sábado, 1 de novembro de 2014

O COMPORTAMENTO PREDATÓRIO E O SILENCIAMENTO DAS VÍTIMAS

Eu não estou acompanhando direito este caso de Jian Ghomeshi, mas felizmente Lidiany CS, Thayssa Martins, e Juliana Lobo, estão. Elas me enviaram este excelente texto:

Um assunto tem sido o centro das atenções da mídia canadense essa semana: as acusações de agressões e abusos sexuais cometidos por Jian Ghomeshi, de 47 anos.
Jian é ex-músico e desde 2007 apresentava o popular programa musical Q na rádio CBC de Toronto. Formador de opinião por lá e presença constante na cena musical do Canadá, Jian já entrevistou pessoas ilustres como Leonard Cohen, Barbra Streisand e Neil Young.
Em 26/10, domingo passado, as agressões sexuais cometidas por Jian começaram a vir a público através de tweets da escritora Anne Thériault (traduzidos aqui). Anne divulgava as denúncias das vítimas (que até então eram apenas três) ao mesmo tempo em que criticava um post publicado por Jian no Facebok naquele dia. 
No post (traduzido aqui), Jian não só alegava inocência como acusava as vítimas de serem ex-namoradas abandonadas, raivosas e vingativas que queriam destruir a sua reputação. 
Jian ainda alegava que, em seus relacionamentos, todas as atividades sexuais, inclusive role-play e BDSM, eram feitas com o consentimento das mulheres, que as denúncias não passavam de um complô armado para destruir sua vida e, finalmente, que ele tinha provas desse suposto consentimento.
Outro ponto que Jian fez questão de frisar em seu longo post de 1.600 palavras foi que a CBC o havia demitido naquele domingo à tarde devido à iminência da publicação das denúncias de agressão e abuso sexual contra ele. O ex-radialista também afirmou que estava sendo injustiçado pelo que fazia na sua vida privada e que isso não dizia respeito a ninguém além dele próprio.
A conduta sexual de Jian havia sido denunciada antes, embora de forma mais implícita. Um relato de Carla Ciccone de 2013 no site xoJane já demonstrava que Jian era um predador abusivo e assustador. Nesse artigo, a autora, para se preservar, decidiu trocar o nome de Jian. Mesmo assim, isso não impediu que ela fosse ridicularizada por milhares de pessoas nas redes sociais.
Sabendo da retaliação que Carla sofreu após a publicação do relato, Anne Thériault passou a abordar em seus tweets outro aspecto lamentavelmente comum: diante de sérias denúncias de abuso, as pessoas tendem a não só defender o agressor, como a se preocupar com a vida dele, que seria supostamente destruída. Várias pessoas – incluindo celebridades, como a cantora Amanda Palmer – continuaram apoiando Jian e o defendendo.
A realidade é que as denúncias anônimas de três mulheres não foram o suficiente para que se acreditasse nas vítimas. Isso começou a mudar em 29/10: em entrevista ao The Star, de Toronto, a atriz Lucy Decoutere foi a primeira vítima a se identificar publicamente, descrevendo com detalhes a violência e o abuso cometidos por Jian contra ela em 2003. 
Felizmente, a reação ao relato de Lucy foi rápida: milhares de pessoas demonstraram solidariedade e apoio a ela no Twitter através da hashtag #IBelieveLucy. Um dia depois, a autora e advogada Reva Seth também denunciou o assédio e a violência de Jian, o que aumentou para nove o número conhecido de vítimas. 
Apenas depois dos depoimentos de Lucy e de Reva e do número de vítimas ter aumentado é que as mulheres começaram a receber apoio pelas denúncias. Em menos de uma semana, os que antes defendiam Jian agora estão reavaliando a situação e entendendo que deveriam ter dado às vítimas ao menos o benefício da dúvida.
De acordo com o Toronto Star, todos os relatos de abuso envolvem violência sem consentimento durante o sexo. A maioria das mulheres violentadas teme ser identificada, pois estão intimamente familiarizadas com o inferno que espera aquelas que denunciam crimes sexuais na era da internet.
(Trigger warning: Relatos explícitos de violência sexual e física a partir daqui.)
Os relatos publicados pelo Star são extremamente gráficos e perturbadores: Lucy Decouture afirmou que Jian a estrangulou até que ela não conseguisse mais respirar, sem aviso e sem consentimento. Uma mulher que estava procurando emprego na rádio CBC relatou que saiu com Jian pensando ser um encontro profissional; durante o encontro, ela conta que, além de ter sido arremessada contra a parede e beijada à força, teve que fazer sexo oral em Jian apenas para se livrar dele. Após o abuso, Jian afirmou que falaria com seus chefes sobre oportunidades de emprego para a mulher e, na manhã seguinte, enviou a ela uma mensagem de celular desejando uma “feliz quinta!”
Outra mulher, fã de Jian, foi convidada a visitar a casa dele em Toronto; ao chegar lá, ela foi arremessada ao chão e ele lhe bateu na cabeça. No momento em que ela começou a chorar, Jian simplesmente a mandou embora. Uma outra fã, que ele contatou via Facebook após distribuir autógrafos num evento, contou que Jian a jogou contra uma parede de cimento perto de uma escada, o que fez com que ela deixasse cair seus pertences. Quando ela ajoelhou-se para pegá-los, ele a sufocou por trás e atingiu-a na cabeça. 
