terça-feira, 4 de março de 2014

GUEST POST: CONSCIÊNCIA HUMANA, CONSCIÊNCIA DE NINGUÉM

Robson, autor dos blogs Consciência e Veganagente, e colaborador frequente aqui do bloguinho, escreveu mais um texto que faz pensar. 

Nas proximidades de cada Dia da Consciência Negra (20 de novembro), tem sido divulgada uma infame frase: "Não precisamos de um dia da consciência negra, branca, parda, amarela, albina etc. Precisamos de 365 dias de consciência humana." Outras pessoas, por sua vez, dizem que "não existem" racismo, heterossexismo, transfobia, machismo/misoginia, intolerância religiosa etc, mas sim "humanofobia", uma alegada categoria de violências que poderiam ser supostamente cometidas contra qualquer ser humano. Quem tem o mínimo de conhecimento sobre opressões contra minorias políticas sabe que essa ideia de "consciência humana" e a crença na "humanofobia" nada mais são do que uma ausência de consciência empática.
A "consciência humana", longe de realçar a necessidade de livrar o mundo da violência e da opressão, comete absurdos. Por exemplo, anula a existência das desigualdades raciais, de gênero e identidade de gênero, de orientação sexual, e nega a ocorrência das agressões motivadas por preconceito e dos crimes de ódio, rebaixando estes últimos como crimes "comuns" sem nenhuma motivação em função de aversão de raça, orientação sexual, (identidade de) gênero, religião etc. É semelhante a rebaixar a tortura de prisioneiros políticos à qualidade de crime de lesão corporal comum.
Para os defensores dessa falsa consciência, um negro em determinada situação não foi morto pela polícia por racismo, mas sim porque era simplesmente um ser humano que estava no local errado e na hora errada; um casal gay foi torturado e morto, mesmo com visíveis indícios de crime de ódio homofóbico, por uma suposta aversão indistintamente misantrópica dos autores do crime; e não há machismo e misoginia quando, diante de casos de estupro noticiados na mídia, uma parcela nada pequena da população tenta culpar a vítima por ter sido violentada e inocentar o estuprador.
Da mesma forma, segundo essa ideologia, negros não são ofendidos nem esnobados por empresas em favor de brancos, seja como clientes ou como candidatos a emprego, por motivações racistas; adjetivações depreciativas como "viado", "baitola", "sapata nojenta" ou "pederastas pecaminosxs" não teriam motivações heterossexistas; nem haveria uma cultura quase generalizada de transfobia matando travestis e transexuais por assassinato ou indução ao suicídio, nem negando o direito de pessoas trans de serem quem elas próprias sabem que são. Tudo seria motivado por um vago, difuso e extremamente abstrato "ódio ao ser humano", ou por aleatoriedade ou por um puro e individual desvio de caráter da parte do criminoso.
E também, graças a essa crença na "consciência humana" e na "humanofobia", desaparecem por completo as raízes históricas de panoramas tradicionais de desigualdade social e discriminação cultural. É como se não existissem, por exemplo, as enormes desproporções entre os percentuais de negros e brancos na população total brasileira e a distribuição dessas pessoas em empregos subalternos (maioria de negros), empregos hierarquicamente elevados (grande maioria de brancos), mandatos e cargos em posições nos três poderes (grande maioria de brancos), habitantes de comunidades muito pobres (grande maioria de negros), moradores de bairros "nobres" (grande maioria de brancos).
Também acaba ocultada por essa pseudoconsciência a existência de papéis de gênero que relegam a mulher a "funções" de subordinação e submissão, a um estado de privação de liberdade, à extrema vulnerabilidade a crimes de violência doméstica ou assédio sexual, à relegação à qualidade de brinquedo sexual ou motivo de repulsa masculina. Tanto os problemas de relações raciais como os de relações de gênero são forçadamente tornados meros problemas de cunho individual, "casos isolados" que magicamente se resolveriam sozinhos sem a intervenção do feminismo e do movimento negro.
