nem representam a igreja de Cristo que professa a tolerância e o amor. Ficaria a tarde toda aqui escrevendo sobre isso, tem uma leitura ótima do falecido P.Léo, de como Davi objetificava as mulheres, somente porque tinha poder para isso, triste constatar como isso ainda não mudou.

Sara disse...

Lê que bom seria mais gente de mente aberta como a sua, ainda que vc viva sua religião que no caso pra mim faça pouco sentido como feminista, vc conseguiu sair do seu próprio umbigo e enxergar o alcance muitas vezes funesto que a religião exerce nas vidas de muitas pessoas, ao que parece vc só assimilou coisas muito boas que sua religião oferece, gostaria sinceramente que gente como vc fosse a maioria entre as mulheres religiosas, parabéns pela lucides , pela atitude corajosa de se colocar no lugar do outro.

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

A questao é que pessoas que conhcem o feminismo e sao catolicas vao deixar de ser feministas por causa, disso,de outrem?Vao virar ex?Tamanha infantilidade é possivel?

Mas uma coisa é certa,as pessoas que tinham ideias progressistas,sao jovens,mas ainda naquela alienacao e crente na igreja catolica, isso passou uma mensagem errada de feminismo.Mas como foi uma coisa que a Mdv nao tem ligacao...

Algum jovem que soube disso e tem espirito de curiosidade vai procurar mais informacoes e achando informacoes sobre, provavelmente desvinculará tal ato das Mdv.
Mas jovem que nao tem esse espirito,sorry,mas Mdv ficara na memoria atraves desse ato e so a partir de outro meio podera vim a saber o que é feminismo.

TMR disse...

Dizer que um erro justifica outro ou que se passa a estar certo porque o outro está "mais errado" ou que o argumento do outro é invalidado porque comete erros é uma falácia lógica. Não é fato.

Passei a me reconhecer e a me identificar como feminista depois de descobrir que a ideia de uma "feminazi" era tática de quem é contra.

Passei a lutar ativamente em movimentos feministas porque as reivindicações são por igualdade, respeito e tolerância.

O problema de quebrar santo e enfiar crucifixo no rabo é que isso não atinge a Igreja, atinge os fiéis. E eles são tão iguais quanto nós. Por que merecem menos respeito?

A performance presta, sim, um desserviço à Marcha, ao feminismo, às manifestações e movimentos de cunho feminista que virão. Ela gera desinformação e intolerância. Ingênuo quem pensa que a mídia "informativa" não iria dar prioridade aos aspectos ruins.

Quando vejo esse tipo de coisa, tenho a sensação de que a minoria gosta de ser minoria. Gosta da sensação de poder retirada de se descobrir uma multidão. Descoberto esse poder, aprendendo sua força, toma gosto pelo combate. Aí, lá vai o vilipendiado mimetizando o opressor (ou reproduz a ideologia ou a reverte, no extremo oposto?).

Se for assim, se isso for válido, se isso for legítimo, então o movimento não é feminista, é outra coisa. Ou então o feminismo é algo muito diferente do que pensei e feminazi não é conto da carochinha.

Wilma Felinto disse...

Parabéns de novo Lola! Assino embaixo.

Dandara disse...

Olá Lola! É a primeira vez que comento em seu blog e antes de tudo gostaria de dizer que sou leitora assídua e faço a maior propaganda do blog. Bom... É muita coisa para falar, vou tentar ser breve e clara. Sou católica e não sou a feminista mais esclarecida. Talvez esteja falando besteira, mas quando li oq havia acontecido me senti mal representada. Não falo na organização da marcha,em absoluto, mas daqueles que aplaudiram e ainda estão aplaudindo um ato que para mim é nazista e intolerante. Agora eu que nem pude ir a Marcha (lamento muito por isso, mas estava fazendo tradução na JMJ) tenho que me defender de ataques que tratam "Ser feminista" como se fosse "Ser intolerantes". Tudo que tenho lutado contra. Pronto... Sou agora o bispo Edir Macedo que chutou uma imagem católica em tv aberta! É como se em um piscar de olhos eu estivesse do lado daqueles que luto contra. Todas vezes que disse "Não chute essa oferenda!", "Não podem queimar o corão!" ou "O Cristo que eu acredito salvou Maria Madalena da morte... Uma vadia da época" foi tudo mentira pq se tem exceção para ser livre para escolher ou exceção para quem pode ou não ter crença de alguma maneira desreipeitada estou na luta errada. Não é o que quero! Acho que o Coletivo Coiote foi irresponsável, mas estou preocupada inclusive com a integridade física delxs já que estou vendo postagens no FB com suas fotos sem máscara. A mídia agora vai fazer o que mais gosta... Desmerecer uma Marcha tão importante. Continuarei defendendo a Marcha é claro, mesmo quando até o União Brasileira de Mulheres reclamava comigo sobre a Marcha "nivelar por baixo" eu as defendi. Não faria diferente agora, mas não gosto da ideia de defender algo justificando no erro dos outros. "Eu fiz isso, mas o Fulano fez aquilo primeiro". Não sei se pude ser clara o suficiente, então em resumo. Não quero as cabeças de quem quebrou imagens, não quero desmerecer a Marcha das Vadias (que participo já há algum tempo)só acho que se eu luto por liberdade e pude ser livre para escolher minha religião ( aos 27 anos não sou batizada, pois meus pais acharam melhor que eu escolhesse quando estivesse pronta ou quisesse) quero que ela seja respeitada como qq outra opinião religiosa ou não.

