quarta-feira, 14 de novembro de 2012

GAYS PODEM DOAR SANGUE... SE MENTIREM

Em janeiro, eu publiquei o guest post de uma moça, hétero, que foi impedida de doar sangue porque foi considerada promíscua. O que mais me chocou naquele relato foi o que é considerado promiscuidade: ter tido três parceiros num ano! Acho que muitxs de nós somos super promíscuxs então. Eu sei que eu fui antes de me tornar esta senhora séria que vos fala...

O post já falava de outras restrições referentes à doação de sangue, e pedi guest posts de homossexuais que foram impedidos de serem doadores. Recebi duas respostas, que ficaram perdidas na minha caixa de email, e que eu me lembrei com tudo após ler o repulsivo artigo de Guzzo na Veja (ele é do conselho editorial da revista e um dos nomes mais importantes da Abril. Quem está esperando retratação, esqueça. Aquilo lá é um acerto de contas com seus leitores, que pelo jeito achavam a revista -- politicamente hiper conservadora -- meio permissiva demais em questão a outras ideologias). Entre muitas asneiras, Guzzo escreveu que gays não têm nada que reclamar por não poderem doar sangue, já que outros doentes também não podem doar. Sim, ele fez mesmo essa equiparação!
Ano passado, Julio Cesar publicou um post no seu blog contando sua frustração por ser recusado. Ele queria muito participar de uma campanha, a Universitário Sangue Bom, na sua faculdade, já que ele gosta de ajudar as pessoas e de sentir-se útil. Como ele narrou: "A campanha caiu como uma luva pra mim. Eu queria doar sangue, e não precisava interromper minha rotina acadêmica para isso. Por isso, assim que tive um tempinho, logo de manhã, eu fui ao Instituto Biomédico para  realizar a minha boa ação do dia."
Depois de preencher o formulário, foi a hora da entrevista. Reproduzo aqui o relato da conversa: 

Entrevistadora: Deixe-me ver aqui... Humm... Você já fez sexo com outros meninos, certo?
Eu: Sim... Eu sou homossexual...
Entrevistadora: Então você só faz sexo com meninos? Ou meninas também?
Eu: Não não, só meninos...
Entrevistadora: Aqui diz que você teve dois parceiros distintos nos últimos meses, certo?
Eu: Foi isso mesmo...
Entrevistadora: E quando foi a ultima vez que você teve relações com meninos?
Eu: Humm... Tem mais ou menos 2 me...
Entrevistadora: Desculpe, você não vai poder doar sangue...
Eu: Ué... Mas por que não?
Entrevistadora: Existe uma norma da ANVISA que não permite que você doe sangue...
Eu (confuso): Norma da ANVISA?!
Entrevistadora: Mas não se preocupe, eu vou imprimir um comprovante certificando que você esteve aqui, mas não pode doar sangue. Com ele você poderá abonar uma falta, caso tenha tido que faltar alguma aula para estar aqui...

Diz Julio: "Nem precisa dizer que eu saí perplexo daquele lugar. Me senti sujo naquela hora, um lixo. Eu nunca passei por uma situação de discriminação antes, nem de leve. O máximo que já aconteceu foi eu tomar as dores de um grupo de discriminados, ou até mesmo de uma pessoa. Mas diretamente, eu nunca fui discriminado por causa da minha sexualidade. Foi muito impactante na hora, e eu fiquei com aquilo na cabeça o dia todo. E pra mim, como estudante da área da saúde, foi uma espécie de desencanto. Como que pode a nossa vigilância sanitária ainda usar esses critérios retrógrados para garantir a "qualidade" do sangue? É mesmo preciso discriminar pessoas e perder litros de sangue saudável só para continuar com os mesmos critérios e com os mesmos preconceitos?"
Pra piorar, isso aconteceu bem na semana do massacre de Realengo: "Esse é o momento em que o Hemorio mais está precisando do nosso sangue, e eu não  posso doar porque  sou homossexual. Nunca usei drogas injetáveis, ainda não fiz tatuagem, não coloquei piercing, a última doença infecciosa que tive foi há mais de um ano... Tenho todos os requisitos de um doador ideal, só não posso doar porque tenho relações com pessoas do mesmo sexo..."
O estudante de ciências da computação José Eduardo, 25 anos, de Recife, me enviou o texto que reproduzo abaixo.

OS ARMARIADOS PODEM DOAR SANGUE
Eu falo sempre o quanto é ruim estar dentro do armário. Porém, hoje eu vi uma vantagem: armariados podem doar sangue!
Isso mesmo!
Veja bem, existe uma norma do ministério da saúde que diz que se você tiver tido relações sexuais com uma pessoa do mesmo sexo nos últimos 12 meses você não pode doar sangue, mas os armariados podem.
Por quê?
Porque eles mentem na hora da entrevista. Eu já fiz isso e funcionou!
O esquema é o seguinte: o ministério da saúde, baseando-se em dados de pesquisas ditas sérias (não vou entrar no mérito), separa as pessoas que não podem doar das que podem caso elas pertençam a algum grupo considerado de risco.
Um grupo de risco é um grupo que está mais suscetível a doenças que possam ser transmitidas pela doação de sangue, como Aids e hepatite. Nesses grupos de risco estão incluídas pessoas que fizeram transplante ou transfusão nos anos 80 (quando não se examinava o sangue), usuários de drogas injetáveis e homossexuais.
Nessa classificação não importa se você está ou não contaminado; o que importa é se você se enquadra ou não no grupo. Alguns cientistas mais ajuizados viram o quanto essa restrição era preconceituosa e imprecisa, e sugeriram uma nova classificação: o comportamento de risco. O comportamento de risco é algo que você fez que pode ter lhe contaminado. Exemplo: ter usado alguma droga injetável (mesmo sem ser usuário), ter tidos múltiplos parceiros sexuais, ter feito sexo sem proteção etc.
A nova clasificação é melhor porque é mais objetiva e se preocupa com uma única coisa: se você fez algo recentemente que possa ter lhe contaminado com alguma doença transmissível pelo sangue.
Porque existe um período a partir da contaminação que algumas doenças não são detectadas nos exames. Nesse período você pode transmitir a doença pra outras pessoas e mesmo assim ela não aparece nos exames. O nome disso é janela imunológica.
Portanto faz muito sentido dizer a alguém que se ela teve algum comportamento de risco recentemente, não pode dar sangue porque pode estar contaminada e os exames não seriam capazes de detectar por causa da janela imunológica. A janela imunológica do HIV é de até 3 meses,  portanto qualquer pessoa que tenha tido algum comportamento de risco a menos de 3 meses não deveria doar!
Porém o Brasil e outras partes do mundo insistem em discriminar e rejeitar doação de sangue de qualquer um que seja ou pareça ser homossexual. Eles usam dois argumentos "científicos" para sustentar a restrição:
O primeiro seria que entre os gays existe um número maior de pessoas contaminadas com o HIV (sem considerar que a maioria dos gays fazem exames regulares por conta do histórico da doença ao contrário da maioria dos héteros).
O segundo seria que eles têm mais risco de contrair DSTs por causa do sexo anal, pois teria mais chances de sangramento, aumentando o risco da contaminação (o pessoal do ministério nunca ouviu falar que algumas mulheres também fazem sexo anal?).
Sem falar que às vezes podem ocorrer pequenos ferimentos na vagina, e eu não vou nem dizer ao ministério que tem gay que nunca fez sexo anal e nem sente prazer penetrando ou sendo penetrado (o nome do troço é gouinage).
Eu sou gay e namoro há 10 meses e só transo com camisinha e estou em um GRUPO DE RISCO. Alguns amigos meus são heterossexuais e transam com várias parceiras sem camisinha eles estão APTOS A DOAR.
Se isso não é preconceito? WTF is this?
Na hora de doar é simples é só mentir! É só entrar no armário e ir viver em Nárnia! 