Jian exigiu que ela fosse até o quarto dela e que ela se ajoelhasse; em seguida, ele bateu repetidamente na cabeça dela enquanto ela o olhava em choque. A mulher relata que chegou a confrontá-lo sobre possíveis hematomas, no que Jian riu e respondeu que ele sabia como atingi-la de modo que os machucados não fossem visíveis. No dia seguinte ele escreveu para ela: “É só sexo!”, além de afirmar que ela havia consentido aos atos.  
Mais um detalhe sórdido: duas das mulheres agredidas fisicamente também disseram que, antes de atacá-las em sua casa, ele apresentou-as a Big Ears Teddy, um urso de pelúcia. As mulheres contam que, momentos antes das agressões, ele virou o urso de costas e então disse que “Big Ears Teddy não deveria ver isso”.
Ainda é válido ressaltar que a maioria das vítimas que vieram a público noticiando abusos recentes é cerca de vinte anos mais jovem que Jian. Isso reforça o padrão de comportamento predatório através da preferência por relações de poder (homem mais velho com carreira consolidada/mulher jovem em ascensão profissional).
Após as declarações de Lucy e das outras mulheres, Jian disse em sua página no Facebook que iria tratar das alegações diretamente e não entraria em contato com a mídia novamente. Nesse meio tempo, a Universidade de Carleton iniciou uma investigação sobre a contratação de estudantes para estagiar no programa de Jian, o Q - aparentemente, a atitude da universidade vem como resposta à descoberta do perfil no Twitter @BigEarsTeddy, que publicou tweets (alguns traduzidos aqui) em abril acusando Jian de assediar várias alunas de Carleton. 
Além das ações tomadas pela Universidade, a CBC (ex-empregadora de Jian) começou a oferecer aconselhamento para suas funcionárias e contratou um investigador externo para avaliar as reclamações contra Jian. Algo importante, já que uma das vítimas é uma ex-funcionária que descreveu o assédio sexual em ambiente de trabalho para a CBC e nada foi feito à época. Uma nova investigação talvez seja útil agora, mas a gerência da CBC e o sindicato que representa os trabalhadores da rádio ainda não se pronunciaram sobre as acusações de assédio.
Outra empresa, a Navigator, que trabalha com “gerenciamento de crises” e havia sido contratada por Jian após sua demissão da CBC, declarou que ele não é mais seu cliente – uma fonte anônima do Navigator afirmou que isso se deve a Jian ter mentido quando procurou a representação. Jian também foi dispensando pela empresa de relações públicas Rockit Promotions, que, após anos de parceria, anunciou que não o representa mais. O agente de Jian também anunciou que deixou de representá-lo e a editora dele afirmou que não irá mais publicar o próximo livro do ex-radialista.
Amanda Palmer, a artista que inicialmente apoiou Jian sob a justificativa de que “nunca se sabe o que acontece entre portas fechadas”, voltou atrás em sua primeira decisão de mantê-lo como um dos convidados para o show de lançamento do livro The Art of Asking em Toronto. Após inúmeros protestos de fãs que afirmaram que iriam boicotar os shows da turnê de Amanda pela América do Norte caso ela mantivesse Jian como convidado, a cantora e escritora anunciou em seu blog pessoal que Jian não estaria mais presente no evento.
No exato momento em que esse texto é escrito, veio a público a notícia de que Jian mostrou para seus colegas e chefes da CBC a suposta prova de sua inocência mencionada anteriormente, um vídeo gráfico em que “batia em mulheres, com o consentimento delas, num contexto sexual”. A exibição desse vídeo foi um ato desesperado de Jian, que sabia que repórteres estavam pesquisando seu histórico, para tentar provar sua inocência aos seus empregadores, mostrando que “é possível deixar hematomas em parceiros consensuais no BDSM” – porém, isso resultou em sua demissão. A polícia do Canadá agora também está envolvida no caso e começa uma investigação criminal contra Jian.
As denúncias contra Jian estão sendo discutidas pela mídia internacional há mais de uma semana e ainda não se ouviu falar sobre isso aqui no Brasil. É um caso importante, pois mostra como as vítimas sentem receio ao denunciar abusadores poderosos e famosos por medo de retaliação e de serem acusadas de buscar algum tipo de proveito.
A empreendedora e ativista Sandy Garossino escreveu sobre o tema no Huffington Post Canadá, explicando que, além de terem que reviver todo o trauma do abuso, as sobreviventes ainda são desacreditadas e podem ter suas vidas destruídas. É como ser violentada mais uma vez.
O fato é que, mesmo depois de várias denúncias, pessoas proeminentes continuaram a apoiar o abusador, enquanto as vítimas eram atacadas e postas em dúvida. O músico e compositor canadense Owen Pallett, amigo de Jian, escreveu uma carta aberta em que diz que, embora Jian seja seu amigo, ele acredita que o ex-radialista bate em mulheres. Owen escreveu: “nós já sabemos o que aconteceu, Jian bateu em pelo menos três mulheres e, mesmo que elas sejam ex rejeitadas, elas apanharam de Jian.”.
É simples: a vítima nunca é culpada, precisamos aprender a apoiar as vítimas e deixar que elas se sintam seguras para denunciar. Somente dessa forma, abusadores como Jian não irão passar anos atacando e violentando mulheres silenciosamente.
Não deveríamos precisar que nove mulheres denunciassem Jian, duas delas se expondo publicamente, para levar essas acusações a sério. Deveríamos ter acreditado na primeira.

