sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A MISOGINIA ENTRE OS GAYS

Passei por um duro aprendizado nos EUA, quando fui a um seminário de ativistas negros, e presenciei um desfile de misoginia. Até então eu tinha a doce (e ingênua, reconheço) ilusão que minorias, grupos historicamente oprimidos, enfim, pessoas que sofrem preconceito, teriam empatia por outras minorias. Que lutaríamos juntos. Jamais que seríamos vistxs como o inimigo a ser combatido. 
Numa outra ocasião, ainda durante o meu ano americano, li cartas de leitores da revista The Advocate (a principal publicação para o público LGBT, e eu a recebia de graça), e fiquei chocada com a raiva que vários homossexuais estavam demonstrando ao transsexual que teria um filho, e que a imprensa rapidamente chamou de "o homem grávido". Não esperava ver gays com o mesmo discurso de "isso é antinatural!" que a gente costuma ouvir de héteros conservadores.
Claro, sei que negros, gays, mulheres são pessoas como quaisquer outras, sujeitas a captar e propagar os inúmeros preconceitos de uma sociedade preconceituosa. Mas pensei que tivessem mais discernimento. No caso do machismo, está mais do que claro que machismo e homofobia andam sempre juntos. O padrão aceitável é o homem, e tudo que não for masculino é visto como desvio. Numa sociedade misógina, cria-se uma falsa oposição entre homens e mulheres, como se o homem tivesse que provar ser homem afastando-se de qualquer caracterísitca tida como feminina. E lógico que isso afeta os gays, que não são considerados homens. Já cansei de ouvir pra pergunta "Quantos homens tem na sua área?" a resposta "Ah, homens mesmo são poucos...".
Então, assim como tenho dificuldade pra entender como uma mulher pode chamar outra de vadia (afinal, essa condenação da sexualidade feminina vai sobrar pra ela também), não consigo entender como tem gay que detesta mulheres. Não que eu conheça algum gay misógino pessoalmente. Meus amigos gays são uns amores e adoram mulher. Mas, infelizmente, a gente sabe que gay misógino existe. Peguei três depoimentos num post sobre maquiagem pra ilustrar essa percepção.

Foi a Verô que introduziu o assunto: "Chato é quando a maquiagem se torna uma obrigação. Mas acho que no fundo as mulheres usam maquiagem para elas mesmas. Tenho muitos amigos homens e héteros e eles sempre comentam que não percebem tanto a maquiagem e que não fazem questão que as mulheres usem. Por incrível que pareça a cobrança vem mais dos caras gays.
Estive numa festa no sábado e um rapaz gay veio me dizer que mulher que é mulher usa salto e maquiagem. Não é a primeira vez que escuto isso de gays. Eu não aguentei e dessa vez respondi, disse que ouvi isso sempre de homens que não sentem atração por mulheres.
A propósito, Lola, se eu puder humildemente te dar um sugestão de tema para o blog, o que acha de escrever sobre a misoginia dos gays? Eu sinto que há muita misoginia nesse meio, escuto muito mais comentários misóginos e machistas de gays do que de héteros, isso no ambiente onde eu vivo! A esmagadora maioria dos meus amigos héteros são super simpatizantes do feminismo, rapazes adoráveis.
Até pensei que fosse uma interpretação errada minha, mas já ouvi a mesma reclamação de várias amigas que militam no movimento LGBTT e comentam que a misoginia rola solta."

Cética respondeu: “Vêro, concordo plenamente, eu já escutei e li cada coisa vinda de homens gays, que não tenho vergonha de dizer, me tornei meio fria ao movimento lgbt. Antes, qualquer coisa que dissessem perto de mim contra os gays, eu me encrespava e partia pra briga. Hoje em dia fico na minha; a única causa que defendo com unhas e dentes é a feminina. Deixei até de participar de um forúm no orkut, e não fui a única mulher a fazer isso, pq volta e meia era um tal de 'rachas isso, rachas aquilo', 'isso é falta de homem', 'essa vadia'. Teve até um que comentou ter adorado nascer de cesária (pq assim vai passar pela vida sem nunca precisar ter sentido o cheiro do 'bacalhau'), quer dizer... 
Eu parei e me perguntei: quê que eu tô fazendo aqui, sendo esculacha por esses caras? No fundo, ou nem tão fundo assim, MUITOS deles são tão ou mais machistas que os homens heteros, o que é uma pena pra todos nós, pq a homofobia tem origem tmb no machismo (na ideia de que o homem passivo é inferior, pq está fazendo papel de mulherzinha). Queria ver as lésbicas mais atuantes do movimento se manifestando aqui pra dizer se tô tão longe da verdade assim. Taí a parada lésbica, acontencendo um dia antes da gay, pra comprovar isso."

Flávio: “Assino embaixo. É assustador o quanto o gay masculino é misógino. Vários amigos gays assumem que são misóginos e aí eu penso: 'Cara, como alguém que sofre desgraçadamente o preconceito de uma sociedade machista consegue ser misógino? Você não enxerga que aquele que oprime as mulheres oprime também os gays?'. É um cansaço. E é um clube do Bolinha rosa-choque: hetero não entra, lésbica não entra, mulher não entra! Não dá para ter uma discussão política, não dá para debater questões de gênero, não dá para argumentar -- estou generalizando e normalmente sou contra generalizações, mas é espantoso o quanto a misoginia se destaca no universo gay. E, normalmente, homens gays são cruéis em suas 'avaliações': experimente falar sobre lesbianismo perto deles e provavelmente irá receber a mesma enxurrada de estereótipos que heteros propagam.
Ah, e antes que alguém diga que sou anti-gay e caso não tenham percebido, sou bissexual e estou há 14 anos em uma relação estável com outro homem e partindo para o casamento. Aos 47 anos já amadureci bastante para saber separar joio de trigo em relação a comportamentos condicionados, e posso dizer sem susto que o gay masculino, majoritariamente, está condicionado a repetir e fortalecer esterótipos machistas.
Tenho amigos que vociferam sua liberdade de amar, vestir e agir, mas que censuram veementemente suas irmãs, primas ou amigas que ousem fazer a mesma coisa. Desculpem pelo comentário em tom generalizante, mas estou certo de que aqueles que convivem com gays terão histórias similares.”

141 comentários:

Shey disse...

Vou ser obrigada a discordar um pouco desse texto.Todo machismo que experimentei veio de homens hétero. Inclusive esse historia que hétero não liga pra roupa, corpo, maquiagem. Convivi durante muito tempo com a turma de amigos do meu namorado e teve uma hora que eles esqueceram que sou mulher. O que via deles metendo pau no corpo e roupas das garotas, chamava pelas costas de "vagabunda" a mesma garota que ficaram só pq a menina ficou com mais de um da mesma turma. E as garotas "feias" as "pigs" ( garotas gordas)...

Talvez eu tenha tido a sorte de conviver somente com gays esclarecidos e militantes, sei lá...

avidadejacque disse...

Bom dia Lola!

Acho essa ideia de minoria ter preconceitos contra outras minorias um trosso bem estranho.

tenho muitos amigos gays, e eles proprios tem preconceito com outros gays quem tem "jeito afeminado" ou seja tem que ser gay, mas tem que ter jeito de homem? Tem jeito certo pra ser gay?

beijo Lola!!!

Gabriel Nantes de Abreu disse...

1- "Até então eu tinha a doce (e ingênua, reconheço) ilusão que minorias, grupos historicamente oprimidos, enfim, pessoas que sofrem preconceito, teriam empatia por outras minorias."

Meu bom Deus, você vivia na bolha cor de rosa ou o quê? Quanto mais ódio uma pessoa recebe e absorve maior a probabilidade de expelir isso por aí. Isso é tão óbvio...Nem todo mundo transforma sua vida em uma eterna celeuma politico-ativista muitos só querem ser felizes e para isso machucam as pessoas só pra devolver aquilo que foram vitimas.

2 - A tendência é cada vez mais a separação do ativismo GLBT do feminista, isso porque as feministas não entendem que o simples fato de ser G//L já te deixa na linha de frente numa guerra fria contra a sociedade. Não interessa se a pessoa nunca pisou numa parada gay, nunca levantou uma bandeira, nunca fez protesto mas mesmo assim é tão odiado e excluído quanto quem faz.

3 - De uns tempos pra cá vejo é muita femnista, Não vi a Lola fazer isso, querendo dar pitaco no movimento LGBT pois elas sim entenderiam de machismo, a ultima perola, é fazer a psicologa cristã dizendo que ninguém nasce gay, e que as pessoas não devem se envergonhar de suas escolhas e que o movimento gay deveria parar de vitimismo. e que os bissexuais (pobres bissexuais que tem mais direitos garantidos que os homossexuais) são alvo de forte preconceito no movimento Lgbt. sinceramente, a maioria das pessoas que eu conheço do movimento LGBT se dizem bissexuais e não gays ou lésbicas!!!!

4 - Por isso eu queria muito que a Lola se possível fizesse um post ao contrario, a homofobia no movimento feminista, onde pode ser detectada, e de onde vem a ânsia de algumas feministas(óbvio que são minoria) em querer pautar o movimento LGBT e em casos mais extremos querer pautar até a sexualidade alheia.

Anônimo disse...

Eu não acho Lola, acho que mulheres, gays, trans etc, somente reagem aos preconceitos que sofrem, e tipo uma especie e endurecimento para sobreviver,o que eu vejo e que o grande mau machista e propagado por homens héteros, eles são o grande problema de nossa sociedade machista, e enquanto não se assumirem como tal, e não se conterem as minorias, não poderão viver em paz !

Lívia Pinheiro disse...

Eu também acho que a tendência é mesmo uma separação cada vez maior do movimento LGBT e do feminista. Mas justamente por causa da misoginia do LGBT. Eu sou uma que saí do LGBT principalmente por isso enquanto assistia outras lésbicas fazendo o mesmo. Quando vc diz que "as feministas não entendem que o simples fato de ser G/L já te deixa na linha de frente numa guerra fria contra a sociedade", Gabriel, se esquece que (quase) sempre quem sai do LGBT devido à misoginia é quem está NAS DUAS linhas de frente.

E aí fica evidente como é confortável reclamar do movimento feminista 'dando pitaco' no LGBT (e para mim ficou a dúvida se denunciar a misoginia que sem sombra de dúvida existe no LGBT seria um desses supostos pitacos) estando preocupado somente com a linha de frente que te diz respeito. Porque me desculpa, mas chegar todo, todo num post sobre este assunto querendo ansiosamente que "o outro lado" (entre aspas porque sequer se trata dos dois lados de uma mesma coisa) seja mostrado parece demais querer jogar o problema abordado pelo post debaixo do tapete "para discutirmos coisas que realmente interessam".

Não que não possa haver homofobia no movimento feminista, certamente há, assim como há em tudo, já que homofobia é praga igual racismo e machismo, está em todo canto porque são parte da matriz da nossa sociedade.

Anônimo disse...

Não existe racismo e homofobia entre as feministas?? O que mais vejo é feminista "ofendendo" algum homem de gay.

O preconceito é grande até entre os próprios gays, porque eles não iriam descriminar as mulheres??


Óbvio, que não estou generalizando , estou falando de casos específicos.

Maíra disse...

Apesar de eu nunca ter vivencido isso com meus amigos gays (sou lésbica e tenho muitos amigos homens gays!), concordo que, de fato, existe essa misoginia (muitas vezes disfarçada) por parte dos gays. Infellizmente essa teoria de que "minorias" deveriam ser mais conscientes e menos preconceituosas, realmente, inexiste! Homens gays podem ser tão ou mais preconceituosos e machistas que homens hetero. O que eu acho que rola muito com os gays (e com muitas lésbicas também!) é que, por serem parte de um grupo historicamente recriminado, se sentem no "direito" de dizer certas coisas. Tipo "eu posso fazer uma piada homofóbica porque eu sou gay, mas você, que não é, não pode!". Entende? Já vi isso demais! Acho que, no fim, tudo varia mesmo de acordo com o caráter humano de cada um, independente da sexualidade e de fazer parte ou não de um grupo oprimido. É a velha história do negro racista, por exemplo. É absurdo, mas sabemos que existe! Também sempre me horrorizou como muitos gays e lésbicas têm preconceito com transexuais, especialmente nesse caso que você citou, do "homem grávido". Aliás, transexuais em geral sofrem um grande preconceito de todos(inclusive dos homossexuais e de outros transexuais)! Onde trabalho lido muito com transexuais e percebo que eles sempre estão na "defensiva", como se já esperassem uma reaçãp negativa de todos. Isso me dói, sabe? Acho que nunca vou conseguir compreender tamanha dificuldade dos seres (des)humanos em acolher, respeitar e aceitar seus semelhantes!

Anna D disse...

Já faz um tempo que espero um post sobre esse tema, apesar de já ler algumas publicações que a sondavam. Durante cinco anos tive somente amigos (homens) que eram gays. Sou hétero, e a convivência com eles nunca alterou minha vivência sexual (como os esclarecidos no assunto bem sabem ser impossível ter uma "escolha" sexual). Mas mudou muito a visão que eu tinha sobre mulher e o que era ser feminina. Meu pai, desde pequena, incentivou-me a ser uma mulher independente, para nunca precisar de homem nenhum. Para tanto, devia estudar muito e garantir meu sustento. Cresci sabendo que homens e mulheres eram iguais, tanto no direito de escolha na própria vida quanto no trabalho e demais áreas (foi minha mãe que sustentou a casa em alguns períodos que vivemos, sem nenhuma ajuda financeira do meu pai, apesar de terem um casamento estável). Fui crescendo e na minha adolescência comecei a perceber o preconceito que existe com os gays e decidi que, a partir daquele momento, só teria amigos que fossem "não-héteros-way", isto é, que não pregassem uma superioridade sexual. Vivia bem mais uma vez, sem me importar com o julgamento das pessoas. Por motivos que não vem ao caso agora, comecei a me sentir excluída da sociedade e mal por isso. Veja, não sofria bulling por andar com gays nem nada assim, mas sofria por ser a mulher que tinha escolhido ser. Sozinha, sem contato com ideias feministas, perdi-me em blogs e concepções machistas, que se disfarçavam de feminismo (vide vomitidezfeminina). É ai que entra a minha relação com os gays. Durante muito tempo, sofri com o preconceito feminino que eles tinham e que eu achava normal, ou não-preconceituoso. Não entendia como um grupo que também era excluído, pudesse odiar mulheres, e enganava a mim mesma dizendo que isso não era ódio, e sim existia uma parte das mulheres que era chata, boba, vadia, fresca e todos esses atributos que você já conhece. O que mais me incomodava e eu não conseguia justificar era quando eles chamavam as mulheres de "racha". Era pior do que eu já tinha visto em héteros! Nós, mulheres, éramos ilustradas como uma grande vagina, e só isso. Comentários do tipo: "mulheres não amam homens, amam dinheiro. só homens (gays) amam homens", esclareceram o que eu lutava tanto pra não ver: que homens gays odiavam mulheres tanto ou mais que héteros. Como uma classe reprimida pelo machismo pode crer (e reproduzir) ideias tão machistas? Como podem sequer conceber que mulheres só se interessam por dinheiro? E que são meras vaginas? Dai começou a "enxurrada" de esclarecimentos. Percebi que mulheres que gostavam de sexo eram vadias, que as que não gostavam eram frescas (e que por isso homens "héteros" os procuravam, pq só com gays eles podiam conhecer verdadeiramente o prazer sexual), que mulher de verdade usa salto e se maquia, e as que não fazem isso são umas desleixadas, umas nojentas, e assim vai. Mas eu, por ser amiga e conviver sempre com eles, não era vista assim. Todas as atitudes que eu tinha não eram atitudes das outras mulheres. Ai compreendi que eles também eram vítimas desse sistema machista, que precisavam reproduzir essas concepções para fazerem parte de uma sociedade e não serem reprimidos. Daí também pude entender porque não aceitavam os gays afeminados ("as bicha ploc ploc), os transgêneros. Fui me afastando deles mesmo assim, e me encontrando com meu feminismo de tempos atrás (muito, muito obrigada Lola!, você é um alívio, um abrigo nas batalhas que enfrentamos). Percebo que muitos deles intuem o preconceito que carregam e tentam mudar: tentam não discriminar os afeminados, não discriminar os transgêneros etc. Eu continuo na luta LGBT, agora na luta feminista e vou tentar combater sempre qualquer tipo de preconceito. Sei que eu não estou livre de ser preconceituosa (até pouco tempo não conhecia o quanto de preconceito eu tinha pelo corpo das pessoas), mas estou livre de não poder mudar. Quero e vou continuar lutando pela igualdade entre todxs e, sim, acredito que juntxs possamos construir um mundo melhor.

Janna disse...

Velho, NUNCA li algo tão acertado na vida!
Lola, você tocou fundo num elemento que muitos querem esconder.
Enfim, só vou dar um relato e os demais decidam se é misogenia ou não!