Sou eu de novo. Algumas coisinhas mínimas mudaram de janeiro pra cá. Este ano, em 14 de junho, Dia Mundial do Doador Voluntário de Sangue, o Ministério da Saúde lançou novas metas para aumentar o número de pessoas que regularmente doam sangue no Brasil (2% da população) para 3%. Investimentos foram ampliados, e o teste de biologia molecular passou a ser aplicado em alguns estados. A vantagem é que ele reduz a janela imunológica. Mas esta reportagem nem toca no assunto da discriminação contra gays.
No mesmo período, esse programa que eu detesto, o CQC, fez uma reportagem razoável (pra ser boa teriam que tirar efeitos sonoros e visuais irritantes e o tom de "tenho que fazer piada com isso a qualquer custo, porque senão nossos espectadores vão mudar de canal") sobre gays serem barrados ao doar sangue. Na matéria, uma das pessoas que entrevista diz que é comum gays mentirem.  
A restrição discriminatória não faz sentido algum, até porque os hemocentros precisam de mais doadores. Ano passado, em junho, o ministério baixou portaria proibindo hemocentros de usaram a orientação sexual como critério para seleção de doadores. Em outras palavras, foi proibida a discriminação, certo? Só na teoria. Na prática, gays continuam sendo vistos como grupo de risco. E são automaticamente recusados.
Se podemos escolher os doadores, também quero escolher quem recebe sangue doado (pelo menos todas as mulheres entrevistadas na reportagem passaram no teste, alegando que não faz a menor diferença receber sangue de hétero ou de homossexual). Os dois carinhas que disseram que não aceitariam receber sangue de doador gay -- por medo de virarem homossexuais -- não deveriam receber sangue de qualquer tipo, se algum dia precisarem. Isso vale pra colunistas que escrevem textos homofóbicos. Discriminação por discriminação, sou mais a discriminação do bem.
Mas não deve ser só eu que preferiria viver num mundo sem mentira e sem discriminação.

96 comentários:

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Acho que já contei aqui, mas na única vez em que tentei doar sangue também não consegui porque estava em um relacionamento de menos de seis meses.
Ainda disse que a gente sempre usava camisinha, mas a entrevistadora falou que se o relacionamento ainda não era estável isso não fazia diferença.
Quer dizer que se eu falasse que era casada ou namorava há anos, mesmo se falasse que não usava camisinha, para a entrevistadora eu estaria mais "apta" a doar.
Esses critérios são realmente muito estranhos e baseados em conceitos antigos e preconceituosos.

Carlos disse...

Eles tem fama de serem muito libertinos... por isso acontece.

Anônimo disse...

Hahahaha!!!! Será que os caras que recusaram sangue gay recusariam também o feminino por medo de virar mulher???

Rebecca disse...

Aii Lola, que saudade de comentar no seu blog *-*

Também tenho amigos gays que já foram impedidos de doar sangue pela orientação sexual.
Quando fazem essa triagem rasa, nem parece que precisam tanto de sangue assim né? =/

Anônimo disse...

Sou pansexual e poliamorista. E também mentirosa, na hora de doar sangue.
Tenho várixs parceirxs, sim, mas constantemente fazemos exames e sempre, SEMPRE usamos camisinha.

Tem muita gente precisando de sangue pra eu deixar preconceito/orgulho (no caso, de não mentir) me impedir de doar todo ano.

Cléber disse...

Sou tão gay que nasci de cesariana, vivo com meu marido, amor da minha vida há 17 anos, doo sangue a cada seis meses, não tenho nenhuma doença (nem lembro quando foi a última vez que peguei gripe) e é claro que minto também. Para o centro de coleta, eu sou um hétero evangélico e que por isso não pode ter relações sexuais antes do casamento(é essa a história que sempre conto). Muitos amigos meus fazem isso também, mas a maioria desiste de doar porque acha desaforo a discriminação - e eu concordo 100% com eles.

Nos meus delírios eu gosto de imaginar que uma pessoa bem homofóbica esteja recebendo os produtos do meu sangue. Essa é uma ideia que me diverte bastante, imagina um Bolsonaro da vida recebendo o sangue de um gay?

Pili disse...

Sei que há evidente discriminaçao, sei que As pessoas bem intencionadas resolvem isso mentindo ou omitindo, mas sinceramente,

Acho que é um problema muito grave!!!
Pq nao se trata apenas de pessoas que chegaram a essa conclusao depois de se informarem, e de compreenderem a realidade dos criterios de doação.
Qunado a mentira na entrevista, ou nos formularios, vira algo comum, algo de que a gente fala tranquilamente pros amigos (tenham eles essa consciencia ou não) a gente tá banalizando o assunto.
E, uma vez banal, o assunto deixa de ser abordado com seriedade. E as pessoas que ainda nao conhecem detalhadamente esse processo aprendem que ... Nao é importante conhece-lo. Basta mentir. Como todo mundo.

Eu tenho muitas duvidas sobre esse assunto, quero muito conhecer mais a respeito até porque é um assunto muito caro pra mim, pessoalmente.
Mas apesar de saber que pra algumas pessoas completamente saudaveis e solidarias mentir é o unico jeito de socorrer quem precisa, ainda assim.... Acho um jeito preocupante.

Sara disse...

É pra la de constrangedor essas regras desses hemocentros, fui uma vez pra nunca mais...

Maíra disse...

Oi Lola!

Essa discriminação com homossexuais na doação de sangue já me tirou do sério. Eu era doadora de sangue regular há alguns anos, sou homossexual e confesso que sempre menti na entrevista por medo de discriminação. Acredito que não seria recriminada pois sou mulher e até hoje só tive relação com a minha esposa (estamos juntas há 11 anos), mas mesmo assim eu preferia mentir por puro medo de sofrer recriminação! Já minha esposa já doou sangue falando abertamente que é homossexual e ninguém a barrou... talvez por ser mulher, não sei bem. Na época, no Hemominas (moramos em BH), não havia nada falando abertamente sobre homossexuais não poderem doar, mas um dia pensei em doar sangue na minha cidade natal, no interior de SP, e desisti quando vi o aviso que homossexuais não podiam doar. Fiquei com tanta raiva que desisti! Atualmente não doo sangue há muito tempo pois fiz tatuagem e piercing, mas espero que essa hipocrisia deslavada acabe! Sexo com vários parceiros e sem proteção não é e nunca foi exclusividade dos homossexuais!

Anônimo disse...

Com tanta gente mentindo, por quaisquer que sejam as razoes, ainda bem que nunca precisei de sangue de banco. Será que dá para reservar meu próprio sangue para se um dia precisar?

Rob disse...

Do jeito que eles rejeitam pessoas até parece que tem um estoque grande de todos os tipos sanguíneos.É engraçado,nas propagandas eles convidam TODOS para doar pra depois dispersar metade dos doadores.

Anônimo disse...

Quando eu fiz minha primeira tatuagem, o tatuador se despediu dizendo: bem-vinda ao grupo de risco. Nos hemocentros, o período de risco era de dois anos.

Anônimo disse...

Lola discordo na parte em que o José Eduardo diz que os amigos heterossexuais dele podem doar sangue mesmo tendo várias parceiras e não usarem camisinha. Isso não é verdade essas pessoas também não são consideradas aptas para doarem sangue pelo hemocentro.
Abs,
Fábia

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

To pensando a situação que uma conhecida ia passar ou seus namorados que tambem sao namorados entre si, se caso doassem sangue.

Lamentavel.

Gabriela disse...

Caramba pessoal parem com esse mimimi.É tão óbvio porq gays não podem doar sangue.Caras gays possuem genes e células purpurinadas.Mulheres gays possuem genes e células cabeludas.É cientificamente comprovado.Se alguém hétero recebe sangue gay sofre uma mutação drástica.Os q recebem sangue de homens gays se transformam no Edward Cullen e passam a brilhar ao Sol.Os q recebem sangue de lésbicas viram lobisomens.

Francamente Lola!Se prestando a isso agora?

Pili disse...

Anonimo,
Dá sim pra reserver seu proprio sangue, eu só nao lembro qual é o nome disso.
Mas, obviamente, isso só fiunciona quando vc vai fazer cirurgias previamente programadas. Impossivel pra acidentes e outras emergencias.

...
Eu queria fazer um complemento.
Ao que falei lá em cima.

Não acho que esse problema, da banalizaçao da mentira na doação, seja motivo pra gente parar de falar sobre essa realidade.
Muito menos que é motivo pra parar de doar.
Mas acho que é um motivo a mais para a revisao desses critérios. E urgente.
Porque além de discriminatório, porra, é contraproducente!

isa disse...

