sábado, 17 de novembro de 2012

GUEST POST: DESEJAR CARRO É FATO SOCIAL NO BRASIL

Robson, autor do blog Consciência, já colaborou com vários guest posts neste espaço (contra o uso genérico da palavra homem, sobre ateísmo e ateofobia, sobre antivegetarianismo, entre outros). Desta vez ele critica o transporte público, que cria a necessidade de se ter carro. 
Para se aprofundar no assunto, recomendo a excelente série de posts escritos pelo Thiago: bicicletas como alternativa de transporte, carro como opressão social, mitos e pretextos, responsabilidade social.
Eis o guest post do Robson:
 

Vêm sendo cada vez mais frequentes as reclamações sobre a multiplicação dos carros nas cidades brasileiras e os consequentes engarrafamentos que se tornaram corriqueiros até em horas fora do pico. Fala-se muito que os brasileiros estão enchendo as ruas e avenidas de automóveis de forma insustentável e contribuindo para sua própria desgraça em termos de meio ambiente e qualidade de vida. Mas convenhamos que isso acontece, entre outros fatores, porque a falta de um transporte público decente está nos forçando a comprar mais e mais carros.
Querer um carro apesar de nossas vias estarem cada vez mais entupidas é um fato social, conforme apontaria Durkheim. Afinal, segundo ele, fato social é aquele fenômeno social que, sendo externo ao indivíduo, lhe exerce um poder coercitivo. Como exemplos de fatos sociais durkheimianos há o caso da religião em sociedades teocráticas, o uso obrigatório de roupas em qualquer sociedade moderna e a obrigatoriedade da matrícula de crianças e adolescentes em escolas.
Pois bem, o desejo, ou mesmo necessidade, do carro é praticamente isso: uma força social externa que vem exercendo uma coerção muito forte sobre quem, a médio ou longo prazo, terá condições de comprar um automóvel. Porque o transporte coletivo urbano das metrópoles brasileiras, sem grandes evoluções de qualidade, faz a vida do cidadão sem carro ser constantemente difícil, impontual e extremamente desconfortável.
Como recifense, tenho experiência para relatar: quem espera 15 minutos ou mais por um ônibus que, em certos horários, chega certamente lotado, tendo que, depois de pagar uma tarifa cada vez mais cara e insustentável, ficar dezenas de minutos em pé e espremido como se estivesse dentro da caçamba de um caminhão de carga, sabe muito bem do que estou falando. Essa situação piora ao quadrado em terminais de integração (como o SEI da região metropolitana do Recife), onde algumas linhas só chegam de uma em uma hora e sempre vêm abarrotadas da “carga” como somos tratados.
Isso se torna ainda mais angustiante quando observamos a deficiência da diversidade de modais em muitas cidades. Recife e região metropolitana mesmo têm um limitadíssimo serviço de metrô e trem, que usa o trajeto de antigas linhas ferroviárias e atendem menos de 10% da população da metrópole. Por aqui não se fala em expandir o metrô para outras localidades das cidades, exceto quando se promete criar um apendicezinho da linha do metrô de superfície para a polêmica Cidade da Copa.
O metrô por baixo da terra, então, é um tabu. Muitas vezes vem a desculpa de que Recife é uma cidade litorânea e seu subsolo não favoreceria linhas subterrâneas, mas a verdade é que uma engenharia competente dribla quase qualquer limitação geológica. Nova York se localiza muito perto do mar e tem um dos maiores sistemas de trem subterrâneo do mundo, deve-se relevar.
VLT [Veículo Leve sobre Trilhos], por sua vez, é algo marginalmente discutido: o único projeto desse modal elaborado para a região metropolitana daqui é a linha Cajueiro Seco-Cabo-Suape, que, assim como o metrô de superfície, ocupará uma moribunda linha ferroviária.
A qualidade e abrangência do nosso transporte coletivo nunca melhora significativamente. 
Ônibus novos, até com o adesivo “Ônibus Novo!”, só vêm mesmo para substituir os veículos velhos, ou no máximo para linhas recém-criadas. De qualquer maneira, continuamos pagando caro por um serviço desconfortável e insosso. Em última análise, nossa dignidade humana e nossos direitos de consumidor são agredidos, ao sermos tratados como carga e recebermos um serviço péssimo não como usuários de um sistema público, mas sim como clientes forçados de uma rede de empresas privadas que desconhecem licitações.
Alguns podem dizer que, para o atendimento de primeiras necessidades, conforto é algo um tanto supérfluo. Podem confundir conforto com luxo. Mas não é essa a conclusão a que se chega quando se anda de ônibus todos os dias. Quando se passa uma hora ou mais por dia espremido num veículo superlotado, tendo dificuldades até mesmo de andar em direção à porta de saída, derretendo com o calor de um sistema que anos atrás abandonou o ar-condicionado, correndo risco até de passar mal. Quando se desembolsa oito reais ou mais por dia para sofrer dentro de algo que mais parece um caminhão de carga viva. Aí um mínimo de conforto acaba se tornando uma demanda a ser defendida com a vida.
É para nos libertarmos desse pesadelo que é o transporte coletivo que somos vencidos pelo desejo de comprar um carro. Não simplesmente porque queremos luxo, mas porque precisamos, não aguentamos mais depender de um sistema que nos trata quase como os animais escravos da pecuária. O sentimento da necessidade de se livrar do ônibus demorado, caro e lotado acaba ultrapassando em força nossa preocupação com as mudanças climáticas, a poluição atmosférica, o gasto de recursos minerais em grande escala, o futuro colapso do sistema viário e todos os inconvenientes da dependência do carro.
Por isso é que Durkheim chamaria nosso desejo por carros de fato social. Porque nosso limite de resistir a essa coerção urbana atiçada pelo precário transporte público vem sendo testado todo dia. Querer um automóvel não é mais um mero sonho de consumo. Vem se tornando, ao invés, uma necessidade, uma meta para nossa alforria. É exterior a nós, e se exerce com uma forte coerção.

106 comentários:

Anônimo disse...

É verdade e parece uma forte coerção da industria automobilística que é quem ganha com a falta de investimento em transporte coletivo de qualidade.

Nina disse...

Isso quando a cidade tem um sistema de transporte coletivo que leva a algum lugar, né? Em muitas pequenas cidades, quando há o transporte coletivo é daqueles que sai de lugar nenhum pra nenhum lugar. =/

Ana Luiza Koehler disse...

Mesmo jamais defendendo o incentivo à compra de carros, concordo com o Robson que a falta de condições do transporte público brasileiro denota uma falta de responsabilidade das autoridades que beira o crime.

Por outro lado, a falta de investimentos no transporte público seguro e eficiente não seria o outro lado da moeda de uma intenção governamental de aquecer a economia através da isenção de impostos para a indústria automobilística? Ou seria mera coincidência?

Mais uma vez, o Brasil obriga seus cidadãos a pagar duas vezes para poder viver decentemente: uma nos impostos que deveriam financiar e manter o transporte público, e outra para financiar seu carro particular (com seu próprio pacote de impostos). É ou não é lucrativo isso tudo? Pra mim, ao menos, não. :P

Patty Kirsche disse...

Puxa, sou obrigada a concordar. A forma como o transporte público oferece um serviço tão ruim e caro acaba tornando inviável a dependência dele. Mesmo porque, a abrangência do transporte público não é satisfatória. Aqui em São Paulo o metrô vive lotado. Muita gente vai de carro até a estação mais próxima e vai de metrô para o centro. Eu mesma faço isso várias vezes. Gasto uma grana com estacionamento, mais o valor da passagem, viajo de pé no maior aperto e ainda ando um pedação a pé. Mas acabo fazendo isso porque o trânsito que enfrentarei será ainda pior. Às vezes eu penso, existem tantas campanhas pra gente deixar o carro em casa e andar de coletivo, mas o transporte público não vai dar conta de toda essa gente. É inviável querer culpar quem opta pelo transporte individual. A questão do transporte público no Brasil é de caráter emergencial. Não se pode mais ignorá-la.

Anônimo disse...

nossa, como eu queria que aqui tivéssemos o transporte como vi na alemanha/suíça... eu detesto dirigir, odeio mesmo.

só que é aquela história: infelizmente, tem gente que fica em pé em ponto faça sol ou chuva por uns 40 minutos pra conseguir chegar ao trabalho. isso pra chegar, pra voltar e por aí vai. aí quem pode ter carro acaba tendo mesmo. se a pessoa quer trabalhar, estudar e ainda fazer outras coisas, acaba economizando tempo nas cidades e horários em que tudo não está ainda etupido.

odeio dirigir. se eu pudesse, não teria carro.

Natália disse...

E é assim mesmo.
Eu morei em Goiânia por 4 anos. O transporte público lá é uma ofensa a dignidade humana. Bem parecido com o que você relatou sobre Recife. As pessoas se 'batem' para entrar no ônibus que sempre está lotado. Um horror.

Estou morando em Porto Alegre e hoje percebo a nítida diferença do que é um transporte público de qualidade. Não é perfeito. Mas aqui é possível andar sem carro.

Ter carro não é luxo, dependendo da cidade que você mora, é necessidade mesmo.

Anônimo disse...

Aqui no Rio de Janeiro tem uma frota de taxi respeitável (todos movidos a gás). Dá pra renunciar ao carro próprio, a não ser para viagens curtas a lugares remotos.

Carros disse...

Carro não é visto como meio de locomoção e sim uma forma de "status social", americanos e brasileiros são os maiores idiotas da terra, se endividam para ter um carro melhor que o vizinho... sempre vai ter alguém com carro melhor que o seu, a não ser que tenha condições de comprar uma ferrari ou uma mclaren f1.

Em relação aos transportes públicos, é só boicotar... compre uma bicicleta e use onibus só quando tiver muito calor ou frio e/ou chovendo.

A crise na europa se deve aos europeus pararem de serem consumistas ao extremo.

Anônimo disse...

vou ser cruxificada, mas a verdade eh que eu realmente acredito que quem nao mora em SP e RJ nao faz a menor ideia do que realmente significa sofrer com transporte publico precario e caotico. ao senhor recifense autor do guestpost so tenho a dizer que eu agradeco a toda e qualquer entidade cientifica e religiosa quando so preciso aguardar 15 minutos no ponto e o onibus surge apenas marginalmente abarrotado de pessoas.

por favor, ne.

Francine disse...

E eu que sou gestante? O medo que eu tenho de pegar onibús e ter que brigar pelo meu direito de sentar, do motorista não parar no ponto (isso acontece muito por onde eu moro), dele estar lotado, de gente cair em cima de mim, e o mesmo vale pro metro. Eu me sinto obrigada a ter um carro, pode ter o engarrafamento que for, mas não tem o medo de ser desrespeitada e de ficar (ainda mais) desconfortável. Quando o bebê nascer vai ser obrigatório, pegar metro ou onibús com criança de colo não dá. A qualidade do transporte público precisa melhorar muito, e a educação das pessoas também.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Não lembro de quem é aquela frase que fala que sinônimo de país desenvolvido não é onde quem tem menos condições pode comprar carro, mas onde quem tem melhores condições usa transporte público.
Essa questão é cada vez mais complicada.
Se você depende de ônibus passa por tudo isso aí que o Robson comentou, por outro lado se você compra um carro, é você a se estressar em congestionamentos, trânsito ruim, não conseguir vaga pra estacionar, sendo que se fosse passageiro em algumas dessas situações poderia até mesmo estar tirando um cochilo.

Anônimo disse...

Eu passo exatamente por isso aqui em Brasília. Me espanta a capital do país ter um sistema de transporte tão ruim.
Morei em Porto Alegre alguns anos, e apesar do sistema de transporte não ser excelente, é muito melhor que o do DF.
O metrô atende a uma parcela pequena da população, tem intervalos longos entre um trem e outro e, invariavelmente, nos horários de pico, está sempre lotado. Não é cheio, é lotado mesmo, a ponto de caso você não o pegue nas estações iniciais, você nem mesmo consiga entrar. A tarifa de ônibus é cara, os ônibus demoram muito para passar. Espera de 40 minutos a 1 hora é mais que normal. Os ônibus são velhos, mal cuidados e sujos. Quando chove é muito pior, já peguei ônibus que quando chovia molhava dentro, mesmo com as janelas fechadas.
Resultado, o sonho de todo brasiliense de classe média ou baixa é conseguir um emprego, de preferência passar em um concurso e comprar um carro, mesmo que financiado em 60 meses.
Tenta-se jogar a culpa para as pessoas, como se as pessoas não quisessem usar o transporte coletivo por elitismo ou algo assim. A verdade é que cada dia mais usar o transporte coletivo no DF tem se tornado uma aventura.
Taxi é algo praticamente inexistente, se não me engano há uns 30 anos não há concorrência para novos taxistas. O preço é alto. E mesmo pagando nem sempre se consegue um.
Quando eu estudava na UnB, morando na Ceilândia, uma distância de mais ou menos 35 km, ou acordava muito cedo para pegar o ônibus antes das 6h30 da manhã ou chegava atrasada para a aula das 8h. Havia uma única linha de ônibus que eu podia pegar, sempre lotado. Isso quando não dávamos o azar do ônibus quebrar. Praticamente morar na periferia inviabilizava o estudo na Universidade Federal. Em 10 anos praticamente não houve melhora alguma no transporte no DF, ao contrário, piorou muito.
Se em Porto Alegre carro era uma opção, no DF foi crucial comprar um veículo. Porque com um filho pequeno, não dava para correr o risco da criança adoecer sem um carro em casa. Não há muitas opções de lazer no DF, principalmente para quem não tem carro.
Aqui no DF não ter um carro te transforma em um extraterrestre. Andar de ônibus no DF é um excludente social. Como ir para um show que termina às 2h da manhã se você não tem um carro, se na cidade não tem taxi e se não há ônibus nem de dia? De bicicleta, se a distância, para mim por exemplo que moro em uma cidade satélite, é de 30, 40 km? Quem lucra com isso além da industria automobilística e das concessionárias de automóveis?
O comentário ficou longo, mas é um desabafo. Sinceramente, é praticamente impossível ter uma consciência ambiental com relação aos meios de transporte dentro de um ônibus lotado, velho e correndo o risco de quebrar no meio do caminho.
Ou seja, cada dia a sociedade te empurra mais para a padronização de comportamentos e o aburguesamento: tenho TV por assinatura porque a qualidade dos programas da TV aberta é bastante questionável, tenho um carro porque é uma epopeia usar ônibus, me tornei servidora porque no DF não há muita opção de trabalho, pago escola particular para a minha filha mesmo acreditando que a escola pública promove uma convivência mais ampla com diferentes pessoas, de classe sociais diversas, o que não ocorre tão fortemente nos colégios particulares... E assim caminhamos como humanidade. Porque por mais engajamento e participação popular, não posso esperar as coisas mudarem tão rapidamente...
Francisca Andrade

Anônimo disse...

