quinta-feira, 19 de novembro de 2009

GUEST POST: ORGULHO DE SER LÉSBICA

Conheci a Renata na UFSC, onde ela fez mestrado em Literatura em Língua Inglesa um tempinho depois de mim. E antes, sem saber, eu tinha dado aula pra namorada dela. As duas são uns amores. Renata é jornalista e tem um ótimo blog que eu adoraria que fosse atualizado com mais frequência, pois sempre aprendo muito com ele. Pedi pra Rê nos dar uma canjinha e ela atendeu. Sorte nossa.

(Muito) tempo atrás a Lola me pediu pra escrever um guest post para o Escreva Lola Escreva sobre aspectos da vida de uma lésbica assumida. Jornalista que sou, resolvi pegar o gancho da tal da enquete do Senado sobre a aprovação do PL 122 que está causando um furor na blogosfera nos últimos dias. Não sei se quem está de fora está acompanhando, eu explico: o PL 122 é o Projeto de lei que criminaliza a homofobia e está em trâmite há anos nas casas do Congresso.
Atualmente está assim: o projeto chegou a ser aprovado pela Câmara, mas na Comissão de Assuntos Sociais do Senado foi aprovado na forma de um substitutivo, com um texto mais light que inclui idosos e deficientes. Agora tem que ser aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa para daí voltar à Câmara novamente... e aí a dança continua...
A enquete do Senado é simples: você é a favor do projeto que criminaliza a homofobia? Ela gerou um movimento tanto dos evangélicos quanto da populaçãp LGBT, nenhum lado quer perder a votação, que atualmente está 51% a 49% pra gente. A corrida para votar foi tanta que a enquete foi tirada do ar na semana passada por problemas técnicos.
Acho que para a maioria das pessoas é apenas mais uma das questões polêmicas do legislativo, ente tantas, mas pra gente que vive o preconceito todos os dias cada batalha dessas é importante. É difícil ver as pessoas tão empenhadas em lutar contra o que eu represento. Poxa, o que eles querem mesmo é o direito de continuar nos ofendendo abertamente, de pregar a "cura" dos homossexuais. Realmente fico pensando no que motiva essas pessoas.
Bom, a Lola pediu para eu falar sobre como é a vida de uma lésbica assumida: ela é assim, é saber que tem gente que perde o sono por saber que eu sou feliz por ser quem eu sou. E eu sou mesmo. Tenho orgulho de ser lésbica e lutei muito pra chegar até aqui.
Demorei para me assumir, só fui me dar conta da minha homossexualidade com 21 anos. Foi bem difícil, ninguém está preparado psicologicamente a não pertencer à sociedade. No fundo a gente sempre sabe da verdade, mas é tão complicado desafiar tudo que o mundo te prepara para ser desde criança. Meu conflito foi mais interno mesmo, mas depois de muita reflexão, de muita angústia, eu me aceitei. Esse foi o primeiro passo.
O segundo foi compartilhar isso com as pessoas que eu amo. Meus amigos foram tranquilos, alguns até já imaginavam. Já com a minha família foi um pouco mais complicado. A reação não foi das melhores, mas eu entendo que assim como eu levei um tempo para compreender e aceitar tudo isso, eles também precisaram desse tempo. Rolou muita terapia e conversa e lágrimas, mas no fim deu tudo certo. Hoje eles me aceitam, gostam muito da minha namorada e acho que se deram conta de que eu continuo sendo a mesma Renata, mesmo sentindo atração por pessoas do mesmo sexo (como se isso mudasse quem eu sou...). Depois de um tempo eu me assumi também para os outros parentes: tios, avós, primos, etc. Alguns foram tranquilos, outros precisaram de um tempinho também... Agora, cinco anos depois, parece que nem aconteceu todo aquele drama.
O último passo, para mim, foi me assumir no trabalho. Como eu não sabia onde estava me metendo, com quem eu estaria lidando, voltei pro armário nos primeiros meses. Mas se tem uma coisa que quem já se assumiu odeia é ter que ficar no armário. Depois de todas as conquistas e sofrimentos ter que ouvir piadinhas de gays no escritório é realmente o fim. Porque as pessoas têm essa necessidade? É realmente vital ter que tirar sarro do Richarlyson todo dia? É um comportamento adequado ficar falando de ex-colegas gays o tempo todo? A ironia é que as pessoas fazem piada porque acham que não tem nenhum gay por perto... tsc tsc. Se ao menos soubessem de quantas vezes deram fora... Uma vez que eu me estabeleci no meu emprego, comecei a me assumir aos poucos pras pessoas com quem eu trabalhava, e após um tempo as piadinhas pararam (ainda bem).
E depois de tudo isso a gente ainda tem que ouvir de senadores da república que ser gay não é que nem ser negro ou ser índio, que o negro e o índio nasceram dessa forma mas que ser gay é uma "opção" e eles querem o direito de ter preconceito contra essa "opção" (as aspas são do meu repúdio pela expressão). Depois de tudo isso tenho que ouvir que preservar os direitos dos gays seria criar uma sociedade de castas, que teríamos então que ter leis que protegessem os "circenses, engraxates, empresários, lojistas, desempregados, [teríamos que criar leis para o] pipoqueiro, porteiro do prédio, religioso, padre, pastor, chefe do centro espírita, a qualquer um" (as aspas aqui para evidenciar que eles realmente disseram essas barbaridades, conforme consta nos autos―ver aqui um exemplo).
É duro ouvir isso de representantes do povo. Às vezes no meio da correria do dia-a-dia eu me esqueço que sou uma sub-cidadã brasileira, com inúmeros direitos a menos que o resto da população, mas daí vem um senador e diz isso e me lembra. É como se fosse dito: "sim, vocês são marginalizados e nós preferimos que a situação continue assim". Eles realmente não fazem ideia do que é sofrer preconceito dentro e fora de casa e ainda sair de cabeça erguida. Tenho a impressão de que eles acham que ser gay é um grande capricho e que nós queremos impor isso ao resto da população, a chamada "ditadura gay".
Bom, eu tenho novidades para essas pessoas: ninguém passa por tudo isso por capricho. A gente tem que lutar contra o mundo e tirar coragem não sei de onde simplesmente para poder aceitar que ser diferente é ok. A gente passa por um dilema toda vez que tem que dizer os pronomes certos em relação à namorada para um vizinho ou colega novo de trabalho.
Para alguém gay ou lésbica, ser assumido não termina quando você diz "Eu sou gay" em voz alta: é um ato constante.
Eu sempre digo que não é fácil ser gay, é por isso que os índices de suicídio são mais altos entre adolescentes LGBT e talvez seja por isso que ainda haja muita gente vivendo vidas duplas, com medo o tempo todo. Mas, ao mesmo tempo, eu sinto que agora estou livre para ser a pessoa que eu sou realmente. Mesmo sem direitos, mesmo com o mundo contra mim, mesmo convivendo com um discurso de ódio, mesmo tendo muito mais chance de ser agredida na rua ao andar de mãos dadas com quem eu amo. Mesmo com tudo isso eu sou feliz só por poder dizer de cabeça erguida que sim, sou lésbica, e daí?

80 comentários:

Bau disse...

Lola, adorei o post da Renata, que é um breve relato da história de uma lésbica valente. Como lésbica e ativista (da forma como consigo, na academia e na vida), também me dá arrepios a expressão "opção" sexual. E se tem uma coisa de que me orgulho é de ser lésbica, e de ter enfrentado as lágrimas, as dores, as incompreensões e até a discriminação das próprias lésbicas para viver como vivo. Feliz. Beijos e parabéns pelo espaço no post.

Anônimo disse...

SOBRE A PESQUISA DO SENADO - IMPORTANTE!
Eu já havia votado na pesquisa antes do problema e hoje fui lá de novo - porque uma amiga me passou e-mail - e consegui votar novamente.
Achei estranho e tentei de novo, mas daí não consegui.
Acho que os votos dados antes do problema foram invalidados. Então, pessoal: TEMOS QUE VOTAR DE NOVO!

Neste momento, o sim tá perdendo.

Bárbara Reis disse...

É... eu entendo bem do assunto. HAHAHA... eu demorei pra me aceitar também, minha mãe e a familia materna sabe, meu pai e familia paterna, não... principalmente porque eu acho que a opnião deles não me afeta em nada. Eu sou assumida, mas confesso que eu não faço questão de contar pra ninguém... é algo meu... quem tem de saber já sabe, não comento nada com pessoas do trabalho... mas o chato é que as vezes pra evitar explicações acabo trocando o pronome por 'ele'... é bem chato... mas me dá preguiça explicar, e aturar perguntas do tipo: - como é que é?.... 'como é que faz?'... 'ahh, Babi, mas com homem é tão bom...'...
É? que bom pra você! ¬¬'
Muito chato isso...por isso evito.
Eu sempre andei de mão dada na rua, sempre beijei minhas namoradas, desde que não tivesse idosos e crianças por perto, pra mim sempre foi normal... desde sempre... sem medo de ser feliz, ou de apanhar...

Enfim... adorei o post... a Renata descreveu muito bem... :]

Beijão, Lolinha!

Renata disse...

Oi Lola!
Adorei ter escrito o post! Obrigada por ter publicado. Já falei pra todo mundo dar uma olhada, inclusive o pessoal do trabalho. ;)

É, quando escrevi o post ainda estávamos um pouquinho na frente, mas desde ontem o SIM está perdendo novamente...

A votação do projeto foi adiada para semana que vem... a gente sempre fica com o coração na mão... Hoje li uma notícia sobre Uganda, que quer aprovar uma lei proibindo a homossexualidade no país (que já é muito intolerante-O ditador Mugabe pediu para que todos os gays deixassem o país no ano passado). Vendo essas coisa eu fico feliz que mesmo lentamente estamos dando passos pra frente no Brasil.
Mas eu oscilo muito no meu otimismo: depois de ler sobre Uganda acho que estamos indo bem, mas depois de ver um pronunciamento do Magno Malta acho que ainda falta muito...

Laura disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Laura disse...

Lindo o texto da renata.

Só uma correção: a enquete foi retirada do ar pq foi invadida. num sei quantos milhares de votos de uma vez e todos eles no 'não'. Retiraram do ar para tentar aumentar a segurança. Por isso, agora tem código e tem um ip só pode votar uma única vez.

