domingo, 29 de dezembro de 2013

"MEU COMPANHEIRO NÃO SE UNE AS MINHAS LUTAS"

Maridão na Marcha das Vadias de Fortaleza, em 2011

L. me enviou este email:

Gostaria, primeiramente, de te agradecer por seus post esclarecedores, bem escritos, coesos e atuais. Acho que blogs como o seu ajudam a aproximar as pessoas de questões importantes e abrem espaços de discussão e reflexão.
Dito isso, gostaria de falar uma coisa. Na verdade... Perguntar.
Eu tenho 22 anos e sofri abuso sexual aos 13. Demorei muito para conseguir pensar no assunto que eu fingia não existir. Doía demais pensar nisso. Há alguns anos comecei uma empreitada muito forte em direção à superação. Me esclareci sobre o assunto, estudei efeitos psicológicos do abuso, o que é o abuso, casos que acontecem todos os dias, como lutar contra isso. Ainda é difícil falar disso, mas falo. Ninguém da minha família sabe, mas meus amigos, sim. 
Meu namorado é um cara muito legal e respeitoso. Como em todos (inclusive em mim, algumas vezes) é possível notar algumas atitudes machistas, mas ele lê os textos do seu blog e de outros, está começando a compreender o feminismo de verdade e tenta se policiar e mudar algumas atitudes. Ele já me viu chorar várias vezes pelo abuso; especialmente em filmes que mostram cenas que eu não consigo suportar e tenho que sair do cinema, ele me acompanha. 
Mas ele não é capaz de expressar isso, não "prega", como ele coloca. Ele diz que se importa com questões feministas, apóia, respeita, acha correto, mas não consegue ter convicção sobre isso porque não o afeta diretamente. 
Isso me incomoda porque sinto que minhas lágrimas e o sofrimento de muitas outras pessoas escancarado a cada dia não são suficientes para chocar as pessoas. Será que essas pessoas precisariam ver um estupro de uma garota de 13 anos ao vivo para se revoltar a ponto de lutar pela mudança de algo? 
Será que essa inércia é tão grande que elas até podem sentir afinidade por uma causa, mas não a ponto de querer mudar se não forem elas, em suas próprias peles, a sentir o problema? 
A pergunta por trás de tudo isso é: como você e seu maridão lidam com isso? Ele divide suas lutas com você? Ele era diferente antes de te conhecer? Como fazer para tentar aceitar que ele não precisa defender como se fossem dele minhas lutas, mesmo que isso seja um desejo forte meu, o de ter alguém que possa levantar essa bandeira comigo?

Minha resposta: Querida L., é um processo, e cada um tem o seu ritmo, a sua personalidade, as suas lutas. Sei que dói quando algo que é fundamental pra gente é ignorado pelo nosso companheiro. Hoje de manhã mesmo eu fui compartilhar com o maridão a dúvida de uma leitora sobre o que ela pode fazer pra alertar uma amiga que está num relacionamento abusivo. E o maridão respondeu que aquela conversa não era interessante, levantou-se, e saiu do quarto. Eu quis jogar qualquer coisa nele.
Felizmente, não é todo dia que ele acorda de mau humor. Mas não, o maridão nunca se assumiu feminista. Ele jamais foi machista, lógico. Desde que o conheci, 23 anos atrás, fiquei surpresa ao ver uma pessoa tão sem preconceitos. Ele nunca fez uma declaração sexista, racista, ou homofóbica, e isso é de tirar o chapéu. Eu já fiz -- um monte. 
Quando o conheci, ele não era de direita. Muito menos de esquerda. Era um alienado político. 
Eu e maridão em Joinville, 1994
Votava pra vereador em amigos, independente do partido. Não se engajava em campanha nenhuma. Votava sem prazer ou convicção. Claro que, convivendo com uma pessoa de esquerda, pouco a pouco, sem grande esforço, isso foi mudando. A glória foi quando, no final dos anos 90, eu e ele fomos jantar na casa do meu editor no jornal, e o sogro desse editor quis canonizar em vida o FHC, e o maridão jogou o cerimonial de boas maneiras às traças e passou a responder. Foi uma discussão calorosa. Fiquei orgulhosa dele -- era um Silvinho politizado, muito diferente daquele que eu havia conhecido quase uma década antes.
Maridão e eu em Paris, 2011
Mas o feminismo não é importante pra ele. Em parte porque temos uma relação de muita igualdade aqui em casa. Com exceção de matar barata, não existem tarefas masculinas e femininas neste lar (graças a zeus, com a dedetização, não apareceu nenhuma barata no ano todo neste andar em que moramos). Eu e ele fazemos tudo (ou melhor, nada; vamos deixar no "não muito"). Nunca discutimos sobre dinheironem eu nem ele damos a mínima se agora estou ganhando mais. Então o feminismo é um assunto meio obsoleto na nossa vida de casal. Simplesmente não há necessidade de falar nisso. Aliás, pra quem está cansado de feminismo, fica a dica: ajude a combater o machismo e os outros preconceitos. Quando vivermos numa sociedade justa, não haverá motivo pro feminismo existir.
É verdade que eu nunca sofri algum abuso sexual como você sofreu (e, como você é jovem, pra você tudo isso é recente). Minhas histórias de horror são bem fraquinhas em comparação. Mas taí uma arena que a maior parte dos homens não consegue entender. Eles não imaginam como é viver, desde a pré-adolescência, pensando no que vestir pra não chamar a atenção, sendo bolinada no transporte público, ouvindo grosserias na rua, tendo medo de ser estuprada. Quero dizer, os caras bacanas são os que nem pensam no assunto. Os babacas são aqueles que perpetuam os abusos, seja participando ativamente, seja contando piadas ou fazendo pouco caso de situações que atingem... ahn, metade da população?
Óbvio que há homens feministas que empatizam com as mulheres e lutam para combater o machismo. Eu acho que meu maridão é um deles, embora ele não se assuma feminista, nem se engaje muito. Mas certamente as pequenas ações que ele faz, os diálogos que ele tem com outras pessoas, são anti-preconceito. 
Seu namorado deve ser jovem. Já já ele te alcança. Se não, e se ter um namorado que levante as mesmas bandeiras é tão importante pra você, procure um namorado feminista. Eles existem!