E um outro problema muito sério nisso é cancelar e censurar o empoderamento de pessoas pertencentes a essas minorias. É calar, por exemplo:
- o orgulho negro como maneira de os negros resistirem às agressões racistas e à exclusão social e cultural dos negros e evitarem sentir vergonha de sua cor;
- a autoafirmação feminina como maneira de fazer as mulheres não caírem em depressão perante o machismo e a misoginia que sentem na pele e, ao invés, reagirem com autoridade contra os machistas e misóginos que julgam de forma objetificadora ou condenadora seus corpos e/ou as tratam como bens públicos disponíveis à disposição dos homens ou propriedade privada de um homem;
- a determinação das pessoas trans em busca do respeito incondicional à sua identidade de gênero e sua dignidade;
- o orgulho dos afrorreligiosos, dos pagãos, dos ateus, dos judeus etc. de serem quem são e crerem no que creem e sua luta em exigir que a maioria cristã os respeite e não lhes julgue o caráter em função de suas crenças; etc.
Isso tudo, entre vários outros problemas, mostra que defender a demasiadamente genérica e vaga "consciência humana" e a suposta oposição à igualmente imaginária "humanofobia" passa muito longe de colaborar com o desenvolvimento de uma sociedade igualitária onde todos os seres humanos sejam tratados com o mesmo respeito, os mesmos direitos e a devida proporcionalidade representativa nos diversos espaços sociais.
Muito pelo contrário, contribui para a perpetuação de todas as desigualdades, preconceitos, intolerâncias e violências motivadas por ódio contra minorias, sem exceção. Tem o mesmo efeito de desconsiderar as causas de fundo social de crimes muito frequentes, como assaltos de rua e tráfico de drogas, e exigir punição para seus autores sem que nada seja feito para evitar que mais pessoas em situação de risco social "optem" por praticá-los.
No fundo, essas ideias só servem para deixar pessoas em posição dominante se sentirem mais confortáveis com seus privilégios e preconceitos. Afinal, por exemplo, a negação, por um branco, da existência do racismo lhe permite acreditar que não foi agraciado com privilégios pela sociedade em que vive, como o de não ser visto na rua como potencial bandido, ter acesso mais fácil a cursos universitários de prestígio elevado e empregos de alta posição hierárquica, ter chances muito maiores de vir a morar um dia num bairro de classe média-alta e uma probabilidade muito menor de ser assassinado na rua por policiais ou por criminosos civis.
E também o inocenta de estar incorrendo em desvio de caráter e de ética ao eventualmente tratar negros de forma negativamente diferenciada dos brancos, apoiar a repressão policial contra "rolezinhos" de shopping promovidos por negros pobres enquanto acha bacanas as "farras" envolvendo aglomerações de brancos de classe média ou rir de piadas que depreciam e inferiorizam os negros.
O fato é que forçar uma substituição imaginária do racismo, do machismo, do heterossexismo, da transfobia, da intolerância contra não cristãos etc pela abstração genericizada da "humanofobia" e silenciar o orgulho das minorias em favor de uma imaginária "consciência humana" só serve aos dominantes e aos preconceituosos, incluídos os autores de crimes de ódio. Não serve em nada às minorias políticas vítimas de opressão –- pelo contrário, cala o sofrimento, a autoestima e as demandas das pessoas que a elas pertencem. Longe de acabar com as relações de dominação e os preconceitos, forja para a sociedade uma máscara de provedora de igualdade universal de condições para encobrir sua verdadeira face opressora, hierárquica moral e segregadora.
Sabendo-se desses tantos problemas e interesses escusos inerentes ao seu uso, é difícil não perceber que a "consciência humana" é na verdade uma consciência de ninguém. Aliás, é a ausência de consciência do ser humano das categorias dominantes perante as opressões que historicamente têm marcado, há milênios, a vida dos dominados.