Eu não sei se o projeto passa. A bancada religiosa é muito, muito influente e ativa. vamos ver o que acontece depois que enfiaram os idosos e os deficientes no meio.

rapaz, eu tento entender qual que é dessas religioões preconceituosas mas não consigo, viu? 'amar a deus sobre todas as coisas, amar ao próximo como a ti mesmo (mas só se ele for igual a vc, hein!). ê, contradição.

E, bem, eu queria viver num mundo em que vc poder fazer uma opção sexual fosse ok. Você quer se aventurar, experimentar pra saber qual é a sua, nem que seja só de farra, de putaria, e está tudo bem. Sexo é tão bom, né, gente?! Ngm deveria ter nada a ver com isso.

Mas tudo bem. Se um dia a gente chegar num patamar onde a orientação sexual seja ok, já ta de excelente tamanho.

Só queria deixar claro que: não, eu não acho que seja uma opção. Ngm ia sofrer à toa e ter tantos direitos civis negados, né? Faça me o favor. Sem contar que gays/bis/etc existem desde que o mundo é mundo, né?

Lord_Anderson disse...

Parabens Renata por sua coragem em lutar p/ ser quem é.

Sobre a enquete...olha eu acho que não deveria ter.

Quer dizer, estamos falando de direitos, de leis p/ enfrentar o preconceito.

Isso não pode ser decidio num simples sim ou não.

Mesmo que a maioria da populão seja contra, a ideia da democracia é justamente proteger os direitos das minorias.

Resenha disse...

Eu como simpatizante também tive minhas dificuldades pra ser aceita. Cheguei a ter que escolher andar com meus amigos gays e me afastar dos héteros, ridiculo! Conheci pessoas as quais fazem parte da minha vida até hoje e nunca abriria mão delas por causa da ignorancia de pessoas, que embora amasse muito, eram simplesmente ignorantes.
Fui chamada de lésbica, minha mãe ouviu muitas piadinhas no sãlão de beleza que ela tinha, mas.. dane-se quem fala. Nasci negra, morrerei negra sei o que fazer parte da exclusão social e tenho o maior orgulho dos meus amigos que se assumiram e assumiram a responsabilidade de viver e lutar contra e exclusão.
Tenho o maior respeito por vocês gays. Renata adorei seu texto e a cada dia admiro mais a pessoa, as idéias, as paródias e a inteligencia que você tem.

Drixz disse...

Eu simplesmente amei o texto. Imagino como deva ser difícil lidar com pessoas preconceituosas todos os dias em todos os lugares. Eu comparo com minhas experiências ínfimas perto do que um LGTB sente todo dia. Eu apenas sou mulher e tenho tatuagens, mas já sofro minha dosezinha de preconceito. Fico triste toda vez que eu me lembro que existem pessoas que se incomodam com a felicidade alheia simplesmente porque elas, mesmo sendo "normais", são infelizes. Fico mais triste ainda por ter uma "amiga" evangélica e descobrir como funciona a intolerância em nome da "religião". Mas eu acredito que devamos fazer mais barulho e tentar aprovar o texto como está. Quem sabe a gente não viva mesmo numa democracia?

Renata disse...

Oi Anderson,
A enquete não vai decidir nada na verdade, é apenas mais uma ferramenta para avaliar a opinião pública sobre o assunto. O negócio é que em cada pesquisa sobre esse assunto é importante pra gente.

Obrigada pelos elogios pessoal. :D Acho que a minha história não é tão diferente da de muita gente por aí, como os comentários do blog evidenciam.

Gadelha disse...

Adorei o texto, realmente nossa sociedade é muito hipócrita o preconceito lastimável.

Mariana. disse...

Fico feliz quando alguém vítima de preconceito se assume.

Sabe, outro dia vi um cara dizendo que os gays precisam poupar as pessoas do comportamento deles. Que gays podem ser gays dentro de casa, nunca em público.

Absurdo, né? Vocês não precisam poupar ninguém, não estão fazendo nada feio ou errado e eu sempre fui dessa opinião.

Enfim Lola, parabéns pela iniciativa. Espero agora você escrever (ou convocar alguém para que escreva) um post sobre 'o orgulho de ser ateu'. Eu sou e vejo o quanto as pessoas são preconceituosas com isso. Não deveria, mas evito mencionar... Enfim, ia adorar ver isso aqui também.

Gadelha disse...

Boa idéia Mariana, seria bom ver um texto de um tema tão polêmico como esse, no blog "o segundo sexo" se discute muito sobre isso.

Gadelha disse...

gente viva a pluralidade!

Paloma Peruna disse...

Renata, querida, outro dia estava conversando com a Lola sobre evangélicos e homossexuais e foi uma conversa ótima. Por isso resolvi comentar mesmo sem muito embasamento teórico.
Conheço pouco o projeto de lei. Na verdade, não conheço nada pq ainda não li(só não vou dar uma olhada agora pq estou meio sem tempo). Tudo o q sei é de ouvir dizer, por isso tenho muito mais dúvidas que certezas. Bom, vamos lá.
Sou evangélica e concordo com toda e qualquer lei que impeça um ser humano de ser tratado como objeto de piada ou ridicularização (aí inclusos os pipoqueiros, domésticas ou quem quer que seja). Mesmo porque sou mulher e negra, ou seja, de preconceito eu entendo algo. Mas tenho algumas dúvidas acerca do assunto e q somente um homossexual poderá resolver com propriedade: no seu ponto de vista alguém dizer q, de acordo com a sua fé, homossexualismo é pecado é uma ofensa? Isso será considerado crime? Esse tipo de manifestação será considerada crime e/ou ofensiva? Dizer q a Bíblia não aprova relações homossexuais (dentre outras mil coisas) te ofende? Não são perguntas retóricas, eu efetivamente não sei. O que sei é q nunca presenciei evangélicos na rua protestando contra homossexuais, xingando ou fazendo as piadas grosseiras q vc citou (q são proferidas geralmente pelos chamados "liberais).
Toda a questão é extremamente delicada, especialmente pq a Constituição garante liberdade de culto. Por exemplo: eu moro em Salvador, onde há muitos adeptos do Candomblé.Daí q um monte de associações em defesa dos animais xinga os praticantes da religião pq usam animais em rituais. Eu não concordo com as idéias de quem é do Candomblé, acho horrível matar um bicho inocente com requintes de crueldade e tb acredito q seja pecado. Mas não xingo nem me revolto contra eles, ou defendo um projeto de lei para impedir q eles sacrifiquem os animais simplesmente pq é a fé deles; é uma seara em que eu não posso interferir.
O exemplo foi péssimo mas o que eu queria saber de verdade é q tipo de comportamento ofende/agride os homossexuais enquanto minoria. Pq os gays e lésbicas com quem eu convivo não se ofendem com a minha maneira de pensar, nem eu com a deles. Eu não os critico para que professem a mesma fé que eu nem tampouco eles querem que eu mude e diga que a Bíblia não condena homossexualidade, mesmo pensando o contrário. Nos amamos mesmo pensando diferente. É possível!
Por isso não concordo com a comunidade LGBT colocando a questão como se fosse uma cruzada contra os evangélicos (vilões de história) do mesmo modo q não concordo quando meus irmãos evangélicos colocam a questão como uma cruzada contra o pecado e o mau no mundo. Não tenho a pretensão de obrigar ninguém a se comportar como eu penso q deve. E não tenho mesmo qualquer restrição a alguém simplesmente por ser gay/lésbica. Gosto da pessoa do mesmo jeito, pra mim não faz diferença.
Bjo e espero ter conseguido ser clara.

Amberson disse...

Esse post me inspirou

muito bom

Gadelha disse...

Paloma concordo com vc quando diz que todos podemos viver em harmônia, respeitando uns aos outros. Você citou a liberdade de culto consagrado pela Constitução Federal, porém esta mesma Constituição consagra também a dignidade da pessoal humana a isonomia entre outros princípios, por isso mesmo temos que dar um basta a este preconceito, cada um faz da sua vida o que bem entender (claro respeitando o outro).

Christina Frenzel disse...

Renata, ótimo texto, parabéns!!!

Beijocas

Laura disse...

A pergunta não foi pra mim, mas eu vou me meter.

Paloma, admiro sua postura de não querer interferir na vida alheia. mas vc sabe que as religiões, em linhas gerais, não são assim. essa é sua postura, enquanto indivíduo. e essa cenas que vc falou que nunca viu, eu já vi e muito. é claro que não só de gente religiosa, né? o preconceito vai além disso.

concordo com vc que não deveria ser uma cruzada contra os evangélicos. mas é sim a bancada religiosa que tá segurando o projeto. basta ver as declarações dos deputados e senadores. mas, como eu já disse ali em cima, tb não são só os evangélicos.

quanto a vc ter citado a sua liberdade de culto, sabe aaquela frase que 'a minha liberdade termina quando a do outro começa'? os direitos e garantias fundamentais da constituição não são irrestritos. sempre haverá restrições, como num jogo de balanço e contrapesos. por exemplo, é livre a manifestação de pensamento, mas racismo é crime. veja que um direito limita o outro.

eu tenho verdadeiro horror a quem é racista. e, ainda bem, foi um preconceito que eu consegui me livrar de vez. há outros preconceitos que eu não consegui me livrar tão bem. às vezes, ficam resquícios. então, toda vez que eu penso se algo está sendo ofensivo ou não aos gays ou a qualquer outra minoria, eu subsituo pela palavra 'negro'. faça isso vc também. fica bem mais de reconhecer outros preconceitos. vai ficar ainda mais fácil pra vc já que vc é negra.

eu vou te dar um exemplo: lembra quando a cláudia leite disse que não queria um filho gay? eu lembrei imediatamente de um amigo que tb me disse isso. o argumento dele era o seguinte: o mundo é muito preconceituoso e não queria que o filho sofresse. há uns quatro anos, eu concordei com esse raciocínio. hj, no meu exercício de substituir com a palavra 'negro', me parece um total absurdo. já pensou alguém dizer: ah, não queria um filho negro, pq ele vai sofrer preconceito. pra mim, soa absolutamente preconceituoso. e pra vc? tente substituir por 'mulher' tb. todo mundo teria um filho branco, homem, hétero, torceria pra que ele não fosse ateu, que fosse rico, e no brasil, teria que nascer no sul/sudeste.parece razoável?

