terça-feira, 12 de janeiro de 2010

IGREJAS DEPENDEM DA HOMOFOBIA PRA SOBREVIVER?

Da série "Coisas que não veremos numa igreja": camiseta "Jesus me ama. Sou gay".

Ai, gente, sei que a gente tem que ser tolerante sempre, mas fui a esse blog pela criminalização da homofobia que a Luciana indicou, e de lá fui parar num blog chamado União de Blogueiros Evangélicos, e olha, é difícil... É muito preconceito, muita homofobia. Por exemplo, este é um comentário que pincei de lá:
O que as pessoas críticas não sabem, é que nós cristãos, não somos contra os gays ou coisa semelhante. Não somos contra o homem ou mulher homossexual, somos contra o homossexualismo, que é um desvio de conduta. Somos contra a sua prática. Quem não conhece um homossexual sequer, que não tenha problemas de alguma doença provocada por prática da atos contrários às ordenaças de Deus, ou seja, métodos nada convencionais para os padrões de Deus? Se Deus tivesse criado o homem para viver com outro homem, teria criado juntamente com a mulher, um homossexual!
E aí eu vejo que esse tipo de discurso é praticamente padrão em igrejas evangélicas, e fica difícil não ser contra religiões que pregam essas asneiras preconceituosas. Porque vamos admitir, essa opinião não é isolada. É corrente entre os evangélicos. E vem toda embalada no discurso de “não somos contra o pecador, somos contra o pecado”, que é mais ou menos como alguém virar pra mim e dizer, “Olha, não tenho nada contra você ser gorda, mas tenho muito contra a gordura. Deus odeia a gordura! Mas Jesus te ama, e você pode aceitar Jesus no seu coração e ser magra!”. Que, sinto muito, pra mim é “What the duck? A pessoa tá dizendo que não tem nada contra mim mas que eu tenho que ser exatamente do jeito que ela quer porque tá escrito num livro em que ela acredita?”. Desculpe, mas quero ser aceita como eu sou. Eu passei a vida toda ouvindo que gordura é péssima, que gordura mata, que eu sou feia por ser gorda — não preciso ir a uma igreja pra ouvir isso. Eu preciso de uma igreja que me acolha e me aceite como eu sou. (Quer dizer, eu não preciso de igreja, é só um exemplo. E só estou puxando a brasa pra minha picanha no negócio de ser gorda. E acredite, existem dietas evangélicas e movimentos do tipo “God Hates Fatties”, Deus Odeia Gordos. Aí vem gente dizer: “Ah, mas ser gordo é opção! Não é como ser gay, que a pessoa nasce assim!”. Sei, sei. Ser gordo é tão opção em boa parte dos casos como ser baixo é opção! E desde quando essa discussão de se “é opção ou a gente nasce assim?” pode servir de justificativa pra discriminar alguém?).
Sei não, eu vejo as igrejas evangélicas lutarem TANTO contra direitos iguais pros gays que não posso pensar que elas têm Jesus no coração. Seja lá o que isso quer dizer.
E essa obsessão das igrejas evangélicas contra a lei da criminalização à homofobia me faz pensar se elas perderiam seu pé de meia se aceitassem parar de falar mal desse “pecado”, dessa “aberração”, desse “desvio de conduta” que é a homossexualidade. Sério mesmo. Se o Zorra Total e o Casseta e Planeta tivessem que parar de fazer piadas preconceituosas, seria um grande baque pros programas. Eles iam falar de quê? Quase todas as piadas deles são preconceituosas! Mas imagino que as igrejas tenham mais que fazer do que só ficar falando do terrível pecado da homossexualidade. Tipo, elas podiam falar mais de deus, de coisas boas, que de satanás e pecados. Mais amor, menos ódio. Acho que seria bom.
Se um fiel procurasse seu pastor e dissesse “Sou homossexual, odeio meu estilo de vida, e quero me curar”, sinceramente, acho que o pastor estaria certo em tentar ajudar essa pobre alma equivocada (se vai conseguir é outra história. Mas, se esse fiel deixar de fazer sexo, e não ligar pra não fazer sexo nunca mais na vida, e assim se considerar "curado", e se aceitar melhor, o problema é dele). Mas é diferente de falar pra toda igreja, em toda celebração, que homossexualidade é pecado. Precisa mesmo falar isso? As igrejas deixariam de existir se não enfatizassem tanto esse discurso? Os evangélicos estão agindo como se tivessem muito a perder com o combate à homofobia, como se toda a sua fé fosse baseada na liberdade de dizer que homossexualidade é pecado. Mais tolerância, gente. Provem que Jesus me ama.

