quinta-feira, 29 de novembro de 2012

TOMARA QUE SEJA MENINO

Foi a sempre antenada Valéria que me passou esta notícia triste: “Mãe engana até cartório e cria filha como se fosse menino em Goiás” (veja o vídeo). Uma mãe falsificou o documento de nascimento da filha e conseguiu registrá-la como Samuel. Depois que a tia da menina (com menos de dois anos) tirou sua roupa e viu que ela não era um Samuel, a mãe perdeu a guarda da criança, pelo menos enquanto for julgada.
O que chama a atenção é como a menina aparece na reportagem -– coberta de rosa dos pés à cabeça, como se estivesse sendo recondicionada a ser mulher. A matéria também fala que ela recebeu “brinquedinhos femininos”. Porque, né?, deus proíba que ela cresça sem aprender a dar papinha a uma boneca ou limpar a casinha! Aí sim seria um trauma irreversível!
Parece que a mãe quis criar a menina como menino porque ela, a mãe, havia sofrido abuso sexual na infância, e queria proteger a menina do mesmo destino. Espero que essa mãe receba tratamento psicológico e possa criar a criança. É meio evidente que a mãe não cometeu a fraude para prejudicar a filha, e sim para protegê-la. E, se a gente pensar nas nossas histórias de horror -– não sei se toda mulher tem uma história de horror pra contar, como eu já disse algumas vezes, mas a maior parte de nós certamente tem -–, verá que só o fato de nascer mulher já nos coloca em situação de risco.
Este caso me lembrou de outros. Um documentário lançado este ano diz quais são as palavras mais fatais do mundo. São “É uma menina”. Essas três palavrinhas valem uma sentença de morte em vários países do planeta, onde ser mulher é visto como uma irreversível desvantagem social e econômica. Segundo as Nações Unidas, existem aproximadamente 200 milhões de meninas “desaparecidas” no mundo. Há indícios que Índia e China eliminam mais crianças do sexo feminino que o número de meninas nascidas nos EUA a cada ano. O distrito chinês com o pior número tem 163 meninos registrados para cada 100 meninas. Taiwan, Coreia do Sul e Paquistão também são países em que meninas não desejadas são abortadas, assassinadas ou abandonadas.
Como sabemos, genocídio é a matança de um grupo específico. E estamos falando de um grupo, mulheres. É um genocídio secreto dirigido a um só gênero, um generocídio.
E é um crime muitas vezes perpetrado por mulheres, no ambiente doméstico. Sabe como só gerar filhas colocava em risco a vida das esposas de Henrique VIII, lá pelo século 16? A mesma coisa continua acontecendo hoje em vários países. Na Índia, várias mulheres que não conseguem gerar um herdeiro são espancadas, estupradas ou mortas para que o marido possa casar com uma mulher mais “produtiva” (em outras palavras, que seja capaz de parir um varão).
Muitas vezes se fala que essa discriminação por gênero acabaria se a pobreza desses países diminuísse. Mas não é verdade que pobreza gera feminicídios. Na África e no Caribe, por exemplo, não há registros da prática de matar bebês meninas. E boa parte do infanticídio feminino em países como Índia e China acontece justamente em famílias com mais dinheiro, que têm acesso a ultrassom para verificar o sexo do feto e a clínicas onde possam fazer um aborto (fui informada que ultrassom é proibido na Índia, justamente para que pais descubram o sexo do feto). Aliás, abortar o sexo que não convém não é uma prática tão incomum nas nossas clínicas de fertilidade aqui no Brasil. Mas esse é um assunto pra lá de polêmico que merece um post só pra si.
Na China, onde durante muito tempo só se podia ter uma criança por casal, até dá pra entender (jamais justificar) por que os pais não iam querer que essa chance única gerasse um ser que traga tantas desvantagens. Mas, na Índia, onde não existe essa restrição, os motivos para não se querer meninas são que em geral elas não irão trabalhar e precisarão casar através de dote. Ambas são sociedades patriarcais, como a nossa, por sinal. E como todas as sociedades ocidentais. Ainda que a prática de matar meninas seja proibida por leis, ela persiste entre a população.
Antes que gente desprovida de inteligência venha dizer que estou me contradizendo por apoiar a legalização do aborto e condenar a prática do aborto quando o sexo do bebê não é o desejado, explico: o corpo é da mulher, e é ela que deve escolher quando quer ter o filho (lembrando que métodos que impedem a gravidez são sempre muito menos traumáticos que um aborto). Mas, nesses casos de aborto seletivo, por gênero, há uma imposição social para que a mulher aborte. Ou seja, é pra se pensar se ela realmente tem escolha. Assim como eu seria contra maridos, namorados ou pais que forçassem uma mulher a abortar, sou contra a imposição de uma sociedade para que seja feito o aborto seletivo. É totalmente diferente você querer reproduzir, e então abortar caso não saia o resultado desejado (um menino) de não querer reproduzir e engravidar sem querer, e aí abortar.
Em outros países não há assassinato de meninas, mas a situação é tão desfavorável às mulheres que trocar de sexo passa a ser uma solução. Na Albânia, há mulheres que fazem um voto de castidade para poder se vestir e viver como homens numa sociedade patriarcal. Só assim essas mulheres conseguem obter vantagens não cabíveis para mulheres, como recusar um casamento arranjado ou herdar as posses da família. Enfim, ter alguma liberdade.
No Afeganistão, muitas famílias que só têm filhas reservam a uma delas o papel de homem. Essa filha será vestida como menino (Bacha Posh) desde o início de sua vida. Desta forma, além de proporcionar status à família, que aos olhos da sociedade têm um garoto, esta menina vestida de menino protegerá suas irmãs. Ele usufruirá de uma vida proibida às mulheres, como ir à escola, viajar, praticar esportes, e ter um emprego. Só que todos esses privilégios serão válidos somente até que ele atinja a puberdade.
A partir daí, ele terá que se vestir e comportar como mulher. Inclusive, terá um casamento arranjado como as outras mulheres. Mas imagine a dificuldade que é ter de abrir mão de seus privilégios e voltar a ser o gênero discriminado. A maior parte dos Bacha Posh não quer retornar a ser mulher, porque viu como mulheres são tratadas. Um deles diz: “As pessoas usam palavras de baixo calão com as meninas. Gritam com elas nas ruas como se fossem bichos. Quando vejo isso, eu jamais penso em voltar a ser uma menina. Quando eu sou garoto, eles não falam comigo assim”.
O mesmo sistema patriarcal que abusa sexualmente de meninas e comete feminicídio também não é nenhuma garantia de felicidade pros meninos. Homens adultos são vítimas de mortes violentas em número muito maior que mulheres. A diferença é que quase sempre homens são mortos por outros homens. Portanto, o que precisa ser jogado na lata de lixo da história é o patriarcado, que insiste num modelo de masculinidade autoritário, violento, insensível, e nocivo para todo mundo, um modelo que só começou a ser questionado nas últimas décadas. Se um dia formos capazes de derrubar o sistema, meninas deixarão de ser mortas por serem meninas. E nenhuma mãe sentirá ser preciso falsificar o sexo de sua filha para protegê-la de abusos. Tomara que este dia chegue logo.

112 comentários:

Anônimo disse...

Sander.
Obvio que ela agora vai apelar para o vitimismo, para se safar, mas o que ela fez tem outro nome, vcs feministas dizem que querem apenas igualdade. E passam quase o tempo
inteiro falando do machismo e do patriarcado! Por mais que as feministas tentem
negar, há muitas evidências de que elas idealizam a condição masculina. Essa
idealização pode ser sintetizada no seguinte argumento: “Eles são felizes e nós não!”
No discurso das feministas, a igualdade consiste num tipo de negação do feminino,
pois elas acham que o conceito de feminino é uma construção machista. O que elas
chamam de “desconstrução da heteronormatividade” é a destruição de paradigmas
que separam os sexos. Sem esses paradigmas, as feministas ficam livres pra tirar dos
homens o monopólio da masculinidade. Assim, elas feminilizam os homens e
masculinizam as mulheres!
Contudo, a idéia que as feministas possuem do masculino é a idéia mais exagerada
possível. O masculino para elas é dominância e poder. Portanto, as feministas não
invejam todos os homens, mas apenas os homens dominantes, poderosos.
Se vocês lerem os artigos escritos pelas feministas, perceberão que a questão da
dominação aparece o tempo inteiro. A idéia de que os homens dominam, controlam as
mulheres, é sedutora para as feministas. Elas se sentem atraídas por essa expressão, o que esta mãe fez, foi reflexo da ideia que venderam a ela, que ser homem, e melhor que ser mulher, mais vantajoso, e não e patriarcado que lhe vendeu esta ideia, mas sim o feminismo !

Maurício disse...

Esta louca merece ser presa por causar este mal, bem como ser proibida de chegar perto de qualquer criança.

Nasceu homem? Deve-se criar como homem.

Nasceu mulher? Cria-se como mulher.

Não existe gênero intermediário; portanto, quem foge disto tem distúrbios psicológicos graves.

Pipoca disse...

Em alguns lugares as meninas são nomeadas pra refletir o que elas realmente são para a família. Na Índia, aconteceu ano passado uma cerimônia para renomear as meninas registradas como Nakushi (Indesejada). http://blogs.estadao.com.br/jt-radar/meninas-indesejadas-ganham-nome-na-india/

Anônimo disse...

O governo socialista chinês fecha os olhos para a triste realidade de suas meninas, pois o que lhes interessa e ter gente produzindo suas bungingagas ching lings, e para isto consideram o força física masculina melhor adequada,para manterem seus um bilhão de escravos, e o socialismo marxista em sua verdadeira face estatal !

Rob disse...

Achei estranho chamar as Basha Posh de "ele".Afinal,dá para considera-las FTMs?Foram forçadas a se masculinizar,não desejaram isso.E depois querem permanecer no gênero masculino para obter vantagens sociais,não por sentir desconforto físico.

Anônimo disse...

Ouvi em uma aula de história que, na China, as meninas são indesejadas pq elas passam pras familias de seus maridos e portanto, não dão continuidade a sua família de origem, só o homem daria continuidade. Acho que deve ter uma parte da China que ja deve ter superado isso, será?! E to passada com a supervalorização descarada do gênero masculino no Afeganistão o_o, que loucura! E eu tbm aguardo ansiosa por esse dia, Lola!

Anônimo disse...

deveriam deixar ela criar a filha como homem, para depois esta criança lhe dizer como e " fácil se homem"
Vocês mulheres tem uma visão muito distorcida do que e ser homem na nossa sociedade, nos nivelam pelos do topo da piramide, que não representam nem um por cento dos homens no mundo( normal, elas só tem olhos para este, os demais são praticamente invisíveis)

E tão fácil ser homem, que a grande maioria dos suicidios no mundo são cometidos por homens !

Anônimo disse...

Lola

Vc sabia que na polinésia francesa numa família homens são criados como mulher? São os mahus É sim ele veste saia, tem cabelão.. tudo de mulher, cuidam das crianças etc

Nesse caso é o quê pra vc cultura ou sexismo?

Huan Icaro Piran disse...

A mãe tem problemas psicológicos que esperamos serem tratados, não pelas opções de criação que todos concordamos serem algo que devem ser transformados. Mas eu penso em quais outros reflexos como os documentais atuais e o que ela pode realizar nos próximos anos.

Quanto aos países orientais, o problema cultural deles é bem complexo. Não sei se tenho condições de dar pareceres a uma cultura tão distante da minha, mas acho bastante alarmante os níveis de abortos que ocorrem por lá...

Huan Icaro Piran disse...

Anonim@ 11:50

Mahus são um caso bastante interessante. Vi sobre eles em alguns documentários e achei interessante o como se faz uso do excedente de homens para criar mão de obra com potencial físico maior nas tarefas domésticas mais pesadas.

Culturas bem diferentes da nossa, não tenho opinião sobre isso, apesar de achar interessante.