"Anônimo disse...
vou ser cruxificada, mas a verdade eh que eu realmente acredito que quem nao mora em SP e RJ nao faz a menor ideia do que realmente significa sofrer com transporte publico precario e caotico. ao senhor recifense autor do guestpost so tenho a dizer que eu agradeco a toda e qualquer entidade cientifica e religiosa quando so preciso aguardar 15 minutos no ponto e o onibus surge apenas marginalmente abarrotado de pessoas.

por favor, ne."

Querido anônimo,você realmente não faz a menor ideia de como o povo do Rio de Janeiro sofre com transporte público!
É tão ruim quanto o de Recife e extremamente caro!
Passe alguns dias no Rio e tente se locomover de um ponto ao ponto e depois veja se foi fácil.
O transporte na regão metropolitana é horrível!
Ônibus,metrô,táxi,barca,van,trem...tudo caro demais!
O engarrafamento está ficando cada vez mais insuportável,as pessoas estão viajando cada vez mais apertadas e abarrotadas.
Muitos ônibus demoram meia hora,1 hora,2 horas pra passar.
Os que passam de 5,10 ou 15 minutos nem sempre param no ponto ou porque estão lotados ou porque o motorista tem um determinado tempo pra cumprir a viagem e não para em pontos com poucas pessoas.
O metrô,mesmo com todas as expansões feitas,está cada vez mais lotado e caótico.
As barcas são poucas e demoram de 15 a 1 hora pra aparecer no terminal hidroviário.
Os trens são insalubres!
E por aí vai...
Sem contar com a falta de educação no trânsito que o carioca tem o que dificulta mais ainda as coisas.

Anônimo disse...

Agora me senti na obrigação de comentar:

E quem espera 15 minutos, NA CHUVA E NO FRIO, sob intenso VENTO, como é comum no inverno do sul do Brasil?

E quem espera nessas horríveis condições climáticas, COM CRIANÇAS?

E quem espera, com BEBÊS SEM o carrinho, já que nossos ônibus não transportam carrinhos de bebês?

Toda vez que uma situação parecer ruim para o padrão, olhem para as mulheres e crianças e vamos descobrir que ela é muito pior.


Anônimo disse...

Muito bom texto! Concordo plenamente com tudo oq o autor disse.
Uma coisa que acho importante lembrar é da bicicleta como meio de locomoção alternativo. Ainda que seja uma ideia bastante bonita (por ser saudável e emitir 0% CO2), creio que as grandes cidades brasileiras ainda não estão preparadas para as magrelas: a falta de infra-estrutura para este meio de transporte faz com que ciclistas e motoristas "disputem" espaço nas ruas e avenidas, o que leva aos acidentes e muitas vezes, à morte dos ciclistas. Isto reforça a necessidade de compra de carro pelos brasileiros.

Anônimo disse...

Anônimo das 13:31 por favor vc,fazer olimpiada do sofrimento e ainda querer falar sobre uma realidade que não conhece é de cair o cu da bunda hein...

Sou de Recife e compartilho da angústia do autor do post,como usuária de uma linha que demora de quarenta minutos a uma hora pra passar,sei bem o inferno que é transposte público nessa cidade,e só posso imaginar,e me solidarizar,com a realidade dos outros lugares.

Cética

Anônimo disse...

Anonimo das 14:31

eu falei de SP E DO RJ.


Anônimo disse...

Ana Luiza Koehler acertou na mosca. Se o autor do guest post descreveu muito bem o problema mas deixando a questão econômica em segundo plano, ela foi certeira.
Mas se por um lado a estrutura dos modais de transporte público no Brasil é um fator que nos impulsiona a comprar um carro, o enorme número de acidentes automobilísticos que ocorrem todo ano no Brasil, pelo menos pra mim, que mora na RM do RJ e sou obrigada a utilizar a BR 101 quase que diariamente, é um desincentivo para a compra de um carro, pois a maioria dos acidentes os automóveis, que são mais frágeis que caminhões e ônibus, estão envolvidos e os mortos geralmentes ocupavam carros e não veículos de maior porte. Sem contar a falta de perícia por parte da maioria dos motoristas.

Patrícia.

André disse...

Pior é quando vc diz "eu não dirijo/não sei dirigir" e as pessoas te olham como se fosse uma aberração rs

Anônimo disse...

O transporte público no Brasil é muito ruim em todas as cidades. Alguns lugares devem ser menos piores, mas, mesmo assim deve estar longe do ideal. Moro em SP, na Zona Leste, que tem a rede de metro mais super lotada da cidade. É humilhante andar de metro e ônibus em horário de pico. H U M I L H A N T E. E mortal. Já tive episódios de falta de ar, por que estava muito apertado. Eu sei que fora do eixo Rio-Sao Paulo o transporte é bem complicado, mas dizer que aqui é melhor é desonestidade intelectual.

Talita Figueiredo disse...

Moro em Cuiabá-MT e uso carro apesar de morar perto do local onde estudo e trabalho.

O transporte público aqui tb é deficiente (como em todo Brasil aparentemente).

Já pensei na possibilidade de usar bicicleta ou andar a pé, mas desisti por 3 motivos:

Primeiro: falta de um trânsito mais humano. Ciclistas, pedestres e motoristas são, via de regra, todos mto mal educados e infratores das regras de trânsito. Acho suuuper perigoso transitar por avenidas movimentadas em cima de uma bike. Ninguém respeita ninguém!

Segundo motivo: Descaso público! Ruas esburacadas, falta de ciclovias, falta de fiscalização e sinalização adequadas. Os cidadãos são mal educados, mas o poder público é criminoso na sua falta de cuidados com o trânsito.

Terceiro motivo: O calor. Sou super branca e vivo numa cidade onde faz 40 graus na sombra. Às vezes já queimo meu braço só com a luz do sol que entra pela janela do carro. Imagine se eu andasse com o corpo todo exposto ao sol andando a pé ou de bike?? Sério gente, pode parecer frescura, mas só quem vive aki sabe o quanto o sol de Cuiabá é coisa séria.

Fico estressada que dói no trânsito, mas infelizmente ainda não achei uma alternativa melhor ao carro.

Talita Figueiredo disse...

Lembrei de outra coisa sobre o assunto: Concordo que o carro mtas vezes é um símbolo de status. Mas pessoal, tem vezes que não é não!

Pra mim e pra mta gente é uma questão mínima de conforto.

Me mato pra manter o tanque cheio (combustível não é barato!) mas não é pra exibir meu carrão por aí não. (até pq ando de carro popular parcelado em 1 milhão de vezes)

Mta gente usa carro ou moto pra poder se locomover com o mínimo de dignidade mesmo.

Eu sofria demais na época em que dependia dos ônibus e faço de tudo pra não retornar a esse estado.

Parabéns ao Robson pelo texto. Ele sempre escreve mto bem, acompanho o blog dele tb. Seu texto trata do caos no trânsito sem demonizar os "motorizados", vendo com clareza a coerção pela qual os motoristas passam.

Não somos todos egoístas que querem se exibir com seus carrões. Somos gente comum que também já passou pela experiência sofrida de andar de ônibus lotados. Tb sofremos com o transporte público deficitário.

Juro que eu abria mão do carro na mesma hora se minha cidade passasse a ter ônibus decentes.

Bella disse...

Acredito que o transporte público é deficiente em todo o país... nasci e morei até os meus 26 anos em Campo Grande/MS, lugar em que o transporte público é péssimo... Praticamente não há linhas suficientes para quem mora em bairros centrais, e às vezes é bem melhor vc ir a pé pra casa qdo pode do que ficar esperando 30-45 min pelo ônibus.

As condições dos pontos de ônibus são vergonhosas... é uma cidade em que não ter carro é uma excludente social e as pessoas acham que ter carteira de motorista te qualifica como pessoa (!).

Tô morando em Curitiba há um pouco mais de um ano e devo dizer que aqui o cenário é bem diferente, apesar de não ser perfeito.

Moro num bairro que é muito bem servido pelo transporte público, e consigo chegar ao centro da cidade em 15-20 min.

Quase não anda de carro por aqui. Sou muito agradecida por morar num local assim.

Bella disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jac disse...

Moro em Curitiba e acredito que por aqui a qualidade do transporte pública é acima da média brasileira. Mas isso não quer dizer que é satisfatória.

Como moro em uma região classe-médi-alta, não sofro pegando ônibus, mas as pessoas da região metropolitana (e bairrros pobres de Curitiba) enfrentam todo o tipo de barreira possível.

A falta de carro, para mim, é mais cruel na hora de fazer compras no supermercado. Por isso, ainda quero ter um carro um dia, mas sem a intenção de ir para o trabalho com ele.

Jana T. disse...

Pra além do que a galera já discutiu, vale lembrar que pegar ônibus lotado é uma situação ainda mais opressora para mulheres, sempre se corre o risco de sofrer assédio sexual, e muitas vezes ele é velado pela situação de apertamento dentro do busão, o filme Cairo 675 mostra bem essa situação em que os homens se aproveitam do espaço abarrotado para assediar mulheres... Eu já sofri assédio em transporte público e tenho certeza que com as condições que temos hoje muitas mulheres vão continuar sendo assediados e constrangidas e muitos homens terão um ambiente propicio para tal...

Patrick disse...

Robson, seu artigo é muito bom, mas eu discordo de você em um ponto importante. Recife, tal como a maioria das grandes e médias cidades do Brasil, não precisa de metrô subterrâneo. Só pra exemplificar: em Boa Viagem, numa faixa inferior a 400m, temos 14 vias de rolagem destinadas a carros (avenidas boa viagem, conselheiro aguiar e domingos ferreira). Poderíamos sacrificar 3 dessas vias para a passagem do metrô de superfície ou do VLT, a um custo de 5% de um metrô subterrâneo (isso mesmo, cinco porcento). Esse sistema teria capacidade para transportar tantas pessoas quanto 30 vias de carro. É muito fácil jogar pedras nos políticos, mas até mesmo pelos comentários neste post, podemos perceber que uma iniciativa como essa teria que enfrentar uma imensa pressão contrária da nossa classe média dependente de carros.

aiaiai disse...

caramba, gente, é claro que o carro no brasil DESDE SEMPRE foi uma imposição da indústria aceita com louvor por uma classe média/alta elitista. Não é um problema que foi criado agora, é um problema que temos que resolver agora. Mas ele vem desde a década de 50 quando p atender às montadoras o governo brasileiro, JK, iniciou um processo de destruição das ferrovias e linhas de bondes. A classe média/alta viu nisso uma forma de se diferenciar do "resto". Ter um carro no brasil é símbolo de status SIM, ainda e infelizmente.

Quem tem poder - de novo a classe média/alta - não luta por transporte público de qualidade. Luta por mais ruas, pontes, tuneis, etc. Porque na cabeça torta deles, quem anda em transporte público é pobre e eles não vão brigar por isso.

lembro quando o Brizola colocou uma linha de onibus que ligava diretamente uma estação de trem (subúrbio) à ipanema passando pelo tunel rebouças, os moradores de ipanema e leblon protestaram, porque isso ia facilitar a ida de pobres para as suas lindas praias.

Nos países desenvolvidos - onde a classe média é poderosa mas luta por serviços públicos de qualidade - não só o transporte público é bom como a saúde, a educação, etc.

Vamos ter que lutar para mudar isso e eu vejo que a ascensão de pessoas das classes E e D para a classe C poderá ser importante nessa luta. Espero que eles compreendam que o governo tem que prover sim crédito fácil e carros baratos para todos, mas em primeiro lugar deve investir em transporte público de qualidade. Espero que eles façam uma gritaria pelos serviços públicos de qualidade mais alta que a gritaria que as elites brasileiras normalmente fazem. Daí, vamos começar a sair do buraco em que nos enfiaram.