P.S.: E se Jesus fosse gay, isso negaria seus ensinamentos? É o que pergunta Patrick Condell neste vídeo cheio de provocações:

42 comentários:

Mariana. disse...

Lola, concordo totalmente com você.

Acho que foi aqui que eu li, não faz muito tempo, um depoimento de uma lésbica, não foi?

Lá ela dizia que até entende que algumas pessoas discordem de sua conduta, mas que isso não significa que ela vai abaixar a cabeça a cada insulto. Não é desculpa pra não respeitar as pessoas. Por ex: dizer que não concorda com o comportamento homossexual é uma coisa, mas dizer que isso é perversão, que é coisa do demômino, que tem que ser exterminado da face da terra, que é coisa de gente vagabunda... Aì não. Aí ofende, é homofiobia e CRIME.

mas infelizmente é exatamente isso o que a maioria das igrejas acaba fazendo... e afastam as pessoas de lá (Inão só os gays, mas outros também, que não veem nada de errado nisso).

Lola, na globo agora tá passando um programa chamado 'sagrado', onde várias religiões expõe seu ponto de vista sobre cada assunto. Cada programa tem um tema: homofobia, vida eterna, papel da mulher na sociedade. Infelizmente eu não assisti nenhum ainda, pq passa muito cedinho... mas alguém aqui já viu e acha interessante comentar?

aiaiai disse...

Minha resposta básica para quem diz que "não sou contra o pecador, sou contra o pecado":

Eu não sou contra o pecado, sou contra quem acha que ele existe.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Com uma frase simples assim, vc dá um nó na cabeça do fiel. Pode ter certeza, depois de ouvir isso, o cara vai levar uns 4 minutos até falar outra idiotice.

fernandadbpm disse...

Lola, eu conheço alguns evangélicos, são tão bonzinhos. Não falam palavrão (vão pro céu! hahaha), fazem bazar para ajudar os pobres e sempre tem uma palavra de conforto pra quem precisa. Mas credo, aquele olhar alucinado de pena que lançam pra quem ainda não "encontrou Jesus" como eles... Olhar que eu acho maldoso, mas sempre enrustido na cara de bonzinho. Porque não toleram o diferente, homossexual então... Eu detesto isso neles. Mas a homofobia não é só troféu dos cristãos, eu brigo quase diariamente com meu noivo por isso. Ele também não concorda com os evangélicos, é feminista, é uma pessoa muito inteligente em vários aspectos. Só que pra ele não adianta a teoria do Jesus gay, apesar de fazer todo sentido hehehe

beijoca Lola

Vitor Ferreira disse...

Sinceramente eu conheço poucas religiões que não dispersem uma infinidade de preconceitos. Fui criado como católico, mas detesto todos os rituais, discordo dos valores e acho tudo tão verossímil quanto em Saci Pererê. Também não consigo entender, se Deus é... o Deus(!), o que seriam Buda, Alá, Vishnu, Zeus, Iemanjá, o sol e a lua dos índios, e cia. limitada?
Não tenho contato suficiente com as demais religiões, mas o cristianismo demoniza tudo que não crê no seu Deus. Meu pai (católico fervoroso e não admite que eu lhe diga que Deus não existe) me trouxe de Salvador uma camisa com os orixás, e eu fui proibido de usá-la no pensionato que eu morava em Recife porque a dona era crente. Acho as igrejas evangélicas piores porque a palavra do pastor é lei. O que ele fala deve ser feito e nunca questionado. Eles nem raciocinam, e quem "aceita Jesus" muda seu comportamento por completo, seus costumes, seu vestuário, seu vocabulário, coloca Deus ou Jesus em 4 de 5 frases que fala, transforma sua casa e tudo mais. A sensação de quem vê de fora é de pura ludibriação.

Masegui disse...

Lolinha,

É perda de tempo discutir com esse povo. Eu até conheço algumas pessoas que se dizem "evangélicas" e que não me afetam em nada, então não podemos generalizar, mas essa palavra me causa arrepios.

Se todo mundo tem um pouco de preconceito, o meu é com essa raça! Êta povo idiota, meu Deus! Haja saco!

Quando é eles vão descobrir que um dos "pecados" é usar a ignorância alheia em benefício próprio?

aiaiai disse...

Mais uma coisinha:

Eu acho que eles falarem contra homossexualidade pra toda igreja e em toda celebração, ainda vá lá...afinal vai na igreja quem quer. O que é absurdo é eles (E INCLUO AI A IGREJA CATÓLICA) quererem que o estado brasileiro também seja contra a homossexualidade e LADRAREM sempre que o estado brasileiro (laico por definição constitucional ) PENSA, COGITA, em mudar a lei para permitir a verdadeira igualdade entre os cidadãos.

