quarta-feira, 4 de julho de 2012

GUEST POST: O PRECONCEITO CONTRA MULHERES NA CIÊNCIA

Daniel me enviou este email na semana passada. Eu adorei, e imagino que vocês vão gostar também. A única coisa que preciso acrescentar é que não são apenas Ciências Exatas (e Biológicas) que são ciências. Ciências Humanas e Sociais também são, por mais que os reaças de plantão pensem que só cientistas (homens?) com microscópio fazem "ciência". Mas, quando o Daniel fala em ciência aqui no post, ele está falando da sua área, que é Exatas. Deixo que ele mesmo se apresente.

Olá a todos. Meu nome é Daniel, estou no final do meu doutorado em Física na Alemanha (a graduação e mestrado foram no Brasil). Há tempos venho prometendo escrever algo pra enviar pra esse espaço, mas depois do post sobre a campanha vergonhosa da União Europeia (Science: It's a Girl Thing!), essa é uma boa hora.
Quero falar um pouco de alguns estereótipos e preconceitos que rolam dentro do mundo acadêmico de ciências exatas. Compartilhar um pouco da minha própria experiência.
Primeiro um background. Cresci com uma cabeça "liberal". Achava tradições e padrões a maior bobagem. Achava atitudes machistas uma das coisas mais nojentas da nossa sociedade. Porém, quando entrei no curso de Física, aos poucos fui mudando. Aos poucos fui "entrando na onda" da grande maioria, isto é, homens que parecem que estão no cio (ou tentam mostrar que estão). E eu que sempre achara ridículo cantadas rudes e olhadas inconvenientes, me vi encarando qualquer calça jeans um pouco mais apertada.
Nesse mesmo ambiente, um preconceito se formou. Mulheres não eram boas em Física nem Matemática. Bom, talvez algumas pudessem sim ser boas nisso. Mas só aquelas "mais masculinas", menos atraentes. Mulheres bonitas e inteligentes? Nem pensar!
Hoje, olhando pra trás, lembro de uma colega que correspondia àquele padrão de beleza que estamos acostumados: loira e sexy. E de fato, ela era muito bonita. Além disso, ela sempre mantinha ótimas notas, tinha uma facilidade incrível pra aprender determinados assuntos, e era bastante determinada. Ótimo, não? Não. Essa segunda parte era ignorada por muita gente. Sempre tinha alguém pra fazer a piada de que a nota boa foi por causa do decote. E sempre tinha (muita) gente pra rir da piada.
No mestrado, já em outra cidade, eu via a mesma atitude (inclusive entre amigos do doutorado também). Quanto mais bonita, menos respeito. Se a feia tira nota boa, é (talvez) mérito dela. Se a gata tira nota boa, é porque seduziu o professor, ou porque recebeu aulas particulares do doutorando brilhante.
E as pesquisadoras? Se publica muitos artigos, é porque deve ter alguém (marido, amigo, amante) pra ajudar a escrever. Passou num concurso para professora? Alguém (homem, claro) deve ter mexido os pauzinhos pra facilitar.
De fato, conversando esses dias com uma amiga, ela me disse que para ganhar algum respeito no curso a garota precisa se masculinizar. Virar "bróder". Talvez leitoras que cursam exatas vão se identificar com isso. Feminilidade e respeito parecem ser coisas antagônicas num mundo machista.
E não pára por aí. Até as mulheres inteligentes costumam ser vistas de maneira diferente. Homens podem ser geniais; mulheres são "dedicadas". Homens aprendem, mulheres decoram. Existe a mentalidade (errada!) de que todo caderno de mulher inteligente é super organizado, enquanto o homem inteligente faz as contas de cabeça ou em guardanapos.
E finalmente chego ao doutorado. A mentalidade da Europa com relação à misoginia é bem diferente. Não vou dizer que não existe machismo, mas posso dizer que muita coisa aqui é de dar inveja. Até hoje nunca presenciei nenhum comentário machista vindo de nenhum colega. Não posso dizer se o pensamento não existe ou se ele fica bem escondido (o "politicamente correto" por aqui é forte).
Aos poucos fui voltando ao normal -- gosto de pensar que "normal" é tratar mulheres como pessoas. Não digo que estou 100%, mas o ambiente menos machista e a ajuda de canais como o blog da Lola me ajudam a manter a sanidade.
Não preciso dizer que os preconceitos que eu tinha não se sustentam mais, né? Vejo mulheres "arrebentando" em qualquer campo de pesquisa. Na minha área, por exemplo, posso citar no topo da lista as irmãs Becker, autoras de trabalhos revolucionários em Teoria de Cordas, na década de 90, e autoras de um dos livros mais utilizados sobre o assunto, e a Lisa Randall, autora de um dos modelos mais utilizados para explicar porque a gravidade é tão fraca. Digo "no topo da lista", pois eu poderia encher esse post com nomes de importantes cientistas mulheres só na minha área de atuação.
Infelizmente, nem tudo são flores por aqui. Existe um problema sério, comum também nas Américas: a falta de mulheres em ciência.* As motivações da União Européia com aquele vídeo vergonhoso são honestas. Ultimamente eles têm investido bastante em políticas para mudar esses números. 
Por exemplo, a maioria dos financiamentos de pesquisa possui cláusulas pedindo que, na medida do possível, professores tentem balancear o número de mulheres e homens em seus grupos -- no contrato do meu financiamento, por exemplo, pedem um mínimo recomendado de 40%. O "na medida do possível" vem do fato de que muitas vezes não existem inscrições suficientes. Mesmo aceitando todas as mulheres que se inscrevem (e os anti-cotas vão à loucura!), o número ainda é muito baixo. Mas as políticas de inclusão têm tido bons resultados (deixando de fora aquele vídeo, claro).
Embora as mulheres estejam aos poucos conquistando espaço numa área por muito tempo predominantemente masculina, ainda parece existir uma mentalidade de que meninas devem fazer outra coisa. Nenhuma menina bonitinha quer ficar descabelada como o Einstein, né? E as poucas que insistem nesse caminho têm que enfrentar não só os desafios acadêmicos, como também o preconceito, disfarçado ou não, de seus pares. Sexo frágil? Acho que não, hein?