E, mais uma coisa, ter carro não deve ser impedimento para se lutar por transporte público de qualidade. Na europa as pessoas tem carro, mas usam apenas nos finais de semana ou para viagens. No dia a dia, todo mundo usa o transporte público. Vá a um metro em qq grande cidade europeia e você verá gente de todas as classes sociais.

Lobo Mau disse...

Lolinha, você usa muito o Gol 1.0 2007 do maridão?

Shoujofan disse...

Queria deixar meus parabéns pelo post. Acredito que mesmo focando um pouco mais na realidade de Recife – que é uma metrópole, não uma cidade pequena – acredito que o drama se aplique à maioria das grandes cidades. Sou do Rio – São João de Meriti, Baixada Fluminense – e desde o Ensino Médio dependia de condução ruim para ir para a escola, depois faculdade e trabalho. Moro em Brasília faz onze anos e aqui é a capital do carro, sem nenhum compromisso público real (*muda o partido, de direita para esquerda, e dá na mesma*) em melhorar o transporte público. Moro perto do Plano Piloto, então, UnB e meu trabalho são relativamente perto, mas a disponibilidade de ônibus é mínima e as esperas são enormes. No entorno (*e alguém falou em Ceilândia*) é muito pior.

Comprando os engarrafamentos do Rio e os de Brasília, não há comparação. Agora, a condução no Rio é muito superior na sua precariedade. Morando em Meriti e me deslocando do Centro do Rio, eu tinha várias opções: andar até a Praça Mauá e pegar um ônibus lixento e caro, mas um só; pegar um ônibus para a Central do Brasil e de lá para casa, ou andar até a Central; pegar um ônibus para Pavuna, andar até o centro de Meriti e de lá pegar um ônibus para casa; ou pegar o metrô entupido, andar ao centro e pegar um ônibus para casa. Em desespero extremo, usar o trem da Central até o Centro de Meriti. Em Brasília, só há uma opção. A capital do país não foi construída nem com projeto de metrô, o que existe saiu à força, e o lobby dos ônibus se vale do Patrimônio Histórico e da conivência dos deputados distritais para barrar expansão do metrô ou o VLT, que está parado. Enquanto isso, os ônibus aqui são em sua maioria velhos, com criadouros de baratas dentro deles, goteiras quando chove, depois de determinada hora não há mais nenhum circulando e ainda quebram com freqüência. E, claro, implodir o Mané Garrincha não feria a cidade tombada, mas construir o VLT é um atentado!

Enfim, eu tinha fobia de dirigir, tenho um pouco ainda. Tive que tirar carteira, fazer tratamento psicológico e comprar um carro. Gasto enorme só que, por mais que eu resistisse, afinal, andar de ônibus não é problema para mim, a tortura era muito grande. Ônibus lotado não era comum, mas esperar por alguma condução... Aqui, em Brasília, dizer que não dirige é algo que causa estranheza, especialmente quando se pertence a determinados grupos econômicos e tem certo nível intelectual. Até me dizerem “Que feminista é você que não dirige?”, como se um carro definisse meu engajamento em qualquer coisa... Mas, como o autor bem pontuou, é um fato social e pesa muito sobre nós aqui.

Enfim, queria muito ter a opção do transporte público, mas não temos. No Rio, ainda iria, a depender de onde eu morasse, já que dirigir é muito estressante, mas no DF, impossível. Tortura.

P.S.: Eu resenhei o filme Cairo 678 (http://bit.ly/KkfMuj), se interessar para alguém.

Rob disse...

Bom,indo na contra mão do muro das lamentações quando eu morava em Ribeirão Preto tinha um ponto de ônibus praticamente na porta de casa,de vez em quando ficava cheio sim,mas nunca abarrotado e me deixava no centro da cidade a um quarteirão do meu cursinho.Em 20 minutos eu chegava no meu destino.

Raziel von Sophia disse...

Ah, eu acho transporte público melhor que carro por uma única razão: pode-se ler enquanto se locomove, e não largo minha horinha da leitura por nada.
Felizmente, aqui em Porto Alegre o transporte é relativamente bom, há tabelas de itinerários e horários relativamente disponíveis e precisas, bem como estudantes e professores pagam meia passagem. É claro, não é perfeito, nos horários de rush os ônibus são bastante cheios(ainda que não se compare ao RJ) e quase todos os ônibus circulam no sentido Bairro-Centro-Bairro, dificultando bastante ir de um bairro pequeno para outro.
Mas, enfim, mesmo que eu venha a me formar e ganhar um alto salário, por mim continuaria somente com transporte público.

Fabiola disse...

O que deixa mais com raiva é quando o prefeito da cidade (Belo Horizonte) fala sobre o transporte público e solta as seguintes frases:
"...quem usa ônibus no horário de pico nunca vai ter transporte de qualidade” (jornal Estado de Minas – 14/09).
E que a culpa do transporte público estar sempre cheio é porque a população não tem paciência de esperar o próximo ônibus! Na verdade esperamos sim, tem dia que espero pelo terceiro ônibus pq os anteriores não davam nem para entrar!!!
òtimo Guest post! deixo mais dois vídeos sobre a situação caótica do transporte de BH.

http://www.youtube.com/watch?v=-8yHbxdSQPw

http://www.youtube.com/watch?v=76w9u_uCOZA

Sara disse...

Robson concordo com tudo, aqui em casa nem eu nem minhas filhas gostamos de dirigir carros, mas o sistema inteiro conspirou contra nossas inclinações.
Minha filha alem de todos os obstaculos que vc citou ainda teve q enfrentar insetos q subiam por suas pernas dentro de coletivos lotados e sujos.
Embora ela tenha lutavo bravamente pra continuar usando o transporte publico acabou vencida.
É profundamente lamentavel e preocupante a maneira como esse assunto tem sido tratado, ainda mais em metropoles grandes como a que eu moro.
O trânsito tb esta a cada dia mais infernal, muitas vezes tenho optado até por caminhadas quando é possivel, mas esta se tornando cada vez mais um verdadeiro desafio sair de nossas casas.

Sérgio Dantas. disse...

Excelente texto Robson. Você pontua uma questão que afeta muita gente. Não faço nenhuma ressalva ao seu texto. Discorreu sobre uma problemática cotidiana, com maestria de poucos. O único "buraco" do seu escrito é a forma como as empresas transportam os usuários, ou seja, como bois. Essa lógica está errada, até mesmo a lógica de transporte dos bovinos, obedece a certos requisitos. Um deles é transportar os animais de uma maneira que eles não sofram e, por consequencia, se estressem. O que acaba por comprometer a qualidade da carne. Em resumo, somos transportados pelas empresas de ônibus, em condições piores do que os bovinos.

Erika disse...

Agora todo o mundo já pode comprar um carro e usá-lo com consciência tranquila! Esse post é tudo o que a maioria da humanidade gosta de ouvir: ter um carro é essencial, porque não há transporte público. Ponto final. Sigamos nossas vidas, de carro, preferencialmente. E quanto a tentar mudar o sistema? E quanto a tentar pressionar as autoridades públicas por transporte de qualidade? Ah, sim, vão dizer que uma coisa não exclui a outra; que, enquanto se exige das autoridades inertes, há que se viver com seu automóvel e etc etc. Esse tipo de argumento confortador serve para nos livrar de muitas lutas políticas: por saúde pública, por educação pública, pelos direitos dos animais etc. Tudo nos é alheio. O sistema não permite que ajamos; nossas escolhas, muitas vezes egoístas, são sempre as melhores porque sempre gostamos de achar que não temos saída. Mas será mesmo? Eu, por exemplo, moro no Rio, que não tem um trânsito flor que se cheire, e vou vivendo meus dias sem carro... tudo bem que não é tão confortável assim andar de metrô ou de ônibus, mas ainda não morri, sabe?
Sei que há pessoas em situações bem difíceis, que moram em locais bem afastados com pouquíssimos meios de transporte disponíveis, mas essas pessoas, geralmente, nem tem dinheiro para comprar um automóvel.

O que eu vejo mesmo no meu cotidiano é gente de classe média, que mora nas proximidades das áreas centrais da cidade e que poderia, sim, usar transporte público, mas que não o faz porque acha o máximo ter um carro e depois vem com esse discurso do "não tenho saída". Só que essas pessoas têm saída. Mas elas acham que fere a sua dignidade ir de pé no metrô (não estou falando de metrô lotado), que esperar dez minutos por um ônibus e depois ainda ter que caminhar um pouquinho porque o ponto não é na porta de casa é algo terrível ou que gastar 10 ou 15 minutos a mais em uma viagem é algo impensável...

Enfim. Sei que há pessoas que realmente precisam, mas vejo que a maioria dos proprietários de automóveis apenas ACHA que precisa ou finge acreditar nisso.

No mais, o fenômeno do aumento do número de automóveis no Brasil é, além de algo associável ao consumismo e ao fetichismo da cultura do carro, uma fuga do político para o individual. Uma solução egoísta para um problema coletivo. Compram-se carros porque o transporte público deveria melhorar; contratam-se planos de saúde porque a saúde pública deve melhorar; matriculam-se crianças na rede privada porque as escolas públicas devem melhorar. O mundo dos serviços públicos vai se tornando um mundo fantasma; a pressão por serviços públicos de qualidade vai enfraquecendo, porque se posso deixar de ser uma usuária desses serviços, por que diabos vou lutar para que eles melhorem?

Anônimo disse...

Como usuários, reclamamos das péssimas condições dos ônibus, mas imaginem o cotidiano dos motoristas e cobradores, que trabalham neles o dia inteiro.

Já peguei ônibus sacolejantes e ficava imaginando como seria se eu ficasse 8 horas por dia dentro deles: sobraria algo da minha coluna? E se a motorista ou cobradora engravidar, não é perigoso para o bebê?

Outro aspecto é a fumaça que muitos ônibus expelem. O uso do diesel em pleno século XXI, com tudo o que sabemos, é um atraso.

Cris disse...

e ainda tem a questão da violência urbana. eu decidi começar a autoescola porque em breve terei que fazer matérias noturnas na universidade. chegar da faculdade até o ponto de ônibus, esperar lá, e depois ir do ponto de ônibus até minha casa depois de 22 horas é perigoso demais.

Robson Fernando de Souza disse...

Patrick, nos diga então como ficariam os estabelecimentos da avenida onde seria construído o metrô de superfície.

E evite tomar o exemplo específico de Boa Viagem como se fosse aplicável a toda a cidade, porque cada artéria tem suas complicações peculiares.

Anônimo disse...

Recentemente viajei a SP (não sou de lá, vou pra visitar a família do marido às vezes) e resolvemos ir e voltar de ônibus interestadual, porque a passagem de avião é muito cara e sempre é mais complicado pegar um avião que um ônibus. Só que marcamos nossa volta pra uma véspera de feriado (12 de outubro, dia de alguma santa), sem perceber. E para pegar nosso ônibus, tínhamos que pegar um metrô bem depois das 18h (repetindo, de véspera de feriado). Duas pessoas com uma mala grande de roupas e uma mala de mão em um metrô lotado (sendo que eu nunca tinha andado de metrô lotado, rs).
Em uma estação em que trocamos de trem, a coisa estava tão caótica que o marido falou "se você conseguir entrar e eu não, vai e me espera na estação x", Pessoas se acotovelando pra entrar, teve uma moça que ficou com a bolsa presa pra fora pelas alças; só na próxima estação pra ajeitar. Achei que não fosse sobreviver...
Aí, depois que chegamos, mais uma grata surpresa: estação tietê lotada, ônibus atrasados, caos... já saímos com mais de uma hora de atraso, pegamos um congestionamento de uns 20km, e no fim chegamos aqui mais de 3h depois do horário previsto.
Imagina quem enfrenta isso todo dia? É de enlouquecer!
Mas também, a gente não tem EXIGIDO do Estado transporte público de qualidade nem nada, né? Acho que falta a nós nos mexermos...


Sofia V

Leticia disse...

Pior quando o ônibus está lotada, com gente colada na porta, e o motorista sisma em parar para deixar subir mais passageiros. Como se não cabe mais nem a respiração de quem está lá dentro?

Anônimo disse...

13.39 - sou de brasília. a verdade é que aqui não há itneresse algum em melhorarem o transporte público. ou vc acha que todos os deputados e senadores que usam carro oficial vão pegar transporte público por melhor que seja? muitos desses políticos se acham os donos do mundo qdo são eleitos e vêm pra cá.

o pessoal que passa em concurso bom fica deslumbrado e quer logo um carro "chique". acontece que no plano piloto nem existe tanta variação de grana. esse pessoal vai andar de vlt, de ônibus? SEI.

tirando isso, já leu algum livro de políticas públicas? em qualqeur livro tem lá que o governo de um lugar escolhe a população que quer ter. e como isso é feito? ok, vamos dar o exemplo de brasília (não o df, brasília mesmo). quem usa o serviço de saúde pública em brasília? moradores de brasília? raramente. e aí o que acontece? mentém-se um mínimo de serviço para não atrair mais gente do resto do df.

e as piadinhas sobre metrô aqui? que o pessoal viria do entorno pra assaltar e teria como fugir mais rápido? ou seja, não existe interesse NENHUM de termos um transporte público bom. nasci e moro aqui e afirmo que o brasiliense é elitista. elitista de porra nenhuma, mas é. ou vc não lembra como era aqui qdo a gente era pequena e as pessoas se segregavam até pelo prefixo do telefone? isso acabou porque temos agora a net, por exemplo, que tem uns números com prefixo doido ou mesmo celular.

se o vlt fosse instalado na w3, o treco iria ser feito só pra inglês ver.

no meu mundo ideal, eu não usaria carro aqui (até porque o plano piloto é pequeno. qualquer europeu andaria de ponta a ponta dele sem reclamar pq já tem costume de andar)e teríamos uma espécie de vlt cruzando todo o plano piloto e metrô pras conexões pras satélites. mas, né, quem que vai querer isso???

