quinta-feira, 25 de outubro de 2012

DEVO ACUSAR UMA TENTATIVA DE ESTUPRO DE CINCO ANOS ATRÁS?

Recebi este email da M.P.:

Acompanho seu blog frequentemente, e me passou pela cabeça que você talvez possa me ajudar, sendo um olhar de fora da situação: 
Quando eu tinha 16 anos (hoje tenho 21) comecei a trabalhar em uma empresa. Era meu primeiro emprego, e eu de fato não fazia ideia de como o mundo empresarial funcionava... A empresa tinha uma filial sendo reformada no final da rua.
Um dia, meu chefe me chamou pra ir até a filial pra verificar algumas coisas da reforma, e disse que iríamos de carro pra pegarmos um malote numa rua próxima. Quando chegamos lá, verificamos todos os pontos da reforma, anotamos tudo. O prédio estava vazio. O estacionamento tinha alguns carros, e no galpão atrás do prédio, alguns funcionários. 
Quando fomos descer as escadas, ele que estava há uns dois degraus de mim, me agarrou pela cabeça. Segurou-a com força e tentou me beijar. Eu me debati tentando  fugir, e ele continuou tentando me agarrar de várias formas, ali, no meio de uma escada. Eu consegui dar um soco nele, que pra minha sorte, era baixo e magro. Saí correndo, e quando me dei conta já estava no meio da calçada, ligando pra minha mãe. Chorando, apavorada. Ela me sugeriu ir até o prédio sede, pegar minhas coisas (dinheiro, documentos) e ir voando pra casa. Quando entrei na sede, aos prantos, a tal moça que era secretária e ficava logo na entrada, tentou me acalmar perguntando o que tinha acontecido, e eu no meu desespero contei tudo.
Dias depois, ela havia contado pra muita gente, e a fofoca se espalhou. O gerente chamou meu abusador, e me colocou numa mesa, de frente pra ele, com muitas pessoas do setor na mesma sala, ouvindo tudo. Contei tudo o que houve, conforme me pediram, e o abusador disse NA MINHA CARA que tinha mulher em casa e que não precisava estuprar uma pirralha. O amigo dele (aquele que eu não conhecia antes da empresa) defendeu o chefe e disse ''eu não acredito nela. Ela não tem postura, por isso, se algo aconteceu, deve ter sido culpa dela. Ela deve ter provocado!''
Eu sentia meu rosto arder de raiva. Semanas depois, fui demitida. Nunca me disseram o motivo. E o abusador? Continuou trabalhando lá... E hoje eu entendo como o mundo empresarial funciona: se houve abuso, a culpa é da mulher! A culpa é da menina de 16 anos que gostava sim de sexo e não escondia isso de ninguém, mas que também nunca aceitou ser tocada sem autorização. Me invadiram o corpo, me humilharam, me demitiram. E isso é mais comum do que imaginamos. Muitas mulheres não contam ou denunciam abusos no trabalho por medo de demissão. Infelizmente isso acontece MUITO. Mas, Lola, já se passou tanto tempo... Na época eu não dei queixa na polícia porque meu pai me proibiu (um dos donos era amigo dele). Mas hoje, vale a pena denunciar, mesmo depois de alguns anos? O que fazer, se só sei o primeiro nome dele?

Minha resposta: Pela nova lei, como vc era menor de idade quando essa tentativa horrível de estupro aconteceu, vc ainda poderia processar seu agressor. A prescrição só começa a contar quando a vítima fizer 18 anos. Antes, começava quando o crime havia acontecido.
A pergunta é se vale a pena denunciar agora. 
Desculpe, eu digo (quase) sempre pras vítimas denunciarem, mas eu acho que não, não vale. Primeiro que o estupro -- graças a vc e a seu soco bem dado (parabéns!) -- não aconteceu. Segundo que, se já é difícil provar um estupro que acabou de acontecer (depende de exame de corpo de delito e testemunhas), imagina um que não aconteceu, cinco anos atrás... Seria a sua palavra contra a do agressor. Pelo que vc relatou, quem poderia testemunhar a seu favor seria a secretária pra quem vc contou o que aconteceu, assim que acabou de acontecer. 
Mas não sabemos se ela aceitaria depor, se ela se lembra detalhadamente do ocorrido (faz 5 anos), se vc ainda conseguiria encontrá-la. Mas o agressor, como ainda trabalha na empresa, certamente teria testemunhas a favor dele, contra vc. Por isso eu acho muito complicado vc tentar alguma coisa.
Vc foi prejudicada pela demissão? Talvez, não sei, vc pudesse processar a empresa (não o agressor em particular, mas a empresa) por acobertar o crime, ou a tentativa deste crime. Eu consultaria o sindicato, se fosse vc.
Mas, ainda assim, acho difícil. Aconteceu há tempo, e, graças a vc, não aconteceu. 
Desde então isso tudo tem te perseguido? Vc se consulta com psicóloga? Vc falou com seu pai sobre isso? Afinal, vc teria prestado queixa se não fosse ele.
Te desejo muito boa sorte, e me solidarizo com vc. É impressionante como sempre culpam a vítima!

Ela respondeu: Obrigadíssima pela força. Respondendo sua pergunta: sim, meu pai sabia de tudo na época, por isso me proibiu de dar queixa. Chocante, né? É, eu sei.
Não havia pensando nos pontos que você descreveu, fazem muito sentido agora: não vale a pena, mesmo.
De qualquer forma, isso ainda me magoa muito.  Fiz terapia durante um bom tempo, mas nunca contei isso pro meu analista. Tomo remédios psiquiátricos pq tenho ciclotimia, e quando penso nisso, pioro. Pensei na denúncia como uma forma de me acalmar nesse sentido...
Já sofri outras agressões desse tipo, como a maioria das mulheres... Mas essa em particular foi a que mais me feriu.
Minha resposta: Pois é, é triste, e boa parte das mulheres já passou por algo assim. E foi tratada exatamente da forma como vc foi tratada: como se fosse uma mentirosa, uma criminosa! Como se a vítima não tivesse sido vc, mas o estuprador! Por isso que a gente fala tanto em cultura de estupro: existe algum outro crime em que as vítimas sejam sistematicamente culpadas?
Mas pense assim, querida: vc escapou. Por mais que a lembrança te machuque (e é compreensível que te machuque e, se vc voltar a fazer terapia, vc TEM que falar sobre isso com sua analista), tente ver por um outro ângulo. Vc foi forte o suficiente pra dar um soco e se livrar do chefe criminoso que tentou te estuprar. Vc venceu. Muitas pessoas não têm a sua rapidez de reação e acabam de fato sendo estupradas. Com vc foi diferente.
Tente não pensar na tentativa de estupro que vc sofreu como um trauma na sua vida, mas como a vez em que vc foi tão forte que derrotou o canalha do seu agressor. E que isso te sirva de lição: vc derrotou um cara que te pegou de surpresa quando vc era menor de idade, um cara que que ainda por cima era adulto e seu chefe (em ambos os casos, em posição de poder). Acho que, depois dessa, vc consegue derrotar qualquer coisa na vida. Sinta-se invencível.