Às vezes acho que os entrevistadores curtem conosco. Sou mulher hétero e fui doar sangue com o homem que é meu único parceiro há quatro anos. A entrevistadora nos entrevistou juntos porque dissemos que podia ser. Pra ele, ela perguntou quantas parceiras tinha tido nos últimos anos (teste de fidelidade em juízo?) e pra mim perguntou se ele tinha sido meu único parceiro. Quer dizer, ela queria mais saber se eu tinha perdido a virgindade com ele do que outra coisa.

isa disse...

Ah, tenho dois amigos gays que disseram já ter mentido várias vezes a opção sexual para doar sangue. Isso é uma realidade.

isa disse...

Maíra, algo que percebi quando fui doar sangue três meses atrás foi que a restrição, ao menos em minha cidade, era para homens homossexuais, e não para lésbicas, aparentemente.
Havia uma questão orientando claramente para a resposta "sou homem e já fiz sexo com outros homens".
Isso era parte de um questionário de autoeliminação a ser preenchido antes da coleta do sangue (se você preenchesse "sim" em um dos itens, você até doaria, mas sua amostra, identificada com o mesmo código de barra do questionário, seria, depois, descartada).

Augusto disse...

Acho que todos deveriam ser testados e estarem 3 meses sem fazer sexo para doar.

Rosanna Andrade disse...

Ainda nao entendi a "logica" de nao aceitarem pessoas promiscuas, se as mesmas utilizaram camisinha em todas as relacoes. Homossexuais, idem.

Mas e em relacao as lesbicas? Como elas fazem para se proteger de DST's? Ja me informei uma vez que em relacao a sexo oral uma boa dica eh utilizar plastico-filme (o mesmo que eh utilizado na preservacao de alimentos), e quem me disse isso foi uma estudante de medicina. Mas isso eh uma realidade na vida das lesbicas? E as demais praticas sexuais, oferecem riscos de contaminacao?
Parece que toda informacao a respeito de sexo seguro, quando nao tem um penis no meio, nao eh tao divulgada...

Anônimo disse...

É fato que homens gays são grupo de alto risco pra hiv. E muitos vão justamente doar sangue pra se testar. É só perguntar pra quem trabalha em hemocentro quantos homens gays vão lá. Essa regra não foi feita a toa.

Anônimo disse...

Eles tem fama de serem muito libertinos... por isso acontece.


O nome disso não é fama, é preconceito. Até parece que SÓ GAYS têm vários parceiros, fazem sexo sem camisinha, pulam a cerca, traem seus amores, usam drogas e fazem merda por aí. Aham.

Ass: filha de um pai militar, maçom, católico fervoroso, ultra-rigoroso, que não me deixava chegar em casa depois das 8 da noite (eu tinha que estudar de manhã) e que quando morreu descobrimos ter nada menos que cinco filhos fora do casamento e que temos notícia, pagou pelo menos 3 abortos, um deles feito em uma menina de 14 anos.

Marcia disse...

Meu marido foi doar sangue aqui no Japão. Ele é filho de japoneses, então tem aparência nipônica.
Foi bem atendido na recepção.
Na entrevista:
-Você é estrangeiro!? Hum...
Chamou a enfermeira.
-Estrangeiro pode doar sangue?
Enfermeira:
-Hum... Vou chamar o médico.
-Estrangeiro pode doar sangue?
Médico:
-Hum...
Meu marido nervoso:
-Estrangeiro não pode doar sangue?
Médico:
-É que estrangeiros viajam com frequência ao exterior e isso aumenta a possibilidade de pegar doenças.
Marido:
-Trabalho em indústria alimentícia, onde todos fazem exames a cada 6 meses. Minha última viagem ao exterior foi a 2 anos.
Segundos constrangedores de silêncio.
Médico:
-Então pode.
(Acho que depois que meu marido saiu colocaram uma etiqueta na bolsa de sangue: CUIDADO! SANGUE DE ESTRANGEIRO.)

Mandy_di disse...

Sou lesbica e faço doação sem problema algum. Na primeira vez, falei a verdade em relação a quantidade de parceiras que tive durante 6 meses e 1 ano. Na época perguntei do porque que gays não podem doar, mas lesbica pode. A mulher da entrevista disse que lesbica não tem problema algum porque é "seguro", não dá pra passar nada, e falou toda essa desculpa aí do sexo anal.

Olha, nem eu, que sou lesbica, penso que é tão "seguro" assim, sei que dá pra passar doenças. Falei que heteros fazem anal tb, mas daí ela disse que é a norma e mudou logo de assunto.

Enfim, essa ultima vez que doei, "multipliquei" minhas parceiras, pra testar se haveria alguma restrição. E doei tranquilamente. Até fiquei curiosa com o fato da mulher citada no post não ter doado porque ela transou com 3 parceiros.
Alguém aqui, que é lesbica, foi negada a doar por ser lesbica?

Além desse artigo da Veja, a noticia que o Vaticano irá fazer publicidade antigay, hoje leio esta noticia, que acabou com meu dia: Em Uganda vai ser aprovado a lei de matar GAYS em nome do senhor http://www.patheos.com/blogs/friendlyatheist/2012/11/12/uganda-passes-kill-the-gays-bill/

Anônimo disse...

o preconceito de um bando de gente babaca que vive em 1930 até hj não vai me impedir de doar sangue quantas vezes meu coração mandar, mas eu sempre menti também (sou bissexual)

ANINHA disse...

Sou mulher, branca e de classe média alta. Na verdade, tenho "cara de santinha". Doo sangue frequentemente e nunca me perguntaram sobre minha sexualidade, número de parceiros, ou qualquer coisa que o valha. Tenho uma tatuagem, mas doei logo após fazê-la, pois ninguém perguntou nada! No mesmo hemocentro, tive amigos barrados por serem gays e amigas por serem "promíscuas" (nunca uma amiga por ser gay ou um homem por ser "promíscuo"). Enfim, são tão preconceituosos, que se deixam levar pela aparência e nem perguntas fazem.

Ah, não entendi o questionamento sobre receber sangue de gay ou de mulher, etc. Na realidade, não se identifica o doador. Logo, o sangue doado pertence ao hemocentro e vai para qualquer paciente.
Inclusive quando doamos em nome de um conhecido enfermo, essa doação serve para repor o estoque do hemocentro, não significa que o conhecido vai receber o meu sangue.

Patty Kirsche disse...

Mais de 3 parceiros num ano? shuahsuahshauhsuhuahushasuhasuhauhsuu
Tem gente casada que faz sexo grupal direto! Muita hipocrisia isso aí! Quem decide o que são "muitos" parceiros? Que palhaçada!

Pili disse...

Anonimo das 19:36
Na maioria das cidades (todas?) há locais para fazer teste de hiv sigiloso, gratuito e em meia hora. E nos hemocentros isso é informafo justamente pra desencorajar quem tenta doar para poder se testar.

Flavio Moreira disse...

Parece incrível que tenhamos chegado ao século 21! O mundo igualitário e justo que os otimistas previam não apareceu. Fica a impressão de que os únicos escritores de ficção científica que acertaram alguma coisa foi os que descreveram distopias.
Porque eu tenho certeza que vivo em um presente distópico. A ultra-direita avança a passos largos sobre direitos universais, esmaga minorias com seus preconceitos, governos recrudescem suas formas de controle... o que falta para a concretização do mundo previsto em "1984"?
Em relação ao tópico em si, fui doador duas vezes. Na primeira vez eu menti, era uma doação para reposição do banco porque um amigo ia sofrer uma cirurgia. Da segunda vez falei a verdade (bi), mas eu estava havia mais de 6 meses sem relações. A enfermeira do hemocentro falou que o sangue seria descartado. Daí não doei mais.
O critério (???) é absurdo e as chances de se obter sangue contaminado de um heterossexual são as mesmas - talvez mais...
E pensar que há tanta gente precisando. É uma pena que estejamos na idade das trevas em pleno século 21...

Maria Valéria disse...

Lola
Uma das minhas especializações foi em doenças sangüíneas e banco de sangue,
Durante a residência, fiz triagem para doadores, e nao me lembro de ser incluído no questionário se a pessoa fazia sexo homo ou hetero; somente o numero de parceiros no ultimo ano e se era com ou sem camisinha,
Nao sei se a norma mudou( larguei a hematologia ha dez anos) , mas se mudou acho um absurdo, e dou total apoio ao post.
O que importa e o comportamento, e nao a orientação sexual;)
Bjs.