* Existem alguns países onde a situação é inversa, e o número de mulheres em ciência pode chegar a ser até maior que o de homens. O Irã, por exemplo, tem números impressionantes! Um dos possíveis motivos, vindo de amigos iranianos, é que lá como a sociedade é ainda bastante patriarcal, o homem precisa casar logo e "prover" a casa e a mulher. Ciência é algo que demanda tempo e não traz retorno imediato. O que torna uma carreira quase impossível para os homens iranianos, mas bastante convidativa às mulheres.

61 comentários:

Daniel disse...

Interessante adicionar que hoje foi anunciada a descoberta do bóson de Higgs, e quem anunciou a descoberta foi a Fabiola Gianotti, física italiana responsável pelo experimento Atlas.

Veja bem, eu disse "responsável". Em outras palavras, é ela quem manda no detector mais importante do LHC, e eu diria talvez até da humanidade.

Bruna B. disse...

Que boa notícia, Daniel.
Pena que nos 7 lugares onde entrei para ler a notícia não havia nenhuma menção à Fabiola... Todos anunciam: 'Os cientistas encontraram partícula que...".

Bruno S disse...

Tenho alguns colegas de escola (homens e mulheres) que estudaram física. Os caras eram vistos como seguindo um talento e, no máximo eram criticados por não procurar carreiras mais rentáveis como engenharia.

Já as mulheres que seguiam esse caminho eram tidas como excêntricas.

Celiane Brasil disse...

mais uma questão: as mulheres dificilmente vão se aventurar em uma área "hostil" se não se sentirem seguras quanto a seu conhecimento. Até para enfrentar o preconceito, é mais fácil quando você sente que é capaz; mas como se sentir capaz sendo submetida a comentários como esse?

Joana disse...

Nossa, Daniel, eu moro na Alemanha também e faço doutorado em Genética.
Eu vou te dizer que o que eu mais noto aqui é o machismo na ciência. Mas muito. Mas escancarado.
Exatamente do tipo de dizerem que uma professora da universidade cujo marido também é professor só entrou por causa dele. Sendo que ela é uma ótima pesquisadora.
No meu instituto tem mais mulheres que homens fazendo doutorado, mas quando você vê as posições de liderança... são TODAS masculinas.
O clubinho do poder é um baita dum "Gentlesmen Club", e é muito comum os homens se juntarem com outros homens pra "fazer social", o que vai se refletir na vida profissional, porque em ciência, Networking é o que há.
Bom, mas eu também não conheço outros institutos na Alemanha de perto. Então pode ser que seja só no meu.. não sei...

Mihh disse...

Interessante este paralelo com o número de cientistas mulheres no Irã, Daniel.

E o preconceito contra mulheres, academicamente falando, é absurdo. Na escola já recebi nota a menos num trabalho "porque eu não teria capacidade para ter feito aquele". Na verdade, nem sei se foi pelo fato de ser mulher (sei lá, 15 anos conta como mulher, já?).

Felizmente, não me recordo de outro incidente assim. Claro que vale dizer que nunca me encaixei em nenhum padrão de estética. Vai ver agora pensam "é feia, mas consegue".

Agora, referente ao bóson de Higgs só consigo me lembrar de Sheldon Cooper fazendo sua versão de imagem/ação.

"Hydrogen atom. H. Plus pigs minus π: Higgs. Bow. General Zod trapped in the Phantom Zone. Boson. Pear... Tickle! Peartickle Higgs Boson" - idade mental -2 anos.

Li disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Li disse...

ótimo post, daniel! aliás, em que cidade você mora?

o post do daniel me lembrou de uma coisa interessante, que sempre me chamou a atenção: que mesmo em áreas na qual a maioria dos profissionais são do sexo feminino, os homens se destacam. eu fiz faculdade de psicologia, onde pelo menos 70% dos alunos são mulheres. no passado, essa diferença era ainda maior. no entanto, mais ou menos metade dos professores (considerando ser professor de uma universidade pública, apesar de tudo, um top de carreira) são homens!

apesar de serem minoria numérica, os homens acabam se destacando mais que a maioria das mulheres.

vale também lembrar que quando nos referimos (eu também faço isso) aos profissionais da psicologia dizemos "psicólogos", e não "psicólogas", apesar do segundo termo ser mais apropriado. não seria essa manobra linguística uma tentativa de valorizar a profissão? (o mesmo vale pra enfermeiras, professoras primárias, entre outras).

