terça-feira, 16 de agosto de 2016

GUEST POST: EXIGIR DEMAIS DAS MÃES TAMBÉM É UMA FORMA DE VIOLÊNCIA

Amanda Felix me enviou este texto muito interessante que ela escreveu:

“Beyoncé revela como perdeu peso após a gravidez”
“Famosa emagrece 26 kg após dar à luz e elimina barriga; saiba como”
“Mamães famosas contam como recuperaram a forma depois da gravidez”
“A top Adriana Lima conseguiu desfilar de lingerie na Victoria Secrets Fashion Week apenas oito semanas após dar à luz sua segunda filha”
Manchetes como essas são recorrentes nas revistas femininas e revelam o que já conhecemos: a busca pelo corpo perfeito. Porém, disseminar a ideia de que é fácil alcançar a antiga forma após a gravidez faz com que a pressão em cima das mães aumente e, além disso, camufla a realidade de que as mulheres ficam marcadas fisicamente depois de dar à luz. Marcas que são visíveis no peso, nas cicatrizes, na pele em geral.
Entretanto, vemos as mídias difundirem mulheres famosas, com rotinas bem diferentes da maioria de nós, como modelo a ser seguido. Há três anos uma colunista da Carta Capital escreveu: “uma mulher comum não pode levantar às 5h da manhã para fazer ginástica, a exemplo da cantora Beyoncé, simplesmente porque não dormiu a noite inteira com o bebê chorando”.
Anne Hathaway, semana passada:
"Não é vergonha ganhar peso
na gravidez"
O que talvez não seja divulgado é que as celebridades se escondem. Grande maioria se refugia após o parto, aparecendo apenas quando seus corpos antigos ressurgem. Muitas fazem a primeira aparição na passarela ou na praia. De biquíni, claro. E a imprensa sacode. Assim sendo, tal propaganda periódica se reflete de forma cultural na sociedade e comprime as mães recentes em um momento delicado de suas vidas. Obviamente, isso não é saudável e pode acarretar em problemas psicológicos e físicos.
Contrapondo-se a esse padrão, uma mãe decidiu divulgar no Facebook uma foto sua pouco depois de passar pelo trabalho de parto. “Here’s What a New Mom Really Looks Like” (Aqui Está o que Uma Mãe Recente Realmente Aparenta Ser, em tradução livre), como muitos intitularam, mostra a dura realidade do período de resguardo.
Danielle Haines, dona da foto, explicou na descrição de sua postagem que não dormia havia três dias, que os seus seios estavam inchados e sangrando e que se sentia muito sozinha porque o marido tinha voltado a trabalhar. Para sua surpresa, muitas outras mulheres que estavam na mesma situação se manifestaram. Eis alguns dos comentários:
“Não tem nada de glamoroso no pós-parto! Inclusive, no início da amamentação, pelo contrário, é uma invasão de sentimentos negativos que, muitas vezes, a recém mãe sofre calada por vergonha do julgamento alheio... recém mãe precisa de cuidado, ajuda, apoio e muita companhia! ” – R.O.L
“E ainda tem gente que acha que somos obrigadas a parir sem anestesia, amamentar com sangue e ainda achar lindo! O bebê precisa de uma mãe saudável e sem depressão. O resto se dá um jeitinho. Força, mães! ” – F.F.
“Muito legal, pois escondemos tudo isso embaixo do sutiã, dos protetores de seios e das cintas para segurar a barriga que ninguém quer ver. Maquiagens para esconder as olheiras de sono por noites sem dormir e choros às escondidas. Prendemos o cabelo que não conseguimos lavar direito em cinco minutos de banho e que apresentam falhas na raiz devido à queda. Nos escondemos da verdade e nos mostramos bonitas e saudáveis para os dedos apontados na nossa cara, como se fossemos um quadro de dardos esperando a próxima ‘crítica construtiva’... Somos guerreiras, independente da escolha ou não do parto, do aleitamento materno ou da fórmula. Todas nós passamos por tudo isso. E passamos por amor. ” – F. M.
Desabafos como esses nos mostram que a superfície de “supermãe preparada” é um mito. E a constante coerção exercida para que nos transformemos nesse tipo de mãe que em pouco tempo já está linda, maravilhosa, tranquila e alegre pode ser tratada como abuso. Sim, abuso. Em muitos casos, começando no trabalho de parto.
