terça-feira, 9 de julho de 2013

DUAS JOVENS MÉDICAS FALAM SOBRE IMPORTAÇÃO DE MÉDICOS E PREVENÇÃO

Protesto de estudantes de medicina em Boa Vista, Roraima

Semana passada publiquei o guest post da médica M., leitora antiga e querida aqui do blog. Nenhuma surpresa que ela, assim como a enorme maioria dos médicos, seja contra a importação de médicos estrangeiros. Mas os leitorxs ficaram furiosxs -- inclusive comigo! (gente, é um guest post, entendam: não é minha opinião, minha vivência, meu conhecimento). 
Com o passar do dia os ânimos foram se acalmando um pouco e o post rendeu um excelente debate, com M. provando que é uma pessoa acessível, respondendo comentários e revendo vários conceitos. 
No fim de semana li o excelente artigo da escritora Márcia Denser, que foi minha professora de Redação Criativa mais de duas décadas atrás, em SP. Ela se baseou nos números de Pedro Porfírio, que realmente são assustadores: dos quase 372 mil médicos brasileiros, 260 mil estão nas regiões Sul e Sudeste. Ou seja, não resta dúvida quanto à péssima distribuição de médicos no Brasil, como o mapa ao lado deixa claro (clique para ampliar).
Eu sou a favor da importação de médicos, principalmente os cubanos. Já há 31 mil médicos cubanos em 69 países do mundo, e Cuba tem uma das melhores medicinas do mundo. Porém, tenho a humildade de reconhecer que minha opinião é de leiga. Não sou médica e entendo quase nada de saúde. Acho que também é importante ouvir o que pensam os médicos brasileiros, sobretudo os que trabalham no SUS. 
Uma "quase médica", Simone, e uma médica recém-formada, Fernanda, que nem se conhecem, me enviaram suas respostas para o que leram nos comentários do post da sua colega de profissão, M. Vale a pena ouvi-las, para poder ampliar a discussão.
Agora fico no aguardo do guest post de um médicx que aponte uma solução para a péssima distribuição de médicos no Brasil e que seja a favor da importação de médicos estrangeiros. Deve ter algum médicx que seja a favor, pô! (e suponho que os médicos e estudantes de medicina sejam contra a proposta do governo feita ontem, de aumentar a graduação em dois anos). 
(As fotos que ilustram este post são de protestos de médicos e estudantes de medicina que aconteceram em vários lugares do país nos últimos dias. Elas aparecem no post de forma bastante aleatória).
O texto abaixo é da Simone, uma "quase médica", do RJ. Ela teve sua última aula como estudante de Medicina na semana passada (parabéns, Simone!).

Visto que a ignorância é IMENSA, vamos falar de medicina preventiva, pessoal?
Então, no que se consiste a medicina preventiva? Será que para exercê-la é preciso apenas um médico bem intencionado e um esteto? Sei que muitos ficarão chocados com essa notícia, mas a resposta é NÃO. Aqui vai uma aulinha express.
Basicamente, a medicina preventiva inclui promoção à saúde (são várias medidas e é multidisciplinar, como medidas antitabagismo, abordagem dos riscos associados ao álcool, escovação diária com creme dental, planejamento familiar, segurança no trânsito) e prevenção de doença. Quanto à prevenção de doenças, há ainda a proteção específica e detecção precoce das mesmas.
Vou focar aqui no segundo ponto, a prevenção de doenças, já que é o que a maioria associa à “medicina preventiva” em um primeiro momento.
Não dá pra fazer proteção contra uma determinada doença ou detectá-la precocemente só com um esteto e boa vontade. Como muita gente gosta de repetir que nossa formação é de baixa qualidade nesse aspecto, e que por isso os médicos estrangeiros seriam mais do que qualificados para fazerem uma medicina preventiva eficaz, vou discorrer um pouco sobre quais são as orientações do Ministério da Saúde para que a prevenção de doenças seja feita adequadamente, numa consulta ambulatorial de posto de saúde e num paciente que, no momento, está saudável.
O arroz com feijão da medicina preventiva no Brasil é o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Existem diversos calendários vacinais, os mais importantes são o da criança e do adolescente, do adulto e do idoso e de vacinação ocupacional. Existem muitos outros protocolos relacionados à vacinação, como contra o tétano acidental e contra a raiva. Isso, para nós, médicos brasileiros, já é um assunto complexo, cheio de peculiaridades. Numa consulta de rotina, todo médico tem que saber quais vacinas indicar para aquele indivíduo. 
Esse é um dos motivos da necessidade de revalidação de diploma: cada país tem seu calendário vacinal e seus protocolos. Todo médico que vier trabalhar aqui precisa conhecer os calendários, que tipo de vacina é aquela, quais as contra-indicações, quais as reações adversas, quando mandar o paciente para um local de referência para receber outro tipo de vacina etc (muitos “etc” aqui). 
O outro ponto dessa questão tão básica e corriqueira é a conservação desses produtos biológicos. Vejam bem, eu sequer estou falando em TER a vacina no posto de saúde, estou falando em como conservá-la! É uma questão de infra-estrutura básica. É preciso mantê-las em ambiente controlado, com temperaturas diferentes, em geladeira ou em coolers. Se no local não houver luz ou gerador, se houver uma queda na energia prolongada, as vacinas são perdidas! 
Pra vocês terem uma idéia do quanto isso é importante, no Centro Municipal de Saúde Albert Sabin, na Rocinha, um posto de saúde de ótima qualidade, a equipe responsável pelas vacinas anota em uma folha de controle todas as vezes que a geladeira é ABERTA. A hora/dia, a temperatura antes e após a abertura. Ah sim, a equipe de imunizações não é composta por médicos, mas por técnicos muito bem treinados e enfermeiros capacitados  para aplicar vacinas.
Ok, percebemos que, de fato, o esteto e a boa vontade não são suficientes pra fazer Medicina Preventiva no seu aspecto mais fundamental. Imaginem morar na Floresta Amazônica e não ter vacina contra febre amarela? Então, quando alguém diz que professores ministram suas aulas em salas sem quadro-negro, iluminação ou giz, e que é mimimi do médico querer infra-estrutura pra trabalhar, percebam que não há como exercer medicina preventiva sem uma coisa banal como, sei lá, energia elétrica. Geladeiras. Vacinas. Agulhas e seringas. Sistema de apoio de maior complexidade caso alguém desenvolva uma reação grave à aplicação.
Aprofundando mais um pouco, vamos falar de DETECÇÃO PRECOCE de doenças. Então, para rastreio de alterações no colesterol, a recomendação nacional é que se faça o rastreio de 5 em 5 anos, depois dos 20 anos. Ridículo, né? Mas, pensem na logística. Isso exige laboratório e equipe! Todo mundo acima de 45 anos ou que tenha fatores de risco para diabetes precisa dosar o açúcar no sangue (não, não se faz diagnóstico com aquela gotinha de sangue na fita, nesses aparelhos que muitas pessoas tem em casa). Mais uma vez, pra fazer medicina preventiva, é preciso de ESTRUTURA. E se a pessoa estiver doente? É preciso remédio! 
Por exemplo, mulheres entre 50 e 74 anos precisam fazer mamografias de 2 em 2 anos, e o preventivo, pra rastreio de câncer de colo de útero, a partir dos 25 anos (quem vai ver a lâmina e examinar as células?). Além do mais, mulheres após os 65 anos precisam de rastreio pra osteoporose. Todo mundo, a partir dos 50, precisa rastrear pra câncer de intestino, e a melhor maneira é com a colonoscopia (com qual aparelho? Em qual sala?).
Vejam, ISSO É MEDICINA PREVENTIVA. Entendam, medicina, MESMO A PREVENTIVA, não se faz só com exame físico. Deu pra perceber o quanto a medicina preventiva é complexa e cheia de peculiaridades do nosso país e do nosso sistema de saúde? Por isso a maioria dos médicos não é contra a vinda de estrangeiros, mas é contra a não revalidação de diploma. Porque a medicina de cada país é uma medicina única, com obrigações únicas perante a lei, com um sistema de saúde próprio. Será que os médicos estrangeiros conhecem o SISREG? O SINAM? Quais as doenças de notificação obrigatória? Qual o protocolo de tratamento de dengue? Como preencher um atestado de óbito?
Então, aprendam: medicina preventiva não é o mesmo que a medicina heroica de pronto-atendimento. Quando o pessoal comenta “então vai deixar esse povo morrendo porque os médicos não querem se meter num buraco? Mandem os cubanos, é melhor que nada!”, esse argumento é furada! 
Esse povo vai continuar morrendo! Quem se dispõe a fazer medicina (e digo de uma maneira ampla, falo dos profissionais de saúde como um todo) nessas condições, no final das contas não está fazendo medicina, está tomando atitudes desesperadas para situações que, em sua maioria, seriam simples de lidar se houvessem condições.
O texto que segue é da Fernanda, de SP, leitora antiga e médica recém formada, atualmente residente no primeiro ano de Clínica Médica. 
Resolvi me manifestar após participar da paralisação do serviço público de saúde. Minha primeira manifestação, e julgo que a de 90% dos jovens ali presentes. Espero que isso ajude você a entender nossos problemas, já que ultimamente somos execrados pelo resto da sociedade. Vou começar falando da passeata.
O que eu vi: centenas de médicos jovens, entre graduandos (os famosos internos), residentes e funcionários da prefeitura, que lidam com a PORTA do sistema básico de saúde. Vi pessoas jovens lutando pela população, andando sob o sol do meio-dia. Vi uma população receptiva nos apoiando, estendendo bandeiras e jogando papel picado, entoando nossos poucos hinos. 
Vi gente exigindo que Dilma se trate no SUS, e pedindo condições de trabalho ao invés de estádios de futebol. Vi gente pedindo valorização do profissional da saúde como um todo, seja ele brasileiro, estrangeiro, do SUS ou particular. Vi gente desejando boas vindas aos estrangeiros aprovados no Revalida. Se vi UM cartaz contra os cubanos especificamente, foi muito. Gritos, não ouvi nenhum.
Sobre o que não vi: não vi ninguém falando uma vírgula sobre remuneração, ou mesmo dinheiro, que não fosse pra exigir mais investimentos no SUS. Não vi hostilidade de ninguém. Não vi ninguém contra a chegada de cubanos, espanhóis, portugueses -- se estes se mostrarem capazes e também tiverem condições de trabalhar aqui. Não ouvi gritos ofensivos, não ouvi ninguém exigindo “reserva de mercado”.
Posto isso, gostaria de explicar algumas coisas. Não somos contra a vinda de estrangeiros por reserva de mercado. Nós não estávamos nas ruas pra exigir melhor remuneração. Estávamos na rua pelo povo. Por mais que seja difícil acreditar, nós AMAMOS o ser humano. São poucos os que fazem Medicina “pra ganhar dinheiro”, porque sinceramente tem outras formas muito mais rápidas e menos sofridas. Sim, a Medicina traz uma carga de sofrimento imensa. Não é pelo dinheiro. Dinheiro nenhum compensa isso.
Vou contar um pouco sobre a nossa realidade, porque ninguém conhece, e ninguém faz questão de conhecer. Falo de um dos maiores hospitais públicos da minha cidade, pois é a minha realidade. O hospital não só recebe a população da cidade, como a de toda a região metropolitana, além do país inteiro, por ser um serviço de referência.
A Unidade de Emergência Referenciada, nossa “querida” porta, deveria ser referenciada, ou seja, só pacientes de urgência/emergência ou pacientes encaminhados por outro serviço deveriam ser atendidos ali. Mas quem conhece sabe que não é assim. Se o hospital fechar a porta, milhares de pessoas ficarão desamparadas. Mas a que preço se atende toda essa gente (uma média de 1000 atendimentos ambulatoriais e 300 na UER, por dia)? 
Com alunos de 5º e 6º ano (que não recebem nada por isso, e dão plantões durante todo esse tempo) e residentes (estes, que recebem uma bolsa de R$ 2500 mensais, e dão uma média de um plantão a cada três dias –- sem remuneração extra e sem folga no dia seguinte. Até  poucos anos atrás, sem auxilio maternidade! Façam as contas), que têm que dar conta dessa população inteira. 
Na porta, ficamos em 3 internos e 3 chefes (que não atendem, só discutem os casos e dão as condutas). 3 internos, pra 300 pessoas. Que tipo de atendimento é esse? É isso que faz com que uma pessoa classificada como baixa complexidade (dor de cabeça, cólica menstrual, dor em algum membro) tenha que esperar 10h por atendimento. Mas a culpa é do médico (que NEM é médico ainda!)? Sério?
Um hospital universitário é sustentado por estudantes e residentes (também estudantes, em uma especialização). Os hospitais públicos tem uma formação voltada pro SUS, pois eles são parte do SUS. Algumas faculdades mantém o aluno durante um ano da graduação em unidades básicas de saúde. O “gasto” público com nossa formação é TOTALMENTE compensado na própria graduação, uma vez que só atendemos SUS. EXCLUSIVAMENTE. 
Então tem que parar com o discurso de “depois de formado o medico TEM que trabalhar no interior pra compensar nosso gasto com ele”. Não faz sentido exigir que o dinheiro que você paga pra formação dos médicos em universidades públicas seja “devolvido”, e condenar os médicos que querem remuneração justa no serviço público a partir dos impostos que eles também pagam! 
O sistema de Cuba é muito parecido com nosso sistema. O SUS é um sistema baseado na prevenção (o sistema primário, ou as famosas Unidas Básicas de Saúde). O sistema de Cuba é praticamente o irmão gêmeo do SUS brasileiro. Só que sem o setor secundário (serviços ambulatoriais) e terciário (hospitais especializados). Ou seja, pode ajudar só até certo ponto. Nada diferente do nosso. O nosso serviço é falho? Demais. Mas o deles é a mesma coisa! Muda é o tamanho do país.
Um argumento muito usado é que “se fosse feita uma medicina preventiva de qualidade, não precisava de nada disso”. O paciente que morre deitado no chão de um hospital não é por falta de medicina preventiva! Muito menos por falta de médicos! Gente, as pessoas sabem o que é medicina preventiva? Porque se sabem, deveriam saber também que sem remédio, sem exames básicos (raio-x, ultrassom, exame de sangue e urina), não existe medicina preventiva. Medicina preventiva é orientar dieta e atividade física? Sim, mas também é tratar a infecção urinária com antibiótico, pra evitar uma infecção generalizada e a perda de um rim. 
Conversar é essencial, e ajuda a formular HIPÓTESES. Mas diagnóstico mesmo, a maioria precisa de exames complementares. Dieta e atividade física são lindas no papel, mas quantos fazem? A culpa é do médico que não fez prevenção? É, atualmente, impossível se fazer medicina preventiva sem um suporte básico, seja de medicações ou exames. Básico, Lola. Não estou falando de tomógrafos e remédios para câncer, que isso só daria um novo relato.
O médico do SUS é atualmente um profissional desvalorizado e maltratado, que faz milagre pra continuar trabalhando nesse sistema. Tem profissional mal educado? Tem, como existem em todas as profissões! (assim como tem muito paciente mal educado também). Agora, médicos desestimulados, cansados, sobrecarregados, existem aos montes. E é difícil trabalhar de bom humor nessas condições. Pra qualquer um.


172 comentários:

Anônimo disse...

A impressão que dá é que é corporativismo dos médicos. Querem que o governo ofereçam cargos de médico pro interior do Norte pagando 30 mil reais, pra convencer os gostosões a ir. Importar médico vai fazer tapar os buracos e o governo não precisaria pagar tanto pra médicos brasileiros.
Gostei da solução que deram: vão importar pagando salário de 10 mil. Antes, todos os médicos brasileiros terão a oportunidade de ir e ainda ESCOLHER A CIDADE que quer ir, pra receber isso. Vamos ver quantos toparão. Vão ficar vários buracos e aí quero ver qual é o argumento que vão dar pra deixar essas vagas abertas, se eles mesmo provaram que não querem ir.
A estrutura é ruim? É. Mas a solução pra isso é de longo prazo. Enquanto isso, vamos deixar os moradores pobres de cidades pequenas sem médico nenhum? Fora que tem estrutura ruim também em muita cidade do sul e sudeste que não tem problema nenhum, curiosamente, em atrair médicos.

K disse...

Claro que há vários pontos e é uma questão complexa. Não quero resumir em uma pergunta. Mas tem um ponto importante: se houver condições adequadas no interior do Piauí, com um salário bom mas não milionário, por motivos óbvios de que médicos devem ser valorizados e não endeusados, os doutores vão? Há muita gente disposta a morar no meio do nada com lugar nenhum? DUVIDO! Namorei uma dentista por anos, e ofereciam salários altíssimos para que os profissionais fossem a lugares distantes. Sobravam muitas vagas. A estrutura é ruim? Ok, mas esse não é o motivo pelo qual vocês não vão. Pode ser um ponto, mas não é o motivo. Não acho errado escoljer onde morar, é um direito. Agora, fica com corporativismo tão violento sendo que vocês nem querem as vagas...

Precisamos melhorar as condições? Sim. E seria bacana ter visto essa revolta antes, por esse motivo, de uma classe que agora parece tão unida e politizada, "humanista". Mas há médicos até em meio a guerras. Qual a melhor ideia: colocar profissionais estrangeiros para melhorar a situação em locais remotos e, ao mesmo tempo, brigar para que a infraestrutura melhore nesses espaços ou ficar com nariz de palhaço na Paulista, dizendo que ninguém pode ajudar o SUS agora, os pobres isolados que esperem um plano complexo para melhorar a estrutura de todo o sistema?

vou ler mais e posso até mudar de ideia, mas por enquanto me parece que a arrogância dos médicos me faz, cada vez mais, torcer pela vinda dos estrangeiros.

Todo mundo sabe que a infraestrutura precisa melhorar, mas a questão está longe de ser só essa. É muita hipocrisia dizer que não trabalha no SUS apenas por falta de condições.

Anônima da saia disse...

Ah para tudo ne? "Será que saberão preencher um atestado de óbito"? Por favor ne, um medico formado no Brasil ou em Madrid lógico que vai saber preencher um atestado de óbito. Com a pratica lógico que vai saber as vacinas. Por favor. Além do mais a autora diz "em tal lugar se anota hora e temperatura de abertura da geladeira" isso qq medico COMPETENTE em qq lugar do mundo faria,

Eu acho que Brasil deveria aceitar diplomas de qq lugar do mundo em qq área desde e quando o profissional prove ser bom na sua área.

Sou contra revalidação de diplomas porque (eu ja passei por isso pois sou estrangeira) do jeito que é feito eles querem que exatamente as mesmas matérias de lá sejam as mesmas de aqui. Isso é impossível, se vc estuda letras portugues no Brasil vai ser bem dificil revalidar com o mesmo curso de letras portugues em moscou por ex. Aqui terá outras matérias que lá nao como história do Brasil, literatura, brasileira, etc, que lá é so de passagem, lógico pois cada faculdade tem a sua idiossincrasia, se ja é dificil transferencia entre duas faculdades do MESMO PAIS imagina de pais de fora?

Acho valida uma prova (varias provas ate, um tempo de "experiencia e observacao") pra ver que o profissional é COMPETENTE - tanto pra um profissional brasileiro como estrangeiro -, mas querer que o curso de moscou seja idêntico ao da unicamp por ex é ridiculo e impossível, cada faculdade tem a sua idiossincrasia. Mas fazer um puta exame pra ver que o profissional é competente, ai sim, eu concordo.

Abracos

Raquel Torres disse...

lola, lembro-me de ter lido pelo menos duas opiniões de médicos não hostis à medida.

uma, que circulou bastante, é essa: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/medico-brasileiro-comenta-gritaria-da-midia-sobre-medicos-cubanos.html

outra é uma entrevista com a ana maria costa, que, além de médica, é presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes). quanto a isso, diz que a importação de médicos é importante, como medida de caráter emergencial.

mas ela não fala só desse tema e faz muitas outras críticas pertinentes. aliás, essa entrevista foi o único lugar em que vi alguém perguntando a um especialista sobre uma medida bem esquisitinha apresentada pela dilma (no mesmíssimo discurso em que reafirmou o lance dos médicos estrangeiros), sobre o perdão de dívidas pros hospitais filantrópicos. não vi ninguém mais problematizando isso nos grandes meios de comunicação - consequentemente, não vi quase ninguém mais problematizando isso nas rodas de conversa da vida. fico cada vez mais impressionada em ver como os meios de comunicação conseguem pautar nossas discussões, dizer-nos sobre o que vale a pena pensar. mas, bem, já estou mudando de assunto.

enfim, eu respeito a opinião dos médicos quanto a isso, mas, sem querer desmerecê-los, a verdade é que raramente vejo representantes da categoria nos movimentos de luta pelo SUS (claro que há exceções, estou generalizando. os sanitaristas, por exemplo, participam bem). só os vejo esbravejando quando o negócio pode mexer diretamente com a categoria, e é por isso que a gente fica com essa impressão de que o que existe mesmo é corporativismo. e, verdade seja dita, os conselhos de medicina, em geral super reaças, são MEGA influentes e poderosos (um parêntesis para exemplificar: estou grávida agora e, consequentemente, tô lendo cada vez mais sobre parto humanizado, e tal. e é impressionante a força que os conselhos médicos têm para fazer pressão pelo parto hospitalar, contra o acompanhamento pré-natal e do próprio parto por enfermeiros, como vão contra todas as evidências nesse sentido. e como tem tanta gente que dá ouvidos. no rio, a única casa de parto que há chegou a ser fechada anos atrás. um dos únicos lugares que oferecem parto humanizado no SUS na cidade! é foda). e as faculdades de medicina são super elitizadas, então, poxa, infelizmente a maior parte dos alunos é de classe média (bem alta!) e... cara, a classe média costuma ser bem reaça também (de novo: estou falando no geral! sei que há exceções!)

via de regra, pelo menos aqui no rio, meus colegas médicos não foram para as ruas pedir os 10% das receitas brutas da união para o SUS, não foram às ruas contra os processos de privatização do SUS por meio de OS, não foram às ruas discutir o problema dos planos privados.

agora foi anunciado que a galera que se forma em medicina vai ter que trabalhar no SUS. claro que o povo tá gritando contra, também. pô, enche o saco.

Anônimo disse...

Quem estuda Medicina no Brasil é a elite (a grande maioria...) sem vocação e tal. Meu cardiologista é à favor da vinda dos médicos. Eu também. Não há argumento que se sustente...

Maria Valéria disse...

Lola, nao vai ser nenhuma surpresa pra vc que eu tenha adorado os dois textos das estudantes.

Vi ontem a medida que vai obrigar as universidades a estenderem o curso de medicina para 8 anos, em vez de 6, e que nos 2 últimos anos o aluno atenda no SUS, devolvendo a sociedade o dinheiro que foi custeado na sua educação publica ( sim, porque para universidades particulares nao entendo esse raciocínio, ja que o aluno pagou do próprio bolso, mas que queiram estender e humanizar e fazer todos trabalharem no SUS,ok, vá lá)

A principio concordo e acho uma medida bacana, porém faço duas ressalvas :

1- se esse raciocínio e valido, de devolver a sociedade o dinheiro gasto na sua educação, ok, justo, porém por que so com médicos? faz isso com TODOS os cursos de graduação universitária entao,Se o problema são as contas publicas , e o dinheiro gasto nas universidades publicas, nao acho justo que so o medico pague essa conta,
Manda todo mundo de todas as profissões trabalhar no serviço publico por 2 anos e nao se fala mais nisso, todas as profissões.


2 - Ainda que eu concorde que a medida vai humanizar bastante, fico com receio de obrigar todo mundo a atender pelo SUS,.Para atender o SUS nao e qualquer um , tem que ter perfil, tem que gostar,eu trabalho no SUS ha 15 anos e to imaginando um cara que nao gosta atender ali, contra a sua vontade, algo que ele nao escolheu.
Da mesma maneira que nao acho válido obrigar alguém a ser cardiologista, obstetra, ou neurologista por 2 anos,
Ok, legal a medida ,mas to imaginando se a população será bem atendida, quando o cara que estiver lá for alguém que nao gosta, que nao escolheu essa especialização.
Nos todos somos obrigados sim a estagiar em todas as áreas da medicina, gostando ou nao, mas por períodos curtos,to imaginado um cara dois anos fazendo o que nao gosta,mas claro que esse ponto e minha humilde opinião,
Nao seria mais valido, se a questão e devolver pro SUS os investimentos, que deixe o cara se especializar e depois manda atender um período no SUS na especialidade que ele escolheu? faltam cardiologistas, faltam dermatologistas, urologistas, psiquiatras, e muitos outros especialistas que fazem toda a diferença em casos mais graves na condução de um tratamento,
De qualquer forma, minha divida com a sociedade pra mim ja ta mais do que paga.Desde que me formei so atendi SUS, so atendi comunidade carente, e gosto do que faço, ha 15 anos,mesmo tendo diploma de hematologista( nem comentei no guest post porque nao vinha ao caso, mas poderia estar trabalhando num banco de sangue, que dizem, da muito dinheiro, mas escolhi atender o SUS porque me identifico mais e acabei fazendo pos graduação nessa area )
Meu questionamento: será uma boa idéia obrigar o cara a fazer algo que nao gosta? Poderia, como disse, ser um meio termo, deixa o cara fazer a residência no que ele quiser e DEPOIS ele atende por dois anos no SUS, na especialidade que escolheu e de que gosta,
Beijo, querida.
;)

Bruno S disse...