° Emy ° disse...

Primeiro, queria dizer que estava com saudades do blog! :D
Segundo, queria dizer que a notícia é triste. Também achei lamentável o ato. Não concordei e achei desnecessário. Acho que infelizmente esse tipo de atitude pode sim ser realizada de caso pensado para desmoralizar a Marcha. Acho que deve ser um caso a se pensar. E concordo também que a Organização da Marcha deve ser mais incisiva em seu posicionamento, já que é o que dá pra fazer.

Dai disse...

Lola, querida, se alguém considera que sua ponderação a qualifica como detratora, ou, pior, opositora da mdv, só posso lamentar pelo equívoco. Entendo perfeitamente que é um assunto delicado, e não temos sempre de concordar, ao contrário. Acho que vc expressou o incômodo partilhado por muita gente, por várias das organizadoras da marcha, inclusive, que sequer viram o que aconteceu - segundo relatos que ouvi.
Eu acho que o debate é importante e que interpretações e excessos acontecem em movimentos de rua - sobretudo naquelas que são descentralizados e plurais, como a MdV, talvez seja o preço de não ser um grupo homogêneo e orquestrado, que acolhe as diferenças. Tenho recebido emails de diversas listas e as organizadoras estão num momento delicadíssimo, seus telefones e perfis foram divulgados por toda parte, estão sendo vítimas de ameaças de morte e violência sexual. Acho que o debate sobre a organização e as políticas da mdv é urgente, diante desses resultados, penso que vc só tem a contribuir e o seu blog é espaço sobretudo para mostrar que estão tomando um evento de 5 mil pessoas que durou horas pelo ato isolado de duas, que teve alguns minutos. Vou encaminhar para vc os emails que receber sobre o assunto, justamente porque acho que o seu espaço é um campo democrático e plural para o debate e a reflexão. beijos,

Anônimo disse...

Parabéns pela lucidez, Lola!

Anônimo disse...