17 comentários:

Patty Kirsche disse...

É, eu costumo ter esse problema. Eu nunca conheci um homem que não praticasse nenhum tipo de discriminação contra mulheres. Tenho inclusive dificuldade de manter amizades. Conheço vários moderados; do tipo que jamais recusariam que uma mulher pagasse a conta, mas que jamais consideram lavar louça. O fato de um homem não sentir empatia pelo que nós passamos me incomoda bastante; acho que não aguentaria me relacionar (afetivamente, não só pra transar) com um homem não feminista.

Anônimo disse...

Entendo o raciocínio da autora do post. Eu diria, vai com calma, tem uma grande diferença entre pessoas que estão dispostas a aprender e outras que estão fechadas para qq crítica! Talvez seja só questão de tempo.

Outra coisa, o machismo, como o racismo, como o classismo é algo da estrutura da sociedade. Ou seja, existe independente de nossa vontade e para além do âmbito individual. Por isso, em menor ou maior grau, todos nós temos um certo grau destes preconceitos. Quando dizemos que somos feministas, isto não nos isenta de ter 'certos comportamentos' machistas, entende?
Digo isso pq acho sim que é possível um homem feminista (se tomamos como alguém que luta para igualdade dos sexos). Isso não exclui que este homem porventura tenha atitudes de cunho machista.

O que faz TODA a diferença para mim é a pessoa estar ou não aberta para as críticas (e isso vale para nós tb). E depois desta abertura pra críticas é essencial a pessoa tentar mudar esta estrutura de opressão (no âmbito individual, no caso), isso sim é ser honesto intelectualmente. O seu companheiro escorregou sendo machista? Se vc diz isso pra ele, como ele reage? Ele se defende usando argumentos machistas ou ele tenta ir além deste preconceito? Ai esta a questão para mim.

Se eu fosse vc, tentaria dialogar com ele que o machismo diz respeito a ele tb. Embora ele tenha mais 'benefícios' desta estrutura opressora, ele tb é afetado e ele tb é responsável para manutenção disso (mesmo qndo nos 'isentamos' , todos somos responsáveis para mudança ou não desta estrutura).

Eu diria para vc ter paciência e ir tentando ver se ele está aberto ou não para estas mudanças. Cabendo a vc a decisão de querer estar do lado dele ou não.Todas nós não nascemos feministas nem (normalmente) recebemos este ideário na escola ou na família.
Todo mundo pode e tem a escolha de poder mudar , basta querer.
Particularmente tenho total tesão em homens feministas. Nenhum tesão em homens machistas!