Daniel disse...

Joana,
pois é, acaba sendo mais difícil pra mim que sou homem perceber os sexismos semi-escondidos daqui. Mas não acho que seja só no seu instituto. Mas pensando bem, eu devia ter me atentado pro fato de que simplesmente não existe nenhuma professora no meu instituto inteiro (Física Teórica).

Daniel disse...

Complementando o comentário pra Joana:
mas o motivo da falta de professoras em universidades pode ser simplesmente a falta de mulheres que ingressam em carreira científica.

Já ouviu falar do Girls' Day? Não sei se tem na sua cidade, mas aqui tem um dia por ano que as escolas tiram pra levar as garotas (só as garotas) pra conhecer institutos de pesquisa, e conversar com as pesquisadoras. No último girls' day as três únicas mulheres do instituto tiveram um dia bem cheio atendendo garotinhas e moças =)

Daniel disse...

Li,
curioso isso. Eu não sei porque isso acontece, mas eu chutaria algo cultural, mesmo em áreas predominantemente femininas. Talvez, como você disse, já que as posições mais no topo são de homens, eles acabam preferindo ser substituídos por outros homens. Mas não sei, é só um palpite.

Uma vez um amigo disse que era hormonal. Testosterona faz homens serem naturalmente mais curiosos. Eu acho essa "explicação" totalmente furada.

Joana disse...

Daniel, eu não sei se é bem falta de interesse... Afinal, tem mais doutorandas que doutorandos. Ou seja, mais mulheres em posições iniciais. E quase nenhuma em posições de liderança.
Nunca vi o Girls' Day aqui em Munique. Mas pode ser que eu não tenha prestado atenção, já que normalmente pedem pras pessoas da Alemanha acompanharem alunos (apesar de eu falar alemão...)
Eu moro em Munique e você?

Daniel disse...

Joana e Li,
sou de Bonn.

Joana,
Talvez o número grande de doutorandas seja reflexo das políticas de inclusão, não? A sua área sempre foi balanceada?

Lorena disse...

Ótimo post, Daniel!

Só uma correçãozinha na apresentação, Lola: as Ciências Biológicas também são Ciência! :P E engraçado que, por ser desta área, sempre penso nas Biológicas primeiro quando alguém fala de Ciências... daí sentir falta dela na sua apresentação.

Na minha área a proporção entre alunas e alunos é bem próxima, não há predominância de um gênero, nem na pós-graduação eu vi essa predominância. Em compensação, entre os professores há sim. A maioria é homem. Pelo menos na minha Universidade era assim. Eram poucas mulheres docentes, mas todas elas competentíssimas em suas áreas.
Eu espero que a proporção mais igualitária entre os alunos seja um indício de que isso está mudando.

Li disse...

PS: Meu professor comentou hoje mesmo que as mulheres na Alemanha ganham entre 10 e 20% a menos que os homens. E no sul da Alemanha (alô Joana) tem esse projeto (conservador) de pagarem uns 150 euros por mês pra que as mães NÃO TRABALHEM e fiquem com seus filhos em casa, já que há falta de creches. Como se uma criança em uma creche custasse só 150 euros por mês, néam? E logo no sul da Alemanha, onde os estados são mais ricos.

Ainda assim tenho fé que isso tudo vai mudar. Pouco a pouco.

Joana disse...

Li e Daniel,
aqui no Sul tem mesmo uma idéia bem conservadora das mulheres ficarem com seus filhos pequenos e não trabalharem. Mas não sei desses 150 por mês.. minha amigas que têm filho ganham aproximadamente esse valor por filho, independentemente do que elas façam (o dinheiro se chama Kindergeld - dinheiro da criança - mas acho que isso é pra Alemanha inteira).
Mas é muito verdade que há uma falta enorme de creches na Alemanha, e quando a mulher sabe que está grávida tem que começar a procurar creche, pois é uma loteria achar uma vaga. Isso realmente não ajuda.
Em compensação homens podem teoricamente tirar licença paternidade. Mas o que costuma acontecer é a mulher tirar 1 ano e os homens 2 meses (eu explico: se os dois tirarem licença, o casal tem direito a 14 meses, e se só 1 tirar licença, 12 meses).
Li, quando penso em ciência, ciências biológicas vêm também logo em primeiro lugar, hehe. Obviamente porque essa é a minha área.
Aliás, na minha área (genética de plantas) sempre teve mais mulher que homem, exceto nas posições de liderança.

Joana disse...

Li e Daniel, só um adendo.
Meu laboratório no Brasil tinha mais mulheres em posiçnao de liderança que homens, porque também tinha mais mulheres proporcionalmente do que homens.
Parece louco, mas eu acho que os cientistas no Brasil eram bem menos machistas que os alemães. Não posso defender uma tese com essa afirmação, mas é o meu sentimento depois de 6 anos de ciência no Brasil e mais 4 aqui.