Lobo Mau disse...

Lolinha, você está usando a medicina para fins políticos. Isso é uso ilegal da medicina e você pode ser presa por isso. Eu se fosse você, temeria bastante da próxima vez que tocassem a campainha em casa, pode ser uma intimação.

Raziel von Sophia disse...

Proibindo medicamentos para o povo a partir de restrições absurdas, barrando venda livre de anticoncepcionais, usando critérios médicos do CID-2....

Proibir gente com QI abaixo de 95 de trabalhar no serviço público que é bom... Ah, não, se fizessem isso, os diretores da anvisa seriam demitidos.

Cláudio Ferreira disse...

Me sinto muitíssimo contemplado por essa matéria! Fico de pé e a aplaudo pela iniciativa! Parabéns!

Aproveito para contar minha experiência também. Quando fui tentar doar sangue da primeira vez, "avancei normalmente" na entrevista/triagem sem maiores complicações, até a fatídica pergunta "tem ou teve relações com pessoas do mesmo sexo?". Ao responder que sim, ouvi um mega discurso sobre o porquê de não poder seguir com a entrevista e ter sido impedido de doar! detalhe é que, à época, estava com parceiro fixo e exclusivo há 09 meses (hoje temos 1 ano e 10 meses), mas ainda assim fui considerado "GRUPO DE RISCO" e fui impedido de doar. Não fizeram nenhum exame, mas deduziram que, por eu ser gay, tenho DST.

Chorei horrores, e me perguntei por meses se deveria tentar novamente. Tentei sim, e por vários motivos. Por considerar a doação uma coisa bela, por saber que ajudarei alguém, mas também por querer proar para mim mesmo que sou normal e que tenho o direito de doar. Fui recusado até, infelizmente, aprender a mentir e ter conseguido finalmente doar sangue ao ocultar minha orientação sexual. É o que tenho feito SOMENTE NO HEMOCE, me sentindo um lixo, é verdade, mas tentando compensar dando a cara a tapa e levantando a bandeira da diversidade e da luta dos movimentos LGBT.

Não sei se assim ajo correto, sempre me pego nessa dúvida quando vou doar, mas acredito que alguém, gay ou hétero, pôde ser ajudado por mim!

Que todos fiquem em paz e lutemos por um mundo em que não haja preconceito nem mesmo quando se deseja doar vida!

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Me tirem uma dúvida. Caso aconteça o pior e eu morra, vão utilizar meus órgãos mesmo sendo gay? Se não pode sangue porque aceitariam orgãos? Preciso colcoar na carteirinha "não-doador"?

Pamela disse...

Oi,
a título de informação, sexo anal sem preservativo tem mais chances SIM de transmitir HIV do que o sexo vaginal devido a ocorrência de microlesões durante o ato. Tanto é que os homossexuais apresentam 18 vezes mais chances de contrair a doença.... Isso é um fato que pode ser encontrado nos dados da Organização Mundial de Saúde, na Revista de Saúde Pública, e nos sites de busca de publicações científicas como Scielo.br e Pubmed.com. Se esses dados não são sérios, eu não sei quais são então.

Acho que falta aprofundar um pouco os conhecimentos antes de dizer que só se trata de preconceito.

obs: com relação aos casais heterossexuais também fazerem sexo anal...claro que fazem, mas comparado aos casais homossexuais masculinos que APENAS fazem esse tipo de penetração, é meio sem nexo fazer esse tipo de comparação. Fica evidênte que os casais homossexuais são mais expostos a fatores de risco.


Carolina Lucas Paiva disse...

Pamela

Mesmo com camisinha? Mesmo com relacionamento longo? Difícil, hein?

Se os critérios fossem sérios, mulheres casadas deveriam ser proibidas de doar também, já que são grupo de risco (não usam camisinha com seus parceiros e são infectadas).

Paulo Cunha disse...

Oi Pamela,

Já que citou o Scilo, aproveita e cita o paper porque sem isso, assim solto, é que nem citar que na biblioteca da esquina tem um livro que jura que viemos de Adão...

Alias, aproveita e procura a evolução da incidência de Aids em mulheres héteros, com um único parceiro, nos últimos 20 anos... tem no Scielo também.

Depois, voltamos a conversar sobre uso de camisinha e tabu, tá?

Paulo Cunha disse...

Alguém me responde porque a USP desativou seu hemocentro? Eu doava sempre quando era do lado de casa. Agora tenho que ir até o HC? Não precisam de sangue, né?

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

"Fica evidênte que os casais homossexuais são mais expostos a fatores de risco."

Tanto que tenho a impressao que os homossexuais tem mais cuidado de usar camisinha do que um hetero.Vá que um homem hetero promiscuo que nao usa camisinha...

Anônimo disse...

Pamela,

primeiro que nem todo homem gay gosta de ser penetrado. Mas, mais que isso, dever usar camisinha e poder ter parceiro fixo também não são exclusividades de heterossexuais. Fora que ser homem gay que já não é mais virgem não implica sequer que vc vai estar fazendo sexo.

É completamente possível ser gay e não se enquadrar em nenhum comportamento de risco.

___________________________________

concordo que gays masculinos sem comportamentos de risco deviam ser super bem vindos nos hemocentros, fazendo o mesmo processo. Ok? Mas, gente, se for o caso de vc realmente ter um comportamento de risco -tipo sair com váááárias pessoas, não usar camisinha-, é o seu corpo e a sua escolha. Sem problemas. Daí nada de moral se conclui. Mas, daí a querer doar sangue? Doar sangue não é atestado de humanidade. Mas não poder doar sangue pq vc é homem e gosta de homem é atestado de preconceito. Porque é como se dissessem que sabem como vc se comporta, como se concluíssem como vc vive toda a sua vida –inclusive sexual – disso.

DSTs podem e acontecem nos mais diferentes grupos, tinha SEMPRE que ter os exames pra quem quer doar, mas se vc tem mesmo os comportamentos de risco, isso não faz de vc menos humanx, ou dignx. Só quer dizer que vc tem uma chance maior de pegar uma doença, e por isso não deveria doar sangue, se houverem outras opções.

Frisando que doença -inclusive DSTs- não é sujeira moral. Se vc tem uma probabilidade maior por ter comportamentos de risco quer dizer que existe uma chance maior de vc pegar uma doença, não que vc seja menos que qualquer outra pessoa.


Do que eu tenho medo também é que precisam escolher um número exato de parceiros pra vc ser "promíscux" - 3 em um ANO, tã-dã. Que talvez pudesse sim ser revisado, mas talvez não. Não sei. De qualquer forma, detesto a palavra "promíscux"...

olá, pedras :p

*-* disse...

Primeiro quero dizer que quase infarto quando vi meu post! *-* Muita emoção pra um fã da Lola!!!

Segundo eu quero elogiar o livro, tá lindo demais Lola!!!

E quero responder a algumas dúvidas:

Fábia, Se meus amigos héteros não estão aptos tem que ir avisar no hemocentro pq lá eles só perguntaram dos comportamentos de risco recentes (do passado ninguém pergunta) e mais um detalhe: Quantas pessoas falam abertamente que deixaram de usar camisinha em uma relação? Héteros também mentem tá!

Gabriela, eu adorei saber que minhas células são purpurinadas #LOUSHO

Augusto, 3 meses sem sexo? E quem tá casado? Como faz?

Anônimo, GLBTT não vai se testar num hemocentro pq o hemocentro tem as piores taxas de precisão nos exames (oops, acho que isso era segredo!)

Pâmela, sexo anal sem preservativo tem mais chances de transmitir HIV sim!!!!
Mas olha, senta que eu vou te contar um segredo: Alguns gays NÃO FAZEM SEXO ANAL, tipo, NADA!!! NO WAY!!! Nem indo, nem voltando.

Dizer que CASAIS gays tem mais risco é preconceito porque implica em dizer que casal gay trai mais e por isso tem mais risco!

Se for assim vamos proibir pela religião também! Saiu uma pesquisa muito gostosa dizendo que casais evangélicos traem mais que de outras religiões!

E mais uma coisa, eu posso não entender muito mas parece que um casal hétero SEM CAMISINHA tem mais chance de contaminar que um casal gay COM camisinha!

Taibelle Nelac disse...