Quer seguir um monte de mitos hebraicos (como o idelber define o velho testamento) e mais um tanto de blábláblá de gente que não tinha o que fazer (novo testamento) siga. Agora, não mete quem não quer nessa história.

Mari Moscou disse...

é por isso que a estratégia do Harvey Milk era tão brilhante: assumam-se gays.

Assumindo todos que te conhecem saberão que além de bom profissional, ético, etc. e tal, vc é gay. E daí?

Daí pelo menos todos que te conhecem conhecerão pelo menos um/a gay. Ajuda pra caramba a quebrar os preconceitos.

Luciana disse...

Isso é muito triste, entretanto é a realidade. Mas isso não se limita às igrejas. Claro que elas fazem uma lavagem cerebral nas pessoas, o que é terrível. Mas lendo o que você escreveu lembrei daquela psicóloga, evangélica, que queria curar gays (http://e-paulopes.blogspot.com/2009/07/psicologa-que-diz-curar-gays-se-livra.html)
Ela pode acreditar no que quiser, mas profissionalmente agir dessa forma é absurdo.

Roberta L. disse...

HAHAHAHA Adorei esse vídeo. Juro pra você que a única vez que me deu vontade de ler a bíblia foi quando eu pensei "já pensou se Jesus teve um caso com algum homem? Um apóstolo, talvez?". Comecei a ler pra procurar "provas" pra minha teoria, mas não passei das primeiras páginas. Bíblia é um livo muito chato, meu Deus. Deixei pra lá, mas nunca ia imaginar que alguém também já pensou nisso!

Olha, eu não sei qual é o medo dos cristãos para com os gays/lésbicas/etc. Cara, são só pessoas se amando! Não entra na minha cabeça, sinceramente. Como é que alguém pode ter aversão à outra pessoa só por causa da orientação sexual dela? No que ela modifica a sua vida? Isso é tão... irracional, tão burro. Eu fico muito revoltada.

Além de tudo, é triste ver que o preconceito é TÃO forte que muitos gays, lésbicas, etc, até mudem de discurso: "Tudo bem, podem falar que eu sou pecador e vou para o inferno, mas quero direitos iguais pela Constituição." Lógico que os direitos são muito mais importantes do que não escutar essas asneiras que os homofóbicos falam, mas... Os dois são importantes. Muita gente (os homofóbicos, racistas, etc) confunde liberdade de expressão com desrespeito. Mas com esse discurso talvez seja mais fácil de os homos conseguirem o que eles têm direito, né? Uma coisa de cada vez.

Ai, sei lá. Essa sociedade me deixa muito aflita, e às vezes me dá uma tristeza tão grande. O que me dá esperança é ver que as coisas vão, sim, mudar - é só ver o Movimento Feminista e todas as conquistas das minorias -, por mais que seja um processo lento demais pro meu gosto.

Quando eu encontro uns intolerantes (na internet ou fora dela), e corro pro seu blog. É quase uma terapia virtual ler as suas opiniões e das suas leitoras, hahaha. Eu gosto até de ler os trolls, porque eles vêm com mil pedras na mão, e você rebate com tanta calma e delicadeza. Adoro isso aqui.

Nossa, dei uma de tiete total agora, alguém me segura. A culpa é sua!

J.anquevitti disse...

Ai Lola, pessoas assim são muito difíceis de mudar, estão completamente cegos à "fé" que seguem com suas "verdades" irrefutáveis. Eu ainda não sei por que elas estão tão preocupadas com a nossa vida, parece que tem ódio de quem é feliz.

Ah, tem um texto super bacana que o Antônio Cícero escreveu pra Ilustrada há poucos meses sobre a PLC 122. Mesmo você não gostando da Folha de São Paulo (eu também não gosto), se você tiver um tempinho vale a pena ler, pois mata a pau quem critica a criminalização da homofobia.

http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/sobre-lei-contra-homofobia.html

Abraços e tudo de bom!

Jonas

Lu-Bau.Blog disse...