segunda-feira, 3 de março de 2014

UM ADESIVO OFENSIVO

O Flávio, um leitor querido que de vez em quando traduz alguns posts pra cá, viu este texto e decidiu gastar alguns minutos de seu tempo para demonstrar como a cultura de estupro segue firme e forte. 
Embora este caso tenha acontecido numa cidade americana no ano passado, ele levanta algumas perguntas: só mostrar uma imagem violenta, sem contextualizá-la, é suficiente para conscientizar a população? Uma imagem violenta é pra ser engraçada? Então, por que dizer que quem a critica não tem senso de humor?

Uma pequena empresa de marketing de Waco, Texas, queria divulgar sua divisão de adesivos e decidiu tentar uma tática que chamasse atenção. A empresa tirou uma foto de uma de suas funcionárias amarrada e jogada na traseira de uma picape e transformou-a em um adesivo muito realista que foi colocado na porta traseira de uma de suas caminhonetes e fez com que o veículo circulasse pela cidade.
O dono da empresa Hornet Signs, Brad Kolb – que foi quem teve a ideia – disse à estação de rádio de notícias KWTX que seu adesivo chamou um bocado de atenção para o negócio, embora tenha recebido algumas reações negativas. “Eu não esperava as reações que tivemos, nem coadunamos com esse tipo de coisa sob qualquer pretexto”.
É uma afirmação curiosa. Por um lado Kold disse que não tolera violência contra mulheres mas, por outro lado, concebeu e criou um adesivo para veículo ofensivo, ilustrando exatamente isso, e admite que apreciou o aumento nos negócios que isso propiciou.
Acontece que a imagem não traz nenhum alerta sobre o abuso contra mulheres; ao contrário, é usado sem qualquer comentário e tem a intenção de ser uma piada — porque a imagem de uma mulher espancada e amarrada é hilária.
Quando a imagem foi postada na página do Facebook da rádio KWTX, recebeu a esperada mistura de reações de ultraje e desgosto; alguns comentaristas acharam a imagem aterrorizante, e outros acusaram os críticos de não terem “senso de humor”. Outros ainda se perguntavam como explicar a imagem para seus filhos quando estivessem andando pela cidade e se deparassem com ela.
Apesar do adesivo da Hornet Sign ser absolutamente horrível, também está alinhado a uma miríade de outras empresas que gostam de ilustrar a brutalidade contra mulheres, e a apresentam de forma muito casual, frequentemente como a “punchline” de uma piada. 
Nos EUA e fora dele a violação de mulheres continua a ser um tema popular, não só na publicidade, mas em todas as formas de cultura popular.
A grande notícia não é que isso esteja acontecendo de novo, mas a resposta à questão: quando isso vai parar?

Isso me lembrou esta imagem (clique para ampliá-la) que circulou no FB.

domingo, 2 de março de 2014

O OSCAR MAIS EMOCIONANTE DOS ÚLTIMOS ANOS: É HOJE!

É hoje! Aproveite, você que tem acesso à TV paga ou a uma boa conexão na internet. 
Estou muito arrependida por ter viajado, sério mesmo. Quando fiz planos pro carnaval, eu não sabia que o Oscar cairia bem no domingo da folia. Se soubesse, teria ficado em casa, e talvez só viajado amanhã. Mas enfim, agora já não dá pra fazer nada. Aliás, eu nem estou aqui. Escrevi este post ontem, antes de viajar. 
E ainda por cima me lembraram que a apresentadora do Oscar será a Ellen DeGeneres! Ela vai ser maravilhosa, tenho certeza. Ainda mais depois do desastre total daquele cara (nem registrei o nome do insignificante) no ano passado.
Mas o principal motivo que o Oscar 2014 será emocionante é que, em muitas categorias, simplesmente não há favoritos. E isso inclui melhor filme! Quem vai ganhar, 12 Anos de Escravidão ou Gravidade? (minha torcida é por 12 Anos; Trapaça é meio carta fora do baralho a esta altura). Pode apostar que será uma corrida bem disputada. 
Há sim um grande favoritismo pra diretor (Cuáron) e pra atriz (Blanchett), mas não são favas contadas não (vai, Amy!). E muito menos pra ator. Matthew leva vantagem, mas Leo pode ganhar (Leo! Leo!). E nos últimos dias tem se falado bastante no Chiwetel também. E Lupita ou Jennifer?
E nisso de Gravidade ganhar muitos (todos?) dos prêmios secundários, isso inclui design de produção (ou essa estatueta vai pra Grande Gatsby)? E figurino, quem leva: 12 Anos, Gatsby, ou Trapaça? E montagem -- Gravidade, Capitão Philips, ou Trapaça? Li não sei onde que nove em dez vencedores nessa categoria ganharam o prêmio do sindicato. E não foi Gravidade que ganhou, mas Philips e Trapaça. Por outro lado, só umas 200 das mais de 6 mil pessoas que votam na Academia são editorxs. 
Serão essas categorias que, pra variar, vão definir o bolão do Oscar. Olha só pra roteiro original. Algumas semanas atrás, eu apostaria em Trapaça sem titubear. Mas parece que Ela tem enormes chances. Eu ainda apostei em Trapaça...
Aliás, o Júlio César, organizador do bolão, disse que eu e a Alexandra (que ganhou o bolão nos últimos três anos, a megera!) só temos um palpite diferente em todas as 20 categorias do bolão pago: trilha sonora. Ela, mais pragmática, apostou em Gravidade, e eu coloquei Philomena, pensando que talvez este filme ganhe alguma coisinha, e também, sabendo que o compositor Alexandre Desplat já concorreu cinco vezes e nunca ganhou. Quer dizer, olhando assim, não parece a escolha mais inteligente do mundo.
Ah, e filme estrangeiro também está a maior guerra. Quem ganhará a estatueta: o mais conhecido, o dinamarquês A Caça, o mais poético e elogiado, o italiano A Grande Beleza, ou o belga que faz chorar, Alabama Monroe (que em inglês se chama The Broken Circle Breakdown)?
Acho que a única certeza absoluta desta noite é que o Jared Leto terá uma estatueta pra decorar sua lareira. De resto, tá bem imprevisível mesmo.
Todas as tabelas do bolão do Oscar estão a sua disposição.
Esta é a tabela do bolão grátis, no Excel.
Esta é a mesma tabela, só que a versão para impressão.
Esta é a tabela do bolão pago. 
E esta é a tabela do bolão pago para impressão. 
Comente à vontade nos comentários. Quem puder, deixe também alguns links pra assistir à cerimônia na internet. Eu já estou convicta de que não conseguirei ver o Oscar. Portanto, se eu conseguir ver alguns pedacinhos, já estarei no lucro.