Bau disse...

Bárbara, tenho um certo problema em entender porque não podemos abraçar e beijar na frente de crianças e idosos. Minha mãe é idosa e demorou um pouco mas entendeu e hoje em dia é a maior defensora do respeito à diversidade sexual. Meus filhos entenderam e a mesma coisa aconteceu com eles, minhas noras e as famílias delas. E minha família. E os filhos de minha namorada. Sei que é chato ficar lidando com a curiosidade alheia, mas acredito ser necessário, pois a visibilidade pode ser muito benéfica. Não descarto o perigo do extremo de uma agressão física, por isso temos que ter cuidado. Incrível que foram minhas amigas lésbicas que se aborreceram comigo porque eu me apresentei como casal para suas famílias. Isso dá uma longa discussão. Abração.

Gadelha disse...

Laura faço de suas palavras as minhas. Preconceito em qualquer esfera que seja é muito ruim.

lola aronovich disse...

Espero que este ótimo post da Renata renda excelentes discussões. Acho que a Paloma levantou questões interessantes que precisam ser discutidas. O princípio de "liberdade de culto" é muito complicado. Como nesse exemplo que vc dá, Palominha, de animais sacrificados em cultos de umbanda. Há leis que impedem crueldade contra animais, e imagino que sacrifícios possam ser enquadrados nessas leis, não? De toda forma, eu sou radicalmente contra sacrifícios animais, e acho que nenhuma religião deveria poder realizá-los.
A mesma coisa com as religiões que não permitem transplantes, transfusão de sangue etc. Se a pessoa é adulta e prefere morrer do que ser tratada, por mim tudo bem, é um direito dela (pra mim, o corpo é de cada indivíduo, cada um faz o que quiser com ele). Mas e se for uma criança, e os pais não permitirem operações médicas?
Não são questões fáceis.
Paloma, em que post estão os comentários que trocamos uns dias atrás sobre evangélicos e homossexuais? Eu queria colocá-los aqui.

Bau disse...

Paloma, pela maneira como você se expressa, já se vê que é uma pessoa diferente, respeitosa. No entanto, escondendo-se atrás de seus credos, muita gente, não apenas evangélicos, tentam proibir os direitos humanos dos homossexuais. Direitos humanos não têm a ver com o que a Bíblia diz, mesmo porque há controvérsias. Não quero entrar nesta questão, que é de foro íntimo, mas para mim a Bíblia é um livro como qualquer outro, que foi escrito em outro contexto por várias pessoas, traduzido e retraduzido em diferentes contextos e servindo a diversos propósitos, a maioria de organização social e econômica. Enfim, não dá para usar esse argumento para massacrar seres humanos tão dignos de plenos direitos quanto os outros. Se vc é uma pessoa honesta, ajuda os outros e cuida de sua vida e tem cuidado com seu ambiente, qual a importância de vc constituir uma família com uma mulher ou com um homem? Enfim, parabéns por ser a pessoa respeitosa que é. Mas lembre-se que a maioria não é como você. Abração

Masegui disse...

Renata,

Parabéns, belo texto! Parabéns, também, por ser quem você é!

Lolinha,

Quer dizer, então, que eu não posso ir à praia porque Minas não tem mar? E você que vai dar aulas na UFC, em Fortaleza, morando em Joinville? Explica aí...

Tá, eu sei que você estava só me sacaneando, mas saiba que eu estou a 450 Km de Guarapari, nosso quintal. É um pulo. Bem pirtim! :)

Gadelha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gadelha disse...

Bau, vc foi bastante diplomática ao citar a bíblia, para mim, ela é um dos maiores cintos de castidade existente e ainda resposável por grande parte do preconceito que existe. Claro que existem coisas boas, exemplos a serem seguidos neste "tão sagrado" livro, mas pq temos que nos privar por algo só pq a bíblia diz que é pecado? ou pq o papa não quer que usemos camisinha?

19 de Novembro de 2009 12:00

aiaiai disse...

to super sem tempo, só queria aplaudir o post e o comentário da Laura
clap, clap, clpa

além é claro da iniciativa da lola de abrir o blog para gente inteligente!

Paloma Peruna disse...

Oi gente! Continuando o papo:
Sei q mta gente (religiosa e não religiosa, como bem lembrou a laura) tem atitudes ridículas e preconceituosas. Infelizmente, isso não é privilégio dos integrantes de uma classe social ou religião.
Mas o q eu queria mesmo saber, inclusive para formar a opinião q ainda não tenho a respeito, é se a lei (q ainda é projeto), impede por exemplo que cristãos afirmem que acreditam que homossexualismo é pecado. E se essa afirmação é ofende os homossexuais. Para mim, esse é o ponto principal. O que afinal querem criminalizar? As piadas do zorra total (sou a favor, onde é q assina?) ou a afirmação de que homossexualismo é pecado para os cristãos (aí já entramos numa seara perigosíssima)? Sou a favor, por exemplo, de criminalizar a conduta de quem não contrata e/ou despede alguém simplesmente por ela ser gay. Isso é preconceito. Outra coisa completamente diversa é a fé de um grupo, q deve ser respeitada e não representa manifestação de ódio. O problema é q jogaram tudo no mesmo barco, o que gerou as reações e as polêmicas.
É preciso definir mto claramente q tipo de manifestação será considerada preconceituosa ou não, pq como as meninas bem lembraram, é preciso haver harmonia entre as garantias/direitos de liberdade de culto e dignidade da pessoa humana.
Fazendo o exercício que a laura comentou, q é ótimo e mto ilustrativo: se um grupo professasse e afirmasse que ser negro é pecado e que é contra o livro sagrado deles ser negro eu simplesmente diria "ok, mas penso diferente". Só não posso admitir q saiam à rua para me zoar ou agradir por ser negra.
Já visitei inúmeras igrejas, de diversas denominações (apesar de frequentar a igreja batista), conheço centenas e centenas de evangélicos e o clima sinceramente não é de ódio a ninguém.
O que dificulta a percepção da outra face da moeda é q os evangélicos também sofrem preconceito: são sempre retratados como tapados, ignorantes, reacionários, burros, preconceituosos... Essa imagem já faz parte do imaginário da nossa sociedade. A Globo, q é católica, adora colocar uma crente louca na novela. Se for hipócrita e tiver caráter duvidoso, melhor ainda. Assim cmo os homossexuais são retratados de forma caricata.
Daí q já se formou a turba, tanto de um lado quanto de outro, e fica difícil analisar com clareza a situação. Para mim, ambos tem seus pontos de erro e acerto e discussões apaixonadas/acaloradas só nos afastam de uma solução digna e justa pra todo mundo.

Marina Magalhães disse...

Gostei MUITO do post. Me identifiquei bastante.. parabéns! Você soube expressar muito bem como é a vida de uma lésbica assumida.

Eu tenho VERGONHA ALHEIA de pessoas homofóbicas. Porque sei que daqui alguns anos as coisas vão melhorar pra gente e piorar pra eles. Tenho muita fé nisso. Olho para os países de primeiro mundo e vejo como o nosso ainda pode mudar.. É uma mentalidade muito PEQUENA a desses homofóbicos. Isso pra mim se chama desejo reprimido, porque de uma forma ou de outra, nós somos LIVRES, fazemos o que queremos e isso os incomoda. Incomoda porque nós fazemos isso e eles não, nós damos a cara a tapa.. eles não tem coragem de faze-lo e por isso morrem de inveja e raiva.. :P

Somos LIVRES, graças a Deus! Livres com a nossa propria consciencia, livres no nosso 'mundinho' que é muito mais colorido e divertido que o deles. hehe

Parabéns, mais uma vez, pelo Post. Muito bom.

Mariana N. disse...

Esse post foi tão bonito que eu vou ficar quietinha só admirando.

Paloma Peruna disse...

Lolinha, tá no posto de 14.11, sobre os mimadinhos da elite. Lembrei principalmente pelas fotos dos bebês chorando... ownnn! Bjo

Renata disse...

Olá Paloma,

Vou tentar responder às suas perguntas. Eu não acredito que dizer que homossexualidade é pecado será o objeto do projeto. A intenção dessa lei é, ao meu ver, impedir que quando você diga que é pecado também diga é uma perversão, que ligue isso à pedofilia, à bestialidade, à poligamia. Se você acredita que é pecado, que a Bíblia condena, é uma coisa. Isso tem a ver com a sua fé e cada um responde pela sua.
Eu não me ofendo com isso, até porque não acredito nessa interpretação. Eu tenho a minha fé e tento ao máximo respeitar a dos outros. Mas se ao dizer que homossexualidade é pecado você também falar que vem de abuso sexual, que é uma perversão, que é doença, que está a um passo da bestialidade, etc. Isso sim me ofende. E eu não estou extrapolando aqui, isso acontece.
O objetivo do projeto não é colocar uma mordaça nos religiosos. Aliás, não tem a ver com religião. O objetivo é evitar que eu ou meus amigos sejamos xingados na rua, ou no trabalho ou na sala de aula. Esse tipo de humilhação é frequente para alguns. Eu imagino que você nunca tenha presenciado esse tipo de coisa, mas garanto pra você que acontece. Não é o tempo todo, mas todos temos histórias para contar.
A ideia é ter um respaldo jurídico para crimes por intolerância. Não sei se você sabe, mas tem gente que sai na rua para bater em gays. A gente começa a se sentir marginalizado mesmo quando sente medo de apanhar só por andar na rua. Ainda bem que em Florianópolis, onde vivo, a situação é até tranquila, mas também temos casos por aqui.
A nossa cruzada não é contra os evangélicos, nunca foi. Nossa cruzada é contra a intolerância. O que eu não entendo é porque os evangélicos pegaram a homossexualidade como cruzada para si. Enquanto nós lutamos pela nossa inclusão, parece que os evangélicos adotaram a bandeira oposta, fazem de tudo para a nossa exclusão. Protestam contra o casamento gay, contra a criminalização da homofobia, contra gays em novelas, contra gays nos quadrinhos, contra literatura gay, etc. Não sei o que incomoda tanto.
Eu entendo o seu ponto de vista Paloma. Eu pessoalmente não gosto dessa polarização também. Acho que uma coisa não deveria interferir na outra, fé e sexualidade não são opostos, não há porque forçar isso. Eu convivo muito bem com pessoas de diversos credos. Meu melhor exemplo é o de um colega de trabalho que é pastor Mórmon. Ele tem convicções muito claras sobre homossexualidade, mas isso nunca foi um problema entre nós. Sempre nos respeitamos e nos damos super bem. Eu considero o nosso relacionamento como um modelo de respeito entre duas pessoas que pensam muito diferente mas que convivem muito bem.
Paloma, espero também ter sido clara nos meus pontos de vista.