Dados mostram que no Brasil uma em cada quatro mulheres sofre violência obstétrica. Levando em conta que uma mãe lembra do seu parto todos os dias por pelo menos quarenta anos, podemos observar que esse é um momento que vai ser guardado pelo resto da vida de forma extremamente marcante. Agressões nesse processo podem acarretar sequelas gravíssimas de cunho psicológico. Muitas que passam por isso apresentam comportamentos similares aos de uma mulher que já foi estuprada. Elas perdem a autoestima, não conseguem mais se olhar no espelho e ficam com dificuldade de retomar a vida sexual com o parceiro.
Também, o filme criado em volta dos primeiros meses do bebê pode se tornar uma frustração para algumas mães. Quando uma mulher está grávida, é comum ouvir as pessoas dizendo como ela se sentirá feliz, como ela transbordará amor, como ela se sentirá emocionalmente bem ao ver o rostinho do seu filho. Sim, isso realmente acontece. Mas ao mesmo tempo em que esses sentimentos se permeiam, também se acompanha o esgotamento, o sobrecarregamento e a solidão. Infelizmente, essas últimas emoções são pouco citadas e faz com que muitas mães, ao sentirem o choque de realidade, se sintam culpadas e sofram caladas, encenando o papel que a sociedade quer que elas encenem, acarretando em alguns casos na depressão pós-parto. 
Apesar dos avanços, o Brasil ainda não é 100% eficaz no cuidado das mães. Afinal, nossos direitos nos permitem apenas quatro meses de recuperação, com extensão para seis, dependendo da empresa. Também, a licença paternidade no nosso país é ínfima, com duração de cinco dias, recentemente ampliado para 20 dias, enquanto países como a Islândia e a Noruega oferecem em média três meses. Tal medida mantém o pai afastado da mãe e do bebê quando os dois, principalmente a mãe, mais precisam de companhia, apoio e carinho.
Esse período tão curto mostra que nós obrigamos as mulheres a voltarem à ativa o mais rápido possível. Ao invés de permitir à mãe um momento tranquilo para ela e para o bebê, nós as incentivamos a se voltarem para o trabalho, para o corpo esbelto que precisa voltar a ser alcançado.
Se cultivamos a ideia da “supermãe”, o que fazemos com as que não alcançam esse padrão? Que são, por sinal, a maioria? Muitas que não correspondem ao molde se malogram por não entender porque o processo de recuperação é mais difícil para elas do que para outras. Mas não entendem porque não sabem que, na verdade, elas são mais uma entre milhares que sofrem as mesmas dores.
Sarah Bregel, escritora e administradora do blog The Mediocre Mama relatou sua experiência e disse: “Por alguma estranha razão somos ensinadas a fingir que é moleza. Somos ensinadas a fazer com que pareça fácil, mesmo que isso signifique dessintonizar o choro dos nossos recém-nascidos em um esforço para obter uma boa noite de sono. Mesmo que isso signifique passar para as mamadeiras antes de estarmos prontas, porque assimilar a volta ao mundo com mamas que nos fazem parecer mais como gado do que com mulheres não é tão agradável como pensávamos.
"Quando para todos os lugares onde olhamos a sociedade nos diz para nos cobrirmos e nosso trabalho não nos apoia em nossos esforços para alimentar nossos bebês, por que seria agradável? Enquanto, para a maioria das novas mamães, o pensamento de entregar seus recém-nascidos ao final de seis semanas é aterrorizante, costumamos dizer às mulheres que vai ser bom para eles. Em essência, somos ensinadas a parecermos mais adaptadas do que estamos. Somos ensinadas a sair de nossos roupões, entrar nos nossos jeans justos, sair de casa e voltar ao mundo na velocidade da luz. Para muitas de nós é muito cedo e ainda não estamos prontas”.
Assim, o que uma mãe realmente precisa no pós-parto é apoio nos momentos difíceis e compreensão de que essa é uma fase difícil. O que precisa ser entendido é que uma mãe precisa de tranquilidade para abraçar e cuidar do seu bebê -- e oprimi-la por fazer ela pensar que está ficando para trás não ajuda. O que as mães necessitam realmente é de liberdade para exercerem esse papel, mesmo que não seja tão atraente quanto poderia parecer. Divulgar essa realidade é uma tarefa e uma luta que nós, feministas e defensoras dos direitos das mulheres, precisamos abraçar, a fim de mudar essa percepção errônea que fazem do resguardo. 