Pardal disse...

Ois Joana, Li, Daniel e todo mundo;-), fiz pos doc na Alemanha e fiquei impressionada com a escassez de professoras na quimica. No Brasil nosso instituto era bem equilibrado, tanto entre professor@s, como entre alun@s e nunca notei nenhum preconceito de genero (embora existissem machistas- quero dizer, destes que ficam encarando as curvas femininas). Conversando com um colega alemao a explicacao dele foi que quimica eh uma area em que corre dinheiro, por isto hah mais homens. Uma amiga em Munique (Hallo Joana) me contou que um professor estava para se aposentar e se negava a ceder sua cadeira para uma mulher. Minha experiencia pessoal eh que na Alemanha a discriminacao eh maior que no Brasil, jah me acostumei a ser a unica ou a primeira mulher do grupo. Hah, e sim, Daniel, sempre vi os anuncios estimulando as mulheres a se candidatarem a vagas, tanto cientificas, como de empregos, mas hoje, trabalhando para uma empresa, nao creio que uma mulher tivesse alguma preferencia simplesmente por ser do genero feminino.

Siena disse...

Amei o texto!

Gabriela Tingas disse...

Estudo Ciências Sociais na Unifesp. Realmente, há uma grande dificuldade dos demais em compreender que esse curso também é ciência e as Humanidades como um todo, são bem descartadas pelo governo. No caso da instituição que estudo, os cursos de biológicas recebem sempre mais incentivo que os de humanas...acho super errado pois as condições deveriam ser iguais em todos os campi. Há bolsas interessantes acerca de idiomas, por exemplo, cuja oferta maior é para eles. Curioso...em pleno século XXI quando falam em cientista logo vem a mente um rapaz com jaleco e tubos de ensaio nas mãos, cercado por líquidos coloridos e possivelmente um fumacinha. Só tenho a lamentar também pela iniciativa do governo (não lembro de onde) de incentivar as mulheres a serem cientistas no melhor estilo "ciência é cor-de-rosa", como bem ressaltou a Lola em uns posts atrás.

Joana disse...

Pardal, que bom que você também vê o machismo escancarado daqui da Alemanha. Eu fico me perguntando se fui eu que enlouqueci. Todo mundo afirmando que na Europa a igualdade de gêneros é bem maior.. bem.. não foi isso que eu vi!
Apesar de ser triste ver que aqui na Alemanha as coisas ainda estão muito atrasadas, me conforta saber que eu não sou a única a "ver coisas" por aqui. =P

Carlos disse...

Poxa não vi nenhum restrição por genero no formulário de inscrição pro vestibular. deve ter alguma clausula oculta que proibe mulheres mais que X porcento de mulheres de tirarem exatas. Ou elas preferem tirar humanas como letras e ficam repassando a culpa pro sistema por não gostarem de exatas como grupo.

Mariana disse...

Eu faço pós-graduação na área de bioquímica. Felizmente, nunca notei nenhum tipo de preconceito em relação as mulheres desta área. Pelo menos na universidade que estou. Aliás, o corpo docente é metade homem metade mulher, e em relação aos alunos a maioria é mulher.

Carol disse...

Sou da Biologia e pelo menos na minha área (botânica) há um grande número de mulheres, acredito que mais que homens. No instituto de forma geral as mulheres são bem representadas, inclusive em posições de liderança. Nunca percebi nenhuma atitude machista, ainda bem.
Curiosamente, estava lendo um texto esses dias sobre a formação da botânica como ciência e um ponto que os autores ressaltam é que por volta do séc. XVIII, XIX, a elaboração de classificações, ou estudos empíricos era território masculino e visto como ciência, enquanto a identificação e coleta de material era um "hobby" feminino. Não é de se espantar que até hoje faltem bons taxonomistas (de ambos os sexos) por aí.
Agora, eu namoro um físico que estava na pós até pouco tempo atrás e uma das coisas que eu mais perguntava a ele era como a mulher era encarada na área dele. Era infernal ir visitá-lo lá, me sentia uma peça de carne no açougue.

Carol disse...

Se bem que, lembrando agora, tem uma estória engraçada/triste do meu instituto:
Uma professora antiga lá, uma japonesinha toda pequena e com carinha de vó, uma vez na reunião do conselho, cansada de nunca ser ouvida, ela sacou um pinto de borracha da bolsa e bateu ele na mesa, dizendo: "se precisa ter um pinto pra ser ouvida aqui, então aqui está o meu".
Até onde eu sei ela nunca mais teve problemas....

Fábio RT disse...

Sou pesquisador
Onde trabalho nunca notei nenhum preconceito....alías a maioria é de mulheres...e elas não precisam se masculinizar pra ganhar destaque ... sou da área de biológicas...então talvez seja um pouco diferente do cenário que o colega descreveu

Li disse...

Oi Joana. Sua amiga deve receber Kindergeld (literalmente "dinheiro das crianças") por cada filho que tem, até que eles completem (pelo menos) 18 anos ou até que eles encontrem um emprego. Essa regra é geral pra todo o país. O Kindergeld seria uma ajuda do Estado pra criar os filhos.

