quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

AINDA TEM QUEM CONSIDERE SEU JAIR UM MITO?

Só não entendi a parte do "Já fiz parte da milícia", assim, no passado.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

OLHE PARA AS MARQUISES

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), que fala que não é situação nem oposição ao desgoverno, deu uma entrevista dizendo que Bolsonaro não sustentará e não terá chance de reeleição se as "pessoas voltarem às ruas porque não têm teto para morar". 
Esta fala levou muita gente a perguntar: em que país a senadora mora? 
Todo mundo no Brasil sabe que o número de pessoas que moram na rua explodiu nos últimos anos. São famílias inteiras, em todas as cidades médias e grandes do país, inclusive (ou principalmente?) aquelas consideradas mais ricas. 
Reproduzo aqui este lindo texto de Alessandro Bender, que se define como pesquisador do comportamento humano, tendências e arte. Ele escreveu o artigo antes da declaração da senadora.

As marquises são um excelente lugar para ficar quando está chovendo. São amplas, altas e geram um espaço ótimo para proteção.
As pessoas em situação de rua descobriram isto faz tempo.
O termo Pessoas em Situação de Rua merece um pouco de atenção. Muita gente que conheço não tem ideia da quantidade de pessoas nesta situação. Acham que é o "mendigo", aquele personagem maltrapilho e fedido, que não fala coisa com coisa, inoportuno, bêbado e pedinte. (óbvio que estou apresentando o personagem que muita gente cria na cabeça, não é assim que enxergo de maneira nenhuma).
Num levantamento de uns dez anos atrás a quantidade de crianças que moraria nas ruas era de aproximadamente três mil.
Do ponto de vista estatístico é um número relativamente baixo, pensando na extensão da cidade e do volume de habitantes. Projetos de acolhida, conselho tutelar e agentes sociais poderiam atuar para minimizar intensamente este número, e provavelmente o fazem. 
Isto sem contar com as ONGs tão odiadas pela extrema direita (pois roubariam dinheiro público etc etc), que são numerosas e atuam de maneira direta no problema.
Por que então a quantidade de crianças parece menor? Além do fato de chamarem mais a atenção do que "mendigos", que já foram absorvidos pela paisagem urbana e não nos sensibilizam mais, o fato é que existem muito mais crianças em "Situação de Rua" do que as que moram nas ruas.
São crianças que "têm moradia", precária mas têm. Moram em cortiços, em comunidades, em malocas. Elas ficam pela rua muitas vezes para ajudar os pais (entenda-se Mãe, pois o pai sempre some, assunto para outro artigo) a melhorarem a renda da família. Outras vezes são levadas por "mães de rua" para pedirem dinheiro nos faróis, um tipo de exploração de crianças muito comum.
As "pessoas em situação de rua" seguem o mesmo raciocínio. Muita gente tem emprego, subemprego e até moradia, mas o dinheiro não dá para ir e voltar para casa todo dia. Afinal de contas eles moram longe, e o custo do transporte é alto.
Fui exemplificar meu raciocínio para a Pretha, uma pessoa que trabalha comigo lá no centro de SP. Saí do trabalho para entregar uns lanches para o pessoal que estava dormindo debaixo de uma marquise na Avenida São Luis. Ela quis ir junto e ver a cena.
Quando descemos fui na direção de um grupo de pessoas que já conhecia. Quando chegamos o olhar da Pretha era de espanto, afinal de contas ela esperava um grupo de pessoas sujas e mal vestidas. E aquelas pessoas que estavam tentando dormir na marquise estavam todas bem vestidas, cabelo penteado, de cara limpa e barbeados. Três deles são pizzaiolos que trabalham na região e não conseguem voltar para casa todos os dias. Dois deles cabeleireiros.
Quando estiver passando de carro, ar condicionado ligado e vidros fechados, ande mais devagar com o carro, olhe estas pessoas. Não precisa descer do carro e abraçar, como Jesus fala que deveríamos de fazer.
Na fila da sopa, que é entregue por grupos religiosos, vai ver gente saindo do trabalho, ou levando sopa para parentes, pois não tem dinheiro para complementar a janta.
No Bom Prato (comida popular vendida por 2 reais pelo governo em alguns pontos da cidade) vai ver muitos trabalhadores que levam suas marmitas e completam com a comida do local, pois o que tem na marmita é pouco.
Saber que existem estas pessoas, e que não são a escória da sociedade é o primeiro passo para ter uma dimensão maior do que é o Brasil hoje, e em qual condições estamos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