54 comentários:

Anônimo disse...

Ai ai ai...
Mais "mimimi", "opressãum", violência, abuso... tsc tsc tsc
Vão procurar uma louça pra lavar e uma casa pra cuidar! Ninguém aguenta mais a ladainha de vcs...
E olha que eu sou MULHER, MÃE, ESPOSA, DONA DE CASA, AVÓ DE 2 NETOS maravilhosos... quando leio essas postagens me dá desgosto de saber que vcs também são, infelizmente, mulheres também. A diferença é que vcs querem destruir famílias, enquanto nós queremos preservar e fortalecer as nossas.
Licença pq vou trabalhar agora.

Luiza Bairros disse...

se não está satisfeita saia daqui, anônima (?) acima. Mimimi é o que vc está fazendo vindo aqui comentar.

Zrs disse...

E alguém acredita que uma avó "trabalhadeira"e cheia de funções ia estar aqui comentando e atacando mulheres? Esses mascus não cansam mesmo. Vão caçar uma guerra para lutar homis!

Zrs disse...

Quanto ao post, lamentável, triste de fato. E cada vez mais acho que é mesmo uma loucura querer entrar nessa seara e trazer mais gente para continuar nesse ciclo infindável.

Força as mães e aos filhxs das mães.

Bruxinha disse...

Quisera mais mães tivessem coragem de expor as dificuldades- e não só as maravilhas da maternidade- mas isso não vende revista nem site de fofoca, né?

Camila Bezerra disse...

A maternidade não é fácil mesmo, e olha que eu nem sou mãe pra dizer.

Quando a gente reconhece que não é aquele romantismo todo que tentam pregar e escolhe não ser mãe, ainda recebe ataque de todo lado. Família, "amigos", conhecidos, colegas, todo mundo dá palpite: "tem que engravidar logo" "tá ficando velha" "quem vai cuidar de você na velhice?"... mas se acaso a mulher engravida, cadê voluntários para passar a noite cuidando do bebê?

Enfim, só o que acho é que cada mulher deve saber o que a espera ao escolher a maternidade e ainda assim poder ir de bom grado e ter quantos filhos quiser com a consciência que não será fácil, mas pode sim ser recompensador.

Anônimo disse...

Incrível como a falta de argumento aumenta o uso do "mimimi", pessoas adultas falando assim. Vergonha!

titia disse...

Vi na minha própria mãe os efeitos dessa cobrança maléfica e fiquei admirada com sua força quando ela disse que mesmo com toda a merda (e olha que veio uma dose extra forte de merda por parte da família dela e da meu pai) que veio junto ela não se arrependeu de ser mãe. E os mascus dizem que eles é que são o sexo forte? Pffff! As mães desse país comem vocês no café da manhã com cereal. Ainda assim, que bom que eu não tenho a menor capacidade pra ser mãe. Maternidade é outro barco do qual eu decidi pular fora, já vi que não vale a pena e, além de não ter capacidade pra ser mãe, eu não tenho a menor intenção de trazer outra pessoa pra se ferrar nesse mundo fodido cheio de gente que não vale um torrão de bosta amassada mas sai por aí agredindo, estuprando e matando se não for tratado como um rei. Além disso, o planeta tá entrando em colapso pelo excesso de gente, pra que eu vou piorar a porra toda parindo mais um?

Hele Silveira disse...

A máscara da hipocrisia deve ser uma das que melhor se molda à face do ser humano, pois é só dizer que cuidar de bebês e crianças não é feito só de flores, não é a oitava maravilha do mundo e pode até ser um saco, que o mundo desaba. É de monstro e infeliz para baixo. Mas como tô nem aí pra isso... bora chutar os quatro paus da barraca: tive filhos porque quis e PORQUE ELES CRESCEM, afinal, não tenho muita afinidade com bebês e crianças pequenas. Amo minhas filhas e somos ótimas amigas. A mais velha tem 15 anos. A mais nova, 13. Mas assumo que chegar até aqui, na fase a partir da qual a minha identificação não precisa ser buscada, foi um exercício de renúncia, reflexão e paciência, por amor. Não foi nem um pouco fácil, por "x" motivos. Pessoas não tem que se identificar com as mesmas questões. O mar de rosas de um é o inferno do outro e vice versa. Pra que julgar? Se não houver compreensão, só o respeito já ajuda muito - fica a dica.