Eu sou formanda em Ciências Sociais numa federal e tenho um professor de Antropologia que é um erudito!
Eu, com muita dificuldade, consegui uma bolsa de iniciação científica com ele e me senti entrando num universo de pesquisa privilegiado, já que ele é um exímel pesquisador.
Porém, o que eu encontrei foi uma escancarada perseguição por parte dele. Acho que ele tinha certeza de que eu levantava a bandeira LGBTT, visto que sempre fui uma menina livre e se queria ficar com uma menina, eu o faria e ponto.
Porém nuna me dei rótulos de BI ou de qualquer outra coisa...
Enfim, minha pesquisa eu desenvolvia no facebook e para tanto criei uma página para pesquisar. Obviamente ele, como meu ORIENTADOR, deveria estar no meu perfil de pesquisadora e assim eu o add.
Para o meu espanto -- não, o espanto não era saber que ele é gay, não tenho problema com isso e o meu MELHOR amigo é gay e eu o amo demais -- ele, para defender os gay, atacava gratuitamente mulheres, como caso de maior exemplo o que aconteceu com Mirian Rios... Atacada e humilhada no facebook por ter falado aquela bobagem de homossexualismo e pedofilismo. Porém, um cara engajado, professor e pesquisador, ANTROPÓLOGO atacar uma mulher por ela ter pousado nua? Ah... Pera aê né?
Eu discordei abruptamente do compartilhamento dele. Dessee de outros que atacavam as mulheres e também a religião e o sagrado alheio -- como foi o caso da virgem de guardalupi publicada em sua págia apenas com um biquininho de flores.
Fui, depois das minhas críticas, sumariamente excluída do perfil daquele que deveria orientar minha conduta no face e também perseguida e ameaçada a perder a bolsa, alegando que um problema de saúde, que me impedia de ir em eventuais encontros dos seus seminários -- que nada tinham com as reuniões de orientação -- seria critério de exclusão.
Uma mulher não completamente saudável NÃO poderia fazer parte do seu grupo.
Me senti perseguida e foi justamente depois de me manifestar conta os ataques que ele propagava contra as mulheres no facebook.
Enfim... Depois dessa, acho difícil alguém por aí dizer que misogenia não é coisa de gay!
Só foi uma contribuição.
Espero que NINGUÉM passe pelo que eu passei. O que ele me faz, acabou por me fazer ter medo de avançar nos meus estudos, por medo de encontrar hostilidades similhares na academia. Fui muitas vezes humilhada e condenada. Só não perdi a bolsa pq eu era sua melhor bolsista. Sempre me dediquei e entregeui tudo nos prazos e com a qualidade além da esperada -- nas próprias palavras dele -- mas o fato de eu ser uma mulher que NÃO fica calada me prejudicou e quase me fez perder minha PIBIC.
Falo isso não com orgulho, mas com profunda tristeza, visto que ele era o MEU professor preferido -- tanto que tentei a bolsa com ele -- e as ilusões com a Antropologia meio que se dissiparam.
Enfim, adoro teu blog, LoLa. Gosto do jeito leve que você trata o assunto. Uma ativista com graça e leveza. Te admiro muito.

Cheirinho ;)

Anônimo disse...

Já vi muito isso. Assim como algumas feministas (conhecidas e da internet) são das pessoas mais homo/transfobicas que eu já vi.
Alias o que eu já vi de feminista preconceituosa não tá no gibi.
Feminista parece adoraaaaaar se meter na vida sexual alheia e dizer maldades pelas costas.
Assim como já vi lésbicas super preconceituosas com gays e até com mulheres hetero.
Resumo da ópera? Tenho amigos gays, lésbicas, trans, feministas, negros, heteros. E em todos os meios que já tivesse acesso até hoje existe preconceito. Muitas vezes forte e descarado.
E tem muita coisa que você vai dizer "hey isso é preconceito" e a pessoa vai te devolver uma boa risada.
Preconceito é criar uma ideia de uma pessoa baseada em estereótipos. Excluir ou diminuir uma pessoa que pensa diferente de você é o que faz o mundo de hoje ser como está.
Se todos os lados aprendessem a respeitar e vivessem suas vidas focados em si mesmos e parassem de meter o bedelho e ficar enfiando opinião goela a baixo de quem não pediu, tudo seria mais fácil

Anna D disse...

Já faz um tempo que espero um post sobre esse tema, apesar de já ler algumas publicações que a sondavam. Durante cinco anos tive somente amigos (homens) que eram gays. Sou hétero, e a convivência com eles nunca alterou minha vivência sexual (como os esclarecidos no assunto bem sabem ser impossível ter uma "escolha" sexual). Mas mudou muito a visão que eu tinha sobre mulher e o que era ser feminina. Meu pai, desde pequena, incentivou-me a ser uma mulher independente, para nunca precisar de homem nenhum. Para tanto, devia estudar muito e garantir meu sustento. Cresci sabendo que homens e mulheres eram iguais, tanto no direito de escolha na própria vida quanto no trabalho e demais áreas (foi minha mãe que sustentou a casa em alguns períodos que vivemos, sem nenhuma ajuda financeira do meu pai, apesar de terem um casamento estável). Fui crescendo e na minha adolescência comecei a perceber o preconceito que existe com os gays e decidi que, a partir daquele momento, só teria amigos que fossem "não-héteros-way", isto é, que não pregassem uma superioridade sexual. Vivia bem mais uma vez, sem me importar com o julgamento das pessoas. Por motivos que não vem ao caso agora, comecei a me sentir excluída da sociedade e mal por isso. Veja, não sofria bulling por andar com gays nem nada assim, mas sofria por ser a mulher que tinha escolhido ser. Sozinha, sem contato com ideias feministas, perdi-me em blogs e concepções machistas, que se disfarçavam de feminismo (vide vomitidezfeminina). É ai que entra a minha relação com os gays. Durante muito tempo, sofri com o preconceito feminino que eles tinham e que eu achava normal, ou não-preconceituoso. Não entendia como um grupo que também era excluído, pudesse odiar mulheres, e enganava a mim mesma dizendo que isso não era ódio, e sim existia uma parte das mulheres que era chata, boba, vadia, fresca e todos esses atributos que você já conhece. O que mais me incomodava e eu não conseguia justificar era quando eles chamavam as mulheres de "racha". Era pior do que eu já tinha visto em héteros! Nós, mulheres, éramos ilustradas como uma grande vagina, e só isso. Comentários do tipo: "mulheres não amam homens, amam dinheiro. só homens (gays) amam homens", esclareceram o que eu lutava tanto pra não ver: que homens gays odiavam mulheres tanto ou mais que héteros. Como uma classe reprimida pelo machismo pode crer (e reproduzir) ideias tão machistas? Como podem sequer conceber que mulheres só se interessam por dinheiro? E que são meras vaginas? Dai começou a "enxurrada" de esclarecimentos. Percebi que mulheres que gostavam de sexo eram vadias, que as que não gostavam eram frescas (e que por isso homens "héteros" os procuravam, pq só com gays eles podiam conhecer verdadeiramente o prazer sexual), que mulher de verdade usa salto e se maquia, e as que não fazem isso são umas desleixadas, umas nojentas, e assim vai. Mas eu, por ser amiga e conviver sempre com eles, não era vista assim. Todas as atitudes que eu tinha não eram atitudes das outras mulheres. Ai compreendi que eles também eram vítimas desse sistema machista, que precisavam reproduzir essas concepções para fazerem parte de uma sociedade e não serem reprimidos. Daí também pude entender porque não aceitavam os gays afeminados ("as bicha ploc ploc), os transgêneros. Fui me afastando deles mesmo assim, e me encontrando com meu feminismo de tempos atrás (muito, muito obrigada Lola!, você é um alívio, um abrigo nas batalhas que enfrentamos). Percebo que muitos deles intuem o preconceito que carregam e tentam mudar: tentam não discriminar os afeminados, não discriminar os transgêneros etc. Eu continuo na luta LGBT, agora na luta feminista e vou tentar combater sempre qualquer tipo de preconceito. Sei que eu não estou livre de ser preconceituosa (até pouco tempo não conhecia o quanto de preconceito eu tinha pelo corpo das pessoas), mas estou livre de não poder mudar. Quero e vou continuar lutando pela igualdade entre todxs e, sim, acredito que juntxs possamos construir um mundo melhor.

Anônimo disse...

bom, é aquela velha história: vivemos numa cultura machista. e, nessa cultura, estamos todos -gays, lésbicas, bis, trans* (rá, aprendi!), cis... e vai ter gente de todo jeito com preconceito.

os gays que são mais próximos de mim nunca expressaram preconceito nenhum. inclusive mostram gostar muito de mulheres e do mundo feminino. no esquema de me ajudarem até a comprar roupa e tals.

no entanto, já tive conhecidos que tinham preconceito com gays "bichinhas", que são os mais "femininos". isso sempre me deixou meio assim porque, pô, se vc sofre preconceito, deveria ter mais empatia por outras pessoas que passam pelo mesmo. eu não concordo que sempre que alguém recebe ódio essa pessoa vai espalhar ódio. pode acontecer, mas não é regra. e já vi gente apanhar na rua só por ser gay e não saiu propagando ódio nem contra o tipo de cara que bateu nele.

isso de "racha" me incomoda demais. e tem outras coisas bem podres que alguns gays usam pra se referirem às mulheres.

óbvio que não são todos, senão eu nem teria amigos gays. mas isso existe, sim.

aliás, qdo eu tinha uns 17 anos, quase apanhei dentro de uma boate gay. fui acolhida por um e, a partir daí, tudo se resolveu e eu passei a ser aceita.

Anônimo disse...

Gays tb são seres humanos e não seres puros e angelicais como acredita os noveleiros da Globo.

Anônimo disse...

Conheci intimamente dois gays extremamente machistas. Um deles disse que sabe que é injusto, mas se a sociedade é assim e ele nasceu homem, quer mesmo é aproveitar disso e se fazer de melhor que mulheres. O outro, por ter crescido numa família religiosa, não tem muita noção do quanto machista ele é.

Lázaro Barbosa disse...

Pois é, Lola. Não basta sentir na pele o preconceito alheio, precisa ter vontade de combater todo e qualquer tipo de preconceito. Nem gays nem héteros estão imunes a esse risco de destilarem baboseiras (e às vezes até eu mesmo me pego soltando alguma gracinha sem graça). É mais comum encontrar, de fato, a misoginia entre os heterossexuais, mas eu mesmo já presenciei desentendimentos entre gays e mulheres. Vários deles, tanto quanto elas, adoram um Clube da Luluzinha, se sentindo mesmo desconfortáveis ao conversar, por exemplo, sobre o sexo gay. Daí a surpresa dos comentários acima. De qualquer forma, às vezes é melhor simplesmente fazer como Millôr Fernandes (ele próprio teve atritos seríssimos com feministas, e não é raro ver uns traços de machismo nos textos dele): não enfatizar as falhas e defeitos insanáveis do ser humano, mas com o fim inevitável a que isso leva - a desumanidade do homem para com o homem (tá lá em "Todo Homem é Minha Caça", no penúltimo texto do livro).

Anônimo disse...

Existe sim um grande machismo e até racismo por parte de vários gays que convivi, mas é claro que isso não é geral - talvez nem seja a maioria. Cansei de visitar perfis no orkut e em outras redes sociais com varias regrinhas ''não adiciono negros, mulheres e nem afeminados'', ''odeio afeminados'' e vários outros igualmente nojentos. Fora a busca incansável de se auto afirmar bissexual- macho-alpha (!!)- dominador. Glaro que ninguém é obrigado a gostar de nenhum grupo especifico, mas quando existe uma generalidade de gosto que se iguala com a maioria e que também é copiado de outros lugares (como exemplo, a mulher magra, branca, jovem e submissa) eu já não acredito mais em ''gosto pessoal'' e sim em padrão excludente. É incrivelmente babaca um grupo já excluso hierarquizar também seu meio.

Carlos disse...

Isso é um "tapa na cara" das mulheres que acham que homens gays são seus melhores amigos, gays só tem amizade com mulher (percebam que é sempre com mulher hétero e nunca homossexual) pois querem ficar perto para ver se tem um contato melhor com algum homem hétero.

As mulheres héteros usam homens héteros como "amigos" para terem favores gratuitos... elas mesmas são usadas pelos gays como uma provável "ponte" para algum homem.

Como diz o ditado: "O gato come o rato e o cão come o gato".

Anônimo disse...

Lola seus amigos gays talvez não sejam misoginos no dia a dia ( não estou também afirmando que são) mas no anonimato da net, onde não e preciso ussar as mascaras sociais diarias, as pessoas soltam sua mente !

Anônimo disse...

muitos gays tem inveja de mulher, da atenção facil que elas ganham de homens hétero ( grande desejo dos mesmos) e boicotam sim as mulheres !

Anônimo disse...

poxa, até que enfim um post falando isso. eu tenho muitos, muitos amigos gays. posso dizer que a maioria dos meus amigos são homens gays.e posso dizer que poucos são os gays que eu conheço que curtem mulher. esses por sinal foram muito importantes na minha adolescência porque me apresentaram à literatura feminista, fizeram eu escutar música feitas por mulheres, filmes feitos por mulheres, estão sempre dispostos a ler e discutir, sempre muito interessados em questões de gênero, possuem muitas e muitas amigas hetero e todas elas amam esses meninos, porque eles são inteligentíssimos, desencanados, bem humorados, muito companheiros. MAS, conheço vários outros muito amigos, pessoas que tenho no meu círculo íntimo de amizades que sempre, eu disse SEMPRE fazem um comentário denegrindo mulher. antes eu nao falava nada, mas agora adoto a postura sutil de relacionar o preconceito sofrido por mulheres e por gays, bem como a postura alienada de mulheres que replicam o machismo, assim como os gays. não tem muito tempo atrás, eu dizia que os gays seriam o futuro da nação, que muito do que é equivocado no mundo hoje está relacionado à heteronormatividade. (pensava mais ou menos como esse anônimo das 11h16, mas hoje vejo que essa POSTURA maniqueísta é MUITO EQUIVOCADA. aliás ultimamente, estou ODIANDO essencialismos).ainda acho isso, mas, agora acho que os gays não são o futuro, porque além deles serem machistas com as mulheres, eles são machistas entre eles mesmos! o que é compreensível, eles serem machistas entre eles mesmos, assim como existe muita mulher machista, que chama a outra de vadia, é péssimo, mas sabemos que essas pessoas, todos nós vivemos numa cultura machista. mas no mundo gay, o gay passivo é MUITO desprezado por exemplo. mas voltando ao tema do machismo dos gays em relação às mulheres: certa vez um grande amigo meu me perguntou se eu preferiria ter nascido homem ou mulher, se pudesse escolher. eu respondi: mulher, eu tenho algumas críticas às mulheres, mas AMO ser mulher. ao que ele respondeu: "aaaaa, que mentira!!!eu duvido!!!!" sem contar os vários amigos gays que adoram comentar sobre as mulheres desconhecida na rua SEMPRE ridicularizando elas.tenho um outro amigo, inteligentíssimo que sempre, sempre critica mulheres e ao final agrega: mulher né?mulher é fodaaa (com ar assim de enfado). mas o que mais surpreendeu, foi uma vez que um amigo hetero me confessou se travestir (e volta e meia frequentar lugares publicos para ter encontros homossexuais),disse que quase ninguem sabia e que ele estava se abrindo comigo por eu ser uma pessoa com "mente aberta", mas alguns poucos minutos depois, me aconselhou a não ter uma vida sexual assim muito movimentada, porque mulher tem que se valorizar.

Sâmela disse...

muito problemático. Isso é mesmo um fato, cansei de sofrer preconceito de homens - gays e heteros. Quando são gays, parece maior, ja que acreditamos que deveriamos estar unidos contra o inimigo comum - a estrutura social alçada no machismo, homofobia, preconceitos. E não duvido do colega, que tem visto homofobia dentro do feminismo. Estou tentando enxergar tudo isso muito pela lógica do individualismo. Minha bandeira é essa, para todas as outras, um foda-se.
A coisa mais facil é discriminar, dificil é fazer o que tentamos fazer, nos livrar dos automatismos, encontrar outro vies pra ver o mundo, que nos foi dado assim, doente, mediocre.

Eu sou sensivel a muitas causas: mulher, negra, nordestina, pobre - mas tenho que confessar que uma se destaca mais, toma a frente na "eterna celeuma politico-ativista" que é a minha vida. O que me faz pensar menos ou pouco em questões outras... fato. Mas n me deixa cega, à nossa luta eu devo, ao menos, o fato de ter meu niverso ampliado, visão mais sensivel ao outro, acho que o sofrimento tem o poder de fazer isso com a gente - sem romantizar o sofrimento, obviamente.

A ideia aqui é pensar e nos repensar - onde estamos sendo preconceituosos? feministas contra gays? (fim do mundo); misogenia dentro do movimento Lgbt'?
Nos repensar, gente. Não atacar. Estamos do mesmo lado.

Anônimo disse...

"Não interessa se a pessoa nunca pisou numa parada gay, nunca levantou uma bandeira, nunca fez protesto mas mesmo assim é tão odiado e excluído quanto quem faz."
bem vindo ao brasil gabriel, onde mulheres e negros podem dizer exatamente o mesmo.

Uaná disse...

Mesmo sendo gay, eu infelizmente tenho que concordar com tudo isso. Muitos de meus conhecidos inferiorizam outros gays apenas por terem um jeito mais feminino. Além de a grande maioria viver se esforçando para se parecer mais masculino. Além de disseminar os mesmos valores machistas e conservadores para as mulheres. Não acredito que seja nenhum tipo de "endurecimento" pra conseguir sobreviver, acho que é apenas falta de politização, de engajamento com o movimento tanto LGBT quanto Feminista. Muitos ainda têm os olhos fechados para essas causas e ainda carecem de muita informação.

Anônimo disse...