NO DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, GOVERNO DECIDE ATACAR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Hoje, 3 de dezembro, é Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, e o desgoverno tem um presentão para esses 45 milhões de brasileiros 
(sim, 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência): Bolsonaro mandou ao Congresso um projeto que acaba com a reserva de vagas de trabalho para pessoas com deficiências nas empresas. 
Muita gente alertou durante as eleições do ano passado de que seu Jair faria isso. Ele negou. Óbvio que o projeto faz parte da retirada de direitos da população, disfarçada de facilitação da vida do empresário, tadinho. 
O PL 6.159/2019 diz que tudo bem empresas não contratarem trabalhadores com deficiência, desde que contribuam financeiramente com um fundo. Assim, as pessoas com deficiência continuam desempregadas e as empresas não precisam se preocupar. 
Rafael Giguer, auditor fiscal do trabalho e deficiente visual, explica que hoje há 440 mil pessoas com deficiência trabalhando no mercado formal -- só por causa da Lei de Cotas. Querer remover a lei é um grave erro. Para ele, "os direitos da pessoas com deficiência estão sofrendo o maior ataque desde a redemocratização do Brasil". 
Depois da mobilização de deputados e ativistas, caiu a urgência do projeto. Mas ele ainda será votado. Por isso, é importante mobilizar os deputados para que votem contra mais esta aberração. 
Publico hoje a thread que a ativista Andrea Werner fez sobre o projeto, baseando-se no texto da Procuradora do Trabalho de Goiás Janilda Guimarães de Lima:

Janilda Guimarães de Lima
Por que o PL 6159/19, apresentado em caráter de urgência e sem consultar instituições que representam pessoas com deficiência, é extremamente danoso, traz retrocesso na política de cotas e diminui benefícios: 
- Ele impõe que todas as pessoas com deficiência, mesmo as que ainda não tenham condições para tanto, sejam obrigadas a se habilitar ou reabilitar, para que no final fiquem sem seus benefícios caso não consigam trabalhar ou manter seus empregos;
- Destrói a cota de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, 
criando excludentes que dificultam ao Ministério Público do Trabalho e aos Auditores Fiscais fazer as fiscalizações;
- Exclui a obrigatoriedade de cota nas empresas de prestação de serviços terceirizados e temporários que prestam serviços aos órgãos públicos, o que retirará inúmeras vagas de emprego das pessoas com deficiência e reabilitados; 
- Regulamenta as condições do auxílio-inclusão, frustrando os objetivos da LBI quanto a esse benefício, ao impor várias condições que devem ser comprovadas cumulativamente para que a pessoa com deficiência venha a consegui-lo; 
- Obriga as pessoas com deficiência a requererem a suspensão do pagamento do BPC antes de requerer o auxílio-inclusão, sem mesmo saber se será ou não concedido este último benefício; 
- Estabelece que a cota de aprendiz seja computada também para a cota de PCD, diminuindo mais uma vaga no mercado;
- Exclui o direito das PCD de manter o BPC com o salário de aprendiz, até o limite de dois anos, até que tenham certeza de que consigam manter o emprego;
- Estabelece que novos critérios de manutenção e revisão do auxílio-inclusão sejam realizados através de ato do poder executivo, violando o que a LBI prevê;
- Cria o benefício do auxílio-inclusão, estabelece que ele somente será pago em determinadas condições orçamentários; 
- Obriga quem recebe benefício por incapacidade temporária para o trabalho a se submeter ao processo de reabilitação p/ o exercício de outra atividade que não seja a sua, mesmo que com salário inferior ao seu cargo/função habitual, num total desrespeito à condição da pessoa; 
- Obriga o beneficiário de qualquer benefício da previdência a aceitar o direcionamento da reabilitação sob pena de perder o benefício;
- Impede a aplicação da cota nas atividades que tenham jornada menor que 26 horas, que são ideais para as pessoas com deficiência;
- Permite que a empresa troque a contratação de PCD pelo pagamento de uma multa equivalente a 2 salários mínimos, durante 3 meses;
- Permite também que a empresa cumpra sua cota através de outra empresa (ex: empresa X cumprirá sua cota na empresa Y).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

FINS, COMEÇOS E INCERTEZAS

Depois de muita indefinição e recontagem de votos, a direita voltou ao poder no Uruguai, após quinze anos muito bem sucedidos da esquerda. 
Amo o Uruguai e torço para que não aconteça com o nosso país irmão o mesmo que aconteceu na Argentina de Macri e o que está acontecendo com o Brasil de Bolso. Por todo lugar que a direita governa deixa um farto rastro de destruição, de terra arrasada, de fim de direitos sociais e aumento da miséria e da concentração de renda.
Infelizmente, não tem como ser diferente com o Uruguai. Fica o desejo de que esses cinco anos passem rápido. E que o povo não se dê por vencido.
A jornalista brasileira Patrícia García mora em Montevidéu e participou ativamente de todo o processo eleitoral. Vejamos o que ela tem a dizer. 