Raposa Ácida disse...

Acho LYNDRO quem fala que ter carro é coisa de burguês que não se mexe, e que tem a bicicleta, e que o consumismo isso e aquilo e blablabla wiskas sachet. Geralmente são pessoas que são levadas para tudo o que é canto pelo papai ou a mamãe, ou vivem numa cidade com o transporte público decente ou moram no centro da cidade, podendo fazer tudo de bicicleta.

Tb sou de Brasília e costumava morar há 30 km da faculdade, do trabalho, de tudo. Inviável ir de bicicleta. Como já pontuaram aqui o transporte público do DF É UMA MERDA!!!!! E na minha situação nem ponto de ônibus tinha perto de casa. Eu tinha que pegar carona com alguém para ir ao ponto de ônibus, no ponto esperar uma hora para a lata de sardinha chegar, ir para a rodoviária para pegar outra lata para chegar atrasada na faculdade. Tirei carteira de motorista, ganhei um carro velho caindo aos pedaços e foi só aí que ganhei a liberdade de ir e vir. Nessa época eu era jovem e sozinha, mas imaginem uma pessoa idosa, com bebê de colo ou com parente deficiente nessas condições.

É muito lindo esse papo de carro como opressor social, como fetiche capitalista, e o meio ambiente isso e aquilo, mas vai morar na puta que pariu sem um sistema de transporte público decente.

Anônimo disse...

Bem, sou de Campinas- SP. Já moro em um bairro bem distante do Centro e da rodoviária. Às vezes demorava mais pra chegar à rodoviária do que no ônibus para a minha cidade (que fica a uns 50km de Campinas). Quando comecei a trabalhar do outro lado da cidade, a situação piorou muito. Perdia pelo menos 3 horas por dia em ônibus lotados, quentes (teve situação extrema que uma mulher desmaiou quase em cima de mim por causa da lotação). Eu nunca liguei em ter carro em todos os anos da graduação, mas quando você trabalha longe, em uma cidade que até as rodovias congestionam em horário de pico, começa a ficar impossível não cogitar essa ideia. Pra terminar, estão querendo subir R$0,80 o preço das pessagens (já pagamos R$3,00 por um transporte horroroso, querem que paguemos R$3,80).

Claudia disse...

Quando eu morava na Alemanha andava de metro para todos os lados. Eu tinha carro mas usava nos finais de semana e para ir a lugares mais longes. Hoje em BH se eu nao usar carro nao chego a lugar nenhum alem de gastar o mesmo valor seja pagando a passagem ou a gasolina e o estacionamento. O metro eh praticamente inexistente e as linhas de onibus cada vez mais lotadas e ineficientes. Como alguem comentou, nao eh apenas a questao dos horarios, mas ate mesmo a falta de educacao dos usuarios que nao cedem lugar a quem prioridade e e dos motoristas que nao param no ponto ou destratam passageiros. Fora os assaltos nos onibus da RM, que existem desde sempre e o governo finge que nao ve. Andar de bicicleta em Bh eh impossivel. Varias ciclovias foram construidas em BH nos ultimos meses, mas do que adianta construir ciclovias em uma cidade onde a media de deslocamento eh de 10km? E principalmente numa cidade construida entre montanhas onde praticamente todas as ruas tem ladeiras? O mais engracado aqui em BH que quem destrata os ciclistas sao os pedestres que acham que a faixa eh para fazer caminhada, ou os motociclistas que usam a faixa para ganhar tempo no transito. Algumas pessoas tiveram a iniciativa de organizar uma troca de caronas pelo twitter que ate ganhou uma certa notoriedade por aqui, mas acabou depois que bandidos usavam essas informacoes para roubarem quem estava disponibilizando o automovel. 90% das vezes que dirijo estou sozinha e sei que isso nao eh bom, seja para o transito, meio ambiente, sociedade em geral, mas eu nao abro mao do meu conforto e seguranca a nao ser que tenhamos um transporte como na Europa. E sinto muito em dizer, acho que nao vou viver para ver isso no Brasil.

Tales disse...

Da minha experiência com transporte público, posso dizer que o de Belém realmente era péssimo. Me mudei para Porto Alegre recentemente e é visível a melhoria, mas aqui tá longe de ser perfeito também.

É difícil não desejar ter um carro, pois se aqui consigo me virar no dia a dia, é realmente complicado manter uma vida social e lazer sem carro.

Rodrigo disse...

Lola, nada a ver com o post, mas tem um vídeo rolando no face de um comentário do Morgan Freeman sobre racismo que as pessoas têm aplaudido como se fosse o ápice da reflexão humana. Ao mesmo tempo que eu não consigo emitir um parecer a respeito também não consigo levar a sério o comentário dele. Queria saber sua opinião sobre ele =)

http://www.facebook.com/photo.php?v=4826299852306

Naiara disse...

Faço das palavras da Talita as minhas. Moro em Manaus, e aqui é muito, muito quente. Sempre. Mesmo quando tá chovendo (a não ser em tempestades, que são raras por aqui). E o trânsito é, como na maioria das capitais, caótico. Meu pai costuma dizer que quem vem pra cá 'desaprende a dirigir', e eu digo que é pq todo mundo faz que é assim. Apesar de eu gostar muito da opção bicicleta, não vejo como posso andar de bicicleta aqui, tanto pelo clima quanto pelo trânsito (e desrespeito). Nessas eleições, ninguém falou sobre bicicletas, e, pra melhorar o trânsito, o máximo que falaram foi sobre o brt (que já foi cancelado!!!!!)

Flor de Maracujá disse...

Sou de Foz do Iguaçu - PR, aqui o transporte é ridiculo de ruim e até aqui ja temos congestionamento nos horarios de pico. Nao tanto quando nas grandes cidades, mas ja atrasa e causa trasntornos...

Gabriele Albuquerque Silva disse...

É verdade.
Moro em uma cidade de porte médio, do interior do RS, Passo Fundo.
Por muitos anos minha família não teve uma grande necessidade de ter carro, porque morávamos perto da avenida principal e tinhamos uma boa oferta de linhas de ônibus. No entanto, quando tivemos que nos mudar para um bairro mais afastado, surgiu a necessidade do carro, pq o serviço de linhas é péssimo, sendo que precisamos pegar dois onibus muitas vezes, tem duas linhas que passam aqui, mas as duas vão para a mesma direção da cidade, não tem nem uma linha de ônibus fixa que ligue essa região da cidade com a universidade da cidade, só uma linha que passa duas vezes ao dia, um absurdo. A falta de investimento é triste. Meu pai comprou um carro, até pq mesmo pro trabalho dele que é meio no final da cidade, não tem transporte público
Nunca tive muita vontade nem de aprender a dirigir, queria poder confiar apenas em um serviço de transporte bom e eficaz, mas fica difícil, o carro acaba se tornando uma necessidade... mas ao mesmo tempo, acaba gerando outros transtornos

Anônimo disse...

Vídeo sobre o transporte em São Luis - MA:
http://www.youtube.com/watch?v=Gdigt-sIDZQ

Anônimo disse...

Outro fato é a enorme preguiça das pessoas em andar (coisa que ninguém falou ainda por aqui), não falo de 10, 40 km pra chegar em um lugar, mas para ir a padaria bem ali, apenas algumas quadras, menos de 1km, tem que só vá de carro.
Meu pai é um desses, se mata de caminhar, andar de bicicleta,mas pra ir até o lugar que ele anda ele vai de... carro! já não seria um bom exercício ir a pé?
Aqui em SP, parece quando eu e/ou meu marido perguntamos como faz pra ir a tal lugar a pé (em uma distância máx. de 3 km) as pessoas olham pra gente como se fossemos lunáticos, falam que é melhor ir de bus ou metrô (e não pensando em nossa segurança, mas no esforço). Eu realmente não entendo quem pega metrô, paga caro, para andar somente 1 estação (qnd próximas e a pessoa não está com pressa de vida ou morte).

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Sabe o que é mais engraçado? Sou de Campinas, tenho carro e já pus os gastos de ir para São Paulo de carro e de ônibus na ponta do lápis. Se você tiver duas pessoas indo com você, compensa ir de carro, inclusive financeiramente. O custo das passagens até a rodoviária de Campinas, das passagens até São Paulo, até o destino (ônibus ou metrô, ou ônibus e metrô), mais todo o tempo perdido em esperas e filas...

Compensa o carro. E a pergunta que se faz é: como um transporte que deveria beneficiar o coletivo sai mais caro do que o individual???

Outra coisa que pega é a burrice das linhas. Trabalho perto de casa, menos de 5km, mas o transporte faz com que eu tenha que pegar dois ônibus para chegar. Ou seja, 8,00 todos os dias. Além da espera.

Mariana. disse...

eu acho que as pessoas que sugerem BICICLETA como transporte público vivem no mínimo fora da realidade.

Se você não mora na Europa, ou pelo menos no sul do brasil, é inviável.

A minha cidade é a capital mais quente do brasil. as ruas não são planejadas, há muitas subidas e descidas. quando não chove demais (como agora) é insuportavelmente seco (10% de umidade). Fora os riscos que a um cliclista corre, porque no brasil as pessoas não costumam respeitar pedestres e ciclistas né?

Não dá pra chegar no trabalho derretendo.

Aqui, carro COM AR é necessidade.

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Já fui da turma que achava que ter carro era questão de status. Até virar mãe e ter que depender do sistema público de transporte para levar minha filha ao médico de madrugada, com febre de 40 graus... Ou quem sabe, entrar em um ônibus lotado com uma criança de um ano e meio no colo e ninguém ceder o lugar??? Eu encaro o transporte público, mas não vou obrigar minha filha a fazer o mesmo, sinto muito. Assumo.

Verô! disse...

Muito bom o texto, principalmente por não retratar quem tem carro como o vilão da história. Eu sempre usei transporte público enquanto morava perto de uma estação de metrô aqui em São Paulo. Mas depois que me mudei para um bairro mais afastado da região central e sem essa opção me vi obrigada a comprar um carro. Aqui o ônibus passa de 40 em 40 minutos e atrasos são a regra. Não gosto de depender de carro, adoraria ter a opção do ônibus ou do bom metrô - o de Sampa é bem cheio, mas muito melhor do que o do Rio de Janeiro, cidade onde vivi a maior parte da vida.

O autor demonstra conhecimento sobre transporte público. Concordo que o VLT poderia ser uma boa alternativa para bairros distantes. É mais barato de implementar do que o metrô e, pelo menos com a experiência que tive em Amsterdam, parece ser bem eficiente, silencioso e confortável. Eu acho incrível como as autoridades não levam a sério essa hipótese! Li que vão implementar o VLT no Rio de Janeiro até 2014 por causa da Copa, mas como sempre, ele vai circular no centro (área que já é bem servida pelos ônibus e metrô) e mais uma vez os moradores dos bairros do subúrbio, aqueles que não vão ser frequentados pelos turistas na copa, continuarão no sufoco!

Mas eu acho que cada um pode fazer um pouco para ajudar a melhorar essa situação. Conversei com uma das síndicas do condomínio onde moro e vou propor na próxima reunião geral a criação de um sistema de caronas aqui. Meu condomínio é bem grande e acho que todo mundo tem carro e muitas vezes as pessoas vão para o mesmo lugar, no mesmo horário e mesmo assim cada um sai com o próprio carro! Com as caronas podemos elaborar um rodízio, onde um grupo fecha um acordo. Cada dia da semana um carro vai sair e levar os outros membros do grupo (o bom é que dá para organizar de acordo com o rodízio da própria cidade), podemos tirar até 4 carros da rua, economizar com combustível, estacionamento e ainda fomentar o ímpeto pela colaboração. Vamos ver se vai dar certo, eu espero que sim!

Julia disse...

Em Salvador a única opção que temos de transporte público são os ônibus. O metrô (na verdade não vai passar por baixo da terra) está sendo construído há 10 anos e só tem 6 km RYSOS

A situação dos soteropolitanos não é boa, mas pelos comentários a de outras cidades é muito pior. No RJ e SP se tem metrô, trem, ônibus, balsa.. mas parece que o negócio é insuportável.

Ane disse...

Oi Lola, me desculpa comentar aqui, que não tem a ver com o post, mas estou indignada com uma coisa que me aconteceu hj e precisava escrever pra vc antes de dormir...