"o que eu vejo e que o grande mau machista e propagado por homens héteros" - culpar as mulheres pela apressão que sofrem é uma forma de perpetuar o problema, mas pensar assim é muito ingênuo também. E homens gays são misóginos sim, o movimento LGBT tem muitos problemas, por isso mudaram a sigla e colocaram o L na frente. Lésbicas tb são machistas, então vamos parar de considerar as coisas de acordo com o que NÓS gostaríamos como fossem. Quem está por fora do mov. LGBT ou não convive com homossexuais não tem uma visão mais abrangente dessas questões. O movimento feminista recebe muito bem as lésbicas Gabriel, não entendi suas colocações. Pode ser que a questão da homossexualidade e da transexualidade não tenha tanto espaço no mov. Não entendi o que vc está falando. Ragusa

Anônimo disse...

Out of the Topic...

O que demoramos tantos meses para desconstruir em termos de preconceitos e esteriótipos, a Fernanda Lima e sua turma estraga em uma hora de #amoresexo...

André disse...

Em grupo, as pessoas tendem a deixar aflorar os seus piores pensamentos. Além disso, é muito comum que pessoas que participam de movimentos reinvindicatórios se alienem de outros problemas que não fazem parte daquilo que ela defende especificamente.

Rob disse...

Pior de tudo é o preconceito contra transexuais.Principalmente FTMs gays.Percebo q os caras gays nos tratam como inferiores ou mesmo como lésbicas confusas(mesmo quando deixamos claro q gostamos de homens).Vi uma vez um caso de um FTM no tumblr q foi chamado de bitch por um gay cis.Fora outras gentilezas,o gay cis seguiu o FTM no facebook só para brigar com ele e dizer outras "gentilezas".

nina disse...

Vamos brincar de desenhar? Apesar da generalização nos comentários, eles deixaram claro que estavam generalizando (provavelmente pra facilitar o texto) e isso significa que não estavam afirmando que todo gay é misógino, ok? Entendemos isso ou temos que ler tudo de novo?

Atacar as pessoas dizendo que elas vivem numa bolha não é lá muito legal pra quem quer discutir de forma saudável também, só estou falando.

Ficar apontando o dedo pra lá e pra cá, e exigindo que a Lola escreva sobre cada nuance de cada movimento não é realmente o melhor caminho. Que tal escreverem posts e enviarem pra ela? Ela disponibiliza o espaço pra quem quiser falar.

[não estou querendo soar irritada, porque não estou irritada nem nada. Nem jogar as coisas na cara de ninguém. Mas acho que nós podemos usar as nossas próprias palavras pra falar do que nos incomoda, em vez de ficar esperando que alguém faça isso por nós.)

Em minha humilde opinião, o que o post nos lembra é que a misoginia é um problema geral, difundido de forma assustadora e implícita. E que todos podemos ser ou agir de forma misógina, em algum momento, a menos que estejamos alertas pra contornar esses preconceitos todos. E que é nosso trabalho de todo dia fazer algo, nem que seja repensar nossas atitudes e nossos discursos, deixar de usar termos que reproduzam os estereótipos.

A discussão não acaba, nem vai acabar tão cedo, enquanto estivermos presos à ideia de que há um jeito certo de ser isso ou aquilo. Enquanto estivermos mais interessados no que as pessoa fazem ou como expressam sua sexualidade do que em cidadania de verdade: respeito, consideração, não violência. Mas não é por isso que vamos cruzar os braços.


Do mesmo jeito que tem gente generalizando gays, tem gente generalizando feministas, héteros e todo mundo. O meu sonho, mesmo, é que um dia a gente finalmente aceite que somos TODOS diferentes.

Junior disse...

Lola, eu vejo isso praticamente todos os dias. Tenho muitos amigos gays, e o que impera é a alienação. Alienação total e irrestrita de todo e qualquer assunto que não seja "divertido" ou "excitante". Política? Não querem nem ver. Aqui em Joinville, maioria dos gays votando em candidatos retrógrados e ligados a grupos religiosos. Será que eles se sentirão representados por esses caras quando os caras começarem a cercear ainda mais os direitos deles? Ativismo atrai apenas um poucos engajados, muito poucos. A maioria sequer se assume para as famílias, é vida escondida e aí o terreno perfeito para a alienação. Nesse estado, o que eles mais fazem é revomitar por aí o que recebem da sociedade, por isso a misoginia corre solta. Infelizmente.

ViniciusMendes disse...

Gostei do texto e concordo... Conheço um punhado de gay (e lésbica) machista e racista. É aquela coisa né? Quem sofre preconceito muitas vezes prefere assumir o papel de opressor contra outro grupo pra poder se sentir um pouco menos inferiorizado, e isso acontece com qualquer minoria.

Agora... ia bem um texto sobre a homofobia entre as feministas né? Pq eu tenho que dizer, tem dia que é foda até ler os comentários aqui do blog...

Daniel Jacó disse...

Lola, esse é um ponto sobre o qual todxs que dizem militar no movimento feminista e LGBT deveriam refletir. Mas sem os ataques recíprocos que algunxs fizeram. Calma, gente!
Precisamos ter calma por que a vida que nós, feministas e LGBT, pretendemos construir é algo que nós vamos inventar. É muito fácil ser machista e homofóbico: é só repetir o que vem sendo feito e que todxs nós conhecemos. Inventar, numa sociedade patriarcal e homofóbica, formas de vida que se pretendem feministas e não homfóbicas não é fácil. Claro que vamos repetir preconceitos e falar bobagens. É por isso, por exemplo, que muitos casais gays acabam perpetuando papéis de gênero: o mais "feminino" assumem papéis tradicionalmente femininos. Fazer diferente não é fácil, por que não há modelos a seguir. E por isso é importante a reflexão e o diálogo. Atacarmos uns aos outros não vai adiantar nada.

Há, sim, muita misoginia entre pessoas LGBT. (Pessoas LGBT, o que vivi e vivo no movimento LGBT é diferente). Ex: esses dias, foi aniversário de um amigo gay, e fizemos uma pré-festa no meu apartamento. Uma amiga hétero chegou e estava usando sapatilha, sem salto. (Logo ela, muito vaidosa e adepta do "look diva", naquele dia, estava com uma dor no pé que a impedia de usar salto). O que aconteceu em seguida não foi bonito: um amigo gay em específico bradando sobre como ela, mesmo com dor, deveria ter colocado salto. =/
Claro que ela não deixou barato, falou que era machismo e falou pra ele calar a boca. Mas ficou o retrato de como podemos sim sermos machistas.

Nos espaços onde milito (de movimento estudantil), minha experiência é um pouco diferente.É que o feminismo é muito forte nesses locais e bem mais articulado que o movimento LGBT. Por isso nunca vi ou ouvi falar de episódios de machismo ou misoginia.

Queria falar, por fim, em relação à palavra "rachas". Como todo e qualquer signo, ela não é, por si, ofensiva. Depende do contexto, do uso, etc. Ela é de uso corrente entre meus amigos gays e minhas amigas mulheres, tanto os que militam quanto os que não militam. E, pelo menos aqui em Brasília, nunca a ouvi sendo usada para ofender ou impregnada de machismo. Também não vi nenhuma amiga se sentir ofendida com a palavra (já perguntei a elas).
Ela é realmente utilizada apenas como sinônimo de mulher, inclusive pelas próprias mulheres ("Amiga, onde vc tá?"/"Tô aqui com as rachas"). Assim como a palavra bicha. ("Amigo, onde vc tá?"/"Tô com as bichas"). Claro que conota gênero e sexualidade, mas sempre ouvi as duas palavras quase como conforto: mesmo inserido numa sociedade machista e heteronormativa, ao ouvir e falar essas palavras, sabia que, pelo menos naquele momento, estava a salvo do machismo e da homofobia. Que todxs ali éramos pessoas livres para sermos que somos: mulheres, homens, gays, héteros.
Ficaria bem chateado se descobrisse que essa minha sensação de liberdade e alegria, dada pelo uso dessas palavras (associado a outros símbolos) se dava associado ao constrangimento e desconforto das minhas amigas mulheres, de quem tanto gosto. Temor esse que reforça meu apelo inicial: sejamos menos beligerantes uns com os outros e reflitamos sobre nossas práticas. Se não nos aliarmos e deixarmos essa tendência de dissociação do movimento feminista do LGBT, vamos apenas ter apenas mais um inimigo. E não precisamos de mais inimigos.




Mariane disse...

Acho que vou morrer sem entender os seres humanos...

Rafael disse...

Lola,

Eu já comentei em outro texto seu falando desse assunto. Falando por mim, eu assumo que sou gay e sempre fui muito machista, mas eu demorei a perceber isso. Agora eu já enxergo esse problema em mim e em alguns amigos e conhecidos, que são gays ou bissexuais. No meio gay existe mesmo a ideia de que um cara afeminado ou passivo é inferior, o que acontece porque identificamos isso como algo feminino. Quantas vezes vocês não ouviram dizer "eu gosto de homem, se fosse para ficar com um afeminado eu pegava mulher", "sou gay, mas sou macho" ou "você pode gostar de homem, mas não precisa ser uma bichinha"? Eu mesmo disse isso um monte de vezes. Não é questão de gosto pessoal.

Para as mulheres que eu conheço, eu nunca regulei tipo ou tamanho de roupa, nem comportamento. Eu fiquei um ano com a minha ex-namorada, antes de me aceitar como homosexual. Sempre respeitei as escolhas dela. Nunca reclamei de roupas curtas ou achava que ela não podia beber porque era coisa de homem. Ela mesma diz até hoje que eu era um namorado com a cabeça aberta, liberal. Por isso eu achava que não podia ser machista. Além do que eu sou gay, como eu podia ser gay e machista? Mas eu era. Ainda sou. Hoje menos que antes, mas é um processo, estou melhorando. Eu acho que muitos homens gays não percebem o quanto o próprio machismo atrapalha a vida deles. O mesmo cara que chama uma mulher de vadia porque ela faz sexo sem estar namorando, é o cara que vai te chamar de bichinha, viado, boiola. A natureza dos dois problemas é a mesma, o machismo.

Gabriela disse...

O q eu já vi de gay se referindo a lésbicas como se elas fossem lixos...

Só q não é isso só não Lola.Negros q há pouco tempo eram ditos sem alma por certas igrejas agora frequentadores da mesma discriminam gays e trans.Gays discriminam mulheres.mulheres discriminam gays.É um ciclo vicioso.Todas as minorias sejam raciais ou religiosas discriminam uma outra minoria.É a face horrorosa do ser humano.

Anônimo disse...

Já fui pular carnaval no rio na farme com meus amigos gays e ouvi gritos de "ECA, XERECA". Ok, eu ri. Mas cá entre nós, misoginia pura, né?
Sofia

Diana disse...

Daniel Jacó, super concordo com seu comentário, acho que vc está coberto de razão.
Criar uma nova sociedade é mesmo difícil, e temos que ter paciência, empatia, cuidado.
Mas ainda assim, a história da racha me incomoda e muito. Não consigo aceitar numa boa uma mulher ser chamada de racha.
Como se sentiria um gay sendo chamado de toba?
É muito ofensivo.

Mila disse...

Pra mim sempre soou estranho que um grupo (não falo em minorias, afinal, nós mulheres não somos minoria e sofremos preconceito) que sofre opressão tb o faça com outros. Minha família é racista e machista e pra mim parece sem lógica uma família negra se comportar de maneira preconceituosa com outros grupos que sofrem preconceito tb.
Ultimamente estou frequentando boates LGBTs com amigxs, inicialmente por eu achar ser um local onde eu poderia me divertir sem parecer "disponível". Infelizmente já presenciei declarações misóginas do tipo: "Vcs héteros possuem seu próprio espaço, o que querem aqui?"; "Vc bebe demais, depois não reclama se parecer uma vadia", "Essas vadias vem aqui pra dar em cima dos nossos namorados". E críticas tb às garotas lésbicas.
Já vi muito da ideia que Gays e Mulheres são concorrentes na mídia e na boca de gays e mulheres. Não são.
Sinceramente, creio que isso só nos afasta da luta contra o patriarcado, à medida que um grupo se joga contra o outro.

Daniela Andrade disse...

Na minha visão, isso que se chama movimento LGBT não existe: é uma união de letras que representam pessoas não unidas.

A maioria esmagadora das pessoas dentro desse movimento só lutam e dão visibilidade para os gays. Outro dia fiquei chocada, um líder de um grupo LGBT tentando justificar um ato de transfobia contra uma travesti. Primeiro que usava a palavra "homofobia", depois que parecia algo menor pelo fato da travesti ser alguém que já chama atenção...

Quando tentei explicar que há uma diferença entre homofobia e transfobia, fez-se de desentendido. Vejam as paradas LGBT (mais conhecidas como "Paradas Gays" (!)) pelo país, 99% das bandeiras, cartazes, faixas possuem dizeres da "luta contra a homofobia" e do respeito aos gays. Acham que dentro do grupo só há gays? Sim, é o que pensa grande parte dos inclusos no grupo - e fora dele.

Inclusive, ao longo da minha vida, sofri transfobia de grande parte dos gays. Alguns, do alto da ignorância, chegaram a me dizer: "você só será racha para mim o dia que tiver buceta".

Tive sempre a impressão, que para os gays, todo mundo é gay. Se você se diz hétero é por que ainda não se descobriu gay e se você se diz bi, você apenas está tentando lutar contra o inadiável: você é gay, assuma!

Logo, se eu me apresento como transexual, isso não existe, o que eu sou é um gay muito afeminado e descarado.

É aquela velha história que muitos gays disseram para mim ao longo da minha vida: "Quer ser gay, tudo bem, mas para quê desmunhecar? Quer ser gay, tudo bem, mas para quê se vestir de mulher?". Já teve quem me disse que nós (afeminados, transexuais e travestis) manchávamos o movimento gay.

É uma pena, pois geralmente vejo travestis e transexuais ativistas lutando inclusive pelos direitos gays, mas a recíproca não é verdadeira.

https://www.facebook.com/DanielaEmTranse/posts/271494632971397?notif_t=like

Cris disse...

preconceito tá em absolutamente todo lugar. assim como vejo muito gay partindo pra misoginia, vejo muita lésbica sendo um bocadinho misândrica - claro q as consequências disso são totalmente diferentes porque, né? não são os homens a minoria oprimida aqui.

mas também vejo muita transfobia entre gays e lésbicas, vejo muito heteronormativismo ("ah, eu sou lésbica feminina e acho um absurdo existir lésbica q usa roupas e trejeitos mais masculinos. não entendo lésbica q pega mulher masculinizada, se eu quiser bofe, pego logo um homem"), vejo TONELADAS de slut-shaming, tanto para lésbicas quanto para gays, vejo muita bifobia ("ai, menina bi só serve pra pegação, não dá pra ter coisa séria, menina bi é tudo safada, não sabe o que quer, tá em cima do muro, vai te trair com homem")...

tem muita gente que não aprendeu a ter empatia no meio LGBT, assim como no resto da sociedade.

Lua disse...

Bom, não tenho muita coisa para acrescentar, até por que, a galera já explicou... Machismo e misóginia é algo recorrente e assustador no movimento gay. Só pra dar um exemplo, leiam isso e vejam o que "alguns" gays pensam sobre as "rachas": http://www.superpride.com.br/2009/12/eu-sou-gay-nao-sou-mulher.html

Lua disse...

E sem esquecer que o RACISMO também é recorrente no mundo gay.

Plasto disse...

Sim, há misoginia no ambiente gay. Triste e concordo com todas as palavras que você disse, querida Lola. Tantas vezes ouvi isso por eu ser um gay "afeminado". Às vezes tive que partir pra ignorância e dizer: "Então cê trepa com seu pai já que é a única referência tão macho que você tem? Porque eu posso citar vários homens gays que são tão machos quanto você!". E o troço é tão tal que ganhei a alcunha de gay lésbico. Se isso significa tolerância, discernimento, fico feliz com a mais essa nova classificação.

Clara disse...

Um caso recente é o transexual baiano do concurso miss bumbum, "algumas" mulheres fizeram um protesto contra a particiapação do tal, e o que ele diz sobre isso? Praticamente reduz a todas de "barangas", "recalcadas" e preconceituosas (o que eu concordo).

Mas será que, se uma "racha" tentasse participar de concurso, tipo o miss gay ou miss transex, eles também não agiriam da mesma forma?

CCX disse...

Nunca tinha parado para pensar no assunto, mas assim como existe um monte de mulher machista, porque não existiriam gays? Penso que pessoas, independente do gênero com quem transam, tendem a seguir o pensamento da maioria.

Anônimo disse...

Vejam também, como os autores globais que são gays retratam as mulheres nas suas novelas, vide o caso do João Emmanuel Carneiro, Aguinaldo Siva e outros. As mulheres são sempre megeras, vingativas e etc.

Aliás, a globo é um mistério, nunca consegui entender como uma "empresa" que é formada por gays e tem inúmeros artistas nordestinos, consegue ser tão preconceituosa com gays e nordestinos! WTF!!!!

Anônimo disse...

E sem falar do mundo da moda, vejam como o padrão eurocentrico, esquelético e a gordofobia, são ditadas pelos GAYS!

São os estilistas gays que ditam as medidas aceitáveis do nosso quadril, enquanto à maioria dos héteros preferem mulheres alá Carla Perez.

Um caso que me chocou foi o do estilista da Chanel, o tal do Karl algumacoisa. Que deu declarações extremamente gordófobicas sobre a Adele. Sendo que, ele além de gay, já foi gorderrímo.

Mascu Reaça disse...