50 comentários:

Anônimo disse...

Que cara louco e perigoso.

Anônimo disse...

Digo, até eu posso fazer denúncias anônimas, sendo homem, brasileiro e não tendo nada a ver com esse maluco.
Concordo que as vítimas não são levadas a sério e são culpabilizadas, mas pegar uma denúncia anônima e crer nela fica complicado. Ainda não chegamos em uma sociedade em que ninguém mente, que podemos acreditar nas palavras de qualquer anônimo da internet.
Tirando isso, concordo com tudo, se ele abusou de alguém, que morra.

Lucas Pin disse...

Não tive saco pra ler tudo, mas pelo que eu li trata-se de um loucão traumatizado com alguma coisa que deve ser punido e fazer muita terapia O.O

Patty Kirsche disse...

Credo, que sujeito repulsivo... Ele curte arremessar mulheres contra o concreto... Quanto ódio, hein?

Juliana Lobo disse...

Olá anônimo das 16:47,

O ponto é que, inicialmente, não foi dado nem o benefício da dúvida às 3 primeiras vítimas.

Jian, aliás, tentou descredibilizá-las completamente em seu post no facebook, falando em 'ex-namorada amargurada e raivosa'. (detalhe é que esse post foi publicado antes da matéria do The Star, e teve um número de likes e compartilhamentos assustador - isso é, até Lucy Decouture se identificar).

Quisemos demonstrar no texto como a primeira reação das pessoas é ridicularizar e culpabilizar as mulheres que relatam abusos e apoiar imediatamente o acusado, em vez de procurar se informar melhor.

Lara disse...