75 comentários:

Anônimo disse...

'E hoje eu entendo como o mundo empresarial funciona: se houve abuso, a culpa é da mulher!'

Um INDIVÍDUO faz uma cagada e a culpa é do 'mundo empresarial'? Você conhece como são as empresas no resto do mundo todo?
menos menos...

Anônimo disse...

Tentar acabar com o estupro é uma luta perdida. Sempre estupraram, ainda estupram e continuarão estuprando, é inútil tentar mudar isso.

Anônimo disse...

Se ela tivesse o apoio da secretária, acho que deveria denunciar. E veja como os homens se protegem: que vergonha do seu pai!!!!

Priscila Boltão disse...

Eu tb penso que seria válido um processo trabalhista, mas tem q ver com advogadXs. Sua demissão não teve justa causa, e não importa se te pagaram direitos e tal, vc pode pelo menos incomodar a empresa. E VAI QUE alguém poe a mão na consciencia (desde o agressor até pessoas q nao acreditaram em vc). Mas como eu disse, tem que ver com advogados. Não sei se como causa trabalhista não vai ter caducado. Não custa tentar fazer algum barulho.
Sei como é dificil, mas tb acho q faria bem falar disso com analista, se é uma coisa q te incomoda. Por experiencia digo q certas coisas não saem da gente se a gente continuar tentando enterrar.

Anônimo disse...

Dias atrás vi uma notícia muito chocante:
uma bebezinha morreu porque foi estuprada!
Muito triste e revoltante,mas achei curioso que nesse caso,não vi ninguém por a culpa na bebê falando que foi ela que provocou.
Ou seja,a culpa nunca é da vítima,mas muitos fdp desgraçados insistem em dizer que foi a mulher/menina que seduziu o coitadinho do abusador...
Mas ninguém disse a mesma coisa sobre a neném...por que será?
Será que esses merdas só conseguem ver que a vítima não tem culpa quando ela é apenas um bebê?
Saiu dessa fase da vida,aí sim tem culpa no cartório?
Revoltante!

Moema L disse...

M.p que horror que você passou.
Eu imagino o medo que você sentiu.

Sei que não é fácil e entendo o por que você não contou ao seu analista.
Fiz analise durante alguns anos e também não contei coisas que devia ter contado.

Saber que o estuprador ( sim. estuprador, pode não ter conseguido o que queria mas tentou.) ficou impune é doloroso mas pense que você o venceu apesar de tudo você o vence.

Você esta viva. Ainda pode lutar. Talvez não contra esse pois não há provas mas contra outros, pode lutar por um mundo mais igual.

quando eu lembro das coisas ruins que já me aconteceram eu sempre penso: Sou uma sobrevivente.
e é isso que você também é, uma sobrevivente. você venceu o opressor.

Só não entendo porque seu pai não a deixou denuncia-lo. Na verdade não entendo porque alguns pais, não só o seu, simplesmente preferem o silêncio.

M.P te desejo toda a sorte do mundo pois força e coragem você tem de sobra, que você supere isso e sempre que você lembrar pense que você é uma sobrevivente, você venceu.

Anônimo disse...

MP, só quero q saiba q te entendo, imagino sua dor, nem tanto pela tentativa de estupro, que me perdoe, mas creio q são rarissimas as mulheres q ja não tiveram dissabor de passar por isso, ao ponto de considerarmos NORMAL uma situação como essa, mas pelo tamanho da injustiça, de alem de sofrer uma afronta dessas ainda passar por culpada e pior ainda ser demitida, quando paramos para pensar no tamanho da injustiça que nós mulheres sofremos, da uma grande raiva desse mundo nojento.
Passei por uma situação muito semelhante, quando tinha uns 18 anos, trabalhava em uma empresa de publicidade, e meu chefe que diga-se de passagem era um drogado, me pediu para fazer umas charges até tarde depois do expediente, quando todos ja tinham ido embora, ele tb me forçou, tive q sair as pressas correndo pelo escritório todo, quando chamei o elevador, meu coração qse saia pela boca, quando consegui entrar mas ainda vi ele se aproximando, deixei meu o trabalho q estava fazendo do jeito q estava, com as tintas abertas, só tive tempo de pegar minha bolsa.
Cheguei em casa chorando, e no dia seguinte foi bem dificil voltar la, e era uma vaga de trabalho em uma area muito dificil de conseguir outra.
Mas queria e precisava tanto do trabalho q fui assim mesmo, mas nunca denunciei aquele patife, como grande maioria das mulheres continuam fazendo.
Até quando???

t. disse...

1º fato: a autora do relato foi muito corajosa, não só por reagir ao seu agressor, mas por denunciá-lo na empresa em que trabalhava.

2° fato (triste): esse tipo de injustiça absurda que é relatada é mais comum do que se possa imaginar. E o silêncio que advém disso é ainda mais assombroso.

t.

Anônimo disse...

esse e tantos outros blogs feministas são muito importantes para que nós mesmas deixemos de naturalizar o estupro. agora, em vez de voltarmos para casa chorando e no outro dia ir trabalhar tentando fingir que nada aconteceu, saímos do trabalho, vamos direto para a delegacia, conversamos com um advogado e processamos o estuprador e a empresa.

Maiê F. Rezende disse...

Eu também tenho algumas perguntas sobre o assunto. A denuncia de um crime assim, não poderia, em tese, pelo menos intimidar esse tipo de agressor? Mesmo que ele fosse inocentado,não o faria pensar duas vezes antes de tentar algo assim de novo? É claro que existe o desgaste emocional e não sei se ela poderia sofrer represálias ou ser processada depois.Isso faz toda a diferença na hora de decidir não processar... Mas sei lá, essa certeza de impunidade me deixa louca.
Eu sugiro pelo menos pesquisar se o nome do tal chefe não consta em nenhum processo da justiça. Pq se houver uma denuncia do mesmo tipo, deixa de ser apenas a palavra dela contra a dele.

Li disse...

o fato de até o seu pai ter desencorajado a denúncia é uma prova irrefutável de que vivemos numa cultura de estupro.

P. disse...

Eu admiro a coragem de contar o que aconteceu, além, claro, de reagir na hora.

Quando aconteceu comigo, também reagi e consegui 'escapar', mas nunca, nunca mesmo, tive coragem de sequer mencionar isso para ninguém... Sempre me causa uma angústia sem fim pensar nisso, mesmo que por alguns segundos... é algo que eu nunca vou conseguir esquecer...

Nunca tinha parado pra pensar que, apesar de tudo, somos sobreviventes... Pensar dessa forma me traz um pouco de conforto.

Só posso desejar muita sorte e força pra M.P. e para todas nós, e que nunca nos falte coragem para seguir lutando, apesar de tudo que precisamos enfrentar.

Bruno S disse...

Imagino que a denúncia hoje não tenha maiores efeitos práticos. Talvez acabe só servindo para renovar o desgaste da história.