sábado, 1 de março de 2014

GUEST POST: PRA QUE(M) SERVE O TEU TROTE

Reunião do DA e Grupo de Estudos Feministas de Letras UFRGS

Todo início de ano é igual: as aulas começam nas universidades, e trotes que perpetuam preconceitos ganham as manchetes. É terrível que esses trotes sejam vistos como "integração", e que ocorram logo em espaços que deveriam ser de total combate às discriminações. Publico aqui o email que recebi de uma integrante do Grupo de Estudos Feministas da Letras da UFRGS: 

Trote de Engenharia Civil na UFRGS
no ano passado incluiu
uma cabeça de porco
"Iniciamos mais um ano letivo e, como é sabido, acontecem os trotes dos cursos nessa época. Infelizmente, é comum assistirmos a reprodução das mais variadas opressões, como machismo, racismo e homofobia, durante os chamados 'momentos de integração'.
No dia 26 de fevereiro, ocorreu o trote da Engenharia Metalúrgica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e, como é costume dos veteranos desse curso, foi incitado aos calouros que gritassem em frente ao prédio de Letras a seguinte frase: 'Letras, puteiro, mulher para engenheiro'.
É importante lembrar que esse grito, que ecoou na frente do prédio da Letras, não atinge um prédio ou um curso, atinge pessoas. Mulheres. Mulheres que não estão na Universidade para servir sexualmente aos homens de quaisquer cursos.
O lamentável ocorrido gerou um debate interessante entre xs estudantes e, prontamente, o diretório acadêmico e o grupo de estudo e discussões feministas do curso de Letras se mobilizaram. Foi marcada uma reunião para o dia 27 de fevereiro, na qual ficou decidido que iniciaríamos nossa luta através de uma carta aberta direcionada ao Instituto de Letras, à Escola de Engenharia, ao Centro de Estudantes Universitários da Engenharia, ao Diretório Central de Estudantes e à Reitoria da Universidade.
Também convocamos uma nova reunião para o dia 6 de março, às 9h10 no Campus do Vale da Universidade, na qual serão confeccionados cartazes e debatidos nossos próximos passos.
Assim, nós, alunas e alunos da Faculdade de Letras e demais apoiadores, pedimos a reflexão da comunidade acadêmica, assim como um pedido formal de desculpas e o comprometimento sincero dos cursos em não reproduzir mais essas ofensas em seus momentos de integração."