Nossa não devem ser só nove mulheres, vc vai ver Lola que com certeza irão aparecer muito mais, é terrível que um cara desses continue solto se fazendo de vítima e o pior que ainda existam pessoas que o defendam.

E a prova de sua inocência um vídeo dele batendo nas mulheres um cara desses é muito estúpido, tomara que pegue uma pena bem longa.

Cão do Mato disse...

Concordo com o fato de que qualquer denúncia desse tipo tem que sempre ser levada a sério. Mas o processo deve correr em segredo de justiça, pois se o cara for inocente, adeus uma reputação... Já, da suposta (ou supostas) vítimas, mesmo que tenham feito falsas acusações, ninguém se lembrará. No caso da Escola Base, foram VÁRIOS denunciantes, e conclui-se que os donos eram inocentes. Alguém lembra das pessoas que fizeram a falsa denúncia de abuso sexual? Não. Estão por aí, levando suas vidas tranquilamente. Mas a vida dos proprietários foi destruída.

Anônimo disse...

Esse vota Aécio.

Michele disse...

Fiquei muito surpresa porque já vi vídeos no YouTube desse cara, em seu programa, entrevistando bandas que eu gosto. Enquanto eu lia o post, me veio à lembrança o caso do Abdelmassih. Foram necessárias dezenas de denúncias e muitos anos para que se passasse a acreditar nas vítimas. Poderia-se dizer "ah, mas no Brasil é assim", mas a verdade é que a reação à violência à mulher é parecida nos mais diversos países. Parece que a mulher é aquela que dá motivo à agressão e que se foi agredida, o erro foi dela.

Jonas Klein disse...

Que sujeito bem asqueroso esse tal de Jian.

E aquilo que já disse aqui, que abusos contra mulheres nas condições que esses abusos ocorreram, acontecem porque os abusadores tem três aliados:

1 - A falta de reação das vitimas, eu queria ver um vagabundo desses tenta pratica esse abusos contra uma lutadora de MMA profissional como a Cris Cyborg, ele ate poderia tenta abusa dela, mas ela com certeza iria reagir e desmancha na porrada esse valentão de meia tigela do Jian (eu adoraria presencia um acontecimento desses), aqui vem pergunta que não quer calar, será que jian teria coragem de tenta abusa da Cris Cyborg conhecendo bem ela????

Mas olhando para a realidade das mulheres comuns, se toda mulher fosse bem preparada para reagir diante de situações de agressão, o Jian só teria tentado abusa de uma vitima, pois ele depois do primeiro espancamento não iria querer ir para no hospital de novo.

2 - o silencia das vitimas, se primeira vitima do jian, tivesse tido a coragem de ir na delegacia denuncia ele imediatamente após a agressão (enquanto ela tinhas marcas da agressão no corpo pra servi de prova), ele já teria tido problemas com a policia a anos atrás pelo que se pode ver, o que provavelmente teria impedido ele de tenta faze a segunda vitima.

Lembrem-se do que já disse nesse espaço amigas, enquanto as vitimas não começarem denuncia as agressões que sofrerem, não adianta nem ter pena de morte (para crimes como estupro violência domestica etc) para tipos que nem o Jian, pois sem denuncia sem condenação.

Claro que eu sei que para a vitima, dependendo as circunstancia do crime e difícil provar que ela esta falando a verdade, quanto isso pena que tecnologia ainda não desenvolveu um detector de mentira totalmente confiável e que seja usado pelas policias, pois assim bastaria apenas o depoimento da vitima para o judiciário condena o acusado, pois o aparelho provaria que acusado realmente autor do crime, com base depoimento da vitima, a ciência ainda esta devendo essa invenção a humanidade.

3 - a impunidade (que muitas vezes provocada pelo silencio das vitimas, embora possa ter outras causas), pois leis que não são duras não previnem os crimes, pois elas na produzem penas exemplares, e não mantem os criminosos longe das ruas e com isso longe das potenciais vitimas, por isso não conseguem evita os crimes mantendo assim a ordem publica.

Antes que venha me xinga aqui, eu já aviso que não estou aqui dizendo, que as vitimas do Jian tiveram alguma culpa, por ter acontecido com elas o que aconteceu.