O que as mães receberiam além do Kindergeld é como se o Estado pagassem as a elas para ficarem com seus filhos em casa, em vez de voltarem a trabalhar. Em parte porque creches custam caro, em parte porque há essa crença forte de que os pais (Os pais o que? As mães!) que não tem tempo pros filhos são responsáveis pela rebeldia dessa nova geração.

É só mais um incentivo dado para que as mulheres não voltem ao mercado de trabalho depois da maternidade.

E sim, licença-paternidade é uma possibilidade. Mas costuma não sair da teoria, porque os homens costumam ganhar mais que as mulheres, por isso não vale a pena eles se afastarem dos seus empregos para favorecer a esposa. (Claro que há exceções, estou falando só dos casais que conheço.)

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Outro preconceito que noto em relação à mulheres na ciência, é o pensamento de que se elas estão lá, é porque só vivem pra isso, são obcecadas pela carreira e não fazem mais nada, não tem amigos, não namoram, não casam, não podem ter filhos, como se a gente tivesse sempre que optar, como se fosse impossível uma mulher ter sucesso na vida profissional e pessoal.
Outro dia minha chefe recebeu uma doutoranda que estava fazendo umas pesquisas e assim que a moça foi embora começou a comentar que pra ela ser quase doutora aos trinta anos é porque não devia fazer mais nada da vida, não devia namorar, trabalhar ou qualquer outra coisa.
Um comentário grosseiro e desnecessário, ficou parecendo mistura de preconceito com inveja.

Erres Errantes disse...

Puxa, Laurinha, então pra sua chefe eu também seria encalhada, pois também quero ser doutora aos trinta anos hehehe. Estou com 26 e terminando o mestrado em História. Quero fazer seleção de doutorado no final do ano.
E olhe que namoro sério há nove anos rrsrs...
Eu acho que, além desses preconceitos que Laurinha citou, ainda existem aqeles que partem dos próprios parceiros de mulheres com vida acadêmica. Muitas vezes elas precisam viajar, estudar num lugar diferente, fazem concurso para ensinar numa universidade em outro estado, e muitas vezes os parceiros exigem que elas abram mão de tudo por causa deles. Eles se recusam a acompanhá-las e chegam até a ter a empáfia de mandar a mulher escolher entre eles e a carreira, como se só os sonhos e o objetivos dos homens fossem importantes ou merecessem ser levados a sério.

Carlos disse...

Li

Oi Joana. Sua amiga deve receber Kindergeld ...
É só mais um incentivo dado para que as mulheres não voltem ao mercado de trabalho depois da maternidade.

Esta procurando pelo em ovo,opressão onde não existe.O fato é que a população nativa não se renova E não importa quanto dinheiro voce guarde alguma hora voce vai sair do mercado e se não tiver ninguem para trabalhar por esse dinheiro o sistema quebra.
e por motivos obvios o governo evitar ao maximo repor esse deficit populacional com turcos.

Florzinha disse...

Eu me graduei em Letras e sempre achavam que eu era da Biologia ou da Geografia pelo meu jeito meio moleque, afinal, letras é coisa de menininha. Inclusive tinha um colega de turma que fazia Engenharia ao mesmo tempo pq, segundo seu pai, Letras não é curso de "homem".
Durante o curso todo, foram uns 80% de professores homens, sinal que talvez falte mesmo é mulher com qualificação, mas, se na minha turma de 30, só 5 eram meninos, o que rola entre a graduação e o doutorado é mistério. Ou não.
E ainda tem essa coisa que a Lola comentou no início do post sobre as Humanas não serem consideradas ciências. Tenho uma prima que fez Matemática numa faculdade muito ruinzinha (é sério, o pessoal não aquenta fazer na pública, se transfere pra lá e termina rapidinho) e eu fiz pública, mas minha avó acha a minha prima é um gênio pq fez exatas. Fazer o q?

Fabiola disse...

Legal muitas pessoas das Biológicas!:)
Também sou, eu vejo muito machismo, sempre na forma de "piadas", de cometários que são vistos como normais. Tenho um orientador, e constantemente eu e as outras mulheres do laboratório temos de chamar a atenção para as falas dele. Ele por ser uma pessoa mto sensata sempre percebe o erro e pede desculpas. Mas no meu laboratório a maioria são mulheres.

Já ouvi machismos imensos vindo de cientistas respeitáveis, e professores, na hora sempre fico sem reação, e depois acabo ficando com raiva. Mas ser a "garota" que xingou O bam-bam-bam de tal área é ficar marcada p sempre.

alice disse...

eu ri com essa história da japa com pênis de borracha.

uma coisa que eu tenho curiosidade: ao se valorizar mais mestres e doutores em certas áreas com mais homens do que em outras com mais mulheres, isso entra pra estatística de wage gap? ou é apenas quando homem e mulher são da mesma área?

Phaby disse...

