quinta-feira, 19 de maio de 2016

"PODE UM CARA DE 32 COM UMA MENINA DE 16?"

Já faz um tempo que uma leitora querida, a B., me enviou um email com a sua preocupação:

"Minha filha completará 16 anos em uma semana. Há 15 anos eu me divorciei do pai dela e como moramos longe de nossa família somos só nos duas desde então. É claro que isso nos aproximou absurdamente, somos super amigas e não há assunto proibido entre nós.
Ela conheceu um cara num site desses onde se conhecem caras. Ele tem 32 anos e já foi logo dizendo que não queria encontrar com ela antes que ela completasse 18 anos, mas continuou a manter contato.
Eu conversei com ela, expliquei que ele saber que o que está fazendo é errado, mas continuar fazendo, não faz dele um cara mais legal, muito pelo contrário.
Expliquei também que qualquer cara de 32 anos, por mais imaturo que seja, consegue conquistar pela dominação qualquer menina de 15 anos, por mais madura que seja.
Mas ela insistiu dizendo que eles apenas conversavam sobre política e filmes e eu segui pontuando como aquilo não era legal.
O resultado para mim foi bastante óbvio, ela ontem confessou com lágrimas nos olhos estar interessada nele. Eu conversei novamente e disse que aquilo não podia ser. Que ela merece viver as experiências dela em uma relação igualitária e com alguém que esteja na mesma 'vibe' dela. Ou seja, com alguém que, ainda que mais experiente, ainda enxergue a vida com o olhar de um adolescente, e aconselhei que se afastasse dele.
Lola, estou sendo super protetora e com um olhar cristão hipócrita da situação? Estou com muito medo de estar errando numa situação que acredito ser bastante delicada.
Ansiosa por saber sua opinião."

Meus comentários: Querida B., acho que estou escolhendo a hora de responder seu email. Esta semana, como você deve ter visto, Laércio, um homem de 53 anos, ex-participante do BBB16, foi preso em Curitiba, acusado de estupro de vulnerável. 
Quando ele tinha 49 anos, "envolveu-se" com uma menina de 13. Ela, que hoje tem 17 anos, passou prints das conversas entre os dois à polícia e contou que ele lhe dava bebidas alcoólicas (e, no mundo machista em que vivemos, é óbvio que tem um monte de gente culpando a garota!).
Havia suspeitas sobre Laércio desde que sua participação no BBB foi anunciada. Outra BBB, Ana Paula, brigou com ele na casa e o acusou de pedófilo. Ele mesmo disse gostar de "novinhas" e, no seu perfil no Facebook, se descreveu como "efebófilo" (alguém que se sente sexualmente atraído por adolescentes). E hoje foi o dia da "assessoria" de Laércio dar show de machismo e falta de tato no twitter do cara (se é que o tal twitter é do Laércio, parece que não é).  
Pouco disso tem a ver com a sua pergunta, mas tive que comentar porque todo mundo vai associar o caso do sujeito que está trocando mensagens com a sua filha com a podridão do Laércio. Em primeiro lugar, é louvável que vocês duas tenham um relacionamento de tanta aproximação e confiança. É ótimo que ela possa contar contigo. Não acho que você está sendo super protetora. Eu, no seu lugar, faria o mesmo -- conversaria com ela. 
Há três pessoas envolvidas nessa situação: você, o cara de 32 anos, e sua filha, de 15, agora 16. Como eu já disse, pra mim você está agindo muito corretamente. Já o cara de 32 anos... Eu realmente duvido que ele tenha encontrado sua filha sem querer, que ele estava num site de relacionamentos, conheceu a sua filha, gostou muito dela, e depois percebeu que, ohh, ela tem 15 anos!, mas tudo bem, ele só quer conhecê-la pessoalmente quando ela completar 18. Isso soa como roteiro bem clichê de alguém mal-intencionado. 
Tá cheio de "predadores" na internet, doidos pra atrair meninas que eles teriam infinitamente mais dificuldade para atrair na vida real. E é por isso que talvez não seja uma boa a sua filha frequentar sites de relacionamento.
Aliás, B., você viu o filme Confiar, com o Clive Owen (trailer legendado aqui)? É sobre uma menina de 14 anos recém completos que troca mensagens com um simpático rapaz um pouco mais velho que ela, que depois se revela muito mais velho. Ela aceita se encontrar com ele, é estuprada, e custa aceitar o que aconteceu com ela. O sofrimento de seus pais também tem destaque no filme. Aconselho que você e sua filha vejam o filme juntas. Hard Candy (Menina Má.com) também pode ser uma boa, já viu?
Não é fácil se colocar no lugar de uma menina de 15 ou 16 anos, por mais que ela seja sua filha, por mais que a gente já tenha sido uma. Por um lado, é lógico que ela sabe que não tem nada a ver se relacionar com alguém com o dobro da sua idade. Por outro, ele é tão bacana, a trata bem, a acha bonita e inteligente, e os garotos da sua idade são tão imaturos...
Não dá para tirar a agência de uma adolescente e vê-la como incapaz de tomar suas decisões. Algumas meninas de 15 ou 16 anos querem se relacionar com homens muito mais velhos. O que os pais devem fazer? Proibi-las? Ou falar com elas?
(Eu acho que cabe à pessoa adulta a responsabilidade de dizer "Você é menor de idade, não vamos ter nada". Mas é óbvio que um predador não vai dizer isso). 
Muitos anos atrás...
Minha primeira experiência minimamente sexual foi quando eu tinha 15 anos, com um garoto de 19. Nessa idade, quatro anos faz muita diferença! Ele já viajava sozinho, já tinha feito sexo. Eu não sabia nada. Quando eu tinha 17, transei com um homem de 35, um arquiteto italiano. E não foi legal. Não tínhamos absolutamente nada em comum. E nunca mais na adolescência fiquei com caras tão mais velhos. Porque uma coisa é diferença de idade de 10, 15 anos quando a gente já é adulta. Quando se é menor de idade isso pesa muito mais.
Porém, se quando eu tinha 17 anos meus pais me proibissem de sair com um cara do dobro da minha idade, eu não iria gostar. Portanto, o melhor é conversar mesmo. E aproveite os (poucos) filmes que falam sobre o tema, e as notícias que surgem sobre escrotossauros como Laércio, para debater o assunto de homens mais velhos com fixação por meninas. Quem sabe a sua filha, observando o que acontece com as outras, reflete sobre a situação dela. 
UPDATE: A B. se manifestou. A situação só piorou de quando ela me enviou o email pra cá... A filha agora está se relacionando com o cara. O que a B. pode fazer? Proibir não é solução!

106 comentários:

Tatiana disse...

B. Continue conversando com a sua filha. Não estou muito longe da minha adolescência, mas por mais rebelde que a gente pareça ouvimos muito a nossa mãe. Principalmente quando a relação é próxima como você diz que a sua é.
As dicas da Lola são ótimas. Converse muito e vejam filmes. A sua opnião conta muito.
Não, não existe o menor cabimento uma menina de 16 com um cara de 32. Ela vai falar da prova e ele das contas a serem pagas? Tudo a seu tempo.
Descobrir o sexo com alguém com a mesma maturidade que você pode ser uma coisa maravilhosa.
Continue firme. Filhos querem os pais junto.

Anônimo disse...

A verdade é que quanto mais velho o homem fica mais ele quer menina nova. Nojo.

Anônimo disse...

a) Lola acredito que devemos acabar com a lenda que meninas amadurecem mais cedo este argumento favorece pedofilos na maioria das vezes estas meninas acabam sendo manipuladas.

b) E nojento o apoio a Laercio querem convencer que uma criança de 13 anos é responsável por um estupro

Anônimo disse...

O que uma adolescente faz em sites de relacionamento?
Faltou orientação anterior a esta menina, agora ela está nas garras de um provável predador de internet.
A mãe em vez de ter uma posição de adulta prefere de comportar como "super amiga", sendo mais imatura que a menina

talita disse...

Esta semana houve um caso assim na minha cidade.Uma menina de 12 anos foi estuprada pelo vizinho,um cara de uns 18 ou 19 anos.A mãe ao descobrir denunciou na policia, e o caso virou manchete nas paginas locais,seguido por uma enxurrada de comentários culpabilizando a garota, tipo:Ela foi porque quis,ela é uma assanhada,ela vivia correndo atras dele,a mãe dela é uma bêbada e estava drogada quando foi na policia (detalhe mãe solteira e pobre)E todo o tipo de absurdo para denegrir a criança e a mãe.O estuprador fugiu e a família contratou um advogado,(coisa que já haviam feito no ano passado,quando ele de moto em alta velocidade atropelou um idoso,provocando fratura nas duas pernas,e fugiu).E mesmo assim os amigos e colegas dele seguem fazendo campanha para humilhar e responsabilizar a menina.É revoltante.

Anônimo disse...

As meninas mais novas são ainda imaturas e de pouca vivência e ainda enxergam homens de forma romântica e idealizada não como eles realmente são predadores sexuais sem consideração alguma por mulheres. Conforme vamos ficando mais velhas as mascaras dos machistas caem ! A maioria de minhas amigas que assim como eu estamos na casa dos trinta e poucos na verdade não temos mais nem paciência com homem por perto, nem os vemos mais como grandes coisas.
Eles percebem isto e ficam assediando meninas novinhas como um bando de doninhas machistas nojenta. A educação feminista precisa chegar cada vez mais as adolescentes para manter elas bem informadas sobre os perigos de relacionamentos abusivos com homens de meia idade.

Bizzys disse...

Vou contar uma história que tem muito a ver com esse texto.

No ano passado, meu namorado trabalhou como professor em uma escola de inglês. Um dia, apareceu um homem nessa escola com um buquê de flores para uma das alunas do meu namorado, uma menina de 14 anos. Esse homem tinha por volta dos 30 anos e se apresentou como namorado e garota.

Meu namorado achou estranha essa situação e começou a investigar. Ele descobriu que, antes de chegar na escola, o homem ligou para lá perguntando os horários da menina, e o dono da escola simplesmente forneceu essa informação sem questonamentos. A própria aluna contou que conheceu o cara no Tinder e que ele era professor universitário. Meu namorado quis ligar para a mãe da aluna para avisar da situação e foi impedido pelo dono da escola porque "isso não era problema deles".

Meu namorado continuou incomodado com a situação e acabou conversando com a mãe da aluna uns dias depois. Ela não sabia sobre o "relacionamento" da filha, ficou super preocupado e o agradeceu por ter avisado. Um tempo depois, ela entrou em contato com o meu namorado para contar que a ESPOSA do cara (sim, ele era casado e tinha dois filhos) descobriu tudo e estava ameaçando a menina por whatsapp. A garota foi proibida de ver o cara, mas duvido que ela quisesse mais alguma coisa com ele depois desse circo.


Aí fica a lição: desconfie (e muito) de homens adultos correndo atrás de adolescentes. Não veio sentido algum no interesse de um cara de mais de 30 anos numa menina de 15. Os dois estão em fases muito diferentes da vida, não têm compatibilidade. Para mim, esses tipos só correm atrás das mais jovens porque querem alguém mais inexperiente para manipular e tirar vantagem.

Anônimo disse...

(Viviane)
Dentre muitos pontos a serem comentados no relato da B., um me chamou atenção: "ela ontem confessou com lágrimas nos olhos estar interessada nele".
É também uma ótima oportunidade de explicar à menina que "paixões avassaladoras", do jeito que a gente vê em novelas e filmes, não existem. Apaixonar-se pode não ser uma escolha, mas continuar apaixonada (e agir de acordo com essa paixão) é. Isso vale para a vida toda e para qualquer relacionamento. Não escolhemos nos apaixonar por alguém mais velho (ou casado), mas a escolha de alimentar esse sentimento (ainda mais quando não aconteceu nada de concreto) está em nossas mãos.

Zrs disse...

E o marcelo camelo e aquela menina cantora? Na época deu uma bafafá danado, mas hoje são até casados. Não acho correto, mas não é incomum.

Mila disse...

O caso do ex-BBB e mais recentemente o de um delegado inocentado do estupro da própria neta pq ela "não havia gritado o suficiente" só me fizeram crer o quão a sociedade brasileira é conivente com estupro e pedofilia. O que não faltou foi reações, principalmente feminina, que diziam que a menina de 13 anos bebia e fumava, então "já sabe o que quer" ou que as meninas de hoje estão muito assanhadas. É claro que ninguém considera que o adulto e quem iria responder pelas ações era o estuprador. Não importa se a lei diz que a idade de consentimento é 14 anos.
Com 13 anos, quem nunca se sentiu dono do mundo, dono do próprio nariz? É comum que as meninas com essa idade se encantem por caras mais velhos pois são mais maduros em comparação aos pirralhos da mesma idade. É comum ao adolescente que ele tenha pressa em crescer e ser dono de si. No entanto, é responsabilidade dos adultos de demarcar os limites e mostrar que crianças e adolescentes não podem fazer tudo o que pensam que podem e que seus atos têm consequências. Infelizmente, é muito comum que esses predadores se aproveitem dessa idade cheia de confusões para em benefício próprio.

camila santos disse...

O incrível disso tudo não é só adolescentes com homens e sim o quanto é comum a mulher sempre ser mais nova que o homem! Toda notícia que eu vejo o homem é sempre mais velho que a mulher, todo casal que eu conheço se repete a mesma coisa. Eu acho que existe muita adolescente com homem também pela infantilidade delas. sem contar que essas relações são sempre cheias de problema...

Anônimo disse...

Pode um de 32 ficar com uma de 16?

R: Sim

Anônimo disse...

Eu acho que no máximo 5 anos de diferença e o ideal. Acho que homens deveriam responder criminalmente por tentarem se aproximar de mulheres com desejo sexual nojento 10 nos mais nova que ele pra começar pelo menos, em que faixa etária for esta diferença..

titia disse...

B. converse com a sua filha, mostre pra ela casos parecidos, explique o que motiva esses homens a procurar meninas adolescentes. Aqui no blog mesmo tem posts sobre esse tipo de relação abusiva e talvez sua filha entenda se ouvir (ou ler, no caso) de primeira mão sobre esse tipo de abuso e como isso faz mal às meninas. Mas não deixe de conversar com ela pois, como a Tatiana disse por mais rebelde que a gente queira ser o que a nossa mãe nos diz ainda é muito importante.

16:06 o que a mãe deve fazer então? Trancar a menina na fortaleza da solidão e só a deixar sair quando fizer 18? Deixa de ser ridículo, a B. fez o certo que é estar do lado da filha e ser aberta pra conversar sobre qualquer assunto com ela, porque é assim que os pais sabem o que a criança/adolescente está fazendo e com quem ele está convivendo na internet e podem orientar. Proibir de entrar em chat e nem mesmo falar com o filho sobre o que ele faz na internet é que não protege ninguém. Só serve pra pai preguiçoso achar que está fazendo alguma coisa sem precisar gastar dois minutos pra conversar com o filho.

Anônimo disse...