E pra quem não sabe eu deixo claro que criminosos como o Jian, só entendem um tipo de linguagem que a do medo e da violência, medo da possível reação da vitima ao reagir ao ataque dele e da denuncia a policia e com isso ir para cadeia, e violência no caso e a revide da vitima mesmo.

Boa noite.

Caio Borrillo disse...

Mas que cara mais repulsivo...

E lamento o que os caras acima disseram. Se há uma ou duas denúncias anônimas, é uma coisa. Mas pessoas da mídia, dando a cara pra bater, dizendo o que ele fazia... Sem contar o padrão repetitivo das agressões. Como é que vocês podem falar de "supostas vítimas"?

O jornalismo punheteiro é assim mesmo. A vítima é sempre desacreditada pra não acabar com a "reputação" do agressor. E mesmo que o crime esteja provado, ainda assim as manchetes tratam com dúvida, igual ao feminicida de Goiânia, onde o cara confessou os crimes, mas ainda sai como suposto assassino.

Anônimo disse...

Isso lembra o caso da Kesha, que denunciou o empresário por abusar dela durante 10 anos e tem gente que diz "mas por que ela esperou tanto pra denunciar? será que é verdade mesmo?". Falta empatia.

Anônimo disse...

É isso que dá ler muitos 50 tons de Cinza!

Anônimo disse...

Esse sujeito é completa e absolutamente perturbado. Precisa de cadeia e de MUITA terapia

Anônimo disse...

Por outro lado, Conor Oberst perdeu o contrato com gravadora depois de uma denúncia anônima de estupro na internet que muito depois foi desmentida pela autora após ser identificada.
Denúncia anônima na internet tem dois problemas: é anônima e é na internet. Denúncia é na polícia.

Anônimo disse...

Off-Topic

Lola, já viu esse video do TED? Acho que toca em tema interessante

Anônimo disse...

Só lembrando que, quando se trata de violência contra mulher, não raro a própria polícia não acredita na vítima. Em qualquer lugar do mundo, em maior ou menor grau, mulher SEMPRE tem culpa e o homem SEMPRE é o pobre coitado da história.
É por isso também que as mulheres tem medo de denunciar. A humilhação não termina quando o cara "acabou serviço". Ela continua na delegacia, na rua, em casa...

Jane Doe

Cão do Mato disse...

Prezado Caio: todo acusado é inocente até que se prove o contrário, quer você goste ou não. No já citado caso da Escola Base, também foram várias denúncias, todas confirmando o tal "padrão repetitivo" ao qual você se refere. E deu no que deu... Aliás, falou muito bem o anônimo das 23:18, essas denúncias feitas na Internet e, muitas vezes de forma anônima, cheiram a canalhice. Ainda que o sujeito seja culpado, denúncia é na polícia. Jogar m... no ventilador tem muito mais cara de vingança do que de justiça.

Cão do Mato disse...

"Em qualquer lugar do mundo"? E o Canadá? E os países escandinavos? Acho que você precisa se informar melhor...

Anônimo disse...

Cara, você não percebeu que esse caso do post aconteceu no Canadá? oO


Simen Grytoyr, originalmente para o International Herald Tribune:
(...)A violência sexual contra mulheres na Escandinávia compartilha características vistas em sociedades menos igualitárias: é muito comum e raramente denunciada, e os que a cometem são ainda mais raramente condenados. Antigos preconceitos sobre prerrogativas masculinas e suposições modernas sobre a emancipação feminina conspiram para criar um muro de silêncio, vergonha e ambiguidade jurídica(...)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/10117-o-peso-do-silencio-na-noruega.shtml

Jane Doe

Anônimo disse...

Tá, todos são inocentes até se provar o contrário e essas investigações deveriam ser feitas sob sigilo. Nem vítimas, nem acusados deveriam ser perseguidos, humilhados, linchados durante o processo. Só q, na maioria das vezes, a investigação SÓ é feita após uma (ou mais de uma) das vítimas bater o pé, por a boca no trombone, recorrer aos jornais. Geralmente, a vítima JÁ foi perseguida, silenciada de diversas formas (pela conivência da empresa q trabalha, da polícia, de amigos etc), antes de decidir tornar o caso público. Se mudarmos essa cultura de culpar e silenciar a vítima, o processo de investigação será mais justo para os dois lados, vítima e suspeito.