Paloma Peruna disse...

Obrigada, Bau! E q bom q vc ensina seus filhos a conviver com a diferença. Isso deve valer para tudo e todos: deficientes, evangélicos, negros, gays, nordestinos... Sem prepotência de ninguém. Vamos seguir tentando, amore! Bjo

Rita disse...

Renata,

seu texto me emocionou. Ele diz muita coisa que eu mesma já falei várias vezes, mas com muito mais força porque é dito por alguém que experimenta o preconceito na pele todos os dias. Sempre me incomodo com piadinhas homofóbicas e detesto quando se usa termos como "gay" e "bicha" como forma de xingamento, como se ser gay fosse uma ofensa ou um desmerecimento. Quer xingar? Chama de mau caráter ou ladrão. Aí sim, são coisas para se combater.

Eu tenho dois filhos, um casalzinho delicioso, e sempre penso que aceitarei as opções sexuais deles no futuro. Quero que eles tenham nossa casa como uma fonte de força e apoio para qualquer caminho que eles escolherem. Quero que eles cresçam sabendo que o mundo é bom porque é cheinho de pessoas diferentes e sabendo quais são os verdadeiros desvios de conduta (falta de respeito, preconceitos, arrogância). Conheço algumas histórias de pessoas que enfrentaram sofrimentos horríveis diante da não aceitação de sua sexualidade por parte da família. Você não entrou em detalhes no post, e nem precisaria, mas me passou a impressão de que, apesar dos conflitos, houve conversa e maturidade para ajustar as relações. Então, apesar da resistência inicial, tiro o chapéu para sua família que, no ritmo deles, conseguiu se livrar de amarras antigas, difíceis. Eu não recrimino meus familiares mais velhos por alguns preconceitos que estão tão enraizados em seus corações, acho mesmo que eles também são um pouco vítima da educação ultraconservadora que receberam e da sociedade machista onde vivem. Prefiro puxar a responsabilidade para minha geração que, acredito, tem uma obrigação maior de abrir os olhos e a cabeça.

Há muito ainda a se conquistar, especialmente em um país com políticos do naipe de tantos que temos aqui... mas atitudes como a sua e de sua namorada contam muito e têm um poder valoroso no combate ao preconceito. É um pouco trabalho de formiguinha também, mas quem disse que as formigas não vão longe, né?

E eu sei que ninguém perguntou aos gays se os heteros podiam se casar, e sei também que não tenho poder nenhum em decidir nada, que nem me cabe opinar, mas se me perguntarem se os gays podem se casar eu solto um alto e vigoroso YES. E mando cada um cuidar de sua vida, porque às vezes faz bem.

Foi um prazer "conhecê-la", Renata. Abçs!
Rita
___

Valeu, Lola.

Well Bernard disse...

Oi Renata... achei seu texto ótimo e é engraçado como nossas histórias são diferentes mas acabam sendo... iguais. Passei pelos mesmos conflitos internos, de autoaceitação, colocação para as pessoas que julguei mais importante.

O legal que você também discorreu sobre a PLC 122/2006. Estava com vontade de escrever sobre isso, mas eu sou muito passional e não ataco bem o problema.

Enfim, achei seu texto ótimo. Beijos!

lola aronovich disse...

Faz alguns dias, eu e a Paloma trocamos umas ideias sobre homossexualidade e evangélicos, no post sobre os mimadinhos da elite. É um bom exemplo como dá pra debater sem ofender ninguém, numa boa. Reproduzo os comentários aqui:

Paloma: Lola, aproveitando o momento, já que estamos discutindo sobre preconceito, queria te "falar" uma coisa: é muito feio o preconceito que vc (e a maioria dos leitores daqui) tem contra os evangélicos (e os religiosos em geral).
Em um outro post seu (acho q falava sobre preconceito contra homossexuais) vc colocou trechos do Antigo Testamento e foi bem agressiva ao colocar algo como "incesto e homicídio pode, homossexualismo não". Bem, Lola, as coisas não são bem assim. A Bíblia é um dogma: ou vc acredita que aquela é a Palavra de Deus para os homens ou não. Mas qdo vc lê a Bíblia vc descobre que a mensagem é exatamente de amor e respeito ao próximo. Não existiu ninguém mais de esquerda que Jesus (q foi chamado de subversivo e objeto de uma conspiração tb política, pq incomodava ao pregar para os pobres ideais como igualdade e solidariedade); ou mais feminista que Jesus (q sempre wera acompanhado por mulheres, q ousou dizer q as mulheres são iguais aos homens perante Deus). A Teologia é complexa e a história da humanidade contada desde o Antigo Testamento contextualiza todas as situações em que servos de Deus praticaram condutas muito erradas. E depois da vinda de Jesus, nos foi dada a oportunidade de sermos salvos e perdoados e de viver uma nova vida de acordo com o que jesus determinou. Enfim... acabei "pregando" pra vc. Não sou tão boa e clara ao transcrever meus pensamentos. Sei q vc não acredita em Deus e eu respeito.
O resumo é que os evangélicos não são pessoas horríveis e bitoladas que odeiam os homossexuais e outras minorias, como a maioria daqui pensa. Nenhum cristão que siga exatamente o q diz a Bíblia pode ser assim. A Bíblia diz, efetivamente, que homossexualismo é pecado. Mas prega q nós amemos a todos sem distinção e tb diz q existem mais outros inúmeros pecados e condutas pecadoras. Sou evangélica e isso não me impede de gostar de vc, gostar dos seus textos e, pasmem, concordar contigo na grande maioria das vezes. Se trata apenas de conviver com a diversidade. Apesar de o preconceito contra os evangélicos estar previsto na Bíblia como um dos sinais do fim, penso q vc é tão inteligente, educada e articulada q não pode continuar se colocando de modo tão agressivo. Vc sempre é contra todo e qualquer tipo de preconceito, mas os evangélicos pra vc tão na mesma categoria da ku-kux-klan no medidor de execrabilidade. É mto ruim ter sua fé sempre retratada como algo negativo, "idiotizante" (isso existe?!?), cerceador do reciocínio. Ainda mais sem connhecer os fundamentos do pensamento Cristão (quisera deus fossem colocados em prática, não haveria metade das situações q te revoltam).
Ademais, vivemos em um Estado laico onde todos devem ser iguais perante a lei. E considero q todos nós devemos buscar essa igualdade em todas as esferas da vida. Pense como seria bom derrubar mais esse preconceito e vivermos melhor.
Desculpa pelo comentário loooooogo.
Bjo

lola aronovich disse...

Minha resposta pra Paloma: Paloma, obrigada pelo seu comentário, acho importante. Não vou negar que eu tenho preconceito contra evangélicos. Já admiti isso num post. Não acho que seja um preconceito gigante, mas é do tipo que eu tenho que me lembrar, ao falar com um evangélico, que não devo pré-julgá-lo. E eu tento. Faço um esforço. Assim como algumas pessoas muito religiosas acham que ateus são imorais, egoístas, não têm valores etc, alguns ateus acham que pessoas muito religiosas (e, no Brasil, evangélicos entram nessa categoria de “pessoas mais religiosas” com muito mais afinco que católicos relaxados) são bitoladas, fazem tudo que a igreja manda, sem pensar, inclusive votando em quem a igreja manda. E mesmo que muitas vezes isso corresponda à realidade, não dá pra achar que é uma regra.
Mas Paloma, discordo de vc quando vc fala coisas como “a bíblia é assim, isso está claro na bíblia, cristão de verdade é isso e aquilo”. A bíblia, como todo e qualquer livro, está aí pra ser interpretada. Cada pessoa que ler a bíblia (ou qualquer outro livro) vai entender uma coisa. Isso é básico da teoria de leitura: que ler é um diálogo entre o que o autor escreveu e o que o leitor compreendeu. Só a obra do autor, sozinha, não se sustenta. Ela não existe até ser decifrada pelo leitor. E cada um vai decifrar de um jeito diferente. Portanto, a bíblia está aberta a montes de interpretações—basicamente tantas interpretações quanto há leitores. A gente pode até dizer que cada grupo religioso que forma uma nova igreja está interpretando a bíblia do seu modo. O erro que eu acho enorme é encarar a bíblia como única, a Verdade, a palavra de Deus. Porque isso é intolerância. É não aceitar que não existe UMA verdade. De que o que é verdade pra alguns não é pra todos.
E acho que os evangélicos realmente precisam sintonizar o discurso quanto à homossexualidade. É muito contraditório, a meu ver. Vcs aceitam os homossexuais mas não há dúvida que o que eles fazem é um pecado? Vcs os aceitam mas querem mudá-los? Vcs os aceitam desde que eles não pratiquem atos homossexuais? Não sei, cada um é cada um, mas, sinceramente, se eu fosse homossexual, eu não pisaria numa igreja que não me aceita como eu sou.
Também discordo de vc quando diz que vivemos num estado laico. Infelizmente, nosso estado não é laico. Sofre imensas influências da igreja católica. As mudanças que eu defendo (legalização do aborto, casamento gay, etc) não passam, inclusive, pela enorme resistência da bancada evangélica. Que é muito, muito conservadora.
Mas, em geral, eu falo bem pouquinho dos evangélicos (ou de religiões em geral) aqui no bloguinho, e menos ainda dos evangélicos brasileiros. Eu falo mais é da direita cristã, que é um grupo coeso nos EUA e que representa cerca de 25% da população de lá. Não sei se pode se chamar de preconceito o que eu sinto pelas ideias desse grupo. Eles expõem claramente suas ideias, tiveram um presidente que fez tudo que eles queriam durante 8 anos, são fortes e organizados. E eu acho que não tem uma só ideia que eles defendem que eu não seja contra. Isso é preconceito ou é posicionamento?
Abração!

lola aronovich disse...