Anônimo disse...

Me lembra um texto chamado "O lado negro da gravidez", que expõe de maneira um pouco humorosa algumas das complicações dessa fase que não são geralmente mostradas em revistas femininas.

http://www.desfavor.com/blog/2012/06/desfavor-explica-o-lado-negro-da-gravidez/

Só quem passou por isso sabe.

BLH

Anônimo disse...

Affff essas meninas do futebol feminino do Brasil são muito ruins de bola. Pernas de pau!!!

Perderam pra Suécia.
Vou torcer pro futebol masculino que ganho mais.

Anônimo disse...

Todo mundo só tem MUITO a ganhar se esse maldito mito da maternidade cor-de-rosa cheia de unicórnios e gnomos morresse, fosse cremado e as cinzas espalhas pelo mundo pra não ter o risco de se juntar e ressurgir...

Só quando isso acontecer haverá verdadeira liberdade para as mulheres. Mães ou não.

Mas é IMPOSSÍVEL discutir racionalmente o tema - mesmo (ou principalmente) dentro do feminismo - ou se apela para o mundo dos ursinhos carinhosos ou vira uma briga de facão no escuro, pois isso é um ataque inaceitável ao sacrossanto direito de procriar.

Enquanto isso todas nós vamos continuar sendo tratadas como matrizes reprodutora...


Jane Doe

Rafael Cherem disse...

Quando fui pai, colocava a mão na barriga da minha mulher e sentia o bebê chutar, e realmente era uma coisa incrível,fui nas consultas, acompanhei todo o período, mas no parto eu percebi que dali ela poderia simplesmente MORRER, então percebi que gravidez é uma aventura cujo resultado pode ser a MORTE, e caramba, ser pai é mais fácil, meu corpo continuou o mesmo, só mais cansado, meu trabalho continuou o mesmo, e com toda certeza não seria mãe se fosse mulher.

Anônimo disse...

a) Lendo alguns comentários tive certeza que a creche fechou e as crianças chatas e implicantes que deveriam estar no cantinho da disciplina resolveram aparecer.

b) A grande verdade é que a maioria das mulheres têm uma imagem romântica da maternidade e na verdade ser mãe é muito difícil a mulher não pode transparecer sentimentos negativos que é crucificada.

c) Mas apesar da consciência da dificuldade eu quero muito adotar uma criança não quero gestar amamentar mas quero cuidar dar um lar à uma criança necessitada

Claire disse...

As pessoas acham que ser mãe é um dom natural da mulher, que só o fato de ser mulher, necessariamente será mãe, que será uma mae, que irá gostar de ser mae, que deseja ser mae. Nada disso, sou mulher, nunca quis ser mãe, não vejo nada de bonito abdicar de meus sonhos, do meu corpo, de tudooooo meu para cuidar de outra pessoa, não mesmooo, acho isso até masoquismo, mas fico na minha, não fico impondo isso a ninguém não, ao contrário do que fazem comigo, já fui até chamada de louca por ter essa opção.

Zrs disse...

Não só as mamães de bebês que são silenciadas, não é só o mundo dos primeiros anos que é pintado de cor-de-rosa, e que acaba sendo o foco principal das reportagens, dos debates feministas ou posts. Há uma outra parcela imensa de mães, com filhxs já crescidos, às vezes avós, que têm muito a dizer, muito a lamentar, mas também são silenciadas, imensamente silenciadas. Participo de alguns grupos fechados no facebook de mães de filhxs crescidos que desabafam sobre as dificuldades de se criar um filhx, e não falam da parte de qdo são pequenos, mas sim de qdo já são adultxs. Falam das frustrações, do desencanto, da ingratidão, do não amparo, da solidão, da falta de apoio e amor que não recebem de suas crias já criadas. Também falam da dor eterna que é acompanhar as dores dos filhos (suas frustrações, tristezas, desilusões, etc.). Algumas falam que se pudessem voltar no tempo não teriam tido filhos. A parcela das que não se arrependem e que são felizes é a regra do que é divulgado socialmente, o contrário, o que acontece em muitos lares, não. Precisamos desconstruir a maternidade em todas as suas fases, todas!

Anônimo disse...