As duas falam muito, escrevem bastante, mas não vejo nada no texto delas que seja impeditivo para que se complemente a necessidade com médicos estrangeiros.

Eu vejo respostas ofendidas a uma medida que tenta tapar buracos de um sistema de sapude para lá de problemático, como se fosse uma questão moral o interesse do governo em contratar profissionais em outros países.

Eu faço uma pergunta a nossos queridos, valorosos e tão magoados médicos. Se houvesse toda a estrutura necessária em cada cidade sem profissionais de nosso país, conseguiríamos preencher todas as vagas?

Como a primeira fala, a estrutura não é algo tão simples assim. Imagino que seja difícil até saber montá-la sem os profissionais necessário.

Outro ponto que me incomoda nessa discussão sobre saúde é ignorarmos completamente os demais profissionais da área. Fica a impressão de que basta o médico e turo será feito ou que na ausência dele nada ocorrerá.

Vejo as demais carreiras da área, como enfermagem, psicologia, nutrição, fisioterapia como disciplinas que sofrem de problemas bem maiores que a medicina e não tem qualquer destaque sobre seus pleitos. Imagino que profissionais dessas áreas veriam com outros olhos a bastante disuctível proposta de trabalhar dois anos no SUS após conclusão do curso.

Outro problema que vejo, voltando ao campo dos médicos, é que as especialidades mais procuradas e/ou melhor remuneradas em nosso país não são exatamente as que são mais necessárias para cobrir as deficiências de nosso sistema de saúde. Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que formações clínicas, como clínica geral, pediatria, geriatria acabam tendo status menor que atividades especializadas como alguns ramos de cirurgia.

Não consigo ter muitas certezas sobre o tema, como escrevi nesse longo comentário, mas tenho a certeza de que temos uma dificuldade muito grande para adequar a força de trabalho Às necessidades do sistema de saúde.

Maria Valéria disse...

Para Raquel, que falou sobre o parto humanizado

Nao entendo qual o problema de deixar as parteiras atuarem, nao entendo mesmo,

Uma conhecida esteve num hospital particular bem conhecido daqui de Campinas, quando teve os filhos dela, e contou que fizeram de tudo pra acelerar o parto, botaram remédio para induzir, sendo que nem precisava, pois os partos dela sempre foram rapidos.
Eu entendo que o medico tenha toda uma agenda , consultório e nao tenha a disponibilidade de ficar 8 horas tocando um parto normal, mas se e assim, qual o problema de por a parteira lá e deixar o bebe nascer naturalmente? Se houver algum problema, a parteira liga pro medico e ele vem, poxa!!!
Eu tenho uma conhecida que mora na Austrália ( ou nova zelandia, esqueci) , e lá os partos são feitos por parteiras em hospital,com a participação do pai da criança, e tudo o mais,se houver problemas, ela chama o medico e pronto, resolve !!

Beijos

K disse...

Não acho que essas médicas estejam erradas em tudo. Ninguém acha que a infraestrutura é excelente. Eu sei que não dá pra fazer prevenção sem recursos. Mas esse discurso de "não seria medicina, seriam atitudes desesperadas";;;Bom, talvez a gente precise de atitudes desesperadas enquanto tentamos melhorar a infraestrutura, não? É obvio que não vai surgir de um dia pro outro condições e infraestrutura. Então, qual a ideia? Não tem energia, não tem aparelhos adequados, se fuderam mesmo, esperem aí a gente ficar com nariz de palhaço pedindo medidas que vão demorar anos?

Porque, sério, eu sei que meu comentário parece agressivo, mas esses médicos parecem estar falando com tanta calma sobre a população de alguns lugares não ter nenhum médico. Em todos os lugares onde não há médicos, as condições são tão precárias, que colocar um médico emergencialmente não mudaria em nada a situação da população? Sério, não dá pra acreditar nisso.

Qual a sugestão dos médicos a curto prazo?

Por mais que as autoras do guest post tenham razão em alguns pontos, o elitismo dos discursos, com direito a dizer o quanto o protesto foi "bonito" e difícil, por ser ao sol do meio dia, me dá ânsia.

Ricardo Arini disse...

A grande questão aqui é: faltam ou não médicos no Brasil? A resposta é só uma: SIM! Independente de falta de infra estrutura, de baixos salários e outros problemas, FALTAM MÉDICOS NO BRASIL!!! Quem não acredita, é só jogar no Google "relação médico-habitante". Comparem a relação médico habitante do Brasil com a dos países europeus. Perdemos de goleada. Aliás, ficamos atrás até mesmo de alguns países da América do Sul. Além do mais, a relação mínima de médico por habitante recomendada pela OMS é exatamente isso: UM MÍNIMO!Não é proibido ter mais médicos. Aliás, é desejável.A concorrência no mercado de trabalho é importante para que se possam escolher os melhores profissionais. Se o doutor "fodão" não quer ir para o interior do Piauí, tudo bem, é um direito dele. Mas a população precisa ter alternativas. Do jeito que está a coisa no Brasil, médico não tem concorrência no mercado de trabalho, e qualquer "zé ruela" (ou "maria ruela") consegue emprego nos grandes centros. E as periferias do Brasil ficam jogadas às traças. Sou totalmente a favor de que o profissional possa se dar ao luxo de escolher emprego, desde que tenha cacife para isso (e não apenas um diploma).

Anônima da saia disse...

Maria valeria, nos países baixos (Holanda e Bélgica) os partos também sao feitos assim naturalmente ate se vc quiser é em casa. Mas qq coisa o medico vem imediatamente.

Claro que lá sao países menos populosos e pequenos. Mas por ex com a minha cunhada foi violento porque era Natal o medico queria que o bebe nascesse ONTEM

Anônimo disse...

Nossa quanta gente medíocre!
Primeiro, esses salários milionários que dizem que pagam aos médicos é só notinha pra jornal, na pratica é bem diferente, quando pagam não é nem 20% que saiu em destaque no jornal... "Nossa realmente esses médicos são mercenários!"
Segundo todo mundo só sabe rosnar mas quero ver alguém fazer algo a respeito, médico tbm tem familia pra sustentar, filhos, quando são designados para o meio da amazônia, onde mesmo ele vai colocar as crianças pra estudar?? Ah é, elas continuarão nos grandes centros, mas estudando com que dinheiro mesmo? Ah é, o tal salario milionário pago aos médicos, que só existe na teoria! pfff...
Muito fácil colocar a culpa nos médicos e ao mesmo tempo dizer que a estrutura é ruim e não se pode organizar tudo do dia pra noite, mas os médicos sim têm que se virar e fazer um milagre do dia pra noite pra atender todas as populações dos interiores que necessitam de tantos remédios e exames que opa! O médico vai fazer uma grande mágica e conseguir suprir essas necessidades!
Ah tem também os médicos estranjeiros, pra que revalidar o diploma né? Gente é tudo igual mesmo! E nós nem temos figuras de linguagem regionalismos, um médico cubano vai logicamente entender o que é uma dor no pé da barriga, dor nas anca (nos quarto), dor nas vista... e por aí vai!
E fazer relatório de quantas vezes abre a geladeira é quase impossível para a grande maioria dos postos de saúde, tendo em vista que todos os funcionários que trabalham lá estão se virando como podem pra antender a fila de pacientes que está dobrando a esquina; é mais ético parar para fazer milhões de anotaçoes ou salvar vidas??
É tudo muito bom trabalhar num posto de saúde que é referencia e tem insumos (muitos insumos) e funcionários em abundância para trabalhar, é o sonho de todo profissional da saúde pública no Brasil, mas não é o que acontece em 99,9% dos casos. Então antes dos experts em saúde pública virem atacar os médicos, vão à um posto de saúde de sua cidade, de preferência os afastados do centro, em regioes humildes e vejam como funcionam e em que condições os funcionários trabalham, e se mesmo assim vc não estiver convencido peça para ver o holerite de cada um deles!

lica disse...

Meu, mas do mesmo jeito que não faz sentido colocar médico sem geladeira pra vacina, não faz sentido colocar geladeira pra vacina sem médico.

Do que me consta, estão sendo liberados mais investimentos em estrutura também. segundo o próprio presidente do CFM, sobra dinheiro que foi alocado na saúde, pq o sistema é emperrado e os hospitais acabam sem tempo pra usar a verba que foi destinada.

é muito bonito esse discurso de que não é corporativismo, mas gente... eu tenho um dos 'melhores' planos de saúde do país e o atendimento é uma droga.

Tem que pagar 340,00 numa consulta no particular, numa capital, caso contrário só tem consulta pra 3 ou 4 meses pra frente...

Médico acha que é o único profissional que sofre pra se formar, que exerce uma profissão que exige responsabilidade pois lida com vida, que tem carga de trabalho puxada...

Para com isso gente, acorda pra realidade do país... Daqui uns 20 anos as exigências da classe de vocês vão começar a fazer sentido por aqui... Por enquanto, me desculpem... estou a favor do plano emergencial.

Maria Valéria disse...

Bruno,

Vou tentar responder sua pergunta, se faltar algo na resposta vc me pergunta de novo, ok?

Nao moramos na cidadezinhas por 2 motivos:

O primeiro a a falta de estrutura sim.Nem aqui em Campinas , que a cidade grande, deixa de ter problemas, que dirá nesses lugares perdidos,

O segundo e falta de plano de carreira - e nao falo especificamente de salário,Falo de dar oportunidade pro medico mudar pra uma cidade maior , por promoção, tanto por tempo de serviço como por merecimento,Porque em cidadezinha de 10 mil habitantes, com raras exceções, normalmente as pessoas nao querem morar,!!

Entao, como poderia funcionar ? Faz o concurso nacional ou estadual,vc passa no concurso,o governo escolhe onde vc vai morar, nao você.
Com o tempo, vc pode ser promovido pra outra cidade maior e e assim sucessivamente, se assim desejar, e um inciante ocupa sua vaga da cidadezinha (com delegado de policia e assim, sei porque meu pai e delegado)
Alias, aqui em Campinas que e cidade grande tambem faltam médicos clínicos gerais!!!

A situação e bem complexa, mas a maior parte nao quer porque no particular ganha mais.estao errados? ...se uma empresa paga um salário ora vc e outra paga o dobro, ou vc ganha o dobro sendo AUTONOMO o quente vai escolher? Perceba, isso e generalizado, com todo mundo, nao so com médicos,

Eu acredito que se houvesse o plano de carreira como sugeri, mais a estrutura,os médicos iam querer essas vagas sim,
E nem falo de salários tao altos, sim, acho que exagerei no post , nao precisa ser alto que nem de juiz( medico tambem erra e tambem pode ter humildade de reconhecer que errou ou que exagerou),
;)
Beijos,

Pipoca disse...

Olha, mesmo em lugares onde não há luz, há possibilidade de geradores serem implantados. Se realmente for no meio da floresta amazônica (e não são todas as cidades sem médicos que ficam no meio da floresta), aí realmente, vai ter que ter um dia especial que a vacina vai num cooler e etc.
Eu não sou médica, mas sou cientista da área biológica, o que não me faz especialista no assunto de forma alguma, mas não me faz completamente leiga.
Fora os exames de ultrassom e raio-X, todos os exames de sangue e o preventivo podem ser mandados para o laboratório, que não precisa necessariamente ser do lado do local onde se faz a coleta.
Eu penso que medicina é uma profissão para a qual é necessário paixão, mas não a considero coisa de pessoas santas. E existe sempre no discurso do médico esse viés da santidade por atender no SUS ou por ganhar 2500 reais como residente. Será que eles não sabem quanto ganha um recém formado em outra área? Ou quanto é uma bolsa de mestrado?
Eu dei aula na escola pública sem ganhar nada enquanto estava me formando, porque isso era parte do aprendizado (assim como os internos, no hospital). Mas nunca pensei em mim mesma como "coitadinha". Isso não foi mais que minha obrigação.
Eu entendo que os médicos podem e devem lutar por melhores condições de trabalho, mas ainda penso que não tem médico em cidades pequenas e "desinteressantes", não porque os médicos não existam, mas porque eles não querem ir para lá. Se tiver alguém que queira ir, acho válido e ótimo.

Maria Valéria disse...

E complementando a resposta ao Bruno,:'psicólogos , nutricionistas, fisioterapeutas são tao necessários quanto o medico,

Nessas cidadezinhas nao costuma nem ter vaga pra esses profissionais, nao sei se eles estariam dispostos a ir, se houvesse,

Eu tenho paciente que ja ficou com seqüela porque a vaga de fisioterapia demorou e a lesão era seria( fratura, entorse) ou porque simplesmente o ortopedista ' esqueceu' ou nao se importou em recomendar a fisioterapia para o paciente que ele mesmo tratou,..

E digo isso por experiência própria, alias, porque ja sofri um entorse no tornozelo que foi salvo pelo fisioterapeuta, alias 90% do tratamento foi fisioterapia e 10% foi tratamento medico.se nao fosse o físioterapeuta ate hoje eu tava mancando,,,,

Aqui tem uma psicóloga pra 18.000 pessoas, aqui , cidade grande, imagina essas cidadezinhas perdidas, nem o profissional nao tem,

Sou da opinião que nao se faz medicina somente com o medico, mas com todos os outros profissionais de saúde,

Abraços,

Maria Valéria disse...

Sim, anônima da saia

Concordo,se o medico quer festejar o Natal com a familia, ok,, mas entao deixa a parteira lá fazendo o serviço, qqer coisa ela liga pro medico...garanto que tem um monte de parteira que nao se importaria de trabalhar no Natal....forcar cesarea ou acelerar o parto so porque tem feriado perto me parece demais pra minha cabeça,
Será que esses profissionais nao percebem que as parteiras iriam auxiliar, dividir o trabalho, e nao disputar mercado?? ....
Tem medico que nao se importa de trabalhar em feriados tambem...
Mas enfim, ...

Anônimo disse...

Gostei da solução que deram: vão importar pagando salário de 10 mil.
-
Vão pagar 20 mil ao governo cubano, disso metade ficará com o "medico" importado, este e o acordo.
nada mais que uma forma do partidão financiar o socialismo de dogma petista a sua matiz.

lola aronovich disse...

Gente, sabe o que eu acho estranho? E não só quando falamos de médicxs, mas de qualquer pessoa? Essa visão que as pessoas têm de que tudo é definitivo e permanente. Não acho mesmo que um médicx com família vai querer se mudar pro meio da floresta amazônica (e a gente tá exagerando ao falar de lugares assim; tem várias cidadezinhas no interior do Piauí, por exemplo, que não são tão abandonadas assim como vcs pensam). Pode oferecer 30 mil reais pra elx que elx não vai. Mas e um médicx jovem, ainda solteirx, talvez recém-formadx? Essx pode muito bem ir. Vai, fica uns 3, 5 anos, depois volta pra cidade grande. Um médico ir pra uma cidadezinha não quer dizer que ele tenha que passar o resto da vida lá.
Eu, antes de acabar o doutorado em Literatura, estava disposta a fazer concurso pra qualquer universidade federal. Se só tivesse concurso numa federal de Rondônia, eu ia pra lá (e não seria pra ficar na capital, mas no interior). Tem um post meu que eu falo de ir pra Marabá, PA, que não é bem uma cidadezinha, mas é meio longe de tudo. Enfim. (com todo o respeito a quem mora nesses lugares! Creio que deve haver muitas vantagens em morar em lugares assim, não só desvantagens). Mas não tenho filhos, e o maridão disse que me acompanharia pra onde eu fosse (já minha mãe disse que não iria pra uma cidadezinha ou prum lugar rural). Mas a ideia não seria ficar o resto de vida no interior de Rondônia. Seria passar alguns anos e depois tentar um outro concurso pruma federal no nordeste. Felizmente pra mim, deu pra pular esta etapa.
O que quero dizer é que ninguém, nem mesmo o governo, cogita que um médicx vá passar o resto da vida no interior de, sei lá, Tocantins. Só alguns anos. Isso não seria possível, e até interessante pra formação desse profissional? (e de outras pessoas de outras profissões?).

Bruno S disse...

Maria Valéria,

somando a estrura ao plano de carreira como instrumentos que garantem as boas condições do trabalho, você acha que teríamos profissionais suficientes para todas as vagas, sem desguarnecer as necessidades das regiões que hoje não sofrem da escassez* de profissionais?

Será que os médicos que temos formados e os que estamos formando são das especialidades que o sistema de saúde necessita nas zonas mais remotas?

* falo da escassez como dado geral, médico por habitante, não entrando na questão de que há hospitais e postos de saúde desguarnecidos em cidades que possuem profissionais em quantidades adequadas.

Anônimo disse...

Pra mim a raiz do problema é o excesso de auto-valorização da profissão médica. Salvo algumas exceções, são pessoas que acham que merecem ganhar salários 10x maiores do que de um professor, por exemplo. Se os salários não fossem tão altos, talvez houvesse mais gente na profissão por compromisso com a saúde, e menos pelo dinheiro, fazendo menos exigências e se dedicando mais.

K disse...

Lola, o que eu acho, e posso estar errada, pois não tenho certeza, é que depende muito da área.

Você iria temporariamente pra um lugar mais distante por ser uma possibilidade mais viável inicialmente pra sua carreira, é isso? Mas no caso de médicos, talvez existam vagas com salários parecidos em cidades maiores, sem que seja difícil encontrar uma colocação assim.

Então, por que optar por algo distante dos centros urbanos? Mesmo que por um período, acredito que a oferta afaste profissionais desses lugares.

Anônimo disse...

"O segundo e falta de plano de carreira - e nao falo especificamente de salário,Falo de dar oportunidade pro medico mudar pra uma cidade maior , por promoção, tanto por tempo de serviço como por merecimento"
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O nome disto e meritocracia dona, e socialistas tem horror a meritocracia.

Anônimo disse...

Entao, como poderia funcionar ? Faz o concurso nacional ou estadual,vc passa no concurso,o governo escolhe onde vc vai morar, nao você.
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Bem vinda ao socialismo, nele tudo pertence ao coletivo, como em uma colonia de formigas, você não e dona nem dos seus sonhos.

Anônimo disse...

O meio da floresta amazonica so conhece um tipo de medico, o militar, a unica forma destes profissionais chegarem a tais lugares, e por meio aereo, e a FAB provem isto a décadas.

Maria Valéria disse...

Lola,

Eu entendo o que vc diz,
Concordo em alguns pontos,

Mas eu, por ex, sendo solteira nao me imagino morando numa cidadezinha assim!! Rsrsrs pra pessoas solteiras e ate pior...nao tem opção de lazer, nao tem cinema...nem falo de coisas luxuosas, mas de coisas básicas,

Sim, o profissional recem formado pode num primeiro momento querer ir pra um lugar desses, sabendo que nao e permanente.
Eu mesma fiz isso, fui pra Iaras,-SP, 5mil habitantes ( ok, eu nao morava lá,morei em Botucatu enquanto isso viajava todo dia a trabalho, sem problemas )
Mas assim que apareceu uma cidade maior com vaga( Araras) o que fiz? Pedi a conta e mudei, claro, sem contar que minha familia ( pais e Irma ) moravam lá,
Se houvesse o plano de carreira, como sugeri, essas mudanças são aconteceriam porque vc seria obrigado a permanecer onde te mandaram ficar ate surgir a promoção,
Enquanto nao houver o plano de carreira,os médicos vao,ficar alguns meses nessas cidades pequenas, e quando surgir algo numa cidade maior vao pedir a conta.

O que nao entendo e qual a dificuldade do governo em criar esse plano de carreira , isso fixaria os médicos nos lugares, pois o cara so poderia sair de onde esta por promoção , caso contrario,perde o emprego e a vaga,

Nao acho que pedir isso seria pedir demais, e nao entendo por que o governo se recusa a criar isso,;))
Beijos querida,

Anônimo disse...

Bom, primeiro ninguém aqui está culpando os médicos de nada. A gente só não se convenceu com o discurso de argumentos fracos que foram dados até aqui.

Já foi dito mil vezes aqui que todo mundo concorda que cada um escolhe onde morar e tal, e que todo mundo sabe que existe falta de estrutura sim e etc, mas que também a FALTA DE MÉDICOS é uma realidade. Então todo esse discurso de que não faltam médicos e sim estrutura (nos cartazes se viu aos montes, tipo, "os médicos estão aqui e cadê a estrutura?")não cola.

Uma coisa importante de lembrar é que apesar de não fazerem o revalida, os médicos que vierem passarão pelas universidades e serão acompanhados por médicos brasileiros, com o tempo o profissional aprende, se adapta, esse papo de não saber sobre vacinas e tal também não cola.

Tem uma coisa que incomoda demais, que é ver essa gritaria toda apenas agora. trabalhei no SUS e toda vez que havia alguma movimentação para pedir melhoria a participação dos médicos era mínima, mas se fosse pra pedir melhores salários, aí apareciam (e a diferença entre os médicos e os outros profissionais já era bem grande). As atividades dentro do hospital de educação em saúde eram todas desenvolvidas praticamente só por enfermeiros e quase não tinham apoio dos médicos. E não era por falta de tempo, pois muitos nem cumpriam a carga horária que deveriam no hospital. Então esse papo de que "está lutando pelo povo" porque "ama o ser humano" pra mim também não cola, conheci poucos médicos assim na vida. E convivi demais com os internos (estudantes de medicina) e confesso que era de dar medo.

Eu gostaria de ver também pelo bem do povo, uma atitude mais fiscalizadora em relação aos médicos. Deles com eles mesmos. Pelo bem do povo poderiam denunciar seus colegas quando estes não cumprirem a garga horária no SUS para atender na sua clínica particular, ou não fazer vista grossa se você por acaso for chefe um dia. Por amor ao ser humano participem ativamente das campanhas pelo parto normal, invertam as estatísticas alarmantes dos hospitais particulares. Quando coisas assim acontecerem aí talvez as pessoas enxerguem menos corporativismo da classe.

Anônimo disse...

ñ li o post mas, sobre o assunto, pra mim é a maior desculpa esfarrapada o que ouvi em protestos de médicos que eles estão protestando por "melhores condições de trabalho".
pra mim, isso é o análogo do "queremos uma melhor educação no brasil" dos protestos anti-cotas. finge-se um ideal nobre, mas o interesse é puramente egoísta.
por favor, desçam do pedestal, senhores.
várias outras profissões (professores, oi?) trabalham na rede pública com péssimas condições, e não parece haver essa falta de profissionais como existe com médicos.
vi eles dizendo q trazer médicos estrangeiros ñ é a solução, tem q melhorar a saúde brasileira.
então esses médicos querem q dilma melhore o sistema de saúde num passe de mágica, e sem médicos estrangeiros ou brasileiros (q atualmente ñ querem ocupar as vagas) nesse processo? como? eles ñ querem participar do período de mudança? eles vão concordar em atuar na rede pública somente qdo a saúde estiver boa?
o q eles sugerem? esquecer o atendimento nas regiões mais necessitadas por um tempo, gente vai morrer nesse período mas serão baixas de um período de transição, daí aplica-se a fórmula mágica pra resolver o problema (e q não envolve médicos brasileiros, pq eles só aceitam atuar na rede pública qdo ela estiver melhor, hein?), q daí esses honrosos senhores aceitarão trabalhar?
e falam em salários tb? médico já é das profissões mais valorizadas aqui.
já ouvi histórias de paciente sendo atendido na rede pública e ouvindo do médico q consulta melhor ele consegue em seu consultório particular. e médicos q ñ cumprem horário de trabalho (de 20h), justamente pq são essenciais e fazem vistas grossas pra isso (se cobrassem frequência, ele mudaria de área onde atua, pra uma q ñ cobra, e aquela q o perdeu ñ consegue outro médico).
desculpa, a saúde é um problema muito grande no brasil, mas ñ para os médicos, é PARA OS PACIENTES principalmente.
médicos aqui parecem seres q se julgam especiais, q acham q merecem enriquecer (reclamar de salário, pf!) e somente atuando nos grandes centros.
se em outros países ñ é assim, q esses médicos venham aqui trabalhar para trabalhar como o resto de nós (sem tantas exigências).

Anônimo disse...

Vamos lembrar que o orçamento federal para a saúde e de 86 BILHÕES DE REAIS, duas vezes maior que o segundo lugar ( educação) maior que o PIB do Uruguay.
Vamos lembrar que os medicamentos enviados para o SUS, que são carrissimos no mercado negro, cheegam mensalmente em carretas, e misteriosamente não duram nem uma semana.
vamos lembrar que tem muito medico no Brasil que bate o ponto, atende duas pessoas e some, aonde vão ? atender em clinica particular que paga mais.
Vamos lembrar que o SUS tem equipamentos comprados a preço de ouro sendo sucateados em galpões, por falta de uso.
vamos lembrar que os hospitais estão em frangalhos, caindo aos pedaços, e misteriosamente são licitados anualmente reformas bilionárias em todo pais.
Vamos lembras que o pátios publícos tem ambulâncias cobertas de pó, que nunca andaram, por falta de combustível.
Vamos lembrar que as empresas terceirizadas( que pagam muito mau, eu sou a prova) que cuidam nos hospitais da segurança,recepção, limpeza etc. tem contratos milionários de primeiro mundo, e oferecem um serviço de quinto mundo.
Ou seja, o problema da saúde no brasil não e medico, dinheiro ou formação, mas sim gestão, e corrupção.

donadio disse...