Paloma: Lolinha, os evangélicos em geral acreditam que a interpretação da Bíblia é feita pelo Espírito Santo. É cmo te disse, Teologia é um pouco complicado de se falar em um espaço tão curto pq as informações ficam mto desconexas e afastadas do real. Precisa inclusive analisar a questão da tradução, pois algumas palavras em hebraico não tem um significado correlato em português. Mas é interessante, qdo vc mudar pro Nordeste vamos nos encontrar um dia!
Qto aos homossexuais é mais ou menos assim: amamos e aceitamos pq não nos é permitido julgar ninguém, nem condenar, nem constranger. Nada disso. Posso dar meu exemplo, q tenho amigos gays q amo mto mto e não os fico condenando e maldizendo. Mas, o pensamento dos evangélicos/cristãos oficialmente é de que se a pessoa (e vale pra qualquer pessoa, em qualquer situação) não reconhecer Jesus como seu único e suficiente Savador e deixar de pecar (no caso seria deixar de ser homossexual) prestará conta de sua conduta no Dia do Juízo. É uma questão de fé mesmo, sabe querida. De acreditar ou não nesses dogmas. E homossexualismo não é considerado um pecado maior q emntir, q falar mal de alguém... Enfim, é tdo pecado do mesmo jeito.
Qto às leis, penso q em obediência à Constituição, o Estado é laico meso. Ao menos no papel. A gente tem de fazer força para q seja efetivamente. E concordo q a bancada dos evangélicos mistura fé com legislação e sou contra essa postura.
Por fim, com relação à Direita Cristã, penso q seu caso é de posicionamento mesmo. Tb não concordo com nenhuma das colocações deles. Aliás, de cristã essa direita não tem nada. E não aguento nem olhar na cara do Bush (o q é um grabnde pecado, não consigo perdoá-lo). Os ideais da esquerda são mto mais cristãos.
Amo seus textos e a forma clara de colocar suas idéias.
Bjo grande!!

lola aronovich disse...

Minha resposta: Palominha (acho tão bonita a combinação do seu nome e sobrenome! É nome real, ou é artístico?), então, sei que pros evangélicos a bíblia só tem uma interpretação, a do Espírito Santo. Mas pra quem é ateu e não acredita em espírito santo fica difícil acreditar em palavra de Deus, né? Respeito quem acredita, não sou anti-religiosa. Já falei aqui mais de uma vez que eu acho que as religiões podem ser benéficas pra muita gente, podem contribuir pra qualidade de vida. E deve ser bom ter resposta pra todos os nossos mistérios passados e futuros. Algumas vezes eu já quis acreditar. Isso de vida após a morte, por exemplo, é uma beleza. É muito mais legal do que acreditar que já já tudo acaba.
Mas tenho mais respeito pela fé individual de cada pessoa do que pela fé institucional, pela fé organizada. Não que eu ache que as pessoas que acreditam em coisas parecidas não possam se organizar e se reunir e celebrarem juntas. Eu acho até bom. A minha birra é mesmo quando querem interferir nas leis de um estado que deveria ser laico. Pra mim, é muito claro: o estado não deve se meter com igrejas (liberdade religiosa pra todos), eas igrejas não devem se meter com o estado. Mas a gente sabe que não é assim que funciona.
Quanto à homossexualidade, entendo que vc, particularmente, não seja homofóbica. E também sei que, se um homossexual entrar na sua igreja (ou em qualquer igreja evangélica), não será hostilizado. Será bem recebido, recebido com amor. Mas é aquela coisa, né? A gente te aceita, mas o seu estilo de vida é pecaminoso. Eu acho muito contraditório, e imagino que isso afaste os homossexuais das religiões (eu certamente me afastaria se fosse religiosa, ou homossexual).
Acho importante que vc aponte sempre que enxergar preconceito da minha parte por aqui! Porque acredito, sim, que é uma luta a gente combater todos os nossos preconceitos. Uma luta diária.

Gadelha disse...

Lola, também acredito que para muitas pessoas a religião represente algo posivo, um norte, um consolo, uma esperança, e isso é muito bom. O difícil é encontrar um meio termo. Geralmete a pessoa muito religiosa tem a cabeça muito fechada, claro não são todos, mas na grande maioria a religião gera preconceito. Como você bem citou na sua resposta: A igreja (seja ela qual for) vai acolher um homossexual, mas acredita que ele está comentedo um pecado! Muito contraditório não acha? Não sou atéia, mas acredito que de certa forma, em nome da fé as pessoas perdem seus sensos críticos.

lola aronovich disse...

Excelente resposta, Renata, aos questionamentos da Paloma (e muitos deles também são MEUS questionamentos, pois sou a favor da liberdade religiosa e do free speech). Concordo: se a luta é contra a intolerância, todos os credos que dizem ser tolerantes deveriam se juntar a essa luta, não combatê-la. Parece óbvio pra mim.


Bauzinha, eu tô esperando um guest post seu faz séculos! Eu quero colocar aqui a sua história, que é totalmente diferente da da Renata em tantos aspectos, embora a luta seja a mesma. Eu passei boa parte da minha vida sem ter contato com lésbicas, sem ter amigas lésbicas (ou de repente eu só não sabia que eram; isso acontece comigo, que não tenho o mínimo gaydar). E acho que, pra muitas mulheres héteros, a situação é a mesma. E no movimento gay os homens parecem ter muito mais destaque que às lésbicas. E todo mundo sabe como as lésbicas são fetichizadas pela pornografia mainstream, que só aceita o lesbianismo se for pra excitar os homens. Por tudo isso, eu queria ouvir mais vcs por aqui!

lola aronovich disse...

Mariana, okay, vou tentar escrever sobre o ateísmo. Não é necessariamente sobre orgulho em ser ateia. É só o que sou. Tipo, eu tenho orgulho em ser hétero? Não, né? Mas sou ateia assumida faz muito tempo, e posso escrever sobre isso tb. Mas se alguém quiser escrever um guest post sobre orgulho em ser ateu, fique à vontade! O blog está sempre aberto a pontos de vista e vivências diferentes dos meus, desde que, lógico, não sejam pontos de vista preconceituosos.


Aiaiai, pela sua colocação em me parabenizar por abrir o blog para pessoas inteligentes, vc faz parecer que a autora principal deste blog é uma anta completa! Com todo o respeito às antas... há há há, mais uma pra vc entrar na minha listinha negra... (brincadeira, tá?!). Dizer listinha negra é racista? Sempre fico em dúvida nesses momentos.

lola aronovich disse...

E, já que estou falando sobre linguagem, uns toques aos não-iniciados: deve-se dizer ORIENTAÇÃO sexual, ao invés de OPÇÃO sexual, já que a maior parte dos homossexuais acredita que ser gay é tanto uma “opção” como ser negro, homem, mulher etc. A pessoa já nasce com essa orientação de sentir-se atraído pelo mesmo sexo, e essa “descoberta” da própria sexualidade ocorre tão cedo quanto ocorre pros héteros (quando foi a primeira vez que eu olhei pra uma foto ou imagem ou pro corpo ao vivo de um homem e pensei, “Hmmm.... Adoro muito tudo isso”? Não lembro! Mas muitos gays e lésbicas lembram). Outra coisa: a gente diz HOMOSSEXUALIDADE, não homossexualismo, porque homossexualismo lembra doença. A gente não diz heterossexualismo, né? Diz heterossexualidade. Então deve dizer homossexualidade também. Só tô apontando isso porque a gente não nasce sabendo! Em alguns posts mais antigos meus vcs devem encontrar a palavra homossexualismo, que eu usava junto com homossexualidade até que pessoas mais entendidas que eu (“entendido” também é gíria pra homossexual, como era nos anos 80 e 90?) me avisaram do erro. A gente certamente não faz por mal, faz por ignorância mesmo! E tem orgulho em aprender.
Agora já falei demais. Por favor, continuem comentando.

L. Archilla disse...

Legal esses comentários da Paloma. Eu, como já comentei por aqui, fui criada em igreja evangélica. na adolescência parei de frequentar, hoje em dia voltei. não sei se posso me considerar evangélica porque não sigo muitos dos preceitos da igreja, mas tudo o que eu teria a dizer a Paloma já disse e a Renata concordou.

um ponto que me chamou a atenção na fala da Paloma foi a da Globo católica. tempos atrás eu tava vendo uma novela que tinha uma crente louca, e minha mãe, que é crente fervorosa, se indignou. na hora eu não concordei, disse que era apenas UMA crente, não a representante dos crentes na tv brasileira; mas ela disse que nunca aparece crente na tv, quando aparece é dessa maneira. protagonista rezando pra santo, direto. e é verdade, né?

ah, e tb acho um porre quando as pessoas se assustam: "vocêêêêê???? indo à igreja?????? ah, fala sério, vc vai pra fazer uma média com a sua mãe, né?"

essa fala (super comum) nem merece comentário.

L. Archilla disse...

Lolinha, homossexualidade eu falo faz tempo, mas orientação sexual eu disse uma vez e meu amigo gay não gostou. ele disse que ninguém tinha orientado-o a ser gay. aí eu perguntei se ele preferia opção, ele disse que também não escolheu ser gay. então, na dúvida, acabo dizendo opção sexual mesmo. mas acho que orientação é melhor, né? não sei, o que vocês preferem?

Well Bernard disse...

L.Archilla, eu particularmente prefiro utilizar 'condição' para descrever a sexualidade, porque acho que fui condicionado, não sei como, na minha formação ainda no ventre da minha mãe.

A Lola, meu primeiro nome verdadeiro tem a ver com Well, mas não gosto dele, e o restante do que consta no meu RG é Gabriel de Borba.

Bernard vem de Bernard Marx, do Admirável Mundo Novo, e Well Bernard é uma longa história.

Bau disse...