Acho que isso é o cúmulo do politicamente correto ficar policiando as opiniões das pessoas só porque elas pertencem a determinada minoria. Todos possuímos preconceitos, alguns embasados em experiências pessoais e outros que adquirimos da sociedade. Mas é inutil tentar impor uma censura politicamente correta, pois as pessoas só apoiam quando elas se sentem ofendidas, e grande maioria das pessoas tem o costume de ofender outros grupos.
Esses ateus de internet adoram reinvindicar direitos para criticar religiões e ficar desenhando o profeta Maomé, mas se atacam o deus dawkins eles ficam ofendidinhos. Mesma coisa essas feministas de esquerda (será que isso é pleonasmo?) que fazem uma caricatura absurda dos masculinistas e nossas pochetes e dos políticos de direita, mas se a gente fizer uma piadinha de slut-shaming e chamar a lola de caminhoneira ai chove ameaças de processo e denúncias no facebook.
A única coisa que voces ganham com esses protestos de twitter pra censurar blogs masculinistas é dar mais publicidade a eles, até parece que a mtv vai realmente desligar o testosterablog da sua rede só porque meia dúzia de feministas de classe média que foram criadas em apartamento e ganharam um carro zero dos pais quando passaram no vestibular se sentiram ofendidinhas com as piadas machistas.

Anônimo disse...

Lálálá.

Anônimo disse...


Lendo alguns comentários nesse e em outros posts o que me irrita profundamente em feministas é rotular qualquer defeito em gays e mulheres de machismo "uma mulher machista um gay machista" como se esses não tivessem defeitos próprios ex: uma mulher que julga o comportamento de outra mulher é uma mulher machista ao invéns de ser uma invejosa, insegura, maldosa... um gay intolerante sem empatia é um gay machista tudo é machismo até defeitos próprios do ser humano como falta de amor compaixão, egoísmos julgamentos hipócritas intolerantes... tudo é culpa do machismo, não são defeitos da pessoa é o machismo que habita nessa pessoa(a culpabilização do machismo) sinceramente isso para mim é falta de caráter não assumir defeitos próprios como humano ou assumir e culpabilizar algo ou outra pessoa.

Sinceramente não vejo muita diferença entre machistas e ALGUMAS "feministas" em seus comportamentos adoram julgar rotular se vitimizar é parcial tendecioso... machismo e feminismo(algo justo) são diferentes sim não se pode comparar mas machistas e ALGUMAS feministas podem ser sim semelhantes

Na questão dos gays, muitos (não todos) se declaram e apoiam o feminismo não porque se preocupam com as mulheres mas usam o feminismo para a causa gay pois eles acham que pode contribuir para uma "homosexualização" social já que ser gay não basta a sociedade e o mundo tem que ser gay não é atoa que tem gays claramente misoginos que se declaram feministas, a preocupação e interesse deles são outras e não a mulher
Mas tambem não se pode generalizar(GAYS) aqui mesmo no blog ja li comentários sinceros, imparciais cheios de carinho e empatia sendo que esses mesmo reconchecem o defeitos própios e de outros e que me parecem que ficam triste sinceramente com isso.

Anônimo disse...

Sabe o que me irrita? The Matrix é um ótimo filme, inclusive com partes de valorização do feminino. Ainda assim, muitos mascus nojentos """gostam"""" do filme.

Anônimo disse...

Hum, e do movimento negro tb já ouvi muita reclamação sobre o controle sobre a sexualidade feminina e outras cositas. Se a gente for cavucar... o ódio existe em todos os lugares, de todas as formas.

Raziel von Sophia disse...

Ocorre que nem todo gay é aquele estereotipo de "fofinho, cheirosinho, bonitinho", muitos são homens extremamente dentro dos padrões machistas, porém preferem um "amor entre homens" por considerarem as mulheres inferiores, fracas, sujas ou qualquer coisa do tipo.

Anônimo disse...

Gostei da matéria e ela está certa, não tenho muitos amigos gays mas os que conheço amam as mulheres. Um deles me contou que é assim que as coisas são; misoginos sim a ponto dele perder amigos.

Anônimo disse...

Lola, por favor, não fale "amigos gays". Dá a impressão (errada no seu caso, eu sei) que ser gay é um fato importantissimo sobre seu tal amigo, quando na verdade é só mais uma caracteristica dele como gostar de azul ou amarelo. "Amigos que são gays" soa bem melhor :)

nina disse...

Tava demorando pra aparecer um falando que isso é 'culpa do politicamente correto'. Qual o problema do politicamente correto? O triste, pra mim, é que seja necessário criar algum mecanismo pra fazer as pessoas ao menos fingirem que se respeitam.

Panthro disse...

Babaquice, pura e simples. na verdade é um tipo bem específico de babaquice, chamado de homofobia. Se um homem hetero fosse machista, elas não iam generalizar que o machismo no meio hetero é muito forte. Mas como os gays existem na cabeça destas pessoas em oposição à "normalidade", são tratados como um grupo.

Na cabeça destas pessoas existem indivíduos e gays. Só lamento por elas. Por serem tão limitadas que não entendem que as pessoas são tão multi-facetadas e diversas quanto elas mesmas.

Anônimo disse...

gay misógino é oq mais tem. assim como mulher homofobica. e ambos geralmente sao racistas. e negros geralmente sao machistas e homofobicos. ser lgbt, mulher ou negro nao te torna imune.

concordo com o gabriel que geralmente quanto mais agressao sofremos, mas sentimos vontade de descontar em alguem. nós nos agredimos na cartilha do homem branco hetero, que se beneficia desses ataques sempre, pq pra eles é win/win situation, eles nunca serão o alvo da vez.

e nao dá pra botar na balança quem é mais odiado: mulheres hetero ou homens gays, pq cada lado teu seu privilegio (nós o hetero e eles o masculino). isso sem contar outros privilegios como ser branco, de classe media, magro, jovem, able-bodied, cis...

mas feminista homofobica, gabriel, eu acho mais dificil. nao digo que nao exista, mas há uma enorme diferença entre ser mulher e feminista. seria interessante q vc apontasse alguns exemplos, pq eu mesma nao quero ter relaçao com feministas homofobicas

mas... isso aí q vc descreveu nao é homofobia. reclamar de bifobia é homofobia? se alguem diz que muitos gays invisibilizam bissexuais no ativismo, isso nao é homofobia. se a pessoa provar q isso ocorre, é um fato. conheço bissexuais que falam q isso existe, eles nao sao levados a serio, sao considerados promiscuos (???) tanto por gays quanto por lesbicas (e obviamente por heteros tb, mas isso nao vem ao caso). idem para os trans q sao invisibilizados tanto no movimento lgbt quanto no feminismo :/

outra coisa q vc falou foi sobre quem afirma q ser gay é uma escolha. discordo de quem tenta impor q a homossexualidade é genetica, social ou uma mistura de ambos pq a ciencia nao foi capaz de provar isso ainda. mas daí a dizer q isso é homofobia? o fato de algo nao ser natural (e nao estou dizendo q nao seja) nao torna essa suposta escolha menos valida. mulheres podem escolher serem "vadias" e nao importa se isso é natural ou nao. pessoas gordas podem ser gordas por culpa de genetica, de habitos, ou de ambos e isso nao importa, merecem igual respeito.

a parte de nao se fazer de vitima é uma babaquice mesmo, odeio quem fala isso. é super escroto e é usado por algumas feministas (q nao movem uma palha pelo feminismo) contra outras feministas tb.

a lola, por ex, é chamada de vitimista por algumas feministas pq ela fala sobre estupro, opressao, abre espaço para mulheres contarem suas historias, enfim. ainda bem que a lola nao falou mal de avenida brasil, se nao 90% da internet ia meter o pau nela, pq a tal novela era sagrada, todo mundo amava "fun fun fun, nao aceitamos criticas".

sobre o post: eu nao me surpreendo com gay misogino, nadinha, mas *ativista lgbt* misogino é um troço que não me desce, pq que moral tem essa pessoa pra falar de respeito se ele nao respeita outras pessoas?
tem uns que ainda usam as "amigas feministas" para endossar as merdas misoginas que falam "de brincadeira" e dizem que é impossivel q eles sejam machistas haja vista que sao gays ¬¬

por isso eu decidi que só sigo feministas ou pro-feminismo. gays feministas, ativistas do movimento negro feministas, tanto faz. mas se deixa a minha luta em segundo plano, eu nao dou ibope. se eu respeito a luta deles, é o minimo que eu posso esperar em reciprocidade.

yulia2 disse...

bem , nunca conheci um gay misógino, mas acredito que existam....

yulia2 disse...

eu só sei de uma coisa é por essas e por outras que o machismo e o patriarcado ainda vai reinar por muitas décadas , infelizmente!!!

todos que sofrem com isso(gays , lesbicas, mulher hetero) todos desunidos e brigando entre si!
os machistas porcos agradecem!
se fossemos minimamente unidos em torno do combate desse câncer social que é o machismo , teriamos conquistado muito mais direitos...mas infelizmente, resolveram brigar e deixar o ódio e o ressentimento falar mais alto, e o pior de tudo, fazer o joguinho social para buscar aceitação desesperada em um sistema que cospe na sua cara todos os dias!
È de matar de tanta tristeza. assim vamos mal, muito mal....

Shey disse...

Não vejo ofensa em ser chamada de "racha", depende do contexto mesmo, rsrsrs.

E pq um homem gay seria chamado de "toba"? Toba todo mundo tem, agora "racha" e "torneira" é mais...particular.

Só acho que pode soar, no máximo transfóbico, já que algumas mulheres q tem "torneira" e alguns homens têm "racha"...

E, sim,infelizmente é da natureza humana só se preocupar com a dor do seu calo, o do semelhante que se f*...

Samuel Vitorino disse...

Lola, me desculpe, mas tenho a impressão de que você ainda está sob efeito do choque de descobrir que minorias também discriminam.

A misoginia entre homens gays é maior do que entre homens héteros? Eu nunca frequentei o meio gay, sejam as baladas ou a militância (apesar da vontade, ao menos quanto a esta ultima), mas me arriscaria a opinar que não somos piores do que os héteros na discriminação.

Talvez apenas chamemos mais atenção quando esboçamos esse preconceito, dado o fato de que machismo/misoginia e homo/trans/bifobia serem irmãos não é uma realidade percebida por tod@s que sofrem desses males.

Sim, pode existir em muitos gays o fator "despeito", algo como "essa mulher pode pegar homens abertamente e eu não", mas será que esse fator, presente em alguns é mais forte do que o fator "objetificação" de tantos homens héteros, que é alimentado pela sociedade machista que vende a mulher como um pedaço consumível de carne?

Não esquecendo também que não nascemos com um carimbo de "gay" na testa, apesar de muitos darem pinta desde novos. Com isso, lembre-se de que recebemos da sociedade a mesma educação machista e heteronormativa que a parcela hétero.

Concluindo este comentário: não há machismo entre os gays? Claro que há, porque há machismo e diversos outros preconceitos em todas as frações da sociedade.

Gostaria apenas de ter deixado ilustrada a situação, sem nenhuma pretensão de ser a voz da verdade ou esgotar o assunto. Apesar de ler o seu blog há quase dois anos, está é apenas a quarta vez que comento. Acho que o número de comentários me intimida, além de que, por concordar tanto com as visões que você expressa, sinto que não tenho nada a acrescentar ao final de cada post. A única postagem em que comentei duas vezes foi a anterior sobre machismo no meio gay - acho que o assunto mexe comigo justamente por servir de espaço pra que alguns vomitem uma série de generalizações como "gays são mesmo machistas, racistas, falsos, fúteis que odeiam mulheres, etc" vistas nos comentários acima. Lembra bastante as generalizações que fazem quanto às próprias mulheres.

Sara disse...

Bom devo ser uma felizarda, pq tenho amigos gays super divertidos, inteligentes, e nunca notei nem um traço de misoginia neles, pra não dizer exatamente todos, tive um primo, q ja faleceu, ele era gay, sofreu muito preconceito, mas ele demonstrava um certo desprezo por mulheres, lembro q ele dizia q toda mulher é uma puta em potencial, mas não passava disso, e pior é q eu devia ter uns nove anos qdo escutava ele dizer essas coisas enquanto ele penteava meus cabelos, mas nunca fez nada mais ofensivo q isso.
Mesmo ele sendo assim tenho saudades dele.

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Nina

Você fala em desenhar, eu falo em ler mesmo porque é mais prático já que nem todo mundo nasceu com o dom pra arte, mas felizmente todos os aqui possuímos faculdades para a comunicação e consequentemente interpretação clara do texto.

Agora me diga, quem nesses comentarios exigiu qualquer coisa da Lola ou do movimento feminista ou de algum comentarista, eu, e outro rapaz que também comentou pedimos (ou seja, ela faz se julgar que deve, não por obrigação) que ela fizesse um post sobre homofobia no movimento feminista.

Segundo, pra mim uma pessoa que não percebe que uma pessoa que vive o ódio tem a tendência infeliz de repassar o ódio pra mim só pode viver em uma linda bolha no céu. Quantas vezes, incluindo no próprio blog da Lola, se discutiu a influência de certos comportamentos agressivos na conduta de jovens e crianças? LGBT também são gente, não nascem com carteirinha de martire, tem aqueles que recebem o mal e fazem o mal, assim como (vou reiterar apesar da fúria das comentadoras) feministas que também sentem ódio por causa de muitas coisas que tiveram que aguentar e sim, repassam ódio por aí. Já vi comunidades feministas (pelo menos se diziam assim) usarem termos como: "Machista odeia mulher e gosta é de homem", nossa que prático, e diga-se de passagem que senso comum do c***** dizer que homofóbico é gay enrustido.

Lívia Pinheiro

QUando eu falei em "movimento feminista dar pitaco" me refiro ao fato de muitas feministas acusarem o movimento LGBT de vitimista quando o mesmo fala que ser gay não é "opção" e sim "orientação" sexual. Isso só é falado porque é assim que a maior parte dos gays se sente de verdade, eu incluso, não quer dizer que seja regra nem o correto.

Elvis disse...

Não sei se existe mais misoginia no "mundo gay" do que no resto do mundo, acho que talvez fique mais gritante quando parte de gays. Primeiro porque é estranho ver minorias com tanto preconceito de outras minorias, não tem a menor lógica, mas desde quando preconceito tem lógica né?
Segundo porque um gay misógino geralmente não tem medo de demonstrar claramente sua misoginia, gays "não gostam" de mulheres mesmo, qual o problema em odiá-las?
Já um hetero misógino tem que demonstrar gostar das mulheres apesar de serem todas vadias, senão corre o risco de acharem que é gay.

Edson disse...

Olha gente, eu sou homem gay e negro.
E se existe machismo/misoginia entre gays homens é porque a nossa sociedade ensina todo esse preconceito.
O que é chato é a alienação, as pessoas não querem abandonar seus prencoceitos.
O termo "racha" eu achava engraçado (embora eu não usasse pq sou solitário e nem tinha como ficar utilizando-o) e não percebia que ele é ofensivo e acredito que muitos homens gays pensam assim tbm. Quando alguém reclama que não se deve usar tal termo pq é pejorativo como "racha" aí já acham que estão querendo acabar com o humor (Pq o humor é mais importante que respeito, né [ironic]).
Por isso clamo/desejo a cada dia menos alienação e mais respeito e empatia.

Rebecca Souza disse...

Boa noite
infelizmente é uma verdade,as vezes minorias conseguem ser mais preconceituosas contra aqueles que deveriamos combater.
Não participo do movimento lgbt,atualmente,mas,já tentei e olha era terrrivel a cobraça e preconceito que havia.Primeiro,por ser bisexual já começa toda aquelas piadinhas(vc é lesbica só tem medo de assumir,não fico com vc pq vai me trair com um homen,isso não é nada bi é fogo na buceta pra ta fazendo isso).A cobrança dos gays para que vc aja como uma `´mulher´´(salto alto,maquiagem,etc)tambem é forte.
infelizmente o que ocorre é que antes de se assumir ,essas pessoas foram criadas em uma sociedade machista e enfim,não irão mudar seus conceitos de uma hora pra outra.
Mudando um pouco de assunto,estasemana fiquei espantada a quantas anda a mentalidade de nossos jovens,sou monitora em uma faculdade publica,e conversava com meus alunos,outro professor e eu sobre religião,pasmen,memo os não evangelicos,apontaram como um ``homen muito sábio`´o pastor silas Malafaia,quando tentei argumentar todos os processos preconceituosos que este homem representa ,alguns questionaram``ah,professora,mas,ele ta certo,me amostra aonde tá na biblia que deus gosta de gay?`´são jovens de 19,20,21 anos,pense como estaremos daqui a algum tempo se for este o pensamento de odio que temos no Brasil?Nâo é a primeira vez,já vi meninas da minha sala defenderem a banda ``new hits``pq ``menina direita não iria entrar no onibus da banda`´ e no caso do leilão chamarem a menina de todos aqueles ``nomes lindos ``que já conhecemos.Temos que acordar e muito para o que estamos criando em nosso país

ViniciusMendes disse...

@ Anônimo das 19:33

Se você quiser eu faço uma compilação de comentários homofóbicos vindos de feministas aqui mesmo no blog... Não preciso nem ir pra outro post, esse mesmo tem vários.

Que fique claro, eu não acho que o feminismo seja por natureza homofóbico (ou que o meio lgbt seja por natureza misógino, até pq, isso seria ignorar as lésbicas). Mas eu acho que se houve movimentação pra apontar o dedo pra falha do outro movimento para com o seu, é igualmente válido fazer o caminho inverso e reavaliar muitos termos, comentários e posições machistas e homofóbicos que as vezes brotam entre feministas. Até como forma de da abertura pra algumas pessoas porem a mão na consciência.