Muito bem, falta estrutura nos estabelecimentos médicos de muitas cidades do interior. Provavelmente faltam os próprios estabelecimentos em muitas delas.

Quem é que vai demandar a estrutura e a aparelhagem correta? Quem é que toma uma decisão do tipo, "esta cidade aqui precisa de um tomógrafo"? Ou "para um hospital deste porte, são necessárias x mil seringas descartáveis por mês"?

Enfermeiros? O prefeito da cidadezinha? A população, em plebiscito?

Sem médicos, duvido muito que esses lugares sequer tenham condições de saber, quanto mais reivindicar, o que é preciso.

Anônimo disse...

Se a classe médica esta perdendo prestigio é somente por suas atitudes. Pela excessiva arrogância (tipo a Fernanda), por fraudar plantões, não cumprir carga horária no serviço publico porque esta atendendo em consultório particular, por atender um paciente mal e porcamente em cinco minutos, pelo corporativismo descarado ou por ficar empatando a vinda de estrangeiros para ocupar vagas que não tem interesse algum de preencher.
Porque a presença de um médico nestas localidades carentes de tudo, pode sim (e vai) fazer muita diferença. A preocupação é que os médicos cubanos vão mostrar isso e tb evidenciar como a medicina no Brasil ficou elitista e voltada apenas para o ganho financeiro.

Raquel Torres disse...

para maria amélia, que falou do meu comentário sobre partos: não sei se fui clara quando escrevi, mas eu também sou a favor da parteira!

inclusive, se tudo der certo, pretendo parir na casa de parto (onde tenho sido atendida com muitíssimo carinho, por sinal), justamente porque também acredito que médicos não são necessários em partos de baixo risco.

mas eu entendo, sim, qual o problema de deixar as parteiras atuarem: reserva de mercado e corporativismo. e não é só no brasil. vi esses dias a prévia de um documentário sobre partos que tem como fio condutor a prisão de uma parteira (com sei lá quantas mil histórias lindas de partos nas costas) na hungria por conta desse corporativismo.

no rio, o cremerj persegue pesadamente a casa de parto apesar dos resultados belíssimos que ela vem apresentando, é incrível. o CFM também defende com unhas e dentes o parto hospitalar, mesmo que as pesquisas mostrem que, nos casos de baixo risco, o parto fora do hospital oferece até menos perigos do que dentro dele.

é desse tipo de coisa que eu fico com raiva, porque a briga deles não tem nada a ver com o bem-estar e a segurança de mães e bebês.

Anônimo disse...

Por que quando se fala em trazer engenheirxs xs engenheirxs não chiam mas quando é com médicxs xs médicxs chiam?

Anônimo disse...

aliás, o (minúsculo) protesto dos médicos aqui na minha cidade teve uma aparência especialmente estranha.
tinha carro de som, gente em microfone, com um ar todo 'financiado'.
no outro protesto, com reivindicações mais gerais (q reuniu 100 mil pessoas), ñ vi um carro de som - talvez houvesse, mas ñ vi -, pq era gente comum, ñ "paga pra protestar", digamos assim.
enfim, ficou claro o contraste.

Maria Valéria disse...

Eu gostaria de ver também pelo bem do povo, uma atitude mais fiscalizadora em relação aos médicos. Deles com eles mesmos. Pelo bem do povo poderiam denunciar seus colegas quando estes não cumprirem a garga horária no SUS para atender na sua clínica particular, ou não fazer vista grossa se você por acaso for chefe um dia. Por amor ao ser humano participem ativamente das campanhas pelo parto normal, invertam as estatísticas alarmantes dos hospitais particulares. Quando coisas assim acontecerem aí talvez as pessoas enxerguem menos corporativismo da classe.


Concordo
E eu acredito sim, que tem muitos profissionais que nao cumprem a carga horária,
Mas aqui onde trabalho, e em todos os lugares onde trabalhei, nenhum era assim.
Inclusive, em Iaras, um colega meu que trabalhava junto comigo, um dia o carro dele quebrou( ambos viajávamos a trabalho de Botucatu), e no meu primeiro dia de trabalho fiquei sabendo que ele trabalhava lá, e que o carro dele tinha quebrado e que ele pagou um taxi para ir ate Iaras ( 80 km de Botucatu ) pra nao deixar a população sem atendimento,
Entao, todos os que conheci ( acho que sou privilegiada nesse sentido ) no SUS sempre foram muito corretos.
Se um colega começar a folgar como vc diz( e acredito que aconteça) eu vou ser a primeira a reclamar, porque nao acho justo eu e os outros ficarem se matando pra atender os pacientes do cara que folga e nao cumpre o horário,dele.
So, que nesses casos, a maior culpa e do gestor/ chefe da unidade que faz vista grossa e finge que nao vê,
E verdade sim, que possa rolar chantagem " mas vc nao vai achar outro medico pra por n meu lugar" , mas errado ta o gerente que cede a essa chantagem emocional.
Basta colocar falta injustificada n ponto, juntar testemunhas, provas, e exonerar o cara,nao e ta simples mas tambem nao e impossível se o chefe quiser fazer,
E nem sempre os gerentes de postos de saúde são médicos, a minha gestora por exemplo e enfermeira.
Entao nao procede o que muitos falam, que os gerentes de unidades são coniventes por corporativismo porque são médicos, porque muitos nao são médicos,basta ter nível superior: tem gestor que e medico, dentista, enfermeiro , assistente social, e por ai vai,
Entao o medico que falta ao trabalho e culpado sim, mas a maior culpa e do gestor que e conivente com isso e aceita passivamente, sem fazer nada.

Maria Valéria disse...

Raquel,

Eu nao sou obstetra, entao nao posso falar com muita propriedade, mas ainda sou a favor de que o parto seja no hospital ( porém, com parteira!!!) ;))
Porém tem amigas obstetras que tem me mostrado estudos que evidenciam que o parto de baixo risco, feito em casa nao tem problema algum e e bem mais seguro que em hospital.
Por enquanto , nao estou totalmente convencida de que poderia ser feito fora do hospital, ( estou pensando e me informando mais) ,mas sem duvida, sou a favor da parteira.
Beijos;)

Anônimo disse...

Ou seja, o problema da saúde no brasil não e medico, dinheiro ou formação, mas sim gestão, e corrupção.
-----------
Exatamente!

Mas... Se tudo fosse malhavilhoso em relação a gestão, ainda faltariam médicos no Brasil.Uma opção para melhorar isso a longo prazo é o governo investir (com bolsas e programas de incentivo) na formação de jovens de classe baixa. Querendo ou não, ainda é uma profissão de elite. É difícil para um jovem sem estrutura estudar de forma integral.

Além do mais, tem uma outra questão sobre a qual eu gostaria de entender mais, é o tal Ato Médico. Pelo que eu li (superficialmente), se eu quiser procurar um psicólogo para fazer uma orientação vocacional, por exemplo, terei que passar por um médico antes ? É isso mesmo?

patricia. disse...

Acho complicado opinar sobre esse assunto, minha opinião a respeito é meio dividida.

É fato que falta médicos.É fato também que a infra estrutura de muitos hospitais do SUS deixa MUITO a desejar,mesmo nas capitais.

Não sou contra trazerem médicos de outro país. Minha opinião de leiga é que seria uma boa solução de curto prazo, especialmente porque pelo que andei lendo eles tem treinamento para atender em situações bastante precárias.

Na minha opinião a revalidação do diploma, ou pelo menos um treinamento para atender na rede pública daqui é bastante importante.
Não sei como será o processo, mas não acho que seja seguro colocar pessoas que nunca trabalharam aqui e que tiveram um treinamento diferente do nosso para atender no SUS sem pelo menos serem avaliadas.Trata-se da saúde e da vida de seres humanos.

Acho que talvez seja necessário uma reeducação da população também. Digo isso porque meu pai sempre trabalhou em hospitais públicos(porque ele escolheu)e um dos maiores problemas é exatamente o que foi citado no texto: a questão do atendimento em urgência/emergência, ou seja, setores que são especializados(ou pelo menos deveria) em casos que necessitam de atendimento imediato(acidentes,viroses,crise de apendicite e por aí vai). Resumindo, em várias situações, que não se enquadram no setor urgência/emergência, o paciente deve marcar consulta, mas uma grande parcela da população não sabe disso, o que acaba por exacerbar a quantidade de pacientes na área de urgência/emergência.

Meu pai trabalha no IJF, que é provavelmente um dos maiores hospitais daqui de Fortaleza, e surpreendentemente, são raríssimas as vezes que eu escuto ele reclamar de falta de material e equipamento. Pelo contrário, um amiga minha sofreu uma queimadura de terceiro grau e o médico do convênio pediu que ela fosse ao IJF, porque os profissionais de lá estariam mais aptos a ajudá-la.
O único departamento de toxicologia da cidade também é lá. Ou seja, se você sofrer um envenenamento grave, obrigatoriamente terá que ir para o IJF.
Enfim, pelo menos no caso desse hospital, o atendimento de determinados setores não deixa nada a desejar, inclusive, por vezes são até melhores que hospitais particulares. O problema está justamente na urgência/emergência, que a demanda da população é muito grande e não há médicos o suficiente.

Anônimo disse...

"Entao o medico que falta ao trabalho e culpado sim, mas a maior culpa e do gestor que e conivente com isso e aceita passivamente, sem fazer nada."

bom, eu diria q a culpa de quem falta é do médico, ponto.
e o "aceitar passivamente" envolve a preocupação desse gestor em preferir q esse médico atenda poucos, q nenhum médico atenda nenhum paciente. sabe, ele está preocupado com "vidas de seres humanos", como a médica do texto diz estar preocupada.
qdo houver concorrência, esse gestor poderá reportar esse médico, sem preocupação em ñ conseguir substituí-lo, que é uma preocupação COM OS PACIENTES (oh, a raridade!).

Anônimo disse...

"médico tbm tem familia pra sustentar, filhos, quando são designados para o meio da amazônia, onde mesmo ele vai colocar as crianças pra estudar?? "

Quem tá obrigando os médicos daqui a ir pra esses lugares longínquos?? NINGUÉM. A questão é, vcs não vão e querem impedir que médicos de fora tapem o buraco???? Depois nós é que somos medíocres.

fernando hist disse...

Acho que faltou elas dizerem que o Revalida é uma ferramenta corporativista da classe médica e que ele tem um índice de reprovação de 92% e que depois que ele foi instaurado caíram em 80% os médicos que conseguiram regularizar o diploma no país. Que é uma prova feita para barrar médicos estrangeiros e proteger a reserva de mercado de consultórios e planos de saúde privados. Nesse ponto não tem como negociar com o corporativismo dessa classe profissional.

Elaine Pinto disse...

1) Há um enorme déficit no número de médicos brasileiros. Segundo a própria CFM, o Brasil tem 371.788 médicos. Países com o mesmo grau de desenvolvimento econômico que o Brasil têm, em média, três médicos para cada mil habitantes, ou seja, hoje o Brasil precisa de 600 mil médicos.

2) A criação de vagas em cursos de ensino superior para suprir esse déficit, que precisa com certeza ser feito, só terá resultados daqui há seis, oito anos, que é o tempo de formação de um médico.

Então, com tudo isso, o que a gente faz com a população do interior que precisa de atendimento HOJE, AGORA? Essa é a grande questão que nenhum médico respondeu.

Elaine Pinto disse...

Pra enriquecer o debate, eis um texto do Último Segundo com médicos favoráveis à vinda de médicos: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-07-05/eles-defendem-a-vinda-de-medicos-estrangeiros-para-os-rincoes-do-pais.html

Anônimo disse...

A medicina é uma das profissões mais elitistas desse país. Não meninas, me desculpem: não vejo a maioria pedindo por melhorias estruturais no SUS como vocês. Vejo a maioria pedindo a manutenção de privilégios e do status de "deus" que os médicos gozam no Brasil - já nos mostrava Machado em O alienista...

Anônimo disse...

Gente, não é só pra cidadezinha q os médicos n vão n...Moro no interior de MG, cidade com mais de 100 mil habitantes e aqui tem especialidades q tem apenas 01 médico: resumindo...Eles fazem o que querem, chegam a hora q querem...pq sabem q ninguem fará nada contra eles mesmo, afinal não há quem colocar no lugar! Também faltam profissionais nos postos de saúde (apesar dos concursos públicos e editais - com bons salários).Fico imaginando nestes lugares onde nem clínico geral tem.As pessoas devem ter medo até de abrir a boca na consulta pq "vai q o dr fulano estressa e vai embora...sabe-se lá qdo aparecerá outro". Na minha opinião, em caráter emergencial o governo tem q fomentar a vinda de médicos SIM!!!Logicamente,a infraestrutura tem q melhorar e MUITO..mas a falta de médicos é gritante e não é somente no Norte/Nordeste n!!

Maria Valéria disse...

Elaine,

A resposta pra sua pergunta , pros pacientes que precisam de atendimento HOJE, esta no meu ultimo comentário do guest post que a Lola citou, que fui eu que escrevi.
Nao vou transcrever aqui porque e muito longo, mas da uma olhadinha lá.;)
Se nao houver nenhuma outra solução, por mim, ok, que venham médicos de qualquer nacionalidade ocupar essa vagas, somente espero que tenha lá no minimo as medicações de que eles e os pacientes precisam, senao nao vai resolver,
Beijos

Maria Valéria disse...

qdo houver concorrência, esse gestor poderá reportar esse médico, sem preocupação em ñ conseguir substituí-lo, que é uma preocupação COM OS PACIENTES (oh, a raridade!).

Concordo,em parte

Mas concorrência no SUS, que eu conheça, so se faz de um jeito, aumentando o salário e melhorando as condições de trabalho,( lei de mercado, que vale pra qualquer profissional, nao so pra medico )
Se nao for assim, nao adianta trazer médicos estrangeiros pra cá.Os médicos do SUS continuarão migrando pra atender no particular ou faltando ao trabalho,.... e espero que seja exigido do estrangeiro o mesmo rigor com horários que com o brasileiro,senao tambem nao adianta,
Entao, nao vejo concorrência com a vinda dos estrangeiros, pois o que atende mal normalmente nao ta nem ai pro trabalho dele no SUS e vai ficar com o consultório particular dele, se for o caso, larga o do SUS ...
O conselho de medicina pode ser acionado caso haja falta em plantao, e considerado falta grave faltar em plantao, mas que eu saiba so em plantao,nao sei se ha punição do conselho para quem falta em atendimento em posto de saude sem justificar(em minha opinião,deveria ter)
Ainda assim, os conselhos de medicina so podem dar punição administrativa,como advertência ou suspensão, nao podem demitir ninguém
Fica um circulo vicioso que ninguém consegue romper, a nao ser que alguém queira mesmo demitir o medico que falta, ou riscar o ponto, cortar o salário dos dias que ele faltou,
Entendo o que vc diz, mas enquanto ninguém fizer nada porque " melhor um medico ruim do que nenhum medico" a população continuara a mercê daqueles que atendem mal...

Concorda ??
Um abraço

Luiza Original disse...

Tá, falta a estrutura básica.

E se houvesse? Tudo certinho, até no meio das árvores na Amazônia? Quantos médicos ainda iriam? Porque afinal, "onde seus filhos estudariam", não é mesmo?

E eu nem vou começar a falar no Ato Médico, porque como profissional da saúde, sinto formigas subindo pelos braços quando penso nisso.

Patty Kirsche disse...

Como Pipoca mencionou, a bolsa de mestrado atualmente paga (Capes e CNPq) é de R$1500,00 mensais por até 24 meses e somente para quem não exerce atividade remunerada. Significa que eu me dedico exclusivamente à pesquisa e não posso ter outras fontes de renda. Alguém vai dizer que pesquisa não é importante? Produção de conhecimento é a base do progresso de qualquer país. Mas essas são as condições da carreira. Tenho colegas da mesma turma de graduação que ganham o triplo na iniciativa privada.

Patty Kirsche disse...

Eu respeito as opiniões contrárias à vinda de médicos(as) do exterior, mas não consigo ver argumentação sólida.

A situação já está clara. Não há número suficiente de profissionais para suprir a demanda do país inteiro, havendo uma concentração nas regiões mais urbanizadas. O que faremos com isso?

Ora, se os(as) médicos(as) preferem morar na capital, morem. Mas não consigo entender uma classe não querer um emprego, mas não querer que outros(as) peguem o emprego. Já foi dito que médicos(as) brasileiros(as) terão a prioridade das vagas, já foi dito que os(as) estrangeiros(as) vão passar por provas...

Sempre essa questão da estrutura, mas a estrutura precisa ser melhorada em conjunto com as outras questões. Não adianta ter equipamento sem ninguém pra operar. É um plano emergencial. Fora que trazer profissionais estrangeiros é uma forma de fazer intercâmbio de conhecimento. Francamente, não consigo ver essa medida de maneira negativa.

° Emy ° disse...

Lola, agradeço demais pela indicação do texto da Márcia Denser. Ela expressou muito bem o que eu penso a respeito. E todos os guests posts que você postou sobre o assunto, só reforçaram a ideia que eu tinha. No mais, sou a favor da vinda dos médicos cubanos, bolivianos e sejam lá quais forem pra sanar os problemas que os nossos "profissionais" não estão dispostos ou não possuem “as devidas condições” – nunca né (Ahan, agora senta lá Cláudia!).

Simone disse...

Lola, muito obrigada pelos parabéns! Mil perdões por não ter respondido o e-mail com a minha opinião a respeito dos médicos estrangeiros, mas comecei a redigir um texto e, 4 horas depois, o bendito tinha 7 páginas! Enfim, darei agora, de maneira sucinta.
Bem, eu sou favorável a vinda desses médicos. Acredito que, mesmo com condições de trabalho, infra-estrutura e plano de carreira, ainda existiria um déficit importante, principalmente em áreas mais afastadas. A questão principal gira em torno de como avaliar esses profissionais. Concordo com o governo quando eles dizem que se estes médicos prestarem o Revalida, estariam habilitados a trabalhar em qualquer local do país por tempo indeterminado e não haveria comprometimento com essas áreas mais carentes. Por outro lado, é imprescindível que eles sejam avaliados para aquilo que se propõe fazer: isto é, para tocar a atenção básica nesses locais em caráter de urgência.
Pra estender um pouquinho o tópico de “avaliações”, também apoio que é preciso avaliar os alunos quando finda a graduação, já que a qualidade do ensino médico é muito heterogênea no país. Acho que para profissões que possam colocar a vida de uma pessoa em situação de risco ou vulnerabilidade, como as da área de saúde, engenheiros e advogados, essa seria uma medida de proteção à população.
A respeito de médicos recém-formados atuarem na atenção básica, fico um pouco mais receosa. O médico da estratégia de saúde da família (ESF) precisa ser o mais completo dos médicos, já que precisa ter vasto conhecimento das mais diversas áreas da medicina, como obstetrícia (realização de pré-natal), pediatria (doenças mais prevalentes na criança e puericultura) e ginecologia (preventivo e infecções, DSTs), além de saber conduzir as principais doenças da clínica médica em geral. Essa noção de que a atenção básica é simples, que exige “menos conhecimento/experiência”, não se aplica a realidade. A existência de residência médica e pós-graduação em Saúde da Família corroboram essa minha afirmativa, já que se fosse suficiente os 6 anos de graduação, esses cursos seriam desnecessários.

Vitória disse...

Sem querer desrespeitá-las pelamordedeus, mas ri quando a autora do segundo post disse que a maioria dos médicos amam o ser humano e que escolheram a profissão para salvar vidas. Sinceramente, não sei em que mundo vc e seus outros colegas médicos vivem (por favor me diga para eu ir atrás de vcs quando ficar doente), mas o que eu vi durante a minha vida inteira foram pessoas escolhendo essa profissão para ganhar $$$. Foi mal, mas é isso que eu vejo, com exemplos bem claros dentro da minha própria família.

Não é a toa que o curso de medicina é o mais elitista do país. Seja na universidade pública ou na particular, ele é praticamente inatingível para a maioria dos mortais. Sério, quem tem R$4.000,00 para pagar de mensalidade (no caso das particulares)? Qual família tem condição de pagar o melhor colégio da cidade para o filho ir se preparando desde o primário para sentar em uma cadeira na universidade pública (na minha cidade esses colégios chegam a ter mensalidade de R$1.000,00 para EDUCAÇÃO INFANTIL!)? Só quem tem essas condições financeiras pode mandar um filho para fazer medicina. Aluno de escola pública que passa no vestibular de medicina é um GÊNIO, que aparece a cada 1000 anos! A exceção da exceção, e eu confesso que nunca conheci nenhum!

Quando vcs falam que ninguém quer ir para o interior pela falta de estrutura, me pergunto se mesmo com estrutura vcs iriam. Pq é muito fácil morar no centro-sul, em uma cidade de porte médio a grande, com shopping, teatro, lojinhas, baladinhas, muita azaração e cheia de oportunidades para vcs. Pq mesmo que a maioria dos médicos do país estejam concentrados aqui, ainda assim não falta oportunidade de trabalho, seja em instituições particulares ou no SUS. Poxa, já anunciaram programa que concederá bolsa de R$10.000,00 para quem trabalhar 3 anos no SUS (e médico brasileiro terá preferência) e mesmo assim reclamam. Será que é pq acham R$10.000,00 muito pouco? Sério mesmo? Será que a maioria dos médicos tem noção de que um bolsista de doutorado ganha MUITO menos que isso?

Quanto ao revalida ele não será aplicado aos médicos estrangeiros justamente para eles não saírem das áreas mais críticas, pq uma vez com revalida ele poderá ir para o lugar que quiser, trabalhar onde quiser e por quanto tempo quiser, podendo abandonar o lugar onde foi lotado. Isso não significa que não terá nenhum tipo de controle sobre eles, que não terá nenhum tipo de critério, por favor né?

Então tudo o que o governo propor para melhorar a saúde eu sou favorável, desde a vinda de médicos estrangeiros, até essa medida atual de aumento de dois anos de curso, com estudantes trabalhando no SUS, até as melhorias físicas na saúde. A estrutura que vcs tanto cobram.

E ainda vou além: acho que devem haver medidas para os cursos de medicina deixarem de serem tão elitizados. Colocar cotas REALMENTE acessíveis (pq do jeito que está nem com conta um pobre/negro entra), ampliar a quantidade de cursos, etc. Chega de ser um monopólio da classe média branca que nem se identifica com o paciente!

Dani disse...

Nao sei se ja postaram, opiniao de um medico a favor da importacao de medicos: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-questao-da-vinda-dos-medicos-cubanos-para-o-brasil

Anônimo disse...

1-Textos horríveis parecidos com textos de adolescentes.

2- Não convenceram,parecem replicar o pensamento dos medalhões da medicina.Infelizmente o governo está fazendo muita coisa errada, mas e os CRMs nesse tempo, o que fizeram?

3-LOla, na próxima traga pessoas com mais tarimba.

Rafa.

Ta-chan disse...

Os médicos brasileiros pensam que são semideuses.As médicas do guest post, falaram e não disseram nada de novo.Falta infraestrutura?Falta.Mas um clinico geral bem formado pode fazer muita diferença!Ontem vi uma matéria em um noticiário sobre uma mãe em trabalho de parto que teve atendimento negado numa UPA do Rio de Janeiro, pq eles não tinham obstetra e nem ambulância pra levá-la pra outra unidade.Uma mulher que passava pela rua fez o parto.Gente pelo amor da Mãe, como pode um clinico geral não estar preparado pra fazer um parto?
Sem contar os atendimentos MARAVILHOSOS que são praticados pelos médicos, não apenas do SUS, mas também de convênios e particulares!
Consultas que duram o máximo de 5 minutos, mal te olham, tem nojo de te tocar nem mesmo medem a pressão e já te dão o diagnostico: É verme/É virose!
Medicina deveria ser exercida por vocação, não por status e dinheiro como vcs fazem!

Anônimo disse...

Não consigo entender essas mulheres com essa história de parto humanizado... Parto é para ser feito no hospital de preferência bem equipado com equipe médica.

Aí vem " a pq antigamente só existiam parteiras..." .Vcs já conversaram com alguma parteira? Já ouviram como é quando algo não está "no curso natural"?

Procurem parteiras experientes, não essas da Prefeitura do Rio e conversem um pouco, ouçam o oytro lado da história, parece q vcs romantizam parto humanizado , mas a realidade é bem diferente.

Marussia de Andrade Guedes disse...