Acabei de chegar da Pizza Hut em Campinas, na Av. Norte Sul. Fui com meu namorado e encontramos um casal de amigos lá. Na mesa sentei do lado da amiga e meu namorado e o namorado dela tb lado a lado, assim podiamos conversar, fofocar, enfim! Pedimos nossa pizza e o garçom que nos atendeu estava sendo bem simpático, prestativo...Até que "do nada" ele meio que começou a xavecar minha amiga (a que estava do meu lado e o seu namorado estava sentado na nossa frente junto do meu namorado, nao sei se dá pra entender), fazendo alguns comentários, mas a gente nao entendeu bem sabe? coisas do tipo "é pra já" e encarava ela, pois era ela quem estava pedindo as coisas pra ele...

Acontece que estavamos conversando, rindo mto juntos e ele chegou do nada e perguntou se não queriamos pedir a conta,assim meio q expulsando e perguntou como quem não quer nada: "vcs estão DE CASAL hj?" e a gente respondeu que sim, e continuou os pedidos e ele voltou a perguntar, do nada de novo: "nossa mas, pizza hut não é UM LUGAR ROMÂNTICO para CASAIS...vcs deveriam ter ido numa BALADA, NÃO ACHAM??! "
ai meu namorado achou aquilo tudo muito estranho e pra cortar ele falou "é namoramos todos há muito tempo então queremos algo mais sossegado"...rimos sem entender e ele fechou a conta.

Acontece Lola, que na hora, ninguém se tocou. mas, assim que saimos percebemos...ele estava achando que éramos casais gays, pois estavamos sentados um do lado do outro "namoradas" e "namorados" respectivamente e aí entendemos o porque ele começou a tratar a gente mal do nada! ele perguntou se estávamos de casal e respondemos que "sim", pq realmente estávamos, mas. não éramos o casal q ele queria né?!

Eu sei que estou em choque sabe, por ter passado por uma situação de preconceito as avessas e ter sido lerda de me tocar só depois, quando tinhamos saído. Aquele garçom nao tinha o direito de nos tratar assim sendo um grupo de casal gays ou nao, aquilo foi um absurdo e eu estou me questionando aqui desde q isso aconteceu como deve ser dificil a situação e como é horrivel ser discriminado...tô mto mal mesmo sabe, a gente nunca acha que existe esse tipo de coisa, só "bem longe" da gente...enfim!Espero que vc tenha entendido minha situação, fiquei com uma vontade enorme de ir lá e falar pra aquele babaca ; "e se essa fosse a minha namorada eu nao tenho o direito de vir aqui?" sabe??! enfim, eu quis escrever aqui pq é o lugar onde me sinto entendida....

um bjo e adoro seu blog sempre!!
@anelizee_

Anônimo disse...

Eu acho carro um desperdício. Se vc mora numa cidade em que o transporte é razoável, use o transporte público. Se surgir uma emergência durante a noite, táxi é a solução.

Anônimo disse...

Concordo que a forma como o transporte é encarado no Brasil é inviável. As cidades estão entupidas de carros e a oferta de transporte público é ridícula. Mas, como o próprio autor do texto falou, carro aqui tem se tornado uma necessidade.

Antes de ter carro, eu sofria muito com o transporte coletivo aqui na minha cidade. Era bastante comum eu me atrasar pro trabalho ou pras aulas. Obviamente isso diminuiu muito quanto eu comprei meu carro.

Claro, carro é gasto, tem a questão dos engarrafamentos...mas aqui onde eu moro só tem ônibus e não há faixa exclusiva p/eles, no geral. Então, esteja vc em um carro ou em um ônibus, melhor estar num carro. Sem aperto, no conforto, com ar e som ligados e mais "seguro" (aqui na minha cidade existe um problema seríssimo de assaltos em ônibus). Sem contar que os ônibus vivem atrasados e operam em horários bastante restritos.

Quanto ao uso da bike, sinceramente eu acho inviável, pelo menos aqui (Natal/RN). Apesar de ser uma cidade compacta, a malha viária é muito ruim, além de não haver ciclovias. Fora com o sol daqui a cruel...vc sai de casa e chega ao seu destino completamente ensopado de suor!

Nessas últimas eleições, direcionei meu voto àqueles candidatos que procuravam tratar a questão do transporte de maneira inteligente, sem focar no uso do automóvel. Pena que o candidato a prefeito em questão não levou...

Anônimo disse...

Ah, e mais uma coisa: apesar de ser contra a forma como as autoridades priorizam o automóvel aqui no Brasil, devo confessar que gosto de carros. Entendo de carros, leio revistas especializadas e gosto (muito!) de dirigir. Mas, apesar desse fato, reconheço e sei da necessidade de que a mobilidade urbana neste país seja pensada para o coletivo e não para o individual.

Shoujofan disse...

Li o comentário de um anônimo que pontuou que qualquer europeu andaria de ponta a ponta do Plano Piloto sem reclamar. Bem, não conheço muitos europeus e nunca saí do Brasil, mas não acho muito viável que alguém cruzasse à pé todos os dias W3 Norte/Sul para estudar ou trabalhar. Posso estar sendo acomodada, mas as pessoas têm horários a cumprir e são (*somente*) 14 km de uma ponta a outra da asa do avião (http://doc.brazilia.jor.br/Vias/Eixo-Rodoviario.shtml). Não sei quem faz caminhadas regulares desta extensão, mas a maioria dos atletas que conheço não costuma fazer, não. Obviamente, se houvesse uma rede de ciclovias no Plano Piloto conheço muita gente que passaria a usar a bicicleta. O governo atual – que muito pouco faz de positivo – está construindo uma grande ciclovia nos bairros vizinhos aos meus e que deve se estender ao que eu moro. Só que ela é restrita e só seria viável para quem trabalha e estuda no local.

Outra coisa que quem mora em Brasília e andou de ônibus ou á pé por aqui sabe é que muitos lugares não tem calçada. A cidade planejada, essa maravilha que precisa ser defendida do VLT (*que seria útil, sim, apesar do que o anônimo dos europeus colocou*), não foi pensada para pessoas. Por exemplo, uma das paradas de ônibus mais importante do Plano Piloto é a que fica em frente ao Palácio do Buriti – sede do governo no DF. Ela sempre está cheia, já peguei meu segundo ônibus ali (*pagar mais, pegar duas conduções, porque os horários são absurdos*) centenas de vezes. Na frente do Tribunal, onde muitos ônibus largam os passageiros porque se forma uma grande fila é gramado e meio-fio. No gramado, a placa “Não pise na grama”. Muito bom isso! Quem mandou estar à pé?

Acho realmente insustentável que tenhamos cada vez mais carros na rua. Sei que há, sim, status envolvido, isso é objeto de estudo, também, no entanto, as políticas de transporte público neste país são falhas e/ou inexistentes. Aqui, em Brasília, há dois lobbies poderosos, os das empresas de ônibus e o dos postos de combustíveis que age como cartel. Isso que estão mostrando em Curitiba é regra aqui. Esses dois lobbies impediram a construção do VLT, dificultam a ampliação do metrô (*que existe para trazer mão-de-obra barata para o Plano Piloto*) e que a malha ferroviária existente possa ser usada para transporte (*promessa de campanha do governador*), que hipermercados instalem postos de gasolina como acontece no Rio, ao mesmo tempo, protelam a compra de novos ônibus menos poluentes e confortáveis. Enquanto o governo não tomar as rédeas da situação, nada vai mudar. E quanto mais longe do Plano Piloto, pior. Há lugares nos quais não se tem nem linha regular de ônibus.

Mihaelo disse...

Buenas, o transporte coletivo no Brasil,em quase todas as capitais é muito péssimo!Somente Curitiba e Porto Alegre têm bons sistemas públicos de transporte.Mas o da região metropolitana de Porto Alegre é melhor ainda que o da de Curitiba. Além dos ônibus(alguns com ar condicionado e adaptados para cadeirantes)há as lotações(micrônibus que só transportam passageiros sentados e custam mais caro que os ônibus) e uma linha de metrô que atende a 5 municípios do eixo noroeste da RM.E para facilitar a vida das pessoas a cidade é quase totalmente tcratizada(ônibus denominados T 1 a 12 e que circulam do sul para o norte da cidade sem necessidade de ir ao centro)e TM de 1 a 5 para a região metropolitana. Além disso há fartura de táxis,4000. O inconveniente terrível são os megaengarrafamentos que se tornaram rotina nos horários de pico que faz que os ônibus fiquem presos e assim já fiquei 55 min esperando pelo ônibus depois mais 60 min para chegar em casa devido à tranqueira gigantesca na autoestrada BR-290, em virtude de esta ser o único acesso ao eixo noroeste da RM.Enquanto não for inaugurada a via elevada expressa(BR-448 Rodovia do Parque) estas tranqueiras seguirão sendo frequentes e com a inauguração da Arena do Grêmio no mês que vem, em dias de jogo será terrível. Eos engarrafamentos no ano que vem vão se ampliar com as obras para a Copa com a construção dos BRTs nos corredores de ônibus da zona leste e dos viadutos na rodoviária e na Terceira Perimetral. Vai ser um caos total!!!!
Quanto á televisão ruim mencionada pela Francisca, aqui em Porto Alegre não temos este problema.Além da excelente TV Educativa temos a maior quantidade de salas de cinema per capita do Brasil. São 80 para 1 milhão e 410mil habitantes ou seja uma sala para cada 18mil habitantes ao passo que São Paulo tem apenas uma sala para cada 45mil habitantes. Temos filmes de ótima qualidade para assistir durante todos os 365 dias do ano e ainda temos 30 salas de teatro e uma movimentada vida cultural com todo o tipo de clubes, bares,restaurantes,centros culturais, museus(todos gratuitos, exceto o da PUC e da Fundacão Zoobotânica), enfim tv para quê?
Tirando os inconvenientes da violêncxia e do trânsito, a cidade é uma maravilha, se eu fosse morar na cidade natal de meu pai que é tranquilíssima e pacata, eu teria que viajar todo fim de semana a Montevidéu visto que além de não ter cinemas e teatros não tem banda larga, a OI deixa ainda quase 400 cidades gaúchas sem conexão ADSL!!

Patrick disse...

Róbson disse... "Patrick, nos diga então como ficariam os estabelecimentos da avenida onde seria construído o metrô de superfície."

Tal como no caso do racismo e do machismo, de quem nunca ficamos livres por causa do condicionamento que a sociedade nos impõe desde tenra idade, nós, brasileirxs de classe média, temos profunda dificuldade em abandonar nossa visão de mundo que gira em torno de carros.

O raciocínio que você expôs, Róbson, é tão popular que até mesmo existe um ditado pra ele: "no parking, no business". Algo como "sem carros não há negócios".

Isso porque nossa mente parte do pressuposto de que quem faz compras são carros e não pessoas. É essa lógica que quem defende cidades para pessoas quer quebrar.

Sendo mais específico em relação a sua pergunta, há várias opções, como separar ida e vinda do metrô/VLT em avenidas distintas ou utilizar a mais larga delas, com seis vias, para os dois sentidos, deixando ainda de sobra duas ou três vias para a movimentação local (particularmente, eu optaria por deixar apenas duas vias, uma em cada sentido, e utilizaria o espaço da terceira para aumentar a área disponível para pedestres nas calçadas).

Esse padrão é replicável em boa parte da região metropolitana de Recife, como em outras grandes cidades. Há apenas que fazer o estudo técnico para avaliar o que é mais adequado: metrô, VLT ou faixa exclusiva de ônibus. Onde há avenidas de quatro faixas (ou duas num mesmo sentido), há espaço para alterações.

Deixo pra reflexão a seguinte sugestão de leitura: Como resolver o trânsito do Rio de Janeiro em seis dias.

Juba disse...

É uma coerção, mesmo! Sempre andei de transporte público, gosto e não me incomodo. Porém, quando vou sair com duas crianças pequenas, como fica? Quando é com apenas uma, ainda consigo, mas carregar o bebê no colo, ajudar a outra a não cair e não ser levada pela multidão, carregar fraldas, sacolas, guarda-chuva... Em alguns países há espaço para carrinhos de bebê nos õnibus e todas as estações de metrô tem elevador. Tenho forte desejo de nunca mais pegar o carro, mas ainda não é possível. Foi a primeira vez que li um texto anti-carro que considera esses problemas. Parabéns ao autor.

Juba disse...

Boicotar o transporte público? hahahaha

Sim, vou andar 50km de bicicleta todos os dias, com bebês e crianças na garupa, com todos os apetrechos e mais uma tenda contra a chuva.

É da mesma turma que critica quem contrata uma pessoa para ajudar em casa, só pode! Nunca ficou horas sem poder nem fazer um xixi ou comer por causa de um bebê.

Mordred Paganini disse...

Olha, é bem fácil você dizer que carro é luxo quando mora na Zona Sul do Rio de Janeiro e pode ir de metrô, sentado!
Não falo do transporte da Região dos Lagos porque choro de raiva cada vez que penso que onde moro os ônibus passam teoricamente, a cada 1 hora e meia (mas na prática, mais do que isto). E a tarifa é 3,80 em um lugar onde quem ganha bem, ganha 800 por mês.
A tarifa de 3,80 é para o ônibus intermunicipal, mas todos os moradores da região dos lagos são obrigados a pagar por esta.
E mais: onde moro, não tem ônibus depois das 23h e para voltar para casa depois disto, preciso pagar um ônibus e mais uma van, que pode não passar.