"Affff essas meninas do futebol feminino do Brasil são muito ruins de bola. Pernas de pau!!!

Perderam pra Suécia.
Vou torcer pro futebol masculino que ganho mais.

16 de agosto de 2016 16:45"

E você, sr Anonimo? Você por acaso é da seleção masculina? Pra estar falando assim, você deve ser muito bom, né?

Anônimo disse...

Impeachment, sem crime de responsabilidade, é o que??

Anônimo disse...

A licença paternidade continua sendo de 5 dias, atualmente ela foi estendida para 20 dias apenas se o pai trabalha em uma empresa participante do Programa Empresa Cidadã ou seja servidor público federal. Só uma observação

Anônimo disse...

Quem está falando nunca teve filhos, mas pensa que sabe tudo sobre a maternidade só porque aglomerou um conjunto de lamúrias de pessoas frustradas

Anônimo disse...

E exigir do pai não é?

Links disse...

Rafael Cheerem, o trabalho das mães é mais dificil porque infelizmente muitos homens são como vc. O que vc quer dizer com " depois de ter filhos, meu trabalho continou o mesmo"? Vc não faz nada para cuidar dos seus filhos? Parir só a mãe pode, mas todo o resto fio, o senhor pode e deve fazer também.

Eh fodis.. até em blog femnista temos que ler isso.

Anônimo disse...

Impeachment, sem crime de responsabilidade, é o que???

Anônimo disse...

"Impeachment, sem crime de responsabilidade, é o que???"

Pedalada fiscal, crédito suplementar sem autorização do Congresso são crimes fiscais, além disso, a Presidente Dilma cometeu crime de obstrução de Justiça:

http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/decisao-do-stf-e-um-alerta-para-situacao-juridica-de-dilma-depois-do-impeachment.html

Rafael Cherem disse...

Rafael Cheerem, o trabalho das mães é mais dificil porque infelizmente muitos homens são como vc. O que vc quer dizer com " depois de ter filhos, meu trabalho continou o mesmo"? Vc não faz nada para cuidar dos seus filhos? Parir só a mãe pode, mas todo o resto fio, o senhor pode e deve fazer também.

Eh fodis.. até em blog femnista temos que ler isso.

Eu participei de toda a gravidez, e faço as tarefas domésticas por igual com minha mulher, inclusive com meu filho.

Com relação ao trabalho, minha mulher teve problemas assim que avisou no serviço que estava grávida, se antes era a funcionária-padrão, virou a funcionária-problema, depois veio a dificuldade na recolocação, com horário de trabalho, diferente do que ocorreu comigo, mesmo quando tinha que sair do trabalho para levar o menino no médico, era visto como uma coisa "oh que pai maravilhoso" quando apenas fazia minha obrigação.

Dan disse...

Estou amando essas discussões sobre maternidade real. Chega desse mar de rosas que na verdade nunca existiu.
Tenho raiva dessas famosas que ficam divulgando a magreza pós parto, eu não queria estar no lugar dos filhos delas. Esse é um dos casos em que a mulher também atua como opressora, embora (surpresa! ) acabe sendo um tiro no pé.
Mudando de assunto, acho que o que o Rafael quis dizer é que, por melhor pai e companheiro que o homem seja,o ônus da maternidade fica todo pra mulher. Ele reconheceu o problema,só isso.

Dan

Rafael Cherem disse...

Exatamente Dan, é um problema estrutural.

Anônimo disse...

Rindo horrores da avó trabalhadeira chiliquenta, kkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Se a mãe é mais importante, porque quem "manda" na família é o pai? Porque deus é visto como "pai" ao invés de uma mãe protetora?

Anônimo disse...

12:51,

Por motivos de machismo. Umas leituras no blog da Lola ajudam.

Anônimo disse...

porque a sociedade é machista, seu ridículo. Mas numa coisa vc tem razão, deus deve ser pai mesmo. Por isso fez a humanidade e esqueceu a gente aqui, sofrendo, com fome, frio, morrendo nas guerras...

Nós como filhos abandonados pelos pais ficamos aqui, esperando que ele volte, igual as crianças que esperam os pais ligarem no aniversario. Só que o cretino do pai não liga. Deus já deve ter feito outra humanidade em outro universo com alguma outra deusa, e dessa vez ele está cuidando tudo direitinho, pagando de bom pai.
Nós como crianças abandonadas pelo pai, ficamos esperando. As vezes ele vem e nos paga um mac donalds, e isso renova nossa fé por dois anos.