É muito comum meninas buscarem uma figura paterna, que lhes ofereça proteção e segurança, quando o pai foi uma pessoa ausente ou quando a conduta paterna não corresponde aquilo que se espera de um pai. Não sei, talvez seja o caso.
De qualquer forma, acredito que um aconselhamento psicológico ajudaria a filha de B. olhar para a relação dela com esse homem com espírito crítico e consequentemente a cair fora dessa história.
Eu me envolvi com um homem mais velho quando eu já nem era mais adolescente (tinha 23), e ele 43, e mesmo assim me arrependo, pois ele usava da minha pouca experiencia para me manipular. Fiquei anos sofrendo abuso psicológico até ter condições e maturidade para terminar.
Fabi

Anônimo disse...

Na real, converse direitinho com ela e, em último caso, acione a polícia. É homem com mais de 30 anos e está atrás de adolescente? Com certeza é estuprador.

Anônimo disse...

talita disse...
Esta semana houve um caso assim na minha cidade.Uma menina de 12 anos foi estuprada pelo vizinho,um cara de uns 18 ou 19 anos.A mãe ao descobrir denunciou na policia, e o caso virou manchete nas paginas locais,seguido por uma enxurrada de comentários culpabilizando a garota, tipo:Ela foi porque quis,ela é uma assanhada,ela vivia correndo atras dele,a mãe dela é uma bêbada e estava drogada quando foi na policia (detalhe mãe solteira e pobre)E todo o tipo de absurdo para denegrir a criança e a mãe.O estuprador fugiu e a família contratou um advogado,(coisa que já haviam feito no ano passado,quando ele de moto em alta velocidade atropelou um idoso,provocando fratura nas duas pernas,e fugiu).E mesmo assim os amigos e colegas dele seguem fazendo campanha para humilhar e responsabilizar a menina.É revoltante.


Por que não expõe o nome do criminoso, dados pessoais dele e links para possíveis perfis dele em redes sociais?

Vamos transformar essas "manchetes nas páginas locais" em "manchetes nas páginas nacionais", pra evitar que ele consiga se esconder em outra cidade onde a notícia não tenha chegado.

lola aronovich disse...

A Bizzys, ao contar o caso do namorado, lembrou outro ponto muito interessante: muitos desses caras que correm atrás de meninas são CASADOS. Tem boa chance, B., do carinha que tá conversando com sua filha ser casado também.
E aí? Se ele for casado, sua filha continuará achando o cara legal?

Falei com o maridão sobre o caso e ele, além de concordar com minhas sugestões, deu outra: B., fale também com o cara. Já que esse cara é tão bonzinho, tão "não vamos nos encontrar até que você tenha 18 anos", ele não deveria ter problema em falar contigo. Esses caras geralmente têm muito a esconder. Se ele não aceitar falar contigo, já é um sinal de que de bonzinho ele não tem nada.

Anônimo disse...

". É homem com mais de 30 anos e está atrás de adolescente? Com certeza é estuprador."

E se a adolescente tiver 16/17/18? Segundo a lei não estupro se tiver consentimento.
E se em vez de ele tiver mais de 30 anos ele tiver sei lá ; 27? Qual a diferença, e se for 21?
E se for uma mulher de 30 com um rapaz de 17 como eu já vi?

Anônimo disse...

E se ele não for casado Lola, For apenas um rapaz de 30 apaixonado pro uma moça de 16?

Anônimo disse...

Meu marido tinha 37 e eu 17 quando nos casamo, e estamos juntos já faz 5 em uma relação muito saudável de respeito e satisfação. Então vamos com calma que tudo e muito relativo, as vezes a menina de 18 casa com um de 20 que e machista e abusivo.

titia disse...

Pode um de 32 ir em cana, ser apontado como abusador, ser abandonado pela esposa e ser exposto como tal (abusador) por ficar com uma de 16?

Sim, pode. Deve, aliás.

Anônimo disse...

"Eu acho que no máximo 5 anos de diferença e o ideal. Acho que homens deveriam responder criminalmente por tentarem se aproximar de mulheres com desejo sexual nojento 10 nos mais nova que ele pra começar pelo menos, em que faixa etária for esta diferença"

Fale por você então nessa sua lei doida miga, meu namorado e 10 anos mais velho que eu e o único crime que existe entre nós"e amor" e sim muito tesão. E não você não vai criminalizar o tesão que homens e mulheres sentem por seus parceiros , e saudável e normal. Loucura e seu recalque.

Anônimo disse...

19:41 Que bom que vc é feliz no seu casamento e tudo deu certo entre vc e seu marido, mas acredito que seu situção se classifica mais pra exceção do que para regra. É possível que o interesse desse de 32 na filha da B. seja legitimo, mas uma enorme chance de não ser, por isso a preocupação da B., e não acho que seja exagero.

André disse...

15:56,
Acho que não é lenda. Mas meninas amadurecem uns 2 anos mais cedo, não 20 anos mais cedo.

Anônimo disse...

Acho que a lei brasileira ainda favorece muito esse tipo de ''relacionamento'', tenho certeza que em países que que a idade de consentimento é de 18 pra cima isso não é comum.Homens adultos que correm atrás de adolescentes podem ser tudo, menos boas pessoas.Pode ser que mulheres da idade dele não se interessam por ele por n motivos e ele vai atrás de adolescentes, meninas em idade extremamente manipulável, pode ser que esse cara do post converse com sua filha e com várias outras meninas e torce pra que uma morda a isca, pode ser que seja casado, pode ser que tenha filhos/as, talvez até da idade dela, as possibilidades são infinitas.Não importa o absurdo do abuso, as pessoas sempre vão culpar a menina, essa história de que menina amadurece mais rápido e sabe o que quer no auge dos seus 13 anos de idade tem que acabar, acho que meninas são forçadas a amadurecer, são repreendidas, não podem exercer a infância livremente, tem que se comportar, tem que ser mocinha, enquanto meninos podem passar a vida inteira sendo imaturos, não é atoa que meninas adolescentes se interessem por homens mais velhos, os garotos da idade dela são insuportáveis, eu entendo, e principalmente se o pai dela for ausente a ideia de se envolver com um homem de 30 anos vai parecer cada vez mais atraente.Se fosse minha filha eu confesso que não deixava, ela tem 16 anos, você deve enxerga-la como uma bebê ainda, ninguém pode te julgar por proteger sua filha de um relacionamento nada saudável.

Anônimo disse...

Ninguém manda no coração.
O rapaz pode gostar dela e tratá-la bem. Isso não tem a ver com a idade, mas com o caráter.
Se eu fosse mãe dela, a minha única preocupação seria saber se está havendo igualdade nos sentimentos, se ambos se gostam e se respeitam. E que seja bom enquanto dure. Se acabar, faz parte da vida. Não dá para achar que tudo seja pra sempre. Nada é pra sempre. As pessoas morrem.

André, há estudos que indicam uma diferença de 10 anos no amadurecimento de homens e mulheres na adolescência. Há mudanças no cérebro que acontecem aos 10 anos nas mulheres e só aos 20 nos homens. Mas, independemente de amadurecimento o que importa é o amor. Afinal, ninguém é perfeito. Idealizar pessoas não é bom.

Não demonizem caras mais velhos. Tá cheio de moleque de 14 anos abusador, que embebeda amigas "para comer", que ilude, etc.

Pode sim o cara de 32 anos se encantar pela sua filha de 16, pelo jeito dela, pelo olhar, pelo sorriso, pelo voz... Isso se chama sentimento.

Júlio Cézar disse...

Marcelo Camelo.

Anónimo disse...

Acho que tudo depende, do mesmo jeito que existem pessoas má intencionadas na idade equivalente tbm tem as que tem uma disparidade de idade,Jah vi rapazes de 30 e poucos com garotas de 18 e poucos que eram casais super felizes,alias,mto mais que aqueles da mesma idade ,e não era excessão,mas no lugar da mãe falaria com o cara, pq se ele quer que ela tenha 18 eh estranho,fala com ele é vê oque acontece,as vezes ele realmente tem um interesse real na sua filha e ela nele.Sempre de olho e bem de perto.Abração.

Anônimo disse...

Não é porque alguns relacionamentos com diferença de idade dão certo, como aqui nos comentários foi exemplificado que todos dão. Quando vemos na tv casos de relacionamentos com diferença de idade, a notícia termina para o relato da morte ou tentativa de morte sofrida pela garota. Esses homens quase sempre são possessivos e procuram menininhas em que possam exercer sua obsessão e serem admirados por isso.

Anônimo disse...

Não é saudável essa diferença enorme e os dois em momentos tão distantes da vida.

Não é todo mundo que sabe que não precisa ser a outra pessoa maior de idade para não haver uma complicação legal. Talvez por isso ele tenha dito que só vai querer conhecê-la pessoalmente (leia-se transar, porque é isso que a esmagadora maioria dos homens querem em sites assim) quando ela for maior de idade.

Se ela também quisesse só sexo não haveria maiores problemas. Mas ela está apaixonada e deve se machucar bastante nesse tipo de envolvimento.

A B. fez certo em ter um diálogo com a filha e as dicas da Lola são válidas.Reprimir ela agora não é uma boa coisa a fazer. Ela vai achar que estão "querendo atrapalhar o amor dela" e aí é que ela vai fazer mesmo. Procure dialogar com ela.

A autora falou que é separada do pai dela tem 15 anos. Não sei se seria o caso de falar com ele também. Às vezes mesmo o pai não convivendo fisicamente ainda tem alguma participação e a filha escuta.Há casos assim. Se for esse o caso,acho que poderia falar com ele também. Afinal,é a filha dele.Mas só se for esse o caso.Se não for,continue procurando dialogar com ela.

Anônimo disse...

Eu, se fosse a mãe, pediria pra falar com o rapaz, e diria que "estou de olho". E também perguntaria "o que vc viu na minha filha ? vcs conversam sobre o que ? pq vc nao se relaciona com pessoas da sua idade ou de idade proxima a sua ?"
E se achasse que o cara fosse uma má pessoa, ainda pediria pra ele se afastar.

Ilka disse...

Eu conheci meu ex-marido aos 18 anos, ele tinha 35. Adulta e começando a faculdade. Casamos quando eu estava com 21 anos e por 14 anos vivi um relacionamento abusivo onde ele se tornou o centro da minha vida enquanto eu não dava um passo sozinha, e achava que isso era amor. Apenas após os 30 anos comecei a perceber o que acontecia e como nossa relação não possuía nada de igualitária, ele me maipulava em todos os aspectos para ser e viver como ele queria. Só aos 35 anos consegui me libertar desse relacionamento. Então, dizer que o relacionamento tal resultou em casamento não significa final feliz, como muitos pensam.

Dito isso não estou afirmando que a diferença de idade gere abuso necessariamente, mas que alguém com mais de 30 anos tem muito mais condições de manipular uma adolescente apaixonada que uma pessoa de idade próxima. Todo cuidado é pouco nesse sentido.

André disse...

20:57,
Não é porque uma ou outra característica tenha essa diferença que, no geral, essa será a diferença. Ou você acha que homens de 20 e crianças de 10 são equivalentes?
ps: Deus é Amor, nenhum dos dois existe.

Anônimo disse...

Anônimo Anônimo disse...
Ninguém manda no coração.
O rapaz pode gostar dela e tratá-la bem. Isso não tem a ver com a idade, mas com o caráter.
Se eu fosse mãe dela, a minha única preocupação seria saber se está havendo igualdade nos sentimentos, se ambos se gostam e se respeitam. E que seja bom enquanto dure. Se acabar, faz parte da vida. Não dá para achar que tudo seja pra sempre. Nada é pra sempre. As pessoas morrem.

André, há estudos que indicam uma diferença de 10 anos no amadurecimento de homens e mulheres na adolescência. Há mudanças no cérebro que acontecem aos 10 anos nas mulheres e só aos 20 nos homens. Mas, independemente de amadurecimento o que importa é o amor. Afinal, ninguém é perfeito. Idealizar pessoas não é bom.

Não demonizem caras mais velhos. Tá cheio de moleque de 14 anos abusador, que embebeda amigas "para comer", que ilude, etc.

Pode sim o cara de 32 anos se encantar pela sua filha de 16, pelo jeito dela, pelo olhar, pelo sorriso, pelo voz... Isso se chama sentimento.

19 de maio de 2016 20:57



Me poupe, se poupe, nos poupe.

Anônimo disse...

Esse cara é um PEDÓFILO, sem mais.

Anônimo disse...

Toda regra tem exceção, realmente. O que não tem cabimento é fazer da exceção uma regra, tapando o sol com a peneira e acreditando que o "amor é lindo e supera tudo".
A mãe está certa em ficar preocupada e deve conversar com a filha à exaustão se for preciso. Falar com o cara também é uma boa idéia.
Um homem de 32 anos pode se apaixonar por uma moça de 16? Sim, nada impede. Mas vamos combinar que na grande maioria das vezes o interesse deles não é tão nobre ou romântico assim.

Anônimo disse...

De uma "menina" que já teve 16 anos e que já namorou caras beeeeeeem mais velhos nessa idade:

Se você prender, a coisa vai virar romance. Vai ter gosto de proibido, vai ter gosto de "meus pais não sabem o que é melhor pra mim" e o cara, que era só um cara, vai virar príncipe encantado. Vai virar melhor amigo, melhor confidente, melhor sexo, vão começar a fazer planos e a te afastar de todas as comunicações.

Não adianta a mãe falar que o sujeito é um monstro se tudo o que ela enxerga é um príncipe. Mamãe sabe de nada e não confia em mim, pensará. Vou seguir meu coração, pensará. Sua mãe não quer sua felicidade tratando você como um bebezinho, ele dirá. E ela vai concordar com tudo e vai te afastar cada vez mais da própria vida. E vai rolar sexo nessa história. E você não vai saber de nada, porque a garota não vai mais confiar em você e terá medo de ser criticada. Se fuçar nas coisas dela, aí que ela não vai confiar mesmo e por necessidade, vai se tornar uma mentirosa criativa.

Toda mãe é "amiga" da filha até surgir sexo na parada, incrível. Aí já era.

Quando você protege a princesa e afasta o "invasor", você não está protegendo a princesa e sim criando dois mártires do amor sofrido.

Até parece que a Sra. não teve 16 anos de idade, poxa.

E vou além: se ela confessou "estar interessada", possivelmente eles já estão se encontrando.

E tem mais uma coisa. Garotos de 16-18 anos são, em geral, uns merdas que tratam mulheres muito mal, porque mais importante que a moça são os amigos deles e a exibição de masculinidade entre outros garotos. Estamos falando de uma geração que já nasceu vendo RedTube, não se esqueça. Os mais velhos, tirando abusadores clássicos, sabem falar, sabem tratar, têm experiência no sexo, têm experiência na vida e tudo isso é muito fascinante pra quem quer alcançar uma maturidade ainda proibida. Um pratão cheio, não é?

Como resolver? Depende de tanta coisa. Vou falar só o que aconteceu comigo.