Acho que ter ter a coragem de compartilhar esse drama e o arrependimento de não ter feito a denúncia na época já ajuda como incentivo para que outras vítimas não se calem.

Outro ponto que a cada relato desse me assusta mais a facilidade com que as pessoas abafam esse tipo de siutação.

Gabriela disse...

Q pai hein!?Eu juro q nunca mais olharia na cara desse sujeito.Eu sei q se algo assim me acontecesse meu pai mataria o merda do agressor.A reação dele deve ter doido mais q a agressão em si.Só posso desejar q vc se cure.E a Lola têm razão.Vc é incrivelmente forte.

Sara disse...

anon das 12.00, ontem mesmo estava jantando e escutando o jornal na TV, quando noticiaram a morte de duas meninas bem novas q morreram estupradas tb, em diferentes casos, (porque são tantos não é?)
Pois bem não vi a reporter nem ninguem insinuando que era culpa das pobres meninas a morte q tiveram, mas para o bem do meu regime, pq perdi a fome na hora, meu marido adoravel, comentou que culpadas eram as mães das vitimas que não haviam cuidado das garotas mortas como deveriam.
Portanto querida NÃO IMPORTA A IDADE DA VITIMA, A SOCIEDADE VAI SEMPRE PROCURAR A MULHER MAIS PRÓXIMA P CULPAR.

Luiza disse...

Todo o meu apoio pra você, moça.

E é o que eu falei ontem. Eu jamais vou entender o que leva pai e mãe a virar as costas para os próprios filhos - filhas, em especial.

Anônimo disse...

E a atribuição de culpa continua.

Anônimo disse...

É bom fazer B.O. sim, se o crime não prescreveu, porque desta forma o moleque fica com este antecedente no atestado de 'bons' antecedentes.

Anônimo disse...

Lola, se você fosse advogada, saberia que o histórico desse caso pende contra o agressor porque FOI ELE, na posição de comando e hierarquicamente superior quem a levou de carro para um prédio vazio, né? Não havia a menor necessidade de sair com ela sozinho do local de trabalho. Isso já configura premeditação. E mesmo que tivesse sido a 'pirralha' a dar a ideia e avançar sobre ele, ele deveria ter mantido a compostura de um adulto. De qualque forma, ele é o responsável jurídicamente falando pela situação.

Anônimo disse...

Luiza, o que leva os pais e todos a esse tipo de situação é o medo do escândalo, a vergonha.

Samira Sanches disse...

MP, eu discordo totalmente da Lola. Você não teve forças nem maturidade para denunciar à época, além de ter sido pressionada pelo seu pai. Mas se agora você se sente forte para isso, acho que deveria ir em frente sim. Abre um processo contra esse cara e a empresa, afinal, o cara tirou proveito do cargo superior ao seu para te desqualificar e a empresa nem abriu um processo interno de acariação. Além disso, te demitiram e te humilharam, e MAIS: a situação te causou consequências psicológicas que até hoje você trata.

Mas o mais importante pra mim, que é decisivo para a sua denúncia: esse cara ficou impune e PODE FAZER O MESMO COM OUTRAS MENINAS não tão fortes como você e que podem não conseguir resistir ao estupro. De verdade, acho que você deve denunciar sim.

Carolina Lucas Paiva disse...

Eu acho que seria bom você entrar com uma ação contra essa empresa.
Aqui uma notícia interessante: Denunciar assédio sexual não é justa causa para demissão

Alicia disse...

Lola o que você acha desses comerciais? http://www.pimentanoteuerefresco.com.br/2012/10/foursquare-da-aids.html

Dani Andrade disse...

Ao anônimo das 10:48 e 10:53, mas é muito cinismo mesmo né?
A grande maioria das mulheres já sofreu, sofre ou ainda vai sofrer abuso ou assédio no trabalho.
Deixe de ser hipócrita e defensor desses criminosos, ou você é um deles?
Nojo de você!
Pois saiba que se eu trombo com um desgraçado desses como você tá fodido, porque eu berro, faço escândalo meeesmo! Minha mãe sempre me disse pra andar com um broche.. um dia ela no ônibus um cara começou a esfregar o pinto no ombro dela, ela bem ligeira tirou o broche e cravou na perna dele.. o cara saiu de fininho!

Anonima disse...

Espero não ser mal interpretada mas sempre comento por aqui e sempre vejo os mascus e machistas em geral nos acusando de misandricas, coisa que não somos, nós feministas que comentamos aqui e usamos este espaço pra discussão sempre deixamos bem claro que só queremos respeito, direitos iguais, segurança e etc

Mas, como ver todo santo dia esse tipo de notícia e posts como esse e o anterior (e alguns comentários) e não ficar com ódio e vontade de dar um tiro na cara de cada machista nojento como esse cara e esse PAI dessa garota?

Não defendo misandria jamais, porque odiar todo um genero gratuitamente ou por ideologias tresloucadas como masculinismo é um absurdo! Mas sério, gente, as vezes eu realmente começo a me perguntar se a resposta pra esse tipo de violencia não é a violencia, sabe? Não com qualquer homem que ta la sendo uma pessoa normal, mas porra um cara que tenta estuprar uma garota não merecia que ela tivesse uma arma e desse um tiro nele? Não adianta denunciar porque todo mundo coloca a culpa na estuprada que aí fica estigmatizada e sofrendo as piores humilhações, não adianta ir na mídia porque enfim, vide o caso da banda de axé lá, new hit, era esse o nome?

Nossoas tentativas de conscientização podem fazer o mundo um lugar melhor NO FUTURO, mas nem com todo o discurso do muuuuundo os pervertidos mais doentes e machistas vão ser conscientizados, e aí? Mesmo porque essa galera não fica lendo blog feminista e o testosterona, rafinha bastos e os chans tão aí, deseducando e metendo merda na cabeça desses moleques até ontem normais. Como que a gente fica? Com medo de sair na rua, simples assim. As vezes eu me pergunto se nós não devíamos aprender a nos defender seriamente, aprender alguma luta ou andar com uma faca, canivete ou whatever na bolsa sempre pro caso de alguém tentar fazer alguma coisa na rua e não sermos eternamente vítimas em potencial.

Espero não ser mal interpretada, não estou pregando nada, são só algumas coisas que passaram pela minha cabeça ao ler os 2 últimos posts e comentários e eu quis expor aqui porque me preocupa muito que tenham altos grupos de ódio por aí que pregam violencia contra nós e nós querermos sempre desfazer o estereótipo da feminista raivosa e sempre sempre ficarmos apenas argumentando quando tem muitos caras por aí só esperando pra nos violentar, espancar, humilhar a qualquer momento (não todos óbvio, mas os números tão aí, quantas são as estupradas e mortas por dia?). Acho que motivo pra ficarmos raivosas é o que não falta.