Sabe Lola, ando tão descrente que começo a ter a convicção que Deus não existe e é como uma professora de filosofia disse na época da faculdade. Deus na realidade somos nós, a tradução de Deus é a nossa força, o nosso poder de transformação, de lutar, de acreditar e alguém muito inteligente resolver transformar esta força e criar um personagem para manipular e ganhar uns trocados. Ela sempre disse, que religião foi uma das primeiras formas de manipulação do homem e que Jesus Cristo não passava de um líder como Lula e tantos outros que defendem uma causa, mas que eram pessoas comuns que iriam contra os dogmas existente. Um ótimo filme que critica as igrejas no geral é o Fé Demais Não Cheira Bem (lê rápido o texto que ele dá outro sentido para a frase, hehehe)

Devathai disse...

Olha eu só sei que se eu morresse e fosse pro céu e não encontrasse lá todos os meus amigos do peito, incluindo os gays e lésbicas, eu ia ficar muito descontente. É por pensar assim que eu não dou conta dessas igrejas. Falam do paraíso como se fosse uma coisa fácil, não paradoxal. Como se ao ir para o céu eu tivesse, automaticamente, apagados da minha memória aqueles amigos e familiares os quais amo muito e que por um motivo ou outro não foram para o céu também. Não, eu não gostaria disso. Por isso ainda prefiro não me escorar em religião alguma para viver. Embora eu acredite muito em Deus.

Roberta disse...

Sinceramente,como as pessoas conseguem levar um livrinho como a bíblia tão a sério a ponto de ferir outras com atos e palavras?Pessoas que ,muitas vezes,vc não conhece pessoalmente pra se dar ao direito de julgar o carater.Gestos assim fazem com que aquela frase:"Amar o proximo"(que veja,saiu do mesmo livrinho!)caia por terra,esmagada por tanto odio gratuito e preconceito.

Luciana disse...

Ai, gente, quê isso? Jesus é amor

Clap, clap, clap. Lolinha, adoro seus posts =D

Arnaldo disse...

Lola,

Não sou evangélico (longe disso - na verdade não sou nada), mas acho que a homofobia não é exclusividade deles. A igreja católica tem uma intolerância muito clara em relação a isso, também. E quando um católico vem me falar o quanto é não-natural ser homosexual, lembro-lhe sempre da questão do celibato dos padres (será que isso existe mesmo?). Quer algo mais anti-natural do que isso? É mais natural transar com pessoas do mesmo sexo ou abdicar de fazê-lo?

E pensando nisso, no caso dos padres realmente castos (será que isso existe mesmo?), eles são homo ou hetero?

Dei uma olhada muito superficial no seu blog e gostei do que li. Vou olhar mais um pouco.

Luciana disse...

Arnaldo, outro dia eu li um comentário de um bispo (ou algo do tipo) falando que a união homossexual era um perigo para a espécie, pois corríamos risco de extinção.

Hahahahaha, um celibatário falando em risco de extinção é o cúmulo da hipocrisia.

Amanda disse...

Lola, da uma olhada no post da Luci sobre gatos, esta muito engraçado! Beijos!

http://casomeesquecam.blogspot.com/2010/01/o-pulo-do-gato_11.html

Maria Clara disse...

Eu só acho que a coisa é respeito, de todas as partes. Respeito de quem faz parte dessa realidade, de quem não faz e quem vê tudo de fora. Se você é religioso e concorda, se não concorda, se não tem religião, a coisa é RESPEITAR porque o que a pessoa escolhe geralmente não é de propósito, então se você gosta de pessoas do mesmo sexo que você tem, seria isso pecado e crime? Você não tem culpa, então não pode ser julgado. É injustiça.

Paula ZZT disse...

uau, deu pano para manga... cheio dos comentários. :-)
Nem vou perder tempo, pq realmente é lamentável...

Mas Vitor Ferreira, como assim "tão verossímil quanto em Saci Pererê". Você não acredita em SAci Pererê???? Não posso acreditar... Como assim? Mas na caipora acredita? No boitatá? :-)

Lola grande texto... Comentar o texto é chover no molhado... Até pq tem um monte de comentário bom já feito...

Lily disse...

acreito que a maioria das religiões sempre precise de alguém p/ "perseguir e catequisar"...índios, "bruxas", negros, mulheres, gays...não seria mais fácil e até mesmo correte pregar o amor sempre e não a perseguição!?

Julia disse...

Passou há anos da hora de os religiosos perceberem que:

1. A doutrina deles só diz respeito a eles. Eles NÃO PODEM usá-la para basear leis que servem pra TODO MUNDO. Quer achar que masturbação é pecado, acha. Quer achar feio gente que corta cabelo, acha. Não precisa ficar insistindo pras leis obedecerem a eles. Por sinal, o nosso país e outros que são laicos (por assim dizer, né) já dão ouvidos DEMAIS a gente que quer enfiar seus dogmas garganta abaixo de gente que não está interessada.