Anônimo disse...

Moço, vc tem que parar de ficar lendo notícias dadas pelo site da rede golpe de televisão! Fica a dica!!!

Anônimo disse...

"
Anônimo17 de agosto de 2016 12:51
Se a mãe é mais importante, porque quem "manda" na família é o pai? Porque deus é visto como "pai" ao invés de uma mãe protetora?
"

Há várias respostas possíveis, dependendo de quem está respondendo. Segundo Richard Dawkins em "O Gene Egoísta", houve um ancestral comum de todos os seres sexuados que não apresentava diferenças entre machos e fêmeas. Porém, diferentes caminhos evolutivos concorrentes fizeram com que parte da população adotasse a estratégia de fornecer cada vez mais nutrientes para seus gametas, enquanto que outra parte da população adotasse a estratégia de se aproveitar dos gametas mais ricos em nutrientes, diminuindo os nutrientes de seus próprios gametas para conseguir gerar um número maior de gametas. Essas duas estratégias concorrentes especializaram-se ao longo das gerações, resultando em espécies cujos indivíduos ou geram poucos óvulos gigantes ou geram milhares de espermatozóides minúsculos.

Em peixes, os óvulos tem vantagem porque a fecundação é externa e o espermatozóide se espalha rápido demais. Como consequência, em várias espécies de peixes é o macho que cuida da prole, chegando ao caso de espécies em que o macho carga os óvulos fecundados dentro do corpo.

Em terra, com fecundação interna, os espermatozóides levam vantagem devido à quantidade. Por isso é mais comum a fêmea cuidar dos filhotes (para o macho, se existe alguma chance da fêmea conseguir criar o filhote sozinha, é mais vantajoso fugir e procurar outra fêmea, maximizando o espalhamento de seus próprios genes).

Nós humanos, que desenvolveram consciência, nada disso é necessário. Mesmo que uma sugestão genética tenha sido suficiente para influenciar as culturas ao longo de gerações, somos seres conscientes, capazes de sobrepujar esse tipo de herança ancestral e evoluir além de nossos genes.

Anônimo disse...

Anônimo das 16:45

As meninas da seleção de futebol são "ruins de bola e pernas de pau" sendo que a Marta ganhou Bola de Ouro 5 vezes, e a Cristiane é a maior artilheira de Olimpíadas e vc é quem além de um inútil, misógino e fracassado?
E a seleção masculina é tão "boa" que sofreu massacre se 7 X 1 da Alemanha e nas Olimpíadas empatou de 0 X 0 em duas partidas e só jogou melhor porque tomou baita vaia da torcida é chuva de críticas dos comentaristas.
Vc vai ganhar mais sim torcendo pro futebol masculino, vsi ganhar uma bela ereção vendo machos suados e tatuados correndo atrás de bola.
Vai tomar vergonha na cara e aprende a valorizar as atletas e mulheres em geral viado! Kkkk

Anônimo disse...

Porque mesmo a mãe sendo responsável pela proteção e cuidado ela é diminuída pela sociedade misógina? Os gregos ignoravam completamente a importância da mãe na reprodução, que é ironicamente muito mais importante que a do homem. Um filho não era considerado da mãe, mas do pai, este que nem tinha 100% de certeza da sua paternidade. 13:49 porque então que os homens se casam com as mulheres se é desvantajoso no ponto de vista genético? Porque matam as mulheres que querem se divorciar? Porque possuem ódio contra as mães solteiras? Porque durante toda a humanidade não foi bem visto uma mulher criar sozinha a prole e viver feliz? Porque o pai sempre tentou roubar a importância da mãe para si?

Anônimo disse...

Biologicamente falando, deus deveria ter uma identidade feminina, especificamente materna. A mãe é aquela que cria, nutre, proteje, cuida, ensina, aconselha e é misericordiosa com os erros dos filhos. Porque o pai invejoso roubou essa importância para si?

Anônimo disse...

O pai depende da mãe, mas esta não depende do pai. Biologia pura. O pai só existe quando a mulher o identifica como companheiro, é resultado do social. Mas a mãe tem base biológica, ela seria a única a ter controle legal sobre os filhos. O pai aparece apenas como "ajudante",o que chegou depois. A história de Adão e Eva deveria ser o contrário.