Quanto ao guest post, também acho que a essa altura não adianta mais denunciar, pelo modo que a sociedade funciona, infelizmente mas voce pode falar pra todas as suas conhecidas e amigas a respeito disso, é difícil, eu sei, mas elas ficam alertadas sobre o cara. E se eu fosse voce, eu nunca mais falaria ou olharia na cara do seu pai, porque defender o cara q tentou te estuprar e te proibir de denunciar é mau caratismo demais, não existe perdão pra isso, não tem como passar por cima disso. Espero que voce fique bem apesar de tudo isso que te fizeram de ruim, não te conheço, mas estarei torcendo por voce, pra que voce tenha força, voce não está sozinha, por mais que tenham os que vão jogar a culpa pra cima de voce, saiba que muitas que lerem seu relato vão acreditar sim porque estamos cansadas de saber que isso ainda é a realidade, se identificar com essa sensação terrível de impotencia e como eu torcer por voce, tenho certeza. :*

Erres Errantes disse...

Quem tem um pai como o dessa moça não precisa de inimigo.

Anônimo disse...

Por que esse povo tem a mania de achar que a Lola é advogada, terapeuta, psicóloga e que nós somos seus consultores? Vai a um escritório de advocacia e faça uma consulta, M.




Anônimo disse...

condenados por estupro

http://portalcorreio.uol.com.br/noticias/justica/decisoes/2012/10/25/NWS,216000,40,275,NOTICIAS,2190-SEIS-CONDENADOS-184-ANOS-PRISAO-ESTUPRO-COLETIVO-QUEIMADAS.aspx

Lynxie disse...

Pessoal, quero aproveitar que o assunto veio à tona e falar de umas coisas que andei vendo. Queria fazer algo, mas não sei o que.

O pai do meu namorado tem uma loja. Um dia, eu estava no carro com uma funcionária e meu namorado, que estava nos dando carona. Em um momento em que ele saiu do carro, a menina me contou que o chefe dela - pai do meu namorado! - ficava cheio de gracinhas com ela e outras funcionárias. Disse que ficava puxando o cós da calça dela e que pedia às funcionárias que fizessem unha e sobrancelha dele (!!!). No momento, não pensei duas vezes: disse a ela que de acordo com a nova lei isto era estupro e que ela devia denunciar. (A coisa de ficar colocando a mão e puxando a calça, não os serviços de "salão". Estes me pareceram errados, também, de qualquer forma.) Mas a situação é tão delicada... a menina é menor de idade e depende deste trabalho para comer.
E um triste indício de que vivemos sim numa cultura de estupro: um dia contei este causo a duas amigas. Elas arregalaram os olhos e disseram: "Tá louca??? Não faz isso! Ele é seu sogro!" Claro que eu deveria ser condescendente com um sujeito que fica tratando mulheres assim. Afinal, é quase da família!...

Eu já vi ele agindo estranho com elas também. Ele um dia chegou em duas, que estavam lado a lado em seus respectivos computadores, colocou os braços sobre os ombros delas e disse, com voz sussurrante: "E aí, meninas, o que vocês têm para mim hoje?" AAAAAARRRGHHH

Ele é o típico homem branco hétero de extrema-direita que se sente vítima das minorias. Acha que toda mulher é vagabunda e todo nordestino é jegue, como testemunhei, com tristeza, esses dias. Ele chegou para um funcionário - nordestino - e disse: "Ei, fulano, fui pro Ceará e não tinha mais jegues lá! Que aconteceu? Vieram todos para cá?" O sujeito ficou parecendo tão abatido depois desta enorme demonstração de xenofobia...

E o que eu poderia fazer?? Dá-me náuseas ver isto tudo.
Desculpem pelo desabafo.

Moema L disse...



Anonimo 25 de outubro de 2012 10:53

O que você sugere?
por que eu acho,que se você não esta contente com as pessoas que lutam para mudar isso você deve ter outra estratégia. qual seria?


anonimo 25 de outubro de 2012 10:48

Deixa de ser idiota? será que é possível?

A que lindinho o masCUZÃO defendendo o mundo empresarial...
poupe-me!!! Que necessidade doentia de ficar de plantão aqui em !?.

mais alguém acha esquisito (para não dizer doentio) o fato de quase todos os primeiros comentários serem de mascus? levando em conta que este é um blog feminista.

CCX disse...

Concordo com a opinião da Lola que a esta altura do campeonato não adianta mais denunciar, infelizmente. Sinto pelo trauma da menina, sinto pelo drama que ela vive em conviver com este fantasma, sinto pelo pai calhorda. Quanta coisa triste.

Moema L disse...

@Lynxie

Nossa que situação horrível.
acho que você não tem que ser condescendente com este sujeito só porque ele é seu sogro.( fez muito bem informando a menina)

No seu lugar também não saberia o que fazer, pois se a menina necessita do trabalho pra comer, como faz em uma situação dessa?
é angustiante. ela precisa do trabalho mas é insustentável.

Eu não sei o que diria à ela mas caso o denuncie acho que você devia apoia-la. sei que é difícil mas eu não ficaria calada em uma situação como esta.


anonimo 25 de outubro de 2012 15:09

você não acha que se todas essas pessoas ( até me incluo)tivessem por perto alguém como a Lola, que COM CERTEZA jamais a julgaria e culparia, ficariam mandando seus relatos para este blog? Lógico que não.

a gente tem que ter um pouquinho de compaixão. Para alguém chegar a esse ponto é porque esta sofrendo e só quer ser apoiada e encorajada por outras pessoas.

não leve meu comentário a mau (não quero te agredir),mas pense que podia ser você buscando conforto, coragem ou alguém que simplesmente fosse te ouvir sem te julgar.
(como disse não leve a mau, entendo que você acha que ela devia procurar um advogado, eu também acho, mas penso também no outro lado.)

Anônimo disse...

Ensine as mulheres a não esquartejar

não os homens a temer

referencia caso matsunaga aoki

Anônimo disse...

Lola, veja os comentários do post de quarta-feira neste blog http://www.meuemagrecimento.com/

Luiza disse...

"Ensine as mulheres a não esquartejar

não os homens a temer

referencia caso matsunaga aoki"

Não tem epidemia de mulher esquartej... zzzzzzzz RONC RONC zzz......

Anônimo disse...

Sou homem e estou impressionado com a quantidade de "homens" comentando aqui. O pior é que são sempre os mesmos atacando as mulheres. Pra mim isso aí não é homem. Lola, por quê você decidiu permitir comentários desses sujeitos? Ah, eu nunca tinha ouvido falar desses masculinistas antes de começar a ler o seu blog. É uma coleção de idiotas que não merecem tanta audiência aqui no seu blog. Um grande abraço pra você e meus sentimentos pra menina que sofreu tentativa de estupro. (Ulisses)

Sara disse...

anon 17.08, nos mulheres ja sabemos isso, tanto que APENAS uma cometeu esse crime, ensine a não esquartejar os homens pois eles cometem muito mais esse tipo de crime e tantos outros não é?
Quem sabe ensina-los a ser menos violentos não seria uma ótima ideia.

Anônimo disse...