Aqui uma pesquisadora brasileira da área do Daniel e muito conceituada no exterior, Prof. Thaísa Bergman: http://pt.wikipedia.org/wiki/Thaisa_Storchi_Bergmann

E aqui o link pro áudio do programa Fronteiras da Ciência, da rádio da UFRGS, que trata justamente das mulheres na ciência (e a Prof. Tahísa participa)- já publiquei no comentário sobre esse vídeo da UE:
http://www6.ufrgs.br/frontdaciencia/arquivos/Fronteiras_da_Ciencia-E011-MulheresnaCiencia-16-08-2010.mp3

Ou neste link: http://frontdaciencia.ufrgs.br/memoriaFdaC.htm#mulheres

Koppe disse...

Uma das coisas que penso, é que o homem que acha que qualquer sucesso de uma mulher em uma área considerada masculina é fruto de sedução, de decotes e de favorecimento, significa que o homem que pensa assim gostaria de estar em uma situação de poder, para conseguir sexo em troca de favorecimentos. É lógico que eles não se identificam com a mulher, eles se identificam com o suposto homem bem sucedido que a favoreceu, aquele que ajudou a mulher em troca de sexo. São invejosos em dobro, têm inveja da colega e têm inveja do suposto homem bem posicionado que pode favorecer a mulher. Nem preciso dizer de qual grupinho os homens que pensam assim têm potencial de um dia fazerem parte...

nice disse...

Ótimo post. Também achei interessante a comparação entre os países.
Conheço homens e mulheres dos cursos de engenharia daqui, e há sempre essas piadinhas, esse machismo.
"Uma mulher que fez engenharia mecânica, por exemplo, precisa fazer mestrado se quiser ganhar o mesmo que um engenheiro com graduação." É a frase que se ouve com mais frequência em conversas com eles.

E acredito que a discrepância entre o número de homens e mulheres na ciência - como em muitas outras áreas - é mais uma consequência da orientação educacional e social que temos de incentivar comportamentos diferentes. Se é tão valorizado que uma mulher seja 'bonita, sensível, delicada, talvez fútil' ou ainda, se se cobra que mulheres devem que casar e ter filho, elas vão ter que escolher entre uma carreira (seja na ciência ou qualquer outra) e a família. Uma mulher escolher a carreira? Inadmissível! ¬¬

Ou, de outro lado, em lugares onde há maior número de mulheres criando filhos sozinhas, elas vão ter uma carreira como?

Volto a pensar que a ideia do video foi infeliz, apesar das boas intenções. Espero que encontrem outras formas de incentivar as mulheres, desde criancinhas.

José Tarcísio Costa disse...

Eu coonfesso que a minha graduação em física fugiu um pouco à regra (ou talvez eu já não me envolvesse muito com mascus então não ouvia comentários do tipo.) Me formei em Física na Unicamp e, sim, havia poucas mulheres mas nunca ouvi piadinhas ou desmerecimento voltado a elas.

Vim fazer meu mestrado na Europa e aqui nunca ouvi nada do tipo. Além disso, no meu mestrado aqui a coisa é bem balanaceada, é quase meio a meio o número de homens e mulheres.

José Tarcísio Costa disse...

E atualmente eu estou num departamento de uma universidade espanhola onde todas as pesquisadoras são mulheres.

A.H.B. disse...

"Veja bem, eu disse "responsável". Em outras palavras, é ela quem manda no detector mais importante do LHC, e eu diria talvez até da humanidade."

Daniel, que interessante isso. Deveriam divulgar mais as mulheres que trabalham no CERN. Estava assistindo aquele programa novod e popularização de ciências apresentado pelo Morgan Freeman e notei, pelo menos nos episódios que eu vi, que eles meio que colocavam só cientistas homens e que atendessem, pelo menos superficialmente, ao estereótipo de "gênio maluco".
Lamentavelmente acho que a tal "cultura geek" representada por séries como TBBT reforça não só esses estereótipos, assim como estereótipos sexistas que você citou em seu post.

Carlos disse...

Nice
e a família. Uma mulher escolher a carreira? Inadmissível! ¬¬
Ou, de outro lado, em lugares onde há maior número de mulheres criando filhos sozinhas, elas vão ter uma carreira como?

......Pelo que li as feministas negam a todo custo que tenham dito "You can have it all"
sendo assim a mulher pode escolher ter uma carreira ou casar(ter filhos ,etc e tal) ou tentar conciliar ambos .Liberdade de escolher é uma coisa ,garantia de sucesso é outra.

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Engraçado que essa postura de que "mulheres não servem para serem cientistas" é tão arraigado que se manifesta mesmo em áreas tradicionalmente "femininas".

Fiz minha graduação na Unicamp, em Pedagogia e, apesar da maioria esmagadora de estudantes ser de mulheres, a maioria esmagadora de professores/pesquisadores era de homens.

A razão era simples. As mulheres iriam para a escola "cuidar das crianças", enquanto os homens podiam ficar "pensando sobre educação". Ou seja, mesmo em áreas consideradas "para mulheres", o machismo manifesta-se em uma hierarquia que define quem faz e quem pensa no que deve ser feito...

J.M. disse...

O Carlos acha que as pessoas vivem em bolhas.

Joana disse...

