quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A MAIS TERRÍVEL HISTÓRIA DE HORROR DE UMA LEITORA

Um dos meus posts mais comentados e que mais tocaram as leitoras foi este aqui, sobre a minha mais terrível história de horror. Acredito que toda mulher tem uma história de horror pra contar, e é preciso que contemos essas histórias. Quando nos calamos, fazemos justamente o que se espera de nós: que baixemos a cabeça, e, passivamente, aguardemos pelo próximo abuso, estupro ou tentiva de estupro, humilhação na rua etc. A consequência mais comum num caso de abuso sexual é sentir-se culpada, responsabilizar-se pelo que aconteceu, e sofrer calada. Talvez, se soubermos que isso não aconteceu só comigo, que isso acontece com quase todas as mulheres por um único motivo ― por sermos mulheres ―, poderemos lutar contra os abusos ou, ao menos, não nos sentirmos tão mal. Naquele meu post, muitas de vocês decidiram compartilhar as suas histórias. Só que isso faz mais de um ano, e de lá pra cá o blog cresceu muito e recebeu novas leitoras, que talvez queiram relatar o que aconteceu com elas (sem esquecer que, em escala menor, o abuso sexual infantil também destrói a infância de meninos. Mas, com homens héteros em geral, as histórias de horror cessam quando se passa da adolescência. Com as mulheres, continuam).
Uma moça muito querida decidiu contar a sua história de horror para exorcisa
r seus fantasmas. Ela tem apenas 18 anos, é brasileira nascida no Ceará, e atualmente vive em outro país.

Minha história de horror se passou quando eu tinha 13 anos e vivia no Ceará. Estava em uma séria e profunda depressão, três tentativas de suicídio, vivia isolada, sem amigos e absolutamente traumatizada pelo descaso paterno (minha mãe se divorciou quando eu ainda tinha 6 meses de vida e desde então meu pai nunca prestou assistência financeira ou afetiva, limitando nosso contato a certos dias e feriados em sua casa). Como meu quadro de depressão estava muito preocupante e eu corria risco de vida, minha mãe pressionou meu pai para que ele me desse mais atenção. Seu modo de "agir como pai" foi me levando para noitadas com seus amigos, onde eu era obrigada a assistir uso de drogas, especialmente maconha e cocaína.
Apesar do universo oposto ao que cresci e do modo radicalmente contrário ao que fui educada, me sentia bem nesse círculo de novas amizades. Pessoas mais velhas, com os mesmos interesses de leitura que eu ― visto que eu era bem precoce nesse aspecto ― e uma sensação de liberdade. Meu pai me permitia beber até cair e chegou a me oferecer maconha, que só neguei por receio de ferir os sentimentos de minha mãe.
Nós estávamos nos aproximando, eu começava a acreditar que ele iria recuperar o tempo perdido, que iria me amar e cuidar de mim de uma forma que nunca fez, mas que sempre sonhei experimentar. Engano meu.
Por muitos dias ele sugeriu que a gente fosse dormir juntos por causa do frio. Começou a questionar a respeito de minha virgindade, se eu não queria aprender coisas relacionadas a sexo, e que ele preferia me ver perdendo a virgindidade com uma cenoura do que com "esses rapazes de hoje em dia”. Eu não entendia nada, achava que era porque ele sempre fora excêntrico, radical, essas coisas...
Até o dia do meu aniversário de 13 anos.
Nesse dia fomos a um bar alternativo de uma cidade vizinha e viramos a noite bebendo com os amigos. Ele me segurava pela cintura, passava as mãos em minhas costas, dizia que era carinho de pai. Mas, sinceramente, alguma coisa no meu íntimo me dizia que era bem mais do que isso.
Voltamos às três da manhã, deitamos na cama e ele me disse que na noite passada tinha sonhado comigo, me ensinado a como me masturbar e como fazer sexo. Que tinha achado aquilo "massa", pois mostrava como nossa relação pai-e-filha era livre e diferente das demais. Fiquei com medo, me encolhi no canto da cama e comecei a tremer... ele perguntou se eu estava com medo. Respondi que era frio. Adormecemos.
Ao meio-dia acordei com ele em cima de mim, mas o medo foi tanto que não movi um músculo e não abri os olhos. Ele passava as mãos em minhas costas, entrando por dentro da blusa, até que abriu meu sutiã. Eu o achava pesado, estava difícil de respirar, não entendia o que estava acontecendo, só queria que ele parasse... Mas eu não tinha voz, não tinha reação, não conseguia sequer pensar no que fazer como próximo passo. Aguentei mais 10 minutos, já dormente afogada em meu medo, até que ele notou minha respiração pesada e se levantou para deixar o quarto. Quando olhei de lado, de forma escondida, pude ver seu pênis ereto.
Depois disso fiquei meia hora na cama, sem conseguir me mexer, sem conseguir acreditar. Quando finalmente consegui me levantar, corri para o banheiro. Tomei banho por duas horas, me esfregando, me sentindo culpada por confiar num pai que nunca quis saber de mim, me sentindo imunda, vadia, qualquer coisa. Foi um dia difícil, até meu retorno para casa.
Depois que meu pai tentou abusar de mim eu não me afastei dele. Continuamos saindo juntos, mas passei a dormir em um quarto separado e a não ter mais contato físico. Ele notou que eu tinha entendido a situação e não tentou novamente.
Vivi três anos sem dividir isso com ninguém, fazendo de conta que nada tinha acontecido, até que achei no orkut uma comunidade de apoio a mulheres abusadas sexualmente. Contei minha história e fui encorajada a enfrentar meus monstros interiores. Contei pra minha mãe, amigos e família. Cortei os laços com meu "pai". Quis recomeçar e fui aos poucos me reconstruindo.
Minha mãe, quando soube, chorou muito e quis matar meu pai. Culpou-se por ter confiado nele em nosso momento de fragilidade. "Se ele nunca ajudou, por que iria ajudar agora?", disse. Imediatamente cortamos todo contato com ele. Eu disse para ele que todos já sabiam, e ele tentou se defender xingando minha mãe, dizendo que ela o havia abandonado e lhe roubado a oportunidade de ser pai. Vale ressaltar que minha mãe se divorciou porque ele usava e vendia drogas e não trabalhava. Chegamos a passar fome, ao ponto de minha mãe comer feijão velho com aqueles insetinhos dentro e eu beber apenas chá, mesmo sendo recém-nascida, já que ela estava em um estado grave de anemia e não tinha leite. Numa situação ele ameaçou espancá-la, mas ela reagiu dizendo que se o fizesse, fizesse para matar, pois quando ela se recuperasse seria a vez dele de sentir dor até a morte (ele ficou com medo, passou até alguns dias dormindo na casa de amigos). Ou seja, além de negar o feito ainda culpou minha mãe por tudo... Óbvio, as mulheres são sempre as culpadas, não?
As consequências do episódio duraram quatro anos (dos 13 anos 17): tive depressão, bulimia, só pensei em morrer, minha auto-estima não existia, não me achava capaz de ser amada, de ser vista como uma garota interessante... Eu era, para mim mesma, apenas um saco de lixo.
Hoje creio que grande parte do trauma esteja superado. Sou grata por ter "escapado" do "pior". Sou grata porque tive apoio e consegui vencer a depressão, a bulimia, e encontrei o amor... A auto-estima ainda não é das melhores, mas será. Eu sei que posso crer num recomeço.