2. Assim como o Sol não gira em torno da Terra, a órbita da Terra também não tem como foco o que eles querem da vida.

3. Não custa NADA pegar suas crenças e guardar consigo mesmo e com o deus em que acreditam. Não tem por que ficar professando. Nem por que ficar insistindo.

| viviana | disse...

Eu acho assim: religião tem que ter dogmas, senão não é religião. Pra falar a verdade, eu não me importo tanto com o preconceito que essas religiões pregam.

O que incomoda é a força que a religião tem no Estado. Isso que é um perigo. Se eles fossem preconceituosos só lá no canto deles, entre os deles, ok. Mas o fato de que leis são feitas com base nisso é que é f*da.

Aqui na Califórnia, onde moro, há alguns casais gays tentando um processo contra a Prop8. Deixar na mão de gente preconceituosa direitos civis básicos, aí não dá pra aguentar.

anália disse...

Oi, Lola!

Nada a ver com o post, mas eu não pude deixar de pensar em você. Estou morrendo de vontade de fazer um seminário (só quatro encontros) chamado AS CONSTRUÇÕES DO FEMININO NA LITERATURA VITORIANA
Jane Austen, Emily Brontë, Lewis Carrol e D.H. Lawrence. Olha a sinopse, que legal!
"A rainha Vitória governou o império mais poderoso do planeta entre 1837 e 1901. Nesse período, a Inglaterra não apenas expandiu seu poder, mas também produziu obras literárias fundamentais. O curso discute construções literárias do feminino em três romances do século 19 inglês e seus ecos no começo do século 20. As estratégias de representação dos gêneros feminino/masculino são apresentadas como chave para a leitura e compreensão das bases ideológicas que vigoram até hoje no modo de olhar da modernidade."
Dá ou não vontade?
Bjs,

Anália

aiaiai disse...

jarid,

obrigada pela resposta. deve ser muito difícil se dizer cristã e não comungar dos dogmas diversos das diferentes denominações. Mas, a sua crença é sua, eu respeito totalmente, até porque me parece que foi uma escolha sua, não foi imposta por ninguem.


faço mais um comentário, aproveitando o comentário da viviana: eles tem lá seus dogmas e deveriam ficar com eles. OK. É isso que defendo também. Inclusive estou fazendo uma campanha pessoal para que as pessoas não votem em candidatos que se dizem dessa ou daquela religião. Religião é questão de foro íntimo, não deveria interessar numa eleição. Mas, a partir do momento que o candidato/candidata fica alardeando sua crença...acho que temos que nos mobilizar para que eles não consigam chegar a representar os brasileiros (seja para qq cargo). O estrago que a senadora marina fez ao se mobilizar para que o pt não conseguisse apresentar propostas a favor da união de homossexuais, mostrou que por mais bem intencionada que uma pessoa seja, ela não está preparada para exercer um mandato enquanto deixar questões religiosas interferir nas questões públicas.

Outro ponto (tá, sei que tá longo) que eu acho absurdo é que as religiões são impostas às crianças. Vc nem bem sabe o que é o mundo e os caras já te metem na cabeça que o mundo foi criado por um deus todo poderoso. aiaiai máximo para isso. Eu sei, sofri na pele!

| viviana | disse...

Concordo, aiaiai... Acho que precisamos saber escolher nossas lutas. Não dá para lutar contra gente que pensa dessa maneira. É batalha vencida. Ninguém vai fazer uma pessoa que tem esse nível de preconceito mudar de postura. Mas dá para lutar contra o poder que as religiões têm de ditar leis para todos os cidadãos, sendo eles religiosos ou não.
Que eles achem casamento gay uma aberração, que continuem achando. Mas fazer lobby para impedir que casamento gay seja realizado é outra coisa, e aí é que mora o grande problema. O mesmo vale para aborto, pesquisa com células tronco, ih, a lista é grande.

Adriana Karnal disse...

Depois de tantos comentários bons, nem preciso dizer mais nada...Lola é sempre uma provocadora...q bom!

Gaúcho disse...

Também acho que o problema maior é o poder que as igrejas têm perante o estado. Pra vocês verem até onde vai a influência das igrejas:

Quando eu prestei serviço militar, a turma toda de recrutas era forçada a participar de aulas de canto de hinos católicos; mesmo os que fossem evangélicos, judeus, umbandistas, ateus, e eu (simpatizo com as crenças de algumas religiões neopagãs, como a Wicca e o Xamanismo), todo mundo era obrigado a ficar lá ouvindo aquele coronel-padre (capelão) e cantando (ou fingindo que canta) os hinos. Claro que no batalhão também tinha oficiais evangélicos, que não gostavam muito disso, e revidavam: montavam cultos evangélicos, onde toda a turma de recrutas era obrigada a assistir...