Carlos, como assim turcos?
Kindergeld é pra qualquer pessoa que tenha filhos. E fica pra pessoa que tem a guarda das crianças. Independentemente da nacionalidade.
Eu não tenho nada contra turcos. Eles são tão imigrantes quanto eu.
Assim como tem brasileiro babaca, tem turco, alemão, francês, ucraniano e japonês babaca.

NATUREZA AMOR E PAZ disse...

porque a maioria dos guest post de críticas sobre machismo,etc, são do exterior?acho que a gente precisa olhar um pouco mais para o que acontece no Brasil néam?

Carol M disse...

"Uma professora antiga lá, uma japonesinha toda pequena e com carinha de vó..." Yocie Valentin?

Pois é , na biologia da UFRJ sempre foi bem equilibrado. Acho que a coisa mais parecida com machismo que já ouvi foi um professor comentar como mulheres são capazes de enxergar mais nuances de cores na hora de descrever algo. Até agora fico na dúvida se foi um elogio ou uma crítica, mas ele falou com espanto.

A Suzana Herculano, neurocientista da UFRJ tb, já falou que para ela era muito mais fácil ser cientista e mulher no Brasil, pq vc consegue conciliar melhor todos os aspectos da sua vida sem ng achar que vc é menos capaz por ter q cuidar de filho ou outra coisa do tipo.

Grão da Noite disse...

Um primo meu fez mestrado e doutorado em biologia na Sorbonne e as pessoas mais próximas sabem que quem fez a dissertação e a tese dele foi a mulher dele na época. Ela tem mestrado e fez a dissertação dele. Depois fez a tese, obteve uma ótima aprovação, mas quem levou a fama foi ele. Pois é. Ela foi o "the wind beneath my wings" na vida dele. Estou citando essa música porque a letra dela retrata a vida de muitos cientistas homens que recebem os louros pelo trabalho, esforço e inteligência de suas mulheres ou assistentes. Freud e Jung devem muito a Sabina Spielrein. Mas qual dos três é a menos famosa? Uma lástima. Acho que esse tipo de coisa acontece com uma certa frequência.

Lud disse...

Grão da Noite, não deve ser o único caso. Alguém se lembra da Mileva Maric, ex-esposa do Einstein? Matemática brilhante, seu nome constava na publicação da primeira versão da Teoria da Relatividade Especial. E, quando ele ganhou o prêmio Nobel, passou o dinheiro pra ela.

Mais detalhes aqui: http://super.abril.com.br/cultura/mileva-maric-442512.shtml

La Mamacita disse...

O anuncio da descoberta do bóson de Higgs.

adri disse...

Ótimo post!

Fiz física e, de fato, tanto na graduação quanto no doutorado, sempre ouvi coisas do tipo "tirou nota boa porque seduziu o professor..."

Sobre a contribuição de mulheres na física, recomendo um ótimo livro:

Out of the Shadows: Contributions of Twentieth-Century Women to Physics

Comprando pelo bookfinder.com sai barato :)

Abraços!

Drica Leal disse...

Imagino as dificuldades de mulheres que são casadas e tem filhos em seguir uma carreira científica, se tornarem uma profissionais top de linha em suas áreas. Porque os homens não são tão cobrados em se dedicar à vida familiar, pode abrir mão do convívio com os filhos, por exemplo, para se dedicarem exclusivamente a um determinado estudo ou trabalho. As companheiras, nesse caso, dão todo suporte e seguram a onda. Mas infelizmente a maioria das mulheres não podem contar com essa mesma compreensão e suporte dos companheiros.

Daniel disse...

Recomendo esses 3 links aqui, sobre mulheres no CERN
http://lindahenneberg.com/post/7576670960/woman-nonphysicist-cern

http://edition.cnn.com/2012/07/03/business/fabiola-gianotti-leading-women/index.html

http://cerncourier.com/cws/article/cern/30150

Victor disse...

Não sei onde o autor do post fez a graduação e o mestrado dele mas posso dizer que a realidade que ele descreve não é a que eu vejo. Também sou formado em física e estou terminando meu mestrado atualmente. Nos 6 anos em que estou nesse meio não me lembro de ter visto nenhum tipo de manifestação machista, seja por parte de professores ou alunos. Neste tempo eu namorei uma colega de classe (melhor aluna do que eu, diga-se) e tive algumas professoras. Sempre me lembro de uma delas, doutora em teoria quântica de campos, pesquisadora 1A do CNPq e absolutamente brilhante, que dizia ser constantemente chamada para dar entrevistas sobre machismo no meio acadêmico mas recusava sempre porque o que ela tinha para falar não era o que os jornalistas queriam ouvir.

Anônimo disse...

Na área de computação é assim também. E isso é uma grande ironia, já que a programação de computadores foi inventada por uma mulher! Ada Augusta Byron, que desenvolveu os algoritmos para a máquina analitica de Babbage ainda no século 19, e é considerada a primeira programadora da história. Depois teve a Grace Hopper, almirante da marinha americana, que na decada 40/50 criou a linguagem Flow-Matic que deu origem ao Cobol.
Enfim, é estranho que hoje esta profissão seja dominada por homens, mas acho que devagarinho isto está mudando. Por exemplo, na minha turma de mestrado temos 4 alunas, todas inteligentes e bonitas para desespero dos mascus!