Memórias eleitorais são naturais em nossa vida. Todo mundo tem alguma história sobre o assunto ou, ao menos, um momento curioso do qual se lembra. É o nosso processo de absorção de nossa própria condição cidadã, de ver a cada 4 ou 5 anos um país se unir em direção às urnas, pronto para mudar seu destino. Mas um pleito que deixe os corações de toda uma nação em animação suspensa durante quase uma semana certamente é algo que não será esquecido tão cedo. 
Pela primeira vez em sua história, o Uruguai enfrentou uma eleição tão disputada que, na noite de domingo (24/11) cada cidadão foi para sua cama com um grito preso na garganta, fosse ele de alegria ou de tristeza. Como uma final de Copa do Mundo, cada comitê, cada casa, cada sítio e rincón onde estivesse um uruguaio tinha uma televisão ligada e olhos atentos á apuração. 
Segundo as pesquisas prévias, cerca de 7 pontos separavam a Frente Ampla do líder, o Partido Nacional e sua coalizão de direita. A cada minuto que passava, cada comentário de especialistas, cada transmissão dos diferentes estados e cidades, cada ligeira mudança em porcentagens, deixava as pessoas à beira de seus assentos. 
Rezas, bandeiras, olhos marejados, abraços, o compartilhamento de um momento tão crítico mas ao mesmo tempo tão bonito. A esperança no olhar de cada frenteamplista que via a barra de porcentagem subir a favor de Daniel Martínez. 
A crença de que, por algum milagre curioso ou alguma dessas inconstâncias da vida, toda a tensão e a preocupação vividas nas últimas semanas iria se esvair em uma vitória inesperada. A direita, em lives mostradas a cada pouco de sua concentração, era apenas uma massa confusa em um silêncio sepulcral, sem poder acreditar que a eleição, que já davam por ganha, lhes estava escapando pelos dedos.
E então, o contador parou. Na tela, estática, risonha, debochada, uma coisa impensável para todos: 48.2% para Daniel Martínez; 48.2% para Lacalle Pou. As barras que não se mexiam, a apuração que caminhava voto a voto, a tensão no ar, toda cédula desdobrada e exibida sendo alvo de um escrutínio atroz de cada espectador. Mudanças ligeiras na porcentagem invadiram a madrugada até que, diante de tal cenário e então com uma diferença de 1% entre os candidatos, a Corte Eleitoral decidiu que havia um empate técnico. 
Uma longa semana de recontagem e novas apurações se estenderia e tiraria o sono de um povo que já se encontrava muito confuso com tudo o que estava acontecendo. Embora com uma porcentagem mínima de vantagem, Lacalle Pou, em seu discurso daquela noite, lamentava que a esquerda não tivesse admitido a derrota. Acontece que ainda não havia derrota. A Corte foi taxativa: empate e recontagem. O Uruguai não conheceria seu próximo presidente naquela noite.
O processo de recontagem não apenas contabiliza os votos já contados como também os chamados votos observados. Essa modalidade distinta praticada aqui é usada para abarcar votos de pessoas em condições específicas. Delegados eleitorais, gente que foi ao colégio eleitoral errado, pessoas com acessibilidade reduzida mas que ainda votam em locais sem acessibilidade, todos estes são os tais votos observados. Por ser um país pequeno, esses votos podem ser absolutamente decisivos em uma disputa. 
Na noite de domingo, Lacalle contava com pouco mais de 24 mil votos a frente de Daniel, mas ainda haviam 33 mil votos observados a serem avaliados e contabilizados. Mesmo que com uma chance muito pequena, ainda havia uma esperança de que a esquerda pudesse se sustentar pelo quarto mandato e dar continuidade ao trabalho desenvolvido.
Após quatro dias de angústia, em que toda Montevidéu fora engolida em suspiros de apreensão, ansiedade ou desânimo, a Corte Eleitoral declarou na quinta-feira que não havia mais chances de a Frente Ampla vencer as eleições. A diferença entre os votos já estava impossível de ser superada e Lacalle vencia com 34 mil votos de vantagem. Uma derrota para a esquerda, mas não exatamente uma vitória para eles. O presidente eleito está nas mãos de seus acordos com a coalizão e precisou ceder em pontos cruciais para que pudesse obter o apoio dos outros quatro partidos. 
Essa colcha de retalhos, que pretende ser a guia do país para os próximos 5 anos, composta de pedaços tão divergentes, é frágil como a democracia em nossa América Latina. Como um prenúncio de tempos complicados, a comemoração da vitória de Lacalle, na última sexta-feira, foi cancelada devido ao mau tempo. Aquele que citava o pai e dizia que “as nuvens passam mas o azul fica”, fechou-se em sua mansão em Carrasco com medo de algumas gotas de chuva. Pergunto-me o que fará quando quando for atacado pelo próprio monstro que criou. Uma quimera de dez pernas, purulenta e contagiosa, que facilmente se voltaria contra seu idealizador.
No sábado, o Lacallito, como muitas vezes é chamado em constante referência a ainda presente figura de seu pai, saiu para encontrar o povo em sua tão sonhada comemoração. Talvez por serem muitas as emoções deste momento para toda uma sociedade que respira política, ou talvez por pura distração, poucos observaram as nuvens carregadas do “céu azulado” da coalizão direitista. 
Enquanto Lacalle discursava um rol de palavras vazias e sem nexo, um homem ao seu lado observava tudo aquilo com o máximo de satisfação que seu rosto enrijecido podia demonstrar. O mesmo rosto que havia protagonizado uma intimidação a civis e militares alguns dias antes, em uma mensagem clara de “perseguição aos traidores”, ou seja, quem não votasse na coalizão. O comandante que era um herói para o ex-militar Carlos Techera, preso nesta última terça e autor de um vídeo em que ameaçava os principais dirigentes da Frente. 
O dono de um partido que, com menos de um ano de existência, conseguiu 3 ministérios num acordo secreto com a cúpula do Nacional. O porta-voz de uma onda de ódio e negacionismo. Em suas mãos esqueléticas, as invisíveis correntes que envolvem a excêntrica quimera, que ele alimenta com inclinações fascistas. 
Se ele decidirá ou não soltar este monstro dentro da sociedade uruguaia, só o tempo dirá. A nós, resta resistir.
Pela volta!