Vejam o que isso significa: dinheiro, recursos, tempo útil dos militares, que são pagos com dinheiro público (NOSSO dinheiro) sendo usado pra religiosos fazerem propaganda da sua fé. Isso é menos grave do que político embolsando dinheiro que vem da mesma fonte?

No fim as pérolas que o capelão dizia, com sotaque característico de padre, viraram motivo de piada pra nós pelo resto do tempo de serviço. Acreditem, ele dizia coisas tipo: "- Quem leva namorada pro motel antes de se casar, está se prostituindo."

Arslem disse...

É muito mais fácil unir as pessoas quando ela tem um ódio em comum.

Anônimo disse...

Concordo com Adriana Karnal:
"Depois de tantos comentários bons, nem preciso dizer mais nada...Lola é sempre uma provocadora...q bom!"
Abraço da Fatima/Laguna

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Não querem perder o direito de ofender, mas quando a gente usufrui do nosso direito de livre expressão pra simplesmente falar que é agnóstico ou ateu, muitos acham um absurdo e tomam como ofensa.
Complicado.

Thais disse...

Lola, acho bem complicado essa sua posição, pois vc 'pegou' um blog de alguns cristãos protestantes que dizem isso, e tbm acredito que vc não conhece nenhum pouco a realidade de algumas igrejas evangélicas, e por isso não deveria generalizar, se seguimos "um livro no qual acreditamos", com certeza faremos o que ele nos ensina e ponto. Quem não acredita, que não siga e ponto também. Agora, quanto essa lei da homofobia, eles querem direitos que QUALQUER pessoa tem. E por que ser direitos exclusivos deles? Algumas pessoas devem ter ouvido o comentário mais que preconceituoso do jornalista Boris Casoy contra os garis, e por que ele não foi preso? E por que se fosse contra um homossexual ele seria? Discriminação e violência, contra qualquer pessoa é crime, e não somente contra os homossexuais e por isso, nós evangélicos, e MUITAS OUTRAS PESSOAS COM CRENÇAS OU SEM CRENÇAS não concordamos com essa lei que pode dar a alguém o direito de fazer o que bem quiser e se o outro se defender ou revidar de alguma forma vai ser processado ou preso por se hétero e o outro não vai sofrer nenhuma consequência por ser homossexual e SEMPRE poder usar o álibi de que foi vítima de preconceito. Assim tudo fica muito fácil. Vc devia procurar conhecer mais e não tirar conclusões precipitadas de casos isolados, até por que vc foi muito preconceituosa no seu texto.

Vitor Ferreira disse...

Thais, você parte pro ponto de vista que pede "dêem-nos o direito de expressar o nosso preconceito". Todas as minorias sofrem preconceitos, e ainda mais uma que não tem nenhum direito civil garantido. Ser cristão não é uma delas. E eu acredito que se são vítimas de preconceitos, é porque disseminam muitos também. Você aparentemente não tem consciência do que é ser sempre ofendido, ser vítima de piadas em todos os locais, ter que lidar com auto-aceitação, aceitação da família, e ainda ouvir de líderes religiosos (que suspostamente deveriam pregar amor, respeito, compreensão e tolerância) que são aberrações, desvios de conduta, e que podem ser "curados". Dêem-nos o direito de dizer nas nossas celebrações que isso é errado e vergonhoso. Vamos fazer aquela criança que vai ser gay (nao importa o que o pastor diga, pregue, insista) cresça se odiando, com sérios problemas de aceitação, se case e forme uma família miserável, destruindo a sua vida e a de quem se envolver com ele(a). Vc devia procurar conhecer mais e não tirar conclusões precipitadas.

J.anquevitti disse...

Thais...assiste à esse videozinho e pensa um pouco ok?

http://www.youtube.com/watch?v=d-FuD7v7HeM&feature=player_embedded

Luciana disse...

Ai, Lolinha, acordei tão chata hoje.
Peço licença (e desculpas a tod@s) pela bíblia (hehehehe) aí de baixo.


Thais,

Dá pra ver claramente que você não sabe do que está falando.

Fico muito, muito triste quando eu leio ou ouço um comentário como o seu, que só está repetindo bobagens que o pastor/padre dizem. E eu conheço a realidade de muitas religiões por já ter participado delas ("graças a deus" eu caí fora).