Sou de uma família mais ou menos católica. Daquelas que se declaram católicas, mas se sentem no direito de concordar só com o que acham certo. Acho que no Brasil, a maior parte das pessoas é assim, já não querem seguir uma religião, mas ainda se sentem obrigadas a ter uma oficialmente. Sendo assim, a primeira vez que vi as cenas da performance fiquei chocada, principalmente pelo ato de inserir um objeto nada anatômico no ânus, em público, enfim. Depois de um tempo lendo quase todos os comentários, foi parecendo cada vez mais normal. Eu até concordo com muita gente que diz que é preciso bater de frente, enfrentar, enfim. Mas tem uma coisa que eu sinto ainda, não sei se tenho razão, mas sinto. A performance não atacou a igreja, o poder da igreja, a intervenção da igreja na vida das pessoas que não são religiosas. A performance atacou a fé das pessoas que estavam ali e das que não estavam também, de quem tem e quem não tem religião. A performance ridicularizou a fé individual. Eu não vejo como ter fé pode ser ruim para o outro. Pode até ser que seja ruim para a pessoa que tem a fé, ou pode ser bom, sei lá, mas só o fato de ter fé não causa dano ao outro, à sociedade. O que causa isso é a religião, o seu poder, a crença de que a aquela religião detém a verdade. E isso não foi enfrentado pela performance. Foi sim pela Marcha, pelas frases que as manifestantes entoaram, mas não pela performance. Se você diz: "o outro tem o direito de ter fé e eu tenho o direito de não ter", o outro pode aceitar. Se você ridiculariza o outro por algo que é individual como a fé, como espera que ele vá questionar sua própria religião. Ninguém gosta de ser ridicularizado. Mostrar os seios, beijar na frente de uma Igreja (e não dentro), avisar o papa que ele não manda no meu corpo mostra que eu não quero e não preciso seguir as regras daquela religião. Pode ser chocante para algum religioso, mas a mensagem é clara. A performance em questão não diz isso. Ela diz: eu zombo de você (individuo e não igreja), eu te agrido, eu te violento. Eu concordo com a Lola quando ela diz que o feminismo precisa de adeptos. Não é marketing. É querer que leis sejam aprovadas, que a população exija avanços, vote em candidatos que lutam por um Estado laico. Ou seja, um Estado que respeite sua fé, que respeite o outro. Fiquei refletindo nisso muito tempo e pensei na questão do aborto. Como se sabe, a mulher que aborta no Brasil, tem entre 30 e 40 anos, é casada, é mãe e tem religião. A maior parte das que morrem em consequência do aborto são pobres, logicamente. Como eu posso defender o direito dessa mulher à vida, à condições dignas de interromper uma gravidez e não respeitar o seu direito individual de ter fé. Dizer para essa mulher: "Sua religião é machista por x motivos, você tem o direito de segui-la, mas não pode impor suas regras aos outros" é completamente diferente de dizer "Você é uma idiota por ter fé eu não preciso te respeitar".

Letícia Rodrigues disse...

A igreja Católica invade o espaço da política institucional, usando seu poder e influencia para garantir que a legislação de um estado laico esteja de acordo com seus princípios religiosos, conseguindo, assim,arbitrar até mesmo sobre o corpo das pessoas, impedindo mulheres de terem autonomia sobre o próprio útero.
Me parece que o objetivo da performance era comparar essa invasão do estado laico, da vida pessoal dos indivíduos, e até do corpo das pessoas pela igreja a um estupro. A introdução de objetos ligadas a igreja católica na vagina e no anus simbolizavam a violência dessa invasão, e quebra-los em seguida representava uma reação contra essa violência.
A performance fazia um discurso que tinha uma lógica interna, através do qual uma opinião estava sendo expressada. Algo bem diferente chutar uma santa só pra extravasar o ódio a uma determinada religião, como o pastor da universal fez.
Obviamente se pode tanto discordar da opinião expressada, como criticar a forma como o grupo se expressou. Eu, particularmente, concordo com a crítica mas não gostei da forma como foi feita.
Mas é muito perigoso dizer que essa opinião não podia ter sido expressada dessa maneira, pq isso atenta contra a liberdade de expressão.
É muito perigoso que os religiosos digam que essa opinião não pode ser expressada dessa forma pq ofende algo que é sagrado para eles. É igualmente perigoso que a Lola diga que eles não podem se expressar dessa forma pq afasta adeptos de um movimento político que ela quer defender.
Quando se faz política é preciso se preocupar em conquistar adeptos, e consequentemente, fazer concessões. E quando fazemos concessões, nunca dizemos tudo que gostaríamos de dizer, da forma como gostaríamos de dizer.
Já o papel da arte na sociedade é outro - é por em discussão o que precisa ser discutido, questionar o que precisa ser questionado, provocar quem precisa ser provocado, quebrar o que precisa ser quebrado. E para tanto é preciso que haja liberdade. O artista não precisa se preocupar em conquistar adeptos. Pelo contrário, alguns dos maiores artistas da história da humanidade foram odiados pelo público do seu tempo. Eu não sei se os membros do coletivo coiote se consideram artistas, mas durante a performance estavam exercendo esse papel.
(continua)

Letícia Rodrigues disse...