Querida Moema L., eu não frequento esse blog pra exercitar minha compaixão ou empatia pela desgraça alheia porque isso não adianta lhufas na vida de ninguém. A guest poster está pedindo aconselhamento jurídico. Meus comentários são em favor de uma solução e não de jogar confete.

E já que você me cutucou, onde você acha que está o real problema e todo o sofrimento posterior da guest poster? Denunciar o estuprador (mesmo que tenha só conseguido a tentativa, configura o tipo criminal completo)e fazê-lo pagar pela afronta vai lhe trazer paz? E se ela não conseguir? Vai ficar neste desespero pro resto da vida?



Ramon Melo disse...

Desistir de processar, tudo bem.

Deixar para lá? NUNCA!

Ferra com esse cara para ver se ele aprende com o "susto": http://prazamiga.com/category/acordei-meio-malvada/

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Lindas palavras, Lola.
Que bom que ela conseguiu se livrar no momento, mas é uma pena que em uma situação como essas, tanta gente tente diminuir a seriedade da situação, inverter tudo ou colocar panos quentes.

Anônimo disse...

Ramon, cuidado que esses sustos são imprevisíveis quanto ao resultado, tá?

Moema L disse...

anonimo 25 de outubro de 2012 18:23

Deixei tão claro no meu comentário que em nenhum momento eu quis te agredi ou "cutucar" mas acho que você não entendeu.

em nenhum momento disse que ela devia denunciar, até por que não entendo nada (juridicamente falando)desse assunto. Nem sei se ela teria como fazer isso. Acredito, que pelo tempo e falta de provas não seria possível.Mas eu não sei.
acho sim que ela devia procurar um advogado para se informar melhor.

Na minha opinião punir o opressor sempre trás mais tranquilidade a vítima. pelo menos o sentimento de injustiça diminui .(junto com um acompanhamento psicológico)


Bom não quero e não vou entrar em um bate boca pois não vejo a menor vantagem nisso.

Como disse em nenhum momento eu quis de ofender só escrevi quilo que achei adequado no momento, pois acredito que a autora do guest post provavelmente vai ler e eu não gostaria que ela se sentisse ainda pior.

espero que você não interprete esse outro comentário como um ataque ou agressão pois essa não é a minha intenção.( eu não estou como uma doida histérica atras do computador pode acreditar.)

Anônimo disse...

"Na minha opinião punir o opressor sempre trás mais tranquilidade a vítima. pelo menos o sentimento de injustiça diminui .(junto com um acompanhamento psicológico) "

E se o agressor já estiver sofrendo de fato? E se a tentativa de estupro for causada por um distúrbio mental que o faz buscar algum tipo de punição? Não estaremos dando o que ele quer ou já tem de sobra? Ou alguém pensa que o estuprador não quer punição pelo seu ato?
Por que a vítima não se consola com o sofrimento do agressor, de que ela não se dá conta e só se sente justiçada se ELA TIVER CERTEZA de que o agressor está sendo punido?

E se a vítima morre? Não precisa de punição neste caso, visto que a vítima não precisa mais de sensação de justiça feita!

Ah, mas tem a família, né? E se a família estiver tranquila e em paz? Ah, tem a sociedade. ahã.

Então, querida, em última análise, trata-se da tranquilidade minha, sua e de todos nós que não temos nada com o caso, certo?

E como vamos ficar tranquilos se não podemos ir à polícia denunciar um crime cometido contra outra pessoa sendo que não conhecemos nem vítima nem agressor? Continuaremos injustiçados e SOFRENDO, isto é, sentindo compaixão e empatia pelo sofrimento alheio como se fosse o nosso?
O que você acha?

Anônimo disse...

Dois relatos tão chocantes em menos de 24 são demais para mim... :-(

Força para as duas! Já são mulheres muito fortes só de conseguirem contar seus relatos.

Grão da Noite disse...

Não sei se alguém já falou em algum comentário (não li todos), mas não se aplica ao causa a legislação mais recente, que é de 2009. Pelo Código Penal o tempo do crime é o da ação ou omissão ( Tempo do crime

Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) ).

Ou seja, o caso deve ser regido pela legislação antiga.

Além do Código Penal, a Constituição Federal prevê que uma lei mais grave, para ser aplicada, tem que ser anterior ao crime.

Grão da Noite disse...

Também não caberia uma ação trabalhista contra a empresa. Quando se encerra o contrato de trabalho, o trabalhador tem 2 anos pra processar a empresa pra haver créditos decorrentes da relação de trabalho:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

Veja-se, também, este texto:

http://www.conjur.com.br/2010-mar-08/tst-decide-afastar-prescricao-assedio-moral

Bruno disse...

Temos de traçar algumas considerações jurídicas aqui. A primeira é que a questão da prescrição e da lei nova levantada pelo post é um grande bobagem. Esta lei é prejudicial aos réus e portanto só vale para fatos acontecidos depois que foi promulgada. Como ela foi promulgada no começo de 2012 só atinge fatos ocorridos deste ano pra frente, o caso narrado no post seria regido pela lei antiga.
Todavia, mesmo segundo a lei antiga a prescrição seria, no caso, de 12 anos, logo caberia em tese uma ação penal. Correta, no entanto, a consideração feita no post de que seria muito difícil provar qualquer coisa, e feito um B.O. por exemplo, nestas condições, a autora do relato seria passível de sofrer uma ação por denunciação caluniosa movida pelo ex-chefe.
Em segundo lugar não cabe qualquer demanda trabalhista contra a empresa, primeiro no mérito da questão pois não hpa previsão legal para tanto e além disso, qualquer pretensão já está fulminada e prescrita.

Anônimo disse...

So um comentario acerca da nova lei: ela so se aplica aos crimes posteriores a entrada em vigor da nova norma.. Os fatos anteriores, como o do relato, seguem regidos pela lei antiga.
Tita

Gabi P. Deutner disse...

Olá Flor! Adorei o blog, simplesmente fantástico!

Estou seguindo! Parabéns pelo seu trabalho, adorei cada cantinho daqui :)

Grande beijo, tenha uma ótima semana e muito sucesso pra vc

;**

Gabo Vaz disse...

Acredito que na hora essa jovem não pensou em nada do que poderia ser feito legalmente. Ainda ser demitida por isso. O cara e a empresa deveriam responder. Vivemos em um mundo que muitos homens não tem nenhuma coragem de assumir suas responsabilidades. Queria ver coragem neles, queria ver respeito pelos outros e outras.

Alias, engraçado, "Ensine os homens a respeitar e não as mulheres a temer". Eu que estou segurando aquele cartaz! Acredito que nossa educação tem que mudar! Nossa cultura-lização sexista tem que mudar!

Sempre é muito bom ler seus posts Lola!

Porém, queria chamar sua atenção para uma questão que também considero importante. Existem psicólogos homens como o analista de sua amiga e eu. Me sinto bastante triste quando minha categoria profissional é tratada apenas no feminino. Somos mulheres e homens! Enfim, sei que você já postou coisas interessantes discutindo esse tema e gostaria apenas de deixar essa consideração.

MonaLisa disse...

Vou parecer radical.