Flavio Moreira disse...

Alguém comentou aqui, num raciocínio que me pareceu muito simplista, que gays são misóginos porque têm inveja da mulher porque ela consegue se aproximar de homens héteros e que é isso que eles querem.
Nessa visão reducionista, gays só pensam em transar com héteros, é isso mesmo?
Como se não houvesse mais nada de importante na vida de um gay a não ser trepar, e só com héteros que, por definição, não trepariam com eles.
OK, vamos refletir sobre o seguinte: a pulsão por trás de sua orientação sexual é a ÚNICA coisa que te define como pessoa? Acho que não, afinal, não se vive para sexo 24 horas por dia - há que se trabalhar, estudar, conviver em família e em sociedade e para cada uma dessas situações você exerce um papel social em que sexo não é o impulso primordial. Então, antes de reduzir as coisas a esses termos, pense no que torna um ser humano completo. Só a sua identidade e seu desejo sexuais é muito pouco.
Em relação ao uso de "racha", concordo que depende do contexto em que é usada, mas todas as vezes que ouvi isso de um gay havia uma carga negativa enorme na intenção. Sei que gays, principalmente afeminados, usam se chamar de "bicha" ou "bichinha" mas me parece uma espécie de 'código interno' - se alguém fora desse meio usa, a chance de isso ter caráter ofensivo é muito grande.
Voltando para o tema do post, é preciso haver tomada de consciência em relação aos preconceitos que nutrimos em relação a diversas minorias. Reconhecer os próprios preconceitos já é um passo para sua eliminação.
O condicionamento é muito forte, tão forte que aceitamos muitos discursos machistas e preconceituosos como se fossem 'naturais'. É como o caso da pessoa que citou os amigos gays, que sabiam que sua atitude era machista, mas que não abriam mão dele porque "a sociedade é assim". Se não conseguirmos refletir criticamente sobre a sociedade e sobre nosso papel dentro dela, vai ser mesmo muito difícil vencer o preconceito, a misoginia, a homofobia, a segregação racial e de posição social.
É necessário que haja um esforço de compreensão e respeito em relação a esses comportamentos cristalizados.
Para mim é clara a noção de que o movimento feminista, nas suas diversas manifestações, representa uma luta mais abrangente porque visa recuperar a dignidade da pessoa - se uma sociedade consegue respeitar e valorizar os direitos da mulher, essa mesma sociedade é capaz de compreender, respeitar e valorizar os direitos de LGBTTs, negros, pobres, etc.
Enfim, a luta é árdua e o diálogo, mais do que nunca, necessário.

Anônimo disse...

"Se mulher não tivesse BUCETA eu nem cumprimentava" frase de um hetero babaca.

"vcs viram aquela RACHA? coragem hein,usar biquine gorda desse jeito" frase de um gay babaca

Queria saber onde tá a diferença...´podem argumentar o que quiser,vou continuar achando esse termo "racha" extremamente ofensivo/reducionista e não tem contexto que me convença do contrário.


Cética

ViniciusMendes disse...

Racha só é ofensivo se a pessoa falou querendo ofender e se quem ouviu se ofendeu de fato... Como qualquer outro termo na verdade... Comunicação é contexto...

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Antes que xinguem/Critiquem a Lola por qualquer coisa percebam que ela fez um post sobre misoginia entre gays e não especificamente sobre misoginia no movimento LGBT!

Carolina Lucas Paiva disse...

Eu não acho que o Gabriel tenha sido agressivo no seu primeiro comentário, como vi alguém comentar aqui.

Nós sabemos o quanto é exaustivo e irritante ficar explicando sempre as mesmas coisas sobre o feminismo para os preconceituosos. O mesmo ocorre com qualquer movimento.

Se a gente fala de um movimento do qual não fazemos parte (ou, se fizermos, não na linha de frente), a chance de falar alguma abobrinha aumenta. Receber uma resposta mais ríspida de um ativista deste movimento é normal. Nós fazemos isso o tempo todo também.

Todos temos preconceitos. Somos falhos e incoerentes. Quando se faz parte de um movimento, é preciso ser um pouco mais coerente, mas os preconceitos não somem num passe de mágica.
Eu sou preconceituosa todos os dias.

O que devemos fazer em relação aos nossos próprios preconceitos? Assumir que os temos e nos policiar sempre (e procurar não surtar se alguém disser que a gente teve uma atitude preconceituosa).

Anônimo disse...

Poxa, Lola, esse post causa realmente um choque em quem não tem noção da proporção do preconceito em geral. Eu leio seu blog há cerca de um ano e me interessei muito pelo feminismo, mas depois de ler isso eu fiquei com vontade de parar. Porque afinal, não estarei lutando com a sociedade machista apenas. Estarei lutando com a sociedade inteira. E é isso? Vamos lutar sozinhos, cada um pela sua causa? Eu não sei, pra mim fica óbvio que as chances de fracasso são muito grandes, embora o movimento gay tenha alguma visibilidade. Eu tenho um tio que é gay e soube desde criança e nunca me importei com isso, cresci achando tranquilo. Aí que um dia fui visitá-lo, ele me acolhe muito bem e levei minha chapinha [sim, ainda não consegui largar a chapinha ]. Eis que ele me pergunta: "Chapinha? Mas isso não é coisa de preto?" Fiquei lá poker face sem saber o que responder a ele. Enfim, eu sabia que esse preconceito existia mas agora acho que é mais forte do que parece. Será que vamos acabar com o "Se não pode com seu inimigo, junte-se a ele?"

Rodrigo Weimer disse...

Sim, existem muitos gays machistas. É inconcebível, mas existem.
Sim, existem muitas mulheres homofóbicas. É inconcebível, mas existem. E muitas.

Rodrigo Weimer disse...

Teve um ali que disse que os gays se aproximam das mulheres pra catar seus homens. Rá. Eu ri.

Rodrigo Weimer disse...

Dia desses fui numa lanchonete com uma amiga e uma conhecida dela ficou fazendo comentários agressivos sobre a "viadagem". Fiquei puto e fui embora com meu amigo, também gay.
Nem por isso eu deixei de me sensibilizar com a causa feminista ou de reagir contra atitudes machistas. No entanto, li aqui um comentário de alguém que passou a "não dar bola" a comentários homofóbicos. Pô, aí não dá.
Uma coisa é o movimento, outra é o comportamento do grupo de pessoas que esse movimento pretende representar. O movimento LGBT tem, sim, os seus problemas. Mas não se pode condená-lo exclusivamente por causa dos comentários infelizes de uma ou outra, ou muitas bichas.
Assim como não critico ou condeno o movimento feminista por causa da "viadagem" da conhecida da minha amiga, ou muitas como ela.

Sphynx disse...

Pelo que parece, a questão da empatia é mesmo bastante multidimensional. Só como exemplo, conheço por aí pelo mundo virtual um gay que odeia acima de tudo os homofóbicos, e pra ele qualquer coisa que se fale dos gays é uma homofobia imperdoável. Mas pra ele as piadas do Danilo Gentili comparando negros com macacos não são racistas, o racismo é só imaginação de quem tem mania de perseguição. Também já vi vice-versa, negros que abominam o racismo como a pior criação de Satã, mas não vêem o menor problema em manifestações homofóbicas.

E o machismo talvez seja pior ainda, possivelmente é o que mais transcende orientação sexual, etnia e até mesmo gênero. Pelo menos um dia me veio a impressão de que é um tanto mais difícil encontrar um gay homofóbico ou um negro racista do que uma mulher machista, embora as três coisas, muito estranhamente, existam, como todos sabemos.

Houve um tempo em que eu mesmo, na minha ignorância, me perguntava: "Mas que coisa, tudo bem um homem gostar de outro, mas por que tem que se comportar como mulher também?" E eu que me achava livre de preconceitos sexuais, nem me dando conta de que esse também era um. E um bem forte. Ainda por cima uma forma particular de machismo.

Eventualmente me dei conta de que os gays mais femininos sofrem um preconceito interno dentro do próprio grupo, e não sei se consigo imaginar como deve ser isso, mas parei pra pensar no assunto.

Se até dentro do mesmo grupo acontece esse tipo de discriminação, é pouco provável que a empatia vá se estender a outros grupos discriminados só pelo fato de serem também.

Lívia Pinheiro disse...

Então tá, Vinícius. Se a sua fórmula mágica para determinar o que é ofensa implica necessariamente os fatores "querer ofender" e "se sentir ofendido", então não foi mesmo ofensivo o Gentilli chamar não sei quem indiretamente de macaco porque ele não quis ofender, já que era só uma piada, né?

Eu até concordo que é possível chamar os outros de sapatão, baitola, racha, toba (como brilhantemente sugerido por alguém aqui), macaco, aleijado, etc., sem ofender, desde que dentro de um contexto muitíssimo propício no qual se tem certeza que quem é assim chamado entende como brincadeira (eu mesma faço isso com minhas amigas lésbicas). Mas o único fator que é capaz de transformar uma palavra dessas em não ofensiva é, além do contexto, o estado de espírito de quem é chamado disso, nunca o de quem chamou. Ou até pode ser, mas na cabeça de quem acha que "era uma piada" resolve tudo.

Sphynx disse...

E falei tanto mas esqueci do assunto principal.

Acho que se perguntar por que existe misoginia entre os gays é o mesmo que perguntar por que existe misoginia em geral, em qualquer parte. E talvez a resposta acabe sendo a mesma, seja qual for.

Mas o meu palpite de leigo é que os gays misóginos tenham, quando ainda incertos da própria sexualidade, tentado se relacionar com mulher e acabou sendo um desastre. A história de todo misógino tem essa sinopse, não?

Fora aqueles que são cercados de machismo e/ou não se aceitam muito bem como gays, e acham que se tornam "menos gays" ou "mais homens" perante a sociedade se manifestarem desprezo por tudo que é feminino.

(E uma obs.: Se eu fosse mulher, acharia o termo "racha" extremamente ofensivo em qualquer contexto. Como não seria pejorativo reduzir a pessoa a uma parte dela - ainda mais uma parte que eles não gostam? Pra mim, usar essa expressão dá na mesma que se referir às mulheres como "aquelas nojentas" ou coisa equivalente. É como soa.)

Anônimo disse...

Brilhante Lívia(engraçado que os dois ou três que defenderam o uso da palavra são homens, e as duas ou três que se manifestaram,dizendo não curtir são mulheres,mas né....eles devem saber mais do que a gente)e adotarei o TOBA pra vida(pq não sou madre teresa e devolvo na mesma moeda)obviamente,dependendo do contexto,afinal,comunicação é isso...


Cética

Julia Faria Codas disse...

O ser humano é um bicho muito estranho e funciona de formas mais estranhas ainda.
Tinha uma época que eu ia muito em baladas gays, são festas muitos divertidas, mas infelizmente era o lugar onde eu ouvia mais comentários machistas. Muitos gays cultivam um certo nojo por mulheres, apesar de gostarem e se identificarem com o universo feminino, não significa que eles se identifiquem com outras mulheres. Então, muitos deles fazem discursos de puro ódio sobre mulheres, muitos não tem nenhum pudor em nos chamar de "vadias" e de todos os outros nomes que homens héteros machistas também nos chamam.
Eu também já vi gays fazendo comentários homofóbicos (assim como mulheres também podem ser machistas), conheço um garoto que apesar de ser gay, muitas vezes ele faz comentários homofóbicos sobre gays que "manifestam sua sexualidade de uma forma ruim/exagerada". E que gays são esses? São os que tem características femininas muito exacerbadas.
Nessas horas a gente vê como a luta contra o machismo é uma das mais complicadas e complexas..

Augusto disse...

Acho que nós temos de saber muito bem separar gays de ativistas gays.

Augusto disse...

"Acho que se perguntar por que existe misoginia entre os gays é o mesmo que perguntar por que existe misoginia em geral, em qualquer parte. E talvez a resposta acabe sendo a mesma, seja qual for."

Concordo. Os gays ainda não tiveram acesso a ideais feministas assim como muitas mulheres heterossexuais machistas e assim como muitos homens heterossexuais.

Augusto disse...

Entenderam? O machismo está na sociedade inteira. A mesma coisa que acontece com homossexuais, acontece com negros.

Negros são pessoas que sofrem descriminação pela cor e que não deveriam recriminar outras pessoas por não estarem dentro de padrão de beleza, porém alguns recriminam, alguns recriminam gordos, gays etc.

Por geralmente negros serem mais pobres e menos escolarizados, acabam levando mais preconceito.

Minha família de muitas mulheres é mais machista que muitas famílias aí. E são de mulheres.
Há gays homofóbicos, machistas, racistas... Mulheres homofóbicas, machistas e racistas. Negros homofóbicos, racistas e machistas. Todas são pessoas contraditórias que não percebem o quanto o preconceito atinge-as.

Anônimo disse...

Homens gays também são homens...

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Já tive amigos gays, amigas lésbicas e pelo menos a minha experiência pessoal foi a das lésbicas sendo menos preconceituosas e machistas que os gays.
Inclusive interrompi duas amizades com gays por serem extremamente críticos e debochados em relação à mulheres. Críticas destrutivas que você não deveria ouvir de alguém que se diz seu amigo.
Experiência pessoal, claro, não dá pra generalizar. Mas como a própria Lola disse, todos nós estamos sujeitos a sermos influenciados e a ajudar a perpetuar certos preconceitos, ainda que eles nos atinjam e se há muitas pessoas dizendo o mesmo em relação a isso, então algum problema geral talvez exista.

Anônimo disse...

Lívia, deixa de frescura.Se o critério for 'se sentir ofendido' qualquer um vai poder se sentir ofendido por tudo.Só vai precisar de um pretexto.
Inclusive é exatamente isso que ta acontecendo nos EUA, QUALQUER COISA que alguém fale do Obama, sempre tem um gênio pra chamar de racismo.
A Sarah Palin foi reclamar do Obama usando uma expressão comum nos anos setenta pra TODO MUNDO, e a mídia foi falar que ela tava usando gírias racistas.

Laranja Gaúcha disse...

Aposto que o fórum do orkut era da comunidade EPER- Eles perguntam, eles respondem (risos).

Laranja Gaúcha disse...

Lembrando que o sonho de muitos oprimidos é tornarem-se opressores.

Anônimo disse...

Nossa, caindo a fichinha dos ativistas agora, de que ninguém tem o monopólio da santidade...

Mais um passo, abram os olhos: cada um dos grupos adoraria que toda a sociedade pensasse como eles. Isso é totalitarismo.

Por último, deem-se conta de que cada um dos vossos grupos é massa de manobra. O apoio político que estão recebendo hoje, elegendo deputados, vereadores, etc. é só uma etapa de um projeto do qual vocês não fazem parte. Quando a vossa utilidade terminar, serão descartados como fraldas cagadas.

Anônimo disse...

Não era forum de putaria não,era um forum sério,com bastante gente atuante "Homofobia já era" hoje em dia orkut tá morto mesmo,mas, à época,não era assim.

Cética

Anônimo disse...

Acho que a questão não é dizer quem é mais machista, menos machista e sim, que o machismo está em todos os grupos e devemos lutar contra ele em todos esses grupos.

Anônimo disse...

Nunca vi tanta gente paranoica como na HJE - Homofobia Já Era. Tudo para aquele povo era homofobia.

Brian disse...

O que você esperava de homens que gosta de homens??? esses atos acabam sendo inconscientemente mostrado através deles... eu, por exemplo, não gosto de mulher por uma questão de afinidade, mas nunca deixei de respeitar..

Al disse...

Bom, mulher héreto gosta de homem, gay gostam de homem também, então é natural que se vejam como concorrentes não?

Anônimo disse...

'Já fui pular carnaval no rio na farme com meus amigos gays e ouvi gritos de "ECA, XERECA". Ok, eu ri. Mas cá entre nós, misoginia pura, né?
Sofia'

Engraçado, se fosse um hetero falando metade disso o povinho desse blog tava falando que é pq ele é um gay enrustido...
vai ver esses aí são heteros enrustidos então...

Anônimo disse...

Se um hetero disser "eca, viado", daí é homofobia.

Agora, "eca, xereca" tá ok, rs

ps.: sou homem gay

Anônimo disse...

"Bom, mulher héreto gosta de homem, gay gostam de homem também, então é natural que se vejam como concorrentes não?"

Não tem lógica nenhuma quem fala isso, ou se tem gay que pensa assim.

Mulher hetero se relaciona com homem hetero, homem gay se relaciona com homem gay. São dois grupos diferentes.

ViniciusMendes disse...

@Lívia Pinheiro

Eu tô um pouco irritado pq a mãe natureza tá me cozinhando no meu próprio suor, então se eu for meio ríspido, já me desculpo agora.

Como você pode ver pela minha resposta, "ofensa" é quando quem falou queria ofender E (AND/ET/Y/+) quem ouviu se sentiu ofendido. Eu não dei duas possibilidades, eu dei uma relação de dependência.

Se você fizer o comentário mais escroto do mundo pra alguém e essa pessoa não se ofender (por não se importar, por ser tonta demais pra perceber, por qualquer motivo que seja), não foi uma ofensa, pelo simples motivo que a mensagem não foi percebida dessa forma... Do mesmo jeito, tem um monte de gente nesses comentários falando "os gays isso, os gays aquilo" e provavelmente são ignorantes demais pra saber o quanto estão sendo ofensivas, e acham que estão só fazendo um comentário neutro.