Anônimo disse...

Além do prejuízo natural que leva a mulher que é 20 anos mais nova que o homem (sim, mulher só se fode nessa brincadeira mesmo que o relacionamento seja baseado na confiança mútua e respeito, a mais jovem sempre tem e sempre terá sua juventude sugada) ainda apanha do senhor. É muita desgraça junta, né. O cara viveu sua juventude de buenas e agora suga a juventude alheia (sim porque é isso que é, mesmo que seja uma relação feliz). Lamento sempre por todas essas coisas e quando o homem em questão já é um senhor e a mulher é jovem, lamento duas vezes mais (repito, mesmo que seja uma relação baseada em amor, cumplicidade, confiança etc).

Anônimo disse...

Falei sobre "20 anos mais nova", mas 11 anos mais nova já se fode também.

Anônimo disse...

Cadê o link do TED?

Cão do Mato disse...

Mas o Canadá não é feminista?? Pelo menos foi o tema de um post publicado aqui...

Cão do Mato disse...

Prezado anônimo das 12:11: eu até entendo que uma empresa tente abafar um caso de assédio com o intuito de preservar a sua imagem (embora muitas vezes o tiro saia pela culatra).Os amigos, muitas vezes diante de um caso como esse, acabam tendo uma reação de negação. Mas a POLÍCIA? Qual polícia, cara pálida? Pelo que eu sei, esse problema de não ter uma denúncia levada a sério acabou depois do advento das Delegacias da Mulher (ou não?)

Anônimo disse...

Cão do Mato e sua ingenuidade de achar que apenas existir uma delegacia da mulher impede policiais de negarem fazer b.o e fazer terror psicológico contra as vítimas através de culpabilização.

Conheça um pouco da realidade, basta tirar essas vendas suas aí.

Anônimo disse...

Gostei do comentário do anon das 12:11. Concordo plenamente. As denúncias de violência de gênero são negligenciadas em todos os níveis, pela polícia, pela família, pelo judiciário. Culpam a vítima, desencorajam a denúncia, as chamam de vadias. É complicado. Não dá pra pensar o Direito sem analisar fatos sociais.

Vou copiar e colar pra ficar mais fácil de reiterar:

"Tá, todos são inocentes até se provar o contrário e essas investigações deveriam ser feitas sob sigilo. Nem vítimas, nem acusados deveriam ser perseguidos, humilhados, linchados durante o processo. Só q, na maioria das vezes, a investigação SÓ é feita após uma (ou mais de uma) das vítimas bater o pé, por a boca no trombone, recorrer aos jornais. Geralmente, a vítima JÁ foi perseguida, silenciada de diversas formas (pela conivência da empresa q trabalha, da polícia, de amigos etc), antes de decidir tornar o caso público. Se mudarmos essa cultura de culpar e silenciar a vítima, o processo de investigação será mais justo para os dois lados, vítima e suspeito."

Raquel Link - BLOG ESCREVO POR COMIDA disse...

ISSO É O QUE MAIS ME IRRITA. a questão de culpar a vitima. a pessoa anda com relógio de ouro no meio de um lugar perigoso. ninguém fala. crime contra mulher não. sempre tem um POREM.

meu deus. quando sério que isso vai mudar?

MonaLisa disse...

Isso ai é muuuuuuuuuuuito foda.

Qualquer mulher que cresceu com pelo menos um resquício de educação machista saberia que essas vítimas falam a verdade. Tomar aquela intimada de um cara qualquer, se quando a gente toma uma intimada do pai já se borra de medo de apanhar, imagina de um cara estranho.

Não sei se é privilégio, mas eu sempre acreditei nas vítimas pq durante o discurso sempre reconhecia um denominador comum com as intimadas que eu recebi ou vi receber. Quantos casos você conhece de falsa denuncia?O único que eu conheço é aquele compartilhado no facebook até hoje do cara que pegou HIV depois de ser acusado injustamente. Quantos casos você conhece pessoalmente de estupro? Eu conheço dezenas pessoalmente e milhares pela internet.