(continuando)O fato de um grupo organizar uma manifestação política em um lugar público não o torna dono desse lugar público. Uma vez que a marcha das vadias acontece em um lugar público qualquer pessoa pode fazer o que quiser durante a manifestação. Seria fascista interromper qualquer ato ou expulsar quem quer que seja de um lugar público. Tão fascista quanto a atitude de quem expulsa manifestantes que carregam bandeiras de partidos de passeatas.
Pior ainda seria a organização da marcha das vadias querer fazer a censura prévia de atos artísticos e teatrais a serem realizados em espaços públicos durante a marcha, sob o pretexto de impedir que esses atos prejudiquem o movimento feminista. Seria a mesma coisa que querer que os textos da Lola passassem pelo crivo de um conselho feminista antes de serem publicados na internet, que também é um espaço público.
Liberdade de expressão não é um direito absoluto, e por tanto qualquer cidadão pode ter que responder na justiça por um discurso que já tenha feito. Mas a censura prévia é incompatível com o estado democrático de direito.
Acho interessante que a Lola queira definir aqui que podemos cantar musiquinhas provocando o Papa, mas não quebrar santas, pq essas musiquinhas só ofendem reaças. Quem garante? Talvez também ofendam pessoas que poderiam estar do nosso lado se não fosse a musiquinha. Assim como muitos católicos também poderiam estar do nosso lado não fosse a decisão de realizar uma marcha das vadias em plena Jornada Mundial da Juventude, o que também ofendeu muita gente. Como vamos definir até onde feministas podem provocar católicos, e que adeptos nós podemos nos arriscar a perder?
O máximo que a marcha pode fazer é dizer que não se responsabiliza por um determinado ato que tenha acontecido durante a manifestação. E se é difícil fazer com que se entenda isso é pq as pessoas já tem toda uma má vontade para entender a marcha das vadias, desde que esta foi criada. Nessas passeatas apoiadas pela mídia conservadora e pela classe média sempre rola um vandalismo, e as pessoas entendem sem dificuldades que os vândalos são uma minoria, que o movimento que organizou a manifestação não tem nada com aquilo.
Eu não gostei da performance do coletivo coiote, mas defendo o direito deles de fazerem performances das quais eu não gosto.

Letícia Rodrigues disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Eu posso ser xingada, morta, estuprada, humilhada e a uma santa de gesso tem que ser respeitada?

alguém se lembra de quando a Igreja queimava livros em praça pública???

Judicialmente a org. da marcha não pode ser responsabilizada, nem os artistas... alguém aqui conheceu a Madona???

Veronica disse...

O melhor comentário foi da Patrícia !! Parabéns !!

Flavio Moreira disse...

Bom, o post rendeu discussões boas. Ótimo! Só queria lembrar que os religiosos no congresso foram eleitos por seus simpatizantes, por uma fatia da população que acredita em seu discurso e partilha suas crenças e ideologias.
Quem nós temos que possa nos representar com a mesma força e, não vamos esquecer, o mesmo poder econômico que as igrejas de todas as denominações têm?
Saber votar, ter senso crítico e consciência política devem fazer parte de um projeto de longo prazo, que ofereça àqueles que estão chegando hoje ao mundo a condição de pensarem por si mesmos, de terem como analisar, ponderar, criticar e decidir segundo suas consciências, não segundo instituições dogmáticas.
Se criticamos o pensamento obtuso de pessoas que não nos representam no congresso, devemos lembrar que foi uma grande parcela do povo brasileiro, ao qual pertencemos, que os colocaram lá.
Nós, como pessoas, como cidadãos, somos responsáveis por aqueles que colocamos no poder.
Cabe a nós, então, buscarmos apoiar aquelas pessoas que podem, de fato, lutar pelas nossas causas, que possam fazer o necessário (e urgente!) contraponto à bancada religiosa.
Talvez a dificuldade seja encontrá-las...
Abs

Anônimo disse...

Eu me considero feminista, e como tal, desejo mudar o mundo. Desejo uma sociedade diferente, onde os papeis de gênero sejam alterados, onde as injustiças sejam abolidas, onde minha filha, quando crescer, possa viver sem todos os medos que eu tenho, e que todas nós, mulheres, partilhamos no nosso cotidiano. É o que que todxs queremos, não? Então como vamos fazer isso? Precisamos de uma mudança geral, de toda a sociedade, não é assim? Seja de que religião for, queremos a mudança dentro de cada um, não é? Então para que servem as marchas, os movimentos, senão como formas de comunicação? Eu vejo as marchas não como provocações, mas como uma forma de comunicação, de chamar atenção para uma causa, de esclarecer, atrair sim, e principalmente. Ou será que vamos para as ruas para brincar de adolescentes rebeldes? Para chocar papai, mamãe, a escola, a igreja? Olha, que coisa mais equivocada... No meu ponto de vista, esse tipo de "performance" é como pregar para devotos. Só atinge quem já está convencido mesmo. Precisamos disso? Quem já é contra a igreja, a opressão, o machismo etc, pode gostar, mas não precisa disso. Quem não é, quem precisa mudar paradigmas, atitudes, práticas, vai ser convencido com isso????