Car@s, para vocês verem só as armadilhas que estão à nossa frente, eu cometi o erro de dizer: "Se vc é uma pessoa honesta, ajuda os outros e cuida de sua vida e tem cuidado com seu ambiente, qual a importância de vc constituir uma família com uma mulher ou com um homem?". Acho que me empolguei. Todos podem constituir família com quem quiserem, inclusive os desonestos, misantropos etc. Independente de sua postura, cor, classe, princípios, todos devem ter o direito em primeira instância.
Quanto à religião, se este fosse um estado laico, não teríamos a temida "bancada evangélica" fazendo lobby contra ou a favor de projetos de lei, dentro do nosso congresso nacional,e nossos futuros candidatos não precisariam ficar dizendo "graças a deus" e "acredito em deus" para ganhar eleição.
E Lola tem razão, muitos homossexuais não abraçam uma religião porque, de acordo com a leitura que fazem da bíblia, homossexualidade é pecado. Vcs acham que irei rezar e confraternizar em uma igreja que me vê como pecadora? não, não, não. Logo logo me virão com o discurso de pedir perdão a deus e de me curar. Então, Paloma, este é apenas mais um fator de exclusão. Hoje em dia muitos homossexuais estão criando dissidências dentro das religiões para se sentirem incluídos nesse discurso. Obrigada, querida, realmente tenho muito a agradecer a minha família pela maneira como todos agem em relação às diferenças todas, tanto de etnia, classe, sexualidade e de gênero. E agradeço a você a forma delicada, inteligente e respeitosa de lidar com nossas divergências. Um grande abraço.

Luciana disse...

Renata, adorei seu post. Parabéns.
Fico felicíssima quando leio histórias como a sua, mas não posso esquecer o mundo está cheio de intolerância e preconceito e que o caminho a se percorrer ainda é longo.

Paloma, dá uma olhada nesse blog http://plc122.blogspot.com/. Acho que tem muitas dúvidas respondidas de forma clara nele.

Lola, super apoio o post sobre ateísmo ;)

Luciana disse...

Ooooops, esqueci de colocar link no blog :P

http://plc122.blogspot.com/

Bau disse...

Ah, e um detalhe! Acho que a palavra orientação é uma tradução imprópria de "orientation", pois cria uma estranha situação no português, uma vez que orientar significa "guiar, dirigir, aconselhar". Figurativamente pode significar "tendência", mas pouca gente associa a palavra orientação a "tendência ou inclinação". Como disse uma amiga minha, sabiamente, se fosse OPÇÃO, muita gente optaria por ser heterossexual, sem precisar nem pensar se existe e para quê existe armário. Condição é uma palavra que me agrada, tem a ver com "estado e modo de ser". Bem...será que a gente tem que dar um nome para o heterossexual? Opção hetero? Orientação hetero ou condição hetero? ufa, quanta coisa! Lolinha do meu coração, vou escrever! Beijos e obrigada!

lola aronovich disse...

Ai, gente, sei que a gente tem que ser tolerante sempre, mas eu fui a esse blog que a Luciana indicou, e de lá fui parar num blog chamado União de Blogueiros Evangélicos, e olha, é difícil... É muito preconceito, muita homofobia. Por exemplo, este é um comentário que pincei de lá:
“O que as pessoas críticas não sabem, é que nós cristãos, não somos contra os gays ou coisa semelhante. Não somos contra o homem ou mulher homossexual, somos contra o homossexualismo, que é um desvio de conduta. Somos contra a sua prática. Quem não conhece um homossexual sequer, que não tenha problemas de alguma doença provocada por prática da atos contrários às ordenaças de Deus, ou seja, métodos nada convencionais para os padrões de Deus? Se Deus tivesse criado o homem para viver com outro homem, teria criado juntamente com a mulher, um homossexual!”
E aí eu vejo que esse tipo de discurso é praticamente padrão em igrejas evangélicas, e fica difícil não ser contra religiões que pregam esse discurso. Porque vamos admitir, essa opinião não é isolada. É padrão entre os evangélicos. E vem toda embalada no discurso de “não somos contra o pecador, somos contra o pecado”, que é mais ou menos como alguém virar pra mim e dizer, “Olha, não tenho nada contra você ser gorda, mas tenho muito contra a gordura. Deus odeia a gordura! Mas Jesus te ama, e você pode aceitar Jesus no seu coração e ser magra!”. Que, sinto muito, pra mim é “What the duck? A pessoa tá dizendo que não tem nada contra mim mas que eu tenho que ser do jeito que ela quer porque tá escrito num livro em que ela acredita?”. Desculpe, mas quero ser aceita como eu sou. Eu passei a vida toda ouvindo que gordura é péssima, que gordura mata, que eu sou feia por ser gorda—eu não preciso ir a uma igreja pra ouvir isso! Eu preciso de uma igreja que me acolha e me aceite como eu sou. (quer dizer, eu não preciso de igreja, é só um exemplo. E só estou puxando a brasa pro meu lado no negócio de ser gorda. Aí vem gente dizer: “Ah, mas ser gordo é opção! Não é como ser gay, que a pessoa nasce assim!”. Sei, sei. Ser gordo é tão opção em boa parte dos casos como ser baixo é opção! E desde quando essa discussão se “é opção ou a gente nasce assim?” pode servir de justificativa pra discriminar alguém?).
Eu vejo as igrejas evangélicas lutarem TANTO contra direitos iguais pros gays que não posso pensar que elas têm Jesus no coração. Seja lá o que isso quer dizer.

Marcos Vinicius Gomes disse...

Lola,

Há algo que me incomoda nas discussões, sempre acaloradas envolvendo homossexualidade. Uma é a questão religiosa, os ativistas dos grupos GLS acusam os religiosos de serem intolerantes, daí partir para o ataque pessoal é um pulo. Do outro lado também, os religiosos ultra conservadores(no caso específico, os evangélicos e em menos escala os católicos)que com seus preconceitos e visão míope de sociedade e das relações que a rege acusam os homossexuais de depravação, de serem responsáveis pela degradação da sociedade ocidental contemporânea, zzzz.
Tem outro ponto que também me incomoda, que é a questão gueto. Digo gueto, no sentido 'econômico'. Cito a parada gay de SP. Os jornalões, principalmente Folha fazem toda uma cobertura na semana do evento, dando a entender que para participar do evento, a pessoa tem que ser 'classe média alta'. O jornal dá toda a prestação de serviço, com matéria e preços de hotéis caros, restaurantes (caros), boates(caras)tudo para o participante 'classe média alta' da parada. E quem é da Vila Nhocuné e que deseja participar da passeata,sendo homossexual (ou não), não se sentirá deslocado? Parece que não existem 'pedreiros gays, faxineiras lésbicas, motoristas de ônibus bissexuais, caixas de supermercado transsexuais ? Na minha modesta e inóqua opinião, algo que deveria ser revisto é este apartheid (de fora para dentro ou de dentro para fora, não sei dizer ao certo) que rege a temática homossexual. Sabe, limpar de vez os estereótipos, as frases lapidares referentes aos homossexuais tais como "Puxa, eu gosto de andar com homossexuais porque eles são tão inteligentes', ou "Todo garoto de brincou ou brinca de casinha com sua irmã ou amigas será homossexual", ou "Preferiria ter um filho bandido do que tê-lo homossexual"(!?), ou ainda "Ser homossexual é cult,é blasé, não é para peão" (?!).São comentários como esses, vindos dos dois lados que enfraquecem o debate, levando a mais preconceitos e estereótipos.

Renata disse...

Eu já tinha visto esse blog... Nem tem como comentar... esse nem é dos piores... deveria ler o que os comentaristas do Estadão escrevem... É no naipe de assim como Deus criou o gato e a gata existem o homem e a mulher...
Como a gente argumenta com isso? Não tem muito como debater...
Dá uma olhada nesse bom comentário do Antônio Prata sobre esse movimento:
http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/?title=ditadura_gay&more=1&c=1&tb=1&pb=1
*Apesar de ele escrever pro Estadao o posicionamento dele é bem legal.

Paloma Peruna disse...

A questão homossexualidade (aprendi) X religião é mto espinhosa. Mas discordo de vc, Lolinha qdo fala q a igreja deve "aceitar as pessoas cmo são". Se todo mundo faz o que bem entende, não é mais doutrina nem religião. É simplesmente vida comum, né? Crença sempre vai ter acredito em X e não pode Y. "Obrigar", através de uma lei, que quem acredita no que está escrito em um livro (a Bíblia, no caso) seja impedido de dizer no que acredita é uma imposição mto dura. E mais duro, ainda, é dizer que a crença destas pessoas, a fé delas é errada. E é isso q se faz qdo se diz q é uma crença homofóbica e, por isso, errada.

Por isso gostei mto da resposta da Renata. Concordo com ela. É um absurdo associar homossexualidade com pedofilia ou abuso sexual. Isso tb não concordo. Cmo não concordo com o comentário q a Lola transcreveu do rapaz evangélico, q acredita q doenças são um castigo. Todos ficamos doentes e morremos e a teologia cristã explica as doenças de outra forma. Não é um castigo pessoal
Sei q esses comentários infelizmente são comuns. Mas tb são comuns as piadas e desrespeito promovidos por quem não tem religião alguma. Triste q se use a fé de forma equivocada.

Ah, obrigada Renata!! Amei seu exemplo sobre seu colega de trabalho.

Bjos, queridos

Lord_Anderson disse...

Eu de novo.

Renata, obrigado pela resposta.

Vc está certa claro, como homem hetero, eu só posso imaginar todas as dificuldades que vcs enfrentam mas comprendo que toda vitoria tem que ser comemorada.

Lord_Anderson disse...

Paloma.

Que bom que vc trouxe esse assunto a tona. Obrigado a vc, e a Lola e a todos os que comentaram com essa maturidade e respeito que seria muito bem vinda em outros locais de debate.

Contribuindo com meus centavos (não lembro qual a quantia certa)

Sou cristão (não muito bom é verdade, mas to me esforçando p/ melhorar) evangelico e infelizmente vejo muito das atitudes preconceituosas que foram aqui mencionadas.

Mesmo quando o discurso não é raivoso ah sempre uma condenação e um juizo de valor.

Mas tem pessoas dentro das proprias igrejas que tem tentado mudar isso, nem que seja no sentido de parar-mos de ter uma bancada evangelica usando seus mandatos p/ difundir preconceitos.

Não é facil, mas nunca é, certo?

Por outro lado a Paloma esta certa, não dá p/ ter uma religião sem criterios, sem "pre-requisitos", até pq no cristianismo ja começa com vc tendo que acreditar que Jesus é o Filho de Deus, que morreu por nós.