Anônimo disse...

"Elas se sentem atraídas por essa expressão, o que esta mãe fez, foi reflexo da ideia que venderam a ela, que ser homem, e melhor que ser mulher, mais vantajoso, e não e patriarcado que lhe vendeu esta ideia, mas sim o feminismo"

Sim, porque se não existisse o feminismo, as mulheres continuariam oprimidas, afinal elas são burras, não conseguem perceber que o patriarcado favorece os homens, foram as feministas machonas e bigodudas que "inventaram" (e não perceberam) essa idéia

(ironia)

Girassol disse...

Ok, a mãe não agiu de má fé, tem que receber um tratamento psicológico, óbvio. Mas é obvio tbm que criar uma menina como sendo menino não é nada saudável pra cabeça da criança e não vejo mal algum colocar roupa rosa ou dar panelinhas para uma menina, como tbm não vejo nada de errado fazer isso c/ um menino, agora transvesti-lo d emenina é diferente ...

Beatriz G. disse...

Coitada desta mãe! Acho que ela agiu errado em querer criar como menino, apoio a criação livre para que a criança escolha o que ela será.

Mas olhemos para a justificativa dela, que é válida já que muitas mulheres são estupradas e violentadas todos os dias. Ela tinha medo do mesmo jeito que eu tenho medo por mim, minhas sobrinhas, minha irmã e minha mãe. Estamos sejeitas ao medo, e essa foi a forma de 'proteger' sua filha.

Enquanto não mudar o patriarcado, nós continuaremos com medo e sim, sendo vistas como objetos para a grande maioria dos homens. Espero que ela consiga a bebê de volta, e que parem de enfiar na cabeça dela que ela deve usar rosa e brincar com secador de cabelo.

Milla disse...

Lola muita pena dessa mãe.
Eu sonho muito em ser mãe, gostaria de ter pelo menos um casal. Mas confesso que morro de medo e um dos principais motivos é o medo de algum dia sofrerem algum abuso sexual, principalmente quando penso em ter uma menina. O pavor é tão grande que tem dias que eu fico mal mesmo, choro e penso em andar para trás nos planos de ter um bebé. Só recentemente falei para a minha psicóloga e para o meu marido sobre esse meu medo/pavor. As vezes gostaria de não querer tanto ser mãe.
Toda vez que fico sabendo de mais uma história de abuso ou estupro, minha esperança na humanidade morre e realmente desejo o fim para este mundo.

Anônimo disse...

Quanto mascu pqp Oo

Lola, me considero uma criança que cresceu numa família com pouquíssimo sexismo. Eu tive espadas e cavalos, bonecas, carreguei tijolo, andei de vestido, me vesti de homem aranha, me vesti de mulher gavião, já andei sem camisa pela casa, já gostei mais de amarelo do que de rosa [hoje gosto mais de verde], já dei surra em quem me azucrinava, já conversei com quem me azucrinava, enfim.

E sabe de uma coisa? Tirando as partes das surras que dei, tudo me foi perguntado. Desde criança eu fui tratada como um humano com uma opinião em formação, não como uma folha em branco onde meus pais escreveriam o que bem entendessem. Me perguntaram se eu gostaria de ter cavalos ou pôneis, se eu gostaria de ter um vestido rosa ou amarelo, se eu gostaria de ter uma espada ou um alvo com dardos, se eu gostaria de ter um videogame ou uma casa da Barbie... Enfim.

Eu sou, atualmente, o que a sociedade chama de tomboy. Mas eu não me sinto assim Lola! Eu sou maior do que isso para ser classificada numa caixinha. Tem dias que eu quero sair de coturno, calça e moletom e tem dias que eu quero sair de vestido. Tem dias que eu tô a fim de socar alguém numa aula de box ou estou a fim de fazer uma aula de ballet. Tem dias que eu quero sorrir e ser graciosa e outros que eu só falo palavrão.

Eu sou eu, e não aceito ser colocada em nenhuma caixa.

"É natural mulher gostar de rosa e de coisas fofinhas", porra galere, até o século passado rosa era cor de macho que cospe mel e mastiga abelha. Azul que era cor de gente delicadinha. Não há nada no nosso DNA que diga "CURTA ROSA". Olha as pombas na rua. Consegue ver qual é fêmea ou macho pelo comportamento? Não. Simplesmente porque elas não tem amarras sociais.

Aliás, homem defendendo as amarras sociais é foda. Alguém aí falou de 'ah mas só gosta de homens fortes e decididos'. E qual o objetivo da vida do cidadão? SER HOMEM FORTE E DECIDIDO = PERPETUAR ESSE COMPORTAMENTO. Feminismo faz milagres, mas uma andorinha só não faz verão. Me ajuda pô!

Aliás, meu irmãozinho [futuro feminista Lola] é o guri mais amado pelas meninas da sala. E sabe o que ele ouviu da última namoradinha dele? "Você tem cara de quem precisa ser protegido, e eu vou te proteger". Ownt Ownt.

O gênero social é construção galera. Arrebenta essa amarra e vai ser feliz. É homem e quer dançar até cair duro, mas não faz pq 'macho que é macho-mimimimimi'? Só posso te dizer uma coisa: sua sexualidade é mto frágil para depender APENAS disso. Homem que é homem briga, se não é bichinha? Mude de amizade oras, essas pelo jeito já são homofóbicas.

É preciso mudar primeiro para depois mudar o mundo gente.

~Ana

Luíza disse...

Lola, na Índia fazer ultrassom é proibido por lei, exatamente para evitar que as famílias saibam o sexo da criança e tentem abortar.

Eu escrevi sobre isso no meu blog depois que perguntei para a moça que trabalhava comigo o sexo do bebê e ela disse que não podia saber.

E você está certa quando fala que a renda não é o motivo, o estado que eu morei lá (até maio desse ano) é o mais rico da Índia e o que mais tem casos de infanticídio feminino.

"Segundo o jornal The Times of India, para cada 1000 meninos nascidos entre 60-70 meninas menores de seis anos são mortas."

Sara disse...

Lola vc tem o dom de me emocionar com seus textos.
Esse em especial me fez lembrar de um período muito dificil na minha vida, as duas vezes q engravidei.
A misoginia da sociedade ja começa nesse período, até mesmo antes das meninas nascerem.
Por varias vezes na minha própria familia, e por vários amigos, não tive a menor dúvida sobre como é forte essa misoginia.
As mulheres inventavam mil e uma simpatias para confirmar q eu estava grávida de um menino e não uma menina, no intuito de me confortar de que tal desgraça acontecesse.
Tive até um amigo que todas as vezes q me via , fazia o cumprimento usual dos chineses -
-Q.vc tenha um filho homem.
Não foram poucas vezes que me desejaram e diziam q torciam por um menino.
Meu marido que sempre foi um homem muito machista nem aventava a hipótese de que não fosse um menino.
Quando finalmente tive minha primeira menina, depois de sofrer muito com a violência no parto, pois fiquei das 3 hrs da manhã até 11.20hs da noite com bolsa estourada e dores terríveis provocadas por um soro para provocar contrações e dilatação, que não acontecia, sozinha , só depois de todo esse sofrimento e quase perdendo os sentidos é q fui levada para fazer uma cesarea.
O parto foi um pesadelo, quando finalmente voltei para o quarto ainda anestesiada e ja sabendo q dera a luz a uma menina, nem sei explicar quais foram meus sentimentos, eu mal conseguia me mexer.
Mas quando escutei o som do carrinho trazendo os bebes , fiz um esforço muito grande para levantar e fechar a porta, não queria ver a criança de maneira alguma.
Hje sei q o que tive foi depressão pós parto.
Lutei contra esses sentimentos, e sou muito grata por ter tido filhas tão maravilhosas como eu tive a sorte de ter.
Mas sei tb que muitas mulheres tem esse quadro agravado por todo o machismo que a sociedade ainda carrega.
Desejo do fundo do meu coração que o patriarcado , nem mesmo uma lembrança deixe pro mundo algum dia.
O tanto de mortes, injustiças, sofrimento, que esse sistema impõe a sociedade não pode mais ser suportado.

Bruno disse...

Isso é uma fruto de uma relação de causa e efeito com o próprio machismo em sim. Como é certo que as mulheres terão menos espaços que os homens, menos oportunidades, etc, é mais desejável ter um menino como rebento. Se nestes países a mulher pudesse trabalhar livremente (com remuneração isonômica a dos homens), pudesse herdar os bens de família e não precisasse de dote para se casar (entre várias outras coisas), certamente não haveria essa cultura de preferência por filhos homens.
É na iguualdade que está a resposta para o fim disso. Ao contrário do que se disse aqui não se trata de destruir os paradigmas que separam os sexos, ou de feminilizar os homens e masculinizar as mulheres, trata-se de construir a certeza de que nascendo homem ou mulher o indivíduo possa ter as mesmas ambições, os mesmos sonhos, as mesmas oportunidades.

Priscila Boltão disse...

Gente, to de coração partido pelo desespero dessa mãe pra fazer isso.
Tô de coração partido pq tem gente q acha q precisa correr e cobrir a menina de rosa e dar boneca pra ela.
E to pasma de ver mascus de mimimi conseguindo colocar a culpa disso tudo no feminismo.
Affe.
Tomara que a mãe melhore logo (pq ela obviamente precisa de acompanhamento psicologico) e que consiga a guarda da menina de novo. Acho difícil - nessa droga de sociedade q a gente tem - mas tomara.

toutjour disse...

...não sei se toda mulher tem uma história de horror pra contar, como eu já disse algumas vezes, mas a maior parte de nós certamente tem...

Não acredito que a maior parte das mulheres tenha uma história de terror para contar.
E muito temos que agradecer aos chineses pela política do filho único, por que assim o numero de habitantes deste planeta está mais ou menos equilibrado. O machismo só existe porque tem o apoio de muitas mulheres. Quem enfaixava os pés das meninas chinesas eram as suas mães, quem pratica a mutilação genital feminina são as mulheres. O primeiro comentário é muito bom. Porque a feministas não procuram igualdade mas sim superioridade. Porque se elas conseguirem ser iguais aos homens, ai já são melhores, porque são mulheres. As mulheres são a melhor coisa do mundo. Serão mesmo? Mas mais importante são 'coisa'?

Anônimo disse...

Isso é muito chocante. Eu achava que essas práticas tinham sido abolidas. Estava enganada. Ragusa

Anônimo disse...

E também estou com muita dó dessa mãe. Que judiação. Tem gente (gente?) condenando, como sempre. Ragusa

Augusto disse...

Por que seria crime uma mãe criar o filho como menina ou a filha como menino?

Existe alguma lei na constituição que delimita a criação, pelos pais, de seus filhos?

Anônimo disse...

Olha, a mulher está indubitavelmente mais sujeita que o homem à violência, às vezes violência mortal. Agora, quando essa mulher vem dizer que foi por isso que vestia a filha de homem... Hum... Isso é só o que ela diz, e francamente, tá mais com cara de discurso pronto para se safar. De boa, parece mais coisa de mulher machista que só aceita ter filho homem, porque homens são melhores. E não, não torço para que ela possa receber a menina de volta.

Allice disse...