Eu trato as pessoas com quem tenho intimidade da forma que o ambiente e a liberdade que a pessoa me deu permitem, não por acaso, dependendo do senso de humor do dia, voam "bixa" e "preto" por exemplo pra todo lado e ninguém se sente ofendido pq entende bem que dentro do contexto DESSE circulo de amigos, o humor não vem de diminuir e excluir o outro, mas do ridículo que é usar esses termos de forma pejorativa... Do mesmo jeito que VOCÊ disse que faz com suas amigas lésbicas. Agora, adivinha só, tem gente que NÃO se ofende ao ser chamada de "racha" por um amigo! Assustador, não é? Parece que seres humanos diferentes entendem palavras de formas diferentes. =)

Essa situação permite que as piadas do Gentilli sejam apenas piadas? Não! Afinal de contas, eu reajo de um jeito se um amigo próximo, não homofóbico, que me permite conviver com o filho dele a ponto de eu ser padrinho da criança me chama de viado em um ambiente fechado. Outra coisa é um completo estranho fazer isso pra milhões de pessoas que podem sentir seus preconceitos sendo validados a partir disso.

Shey disse...

Curioso que eu disse que, dependendo do contexto, EU não me ofendo com o termo "racha" (depende muito de que diz...), e sou mulher. Mas isso foi convenientemente ignorado...

Leio Lola Leio disse...

É muito, muito difícil mesmo não ser preconceituoso. Por mais que role uma auto vigilância constante, o preconceito se manifesta quase como um ato falho no cotidiano.
Escuta, já disse em outro comentário como já senti na pele preconceito por ser branca e pobre e tentar "militar" em movimento por cota para afrodescendentes (ainda que seja filha de mulher negra e pobre e eu faça faculdade pública, ou seja, não estava lá "tentando roubar o osso" de ninguém).
Teve uma época que participava das reuniões de formação política do tal grupo organizado de militância de "pobres brancos ou negros" e ia com a minha prima, cujo fenótipo evidencia muito mais a origem afro dela, que também é minha origem, mas meu fenótipo é majoritariamente branco.
Até decidi deixar de pensar em cor, em raça, enfm. Se me perguntam que cor me considero, não titubeio ao dizer o tal do pardo, ou mesmo negra, para a surpresa do entrevistador. Mas, enfim, só queria dizer com isso tudo que é difícil não ser preconceituosx, sendo pretx, pobre ou não sendo nada disso. De repente, a gente se escuta dizendo uma atrocidade machista, misógina, ou discriminatória e pejorativa em algum outro aspecto.
Vale o debate, o estudo das causas, da exclusão social, enfim, vale uma eterna vigilância pra gente minar, reduzir a discriminação, o comportamento misantropo, em certo medida, que insistimos em manifestar, para transformamos certas atitudes e palavras em algo mais agregador.
Acho que toda a minha fala precisa ser lida e entendida na terceira pessoa do plural. rs

Leio Lola Leio disse...

Desculpa, Lola, dupliquei meu comentário sem querer, porque assinei com o pseudônimo errado! ;)

Anônimo disse...

Se feminsitas e GLBT nao ficarem unidos nos tempos sombrios que temos a frente, não vamos chegar a lugar nenhum. Confesso que detesto ser chamada de "racha", da mesma forma que um amigo gay me disse que odeia ser chamado de "viado" por ami@s intim@s. Entendo o ponto de vista dele. E detesto qnd gays fazem comentários sobre a minha aparência (já acontecu muito). Acho que depois desse post vou mudar minha postura, e se um homossexual dizer algo que considero misogino, vou tentar iniciar a discussão sobre misoginia e tal...acho que conversando vamos para frente, comparando as semelhanças e diferenças entre as mobilizações feministas e GLBT a gente chega em algum lugar e talz..agora ficarmos nos acusando enquanto o "sistema" se mantém é que não

Anônimo disse...

Olá, nunca comentei aqui, apesar de sempre ler o blog =)

Decidi comentar, pois convivo com muitos gays e, de fato, alguns deles são extremamente misóginos.

Se formos fazer uma comparação por cima, o homem hetero é machista e tal, por vezes, nojento etc., porém, o homem gay é o quintuplo. São cruéis demais. Adoram mandar indiretas maldosas e logo em seguida dizem "mas eu te amo, tá?".
Depreciam muito as mulheres.
Peso é o principal aspecto que eles pegam no pés das "amigas" mulheres. Chamam de gorda sem dó nem piedade.
Já vi gay proferindo coisas terríveis para mulheres que eles diziam ser suas melhores amigas.

Outra coisa que não canso de ouvir é travesti e transexual encher a boca pra falar que são melhores que quaisquer outras mulheres, que os homens preferem elas etc. e tal. Sempre depreciando o corpo das mulheres. Sempre deixando claro que a esposa é um lixo e que por isso os homens as procuram.

Quanto às lésbicas, nunca vi agirem dessa forma.

milene disse...

Não aguentei, tenho que concordar em gênero, numero e grau qto a misoginia gay, estou numa escola médica onde há especialidades que contemplam muitos homens gays.Há pouco tempo uma médica que veio do nordeste foi desdenhada por que usava um jaleco de laise, esse cara era um preceptor gay, que usa meia compradas na Marisa, mas fala que foi até Nova Iorque. Tive muitos embates com essa criatura, e hoje qdo me vê atravessa a rua, finge que não me viu...Outra historia é um amigo de meu marido do trabalho grande amigo das mulheres naquele ambiente, porém vive a criticar aquela que não anda na linha e em contrapartida ama mulheres mais velhas “barangas” essas sim são suas melhores amigas., afinal não são concorrentes. Desculpe a franqueza, o universo de cada um é reduzido e jamais representará a maioria que é o que acontece. Também não levanto bandeira para gay masculino, de jeito maneira, conheço alguns até gente boa. Cuido o tempo todo do universo feminino, sempre sofredor, escandalizado em propagandas como o maldito Harpic, não compro jamais para usar na minha casa. Então construo argumentos estruturais, um exemplo é a moça que vendeu a virgindade. O pai qdo soube da “causa” da moça disse tudo bem, mas e a rede que ela se envolveu? Veja ela tem 20 anos. Tá a grana vai ser dela, afinal as mulheres são rifadas há milênios e nunca levaram nada. Já que todo mundo perde tempo com uma coisa tão óbvia que pareceria girar em torno da "virgindade", mas que na VERDADE é o maldito capitalismo, sempre nas mãos masculinas e podem pagar bilhões por aquilo que desejarem.

Lívia Pinheiro disse...

Eu não entendo internetês direito, quando a gente quer responder a alguém específico coloca @ na frente do nome, é isso? Se for,

@Vinicius
Eu discordo justamente porque entendi desde o começo que a sua fórmula é do tipo E e não OU. Acho que ela categoriza bem apenas um tipo de ofensa - a feita com intenção de ofender e que consegue o que queria. Mas como quase tudo na vida, existem várias nuances dentro de uma intenção e da recepção desta intenção. E acho muito estranho que vc não veja que a sua fórmula perdoa sim a desculpa do "era só uma piada", já que piadas são feitas para rir, não para ofender, e "se vc se sentiu ofendido é só um efeito colateral derivado de frescura, já que o humor existe para fazer rir".

Ofensas, quando públicas, não são compostas apenas de emissor e sujeito ao qual é direcionado; envolvem também quem viu/ouviu, e no caso de ser uma ofensa que pode ser interpretada mais amplamente, como é o caso de ofensas machistas, homofóbicas, racistas, etc., não interessa se o receptor direto da ofensa não se sentiu ofendido, qualquer um pode se sentir ofendido, nem precisa ser, respectivamente, mulher, LGBT, minoria "racial", etc. É este o motor da indignação popular contra energúmenos como Rafinha Bostas.

Sobre ofensas pessoais que não são recebidas como ofensas, eu as vejo mais como ofensas mal sucedidas do que não-ofensas at all. Afinal, a intenção, que é o que inicia todo o processo, está ali. Sorte do receptor se adquiriu a capacidade de não se estressar com a estupidez alheia. É o meu caso com "sapatão" com quem quer que me chame disso (se me chamarem assim com intenção de ofender a minha reação mais provável é rir alto e falar "adoooooro!"), mas por algum motivo que ainda não entendo bem, não é meu caso com "racha". Talvez porque eu sinta que na MINHA vida a misoginia e o machismo sempre foram muito mais problema que a homofobia. Mas isso não me impede de entender que OK uma outra mulher não se importar com o mesmo em relação a "racha". Só não acho que ninguém tem o direito de exigir o mesmo de quem quer que seja.

O caso de ofensas que quem emite nem sabe que são ofensas é mais complexo. Já vi zilhões de vezes essa desculpa com coisas das mais absurdas. Coisas que eu acho inacreditável que alguém, por mais ignorante que seja, não consiga entender que é ofensivo. Mas com coisas menos absurdas pode até ser mesmo falta de noção (aliás, o privilégio é mestre em fazer aparecer essa falta de noção). Mas aí a solução não é fingir que não é ofensa, é explicar, de preferência sem perder as estribeiras (reconhecendo que isso muitas vezes não é possível...), o porque daquilo ser ofensivo. Aí vai do indivíduo taxar aquilo de frescura ou pensar sobre.

@Anônimo que me dirigiu a palavra
Sua colocação é interessante e eu gostaria de discuti-la, mas só se vc parar de frescura e mostrar a cara ;)

milene disse...

A Livia toca num ponto muito sutil, os ofendidos a volta. As vezes as pessoas figem, como não é com elas. Fato nao conseguimos ser sem o outro. As "frescuras" que a maioria prefere assim chamar ainda denominando quem tem postura de nervosinha, revoltada é matar o pobre do Leão que nada tem a ver com nada, por dia. Percebo que a misognia e o homofobismo são muito mais acirrados, venenosos e ofensivos. Poderia pensar numa mudança semantica, mas trata-se da maldade aperfeiçoada. Acredito que ser politico e ter posicionamento, outra confusão semantica que endossa a ignorância e a "politica da boa convivencia". Creio que precisamos saber de onde falamos sempre, sou mulher e sei o meu lugar no mundo por escolha e tambem onde tentam me mandar ficar.

ViniciusMendes disse...

@Lívia Pinheiro

A única coisa que eu fiz foi não especificar um contexto... Algo que você mesma acabou fazendo por mim ao me atacar (pq pra mim, dizer que apoioa ou gosta das piadas ruins do Gentili é ofensa :P).

Quando alguém diz, por qualquer motivo que seja, que não se sente ofendida sendo chamada de racha (e isso aconteceu aqui nos comentários), não é você, nem eu, nem ninguém que tem o direito de forçar essa pessoa a ser convencida que ela deveria se ofender, ainda mais por não ser um termo com toda uma carga histórica de repressão (como vadia, por exemplo). Tem gente que me ofende se me chamar de bicha, tem gente que não. Tem gente que não se ofende nunca se for chamada de bicha, tem gente que se ofende sempre... Quem tem intimidade com a pessoa sabe se pode ou não (ou pelo menos deveria) chamar ela de determinada forma pra fazer piada, e se quer brincar assim sem ofender ninguém, tem que saber a hora e o lugar.

Outra coisa diferente, é isso ser feito em publico... Tanto pela televisão como em voz alta num local onde se encontra mais gente. Se alguém que tem intimidade comigo faz determinadas brincadeiras em determinados ambientes leva catracada depois, e eu sei que acontece a mesma coisa comigo, mesmo que essas brincadeiras sejam permitidas no particular. O contexto desses humoristas ruins é diferente pq eles ignoram que nem todo mundo vai entender aquilo como piada... Muita gente vai se ofender, muita gente vai sentir seu preconceito sendo validado, e isso vai inevitavelmente ajudar na repressão das minorias... E venhamos e convenhamos, geralmente quando essas merdas acontecem, a escolha do termo consegue ser a parte menos ofensiva da piada ~~'

e @ em inglês se lê "at", que significa "para"... então seria uma forma curta de escrever "para Lívia".

Anônimo disse...

Só para ser uma ideia da cabeça da homem gay, olha o que eles pensam e sugerem às mulheres:

http://vestiario.org/editorial/por-favor-nao-se-torne-um-mal-comido/

Achei o texto uma aberração.
Ideias pré concebidas das mulheres.

Anônimo disse...

Não entendi pq o anônimo acima achou o texto uma aberração. Achei o conselho super válido. Realmente, se as mulheres não praticam masturbação, elas falam muito pouco. As mulheres com quem já tentei falar sobre isso fugiram do assunto.

ViniciusMendes disse...

É gente, os homens gays são uma grande massa disforme e purpurinada que pensam exatamente a mesma coisa sobre todos os assuntos... ~~'

Anônimo disse...

homens gays são venenosos e malvados, ui, que medo!

as mulheres são seres superiores! essas sim, são dinas de militância!

Natasha Avital disse...

É engraçado ver gente usando a desculpa do "somos oprimidos, então ninguém pode jamais apontar nenhum comportamento problemático dentro da nossa comunidade, jamais, ever". Aqui não vai colar. Homens gays, militantes ou não, encarem as formas pelas quais vcs perpetuam misoginia, homofobia, transfobia, bifobia, etc. O fato de vcs serem minoria não os exime de serem seres humanos decentes.

Anônimo disse...

Entrei nesse link aí e fiquei chocado com esse homem dizendo como uma mulher deve se comportar com o próprio corpo.
Sem falar na abordagem ultrapassada do assunto.
Homem gay que não entende NADA de mulher.
Fiquei chocado mais ainda com gente que achou o texto bom ou normal. Haja machismo nesse mundo!

Andressa Resende disse...

Aiii esse post realmente rendeu comentarios .... tipo lola esse era um tema que tava precisando ser tratado aqui no blog ,tipo eu tenho varios amigos que são gays e até pouco tempo atrás eu tambem vivianessa bolha cor de rosa de que minorias não atacam minorias não tem preconceito e todo mundo é feliz , mais infelizmente já tive a infelicidade de ver o regente do meu coral gay assumido falando que quando ele estava na escola e era presidente de classe ele não deixava as meninas irem de saia ou e quando estavamos num carro indo pra um restaurante com outro coralista que era hetero esse outro coralista viu uma menina bonita comentou e ele buzinou pra ''ajudar'' o menino eu comentei falei pra ele falei sobre a marcha das vadias e ele disse que a gente tá certa que tem que viver a nossa sexualidade do jeito que a gente quiser e o corpo é nosso e ngm pode nos culpar pelo nosso estrupo mais disse que buzinar pra menina na rua num é assedio e que ela queria pq ela se vestiu assim e que não é machismo pq se ele ve um menino bonito sem camisa ele tb buzina mais se alquem buzinar pra ele ele vai xingar a pessoa ! Foi aí que eu vi que a nossa cultura machista é algo tão mais tão internizado que ás vezes a pessoa demora á perceber ligar uma coisa com a outra sabe ? tipo teve muita gente aqui nos comentarios dizendo que o movimento feminista e o LGBT tinham q andar mais separados e tal eu não concordo eu acho que os movimentos precissam se unir pra combater todos os preconceitos que os atigem pois se a misoginia afeta ás mulheres tambem afeta os homens (sejam eles gay ou não ) é aquela desvalorização do afeminado/passivo e etc sabe? tenho a impressão que é algo tão internizado que eles nem se dão conta assim como aquelas meninas que praticam o slutshaming. Mais em contra partida entre a parcela da população gay esclarecida não noto isso ás vezes alguem comete um deslize mais quando percebe corrige pede desculpa e tal. Outra coisa que eu tenho notado tambem é a transfobia tanto no movimento LGBTTT como em algumas feministas (numa minoria felizmente ) sabe aquela coisa de invalidar o genero que a pessoa se define chamar de ele/ela ou escrever coisas do tipo ele? ela? tipo tinham uma foto num face (num grupo LGBTTT) postou uma foto de um cartaz do banheiro do STF que dizia Banheiro Feminino APENAS MULHERES COM OS CROMOSSONOS XX Quer exemplo mais claro de transfobia ? mais aí os gays de lá começaram coisas do tipo 'já pensou se um cara hetero se disfarça de mulher pra ir no banheiro estrupar as meninas''se tem penis tem que ir no masculino é biologico não tem nada de social' 'discordo se for operada num precissa ter os cromossonos xx'' e era tamta coisa que eu fiquei abismada. Mais OBVIO que não podemos usar isso pra atacar a causa GLBTTT temos que nos unir e não tem nada que me doi mais na alma do que ver minorias atacando outras minorias, Por e temos que lutar juntos para combater preconceitos pq eles não são boms pra ninquem

ViniciusMendes disse...

@ Natasha Avital
Aceite que o meio LGBT ter gente preconceituosa (e tem) não dá liberdade pra mulheres "feministas" fazerem comentários homofóbicos enquanto espalham as mesmíssimas coisas das quais vc ta reclamando.

Raroun disse...

Lola,

Achei interessantíssima a abordagem do tema, nunca tinha olhado por esse prisma, e de fato a misoginia no meio gay deve ser combatida o mais rápido possível.
Estou divulgando o texto no máximo de grupos gays possíveis, para mudar a realidade da misógina nesse meio. E aproveitar e dizer: MENINAS, NÃO DESISTAM DE NÓS! (:
Acredito de verdade que muitos gays nunca perceberam que a misoginia existe de fato, e é muito menos branda do que se imagina! Mas com certeza muitos vão entender e mudar o pensamento! (:

Raphael Lafaierty disse...

Olá, Lola!
Meu nome é Raphael, tenho 16 anos, me assumi homossexual aos 14. Meus pais sempre apoiaram na minha decisão. Eles sempre me trataram com carinho e amor. Já namorei com outros homens e hoje sigo solteiro. Vendo este post, me senti obrigado a desabafar.