Na primeira vez, meus pais me mudaram de cidade e me mandaram morar com uma tia. Continuei me encontrando com meu "príncipe" por quase um ano depois disso, escondido de todo mundo e era uma delícia a sensação de fazer todo mundo de idiota. Terminamos porque sim, não teve briga nem nada e somos amigos até hoje. Na segunda vez, já não fiz questão de esconder e o drama foi pesado na minha casa, cheguei a ser ameaçada de agressão física e claro, em quem eu fui me refugiar? No cara, que nem era grande coisa mas pelo menos nunca levantou a mão para mim, fuçou nas minhas coisas ou me tratou como se eu tivesse 10 anos. Novamente, terminei quando quis e nenhum trauma foi necessário. Muitíssimos anos depois a gente acabou até se encontrando fazendo um curso preparatório para concursos. E no terceiro, meus pais foram mais inteligentes e passaram a adotar uma postura de "distância observadora" ou seja, minha família sabia quem ele era e ele sabia quem era a minha família. Curiosamente esse foi o namoro que menos durou, fica a dica pra mamãe protetora. Esse sumiu do mapa.

Com o tempo fui perdendo o interesse nos mais velhos e por fim casei com alguém 6 anos mais jovem que eu. E no namoro foi a vez da família dele implicar comigo e dele correr para mim, mesmo ele já não sendo um garotinho. A fina ironia da vida que só prova que criar mártir é a pior forma de querer afastar alguém dos seus filhos.

Não interessa se com 16 anos você era uma criança que brincava de bonecas. Sua filha não é você. O mundo em que ela vive hoje é muito diferente do seu. E se com 16 anos você "não brincava de bonecas", é bom deixar a hipocrisia de lado e parar de achar que ela vai consertar os erros que você cometeu na sua própria história. Não vai, cada um tem a sua.

Boa sorte, você vai precisar.

Anônimo disse...

Um homem dizendo algo que ele não viveu. Não André, mulher não amadurece mais cedo. Por mais corpo que se tenha, a cabeça ainda não amadureceu.

clarice disse...

acho que esse texto é bastante elucidativo
http://www.brasilpost.com.br/tayna-leite/aos-13_b_10012502.html?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004

Anônimo disse...

Bom dia, Lola bom dia à todxs que se manifestaram (mesmo o que me chamou de negligente ou coisa assim por ter permitido o ingresso da minha filha em um site de relacionamento)
Eu sou a B. e sim, minha filha entrou num site de relacionamento apesar do meu conselho contrário. E sim, eu aconselhei mas não proibi. Eu tenho 39 anos e isso significa que embora não fosse nenhuma adolescente quando ela nasceu, era ainda bem jovem. Como a maioria das mães que conheço, entrei no ofício da maternidade determinada a arrumar todos os "erros" da minha mãe. Queria que minha filha pudesse me falar sobre qualquer coisa e isso implicava em não proibir coisas que não fossem absolutamente condenáveis. Permitir que ela criasse uma conta em um site de relacionamento foi um erro, mas já aconteceu e o que eu busquei aqui foi justamente saber se eu estava exagerando na minha preocupação de mãe.
Desde já agradeço à todxs que se manifestaram. Embora a coisa tenha piorado bastante de fevereiro pra cá, me sinto acolhida pela Lola e por vocês.
Lola, já assisti aos filmes que você indicou há bastante tempo atrás. Ambos fortes e confesso que suspenses como menina má.com acabam com meus nervos. Mas gostei da ideia e certamente são excelentes sugestões para um fim de semana de reclusão, como o que se aproxima.
A sua resposta não poderia vir em melhor hora, posto que esta semana fiquei sabendo que os dois começaram um relacionamento. A história toda é extensa e bem trash. A melhor maneira de explicar o que aconteceu da última segunda-feira para cá seria postando às mensagens de whatsapp que esse homem me encaminhou. São tantas contradições e explicações esdrúxulas que embrulham o estômago. Vou poupá-los do dissabor e dizer que se antes tinha medo de estar exagerando, hoje tenho certeza que esse cidadão não vale nada. Uma pesquisa com o nome da criatura no google e não é possível achar uma empresa onde tenha prestado serviço, um paper escrito, um concurso prestado, nada além de nudes. Uma pesquisa com o nome da minha filha de 16 anos e achamos que ela já ganhou condecoração nas olimpíadas de matemática do estado onde moramos, já ganhou concursos literários, foi aprovada na prova de seleção do melhor colégio público de nosso Estado etc. Dá um aperto no coração incrível.
Vou falar pra vocês um pouco sobre como a minha filha está agora: perdida! Temos conversado muito e ela é do tipo que realmente pensa sobre as coisas. Então de um lado estou eu, a maior influência, o ídolo, a mulher de 39 anos que não concorda com esse absurdo. Do outro lado está ele, o homem de 33 anos, sarado e maduro que jura paixão eterna. Ela está realmente perdida. Sente-se culpada e acredita que está nos fazendo sofrer. A coisa ficou tão tensa que achei por bem procurar ajuda profissional e ela está agora com acompanhamento psicológico. O mais incrível disso tudo é que apesar do turbilhão emocional onde ela se encontra, o rendimento escolar não deixou a desejar.
Quanto a mim, estou fazendo o possível para manter minha filha segura tanto física quanto emocionalmente. Não proibi o relacionamento, embora tenha firmado posição contra. Ainda estou na fase de acreditar que ela verá sozinha todo o absurdo desta situação e se isso não acontecer, talvez tenha que intervir diretamente, talvez até proibindo o relacionamento (o que seria um pesadelo pra mim e talvez um marco na nossa relação de cumplicidade).
Lola, o que você acha?
O que vocês acham?

Anônimo disse...

Tem um cara que eu conheço, mais de 30, que sempre tem relacionamentos à distância com meninas de menos de 18. Me incomoda e muito. Ele sempre vem desabafar de como elas são imaturas, que as mães são controladoras... Que ele fica falando para elas que precisam se libertar da família, conquistar a independência, uns papos que eu realmente considero perigosos, para elas. Fico falando para ele que elas são novas, que não há nada de errado no comportamento delas e que ELE deveria se afastar. No fim que ele já não me fala nada.

A minha conclusão do caso dele é: Ele é um 'fracassado' de mais de 30, que mora com os pais e não trabalha nem estuda. Nenhuma guria com mais de 30 se interessa por ele, imaturo e sem perspectivas de porra nenhuma. Só uma menina inocente, que só convive com meninos de menos de 18, que moram com os pais e não trabalham para achar ele interessante. Ele não é uma pessoa má, mas manipula as meninas sim, ainda que não me pareça intencional. Mas está nessa pq elas não vão ficar questionando ele, só vão achar fofo ele ser tão delicado, compreensivo e inteligente. Uma mulher mais velha não iria aceitar isso.

Para mim, um babaca. Moça, dê apoio à sua filha, um cara com mais de 30, seja qual for o motivo, não tem que ficar cercado meninas novas não.

Mila disse...

Eita eita, o velho argumento do muito madura pra sua idade. Essa é uma das frases perfeitas que abusadores dizem para as adolescentes e mulheres jovens com o intuito de fazê-las pensar que são especiais.
A anônima de 20h44 falou muito bem. Meninas são socializadas a amadurecer mais cedo. Vamos dar exemplos:
1. Na infância, a guria já é treinada com os afazeres de casa e as tarefas de mãe; meninos jogam bola na rua ou videogame nessa idade;
2. Adolescência: Você já é uma mocinha! Pode começar a usar maquiagem, saia, salto alto e largue dessas coisas de menino. Já é comum as meninas partilharem com as mães as responsabilidades do lar. Os meninos? Videogame e Counter Strike, já pode sair sozinho. É um moleque ainda.
Isso se reflete em relacionamentos. É perfeitamente aceitável uma adolescente se envolver com um cara mais velho. Se um rapaz vai fazer isso com outro propósito que não seja sexual, é ruim. Na idade adulta, aos 20 e poucos as mulheres já sofrem pressão para casar e ter uma família pq o relógio biológico está apitando. O homem sofre essa pressão bem mais tarde, é aceitável ser um solteirão vida boa com 40 anos.
E assim é por toda a vida. As mulheres são condicionadas a amadurecer mais cedo. Homens, com raras exceções, têm o aval da sociedade para serem muleques, crianças mimadas pelas mamães, não assumirem responsabilidades perante suas famílias.

Anônimo disse...

Eu e algumas amigas participamos de um grupo de leitura do livro "Mulheres que Correm com os Lobos". Recomendo que essa mãe leia, especialmente o conto do Barba Azul. Pode ler o conto inclusive com a filha. Quando soube do Laércio, achei incrível que ele tenha entrado no programa com a barba azul. Sim, ele é um predador, assim como tantos outros. Espero que você consiga alertar sua filha, e que mantenham uma relação de confiança mútua e aberta. Esse rapaz que ela conheceu pela internet não é bem intencionado, infelizmente. Um abraço e minha solidariedade a você. Também sou mãe, mas de um menino... No entanto, sou mulher, e sei bem como podem facilmente usar nosso amor e paixão contra nós mesmas.

Carol Costa disse...

B., leia o conto do Barba Azul... E procure também ajuda psicológica. Você é mãe dela, em primeiro lugar. Precisa zelar por sua integridade física, psicológica e emocional. A impressão que tenho é que está subestimando o mal que esse relacionamento possa fazer à sua filha. Essa é a parte chata de ser mãe né? Também sou muito amiga do meu filho, mas já entendi que muitas vezes precisarei fazer o papel de chata e que ele sentirá raiva de mim. Mas preciso estar com a minha consciência tranqüila de que o estou conduzindo pelo caminho mais seguro. Até que ele seja capaz de decidir sua vida por conta própria.

Marcia disse...

B., acho que proibir o relacionamento só fará o desejo dela mantê-lo maior. Cuidado com esse argumento dela de que ela te faz sofrer, é posição psicológica de quem já está sofrendo um relacionamento abusivo. Os sentimentos dela não podem ser expressados, ela é o meio de expressão do sentimento dos outros.

Já teve aquela conversa franca sobre sexo, e como ele deve ser num relacionamento saudável?

No mais, você já conversou pessoalmente com ele? Esse contato próximo ajuda a afastar alguns tipos de abusadores, infelizmente não todos.

Caso a situação passe para violência física (infelizmente é tão comum, tomara mesmo que não seja o caso), não deixe em hipótese alguma de fazer boletins de ocorrência e denuncia-lo todas as vezes, mesmo que a sua filha implore para que você não o faça.

Se ela já está 'perdida', significa que começa a entender que vive um relacionamento abusivo ou algo do tipo...Recomendo esse vídeo aqui , que é super didático, vejam juntas, pergunte se tem algum aspecto do vídeo que se aplica ao relacionamento que ela vive.
https://www.youtube.com/watch?v=I-3ocjJTPHg

No mais B., sei que dói. Mas se livrar de um relacionamento abusivo/manipulador é algo que se faz sozinha, as pessoas que realmente nos amam só podem acompanhar. Continue com ela, e deixe que ele a afaste de você.

Força e espero que esse pesadelo passe logo.

Cão do Mato disse...

Engraçado... Quando o Marcelo Camelo e a Malu Magalhães começaram a namorar, ele tinha 32 e ela 16... Não me lembro de nenhuma histeria por causa disso... Não que eu aprove isso, mas...dois pesos e duas medidas?

lola aronovich disse...

Ô, querida B., que barra, hein? A situação piorou muito. Pensei que de lá pra cá sua filha teria deixado esse cara pra lá. Como já desconfiávamos, o cara não vale nada. Sem querer generalizar, quase sempre é assim. Um cara busca uma menina com metade da sua idade para poder controlá-la, porque mulheres da mesma idade que ele não lhe dão bola, porque é casado, porque é pedófilo e tentar "se relacionar" com meninas com 14 pra menos pode dar problema, mas meninas de 15 ou 16, tudo bem, é bastante aceito na sociedade, sempre com aquela "justificativa" de que menina amadurece mais rápido. Uma coisa bem patriarcal mesmo. B., foi um erro permitir que sua filha entrasse num site de relacionamentos. Nunca entrei em nenhum, mas, como disse, imagino que seja um lugar cheio de predadores. Está bem na cara que o homem de 33 estava procurando uma "novinha", e encontrou sua filha. Eu acho que vc está certa, querida. Tem que aconselhar, não proibir. Proibir só piora as coisas, porque a pessoa continua fazendo a coisa errada, mas agora por trás dos panos. Acaba-se a confiança. Vc tem que continuar fazendo o possível para que seu relacionamento com a sua filha continue sendo ótimo. Porque o cara vai tentar desestabilizar a sua relação de mãe com a sua filha. Ele precisa fazer isso para ter mais controle sobre ela. E, no meio disso, sua filha fica perdida mesmo. Ela em algum momento se dará conta do que vc já tem certeza: que o cara é um fracasso, que ele procura meninas porque as mulheres mais velhas o veem como um fracasso. Mas não tem jeito: sua filha vai ter que notar isso sozinha. Ela vai notar, cedo ou tarde, geralmente já na primeira desilusão. O perigo é também que, mais tarde, o cara não aceite o final do relacionamento, fique stalkeando e ameaçando. Acho que uma boa estratégia é conversar com a sua filha como se ela fosse uma observadora de uma situtação dessas, não a parte envolvida. Veja ou reveja CONFIAR e MENINA MÁ (realmente um filme muito forte) COM ELA, e converse, não falando sobre ela, mas sobre o que ela acha dos "relacionamentos" nesses dois filmes. Claro que nesses filmes as meninas têm 14 anos, não 16, e isso faz diferença também, mas a atuação dos predadores não é muito diferente. Talvez, se sua filha se der conta que isso é um PADRÃO PREDATÓRIO, que não tem nada de amor, ela consiga traçar paralelos com seu próprio relacionamento. Boa sorte pra vcs duas!

Ah, ótimos comentários, pessoal! Verdade verdadeira, anon das 9:20: Laércio entrou no BBB16 de barba azul! Um pedófilo usando barba azul! CLARO que a Globo sabia de tudo. É só pra "provocar", pra "apimentar" o jogo. Que irresponsabilidade!

Anônimo disse...

Sou uma mulher de 25 e namoro um menino de 13, me julguem. Acho muito melhor ele ficar comigo, que o ama, cuida, educa e protege do que ficar com essas garotinhas que só pensam em moda e maquiagem para impressionar os malvadões com QI de dois dígitos e coroas pedófilos. Jogamos videogame, vemos filmes, ajudo no dever de casa, ensino a tocar violão e um monte de coisa. Conheci em um grupo sobre anime no Facebook. É meu amorzinho. :3

Rodrigo K disse...

Sou psicólogo e concordo com o seu comentário. Realmente talvez a falta de uma figura paterna possa estar influenciando. Lembrando que a figura paterna não significa necessariamente alguém que seja do sexo masculino, mas sim alguém que ocupe essa posição. Talvez fosse um momento para de pensar na reaproximação com o pai da menina. Mas algumas questionamentos poderiam ser feitos. Distância não é desculpa para um pai não se fazer presente. A gente não se faz presente só fisicamente. Se esse lugar estava vago, alguém poderá tentar ocupar esse lugar. E, pelo que parece, é isso o que está acontecendo.

titia disse...