Tenho certeza que essa mãe fez o melhor que poderia fazer, não cabe a nós julgá-la porque não estamos na situação dela.
Minha mãe nunca sofreu abuso, mas a cidade pequena onde ela nasceu é bem machista e então ela fugiu de casa, fora de casa, trabalhando como babá e estudando a noite conseguiu ter uma vida mais livre, casou-se com meu pai e tiveram duas filhas, ele tem outra menina de antes do casamento, e apesar de sermos todas não planejadas fomos muito bem recebidas. Meu pai nos levava sempre para passear, éramos levadas ao boteco, ao clube, à escola e ele sempre teve muito orgulho de nós. Pra quem vive numa realidade assim, privilégios de poucas até no nosso país, não conseguiria imaginar que essas coisas tristes acontecem.
Mas, minhas mãe, acaba por refletir em nós as privações que sofreu: ela quer que a gente trabalhe, estude, viaje e faça tudo num ritmo alucinante, acho que ela tem medo que eu me case e fique estacionada, o que é uma grande bobagem já que tenho um namoro IGUALITÁRIO.
Meu pai, por outro lado, sofreu desde cedo tendo que trabalhar, justamente por ser homem, era super explorado, e ele quer que eu apenas coma muito, durma muito e estude muito, ele quer que eu fique sempre descansada pra estudar, sempre que eu tirava notas baixas na escola a briga dele era: "vocÊ precisa estudar pra não ser humilhada pelos outros." Uma vez fomos à papelaria e a chefe humilhou a funcionária na nossa frente (nós não gostamos daquilo e nem voltamos mais lá) Mas quando chegamos no carro meu pai disse: está vendo? Se não estudar vai acontecer isso com você!!!
O machismo machucou ambos os lados: Minha mãe tem medo que eu me case com a pessoa errada, como na cidade dela alguns, muitos, se casam por status social e são bem infelizes (confessamente infelizes, já meu pai, não quer que eu seja sujeitada no trabalho às humilhações que ele passou na vida. Hoje em dia ele é diretor de um hospital e trata todo mundo muito bem e já forçou a barra pra que duas funcionárias entrassem pra faculdade de biomedicina. Por que? Por que a maioria dos funcionários de nível médio são MULHERES.
Enfim Lola, só gostaria de dizer que meu pai diz e minha mãe confirma que ELE SEMPRE QUIS TER MENINAS, e sabe que eu acho que isso é trauma, ele talvez não quisesse ter homens pra não ver os filhos passarem por toda humilhação que ele passou, ele sofreu até espancamento do pai dele. Meu pai faz de tudo pra que eu estude e somente estude pra me preparar. Minha mãe tem pressa, ela quer que eu estude, trabalhe e seja independente logo, não prase livrar de mim, mas por medo que eu caia nas estatísticas das amigas dela, da minha irmã, de pessoas que casaram e foram mal sucedidas e ainda por cima se permitiram ficar estacionada.
Os dois lados sofrem e a gente que é filho tenta ser sensível pra entender isso.

Anônimo disse...

"O machismo existe porque tem o APOIO de MUITAS mulheres", voce usou as palavras certas, até pra propagação do machismo as mulheres não dominam, elas oferecem "apoio" né?

Sua história de que grupos oprimidos não buscam igualdade mas superioridade nem vale a pena responder, papo típico de reaça

Anônimo disse...

O que dizer pra essa mãe?vc n conseguiria mesmo passar a vida mentindo,mas do q ela estava querendo proteger a menina é pura verdade,se for menino existira um minimo de chance de sofrer uma violência sexual enquanto q sendo menina as chances aumentam em 50%.

Ronaldo disse...

Acho o texto um tanto exagerado. Com exceção de algumas partes do mundo, como os países citados, ter uma filha é considerado melhor do que ter um menino. Elas são consideradas mais "comportadas", "fáceis". É só ver casos de adoção: o perfil mais buscado por potenciais pais adotivos é de uma garota, especialmente branca. Essa preferência só cresce com a idade das crianças em questão.

Lady Caca disse...

Mulheres machistas existem? Claro que existem, isso acontece porque muitas pessoas oprimidas abraçam a causa do opressor, porque assim vai ser mais "fácil" pra algumas pessoas, lembro de um tio falando de um funcionário dele, "preto mas gente boa", super "humilde" e etc

Parece que é "legal" ser categorizado assim pra alguns, não sei se fazem isso por não entenderem a questão, não se sentirem oprimidos, ou por não terem boa auto-estima, preferem ser recompensados com elogios por ser um oprimido bunda-mole, preferem que passem a mão na sua cabecinha por você aceitar sua condição de inferior, quando você é o pretinho ou o viadinho de estimação dos outros você se sente "integrado" na sociedade, claro, com a separação bem demarcada, "eu aqui" e "eles ali", sem "invasão de espaço"

No fim a integração social é tudo aquilo que a gente deseja, é pelo que a gente luta, não dá pra fazer nada se a maioria das pessoas se contenta com migalhas

Ramilla disse...

Esses casos são realmente tristes. Penso que todo mundo deveria viver de acordo com o gênero com o qual se identifica. Lendo as matérias, deu a entender que as circunstâncias (combinadas com situações sub humanas) levaram as garotas a assumirem o papel de "homem" da família, vivendo toda uma vida sem poder exercer sua sexualidade da forma com a qual se identifica.

Caroles disse...

Falamos disso esses dias numa aula de literatura brasileira, quando falávamos de Grande Sertão: Veredas. Diadorim finge ser homem, e comentamos o quanto isso ainda é comum no nordeste brasileiro, onde as mães/parentes fazem isso justamente para proteger as meninas do abuso sexual. Triste :/

Huan Icaro Piran disse...

@Allice

Excelente forma de expor algo que eu estava aqui patinando para colocar. Bem, eu também não teria um relato tão valido como o seu "^^

Allice disse...

Obrigada Huan, demorei muito pra entender o lado dos dois.

Augusto disse...

O único problema da mãe foi ter identificado a filha como homem no cartório. Agora não há problema criar um menino com roupas rosas e coisas "femininas". Isso é machismo. Não há cores para mulheres e homens. Não há brinquedos por gênero. Não é crime os pais decidirem o que cada um deve ou não usar, brincar e vestir.

Valéria Fernandes disse...

Lola, acho que cabe uma correção. O problema na Índia não é que as mulheres não irão trabalhar, aliás, essa questão atravessa boa parte das sociedades agrárias da região. Os casamentos são patrilocais, isto é, quando você tem uma filha, é como se você estivesse formando mão-de-obra que, no seu momento mais produtivo, sairá para trabalhar na casa alheia. Ter filhos é uma vantagem econômica, porque:

1. Eles trarão mais mão-de-obra.
2. Eles gerarão meninos que trarão mais mão-de-obra. :P

Somando-se a isso questões de ordem religiosa que acabam estabelecendo que determinados rituais precisam ser feitos por um filho homem (*alguém viu Yentl?*) para que os pais descansem em paz, ou que é dever do filho homem mais velho sustentar os pais. a coisa fica dramática...

E a questão do dote complica ainda mais. Você já é miserável por ter filhas, mais miserável ainda se torna porque elas só se casarão com o dote. Por mais que alguém torça o nariz para a "compra" de uma esposa, isto é, a obrigação do noivo em pagar o dote, a condição social das mulheres é ligeiramente melhor quando o noivo paga. Agora, nem o Islã (*o noivo paga o dote*) conseguiu dissolver essas tradições no Paquistão, por exemplo.

Desculpe tagarelar, mas são muitas questões que se cruzam, todas elas, claro, reafirmam que ser mulher é um problema.

Anônimo disse...

E ainda tem gente que diz que as meninas são privilegiadas...

aiaiai disse...

Mascus trolls da Lola,

to confusa: a Lola é ingrata com o patriarcado ou invejosa do patriarcado?

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eu ñ senti pressão p ter filho homem ou mulher. Mas, no entanto, porém, minha família fez uma festa danada quando soube que era um menino... ñ sei se fariam o mesmo se fosse uma menina. gosto de imaginar que sim.

Minha família é formada por mãe, pai e três meninas. Cansei de ouvir pessoas insinuando p meu pai q ele não teve filho. E ele sempre respondendo meio que na brincadeira "não trabalho p homem". Hummmmmm.

Ou seja, sem querer sacanear os meus pais e os amigos deles, tá na cara o machismo latente nessas conversas, né? Somos todos machistas, inclusive, nós, feministas. O troço tá tão entranhado que vez em quando a gente solta um pensamento ou fala machista. São 3 mil anos de dominação. Não vai ser assim de uma hora para outra que vamos nos libertar dessas amarras, mesmo sabendo que não fazem bem a nenhum dos gêneros. Mas, tamo na luta!

Anônimo disse...

Quem mutila o genital das meninas são mulheres, pq os homens acham que mulher não pode ter prazer no sexo! Mulheres não mutiladas NÃO conseguem se casar em culturas que exigem essa mutilação.


Por fim eu lembro de um desenho beeem antigo, que passava na Cultura, sobre práticas adotadas na india. Quando eu era pequena não entendia muito principalmente a parte do dote, só depois de crescida que fui entender. É um desenho bem antigo e de lá pra ca vejo que nao mudou nada. triste

Pili disse...

Puxa, muscutrolls... zzzzZZZZzzzz

Olha, qualquer tentativa de alterar dados em documentos deve ser fiscalizada e punida.
Não interessa se isso foi feito pra, sei lá... jogar crianças de pouca idade em olimpíadas, ou em indústrias cruéis de entretenimento ou coisa parecida... tem alguém disposto a socorrer tantas crianças que estão sendo exploradas dessa maneira???

Agora, pra tirar a guarda da mãe é preciso provar que o convívio atrapalha o desenvolvimento normal da criança. Lembrando que não é só a mãe que tem o direito de criar a filha, a filha também tem o direito de ser criada no seio de sua família!!! Isso é direito da criança!

E aí, quais são as acusações contra a mãe?
Ela deu carrinho pra filha brincar? Minha mãe também me deu. Ela evitou perfurar o corpo infantil pra pendurar um par de brincos? Minha mãe também. Ela deu um nome X pra filha? Bom, vamos proibir todo mundo de se chamar Dominique, entao. (eu conheço em iguais números homens e mulheres com esse nome) Havia maus tratos? Havia algum abuso no que concerne à sexualidade, ou mesmo a individualidade da criança? Ela deixou de prestar qualquer assistência? Ela tá destruindo, sei lá, o patrimônio da filha? Ela tá forçando a filha a desempenhar atividades extremas que a filha já manifestou não querer?

Pelo que diz a notícia não. E a gente não tem como concluir nada a partir daí. Tàopouco podemos concluir a partir das poucas informações da noticia se a mãe tem necessidade de qualquer assistência psicológica.
E nem adianta pirar, entrar numa de fuxicar essas informações porque também é direito da criança que esse assunto seja tratado com segredo de Justiça.
Afffffe!
Até agora a única coisa de que se pode acusar essa mãe é de ter alterado um documento oficial, e mesmo pra isso ela vai ter o seu direito de defesa.
Pelo que parece ela pode facilmente alegar que houve um erro no preenchimento do papel. Um erro que passou batido por quem emitiu o documento.
Um erro, e daí????
A minha carteira de identidade tem um erro, a CNH de um parente meu tem outro, a certidão de nascimento do meu amigo também tem....
Há que ser fiscalizado e se preciso há que ser punido, mas isso não é motivo pra tirar a guarda de uma filha.
E se alguns acham que é imoral criar uma filha vestindo calças e brincando de bola, ora, vamos ter que destruir inúmeras famílias Brasil afora!!!

E sim, ser arrancada dos cuidados de sua mãe, e jogada em um outro grupo familiar absolutamente desconhecido, pode mesmo causar uma grande confusão na cabeça de uma criança.

Anônimo disse...

Interessante!

"A tia aproveitou uma festinha para verificar o sexo..."

E se fosse um abusador?

Eu tenho pena dessa mãe, realmente necessita de tratamento psicológico. Espero que ela recupere a guarda dx filhx.

F. disse...

Além de registrar a menina como Samuel, o que mais ela fazia para educar uma criança tão pequena como menino? dava carrinhos no lugar de bonecas? comprava roupinha azul? Quem disse que isso é ser menino? Acho que simplesmente arrancar a menina da mãe causará mais traumas do que um registro trocado.

Camila Fernandes disse...

"No discurso das feministas, a igualdade consiste num tipo de negação do feminino, pois elas acham que o conceito de feminino é uma construção machista."