Outro dia eu li um discurso exatamente igual ao seu num blog (infelizmente perdi a referência). Num post específico, o rapaz falava sobre a incrível pregação de um tal pastor Silas, que orientava a todos para que votassem contra o PLC 122, e usava os mesmos argumentos que você. Essas coincidências sempre me impressionam muito ;)

"lei que pode dar a alguém o direito de fazer o que bem quiser e se o outro se defender ou revidar de alguma forma vai ser processado ou preso por se hétero"

Você já leu o projeto? Entende o que está escrito nele? Assistiu ao vídeo que J.anquevitti gentilmente recomendou?

Se sim, deve ter percebido a besteira que você disse; deve ter percebido que o projeto de lei não criminaliza heterossexuais. Ele criminaliza homofóbicos.

Se uma pessoa (note que antes de serem héteros ou homos, somos pessoas) faz algo que você não concorda ou que te prejudica, você ainda (e logicamente) tem todo o direito de defesa. Mas eu te pergunto: chamar alguém de "viadinho" é defesa? E dizer que a pessoa agiu mal com você porque ela prefere se relacionar sexualmente com alguém do mesmo gênero (ou seja, é babaca porque é gay), é defesa?

Não, né? Porque uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Não sei qual é a sua realidade, mas acredito que você esteja ignorando a realidade das outras pessoas, que podem ser demitidas, humilhadas, agredidas (verbal e fisicamente) e rejeitadas, simplesmente por serem homossexuais.

A bíblia virou muleta para sustentar mentiras.

Você age de acordo com o que acredita? Posso supor que você seja uma pessoa coerente, ou que acredite na importância da coerência, então?

Vamos considerar (apenas considerar) que ser gay seja pecado, porque tá na bíblia que não pode. Você me responderia umas coisinhas?

Você sai de casa quando está menstruada (pelo nome, estou deduzindo que vc seja mulher)? Lá em Levítico "fica claro" que qualquer pessoa que tocar uma mulher menstruada ficará suja o dia todo. Se jesus vier e você estiver menstruada, será que ele vai te levar?

"As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja." (Coríntios)

"A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio" (Timóteo)

Só pra fechar, "se defender ou revidar" é feio. jesus mandou dar a outra face, lembra?
Mas ele também disse pra gente praticar o amor e talz. Mas quem liga pro que ele disse?

Dogmas existem para serem questionados.

Bárbara disse...

Sobre esse negócio de imposição da religião às crianças, eu me lembrei de um diálogo entre minha mãe e meu irmão (de 8 anos):

Ela: Qual é a sua religião, Thales?
Ele: Err... não sei.
Ela: Católica!
Ele: Ahhh, é.

Porque para ela, religião resume-se somente a um nomezinho bonito que as pessoas dizem para se identificar em grupos ou seja lá como for.

Marivone disse...

Lola, em todos os locais que circulei nessa vida (trabalho, escola, estágio, família) AS PESSOAS ERAM (SÃO) HOMOFÓBICAS.

(*Hoje mesmo, no estágio, ouvi piadas terríveis sobre um dos integrantes do Big Brother)

A única diferença é que os religiosos não são tão hipócritas de negarem. Eles falam o que pensam, defendem o que acreditam ser errado e eu acho isso incrivelmente louvável.

É absurdo, é. Sou contra, sou. Mas eu prefiro muito mais isso do que o que acontece com os negros: racismo velado e nojento. Que nós, negros, não sabemos de onde virá.

E, embora eu tenha todas as ressalvas do mundo com relação à religião - discípula de Richard Dawkins-, eu acho incrível que eles, pelo menos, abram a boca para dizer o que acham.

Agora, é claro que, no futuro, quando eles precisarem, homossexuais deixarão de ser nojentos. Vide os próprio negros... Ontem eram desalmados, dignos de serem escravizados, hoje são irmãos.

O mesmo será com os homossexuais. Ontem e Hoje dignos de serem execrados. Amanhã, irmãos.

Por fim, qual a razão de incomodar tanto o que as pessoas fazem na sua intimidade??? Eu não consigo entender isso! O que é que temos a ver com a intimidade dos outros? É ridículo.

Marivone disse...

A Mari Moscou comentou algo extremamente interessante.

Enquanto os gays não se assumirem, a coisa vai continuar complicada. O que interessa é esfregar na cara das pessoas: tou aqui, tou vivo, sou feliz e daí?

P.S: Uma vez minha mãe chegou em casa super triste comentando uma cena que viu:

Uma senhora negra (do alto de uma janela de uma casa de dois andares) jogou um balde de água em um rapaz (homossexual) que vinha passando com amigos. Lógico que todo mundo se molhou, mas o balde foi nele. E ele segurou a mão de um dos amigos - não o deixou brigar -, continuou andando e foi embora.