Daniel disse...

Victor,
Talvez de fato o comportamento mude de instituto para instituto, ou de período para período. A minha experiência foi em dois institutos, então acabei extrapolando pra todos.

Carol disse...

Estudo Psicologia e meu interesse maior são os estudos ligados à Neurociência. O post me fez lembrar de uma situação na qual eu nunca havia pensado: quando estava no 4° período, estava estudando para um seminário e o texto contava um pouco sobre o paciente HM (importantíssimo para os estudos sobre memória). Lembro de ler que ele também era avaliado pela neuropsicóloga Brenda Milner e ficar imensamente feliz e surpresa por alguém da Psicologia -e mulher- ser importante para a área. Só notei agora que até aquele momento eu só havia estudado autores homens na faculdade.

lica disse...

Fiz engenharia mecânica e faço mestrado.
Na facul, para muitos era assim:

tirou nota ruim - pq é mulher (burra)
Tirou nota boa - pq é mulher (seduziu o prof).

Cheguei a chorar em uma prova por acreditar no que o prof dizia: que mulheres não eram boas em exatas.

Mas eu pensava: se a profª. fulana conseguiu, também consigo.

Hoje no laboratório que eu trabalho não vejo desmerecerem mulheres em relação a ciência. Mas tem muito machismo em outras conversas.

Miss Lexotan disse...

O interessante é que, na minha área (Enfermagem), obviamente, o preconceito é bem ao contrário, vindo na maioria das vezes, dos "pacientes".

Geralmente homens enfermeiros ou técnicos tendem a ser menos valorizados ainda... Ao meu ver, algumas pessoas acham que, por estar em uma profissão cuja afetividade e sensibilidade é maior, o cara muitas vezes é classificado como "homossexual", ou sem outros tipos de oportunidade. Nesse caso, acho que deve ser tão difícil quanto as mulheres em áreas onde há uma prevalência maior de homens.

Nadine Silva disse...

É o meu primeiro comentário no blog da Lola, apesar de acompanhar as publicações a muito tempo, me identifiquei tanto com o post que tive que comentar. Eu sou estudante de engenharia,e conheço bem o preconceito que rola na área de exatas, e que muitas vezes parte dos próprios mestres. Muitas das minhas colegas ignoram as piadas, mas eu não aceito. Pra entrar na universidade eu passei pelo mesmo processo que os homens passaram, sou tão capaz quanto eles e mereço respeito.

Anônimo disse...

Sou mulher e estou concluindo o curso do bacharelado em física. Minha turma tem um "grande" percentual de mulheres: de 5 alunos que restaram, 3 são mulheres. A maioria dos homens são extremamente machista com relação às mulheres em geral. Certa vez tive uma discussão com um deles, pq segundo ele "homem não deve ganhar menos que a mulher, pois senão ela se sente mais livre para procurar outro". Como esperado, não deu em nada a discussão. A mentalidade da maioria das pessoas que convivo é "conservadora", no sentido de ir de frente com quase todas as ideias desse blog. Mesmo as mulheres, tem ideias extremamente machista sobre elas mesmas e o comportamento da sociedade. Sim! Mulheres machistas! Por que não? As ideologias não tem sexo! Mas na ciência em si, não percebo preconceito com mulheres, não sei de algum caso por aqui em que uma mulher deixou de fazer algo por ser mulher (há não ser casos especiais, como por exemplo mulheres grávidas ou com possibilidade de gravidez não poderem fazer experiencias com raio-x, pois danifica a formação do bebê)

MBV disse...

Eu sou formada em Arquitetura, sou mestre e Doutoranda em Engenharia Elétrica numa Universidade Pública e também fiz uma parte do meu doutorado na Europa. Eu faço uma espécie de diário e, quando releio algumas coisas pelas quais passei (e passo), devido a machismo (assédio moral, sexual, preconceito, discriminação etc.) eu penso que poderia escrever um livro. Montei um grupo que dá apoio gratuito para vítimas de assédio sexual em universidades e o maior número de garotas que já ajudamos veio da área de Exatas. E não é só porque tem maior número de homens não. É porque, de fato, essas meninas são estigmatizadas e tudo isso é meio que institucionalizado (dizem "fazer parte do ambiente"). O que é, evidentemente, um absurdo.

Anônimo disse...

Oi Daniel,

Adorei o assunto. Sou formada em Física e terminei o doutorado há quatro anos.Já perdi a conta das vezes em que sofri assédio moral ou ouvi comentários para lá de machistas, como por exemplo: "O que você está fazendo aqui, deveria estar em casa cuidando dos seus filhos, a natureza te fez para isto!?" (nem me pergunte sobre a qualidade e nível deste pesquisador). Tenho tido muito interesse no assunto, organizei um grupo de estudos só de mulheres, pois somos sempre preteridas quando há uma vaga, ou há sempre um aluno homem mais importante na hierarquia do grupo. Triste não é?
Hoje li num site uma entrevista de uma pesquisadora que ganhou um prêmio de incentivo às mulheres. E ela afirmou que não existe preconceito contra mulheres cientistas no Brasil. Fiquei sem entender... CN