EneidaMelo disse...

Nós, mães, precisamos de rede de apoio. Nem que ela seja composta só por mães.

Anônimo disse...

Richard Dawkins se define como discípulo de Charles Darwin, que por sua vez considerava o tema da seleção sexual tão relevante que escreveu um livro só sobre isso.
Segundo Dawkins, tanto pai quanto mãe compartilham de interesse comum na sobrevivência da cria, já que esta carrega 50% da carga genética de cada genitor. Não faz sentido um pai largar a mãe sozinha se isso reduzir demais as chances sobrevivência dos descendentes. Isso é a regra em diversas espécies de aves, por exemplo, já que os filhotes demandam tanto cuidado que somente um indivíduo sozinho não conseguiria garantir a sobrevivência das crias. Mas mesmo entre pássaros (Dawkins cita a "ave-do-paraíso" como exemplo) existe o caso de machos que não ajudam na criação dos filhotes. Nesses casos, a mãe consegue sozinha criar os filhotes, então é mais vantajoso para o macho fecundar o máximo de fêmeas quanto for possível.

Entre 100 mil e 70 mil anos atrás, o Homo Sapiens desenvolveu a capacidade de criar abstrações complexas. Antes disso, éramos como os demais animais: dependíamos principalmente de influências genéticas para mudar o comportamento. Mas com a capacidade de pensamento abstrato complexo, o ser humano criou a Cultura, que nos permitiu organizarmos nossos pensamentos e cooperar uns com os outros de maneira como nenhuma espécie anterior tinha conseguido. A Cultura também nos permite mudar o comportamento independente de nossos genes. Em curtíssimos espaços de tempo, populações humanas passaram por alterações que levariam milhões de anos em outras espécies. No entanto, ainda somos geneticamente hominídeos que evoluíram por pelo menos 2 milhões de anos para sermos "bípedes caçadores-coletores". Esse conflito entre o modo "original" de determinação de comportamento (os genes) e o "novo" modo de determinação de comportamento (a Cultura) se reflete em aparentes contradições no comportamento humano.

Anônimo disse...

Yuval Noah Harari, no livro "Sapiens: uma breve história da humanidade", defende que a Cultura se mostrará vencedora desse embate entre qual mídia será principal responsável por moldar o comportamento geral de nossa espécie. Segundo Harari, nossa Cultura em breve será capaz de influenciar até mesmo os genes e, mesmo que não nos acabarmos em guerra ou destruição ambiental, seremos extintos, substituídos por uma nova espécie cujos genes refletirão nossa Cultura.

Anônimo disse...

Por exemplo, se hoje existe ainda alguma influência genética no tamanho e compleição física de homens e mulheres, isso poderia ser eliminado en uma nova espécie de humano (Harari lembra que o Sapiens é apenas uma de pelo menos seis espécies de humanos que coabitavam o planeta, aparentemente levamos as demais espécies à extinção). Para Harari, se o feminismo, por exemplo, tiver papel relevante na sociedade, isso possivelmente influenciaria nas características genéticas da próxima espécie (que substituirá os Sapiens).

Lembrando que essa nova espécie não seria como ETs invadindo o planeta. Na verdade seriam nossos descendentes.

Anônimo disse...

Segundo Joseph Campbell em "O poder do mito", as primeiras sociedades na Mesopotâmia, Egito e Índia veneravam sobretudo deusas. Para essas sociedades, a Criação era associada à figura da mulher. Ainda segundo o autor, as religiões cujos deuses eram masculinos surgiram em sociedades que valorizavam a guerra. Essas religiões espalharam-se conforme as sociedades guerreiras dominaram os povos vizinhos.

Denise disse...

Ótimo post, a maternidade realmente deveria ser desmistificada e retratada como ela é na verdade: difícil, solitária e desgastante. Claro que tem também o lado ótimo, que faz tudo valer a pena, mas as mães precisam sim de mais suporte. O pior é que mesmo as próprias mulheres que são mães enchem a boca pra criticar as demais, parece que é uma eterna disputa pra ver quem é mais “perfeita”. É só entrar em qualquer blog/post sobre maternidade que se vê o montão de mãe julgando a maternagem alheia. Vide o caso recente da foto que viralizou de uma mãe no celular enquanto o bb dormia no chão do aeroporto: http://revistacrescer.globo.com/Curiosidades/noticia/2016/08/mae-deixa-bebe-no-chao-enquanto-usa-o-celular-historia-por-tras-da-foto.html. Por isso que eu digo: o que falta nesse mundo é empatia.