27 comentários:

Lord Anderson disse...

Tb digo parabens pela coragem em enfrentar de frente e por expor quem comete essa atrocidade.

E tb pela capacidade de recomeçar.

Miact's disse...

Claro você é vencedora e está de parabéns pela coragem se todos que passaram pelo o que passou tivessem a mesma coragem talvez só talvez as coisas fossem diferentes para todos.

Bejos e Abraços miact's

Luma Perrete disse...

Me lembrei de uma notícia que li essa semana: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/01/20/menina-de-13-anos-acusa-padrasto-irmaos-vizinho-de-abuso-sexual-na-paraiba-915656968.asp

Leonardo disse...

O grande problema é que muitas pessoas acreditam que isso só acontece longe delas. Eu mesmo fiquei chocado quando descobri que duas amigas tinham passado por situação semelhante. Uma foi abusada pelo padrinho e outra pelo pai. Demorei semanas pra 'digerir' a informação tanto na primeira, quanto na segunda vez que me deparei com ela. E essas foram as que tiveram coragem de me contar, imagino quantas outras sofrem caladas com suas histórias de horror...

Unknown disse...

Não tenho palavras para descrever o que sinto ao ler uma história como esta... Uma garessão a uma mulher é uma agressão a todas as mulheres.
Parabéns pela coragem em contar sua história e reconstruir sua vida.

=draupadi= disse...

http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1456668-16021,00-HOMEM+MATA+EXMULHER+DIANTE+DE+CAMERAS+DE+SEGURANCA.html

Anônimo disse...