Eu, como médica, sou a favor da vinda de médicos estrangeiros, de preferência, cubanos.
Algumas considerações :
Há uma carência global de médicos no Brasil. Esta carência é grave em muitos locais do norte e nordeste para onde a maioria dos médicos não quer ir, mesmo com "estrutura" e bons salários. Não falta trabalho para médico nos grandes e médios centros. Médico adora se fazer de coitadinho mas a verdade é que não falta trabalho e nós ganhamos bem, muito bem. Não é qualquer salário que vai atrair, para o interior, uma classe altamente elitista como a classe médica.
Até pouco tempo só quem fazia medicina era quem vinha de escola particular . De uma turma de 70 alunos somente um ou dois eram de escola pública. Agora tem também os que se formam em faculdades privadas cujos pais, boa parte médicos, podem pagar até cinco mil reais por mês pro filho ou filha ou filhos fazerem medicina. E não me digam que eles pagam tanto só para seus filhos "amarem os seres humanos" . Não vamos ser hipócritas. Pode ser que com as cotas possamos formar médicos que vejam na ida para o interior uma oportunidade de juntar um dinheiro e ajudar a família. Pode ser também que com a formação de mais médicos o mercado nos empurre para lá . A verdade é que nós não vamos para lá por termos opções melhores.
Os mesmos médicos que falam tanto de falta de estrutura são os mesmos que criticam o bolsa família. Eu conto nos dedos os médicos que são a favor do bolsa família. Como é médico reclama de falta de estrutura e critica um programa que garante um mínimo de segurança alimentar para as famílias? É totalmente incoerente e hipócrita. A verdade é que a classe médica é a classe mais reacionária que eu conheço. Os médicos , com exceções , são contra cotas, contra bolsa família, contra PEC das domésticas, em fim , contra programas sociais. O cartaz que a médica segura, "Dilma vá tratar seu linfoma em Cuba", mostra bem o perfil da classe médica.
Nós não temos formação em saúde pública. Os cubanos são muito melhores nisso. Conheço pessoas que já trabalharam com cubanos e que dizem que eles são melhores, disparadamente. Vale lembrar que a mortalidade infantil em Cuba é menor que a dos EUA e que os cubanos também vivem mais que os americanos, embora, em termos de tecnologia, estejam muito mais atrasados.
Ah, se há uma coisa que JÁ funciona aqui no Brasil é o esquema de vacinação, com ampla cobertura e eficácia.
Ah , os mesmos médicos que foram para as ruas são os mesmos que foram contra o programa do governo que incentiva o jovem médico a ir para o interior dando pontos na prova de residência para quem fosse. Claro !
Isso tira vantagens de seus filhos na hora de prestar concurso para residência.
O CFM e a AMB já se manifestaram contra as medidas da Dilma. Afinal , o que eles querem?
Ah , planos de carreira não são a solução .mos juízes , de quem os médicos burramente costumam ter inveja, só podem ter um emprego. Os médicos podem ter vários vínculos públicos e privados . No final , a soma do que se recebe em cada um destes vínculos dá muito mais do que o que um juiz ganha. É uma questão de mercado. Como eu já disse, nós ainda podemos escolher não ir para o interior. Então deixemos que vá quem queira ir!

Nic disse...

Agora tem que ter um post com propostas de melhorias para a saúde, por que só médico acha que o problema da saúde é só falta de estrutura...

paula disse...

Lola, completamente fora do assunto, mas achei que vc gostaria de ver:

http://www.upworthy.com/dustin-hoffman-breaks-down-crying-explaining-something-that-every-woman-sadly-already-experienced-3?g=3

Ricardo Arini disse...

Tem gente questionando por que não exigir uma contrapartida de todos os cursos universitários, e não apenas de quem cursa Medicina. Simples: porque Medicina é o único curso que tem retorno garantido. Não há desemprego na área médica e os salários são bem maiores do que das outras profissões, como engenheiro e advogado, por exemplo (tô falando de valores médios, né? Não vale citar o Antônio Cláudio Mariz de Oliveira ou o Márcio Thomaz Bastos como exemplos).Portanto, nada mais justo do que dedicar dois anos da vida atendendo pessoas humildes das regiões distantes do país. Acho que não vai fazer falta, né? Tem gente de outras profissões que fica um tempo desses DESEMPREGADO...

Elaine Pinto disse...

Maria Valéria: "A resposta pra sua pergunta , pros pacientes que precisam de atendimento HOJE, esta no meu ultimo comentário do guest post que a Lola citou, que fui eu que escrevi".

A parte de comentários daquele post está uma barafunda, então me perdoe, mas não vou ficar catando... Tá muito confuso, não consigo achar nada lá.

"Se nao houver nenhuma outra solução, por mim, ok, que venham médicos de qualquer nacionalidade ocupar essa vagas, somente espero que tenha lá no minimo as medicações de que eles e os pacientes precisam, senao nao vai resolver".

Concordo. Concordo 100%. Mas veja que estou abordando um aspecto diferente: é a falta de profissional. Conforme postei com dados do próprio CFM, faltam mais de 200 mil médicos no Brasil para que a cobertura de atendimento seja razoável. Não é mais só questão da distribuição desigual dos médicos brasileiros pelo território, não: é falta simples e pura de profissionais. Mesmo que os médicos fossem redistribuídos, ainda faltariam 200 mil médicos. E não há equipamento e material que supra esse déficit, infelizmente.

Anônimo disse...

tanta reclamação só mostra como médicos são mesquinhos,acho q devem ser poucos os que fazem medicina pq gostam,o resto é por dinheiro mesmo.
eles n querem ir pro interior e ninguém mais pode ir??
falta estrutura mas falta muito médico bom tb.

evito ao máximo ir em médico,mal olham na sua cara na hora de te examinar,como querem ganhar mais e mais dinheiro,agendam consultas para mais pessoas do q seria ideal para um dia,vc marca um horário e te atendem 4 horas depois.

uma vez passando mal fui na emergência, demorou pelo menos 1 h para me atenderem,fiz exame,depois de 3 h me aparece um enfermeiro falando q meu exame simplesmente tinha sumido!?
por isso q tanta gente prefere se medicar sozinho do q procurar médico.

Anônimo disse...

Primeiramente, eu achei o texto da Simone muito condescendente, bem no estilo, "deixa eu desenhar pros ignorantes", o que é absolutamente desnecessário. Ela pontualmente fala de diretrizes específicas de prevenção do Ministério da Saúde, relacionadas à vacinação, que não poderiam ser cumpridas pelos médicos cubanos, exceto se passarem pelo REVALIDA. Entretanto, ela não relaciona quais seriam os diagnósticos que poderiam ser feitos com muito menos estrutura do que a mencionada (vide: http://www.brasil.gov.br/sobre/saude/cuidados-e-prevencao/medicina-preventiva). Ressalto, ainda, que é possível ao SUS, inclusive, firmar parcerias com laboratórios particulares, ainda que em caráter emergencial, a fim de suprir a demanda de exames laboratoriais que seriam gerados pelos atendimentos médicos em locais afastados. Estabilizada a demanda, seria possível a instalação de laboratórios públicos. Deste modo, a legislação permite que os médicos comecem a trabalhar e, após, seja criada a estrutura. O contrário não é possível, de forma alguma. Se for criada a estrutura e ela deixar de ser utilizada por falta de profissionais, falta esta que já era conhecida pelo administrador antes da estruturação, pode implicar em responsabilidade por improbidade, pelo mal uso do recurso público.
Pela forma como o SUS está estruturado, nos locais onde funciona, os médicos nas pequenas cidades deveriam fazer os TFD (que é uma guia para tratamento fora do domicílio) nos casos mais graves, que exijam especialistas. Também há a possibilidade de encaminhamento para exames, consultas e tratamento com especialistas a ser realizados em centros de referência. O SUS já prevê que não haverá um equipamento para mamografia em cada cidadezinha, nem um cirurgião ortopédico em cada município, mas o profissional adequado para dizer aos moradores das cidadezinhas que precisam ir a outro local buscar um tratamento específico é, sim, o médico do interior. Sem ele, a demanda do sistema fica prejudicada e fica impossível estabelecer prioridades na destinação de recursos. Um município que encaminhe, por exemplo, 10 solicitações de mamografia por mês a um centro de referência, implica em uma demanda que, junto a outros municípios da região, poderia levar à destinação de recursos para aquisição de um novo mamógrafo. Entretanto, se não houver médicos encaminhando a solicitação em 4 entre 10 desses municípios, a demanda não justificará a aquisição e os recursos terão outra destinação. As pessoas atendidas pelo centro de referência, por outro lado, enfrentarão a sobrecarga de serviço cada vez que um médico assumir, ainda que provisoriamente, suas funções nos municípios afetados.
Moro no interior de SC e o pouco que vejo funcionar, funciona assim. A meu ver, a vinda de médicos para o interior é indispensável para a correta destinação de recursos. Por isso, simplesmente a falta de estrutura não é motivo para não haver médicos no interior. Na verdade, sem médicos, jamais haverá estrutura adequada. A quem mais cabe o diagnóstico inicial que orientará a demanda de recursos?
(continua)
Carol

Anônimo disse...

(continuação)
Já o que a Fernanda escreve, em linhas gerais, significa que não faltam médicos somente no interior. Ela menciona a situação específica de um grande hospital e a consequente sobrecarga dos poucos médicos que lá trabalham. Ela não menciona que a estrutura do hospital é insuficiente, ela diz que são poucos profissionais para atender muitas pessoas. E esse argumento é um tiro no pé, pois o SUS um pouco melhor estruturado, com as demandas devidamente identificadas (como mencionado acima) implicaria em menos atendimentos não-emergenciais em tais locais, pois o atendimento básico seria descentralizado.
Mas, para tal descentralização, eu volto a repetir, é necessário que um médico vá até o interior e identifique a demanda regionalizada, sob pena de aumentar ainda mais o desperdício de recursos públicos.
Não que eu defenda que venham os médicos cubanos indiscriminadamente. Só acho que é absolutamente inútil exigir a validação do diploma estrangeiro na forma atual. Acho até perigoso, pois os médicos com o diploma validado, poderiam vir a requerer asilo político e trabalhar no Brasil não somente naquilo que o contrato com o Governo cubano os limitar. Acho que caberia a revisão do REVALIDA, ou criar um específico para esses médicos, que teriam sua atuação direcionada, garantindo um conhecimento mínimo.
Carol

Carla Mariano disse...

Marussia... Palavras perfeitas!

Maria Valéria disse...

Marussia,

Tenho que concordar em alguns pontos com vc,

Obrigada por me fazer refletir,

PS: eu sou a favor do bolsa familia, com o qual alias, o posto de saúde onde trabalho mexe( eles cadastram as famílias lá na unidade) , e nao tenho duvidas de que muita gente saiu da faixa a pobreza com o auxilio do bolsa familia,

Eu era radicalmente contra cotas, nao prestei universidade publica porque achei que meus pais nao podiam pagar....ate ouvir da minha mae,anos depois, que se eu tivesse passado so numa particular e fosse meu desejo fazer medicina,eles iam passar apertado, mas dariam um jeito de pagar,
Ouvir isso da minha mae me sensibilizou muito,a favor das cotas.ate porque se eu nao tivesse passado medicina numa publica como foi o caso teria feito farmácia , ou biologia ( minhas segundas opções ) e nao seria frustrada de jeito nenhum!!

Eu nao sei omde vc mora, mas moro no estado de SP, governado pelo PSDB ha 20 anos, e como os paulistas amam esse partido( acho que menos eu, rs, ) claro que são contra os programas sociais realizados pelo PT e vivem fazendo piadinhas, criticando,...
Eu nem converso com meus amigos sobre política, pra falar a verdade finjo que concordo pra nao dar briga desnecessária...


Alex Catarino disse...

Sobre o Revalida, tenho uma sugestão:
É para revalidar? Então vamos revalidar TUDO e TODOS. Ora, a OAB não tem exames para entrar? Então TODOS os médicos, formados em universidade pública e privadas nacionais e internacionais vão ter que fazer um MESMO teste nacional para ter o CRM.
Assim garantimos que os médicos formados em universidades nacionais são tão bons quanto dizem. O que eu duvido, tendo em conta as notas baixas que alguns tiveram em provas de aferição do ENAD (http://www.escolasmedicas.com.br/news_det.php?cod=1546).
Além disso, garantimos ainda que o revalida não seja usado como um instrumento corporativista tal como o fernando hist mencionou.

Anônimo disse...

O comentário da Marussia foi um dos melhores que li sobre o assunto. Vamos falar a verdade: a maioria dos alunos de medicina é de classe ALTA, seja nas públicas ou nas particulares. Uma amiga faz medicina numa pública e já perguntei quantos alunos de escola pública há na turma dela. Três ou quatro de um universo de 180 pessoas. Muito mais aqueles que moram em palacetes dos bairros nobres, tem carro do ano e demais facilidades. Aí vejo a nova choradeira, de que dois anos a mais na faculdade de medicina vai fazer com que demorem mais para entrar no mercado de trabalho: como se realmente, na maioria dos que fazem medicina, tivessem urgência nesses dois anos para a própria subsistência! E pouquíssimas pessoas das que conheço (e por acaso conheço bastante gente que fez ou faz medicina) o fez pela vocação: fez pelo status, pelo dinheiro, para jogar na cara que vai ganhar 6 mil reais recém-formado pra trabalhar 12 horas (qual outra profissão tem isso? Até mesmo minha cunhada engenheira recém-formada recebe menos - e olha que os salários em engenharia são bem bons). Claro que não é um "vamos tacar pedra nos médicos pq eles ganham dinheiro", mas que os argumentos que ando vendo soam mesmo como crianças mimadas que perceberam que o mundo não gira ao redor dos umbiguinhos de branco, isso soam.

Anônimo disse...

Sou medica, me formei em 2007 numa universidade publica do RJ e em 2010 vim pra Suiça continuar minha especialidade, logo sou considerada por essas bandas medica estrangeira! Sou totalmente a favor dos medicos estrangeiros no brasil, cubanos ou nao.... Nao entrarei na discussao sobre infra estrutura do sistema pois acredito que a discussao dos medicos estrangeiros esta inserida num projeto muito maior e nao como estrategia para nao falar do "verdadeiro problema".... Nao vejo o governo negligenciando a falta de estrutura e a necessidade de uma melhor gestao dos recursos de saude, entao parto do principio que tais medidas serao feitas juntamente com a discussao do papl atual do medico.... A formaçao do medico apos a graduacao precisa ser revista com urgencia e as residencias medicas revistas no que diz respeito ao programa, duracao, remuneracao e supervisao! Aqui na suiça pais infinitamente menor, existe o mesmo problema de falta de medicos em lugares afastados sobretudo nas areas montanhosas. Por aqui todo medico qd se forma tem q passar 2 anos na chamada " periferia" , ou seja em clinicas, postos de saude ou hospitais distntes dos grandes centros, nao universitarios, onde pratica-se uma medicina menos academica e mais assistencialista, mas nao menos essencial na formacao de um bom profissional. Aqui o sistema funciona, existe estrutura, aparato tecnico, tudo que ainda falta no vrasil, e ainda assim volte e meia surgem na midia discussoes sobre falta de medicos... Acredito que as residencias no brasil deveriam ter sua duracao aumentada, e que sim, os medicos recem formados devem ir pra " periferia" mas com estrutura, supervisao e remuneracao como deve ser! Ao meu ver, deve ser feito no ambito regional, co uma organizacao de cada estado com suas universidades e o SUS... Agora a decisao da Dilma de por estudantes, eh somente uma solucao mais barata pra uma ideia de boa essencia! E nao deixa de ser revoltante...

Aline

aiaiai disse...

olha só, eu ia ler e tals, mas:

a primeira médica ou quase médica já começa assim "visto que a ignorância é IMENSA..." ou seja, como vcs são burros, vou tentar explicar tintin por tintin. Ó poderosa quase médica, vai ralar um pouco p ver se consegue sair do seu mundinho de privilégio...

a outra diz q foi nas manifestações e não viu nada de ofensivo. Po, vc não viu o cartaz da médica dizendo q achou o dedo do Lula? E aquele com fotoshop na boca da dilma p boca virar um CU?

lamentei.

Maria Valéria disse...

Acho que quando o medico fala em falta de estrutura, precisa explicar alguns pontos com mais clareza,
Eu mesma nao fui clara.

A estrutura e o seguinte : ter o minimo pra o paciente nao morrer na sua mão,nao estou exagerando,
Nao estou nem falando de coisas caras, estou falando do básico do básico,que custa barato mas faz uma grande diferença,

Ja trabalhei sem remédio pra asma, e embora emergências sejam raras, asma nao e uma emergência incomum,
E queria muito que alguém que sofre de asma viesse aqui me ajudar a confirmar, que numa crise de asma grave , sem o medicamento em 5 min a pessoa morre,sim, morre.
Nao to falando de crises mais leves, mas das graves e que nao são incomuns( umas duas ou três por semana atendidas omde trabalho, em media)
Eu sei que todo mundo cita a prevenção,etc, estao corretos,mas no dia que UMA emergência desse tipo ( rara) acontecer com o SEU parente, normalmente vc nao vai querer saber se tinha o remédio ali ou nao,
Vc vai querer que o medico o salve,
E claro que nesses casos,( com exceção de alguns que irão entender que a culpa nao e nossa) a culpa vai ser do medico .
Muitos nao entendem o que um processo , como o que o medico vai sofrer nessa hora repercute na vida de um dele digo porque ja vi relatos: acaba com a vida e com auto estima, quando nao acaba com a carreira do cara .

Outra coisa : quem citou a gestante que nao foi atendida em trabalho de parto porque os médicos nao eram obstetras.ta errado, meu deus,
Nao se pode cobrar que um medico saiba fazer tudo,acho que antigamente sim, pois a medicina nao era tao subdividida em especialidades, e o ensino era mais global, mais amplo.mas hoje em dia nao e mais assim,
Mas mesmo assim, o medico tem no mínimo que receber aquela gestante e nao abandonar,pode ser que nao saiba fazer parto sim, assim como um cardiologista nao e obrigado a entender de pediatria,
Mas somos obrigados a atender,pelo menos a tentar atender,vale pro clinico que recebe um parto ou um cardiologista que recebe uma criança passando mal e nao pode negar atendimento porque nao e pediatra.pode sim, dar os primeiros socorros e solicitar transferencia pra um hospital, mas nao pode abandonar o paciente a própria sorte, na calcada, porque nao e especialista,
Alias o medico e obrigado a atender uma emergencia, qualquer uma,mesmo que seja radiologista ou que seja legista, nao importa, e medico!!! Atenda, se vire da melhor forma possível e chame o samu ou pede ajuda se nao conseguir resolver, mas nao abandone o paciente, nunca!!!



Anônimo disse...

Sou servidora do INSS no interior de Santa Catarina e gostaria de deixar o seguinte relato:
Para quem não sabe, o INSS precisa contratar médicos peritos por meio de concurso público, tendo em vista que somente os médicos fazem as perícias nos casos dos benefícios por incapacidade (auxílio-doença e aposentadoria por invalidez).
Os médicos peritos no INSS tem plano de carreira, fazem o concurso para 40 horas semanais, mas como eles trabalham no atendimento ao público fazem apenas 30 horas e o salário inicial está em torno de R$ 10.000,00 (inicial, pois com o plano de carreira este valor vai aumentando). Também existe a possibilidade de remoção para centros maiores.
Mesmo dentro destas 06 horas diárias eles somente fazem 24 perícias médicas, que eles mesmos impuseram sob pena de que todos iriam pedir exoneração do cargo se tivessem que fazer mais que isso!
Pelo que sei, pelo menos é a realidade da minha região, o INSS tem uma das melhores estruturas do serviço público federal . Para a realização das perícias não são necessários materiais caros e nenhum médico faz qualquer intervenção cirúrgica (também não precisa de hospitais e nem de remédios).
Eles atendem as pessoas e verificam se estão ou não incapazes para o trabalho.
O INSS não constrói Agências de Atendimento em municípios com menos de 20.000 habitantes (existem exceções).
Vocês acham que isso são boas condições de trabalho? Com certeza!
Mas querem saber? É a maior dificuldade para contratar estes médicos e mantê-los no cargo!
Não estou dizendo que o trabalho deles é fácil, com certeza a responsabilidade grande!
Só que quando são abertos os concursos, quase ninguém se inscreve e passam apenas 01 ou 02 pessoas por posto de atendimento, com notas baixíssimas! Sim, eles mesmos falam que não estudam para esses concursos, que resolveram fazer por fazer e quando são chamados para assumir o cargo acabam nem aceitando e por aí vai
Qualquer coisa que acontece (por exemplo, que precisam produzir mais ou que precisam atender melhor as pessoas), eles dizem que vão pedir exoneração, como de fato já aconteceu. Há uns 05 anos o Ministério Público Federal denunciou alguns médicos peritos devido ao acúmulo ilegal de cargos no serviço público (por exemplo, tinha médico que tinha 40 horas no INSS, mais 30 horas no Estado, mais 20 horas no município e ainda tinham consultório particular), eles faziam as perícias dentro de 01 hora e já iam trabalhar em outro lugar. E o que os médicos fizeram? Pediram exoneração e ficaram indignados, pois, todo mundo faz isso de ter vários vínculos de emprego, mesmo que a carga horária ultrapasse as 24 horas diárias!!!!
Todos os gestores sabem da situação! Mesmo com todas estas boas condições de trabalho, eu e tantos outros servidores do INSS vemos estes médicos saírem durante a jornada de trabalho para trabalhar em outros lugares e nada acontece!
Outro dia falei com o Gerente Executivo aqui da minha região sobre esta situação e ele disse que se pressionar demais os médicos, eles vão pedir exoneração e aí as perícias vão atrasar.
Estou dizendo que as condições de trabalho são boas, pois eu mesmo as vivencio! É claro que temos algumas incomodações, mas que profissão não tem?
E, ainda, os médicos peritos são campeões em denúncias por mau atendimento!
E então, gente? Analisem comigo: o INSS tem uma carreira para médicos com plano de carreira, possibilidade de remoção para centros maiores, bom salário, boas condições de trabalho (muito mais para os médicos peritos do que para os servidores administrativos) e mesmo assim o INSS enfrenta os mesmos problemas das outras áreas para contratar médicos!
Gente, os municípios aqui da região são estruturados e são raros os postos de atendimento do INSS em lugares com menos de 20.000 habitantes.
Alguém me explica o motivo de mesmo com boas condições de trabalho (claro que não é paraíso!) ainda assim existir esta dificuldade em contratação de médicos?
Fica o relato.

Elaine Pinto disse...

@Alex Catarino: A CFM já quer implementar algo similar ao exame da OAB. Começou em 2012 com um teste na regional de SP, o Cremesp: taxa de 54,5% de REPROVAÇÃO. http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=NoticiasC&id=2714

E quanto ao corporativismo no Revalida, há fortes indícios de que aconteça sim. Os próprios médicos cubanos, em Portugal, conseguem média de 70% de aprovação na validação do diploma. No Brasil, a taxa é de 10%. Acho no mínimo curioso - para não dizer estranho e suspeito - situações tão díspares.

Anônimo disse...

"Por mais que seja difícil acreditar, nós AMAMOS o ser humano. São poucos os que fazem Medicina “pra ganhar dinheiro”"
Sério ?

Maria Valéria disse...

Anônima das 16:49

Exceto pela exigência de no maximo 24 consultas em 6 horas ( sim, perícias tambem são consultas , podem demorar, pois o perito tem que examinar o paciente e ainda ler relatórios e um monte de exames feitos pelo medico assistente- entao, seria 15 min de consulta, acho absurdo uma perícia ser feita em 5 minutos, vai ser mal e porcamente feita , com perdão da palavra)- entao essa exigência eu considero correta, mas exceto por essa nao vejo razão por que os peritos nao querem atuar ai onde vc esta,
Pode ser , ( uma das razoes?) mas nao conheço peritos para confirmar,e que muitos ja foram ameaçados pelo pacientes se nao concederem o beneficio,isso li em notícias daqui de Campinas, e do perito aqui ganha muito pouco comparado ao que ganham ai,
Mas e bem verdade que tem perito que atende de qualquer jeito, que atende mal, que nao ta nem ai, que da laudo dizendo que o paciente pode trabalhar quando ta na cara que o paciente tem uma doença ocupacional e deveria ser aposentado por invalidez...
Eu tive um paciente que foi super bem atendido por um perito, recentemente, mas e a exceção da exceção.a maioria deles reclama do atendimento,
Com exceção da duração da consulta ( porque em menos de 15 min nao vejo como se pode atender bem, veja comentarios acima reclamando de medico que e olha na sua cara e atende em 5 min)nao sei que outras queixas eles tem,
Espero ter te dado uma luz...rsrsrs ;)) bjs




Nanda disse...

Oi gente!
Eu sou a Fernanda do segundo relato, e não imaginava que meu e-mail fosse virar um guest post... Mas agora que já virou, vamos lá!

Primeiramente peço desculpas se pareci arrogante, pois não foi a intenção. Escrevi o e-mail logo após chegar em casa da manifestação (e repito, na manifestação que estive presente, NÃO vi nada do que já comentei no post...), estava emocionada e empolgada com todo o apoio da população que vi, porque eu sinceramente achei que não teríamos apoio algum!

Gente, sou recém formada, ainda me especializando... Não tenho conhecimento do Brasil inteiro, e quis passar um pouco da minha realidade... E sim, meus colegas (da graduação e da residencia) amam o que fazem... Eu amo o que eu faço!
Não estou fechando os olhos pra realidade de que tem gente ruim em todo lugar! Mas estou falando da minha experiência... Que é muito pequena!

Pra quem pergunta se eu iria pro interior trabalhar por 2 ou 3 anos? Sem duvida nenhuma! Não vou ser hipocrita e dizer que iria pra qualquer lugar, porque eu detestaria ir pra Amazônia, mas aceitaria muito bem ir pro interior do nordeste, do mato grosso, de santa catarina, ou qualquer outro lugar que não seja floresta... hehe! Assim como tem gente que vive louco pra ir pra floresta (e se fosse mentira, as vagas de médico militar pra esses lugares não seriam preenchidas todo ano).