Olá, Lola,

Já acompanho o seu blog há muito tempo, digo que gosto muito. Esse post, porém, me deixou muito feliz e intrigado, pois tocou em um ponto que me é muito caro. Sou doador de sangue, mas, para isso, preciso mentir sempre, deixando de lado todas as lutas que me coloco todos os dias, acreditando que minha ideologia deva ser deixada de lado para justificar outra. Daí, o grande paradoxo: sou um gay e doador. Porém, esse bem que acredito é, ao mesmo tempo, o grande mal que me assombra. Toda vez que recebo uma carta do centro de doação me é criado um grande terror, que se antecede desde a doação. Temos, em um voto final no ato da doação, assinalar se temos ou não relações com homens, mesmo depois de toda a inspeção feita pelo entrevistador, devemos mentir, mais uma vez, dizendo que somos "saudáveis" e héteros. Tive uma experiencia muito ruim, que está relatada em um blog que escrevo sobre a vida gay, o post é intitulado "só fica apertado com o aperto", caso tenha interesse. Ainda que todos os problemas relacionados à descriminação sejam absurdos, nunca se há de pensar como uma pessoa, conduzida pelo sistema único de saúde a crer que suas praticas são de risco, passa pós essa experiência de doar sangue. É como pensar que todo o esforço feito por diversas frentes de luta fossem por água abaixo. Assim como gays, héteros também são grupo de risco e somente uma nomenclatura, mediada por uma cultura cristã do preconceito à liberdade sexual, limitam os direitos mais caros aos seres humanos, o dei ir e vir. Essa falácia de que gays são grupos de risco é a mesma que ditá que somos impossibilitados de termos seguro saúde compartilhado com nosso parceiro, de podermos criar uma família via adoção e, também, de podermos criar uma vida conjunta como qualquer hétero. Esse preconceito, que muitos homofóbicos dirão ser somente um recalque, fere o bem maior que homem devia guardar: a da felicidade humana.

Anônimo disse...

Já tentei doar e não consegui pois namorava a menos de um ano.
Acho que ninguém examina o sangue, eles examinam o doador: se ele tiver cara de não ter doença, de cristão e hetero aceitam, caso contrario não.
Por essas e outras desisti de doar, é muita chateação, cada local tem suas próprias regras e parecem que eles estão me fazendo um favor de receber meu sangue.

Anônimo disse...

Poxa, Lola, eu não sabia que você era médica e estava atendendo o LoboMau secretamente para tentar convencê-lo a votar em você. Mó mancada sua isso.

Dree disse...

Lola, tenho que divulgar isso, Vazou a reunião da veja para a criação do artigo: http://captiongenerator.com/1408/Reuniao-para-criacao-do-artigo-da-VEJA

Simplesmente Maravilhoso.

Dree disse...

Quanto aos homossexuais não poderem doa sangue, juro que foi uma surpresa para mim, antes dessa coluna eu não podia nem imaginar que isso acontecia, me parece tão surreal uma atitude assim.

Gabriela, não é que tem lógica? Ri muito!

Carol disse...

Pamela,

Assim como suas estatisticas são sérias, aquelas indicando que mulheres casadas que não usam camisinha são um dos grupos que mais se contaminam (diversas pesquisas, OMS e artigos de livre acesso no Scielo, se quiser ir lá conferir) também são.

Baixar normas baseadas só nessas estatísticas incorre sim em preconceito, porque se trata de uma generalização sem tamanho. O correto é se basear em comportamento de risco, não em simplesmente "vc é homem e faz sexo anal com outros homens".

E o que falar sobre o limite absurdo de parceiros pra ser considerada promíscua. Se em um ano vc dá pra 3 caras, independentemente de ter usado camisinha, vc não pode doar.

Restrição para tatuagem (pq hj em dia claramente tatuagem ainda é coisa de marginal presidiário), um ano!!

Sendo que todas as bolsas de sangue são testadas anyway!!!!!

Clarice disse...

Poxa,tem algo que não concordo: doar sangue é algo que vai além da sua boa intenção, alí o negocio é pra salvar vidas, então tem que se garantir que o sangue doado está livre de doenças. Fazer sexo com varias pessoas, com ou sem camisinha, tem q ser mesmo uma barreira pra doação, não é questão de promiscuidade; não vejo a barreira como um impedimento preconceituoso, e sim como para diminuir riscos justamente devido à essa janela imonulógica. Tem que parar de ver tudo como se tudo fosse uma afronta a liberdade individual...

Juliana BJ disse...

Hoje eu vou ter de discordar.
O que acontece é que é necessário analisar o sangue, é um processo caro e demorado (se contar a quantidade). Essa entrevista é uma seleção pra evitar isso. Coisas que barram: muitas relações sexuais, tatuagem a menos de 6 meses, anemia, entre outros. Eu fui barrada por ter anemia, mas eu expliquei que eu queria muito doar sangue, pois tenho anemia desde menor, mas ela não deixou. Saí de lá frustada...... queria muito ajudar....
Acho que estão vendo chifre em cabeça de cavalo. Pensem comigo, quem recebe sangue está debilitado, e precisa de um sangue perfeito. Ser gay, ser promiscuo, ser anêmico, não quer dizer que o sangue é ruim, mas pra evitar todo um tempo perdido, já eliminam de cara.
Outra coisa: se ele tivesse falado que usa camisinha em todas as relações e se garantia, eu tenho certeza de que ele passaria para a próxima etapa.
Ha!!!!!! tem gente que mente. Tinha um cara do meu trabalho que era altamente promíscuo e doou sangue (ele mentiu!)Sei disse pq ele gostumava filmar as relações e mostrar para os colegas de trabalho e eram com garotas de programa.....
Uma coisa que não gostei foi a forma com que perguntam: acho meio invasivo, mas eles devem estar de saco cheio pois tem muita gente que vai lá pra pegar atestado.

Juliana BJ disse...

Acho que estão vendo chifre em cabeça de cavalo, eles barram um monte de gente: muitas relações sexuais, tatuagem, sexo anal, anemia, enfim..... quem é gay não precisa se sentir discriminado.
Conheci a mãe de uma amiga minha que pegou hepatite por transfusão de sangue, então é necessário um maior rigor.
Quem quiser realmente doar, é só mentir. Daí vai receber uma cartinha informando se o sangue serve ou não.

Anônimo disse...

Pamela,
Se o critério é o questionário, e se parte-se do princípio que a pessoa fala a verdade, então o que interessa se ela faz sexo anal (que segundo vc é uma coisa TÂO perigosa) se ela usa preservativo???
Usando preservativo, o que tem a ver a orientação sexual?
Falta lógica no seu argumento.
Leila

Pili disse...

Não pamela, essa é que é o ponto.

Na triagem não perguntam a vc o que vc fez, como, e há quanto tempo. Perguntam se vc assume alguma daquelas identidades. Trata-se de clara discriminaçao.

Há muitas lésbicas que fszem anal, há muitos gays que não fazem, há muitos casais casados estáveis e "normais que fazem de tudo e muito mais...

Quem é capaz de dizer que uma pessoa dentro de uma identidade x faz apenas o que vc pensa que ela faz?

Realmente falta aprofundar conhecimento.

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Pamela, mas então por que se recusam homossexuais com parceiros fixos, cujo sangue poderia ser testado? Concordo que o comportamento de risco, ou seja sexo anal sem preservativo, comprometa a qualidade do sangue, mas este comportamento não está restrito à comunidade GLBT. O critério deveria ser a duração de um relacionamento, não a orientação sexual.

Fato: muitas vezes um fato real e válido é distorcido e utilizado como instrumento de manutenção de preconceito e discriminação.

Maíra disse...

Rosanna, com certeza existe uma ausência de informações e divulgação de métodos de proteção para lésbicas! Isso é uma realidade! Eu, como só tive 1 parceira e estamos juntas há 11 anos, confesso que nunca usei nenhum tipo de proteção e nem acho necessário no nosso caso, porém, tenho muitas amigas que já saíram com várias meninas e nunca usaram proteção alguma! Esse método do plástico filme é mesmo uma opção, mas desconheço alguém que já tenha feito. E isso não vale só para lésbicas, afinal, supõe-se que homens também façam sexo oral em suas parceiras, certo?! E aí? O que eles usam para se proteger? Com certeza nada!