Anônimo disse...

Entendo os motivos da performance e tenho pessoalmente críticas ao Catolicismo e ao Cristianismo em geral, porém eu não acho que todos os meios sejam justificados pelos fins. Mesmo que isto não passe nem perto do que eles fizeram, um erro não justifica outro.

Ângelo Ignacio disse...

Me sinto traído!

Anônima da saia disse...

Minha opiniao sobre o caso:
Deserviço ao feminismo. Ninguém lembrou que a passeata era para liberalização do aborto, contra bolsa estupro, maior respeito e dignididade a mulher.
So lembram esses dois malucos que fizeram uma CAGADA para o movimento feminista.
Como disse o jornalista acima porque o fulano é violento eu vou ser violenta tb? Nao justifica. Eu que sou atéia, liberal, de direita e feminista achei uma puta falta de respeito. Se nao quero que me desrespeitem porque vou desrespeitar os outros?

Fiquei chocada que a Nádia do cemhomens, uma mulher que eu admiro postou em seu blog que isso é arte. Me perdoe, trabalhei com arte durante muito tempo na minha vida, como critica e curadora e de arte isso aí nao tem NADA. pura provocação e só isso.

Abraços.

Eduardo Campanatti disse...

Obrigado por escrever isso. É exatamente o que eu penso, mas ainda não tinha conseguido amarrar as ideias.

Mordred Paganini disse...

"Fiquei chocada que a Nádia do cemhomens, uma mulher que eu admiro postou em seu blog que isso é arte. Me perdoe, trabalhei com arte durante muito tempo na minha vida, como critica e curadora e de arte isso aí nao tem NADA. pura provocação e só isso."

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Sim, e eu, Feminista Indelicada, também acho que foi arte sim.
Por favor, pare de achar que arte é só o que te agrada!

Anônimo disse...

Lolinha, li seu tweet agora há pouco sobre "A Day in the life". [Sou sua leitora há menos de uma ano e seguidora há pouco tempo] É claro que não diminui o peso da sua rotina, mas vim aqui pra te deixar uma expressão da carinho. Sua atuação como mulher, feminista, formadora de opinião, etc. é muito, muito importante, pois além de toda a importância política do seu papel você é gente... acolhedora, amiga, sensível e respeitadora de todos. Tenho visto o seu blog como um lugar muito especial de debate e dissenso, mesmo entre nós feministas, de esquerda... Somos muito plurais e precisamos avançar em respeito mútuo. E, a propósito, obrigada por proporcionar um espaço em que a gente possa debater e trocar informações sobre a questão do aborto, sem hipocrisia e com sensibilidade [pelo menos é o que a gente tenta fazer né].

Força aí, mulher! Você é muito querida. Saúde,coragem, bom humor e sensibilidade sempre renovada. Tenho fé e faço minhas orações por você e todxs nós.
Um abraço carinhoso e um beijo,
D. (SP - Brasil)

Anônima da saia disse...

Mordred, como historiadora, critica e curadora de arte, eu te digo que na arte contemporânea existe uma linha muito fina que separa arte da simples vigarice.

Eu nao reconheço arte so aquela que me agrada, se assim fosse eu nao seria uma profissional. A minha opiniao nao deve influenciar no meu trabalho.

Enfiar uma Cruz no cu NAO É ARTE, pode ser fetiche, provocação, o que vc quiser. Mas arte nao. Por favor.

Sei que existem polemicas, como a de um artista francês que simulou que se dava um tiro na cabeça e algumas pessoas pensaram ser arte performatica.

Mas enfim, se vc quer considerar isso arte, qualquer feticheiro é artista agora.

Anônimo disse...

O GRUPO CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR NÃO É CATÓLICO (inclusive o próprio grupo menciona isso).

anagns disse...

Lola, vou deixar aqui minha impressão sobre o que aconteceu. Diverge bastante da sua opinião, mas faz parte (:
http://transeuntecronica.wordpress.com/2013/08/01/breve-impressao-sobre-a-quebra-da-santa-sujeita-a-mudancas/

Mordred Paganini disse...

Foi uma performance, com todo um simbolismo envolvido e devidamente contextualizado. Foi um ato voluntário, público e estético com clara finalidade artística sim.

Se gosta de usar "otôridade", ok pra mim. Esta que voz fala é psicóloga e professora universitária.

Enfim, não foi simplesmente enfiar um crucifixo no cu.