Eu me pergunto como é que essa pessoa não enxerga que o conceito de feminino É SIM uma construção social e, portanto, graças ao caráter da nossa sociedade, machista. Sério que você acha que a criança nasce "sabendo" o que é "ser homem" e "ser mulher"? Sério que você acha que isso é nato, determinado, "natural"? Que o feminismo tirou "essa ideia de que o homem é melhor que a mulher" de dentro da bolsa e resolveu atormentar os homens com isso, por nada? Ai, meu Buda. Eu me pergunto se essa pessoa consegue entender o que ela lê. A questão não é nem concordar ou discordar, mas, gente, pelo menos apresentar uma argumentação que faça sentido. O que essa pessoa falou pode ser perfeitamente respondido pela Lola aqui, olha:

"O mesmo sistema patriarcal que abusa sexualmente de meninas e comete feminicídio também não é nenhuma garantia de felicidade pros meninos. Homens adultos são vítimas de mortes violentas em número muito maior que mulheres. A diferença é que quase sempre homens são mortos por outros homens. Portanto, o que precisa ser jogado na lata de lixo da história é o patriarcado, que insiste num modelo de masculinidade autoritário, violento, insensível, e nocivo para todo mundo, um modelo que só começou a ser questionado nas últimas décadas."

Então, sério, você nem leu o texto, não é? Agora, vem aqui criticar um texto que você nem leu? Poxa! Ainda junta com um monte de falácias e informações sem pé nem cabeça. Eu realmente não entendo se a pessoa tem algum problema cognitivo ou se é só uma vontade muito grande de encher o saco dos outros, assim, acúmulo de babaquice.



Sobre essa coisa de vestir a menina toda de rosa, o engraçado é a gente reparar exatamente o quanto criança não tem dessas coisas. Eu me lembro de brincar com os meus primos, a maioria homens, desde pequena, e ninguém ligava se você era menina. Não tinha disso de menina não joga futebol, não joga video game, não corre, não brinca de luta. Sempre joguei bola, corri, caí no chão, e machucava à beça e continuava correndo. Eu não tenho lembrança de nenhum dos meus primos, vizinhos ou colegas me impedindo de brincar por ser menina. Só depois de certa idade é que os adultos começaram a me dizer que "mocinha" tinha que sentar direito, não podia ficar correndo "igual menino", não podia brincar na terra para não sujar.

Por outro lado, eu tenho uma amiga que está grávida e, pelo que ela me disse, o quarto da menina está sendo lindamente decorado em tons de amarelo e lilás! Sei que parece pouco, mas a gente começa impedindo o sexismo por aí :)

Anônimo disse...

Estou grávida, ainda não sei o sexo, mas queria que fosse um menino...

E essa vontade minha me incomoda muito. Só decidi ter filhos após trabalhar mentalmente esse "problema" e saber que aceitarem bem se tiver uma filha.

Nunca fui abusada sexualmente, não tenho nenhuma história de horror para contar, nunca tive nenhum problema por ser mulher. Tenho um ótimo marido, tenho independência financeira.

A foto da menina de rosa personifica todo o meu temor em ser mãe de menina. Se eu tiver uma filha, eu não vou vesti-la somente de roupas rosas, colocar lacinho, vestidinho, encher de bonecas, de fantasia de princesa, ficar vendo desenho da Sininho, etc. Mas o mundo ao redor dela vai fazer isso! As amiguinhas vão ser assim, as priminhas já são, etc, etc. É claro que ela será influenciada por isso e eu também não poderei proibir a minha filha de usar rosa, brincar de barbie, etc, se ela quiser.


Luiza disse...

Eu sinto muito, muito mesmo, por essa mãe, por essa menina, por todas as mulheres em situação de vulnerabilidade no mundo.

A maioria de nós TEM SIM histórias de terror para contar, ao contrário do que pensa o mascu. Pra ele, história de terror deve ser aquela coisa que só acontece em filme, de tão horrenda. Ó, ingenuidade.

Eu tenho muita sorte de ter sido criada de forma não machista e cercada de homens relativamente esclarecidos. Tanto que quando comecei a ler os papos dignos de camisa de força dos mascus eu fiquei horrorizada de saber que aquele tipo de pensamento realmente existe.

Eu faço o que eu posso para elevar a estima das mulheres que eu conheço, tento esclarecer com fontes as dúvidas que surgem em papos descontraídos. É pouco, mas gosto de pensar que estou contribuíndo para que menos mulheres estejam tão vulneráveis na cadeia alimentar.

Bruxinha disse...

Comovente!! qdo eu engravidei e decidi levar adiante, eu acabei ficando um pouco decepcionada ao saber que era menina. Pq na verdade eu sempre tive essa consciência de que a sociedade é machista e que as coisas são mais difíceis pra nós.
O pai, então, ficou arrasado, pq a vida toda idealizou um "filho homem".
Mas ainda bem que isso tudo é passado e o amor que desenvolvemos pela pequena é maior que essas questiúnculas sobre gênero. Agora minha preocupação é somente como educa-la para tornar-se um SER HUMANO bom!!

Max Amaral. disse...

Alguém acha que faz alguma diferença para a cabeça dessa criança ser menina ou menino, nessa idade?
Ela é muito nova para perceber qualquer diferença. Isso não é abuso, nenhum mal foi causado. O que ela precisa é de ajuda para tratar dos seus problemas. Mas simplemente por criar a filha nenem como menino? Poupem-me.

Anônimo disse...

Sander, o "masculino" não é dominância e poder. O patriarcado é. Se o mundo tivesse sido elaborado com as mulheres dominando e os homens sendo oprimidos estaríamos nos rebelando contra esse sistema. Mas não foi assim que aconteceu. Então somos contra o patriarcado por um mundo mais igual.

-Isabel

Masculinista disse...

Lola, perdão, mas você está se contradizendo sim. Não em relação à sua opinião sobre o aborto, mas sim a forma como você demonstrou a interrupção da gravidez nesses países, no seguinte trecho:

"Ainda que a prática de matar meninas seja proibida por leis, ela persiste entre a população."

Você usou o termo MATAR, depois de defender inúmeras vezes que aborto não é assassinato.

Ou seja, não é assassinato quando lhe convém, mas também é assassinato quando lhe convém.

Abraço

Stefanie disse...

Caramba, Lola, como tem mascu chato no mundo!
E burro, porque não sabe interpretar um texto, né?
Sério, culpar a mãe, que foi abusada, e quer proteger a filha de "ser menina" só não é mais absurdo que culpar o feminismo por isso. E confundir tornar uma mulher sujeito da própria vida, e não vítima, a tornar dominadora, a falácia mais deslavada!
A gente não sabe se ri ou se chora...
Quanto às outras histórias, realmente arrepiantes.
E não são só em lugares pobres.
Quem leu "Xin Ran - As Boas Mulheres da China" sabe que a condição da mulher lá não se alterou muito, não.
Parece a mesma ladainha: agora trabalham, mas ainda são responsáveis pelas crianças, pelos idosos, e pelos desejos despertados nos homens inadvertidos. O que muda é a repressão, que não permite que isso seja, sequer, mencionado. E homossexualidade é crime...

Agora, é engraçado como essa história de DE MENINO e DE MENINA ainda prevalece. Um dia minha prima, de 3 anos, estava brincando com um carrinho e disse que gostava, "mesmo sendo de menino". E lá fui eu dar uma de feminista louca e dizer: Mas você é menina, não é? E gosta de carrinho, não gosta? Então é seu, é de menina também.
Para o espanto do pai da criança...

Allice disse...

Aqui tem uma entrevista com uma dessas "menininhas" que sobreviveu, cresceu e que admiro muito. Ela está concorrendo à presidência do Afeganistão em 2014. Tem um site onde as pessoas podem fazer doações. Força Koofi!


"É possível uma mulher ser presidente em um país como o Afeganistão?

FAWZIA KOOF -
Estou em um país extremamente tradicional, onde os direitos femininos são sistematicamente violados e as mulheres foram mantidas longe da política por muito tempo e submetidas a formas de violência diversas. Estamos, porém, em um momento de abertura e de mudanças. Estou preparada para entender essas novas demandas e transformá-las em mudanças efetivas na vida das pessoas. "

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/217859_O+TALIBA+TENTOU+ME+MATAR+VARIAS+VEZES+

Anônimo disse...

Masculinista das 16:48 não se faça de bobo. O sexo de uma criança só pode ser identificado em ultrassom depois das 12 semanas (no mínimo). Não tem nada a ver com o aborto como legalizado no mundo civilizado quando você está lidando com um embrião. O aborto seletivo de gênero se realiza em fetos já bem desenvolvidos.

Cristrina disse...

Muito triste a história dessa mulher, ela precisa de tratamento e não apedrejamento. Que mulher que já pensou em ter filhos não ficou receosa ao pensar no que os mesmos passariam durante a vida, principalmnte suas filhas?

Lola esse feminicído é assustador imagine só o impacto social futuro de algo assim!
E para quem acha que as "Bacha Posh" são estranhas deveriam assistir "Obama" e pensar duas, até três vezes se elas tem ou não certa razão.

Gabriela disse...

A minha vó registrou minha mão como sendo do sexo masculino por acidente.E agora?Ela vai presa por isso?

É tão óbvio por querem punir esta mãe!Tratando-a como uma criminosa ou como uma doente mental eles não vão precisar entender porq ela fez isso.Se assim o fizessem teriam q reconhecer como a mulher é violentada e subjugada em nossa sociedade.É a mesma questão dos q defendem a morte para os estupradores.Transformando eles em não humanos podem se afastar deles e seguir fingindo q não têm culpa no cartório.Alguém realmente preocupado com esta criança iria querer entender o porq da mãe fazer isso para protegê-la.Mas isso não vai acontecer.Essa questão levaria a verdades q as autoridades preferem ignorar.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Fica cada vez mais difícil não perder a fé na humanidade.
Acabei de ler no blog da Letícia sobre uma garota menor de idade que cometeu o "crime" de se deixar fotografar durante o sexo pelo namorado. Ele postou as fotos no facebook depois de uma traição e a garota está sendo trollada praticamente pelo país inteiro, estava nos tt's do Brasil até pouco tempo.
Homens e mulheres debochando e xingando outra mulher porque foi pega fazendo sexo (como se nenhuma delas fizesse sexo) e nem uma palavra depreciativa sobre o babaca que postou as fotos. A "puta", a "vadia" é ela porque foi fotografada fazendo sexo anal com o namorado.
Tá difícil viu, Lola. Parece que a humanidade está é caminhando pra trás.

André disse...

Eu sou a favor de que o aborto seja liberado até 12 semanas. Seja por motivos financeiros, psicológicos, médicos, culturais ou por simple conveniência. Uma mulher que aborta um feto masculino por motivos financeiros é tão livre quanto uma mulher que aborta um feto feminino por motivos culturais. E nos dois casos a mãe está abortando um feto e não matando uma criança.

Vehfire disse...

O auto-intitulado Masculinista das 16:48 deve ter feito um esforço danado tentando achar pelo em ovo.
A Lola falou MATAR, porque, além dos abortos, que são feitos depois da 12ª semana (que é a partir de quando se consegue verificar o sexo do feto), as mortes de meninas ocorrem também após o nascimento, em detrimento de seu sexo.
E em resposta ao André, que disse o seguinte: "Uma mulher que aborta um feto masculino por motivos financeiros é tão livre quanto uma mulher que aborta um feto feminino por motivos culturais.", discordo. A mulher deve sim ser livre para decidir se quer ou não levar a diante uma gestação, e pode escolher abortar por diversos motivos: não querer ser mãe, não ter condições financeiras, psicológicas, etc. Mas abortar por conta do sexo da criança (seja masculino ou feminino) é generocídio!
Cultura? Temos tantas culturas aqui no Brasil: cultura do aborto, cultura da magreza, e não é porque são culturas que devemos perpetuá-las. Não é porque as coisas são de determinado jeito, que podem sem justificadas e permanecerem como são!

Sara disse...