domingo, 1 de dezembro de 2019

MEU AMOR SILVIO, CAMPEÃO CEARENSE DE NOVO

Com o troféu de campeão cearense 2019

Estou muito orgulhosa do meu amor Silvinho, também conhecido como Silvio Cunha Pereira, vulgo maridão! 
Eu e Silvinho em 1992. Nos conhe-
cemos num torneio de xadrez em SP!
Ele é o novo campeão do xadrez cearense 2019! Foi campeão em 2014, e também campeão catarinense em 2008. Todo ano eu queria que ele jogasse a final de novo, mas ele sempre saía pela tangente. Até que desta vez não teve jeito: jogou e ganhou!
Com o troféu de campeão cearense
de 2014
Este ano não foi fácil pra ele. Ele jogou vários torneios em todo o país, a maior parte no Nordeste, e em alguns ele foi muito bem (em fevereiro ganhou um campeonato de xadrez rápido, que não é a sua especialidade, e em agosto ficou em segundo lugar num torneio nacional, também em Fortaleza), e em outros, muito mal. Deve ter ido mais mal que bem porque seu rating caiu bastante.
Jogando xadrez no Chile em 2017
Mas o pior é estar desempregado. Uma escola onde ele lecionava xadrez há sete anos demitiu vários professores em dezembro do ano passado por causa da crise. E o clube de xadrez da UFC, que ele criou, cortou o pagamento. E agora no segundo semestre ele perdeu alguns alunos particulares que tinha há anos. 
Em algum torneio catarinense
(não sei o ano)
As escolas parecem não estar mais contratando com carteira assinada, daí não compensa. Mas estamos bem financeiramente. Eu ganho bem, e a indenização que ele recebeu pela demissão deu mais de um ano de salário. Só que agora acabou, e fico preocupada com 2020. E o problema não é só financeiro: como o Silvinho é workaholic, adora trabalhar, é ruim pra ele ficar parado. 
Então, gente, se vocês souberem de alguma escola aqui em Fortaleza que queira contratar não só um grande campeão de xadrez (que trabalha com isso desde os 13 anos, ou seja, ano que vem ele fará 50 anos de xadrez!) como também o melhor professor, me avisem! E se quiserem aulas de xadrez pelo Skype, dá pra fazer numa boa. 
Cada dia que passa sem o Silvinho dar aula é um desperdício pra humanidade! Parece exagero, eu sei, e sou suspeita pra falar, mas é a pura verdade. Chamem o campeão!
Silvinho em Nova York em 2008. Jogamos xadrez no Central Park