Lola, gosto muito de ler o seu blog, principalmente quando você fala de feminismo e comenta sobre todas estas discriminações que sofremos. Eu sofro com isto o tempo todo... se fosse contar tudo, escreveria uma enciclopédia!
Algo que me incomoda muito é o fato de você não poder ir e vir tranquilamente sem ouvir ofensas e obscenidades. Outro dia estava passando na calçada, em frente a um frigorífico, e um empregado aspirou a sua saliva, dando a entender que estava excitado. Daí eu entrei no frigorífico e reclamei com o chefe dele, mas fico triste, porque não pude fazer isto na grande maioria das vezes, e sei que ainda vou ouvir muita coisa nesta vida. Detalhe: eu evito usar roupas curtas e decotadas por causa disso e na ocasião eu estava com o uniforme da empresa em que trabalho. No reveillon, me passaram a mão por trás. Minha reação foi automática. Virei a mão na cara do indivíduo, mas ele conseguiu se defender e não consegui acertá-lo direito. São muitas coisas que já me aconteceram e tem horas que desanimo, me revolto e tenho vergonha de ser mulher.

Dani In Sitarland disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
caso.me.esqueçam disse...

a gente ouve muitas historias desse tipo, mas eu sempre me impressiono. imaginando seu pai em cima de voce, soh pude pensar "esse cara eh um doente". MONTAR em cima de uma menina de 13 anos... ter prazer com isso... e ser essa menina sua propria filha?!

doente. :(

Carina disse...

Esse tipo de coisa é tão terrível que eu não sei como alguém tem a capacidade de culpar a vítima.

Isa disse...

Lola, faz alguns meses que leio seu blog, divulgo no twitter e nunca havia comentado antes.
Parabéns por publicar esse relato! Reli as duas postagens antigas sobre os terrorres que toda mulher passa e fico triste e abismada quando penso sobre isso. Como todas, já passei por situações similares quando era mais nova e também tive vergonha e não reagi. É triste como as meninas pequenas têm medo de "provocarem". Quando era pequena minha mãe dizia que muitas mulheres estupradas "provocavam" e que não deveria olhar pra dentro de um carro ou pro rosto de um homem, pq estaria me oferecendo. Aprender essas coisas de uma mulher é ainda mais triste, não é? É por isso que para tantas mulheres é difícil lidar com tudo isso...

Juliano Berquó disse...

Olá Lola! Descobri seu blog no domingo passado.

Admiro muito sua postura feminista (e esquerdista!), faz me vislumbrar um mundo além das mulheres objeto das mídias emburrecentes.

Admiro mais ainda a capacidade destas mulheres que aqui se expõem.

Sou filho de mãe separada que também, como muitas ainda, sofria violências de todo tipo em casa.
Há mais de 10 anos tenho o prazer de não conviver com meu pai.

Como homem, só posso ver a minha posição favorável nos nossos padrões sociais como uma obrigação na luta da causa feminina. É uma das questões mais urgentes no país, a meu ver, ao lado do descaso pela educação. Um importante fator a ser analisado nos discuros políticos, lembremos do ano de eleição.

Meus parabéns pelo blog!
Escreva, Lola, escreva!
Do meu reader, a acompanho.
terno abraço,

Juliano Berquó.

Rê_Ayla disse...

quem vc acusa de troll, ao contrário dos seus seguidores, tem o bom senso de bater palmas quando vc acerta. Parabéns, essas coisas têm q ser divulgadas e quem as pratica, punido.

E só acusa a vítima de ter provocado ou estar buscando auto-promoção quem nunca teve q levar uma amiga ao IML pra fazer corpo delito após um estupro (nunca fui vítima, mas acompanhei o sofrimento alheio).

Unknown disse...
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Vivien Morgato : disse...

Assim como disse Leonardo, essas coisas estão mais perto do que imaginamos.
O problema tb está com quem tenta trabalhar esses casos sem estar preparado para isso: ex-aluns de pedagogia fizeram um trabalho com crianças onde, ao meu ver, a única coisa que conseguiram foi fazer a molecada ter medo de todo e qualquer adulto.
Acho que esse tema deveria ser amplamente discutido e as formas de abordagem tb.
De qq forma, uma vez que ela verbalizou, já conseguiu algo que muita gente não consegue: começar a expurgar isso tudo.
Bom tema, como sempre.
Beijocas.

Anônimo disse...

Nem tudo o que reluz é ouro.

Juliana

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Lola, antes quero lhe parabenizar por essa iniciativa de partilhar com o mundo a sua experiência e mostrar que uma menina (ou uma mulher) que é estruprada tem uma história de vida e é também um ser humano que merece respeito e tem todo direito a uma vida digna.