Regina Soares disse...

Pra mim foi simplesmente uma cruz no cu... E qualquer analogia artística é deveras pseudo-intelectualizada.

Se todo ato parecido com este fosse realizado em lugar público, independente de ser uma manifestação, mereceria todo o repúdio, independente da causa, pois não quero meus filhos ou filhas presenciando algo desse tipo.

Daqui a pouco vão decepar membros em praça pública, pra representar a morte de Tiradentes, e dizer que é Arte Moderna.

Por favor...

Não podemos reduzir a marcha à Feministas Extremistas, que atacam qualquer pessoa católica, evangélica, homens (muitas vezes por serem homens) e outros grupos.

Falta foco, e se o foco continuar na Igreja, ok... Não sou católica, tampouco sigo alguma crença religiosa, e mesmo assim sairia desse movimento, porque ele terá se perdido...

Feminista capitalista disse...

Sinceramente não entendo porque toda essa preocupação com o que os outros vão pensar.

Desde quando precisamos da autorização dos outros? precisamos é agir e confrotar cada vez mais a religião e pronto.

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Machistas gonna machistar, always.

Mesmo que disséssemos amém pra igreja essa gente ainda sim iria nos odiar, e arranjar qualquer razão pra nos desmoralizar,nos ofender e nos contestar, a marcha das vadias seria vista como subversiva e criticada de qualquer maneira.
Além do que, como disseram, um simples ato não anula a importância do feminismo, muito menos pode representar a marcha como um todo.


Fora que o cristianismo em nosso país é sim a razão direta pela qual as pessoas odeiam a sexualidade feminina e reprimem, a razão pela qual nós somos chamadas de putas,biscates, piranhas...
A razão pela qual muitas mulheres saõ traídas e principalmente pela qual varias mulheres morreram assassinadas pelos conjugês, se a igreja tivesse apenas queimado alguma centenas de mulheres na fogueira durante o final da idade média/inicio da idade moderna estaria ótimo, mas ela fez muito mais que isso, ela destruiu a imagem do feminino pagão e sagrado, sagrado e celebrado por ter o dom de dar a luz; e ajudou a disseminar um mundo onde a mulher, a figura feminina,não passa de capacho dos homens.


Então não entendo direito quando as pessoas nos pedem pra ter extremo respeito por uma instituição que nos diminui e nos agride psicologicamente e emocionalmente nos mais diversos níveis, todos os dias,nos afeta a auto-estima.

Também confesso não entender direito como conciliar o feminismo com essa instituição de poder tão arcaica e cheia de ódio, ainda mais quando essa instiutição faz questão de desrespeitar o estado laico e ser a razão do aborto ser proibido em nosso país,fora todo o moralismo que julga a sexualidade da mulher por trás disso.


Me desculpem, mas meu feminismo não combina com esse conservadorismo,depois que eu me toquei de tudo que a igreja faz, eu jamais poderia continuar a me considerar cristã,é muita revolta dentro do peito, pra ter apreço por essa instituição.

APESAR DISSO, não sou radical de dizer que toda feminista tem que ser atéia, isso é ilusão,sei que o feminismo é muito plural e que todos são bem-vindos,sem rótulos, sei também que anos e anos de doutrinação religiosa na cabeça de uma pessoa desde que ela nasce não irão se desfazer da noite por dia,é um processe que leva tempo e quanto mais feministas cristãs e demais religiões melhor.
Melhor, porque a medida em que elas vão incorporando valores feministas dentro delas,elas irão também consecutivamente diminuir o poder da religião no mundo, sem se dar conta.


No entanto,há como propagar o feminismo sem atacar a fé das pessoas?
Eu não sei,acho difícil,pois é justamente por causa da fé dessas pessoas que o mundo é machista, é justamente pelo motivo da fé delas que a mulher é sempre tão atacada,diminuida e julgada, a submissão da mulher é algo que está na bíblia, e pode ser 'justificada' através de argumentos religiosos; por isso as feministas são acusadas constantemente de irem ''contra a natureza'' de querem mudar a ''natureza das coisas''.

É óbvio que existem outras razões para a misoginia além da instituições religiosas, mas as religiões monoteístas são sim as grandes propagadoras disso tudo, elas ajudaram e muito, com uma força incrível a espalhar tudo isso.