O risco de contaminação no sexo oral vale pra todos. Mas entre mulheres o risco de contaminação geral é menor, mas ainda assim existe.

Recentemente o site "Um outro olhar" publicou essa reportagem: http://www.umoutroolhar.com.br/2012/10/apenas-2-das-lesbicas-se-protegem.html#more

Acho que deveria existir mais campanhas de incentivo ao sexo seguro entre mulheres, confesso que nunca vi nenhuma!

Maíra disse...

Isso de que homens gays vão doar sangue para testar se têm HIV é o maior preconceito e mito que existe!

Para os desinformados de plantão, pode-se fazer o teste de HIV pelo SUS, e pode ser feito inclusive anonimamente!

Lilian Soares do Nascimento disse...

Diante de tantos absurdos ocorridos na década de 1980, o critério para doação de sangue deve ser mesmo rigoroso.

Isso significa que uma entrevista não é suficiente, seja ela preconceituosa ou não. Qualquer um pode mentir ou se enganar.

Não entendo bolhufas do assunto. Mas, se a janela imunológica leva 3meses para manifestar alguma doença... Existe a possibilidade de armazenar o sangue por 3 meses a partir da doação e depois proceder com exames para perceber se é possível utilizá-lo ou não? Ou não é possível fazer algo do tipo?

Anônimo disse...

Esse negocio de doacao de sangue eh bem complexo e ja desisti de doar faz tempo. Sou mulher, branca, hetero, de classe media e "boa aparencia" mas sempre fui descriminada nos hemocentros. Sempre acham uma desculpa para a qual nao posso doar, uma hora eu tive uma gripe ha pouco tempo, outra tive 3 parceiros, outra parece que nao foram com a minha cara. Estava em SP um dia e um amigo precisou de doacoes e na entrevista o medico simplesmente me dispensou sem motivo nenhum. Nunca entendi o caso. Morei fora do Brasil por muito tempo e em nenhum dos paises aceitava sangue de estrangeiros. Nao da pra entender os criterios porque afinal TODO sangue eh testado antes de ser usado, nao? Eu acho otimo que tenham pessoas que queiram doar porque eu ja cansei e nao passo nem perto de um hemocentro mais.

Anônimo disse...

Gostaria de saber um exemplo sobre "descriminaçao do bem"??????

beijos,
yra

Anônimo disse...

OFF TOPIC
Lola, veja essa matéria. "(CNN) -- Ireland's strict anti-abortion laws are under fire after an Indian woman living there died after being refused an abortion last month."
http://www.cnn.com/2012/11/14/world/europe/ireland-abortion-controversy/index.html?hpt=hp_t4

Pili disse...

Lilian, eu concordo que o criterio deve ser rigoroso. Mas do jeito que esta, ele é discriminatorio e nem por isso é mais seguro.

Pamela disse...

Cada um interpreta do jeito que quiser, eu só estou dando a minha opinião.

E reiterando, a triagem deve ser rígida sim! apesar da boa intenção das pessoas que têm pircings, multiplos parceiros, sao homossexuais, entre outros... é prudente perceber que eles estão em um grupo de risco para doenças infecciosas sim. Lógico que sempre vai existir o homossexual que sempre usou preservativo, o que fez tatuagem com o maior zelo com a higiene dos materiais, as pessoas (hetero/homo) que sempre usam preservativos em suas relações etc, etc

Acontece que o sistema de saúde não pode arcar com despesas para testar o sangue de TODAS essas pessoas (os exames são muito caros!) por isso selecionam somente as pessoas de baixo risco.

Eu não acho que essas sejam medidas preconceituosas. Elas apenas poupam tempo e recursos do sistema de saúde. É uma questão de agilizar o processo para (tentar) suprir a demanda dos que precisam de sangue.

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Pamela, o problema é equiparar comportamento de risco a "orientação sexual de risco". Rejeitar candidatos por comportamento de risco é uma coisa, assumir que todo homossexual tem comportamento de risco é discriminação. Simples assim.

Shey disse...

Pamela, o problema é equiparar comportamento de risco a "orientação sexual de risco". Rejeitar candidatos por comportamento de risco é uma coisa, assumir que todo homossexual tem comportamento de risco é discriminação. Simples assim. [2]

Hoje em dia, se fosse pra se falar sobre grupos de riscos, mulheres e homens casados heterossexuais mais velhos são os mais propensos a se contaminar e transmitir doenças.

Esses procedimentos aí não apenas restringe doadores e dissemina o preconceito, como não garante bosta nenhuma que o sangue doado esteja livre de problemas. O que me impede de transar hoje e ir doar amanhã? E se meu marido estiver contaminado?

Não doo sangue e se me submeter a cirurgia, recuso transfusão. O dia em que criarem vergonha na cara e fazer uma triagem decente, aí me voluntario.

Anônimo disse...

Sou medica e concordo com a exclusao desses grupos. Isso nao eh feito sem embasamento. Ou voces acham que tem sangue sobrando para poderem recusar homossexuais so por preconceito?

Sabiam que padres tambem nao podem doar? Isso porque grupos que viveram enclausurados como presos, tripulacao de navios ou quem ficou em seminarios nao podem doar sangue por causa dos fatores de risco.

E nao entendo porque tanto mimimi. Doar sangue nao eh um direito das pessoas.

*-* disse...

Pessoas vocês conhecem algum estudo que mostre o percentual da população brasileira que já foi testado pra HIV/AIDS?

Pode ser impressão minha mas acho que a maioria da população gay faz exames (conheço uns 15) e o mesmo parece não ser verdade pros héteros.

Posso estar enganado, mas isso não criaria uma visão distorcida da realidade?

Alguém aí pagou estatística.

AngieB disse...

Eu sou doadora, e acho algo fundamental. Tive a mae de uma grande amiga com leucemia, e me tornei doadora de medula ossea tb.

Mas sempre achei o questionario ridiculo e hiper preconceituoso. Eu tive um periodo com 5 parceiros, eu me senti tao julgada pela entrevistadora como se o mundo fosse acabar. Eu sempre usei camisinha, ate em relacionamentos monogamicos e de longuissimo termo.
Nao entendo abrir mao da camisinha por "confiança", pq se alguem trair, as chances sao minimas de a pessoa contar ao parceiro. Essa é uma das razoes do numero gigante de mulheres casadas heterossexuais contaminadas.
E por isso acho ridiculo falar em "promiscuo"... Os criterios precisam mudar.
Tenho tatuagem, respeitei o periodo de 1 ano que pedem aqui no HEMOSC.
Mas ao invez de perguntarem se voce tem relaçoes com pessoas do mesmo sexo, perguntem: "voce faz sexo anal?"
Ao invez de perguntarem se voce é promiscuo, perguntem: "voce usa camisinha nas suas relaçoes sexuais?"
Porque tb acredito que tem varios parceiros, e aqui para isso, voce precisa apenas ter 3 parceiros em 1 ano para ser promiscuo, mas usa camisinha tem menos risco que alguem em um relaçao longa sem camisinha.
Minha madrinha contraiu hepatite nos anos 80, na cesaria que precisou fazer de emergencia, e atraves do sangue que recebeu. É triste o numero de pessoas contaminadas na epoca que pouco se fazia para assegurar a qualidade do sangue recebido.
E aqui vem uma pergunta que a todo tempo recebo respostas contraditorias: testa-se ou nao todo o sangue que se recebe?
Alguns dizem q claro que sim, outros ja disseram q pelo tempo e dinheiro, nao se faz. E se for a 2a hipotese... #TENSO.

Raziel von Sophia disse...

Anon das 19:04

Isso nao eh feito sem embasamento

Certo então. Qual é o embasamento?

yulia2 disse...

é anon... qual embasamento?

Li disse...

pois é, discriminação pura. é um bom exemplo de como a ciência está permeada por valores morais, nem sempre científicos. eu realmente gostaria de poder doar, mas como tenho fobia de sangue isso é difícil no momento(até fazer exame de sangue é complicado, snif.)

quanto a gays serem grupo de risco a hvi, infelizmente é verdade, talvez por um motivo histórico (mas a disparidade está reduzindo cada vez mais). o hiv era considerado o "câncer gay", mas atualmente esse rótulo não faz mais sentido... de toda forma, nada justifica que homossexuais sejam impedidos de doar sangue, pelamor.