Me lembro um link de uma reportagem que postaram aqui uma vez que uma recepcionista disse pro dono do condomínio que tinha sido estuprada pelo porteiro recém contratado que era ex-presidiário, o patrão mandou ela embora. Uma semana depois ele estuprou e matou uma moradora do condomínio.

Esse mundo é podre.

Joane Farias Nogueira disse...

Jonas Klein, a gente sempre arrumar um jeito de culpar a vítima. Dizer que elas são aliadas não é diferente de culpar.
As mulheres que não denunciam não são aliadas. As pessoas que as impedem de denunciar é que são.
A impunidade não vem do silencio das vítimas, vem da falta de credibilidade da palavra feminina e falta de interesse das autoridades(eles são homens. o que esperar?)

Joane Farias Nogueira disse...

Jonas Klein, a gente sempre arrumar um jeito de culpar a vítima. Dizer que elas são aliadas não é diferente de culpar.
As mulheres que não denunciam não são aliadas. As pessoas que as impedem de denunciar é que são.
A impunidade não vem do silencio das vítimas, vem da falta de credibilidade da palavra feminina e falta de interesse das autoridades(eles são homens. o que esperar?)

Tita Martins disse...

Cão do Mato, não, a Delegacia da Mulher não resolveu esse problema. Ainda somos desencorajadas a prosseguir com a denúncia nelas. Eu passei por isso.

Caroline disse...

Decepcionadíssima com a Amanda!!!

Acho que o problema com a credibilidade da mulher abusada vem muito da questão de que infelizmente é ela quem perde mais. Tem os julgamentos, a vergonha, as pessoas imaginando o que você passou (porque você acaba contando) e se você poderia "ter evitado", etc.

Acho que é uma reação natural a gente colocar isso tudo na balança, além da violência que ela sofreu, e pensar se vale a pena pra ela.

Cão do Mato disse...

Quem atende as mulheres nas Delegacias da Mulher são... mulheres! Então, acho que vocês precisam começar a olhar um pouco mais para o umbigo de vocês antes de satanizarem os homens...

Cão do Mato disse...

Acho estranho esse negócio de que "ninguém leva a sério a palavra da vítima"... Permitam-me contar aqui duas histórias que aconteceram com amigos meus. Um deles estava namorando uma moça que era muito ciumenta e resolveu terminar com ela. A dita cuja fez uma denúncia falsa de estupro. O cara precisou contratar advogado mas estava tranquilo, afinal era inocente. Mas o advogado dele disse que a coisa não era assim tão simples, pois "estupro é um negócio complicado". Ou seja, deu a entender que a polícia acreditaria muito mais na palavra dela do que na dele. O negócio só não foi para a frente porque ele ligou para o pai da garota e contou o que estava acontecendo. Foi o pai dela que deu uma "dura" na filha (e na mãe, que estava como cúmplice) que pôs fim ao caso. E olha que ela nem fez a denúncia na Delegacia da Mulher! Foi numa delegacia comum mesmo. O outro caso foi de um amigo que estava enfrentando uma crise no casamento. Numa das muitas brigas, a mulher ameaçou se jogar do apartamento. Ele agarrou ela pelo braço e a puxou para dentro. Nisso, levou um murro na cara . Passadas algumas semanas, recebeu um intimação para comparecer à delegacia (delegacia comum também, diga-se de passagem). A acusação? Violência contra a mulher. Na hora em que ele puxou a cidadã para dentro do apartamento, usou de força (é óbvio). Isso fez com que as marcas dos dedos ficassem no braço dela. Ele fez um exame de corpo de delito e entrou com um processo. Ele também levou o murro na cara, mas...fez o exame de corpo de delito? Não! (claro, é homem, portanto, trouxa...). Quem pôs um fim na coisa toda, acreditem ou não, foi o sogro dele.Enfim, não estou dizendo que não acontece esse problema de não levarem a vítima a sério, mas acho que a coisa não é tão feia como vocês pintam...

Anônimo disse...

A coisa é feia, sim. Desculpa, mas dois casos de amigos "coitados" seus não mudam uma realidade.

Cão do Mato disse...

Dois caos de amigos "coitados", que aconteceram só comigo, né? Imaginem quantos amigos "coitados" não existem por aí...

Ana disse...