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Acho que quando a gente cresce em uma sociedade que tem determinada ideologia é mais fácil segui-la do que ir contra. Acho que precisa sim existir algum fator de mudança, algo que faça a pessoa questionar, raciocinar, aprender, senão a pessoa fica na mesma. No seu caso, foi o abuso, no caso do seu namorado, o fator de mudança é você, e se ele está disposto a rever alguma coisa, mudar seu comportamento, começar por si mesmo, já é uma coisa bem legal.

Anônimo disse...

Pals before gals.

Kittsu disse...

Acho que não ser militante não é relevante. Afinal, cada um tem seus interesses e ninguém é obrigado a idolatrar as ideologias alheias e seguir cegamente a opinião do outro só pra "manter o amor". Ele não é obrigado assim como você não é obrigado a -sei lá, desculpe o paralelo tosco- pautar sua vida pela luta contra os fogos de artificio porquê por conta de um acidente terrivel durante a infância ele contraiu uma fobia relativa a fogos de artificio. Seria sim o seu dever ter total consideração a fobia dele, nesse caso... mas a fobia seria dele, e não sua, e não seria razoavel ele pedir que você vivesse todo esse peso emocional junto com ele. Portanto não acho justo que você exija que ele tenha exatamente as mesmas reações que você com relação a este tema, pois suas reações são fruto de uma vivência e uma carga emocional que ele não experimentou, e é uma carga forte demais para quem nao esteve na sua pele. Não dá pra exigir que ele milite pelo feminismo - não dá pra exigir isso nem mesmo de quem passou pelo que tu passou! é uma escolha tão pessoal viver qualquer tipo de militância que exigir isso dos outros é.... demais.
Pode-se exigir (deve-se) o respeito. De um parceiro, a delicadeza e compreensão.
Você precisa se lembrar que ele é um individuo à parte, com uma vida e experiência próprias, e não viveu a sua vida para saber o peso que isso tem pra você. Não fique se remoendo por conta disso, ao invés disso curta a boa companhia que ele parece ser, aproveite o que vocês têm de interesses em comum para fortalecer a interação e ter bopa experiências juntos e aproveite os seus próprios interesses, que ele não acompanha, para exercer a sua individualidade e crescimento pessoal. Todos ficam felizes e você terá um grilo a menos (que pena que você passou por aquele perrengue... fique bem.)

Verô! disse...

Eu acredito que as vezes práticas cotidianas são tão impactantes como militância organizada. Vou dar o exemplo do meu pai. Meu pai não era um cara conscientemente preconceituoso, mas as vezes ele dizia coisas machistas e homofóbicas porque ele simplesmente absorveu isso da sociedade. Ele nem tinha noção que essas coisas eram machistas e homofóbicas. Então eu me assumi lésbica e feminista e as coisas foram mudando aos poucos. Meu pai é um homem aberto ao diálogo e curioso, ele adora aprender. Passamos horas e horas conversando e ele me faz milhões de perguntas! Ele sempre me diz que eu sou a pessoa que ele mais gosta de conversar porque eu ensino muito para ele. Eu acho isso o máximo, especialmente vindo de um homem inteligente e experiente como ele.

Bom, nem preciso dizer que meu pai me aceitou muito bem, né? Não só aceitou como começou a tomar consciência do machismo e homofobia - que andam de mãos dadas, diga-se de passagem - conforme eu falava com ele. Um dia ele foi me buscar na faculdade vindo direto do trabalho e no caminho me contou, com indignação, sobre um cara no trabalho dele que estava fazendo piadas homofóbicas. Eu perguntei para ele o que ele fez quando ouviu as piadas e ele disse que repreendeu o cara e deu uma bronca nele! É claro que eu fiquei super orgulhosa! Meu pai tem uma posição hierárquica alta no trabalho dele, é um homem respeitado por todos e quando ele se posiciona no ambiente machista em que trabalha contra o machismo e a homofobia eu acho que é algo simbólico e muito positivo. Ele não é militante, ele não vai em protestos, mas ter mudado e não aceitar manifestações preconceituosas, se posicionar claramente contra, para mim é fenomenal e ajuda muito na nossa causa.

Diego disse...

Eu realmente fiquei confuso. Quando eu descobri o feminismo e senti empatia por ele, comecei a querer militar pelo mesmo. Lendo posts, principalmente aquele do cara que ficou mimizando pois não deram voz a ele num evento feminista e pelas respostas de várias pessoas que diziam que o papel da luta pelo feminismo é das mulheres, vi que eu não teria lugar nessa luta e minha participação seria de coadjuvante, simplesmente dando minha opinião e vivendo de forma menos machista. O que aprendi é que posso ser, em minha condição de homem, no máximo um pró-feminismo, nunca um feminista de verdade, e o pior é que isso fez sentido.