Raziel von Sophia disse...

Li,

como tenho fobia de sangue isso é difícil no momento

Me perdoa se eu estaria invadindo sua esfera privada, mas... Como é essa fobia de sangue? Nunca conheci quem tivesse isso, e sempre que via em tv e filmes, era comic relief. O que sentes quando vê sangue? Desmaia? Grita? Tem vontade de correr do que?

Sempre achei estranho pois sempre adorei sangue, quando pequena eu costumava cutucar minhas feridas para extrair sangue e lamber, e outro dia eu me feri e ao perceber uma quantidade de sangue abundante, não resisti em parar uns vinte segundos para dar uma admiradinha em como sangue é bonitinho. Ou seja, é algo bem distante de minha realidade e fiquei curiosa agora.

Raziel von Sophia disse...

Medicina = Ciência?


WTF?!

Medicina = Tecnologia ou no máximo ciência aplicada.
Ciência lida com simples fatos, não se importando com suas aplicações imediatas ou consequências sociais.

Exemplo: Biologia e Física puras.

Ciência Aplicada desenvolve Tecnologia, isto é, se preocupa em usar a Ciência como ferramenta teórica e experimental para desenvolver ferramentas de índole prática que possam efetuar uma função desejada sob determinadas ideologias e cenários sócioeconômicos.
Exemplo: Medicina, Enfermagem.

Enfim, se referir à Medicina, Engenharia ou Direito como Ciências, não são apenas desinformação, como é um rótulo ofensivo aos cientistas.

E antes que me chamem de "cientificista pura", eu já digo: Curso Engenharia Física, Ciência Aplicada, passo mais ou menos longe de Ciência Pura, mas não sou leviana de rotular Ciência Aplicada e Tecnologia como "A Ciência".


Resumindo: Medicina NÃO é Ciência.

Anônimo disse...

@Raziel von Sophia

Não sou a pessoa pra quem vc perguntou (Li), mas só de ler seu relato já fiquei gelada e senti a pressão baixar.
Tem pessoas que simplesmente não conseguem ver ou mesmo pensar em sangue escorrendo.
Já tive crise de pânico e desmaiei 2x ao ter q tirar sangue.
É algo sério que venho tentando me controlar, pensando já se eu vier engravidar e ter que fazer tds as baterias de exames e eventual cirurgia se necessário...
Vou conseguir respirar normal daqui uns 5min.

Li disse...

oi, raziel. não é nada demais, tem tratamento com psicoterapia e é algo perfeitamente relevável. muita gente tem fobia de sangue, e ela pode ter se dado em algum evento específico (tipo presenciar um acidente de carro) ou ter surgido sem motivo aparente. eu acho que tenho desde criança (sem motivo específico) e tenho: a) aflição quando vejo sangue, vejo fotos ou filmes a respeito ou quando leio sobres isso e b) passo mal quando faço exame de sangue. fico muito nervosa, demora muito e acaba sendo um parto.

mas como já disse, você pode tratar fobia de sangue com terapia cognitivo comportamental, só que eu até agora tive, digamos, preguiça de tratar :P

Anna disse...

Pelo fato das campanhas de preservativos focaram apenas no sexo casual e não por acaso a maioria das pessoas (homo ou hetero) deixarem de usar após a estabilização de um relacionamento, não há um grupo que não seja de risco.

Verô! disse...

Gente, doar sangue não é um direito. É um ato de cidadania, mas não de direito. Infelizmente homens que fazem sexo com homens (HSH) ainda são o grupo que mais é infectado pelo HIV, especialmente HSH jovens, que hoje representam o grupo mais vulnerável: "em relação aos grupos populacionais em situação de maior vulnerabilidade, com mais de 18 anos, estudos realizados em 10 municípios brasileiros, entre 2008 e 2009, estimaram taxas de prevalência de HIV de 5,9% entre usuários de drogas ilícitas, de 10,5% entre homens que fazem sexo com homens e de 4,9% entre mulheres profissionais do sexo" (fonte: Boletim Epidemiológico Aids e DST 2011. p.12 - disponível no site DST-AIDS do Min. da Saúde)

Todo sangue é testado antes de ir para doação, é verdade, mas os exames têm custos e uma forma de reduzir esses custos - pagos por toda população brasileira - é aumentar a taxa de sangue que pode ser doado em relação a quantidade de exames feitos. Assim, faz sim sentido restringir a doação para pessoas que não praticam comportamentos de risco.

Eu realmente lamento que os HSH ainda são mais vulneráveis ao HIV, mas enquanto isso for verdade é preciso ter ponderação. A doação não pode ser usada como bandeira política, isso é no mínimo irresponsável. Eu só mencionei dados econômicos já que o post falou da janela imunológica. Pensem que o que está em jogo não é só mais dinheiro público gasto em vão, é a possibilidade real de infectar outras pessoas com HIV. Falem o que for, mas os critérios da Anvisa, o cuidado "exagerado", transformou a transfusão de sangue em algo muito mais seguro para o receptor. Quantos casos de pessoas contaminadas por transfusão foram documentados nos últimos anos mesmo?

Eu, até por razões pessoais (sou lésbica), sou simpática a causa LGBT como um todo, mas nesse caso eu acho que a militância LGBT tem sido muito pouco razoável. Ao invés de tornar a doação uma bandeira, vamos analisar com muita seriedade os motivos que tornam os HSH tão mais vulneráveis a infecção por HIV, vamos solucionar isso e depois dar o próximo passo.

Verô! disse...

Tem mais, não há "discriminação" específica contra homossexuais nos Hemocentros. Minha namorada doou há um tempo, disse que era lésbica e como estava há uns dois anos em um relacionamento estável e monogâmico comigo doou sem nenhum problema. Um amigo meu hétero foi impedido de doar porque teve mais de três parceiras em um ano. Mesmo usando preservativos, mesmo usando mil argumentos, os critérios precisam ser claros e rigorosos e pelo visto esses critérios estão funcionando, caramba!

Agora, eu fiquei realmente assustada com a quantidade de gente que mente nos questionários. Isso é ridículo e infantil. Os questionários têm uma razão, estamos falando de vidas, de pessoas que dependem de doações para sobreviver e por conta de uns babacas podem acabar contaminadas não só por HIV, mas outras DSTs. HPV, por exemplo, é extremamente contagioso e pode ser transmitido mesmo com o uso de camisinha. O HPV pode causar câncer no colo do útero, uma das principais causas de morte feminina por câncer. A propósito, o HPV é muitas vezes ASSINTOMÁTICO em homens.

Raziel von Sophia disse...

Me perdoa, anônima das 22:29!!!

Obrigada, Li! ^__^

Anônimo disse...

Oi, Lola! Gosto de seus textos e várias vezes tenho vontade de discutí-los (concordando e discordando), mas acredito que o diálogo através desses comentários não sejam muito viáveis e poderiam empobrecer possíveis discussões. Entretanto, dessa vez senti a necessidade de me manifestar não quanto ao assunto do artigo, mas sim quanto a um termo utilizado. Como cientista da computação, estou numa campanha de valorização da área, e venho aqui alertá-la de um erro de concordância. O correto é Ciência da Computação, no singular. A computação é a ciência em si, e não algo que se estuda baseado nos conhecimentos gerados por outras ciências (sem entrarmos no mérito de que, estritamente falando, qualquer ciência é dependente das outras). Então é isso! Digamos que a Ciência da Computação sofra uma certa discriminação e precisa lutar para ser reconhecida como tal pela sociedade, estando eu na luta! :) Obrigado!

Anônimo disse...

É.. também to achando estranho a quantidade de gays homens que fazem questão de doar sangue. Tem alguma explicação?

Claudio disse...

" Anônimo disse...
Sou medica e concordo com a exclusao desses grupos. Isso nao eh feito sem embasamento. Ou voces acham que tem sangue sobrando para poderem recusar homossexuais so por preconceito?

Sabiam que padres tambem nao podem doar? Isso porque grupos que viveram enclausurados como presos, tripulacao de navios ou quem ficou em seminarios nao podem doar sangue por causa dos fatores de risco.

E nao entendo porque tanto mimimi. Doar sangue nao eh um direito das pessoas."

Se você é "médica" eu sou a Lola.


Paulinha disse...