Um fato que me deixa injuriada é a prostituição infantil. Acontece na frente de todo o mundo e ninguém faz nada. Por que? Porque são umas "vagabundas que não querem trabalhar, preferindo uma "vida fácil". E se estão lá, vamos aproveitar!". Que revolta!

Não compreendo, não compreendo mesmo a atitude desses caras. Eles se acham no direito de estuprar uma pessoa inconsciente só porque são homens? E por que é sempre a mulher que provoca? Só porque eles já estão acomodados com esse valores machistas idiotas e inúteis? "Segurem as cabritas porque o meu 'cabrão' está à solta!".

Seria fácil solucionar o problema: vamos andar de burka. Afinal, não mais haveria motivo para estupro, ninguém teria porquê ficar excitado ou sentir-se provocado.
Ora, a mulher precisa se resguardar justamente porque o homem pouco se importa com a sua humanidade...

É... Tem hora que eu fico de saco cheio de tanta hipocrisia e barbaridade que acontece por aí.

Gaúcho disse...

GiGi, isso de andar de burka só pode ser piada... isso é transferir de novo pras mulheres a responsabilidade, como se cada uma fosse culpada pelo estupro por não se vestir como deve. Além disso, no mundo islâmico as mulheres se vestem de forma bem mais "comportada" (eu diria opressiva) do que aqui, e nem por isso estão a salvo; pelo contrário, em alguns países a mulher é punida pelo estupro, e existem até casos de homens que estupram porque querem aquela mulher como esposa - desonrada, a família força a guria a se casar com o estuprador, porque nenhum outro homem vai querer...

Na minha humilde opinião, eu acho que as mulheres deviam ser ensinadas desde cedo a reagir, lutar, bater, e se possível matar. Se cada tentativa de estupro terminasse com um estuprador morto ou gravemente ferido, esse mundo seria mais seguro pras mulheres. Se na hora for impossível evitar, é sempre possível buscar vingança depois: como a maior parte dos casos de estupro acontecem dentro da família, é bem fácil esperar o estuprador dormir, ir na cozinha buscar uma faca, e...

Muita gente pode achar que é opinião de valentão que gosta de briga, mas não consigo imaginar solução mais eficiente a curto prazo.

Anônimo disse...

Paradoxo pq me colocam no papel de vitíma responsável pelo próprio cirme que sofreu.

✿ Regiane ✿ disse...

Parabéns meninas pela coragem de relatar essa horrível história e dividir com seus leitores.
São histórias tristes, eu sei muito bem o que é isso, já senti na pele, fica marcado, mas a gente supera.
Somos guerreiras, somos mulheres...
Bj

Unknown disse...

Certa vez tive a felicidade de ajudar uma menina de cinco anos a sair de uma situação que poderia ter se tornado muito pior.

Ela passava o máximo de tempo possível no apartamento das vizinhas, que eram minhas amigas. Ela falava muito, era bem articulada para a idade, e certa vez acabou contando, envergonhada, que o tio que morava com ela, a mãe e a avó, quando estava sozinho com ela, pedia para ela abaixar a calcinha e coisas assim. Ele ainda não tinha criado coragem de fazer algo pior, mas estava ficando cada vez mais ousado. Ela ria envergonhada enquanto contava, do jeito que criança fica quando sabe que tem algo esquisito ali, mas não tem certeza do que é. Como ele dizia para não contar a ninguém, isso a deixava mais desconfiada. Claro que ela não contou que estava desconfiada. O que ela dizia era: "Engraçado, né? Por que ele faz isso e diz pra mim não contar?"

Isso aconteceu tem tempo, na época em que a novela Pantanal passou pela primeira vez, e ela estava acostumada a ver as cenas do casal principal rolando pelado e se acariciando, mas não sabia ainda o que era sexo exatamente.

Tive de explicar a ela que há coisas que os adultos fazem, e que ela um dia ia querer rolar daquele jeito com o namorado, mas que era absolutamente errado um adulto querer fazer isso com uma criança. Expliquei que tem adulto que faz coisa errada mesmo, que ele sabia que estava errado, e por isso pedia segredo. Falei para ela que ele era um velho safado, e ensinei ela a ter raiva do que ele estava fazendo. Tive de ensinar até ela a xingar ele de velho safado. Ela ria e se divertia, gritando "velho safado" pro lado do apartamento dela, mas foi aprendendo a se defender. Expliquei que esses adultos errados às vezes fazem ameaças, mas que ele não podia fazer mais nada, porque nós já sabíamos de tudo.