Agora neste post, não só a guest post como a Lola falaram de homens que militam como feministas. Não to de mimimi, só quero saber, realmente, como pode ser o papel de um homem em prol da divulgação da ideologia feminista e na luta, mesmo, como a guest post mesmo disse

Z disse...

Lola, estou desolada e tremendo aqui. São 6h da manhã, eu estou num bairro classe média de SP e acabei de presenciar uma tentativa de estupro. Uma garota gritando "Para, você tá me machucando, eu não quero ficar com você, me solta" tão alto que ouvi daqui de casa. A polícia chegou em 3 minutos após chamarmos(privilégios, privilégios...), mas os gritos estavam menos frequentes, não sei se pegaram, não sei se chegaram a tempo e isso tá me desesperando. Presenciar algo assim, gritos assim invadindo a minha casa...eu tô tremendo de tão nervosa, nem só de saber que podia ser eu, de saber que tinha alguém ali sendo agredida. Não sei como isso pode banalizar, não sei como podem fazer pouco caso disso, não sei como podem falar em "suposta vítima", que ódio disso tudo, que ódio! Não vou conseguir dormir de nervoso, Lola, porque mais uma vez esfregam na minha cara que desde a porta da minha casa aqui no Brasil até a Índia, não existe um canto nesse mundo que seja livre disso

Anônimo disse...

Nem todo mundo tem vocação para militância. É simples assim.

Mesmo dentro da militância, há quem prefira se dedicar mais a uma causa do que a outra, seja lá por qual motivo.

Se isso é tão importante, considere buscar alguém entre ativistas. Atente apenas para o fato de que pode descobrir um idiota onde todo mundo vê uma estrela do ativismo. para um relacionamento, pode ser melhor ter alguém que vive uma ideia do que alguém que apenas grita por essa ideia.

Anônimo disse...

É tão bom ler um relato assim, e a resposta.
Me encontro quase na mesma situação da L.
O meu namorado, porém, no inicio do nosso relacionamento era bastante preconceituoso com tudo. Mas é a realidade na qual ele foi criado, viveu e cresceu. A minha realidade sempre foi diferente.
Depois de um ano e alguns meses juntos, já vejo grande mudança nele em respeito a preconceitos.
Felizmente, ele nunca agiu como machista - nunca passou cantadas ou desrespeitou alguém, mas tem com certeza pensamentos machistas. É necessário quebrar a cultura machista em que ele nascer e foi criado. E entendo que isso pode demorar, mas está melhorando.
Acredito que pra mim e pra você também.

Anônimo disse...

Lola,
Sugestões para sua análise.

http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/mulheres/guiadefesamulher.html

http://www.compromissoeatitude.org.br/home/pagina-inicial/


Troll perdedor.

Camila Fernandes disse...

Numa série de TV que eu assistia, um dos personagens foi diagnosticado com câncer de mama. Podem imaginar como uma foi a reação dele, não é? Desde uma reafirmação exagerada da própria sexualidade - ele não podia ter uma "doença de mulher", porque não era gay - até a negação do câncer, com o argumento: "eu não tenho mama, eu tenho peitoral" (I don't have breasts, I have a chest). A situação era ainda mais delicada pela história se passar em uma prisão, onde havia uma constante disputa de poder entre os internos. O personagem questionava o que iriam pensar dele, se ele iria perder o respeito dos outros presos por causa disso. O caso me chamou a atenção porque eu nunca tinha ouvido falar sobre câncer de mama masculino, e quando fui ler mais a respeito, descobri que é muito raro mesmo, mas acontece. E, infelizmente, costuma ser detectado já em um estado bastante avançado, exatamente por causa do preconceito. Muitos homens não fazem ideia que a doença existe e a preocupação com a prevenção é quase nula.

Sei que tem pouco a ver com o assunto do post, mas essa questão sempre me marcou como um exemplo clássico do quanto o machismo na sociedade também é extremamente prejudicial aos homens. Mesmo em face da descoberta de uma doença grave, como o câncer, o cara ainda tem que se preocupar com esse conceito obsoleto e absurdo de masculinidade! Homens tem privilégio numa sociedade machista, sim, mas o preço a pagar por isso é um tanto alto, como a Lola mesmo já disse por aqui. Então, eu não vejo porque o feminismo não deva ser uma luta plural, independente do gênero ou da sexualidade de cada um.