Em relação aos 2 anos a mais de graduação, sou absolutamente contra! Obrigar um aluno que não tem vontade de fazer clínica a atuar como clinico é um absurdo! Vão colocar alunos que estão lá OBRIGADOS pra atender uma população extremamente carente. E alunos não podem ser responsabilizados pelas suas condutas... Alguma duvida que vai dar errado?
Agora, como disse uma comentarista mais pra cima, colocar esses 2 anos dentro da residencia de clinica medica seria PERFEITO! Pra mim, transformar o PROVAB em 2 anos a mais de graduação é cobrir a má distribuição de médicos com a mão de obra mais barata que existe...

Enfim... desculpem o comentario enorme!

Nanda disse...

Elaine, as taxas de reprovação no exame do CREMESP tão altas foram devido ao boicote organizado... Já que não foi dado a opção de não comparecer, os alunos que participaram do boicote (alunos da Unicamp, Usp, Unesp, Marilia, entre outros) marcaram B em todas as alternativas, levando a média das notas lá pra baixo...

Falo porque participei do boicote, devido nossa postura contra o TIPO de avaliação proposto (e não contra uma avaliação aos estudantes, que fique claro).

Beijos

donadio disse...

Maria Valéria:

"E queria muito que alguém que sofre de asma viesse aqui me ajudar a confirmar, que numa crise de asma grave , sem o medicamento em 5 min a pessoa morre,sim, morre.
Nao to falando de crises mais leves, mas das graves e que nao são incomuns( umas duas ou três por semana atendidas omde trabalho, em media)
Eu sei que todo mundo cita a prevenção,etc, estao corretos,mas no dia que UMA emergência desse tipo ( rara) acontecer com o SEU parente, normalmente vc nao vai querer saber se tinha o remédio ali ou nao,
Vc vai querer que o medico o salve,
E claro que nesses casos,( com exceção de alguns que irão entender que a culpa nao e nossa) a culpa vai ser do medico."

Bom. Se sem remédio contra asma o paciente morre, mesmo com médico para atender, eu suponho que sem remédio e sem médico, o paciente morra do mesmo jeito, não?

Entretanto, se num posto de saúde no interior não tem médico, como é que o medicamento vai chegar lá? E se chegar, quem é que vai aplicar, considerando que só médico pode receitar?

Aliás, pode ter posto de saúde sem médico?

De verdade, eu quero entender isso. Como é que esses postos vão de repente ganhar uma "estrutura" (que, pelo visto, não é estrutura, é material de consumo) sem profissionais de saúde que explicitem ao poder público qual é a estrutura, ou o material de consumo, que é necessário? Tem algum tipo de profissional habilitado a requerer da Secretaria Estadual de Saúde ou do Ministério, ou a assinar uma solicitação de compra de material desse tipo, sem envolver uma disputa sobre as atribuições específicas de médico? Quem são eles? Enfermeiros, técnicos de enfermagem, administradores, contínuos?

E se, digamos, um administrador solicita a compra de x unidades de remédio contra a asma - que teoricamente só podem ser receitados por médico* - sabendo que não tem médico no município para prescrever o remédio, quais as consequencias?

* Ao que eu saiba, é, e o Ministro Padilha parece que concorda comigo (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-05-31/padilha-remedios-gratuitos-para-asma-so-poderao-ser-distribuidos-com-receita-medica):

"O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou hoje (31) que a distribuição de medicamentos gratuitos contra a asma, prevista para começar na próxima segunda-feira (4), só poderá ser feita mediante apresentação de receita médica. Atualmente, mais de 20 mil drogarias em todo o país já aderiram ao programa Aqui Tem Farmácia Popular."

Sério, me parece óbvio que, se não tem estrutura, em grande parte pelo menos é por que não tem médico.

Lucila disse...

Estou profundamente ofendida e decepcionada com esse post. Não dá mais para ser leitora de seu blog, Lola. Há pouco tempo, quando as manifestações inflaram, você fez alguns posts no qual dizia que não queria lutar ao lado de quem tem causas erradas. Bem, é na rua que se dá a disputa. Nestes espaços, blogs, twitter e facebook, coloca-se nossa posição. Embora você argumente que os guest posts não refletem sua opinião, as suas escolhas refletem. E, claramente, elas indicam de que você está do lado oposto ao meu, nesta questão. E, esta, me é muito cara, porque sou de origem interiorana, minha alma o é e sinto pelas restrições de quem vive no interior do Brasil. Esse é o verdadeiro Brasil. E saúde, no meu dia-a-dia, é uma luta constante. Quando a vejo dando espaço para posicionamentos tão superficiais, de jovens totalmente alienadas sobre a realidade que criticam, com argumento debochado de que são feministas que lhe enviaram e-mails, percebo que seu enfoque sobre o assunto não é sério. Houve inúmeros posicionamento que poderiam fazer um contraponto ao post de Mª Valéria, mas você escolheu voltar ao assunto, dando espaço a duas moças inexperientes, que compram um discurso vazio, montado pelo CFM. Aqui, mesmo, inúmeros posicionamentos contrapõe as visões apresentadas por elas, sem necessidade de muitos dados técnicos, só conhecimento e bom senso. Só há duas justificativas para mais um post equivocado sobre esse assunto: ou você concorda com os pontos de vista exposto ou procura, apenas, mais clicks por aqui. Nenhuma dessas é digna de orgulho.

lica disse...

Lola, você achou sua médica dando opinião a favor da vinda dos estrangeiros e pra 'mandar a real' (rs, não resisti) pros outros médicos.

A Marussia arrasou! Acho que ela falou o que todos nós pensamos!!

Patty Kirsche, a bolsa de mestrado teve o segundo reajuste? Até março ainda era 1350,00.

Teresa Silva RJ disse...

Puxa Lola, logo você que combate sexismo, xenofobia e coisas parecidas botar essa foto da Dilma com desenho obsceno e relacionando cubanos com palavrão. Que bola fora.

Que tal um guest post da Marussia de um médico a favor da importação de médicos?

lola aronovich disse...

Lucila, pode apostar que um posicionamento de um médicx CONTRA o aborto daria mais clics do que este -- que, aliás, está gerando pouquíssimas visitas. Talvez eu publique o da Marússia, que é médica aqui em Fortaleza e é a favor da importação. É só que, com a notícia de ontem, das mudanças na grade curricular de Medicina, da proposta do governo, o foco mudou um pouco, e várias outras coisas entraram na discussão. Mas eu fico pasma que, mesmo deixando claro o MEU POSICIONAMENTO sobre o tema na introdução, vc deduza que eu tenho a mesma opinião das médicas. Acho que vc não compreende o meu blog, Lucila. Aqui é um espaço de discussão, e a caixa de comentários prova isso. Eu gosto de debate. Em geral publico guest posts que se alinham a minha linha de pensamento, mas não sempre, e mesmo nesses que têm posição parecida a minha, é raro eu concordar 100% com alguém. Se vc se decepciona comigo e com meu blog quando há guest posts ou opiniões minhas contrárias ao que vc pensa, só posso dizer que demorou, porque duvido muito que vc concordasse com 100% de tudo que está escrito aqui. E, se vc continuar visitando o blog, prometo te decepcionar muito mais vezes. Mas, se não vier mais, adeus.

Anônimo disse...

Para o anon das 15:29. Sobre o parto humanizado.

Você não deve mesmo entender porque afinal é homem e talvez por isso insensível à causa. Nesses casos sou radical: não engravida? não opina.
E uma correção, o parto humanizado prevê o parto em casa ou casas de parto e já é comprovado que este é adequado em casos de baixo risco, mas ele pode sim ser realizado em hospitais com equipes médicas, basta que essas equipes queiram, estudem e os hospitais respeitem mais as escolhas das mulheres e o que está previsto em lei (acompanhante por exemplo).

Em relação ao post, nenhuma novidade em relação ao anterior da Maria Valéria. Não convence. Fiquei muito feliz de ver que os comentaristas são mais conscientes e está demonstrado que esse discurso não engana ninguém.

O comentário da Marussia Guedes diz tudo que eu gostaria de dizer.

Ana

lola aronovich disse...

Teresa, a foto é ilustrativa do que rolou nessas manifestações, e até certo ponto contradiz a opinião de uma das médicas, que diz que não viu nenhum cartaz contra a Dilma ou os cubanos. Só porque ela não viu não significa que esses cartazes não existiram... Desculpe, mas uso imagens para ilustrar os posts com muitos objetivos. Algumas imagens de fato "ilustram" o que está sendo dito, outras contradizem, outras trazem mais reflexões... Pra este post (que está longo pra caramba) selecionei mais de 50 fotos. E, ao contrário do que faço na maioria dos posts, coloquei as imagens aleatoriamente, sem me preocupar muito em que trecho do texto estava colocando qual. Eu poderia ter colocado aquela da Dilma e os (c*)banos bem no parágrafo em que é dito que não houve manifestação desrespeitosa. E, quando lido com fotos, lido com fotos pequenas. Nem vi a montagem. Entendi o que o cartaz estava dizendo, mas não vi que substituíram a boca da Dilma por um c*. Super baixo nível, mesmo. Daqui a pouco a moça da foto aparece pra querer me processar por expô-la ao ridículo...

renpmelo disse...

Assim como o guest post da Maria Valéria, vejo que essa máfia de branco está mais interessada em agredir deliberadamente os leitores do que buscar uma reflexão. É tipo uma birrinha mesmo. Birrinha elitista de quem está com medo de perder privilégios.

E os médicos ainda querem ser respeitados, tsc tsc tsc.

Anônimo disse...

fico feliz porque de repente a classe medica resolveu lutar pelo sus e pela saude publica, que de agora em diante participarao das decisoes politicas que envolvem sua profissao e que sempre que uma cidadezinha de interior tiver o minimo de 'estrutura' nao vai faltar medicos formados e assiduos por la. eh a minha torcida sincera.

Anônimo disse...

Sou médica.

Primeiro, quem falou aí que é uma absurdo os médicos não quererem trabalhar no INSS, onde ganha bem e tem plano de carreira, e que eles fazem "somente" 24 perícias em 6 horas, não tem a menor noção do que está falando.

Já trabalhei no INSS e, felizmente, pedi exoneração após menos de um ano de trabalho. O trabalho é péssimo! Horrível! As perícias deveriam durar no mínimo 20 minutos. Na nossa agenda não há tempo sequer para ir ao banheiro ou ficar conversando na copa como fazem os técnicos.
As perícias são agendadas em sequencia, e eventuais retornos com documentos não entram na agenda, temos que encaixar, diminuindo ainda mais o tempo para as perícias.

Isso sem falar da falta de segurança. Médicos peritos do INSS são agredidos e já foram assassinados.

Não voltaria a trabalhar como perita do INSS nem por 100 mil.

Anônimo disse...

Anônima das 16:49 para Maria Valéria:
Maria, eu coloquei isso para enfatizar que as condições de trabalho são boas no INSS.
Eu também concordo com as 24 perícias por dia, ocorre que eles conseguiram isso na base do "ou vocês nos dão ou pedimos exoneração". Tudo bem, conseguiram...acho que é uma coisa boa para o segurado da Previdência.
Só que as perícias continuam sendo feitas em 05 minutos para que sobre tempo para ir atender em outro local de trabalho, entende? Esse é o problema (também não posso dizer que são todos os médicos peritos que fazem isso, porque com certeza tem exceções).
Quanto à questão do salário, o médico perito do INSS recebe o mesmo salário em qualquer lugar do Brasil. Não tem como um médico perito do interior de SC ganhar mais do que um de SP (existem as diferenças de salário por conta da carreira, ou seja, quanto mais tempo de INSS maior o salário, ou se algum deles tem alguma chefia, ou tem redução da jornada de trabalho para 20 horas). Claro, existe a questão do custo de vida, que com certeza aqui em SC é menor do que em SP.
Esqueci de falar que o cargo de médico perito do INSS não exige dedicação exclusiva, ou seja, eles podem ter outros vínculos de trabalho.
Aqui na minha região não existe muito este problema de ameaças a médicos peritos, mas as reclamações sobre mau atendimento dos médicos via ouvidoria são grandes (claro que sempre tem os segurados que dizem que estão doentes e, na verdade, não estão! E como têm!). Sem brincadeira! Já ouvi médico perito dizer para segurada do INSS que ela não melhorava porque era gorda, bem assim: "sabe qual é o seu problema minha senhora? É que a senhora é gorda!" Agora, imagine isso sendo dito para uma pessoa depressiva!
Esse problema de ameaças a médicos existe, mas aqui na minha região é muito raro (digamos que é 01 caso por ano). Por isso, os médicos peritos exigiram que deveriam ter vigilância nas portas de seus consultórios médicos e conseguiram também! Tá aí, mais uma boa condição de trabalho!
E não acontece somente com os médicos, mas com os servidores administrativos também e não vejo ninguém se importando quando acontece com o simples servidor.
Então, Maria, é possível dizer que aqui na minha região eles têm boas condições de trabalho e mesmo assim o atendimento é ruim e é difícil de mantê-los nos cargos, por isso, para mim, o argumento de que "os médicos só vão para o interior se tiver boa infraestrutura" não me convence, devido a eu testemunhar estes exemplos!
Maria, tenho certeza que você é uma ótima profissional e que se importa com as pessoas. Você deve conhecer outros profissionais comprometidos, mas acredite, a maioria não é como você!

Anônimo disse...

Outro motivo que faz os médicos se afastarem do interior é o MEDO. Ser o único ou um dos únicos médicos da região significa ter que atender de tudo: adultos, crianças, fazer partos, pequenos procedimentos, e isso a qualquer hora. E a maioria do médicos (eu inclusive) não está preparada para isso.

Qualquer coisa que der errado, o médico é o culpado e será, além de punido, exposto à mídia como o diabo.

Luiz F. disse...

Caraca, agora que eu percebi o ânus na boca da Dilma! Hahahahahah sensacional!

Os médicos estão demais, hein?

Maria Valéria disse...

Donadio


Entendo seu comentário,
Vou tentar explicar algumas coisas,
- quem faz as contas de quantos medicamentos devem ser comprados para a doença tal nao e o medico do posto de saúde.,claro que se nao tiver o medico lá, nao adianta muito.Mas , existem algumas exceções, como por exemplo, se chegar um paciente grave e nao tiver medico para atende- lo, o pessoal da enfermagem pode ligar para o Samu , que numa emergencia pode orientar o que deve ministrar ao paciente ate chegar o Samu.( e nesses casos , enfermeiros podemf fazer a medicação sim)
Entao, nao ter um remédio barato, que salva vidas, nao e admissível, mesmo que o posto esteja temporariamente sem medico.existem outros profissionais de saúde que podem e devem tomar algumas condutas na ausência do medico,o que ja falei anteriormente, que acredito em equipe multiprofissional
E o posto de saúde tem inúmeras atividades que independente do medico( como vacinação) ou pode distribuir remédios prescritos inclusive se a receita for de medico particular ( tem muito paciente que vai pegar , ou de outro posto ou de particular )
Entao, nao acho valido o argumento de que antes de ter o remedio( que e essencial) tem que ter o medico,


Nao sei quem define a compra de tantos frascos de um medicamento,mas em minha opinião acho que e alguém da secretaria de saúde depois de feito um estudo da região junto com o pessoal da vigilância epidemiologica, vou me informar sobre e depois venho postar aqui.

O que nao e admissível e ter o medico e o medicamento faltar, ainda mais se tratando de um medicamento barato,, essencial, como exemplifiquei.porque ai ,se ser algo errado, ....a culpa vai ser posta no medico.

Nao acho que estou pedindo demais, somente o minimo,

Entendeu?;)

Um abraço, se tiver alguma duvida pergunte,

Anônimo disse...

Colega técnica do INSS, os médicos batem ponto eletrônico no computador. E com isso perdemos muitos minutos de manhã, pois só após o computador ser ligado e digitarmos nossa senha, começa a contar o nosso ponto.

Mihaelo disse...

Onde os filhos dos medicos vao estudar nas cidadezinhas da Amazonia? Na escola ora bolas!Em todos os rincoes do pais tem uma escola e as professoras que la trabalham passam a vida inteira na cidadezinha e nunca morreram ou deixaram de trabalhar, mesmo sendo concursadas e ganhando salario minimo.Chega de burguesice e hipocrisia!Obs:O teclado daqui(EUA) nao tem acentos.

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Eu gostaria de comentar três casos que conheço:

- caso 1: mulher em sua primeira gestação engorda 30kg em seis meses. A GO que a acompanha pede apenas o monitoramento da pressão, que chega à 16 por 12 e a gestante é internada no hospital em que ela fazia o monitoramento. A GO declara que ela não atende aquele hospital e abandona a paciente naquele momento.O restante foi uma história de horror que culmina na morte do bebê.

- caso 2: gestante sente as primeiras contrações e liga para seu médico. Como era feriado, e ele estava fora da cidade, indica medicação para interromper as contrações e segurar a gestação por mais uma semana. Na cesárea, ao abrir o útero, descobre-se que o bebê estava morto.

- caso 3: mulher leva a filha com irritação na pele ao pediatra, que diagnostica o caso como sarna e prescreve loção e sabonete específico. Desconfiada do diagnóstico, a mãe questiona e recebe a resposta "quem é o médico aqui sou eu!" (depois descobriu-se que se tratava de dermatite de contato)

Os três casos aconteceram comigo. E eu sou de Campinas, cidade grande, com estrutura, exames e tudo o mais. O que faltou para mim não foi estrutura, foram médicos mesmo.

Maria Valéria, uma das coisas que me incomodam em seus comentários é que você responde a todos os casos elencados como "o médico não pode fazer"... Sabemos disso, sabemos que o médico não pode, mas o problema é que ele faz! E os conselhos classistas nada fazem para inibir as más condutas, pelo contrário. Aceitam patrocínio da indústria alimentícia, da indústria farmacêutica, lutam contra práticas preconizadas pela OMS.

Sinto muito, não dá pra levar a sério a alegação de que os médicos estão lutando pelo bem estar da população. Não dá mesmo.

E para as meninas do post. Assumir uma postura de "eu sei tudo e vou levar meu conhecimento sagrado à plebe, que obviamente não tem capacidade de discernir nada" não é bem o que eu chamaria de uma postura amorosa.


E andar na Paulista fazendo micagem não necessariamente é uma passeata. E nem toda passeata é justa. Fica a dica.

Thays disse...

Sabe o que eu tenho pra dizer pra vocês? Que vocês, do alto dos seus privilégios, não têm a mínima noção do que significa miséria. Não a miséria urbana, das capitais, de quem pelo menos pode tentar procurar um médico. A miséria de quem vive em lugares que a gente que acessa computador e internet não consegue imaginar.

Esses relatos pra mim vêm da ignorância da realidade brasileira. E outra, porque não há infraestrutura na cidade, as pessoas não merecem ter médicos? Por que é mais difícil do médico trabalhar assim essas pessoas não vão poder ter acesso a um direito tão básico como a saúde?

Isso não é sobre os médicos, é sobre as pessoas que não têm acesso a médicos - porque aiaiai, mimimi, não vou ter tecnologia ao meu dispor. Claro quer ter essa estrutura é importante, mas mais importante do que vocês terem condições de trabalhar é as pessoas terem um direito mínimo de assistência à sua saúde, independente das condições do lugar em que vivem.

Saiam dos seus umbigos!

Anônimo disse...

Anônima médica das 19:01:

Sei muito bem do que estou falando, pois como disse, presencio estas situações.
E sim, os médicos aqui da minha região fazem apenas 24 perícias por dia (e fiquei sabendo que estão tentando diminuir para 12 perícias por dia, bem como diminuir a carga horária para 20 horas semanais sem redução de salário).
Sim, os médicos são ameaçados, mas como eu disse, existe vigilância ostensiva e qualquer situação que ocorre, a vigilância é orientada a ficar atenta, bem como a polícia é informada.
Não sei em que época você trabalhou no INSS e nem que lugar do país, mas eu repito, aqui na minha região é assim (tem estrutura) e mesmo assim os médicos pedem exoneração.
Tenho certeza que as condições de trabalho dentro do INSS não são as mesmas em todos os lugares do país, mas eu estou falando do que eu presencio! Eu fui bem pontual, em nenhum momento generalizei.
Sabemos que acúmulo de trabalho todos têm, em qualquer profissão, agora, nem todos têm a possibilidade de pedir exoneração ou demissão por causa disso! Você com certeza não teve uma boa experiência no INSS do lugar em que você trabalhou e não tiro a sua razão em querer sair.
Mas, agora, pense em todos os outros servidores (médicos e administrativos) que continuam trabalhando mesmo com o acúmulo de trabalho que você diz que existia, todos pediram exoneração como você fez? Com certeza não, né?

Ninguém é obrigado a trabalhar em município X ou órgão público Y.
Se a Anônima das 19:01 achou ruim o ambiente do INSS, beleza? Pediu exoneração!
Agora, eu questiono ter todas as boas condições de trabalho e ainda dizer que não está bom e pedir exoneração e, aí? Qual é a desculpa? Falta de estrutura, de plano de carreira, de que não pode ser removido para grandes centros urbanos, é que não é, né?

Fiquei sabendo que um médico perito de um posto de atendimento aqui da minha região pediu exoneração porque o Chefe do posto não concordou que o médico viesse trabalhar apenas 03 dias na semana e adivinhem? O médico continuou trabalhando na mesma cidade do interior! Ou seja, ele pediu exoneração porque queria trabalhar menos do que os outros e ganhar a mesma coisa e não porque não tinha estrutura ou por que tinha acúmulo do trabalho.

Para Anônimo das 20:16:
Eu sei disso, inclusive também passo por esta situação, como todos os demais servidores, ou você acha que são apenas os médicos que passam por isso?

Maria Valéria disse...

Raquel,

Tinha esquecido de comentar isso em seu texto :

via de regra, pelo menos aqui no rio, meus colegas médicos não foram para as ruas pedir os 10% das receitas brutas da união para o SUS, não foram às ruas contra os processos de privatização do SUS por meio de OS, não foram às ruas discutir o problema dos planos privados.


Sabe por que nao vou protestar contra as privatizações das OS'S? Porque meus colegas médicos paulistas AMAM essa política de privatizações,a grande maioria,um ou outro discorda...

Se eu fizer isso , vou ser linchada aqui....:/

Ja trabalhei por OS's em SP capital,e sinceramente, prefiro trabalhar na prefeitura,ganhando menos ( as OS' s pagam o dobro do valor de mercado), mas enfim....

Beijos

Samantha Mello disse...

Lola, eu não entendo por qual motivo médicos brasileiros não protestam ela exigência legal de uma prova (como em Direito) para que eles possam exercer a medicina, demonstrando que estão aptos para isso, mas exigem que os estrangeiros revalidem seus diplomas...
O que me lembro de quando estudei é que os estudantes de Medicina (claro que não eram todos), que estavam no mesmo campus que eu, passavam todo santo dia e noite no bar em frente à faculdade. Entre um daqueles e um estrangeiro, de verdade? Prefiro o estrangeiro.
Já fui atendida em hospital que tinha absolutamente toda a estrutura e o médico sequer olhou na minha cara!
Pela vinda dos cubanos,dos portugueses, dos espanhóis e de quem mais quiser ajudar nos rincões do pais.

Anônimo disse...

Medíocre é vc, que escreve "estranjeiro".

Rosanna Andrade disse...

Os argumentos dos médicos contra a vinda dos estrangeiros (ou contra enqto n houver melhora na estrutura) não convencem mesmo. Pq ou eles são pessimamente informados, ou mentem descaradamente (aí vou falar do CRM mesmo).

Vou trechos de alguns comentários desta caixa:

"1) Há um enorme déficit no número de médicos brasileiros. Segundo a própria CFM, o Brasil tem 371.788 médicos. Países com o mesmo grau de desenvolvimento econômico que o Brasil têm, em média, três médicos para cada mil habitantes, ou seja, hoje o Brasil precisa de 600 mil médicos.

2) A criação de vagas em cursos de ensino superior para suprir esse déficit, que precisa com certeza ser feito, só terá resultados daqui há seis, oito anos, que é o tempo de formação de um médico. "

E no entanto o q vemos nessas manifestações (e no face, pq tenhos amigos médicos)? Um monte de cartazes afirmando categoricamente: "NÃO FALTAM MÉDICOS, FALTA ESTRUTURA". Ah, tá, falem com a minha mão!

"Quanto ao revalida ele não será aplicado aos médicos estrangeiros justamente para eles não saírem das áreas mais críticas, pq uma vez com revalida ele poderá ir para o lugar que quiser, trabalhar onde quiser e por quanto tempo quiser, podendo abandonar o lugar onde foi lotado. Isso não significa que não terá nenhum tipo de controle sobre eles, que não terá nenhum tipo de critério, por favor né? "

O governo inclusive já sinalizou que haverá avaliação destes médicos e estão estudando como fazer, pq pelo Revalida n teria o menor propósito. E o que o CRM diz? QUE NÃO ABRE MÃO DO REVALIDA. (Que interessantemente tem uma taxa de reprovação altíssima, eqto em Portugal exame similar aprova 70% de estrangeiros).

Esses pontos não foram discutidos em nenhum dos posts (no máximo nos comentários). Todos os médicos ficam com esse papinho de que não faltam profissionais no país, só são mal distribuídos pelas péssimas condições, e que sem o revalida não teríamos garantias sobre a qualidade dos profissionais estrangeiros. Parecem hipnotizados pelo CRM, eu hem!