Em q penuria mental vivem os mascus q comentam aqui, não sei se sinto raiva ou pena.

Fabio B disse...

Antes que gente desprovida de inteligência venha dizer que estou me contradizendo
por apoiar a legalização do aborto e condenar a prática do aborto quando o sexo
do bebê não é o desejado, explico: o corpo é da mulher, e é ela que deve escolher
quando quer ter o filho
(lembrando que métodos que impedem a gravidez são sempre
muito menos traumáticos que um aborto). Mas, nesses casos de aborto seletivo,
por gênero, há uma imposição social para que a mulher aborte. Ou seja,
é pra se pensar se ela realmente tem escolha.





Bem, como me enquadro no primeiro trecho de negrito acima venho aqui dizer que não apenas está
se contradizendo como está esquecendo que a maioria dos abortos são por imposição social.


Para expor o que quero dizer vamos usar um pouco de lógica.

Primeiramente temos que voltar a falar onde de fato começa a vida.
Devemos nos perguntar se um embrião, feto ou nascituro é um ser humano.


Se o nascituro não for um ser humano, então não temos o direito de se reivindicar o status de menina ou menino.
E poderá ser "removido" com a escolha ou vontade da mulher, esta vontade imposta ou não pela sociedade, cultura ou legislação que ela viva.

Agora se o nascituro for um ser humano, logo saberemos que é uma menina ou menino
e jamais poderemos ter algum tipo de interrupção voluntária, até então, de sua breve vida.

Esta cultura de vida, por si só, contribuiria para amenizar e muito estes incidentes de matar um feto feminino.
A legalização do aborto, entre outros péssimos fatores que cria em uma sociedade, dissemia a cultura da morte
onde a vida passa a ter, a cada geração, menor valor.

Como explicar a uma mulher que ela não pode abortar por ser menina, mas ela pode abortar
por ter problemas financeiros ou por atrapalhar seus estudos ou sua futura carreira.

Se, como na india, uma menina pode causar futuros problemas financeiros como pagamento do dote,
e possivelmente nem ter uma carreira.

Em um dos outros posts foi dito:

Se aborto é assassinato, como dizem, se o feto já é uma criança formada e autônoma,
como insistem, então como aceitar que o aborto seja permitido em casos de estupro?


Se eu usar essa mesma frase usando a negação para este caso de aborto seletivo ela encaixa perfeitamente:

Se aborto não é assassinato, como dizem, se o feto não é uma criança formada e autônoma,
como insistem, então como aceitar que o aborto não seja permitido em casos de aborto seletivo?



Quando você diz que o aborto seletivo é um problema social condizente com sociedades patriarcais, esquece-se que
o aborto por problemas financeiros também é.
(73% Can’t afford a baby now)

73% das americanas dizem que não podem pagar um bebê agora. Se pudessem teriam o filho? Elas tiveram a ESCOLHA?


74% Having a baby would dramatically change my life
74% das americanas dizem que um bebê irá mudar dramaticamente sua vida.
Um dos últimos guest post, que não comentei, foi por este motivo, que pode ser subdivido em vários.

Aqui entra outro aspecto do patriacardo. Muitas mulheres com a carreia promissora são "obrigadas" a abortar.
Muitas dizem que terão que largar o emprego ou os estudos. Assim, o melhor mesmo é abortar. Isto é o que ensina a cultura da morte onde o aborto é legalizado.

Seria uma tentativa frustrada de perseguir o que a sociedade diz o que é "bom". O modelo masculino que não engravida, estuda, faz diversos projetos
segue uma carreira initerrupta, e mesmo quando tem filho fica apenas cinco dias em casa?

Estar gravida, algo único e substancial pertecente ao genero feminino na humanidade, é tratado, ainda nos dias de hoje, como "sujo"
e como uma pedra no caminho de mulheres com carreiras promissoras.

Fabio B disse...

Neste sentido do silêncio que as mulheres passam na gravidez onde na maioria das vezes são obrigadas a cuidarem das crianças sozinhas, e que a sociedade impôe
e obriga a ela a ficar de 4 a 6 meses em casa e os homens apenas cinco dias é uma opressão silenciosa disfarçada de auxilio.
Apenas mulheres mudam suas vidas e o risco de perder empregos é imposta em nossas sociedades patriarcais.

Não é de se espantar o desespero de algumas mulheres quando se descobrem gravidas.

Na suécia, como li neste blog, tem uma legislação diferente onde o pai também tem o dever e direito de cuidar da criança junto da mãe.
Podem até dividir quem fica e quem vai em periodos alternados. Mas claro que nos primeiros meses a presença da mãe, biologicamente falando, é essencial.
Mas nada impediria que ela deixasse o leite materno com o pai como muitas vezes acontece.


Lutemos contra a cultura do estupro
Lutemos contra a cultura da morte


Lutemos pela vida!!!


Deixo abaixo algumas frases das primeiras feministas ao qual destaco em negrito o que eu defendi acima.


Susan B. Anthony (1869)
"Culpada? Sim. Independente do motivo, seja o apego à sua vida estável,
ou uma vontade de evitar o sofrimento do inocente nascituro,
a mulher que comete tal ato é terrivelmente culpada.
Levará isto em sua consciência por toda vida,
pesará em sua alma quando de sua morte.
Mas triplamente culpado é quem a levou ao desespero, quem a impeliu ao crime!"
Imposição Social.


Mattie Brinkerhoff (1869)
"Quando um homem rouba para satisfazer sua fome,
facilmente concluímos que há algo errado na sociedade --
da mesma forma, quando uma mulher destrói a vida de uma criança não-nascida,
é uma evidência que, seja por sua educação ou pelas circunstâncias,
ela foi levada a tal erro."


Sarah Norton (1870)
"Assassinos de crianças praticam sua profissão sem impedimentos, e açougues infantis
permanecem abertos sem qualquer problema…
Não há solução para todos estes assassinatos de crianças não-nascidas?
Talvez ainda chegue um tempo quando uma mulher solteira não será desprezada por ser mãe (…)
e quando o direito de nascer do não-nascido não será negado ou impedido."

Matilda Gage (1868)
"Este assunto é dos mais profundos nas injustiças feitas às mulheres do que qualquer outro…
Não hesito em afirmar que a responsabilidade por este crime na maior parte é do sexo masculino."
sociedades patriarcais

Alice Paul
"O aborto é a máxima exploração das mulheres."

Li disse...

muito bom post, lola!

como a mulher em questão, até pouco tempo atrás eu tampouco gostaria de ter uma filha. através da leitura dos seus posts, e da leitura de obras feministas, é que eu fui descobrindo que uma outra forma de ser mulher é possível - diferente de como eu e a maioria das mulher que conheço foram criadas para ser. :)

Vivi disse...

Nossa que post interessante mesmo! Várias reflexões podem ser feitas a partir destas contruções de gêneros supostamente invertidas. De qq maneira o machismo pespetua em todos os casos de todos estes países expostos.
Agora estas 200 milhões de meninas desaparecidas é algo assustador!
Abraços

Anônimo disse...

Lola,

a Luíza está equivocada. Na Índia não é proibido fazer ultra-som . Sei disso pois tive a oportunidade de conhecer vários indianos, uma delas estava grávida e no ultra-som o médico perguntou se ela queria saber o sexo e ela disse que não, pois sabia que os abortos não autorizados são realizados. Ela disse ainda que é uma prática comum que casais sequer façam o pré-natal com medo da atitude dos médicos obstetras, cuja maioria esmagadora é de homens.

E felizmente ela não quis saber o sexo, pois nasceu uma menina linda, com saúde, que é a alegria da casa. E o casal é ainda mais perseguido pois são cristãos, algo mal visto na Índia, assim como qualquer religião monoteísta. Os dois possuem doutorado, mas os pedidos de emprego de ambos são negados quando lhes perguntam a religião. E são de castas altas.

Então, por favor, corrija a informação.

Ana disse...

[não li todos os comments]

Hm, eu acho que tem uma diferença entre criar com liberdade - dando acesso a todo o tipo de brinquedo, por exemplo - e criar com o gênero trocado.

Pra mim a mãe mentir que a menina era meninO é um problema. Minha preocupação é com o fato de que o gênero é uma parte considerável da nossa identidade. Se essa situação fosse adiante, poderia gerar problemas para a menina - Alguma hora o corpo dela ia se manifestar como biologicamente feminino, e aí? Como é que fica a mente da pessoa?

Não quero que me confundam com o povo do "ahhh mas nasceu mulher é a vontade dels ela nunca vai ser homem isso é anormal e como fica a cabeça dela" etc. Não tenho problema nenhum com mudança de sexo, por exemplo. O meu ponto aqui é que isso não foi mudança de sexo, isso foi... uma mentira. E vai saber como isso ia mexer com ela... Não foi algo voluntário, não nasceu de algum conflito pessoal, foi imposto. É uma coisa você se identificar como homem mesmo tendo nascido mulher, é outra sua mãe te criar negando que você é mulher.

Os casos de troca de sexo até provam meu ponto - gênero é uma parte muito importante de como as pessoas se vêm. Tanto que se você se sente um homem, a vida como mulher é insuportável e vice-versa.
Então o negócio é, sendo o gênero tão relevante, não acho justo a mãe """"roubar"""" o direito da menina de ser quem ela é (aspas, muitas aspas). A única circunstância em que se troca de sexo é quando, bem, a própria pessoa tem motivos pra isso. Não se troca o gênero alheio à seu bel prazer... né?

Apesar de achar a decisão ruim, eu compreendo que a mãe ama a filha e usou uma lógica meio torta para protegê-la. Que essa mulher precisa de ajuda, não de punição. Que ela tentou fazer algo bom, e não privar a filha de nada. Que ela é uma vítima, um sintoma de um problema maior.

Muito emblemático foi a "conversão" da criança, através de cores e brinquedos, porque exemplifica direitinho o que a sociedade considera como identidade sexual - como se ser mulher e não vestir rosa fosse o trauma.

Incrível como coisas assim saltam aos olhos de todo mundo, enquanto quando o assunto é igualdade de gênero a gente tem que tirar água de pedra pra convencer as pessoas da diferença de tratamento entre homens e mulheres numa sociedade machista. Quer dizer, ser mulher e brincar de carrinho? Problemão, crime, alguém arruma isso já! Ser mulher e ser vítima de violência? Ah, bem, mas ela fez x, y, z, estava pedindo... Eu sou a única que se confunde com isso?

Ó, fiz todo um discurso sobre como ela tem direito de ser menina tal qual nasceu, mas isso não quer dizer que eu estivesse falando de bonecas e roupas cor de rosa. Não acredito em dois padrões completamente opostos construindo cada gênero. Pra mim, a questão era consertar a certidão da menina, para que ela não vivesse uma mentira. Dar-lhe um nome de mulher. Fora isso, não creio que se define homem/mulher por roupas e brinquedos.

Enfim, é uma questão sensível. O fato é que, independente das intenções da mãe, a mentira me incomoda, sim =/

Augusto disse...

Se aborto é crime ou não, é questão de jurisprudência. Se considerássemos que o objetivo do mundo é permitir a vida em sua máxima, o aborto e o sexo por prazer e não para reprodução não deveriam ser permitidos. Porém, se considerássemos que o objetivo do mundo é ser feliz, saberíamos que nem todo evitamento de gravidez é crueldade. Aborto, chame de assassinato ou não, produz paz para a família que não deseja o filho. É cruel pensar que nem todos têm o mesmo objetivo na vida. Alguns querem a felicidade, outros, serem mártires. Que merda. É muito difícil um único ser humano analisar essa situação imparcialmente.

Se analisássemos todos os crimes, veríamos que todos funcionam como o aborto. Todos são questão de jurisprudência. É só questão de jurisprudência. É só questão de saber ver o que a sociedade quer ou não. E quando a sociedade se diverge em tanta coisa sobre um assunto, há um problema. Não há leis democráticas para assuntos polêmicos, nem direitos (in)humanos.

yulia2 disse...