Outro exemplo péssimo de transporte é o de BH. Nem sei como é possível viver sem carro, já que se trata do transporte público mais mal planejado do mundo. Tipo, para se deslocar entre bairros vizinhos, você precisa pegar 2 ônibus! Isso sem contar que é impossível fazer um "local" te dar uma informação simples. Mesmo que este "local" seja o carteiro, o cara da banca de jornal, um guarda municipal ou um policial. Não sei se é cultural ou se o ato de subir e descer ladeiras o tempo todo faz os naturais de BH serem os mais desorientados do mundo...Daí você precisa achar um carioca ou paulista pra te ajudar...
Aliás, chegou ao cúmulo de eu não conseguir informação do MOTORISTA DE ÔNIBUS. Fucking motorista de ônibus!
Morar em BH e não ter carro...Putz, eu passei 1 semana lá e tenho certeza de que não volto nunca mais.
Aliás, eu disse uma frase que ficou imortalizada enquanto estava em BH: o sistema de transportes de BH é muito eficiente! Te leva de onde você não está para onde você não quer ir...
Sempre que penso na merda que é o transporte da Região dos Lagos, lembro que poderia estar em BH...
E gente: defender a bicicleta como alternativa de transporte é que é o cúmulo do elitismo. Já pararam para pensar no número extremamente limitado de pessoas que realmente poderiam fazer isto no Brasil? Tão achando que estão em Amsterdã? Desculpe, mas eu não sou suicida.

Anônimo disse...

Lola, de maneira geral, eu concordo com o que vc diz, mas tem coisas que vc fala que levam minha mão à testa instantaneamente. Essa história de "alfacismo" ("racismo" contra vegetarianos) é ridícula. Ninguém detesta os vegetarianos (exceto Olavo de Carvalho, mas esse odeia qualquer um que não é católico e de direita), o caso é que os vegetarianos que não deixam ninguém em paz. Sabe como é que você descobre um vegetariano? Não interessa, ele vai se revelar só. Viu? Até as piadas a respeito deles têm esse conteúdo. Acho de uma cegueira social sem tamanho colocar esse "alfacismo" no mesmo nível de outras coisas como racismo ou homofobia.

Anônimo disse...

alguém falou sobre o carro como status social e lembrei de uma situação que presenciei.
Uma família de brasileiros chegando de ônibus desde o aeroporto numa cidade na Europa.. A cidade linda, historia e arquitetura diferente, os dois garotos (adolescentes)e o pai ficaram o tempo todo só reparando e comentando nas marcas dos carros que estavam na cidade, sem um comentário sobre a cidade em si.
Achei lamentávelmente triste.

Anna disse...

Concordo com tudo embora eu acha que a descentralização das capitais deva ser discutido e trabalhado em conjunto, porque sinceramente, aqui em São Paulo, parece não fazer a mínima diferença quando se inaugura uma nova estação de metro.

Anônimo disse...

eu pego onibus. trabalho em horários fora da hora do rush então os ônibus estão quase vazios e tenho bastante oferta. mas o problema são os passageiros. eu sempre fui pobre e morei na periferia mas nunca vi uma onda tão grande de falta de educação e civilidade como atualmente. é celular estrondando com todo tipo de música, desde evangélicos até proibidões do funk. sexta feira um rapaz ficou de pé ao meu lado e puxou um celulão desses modernosos e sem fone e encostado no meu ouvido começou a curtir uma cantora gospel estridente e desafinada. escorando a mão no encosto do meu banco e nem é com ele. dane-se. na outra semana um outro rapaz sentou ao lado de uma moça e começou a ou vir um funk cuja letra só tinha palavrões e descrevia uma transa com direito a gritos e gemidos de mulheres no cio. sem falar q as pessoas resolvem discutir todo e qualquer tipo de problema no celular, falando alto e mais de um ao mesmo tempo. e quando para perto de escola leva mais de 20 minutos até entrar todo mundo pq o cartão de passagem de estudante leva +/- 30 segundos pra liberar a passagem de cada um. como a maioria das linhas passa direto sem parar pra eles qdo para um já viu. eu moro relativamente perto do trabalho, uns 30 a 40 min. com transito bom mas acaba demorando quase uma hora pra chegar. e até ônibus especial é assim. a falta de educação é democrática. rico, pobre, preto, branco, remediado, ninguém respeita o próximo. cuspiram pela janela da frente e o caiu em mim. adolescentes e jovens sentam nos bancos especiais e idosos vão de pé quase caindo. e um dia um deficientde muletas viajou de pé até que eu dei meu lugar pra ele e oha eu estava sentada lá atrás. do jeito q o povo está nem se tivesse um transporte pra cada um as coisas iam ter jeito.

Anônimo disse...

Excelente, Robson!
Eu, que moro na periferia de São Paulo gasto quatro horas por dia, m média, para me deslocar (contando o tempo de espera fora dos coletivos e o tempo dentro, nos engarrafamentos) e quando trabalhava e estudava, gastava seis horas diárias só para me deslocar, mais tempo do que tinha para gastar dormindo.
Além da longa espera, dos ônibus e trens lotados, da dificuldade de descer, tenho que ouvir o funk dos egoístas que não usam fone de ouvido.
Sou pobre e, apesar de ter quase trinta, não poderei comprar um carro nos próximos dez anos. Penso em conseguir um emprego que não seja longe de casa: o transtorno do transporte é tão grande que eu iria à pé em trajetos com duração de até duas horas. Quem sabe eu consiga caminhar quatro horas por dia.

Mordred Paganini disse...

O meu problema com falta de fones de ouvido foi resolvido de maneira muito simples: tirava os meus fones do meu ouvido (acredite, hoje em dia o som dos celulares faz com que fones de ouvido não sejam suficientes) e dizia para o ônibus "ô minha senhora/senhor, já inventaram os fones de ouvido. Porque você não usa? Coincidência ou não, parei de ter problemas tanto com evangélicos quanto com funkeiros. Eu tb já cheguei a dizer "vou abrir uma loja de fones de ouvido"...

Mas na verdade, é obrigação do motorista e do trocador reclamar, afinal, é PROIBIDO desde sempre.

E já quase expulsei um sujeito "cantor" de um ônibus de viagem. Por minha causa, o motorista disse que se ele não parasse, que iria para a DP.

Era véspera de feriado e eu estava indo para Região dos Lagos. 6 horas de engarrafamento de verão com um mala gritando pagode desafinado no seu ouvido? Não ia rolar!

Enfim, só alguns exemplos. Não consigo ser passiva nessas horas.

Mariana. disse...

esqueci de dizer que, como aqui é sede da copa (Cuiabá!), estamos passando por várias obras e que aqui é o único lugar que terá VLT. Vai passar nas avenidas principais, cortando a cidade. ¬¬ e vai custar bem mais caro do que deveria, porque o roubo rola solto por aqui.

Carolina Lucas Paiva disse...

Como moro em Porto Alegre, no centro, carro para mim continua sendo apenas uma opção.
Só terei um carro se for mesmo necessário e o transporte público não dê conta.
Não vejo sentido nas pessoas quererem demonizar quem tem carro, como se a raiz do problema estivesse na pessoa e não no sistema em si. Até porque é muito mais fácil e cômodo fingir que o problema é de ordem individual.

Claudia disse...

Eu acho que soh ha uma solucao para os congestionamentos no transito: a flexibilizacao dos horarios de trabalho e estudo. Duvido muito que o trasporte publico melhore e mesmo se melhorar nunca moramos num pais tao populoso assim. Aqui em BH sao 6 milhoes na Regiao Metropolitana e pelo menos 1.5 milhoes de carros passam pelas principais vias da cidade por dia. Entao porque nao trocarmos horarios de trabalho? Por que todos os bancos tem que abrir e fechar no mesmo horario? Sao instituicoes privadas que tem autonomia. Por que todas as escolas comecam as 7 da manha? Todo mundo tem que estar no trabalho as 8 ou 9 horas, mesmo? Conheco gente que trabalharia feliz de 6 as 16 horas e gente que amaria trabalhar de 12 as 22. E tem tambem a questao da descentralizacao das cidades, por que tudo tem que estar no centro e nas avenidas principais? Por que nao investem em shoppings, hospitais, escolas e outros servicos na periferia? Hoje em dia a "nova classe C" ja tem dinheiro suficiente para gastar com servicos e a periferia tem que passar a ser prioridade de investimentos privados. Alguem mencionou que a ascencao das classes E e D a classe C ajudara na pressao por transporte publico e eu afirmo o contrario: nunca essas classes tiveram tanto acesso a credito como agora e isso nao acaba. Eles vao comprar carros sim e nao vao parar soh porque tem um onibus perto da casa deles. Nao tenho nenhuma solucao brilhante para o problema do transporte publico e sinceramente acho que o problema esta sendo tratado de forma errada.

Eurritimia disse...

O problema dos carros só pode ser resolvido com uma reestruturação profunda nas cidades. E a primeira revolução é justamente tornar o transporte público mais atraente do que o individual. Este site contém ótimas idéias para uma cidade sem carros: http://www.carfree.com/

Alice Fox disse...

Anônimo das 10:40


Não sou vegetariana, mas posso dar meu pitaco?

Vejo vegetarianos sofrendo preconceito sim. São sempre alvos de piadas e a sociedade já generalizou que são chatos. Com isso, tem vegetarianos (restritos ou não) que nem precisam sair pregando por aí para serem enquadrados como fanáticos. Para terem sua ideologia reduzida a uma coisa de burguês, afinal, nessa sociedade qualquer um que tenha qualquer tipo de empatia por animais, em menor ou maior grau, já é visto como um ricaço que coloca o maltês no carrinho de bebê.

Vc disse "Sabe como é que você descobre um vegetariano? Não interessa, ele vai se revelar só" E qual o problema de um vegetariano se revelar? Por acaso ele tem que esconder sua condição e estilo de vida? Quando alguém diz "sou vegetariano" perto de vc, vc se sente ofendido?

Até onde eu saiba existem vegetarianos por questões religiosas, por saúde ou por ideologia, e nos três casos eles tem que ser respeitados (e claro, respeitarem tb). Se um vegetariano quer falar sobre libertação animal, eu não sei pq ele não poderia. Toda luta ideológica é válida, contanto que não pregue o mal de ninguém. Eu como feminista quero ter o meu direito assegurado de falar sobre o feminismo, de fazer apologia à libertação feminina, de não ter minha ideologia reduzida a um mero capricho burguês.

Se existem vegetarianos que pregam o ódio a onívoros - e eles existem - pode ter certeza que é uma minoria. E é BURRICE enquadrar todos os vegetarianos nesse time. É o mesmo papo de mascu que diz que toda feminista ama Valerie Solanas e quer aplicar o manifesto scum (como se Solanas fosse a única feminista que escreveu algo no mundo).

Anônimo disse...

O sonho da minha vida é que tivesse metro onde eu moro.
Ou mesmo trem, VLT, qualquer coisa que não onibus que passam de uma em uma hora, e demoram 2 horas e meia pra fazer um trajeto que de carro leva 15 minutos e de moto 10 minutos. Viajando por alguns lugares que tem metrô eu sempre achei suficiente pra mim! Nem que eu andasse um pouco entre a estação e o local, o metrô ajudava demais.

Alice

lola aronovich disse...

Anônimo das 10:40, por favor, perceba que quem escreveu sobre alfacismo não fui eu. Aquilo é um guest post. Tenho mais de 250 guest posts publicados aqui no blog, e eles não representam a minha opinião. Acho que fica claro no título (Guest post, post convidado?) e na introdução, quando apresento o autor, que o post não foi escrito por mim. Adoro publicar guest posts porque eles ampliam o escopo do blog, incluem experiências e visões que não são as minhas. Mas nem sempre eu concordo com o que está escrito. Já publiquei alguns (poucos) guest posts dos quais discordava totalmente. No caso do guest post do Robson sobre alfacismo, esse é só um nome que significa anti-vegetarianismo. E é óbvio que existe anti-vegetarianismo! No próprio post o Robson dá vários exemplos. Ninguém aqui está entrando em uma "olimpíada da opressão" e competindo pra ver quem é mais oprimido -- mulheres, negros, gays, trans, gordos, ateus, vegetarianos etc etc. Certo? Não há uma competição. Se eu digo que vegetarianos são ofendidos não estou negando que ateus são ofendidos. E outra: pra ser contra discriminação contra vegetarianos nem é preciso ser vegetariano! Basta ter empatia.

Patrick disse...

Vou trazer aqui alguns dados fora da realidade da classe média para que todxs possamos refletir um pouco. Aqui em Natal-RN, 20 % dos deslocamentos na Região Metropolitana são feitos de bicicleta (dados de 2009). Assim, quando se fala em cobrar apoio do setor público, não se está falando em construir ciclovias para porra-loucas, desportistas de fim de semana, hipongas ou ecoxitas, mas para um quinto da população, que vive na invisibilidade, pois não gera congestionamentos.
Aliás, ciclovias são desnecessárias. A melhor cidade das Américas para andar de bicicleta não tem ciclovias. Educação para motoristas e boa sinalização resolvem. Para aquelxs que já estão soltando suas gargalhadas sarcásticas de descrédito ante a possibilidade de educar @s motoristas natalenses (ou de qualquer outra cidade brasileira), lembro que uma campanha relativamente simples, realizada no final dos anos 1990, nos dá até hoje o privilégio de ser uma das cidades brasileiras que mais respeita a faixa de pedestres.