Carta aberta do Centro de Estudantes de Letras, Grupo de Estudos Feministas da Letras e estudantes do curso à comunidade acadêmica da UFRGS.
A opressão age de tal forma na nossa sociedade que atitudes opressoras podem facilmente ser naturalizadas e passarem despercebidas. A sociedade regida pelo patriarcado reforça a ideia de que há papeis a serem desempenhados por certos grupos de indivíduos e, com isso, reproduz e não rompe com a lógica das opressões. A luta histórica de ruptura com esse estado de coisas, muitas vezes é abafada e secundarizada; entretanto, os estudantes de Letras se unem para dar um basta à opressão dentro da universidade.
Todos os anos, nesses meses de volta às aulas, a opressão é escancarada e, na cabeça de algumas pessoas, transfigura-se em “brincadeira” de integração dos calouros ao curso: o chamado trote. No entanto, está bem claro que essa noção de “brincadeira” é, na verdade, a opressão naturalizada, uma reprodução daquilo com o que, fora da universidade, a maior parcela da população sofre todos os dias: o machismo, o racismo e a homofobia. Lembramos que a expressão máxima dessa opressão são as violências físicas sofridas pelos grupos oprimidos, como espancamentos, estupros e assassinatos, dessa forma, entendemos que a reprodução desse discurso de ódio passa bem longe de ser “brincadeira”.
No dia vinte e seis de fevereiro de 2014, os veteranos da Engenharia Metalúrgica aplicaram o trote aos calouros e, ao chegarem ao lado do prédio de aulas do curso de Letras, pararam e cantaram uma música já conhecida pelos e pelas estudantes do curso: “Letras, puteiro, mulher pra engenheiro”. 
Reunião Letras UFRGS em 27/2/14
Nós, homens e mulheres estudantes, muitos trabalhadores e trabalhadoras, compreendemos que essa música expressa uma opressão que deslegitima o espaço da mulher na Universidade, na medida em que reforça o papel que o patriarcado impõe à mulher historicamente, isto é, como um objeto a serviço do homem e presa a uma moral sexual que se aplica somente ao sexo feminino. Assim, depois de anos escutando não apenas nos trotes das engenharias, mas presenciando isso dentro do próprio curso, os estudantes de Letras que, em sua maioria são mulheres, decidiram se mobilizar e lutar para que isso tenha um fim. 
Entendemos que a Universidade cumpre um papel importante de efervescência intelectual na sociedade, embora ainda sejam poucas pessoas que têm acesso a ela, o que é, também, bastante sintomático da sociedade em vivemos. Sabemos que essa prática não é um caso isolado e que relatos não faltam para exemplificar como o machismo, o racismo e a homofobia são expressos ainda mais fortemente em momentos como o trote, afastando e dificultando ainda mais a permanência dos estudantes na Universidade. Muito embora esteja definido como infração gravíssima no Código Disciplinar Discente da UFRGS, art. 10, “[...] praticar, induzir ou incitar por qualquer meio, a discriminação ou o preconceito de gênero, raça, cor, etnia, religião, orientação sexual ou procedência [...]”, vemos muitos casos acontecerem e nada ser feito.
Embora o que causou a mobilização tenha vindo de um trote da engenharia, ressaltamos o caráter opressor de atitudes que ocorrem nos trotes de muitos outros cursos, inclusive no de Letras, que, como já supracitado, é majoritariamente feminino. 
Com isso, entendemos que, como discurso da classe dominante, a opressão pode manifestar-se e ser reproduzida também pelos oprimidos, o que reafirma a necessidade da mudança em situações como o trote, pois, mesmo que essas atitudes demonstrem somente a superfície do problema, é uma oportunidade para que as pessoas possam debater e compreender a situação. A partir disso, comprometemo-nos a tensionar para que os nossos próximos trotes não mais reproduzam esse tipo de atitude. 
Dessa forma, pedimos um posicionamento das estâncias institucionais e representativas da Universidade, como o Instituto de Letras, a Escola de Engenharia, o Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia, o Diretório Central dos Estudantes e a Reitoria. 
Ainda que atitudes que colocam estudantes em situações constrangedoras também estejam a serviço daqueles que se beneficiam do silêncio dos oprimidos, afirmamos que NÃO NOS CALAREMOS! Essa carta registra o início de uma mobilização que precisa ser grande, uma vez que sabemos da dificuldade de desacomodar o que está acomodado e romper com o que exclui, explora e oprime.

TODAS AS TABELAS DO BOLÃO 2014

Só uma ilustração do comecinho da tabela do bolão grátis

Gente ótima, daqui a pouquinho viajo pra Fortim (já estou atrasada), e não sei se terei internet por lá. 
O bolão do Oscar foi, quer dizer, está sendo, um sucesso. São 16 pessoas concorrendo no bolão pago (ou seja, concorrendo à bolada de R$ 240), e 247 no bolão grátis. É um ótimo número. Ano passado foram 300, mas com o carnaval no meio, pensei que não chegaríamos nem a duzentos participantes. Muito obrigada por entrarem no bolão!
E super obrigada ao Júlio César, que mais uma vez é quem está organizando tudo isso, com a competência de sempre.
Pra vocês acessarem as tabelas, é só clicar aí embaixo: 
Esta é a tabela do bolão grátis, no Excel.
Esta é a mesma tabela, só que a versão para impressão.
Esta é a tabela do bolão pago. 
E esta é a tabela do bolão pago para impressão. 
Agora é só preparar a pipoca e encontrar um bom link pra assistir o Oscar amanhã, a partir das 22 horas. Pra isso, você precisará de TV a cabo ou de uma boa conexão na internet, porque a TV aberta (leia-se a Globo, que comprou os direitos exclusivos) não passará a cerimônia. 
Infelizmente, creio que não terei nem uma nem outra (chuif). Então, sem Oscar pra mim.
Estou deixando posts agendados para todos os dias. Não sei quando conseguirei acessar a internet de novo. Bom, um ótimo carnaval e uma entrega do Oscar eletrizante!