Oi Lola... queria que vc usasse seu espaço para denunciar isso aqui na sua próxima postagem... é um pouco old mas é bastante grave...


Machistas da internet atacam mulheres no trem

Mulheres que usam decote, saia curta e roupas provocantes tomem
cuidado, uma gangue virtual ainda não identificada, que cria páginas no
face e no orkut para falar mal de mulher entrou em ação para punir as
modernetes

EXTREMISTAS/ Uma das hipóteses levantadas é a de que Ana Carolina tenha
sido atacada por um grupo extremista que prega a violência contra
mulheres na internet. Uma das ideologias difundidas na rede é a de que
mulheres bonitas com roupas “provocantes” devem ser punidas com ácido, a
exemplo do que acontece em alguns países do Oriente Médio.

A CPTM disponibiliza o serviço de SMS-Denúncia, através do celular
97150-4949 ou pelo telefone 0800 055-0121. Ao receber a mensagem, o
agente que estiver mais próximo do local é destacado para atuação
imediata. Todas as denúncias recebidas por esse telefone são
encaminhadas imediatamente à área de segurança da companhia. O
denunciante não precisa se identificar e o serviço funciona 24 horas.


E isso aconteceu no metro barra funda!!!
È por essas e por outras que misoginia tem que ser crime!!

http://diariodacptm.blogspot.com.br/2012/08/jovem-e-atacada-com-acido-em-trem-da.html


yulia2 disse...

OU seja, além da mulher ter que aguentar INÚMEROS abusos sexuais em metros e onibus, agora mais essa...
ataques com ácido!!!!

Pode ter certeza que é mais uma da mascuzada escrota!!! Isso tem que ser denunciado!!!

André disse...

Vehfire,

A mulher deve ser livre para abortar pelo motivo que for, inclusive se não concordarmos com ele. Isso não implica em apoio a culturas estúpidas (segundo nossa opinião).

Mônica disse...

Li disse...
"muito bom post, lola!
como a mulher em questão, até pouco tempo atrás eu tampouco gostaria de ter uma filha. através da leitura dos seus posts, e da leitura de obras feministas, é que eu fui descobrindo que uma outra forma de ser mulher é possível - diferente de como eu e a maioria das mulher que conheço foram criadas para ser. :)"

Que comentário comovente.
Também posso dizer que o blog da Lola está me ajudando a descobrir uma nova forma de ser mulher.
Obrigada, Lola.

Ju disse...

Não sejam injustas. Mascus não se fazem de bobo. Eles são burros mesmo.

Anônimo disse...

Putz, o ponto de vista do Fábio foi muito interessante(sim, eu sei que ele é bem troll por aqui, mas desta vez foi interessante) . Será que o aborto adotado de forma imediata, sem alterar outros aspectos da perspectiva da sexualidade e do patriarcado, não seria mais uma maneira das mulheres se enredarem em outro aspecto, o capitalista dominante, sem matar de fato o machismo que permeia a questão reprodutiva feminina? Em vez de ter homens vendo mulheres apenas pra tirar cria, passariam a ver que "ah, ela engravidou, ela pode abortar. O problema é só dela. Pode ser demitida também, afinal, ela pode abortar mesmo, não fez porque não quis"

Obviamente seriam coisas completamente opostas ao que o feminismo defende, mas... quem não é/não entende o feminismo vai entender a mensagem? Será que as taxas de abandono e as pressões alheias para fazer um aborto - já que seria legal - não seriam pesadas demais? Já que a maioria das mulheres que aborta o faz por não tem "condições de apoiá-lo financeiramente", isso é realmente uma escolha?

Tem que ver muito isso aí... =/

Julia disse...

Eu sempre pensei em ter uma filha. Mas ela seria criada de maneira diferente da que eu fui, que tive mãe, pai, vó e padrasto machistas ao meu redor, como a maioria de nós tem, aliás. Ela ia ser feminista desde criancinha. Uma Mini Me. hehe

James Hiwatari disse...

Não se pode dizer se foi "errado" da mãe fazer o que fez. A criança vai ser menino ou menina (ou nenhum, ou os dois) independente do que o documento de identidade disser.

Na verdade, essa é a situação pela qual muita gente trans* passa - os pais registraram o sexo errado na hora do nascimento e a criança foi criada de acordo com esse sexo errado. A única diferença é que essa mãe registrou sua criança em um sexo diferente daquele normalmente associado com seus genitais.

(E só pra lembrar: identidade de gênero e sexo são coisas diferentes, mas a sociedade em geral sempre acha que é tudo a mesma coisa, acabei falando só em sexo ali em cima.)

A mãe precisa de ajuda sim, mas para lidar com sua história de abuso, não para aprender a cuidar de uma criança. E se esse bebê é mesmo menino? Ninguém pode dizer que não é até a criança aprender a manifestar sua identidade do jeito que mais lhe convém.

Augusto disse...

A análise do Fábio é errônea, pois anula a complexidade das relações entre seres humanos.

Jéssica disse...

@Ana

Apenas um comentário rápido: No seu post você usou "trocar de sexo" e "trocar de gênero" como sinônimos. Não são sinônimos, uma pessoa pode não considerar que se encaixa nos padrões do seu gênero sem querer mudar de sexo, vide as pessoas genderqueer (com que me identifico, inclusive, e sem ter intenção alguma de mudar meu sexo).

Masculinista disse...

12 semanas?

Exame de determinação do sexo fetal
O exame de determinação do sexo fetal prevê o sexo do bebé a partir das 8 semanas de gestação com 99.1% de fiabilidade. O exame de determinação do sexo fetal é feito através de uma picada no dedo e através dessa colheita de sangue materno é possível analisar o ADN do feto e determinar o seu sexo. O resultado é conhecido ao final de cinco dias. Este teste identifica a presença do cromossoma Y no sangue: se estiver grávida de um menino surgirão indícios do cromossoma Y, e a ausência do cromossoma Y indica a gestação de uma menina. Este teste pode ser realizado em qualquer idade gestacional, a partir da oitava semana de gravidez.

Teste da urina
É um teste bastante prático e pode-se encomendar online. É usualmente conhecido pela marca IntelliGender . A eficácia deste teste ronda os 80%, e pode ser feito a partir das 10 semanas, demorando uns módicos 10 minutos a revelar se o bebé é menina ou menino. Funciona à semelhança dos testes de gravidez, com uma recolha da primeira urina matinal, e o resultado é verde para menino e laranja para menina. É recomendado que a mulher não tenha relações sexuais 48 horas antes do teste, e é fiável até à 34ª semana de gestação. Note que o resultado deste teste não é fidedigno se estiver a tomar hormonas como a progesterona.

Fonte: http://demaeparamae.pt/artigos/quando-como-se-sabe-sexo-bebe

Adoro desmascarar feministas mentirosas (ou mal-informadas).

Pili disse...

Ana, entendo bem a sua preocupação, mas não tem como afirmar que a mãe estivesse impondo nada à filha nem tãopouco tirando dela a chance de ser quem ela é.
não com as poucas informações que nós temos.
A matéria diz que a filha nao estava recebendo as exclusivas roupas e brinquedos de menina.
Que ela nao tinha um nome exclusivamente feminino. ... Como o quê? Como o nome da minha amigA Rudi, que também é o nome do meu amigO Rudi?
Com essas poucas informacoes a gente sabe que essa mae mentiu sim, mas pros outros nao pra criança. E a unica coisa que da pra afirmar é que a vida da filha nao era cercada exclusivamente de simbolos associados ao feminino. Nao da pra afirmar que a mae lhe negasse alguma coisa.
Olha, a gente nao sabe.
Talvez quem a levou pra familia provisoria esteja protegendo a menina de uma mae desesperada que mentia pra ela, que dizia pra coisas falsas e confusas... Ou talvez nao!!!!!!! E justamente por se tratar de uma criança numa idade em que as distinçoes sao tao poucas e sutis, uma idade em que ainda vai começar o processo de socializaçao, eu acho bem provavel que nao, essa mae nao estivesse causando nenhuma confusao, nem roubando nenhuma oportunidade de sua filha.
há uma exemplo divulgado aqui no blog da Lola mesmo de uma familia que nao quer, simplesmente nao quer dizer pras pessoas se a criança é um menino ou menina. E não diz! Pros outros. Pra criança é diferente. a criança sabe quem ela é. E a familia está feliz e saudavel, determinada a apenas expor a criança sob este ou aquele arquétipo de sexo quando a criança estiver madura pra se identificar desta forma ou daquela. E assim quiser. Procura por aí, é o caso da criança Pop.

Agora, vc quer saber o que que é uma droga nesta cultura da mentira? Esta cultura de criar as crianças alienadas de suas proprias condiçoes naturais? Sem conhecimento sobre si proprias, ou com um conhecimento falso sobre si proprias?
Pois bem.
Levanta a mão quem aí ouviu a infancia toda que os amiguinhos meninos tinham pênis enquanto que mulheres... não. Veja, é diferente dizer "meninas tem vagina" (coisa que simplesmente nao era dita, era escondida) e dizer "meninas NAO TEM!" as mulheres das nossas idade pra trás nao tinham direito sequer a saber como eram e quais os nomes das estruturas corporais que estão na gente.
Algumas meninas foram educadas pra saber o que é uma menstruaçao e nao ficar apavorada com isso, mas a maioria não. A maioria não foi ensinada sobre si propria. E vive essa transformaçao com susto, duvida, medo, vergonha... E quase por conta propria.
Quantas muitas vezes nos não ouvimos por aí que uma virgem "perde" seu himen, que ele é rompido, ou tirado, quando na verdade se trata apenas do alongamento de uma membrana muito sensivel que por si só já era aberta.
Uma membrana frágil que se alonga, muito diferente da vagina!!!!
Alias quantas vezes nao ouvimos que temos que "economizar" a vagina pra ela nao ficar solta, ou gasta? Tambem é mentira, a vagina tanto é flexivel que ela se alonga e volta ao normal.
Enfim, quantas vezes nao ouvimos que mulheres tem menos capacidade natural pra ciencias exatas, ou competitividade, ou comando?
Todas essas foram MENTIRAS!
Todos esses sao formas de "roubar" as nossas potencialidades, as oportunidades de sermos quem nos somos.
Espero que vc tambem se incomode com essas farsas, da mesma forma que vc se incomoda com uma rasura num quadradinho de um documento.

Anônimo disse...

Esses casos só mostram como a divisão sexual não é "natural", nos construímos esses padrões socialmente. Quem tem vagina não nasce com um gene que a programa a gostar de rosa, maquiagem, saia, cozinhar, limpar a casa e cuidar de criança, isso tudo é perpassado por nossas relações sociais.

Agora, as pessoas que estão cuidando dessa criança não tem respaldo para dizer que essa mãe é louca, por que para mim também é uma grande loucura essa obsessão de vestir a criança de rosa dos pés a cabeça (só falta um lacinho) e dar secador de cabelo para ela brincar, que medo é esse?

Rose disse...

A mulher sofreu um abuso sexual e cometeu um desatino, o abusador nem é citado como alguém ruim. Eu vi a reportagem, ela foi tratada como uma bandida, depois como louca. fala do abuso, mas fica a impressão que foi ela que abusou da filha, em nenhum momento fala-se no monstro que destruiu a vida dela, machucando-a de uma forma tão profunda, que ela teme pela vida da filha.
É incrível como ainda hoje, mesmo com o conhecimento mais elementar da genética, é imputada à mulher o "terrível fracasso de ter uma filha" (sabemos que é o homem q determina o sexo do bebê, mas isso não é importante, a não ser que seja menino. A hipervalorização do varão e a humilhação da mulher que só "produz" filhas me faz pensar que não saímos da idade média.
Vi um documentário sobre a ìndia que falava das devadasis (acho que é assim que escreve), as meninas são oferecidas à prostituição e condenadas à morte por AIDS (o costume era outro, mas sofreu algumas alterações e tornou-se uma forma de exploração sexual de meninas)

PS.: Parece que mascus consideram igualdade de direitos e deveres uma forma de superioridade feminina, ou seja, se sentem inferiores numa (hipotética) situação de igualdade.