B em algum momento as mães tem que ser as chatas. Faz parte, orientar crianças e adolescentes inclui negar coisas que eles querem muito fazer e lembrar que, embora eles queiram crescer e ser independentes, ainda não tem maturidade suficiente pra isso. Faz parte de ser amiga E mãe dos filhos puxar a orelha desse pessoal que acha que sabe tudo mas na verdade não faz a menor ideia do que realmente os espera no mundo lá fora. Não desista do diálogo, peça pra ela se informar sobre o cara como você fez e reforço as sugestões da Lola. Mantenha sua filha no psicólogo e continue conversando com ela.

05:31 o que exatamente você quis dizer? Que a B deve deixar a filha dela se ferrar na mão de um predador pra ela aprender?

Cão do Mato não sei onde você procurou mas eu vi sim muita desaprovação a esse relacionamento até mesmo, veja só!, nos comentários do UOL sobre o relacionamento. Se você não ouviu mais é porque temos uma sociedade machista que tá o tempo todo justificando estupro dizendo que "Ah, essas meninas de hoje não são mais inocentes", "Ah meninas amadurecem mais cedo, com 16 anos elas já sabem tudo", etc. Mas nunca, NUNCA, eu ouvi ninguém aprovando esse tipo de relacionamento. Acho melhor você tomar cuidado com as suas companhias...

Ah (suspiro desanimado), eu sabia que ia ouvir toda essa merda de "Meninas de 16 são maduras, amor não tem idade, meninas amadurecem trocentos anos mais cedo, o primo da tia da vizinha da cunhada da sobrinha da minha tia bisavó casou com um cara com idade pra ser o pai dela e foram felizes" nesse post. Mas esse dos "meninos de 14 anos também estupram portanto não se deve questionar o cara de 35 que quer pegar a menina de 16" é mais ou menos nova. Incrível como qualquer canalhice ou parafilia masculina sempre tem alguém pra defender, por mais ridícula que essa defesa seja. Depois nós que somos paranoicas e merecemos morrer por não querermos homens (principalmente estranhos) perto das nossas filhas, irmãs e sobrinhas, né?

Rafael Cherem disse...

Tá na hora de chamar o pai para dentro do papo não?
Converse com ele, chame o rapaz para bater um papo os três, importante mesmo é ele saber que se fizer algo com ela terá consequencias.

Em tempo, não entendo como pode ter alguem atraído por adolescentes, eu só converso com eles por extrema necessidade.

Anônimo disse...

Vou contar a minha experiência de vida amorosa e espero de alguma forma ajudar.

Durante minha adolescência eu "fiquei" com alguns garotos, poucos...e sempre chegava a uma conclusão de que eu não gostava de meninos da minha idade, eu queria ficar com um homem mais velho.

Logo após fazer 18 anos conheci um homem de 36, que se disse encantado por mim, eu acreditava que meu desejo tinha se realizado...iria ficar com um homem mais velho.

Algum tempo se passou e nos vimos algumas vezes, até que um dia ele me chamou para ir em sua casa, e eu como estava gostando muito dele acreditei que ele tambem estava gostando muito de mim e fui.

Papo vai e papo vem, a gente acabou transando, e eu já tinha dito para ele que eu era virgem, e ele "tão bonzinho" que era disse que não faria "nada a força".

Após isso nos vimos mais algumas vezes, bem poucas, e ele sumiu...não me atendia mais, nem respondia msg, nem nada...e então eu comecei a pensar de verdade em tudo que tinha acontecido, o quanto eramos diferentes nos interesses e em muitos fatores de nossas vidas, e consegui ver o que realmente ele queria comigo.

Não era amor, nunca foi, não da parte dele...soube um tempo depois que ele já tinha feito isso com outras garotas, eu só fui mais uma.

Acredito de verdade que ter um relacionamento com alguém que esteja na mesma faixa de interesses e descobertas com vc é infinitamente melhor, os dois aprenderão juntos muitas coisas, principalmente em relação a sexualidade.

Por ter passado por esta situação, hoje vejo com maus olhos um homem de mais de 30 anos se dizendo tão interessado por uma menina de 15.

Se este homem fosse tão "bom" como ele diz ser, ele não estaria atrás de meninas tão novas, e como disse o marido da Lola, ele aceitaria conversar com vc.

Eu nesta situação, proibiria sim minha filha de ter um relacionamento assim, mas conversaria muito com ela a respeito e tentaria mostrar que há mais coisas erradas do que certa nesta situação.

Meus pais nunca me orientaram em nada, absolutamente nada, eu só ouvia um NÃO, sem conversa, sem explicação, e hoje eu vejo o quanto isso custou pra mim.

Converse o máximo que puder com sua filha, a oriente muito.

Anônimo disse...

Oi B.

Vou deixar algumas sugestões também...

Sugestão 1: você pode colocar condições no relacionamento, do tipo: estão tão apaixonados, querem ficar juntos, vão ter que fazer uns sacrifícios - só pode namorar aqui em casa, quando tiver gente. Acho que não é uma medida drástica e permite que vc conheça o cara, que sua filha conheça ele num ambiente seguro, já vai filtrar as intenções dele. A regra pode durar até que você sinta confiança, até ela fazer 18, ou sei lá...

Sugestão 2: Vou falar um pouco da minha história. Não sei como é o relacionamento seu com sua filha. O meu com a minha mãe foi sempre de autridade. Ela era muito ponderada naquilo que deixava ou não fazer, mas aquilo que ela não deixava, eu jamais desobedecia ou fazia escondido. Por exemplo, eu pude ir pra balada desde bem cedo (uns 14 15 anos - minha cidade é pequena e muito segura), mas sempre ela ou meu pai iam buscar (proibido pegar carona) e 3h tinha que ir embora (algo que era meio cedo, já que a festa normalmente começava 0h). Enfim... ela não era de proibir mas não era liberal de mais. A frase da vida minha vida foi 'tudo em exagero faz mal'. Enfim... vamos aos fatos: quando eu tinha 14 anos, comecei a namorar um menino de quase 18 (pedi permissão pra ela). O namoro foi bacana por um bom tempo, mas qnd ele entrou na faculdade (+- 1 ano e meio depois), ele começou a 'aprontar' comigo. Saia sozinho, dizia que eu não podia ir na festa porque era só pra meninos, ficava até as 9h da noite sem atender celular e assim por diante. Após um ocorrido desses, ele foi até em casa conversar comigo e eu rapidamente o perdoei, dei mais uma chance. Na HORA que ela me viu abraçada com ele, ela me chamou na sala e disse que eu tava proibida de continuar o namoro. Que era pra voltar no quarto e terminar tudo. Assim eu fiz. Cerca de 8 meses depois, nós ainda mantínhamos contato, e ele quis voltar. Eu novamente pedi autorização da minha mãe, e ela deixou. O namoro durou mais 4 meses... rsss Ele voltou a aprontar e mentir pra mim, e na primeira vez que o fez, eu terminei. Dessa vez eu estava convicta. O tempo de término fez com que eu mudasse a minha posição, tivesse uma postura mais racional e menos 'ingênua apaixonada'. Desde aquela época e hoje mais ainda, tenho certeza que minha mãe agiu corretamente. FOI A MELHOR COISA QUE ELA PODERIA TER FEITO. Naquela idade, eu teria ficado sofrendo na mão do cara um tempão, até me desiludir. A diferença é que com a maturidade dela, ela sacou a situação muito mais rapidamente e agiu pra me proteger.

Então minha opinião é: se vc sempre foi coerente na educação dela, não tenha medo de proibir (se vc achar que ela vai te obedecer). Ela não vai ficar magoada com você ou te culpar depois. Você é mãe, tem essa autoridade e tem esse dever também. Peça pra ela confiar em você, no seu julgamento, na sua experiência. Não é uma questão de poupar ela de um 'coração partido', mas é uma questão da segurança física e psicológica dela. Sua filha mesmo sente que tem algo errado, e deveria seguir a intuição. Talvez ela fique até aliviada de vc tirar o peso da escolha dos ombros dela.

Grande abraço e boa sorte!



Anônimo disse...

Sobre tirar o peso da decisão dos ombros dela, segue um trechinho de um post. A autora se refere aos filhos pequenos, mas creio que, extrapolando, aplique-se ao caso da sua filha também.

Vou copiar o trecho aqui e deixar o link.

"Uma vez eu li o livro Encantador de Cães e fiquei fascinada com o raciocínio simples que o genial Cesar Millan escreve ali. Ele diz que cães só vão obedecer quem eles respeitam. E para ganhar respeito, é preciso ser a autoridade, é preciso colocar ordem antes do amor. Agora tente trocar a palavra “cães” por “filhos”, dá no mesmo. Autoridade é o contrário de democracia. Os pais não podem estar sempre abertos “o que querem comer, o que vamos fazer hoje, onde vamos passar as férias”. Entende como é complicado para a criança ouvir isso? Sentir que não existe uma ordem. Ela no auge dos seus 4 anos (ou por volta disso) é que precisa saber, querer e lidar com seus desejos. Meu Deus, está tudo errado ai. No meu tempo de criança, minha mãe interrompia a brincadeira trazendo uma bandeja com uma limonada fresca e biscoitos Maria. Sempre que lembro dessa cena (que aconteceu várias vezes) ela aparece iluminada como uma fada. O que eu sentia era: Nossa, ela é mágica! Como ela sabe que estamos com fome e com sede? Teria sido bem diferente se ela tivesse aparecido e perguntado: querem lanchar? vão querer sorvete ou pode ser biscoito mesmo? Estava pensando em fazer uma limonada, vocês vão beber? Ou é melhor eu trazer um suco de uva?"


https://antesqueelescrescam.com/2013/11/21/seu-filho-precisa-mesmo-ser-tao-feliz/

Anônimo disse...

O Mascu disfarçado (Anônimo das 10:34)... vaza daqui, vai!
Se fosse verdade essa histórinha, nós condenaríamos também. Você não vai encontrar ninguém aqui achando lindo pedofilia só porque suportamente vc é mulher.

Anônimo disse...

Acho sim que os pais devam ser os melhores amigos dos seus filhos, e devem ter sempre uma conversa bem aberta sobre todos os assuntos, claro que cada um a seu tempo.

Mas acho também que os pais devam sim proibir os filhos de fazer algumas coisas, ainda mais se estas situações apresentam algum risco para o filho.

Quando eu falo em proibir, não quero dizer que os pais devam impor isto para os filhos sem sequer conversar sobre, eu acredito que o melhor a ser feito é conversar bastante e explicar o porque da proibição.

A B. falou algumas coisas que vem acontecendo, e o que chama a atenção é o quanto ela diz que a filha se sente perdida e que a filha está com medo de fazer eles sofrerem, será que esta menina não está sendo pressionada por este homem? Será que ele não quer forçar ela a algo e ela não está sabendo lidar?



André disse...

05:59,

Minha intenção não foi afirmar que amadurece mais cedo e delimitar um valor, apenas salientar que, se ocorrer, a diferença é pequena, não de décadas, como chegou a ser "afirmado" em outros comentários. E como assim "algo que ... não viveu"? Metade dessa realidade eu vivi, assim como você viveu a outra metade.

Anônimo disse...

Continue treinando, mascu. Péssima fanfic.

André disse...

B.

Peça para sua filha propor a ele uma situação que o tire da sua zona de conforto (pode ser uma conversa com algum amigo seu que seja autoridade (policial, etc), uma visita sua à família dele, simular um rompimento, etc) e observar a reação dele. A situação proposta nem precisa ocorrer realmente, mas a reação dele pode dar uma luz para a sua filha.

Anônimo disse...

Não sei se estou falando besteira, mas, se a coisa ficar feia mesmo, será que a mãe não pode pedir medida protetiva contra o cara, sendo a filha menor? Não entendo nada de lei e detestaria fazer isso com minha filha, mas se fosse possível e tudo mais falhasse...

Anônimo disse...

Bom... se ela chegar aos 20 e quiser namorar um cara de 36 (de preferência que ela conheceu fora da internet), a história já vai ser outra! 16 é uma idade de transição, de descobertas, de afirmação de valores, de busca de aceitação e de imaturidade, principalmente emocional! Ela pode ser madura com os estudos, mas não é madura em relacionamentos amorosos/sexuais!

donadio disse...

Comentário das 11:28, feito por um imbecil que com certeza não recebeu educação nem de mãe nem de pai, implorando para ser excluído.

Anônimo disse...

Creio que o comentário do pedaço de bosta das 11:28 passou batido no meio dos outros comentários e foi publicado por mera distração da Lola ou da moderação. Não acredito que em sã consciência elas aprovariam tamanha estupidez.

Anônimo disse...

Amigxs, eu sou a B. e me manifesto novamente para agradecer à todxs.
Minha filha também é leitora do blog e estamos acompanhando os comentários.
Claro que babacas existem, mas na grande maioria os comentários são positivos, ou seja, vêm no sentido de nos ajudar e estão nos ajudando.
São tantas ideias e propostas e indicações de vídeos, filmes, livros e textos que eu e minha filha já combinamos nossa noite de sexta: sentar e ler juntas todos os comentários com muita calma e conversar sobre todxs.
Procurei pela ajuda da Lola buscando afirmação ou negação de um sentimento, mas nunca poderia esperar tamanho suporte.
Obrigada de coração a cada um de vocês <3

Anônimo disse...

B. e filha...

Vou contar como foi meu relacionamento com um homem mais velho do que eu.

Quando eu tinha 24 anos comecei a namorar um homem de 37, ele era separado e morava com os dois filhos.

Mesmo eu já sendo maior de idade e éramos dois adultos, no dia-a-dia eu via o quanto nosso papo, nossos interesses e nossas opiniões sobre muitas coisas, eram diferentes.

No início encarei tudo de uma forma normal, não via problema em nada. Mas com o tempo começou um papo que eu não conseguia entender e me tirava um pouco do sério.

Se eu fizesse algo que ele não gostava (praticamente tudo), ele dizia que pela experiência de vida dele, ele sabia que eu não estava fazendo coisa certa.

Ele já tinha sido casado, tinha dois filhos, depois que terminou o casamento (bem conturbado) teve algumas namoradas, e eu era uma menina ainda, mesmo com meus 24 anos eu não tinha experiencia com muita coisa, nunca tinha namorado sério e meus relacionamentos duravam pouquíssimo tempo.

Esse negócio dele dizer das experiências deles começou a me incomodar quando ele passou a questionar se eu saía com outros homens. Se ele me ligasse e eu tivesse tomando banho e não ouvisse o telefone, ele já me mandava varias mensagens dizendo que "ele já conhecia isso" e "sabia que eu devia estar aprontando, pois ele já tinha passado por isso no passado". Eu ficava perdida sem saber o que dizer, e me sentia na obrigação de explicar à ele que eu não estava fazendo o que ele imaginava ou já tinha vivido.

Isso começou a virar uma constante, ele fazia eu me sentir obrigada a explicar tudo, eu tinha que explicar o porque que eu estava indo dormir mais cedo, porque eu queria ficar em casa naquele final de semana, porque eu tinha arrumado meu cabelo para ir trabalhar...enfim, eu tinha que explicar tudo e mais um pouco.

Comecei a me sentir mais perdida do que nunca, sabia que aquela situação estava toda e completamente errada, mas eu não conseguia enxergar o que fazer.