Carla Mariano disse...

Carro deixou de ser luxo e passou a ser necessidade. Moro a poucos km do meu serviço. De carro, levo 10 minutos. Se for esperar o ônibus (e por ser fora de mão, tenho que pegar 2), demoro no mínimo 40 minutos... E ainda gasto R$3,00, que de gasolina, daria mais de 12km pro meu veículo. (e não vou a pé por ser trânsito em avenidas, nada seguras).

Gostei muito do texto!

Bjs, Carla.

Vivi disse...

Não sei pessoas, por um lado, sei que o transporte público é uma merda em todo Brasil, entendo mesmo-para quem pode- a ecolha por carro por várias razões.
Entretanto, o que me incomoda é dizer que isso é uma "necessidade", sendo que a maior parte da população não tem nem a escolha de comprar um carro pra fugir do transporte público.
Sinceramente dizer que "precisa" ter um carro e tem "necessidade" eu acho um pouco injusto e desonesto com quem tb vive mal , mora longe e nem tem como ter esta "necessidade " de ter carro por não ter dinheiro...
Porque sei de várias pessoas que dizem que é "obrigada"a ter carro, e sempre me vem na cabeça pessoas que moram longe, na periferia que o transporte público é pior, que trabalham longe etc...e essas pessoas tb não seriam "obrigadas" a ter então?
Vamos ser honestos e dizer que por "poder" ter carro e por poder ter o "privilégio" de fugir do transporte público é que temos um carro?

Cora disse...

O transporte coletivo no brasil varia de sofrível a péssimo ou inexistente.

Nunca pensamos a mobilidade com seriedade.

Em cidades pequenas ele simplesmente não existe (pelo menos nada que seja digno desse nome). Até parece que, pela cidade ser pequena, as pessoas não tem que se locomover. E aí todo mundo usa mototáxi ou anda a pé ou de bicicleta ou de carro. Sério mesmo. Estudos para um transporte condizente com as necessidades da população estão longe de acontecer.

Em cidades médias, a espera por ônibus chega ser ridícula. Coisa de mais de 40 minutos, muitas vezes 1 hora ou mais!!! Perdeu um ônibus, pode voltar pra casa e sair só depois de 1 hora. Os ônibus não são circulares. São seculares.

E aí chegamos às cidades grandes. Há uma rede de transporte mais estruturada, mas sempre sofrível, sempre com linhas saturadas.

Sou de são paulo, mas tenho sorte. Sou privilegiada, pois pude escolher onde morar. E isso é fundamental numa cidade grande. Você tem que pensar nos seus deslocamentos. Quando isso é possível, como no meu caso, que pude escolher, maravilha.

Eu não sofro muito com o transporte daqui justamente porque moro relativamente perto do trabalho, num bairro com muitas opções de ônibus. O tempo de espera é bastante curto e posso pegar 5 das 6 linhas que passam no ponto. E, pra voltar, eu ainda posso fugir dos piores horários, já que não tenho filhos. Não tenho hora certa pra chegar. Se o trânsito estiver impossível, posso jantar na rua, passar numa livraria ou fazer uma parte do trajeto a pé (o que gosto muito, faço sempre) enquanto a cidade desafoga. E não uso metrô nos horários de pico, o que é praticamente impossível. Coisa de precisar deixar passar de 3 a 4 trens pra se conseguir entrar.

Como tenho essas facilidades por aqui nunca cogitei a possibilidade de comprar um carro (e eu adoro dirigir). Pra mim não compensa toda a chateação que vem junto com o carro (prestações, manutenção, seguro, lugar pra estacionar). Quando necessário, uso táxi e tá td certo.

Mas, como disse, sou privilegiada e reconheço isso. A maior parte da população paulistana anda sempre muito apertada, seja em ônibus, seja em trem, seja no metrô. Ou fica no trânsito, muitas vezes parada em congestionamentos imensos.

E isso diminui a qualidade de vida das pessoas. Rouba tempo das relações familiares, tempo do lazer. O tempo gasto entre ir e vir do trabalho/escola é um tempo perdido. Não é remunerado e muito menos pode entrar no computo das horas livres.

Isso deveria ser levado em conta pelos administradores pra se pensar com seriedade soluções pra mobilidade.

Aqui em são paulo, o sistema está todo saturado. As novas linhas do metrô já são inauguradas no limite.

Alice Fox disse...

Vivi, essas pessoas também tem necessidade de ter carro. Essas pessoas tb desejam ter um carro. Essas pessoas não negam que um carro facilitaria muito a vida delas. E com a ascendência e acesso aos bens de consumo das classes sociais mais baixas, várias pessoas pertencentes a esse grupo estão comprando carro também. A diarista aqui de casa e o marido dela, que é pedreiro, possuem um carro (popular) que quebra MUITO o galho deles. Claro que eles não usam todo dia, mas quando tem uma emergência o carro está lá. Não podemos ignorar essa realidade.

Ainda tem gente que não pode comprar carro? Claro que tem, mas isso está mudando. Um sinal visível disso é o aumento da frota nas capitais brasileiras. Ter carro agora não é privilégio de poucos.

Juba disse...

Alice, eu ia responder pra Vivi, mas você disse tudo. O fato de não poder ter não elimina a necessidade.

Cora disse...

Interessante o que vc disse, Patrick.

Essa ideia das cidades para pessoas é o que eu chamo de cidades como espaços de convivência. Isso tá desaparecendo, inclusive no interior (pelo menos aqui por são paulo).

Penso o mesmo sobre a febre dos condomínios fechados horizontais, os condomínios de casas. Esse tipo de construção está se disseminando pelas cidades, inclusive cidades pequenas (cerca de 25.000 habitantes) que ficam próximas de cidades maiores. É o abandono do espaço público. Da mesma forma como os automóveis, os condomínios também diminuem a convivência e o encontro. Tornam as ruas mais inóspitas, com os muros altos por vários quarteirões, as cercas eletrificadas, as cancelas.

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De fato, muitas pessoas da periferia usam bicicleta para chegarem ao trabalho, mesmo aqui em são paulo. Não sei a porcentagem, mas usam. Pessoal classe média chama mais a atenção pelo engajamento, pelo movimento na internet e pelo uso das áreas centrais. Mas na periferia, a bicicleta sempre foi meio de transporte.

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E gostei da solução dos seis dias. Tem muita cidade média do interior paulista que terá de adotar essa solução. Ruas centrais estreitas, trânsito difícil. Não vai dar pra derrubar tudo para abrir espaço pra automóvel. Vamos ver se haverá coragem.

Anônimo disse...

Sinceramente conterrânea de passo fundo, o transporte público daqui é muito bom. Tem ônibus de todos os lugares para todos os lugares, caso não tenha, pegar dois ônibus não é nenhuma dificuldade por aqui. Achei o cúmulo dizer que comprou o carro pelo transporte público falho, comprou pq tem preguiça, pq quer conforto, pq pode, por qualquer motivo, mas culpar nossas linhas me deixa pensando que tipo de alienada tu és. As pessoas aqui discutindo verdadeiros problemas e me fala uma marmota dessas.

Vivi disse...

Alice eu entendo o que diz, entretanto, ainda assim acho desonesto o "obrigado" a ter carro. Me desculpe. O Brasil estar mudando ainda está anos luz de todos poderem ter carro. (uma rápida pesquisa, me mostrou que 47% dos lares possuem carro).
E isso me faz pensar que, mesmo sendo um puta quebra galho- em minha opinião- discursos como "obrigada" a ter carro é desrespeitoso sim com quem não pode ser "obrigado" a ter carro.
Quebra galho por quebra galho, "empregada doméstica" é quebra galho e "necessidade" para alguns.
Para algumas madames (não estou dizendo isso a vc), ter empregada é "necessidade"..
Mas eu acho sempre legal termos um discurso que não parta só do ponto de vista da classe media, por isso, eu diria "eu tenho o privilégio de ter carro" , quando se pensado e comparado a situação de todos os brasileiros que tb gostariam mas nao podem..
Abraços.

Junior disse...

Excelente post.

t. disse...

Hoje aconteceu algo comigo que corrobora com a ideia central deste post. Peguei um táxi, que tinha de passar pela Paulista, onde há faixa para bicicletas (somente aos domingos), e na qual há notícias relativamente recentes de atropelamentos de ciclistas por ônibus e carros.

O motorista do táxi iniciou esse insólito diálogo, que tento mais ou menos reproduzir abaixo:

MOTORISTA - Não sei quem inventa esse negócio de faixa para bicicletas.

EU (visivelmente reticente, sem querer alongar a conversa) - Também não... Imagino que seja a secretaria municipal de transportes.

M - Pois é. Atrapalha o trânsito, o direito de ir e vir. Isso é até inconstitucional!

E (não querendo ainda entrar na discussão, mas sem poder me furtar a, pelo menos, ver se o sujeito tinha noção do que estava falando) -Será?

M. Claro. Quem é que sustenta o país? O dinheiro dos impostos da gasolina. Dos importos das peças. Do IPVA, do seguro obrigatório.

E - Não sei, não...

M - Claro que é. Você já viu bicicleta pagar imposto?

E - Mas quem anda de bicicleta também paga outros impostos.

M - Mas isso é diferente. O que sustenta o país são os impostos dos carros. Por isso que isso de fazer faixa é inconstitucional. E tudo por causa de cinco pessoas. Ontem, eu passei por aqui, deixando um passageiro, e essa pista estava fechada. É a pista mais rápida. E tinham só umas cinco pessoas andando por ela.

E (já não aguentando evitar de discutir) - Olha, claro que a gente pode questionar as escolhas dos governantes. Mas não vejo como arguir inconstitucionalidade no Supremo. Não haveria argumento para isso. Uma ação para arguir inconstitucionalidade de uma lei ou uma escolha administrativa é algo muito sério.

M - É, não sei. Mas eu já ouvi que isso é inconstitucional.

E - Podemos até questionar essa escolha. Mas eu não a vejo como inconstitucional, não...

Pois é, gente. Ainda está nas cabeças das pessoas que a indústria automobilística é que sustenta o Brasil. E que quem anda de carro é que paga imposto. Eu, que com mais de trinta anos não sei dirigir e não consigo andar de biciclieta, não devo pagar imposto nenhum. Por isso, não deveria reclamar do transporte público absurdamente deficitário da maior cidade do Brasil...

t.

Mônica disse...

Adorei o post e quero engrossar o coro dos comentários de quem entende que bicicleta não é solução para o problema do trânsito.

Engraçado como a defesa da bicicleta ganhou destaque ultimamente e sobre melhorar o transporte público muito pouco de se fala. Não é "chique" defender a melhoria do transporte público.

Algumas pessoas até podem fazer seus deslocamentos diários de bicicleta, mas não vejo como esse meio de transporte possa ser visto como solução. Os motivos muitos já colocaram aqui. Calor, chuva, distância, insegurança...

Isso não significa que eu seja contra melhorar as condições de trânsito para os ciclitas, construir ciclovias etc. Não sugiro que se abandone a causa de bicicleta, pelo contrário. Agora, se queremos buscar realmente uma solução para o problema, o debate tem que ser mais sério.



Anônimo disse...

Mônica, acho que todo mundo concorda que tem que melhorar o transporte público, e muito. O problema é que não tá nas nossas mãos. OK, o voto tá, mas sinceramente, dos prefeitos que passaram na tua cidade nos últimos 15 anos, alguém mudou consideravelmente pra melhor? Ou ficaram só na 'vamos trocar esses 3 ônibus e já deu'? Com bicicletas, é diferente. Precisa de infraestrutura? Sim. Mas É possível andar sem uma ciclovia. É uma solução do cidadão, não do político. É algo que a gente pode fazer por nós, ao invés de esperar cair do céu (ou do político eleito, o que vier primeiro) a solução. Acredito que seja esse o motivo de ultimamente se falar tanto em ciclovias.

Patrick disse...

Gente, bicicleta não é a bala de prata que vai resolver o problema do trânsito no Brasil, mas a forma como os ciclistas são tratados é sim um sintoma de como são tratados todos os desmotorizados das cidades (pedestres, ciclistas e usuários de transporte público). E a bicicleta é muito útil para pequenas distâncias e trajetos complementares. Eu, por exemplo, no meu trajeto diário Parnamirim<->Natal gasto de 10 a 12 minutos andando da minha casa até a estação de trem. Se na estação houvesse bicicletário, poderia reduzir esse tempo para 3 ou 4 minutos. Um amigo que mora a 30 minutos a pé da estação - e portanto acaba tendo que optar por ônibus ou carro - poderia gastar apenas 10 min de bicicleta, o que tornaria o modal trem viável pra ele. E para isso (a instalação de um bicicletário) seria necessário um investimento mínimo. Todo mundo fala em racionalizar o gasto público, mas, como agente vê aqui pelos comentários, há um baita mimimi dos motorizados contra obras para ciclistas que não custam nem 1% da reforma viária mais simples executada em favor dos carros.

Munique disse...