Anônimo disse...

O mundo é bem menos evoluído do que eu pensava :/

Anônimo disse...

Ontem eu conveci meu gato, que isso de ser gato e construção social, hoje pela manhã ele acordou latindo.

Agora estou convencendo meu peixe que ele e uma,harley davidson

Anônimo disse...

Opção/ indentidade sexual podem ate ser construções sociais, genero não, existe o genero masculino, e o genero feminino, afirmar o contrario e brigar com a biologia, e como afirmar que 2+2=4, e uma construção social !

Ana disse...

@Jéssica

Muitíssimo obrigada pela informação! Eu sou assumidamente ignorante no que diz respeito ao assunto. Perdão pela confusão. Talvez nem devesse ter comentado (geralmente se eu não entendo do assunto evito dar pitaco, falha nossa dessa vez).

@Pili

Sim, me incomodo com isso tudo. Não sei se ficou subentendido pelo meu comentário que esse tipo de coisa não é relevante pra mim, caso tenha ficado, não era essa a intenção. Me incomodo, e muito.

"Com essas poucas informacoes a gente sabe que essa mae mentiu sim, mas pros outros nao pra criança. E a unica coisa que da pra afirmar é que a vida da filha nao era cercada exclusivamente de simbolos associados ao feminino. Nao da pra afirmar que a mae lhe negasse alguma coisa."

Ok, eu entendi que ela estava efetivamente criando a criança como menino. Pelo visto me enganei, peço desculpas. Pra mim a questão era bem maior que uma rasura num quadradinho.

"E justamente por se tratar de uma criança numa idade em que as distinçoes sao tao poucas e sutis, uma idade em que ainda vai começar o processo de socializaçao, eu acho bem provavel que nao, essa mae nao estivesse causando nenhuma confusao, nem roubando nenhuma oportunidade de sua filha."

Sim, daí a minha colocação de que, caso a situação Continuasse, poderia ser um problema. Usei trocentas aspas no verbo "roubar" justamente porque sabia que ia ser polêmico (não consegui pensar em termo melhor na hora de escrever). Não era nem essa a intenção da mulher.

Sobre o nome, "Samuel" é nome de menino. Eu imaginei que, trocando o gênero na certidão, o nome também mudaria. Não que eu seja super ultra partidária de nomes diferentes ou veja problemas em nomes unissex como Rudi. Foi só um adendo.

Anônimo disse...

A Shiloh Jolie-Pritt, aka Shax, que não foi bobo. Já se impôs como menino desde o começo. Freud explica.

Anônimo disse...

Camila Fernandes disse...
Eu me pergunto como é que essa pessoa não enxerga que o conceito de feminino É SIM uma construção social e, portanto, graças ao caráter da nossa sociedade, machista. Sério que você acha que a criança nasce "sabendo" o que é "ser homem" e "ser mulher"? Sério que você acha que isso é nato, determinado, "natural"? Que o feminismo tirou "essa ideia de que o homem é melhor que a mulher" de dentro da bolsa e resolveu atormentar os homens com isso, por nada? Ai, meu Buda. Eu me pergunto se essa pessoa consegue entender o que ela lê. A questão não é nem concordar ou discordar, mas, gente, pelo menos apresentar uma argumentação que faça sentido. O que essa pessoa falou pode ser perfeitamente respondido pela Lola aqui, olha:
-
Sander-
Senhorita camila, o que eu afirmei, e você não entendeu, e que a mulher ocidental ( a comparação com a cultura oriental e totalmente descabida, e tem pretextos vitimistas) comprou a ideia de dominancia masculina como regra,e sabemos que não e verdade, as mulheres, feministas ou não, praticamente são incapazes de entender questões que não passam
analogia da natureza masculina ( o contrario também e verddeiro). elas querem entender o homem a partir da natureza delas e como
elas são incapazes de ter êxito nesse exercício, elas traduzem as diferenças naturais
como preconceitos culturais e morais. O que não agrada a natureza feminina é visto
como preconceito moral e cultural, por isso as mulheres são incapazes de superar um
horizonte de crítica filosófica o masculino, pois esse horizonte é limitado pela analogia da natureza
feminina.
Esta criança claramente foi usada como um experimento social, o que totalmente reprovável sim, pois ela não e uma ilha nos meios em que vive, sentirá os efeitos disto cedo ou tarde, não nego que fortes construções sociais influenciam neste meio,mas a natureza característica pessoal, já e vista na personalidade humana já nos primeiros meses de vida, ou seja induzir um ser humano a algo que ele não vivenciou, optou por experiencia, e uma violência contra sua natureza característica, que se não fosse relevante, ninguém escolheria ser homossexual, numa sociedade preconceituosa, que só lhe traria sofrimentos.
Algumas aqui disseram que querem que seus " filhas/os, irmãozinhas/os, sejam feministas, negando a opção pessoal deste ser, querendo não educa-lo, para que tenha embasamento durante sua caminhada, mas aparentemente doutrina-lo, numa questão mais pessoal egoísta do que didática,pais negam, que este ser terá suas descobertas e vivencias, e se um filha/o de uma feminista, descobrir sua reliogidade/espiritualidade, e quiser viver isto de forma plena ? refutando assim muitos dogmas do movimento feminista ?
terá que conviver com o eterno sentimento de decepção materna por pensar diferente ?
Como vocês feministas se sentiriam se descobrissem que seu filho/a, se tornou um religioso conservador, e está feliz assim ?

Ju disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


Anon das 17:41 responde ao mascu dizendo "o sexo de uma criança só pode ser identificado EM ULTRASSOM depois das 12 semanas (no mínimo)."

E ele reponde que é mentira porque pode descobrir o sexo antes... com exame de sangue e urina.

Mascus são burros. Eu disse.

Mariana disse...

Qualquer tipo de aborto é uma abominação, quando forçado é ainda pior, mas não existe tanta diferença quando se pensa no principal: a morte de um inocente. Quem não quer, dê a criança. Precisa matar só pra mostrar que a mulher tem controle sobre o proprio corpo? Aff... Como a mulher vai lutar contra a violência que sofre acreditando que a solução é poder agir de uma forma ainda mais violenta, com morte?

Julia disse...

Acabei de ver que o Globo Repórter hoje vai falar sobre a GULABI GANG em um especial sobre a Índia!!!
Perco por nada.

Jéssica disse...

@Ana

Eu gostei da sua opinião e a achei bastante útil! E como você pareceu ser uma pessoa que se importa com o assunto, achei melhor esclarecer uma coisa que você se confundiu, mas não tive a intenção de desmerecer sua opinião.

Eu mesma também acho o assunto bastante confuso e não o entendo de forma profunda, embora esteja procurando me informar melhor ao longo do tempo.

Becx disse...

Dê a criança ? Vc acha que assim Vc estará pensando no bem dê uma criança ? Vcja parou pra ver como vivem essas crianças num orfanato ? E quando são adotados por pessoas ruins ? E quando vão pra abrigos temporários? Crescem a duras penas. Vc provavelmente nunca viu esse lado da história. E triste. Isso sim é desumano. Vc pode chamar aborto dê assassinato o quanto quiser, ao meu ver ,a sua solução é muito pior. Comigo ou interrompe ou cria ( e bem ).Sinceramente, eu não teria coragem dê fazer uma coisa dessas...deixar num orfanato ...

Gabriela disse...

É realmente doloroso ler isso mas aqui vai,

Contra preconceito, famílias afegãs criam meninas como meninos

http://anjoseguerreiros.blogspot.com.br/2010/10/contra-preconceito-familias-afegas.html

A matéria é do G1 mas eu achei nesse blog.

Anônimo disse...

Talvez ela teve problemas com uma mãe feminista radical misandrica e não quer saber de ter odiadoras de homens na familia. E o unico jeito de não odiar homens segundo o dogma feminista é sendo um.

Moema L disse...

Mimimimimi você falou de aborto e mimimimi

mimimimi você esta se contradizendo mimimimimi

mimimimi Homens não tem privilégios mimimimimi

mimimimimi você esta nivelando por cima. Mulher só gostam de homens que estão por cima mimimimimi

mimimimimi escrevo merda e depois posto um comentário em anonimo me elogiando hahahaha mascus são tão patéticos dignos de pena.

mimimimimi exame de urina para descobrir sexo do bebê hahahahahahaha

Mascuzões por que não arrumam algo melhor para fazer do que infernizar a vida dos outros?

Sabe? trabalhar é uma boa!

A mãe cometeu um desatino, ta na cara. Ela precisa de ajuda psicológica. Não estou dizendo que o que ela fez esta certo mas ela devia estar assustada e com muito medo, não queria que acontecesse com a filha dela. Só estava tentando protege-la.

Também não entendo, porque cobrir a menina de rosa dos pés a cabeça e dar panelas para ela brincar? Desde quando ela passou a ser menos mulher porque estava vestida de homem ? desde quando brincar com panelas e bonecas vai fazer dela mais mulher? Tem como ser menos mulher?~

Detalhe:Do estuprador ninguém fala.
A mãe é a louca da estória e o cara que abusou dela e é o causador de toda essa situação não é citado, não deve nem estar preso.

Anônimo disse...

Mariana

Se informe direito sobre a dificuldade de "dar" uma criança.

O que me surpreende em pessoas fervorosas na hora de defender o "direito a vida" é que para elas a vida da mulher não vale muito. Milhares morrem todos os anos de abortos mal feitos.
Dizem que o feto é inocente. Isso faz das mães culpadas? Do pecado original? de terem feito sexo? De serem mulheres? Algumas dessas nem sabem ler, mas deveriam saber se proteger de uma gravidez indesejada... Só mesmo no mundinho protegido de alguns...

Anônimo disse...

Algumas informações básicas que as pessoas parecem passar por cima, não pensar o suficiente a respeito ou simplesmente ignoram e não buscam se conscientizar:

Gênero não é a mesma coisa que sexo, e as duas palavras são distintas e não são intercambiáveis.
Sexo é a realidade biológica. Gênero é uma hierarquia que imputa funções, características, papéis, expectativas, percepções socialmente contruídas sobre a realidade biológica dos sexos e que assim coloca os homens sobre as mulheres.
O objetivo feminista não é a igualdade entre os sexos (ou ainda a igualdade de gênero). O objetivo feminista é libertar as mulheres da dominação masculina.
Acreditar que as mulheres devem ter "direitos iguais" não te torna de fato feminista. Isso só indica que você é um ser humano minimamente decente.

Anônimo disse...

Todos meus 3 filhos são meninos. Ouço muito: "Que sorte vc teve!" Como se isso fosse um elogio!!! Ai, como eu odeio ouvir isso!

Anônimo disse...


"exame de determinação do sexo fetal é feito através de uma picada no dedo e através dessa colheita de sangue materno é possível analisar o ADN do feto e determinar o seu sexo."

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dna do feto no sangue materno?

é isso mesmo, arnaldo?

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cara, como esses masculinistas falam merda!!!!

isa disse...

Estava almoçando em um boteco e vi no Video Show a reprise do final da novela Suave Veneno. O letreiro amarelo na tela dizia: "Eles tiveram mais dois filhos... meninOs. E foram felizes para sempre." Só porque eu tinha lido este post ontem, atentei para o bizarro desse fim de novela em que feliz é a família que tem quatro filhos varões.

Anônimo disse...

andei lendo uns artigos e é possível detectar dna fetal no sangue materno.

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seguem dois links.

http://www.scielo.br/pdf/rlae/v14n6/pt_v14n6a20.pdf

http://www.hermespardini.com.br/atual_manual/pdf_genetica_novos_exames/Sexagem_fetal_no_sangue_materno.pdf

.

a determinação do sexo é importante para uma série de problemas que podem afetar o feto.

triste que a misoginia da sociedade use um exame desenvolvido para fins médicos para tentar impedir o nascimento de meninas simplesmente por serem elas indesejáveis.