Sei que a religião continuará aí por muitos séculos ainda,firme e forte,se bem que cada vez menos forte mas a medida em que os séculos se transformarem em milênios e a sociedade for se aprofundando cada vez mais no feminismo,a religião terá que desaparecer sim e dar lugar a uma sociedade completamente secular.
Porque as duas coisa não são totalmente compatíveis visto que uma vai direto na contramão das crendices propagadas pela outra.

Feminista capitalista disse...

Só pra constar, também achei o protesto de mal gosto, a imagem da cruz introduzida em certa parte da anatomia humana também me abalou um pouco,é uma coisa que,se bem me conheço, eu JAMAIS faria.

SÓ QUE eu não considero a perfomance de todo negativa, muito menos ilegítima,jamais deslegitimaria o que eles fizeram.
Afinal eles tem a razão de odiar a igreja por todo mal que ela causou em suas vidas (aliás nossas vidas) e estão expressando seu ódio através da destruição dessses simbolos de poder,sagrados; me desculpem, mas eles só são sagrados pra quem é cristão, pra quem não é,eles não representam nada e concordo,que sendo comprado com o dinheiro deles,eles tem sim o direito de destruir essas imagens,ainda que seja em partes muito ofensivo. Mas não é nada perto do que a igreja já fez a pessoas de carne e osso durante os últimos milênios.
Já foi até debatido no séc. VIII se a mulher tinha alma ou não,pela igreja.


Fora que esse povo cristão que está reclamando da falta de respeito seria o primeiro a gritar ''Liberdade de expressão,cadê?''
Se estivessemos criticando a quebra de um símbolo de alguma afro-religião ou o fato de alguém ter depredado alguma macumba, quer dizer pode desrepeitar as outras religiões,estigmatizar a afro cultura, pode chamar todo islâmico de terrorista e fazer piadas de judeus, mas não pode tocar na maioria cristã?

O feminismo tem que ser subversivo, não tem como ele ser sempre limpinho e educado,as vezes ele tem que chocar.

O pior é que se fosse um clipe da Lady gaga ou Madonna a mídia bababria o ovo,diria que é ótimo, adoraria vender a polêmica,mas como é um ato anônimo,numa manifestação feminista a mídia adorou dar uma conotação extremamente negativa ao ocorrido.

Ao contrário da garota da saia eu achei sim a quebra das imagens uma perfomance artística, afinal, teve um quê de teatral,foi uma representação cheia de significados.
E o teatro também é arte, chamamos da arte da interpretação,ou melhor arte dramática. Arte não é
Leonardo Da Vinci ou o que você vê nos museus e custa muito caro, arte é livre.Livre e eterna,contemporânea também,não apenas coisas antigas do passado.


Fora que se ficarmos respeitando sempre a igreja e cheias de dedo, o máximo que iremos conseguir é que as mulheres voltem pra cozinha, pra esquentar a barriga no fogão, enquanto os homens tomam e conquistam o mundo, fazendo o que bem entenderem,como sempre.

Feminista capitalista disse...

Olha li por aí nos comentários que as santas são um simbolo feminino e uma total homenagem da igreja as mulheres.

GENTE POR FAVOR, abram os olhos, não é homenagem... É OPRESSÃO, é diferente.


As santas na visão da igreja,são as únicas mulheres que merecem respeito,mais que isso elas são o ideal da mulher perfeita e são aquilo que nos é cobrado o tempo todo : ser santa.
Se não estamos sujeitas a todos os julgamentos e até um eventual estupro poderia ser 'justificado' com o fato de não sermos ''nenhuma santa''.

ACONTECE QUE as santas são invariavelmente brancas, até meio palidas, de cabelos grandes e lisos, assexuadas, desprovidas de desejo carnal, não se ''sujaram'' com o ''pecado da carne'' pra se dedicar exclusivamente a Deus, o único homem que elas estão autorizadas a amar de verdade.

Não só isso,como as santas são completamente incapazes de sentir ódio ou rancor, mesmo que seja um ódio protetor contra o seu carrasco.
Ou seja, as santas só tem AMOR e nada mais a dar, amor e compaixão infinitas, inclusive contra aqueles que as odeiam e as fazem mal, inclusive contra aqueles que querem silênciá-las pra sempre, traduzindo, a santa é a mulher ideal, incapaz de sentir raiva, a santa é a MULHER SEM VOZ.
A mulher que nunca se rebelará contra o seu opressor, que nunca contestará,e que é incapaz de fazer mal aos homens, mesmo que eles façam muito mal a ela.
A santa é a mulher que obedece, calada, inalterada e até apática, é a mulher que segue o que o homem quer, acata as decisões da igreja (sempre contralada por homens, ou alguém já viu alguma mama no lugar do papa, ou alguma madre rezar uma missa no lugar do padre?)
E que obviamente não é de carne osso, cobre o corpo com um monte de panos,porque é santa, e não sente sede de sexo,porque também é santa.