Mas já estou com o saco cheio disso. Nós sempre que temos que pensar na porra da reputação, família, amizade, etc...

E o direito a autonomia do nosso corpo?

Quem dera que tivesse conhecido feminismo quando era mais nova. Eu já teria aberto um monte boletins de ocorrência contra os pedófilos nojentos que tentaram me agarrar. Mas como fui criada na cultura machista de não provocar o homem, então pra mim, todo homem sempre foi potencial estuprador então sempre tive pânico de ficar perto de homem sozinha, incluindo meus parentes.

Quando são as mulheres que cometem 'crimes contra a moral dos bons costumes', eles não pensam na família, na reputação, em nada, querem se vingar da 'vadia' que não se dá ao respeito (vide o caso Amanda Todd). Enquanto tem mulher apanhando, tem os amigos cretinos dizendo pra ela não denunciar pra não prejudicar o coitadinho.

Sinto muito, Lola. Mas acho essa tua conversinha de terapia não ajuda. Tem mais é que sujar a imagem desses nojentos, espalhar o que eles fazem. Nem que seja colocando fotos desses caras em todos os postes da cidade ou criando perfis anonimamente com a legenda: Sou estuprador!

E caso fosse processada, alegaria (com o mesmo cinismo que os homens tem) que ele não te estuprou, que foi você que quis, que procurou a situação, que você estava loucamente desejando aquele homem. Já que todo mundo disse ou a justiça decretou que não houve abuso, então não tem porque você contrariar a decisão. rs

Hoje, se eu passasse por isso de novo, eu faria isso, ou até pior.

Anônimo disse...

é uma merda, pq o abusador taí, livre leve e solto, possivelmente abusando de outras adolescentes.

e a EMPRESA que foi conivente tb está de ficha limpa

eu acho que deveria existir uma lista negra anonima pra esse tipo de caso onde procurar a policia é useless, mas queimar o nome do abusador e da empresa se faz necessario para PREVENIR casos futuros.

sim, ela poderia processar a empresa na justiça do trabalho por demissao sem justa causa. acho super valido. mesmo nao havendo processo penal, ela pode dizer que oq motivou a demissao foi uma denuncia por tentativa de estupro. a justiça trabalhista é pro trabalhador, a empresa vai ter que provar q a justificativa da demissao foi outra. e isso por si só ja vai queimar o nome dessa empresa maldita. e ainda por cima a autora vai poder arrancar uma grana indenizatoria. se houver direitos previdenciarios nao recolhidos, pode procurar a justiça federal tb.

Anônimo disse...

quanto à moça do sogro abusador: pq vc nao conversa com seu namorado? vc nao confia nele? se ele proteger o pai, ja é um otimo indicio pra terminar esse relacionamento, viu? mas se ele acreditar em vc, ele pode dar um toque no velho tarado pra se comportar como um ser humano decente e nao comum um saco de bosta ambulante.

Anônimo disse...

É triste.

O Anônimo que ficou nervosinho porque a moça acusou "o mundo empresarial": não é um indivíduo, não. A estrutura do capital é perversa. Acumular sem prestar atenção nas consequências gera posições sociais cada vez mais indiferentes. Como a tua, aliás.

Parabéns para a mulher que, com coragem, resolveu olhar para seu passado e procurar entendê-lo.

Um comentário lateral: como tem gente tomando remédios, né, não? Temos que pensar sobre isso também. Os psiquiatras estão mandando ver.

Moema L disse...


Anônimo
"E se o agressor já estiver sofrendo de fato? E se a tentativa de estupro for causada por um distúrbio mental que o faz buscar algum tipo de punição?"

Você esta defendendo o estuprador.

O agressor sofrendo? Ele perdeu o emprego? Não. Ele foi humilhado na frente de outras pessoas e chamado de mentiroso? Não. A lei foi aplicada e ele foi preso? Não.

Então porque diabos ele estaria sofrendo?

Nunca ouvi falar em nenhum distúrbio que faz alguém sair por ai estuprando os outros e querendo punição. Isso se chama mal caratismo é diferente, não é doença se fosse teria cura.



" alguém pensa que o estuprador não quer punição pelo seu ato?"

É Lógico, Obvio que ele NÃO quer ser punido. Qual é a dúvida? Da onde você tirou isso. Você ficou sabendo de algum estuprador que queria ser punido? Não. Por que isso não existe.

Se queria ser punido, por que não contou a verdade enquanto a humilhavam? Justamente por que essa não era a intenção. Ele não queria ser punido.



"Por que a vítima não se consola com o sofrimento do agressor, de que ela não se dá conta e só se sente justiçada se ELA TIVER CERTEZA de que o agressor está sendo punido?"

Consolar com o sofrimento do estuprador? Ele não esta sofrendo. que parte disso você não entende. Não existe sofrimento para o agressor.



"E se a vítima morre? Não precisa de punição neste caso, visto que a vítima não precisa mais de sensação de justiça feita!"

Claro né? Por que você vive no reino da fantasia dos mascus. Você não vive em uma sociedade em que as pessoas tem deveres. Estuprar é CONTRA LEI sabia? então com a vítima morta ou não o crime foi cometido.



"Ah, mas tem a família, né? E se a família estiver tranquila e em paz? Ah, tem a sociedade. ahã. "

Claro que a família fica em paz sabendo que a vítima esta morta e o agressor/ estuprador não vai ser punido. Poupe-me.



"Então, querida, em última análise, trata-se da tranquilidade minha, sua e de todos nós que não temos nada com o caso, certo?"

Não. Como eu disse antes, trata da tranquilidade da vítima E nossa (isso não inclui você que vive em um reino mascu encantado).quem disse que nós não temos nada com o caso? Eu posso passar por isso. As mulher (todas) podem passar por isso. Então temos TUDO haver com o caso.

Deixar o opressor impune só perpetua a situação atual da nossa sociedade.
Com a vítima morta ou viva o crime aconteceu e por lei o agressor tem que ser punido.



Sabe o que eu acho incrível? É que se fosse um assassinato, de um homem contra outro homem você jamais daria esta desculpa esfarrapada e maldosa. Com a vítima morta ou viva você ia querer justiça. Mas como se trata de um estupro logo "coisa" de mulher mentirosa, pois o estuprador é um coitadinho, você acha que tudo bem ele ficar impune.

Você devia ter vergonha. Defendendo um ESTUPRADOR. Querendo que ele fique impune.
Que NOJO.

Gabo Vaz disse...

Bruno,

provavelmente não sei tanto quanto você do código penal. Mas fico pensando que, se a garota tinha qualquer contrato formal com essa empresa, fica claro que o motivo da demissão dela tem a ver com a necessidade da empresa de acobertar e silenciar a situação de assédio. Muito trabalhadores/as nesta situação não tomam qualquer atitude no momento da demissão, e sucumbem a depressão por anos, acreditando que a culpa de tudo isso é deles.
De alguma forma, acredito que a lei proteja esses trabalhadores, que são demitidos simplesmente porque foram vítimas de algum assédio e quiseram fazer algo sobre isso.