Destes 3 anos, o ultimo foi de idas e voltas, brigamos muito, eu me sentia presa a uma coisa que estava me fazendo muito mal, briguei com minha familia por isso. Minha familia tentava me mostrar que não estava certo aquilo, mas eu insistia, achava que alguma hora poderia mudar.

Resolvi sentar um dia e pensar em toda aquela situação, em tudo, absolutamente em tudo, pensei nos nossos interesses, em nossas opiniões, em nosso relacionamento, analisei tudo e resolvi colocar um ponto final definitivo nesta historia.

Terminei há pouco, ainda sofro com tudo que passou, mas tenho certeza que em breve vou me recuperar.

Espero que vocês consigam achar uma solução para isso.

E filha (não há nome) ouça sua mãe, tenho certeza que ela quer somente o seu bem.


lola aronovich disse...

Oi, gente! Sim, mil desculpas: o comentário das 11:28 passou por distração minha. Eu nem li esse comentário, pra ser franca. Agora já deletei.


B., querida, é um prazer poder tentar ajudar vc e sua filha. Fico feliz que ela esteja lendo aqui também! Linda filha da B., veja o que as pessoas estão dizendo. Eu sei que quando a gente é adolescente se acha madura e invencível, mas não é assim. Tem muita gente com mais experiência te dizendo coisas muito parecidas, e só querendo o seu bem. Muita força pra vocês duas!

Charle Coimbra disse...

Vc aprendeu isso num livro de matemática?

Anônimo disse...

Nesse caso, eu diria também para a adolescente: ouça a sua mãe (ela parece ser sensata e eu concordo com a postura dela).

Mas eu nao consigo falar a frase "fulana, ouça sua mãe" pra qualquer adolescente (com a desculpa de que ela só quer o bem, ela é a pessoa que mais te ama, ela é mais experiente, etc).

Se eu fosse colocar essa frase na minha vida e de pessoas próximas; amizades (nem namoro, amizades mesmo) nao existiriam pq os envolvidos tinham religiao diferente, amizades nao existiriam pq já vi pais achando que amizade tem que ser só entre membros da familia (hãã?), amizades nao existiriam pq há muito tempo atras houve brigas entre pais ou avós dos envolvidos, ...bom... nem sempre a mãe ou o pai tem o melhor conselho pra nos dar.

Mas nesse caso, filha da autora do post: eu também falaria pra vc sair fora o quanto antes !

Anônimo disse...

Quando eu era mais nova eu queria muito namorar caras mais velhos, porque tinha a ilusão de que eu era muito madura e que homens (e não moleques) me compreenderiam melhor.
Hj tenho 25 e eu só tenho a agradecer por não ter nenhum cara mais velho interessado em mim naquela época, senão eu facilmente teria entrado num relacionamento.
Hj vejo que por mais madura que eu fosse, havia circunstâncias e experiências de vida que eu ainda não tinha como lidar àquela época.
Querida filha da B., ele parece um cara legal agora. Se ele tem 32 anos e procura se envolver com você, que tem 16 e não com uma pessoa mais velha, tome cuidado.
Não estou desmerecendo sua idade e sua maturidade, mas eu sei que você ainda não passou por muitas experiências e que ele pode te manipular com isso.
Ainda, eu sei que amar dói e que quando estamos apaixonadas parece que todo mundo tá errado e que temos que lutar contra tudo e todos, mas não é bem assim.
Se você está lendo esses comentários, é porque tem uma parte sua que está raciocinando e que entende que essa situação não é ideal.

Beijos, querida.

MariB.

Anônimo disse...

Filha da B, vou te falar uma coisa por experiência própria, sou a efebofila da 10:34. Ninguém se relaciona com gente de outra faixa etária por acaso, ninguém. Seja lá qual rede social ou site de relacionamentos ele te achou, ele planejou desde o início ter uma "novinha", não foi coincidência.
Agora, cabe a vocês tentar conversar e querer saber qual foi a intenção dele procurar uma menina de 16, apesar de que esse papo de "vou esperar fazer 18" já é um alerta vermelho, pois ele está fazendo joguinho, não existe chegar em alguém e entregar uma promissória de relacionamento.
A grande maioria dos homens que procuram se relacionar com meninas mais novas, o fazem por poder e status. Grande maioria, não todos, mas lembre-se de que quando você ainda estava aprendendo a andar, ele já se relacionava com meninas de sua idade.

Por outro lado, ele pode não ser um vilão e sim apenas estar querendo não se aborrecer. Mas esse joguinho dele está estranho. No meu caso, primeira coisa que fiz depois do primeiro encontro com meu novinho, foi conversar com a mãe dele. Eu sempre fui transparente com todos sobre meus sentimentos e intenções.

Anônimo disse...

criatura das 16:34, vamos acreditar que vc existe mesmo.. quais suas intenções namorando um garoto de 13 anos?

Anônimo disse...

Aconteceu algo parecido comigo quando eu tinha 14 e o rapaz 22 (diferença bem menor de idade do que no caso da sua filha, mas ainda assim, uma grande diferença).
Teve algumas nuances de diferença, como, por ex, o rapaz queria pedir permissao aos meus pais para namorar comigo.
Quando meu pai ficou sabendo, ele disse ao rapaz que nao concordava, que eu nao era proibida de namorar, mas só poderia namorar com rapazes de idade semelhante a minha. O rapaz sumiu.

Eu dou graças a Deus que isso aconteceu quando eu tinha 14 anos, e nao com 18 ou 19. E você também deveria dar graças a Deus que sua filha tem 16, e nao 18.

Porque com 16 você pode proibir.
Eu fico pensando se eu tivesse conhecido um cara 9 anos mais velho quando eu tivesse 18 anos... ninguém poderia impedir o namoro e hj, e olhando pra tras, eu vejo que eu nao tinha maturidade e experiencia nenhuma (apesar de achar que tinha)mesmo aos 18 e 19 anos.

Anônimo disse...

Deixa de ser machista rapaz. Problema de mãe e filha (duas mulheres) tem que ser resolvido por mulheres. Homens não entendem de nada de mulheres. Aliás não se pode deixar um honem decidir nada na vida de uma mulher, mesmo que seja sua filha, pois isso seria desempoderar essa mulher. Só acho.... rsrsrs

Clarissa Meireles disse...

Peço desculpas a quem gosta das formas mais modernas de educação, pautadas na democracia, mas não consigo aceitar isso dentro do cuidado dos filhos, simplesmente pq eles não podem escolher pq ainda não possuem capacidade para isso.

Acredito q um filho, mesmo adolescente, necessita de limites fortes que, claro, podem ser conversados mas a última palavra deve ser do responsável (pais ou outros).

Então acredito q proibir é sim uma atitude de amor e não de ditadura. É evitar q um filho seu sofra.

É possível que existe afeto verdadeiro entre pessoas de idades tão distantes? Acredito q sim. Mas tenho dúvidas sobre o afeto verdadeiro de um adulto de mais de 30 com uma adolescente.

Anônimo disse...

17:52

O mais legal de namorar um novinho é que ele me ouve, me respeita e me venera. Gosto da aparência andrógina de novinhos e ele até está deixando o cabelo crescer. Ele aceita meus cuidados e é grato quando me dedico e me esforço a ele. Não fica dando sermões ou querendo se impor. É legal que ele está sempre à minha disposição, e se ele precisa de ajuda, é fácil ajuda-lo.
Ele é todo bonzinho e feminista, e eu sempre o educo para ser assim, ponho para ler livros, converso, ensino. Já me acusaram até de fazer lavagem cerebral nele. hahaha

Também ele é depressivo, como eu, e acabo um pouco me identificando. Dou a ele aquilo que eu queria ter tido. =\
Algumas vezes me pergunto se não estou fazendo mal a ele, mas a verdade é que a mãe parece que nem liga direito para ele. Na escola ele sofria bullying até eu ajudar. E pelo menos ele está aprendendo um monte de coisa comigo, e agora só tira dez na escola.
Me sinto realizada.

Anônimo disse...

Amiga B, vou te falar de dois casos: um meu mesmo e outro da minha irmã.

Eu fui muito reprimida tanto sexualmente quanto moralmente quando adolescente, por isso só namorei sério msm depois dos 20 anos de idade. Mesmo assim isso não me impediu de ter sofrido três relacionamentos abusivos. Isso mesmo que vc leu, três.

Um deles eu encontrei num grupo religioso, foi meu primeiro namorado e era o segundo homem que eu beijava na vida. Na época, mesmo com mais de 20, eu parecia a adolescente deslumbrada. Não sei se é uma fase pela qual todxs tem de passar, mesmo após os 20. A verdade é que o cara era, em suma, viciado em pornô, tinha taras extremamente bizarras como pedofilia, zoofilia e outros absurdos. Resumindo novamente, terminamos após mais de 1 ano de relação - muito mais sofrimento que coisa boa. Hoje ele é mascu da internet, desses que pede a volta da ditadura e é misândrico assumido.

O segundo e o terceiro foram em sites de relacionamento. Atualmente desisti dos mesmos pois é muita dor de cabeça para pouco ou nenhum resultado. O segundo foi um senhor bem mais velho que eu e reiterando, mesmo eu sendo adulta, a relação foi desigual. Foi ridículo pq mesmo ele sendo bem mais velho, adorava me fazer de insegura e me fazer crer q ele tinha várias na cola dele, que ele podia me largar qdo quisesse pra ficar com elas, dentre outras baixarias. Tbm descobri que ele nada valia e felizmente terminei antes que ficasse pior.

O terceiro foi um cara que parecia "perfeito" até começar o gaslighting, as ofensas, o controle de roupas. De repente descobri outra mulher na jogada. Ele nunca deletou a sua conta do Badoo enquanto namorávamos e fingia ter uma personalidade que não tinha. Começou a me difamar na internet e também era um "tipo mascu" da vida, extrema direita, conservador, porém viciado em sexo e me assediou muitas vezes, em uma ele quase me estuprou.

Pq contei esses casos? Embora o primeiro não tenha sido em site de relacionamento, foi um sujeito que conheci na internet também. O grupo era virtual. Nos três casos, apenas em um houve disparidade de idades - o carinha do meio, que era bem mais velho. O primeiro tinha apenas 3 meses de diferença de idade e o terceiro, 6 anos - contando-se que eu já era mulher feita, 6 anos não é uma diferença assim tão grande.

A gente sendo só mulher, sem ter grandes "deméritos", já tem grandes chances de cair em relação abusiva pq há essa assimetria, há essa coisa de "homem pode tudo, mulher tem de se resguardar", há a questão da cobrança pra sermos o que não somos, há o fato de que mulheres de 20 anos são mulheres e rapazes de 20 anos são moleques, pq tem licença social pra isso.

Imagine então o caso de uma adolescente com adulto. A disparidade de forças é enorme.

A minha irmã tinha 13/14 anos quando conheceu um sujeito na internet e "namorou" virtualmente com ele. Não houve nada de tão grave, mas ele a decepcionou. Quando eu soube, falei pra ela não namorar qqr um da internet assim.

Já com o segundo cara, dei uma bronca pq ele queria se encontrar com ela e era maior de idade. Falei que ela podia ser estuprada ou até sequestrada na pior hipotese, acontece né. Falei assim pra dar um choque de realidade nela msm, pq enquanto fica só na decepção virtual OK, mas quando combina de encontrar... e olha que eu não era mãe. Mas não acho isso certo não, na internet a maioria é predador, vide os casos que contei sobre mim tendo mais de 20 anos e com caras com idade compativel inclusive.

Anônimo disse...

(continuação)

No caso de sua filha, algumas perguntas: o que ela e ele pretendem de uma relação onde não se vêem pessoalmente? No caso de meus namorados, a gente se via. Mas em um caso em especial a relação era quase toda virtual, com pouquissimos encontros presenciais. Isso é extremamente frustrante, especialmente após alguns meses. Ela vai ver as amigas namorando presencialmente, indo a lanchonete ou as festinhas com os namorados, e só ela q não vai estar com o dela pq ele "mora longe". Relações a distância são complicadas já entre 2 adultos, quiçá entre adulto e adolescente.
Outra, ele só quer encontrá-la após ela completar 18, daqui 2 anos. Ele vai ficar sem sexo por 2 anos, um homem de 32/33? Que tem historico de nudes? Ou eles vão ter relação aberta? Sua filha tem maturidade pra decidir isso, ou ele vai fazer dela apenas "uma" no meio do harém de mocinhas ou mesmo mulheres da internet?
Vai explicando isso pra ela. Onde isso vai levar? Por mais que nunca saia do virtual, por mais que um print nunca vaze e ele não faça revenge porn com ela, por mais que um estupro nunca ocorra - o que ela vai ganhar namorando a um cara a distância, que muito provavelmente vai ter outras mulheres vide a idade dele? Onde isso vai levar? Vai valer o esforço? No final desses 2 anos ela não poderá, na melhor das hipóteses, estar esgotada psiquica e moralmente falando?
Eu se fosse mãe proibiria. Proibi a minha irmã, falei com minha mãe pq minha mãe não acessa internet, então eu monitoro melhor a minha irmã nesse aspecto. Cheguei até a dar "broncas virtuais" em um deles, dizendo a minha idade (28 anos à época) pra ele ver q ela não era uma menina largada.
E se ela fizer escondido, bom, pelo menos vc fez oq tinha q fazer. Se ou quando der em coisa errada, ela vai lembrar q a mãe não foi conivente com isso.

Julia disse...

B., lê esse texto com a sua filha também. Bjus.

Parte 1

"Aqueles caras mais velhos que são tããão legais!

Eu tinha 15 anos e ele tinha 28. Eu tinha saído da igreja há poucos meses. Gostava de literatura francesa e de conversar sobre movimentos sociais. Ele era formado. Formado em Letras, professor de literatura e francês. Tudo que ele falava me encantava. Ele disse que queria sair comigo porque me achava madura para minha idade. Eu achava demais: era como se ficar com ele fosse um prêmio por minha inteligência, por eu me destacar das “garotas comuns”. Não conseguia perceber que o amadurecimento do qual ele estava falando era uma marcação dos corpos: ele queria dizer que meu corpo era adulto o suficiente para ele me foder sem culpa.
Eu sei que ler isso talvez vá te chocar. Talvez você esteja passando por essa situação. Um professor do seu colegial ou cursinho, o irmão mais velho de alguma amiga, um desses caras de bandas que parecem interessantíssimos e super desejados está te paquerando. Ele disse que você é diferente. Que você é inteligente. Que você não parece ter a idade que tem. Ele te faz sentir-se madura, adulta. Você chega a acreditar que é realmente isso tudo que ele diz: uma garota fora do comum. Depois, talvez — não sei se eles ainda fazem isso — ele emula algum tipo de culpa, como: oh, mas isso pode dar problema, você é menor de idade. E você garante que não. Você promete pra ele que não vai contar pra ninguém, que seus pais não vão descobrir, que você sabe o que está fazendo. Minha querida, por favor, me ouça: você não sabe o que está fazendo. E talvez você demore alguns anos para descobrir. É certo que podemos aprender com nossos erros, que erros trazem experiências, mas algumas experiências ruins e abusivas, que podem parecer legais num primeiro instante, você pode evitar. Você não precisa comer merda pra saber que é ruim. Eu sei que possivelmente você não vá conversar com sua mãe ou seu pai sobre isso, então eu tenho a esperança de que talvez você ouça uma menina que passa pelas mesmas coisas que você.