Mas acho que dá p/ fazer esses criterios se focarem no que importa, no carater, na etica, no desejo das pessoas de ajudarem uma as outras e ha fazer um mundo melhor.

P/ mim, isso é ter Jesus no coração.

luci disse...

tenho um amigo que me escreveu ha duas semanas dizendo que se assumiu pra mae. "cansei de pensar que as pessoas nao devem saber o que acontece comigo entre quatro paredes. mas afinal, eu nao sou gay somente dentro do quarto, eu sou gay 24h!"

fiquei feliz. deve ser angustiante nao poder ser voce mesmo. tao basico, nao, lola? mas soh da pra imaginar, soh da pra imaginar...

Renata disse...

Oi Paloma,

Pois é, acho que tem esse medo de que o que o movimento lgbt quer é influenciar as crenças das pessoas, mexer nas doutrinas religiosas para acomodar nossos pontos de vista. Esse fantasma deve mover muito dessas campanhas contra a lei. Essa ideia deve ser assustadora mesmo.
Mas não é isso que queremos.
Nós queremos deixar de ser "outros". A Constituição Federal protege as pessoas de preconceito certo? Mas os lgbt não estão lá:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
[. . .]

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Atualmente a orientação sexual está nesse "quaisquer outras" difuso. Sempre vai depender do juiz em questão se ele ou ela vai consider LGBT como uma categoria que entra nesse artigo... Por isso precisamos de respaldo jurídico.

As nossas lutas são mais pragmáticas do que as pessoas pensam. Precisamos de uma lei contra a homofobia porque quando alguém é agredido por motivo homofóbico não consegue processar o agressor direito. O agressor paga umas cestas básicas e nada muda. É a mesma necessidade da Lei Maria da Penha, não dá pra considerar abuso doméstico como simples agressão. Assim como não dá pra considerar crime por motivo homofóbico como um crime normal, é motivado por ódio e preconceito.

É o mesmo caso do casamento gay. Várias vezes me perguntaram: "Por quê vocês querem tanto se casar? Ninguém mais se casa, é tão ultrapassado isso. Parece que vocês querem se conformar às normas". Não é isso. Não queremos mexer na instituição do casamento, e muito menos nos conformar às regras da sociedade sobre relacionamentos. O que queremos são os mesmos direitos, só isso. Tem uma lista imensa de direitos que não são estendidos aos casais homossexuais nas mesmas exatas situações.

Bom... estou me alongando novamente.

ps: que bom que você gostou do exemplo do meu colega mórmon, ele não é simplesmente um colega de trabalho. É um bom amigo. ;)

Anônimo disse...

Sinceramente, acho que existe um exagero em prol do politicamente correto. Estão acabando com a liberdade de expressão... mas enfim, pra que nós queremos a liberdade de expressão não é mesmo?? A esquerda, virtuosa por natureza tem toda a liberdade que quiser, mesmo que seja para praticar atos criminosos, porque afinal, estava lutando pela liberdade contra a ditadura. A direita não pode nada, é racista, preconceituosa e rica... e claro, ser rico é péssimo para quem é da esquerda... ser rico é quase tão ruim quanto pegar piolho.
Lola, fico chocada com a hipocrisia da esquerda em acusar a direita de tudo que é tipo de racismo e não perceber que, ao estereotipar a direita, está sendo preconceituosa também. Mas a esquerda pode.
Voltando ao assunto da lei, sou contra. Acho horrivel o preconceito, mas o legislador nunca explica bem o que é a homofobia... no fim ninguém vai poder falar nada... ah, mas porque poderiamos falar?? Só as minorias, e a esquerda, que é maioria, podem falar... o resto que cale a boca!!!

Marússia de Andrade Guedes disse...

Paloma, você foi claríssima. Ficou nítido como a religião acaba com o senso crítico e até com a ética da pessoa. Ou será o contrário? Pra se ter religião é preciso antes não ter senso crítico e ética? Então, pela fé, podemos sacrificar inutilmente animais, apedrejar mulheres em estádios de futebol por crimes de adultério, matar pessoas por serem homossexuais, esquartejar albinos
por acreditar que partes do seu corpo tem poderes mágicos, fazer mulheres andarem de burca, espalhar preconceitos, etc? Se tais atitudes forem legitimadas pelos livros sagrados, então não devemos questionar? Sabe, Paloma, acho que você deveria rever seus valores morais! É por isso Mariana que eu tenho orgulho de ser atéia. Jamais compactuaria com os crimes que são cometidos em nome de deus. Os ateus tem sair do armário também. Faça isso e você se sentirá muito bem

Marússia disse...

Gostaria que a Paloma me explicasse como é que esse deus tão maravilhoso que ela acredita que criou o universo, os seres vivos, o planeta Terra, que bolou a fotossíntese, a respiração celular e tantas outras coisas fantásticas, também se preocupa com coisas do tipo: virgindade, exclusividade, sexo anal, sexo oral, sexo grupal,etc! Com tantos problemas mais sérios que ele não resolve, porque ficar se preocupando com o prazer das pessoas?

Marússia de Andrade Guedes disse...

Lola as nossas opiniões sobre os religiosos não são preconceitos. Elas são baseadas na observação de suas atitudes e de seus pontos de vista e em conhecimento histórico e científico. Você Lola não é preconceituosa, preconceituosa é a pessoa que nem sabe as causas da homossexualidade e diz que ser homossexual é pecado. E só pra informar: hoje as principais causas apontadas são genéticas!
Escrevi um texto sobre um gay que
quer ser aceito pelos mulçumanos.
www.marussiaguedes.blogspot.com

Ághata disse...

Não sei porque as pessoas protegem as religiões numa redoma...
"Ah, se ela acha isso ou aquilo pecado, deixa, afinal é a religião dela!"
Acho isso tão doentio!
Podem até dizer que não tem nada contra pessoas homoafetivas, mas será que, até por serem religiosas, não acham muito pesado dizer que homoafetividade é pecado?

Paloma Peruna disse...

Poxa, Marússia, que triste! Fico triste q vc pense assim. Na verdade, nem sei por onde começar já q para vc as coisas são tão radicais e ter fé em Deus já implica, de per si, em ser antiético e preconceituoso.
Só acho válido lembrar q os conceitos de certo e errado e principalmente do que é "ética" sofreram inúmeras mudanças nesses 2000 anos depois de Cristo. Passei os 5 anos de faculdade e os 4 de especialização/pós graduação discutindo o que é ética e ninguém chegou a uma conclusão definitiva. Aliás, vc ficaria impressionada (para o bem e para o mal) com a diversidade do pensamento humano. O q não mudou nada foi a Bíblia e as coisas em que os cristão acreditam. Crenças essas q influenciaram a defesa das minorias hj.
Qdo estiver tranquila, analise o q vc escreveu e perceba q vc está fazendo exatamente aquilo q critica nos outros: impor as suas crenças de certo e errado. Quem concorda contigo é bom e ético e quem não concorda é a personificação do ruim, capaz de comer criancinha frita. Tipo "buuuu, buuuu nazistas/terroristas/racistas/homofóbicos/machistas e tdo de pior q exista".
Sinceramente, penso q a vida fica melhor qdo há o respeito a tolerância q a maioria prega apenas da boca pra fora, pq é bonito falar e difícil de pôr em prática.
Sinceramente, antes dos blogs eu sequer conhecia ateus. Até duvidava da existência destes, achava q eram meia dúzia de intelectuais malucos. Mas acho importante ouvir quem pensa diferente para entender a diferença. Q nem o Milk qdo falou para os gays saírem do armário pois as pessoas precisavam descobrir q tinham parentes e amigos gays, e q gostavam deles mesmo assim.
Sua forma de pensar é uma construção social da época em que vc vive. E é uma época melhor, eu acredito, mas não deixa de ser construção social tb.
vc misturou tanto as coisas q só consegui me lembrar daquela cena de "ensaio sobre a cegueira" em q o Gael fala q todos estão chocados com a maldade do cego de nascença e ele diz: "ele é cego apenas. isso não faz dele bom ou mal".
Vale para um monte de gente dizer "ele é gay apenas" e parece q pra vc tá valendo "ele é cristão apenas".
"when your heart´s on fire, you must realize, smoke gets in your eyes"

Natália disse...

Adorei o texto, Renata! Lola, AMO seu blog!

Eu n sou assumida e acho péssimo ouvir um monte de piada e exclamações de horror a respeito de pessoas LGBT. Isso acaba comigo, principalmente qndo acontece dentro da minha propria casa. É um sofrimento mt grande, até pq eu tenho q ouvir calada pra n 'dar bandeira'. E o pior é q sendo bissexual, eu ouço piada e repudio dos dois lados e ainda levo fama de desorientada.

Aliás, acho orientação melhor q opção, com certeza! Ainda assim, prefiro 'sexualidade', pq sendo bi, percebo q essa coisa da orientação dá idéia de q vc tem q saber o q quer, só se pode gostar de uma coisa e, no fim das contas, o discurso anti-bi dos heteros e gays (principalmente) acaba caindo na msm idéia da 'opção' q tanto rejeitamos.

Qnto a pergunta da Paloma, acho mt complicada essa coisa de 'amo o pecador, n o pecado'. Tenho amigos evangelicos q me tratam bem e n tentam pregar pra mim q minha sexualidade é errada. Apesar de às vezes me sentir mal por saber q é isso q eles pensam, acho ótimo q me respeitem. Mas n gosto e n aceito qndo começam a qrer misturar 'n-heterossexualidade' com pedofilia, com ter sofrido abuso qndo criança, com zoofilia e perversão. Isso me ofende.

Mas a lei é sobre o preconceito! Acho q os exemplos q deram da discriminação no trabalho, na rua, da humilhação ilustra bem isso.

Mas a qstão é mais complicada qndo certas religiões pregam q se pode mudar de sexualidade. Sabe-se q n pode e q reprimí-la tras males a saude. Seria caso de preconceito e a lei seria contra isso tmb.

Anônimo disse...

Oi Lolaaaaaaaaaaaa!
Faz tempo não venho aqui por estar viajando mas andei por aqui outro dia e vi que vc está como sempre: cheia de energia de alegria e vontade de dialogar.Não sei se ajudo em alguma coisa mas vamulá:
1)Sou católica e gosto de missa e de rezar.
2)Adoro gente que tem dignidade, humanidade, inteligência e sensibilidade assim conforme é Renata.
3)Parabéns Lola! Parabéns Renata!
Abraçalhão da Fatima

Giulia disse...