Mirella disse...

M.P.,


como disseram acima, acho que você nem consegue denunciar. Infelizmente. Porém, é importante que você aprenda a resolver isto dentro de si, com ajuda de terapia, por exemplo. Se tiver a oportunidade, aconselho voltar e falar sobre o assunto. E, mais importante, não deixaria barato para seu pai. Conversaria sobre como esta atitude dele foi errada, prejudicial, egoísta e machista. Na verdade, a menos que ele me pedisse perdão, eu nunca mais olharia na cara dele (sei que isso não ajuda em nada, mas uma pessoa que tem a posição de lhe defender e apoiar agir de maneira tão cafajeste e covarde é nauseante).
Sensacional que você tenha tido a força de reagir. Pegue esta força que você sabe que tem dentro de si e utilize para superar este momento, você é maior que isto.
Força pra ti!



Anônimo do "E se o agressor já estiver sofrendo de fato? E se a tentativa de estupro for causada por um distúrbio mental que o faz buscar algum tipo de punição?"

Olha, infelizmente, a maioria das agressões é cometida por pessoas sãs em juízo perfeito. Um chefe abusar da estagiária adolescente não é um distúrbio mental, é uma demonstração de poder absurdamente frequente. Ele chamá-la para uma inspeção num local vazio e tentar agarrá-la sem que pudessem haver testemunhas por perto mostra uma racionalidade um pouco incomum para um perturbado, né? O máximo que ele poderia ser é um psicopata e, neste caso, acredite, ele não está sofrendo nem um pouco.


E, honestamente, se me perguntar com qual sofrimento estou preocupada (vítima ou agressor), fico com a primeira. Se o agressor está sofrendo, bem, que não tivesse agredido, né?

Bruno disse...

Gabo Vaz, não seria dessa forma. As empresas tem liberdade para demitirem quem quiserem sem qualquer justa causa a qualquer momento desde que paguem as verbas indenizatórias corretamente no momento da demissão. Pouco importa o motivo da demissão. Ele só é levado em conta se é algum tipo de discriminação (quando é inválido), isto a lei prevê. Agora pedir alguma indenização ou coisa que o valha porque a empresa demitiu sem justa causa em razão da denúncia do assédio não tem previsão legal, não pode ser aplicado. Ao contrário do que disseram aqui, a justiça do trabalho embora garantia do trabalhador não é "para o trabalhador" como se fosse sempre dar razão a ele, ela, como qualquer outra justiça, aplicará o direito e ponto.

Pili disse...

Autora convidada,

ok, o prazo pra reclamação trabalhista correu?grande coisa!!!! Você está aí, viva, integra, se comunicando e compreendendo a realidade que te cerca. Diferente de muita gente que fica em negação, que foge do prblema, etc.
PARABENS!!!

Acredito que a articulação que vc está fazendo tem muito mais valor que um b.o. a essa altura.

Vale a pena falar sobre isso com as pessoas que vc nem conhece mas que podem se inspirar contigo a viverem suas vidas livres. Vale também falar com as pessoas que te cercam, que vc conhece mais intimamente, num sentido de elucidar e educar as pessoas. Vale também falar com quem estava ao seu redor à época, principalmente seu pai!! E vale a pena falar com que possa te ajudar, com uma abordagem responsável e profissional.
Enfim, tudo isso vale.
Principalemnte, vale a pena se perdoar, entende. Não tem que se cobrar uma postura diferente da que já passou, porque era o vc podia fazer à época.

beijos, e vamos em frente nos articulando ;)

Lynxie disse...

Anon das 03:33,

Meu namorado sabe que o pai dele é um porco. Por isso mesmo, não fala com ele. Só quando é estritamente necessário. Por isso, nunca me ocorreu pedir ao meu namorado que conversasse com ele sobre isto.

A mãe dele trabalha junto e VÊ essas coisas (a menina inclusive narrou que ela diz ao marido: "Para com isso, seu velho tarado!"). Se ele se atreve a fazer essas coisas até na frente da esposa...
O que eu estava pensando era apontar que os funcionários são um público pelo qual ele tem que zelar. Que os funcionários chateados não recomendariam a loja dele e mesmo falariam mal. Acho que uma abordagem mercadológica funcionaria (porque o politicamente correto não entra na cabeça de uma pessoa assim), ou pelo menos teria alguma chance de funcionar. E outra, essas coisas acontecem (acho) ÀS VISTAS dos clientes! Tava pensando em sugerir também que eles poderiam ficar escandalizados e escolher outro lugar pra fazer suas compras.

A você e Moema L, obrigada pela atenção. É, eu apoiaria caso um dos dois funcionários assediados (sim, porque chamar um nordestino de 'jegue' me soa assédio moral) resolvesse processar. Até testemunharia! Minhas entranhas reviram com essas coisas. E honestamente? Fico até com medo de ficar sozinha com este sujeito.

Anônimo disse...

Sempre leio o blog e é a primeira vez que comento, principalmente pela última parte. Quero dizer que funcionou comigo.

Quando tinha 13 anos, sofri uma tentativa por parte de um parente, em uma reunião de família. Consegui me desvencilhar dele, dei uma torcida no braço que tentava me agarrar e corri, corri muito.

Durante muito tempo isso me incomodou. Nas primeiras semanas eu nem saía mais de casa sozinha. Hoje em dia, penso em como fui incrível por conseguir escapar. Tiro forças disso =)

Ana Cristina Oliveira disse...

“Eu tb penso que seria válido um processo trabalhista, mas tem q ver com advogadXs. Sua demissão não teve justa causa, e não importa se te pagaram direitos e tal, vc pode pelo menos incomodar a empresa. E VAI QUE alguém poe a mão na consciencia (desde o agressor até pessoas q nao acreditaram em vc). Mas como eu disse, tem que ver com advogados. Não sei se como causa trabalhista não vai ter caducado. Não custa tentar fazer algum barulho.” By Priscila Boltão

E digo mais, vai que alguma outra pessoa na empresa sofre um abuso similar, ou pior q o seu? Acho q isso já seria valido pra encorajar outros. Pq minha filha se ele fez isso com vc dessa forma, ainda mais a ponto de ser sabatinado na frente de td mundo, ai tem!

Depois: “A denuncia de um crime assim, não poderia, em tese, pelo menos intimidar esse tipo de agressor? Mesmo que ele fosse inocentado,não o faria pensar duas vezes antes de tentar algo assim de novo?” by Maiê F. Rezende

Então neste caso, segundo a nova lei, como citado pelo Lola, o cara não ia sofrer nada, e digo mais, ainda é capaz da garota ser acusa de injuria e difamação. Acho q na justiça ela não pode fazer nada, a não ser na trabalhista talvés, mas, esse alerta dela já é um começo. Mulheres devem falar, por mais doloroso e difícil q seja.

Anônimo das 13h50, vc falou do cara ser acusado, mas, ela não tem como provar,s egundo seus próprios relatos, pelo q eu entendo. Talvés um disk denuncia funcione talvés?