Eu fiquei sem acreditar. Parece coisa de filme, mas foi verdade. Em tudo o que me chocou foi o fato dessa mulher ser negra, parte de um grupo também tão marginalizado.

Triste.

Se as ditas "minorias" se unissem, as coisas também seriam melhores.

J.anquevitti disse...

É Marivone, ainda há muita falta de união entre as minorias, se elas se unissem com mais frequencia, afinal, sabem o que é ser discriminado, as coisas seriam um pouco melhor para tanto os gays, as mulheres (maioria mais tratado como minoria), os negros e para outros grupos.

Só não acho que o preconceito que a Igreja demonstra seja algo louvável.
Ok, se elas odeiam que vivam no mundo fechado delas, mas querer impedir que outras pessoas tenham dignidade e direitos é um absurdo, porém, concordo com o que você escreveu, que as igrejas a cada 2 séculos (mais ou menos) escolhe algum grupo pra perseguir, e depois que o racismo passou a ser considerado algo inaceitável há uns 50 anos, ela passou a perseguir um novo grupo, os gays.

Mas olha, sou completamente a favor de se assumir, acho que tem que ser assim mesmo, o problema é todo o ódio que a pessoa vai encontrar quando o fizer, que não é pouco.

Mas também, depois que a gente se assume, a gente tira um certo peso das costas e sabe ter jogo de cintura com o preconceito, pois só assim a gente aprende ter auto-estima.

Jonas

Moda MeSsHhmo disse...

Oi Lola, concordo com você...mas acho que a Igreja Católica também deveria ter sido "exposta" nesse post...que fique bem claro que eu não tenho religião alguma...mas no Catolicismo tudo é muito obscuro...tô começando a ter uma raiva profunda por pessoas que se dizem religiosas...
Tô fazendo do seu blog um divã...mas caráio...dia desses fui comprar pão e uma pessoa muito religiosa me pediu que trouxesse pra ela, aí eu disse que iria ao supermercado e perguntei se o pão poderia ser do mercado X e ela disse que poderi ser qualquer um pq os pães eram destinados aos empregados...PQP...o pior foi o filé mignon...ela veio pertinho de mim e disse assim (a empregada estava na cozinha junto com a gente) comprei filé mignon mas vou fazer amanhã pq não tem empregado em casa...Essa senhora é super cristã, estudou Teologia, toda semana tem grupo de oração na casa dela...será que eu é que penso errado? É errado achar normal que o meu almoço seja o mesmo do meu empregado? Qual é a diferença? Quero uma ajuda...please...sem hehehe's...
Moro no RJ e aqui tá fazendo um calor insuportável...
Na casa dessa senhora tem um senhor que vai lá toda semana varrer o quintal, lavar o carro, fazer pequenos reparos e no final do dia o pobre do homem já tá pingando de tanto suor...ela diz que ele pode tomar banho (boazinho, não)...sendo que o único banheiro que ele pode usar é um que tem um chuveiro que parece um pinga gota...sendo que ela mora numa casa com mais três banheiros...será que eu estou ficando louca de achar isso um absurdo?

Shoujofan disse...
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Shoujofan disse...
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Aurelio Coelho disse...

Thais
não propague um discurso que você ouviu na sua igreja.
Leia o projeto, e volte aqui para discursar sobre os trechos que te incomodam. Tire suas próprias conclusões e apresente para nós.

Essa histórinha de "extinção da humanidade" já está bem batida. Direitos iguais de "preconceito" também já cansou.
Novamente, você vem usar uma estratégia de apresentar apenas um único evento isolado (Boris Casoy) para generalizar uma causa por toda uma categoria. Se for assim, garis são agredidos e humilhados todos os dias nas ruas. Garis não podem sair juntos na rua que seriam olhados com desaprovação. E pior ainda, garis não podem dizer que são garis, pois isso comprometeria a integridade de sua vida.

Entenda o que é "Ser uma minoria" e daí terá mais combustível para separar argumentos e discurssar, questionar.


J.anquevitti
Vamos arquivar então a PLC/122 e retomar o "Direito de qualquer pessoa portar uma arma" (tem uma lei pra isso).
Assim ficaria mais fácil para todo mundo anunciar que é GAY, em meio a uma sociedade tão cheia de preconceito e ainda perigosa.
Eu seria o primeiro a comprar um revólver, e usar na primeira situação de perigo contra a minha integridade física.
(Desculpe da ironia)