Ah, e sobre a tão rebatida questão da estrutura, acho que nem quem é a favor acha que a estrutura é uma maravilha. Só acho que uma coisa não exclui a outra: tragam os estrangeiros E melhorem a estrutura. Uma medida é de curto prazo, e a outra, de médio a longo (exceto coisas super essenciais das quais fala a Maria Valeria).

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Creio que todo mundo sabe que falta infra-estrutura, equipamentos, remédios, vacinas, etc.
Mas infelizmente a situação chegou a um ponto, que não há como negar que a medida da importação de médicos representou um golpe no ego de uma classe que é acostumada a ser mais reconhecida que as outras.
Protestarem por péssimas condições e revalidação de diploma pra esses médicos que vem de fora vá lá.
Mas exigirem salários ainda mais altos em um país onde a maioria não ganha um oitavo do que um médico ganha ou implicarem tanto com a importação de médicos já que realmente sobram vagas e faltam médicos e há um contingente estrangeiro interessado, realmente não vai despertar a simpatia da maioria dos brasileiros. E com razão.

Lígia disse...

Os médicos costumam ser da classe que reclamam do Bolsa Família, mas não se sentem nenhum pouco incomodados em ter feito um curso super caro às custas do dinheiro do contribuinte (já que grande parte dos médicos estuda em universidades públicas).

Aliás, não só médicos, mas tanta gente que estuda em universidades públicas teriam condições de pagar as privadas mais caras, mas optam pelas públicas, claro, pois não são trouxa. Agora pobre quando ganha 70 reais pra não morrer de fome é porque é preguiçoso e não quer trabalhar.

Acho que passar 2, 3 anos em um local remoto, como a Lola mencionou, não devia ser uma mera opção, mas uma obrigação, uma forma de pagar pelos anos de estudo que receberam de graça do governo. Não quer ir para o Acre, pro Tocantins, pro interior da Paraíba? Beleza, então paga em dinheiro mesmo. Tem que haver uma contrapartida...

Quanto à questão dos recursos... Claro que não dá pra fazer medicina com estetoscópio e boa vontade, mas como alguém aí falou, não adianta ter geladeira, vacina, máquina, se não tiver médico. Se tivesse tudo isso, alguma de vocês iria pra uma cidade pequena?

E, me desculpe, sou leiga, mas a desculpa do calendário de vacinação me soou no mínimo patética. Em qualquer profissão existem procedimentos diferentes de um local de trabalho para o outro, e isso é coisa que se aprende.

Eu sou a favor da importação de médicos, se isso significar um passo na resolução do problema.

Maria Valéria disse...

Lays

Maria Valéria, uma das coisas que me incomodam em seus comentários é que você responde a todos os casos elencados como "o médico não pode fazer"... Sabemos disso, sabemos que o médico não pode, mas o problema é que ele faz! E os conselhos classistas nada fazem para inibir as más condutas, pelo contrário. Aceitam patrocínio da indústria alimentícia, da indústria farmacêutica, lutam contra práticas preconizadas pela OMS.


Tudo bem, Lays, concordo que isso exista , mas eu so posso responder por mim e pelos atos que eu pratico, nao posso responder pelos atos dos maus médicos,
E te garanto que nao falto ao trabalho, que nao abandono paciente , etc,

Os conselhos de medicina aceitam denuncia de pacientes que se sentiram mal atendidos,muitos resultam em processos administrativos, outros nao,
E muitos médicos são condenados pelos conselhos, vejo isso todos os meses nos editais do CRM que recebo em casa.inclusive os que fazem propaganda sensacionalista e aceitam patrocínios escusos( ja vi o nome de um medico lá da minha cidade,Araras, que foi condenado, por esses motivos nesses editais)
Se deveria haver mais condenações,? Nao sei, vou assumir a minha ignorância,porque esses processos do CRM são sigilosos,e ninguém, a nao ser o paciente que deu a queixa pode ter acesso a eles.

Qual a sua sugestão para melhorarmos essas coisas que nao deveriam, mas acontecem? Porque, sinceramente , so posso responder por mim.e as sugestões que ja dei aqui e no outro post, de reclamar do gestor da unidade, de dar queixa na ouvidoria, ate de reclamar no próprio CRM, a maioria dos comentaristas disse que nao resolve,
Entao, fico de mãos amarradas, sem saber o que aconselhar.eu so posso responder por mim, ou no maximo posso ser testemunha contra alguém que atendeu mal,se for o caso,

Quanto ao CRM ter condutas que vai contra evidencias da OMS, ( por exemplo, ser comtra parteira)bem, eu nao concordo com todas as orientações do conselho, mas obedeço, porque se eu desobedecer posso ser processada, ( e esse caso da parteira so pra dar um exemplo genérico, porque ginecologia nao e minha area de atuação)




Beijos, e a disposição pra conversar mais se vc quiser,

Juca Stamiko disse...

Sou estudante de medicina da UBA (Universidad de Buenos Aires). Eu entendo em parte o protesto dos médicos. Medicina já é uma carreira muito longa pra que se aumente com mais 2 anos de serviço ao SUS, quando depois da graduaçao a gente busca as residencias que as vezes duram mais de 3 anos. A ressalva que eu tenho com os posts é sobre a revalidaçao. Os médicos cubanos nao passarao pelo revalida, que tem datas específicas, além do nível de dificuldade absurdo, mas por um processo de revalidaçao em universidades federais, o ministério já esclareceu isso. Outra coisa sobre os cubanos. Se falou de dificuldade de infra-estrutura pra atençao primária. Eu sei que tem muita gente falando no facebook que os médicos cubanos vao resolver as coisas nesse aspecto, o que considero muito ingenuo. Mas pra mim a vinda de médicos resolve um problema muito maior. As filas do SUS! Tem gente que sequer chega a ser atendida, gente que morre e nao é atendida. Que é isso gente? Muitos falam que faltam as ferramentas de trabalho. Concordo que os investimentos na saúde sao precários (n só no Brasil) e isso é péssimo e lamentável. Mas só em atender o paciente com um esteto e semiologia básica, com os conhecimentos que adquirimos no curso já podemos dar alguma resposta ao sofrimento desse paciente, nem que seja pra atestar a gravidade da sua situaçao e sugerí-lo um hospital privado. E nao podemos colocar situaçoes específicas quando em uma consulta pode haver 102910201 tipos de problemas e soluçoes, sendo essas muitas vezes uma coisa simples como beber água.
E se os médicos cubanos forem pra o Brasil. Pensem que vocês terao mais colegas para reinvidicar melhores condiçoes.
O que nao dá, Lola, é dá aos médicos/estudantes o crédito por conhecer bem as mazelas da saúde e estar lutando por ela quando o que a gente mais vê por aí é ou os médicos postando vídeos preconceituosos de deputado do DEM ou reclamando de baixa remuneraçao quando já é senso comum (tem na sua família/bairro/grupo de amigos) médicos recém formados ganhando 10 mil reais no SUS.

Maria Valéria disse...

Rossana,

Eu nao falei mesmo sobre o revalida no post, porque nem achei que era o foco principal.

Mas coloquei nos comentários do outro post, ( inclusive mudei de opinião lendo argumentos de comentaristas)

1 - a principio eu era contra a revalidação automática,

2 - como muitos comentaristas bem disseram, mais da metade dos médicos brasileiros nao passaram no exame do CRM( em fase experimental) , entao nao ha por que temer estrangeiros, se nem os brasileiros nao passam na prova ( sim, os argumentos me convenceram)- e nao por medo de fazer a prova, nao.faz a prova, eu presto,nao tenho medo algum do exame que alias acho que deveria ser obrigatório,


3 - como vc bem colocou, dar o registro provisório, sem fazer a prova, vai fixar o medico ali, sem que ele saia para abrir consultório particular ou se desvincule do compromisso que assumiu

Entao, me convenci, pelo seu argumento, e de muitos outros,que isso e bobagem,

E apesar de concordar com muitas coisas do post das meninas, discordo da parte em que fala do calendário de vacinação,o calendário de vacinação , por experiência própria, e uma das coisas mais fáceis de aprender.e para quem nao sabe de cor( e ninguém tem como saber tudo de cor, pois de anos em anos mudam alguma coisa ou introduzem vacina nova) , e so olhar o calendário e conferir, todo posto de saúde tem disponível para o profissional acessar, ali na mão mesmo!!!

Abraços

Maria Valéria disse...

Juca,

Gostei dos seus argumentos,



;)

Maria Valéria disse...

Para a Lucila,

Se vc for a mesma Lucila que argumentou comigo de forma tao simpática no outro post, e ate me fazendo rever alguns pontos de vista equivocados(porque tambem sou humana e tambem posso me enganar em alguns conceitos) , eu vou te pedir pra nao ir embora daqui,

Eu aprendo muito com os comentários, mesmo os contrários a minha opinião, ( os feitos com educação, evidentemente, porque os outros eu nem respondo),

Entao, se for a mesma pessoa que debateu comigo de forma tao legal no outro post, vou pedir que nao abandone a discussão.

Vc que sabe, mas mesmo discordando de mim e das duas medicas vc e bem vinda,


Beijos,

Rosanna Andrade disse...

Maria Valeria,

obrigada pela resposta.

Tdo bem q vc n tenha citado o Revalida. Mas pra mim era essencial pq em 90% das discussões esse bendito exame está presente. O CRM reclamou, o governo rebateu. Era do que mais se falava p questionar a formaçao dos estrangeiros.

Desculpe se soei agressiva, mas a bronca era muito menos p vc do que p os meus amigos medicos do face (e manifestantes em geral), que ja me encheram. Todos se achando suuuuper politizados, repetindo, "nao somos contra os estrangeiros, mas queremos que eles passem no revalida" e "nao faltam medicos no brasil". Um debate raso feito poça dágua, mal-informado, que eu jamais esperei deles, sinceramente.

O comentario de uma amiga q eh enfermeira foi esse:

"Sobre alguns comentários que vi no face sobre aumentar em 2 anos o curso de medicina e agora alguns médicos defenderem que isso deve se estender para outros cursos:

Primeiramente não concordo de forma alguma com essa extensão do curso e muito menos com importação de médicos porque acredito que isso não vai resolver o problema da saúde, visto que o problema não é a falta deles, e sim de estrutura, segurança, salarios em dia e etc! Mas, ai, vir a defender que, ja que vai estender para médicos, tem que estender para outros cursos? Se os proprios médicos não concordam com essa decisão, acham absurdo e ruim, agora vão querer a mesma coisa para os outros cursos? Tipo "SE EU ME FERREI, TODO MUNDO TEM QUE SE FERRAR?". O que eu vi foi muitos enfermeiros (inclusive eu), fisioterapeutas, farmacêuticos aqui mesmo no face postarem que não concordam com essa extensão e nem com importação de médicos...ai abro o face e vejo alguns, digo, alguns, desejando o mesmo problema para os demais profissionais! ‪#‎mepoupe‬ ‪#‎prontofalei‬"

Eu achei pessimo, mas deu uma preguiça... eu apenas disse:

"Segundo o último levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina), feito em 2012, o Brasil abriga 388.015 médicos, cerca de 1,8 por mil habitantes. A Argentina tem 3,2, Espanha e Portugal têm 4 e Inglaterra, 2,7."

E ela:

"Mas aqui no Brasil, de que vai adiantar ter infinitos médicos pra um paciente e ter um hospital sem equipamentos que prestem, e pior, que nem tem equipamentos, que faltam materiais e etc...e esses são so alguns dos muitos problemas que não se resolvem so com o aumento do numero de médicos por paciente."

Eu, com mais preguiça ainda:

" Eu n quis entrar no mérito dessas questões, apenas apontar que n eh verdade que há médicos o suficiente no país. Isso foi um levantamento do proprio CRM. O meu grande problema com as criticas qto a vinda dos medicos estrangeiros eh que invariavelmente elas vem calçadas em informações inverídicas."

E logo abaixo varias pessoas falando que concordavam com ela... Bom, ok!

Rosanna Andrade disse...

o que eu gostei em vc Maria Valeria, eh q vc mudou de opiniao qdo confrontada com novas informações. Manteve outras, pq cada cabeça uma sentença, não eh mesmo? Mas a grande, imensa maioria da galera do meu face n saiu da superfície do debate, e isso me irrita.

Eu postei um texto do Drauzio Varella muito bom sobre o assunto e ngm deu bola:

http://drauziovarella.com.br/destaque2/o-problema-da-ma-distribuicao-dos-medicos-no-brasil/

Eu n vou ficar me metendo em cada coment no face pq eles sabem mto bem usar a internet. Eles podiam ter contato com textos que argumentassem contra as ideias deles e rebater os argumentos de forma seria, mas fingem q eh tdo mto simples. Que eh um absurdo virem medicos estrangeiros e que eh mto burro quem pensa o contrario.

Fora q minha opiniao nem deve valer mto pq sou de exatas...

Eu tenho uma prima interna, q eh maluca por saude da familia (mas vai fazer oncologia ) e eh super a favor de parto humanizado. Ela eh a minha unica medica que eu conheco pessoalmente q foi por vocacao msmo, pq se apaixonou pelo Hospital do Cancer qdo a avo se internou lá (e morreu, infelizmente). Ela eh mto diferente da média dos médicos. Talvez ela nem concorde com esses protestos. Mas eu n perguntei pq tenho medo de me decepcionar... a opiniao sobre esse assunto eh qse unanime entre eles...

Maria Valéria disse...

Lola, e comentaristas :

Outro ponto que discordo da medida de obrigar o estudante a estagiar dois anos no SUS

Diz que eles terão supervisão de docentes, professores.
Será???
Primeiro, nao to sabendo que tenha um numero de docentes tao grande que possa ir ate essas regiões longínquas supervisionar os alunos,
Segundo, mesmo que tiver, quem vai pagar isso?? Porque pagar um professor pra supervisionar nao e barato, e vao ser varios professores em varias cidadezinhas diferentes, ou um so dando conta de varios alunos na mesma cidade?
Essa conta vai sair cara...
E sendo aluno , nao pode atender sem supervisão de um professor...tem que pensar bem em como vai fazer isso, pra nao largar o aluno lá sozinho, sem ninguém pra orientar.
Por essas razoes, sou a favor sim, de que o medico devolva o investimento de sua educação pra o SUS,Mas depois de ter feiito a sua residência medica e escolhido sua especialidade, e nao como um pra requisito pra se formar.
Dai, se ele nao faz residência, ou se escolheu clinica geral ou saúde publica, ou áreas mais genéricas como. Pediatria ou ginecologia, pode atender em postos de saúde ou hospitais .
Se ele escolheu alguma outra especialidade, atue no SUS exercendo a especialidade que escolheu.faltam especialistas em muitas cidades, inclusive em cidades grandes , que dirá nas pequenas.
Fazendo isso DEPOIS de formado, economizaria dinheiro publico pois nao precisaria da supervisão de professores.( isso nao e barato) , e o cara nao seria frustrado em exercer por dois anos uma especialidade que ele nao escolheu,
Essa medida nao parece mais interessante?
O que acham?;
Abraços

Anônimo disse...

Há escassez de médicos em grande parte do Brasil, assim como falta de estrutura , falta de interesse dos médicos brasileiros em trabalhar no interior ( por diversos motivos) e falta de incentivos por parte do governo.
Trazer médicos estrangeiros não soluciona, mas é melhor que nada. Quem apóia está corretíssimo.
O que eu não acho válido mesmo é esse ressentimento ( inveja mesmo de alguns) que vcs demonstram em relação aos médicos... Até parece que só os médicos querem ganhar bem! A maioria de vcs também defenderiam seu gordo ganha-pão se assim tivessem. HIPOCRiSIA!

Anônimo disse...

Só eu que achei extremamente arrogante o tom empregado pela "quase-médica" do primeiro texto? Chamar a todos de ignorantes e utilizar verbos como "aprendam", como se estivesse 'fazendo o favor de compartilhar sua absoluta verdade, adquirida em seu magnânimo curso' não vai fazer ninguém mudar de opinião, muito menos angariar mais empatia por essa classe tão sofrida, mas quase sempre é tão mal representada.

Cauê Morgado disse...

Concordo com alguém que disse que ao ver os protestos (inclusive os que ocorreram em Belém, minha cidade), me lembrei dos protestos anti-cotas que se dizem "a favor de uma educação pública de qualidade". Vi médicos que conheço e alguns parentes extremamente reaças e que nunca havia visto sequer comentarem sobre o assunto lutando por uma saúde pública de qualidade. É corporativismo sim! Ninguém apresentou até agora um dado ou pesquisa que conteste as trocentas pesquisas que mostram que faltam médicos no Brasil. É claro que o sistema de saúde é extremamente problemático no geral, mas a falta de médicos faz parte desse problema. Conheço vários casos dessa falta de médicos que conheci pessoalmente: Em Altamira-PA (cidade com mais de 100 mil habitantes e onde está sendo construída a famigerada uhe Belo Monte), o hospital regional estava precisando há meses de um anestesiologista e não conseguia nenhum. Sabem qual o salário que ofereciam? 29 mil reais mensais. Acho que todo mundo conhece casos assim. Em Cametá-PA (113 mil habitantes), cidade em que meus pais moravam até pouco tempo, não existiam médicos especialistas, isso mesmo, em qualquer especialidade. Só haviam clínicos gerais (bem poucos). Algumas poucas especialidades (como cardiologia) possuíam um atendimento mensal de médicos que vinham de Belém-PA e ganham uma grana altíssima pra atender um dia em Cametá (que não é uma cidade pequena e sim, média). Como dizer que não é corporativismo? Como dizer que não falta médico?
Sou formado em história e sou professor da rede pública de ensino. Trabalho em Castanhal-Pa (cidade de 200 mil habitantes localizada a 70 km de Belém-PA). O salário de um colega de universidade que se formou em medicina é praticamente 10 vezes maior do que o meu. Isso não pode ser considerado justo!

Anônimo disse...

"Acho que passar 2, 3 anos em um local remoto, como a Lola mencionou, não devia ser uma mera opção, mas uma obrigação"
-
Você e a favor do serviço militar obrigatório ?
E do voto obrigatório ?

Luiz disse...

Bom,

Eu sou a favor da importação de médicos desde que não sejam cubanos. Sou a favor da vinda dos espanhóis, portugueses e argentinos desde que façam o exame do revalida.

Minha irmã é médica. Ela acredita que os estrangeiros, exceto os cubanos, não ficarão por aqui por causa das péssimas condições de trabalho e da violência reinante nas periferias das grandes cidades. Ela acha que a questão salarial nem tem tanto peso assim.

Lembre-se que mesmo Portugal e Espanha estando em crise, eles não conhecem nada parecido com uma Heliópolis em termos de violência. Nem a Argentina vive algo parecido. Acho que desde o fim da segunda guerra os europeus não viram bandidos armados desfilando dentro de postos de saúde das periferias. Quem acha que isso é mentira conversa com médicos que tiveram que trabalhar nesses locais para verem o que eles relatam. A UPA da região da favela da Maré é um local onde "vitimas do sistema", segunda a definição esquizofrênica dos esquerdistas, costumam desfilar com seus fuzis para obrigarem os médicos a atenderem seus comparsas.

Medicina cubana é boa? Boa para que? Tirando a bela definição da Margaret Thatcher de que o comunista é acima de tudo alguém que exercita sua incompetência com extrema competência todo o resto que se diz sobre cuba é balela. Quem duvidar pode ver o belo documentário de Felipe Lacerda sobre a Ilha da Fantasia. Assistam e comprem o DVD:

http://emcuba.blogspot.com.br/

Bom como essa turma pretende combater vírus, bactérias e fungos com conhecimento em biologia? Parece que não. Vejam um edital do PT para selecionar candidatos para o curso de medicina em Cuba.

http://www.ptsul.com.br/?doc&mostra&14665

Hora nenhuma do edital exige que candidato saiba a diferença entre sistema digestivo e sistema respiratório ou que saiba a diferença entre vírus e bactérias. A turma tem critérios mais nobres, afinal saber o que é sistema digestivo ou o que é sistema excretor é educação da elite burguesa.

Não só os médicos de Cuba virão ao Brasil como, é evidente, os brasileiros que foram cursar medicina na Ilha da Fantasia voltarão ao país. Tem alguns depoimentos colhidos para propagandear as bolsas concedidas pelo regime cubano a estudantes de medicina brasileiros. Assistam.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qVvOBywDKLo

Em breve, tudo indica, teremos centenas, quem sabe milhares, de médicos preparados para combater vírus, bactérias, fungos, perebas, malária, desnutrição, apendicite, dengue e melancolia com… discurso socialista.

Que os cubanos tenham que se sujeitar a esse tipo de coisa a gente entende, afinal eles são vítimas de uma ditadura cruel e sanguinária como pode ser constatado aqui no documentário "Sobreviver Calado" de Felipe Lacerda.

http://www.youtube.com/watch?v=RAJLJ8ogk_s

Se tem uma coisa que aprendemos com a história é que muita gente não aprende com a história!

Ham. A ótima medicina cubana é aquela que deixou o lunático Chaves morrer em Três anos de "tratamento". No Brasil o ex-vice presidente, o idoso José Alencar sobreviveu a um tratamento semelhante por 8 anos. Ótima medicina como se vê.

Luiz disse...

Bom,

Eu sou a favor da importação de médicos desde que não sejam cubanos. Sou a favor da vinda dos espanhóis, portugueses e argentinos desde que façam o exame do revalida.

Minha irmã é médica. Ela acredita que os estrangeiros, exceto os cubanos, não ficarão por aqui por causa das péssimas condições de trabalho e da violência reinante nas periferias das grandes cidades. Ela acha que a questão salarial nem tem tanto peso assim.

Lembre-se que mesmo Portugal e Espanha estando em crise, eles não conhecem nada parecido com uma Heliópolis em termos de violência. Nem a Argentina vive algo parecido. Acho que desde o fim da segunda guerra os europeus não viram bandidos armados desfilando dentro de postos de saúde das periferias. Quem acha que isso é mentira conversa com médicos que tiveram que trabalhar nesses locais para verem o que eles relatam. A UPA da região da favela da Maré é um local onde "vitimas do sistema", segunda a definição esquizofrênica dos esquerdistas, costumam desfilar com seus fuzis para obrigarem os médicos a atenderem seus comparsas.

Medicina cubana é boa? Boa para que? Tirando a bela definição da Margaret Thatcher de que o comunista é acima de tudo alguém que exercita sua incompetência com extrema competência todo o resto que se diz sobre cuba é balela. Quem duvidar pode ver o belo documentário de Felipe Lacerda sobre a Ilha da Fantasia. Assistam e comprem o DVD:

http://emcuba.blogspot.com.br/

Bom como essa turma pretende combater vírus, bactérias e fungos com conhecimento em biologia? Parece que não. Vejam um edital do PT para selecionar candidatos para o curso de medicina em Cuba.

http://www.ptsul.com.br/?doc&mostra&14665

Hora nenhuma do edital exige que candidato saiba a diferença entre sistema digestivo e sistema respiratório ou que saiba a diferença entre vírus e bactérias. A turma tem critérios mais nobres, afinal saber o que é sistema digestivo ou o que é sistema excretor é educação da elite burguesa.

Não só os médicos de Cuba virão ao Brasil como, é evidente, os brasileiros que foram cursar medicina na Ilha da Fantasia voltarão ao país. Tem alguns depoimentos colhidos para propagandear as bolsas concedidas pelo regime cubano a estudantes de medicina brasileiros. Assistam.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qVvOBywDKLo

Em breve, tudo indica, teremos centenas, quem sabe milhares, de médicos preparados para combater vírus, bactérias, fungos, perebas, malária, desnutrição, apendicite, dengue e melancolia com… discurso socialista.

Que os cubanos tenham que se sujeitar a esse tipo de coisa a gente entende, afinal eles são vítimas de uma ditadura cruel e sanguinária como pode ser constatado aqui no documentário "Sobreviver Calado" de Felipe Lacerda.

http://www.youtube.com/watch?v=RAJLJ8ogk_s

Se tem uma coisa que aprendemos com a história é que muita gente não aprende com a história!

Ham. A ótima medicina cubana é aquela que deixou o lunático Chaves morrer em Três anos de "tratamento". No Brasil o ex-vice presidente, o idoso José Alencar sobreviveu a um tratamento semelhante por 8 anos. Ótima medicina como se vê.

Anônimo disse...

Amei o guest post ! É um relato totalmente fiel à realidade dos médicos brasileiros ! Parabéns, meninas !

Junior disse...

O que não fecha no argumento de quem é contra é: não temos estrutura (ok), então não adianta ter um profissional lá, não vai fazer diferença.

No argumento deles é melhor não ter NADA e NINGÚEM, do que ao menos ter alguém, que poderia inclusive brigar por melhor estrutura junto ao poder público local.

Isso não faz o menor sentido. Sem estrutura, o profissional não vai conseguir tratar todos os casos, não, não vai, mas ter alguém lá ao menos abre a possibilidade de alguns casos serem atendidos E de possível melhora na estrutura, já que haverá alguém demandando isso mais precisamente.

Lígia disse...

anonimo, o paralelo não faz sentido.

a pessoa teria opção. era só não estudar as custas do contribuinte.