Bom, eu na realidade sofri discriminação antes mesmo de me assumir homossexual; desde criança, por parte dos meus dois irmãos mais velhos, que são heterossexuais. Eles sempre falavam "ah, esse tem jeito de ser viado" ou então "esse não é meu irmão, não, olha o jeito de baitola que ele tem". Hoje eles (meus irmãos), me faltam com respeito e vire&meche soltam alguma piadinha tosca. Ainda moro com meus pais e com esses meus dois irmãos mais velhos. Nunca entendi o porquê de eles serem tão preconceituosos, já que, meus pais nunca o ensinaram a serem assim.

Vamos ao que interessa...

Infelizmente eu tenho que concordar com o seu post. Quando entrei no mundo gay, achei que ia ser bem recebido, mas não foi bem assim.
Eles, ao que parece, dividem a comunidade LGBT em duas partes: os passivos e os ativos. Na mentalidade deles, os passivos são os que não merecem respeito, e são os que "sujam" com a "imagem" dos gays; são os "afeminados", os "poc-poc", as "mariconas" [nome dado para passivas mais velhas], etc. Inventam 1001 jeitos de discriminar. E, se você pensa que são os ativos que apenas discrimina, está enganada. São, muitas vezes, os próprios passivos. Eles param se diferenciar um dos outros pertence cada um, a uma fã-base, que são: fãs da Madonna [MadgeFãs], fãs da Lady GaGa [Little Monsters], fãs da Britney Spears [BritFãs], fãs da Beyoncé [BeyFãs] ou fãs da Rihanna [Fentys].
Sabem TUDO sobre suas divas, passam dias e noites votando em premiações, e barraqueando na internet. Eles se escondem atrás de fakes, e são bastante inteligentes por sinal. Se você não estiver dentro do padrão de beleza e arriscar entrar em um barraco de alguma fã-base com sua imagem OFF, pode ter certeza que vão fazer de tudo pra acabar com você. E essas rixas, essa separação de passivos e ativos, influenciam muito no dia a dia dos homossexuais e na vida real.

Lembrete:
. Andróginos, travestis e transexuais, assexuados, são considerados "passivos", portanto, como inferior.
. Não existem regras especificas para lésbicas, elas só precisam estar dentro do padrão de beleza.

Vrsn disse...

Oi, Lola, vou começar esse comentário reforçando alguns pontos que já foram levantados em outros comentários. Vivemos numa sociedade patriarcal, machista, cissexista e heteronormativa. Ninguém é naturalmente homofóbico, misógino etc etc. Considerando que vivemos numa sociedade como a nossa, é comum (porém não aceitável) que determinados comportamentos sejam reproduzidos porque incorporamos muitos deles durante o decorrer da vida. Ser misógino, homofóbico, transfóbico, não é característica de um grupo social. Isso se manifesta mais em uns menos em outros grupos. E não é diferente no meio LGBT.

Como eu disse, esses “valores” são assimilados enquanto nos desenvolvemos como indivíduos. Por isso eu não acho tão surreal que haja, sim, gays que reproduzem machismo, misoginia e até heteronormatividade. Assim como não acho surreal que mulheres reproduzam esses mesmos comportamentos. Assim como muitas mulheres não percebem que estão reproduzindo um discurso desses, também acho possível que isso aconteça com gays, porque esses valores estão tão intrísecos que para muitos não são perceptíveis.
Eu acho lamentável que a pessoa desista da causa LGBT porque há os misóginos, machistas, homofóbicos etc. Entendo a causa LGBT e a causa feminista como complementares, se não a mesma. Na contrapartida, há mulheres homofóbicas, mas isso não é motivo para que LGBTs abandonem o feminismo: por igualdade entre os gêneros, sem reproduções de padrões sexuais ou de gêneros como se algum fosse ideal e outros inadmissíveis.
Concordo com boa parte do texto. A misoginia – assim como homofobia e transfobia – é um assunto que precisa ser encarado pelos LGBTs. Lamento as muitas generalizações. Em certo ponto, o autor critica a reprodução de estereótipos. No entanto, o mesmo comete deslizes que, para pessoas que se julgam tão esclarecidas, parecem-me bem problemáticos. Um deles é a expressão que ele usa para se referir a grupos homossexuais como “clube do bolinha rosa-choque”. Para alguém preocupado com reproduções de estereótipos, o uso de um termo assim é bem contraprodutivo.
Num outro ponto, logo em seguida, o autor diz: “hétero não entra, mulher não entra, lésbica não entra!” e caímos em outro discurso machista, homofóbico e reprodutor de estereótipo: assim como considerar que gays não são homens ou são menos homens, considerar que lésbicas não são mulheres ou são menos mulheres também é contraproducente. Não estou dizendo que o autor pense isso, mas reproduz no discurso.
Enfim, eu acho que a crítica é válida. Apesar de discordar de alguns pontos, obviamente. Além do mais, pelos exemplos mencionados, os misóginos não me parecem militantes do movimento LGBT; mais um motivo para que não seja descontado no movimento. E de modo algum eu pretendo legitimar as ocorrências dessas atitudes, mas é preciso que se explique também que todo movimento está suscetível a membros que não tenham tanto “discernimento”, pra usar um termo do autor. Aí é preciso que se eduque, não que se segregue.

Anônimo disse...

Não sei se vocês sabem, mas estava lendo a Wikipedia inglesa esses dias e vi que a Jamaica é o país mais homofóbico do mundo. Não no sentido de teocracia como acontece em alguns países muçulmanos, mas no sentido de homofobia mesmo, generalizada.

Lívia Pinheiro disse...

@Vinicius

Atacar? A-ta-car? Jura? Essa vc vai ter que desenhar, porque não vi mesmo onde isso aconteceu. Aproveita e mostra onde eu sugeri que as mulheres DEVEM se sentir ofendidas com o que quer que seja.

Enquanto isso eu desenho pra vc a carga de opressão que "racha" tem com uma frase lindíssima que tenho certeza que vc já ouviu:

- Ele honra o que tem entre as pernas.

Ah, não tem relação direta com o termo "racha"? Tem sim. Quem não tem um bolinho de carne entre as pernas que de alguma maneira misteriosa confere honra a quem o possui, tem o quê, fora a falta de honra derivada da ausência do bolinho de carne? Tcha-ram!

Agora geral:

Desde o começo eu to falando: suspeita essa insistência toda em falar de homofobia no movimento feminista só de ter surgido um post sobre o contrário. OK, a gente sabe que tem homofobia entre feministas (embora, na minha experiência, seja menor que a misoginia dentro do movimento LGBT, tanto que me sinto infinitamente mais à vontade no meio de feministas do que no meio de gente do LGBT), mas essa prontidão toda em tratar disso tá parecendo demais:

1. um desejo de vingancinha pela merda desnuda;
2. um desejo de jogar isso pra debaixo do tapete porque "não é tão importante quanto a homofobia entre feministas";
3. uma variante de 2., no melhor estilo desviar o foco.

Pode ser que não seja mesmo nada disso, mas prontidão demais em trocar o assunto faz a minha desconfiança apitar rapidinho.

Roxy Carmichael disse...

vinicius,
eu acho você quase sempre muito sensato, mas dessa vez, vou ter que discordar de você. concordo com a lívia. acho que você inverteu os termos. pelo que entendi (me corrija se estiver errada) os micro-contextos são mais importantes, e o macro-contexto esta subjugado a esse. por exemplo, se a prima da minha vizinha não se ofende sendo chamada de puta, então o puta só será ofensivo em determinados micro-contextos, assim, o macro contexto onde esse termo é usado historicamente para oprimir mulheres é algo assim anedótico. eu penso justamente o contrário, existe um contexto macro em que termos como puta, viado e preta fedorenta (e termos correlatos, portanto, não é porque a palavra racha não existia ou nao era usada há 50 anos atrás que ela é menos ofensiva) por exemplo são expressões extremamente ofensivas, utilizadas historicamente para humilhar atribuindo um juizo de valor extremamente negativo a determinados coletivos sociais. ninguém pode ignorar isso. existem pessoas que não se ofendem? claro que existem, e esse é o dado anedótico, não o contrário. eu banco o relativismo, mas até certo ponto. e acho um pouco ingenua essa ideia de que todo muito é muito cuidadoso ao usar esses termos, testando o terreno em que será usado. se assim fosse, não haveria um post como esse, nao haveria vários comentários de meninas confessando se ofender com isso, não haveria mal entendidos. a maioria até se você quiser contabilizar, confessou desgostar do termo racha aqui. portanto, achei meio fraco esse argumento sobre a questão que define a ofensa ser a intimidade, e que um "humorista" que fala isso pra milhares de pessoas, nao conhece os destinatarios da mensagem a ponto de saber ou nao se foi ofensivo. porque a ofensa não é dada a posteriori (em nenhuma situação). é dada a priori. sabemos muito bem o que esses termos significam. o fato de vc ter intimidade pra chamar um amigo de viado, puta, crioulo, não faz com que a historia que esses termos carregam despareça. insisto, esse é o dado anedótico e nao o contrário.

Anônimo disse...

Tenho uma palavra, a Parada gay é apenas um grande carnaval, regado de drogas e testosterona. Sorry, mas é isso que virou.
Quanto ao comentário da maquiagem, acho mesmo que todas as mulheres deviam usar maquiagem e salto, sabe por que? Porque é algo de vocês que mostra tanto poder e vocês não percebem. "AS gays" morrem pra usar um salto 15, mas é foda um homem portar um salto 15.
Quanto odiar as mulheres, acho isso meio pesado, pode haver brincadeiras, uns apelam, mas acho que GAY-HOMEM (aquele de caráter) não tem isso. Na verdade, tudo isso tem relação ao caráter de cada um?

ViniciusMendes disse...

@Lívia Pinheiro
1 - Como eu disse, pra mim, falar que eu apoio o humor do Gentilli e do Bastos é ataque, ainda mais no blog da Lola, por motivos óbvios. Achei que você entenderia o tom descontraído dessa parte do comentário, parece que não. :P

2 - Nunca vi no termo "racha" juízo de valor comparativo, ainda mais de inferiorização, em relação à "bolas" (pra pegar termo mais simpático pros bolinhos de carne), até por ter visto com certa frequência o termo usado entre mulheres. Talvez seja ignorância minha, talvez seja por eu não ser mulher, mas não consigo ver o termo carregado desse significado de inferiorização comparativa ao orgão sexual masculino, de verdade, vejo só um (outro) apelido (estúpido) pro orgão sexual humano. E até por isso não consigo ver o termo em si como misógino. Claro, não vou negar jamais a possibilidade de estar errado quanto a isso... Mas ainda acredito que tenham termos que são considerados positivos em certos ambientes e negativos em outros.

3 - A sua teoria da vingancinha faria todo o sentido do mundo se os comentários desse tópico não tivessem se tornado um grande desfile de preconceito contra homossexuais homens (e mulheres tbm, mas em menor dose), além de tbm ter um pouquinho de culpabilização da minoria pelo preconceito que sofre e mais um monte de coisas que eu acho válido que se lute contra, e que eu sinto sim, que tenho o direito de me ofender. Você pode acreditar que racha é um termo ofensivo, mas ainda assim tivemos pelo menos uma mulher falando que não vê problemas no termo... Estamos discutindo o assunto (você cada vez mais agressiva comigo, por sinal) e eu não vou negar jamais que talvez você me prove errado (embora eu continue acreditando que se duas pessoas se tratam por racha sem nenhuma das duas se ofender, como já vi acontecendo diversas vezes, não é ofensivo, e eis o contexto de que eu tanto falo)... Mas creio que seja bem diferente de comentários tanto mais discretos nos quais eu não vejo espaço nenhum pra discussão (sinta-se a vontade se você ver), como "clube do bolinha cor-de-rosa" no texto em si (que eu consigo desconsiderar por acreditar que foi usado de forma sarcástica), "homem gay só fala com mulher pra chegar até os homens heteros", "homens gays impõe padrões de beleza impossíveis pra mulheres", dentre várias outras coisas que não precisam muito esforço pra achar. São comentários preconceituosos e pronto. É igual falar que mulher só serve pra casar e ter filho. Eu acho sim muito importante convidar as feministas (nem que só as que lêem o blog da Lola, onde o assunto foi puxado) a repensar alguns preconceitos que elas replicam sem perceber, do mesmíssimo jeito que eu acharia ótimo um blog gay discutir a forma babaca como os homens gays tratam as mulheres muitas vezes... Até pq, adivinha só! Mais feministas que gays lêem o blog da Lola, é muito mais efetivo aqui convidar as feministas a analisar certos posicionamentos do que os gays, do mesmo jeito que convidar as feministas a analisar certos posicionamentos em um blog sobre a vida gay seria menos útil do que convidar os gays a colocarem a mão na consciência. No final das contas, colocar só o lado da história que foi posto aqui só serve pra: a)Gerar atrito entre duas minorias que muitas vezes desprezam a outra sem perceber. b)Incitar comentários homofóbicos. c)Reclamar de forma pouco efetiva em público. Sei que o feminismo não é um movimento homofóbico (nem tem como ser) e eu admiro a Lola o suficiente pra acompanhar o blog dela... O que não quer dizer que eu concorde ou goste do posicionamento dela o tempo todo.

ViniciusMendes disse...

(não coube tudo num comentário só :P)

@Roxy Carmichael
Concordo que nem todo mundo (alias, a minoria) tem todo esse cuidado ao usar os temos. MANS, se esse caso existe, ele não pode ser ignorado, e em certos meios, termos degradatórios são usados com finalidade de sarro, não da minoria, mas da forma como a minoria é tratada na sociedade. Tô dizendo que isso dá passe livre pra toda e qualquer pessoa chamar os outros da forma que bem entende? Com certeza não. Mas as exceções devem ser levadas em consideração, assim como o contexto e a intenção de quem usou e de quem ouviu o termo. Nem todo mundo usa "racha" pra ofender, nem todo mundo se ofende com "racha" (ou com qualquer outro termo), e por isso mesmo, acho ridículo impor o termo como discriminatório quando usado sem levar o contexto em consideração (ex.: um amigo chamando ao outro dessa forma em um ambiente particular), que é algo que foi feito por certas pessoas aqui nos comentários. Mas usando o termo q vc mesma usou, é um micro-contexto, que não deve JAMAIS ser maior do que o macro-contexto quando for olhar as coisas de forma mais geral, por isso mesmo eu bato na tecla desse caso específico.^^ E nem vou entrar na questão de quando um termo pejorativo é abraçado pelo grupo e resignificado (seja em situações mais "leves", como nerd, ou em situações mais complexas, como a Marcha das Vadias, por sinal, adoro esse nome).

Anônimo disse...

Sei que é off topic, mas caso alguém se interesse, um motivo a mais pra mostrar a estupidez dos libertários:

'Os pais, portanto, não podem assassinar ou mutilar seu filho, e a lei adequadamente proíbe um pai de fazer isso. Mas os pais deveriam ter o direito legal de não alimentar o filho, i.e., de deixá-lo morrer. '

Sem comentários.
Esses imbecis realmente acreditam nisso.Quem duvida, leia os comentários desse artigo:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1442&comments=true#acNew

ass: ZE_PEMBÂO

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Sério que falaram de "vingacinha" ali em cima?

De quem contra quem? Vingança contra a Lola? Que publicou esse post assim como publicou vários outros artigos comentando a importância dos direitos humanos e LGBT's? Sinceramente...

Anônimo disse...

Eu sinto que um monte de homens gays não se preocupam por serem mais explícitos em seu ódio contra as mulheres, porque as pessoas vão apenas dizer "bem, ele é gay, hihihi!" Ou tratá-lo como uma piada. Os homens heterossexuais às vezes fingem que amam as mulheres, pois assim eles ganham coisas coisas (sexo). Mas o que é que um homem gay tem a ganhar sendo bom para as mulheres? Nada.

Misoginia vinda de homens gays realmente não é muito falada, porque as pessoas presumem que as mulheres heterossexuais e os gays são melhores amigos (o que é o próprio problema) e que as lésbicas e os gays são melhores amigos, o que é muito falso na maior parte. Eu não sei, é mais fácil ter sua própria comunidade de lésbicas e mulheres em geral sem incluir os gays porque isso abre um grande potencial para a misoginia não verificada que * eu * não estaria disposta a ajudar ninguém a se despojar. Isso não é o meu trabalho!

Jenoune disse...

Lola, só vou comentar uma coisa em relação à misoginia gay em relação às mulheres:

a) você já foi colocado numa posição de subordinação às mulheres, o lugar do "amigo gay" que fala de homens e dá dicas de sexualidade e que faz as correrias para as amigas ficarem com os caras que elas desejam?

Você sabe como é ser gay e ser tratado como acessório por mulheres, e ouvir frequentemente que há menos homens no mercado?

Me desculpe Lola, mas pessoalmente eu tenho um horror à vagina (o que deve ser inconsciente, pois a primeira vez que fiquei com uma mulher senti vontade de vomitar, me desculpe, mas é a minha verdade), e acredito que a atitude das mulheres em relação aos gays é um tanto complicada...

as lésbicas nos zoam por não sermos "homens", por não "usarmos bem o que temos" etc..., muitas mulheres nos chamam de bichinhas, para nos subjulgarem, nos destratam, tratam-nos "como mulher" fazendo-as sentirem-se superiores a um homem que tem um "pênis" e não sabe usar...