Talvez com o tempo o seu namorado possa aprender mais a respeito, e se dar conta do quanto é importante que ele também lute pelo feminismo. Entretanto, eu concordo com o que o pessoal falou: ele não precisa ser um "militante" para dar a sua contribuição e fazer a diferença. Atitudes em um pessoal pessoal, no cotidiano, também contam. Olha que belo exemplo a Verô deu! :)

B. disse...

Gostei muito do relato!
Lola, vc acertou em cheio quando disse que um dos pontos mais dificeis pra um cara entender é aquilo de sofrer assédio na rua.
Meu namorado é feminista, não militante, mas tb se livrou de vários preconceitos ao longo do nosso namoro; porém, ele acha exagero eu ficar um tempo escolhendo a roupa que vou sair, até mesmo no mercado da esquina.
- Ai, tu vai só ali na esquina, pode ir com a roupa que tu tá!
- Ai, nem precisa botar sutiã, tu só vai ali na esquina...

Ele nunca vai entender.

Anônimo disse...

Ei, porque o meu comentário com o link para o vídeo não foi publicado? Não tinha nada de ofensivo lá. Fazer o quê, coisa de quem não sabe aceitar críticas.

Erres Errantes disse...

Puxa, L. eu acho que você está se preocupando à toa.
Seu companheiro pode não ser do tipo que vai às ruas, levantar bandeiras e montar barricadas.
Mas pelo que vc disse, ele não é indiferente. É muito legal que ele leia materiais feministas. Mostra que ele valoriza e se interessa pelo assunto.
Já pensou se o seu namorado fosse um boçal que vivesse desqualificando o feminismo e fazendo comentários preconceituosos? Aí sim, seria insustentável manter um relacionamento com uma pessoa assim.

José Silvério disse...

A empatia pelo feminismo por parte do homem está ligada ao amor e respeito pelas mulheres,pela mãe, esposa, namorada, irmãs, amigas, colegas de trabalho,professoras,etc.e, também, ao aceitamento da idéia de que se trata da coisa certa e igualitária! Então, o cara pode até se reconhecer como "feminista" mas homem militante fica um pouco esquisito e fora do lugar. O homem pode ajudar muito mais se se dedicar a extirpar o machismo presente em sua mente. E isso requer um cuidadoso exame de pensamentos e atitudes. Eu, por exemplo, me descobri ensinando comportamento machista para meu filho, então com 9 anos! Era o que eu tinha aprendido. Isso vem como uma correia de transmissão passando de pai para filho por gerações! Claro, que, voltei atrás mas fica a interrogação: e o dano já causado? Então, é preciso o homem se conscientizar sobre o machismo. E quanto às vantagens proporcionadas pelo machismo, sinceramente, não quero nenhuma delas! Não acho que sejam atitudes corretas para uma pessoa decente e legal pois são fundadas na mentira.Por exemplo: ser ouvido em uma assembléia de condominio enquanto minha vizinha ao lado, luta em vão para ser ouvida! Então, mesmo que a questão fosse um balanço de custo/beneficio (coisa que não é de forma alguma!) não estariamos perdendo grande coisa não!

Sara disse...

L. de tempo ao seu namorado (ainda mais se vc gostar dele), ele não se coloca contra sua luta, pelo menos me pareceu, pelo seu relato.
Agora no final do ano viajei com meu marido (um cara super machista no passado)e ouvi dele uma declaração que me fez ter um pouco de esperança, nós tivemos duas filhas, e sei q ele desejava um menino justamente por ser machista, agora nossas filhas já são adultas, e em uma conversa com um amigo, pude escutar ele dizendo que estava feliz com suas filhas e que não desejava mais ter filhos, além disso disse que esta dando preferencia a mulheres para trabalhar na sua empresa (note-se que ele nunca havia contratado mulheres para trabalharem como operárias na metalúrgica)pois agora ele até da preferencia, disse que são muito mais produtivas q os homens.
Mesmo eu não tendo uma boa relação com meu marido, ao q parece a minha militância, junto a de minhas filhas, tem o influenciado.
Acho q o exemplo que damos para o mundo como feministas influencia sim, por isso L. continue sua luta, se seu namorado não virar um militante ativo, pelo menos vai se tornar um simpatizante de nossa causa.