Não tinha aquele programa em que estudantes ganhavam bolsa pra estudar em faculdades privadas em troca de trabalhar aos finais de semana em escolas públicas que ficam abertas a comunidade?

nos EUA, por ex, é muito comum (conheci alguém que fez isso) que a pessoa consiga que o exército, por exemplo, pague seu curso superior. em troca, ela precisa trabalhar para o exército durante alguns anos.

acho uma troca justa.

Cheshire cat disse...

Eu estou tentando ser isenta, ler tudo e ver os dois lados da questão, mas fica muito difícil quando os médicos conseguem a proeza de se fazerem de coitadinhos e serem extremamente arrogantes ao mesmo tempo. É todo um discurso de "somos uma classe oprimida mas vocês são um bando de ignorantes que não entende nada mesmo."

Ana disse...

Lola, leia o artigo "O extremismo dos doutores" de Paulo Moreira Leite no link http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE.

Dizer que a revalidacao do diploma dos estrangeiros tem a ver com calendarios de vacinas... faça-me o favor!

Nanda disse...

Lola, acho que precisa ter um guest post de algum médico a favor da vinda de médicos estrangeiros, como a Marussia. Lendo todos os comentários, gostei da mudança de opinião da Valéria. É bom ver médicos realmente abertos ao debate. Quanto a este guest post, vou comentar um pouco, por já ter vivido com gente da medicina, por ser formada em área de biológica, e por achar que foram beeeeeem superficiais os posts. Primeiro,uma das autoras (não lembro qual) comentou que é a favor do Revalida, mas foi contra a prova aplicada pelo Cremesp. Gostaria de saber por que alguns médicos podem ser submetidos a uma prova arbitrária e outros não. Também sou contra esse tipo de avaliação, tanto para médicos brasileiros quanto estrangeiros. Já fui atendida por profissionais tão ruins, e que com um pouco de treino conseguiriam passar por qualquer prova, continuando sendo péssimos profissionais. Segundo, o argumento do atestado de óbito foi simplesmente ridículo. Preenchimento de documentos é algo que qualquer pessoa com o conhecimento técnico da área pode aprender (e também fico me perguntando quantos atestados de óbito elas preencheram durante a graduação, e espero que nenhum). Além disso, eu que moro em uma cidade grande do interior (a mesma da Valéria), vejo médicos que não sabem fazer um diagnóstico de dengue corretamente, que é uma doença corrente por aqui. Sempre conversei muito com o pessoal que eu convivi da medicina, principalmente quando me senti lesada em algo. Já tomei uma raquidiana desnecessária (espero que as autoras do guest post saibam das implicações disso), isso em hospital particular, já tive diarreia e fui largada suja por mais de 3 horas, até ter forças pra tomar banho sozinha(isso em um hospital particular e pior, referência, e pior, por uma médica recém formada que eu esperaria mais dedicação ao paciente). Eu gostaria realmente de entender esse temor com a vinda de médicos estrangeiros. Não vejo um clamor para que ocorram punições aos maus profissionais brasileiros, ou pedindo uma melhor formação aqui no Brasil. Convivi com alunos da Unicamp, e no quinto ano eles basicamente não dormiam, de tantos plantões que precisavam dar. Isso está errado. Eles estavam tapando buraco de falta de médico.

Nanda disse...

Acho muito melhor para a formação desses médicos que passem dois anos pós formados no SUS do que ficarem em quinto e sexto anos sem dormirem direito, mal conseguindo prestar atenção durante as aulas, e tendo uma responsabilidade que não deveria ser deles. E aliás, acho que todos os cursos de universidade pública deveraim também passar os dois anos trabalhando para o governo (concordo com a Valéria nisso). É experiência profissional, pessoal, e é sim uma forma de retribuir a imensa maioria da população que ajuda a custear nossos cursos e nunca terá acesso à universidade. Quanto ao salário, bem, acho que os médicos que reclamam não conseguem ter uma visão generalizada dos cargos públicos. Vejam QUALQUER edital de concurso público e me digam quantos cargos vocês encontram com uma remuneração semelhante a dos médicos. Eu sou professora. Tem prefeitura que paga 1800 reais para 40 horas/aula semanais (e esse é um salário bom, de prefeituras que ainda dão estrutura para o professor trabalhar. Mas antes do piso nacional, cheguei a ver concurso de Londrina que pagava 700 reais para o professor trabalhar 30 horas/aula semanais). Em quantas horas vocês ganham isso (isso pra nem citar o nosso tenebroso governo estadual que acabou de elaborar uma medida para que o professor possa acumular cargos e trabalhar até 65 horas/aulas- isso sem o tempo de preparo de aulas- ao invés de aumentar salários)? Não consigo aceitar que aumente-se mais os salários dos médicos enquanto professores, nutricionistas, psicólogos, policiais, e outras formações que também servem a sociedade ganham tão menos. Ou se valorizam todas as categorias ou não se valorizam. O governo já vai pagar 10 mil pro médico que quiser ir para o interior. Já está ótimo, mais do que boa parte das pessoas com ensino superior chegará a ganhar. Não acha bom, não vá. Aproveitem e façam protesto também para aumentar número de vagas num geral. Incrível como a imensa maioria dos médicos só saem para um protesto quando mechem com a classe deles.

Anônimo disse...

O país sempre esteve aberto aos médicos estrangeiros, basta fazer e passar no exame de revalidação.

Muitos citam que EUA, Inglaterra, Canadá, etc, têm grande porcentagem de médicos estrangeiros. Mas se "esquecem" de dizer que o processo de revalidação nesses países é muito mais difícil e complexo que o brasileiro. Médicos que vãonpara esses países são ótimos médicos, muitos estudam para o exame de revalidação desde a faculdade. Têm o objetivo de mudar e viver em um país melhor que o deles. É incomum ver nesse fluxo migratório médicos indo de países "bons" para paises "ruins". Todos buscam ganhar mais e ter qualidade de vida.

Aqui no Brasil querem fazer o contrario. Primeiro impedem médicos de países com condições gerais piores que as nossas de virem (Bolívia, Paraguai, etc). Médicos bons desses locais poderiam se interessar, como já ocorre hoje.

Anônimo disse...

Dizer que darão prioridade a médicos da Espanha e Portugal é piada. Lá já há dificuldade em colocar médicos no interior e locais perigosos/violentos, esses locais são comumente ocupados por médicos estrangeiros. E acham que eles vão querer trabalhar no interior do Brasil, sem condições de trabalho e ganhando 10mil??? Poderão cintar nos dedos quantos virão...

Carol NLG disse...

Sobre a proposta de plano de carreira que a autora fez, eu só vejo um problema: hoje, a saúde é basicamente municipal em termos de contratação de médicos. Quando muito, estadual. O governo federal não pode pegar alguém que passou num concurso pra, digamos, Araras, e mandar pra Botucatu. Se houvesse uma carreira federal, aí sim faria sentido.

É o que acontece com a minha carreira hoje. Só que eu atuo no exterior. Primeiro, somos mandados pra lugares ruins. Tipo, bem ruins. Eu moro num dos países mais pobres da África, com quase nada na cidade. Aliás, medicina zero. Saúde próxima de zero. etc. Mas em 2 anos, vou pra um posto melhor. E quem estava num bom, vem pra um ruim. Há um rodízio.

Só que o rodízio também gera custos extras. O governo tem que pagar a mudança do servidor, ajuda de custo pra realocação, etc. Fora o custo pessoal: imagina como é complicado relacionamentos se seu parceiro sabe que vai ter que largar tudo a cada x anos e se mudar de cidade (no meu caso, de país e continente). E pros eventuais filhos? É uma solução razoável, mas nem por isso simples ou sem problemas.

Anônimo disse...

Sobre Cuba ter bons indicadores de saude, isso é muito diferente de ter bons médicos... Isso de que Cuba obtém bons resultados no tratamento de vitiligo e problemas de visão é MENTIRA, lenda urbana.

A medicina preventiva é muito mais do que a autora do guest post colocou. Os melhores resultados de redução de mortalidade infantil e aumento da expectativa de vida é conseguido com SANEAMENTO BÁSICO e EDUCAÇÃO, coisas que são boas em Cuba e que independe dos médicos.

Anônimo disse...

Avisem aos desavisados que nos cursos de licenciatura xs alunxs são obrigadxs a fazer estágio em escolas, em geral, públicas (tem instituição que aceita a comprovação de experiência em escolas privadas).
Na minha facul eram 6 meses, mas sei que tem quem seja obrigadx a dar aula por até 1 ano (6 meses na ed. básica e 6 meses no ensino médio, acho que esse é o ideal).

Então, fazer um ano de estágio obrigatório não mata ninguém, principalmente considerando que vc faz no final do curso, quando - teoricamente - vc já tem todo o conteúdo necessário e está somente cumprindo uma obrigação social e maturando um pouquinho (e nunca vi ninguém reprovando em estagio, na verdade, nunca vi ninguém sendo reprovado. *medo*).

Explicando melhor: se hoje em dia ao final do curso, o graduado em medicina já pode sair clinicando, qual a diferença de aumentar mais um ano (3 eu acho muito, 2 não sei pesa) só de estágio?!
Não mudaria nada, somente o fato que ao invés de clinicar 'particular', ele passaria obrigatoriamente a clinicar um ano no sistema público.

Ah, mas não é meu perfil... mas é o perfil da instituição q vc escolheu estudar. Se não combina ctg, faz outra, particular, bjs.

Ps.: considerando que esse estágio obrigatório deva valer somente para faculdade públicas, não vejo o pq as particulares obrigarem os alunos ao mesmo regime.

Maria Valéria disse...

Nanda

Eu concordo com a questão do salário, que tem categorias bem menos valorizadas que os médicos, como a sua ( professora)
Vou relatar a minha experiência pessoal
Minha mae e professora de filosofia.largou a carreira de professora e foi ser bancaria ( pagava mais e ela quis dar para mim
e minha Irma uma vida melhor, nao acho que essa esta errada,tudo o que ela fez foi pensando em nos duas, as filhas )

Porém, lembro que ela me dizia que minha avo ( mae dela, falecida em 93 ) era professora do estado, e que na época que a minha avo era professora ( portanto num passado nao tao distante assim) , vocês eram bem mais valorizados, tanto em condições de trabalho, como em salário.
Nao tenho maiores informações pra confirmar, corrija se eu estiver errada.
Mas ela diz que de uns anos pra cá,( e nao sei precisar quanto tempo foi isso), a profissão de professor foi desvalorizada, e a educação, sucateada , assim como a saúde.
Eu tenho um primo que da aula de educação física na periferia de SP, se colocar um relato do que ele passa lá a gente chora,
Tenho muitos amigos professores, e quando perguntei por que professor tem direito a meia entrada, uma dessa amigas respondeu " porque ganha pouco"
Nao questiono o direito a meia entrada, mas o salário baixo do professor,que para ir a programas culturais ( cinema, teatro, enfim,coisas que se espera que ele freqüente pela própria profissão, como enriquecimento cultural) o governo, em vez de aumentar o salário de a meia entrada,
Nao podia fazer as duas coisas ou eu que sonho demais??
Enfim, Nanda, meus questionamentos nao são referentes a uma classe so de trabalhadores, mas a todos que trabalham pelo sistema publico, todos, sem exceção.
Beijos e se quiser conversar mais to por aqui,

Maria Valéria disse...

Rossana,

Obrigada pelo seu retorno, e gostei muito do artigo do Drauzio Varella que vc recomendou, muito mesmo.

Depois volto para comentar com maia calma.

Um beijo ;)

Anônimo disse...

Como se os AMAs de SP já não estivessem lotados de colombianos, bolivianos e afins (dá vontade de falar que eles atendem até melhor que os brasileiros, mas só posso falar da minha experiência, que se não foi ótima, não foi ruim nem péssima).
Outra, estão esquecendo que tem mt médico estrangeiro trabalhando em firmas com CRM de brasileiros.
Assim é bonito, né?!

Meninas, vcs estão totalmente fora da realidade, falando da experiência minúscula q vcs tem (pelo menos uma veio aqui reconhecer), então, antes de falar de um assunto tão impactante pensando só no umbigo, olhem ao redor,tá?!
A realidade manda abraços à ignorância de vcs.

LSDiana! disse...

Um texto excelente pra ajudar (de verdade) no debate:
Os médicos brasileiros têm medo de quê?

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/07/os-medos-dos-medicos-brasileiros.html

E permitam-me postar um trecho aqui:

"O ingresso às escolas médicas no Brasil acontece através de um penoso processo que visa excluir aqueles provenientes de camadas com menores recursos e oportunidades. Na visão oposta, trata-se da seleção dos “melhores”, como se nessa lógica inversa a qualidade de um médico fosse garantida pela seleção que teve para entrar, e não pela formação adquirida dentro da escola médica.
Os médicos estrangeiros representam um desafio a esse paradigma: muitos países têm processos de seleção muito mais acessíveis para o ingresso. A seleção real acontece dentro da escola de medicina. Os alunos são constantemente avaliados, reprovados e jubilados, se necessário, durante o processo de formação médica. Diferentemente do que acontece no Brasil, entrar na escola de medicina não significa que o aluno será médico seis ou sete anos mais tarde.
A ênfase em outras latitudes é dada ao resultado final da educação; mais que o exame de ingresso, a avaliação crucial está na saída. Aqui, só o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, CREMESP, avaliou os formandos de forma obrigatória em 2012. Menos da metade dos médicos foi aprovada nesse exame.
Mas não há consequências. O exame documentou a falsidade do mito de seleção dos “melhores”, inclusive com um terço dos egressos de faculdades públicas reprovados, mas o mito permanece intacto. As paixões exacerbadas contra médicos brasileiros formados no exterior, particularmente em Cuba, estão relacionadas ao fato de eles encontrarem um atalho para ultrapassar a barreira de entrada nas faculdades de medicina."

*Ricardo Palacios é médico, formado no exterior com o diploma devidamente revalidado no Brasil, foi consultor temporário para projetos de pesquisa da Organização Mundial da Saúde e agora estuda Ciências Sociais na Universidade de São Paulo

Lucila e Marussia, não preciso acrescentar nada aos comentários de vocês, de longe, mais sensatos que o post.

E jovem-quase-médica-doutora-etc-etc-etc, lembre-se que a internet é um espaço democrático onde as pessoas ~ ignorantes ~ não precisam de desenhos, pois elas podem (e devem) buscar informações além de uma opinião umbilical (?) que você expõe. Menosprezar a capacidade de quem lerá, é desrespeitoso, mas ouso dizer que foi a parte "menos pior" do seu relato-mimimi.

Este guestpost não abre o diálogo porque tem argumentos, mas sim porque subestima a capacidade de nós, mortais não médicos, formamos uma opinião decente sobre o assunto sem precisar cursar medicina. Se como nossas vivências caóticas não superassem qualquer faculdade.
Triste!!!

Obs: Maria Valéria tá dando um show aqui de humildade e é exemplo de como deve ocorrer um debate. Parabéns! :)

Anônimo disse...

@Maria Valéria

Sobre seu comentário das 12:53. Há muitos poréns.

Não adianta somente sair aumentando os salários, é preciso ter igualdade efetiva, senão o país vira uma bola de neve inflacionária e desigual.

Professor do ensino básico/médio pode ter concurso, plano de carreira e ganhar consideravelmente 'bem', quando já está estável na profissão (não que 2~3mil seja grandes coisa, mas se a gente comparar com o salário mínimo já é alguma coisa), mas aí há as deturpações.
Existem os professores 'efetivos' e os 'contratados' (em SP chamam de eventual), cuja a hora-aula é uma merreca e não há garantias nenhuma, vc não tem férias, não tem licença, é contratado todo ano e só ganha pela aula que dá, nada de ressarcimento para o trabalho fora de aula.

Acredito que em outras profissões tb tem dessas, fora os terceirizados que são a vergonha da vergonha e eu realmente não entendo essa lógica.
Vc paga x para pessoa, mas se vc terceirizar, vc paga x, desses x, y vai para empresa e w para quem realmente trabalha.
Faz sentido?
Se esse sistema é tão injusto, pq o governo é o primeirinho a adotar?!
E depois faz maior cartaz sobre ações que promovem a igualdade social e distribuição de renda mais equitativa...

Mariana disse...

Não sei se é porque pra mim não faria diferença (nem vai fazer, pois já estudo medicina), mas acredito que trabalhar no SUS um tempo é um experiência muito significativa, ainda mais para os estudantes de medicina que são, em sua maioria, da classe média e desconhecessem os problemas das classes baixas. Não vejo isso como um trabalho forçado, tampouco como uma retribuição do ensino público e gratuito que recebo, mas uma oportunidade. Assim, quem sabe, trabalhando em uma Unidade sem estrutura e conhecendo suas necessidades, eu possa lutar pelo que falta :)

Anônimo disse...

"Assim, quem sabe, trabalhando em uma Unidade sem estrutura e conhecendo suas necessidades, eu possa lutar pelo que falta :)"


Ou desistir antes de ser tornar um péssimo profissional que atende mal os pacientes numa consulta de menos de 5min...

Anônimo disse...

Durante a graduação e residência os médicos já atuam no SUS. E apos formados, a maior parte dos médicos trabalha algum tempo no SUS.


Eu temo pela minha saude. Colocar recém formados obrigados a trabalhar em Urgencia e emergência é a maior loucura disso tudo.

Tem médico que não quer e nao tem o perfil para isso, seja no SUS ou particular.

Anônimo disse...

Falam que haverá aupervisao de professores. Nem durante a graduação e residência há supervisão adequada, imagina nesse estagio????

Quando eu tinha 2 anos de formada trabalhei em PSF de cidade pequena perto de grande cidade. Não tinha feito residência, sabia muito pouco. E por incrível que pareça uma faculdade de medicina da capital tinha feito contrato com a prefeitura local para colocar alunos de medicina para estagiarem nis postos de saude. E foram me procurar para que eu recebesse e ensinasse um aluno!!!!!
Eu era recém firmada, sem residência, mestrado, sem nada... E sequer avaliaram meus conhecimentos. Acharam que pelo simples fato de ser médica eu poderia orientar o estagiário.

Recusei, obviamente. O secretario se saude ficou puto comigo.

Anônimo disse...

Há muitos médicos residentes - leia-se estudantes -, em redes privadas. Eles não podem fazer a mesma coisa pelo SUS? Sou a favor de mais 2 anos na graduação para que esses médicos sejam direcionados à rede pública.
Além disso, temos uma imensa desigualdade educacional, onde a maioria dos médicos são da elite e as pessoas mais pobres, em sua maioria do norte e nordeste, têm que se submeter aos ensinos da Bolívia, adquirindo má formação; o que acarreterá em outros problemas.

Thaís B disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thaís B disse...

Obs: Eu sei que tem muitos que estudam medicina só por ter muito status e salários maiores que a média, mas não creio que eles sejam maioria. E falta de estrutura afasta também os médicos bons e que estão na profissão por gostarem.
Essa polêmica dos médicos me fez lembrar da infeliz fala do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que os professores devem ensinar porque amam isso e se querem salários e condições melhores que vão para a rede particular. Sinto um discurso semelhante voltado aos médicos em alguns comentários...

Anônimo disse...

À colega técnica do INSS.

Sei que você bate ponto no computador, assim como todos os médicos. Nunca disse que isso era exclusivo dos médicos. Mas você acusou os médicos de não cumprirem o horário, e isso no INSS não é verdade.

Quando eu trabalhei no INSS havia certa estrutura, há a carreira, etc. Mas como disse, não trabalharia lá nem por 100 mil/mês. Não há dinheiro que pague a minha saúde física e mental.

Lola, se quiser depois eu faço um guest post sobre o INSS, se for do seu interesse. Os problemas do INSS são péssima gestão e a ignorância do povo e DOS MÉDICOS ASSISTENTES.

O povo julga ter direitos que não têm, e descontam sua frustração nos médicos peritos. Sei que alguns tratam mal o povo, o que não concordo. Mas mesmo sendo educado, os pacientes nos tratam MUITO mal. Eu estava sendo hostilizada até em festas de família por ser perita!!!!

As pessoas não tem nenhuma noção do que é a previdência social e o governo não faz a menor questão da educação previdenciária (vide o auxílio-reclusão que ninguém sabe bem o que é e todos criticam).

Mesmo os medicos assistentes não sabem. Fazem relatórios dizendo que a pessoa deve ser aposentada, quando desconhecem se o paciente é segurado do INSS, se a incapacidade começou antes do ingresso do paciente no INSS, etc.

A mídia então, parece que faz programas sensacionalistas de propósito. Por exemplo, mostra um paralítico que não consegue benefício, sem mostrar que ele contribuiu irregulamente e não tem direito algum...

A colega técnica pode confirmar algumas coisas insanas no INSS. Qualquer pessoa pode marcar perícia médica, mesmo se NUNCA tiver contribuído com o INSS. BAsta ligar para o 135. Somente DEPOIS da perícia médica irão analisar se a pessoa tem direito ao benefício. Assim, mesmo se o médico afirmar que a pessoa é inválida, ela pode não conseguir o benefício.

Quem acha 24 perícias em 6 horas pouco só pode estar brincando. Tinha que ser a metade!!!!
Sabiam que os assistentes sociais têm cerca de 1h para avaliar um caso no INSS?

Isabela disse...

Lola, conto com você pra achar agulha no palheiro e um médico a favor da entrada de estrangeiros. Sim, entendo o que eles dizem sobre o revalida, não compreendo porque eles até agora não entenderam que o governo está procurando uma nova forma de avaliação dos médicos estrangeiros que não seja o revalida exatamente para que eles permaneçam no interior e não sejam mais um médico nas grandes capitais do sul e sudeste. O revalida permitiria que estes estrangeiros atuassem em qualquer lugar, simples assim!
E quanto ao trabalho por 2 anos no serviço público, ANTES DA ESPECIALIZAÇÂO, convenhamos, toda faculdade que forma um profissional que vai atuar em serviços púbicos deveria fazer. Os médicos não estão entendendo que estão sendo privilegiados por ter auxílio do governo e não o contrário. Eu, como pedagoga, sonho e luto oom isso para a formação docente.

Maria Valéria disse...

Quando se fala em colocar os médicos em dois anos de estagio obrigatório no SUS, acho que precisamos deixar algumas coisas claras.

Porque vai devolver o dinheiro investido pelo estado na sua formação em benefícios para a população carente, OU porque medico e uma profissão que tem uma relevância social ( desculpem se me expressei mal, nao consigo encontrar o termo exato)- vamos dizer : uma população pode ficar sem engenheiro,sem advogado, , mas nao pode ficar sem medico?
( nao que todas as profissões são sejam importantes, mas como muitos disseram uma população nao pode ficar sem assistência medica, ja o advogado, o engenheiro,para muitos e um luxo que nao e qualquer um que pode contratar e ninguém morre ou adoece se ficar sem)
Pois bem, sob qual das óticas estamos analisando essa convocação pata atender no SUS por dois anos?
Se for pela primeira ( devolver a sociedade o dinheiro publico investido em vc,, bom, segue minha opinião:

- Eu sou a favor de devolver para o SUS o investimento que o estado e o povo colocou em vc, direta ou indiretamente,
Mas se for assim, nao acho justo fazer isso so para os médicos,mas para todos os universitários de faculdades publicas, seja qual for o curso,
Nao no sentido de ' eu me ferro, vc se ferra tambem' que alguém colorcou bem ai em cima( acho que a Rossana), porém, no sentido de nao achar justo que seja so para os médicos SE o argumento for ' devolver o dinheiro publico investido em vc para a sociedade' ,.
E dai eu excluiria sim os alunos de faculdades particulares...eles nao pagaram do próprio bolso? Dai pra mim ,nesse caso ESSE argumento nao procede.se pagou do seu bolso, nao ta devendo nada pra ninguém, zero a zero,


- Mas, SE o argumento for " populações carentes nao podem ficar sem medico" , e entendo perfeitamente, dai ok, que seja para todos os médicos,seja de faculdade publica ou particular,
Dai eu estenderia ate : faltam outros profissionais pode saúde, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e que fazem TODA a diferença no tratamento de um doente,
E faria pra area da saúde ou outras que se considerasse socialmente relevantes, ter o profissional ali,
E so esses de relevância social fariam o atendimento obrigatório no setor publico,

O que nao da e pra ficar misturando os dois argumentos .Sob qual prisma estamos analisando? Eu acho o primeiro mais interessante,

So nao concordo em transformar em estagio obrigatório como pre requisito parase formar,Como ja mencionei, e alguém mencionou acima DUVIDO que existam docentes em numero suficiente pra supervisionar todos esses alunos nesses dois anos,nao me levem a mal, mas ja vi esse filme antes...e ja aposto o que vai acontecer, o aluno vai ficar lá largado sozinho, com a batata quente na mão, e sem segurança nem orientação pra atender, alias ele nem pode atender sozinho porque AINDA nao e medico!!! Quero ver ter dinheiro pra pagar todos esses supervisores do estagio, ja vi esse filme, mas bem,vamos aguardar,
Por essa razão sou a favor que o serviço publico seja prestado DEPOIS de formado,na especialidade em que escolheu, podendo ser antes ou depois de ter feiro a residência medica,

Abraços ;)

Maria Valéria disse...

Mais uma coisa:
!!!
Hoje, conversei com meus pacientes ( faço um grupo educativo as quartas de tarde,)e perguntei a eles se eram a favor ou contra a vinda dos cubanos,...eles são a favor!! Coloquei alguns pontos de divergência,eles colocaram os deles e todos saíram ganhando e felizes com o debate que aconteceu no grupo educativo...