Sem contar que quem é que pode sair por exemplo da zona oeste do Rio e ir trabalhar no centro da cidade de BICICLETA?? Mesmo para o pessoalzinho da zona sul que fica por ali mesmo, é complicado andar de bicicleta debaixo de um sol escaldante. Sem contar que os meios de acesso da população que não tem carro é Linha Vermelha, Linha Amarela, Avenida Brasil ou então Ponte Rio-Niterói, que além de serem vias expressas e não permitirem bicicletas, são muito extensas. E o transporte é tão absurdo, demora tanto tempo e é tão desconfortável (depois que comprei carro, há dois anos, sempre me arrependo amargamente quando opto por pegar ônibus para ir a algum lugar) que realmente se temos um dinheirinho sobrando, optamos pelo conforto do carro. Eu que passei dos 18 aos 25 me negando a ter carro, tive que me render, pelo meu próprio bem. Reduzo meu tempo de viagem de 3h para 1h30min.

Anônimo disse...

Mihaelo, eu era muito feliz quando morava em Porto Alegre, não canso de dizer isso. Morava no Centro, ia para o trabalho caminhando, assistia filmes no Mário Quintana e quando precisava pegar um ônibus bastava estar no ponto no horário previsto na tabela de transporte. Não dá para comparar com o Distrito Federal. Esse sim é um lugar elitista, cinema custa muito caro e se vc quiser ver um filme "alternativo" tem que ir ao CCBB, que fica muito longe...
Em Porto Alegre sempre tem muitos eventos gratuitos, de fácil acesso mesmo para quem mora na periferia. Aqui no DF além da programação cultural ser bem fraquinha, ou é muito cara ou é muito ruim. Quando eu morava em PoA demorei um ano para ter televisão em casa. Não fazia falta mesmo.
Francisca Andrade

Mila disse...

Esse post é a cara de Brasília. Aqui, andamos na contra mão do que os especialistas apontam como solução para as grandes cidades: a dependência do carro é cada vez maior.
A cidade foi construída de forma a dificultar a movimentação por veículos que não sejam a motor. As cidades-satélite dependem muito do centro e a integração satélite-satélite é pior ainda.
As empresas de ônibus são dominadas por um empresário que faz o que quer no transporte público de Brasília há muito tempo. Quando há greve, ele não negocia a não ser que haja aumento na passagem (que custa uma média de R$2).
Não ter um carro prejudica muito se vc quer participar da vida cultural da cidade, estudar à noite.
Falando em estudar, pela universidade circulam milhares de pessoas por dia e conta com um péssimo serviço de transporte. Os ônibus são escassos (alguns motoristas desviam do itinerário para não passar pela universidade) e a única empresa que pode circular entre a UnB e a Rodoviária presta um péssimo serviço. Espera-se mais de 30 minutos num percusso que dura menos de 15 e se conseguir entrar, pode se considerar um vitorioso. Quem estuda na UnB sabe do que falo.
E ainda há o problema do individualismo. Vizinhos e até mesmo parentes podem trabalhar muito próximos, mas ainda assim cada um tem um carro.

Mordred Paganini disse...

http://www.ducsamsterdam.net/bicicletas-na-holanda-ciclismo-urbano/

Só um exemplo, claro. Pelo que andei lendo, as bicicletas são integradas ao transporte público de maneira eficiente (agradeçam aos Provos, por favor).
Nisso, eu acredito completamente. Quem, por exemplo, precisa pegar 2 ônibus só porque é fora de mão, poderia passar a pegar apenas 1. Só que, eu acho que contar que os motoristas irão respeitar os ciclistas é absurdo.
Quando eu saí da minha cidade para morar em Niterói e também ia ao Rio de Janeiro com frequência, vi que grande parte dos motoristas era um assassino em potencial. Por diversas vezes vi motoristas ACELERANDO ao ver um pedestre. Eles jogam o carro para cima dos pedestres! Convenhamos, um sujeito que faz questão de acelerar e jogar o carro para a direção do pedestre vai respeitar umas linhas pintadas na rua? Eu não me arriscaria. Não é metafórico quando eu digo que eles se acham "os donos da rua". Lembram do clássico episódio do Pateta dirigindo? True story!

Mas bem, bicicletas não são uma solução para o Brasil, mas em algumas cidades seria perfeito. Em Cabo Frio (uma península) as bicicletas seriam uma solução mais do que perfeita. A cidade é plana, não é grande e apesar de fazer calor, conta com uma ventania constante. O vento alivia bastante o calor...

Mas gente, o argumento de que o fato de que muitas pessoas não podem comprar um carro faz com que ter um carro deixe de ser necessidade é absurdo. Também tem gente que não tem água e o fato de que muitas pessoas não têm faz com que água deixe de ser essencial?
Essas pessoas também estão subnutridas, porque elas não têm dinheiro para se alimentar.Comida deixa de ser necessidade porque existem pessoas com fome?

Carro deixa de ser necessidade em lugares em que o transporte público funciona razoavelmente (eu nem disse bem) e não porque muitas pessoas não podem comprar. A verdade é que, metade do mundo, provavelmente, não têm acesso às necessidades mais básicas do ser humano.

Vivi disse...

Mordred, fui eu que disse sobre não gostar do uso do carro como “necessidade”.
Eu entendi o seu raciocínio, só que o uso que vc faz quando compara com a necessidade d água eu acho infeliz. Porque para mim, as únicas necessidades vitais são : água-moradia-vestimenta e comida, tirando isso são construções sociais.
Até entendo que a pessoa que tenha carro acha que isso seja necessidade (afinal são construções sociais, não se pode ter necessidade de carro na Idade média por exemplo),o meu problema está no discurso da necessidade que desconsidera a outra classe. Para alguns, não duvido que ter empregada seja uma “necessidade” ou “sou obrigada a ter empregada”, afinal são construções sociais da necessidade.
Talvez minha implicância seja mais no uso do “obrigada a ter carro” . Se eu tivesse um (não tenho, nunca tive, minha familia mora longe e tb não tem) eu ficaria constrangida em dizer para alguém mais pobre que eu (que não tem carro e gostaria de ter) que sou “obrigada” a ter um carro.
Me desculpe se só eu no mundo acho que isso seja desrespeitoso sim, levando em consideração que a outra metade da população se quer pode ter. Para mim, se trata mais de uma questão ética do discurso, o correto- para mim- é tenho o “privilégio” de ter carro e fugir do transporte público infernal do Brasil. Mesmo que só eu pense isso, eu acho que é importante sim a distinção de posturas no discurso que leve em consideração outras classes e sua posição privilegiada no mundo (ainda que VC acha isso uma necessidade)
abraços

Mariana Constantino disse...

O meu problema não é nem andar de transporte publico lotado,moro a 10 minutos de uma estação de metrô,porém o caminho entre a estação e a minha casa é tão perigoso,várias pessoas já foram assaltadas.Se não for de carro fico presa dentro de casa,não posso voltar nem sair depois das 21:00,é assalto na certa :(

Mordred Paganini disse...

Vivi: então necessidade se restringe a água-moradia-vestimenta-comida e todo resto é socialmente construído...

Nada poderia ser mais mentiroso. A rotina atual de trabalho é produtora de adoecimento. A rigor, tendo um teto, água, comida e vestimenta, um ser humano sobrevive. Mas a que custo e por quanto tempo?

Viver apenas com isto é absurdo e não sem motivo, na Idade Média,pessoas de 35 anos eram velhas. Tem noção da expectativa de vida daquele tempo?

Uma pessoa que tem uma jornada de trabalho de 8 horas + 4 h no transporte público tem na verdade uma jornada de trabalho de 12 horas por dia. E muitos têm jornadas ainda maiores, porque podemos contar também com as horas gastas com banho, alimentação, ir até o ponto...Uma pessoa que pega às 7 no trabalho, vai precisar acordar às 4 da manhã e ainda assim pode chegar atrasado, afinal, o transporte público é ótemo. E dependendo do ponto em que ele pegar, vai precisar ficar em pé!

Isso simplesmente não é vida! Isso é bizarro! É completamente bizarro que um ser humano assalariado viva sob estas condições sub-humanas, e no entanto, eles vivem.

Suprir estas tais "necessidades básicas" não é o suficiente. Isso é muito menos do que nós, seres humanos, necessitamos para viver.

E se, por acaso, o carro oferece a esta pessoa fazer os mesmos percursos na metade do tempo (e sentado), esta pessoa ganha para si 2 preciosas horas por dia para gastar consigo.

Eu, moro em um bairro periférico (muito periférico, aliás) e aqui, as pessoas tem carros. São carros que você muitas vezes duvida que seja capaz de andar. Tenho 26 anos e por aqui tem muitos carros mais velhos do que eu circulando. Estes carros custam entre 1500 e 4000 reais. Considerando que o ônibus passa a cada 2 horas para Cabo Frio (cidade a que o bairro pertence) ou a cada 40 minutos + vans para Búzios e que o último ônibus para voltar ou sair é às 23 horas e que os ônibus são sempre uma lata de sardinha e a estrada é de barro...Humm Com certeza, um luxo ter um carro. Só que não!

Eu gasto quase 12 reais de passagem para trabalhar e a viagem cansa bem mais do que o trabalho. Se eu tivesse carro, ganharia no mínimo 2 horas para mim. Tão logo eu possa, comprarei um carro da minha idade também. Desta forma, poderei não apenas ir trabalhar sentada, como poderei, olha só: sair de noite e voltar quando eu quiser.

Gente, na boa, achar que conforto e lazer são luxos é realmente ignorar as necessidades humanas mais básicas. Aliás, não apenas humanas. Eu não sei se vocês sabem, mas animais brincam e fazem uma porção de coisas que não estão de forma alguma relacionadas apenas à sobrevivência.

Vivi disse...

Mordred, sim necessidades (fora as vitais) são socialmente construidas. Como isso pode ser mentira?
Se não o fossem socialmente construidas, daí então teríamos necessidade de ter carro na Idade Média, mas como são socialmente construídas que, exatamente hoje alguém pode dizer que tem necessidade de carro.
Socialmente construída não significa que é falso.
O meu problema, como disse, está no "discurso" do tipo "sou obrigada a ter carro" que aparentemente descosidera o seu "privilégio" de ter carro.
Não me importa se vc conhece bastante gente que tem um, sorte sua, mas metade das famílias não terem carro significa que quem tem um tem privilégio.
Por isso que eu acho sim que, mesmo que VC ache que tem necessidade de ter carro, não é sobre vc que etsamos falando, mas para que no plano do discurso, o ético, justo, para mim é dizer que tem o "privilégio" de ter carro. Pois muitas pessoas gostariam de ter e não podem.
Mas mesmo eu pensando assim, sei que as pessoas vão continuar dizendo que "é obrigada a ter carro" que é "obrigada a ter diarista" etcetcetc..
Isso não significa que esta necessidade seja falsa, mas que este tipo de discurso do privilegiado é desonesto com a população, só.
Abraços

Maxwell disse...

Moro numa cidade do interior, de uns 400.000 habitantes. De uns 3 ou 4 anos para cá, tenho notado que as ruas da cidade estão começando a ficar congestionadas nos horários de pico. Aqui o transporte público é composto apenas de ônibus. Alguns deles mal conservados, seja pela empresa ou pelos passageiros. Alguns não mereciam nem estarem circulando. As vezes vem lotados. A passagem atualmente custa uns R$2,10, e pesquisando, ela é comparada a de cidades maiores que a minha.
O engraçado aqui é que raramente você vê um carro velho. O pessoal gosta de comprar carro novo ou semi-novo.
Não vou mentir, queria ter um carro porque detesto andar a pé no sol forte ou na chuva. Mas não tem como não se sentir sortudo de ver que as vezes andar pé é mais rápido que de carro ou de ônibus.

deborah disse...

Acredito que outros fatores como o consumismo e o status relacionados à aquisição de um veículo também exerçam extrema influência sobre quem decide comprar um carro. Ele de fato facilita a vida em muitos pontos, mas também colabora com o caos que todos nós sofremos com o trânsito. Seja dentro dos ônibus, dos carros, em cima das motos. Gera uma impaciência muito estressante. Outro ponto que é também um fator coercitivo é símbolo de virilidade ligado ao carro. Parece que quanto mais dinheiro, fruto de horas trabalhadas( para alguns, outros já nascem com ele) , gastamos ganhamos uma corrida imaginária rumo ao consumismo. O no fundo essa pressa, esse desejo é tão vazia que é como uma droga, faz com quem as pessoas sempre busquem mais, nunca satisfeitas. A sociedade é tão complexa que muita coisa influência a compra de um carro.

Guilherme Madeira disse...

Isso que as pessoas dizem ser "necessário" aprender a dirigir, é muito subjetivo. Depende da vontade e da capacidade mental de cada pessoa.
Se a cidadã ou o cidadão tiver medo de dirigir e quiser seguir sua vida andando a pé e enfrentando os transportes públicos, não serei eu a julgar seu comportamento.
O trânsito das nossas grandes cidades já está saturado!
Se cada habitante maior de 18 anos deste país tiver o seu carrinho ou a sua moto, vai ficar mais caótico ainda o trânsito e o transporte público vai reduzir bastante sua frequência em função da queda de demanda.
Tenho 32 anos e ainda não dirijo. Mas quero ter, sim, a minha CNH, não para agradar à sociedade, mas para adquirir uma certa independência nos meus deslocamentos.
Abraço e bom dia.
Guilherme - funcionário público - Porto Alegre/RS.

Anônimo disse...

Em Salvador você pode fazer aluguel de van