Julia disse...

Parte 2

Existe uma estratégia masculina muito comum que é tentar separar a nossa realidade da das outras mulheres, na nossa cabeça. Criar mecanismos que nos tornem rivais para que a gente não perceba o quanto nossas experiências são comuns — de umas às das outras — e o quanto somos parecidas em nossa socialização, em nosso crescimento e, principalmente, nas experiências que dizem respeito aos nossos corpos. Nos ensinam que as garotas não são legais, então quando nós somos “diferentes delas” isso se torna um elogio sem igual, que cria em nós um sentimento de destaque, de diferenciação; nós somos o floco de neve especial, é o que pensamos, é o que eles fazem a gente pensar.
E eles são demais. Eles são demais e só nos querem porque somos também demais. Uma menina tão madura assim não merece qualquer moleque. Ela merece UM HOMEM. Um homem de verdade, sabe? Um homem que tenha a mesma maturidade que você. Você ouviu dizer desde sempre que meninas amadurecem mais rápido. Então, para que não se sintam desconfortáveis em estar com um menino imaturo, a solução é estar com um cara mais velho. Assim vocês poderão ter conversas de igual pra igual. Olha, isso também é mentira. Meninos da sua idade não são imaturos, eles só falam coisas imbecis e que não tem nada a ver com a sua realidade enquanto mulher. É horrível, mas não é sobre “maturidade”. Muito possivelmente vocês tem a mesma “maturidade”, mas com a diferença de que meninas recebem muito mais responsabilidades nas costas do que meninos. O único motivo pelo qual esses caras mais velhos dizem que você é tão madura quanto eles é para que você não perceba que eles querem te comer exatamente porque você não é madura. A única maturidade que eles enxergam em você é a sexual. Isso faz parte de uma política da heterossexualidade: mulheres devem ficar com homens. E homens são maduros. Homens são inteligentes. Homens de verdade — não esses moleques imaturos!, tem experiência sexual o suficiente para que, é claro, não queiram nos comer só para se gabarem por aí pelo cabaço perdido.
Eu vou te contar uma coisa que talvez seja dolorosa de ouvir, talvez até mesmo te machuque: sim, os moleques da sua idade, a maioria deles, vão se gabar por terem se relacionado sexualmente com você. Mas os mais velhos também vão fazer isso. A diferença é que eles não vão deixar você perceber que é só uma peça no quebra-cabeça masculinista deles.

Julia disse...

Parte 3

Mas, voltando à nós…
Como a gente fica separada uma da outra, não conseguimos nos ver como companheiras. Pensando que somos rivais umas das outras, sempre na necessidade de competir pelos homens, não conversamos francamente sobre o que estamos sentindo, sobre o que se passa conosco. Nós nem conseguimos entender o que está se passando conosco. A gente realmente acha que está tudo bem e que simplesmente somos garotas diferentes. A gente mal sabe quantas de nossas amigas (pode ter certeza que foram muitas) foram tornadas “garotas diferentes”. Quando conseguimos romper com esse mito da rivalidade e falamos com nossas amigas sobre nossas realidades, já tivemos nossos pensamentos tão colonizados que ficamos todas achando que essa situação é comum — e de fato é — e, por ser comum, tratamos como se fosse normal. Não é normal.
As pessoas falam como se a política do conservadorismo sexual e a libertação sexual — o que comumente se entende como libertação sexual — fossem coisas dicotômicas, opostas. E não percebem que na fusão dessas duas diferentes culturas do estupro é onde estão nos enfiando. Ambas são maneiras de controlar nossos corpos. Uma delas não permitindo que a gente transe quando quer, como quer. A outra, idem. Na cultura da “libertação sexual” a gente transa quando eles querem, como eles querem. Algumas correntes feministas, alguns espaços libertários, nós mesmas quando nos achamos muito modernas, acabamos vendo essa questão de maneira muito superficial, como se o contrário do conservadorismo sexual significasse que todo tipo de sexo, não importando as relações de poder envolvidas nele, é aceitável. Aprendemos que toda sexualidade é uma forma de empoderamento. Não conseguimos perceber que estamos sendo coagidas a participarmos de práticas que não desejamos, mas deixamos. Não conseguimos perceber que muitas vezes permitimos que façam coisas com os nossos corpos porque simplesmente parece legal, moderno ou é o que todo mundo faz. Transamos mesmo quando não temos vontade por medo de parecermos caretas. Aprendemos que, em tempos tão modernos, ser descolada é dizer sempre sim. Que dizer não é puritanismo. Que se um cara é legal, nós temos que retribuir sexualmente. Aprendemos que nossos corpos servem como uma moeda de troca para recebermos elogio, carinho, qualquer coisa — esse é o valor que dizem que nós temos.

Julia disse...

parte 4

Eu não estou falando disso para dizer que se tivéssemos individualmente consciência dessas coisas a gente estaria a salvo desse tipo de violência. Eu não acho que existe algo que individualmente eu poderia ter feito para simplesmente evitar que homens tivessem agredido meu corpo. O problema não foi eu não ter me protegido suficientemente, mas eles serem um saco de merda. Só que eu acredito em redução de danos e acredito que se coletivamente nós tomarmos consciência da nossa condição enquanto mulher, que perpassa individualidades, nós podemos aprender a nos protegermos juntas dessas violências, desestruturá-las, desestabilizá-las. É preciso analisar o patriarcado e seus mecanismos para poder destruí-lo. E analisar o quanto nossos corpos foram colonizados e agredidos e violados é uma das maneiras de fazer isso, apesar de ser um processo dolorido. No meio desse caminho, enquanto vamos aprendendo e combatendo juntas as estratégias do patriarcado, podemos começar a ter um olhar mais crítico e sermos menos enganadas por esses raciocínios. Não é a solução inteira, mas é um passo essencial. A partir disso é que começamos a enxergar a necessidade da união do coletivo das mulheres.
Eu não quero focar esse texto em falar só sobre sexo, e espero não estar fazendo isso. Porque, acho que nessa altura do texto já é possível perceber isso, existe uma violência primeira que faz nós acharmos essa violência sexual algo agradável, algo que por vezes cremos estar consentindo. Será mesmo? Eu falei sobre algumas dessas coisas e agora quero tentar analisá-las a partir daquilo que se chama de etarismo. Nesse momento, é uma categoria de análise útil.
Etarismo tem a ver com uma autoridade que é conferida a alguém a partir da idade que aquela pessoa tem.
Uma das coisas que aprendemos é a respeitar as pessoas por serem mais velhas. Existe uma autoridade que se dá através da idade. Eu não gosto de constituir “etarismo” como um vetor de opressão que possa se equivaler a outras formas de opressão que vivenciamos. Mas acho necessário reconhecermos que há uma diferenciação na experiência vivida por crianças, adolescentes e adultos. E por mulheres e homens. E por mulheres crianças ou adolescentes e homens adultos. Essa diferenciação na experiência é uma das coisas que torna problemática essa relação, e ao mesmo tempo é através desse mecanismo que naturalizam. Esses homens mais velhos que passam a fazer parte das nossas vidas afetivo-sexualmente frequentemente tem um poder de retórica, argumentação e convencimento muito maior do que o nosso. Eles nos manipulam emocionalmente para que nós fiquemos reféns de suas vontades, sempre com um sentimento de gratidão e de quem é devedora de algo. Eles, por serem mais velhos e mais “vividos”, passam a exercer uma autoridade que influencia diretamente em nossas decisões — já ouvi diversas histórias de meninas adolescentes que escolheram a faculdade ou emprego baseando-se na opinião do namorado; ou as que foram convencidas a casar precocemente e engravidar mais precocemente ainda porque já estava “no momento” disso acontecer na vida do cara; posso citar ainda as que foram convencidas a transar sem camisinha porque era mais prazeroso, e a experiência do cara dizia isso, e engravidaram sem desejar ou contraíram alguma DST.

Julia disse...

parte 5

“Mas eu duvido que ele só queira me comer”
Na maioria das vezes é só isso que ele quer. Principalmente se ele for seu professor, se ele for um homem comprometido, se ele for um cara que tem uma banda e viaja, se ele for um estudante universitário. É sim, provável, que a única coisa que ele deseje com você seja uma relação sexual sem qualquer compromisso mais sério e que seja simplesmente para a satisfação dele mesmo. Mas, ok, talvez ele deseje algo a mais. E esse algo a mais, minha amiga, não se engane, não é uma coisa positiva.
“Mas e se eu só quiser sexo, também?”
Isso é muito recorrente quando eu converso com meninas sobre esse assunto. Elas pensam que não há problema algum no cara simplesmente querer transar e descartá-las se elas quiserem o mesmo. Que se elas não estiverem esperando nada a mais, não a risco nenhum de se machucar. Isso é muito complicado porque tenta criar um cenário onde meninas, e mais ainda, meninas tão jovens, tem de fato uma autonomia total no que acontece em suas relações com os caras e, principalmente, caras mais velhos. Não leva em conta que nossa subjetividade é socialmente construída em torno da retirada da nossa auto-estima e que os homens tem esse poder coletivo — e que se transfere para o individual — de nos colocar em situação de vulnerabilidade. Muitas vezes, por mais que ele queira somente transar com você, e você queira o mesmo, ele vai criar uma situação de vulnerabilidade emocional para que você passe a se sentir dependente afetivamente dele.

É um jogo divertido para o ego masculino, e nesse jogo você não tem as condições necessárias para decidir as regras.
E se ele quiser algo a mais?
Esse algo a mais pode significar um relacionamento em que ele vai controlar, para além do seu corpo, o resto da sua vida e decisões pessoais. Esse algo a mais pode significar que, ainda que você se canse, caso ele queira continuar esse relacionamento, você ficará condicionada a ele.
No final das contas, nunca é sobre o que você quer. É sempre sobre o que ele quer. Foge disso, amiga."

(escrito por Julia Bastos, que removeu seu blog do ar e o texto só pode ser encontrado no Feminismo na rede)

https://www.facebook.com/autonomiafeminista/photos/a.497876843619942.1073741826.497872260287067/799725746768382/?type=3

Lana disse...

Cara B., espero que você não se ofenda com o que eu vou dizer agora porque não é a intenção, de verdade: será que a sua necessidade de cumplicidade e companheirismo não é um tanto egoísta? Ela tem pela frente infinitas chances de estabelecer esses laços com outras pessoas. Amigxs, namoradxs, muita gente pode vir a amá-la e estar aberta a ouvi-la. Mas provavelmente nenhuma dessas pessoas vai ter o poder/a vontade/ a liberdade de impedir que ela cague com a própria vida. Só você tem esse poder.

Eu mesma tenho a sorte de ter várias amigas com quem falo qualquer tipo de coisa sem nenhum freio. Agora, por mais presentes que elas sejam, eu faço da minha vida o que eu bem entendo. Nenhuma delas vai cortar minha internet se eu estiver me expondo demais, nenhuma delas vai pro inferno se for preciso me resgatar - porque isso só família faz. Minha mãe tem essa coisa de vilã e heroína, que por muitas vezes odiei e hoje olho com a maior gratidão. Ela impediu tantos, TANTOS erros meus potencialmente perigosos que eu nem sei aonde eu estaria não fosse ela - e eu só enxergo isso hoje, chegados meus 30 anos. Esse é o papel que faz dela co-protagonista na minha vida, e ninguém tem potencial pra substituir.

No mais, talvez você esteja esperando maturidade demais de uma menina de 16 anos. É por isso que predadores vão atrás delas - por mais "maduras" que sejam, são muito mais vulneráveis que qualquer mulher adulta.

Anônimo disse...

Pegando um viés dos comentários, cuidado, B. e filha da B., com noções muito exageradas (tanto conservadoras quanto liberais demais) sobre relação de pais e filhos. Ou de mãe e filha, pra pegar o caso bem específico do post. Mãe e filha não deveriam ter um relacionamento de melhores amigas (pelo menos não enquanto a filha não alcançar maturidade emocional E financeira) porque espera-se que a mãe possa socializar a filha com um grau de hierarquia que não existe entre melhores amigas. Dessa forma, enquanto sua filha vai, por exemplo, fazer bullying contra uma colega na sala de aula e as amigas dela acharem graça da situação, cabe à mãe mostrar que não é uma atitude aceitável. Enquanto a filha vai jantar sorvete com as amigas quando elas forem dormir umas nas casas das outras, cabe à mão não deixar que a dieta da filha seja sempre inadequada. Tanto o papel da mãe quanto das amigas são necessários, creio eu, pra uma formação psicológica saudável. Mas não cabe à mãe ser integralmente "melhor amiga" da filha.
Ainda assim, enxergar na filha somente um peão sem vontades, ideias e gostos próprios, a quem você tem que enfiar regras de conduta goela abaixo porque "ela ainda não sabe o que quer", também não é saudável. Porque não é porque a mulher se torna mãe que vêm junto repentinamente conhecimentos infalíveis sobre moral, comportamento e boas escolhas; mães autoritárias demais inevitavelmente são incoerentes. E aqui faço o contraponto às comentaristas que argumentarem em defesa de uma educação rígida, que minha mãe foi exemplarmente rígida e se justificava justamente com o argumento "eu sei o que é melhor pra você". E hoje tenho uma péssima relação com ela. Não aconteceu como a comentarista acima de "hoje eu olho com gratidão". E as proibições não surtiram efeito porque como disseram, tudo o que ela proibia mas eu queria fazer, eu fazia escondido e mentia pra ela sem remorso algum.
Assim, a mãe tem direito e dever de impedir ações da filha com alto risco de ferimento, injúria ou morte. Dessa forma, acho razoável proibir que sua filha pegue carona com motoristas desconhecidos e/ou claramente embriagados, impedir que sua filha use drogas, impedir que ela vá sozinha encontrar esse cara do site de relacionamento. Mas acho certo, também, você ter colocado que não aprovava o ambiente do site de relacionamento, mas não a tenha impedido de fazer um perfil; afinal, não necessariamente todas as pessoas que ela vai conhecer no site são predadores sexuais (apesar de que SIM, B. e filha, o ambiente desses sites e aplicativos é completamente machista. Eu também aconselharia a B. a excluir o perfil do site e procurar interesses amorosos/sexuais em cursos, na escola, em hobbies).

Anônimo disse...