Anônimo disse...

Anon das 14:03

Mesmo se ele for homossexual, viado é um termo homofóbico. É o mesmo que chamar mulher de vadia ou negro de macaco.

Anônimo disse...

Viado é usado com humor também, entre os gays.

Anônimo disse...

Minha mãe disse que quando teve filhos, jogou sua vida no lixo.

Anônimo disse...

Lola,porquê meu comentário não foi aprovado? Adoro o blog e comento raramente.

Anônimo disse...

Acho que, nesse caso, seria o mesmo que chamar mulher de cachorra ou vaca.

Anônimo disse...

Minha amiga teve bebê há uns seis meses. Parou de trabalhar pra ficar com a filha. Todos a criticaram. A menina mama em livre demanda ainda. Todos a criticam. Essa minha amiga nao tem empregada, então cuida da casa sozinha e da bebê. Aí todos criticam que a casa anda uma bagunça e que ela nem penteia cabelo. Falam que assim o marido dela vai trocar ela por outra rapidinho (ele vive arrumado, trabalha o dia todo e sai com colegas de trabalho nas horas vagas; quase nunca fica com a bebê e quando fia não parece muito satisfeito de ter que abdicar de fazer suas coisas). Eu, que nem filho tenho, já fico chocada e imaginando as criticas que com ctz terei qdo tiver meus filhos; porque é impressionante como TUDO as pessoas metem o bico e criticam. Na mulher, claro. Isso porque quem mais queria ter filho era ele!!! Lembro que antes de terem ele insistia atéeeee pra terem filho logo. Já eu, meu marido não quer ter filhos agora porque trabalha muito e fala que quer ser muito presente. Mas eu quero muito. Acho sim que a decisão tem que ser em conjunto, mas se eu for esperar ele diminuir o ritmo, ou algo parecido, tenho ctz que não terei (porque tudo tem limite na biologia). Não sei o que faço!

Anônimo disse...

Se você ainda quer, mesmo vendo tudo o que acontece com a mulher, tenha. Depois venha dar seu depoimento aqui no blog :)

Hele Silveira disse...

No exemplo que citou, é óbvio que o homem não queria ter filhos. O que queria, de verdade, era um meio de controlar e limitar sua esposa, até que possa se livrar dela ou até que ela se canse, vá embora e leve, também, a culpa pelo divórcio.

Anônimo disse...

Esse assunto Maternidade é tão entediante.Ainda bem que existem corajosas,porquê se depender de mim a humanidade já teria sido extinta.

Capitu disse...

E quando que dona de casa, mãe, avó e o escambal tem tempo (e disposição) de ler textão na internet? HA HA

Capitu disse...

Sou mãe de primeira viagem (minha filha está com 5 meses) e é sempre bom ler relatos onde a gente se enxerga. Com 20 dias do pós-parto eu havia perdido 13kg (3kg a mais do que havia engordado. Me senti super ultra (tinha feito nenhum esforço praquilo acontecer). Mas, como cheguei à conclusão, o nascimento deixa um "vazio" na barriga facilmente preenchível com gordura! Engordei! Hahaha... tão irônico isso! E tão verdade! E ao mesmo tempo tão secundário! Porque tudo que vivemos é aprender a cada dia. Não existe dia igual, e exige muito esforço. A gente ama profundamente esse serzinho de luz, cheiros e fofura, mas a gente tá sem dormir, tá sem tomar banho, n lembra mais de passar desodorante, come rápido pra daná (não dá pra esquecer de comer porque é muita fome) e sente uma solidão imensa! A vida mudou! Não é ruim, mas ela mudou e a gente precisa fazer uns arranjos nela. Temos várias recompensas e honestamente estar com minha filha hoje é mais importante que o doutorado (que eu achava que era a coisa mais importante da minha vida). Mas a gente se anula, e é muito hormônio! A gente se sente um bagaço! É foda! É quase como ser bipolar. E a gente tem que anotar tudo pq não lembra de nada. Enfim... vale a pena, mas é foda! E foda-se! Eu não sou a Gisele e preciso muito de doce nas madrugadas!