M.P. seu pai é um idiota, assim como o meu e o de muitas outras garotas, não se sinta mal de nunca mais olhar na cara dele e mandar um belo ‘vai pro inferno pra ele’

Anônimo disse...


"Claro né? Por que você vive no reino da fantasia dos mascus. Você não vive em uma sociedade em que as pessoas tem deveres. Estuprar é CONTRA LEI sabia? então com a vítima morta ou não o crime foi cometido."´


Vai dizer isso pros que não fizeram justiça no caso da Sandra Gomide!
Ou você acredita na justiça com as próprias mãos. Vai lá e faz justiça pela Sandra, pela família dela e pela sociedade para ficarmos em paz e tranquilas.

No caso da guest poster, pede o nome da empresa, vai lá, pega o moleque pelo pescoço e leva pra delegacia, querida. O que está esperando? Você não é parte do caso? Então?


@Mirela

"Olha, infelizmente, a maioria das agressões é cometida por pessoas sãs em juízo perfeito. Um chefe abusar da estagiária adolescente não é um distúrbio mental"

OK, você já forçou alguém a fazer o que você quer? Já abusou de uma criança? De um idoso? de um adolescente? Você não é sã e no juízo perfeito como o estuprador? O que a faz ser melhor do que um estuprador? Falta de ocasião? Capaz!

Anônimo disse...

Preso há 16 meses pela morte da ex-namorada Sandra Gomide, o jornalista Pimenta Neves entrará com pedido de progressão de regime em maio do próximo ano. As informações são da colunista da BandNews FM, Mônica Bergamo.

Em 2013, Pimenta Neves terá cumprido um sexto da pena de 15 anos pelo assassinato. "É quando, em tese, terá direito a passar para o regime semiaberto, podendo sair da prisão durante o dia para trabalhar", diz a advogada Maria José da Costa Ferreira.

No cálculo da advogada de Pimenta entram os 23 meses passados em regime fechado no presídio, somados a outros sete, quando ele esteve preso antes do julgamento, mais a remissão dos dias trabalhados na prisão.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, o jornalista está escalado desde 4 de abril para "desenvolver atividades laborterápicas no setor de limpeza". Cada três dias de trabalho geram um a menos na prisão.

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/?id=100000538204


que xuá, ein? Mata uma mulher na flor da idade e é 'punido' fazendo serviços de limpeza pra sair da prisão mais rápido.

Volto a perguntar: quem foi o verdadeiro punido/a nesta história?

Anônimo disse...

"E, honestamente, se me perguntar com qual sofrimento estou preocupada (vítima ou agressor), fico com a primeira. Se o agressor está sofrendo, bem, que não tivesse agredido, né?"

Então por que a ânsia pela punição do culpado? E como fazer a ponte entre o sofrimento do agressor e a 'paz' da agredida, se só nos preocupamos com a segunda? E se o agressor não vai sofrer, como tirar o sofrimento (raiva, intranquilidade) da agredida?

Anônimo disse...

"Então neste caso, segundo a nova lei, como citado pelo Lola, o cara não ia sofrer nada, e digo mais, ainda é capaz da garota ser acusa de injuria e difamação."

O cara não ia sofrer nada DESTA VEZ, mas numa próxima vez, a coisa muda de figura.

O circo armado na empresa pode ter rendido uma demissão injusta, mas deixou todos a par do incidente e o chefe abusador não será bobo de tentar de novo porque nesta hipótese, se vazar, tudo o que rolou antes fica automaticamente confirmado como verdadeiro.

mandybg disse...

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=80JuBmps6Qk&noredirect=1#!

POR FAVOR, LOLA.
Serio, abra isso. Que merda de video, serio, que merda. Nao tenho nem consistencia pra fazer um comentario decente a respeito.

Ju disse...

E o caso do apresentador da BBC de Londres que passou anos abusando de crianças e sendo encoberto?
http://pt.euronews.com/2012/10/23/jimmy-savile-diretor-da-bbc-ouvido-no-parlamento-justica-britanica-abre-/

Ju disse...

Eu abri o vídeo Mandybg e digo que tenho pena das mulheres que ainda estão dentro de alguma religião. Aliás, de todos, homens e mulheres, mas as mulheres principalmente são muito desrespeitadas! Uma religião que diz que a mulher é feita da costela do homem! E que a mulher é culpada por toda a desgraça da humanidade? (comeu a maçã, né?). É muito ódio!

Loise disse...

Eu discordo da Lola, acho que deveria denunciar. Sei que existe todo um desgaste emocional, mas ele também não existe pelo sentimento de injustiça? Acredito que, por mais que ele não fosse condenado e preso, esta denuncia agravaria a situação dele no caso de alguma outra denúncia que possa ocorrer.

Lembrando que ele tentou abusar, mentiu e saiu impune, não há nada que o impeça de fazer algo assim de novo.

Requer muita força, assim como ter denunciado diante da empresa e outras coisas que você já fez, mas é importante.

Anônimo disse...

"Pai encontra e prende em Portugal suspeito de estuprar sua filha em Birigui (SP) há sete anos"

Caso interessante e raro, digno de louvor. Por que a polícia se faz de idiota e não consegue fazer um inquérito policial adequado nestes casos?

Vamos ver agora se o criminoso vai pagar sua dívida com a estuprada, sua família e a sociedade fazendo serviços comunitários, embora se trate de um estupro 'legítimo'.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/11/01/pai-encontra-e-prende-em-portugal-suspeito-de-estuprar-sua-filha-em-birigui-sp-ha-sete-anos.htm

mila disse...

Estou prestes a convencer minha filha hoje com 21 anos a denunciar várias tentativas de estupro vindas de um canalha que arrumei para companheiro depois que me separei do pai dela. Ela estava com 17 anos e na época não consegui denunciá-lo. Só depois de muito tratamento psiquiátrico é que vejo o quanto ela sofreu e sofre com isto. será que vale a pena mexer nestas feridas?

Anônimo disse...

Oi. Eu queria também postar uma dúvida aqui. Estava pesquisando sobre o assunto de tentativa de estupro na internet e encontrei esse blog. Em setembro/2014 fui fazer um intercambio que duraria 5 meses. Mas em um dos trabalhos que arranjei, também sofri tentativa de estupro de forma muito parecida com a ocorrida aqui. O fato me deixou tão assustada e me sentindo tão indefesa, que fiz minhas malas e voltei para o Brasil antes que o intercambio terminasse. Não o denunciei nem nada, porque eu só queria voltar pra casa. Mas contei aos meus amigos, que ficaram revoltados. Minha pergunta é: eu posso processá-lo daqui do Brasil e ele sendo estrangeiro e estando em outro país? Isso ocorreu há cerca de 02 meses e tem me perturbado muito.

Anônimo disse...

Dependendo do país, se não houver um acordo internacional entre o Brasil e o lugar em questão, o jeito é processar lá mesmo. E mesmo havendo acordo, ainda assim o trâmite é todo lá por questões de soberania das nações.

Jessica Ulli ulli disse...
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