Filha da B., se estiver lendo isso, quero que se sinta abraçada e que saiba que você é sim uma menina inteligente, especial e madura, e não precisa ser um cara de 32 anos a te dizer isso; que não importa o que colegas, professores e parentes tenham falado, você merece atenção e você é uma pessoa interessante e cheia de vida. Se você quiser continuar o relacionamento com o cara, é uma decisão sua. Mas gostaria que você aceitasse o conselho de outras comentaristas, de que sua mãe e você conversassem com ele pra estabelecer algumas regras. Como você não poder "passar um tempo" sozinha na casa dele e que ele só possa ficar com você na sua casa se tiver mais alguém na casa; que ele obedeça um horário limite pra você estar em casa; que você tenha que estar disponível pra atender ao celular.
Não falo isso pra evitar simplesmente que vocês façam sexo, e gostaria que tanto você quanto sua mãe entendessem que é uma possibilidade - um casal que quer transar arranja tempo e lugar, não importa a hora do dia ou o nível do motel. Mas suponho que essas regras o intimidarão caso ele só queira tirar sua virgindade. Se vocês acabarem transando, por favor, EXIJA camisinha. Se sua mãe não achar tabu demais, vá na ginecologista e peça indicações de anticoncepcionais. Consulte a ginecologista depois da transa, também.
Gostaria, filha da B., que você prestasse atenção a alguns sinais de uma pessoa manipuladora: se o cara começar a falar mal de sua mãe e amigas, dizendo que você é muito mais esperta que elas, que merece uma companhia que realmente te entenda, que elas não merecem você. Se ele tentar te convencer a mentir pra sua mãe pra vocês poderem "passear" em algum lugar onde você não conheça ninguém ou não possa pedir ajuda. Se ele começar a falar mal das ex, dizer que elas eram "piranhas manipuladoras", que você é a única mulher que realmente o entende e que ele realmente ama. Se é rotineiro que ele comente sobre "esperar você fazer 18" porque ele "te respeita muito". Se ele insistir em carícias ou conversas íntimas, mesmo sem tirar sua roupa, quando você não estiver confortável com a situação (e não se engane. Mesmo que você não tenha expressamente falado "NÃO" e o afastado, o cara sabe quando a parceira não está à vontade).
Enfim, espero que qualquer que seja o resultado do relacionamento entre a menina de 16 anos e o cara, que o relacionamento entre mãe e filha só se fortaleça com essa situação. Abraços.

donadio disse...

Diz o ditado muçulmano, "Se proibissem fazer mingau de bosta de camelo, haveria gente para fazer, dizendo que não teria sido proibido se não fosse bom". Nós seres humanos somos geralmente contrarians, e nada torna uma paixão adolescente mais irreprimível do que a tentativa de reprimi-la.

Por outro lado, não sei muito bem qual é o receio. Há quarenta anos atrás, uma situação dessas seria problemática pela perspectiva de uma "sedução" no sentido jurídico: promessas de casamento, a serem jogadas fora depois de a moça conceder os (para manter o sabor de naftalina condizente) "seus favores" ao sacripanta. Mas acho que hoje em dia isso não é mais uma questão.

O que é, então? A perspectiva de um relacionamento efetivamente "sério" em que a moça possa ser relegada a simples funcionária doméstica? Ou a perspectiva de um relacionamento abusivo, baseado na desigualdade, ou seja, na imposição das vontades do homem à esposa/amante/namorada? Acho que isso é sempre um receio válido, haja ou não haja diferença de idades. Mas aí é difícil julgar sem conhecer as pessoas. A moça em questão entende dessa forma? Tem perspectivas profissionais, quer "trabalhar", se interessa por uma carreira? Por que se tiver, e se tiver apoio em casa para descartar relacionamentos que dificultem essas perspectivas, não vai cair em conto-de-fadas. E se não tiver, e se ao contrário encarar um casamento com um "provedor" clássico como uma forma de evitar o mundo-lá-fora e sua proverbial competitividade e agressividade, vai ser difícil evitar que aconteça algo do gênero, seja com esse namorado em particular, seja com outro pilantra que apareça pelo caminho.

Em todo caso: assim como ninguém nunca aprendeu a andar de bicicleta sem levar alguns tombos, dificilmente alguém será feliz para sempre com o primeiro namorado. Aprender envolve errar, e no caso específico, errar envolve "sofrer por amor". Quando a gente tem filhos, tende a tentar evitar o sofrimento deles, mas levar isso ao absoluto é impossível; tornar-se adulto envolve ser capaz de lidar com o sofrimento próprio (e alheio). A alternativa é infantilizar permanentemente nossos filhos - mas, a julgar pelos inúmeros exemplos de "adolescentes de trinta anos" que vemos, também isso causa sofrimento, e até maior.

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Concordo com o Rafael: adolescentes não são atraentes; são chatos, inseguros, dependentes, ignorantes e arrogantes na sua ignorância. Acho esquisitíssimo que um homem, ou mulher, adultos se interessem "romanticamente" por criaturinhas assim. Dá a nítida impressão de que o adulto em questão deseja uma relação de subordinação, não de parceria entre iguais. Mas isso sou eu, e eu com certeza conheço muitos casos de pessoas, sobretudo mulheres, que se casaram ou "casaram" adolescentes, e parecem ter construído vidas relativamente saudáveis a partir daí, seja com o mesmo parceiro, seja com outro ou nenhum, depois de terminada a primeira relação. Enfim, a vida da gente não é bolo, não tem receita, e pode, dentro de certos limites, ser consertada a posteriori.

Anônimo disse...

E à comentarista que insiste que tem um namorado "novinho" perfeitamente saudável, não, o que você está fazendo é nojento e vil. Você sabe que o moleque é carente e tá se aproveitando da carência dele pra poder se colocar como heroína da vida dele. E no caminho, ter alguém que transe com você, te elogie e encha seu ego às custas da própria individualidade. Ninguém aqui aprova sua atitude.

Anônimo disse...

Sou um pouco mais velha, mas bem jovem ainda (22 anos), mas conheço adolescentes (15, 16 anos) que considero bem interessantes. Mas JAMAIS defenderia uma relação de alguém da minha idade com alguém da idade deles, por mais imatura que eu seja e por mais maduros que eles aparentem ser. Defender que "amor não tem idade" é ingenuidade DEMAIS pra mim e beira malícia disfarçada. Mesmo que a diferença de idade minha e esses meus amigos seja coisa de 7 anos, sei que eles estão em uma idade em que um ano faz MUITA, MUITA diferença. Caramba, já terminei a faculdade, estou no meu primeiro emprego, dirijo, estou no meu segundo curso de língua estrangeira, já viajei, já morei em república. Mesmo que ainda more com meus pais, a diferença cultural (e consequentemente de poder) entre a gente é grande. Cabe ao adulto não demonstrar interesse romântico/sexual pelos adolescentes, e frear investidas deles. Sem conversinha de "ah, espero você fazer 18 anos", mas um firme "NÃO, não me interesso em você e se você insistir, teremos que nos afastar".

Denise disse...

B., como mãe queria te dizer que vc faz o seu melhor e todas as suas atitudes até agora com a sua filha só demonstram o quão maravilhosa é a sua maternagem. Eu concordo plenamente com todas as suas atitudes até agora (não proibir, conversar bastante com sua filha, sondar quem é o cara, buscar acompanhamento psicológico). Infelizmente criamos filhos para o mundo, e por mais que nos angustie vê-los sofrer, o fato é que chega uma hora em que eles irão tomar suas próprias decisões e só nos resta amparar e dar colo quando eles precisarem.

Não vejo infelizmente mais nada que vc possa fazer nessa situação. Sua filha já tem 16 anos, não é uma criança, e vc não terá como blindá-la de todos os perigos que o mundo lançará no caminho dela. Siga com o que vc já tem feito, ampare sua filha, mostre a ela sua opinião contra o relacionamento não porque vc quer podá-la, mas porque por mais madura que ela seja um cara com o dobro da idade dela está numa posição superior em termos emocionais e de experiencia de vida. Mas mantenha o ótimo canal de comunicação que vcs tem aberto, para que sua filha possa continuar tendo em vc uma mãe forte em quem ela pode confiar suas angustias e ouvir seus conselhos.

Gostei das sugestões de uma pessoa acima, de ditar algumas regras sem proibir o relacionamento. Minha mãe fez isso comigo quando eu comecei a namorar aos 14 anos (ele tinha 16). Ela nunca me proibiu, mas dizia que eu tinha que namorar em casa, podia até ser no meu quarto mas com a porta aberta. Minha mãe também não deixava eu sair de carro com ninguém enqt era menor de idade. Se eu saísse a noite ela me levava e buscava, ou então eu ia de transporte public se não fosse tarde. Ela dizia que o dia em que eu fizesse 18 anos poderia fazer o que quisesse, mas até lá tinha que seguir essas regras. Claro que eu não gostava, mas minha mãe era tão liberal no sentido de não me proibir, conversar bastante, que eu acatava as regras. Com 17 anos comecei a namorar um cara de 31, mas só quando fiz 18 é que viajei com ele sozinha e no fim o relacionamento não durou mais do que alguns meses pois eu me dei conta que estávamos em fases muito diferentes de vida.

Espero do fundo do meu coração que em breve sua filha desista desse cara e parta para um relacionamento mais igualitário sem sofrer nenhuma intercorrência. Sinta-se abraçada nessa dura vida da maternidade em que tentamos a todo custo proteger nossos filhos desse mundo cão.

Anônimo disse...

Tia efebófila, espero sinceramente que você seja uma brincadeira de algum mascu. Porque, se não for, você é uma tremenda coitada. Não contamine o pobre menino com a sua vida miserável. Deu dó aqui.

juliana disse...

Olá lola e b. Gostei muito da história, porque identifico nela uma situação pela qual eu já passei, porém pelo ponto de vista da garota: tinha 14 anos quando conheci pela internet um rapaz 7 anos mais velho e que hoje (spoiler alert!) é meu noivo.
Isto foi há bastante tempo, 11 anos atrás, quando essa história de conhecer gente pela internet era até mesmo um tabu. As redes sociais engatinhavam e ainda não escancaravam a vida das pessoas, webcams eram uma novidade bastante cara, mesmo fotos digitais eram escassas. O desconhecimento da pessoa com quem se conversava era ainda maior.
Não quero comparar minha história à sua e de sua filha, pois há diferenças fundamentais: apenas 7 anos de diferença (mas, como a lola disse, realmente 7 anos são uma diferença muito quande quando se tem 14 anos), nos conhecemos por acaso num jogo, e não num site de relacionamento (no primeiro dia de conversa, inclusive, ele pensava que eu era homem!) e tivemos um ano inteiro de conversa antes de pensar na idéia de um relacionamento.
Completamos 9 anos de namoro num relacionamento muito feliz e saudável, a coisa evoluiu lentamente ao longo deste tempo. No início morava a 2 estados de distância e nos víamos raramente, hoje moramos em cidades vizinhas e nos vemos sempre. Às vezes paro pra pensar como eu tive sorte. A receita do desastre deu certo e hoje temos o relacionamento mais sólido e feliz possível.
Eu sei, muito do que aconteceu comigo não se aplica a esta situação sua. Porém o início do namoro foi muito difícil devido a este medo do desconhecido e minha mãe cometeu vários erros. Por causa de um comportamento superprotetor, eu me expus muito e poderia ter me dado mal se ele fosse uma pessoa mau intencionada. Apesar de tentar, minha mãe não conseguiu romper nosso relacionamento, brigamos muito na época, nos desgastamos, o relacionamento dela com meu namorado ficou abalada por vários anos e eu corri perigos por ter tido minha mãe como inimiga e não aliada na época.

Então, eu quero dar os conselhos que eu gostaria que alguem tivesse dado a minha mãe na época: evite o confronto com a sua filha, pois ela irá encontrar o homem às escondidas se voce não aprovar um encontro seguro. Entre em contato com ele de maneira cordial, sem acusações precipitadas, a sua filha está apaixonada e irá se colocar do lado dele se houver uma guerra. Esteja presente sempre e demonstre que voce se importa, isso irá intimidar más intenções. Impôr censuras e monitoramento exacerbado irá apenas fazer com que eles usem meios mais ocultos e menos seguros de conversar e burlar sua vigilância. Deixe claro à sua filha o real motivo da sua preocupação, com bom senso, se voce começar a fantasiar sobre as terríveis possibilidades, ela vai te achar exagerada demais e omitir informações pra não te preocupar ainda mais, e aí mora o perigo. Não deixe as conversas girarem sempre em torno disso, é desgastante e muito mais facil sair de um relacionamento quando se lembra que existem muitas outras coisas na vida além desse homem. Tente entrar em contato com a familia dele com cordialmente, exponha sua preocupação a eles sem acusações precipitadas.

Sei que estes conselhos podem parecer mais preocupantes do que tranquilizadores, mas devem ser encaradas com coragem. Foi a falta de coragem da minha familia que me expuseram e desgastaram no meu início de namoro. Eu tive um final feliz depois disso, pois eu estava e estou me relacionando com um homem de bem, mas poderia não ter sido assim. O confronto apenas leva à falta de confiança, e a pior coisa que pode acontecer agora é ela começar a esconder as coisas porque sabe que voce vai brigar.

Desejo muita paciência, serenidade e sabedoria para equilibrar suas ações. Nem sempre deixar-se levar pela situação significa passividade ou negligência, às vezes uma dose de aceitação é fundamental para estar mais próxima da sua filha e ela confiar em voce, e se for pra ser assim, as verdades aparecerão e ela saberá escolher o melhor pra ela mesma com seu aconselhamento, e não imposição

Anônimo disse...

Coitada, não. CRIMINOSA, mesmo! Mas tenho certeza que isso não passa de fanfic de mascu. Ficam tanto tempo sem sexo que ideias como esta acabam aparecendo na cabecinha doente deles.

Anônimo disse...

Na boa, proibir tudo "e ponto final" é sim, coisa de pais preguiçosos que não querem ter o trabalho de conversar e cuidar dos filhos. Quando um dos filhos faz uma merda gigante escondido e acaba se machucando sério ou machucando outra pessoa, estes pais se protegem das críticas alegando uma suposta má índole inata do filho, já que eles (os pais) "não escolheram o caminho fácil e davam castigos que doíam mais neles do que nos filhos". Mentira. Dói muito mais na criança mesmo, deixa de ser cara de pau. O que não é "caminho fácil" é engolir o orgulho e a zona de conforto e conversar com seu filho, estabelecer meios termos e cumprir com as próprias promessas. Mas né, receber aplauso dos vizinhos é mais legal do que investir numa relação de diálogo com a criança. Vai entender.
B, sua filha vai confiar muito mais em você se você continuar com o caminho do diálogo aberto e em vez de proibir o relacionamento e mandar o cara se afastar da sua filha "porque eu sei o que é melhor pra ela", conversar com calma com os 2 (tanto sua filha quanto o cara) que você aceita o relacionamento, mas como sua filha é ainda muito jovem, preferia que o relacionamento seguisse algumas regras (e daí explique quais regras você deseja que eles cumpram). Na boa que se o cara for mau intencionado (é possível que ele seja apenas carente), saber que a menina conta com o apoio da mãe vai assustá-lo.

Anônimo disse...

Para o anon que falou que devemos "tomar tombos" em relacionamentos assim como "se toma tombos" andando de bicicleta. As situações são completamente diferentes. Tomei muitos tombos tbm andando de bicicleta mas isso não é tão traumatizante, nem de longe, do que viver um relacionamento abusivo, e isso independe de idade.

Do meu último relacionamento pra cá, que foi abusivo, não consigo me abrir mais. Não consigo confiar mais. Imagine se fosse na adolescencia.