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o direito ao aborto tem um simbolismo importante por representar a autonomia feminina sobre seu corpo. como já disse outras vezes, mesmo que nenhuma mulher no mundo recorra a esse procedimento, o direito a ele deve ser garantido pela sociedade.

a misoginia deve ser encarada como um problema per se, de causas conhecidas e determinadas, embora difíceis de serem solucionadas.

confundir os dois temas, imputando ao direito ao aborto o problema da misoginia não resolve nenhuma das duas questões.

Nuba ofKau disse...

Não sei se vou conseguir me expressar direito mas vou tentar: por que criar crianças como meninos ou meninas? (simples assim)


Sei lá, me enoja essas comparações do que a mulher fez com um crime. Crime é o que a sociedade inteira faz.
Que nojo de universo limitado com seres humanos limitados em que eu nasci.

Anônimo disse...


só pra complementar...

apesar de ser possível determinar o sexo através de dna fetal no sangue materno (identifica-se a presença do cromossomo Y, que a mãe, obviamente, não tem), o exame não é tão difundido e acessível. duvido que seja comum na china e na índia, a não ser para as famílias mais abastadas e que contam com acompanhamento pré-natal mais especializado.

de qualquer modo, mesmo considerando nojento a escolha do sexo por motivos misóginos, ainda considero o aborto até 12 semanas mais adequado do que o aborto tardio, o infanticídio, o abandono e os maus-tratos.

concordo com o André: o aborto deve ser um direito quando é escolha da mulher, independente do motivo.

ele não pode ser uma imposição. da mesma forma como levar adiante uma gravidez indesejada também não pode ser uma imposição.

Mariana disse...

Querida Lola,

Entrei no site de "It´s a Girl", mas o DVD ainda não está liberado para compra, apenas em "algum momento de 2013, to be defined". Vc tem esse documentário baixado? Sabe onde eu poderia encontrá-lo?

Muito obrigada,

Baijos!

Cássia disse...

Lola, você já leu "Infiel", de Ayaan Hirsi Ali? Provavelmente, você já ouviu falar desse livro, mas se ainda não, busque por ele. Estou quase terminando e em várias partes, enquanto lia, eu pensava: "Preciso indicá-lo à Lola". E tem tudo a ver com esse post.

Imenso beijo.

Mallu disse...

Isso me lembrou a questão de bebês hermafroditas, quando os pais escolhem o sexo e fazem cirurgia de definição de sexo. O machismo tem uma influencia muito grande na cirurgia, que eu sou, assim como muitos médicos, totalmente contra.

Amanda disse...

Lola, você é maravilhosa!

Quando eu era criança, queria ser um menino. Porque homens podiam viver de igual pra igual com mulheres, mas não havia o vice-versa (não na cabeça das pessoas que eu convivia, durante a década de 90). Família e amigos queriam colocar vestidos em mim, me dar bonecas (não meus pais); mas eu não gostava, nem de um, nem de outro. Eu discutia com meu pai (discuti até os 18, quando se separaram) sobre tarefas domésticas, que se meu irmão não fizesse, eu também não faria; que ele tinha a obrigação de dividir as tarefas com minha mãe. Meu pai sempre me disse que eu nunca casaria com um homem (nisso ele acertou), que ninguém aceitaria uma mulher como eu (como se eu precisasse ser aceita), e cresci ouvindo coisas assim. Até me tornar adolescente e começar a sofrer bullying diariamente de pessoas que eu sequer conhecia. Eu fui fraca, tentei me adaptar, etc. Só decidi me assumir gay com 17/18 anos, e apesar de ser extremamente feminina hoje, estar em um relacionamento estável com outra mulher, eu luto para que crianças tenham a liberdade de se desenvolver, de gostar do que quiserem, de se tornarem xs adultxs que bem entenderem.

Amanda disse...

Bom, na verdade eu queria esclarecer uma dúvida, uma vez que minha área é mais a biológica:

Quem decide o sexo da criança é o macho (no caso do ser humano), XY. Ele não ESCOLHE o sexo por não poder, mas é o homem que manda ou o X ou o Y. A mulher tem apenas XX (tirando as síndromes da conta), logo, dependendo do que o homem mandar, o bebê será menina ou menino. O que eu não entendo, disso tudo (e pode haver algo mais que eu esteja perdendo) é: nessas culturas, não se sabe disso? Eles ignoram? Por que as mulheres são mortas por parirem mulheres?

Anônimo disse...

A Obsessão dos Homens Pela Reprodução Feminina

Os homens também são oprimidos, em todo lugar, por fatores raciais, religiosos, econômicos e políticos. As mulheres compartilham igualmente esses problemas (exceto os de identidade masculina, problema sério que poucos homens realmente enfrentam). Mas os homens não compartilham todos os problemas femininos. A raiz dos problemas que os homens não compartilham com as mulheres é a capacidade de reprodução feminina. A situação das mulheres seria única mesmo sem o patriarcado, porque a raça humana é recriada em seu corpo. Mas o sistema patriarcal aprisiona as mulheres nele. Como elas é que dão à luz, os homens procuram controlar ou apossar-se de seu corpo. As sociedades dominadas pelos homens adotam a posição de achar que as mulheres realmente (como se pensou por milhões de anos) geram sozinhas, milagrosamente. O conceito de que as mulheres produzem filhos por si mesmas encontra-se em todas as sociedades, industriais ou não, e em todos os níveis de mentalidade, da mais simples à mais requintada. Como só as mulheres têm filhos, os homens atribuem exclusivamente a elas a responsabilidade de criá-los. Os homens pleiteiam a propriedade dos filhos, exigem que tragam o seu nome, mas se comportam como se apenas as mulheres decidissem tê-los e, portanto, devem cumprir o dever exclusivo de criá-los - e, muitas vezes, sustentá-los. Como as mulheres é que têm os filhos, seus problemas são sempre circulares: o que os homens fazem com seus corpos frequentemente afeta a geração. E a maternidade tem um impacto enorme e rigoroso na vida inteira da mulher. Nenhum tratamento do corpo do homem - inclusive castração e paternidade - tem, necessariamente, efeito semelhante no resto da sua vida, porque os homens não engravidam nem geram filhos, por quem sejam responsáveis por décadas. Por isso os homens conseguem compartimentalizar suas experiências de uma maneira que as mulheres não podem utilizar. Como as mulheres têm filhos, os homens persistem em considerá-las todas como mães, que lhes devem carinho maternal. A responsabilidade exclusiva de reproduzir e socializar a raça humana poderia ser suportável se fosse dado às mulheres o poder de cumpri-la. Mas os homens esperam que as mulheres desempenhem a mais importante das tarefas humanas sem recompensa, sem muito auxílio e quase sem consideração alguma. A História revela que os homens invejam a capacidade reprodutora feminina: foi o primeiro poder de que eles se apropriaram, transformando as mulheres em utensílios de uso e troca, mesmo antes de surgirem os Estados. E não faltou obsessão aos seus esforços de controlá-la.

Marilyn French, A Guerra Contra As Mulheres (1992)

Nathalia disse...

Poxa, Lola, não acho nenhum dos dois documentários mencionados. Queria muito ver!

Jamie Barteldes disse...

É realmente proibido saber o sexo da criança aqui na Índia e isso pouco importa se a família é rica ou pobre. É proibido por lei e em todos os hospitais que já fui por aqui, está escrito logo na entrada do hospital em no mínimo três línguas "É proibido fazer exame para saber o sexo do bebê". A razão (jamais justificável!) de se matarem é pq os casamentos aqui são muito caros e quem arca com as despesas do casamento e do dote são a família da mulher. Pela tradição Hindu, um casamento inclui muito ouro, muitos tecidos, muitas oferendas caras. No Brasil, casamento é uma festa fechada, aqui não tem ninguém checando se você está na lista de convidados. É MUITA comida, muita decoração...a família inteira e os amigos contribuem com dinheiro pra festança. Além disso, todo mundo TEM que casar, seja homem ou mulher. Na escola em que eu trabalho, sou a única solteira e meu namorado o único solteira e não há um dia que se passe em que eles não insistam pra gente marcar a data do nosso casamento. Eles não entendem uma cultura em que casar é uma das várias possibilidades de vida. Outra coisa: as famílias aqui são enormes. Se você tem cinco filhos e três são mulheres, é uma despesa enorme casar as três, enquanto que os dois filhos vão trazer riqueza para a familia. Por onde passo, pergunto se a prática de matar as bebês ainda é comum e a resposta que sempre recebo é "nas cidades, não, mas em vilas bastante pobres e afastadas, talvez". É muito triste.

Mariana disse...

Gente, qual a diferença de criar como fosse menino ou menina? A criança tem dois anos! Só o nome, né.. se depois a criança quisesse mudar.. O resto DEVE (no sentido de TEM QUE) ser tudo igual!

Anônimo disse...

Todo homem tem historiaS de horror pra contar
Desde que eram meninos
Vcs feministas falam como se eles fossem louvados e tivessem os pés beijados

Anônimo disse...

Quanta distorção e insensibilidade para conservar um posicionamento ético superior na discussão do comentário que diz que foi o feminismo e não o patriarcado que fez a mulher criar o filho dela da maneira que ela julgou melhor.

Primeiramente, há provas de que esta mulher tenha tido contato com o pensamento feminista de alguma forma? Ou é só um pseudo-proto-feminismo individual do qual o comentarista fala? E por que o comentarista não só esquece que a mulher sofreu abuso (uma instância nada "idealizada" da dominação machista) e portanto está se considerando que ela criou a filha assim para protegê-la de abusos e não para pô-la numa posição dominadora na sociedade. Se o comentarista ignora pontos focais da discussão é muito fácil criar uma generalização imprecisa dxs feministxs(comentarista implica que não existe homem feminista, piada..) para explicar tristemente uma visão distorcida, parcial e extremamente pessoal do que é feminismo e patriarcado. Como se fala tão levianamente de falsas motivações quase psicanalíticas de todo um grupo de pessoas políticas que agem decisivamente no âmbito político da nossa sociedade há séculos? Isto sozinho para mim já prova que este comentarista anônimo nem mesmo se deu trabalho de pensar na luta feminista e no papel que é dado a mulher na sociedade em que vivemos com honestidade.

Parece que ele só encaixou o feminismo na moldura da sociedade corrente, tão especialista em desmontar com racionalismos, naturalismos e pseudo-psicanálise qualquer expressão de protesto(mal sabem eles que todas esses racionalismos já foram desmontados pelas expressões de protesto), ao invés de dar uma chance honesta à uma visão menos sexista da sociedade no sentido de ler com objetividade o que xs feministxs consideram sexismo e analisar se isto acontece ou não com objetividade, infelizmente para isto o comentarista precisará ter algum senso de justiça dentro de si. (sendo o próprio sexismo do comentarista exposto como fratura exposta na parte que repetitivamente acusa o feminismo de "feminilizar o homem" e "masculinizar a mulher" sem dar nem exposição pra ideia de que o paradigma feminista é construído em bases que não compactuam com a caracterização das funções sociais dos sexos como um constructo vindo da essência do humano e sim como um constructo social de fato, a não ser que esteja se falando de características físicas diferentes nos sexos, mas onde o feminismo se propôs a invadir a liberdade de corpo de alguém? Não creio...)

Quanta ignorância, tente ser menos leviano, anônimo.

Anônimo disse...

Ao anônimo que diz que todo homem tem histórias de horror para contar de maneira a diminuir o mérito da luta feminista eu lhe digo o seguinte:

Para de mentir.
Eu sou homem.
Não tenho histórias de horror para contar.
Mas tenho histórias de horror para contar das minhas irmãs e da minha mãe.

Se liga mané.