Ahh adorei o post :D

Sei bem como é isso...
Minha família não consegue aceitar mesmo depois de mais de 5 anos fora do armário. Mas eu tenho orgulho de ser quem eu sou, orgulho de lutar pelo que eu acredito.

Infelizmente as pessoas não conseguem entender que a gente não escolhe isso. Que a gente não namora com uma mulher porque quer dar uma de diferente, e sim porque estamos amando aquela mulher.
Minha própria mãe fala que isso é falta de apanhar...¬¬ vê se pode.

Mas eu não me deixo abater por esse tipo de mentalidade. Sou o que sou,amo quem eu amo!

Nefelibata disse...

Renata, parabéns pelo texto e pela sua força, você vive uma vida revolucionária todo o dia e até invejo sua força de vontade e resolução. Parabéns mesmo.

Não li todos os comentários, então não sei se disseram isso, mas coloco do mesmo jeito: a questão da "pretensa opção" de ser ou não homossexual. Você falou que o Senado e outros devem achar que é capricho da parte dos homossexuais serem como são. Devem mesmo. Mas quer saber? Mesmo que fosse, ainda seria assunto de foro íntimo, pessoal, e ninguém poderia vir querer meter o bedelho nisso.

Ademais, queria saber se foi a Lola quem arrumou as imagens (parece que sim, segue o estilo). Achei o máximo a imagem em que (acho que) aparece o desenho da Sakura e da Ino, em mangá. Muito legal, hehehe

Arthur disse...

Lola, ótima escolha para guest post, principalmente num dia que me fez parar para pensar se realmente o Brasil avança ou retrocede quanto a 'nossa' questão. Tenho 22 anos, um namorado que amo infinitamente e com quem eu divido, além do amor, da amizade, do companheirismo, dos problemas e das felicidades, um apartamento. E olha, tivemos duas recusas de senhorios exclusivamente por sermos um casal. Somos ambos assumidos e não temos vergonha de ser quem somos, muito menos do nosso sentimento um pelo outro, mas ainda temos que andar com medo em um estado violento e preconceituoso (não só em relação aos gays, mas as mulheres também). Vou colar aqui o comentário que fiz no blog do Prata, achei o link aqui e foi impossível me conter diante das barbaridades que eu li por lá.

Abraços do oculto, porém assíduo leitor.

As pessoas aqui falam muito em não poder mais xingar os outros de viadinho ou sapatão, de não poder expressar suas opiniões e suas crenças, mas o foco da discussão foi completamente distorcido para tornar-se uma guerra infantil entre homossexuais e evangélicos, judeus, cristãos e o escambau.
O projeto de lei trata de humilhação, de subjulgamento, de agressão, violência física. ninguém quer tirar a liberdade de ninguém, a gente não quer queimar cruzes, nem quer dominar o mundo. Só quer poder viver uma vida igual a de tantas outras pessoas, sem interferir na preciosa instituição da família ou na religião de ninguém. A gente quer sair na rua e ser quem é, quer fazer uma entrevista de emprego e saber que não vai ser colocado no fim da lista por ser diferente, quer sair na rua de mãos dadas com quem amamos sem correr o risco de ser agredido, até mesmo morto, quer poder ter o direito de se unir com essas pessoas legalmente, constituir patrimônio juntos... enfim, nós queremos cuidar de nossas vidas, viver nossas vidas em paz.
Expor a Bíblia como argumento também não ajuda em nada, todos, TODOS sabem que é um livro escrito, costurado, remendado, censurado e manipulado, cada um usa como convém e se esquece de um dos maiores e mais importantes mandamentos: amai ao próximo como a ti mesmo.
Não sou contra evangélicos, católicos, protestantes, umbandistas, espíritas ou qualquer outros credos, a maioria de nós não somos. Mas também não preciso ouvir, no meio da rua, alguém dizendo q sou doente, que fui abusado ou que pratico pedofilia.
A questão não é, então, criar uma casta de gays, ou uma redoma de vidro inconstitucional que prive qualquer outro de seus direitos. É garantir uma vida segura, uma vida que não tenha tantos pesos a mais do que a própria vida já tem.

Paz.

Alba Almeida disse...

Olá, Lolíssima, minha querida,

Fiquei mais uma vez enriquecida lendo esse post, sabe Lola e cara Renata isso tudo é lastimável dos senadores, às vezes vejo essas atitudes como uma forma de punir, alguém seu(seu = família),... e ai num transforma e nem dá possibilidade de mudanças a toda uma sociedade. Parabéns, pela coragem e capacidade de se mostrar pro mundo.

Tolerância e tempo devem ser sentimentos apenas pra os Pais, por experiência de trabalho, o dia a dia têm me mostrado, que os pais sentem é medo, de que a família num tenha continuidade...
É isso...
Beijos e boa sexta.

Anônimo disse...

Paloma,

Cheguei tarde à discussão e nem sei se alguém ainda lerá isso, mas veja só porque fica difícil defender que a sua religião respeita os homossexuais, criticando o pecado e não o pecador (abaixo transcrevo palavras suas):

"É uma questão de fé mesmo, sabe querida. De acreditar ou não nesses dogmas. E homossexualismo não é considerado um pecado maior q emntir, q falar mal de alguém... Enfim, é tdo pecado do mesmo jeito."

Então os gays não devem se sentir ofendidos porque vocês acreditam que a homossexualidade é um pecadinho tão leve quanto mentir e falar mal de alguém? Porque, segundo a sua religião (e sua respectiva interpretação da bíblia, que não é a única nem a mais verdadeira), o gay é "só" um pecador como um mentiroso ou um injuriador? Isso me lembra essas pessoas que dizem "fulano é um negro lindo!" e não se dão conta do quão ofensiva é essa frase. E saiba ainda que a grande ironia, nesse caso, é justamente que o gay assumido é alguém que, contra tudo e todos, recusou-se a viver uma mentira (fingir desejar e amar quem não deseja e não ama), e é geralmente vítima de injúria por causa disso.

E é aí que a discussão se complica, porque me parece que o dogma que você OPTOU por seguir é sim intolerante e preconceituoso. Existem formas de violência mais sutis e nem por isso menos excludentes do que a violência física ou verbal.

Marússia disse...

Paloma, você tem razão. Os conceitos éticos mudaram muito. Já pensou se nós vivessemos segundo o código de ética da bíblia? Seriam aceitos o infanticídio,a escravidão, o sacrifício de crianças, a punição pelo homossexualismo e outras coisas terríveis. Você tem toda razão. O código de ética da bíblia não mudou nada. Acho que deus deveria fazer atualizações. Caso isso não aconteça acho que ninguém deveria dar importância a um livro tão desatualizado no que se refere a ética e a moral. A bíblia deveria ter apenas importância histórica. O debate sobre o preconceito contra os homossexuais tem que passar pelo debate sobre as religiões, afinal antes do cristianismo o homossexualismo era considerado normal. Paloma, quando fazemos parte de um grupo, compactuamos com as atitudes deste grupo, desde que tenhamos conhecimento de seus atos e capacidade de análise destes atos. Não espero que alguém que não teve acesso a educação, formal ou informal, tenha essa capacidade de análise. Alguém que fez pós-graduação deveria ter.Todos os cristãos legitimam o posicionamento do cristianismo perante as questões do nosso mundo. Só pra terminar, o problema não é ser radical. Ser radical no combate à violação dos direitos humanos não é problema. Se os mulçumanos fossem radicais no respeito aos direitos humanos não fariam o que fazem. E, na Tanzânia, se não me engano, os albinos tem sido esquartejados por crenças tolas sim, inclusive crianças. Procure se informar melhor sobre isso e verá que é verdade. Saiu até uma matéria na Veja. Como o acusado não era o Lula, acredito, então, que a matéria era verdadeira. Mas não foi só na Veja que eu li.

Anônimo disse...

Sou mega militante ativista dos direitos homossexuais, só acho que as pessoas pecam por terem "orgulho" de serem alguma coisa que não se escolhe, como orgulho de ser negro, orgulho de ser brasileiro, orgulho de ser gay. Eu não tenho orgulho de nada que não foi uma escolha minha. Sou mulher, brasileira, não tenho "orgulho" de nada disso, são características minhas que nasceram comigo. Tenho orgulho, sim, de lutar pelos direitos das mulheres, de lutar pelos direitos LGBT, orgulho das coisas que eu faço e que me dão trabalho. Pense nisso. Eu te admiro pela sua luta diária nesse país machista, por se assumir lésbica, por escrever bem, por ser um lindo exemplo de quem é bem resolvida consigo mesmo. Parabéns.

Anônimo disse...

Ah, sempre falam da Bíblia, né? No Levítico dizem que uma mulher menstruada, para se purificar, deve queimar uma pombinha. Aliás, sacrifícios de animais são bem detalhados. Também não devemos cortar o cabelo, comer certos tipos de animais, e usar certos tipos de tecidos. Acho a Bíblia meio ultrapassada, desculpem. Uso cabelo curto, sou contra maus-tratos de animais, jamais queimaria uma pomba para me "purificar" - pra falar a verdade, sou vegetariana - e prefiro tecidos sintéticos, que não estão previstos na Bíblia.

Anônimo disse...

HAHAHAHHAHAHA são quase 3 da madruga e to aqui dando risada. Outro dia falei aqui que sou católica e gosto de rezar e de missa porém sou completamente ignorante na leitura da bíblia.
Achei engraçadíssimo o que li acima, quando alguem cita o Levítico e diz que a mulher ao menstruar devia queimar uma pombinha. Que Deus me perdoe mas queimar um pomba é pura sacanagem né? Hhahahahahahaha em vários sentidos!
Outro anônimo escreveu que ninguem precisa se orgulhar de nada eu endosso mas admito:me orgulho de ser mmmmmmmmmuito amorosa.E com esta característica, a gente as vezes já nasce, mas dá pra aprender tambem.Sou amorosa com o vento, com a água,com os bichos, com a criança, com o velho,com o mato, com tudo.Bjão, Fatima/Laguna

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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