Ela contou que já havia contado para a mãe, mas que a mãe havia brigado com ela e dito para ela nunca mais contar mentiras, e que ia apanhar se insistisse. Meu sangue ferveu, mas mantive a calma. Eu disse a ela a verdade. Que alguns adultos fazem de conta que nada está acontecendo, porque não querem encarar. Eu disse que a mãe a amava, mas achava melhor fazer de conta que era tudo mentira, e os adultos às vezes são muito bons nisso.

Então eu disse a ela para contar tudo à professora na escola, e depois para contar à mãe que já tinha me contado, que tinha contado à professora, e que a mãe não poderia mais fazer de conta que nada estava acontecendo. Eu disse para ela contar que eu é que estava ensinando a ela a contar para todo mundo também (para que a mãe não batesse nela). E disse para ela falar pro tio: "Seu velho safado e tarado! A Helen já sabe de tudo, e assim que te encontrar no corredor do prédio vai te dar uma surra com cabo de vassoura, e se você não for embora daqui, ela vai à polícia!" Até treinei com ela a fala.

Quando terminamos a menina estava se sentindo poderosa, não era mais uma vítima, e sabia muito bem usar a raiva da forma certa. Mesmo crianças pequenas podem aprender isso.

A mãe foi chamada na escola, e não pode mais fingir que nada estava acontecendo. O cara, que vivia às custas da mãe e da avó da menina, fez as malas antes que eu o encontrasse. Eu e minhas amigas íamos mesmo dar uma surra nele, e ai dele se tentasse revidar!

Anônimo disse...

Quero te dizer que voc foi mais corajosa do que eu, pois eu fui abusada pelo meu avô , aos 13 anos e não falei nada pra níqueis ,só depois que ele moreu

Anônimo disse...

Oi quero de te dizer que voc é muito corajosa pois contou logo , eu cometi só depois de ele more fiquei deste 13a 24 anos

Anônimo disse...

Ainda bem que essa moça tinha uma mãe como a dela a seu lado. Eu e minhas irmãs não tivemos tanta sorte, pois a nossa pediu pra que perdoássemos ao genitor. Ainda não consegui superar isso, e se ela estivesse viva hoje, acredito que a teria matado novamente do coração com todas as coisas que gostaria de ter falado pra ela.
Nunca teve atitude na vida, preferiu viver a sombra de um crápula do que confiar no apoio das filhas e filhos, que precisavam dela pra sair de toda uma situação de miséria e dor. Mas por medo do que os outros iam falar, da repercussão de sua vergonha, do castigo "divino" e por ele ser advogado, ela preferiu continuar ao lado de quem destruiu tanto nossa família quanto a inocência de suas meninas.
Minha mãe precisou morrer pra que a gente tomasse uma atitude, porque não fosse isso, estaria dormindo até hoje ao lado daquele verme. Mas ele não pagou por tudo o que ele fez, pois não cumpriu toda pena em reclusão (advogados tem apoio da lei e de seus laranjas pra cometerem atrocidades sem maiores consequências).
Nem consigo descrever tamanha dor que sinto só de ouvir o relato dessa menina, pois sei muito bem o que ela passou. Espero que tenha encontrado forças pra lidar com tudo isso.

Unknown disse...

Fui abusada molestada diversas vezes pelo meu irmão ! De todas as formas até então eu não tinha noção o quanto isso era oq era depois de anos de. Abuso entendi o quão repuguinante era essa situação e a série de avisos veio só acabar quando arrumei um namorado e ele começou perceber e contei então ele cuidou de mim. Mais até hj vivo na mesma casa que i meu irmão com raiva mesmo com meu namorado aqui um dia ele fez gestos obscenos como punhetas e outras coisas !Contei prós meus pais uma época como desabafo eles kkkk preferiram não acredita em mim. E assim vivo com isso não sei parece que isso me coroi ; pelo menos meu namorado sabe e me ajuda agr. De uma maneira ele me ajuda e tenta me tirar daqui agora com 20, anos doente não consigo trabalhar e tenho q conviver na mesma casa que meu agressor ! Pensando em fugir disso viajei com os meus pais pra casa do meu avô no nordeste e ele tmb tentou me molestar

prisca disse...

Também fui molestada, mas na escola, quando adolescente, por um funcionário que deveria cuidar dos alunos. Só vim a contar isso pra minha mãe faz uns dois meses. Guardei esse peso comigo por quase trinta anos. E como eu gostaria de voltar a confiar novamente nos homens...! Hoje me sinto um lixo, um ser inferior, com doenças psicossomáticas - tudo de fundo emocional.