Sinceramente Lola, vc é uma mulher e por mais que vc me diga que é aberta e liberal, e olha que gosto muito das suas postagens, aliás, apoio-as...entretanto eu pessoalmente acredito que como mulher, você não poderá entender como se sente um gay...

Infelizmente essa é a dura realidade que descobri após alguns anos de análise...

Enfim, continue seu trabalho, é maravilhoso mesmo.

publicano disse...

Shey, pois eu já vi várias vezes machismo vindo de gays. E digo mais, que não é o único preconceito, porque o meio LGBT é dominado pelo L e pelo G, ocorrendo muita transfobia e bifobia. Eu como bissexual já ouvi muito na cara de que eu seria confuso, indeciso, promíscuo e até inexistente.
Claro que a discriminação mais violenta é a que vem dos heterossexuais, que em geral a acompanham com violência física, mas ser gay não faz alguém deixar de ser babaca!

Luanna Ribeiro disse...

Infelizmente eu tenho sentido essa misoginia por parte dos homens homossexuais crescer cada vez mais. Sempre vou para festas em boates GLS e sempre tinha aquele olhar meio torto etc. Nunca dei muita bola. Em uma das festas eu estava na frente do espelho, arrumando a roupa e tal e outro rapaz queria usar, mas como eu estava lá ficou fazendo piadinhas e comentando com o amigo "não sei o que que essas rachas vem fazer aqui". COMO ASSIM? Tenho tanto direito quanto qualquer um. Enfim, em outra festa partiu para algo físico. Eu estava na fila do banheiro feminino (que ainda por cima sempre tem filas maiores)e tinha um cara querendo passar na frente e usar. Quando ele foi entrar eu segurei e falei, peraí cara isso é banheiro feminino e eu tava na frente. Daí ele me empurrou e disse que nem era pra eu estar ali e começamos a brigar fisicamente mesmo. Depois dessa, sinceramente... Cadê o respeito?

Anônimo disse...

Sou obrigada a concordar totalmente com o texto... porque sou lésbica e passei por situações parecidas com um grupo de amigos gays muito grande... Todos eles inteligentes, com nível superior.
Com o tempo me cansei de diversos modos pejorativos de se referirem as mulheres, como rachas, buceta, vagabunda, bacalhau, e não pensem que só vinha em forma de brincadeira, mas como afirmações levianas e preconceituosas mesmo, de pessoas que nunca entraram em contato ou conheciam o corpo feminino.
Certa vez, em uma conversa com dois deles, que eram meus melhores amigos na época, gostariam de tirar dúvidas e curiosidade com relação ao corpo e sexualidade femininos. Foi desastroso, ouvi todo tipo de preconceito possível. Que o corpo feminino (partes íntimas)eram a coisa mais feia do mundo, que era fedido, mais que "cú", como que eu conseguia fazer sexo oral ou sexo de forma geral em uma mulher, afirmaram com unhas e dentes esta teoria absurda, da visão do corpo feminino ser "sujo". Confesso que fiquei chocadíssima, até porque já namorei homens e mulheres e sei ao certo que tudo isso é uma mentira absurda. Nós mulheres somos mil vezes mais cobradas com relação a higiene e depilação que os homens. Pelos na mulher é considerado sujo, feio, no homem viril.
Sei dizer que levaram para o lado pessoal as minhas críticas, que não passaram de textos parecidos com este. Infelizmente eles nunca perceberão o mal que fizeram, e perderam uma amiga verdadeira por culpa desta misoginia. Também escutei que eu era lésbica porque era traumatizada e não tive sorte com homem. Enfim, isso é um resumo do que escutei por anos.
Rezo para que um dia percebam que alimentando a aversão ao feminino, estão alimentando sem saber, a homofobia que sofrem.

Ricardo Rocha Aguieiras disse...

Bom, esse texto da Lola parece-me homofóbico, também . Tanto pela generalização grave. como por que parece uma "disputa" por vitimismo, tipo "veja, nós mulheres somos mais vítimas que TLGBs por que temos também machistas e misóginos entre os gays". Ora, se eu for agir na mesma base generalizante eu também poderia falar, então que "Desculpa por generalizar, mas tem muita mulher homofóbica também" ou "é surpreendente, mas tem um monte de mulheres que são mais homofóbicas que os homens héteros" e etc. etc. etc. Será que a Lola gostaria? Eu poderia falar que "veja\ que absurdo!!! Tem um monte de mulheres que compactuam com o estupro de suas filhas, já que não denunciam o pai ou o padrasto, seus maridos e ainda chamam as próprias filhas de "mentirosas"! " Esse é o problema grave de generalizar, acaba não servido para nada, é apenas mais uma arma do ódio que, surpreendentemente, isso sim, surpreendente, a Lola usa nesse post....
Ricardo Aguieiras
aguieiras2002@yahoo.com.br

.................. disse...

Um amigo me mostrou um texto da Lola e perguntou o que eu achava dele.
O texto fala da misoginia dos gays.
Bem,eu achei o texto homofóbico.
Homofóbico na intenção velada,homofóbico no subtexto,e explicitamente homofóbico nas palavras ditas,embora a Lola,inicialmente faça algumas ressalvas,talvez para eludir o conteúdo homofóbico:
Eu me baseei na análise dos seguinte trechos,que são extratos de depoimentos pessoais:
''Eu sinto que há muita misoginia nesse meio, escuto muito mais comentários misóginos e machistas de gays do que de héteros, isso no ambiente onde eu vivo! A esmagadora maioria dos meus amigos héteros são super simpatizantes do feminismo, rapazes adoráveis.''

e

''No fundo, ou nem tão fundo assim, MUITOS deles são tão ou mais machistas que os homens heteros''

por fim:

''estou generalizando e normalmente sou contra generalizações, mas é espantoso o quanto a misoginia se destaca no universo gay''.

O último comentário extraído da fala de um homem bissexual,que ainda acrescenta:
''Ah, e antes que alguém diga que sou anti-gay e caso não tenham percebido, sou bissexual''
e
''Desculpem pelo comentário em tom generalizante, mas estou certo de que aqueles que convivem com gays terão histórias similares.”
Lembrando que sou gay há mais de 30 anos e portanto,tenho capacidade para perceber quando ocorre homofobia,já que sofro com isso na pele e sei identificar muito bem uma agressão homofóbica.
Em primeiro lugar sim,há misoginia entre gays.Não vejo problema em reconhecer a misoginia de gays,a transfobia de gays,o racismo de gays,o capacitismo de gays,etc.
O problema que eu vejo é quando alguém aponta que essa misoginia é maior entre gays do que entre homens héteros(insira qualquer outra característica deletéria que é de praxe atribuída para cima da identidade desviante homossexual e se vê um padrão do ativismo de ódio).
De acordo com as estatísticas de grupos de mulheres,o principal elemento causador da violência de gênero é o parceiro amoroso da mulher,via de regra,heterossexual.
O feminicídio é obra de homens heterossexuais,o grupo dos ''rapazes adoráveis''.Alguém sabe qual a orientação sexual preponderante dos matadores de mulheres cis ou trans*?
dos que mutilam,dos que espancam,dos que assediam na rua,dos que estupram?
Os comentários depoimentos que a Lola colheu abusam da generalização,o que é uma característica do ativismo de ódio.
Posso apontar os marcadores aqui,veja:
''Eu SINTO que há MUITA misoginia NESSE MEIO''.
''A ESMAGADORA MAIORIA dos MEUS amigos HÉTEROS são super simpatizantes do feminismo''
''Muitos deles são tão ou MAIS machistas que homens héteros''.
''É espantoso o quanto a misoginia SE DESTACA no universo gay''.
Não precisa ser um gênio para perceber que homens gays,uma minoria desprestigiada desviante,internaliza machismos porque vive numa sociedade machista.
Sociedade esta que foi criada pelo patriarcado que beneficia homens heterossexuais cisgêneros e desautoriza a masculinidade de gays cis e homens trans*.
É gozado no último depoimento,o camarada generaliza e ainda confirma que está generalizando,pede desculpas,e continua a GENERALIZAR.
Francamente.O texto ajuda a difamar a comunidade gay ao enfatizar o estereótipo negativo do gay enquanto misógino,ao invés de se limitar a apontar a misoginia existente.Lembro que uma das primeiras acusações homofóbicas que sofri na vida foi a acusação de que eu NÃO GOSTAVA de mulher.
Vamos criticar a misoginia,a transfobia,a violência contra o que é feminino sim,onde tais se encontrarem,mas por favor,é pedir demais um apelo para a honestidade?
Este texto da LOLA eu desaconselho.É HOMOFÓBICO e demoniza a identidade desviante gay,nível 1 da escala de Alport.

Anônimo disse...

Li vários dos comentários, e concordo com quase todos... não se pode generalizar a misoginia entre os gays, nem como característica essencial dos mesmos.
Concordo que antes de serem misóginos e gays, este tipo de pessoas são desinformados, preconceituosos, invejosos, grosseiros, dentre outros adjetivos que com toda certeza vem muito antes do fato de serem gays.
Concordo que a maioria da violência física de homens contra as mulheres é dos héteros.
Porém violência física não é o único tipo de violência existente... existe a agressão verbal também.
Imagino ser extremamente difícil para uma mulher que considerava amigos, irmãos, etc, sofrer na pele a misoginia, pois como disse dois posts acima deste, eu fui vítima disto tudo.
Com certeza a misoginia contra mim não era a única forma de preconceito, eles tinham preconceitos contra eles mesmos (os afeminados, os de penis pequenos, etc)e faziam piadas entre eles mesmos, não sendo eu a única ofendida nessa história.
Porém eu como a maioria das mulheres enxergava o amigo gay como sensível, inteligente, educado.
E especificamente neste grupo de pessoas, senti na pele o contrário.
Várias vezes eu e minha namorada fomos vítimas de piadas, ou simplesmente as mulheres que eu admirava e ficava afim, sempre vinha seguido de uma piada se referindo ao órgão sexual feminino de forma pejorativa (buceta, racha, bacalhau, peixaria).
Vejam bem, era um grupo onde tinha engenheiro, advogado, dentistas, enfermeiro (atendia na ala obstétrica de um hospital e ridicularizava e enfatizava nojo em ter que entrar em contato com as partes íntimas das pacientes), dentre outras profissões admiráveis.
Com as amigas heteros, eles respeitavam. Afinal, elas não tem culpa de serem mulheres né? Pelo menos elas gostam do que "é bom".
Nestes anos todos ouvi barbaridades, claro que não posso minimizar toda a amizade a apoio em outros sentidos somente nisso, mas escutei coisas absurdas mesmo, como exemplos como conseguia fazer sexo oral em mulher, que higiene da mulher não era comparável a do homem, que a vagina era pior que ânus em tantos aspectos... um monte de ignorância. Isso é deprimente, pessoas que não se atraem sexualmente por mulheres e não possuem vagina nada tem a opinar, afinal nunca entram em contato com uma.
No meio das minhas amigas lésbicas, graças a Deus nunca notei o mesmo tipo de comportamento, com relação aos homens.
Respeito tem que existir acima de tudo, sei que muito disso é herança de uma cultura machista sim, onde a própria mídia ressalta (mulher não pode ter axilas ou vagina com pelos e ai dela se uma gotinha de menstruação ou secreção vaginal cair sobre a calcinha, é porca).
Bom, é um resumo, bom me solidarizar com isto e ao mesmo tempo mau em ver e saber que isso acontece diariamente.

Anônimo disse...

Sou bissexual masculino e já presenciei comentários muito depreciativos contra mulheres (especialmente com referência a vaginas) por parte de gays masculinos (ativos, passivos e versáteis). Os mais educados e gentis evitam falar esse tipo de coisa quando mulheres estão presentes. Mas acredito que compartilham da opinião. Há preconceito nas próprias comunidades LGBTT. É fato.

Anônimo disse...

Misoginia entre homens gays? PURA VERDADE, TEM MUITO, SIM. Por isso deixei de defender a causa gay. Enquanto eles não olharem para esse problema que corrói a comunidade gay masculina, também não me sinto na obrigação de defender a causa gay.

Anônimo disse...

foda!sou homem e hetero tenho amigas lesbicas é não vejo elas falando essas coisas de pênis tipo que tem nojo que vomita se vc não gosta tudo bem mas são comentários que essas pessoas podem guardar pra elas é bem escroto mesmo.

Anônimo disse...

Olá, meu nome é Camila. Sim, há machismo e misoginia entre muitos homens, não excluindo os homossexuais. Tive ano passado, infelizmente, uma ocorrência de misoginia vinda de um gay (afeminado, homem mais velho - deveria ter uns 60 anos, com maquiagem base e pó no rosto, óculos de sol e vestido com roupas masculinas) numa fila de passagem aérea no aeroporto de Guarulhos. Ele estava acompanhado de uma mulher mais alta, deveria ter ela uns 40 anos, loira e magra. Eu estava na frente, estava antes na fila e chegaram depois. Eu estava com um celular na mão, modelo não tão novo (um ex-aparelho celular de minha irmã, que ela não queria mais e eu, que não queria gastar com aparelho novo, topei o usado dela)... O celular que estava na minha mão tinha a capinha que minha irmã costumava usar. Só sei que, quando eles chegaram, comecei a ouvir absurdos:

Ele falou da minha calça jeans, do meu tênis, da minha blusa, do meu corpo, do prendedor que estava em meus cabelos, do meu rosto, do celular ("coisa medonha, este celular ultrapassado, nem existe mais e com esta capa então, horrorosa!")... Finalizando depois de alguns minutos de espera na fila... Ele dizendo: "feiosa, ainda se achando... se acha bela" - aquilo ficou dentro de mim que fiquei vermelha de raiva e tristeza. Percebi que estavam falando de mim pois eu era a única que estava próxima e vestida com calça jeans e blusa + tênis + celular na mão com capinha. Na minha frente, a pessoa não possuía as descrições que o misógino declarava. Quando virei minhas costas e olhei para trás... Vi a cara da mulher me olhando dos pés à cabeça, dando uma risadinha e ele me olhando com cara de que ia me avançar, literalmente. Estava tremendo de raiva. Sei que se eu me defendesse, poderia dar barraco e detesto brigas. E ele, por ser gay, aparentemente protegido por qualquer ameaça. Eu me senti julgada justamente por não estar vestida ao gosto DELE, fui ultrajada de acordo como ELE ACHAVA QUE ERA CORRETO. Oras, preciso pegar um avião vestida de sapatos desconfortáveis, roupas de grife, mostrar que possuo dinheiro (ostentação, imagem nem sempre condizendo com a realidade etc.)... Preciso ter olhos claros e ser loira e magra e alta e o #$%$!@ para ser aceita, NA VISÃO DELE?! Se ele se achava tão superior assim, que pegasse jatinho ou helicóptero, e não estivesse na fila da empresa aérea Gol, dentro de um aeroporto, compartilhando do mesmo espaço com inúmeras pessoas de diferentes estilos e gostos pessoais. Achei cabeça pequena, ainda mais vindo de um gay. Provavelmente ele não foi aceito por muitos e até hoje não se aceita para destilar preconceito e ódio às pessoas na volta e que ele nem conhece, muito menos a conta bancária...

Julgar alguém pela maneira como esta pessoa está vestida, isto me faz lembrar alguns vendedores de carro em concessionárias, por exemplo, que se uma pessoa está vestida de maneira simples, é sinal de não ter dinheiro, não apresentam nem o carro ou agem de maneira fria. Eu sei pois conheço pessoas que passaram por situações assim, de julgamento pela maneira como está vestido com a conta bancária. O Brasil é um país nada elegante, onde ainda a maioria das pessoas acha que ostentação é sinônimo de luxo e elegância, onde precisa mostrar as tripas para provar algo para alguém/sociedade - quase uma obrigação para ser aceito na sociedade?!

Finalizo por aqui, foi um desabafo relacionado ao tema. Abraço!

Anônimo disse...

Puras verdades li neste post.
Não sou só testemunha de tudo isso como sofri na pele diversos dos machismos e misoginia retratados aqui.
Muitos gays seguem a linha "Oprimido querendo se tornar opressor".
Acontece que não é culpa minha, enquanto mulher e lésbica, o fato deles serem depreciados na nossa sociedade. E sim do patriarcado.
Certa vez uma amiga me disse: Mal sabem eles, que alimentando a misoginia, estão alimentando a própria homofobia que sofrem.
E uma coisa que esqueceram de citar. Além de misoginia existe inveja sim. Inveja porque as mulheres são desejadas por muitos homens hetero. Porque podem desfrutar de diversas práticas sexuais e toda a sexualidade dela é diferente da masculina, algo que sinto os gays com muita curiosidade e inveja, mas é algo exclusivo a nós, mulheres. Claro existem muitas mulheres que gostam de sexo anal, não quero desfazer um preconceito aqui e incluir outro, mas todos sabemos que biologicamente falando a vagina é o órgão perfeitamente adaptado a penetração. E sim, isso causa inveja.

Anônimo disse...

"e posso dizer sem susto que o gay masculino, majoritariamente, está condicionado a repetir e fortalecer esterótipos machistas".

Se a pessoa conclui uma ideia baseada na própria bolha em que vive, o que podemos discutir, né. Não gostei do blog. Muito radical, é um blog de uma mulher que praticamente escreve um diário e não para discussão. Uma vez pus um comentário aqui falando do extremismo de algumas feministas que ficaram nuas e simularam sexo na frente de duas crianças, aqui onde eu moro, durante a macha das vadias. Meu comentário nem foi publicado. Imparcialidade?