Caramba, esse é o blog feminista com a seção de comentários mais hostis da internet. Sério, venho aqui ler os posts, e quero ler os comentários também, pra ouvir o que as meninas tem a dizer e acrescentar, e me deparo com comentários liberados de mascus e o Jonas Klein, que paga de bom moço mas disse que dois dos três maiores "fatores aliados" aos abusos são culpa da vítima. Tá pior do que seção de comentários em notícia de estupro.
Lola, não tem como você não liberar comentários assim? Poxa, a seção de comentários não tá nada segura pras pessoas que já sofreram violência, com esses mascus vindo aqui justificar comportamento escroto.
Pensei nisso com carinho, por favor <3

Fora isso, adoro seu blog, ele que me iniciou no feminismo, viu? Sucesso pra você.

Anônimo disse...

Não alimentem o troll dos amigos injustiçados pelas mulheres más

Cão do Mato disse...

É, não adianta...Por mais que a gente diga "laranja", tem gente que insiste em entender "banana"...

Anônimo disse...

Alguém me diz oq é role-play?
Medo de jogar no google...

Anônimo disse...

Como mascu e amigos dos homens dos relatos, o seu relato deve ser bem imparcial.

A.A disse...

Lola, como você sabe eu sou praticante de BDSM e eu vejo no meio uma grande preocupação com segurança e com pessoas mal-intencionadas.
Alguns casos aparecem rápido, como o caso de uma menina que ficou toda queimada de velas por uma cara que não cuidou dela depois.(Veja, ela não acusou o cara de não para quando ela pediu, ele parou, mas não verificou como ela estava e nem se precisava de médico) isso gerou uma grande discussão na comunidade sobre de quem era a culpa e a máxima foi: não culpar a vítima, ele estava errado em não dar assistência pós sessão.

Outro caso(horrendo) foi de um top que continuou a sessão após ela dizer a safeword várias vezes. Ela ficou muito machucada e estava com medo de denunciar(afinal, era consensual). As pessoas do meio que ficaram sabendo a apoiaram e incentivaram a denunciar. ela não queria ir a policia, por que era de uma cidade pequena, foi com muito custo que ela denunciou pra se proteger.
Pessoas usando bdsm ou qualquer outra atividade consensual polêmica pra justificar seus abusos, está cheio, infelizmente.

A.A disse...

anônimo das 13:49
role play game(RPG) erótico é bem similar com rpg jogo. É um jogo onde se interpretam papéis.
Professor(a)/Aluna(o)
Médico/paciente
Dono/escrava
Adestrador/bichinho de estimação

Etc...

Tita Martins disse...

Não, Cão do Mato, eu fui atendida por um homem. Faça melhor sua pesquisa.

@dddrocha disse...

Que horror, GENTE!

Não soube de nada desse caso, pra mim é tudo novidade. O que mais dói é ver as vítimas desacreditadas, isso não tem fim.

Sérgio Carneiro disse...

Mulheres envergonhadas por denunciarem a violência? Desqualificadas nas redes sociais? São transformadas nas vilãs?

Aconteceu a violência? - Vá a polícia e peça um exame de corpo delito.

Sua vizinha sofre agressão. - Denuncie

Mas ele ameaçou-me se eu contar. - Peça restrição, saia de perto dele, expulse-o.

Tenho vergonha. - Seja mulher

Mas meu filhos. - E dai?

Na primeira agressão ou tentativa. Ajam

Lembre-se que o ônus da prova cabe a quem faz a acusação, então não deixe para depois, podem desaparecer as provas.

Parece que o machismo esta mais dentro de algumas mulheres que do muitos homens.



Julia disse...

E imbecilidade está dentro de você.

Interessante que nos casos relatados pelo cão do mato dois homens livraram a cara de dois homens.
Que novidade.

Andre disse...



Que vergonha, Lola, incriminar alguém sem provas.

"É simples: a vítima nunca é culpada, precisamos aprender a apoiar as vítimas e deixar que elas se sintam seguras para denunciar. Somente dessa forma, abusadores como Jian não irão passar anos atacando e violentando mulheres silenciosamente."

Jian Ghomeshi: Canadian not guilty of sex assault charges
http://www.bbc.com/news/world-us-canada-35893813