Sou mulher casada, já doei sangue algumas vezes e não tive problema algum, respondi ao questionário como me foi perguntando e não menti o número de parceiros, até porque foi só um mesmo (casei com meu primeiro namorado).

Só que essa lógica de "grupo de risco" deveria servir para que os "médicos anônimos" comentaristas de blog bem como as pessoas de hemocentro metessem um tiro na cabeça, porque a coisa não faz o MENOR sentido.

1. Todas as bolsas de sangue são testadas e se "o teste não é bom", então as pessoas deveriam saber isso para escolherem se querem receber subprodutos potencialmente contaminados. A culpa não é do doador, portanto.

2. A alegação da janela imunológica, embora verdadeira, depende exclusivamente da honestidade do entrevistado e como todo mundo que eu conheço mente, o critério da entrevista deveria ser revisto.

3. EU, mulher casada, de um homem só, que jamais esteve com outro homem na vida estou no maior grupo de risco hoje, no Brasil, juntamente com idosos. Simplesmente porque as esposas são infectadas por seus maridos e pedir camisinha em um relacionamento estável pode ser extremamente complicado. Eu até uso, mas só pra evitar filhos mesmo. Meu marido é doador de sangue também e ele também está em um grupo de risco, o das pessoas que são monogâmicas mas que não podem garantir o que o(a) parceiro(a) faz por aí quando eles não estão juntos.

TODA E QUALQUER JUSTIFICATIVA, ao final, diz respeito a uma coisa somente: PRECONCEITO. Um monte de gente precisando de doadores e uma gentalhinha de 1800 fica te julgando por critérios ultrapassadíssimos, afastando inclusive pessoas que gostariam de doar, mas que ouvem histórias verdadeiras sobre barramento e acabam se desestimulando.

E repetindo: levando em conta que qualquer pessoa pode mentir, a entrevista literalmente serve para que funcionários no hemocentro dispensem trabalho e pessoas querendo ajudar, nada mais que isso.

Daniela disse...

Também acho um absurdo e discriminatório SIM!
No ano passado, um parente muito querido passou por complicações depois de um transplante de rim, e o hospital exigia doadores de sangue da família.
Meu tipo sanguíneo, O+, batia perfeitamente com o sangue dessa pessoa. Juntamos vários doadores, alugamos uma van, e fomos até o hospital doar.
Depois daquele questionário ridículo e constrangedor, passei para a entrevista.
Notei uma certa resistência por parte da entrevistadora, por eu ter tatuagem e piencig (todos com mais de dois anos e devidamente higienizados e cicatrizados). Mas só fui repelida mesmo por sofrer de problemas cardíacos. Nada sério, mas a medicação que eu tomo invalida meu sangue para doação.

Enfim, me senti bastante mal... Os pais da pessoa que precisava do sangue estavam ali junto, e eu não pude ajudar. Me senti inútil e quebrada.
Isso que foi por um problema de saúde, agora imagina tu ser impedidx de doar devido a sua orientação sexual. Um absurdo.


E sabe, achei meio irresponsável da parte da pessoa aí de cima que disse que "doar não é um direito das pessoas, então chega de mimimi".
Eu discordo. Ajudar as pessoas, além de um direito, é um dever.
Tá faltando empatia entre as pessoas, por isso o índice de 2% de doadores aqui no Brasil.

Ana disse...

HPV, por exemplo, é extremamente contagioso e pode ser transmitido mesmo com o uso de camisinha. O HPV pode causar câncer no colo do útero, uma das principais causas de morte feminina por câncer. A propósito, o HPV é muitas vezes ASSINTOMÁTICO em homens.


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A gente pode pedir esse exame em posto de saúde, laboratórios etc?

Recentemente fiz um teste que abrangia aids, sífilis e hepatites no CTA Henfil (centro de São Paulo), tudo zerado, mas agora fiquei preocupada com o HPV

Bruna B. disse...

Ana


O HPV pode ser diagnosticado no Papanicolau ou na colposcopia. Basta consultar um(a) ginecologista.

A boa notícia é que existe uma vacina contra o HPV e está sendo estudada a possibilidade de o SUS fornecê-la (só não gostei de saber que só incluirão mulheres de até 45 anos) no programa de vacinação. O projeto foi aprovado hoje pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado.

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Pamela

Me parece que você é mais informada em respeito à doação, talvez por trabalhar na área hospitalar. Gostaria de saber se com o homossexual masculino também é vetado doação de órgãos?

Apus disse...

O motivo da vacina só ser acessível a mulheres com até 45 anos é porque para a vacina ter seu real a pessoa não pode ter tido contato com o vírus antes. O certo seria a vacinação antes de ter qualquer relação sexual, mas é meio complicado isso.

Anônimo disse...

Não sabia que já querem ampliar a faixa etária da vacina contra o HPV para 45 anos. Até pouco tempo atrás, mesmo particular, só era indicada atéc os 26 anos.

Unknown disse...

Lógico que tem que proibir gays de doar sangue. Já pensou eu receber sangue de sapatão e acordar com cabelo curto, blusa xadrez, tatuagem do infinito, tocando Ana Carolina no violão e com uma imensa vontade de carregar as sacolas de todo mundo? Ah, tem que proibir também a doação de sangue de russos, russos e muçulmanos - eles são grupos de risco.
Ah dá licença, tanto pai de família que toda semana trai a mulher com travestis da esquina doa sangue e um gay não pode doar. Pára né! Sou hétero e preferiria bem mais receber sangue de um gay do que de um outro hétero pois casais gays são mais fiéis, mais divertidos e mais estilosos
kkkk

Pryscila disse...

Se eu precisar de sangue, aceito de Qualquer ser humano que teve a generosidade de doar, homo ou hetero. Como podem privar os receptadores da generosidade de alguém?! Como podem vetar um ato de amor? Que absurdo.

Jessica disse...

Sou lesbica e ja fui impedida de doar.
A moça da entrevista perguntou quantas parceiras eu tinha, eu disse q so uma, minha namorada. Ela perguntou o tempo de relacionamento, na epoca tinha 5 meses, daí ela disse q eu n poderia doar. E q se eu tivesse no minimo 6 meses de relacionamento poderia. Disse q eu deveria aguardar um mes, e se ainda estivesse c a mesma pessoa, poderia retornar e doar normalmente.
Isso ocorreu em abril desse ano. Dia 17 de novembro, fui de novo ao hemorio, e na recepção fui informada que meu nome encontrava-se em lista de bloqueio, e que so seria desbloqueado dentro de 170 dias. Ja tenho um ano e um mes de relacionamento com a msm pessoa. E agora, qual a desculpa para esse preconceito?

Anônimo disse...

Toda vez que eu vou doar sangue eu fico pensando se não comi alguma coisa que possa dar alergia ou se tomei algum remédio é esqueci de mencionar. Além, é claro, de achar que posso ter pego aids no ônibus de alguma forma mirabolante. Sempre penso que a pessoa que vão receber meu sangue não está bem, qualquer coisa pode piorar a situação. Eu nunca teria coragem de mentir na entrevista.porque, além discriminação que eu possa sofrer, há a vida de uma pessoa em risco. E eu não sei absolutamente nada de biologia ou janela imunológica. Espero que os exames que fazem no sangue sejam potentes, porque pelo visto o pessoal não está nem aí para a vida de quem recebe o sangue.

Anônimo disse...

Fui doar sangue hj, e fui impedida por outro motivo que não homosexualidade(sou hetero). Mas segundo a moça, eu seria impedida de doar se tivesse relações sem preservativo há menos de 1 ano. Como já havia mais de 1 ano de relações sem camisinha com o msm parceiro, eu poderia doar, a janela de algumas doenças já passou.

Anônimo disse...

Nunca doei, nem nunca doarei sangue.
Se o mundo acha que meu sangue não é bom o bastante só porque sou gay, o mundo não merece meu sangue.
E fim de papo.

Anônimo disse...

aiai um monte de pessoas burras gays podem doar sangue, deste que nao tenha varios parceiros, igualmente heteros ou bis , parem de ser burros e leiam o procedimento de doaçao, isso e so uma palhaçada da pessoa que nao leu e estar reclamando, era so ter falado que tava saindo com o cara um ano que ele doaria sangue sem problema

Canal Rasgay disse...

Já passei por isso. Saí me sentindo um lixo.