Querendo ou não, relacionamentos deixam marcas, boas ou ruins. Como disseram acima, não é necessário comer merda pra saber que é ruim. Eu particularmente preferiria não ter vivido essas relações abusivas, mas eu meu caso é um pouco mais embaixo porque a minha familia tem histórico de relação abusiva, desde os bisavós e daí pra trás. Todo mundo. De forma inconsciente eu acabei repetindo os padrões.

Precisei me trabalhar, fazer terapia, tudo isso, mas não consigo voltar a confiar.

No caso de uma menina pode ser muito pior. Meu ultimo ex tentou me estuprar e me diminuia sempre que podia, isso eu tinha 26, imagine uma menina de 15 ou 16. Levar essa bagagem negativa pra vida não tendo nem 20 anos ainda.

É complicadissimo e exige muita atenção, e não é só de sexo que estamos falando, pelo contrario, conheci algumas que se casaram aos 18 e o casamento é uma bosta. Casamento e "relação séria" não são indicativos de "felizes pra sempre", pelo contrário, pode ser um tormento que vai durar por anos sem a moça/mulher conseguir sair ou se livrar do mesmo, vide o casamento dos meus pais que é um inferno até hoje.

Anônimo disse...

Quem dera

Anónimo disse...

Resumo do que ela disse, especificamente ESSE cara eh assim, assim como cada uma das outras mulheres e homens são diferentes pode ser que ele seja assim tbm....como tbm pode ser que não :) . Cada caso eh um caso,analise e converse com ele e sua mãe ,junte todo mundo e veja oque ele realmente quer.Ainda assim eh mto capaz de dar errado(como TODAS as opções da vida) então tente, erre,acerte e VIVA com ou sem ele.Abração

Anônimo disse...

No caso da filha da B.eu acho perigoso o relacionamento dela com 16 anos e um homem de 32, ainda mais em um ambiente virtual que o homem pode esconder o nome verdadeiro, a idade e outras coisas. Como você disse, pode ser um homem frustrado que não consegue conquistar mulheres da mesma idade e passa a querer manipular meninas bem mais novas.

Anônimo disse...

Decidi contar um pouco da minha história para, quem sabe, ajudar nessa situação. Na adolescência, sempre preferi me relacionar com homens mais velhos e sim, ainda hoje acredito que eu era madura para a minha idade. Acredito que você - a filha dessa história- também seja. Assim como você eu sempre me destaquei pela inteligência e pelo meu desempenho escolar excelente. Também sempre me senti muito solitária, pois não encontrava nas pessoas da minha idade que compartilhassem da mesma visão de mundo que eu tinha. Sim, eu tinha muitos amigos, mas no fundo, sempre me senti bastante sozinha. Hoje, penso que esse sentimento de desencaixe é parte do processo de crescimento e que na verdade, minhas amigas também estavam passando por isso, mas por algum motivo, não soubemos compartilhar nossos sentimentos.

Quando eu tinha 15 anos eu me relacionei com um jovem de 22 anos. Foi algo rápido, sem muita importância, mas foi minha primeira experiência com um cara mais velho. Eu o conheci numa viagem à praia que fiz com meus pais e duas amigas, mas por coincidência ele morava bem perto da minha casa. Ele era muito bonito e atraente, não tomei a atitude de me aproximar dele, mas vibrei quando ele se interessou por mim. Conversamos e ficamos juntos nesse dia. No dia seguinte eu e minhas amigas fomos até a casa em que ele estava hospedado com os seus amigos. Ele estava dormindo e eu fui acordá-lo no quarto. Ficamos sozinhos e eu, ainda que fosse virgem, desejei muito que fôssemos adiante. Ele, no entanto, parou e me disse que era melhor sairmos dali, pois não queria que os amigos dele pensassem "besteiras" a nosso respeito. Eu não estava preocupada com isso, mas não tinha a coragem de dizer isso a ele, então concordei. Voltamos para casa e eu encontrei mais algumas vezes, todas foram encantadoras. Nunca transamos.

Houve um dia, no entanto, que estávamos juntos, conversando sobre qualquer coisa e eu vi a contradição entre aquilo que ele era aos 22 anos e eu gostaria de ser quando tivesse a idade dele. Ele trabalhava, sim, era independente, morava sozinho, nada vergonhoso. Mas eu não via nele nenhuma paixão por aquilo que ele fazia. Ele também não fez faculdade (não sabia que curso fazer) e eu queria muito estudar. Percebi ali que nossa relação não tinha futuro. Tínhamos sonhos e prioridades muito diferentes. Essa história acabou aí, mas eu continuei me interessando pelos caras mais velhos.

Aos 16 anos eu tive minha primeira relação sexual com um homem que tinha mais de 40 anos. Eu nunca perguntei a idade dele, acho que tinha medo da resposta. Eu estava no cursinho nessa época e o conheci na biblioteca pública que eu frequentava. Ele era inteligente, artista, interessante. Conversamos muito já no nosso primeiro dia. Tomamos um café, depois caminhamos até a casa dele (que era próxima), ele me convidou para conhecer as obras dele. Entrei, conheci a casa toda. Acabei no quarto dele e quando dei por mim, estava transando. Nunca fui romântica, nem moralista. O sexo foi muito bom. Nunca me arrependi dessa experiência.

Anônimo disse...

Os problemas apareceram depois. Continuei a encontrá-lo secretamente, mas ele queria conhecer minha família, namorar, casar. Eu queria passar no vestibular no final do ano e nem passava pela minha cabeça me prender a ninguém, quanto mais a um homem que tinha uma filha mais velha do que eu. No entanto, apesar de ter esse pensamento muito claro em mim, eu não tinha coragem de dizer isso a ele. Pois é... Eu me achava madura para transar com um cara 20 anos mais velho, mas não para conversar abertamente com ele sobre minhas expectativas para o relacionamento. Comecei a me sentir sufocada por conta daquilo que ele me dizia. Ele parecia muito apaixonado, eu não queria magoá-lo, mas também não conseguia expressar minhas próprias vontades. Um dia eu saí da casa dele e nunca mais voltei. Troquei o número do meu celular (ele não tinha o telefone da minha casa, não sabia onde eu morava). Fugi sem dar explicações. Felizmente, ele não me procurou. Eu me concentrei nos estudos e passei no vestibular no final do ano. Durante a faculdade tive uma relação muito boa com um garoto da minha idade, colega da minha turma. Só voltei a me relacionar sexualmente com ele, numa relação que me deixava à vontade para experimentar aquilo que eu queria, sem me sentir julgada ou pressionada. Foi muito bom, mas acabou porque eu me apaixonei por outra pessoa.

Minha nova paixão era um cara 11 anos mais velho. Eu tinha 19 anos, quase 20. Ele já tinha sido casado e tinha um filho de 10 anos. Eu o conheci pela internet e sempre tivemos muita afinidade. Nós namoramos por mais de dois anos e nesse período ele conheceu minha família e eu a dele, tudo certo. Ele era extremamente gentil com todo mundo, simpático, educado. Eu fui muito apaixonada por ele. Mas no fim, a relação que começou tão boa, foi se tornando abusiva. Ele vivia criticando minha alimentação (eu tinha um corpo ótimo, frequentava academia, mas era muito comilona e ele sempre me dizia que eu não podia comer tanto, pois acabaria engordando). Para ele, ser gorda era algo como um problema de caráter. Ele dizia que ninguém que fosse gordo era feliz e criticava todas minhas amigas gordas. Eu, de tanto ouvir isso, fui ficando neurótica com comida. Ao mesmo tempo, ele sempre elogiava muito todas as mulheres que ele achava bonitas, inclusive minhas amigas e aos poucos, isso foi destruindo minha autoestima. Quando discutíamos, ele enfatizava nossa diferença de idade. Eu nunca podia discordar de nada, pois ele - como era mais velho - tinha mais experiência e sabia o que era melhor. Eu, por outro lado, era muito infantil.

Todos esses problemas começaram quando eu terminei a faculdade e comecei a conquistar minha independência financeira. Trabalhando e estudando, eu comecei a traçar planos para a minha própria vida, que ele acreditava que tinha direito de direcionar. Enquanto ele pagava as contas de todos os passeios, nunca tivemos problemas, mas quando eu comecei a me tornar a mulher independente que sou hoje, ele começou a se comportar como se sentisse ameaçado pelas minhas escolhas. Foi difícil, mas terminei o relacionamento. Eu estava destruída, estraçalhada. Foram muitas brigas, durante um ano inteiro, e em todas elas ele me humilhava. No dia seguinte, ele voltava um doce... Pedia perdão e se eu não o perdoasse, eu me tornava a pior pessoa do mundo. Virava a culpada pelos nossos desentendimentos, a que não o amava o suficiente (pois quem ama, perdoa).

Anônimo disse...

Só consegui me fortalecer para terminar esse relacionamento porque comecei a estudar para o meu mestrado e fiz muitas leituras sobre feminismo. Percebi que ele era um abusador. Contei isso a ele e ele não discordou, mas achou que eu estava exagerando. Quando terminei definitivamente ele chorou para meus amigos, para minha família, para todos. Emagreceu, se deprimiu, fez terapia, mas demorou muito para aceitar o término. Mandava e-mails, procurava conversar. Dizia sempre que ninguém nunca tinha terminado com ele, como se eu não pudesse terminar um relacionamento que me fazia infeliz só porque outras mulheres tinham interesse por ele. Demorou, mas me libertei desse relacionamento.

Hoje estou casada há quatro anos com outro homem. Tenho um casamento muito feliz. Nos apaixonamos imediatamente quando nos conhecemos. Tudo entre a gente foi rápido, sem complicações. Estamos juntos a seis anos e nunca faltou amor, nunca faltou companheirismo. Tudo sempre foi muito simples, pois realmente temos uma afinidade incrível, um tesão maravilhoso e um amor imenso um pelo outro. Ele é a pessoa que mais me apoia em tudo o que eu quero fazer e não me deixa desistir nos momentos difíceis. Eu tenho prazer em fazer o mesmo por ele. E claro, ele é feminista.

Contei tudo isso porque me baseio nas minhas experiências para dar meus conselhos. Então, se eu pudesse dizer algo para essa adolescente que está envolvida com um cara mais velho, eu diria o seguinte:

- Você mesma tem que ser a maior prioridade para a sua vida. Nunca deixe de lado seus sonhos, suas vontades, por nenhum homem. Acho que eu sempre soube fazer isso, tanto que só me casei quando encontrei alguém que me impulsiona a fazer o que eu quero e recusei os relacionamentos com quem queria me prender. Hoje, profissionalmente, estou exatamente onde eu gostaria de estar. Tenho 29 anos e estou terminando meu doutorado. Tenho meu trabalho, minha independência financeira, sou realizada pelo que eu faço. Quando você se envolve com um cara muito mais velho, a tendência é que ele queira direcionar suas escolhas. Não permita isso nunca.

- Tente perceber em você mesma se o que você sente é atração sexual, curiosidade em estar com um cara mais velho ou se é realmente algum sentimento mais profundo. Você terá muito tempo na vida para viver sua sexualidade. Terá muitas experiências. Ás vezes, pode não valer à pena passar pelo risco de se envolver com um cara mais velho apenas por um interesse sexual.

- Amor é amor, é alegria, é prazer, é delícia. Sofrimento é outra coisa. Não é porque você sofre por alguém que você ama essa pessoa. Se você está se sentindo perdida e pressionada por algo que o cara diz para você, isso não é um bom indício.

- Sua sexualidade é sua, totalmente sua e você tem todo o direito de vivê-la da forma como você quiser. Mas é justamente por isso que se você vai se relacionar com alguém, precisa se sentir preparada para conversar abertamente sobre sexo com esse cara, pois isso garante que você vai ter condições de fazer apenas aquilo que você deseja.

- Estou insistindo no tema sexo por um motivo claro: não existe relacionamento sem sexo com um cara de mais de trinta anos. Se você não se sente segura para isso nesse momento da sua vida, sugiro que você procure se relacionar com um garoto de uma idade mais próxima que a sua, pois assim você terá mais chances de ter uma relação com alguém que está na mesma fase de descobertas que você.

- Confie no amor de sua mãe, mas não tenha medo de desapontá-la. Ela sempre vai amar você, mesmo que você faça coisas com as quais ela discorde. Apenas aceite que ela tem mais experiências do que você e que por isso mesmo quer evitar que você sofra.

- E por fim: se você estiver em dúvida com relação a tudo isso, não faça nada. Não tome atitudes sem ter certeza de que é isso que você quer realmente para a sua vida. Se isso tiver te trazendo muito sofrimento, talvez você só não esteja preparada para viver essas experiências agora. O amor, quando é verdadeiro, resiste ao tempo, então você não precisa ter pressa. Só cuide de si mesma.

Abraço!

Anônimo disse...


Sou professora e sempre ficamos sabendo de casos semelhantes, elas se queixam que meninos da mesma idade são "moleques" e acabam ficando muito iludidas, o senso crítico nessa idade é pequeno o que faz dos adolescentes presa fácil.
Acredito que proibir realmente piora.Acho que vocês deveriam verificar se sua filha foi a primeira moça jovem, ou se já um hábito desse homem. Ver se é comum pra ele ficar moças 10,15, 20 anos mais jovens,talvez entrar em contato com alguma ex, digo isso pra garantir a segurança da menina.
Uma regra que vale para qualquer caso é se afastar, claro, sem imposições. Perto ninguém consegue ver os reais problemas de uma relação. Eu me separei no fim do ano passado, mesmo com 6 anos de casamento complicado, só consegui ver os erros dele quando enfim sai de casa.

Anônimo disse...

Tem um filme que fala sobre essa tara dos homens por gurias bem jovens, "Sob Suspeita", com o Gene Hackman e Morgan Freeman.

Anônimo disse...

Se fosse minha filha eu proibiria sim! Ficaria 24h na cola dela. Não deixaria eles se encontrarem de jeito nenhum. Quando eu era mais nova meus pais me davam tanta liberdade e não se intrometiam em nada que eu acabei passando por muitas situações ruins. É claro que não foi tudo culpa deles e que todos tem direito a ter suas próprias experiências, mas se você tem a possibilidade de defender minimamente sua filha é melhor que o faça. Eu não acho correto adolescentes terem relacionamentos sérios e se envolverem sexualmente, ainda mais com pessoas mais velhas. Todos nós teremos a vida toda pra namorar, transar, etc. Não é melhor aguardar um pouco, e nos envolvermos com alguém quando já tivermos uma mínima noção de quem somos e do que queremos de verdade em um relacionamento? Então amiga, proíba esse relacionamento da sua filha o quanto antes!!! Isso não é normal. A diferença de idade é grotesca. Esse homem é um doente.

Anônimo disse...

Mas então pelo que vc esta falando e o que outras femintas falam e que mentalmente mulheres amadurecem com 18 a 25 anos, vcs feministas falam que um homem so amadurece mentalmente la pros 50 ano

Anônimo disse...

Resposta:NÃO
O que uma garota de 16 anos estava fazendo num site de relacionamentos? É preciso saber se impor como mãe, deixar claro que até os 18 anos quem é responsável por ela. Tem que proibir, mas explicando o porque de estar fazendo isso.
G.