Expliquei a eles o nosso receio de nao ter material, de faltar um remedio básico, o porém de morar numa cidade pequena e todos entenderam( ate porque todos moram em Campinas que e grande,,,rsrsr e todos ja passaram alguma vez na vida por uma situação em que faltou um remedio que era barato e essencial)
Porém, mesmo assim, eles são a favor da vinda dos cubanos ou de qualquer nacionalidade , desde que seja pra ajudar,

Eu inicialmente era contra, lendo muitos argumentos de pessoas legais aqui estou abrindo a cabeça, e depois de ouvir os maiores interessados( meus pacientes...) ...


Bem,to gostando, e tenho certeza que as meninas do post estao abertas a conversar mais ;)

Beijos

Unknown disse...

E ainda dizem que as manifestações não são contra os médicos de fora, tampouco por melhores salários, e sim por melhores condições, porque eles amam o povo. Se amam tanto assim por que essas manifestações não aconteceram antes? Por que não foram às ruas pedindo melhores condições de trabalho?

A.H.B. disse...

ui ui olha as dotoras reacinhas. lol

Anônimo disse...

As duas foram corporativistas, classistas, preconceituosas, menosprezaram os leitores. Dou aqui uma aulinha EXPRESS: vão se humanizar antes de entrarem em qualquer debate.

Mariana disse...

Maria Valéria, se hoje eu me formasse e quisesse trabalhar pelo SUS não seria a mesma lógica do programa? Por que sem um diploma na mão, que nesse caso é figurativo, já que não muda nada o meu caso, eu não seria capaz de exercer a profissão? É só uma dúvida mesmo, sou ignorante no assunto.

Maria Valéria disse...

Unknow

Houve muitas manifestações de médicos, sim, antes da anunciada da vinda dos cubanos,por melhorias das condições de trabalho e por salários,sim,
Porém nao foram divulgadas pela mídia.

Mas eu nao participei de nenhuma,nem desta, nem das outras, que foram menores e ninguém lembra que aconteceram

Maria Valéria disse...

Isabela,

Concordo que e enriquecedor trabalhar no setor publico e prestar serviços a comunidade,porém discordo num ponto, acho que deveria ser feito DEPOIS de formado.

Nao acredito, como ja disse antes, que existam docentes em numero suficiente para supervisionar todos esses alunos, que pelo que entendi, irão para lugares carentes onde ninguém quer ir,

Vc acha que os professores vao querer ir pra lá tambem! Ainda que queiram, ou que sejam obrigados a ir,nao creio que o estado tenha dinheiro para pagar tantos docentes em tantos cantos remotos do pais.e sem o supervisor, o aluno nao pode atender, porque ele AINDA nao e medico!!

Nao seria melhor deixar esse serviço para DEPOIS de formado?

Duvido que haja supervisores em numero suficiente,

Beijos ;)

Lígia disse...

Maria Valéria,

Eu acho que as duas razões são válidas.

Médicos são profissionais mais essenciais que outros. Toda localidade no país, por mais remota que fosse, precisa ter médicos e condições para que eles possam fazer seu trabalho.

Quanto a devolver à sociedade o dinheiro investido, concordo que não deveria ser algo exclusivo para os médicos. Todos que usufruíram do privilégio de estudar numa universidade pública deveria, de alguma forma, devolver o que foi investido nele (não necessariamente em forma de dinheiro).

Maria Valéria disse...

Mariana,

Um aluno nao pode atender sem supervisão de um professor,

E por experiência própria( pois fui universitária) duvido muito que existam professores suficientes para supervisionar tantos alunos em lugares distantes.

Por isso, minha opinião que o serviço ao SUS deveria ser depois de formado, nao precisa do professor supervisionando
Lembrando que qualquer aluno, que ainda nao e formado, nao pode atender ninguém sem supervisão!!nem aluno de direito nao pode fazer estagio sem supervisor, e assim por diante,

Seria muito interessante se a Lola conseguisse trazer um professor universitário de medicina para esclarecer melhor essa questão, mas acredito que nao tem numero de professores suficientes,e que os alunos vai ficar ali ao deus dará tendo que resolver os casos sozinhos,
Ai sou contra!!!
;))
Respondi sua pergunta ?
Beijos

Maria Valéria disse...

Relendo os posts,no qual a segunda autora cita que nao tem bolsa de internato:

Minha turma foi a ultima a ter bolsa e a primeira a ter bolsa cortada.tivemos no quinto ano, mas no sexto ela nao existia mais.
E qum cortou as bolsas? O digníssimo presidente FHC, entao reeleito em 1998
Sabe quanto era a nossa bolsa,Lola?
Cem reais.
Nao dava pra fazer quase nada com esse dinheiro, mas ajudava muito gente .na minha turma havia alunos que fizeram ensino médio em escolas publicas , que eram de familia pobre,( uns 10 a 15% da classe, numero baixo, mas maior em comparação a faculdades como USP, por exemplo)
Pra essas pessoas, esse dinheiro fez muita diferença, e fez muita falta quando parou de ser dado.
Eu guardei o dinheiro de um ano todo, enconomizei pra comprar outras coisas.Mas multa gente usou esse dinheiro pra livros,e coisas essenciais, nem to falando tanto de mim
Se estamos pensando em cotas para alunos pobres,a bolsa poderia voltar,
Cem reais em 97, 98 , nao era quase nada, mas pra quem tem um orçamento baixo ja faz uma enorme diferença.

Mariana disse...

Respondeu sim. Obrigada por ser tão solícita, você foi uma das poucas médicas que responderam sem ser intolerantes ou desrespeitosa.

Anônimo disse...

Seguindo essa lógica de que quem estudou em universidade pública tem uma dívida com a sociedade, podemos falar que as pessoas que estudaram em escolas públicas no ensino fundamental e médio também têm. E as pessoas que se utilizam de outros "benefícios" públicos também???

Quem usa o SUS para procedimentos de altíssimo custo como transplantes ou recebe medicamentos especiais que podem chegar a custar 100.000/ mês têm uma dívida com o país???

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog, não o conhecia mas o vi pelo comentário de uma amiga no face de um amigo.

De qualquer forma, como profissional da saúde vou tentar responder a uma pergunta que foi feita, como já é tarde e estou cansado após um dia exaustivo de trabalho, posteriormente compartilho mais opiniões de quem vive na pele a saúde pública na atenção básica.

Foi perguntado se haveria uma alternativa viável à importação de médicos. Primeiramente peço que façam uma reflexão, se nestes locais mais longínquos há delegados, promotores, juízes, e saindo um pouco dessa área vamos lembrar também do médico do INSS. O que estas profissões tem em comum? Concurso público, estabilidade, perspectiva de progressão, de mudar pra um local mais próximo com o decorrer do tempo e permitindo que com novos concursos seja substituído.

Isso é absurdo? É algo inconcebível? O governo ofereceu uma bolsa com duração de 3 anos, e depois? Qual a segurança que se o prefeito perder as eleições nesse meio tempo não atrase o salário? Ou deixe de pagar o INSS mesmo descontando no contracheque? Isso aconteceu comigo por um ano, achava que estava sendo depositado meu INSS pois descontava todo mês do salário mas quando fui ver o extrato na previdência não tinha sido depositado um mês sequer. Só pra finalizar vou deixar mais um exemplo pessoal, meu salário de dezembro de 2012, juntamente com o dos demais médicos, enfermeiros e dentistas foi divido em 17 vezes a serem pagas a partir de maio junho desse ano.

Quem não conhece a realidade não tem ideia. Duas amigas, sendo que uma estava gestante, foram demitidas por telefone porque o prefeito disse que gastou demais na campanha e tinha que demitir as duas médicas da cidade. Enquanto estava em época de campanha ficou com elas (por que será?), uma vez garantido seu mandato pronto. Essa deixa é pra pensarem um pouquinho até que ponto essa medida tem conotações políticas ou realmente mostram alguma preocupação com a saúde pública.

Nadia disse...

A parte que mais me incomodou nos textos foi de que médicos não atuam por dinheiro. Nunca vi um médico que ganhe realmente mal, e dizer que fazem porque gostam das pessoas, é no mínimo ingênuo. Perguntem aos recém-ingressos nos cursos de medicina do Brasil o motivo da escolha do curso. Geralmente é algo ligado ao suposto prestígio que a profissão traz ou senão, porque tinha nota alta no colégio e 'dava' para passar em medicina. Vejo poucos médicos com vocação e que gostem do que fazem. E isso é muito triste.
Se não fosse por dinheiro, respondam, jovens médicas, algumas perguntas:
1) Por que ninguém sai de um consultório sem uma receitinha de remédio? Eu por exemplo, avalio mil vezes antes de comprar e tomar, e quando compro, vou de genérico. Passei por médicos ridículos tentando me empurrar remédio que eu nem precisava. A indústria farmacêutica não tem uma relação boa demais com os médicos?
2) Quantas cirurgias o mesmo médico faz no hospital particular e no público? Sei de um médico que esse número é de 40 para 1. Isso é por que eles gostam mais das pessoas dos hospitais particulares?
3) Tenho relatos horríveis de pessoas atendidas em hospital público, da humilhação que passam (principalmente grávidas). E engraçado que são os mesmos médicos que atendem em redes privadas. Por que isso não acontece lá?
Enfim, em relação aos médicos extrangeiros, tem um texto de um médico brasileiro que mora em Portugal muito bom (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-questao-da-vinda-dos-medicos-cubanos-para-o-brasil) , que pode exprimir minha opinião, que não é "Melhor algúem, do que ninguém". É que essas pessoas terão acesso a uma medicina mais humana do que estão acostumados, pronto.. isso já me conforta.

Anônimo disse...

Embora eu seja a favor da vinda dos médicos estrangeiros, a reação dos médicos brasileiros me parece justa na questão das condições de trabalho.
Esses dois posts foram bem esclarecedores.
Já a reação dos órgãos médicos ainda não me inspira confiança...

Maria Valéria disse...

Mariana,

Obrigada pela sua retribuição.

Porém, uma reflexão que eu acharia legal, e que dificilmente alguém vai responder uma duvida quanto se sente hostilizado.E embora eu discorde de algumas coisas do post das meninas, e concorda com outras , nada pra mim justifica tanta agressividade de alguns comentários,...
Talvez elas ate estejam com medo de vir aqui responder, e serem mais malhadas... Bem, mas essa sou eu.
Eu respondo comentários e criticas educadas , como o seu.;)
E como no meu post, muitas pessoas argumentaram com educação e me fizeram refletir, mudar uns pontos de vista, repensar outros, pode ser o caso das meninas aqui.
Ninguém precisa concordar com tudo,mas debater com o minimo de educação.
Eu estava desinformada em muitas coisas, entre elas o revalida, que muitas pessoas bacanas aqui me mostraram como funciona e eu nao sabia,
...
Talvez uma parte importante que faltou elas definirem com mais clareza, e eu tambem, e que ninguém consegue atender bem sobrecarregado,
( 30 consultas em 4 horas, e 4 horas nao porque quero ir pro consultório particular, mas porque tenho que almoçar e depois ja tem outra agenda lotada pra atender!!) e em muitos casos, se vêem que vc vai almoçar, ou qua vai ao banheiro, gritam, xingam, insultam...
Eu ja atendi com gente berrando lá fora que tava demorando ( 30 pessoas numa manha) , ate uma paciente mais consciente ver que eu nao tinha perdido a calma, que estava chamando um por um educadamente, e dizer " calma, gente , a medica nao tem culpa, ela esta ali atendendo "
...
Percebe??
Igual quando vamos num caixa de supermercado e tem uma fila de 30 pessoas e o coitado sozinho .juro por deus que eu parei de pensar que o caixa( ou qualquer outro atendente de serviço) era " lerdo" quando me pus no lugar dele, quando me xingaram por estar sozinha pra atender todo mundo, na mesma situação,
Acho que esse pronto as meninas colocaram, mas deveria ter sido explicado com ais clareza, por mim,inclusive.
Ninguém quer atender um volume grande de pacientes que nao da conta, e consulta tem que ser demorada, tem que ouvr, examinar,dar receita, as vezes pedir exames, atestados, etc...nao pode ser bom com 30 pessoas numa manha, e felizmente aqui em campinas nao e assim,;)
Beijos

Anônimo disse...

Grande parte dos pacientes, se não for todos, querem sair do consultório com receita de medicamentos ou pedido de exames. Se o médico não faz isso, é visto como ruim... E o medo de errar faz o médico pecar pelo excesso.

Alguém aí falou que os postos de saude não têm medicamentos porque falta médico lá, e que com o médico, ele mesmo poderia solicitar a compra dos medicamentos. Mas não é assim que funciona.
A solicitação de compra não é feita pelo médico, não tem nada a ver com ele. E os postos de saúde fornecem medicamentos para a população da região, independente de quem foi o médico que prescreveu. Um paciente da região que foi atendido em uma UPA deverá retirar o medicando no posto de saúde. O mesmo vale para quem tem receita emitida por médico particular... Mas é claro que a maior parte dos medicamentos fornecidos pela farmácia do posto é prescrita pelos médicos que lá trabalham.

Quando nós médicos falamos que faltam condições de trabalho, muitos entendem que queremos ar condicionado, tomigrafia, etc. Mas não. Queremos o básico. Quero que tenha

Anônimo disse...

Exemplo do mínimo: pelo menos uma cortina na janela do consultório, para evitar que o sol bata na minha cara e na do paciente e dar privacidade ao paciente, evitando que os demais vejam o que ocorre no consultório pela janela. Onde eu trabalho colocamos um lençol na janela, que é insuficiente para proteger do sol e ainda gasta um lençol que vai fazer falta depois. Observe que nem estou me queixando do calor infernal. O mínimo é uma cortina.

Outra coisa: quero que tenha profissionais técnicos em número suficiente para manter o trabalho. Onde trabalho, inúmeras vezes o atendimento teve que ser restrito por falta de técnicos de enfermagem. Um pronto atendimento com a equipe médica completa (3 clínicos e 2 pediatras), mas com somente 3 técnicos de enfermagem para atender o pronto atendimento e uma ala de internação!!!

Anônimo disse...

Engraçado que a Maria Valéria só tem experiência bacana com outrxs médicxs.
Nunca fala mal delxs, todxs profissionais exemplares...

Kinna disse...

O melhor comentário foi esse:

"As duas foram corporativistas, classistas, preconceituosas, menosprezaram os leitores. Dou aqui uma aulinha EXPRESS: vão se humanizar antes de entrarem em qualquer debate."

Também achei que o tom arrogante dos textos só corrobora o que todo mundo já está pensando: médicos umbiguistas que se acham superiores a todas as outras profissões.

Maria Valéria disse...

Engraçado que a Maria Valéria só tem experiência bacana com outrxs médicxs.
Nunca fala mal delxs, todxs profissionais exemplares...


Errado.relatei no primeiro post,(durante os comentários ),péssimos atendimentos que recebi ( em consultório particular), alias, eu e meu pai, em menos de um ano, três profissionais incompetentes nos atenderam.
Quem acompanhou e viu a discussão leu, mas como você nao deve ter lido todos os comentários e preferiu me julgar por um post em que mudei de opinião varias vezes com argumentos de pessoas educadas sobre o que escrevi(o que nao parece ser o seu caso), vc prefere atirar pedras sem conhecer os fatos,
Sem mais,

Raul Pontes disse...

Arrogantes? Até dá pra entender a revolta de quem não é da área, mas daí a chamar de arrogantes? Elas leram, comentaram e tentaram explicar de forma educada o que foi questionado. Concordar ou discordar é de cada um, mas em nenhum momento achei ofensivo ou arrogante.

Quando nós médicos no mostramos contra certas medidas é porque vivemos o dia a dia e sabemos o quanto a saúde desse país é desassistida. O único interesse por trás, seja de partido a ou b, é o interesse político, e quando presenciamos uma jogada política passada pra população como uma grande estratégia planejada e estudada, ainda mais jogando nós profissionais contra a população, não há como não defender isso gente. Qualquer um de vcs faria isso. Nunca me esqueço daquela professora do Rio Grande do Norte num dos vídeos mais vistos no youtube. Não tenho nada a ver com a classe mais reconheço a injustiça que os professores sofrem.

Compartilhei aquele vídeo mais de uma vez. E sempre que posso compartilho coisas que revelam manipulação de massa e essa medida nada mais foi que isso. Pra desviar a atenção da falta de administração da saúde pública após quase 11 anos de um governo que muitos, inclusive nós da área médica, acreditaram que seria a solução. E ainda de quebra colocam a população contra uma classe que não pode ser responsabilizada pela falta de investimentos em saúde. Nem pela falta de atendimento em locais mais carentes. Cabe ao governo discutir medidas que propiciem uma melhor distribuição sem precisar obrigar, ou não é democracia o que vivemos? Muita gente fala que não está contra os médicos, mas foi exatamente isso o que foi conseguido, colocar a população contra a classe, que assim como qualquer outra tem bons e maus profissionais, mas não nem um pouco justo classificar o todo por alguns. Apesar de que sempre se sobressai a parte ruim, nunca vi uma reportagem enaltecendo algum médico humano, solidário, até parece que não existe.

Ninguém é contra médicos que venham de fora ou de medidas pra levar profissionais para os interiores, mas da forma que foi feita, sem sequer consultar os conselhos, as residências, as escolas médicas. O próprio Adib Jatene disse que participava de uma comissão junto ao governo, mas que a medida foi anunciada a ele por telefone, dizendo que iriam lançar em rede nacional, sem sequer terem chegado a uma conclusão ou discutido sobre isso de forma ampla. Vejam que os médicos que concordam com tal medida são médicos que tem alguma ligação política, partidária. Mesmo alguns que tem essa ligação conseguem fazer uma leitura mais imparcial e percebem que a intenção é válida, mas a forma de se executá-la é que não é.

Raul Pontes disse...

Veja esse vídeo de um filósofo que me pareceu bem coerente, pelo que vi também gosta de analisar os dois lados:

http://www.youtube.com/watch?v=YTqyIQRgqGE&feature=share

Maria Valéria disse...

Bruno S, desculpe!! Esqueci de responder sua pergunta

Será que os médicos que temos formados e os que estamos formando são das especialidades que o sistema de saúde necessita nas zonas mais remotas?

- minha resposta ta muito clara : NAO!!! Pelo menos quando me formei, o atendimento em unidades básicas de saúde , o estagio e, saúde publica era somente de dois meses.
Tudo bem considerar que naquela época (1998) nao existia o programa de saúde da familia, ou se existia,ainda esteva em fase de implantação.Pois lá em Botucatu( onde me formei) nao me levaram para nenhum posto de saúde da familia, me levaram para unidade básica de saúde, o que e bem diferente,
Mas o ensino era voltado sim,para uma " especialização" e a area " saúde publica" era muito pouco procurada.alias, tinha gente que fazia piadinha " prestou saúde publica porque nao tem capacidade de passar em outra area, sei lá, cirurgia por exemplo "
Existe sim, essa elitizacao da medicina nesse sentindo,
E esse preconceito com quem faz saúde publica ( vc nao e ninguém, vc e medico de postinho), quantas vezes nao escutei isso de colegas especialistas .
No entanto, algumas coisas mudaram,
Hoje eu creio que o ensino de saúde publica esta bem mais abrangente,e por experiência própria sei que os alunos acompanham consultas e outros procedimentos em unidades de saúde da familia ( trabalhei num posto de SP que era assim, recebia alunos e residentes de medicina da familia)
Vale lembrar que a residência " medicina de familia " nao existia ate uns dez, doze anos atras,
Eu nao fiz residência nessa area, que alias, nao existia quando prestei.
Fiz hematologia,que lida com doenças de sangue e medula óssea.
Apesar de ter gostado e aprendido muito, me decepcionei no sentido de achar que nao era meu perfil fazer aquilo pro resto da vida,
E sigo ate hoje o conselho de uma professora, que se vc nao esta feliz com sua carreira, reavalie sua escolha e nao tenha medo de refazer sua vida,
Ai quando terminei a residência , apareceu oportunidade de trabalho: primeiro plantao,numa cidadezinha perto, depois como medica de familia em outra cidadezinha.
e gostei de ser medica de familia,tanto gostei que estou ate hoje nessa area e acabei fazendo uma pôs graduação nessa area, aqui na UNICAMP, meu orientador foi um cubano,
Uma pessoa sensacional, que e professor lá.
Entao, ainda acho que como muitos disseram, os formandos procuram mesmo áreas mais elitizadas ou visando o lado financeiro( cirurgia, radiologia, dão muito mais retorno, por ex) , sem falar no preconceito com o medico de saúde publica,
Mesmo o que ffaz clinica geral acaba montando consultório,
Mas acredito que aos poucos, essa realidade esta mudando....:)
Espero ter te respondido, se tiver alguma duvida pergunte,


Maria Valéria disse...

LSDiana:


Obs: Maria Valéria tá dando um show aqui de humildade e é exemplo de como deve ocorrer um debate. Parabéns! :)

Obrigada pelo carinho , o prazer e meu em debater com uma pessoa educada.
!!;)

Eu quando fiz meu post, errei em muitos argumentos.
E nao acho que vc entra num debate polemico pra ser dono da verdade ou dar a ultima palavra, a partir do momento que vc posta algo, vc tem que ouvir as pessoas.

Tem um texto alias no meu blog " as discussões inúteis na internet, de julho do ano passado," procura que vc acha.;) omde falo que discussões devem ser produtivas e nao com agressões, ou alguém dizendo ' cala a boca que o entendido do assunto aqui sou eu,", nao,eu nao sou assim,e nao tenho paciencia, alias tenho preguiça pra diálogos nesses termos.

Entao. LSDiana, agradeço o carinho, e vou fazer algumas colocações,

Quando li os textos nao reparei em nada que soasse agressivo,talvez porque sou da area, e quem e da area ja pula direto pros argumentos técnicos e pula a introdução, nao processa, enfim.

Depois, reli, e a introdução pode sim ter soado agressiva para alguns, ...mas nao invalida muitas coisas que as meninas escreveram com as quais concordo.

Entao, qual a minha sugestão? Por que nao dar uma chance as meninas de elas falarem mais ou fazer mais perguntas, pedir para elas explicarem pontos que nao foram esclarecidos? Nem eu esclareci tudo no meu post, nem em todos os comentários acho que consegui, e sou formada ha 15 anos, que dirá elas, que são recem formadas?

No meu post teve uma frase agressiva , mas nao era direcionado a ninguém daqui e sim a comentários que li em UOL e facebook,de gente que achava que nos médicos nao queríamos morar no interior porque somos egoístas de querer ficar nos grandes centros, e isso foi um desabafo,nao dirigido a ninguém daqui, ( ate porque ninguem, nem e Lola tinha falado disso por aqui)mas pode ter soado agressivo pra muitas pessoas.
Entao. Qual meu aprendizado? Da proxima vez escrever sem soar tao agressiva, ponderar melhor o que ponho num texto,minha intenção nunca foi ofender ninguém,
Assim como as meninas podem ponderar melhor sobre a maneira como colocam sem soarem agressivas, o que acho que nao foi a intenção delas.!!;))

So que eu, gosto de discutir com pessoas que me fazem perguntas e discordam com educação, como fez vc,
Entao, que tal darmos mais uma oportunidade para elas responderem a duvidas?
A preguiça e de falar com gente que ja vem com as 4 pedras na mão, o que nao e seu caso, claro,

Eu revi muitos conceitos e aprendi muito com algumas pessoas daqui.e isso pode acontecer em todos os debates, e todos saem ganhando,!!
;) beijo, a disposição se quiser perguntar algo.



Maria Valéria disse...

Raul,

Muitos pontos bem colocados, especialmente do vídeo da professora do RN que arrasou naquela audiência publica.
Este vídeo esta n meu blog,tambem,compartilhei em maio /2011, se nao me engano, ou um mês antes disso,
E depois tem gente que diz que a gente so se importa com a própria classe.
Porque desconhecem a nossa vida , enfim,,,;))
Beijos

Anônimo disse...

Vejam só, começam a chegar os médicos estrangeiros e pra onde estão indo a maioria? sul do país, ou litoral do nordeste, próximo a capitais. Nossa não eram uns santos e os brasileiros os diabinhos? Que coisa não? Por que não fazemos como em Cuba e colocamos eles exatamente onde a Presidente quer??? Ahhhh, ainda não vivemos numa ditadura como em Cuba. Mas isso é uma questão de tempo, se as coisas continuarem do jeito que estão, todos passivos aceitando calados e aplaudindo o lulismo, o dilmismo, semelhante ficaremos ao castrismo.

Läkare disse...

Sempre que posso, leio esse excelente blog. Queria antes se tudo agradecer a Lola por propiciar otimos textos e debates, coisa cada vez mais rara nesse "mundo virtual".

Agora, lendo( e tambem ouvindo) os comentarios da massa enfurecida...Impressionante mesmo e' a quantidade de demagogos!
"Os medicos querem ficar nos centros urbanos..." e voce, esta' disposto(a) a se mudar para o meio da selva amazonica?
"Estudam medicina porque so pensam em dinheiro!" e voce, estuda para passar em concurso publico para servir ao povo?

Pense antes de apontar o dedo fetido, ate porque e' muito facil decidir pela vida alheia.

P.S: Desculpem-me pela falta de acentos.