É isso o que a igreja quer e sempre quis das mulheres. Isso é o que a sociedade (cristã) nos cobra, isso é o que deveríamos ser pra não sermos odiadas, visto como a ''Eva pecadora'' e claro, ''respeitadas''.
''Respeitadas'' entre aspas mesmo, porque de qualquer forma seríamos oprimidas,contestadas, agredidas,silênciadas e consideradas sub-gente e isso pra mim passa SUPER LONGE do respeito, ou seja é um pseudo-respeito, aquele que a sociedade dá a mulher que faz o possível pra 'ser santa', em outras palavras, ser sem voz.

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Quanto ao rapaz que disse ali que era feminista e agora depois dessa não será mais,acho que já vai tarde, pois o que o feminismo precisa, acredito eu, é de que a mulher seja considerada gente, integralmente gente e plenamente respeitada, tão respeitada quanto qualquer homem por aí e não de migalhinhas mixurucas de respeito de quem se diz feminista da boca pra fora, mas por dentro ainda faz questão de manter todas aquelas crenças que inferiorizam a mulher,como se ela fosse algo a menos que o homem.

Não cabe a mim determinar quem é feminista, mas me perdoem a arrogância, acho que só quem nunca foi mesmo feminista pra querer deslegitimar o feminismo e abandoná-lo por conta de um único ato,usando uma desculpa pra lá de esfarrapada.
Uma santa ter sido espatifada no chão justifica então todas as injustiças que as mulheres sofreram até agora?
Fica tudo certo agora, a culpa é das feministas?

Aiai, façam-me o favor!

Julia disse...

Maravilhoso comentário da feminista capitalista. Assino embaixo.

Anônimo disse...

tenho nada contra gays mas tenho tudo contra marginais q enfiam a cruz no anus se liguem nao da pra fazer uma coisa organizada educada? pq assim vcs nunca serao ouvidos e só irao piorar as coisas...querem respeito entao vao ter q aprender a respeitar

Gil Cleber disse...

Pessoas que adotam esse tipo de procedimento (enfiar publicamente objetos no ânus, na vagina, etc) procuram notoriedade. É um caso patológico, não tem necessariamente a ver com "protestar contra alguma forma de opressão", porque o que os oprime é a própria mediocridade: por exemplo, o performer que em Natal retirou um terço do ânus e diz que aquilo é arte. O fato é que essas pessoas, quando se dizem "artistas contemporâneos", não pretendem ser artistas de fato nem produzir uma obra duradoura e importante, querem apenas chocar o público (não chocam a mim, que não consigo nem mesmo rir de tanta bobagem) e isso decorre - a meu ver - da constatação de que na História alguns artistas foram revolucionários a tal ponto que sua obra realmente causou impacto: os impressionistas, por exemplo. Como estamos atravessando um tempo - já demasiadamente longo - de esterilidade intelectual, o que resta a essas pessoas a não ser recorrer àquilo que lhes parece "revolucionário" mas que não passa de banalidade? O caso descrito pela cronista é similar, conquanto, ao que parece, não tenha o suporte do conceito de arte. Nem por isso essas pessoas são menos tolas, medíocres, que jamais serão coisa nenhuma por sua própria incapacidade intelectual, e a partir daí resolvem expor-se para que alguém fale delas, tipo "falem mal, mas falem de mim".
Do ponto de vista legal, essas pessoas deveriam ser punidas, sim, e o Ministério Público, ao tomar conhecimento de tais atos, se não toma nenhuma providência nesse sentido, está se omitindo. O vilipêndio a objeto de culto é um crime, a meu ver, grave, embora brandamente punível segundo a lei. Quando uma pessoa vilipendia um objeto de culto, não é ao objeto que ela está ofendendo, mas uma grande quantidade de pessoas que não são merecedoras dessa ofensa. Da mesma forma como essas pessoas têm algo de sagrado em suas vidas, nem que sejam seus filhos ou seus pais, e não gostariam de que alguém os ofendesse. É lamentável que a tolerância excessiva no Brasil esteja caminhando para certos extremos que levarão a conseqüências pelas quais o arrependimento será tardio.