quarta-feira, 11 de julho de 2012

GUEST POST: PRECONCEITO ENTRE OS GAYS

Felippe, um simpático aluno da UECE, me enviou este email, que eu transformei em guest post.

Primeiro, quero lhe parabenizar pelo blog, que é sempre super adorável! E lendo a postagem em resposta ao guest post da menina que se acha magricela -- bom, eu também sou magrelo, e lembrei de tudo aquilo que injetam na gente. Nós, muitas vezes leigos ou não tão pensadores, engolimos tudo sem saber digerir o que é lixo e o que não é.
Sou gay, estudante de Letras pela Universidade Estadual do Ceará, e monitor de Teorias Linguísticas. Vejo que no "mundo gay" existe sempre uma espera por uma aparência sexy do "cara super malhado dentro de uma camisa da Colcci e um jeans Klein estourando porque não há espaço sequer para o peitoral dele". E vejo que dentro desse universo ou comunidade pessoas se machucam, se inferiorizam por não possuir esse padrão. Eu mesmo já banquei muita aparência por nada. Claro, se eu quiser ter um corpo bonito, por estética (também!) e para me sentir bem comigo e por saúde, eu vou ter. Mas isso não faz que eu me inferiorize agora por não possuí-lo.
Vejo o quanto ditam regras para que você se molde sempre a tais regras e nunca as suas próprias, àquilo que você realmente crê. Isso soa bem meio Maysa ("Só faço o que gosto e aquilo que creio"), mas é assim mesmo! 
Um outro ponto é o machismo que impera no mundo gay. Sim, MACHISMO -- essa educação patriarcal faz suas vítimas na comunidade gay. Explico: se um rapaz desempenha/gosta de determinado papel sexual (o que se denomina de papel ativo ou passivo dentro da comunidade) ele é visto como "homem" ou como "gay" respectivamente. Se este for "efeminado" então, pior para ele. Travestis, efeminados, sujeitos que desempenham o papel sexualmente passivo (mesmo que não sejam efeminados), são vistos com menosprezo por muitos outros gays, inclusive seus parceiros (claro, existem as ressalvas).
Outra questão é o tamanho do "documento" que esse indivíduo possui. Já conversei com alguns rapazes e nessas conversas sempre descobria que quando o tocante era sexo, eles se desdobravam em pedaços e diziam ser "versáteis" (termo que equivale a "sou ativo e sou passivo sexualmente"). Negam que sejam efeminados e dizem "não curtir" o "documento" pequeno, tentando criar uma imagem de que "sim, eu sou machão mesmo sendo gay e possuo algo até razoável entre as pernas". E quando você conhece o indivíduo, descobre que todas as características são falsas. Aí você repensa tudo e até desanima quando vê o que o outro realmente é. Desanima não por ele ser como é, mas por criar imagem falsa de si mesmo, de não se aceitar como é, de fingir pra si mesmo e para outros. Eu, particularmente, recuso e vou continuar recusando qualquer pessoa, mesmo que seja "bela" e interessante, que simplesmente não se aceita e finge ser quem não é. O que é pior: pra si mesma.
Os próprios gays são machistas e preconceituosos uns com os outros -- o que não justifica, de jeito nenhum, a homofobia dos héteros. Mas a presença feminina (modo de falar mais brando, som da voz, jeito, movimento etc) no homem gay (desde as características até o papel sexual desempenhado) é vista com maus olhos por nós mesmos. Até entre os gays o que é visto como feminino é ruim!
Espero que um dia tudo isso melhore, que entendam que belezas são relativas, que há uma pluralidade de indivíduos com suas idiossincrasias, e que não deve haver desprezo por qualquer que seja essa diferença. Mais triste é quando isso acontece dentro de grupos que buscam respeito e o fim da discriminação. 
No geral, espero mesmo é que tanto a menina que se sente "magrela" como tantas outras que se sentem "gordinhas", do pessoal que não gosta de seu cabelo por ele não ser liso, até o caso dos gays, que a gente consiga deixar de lado aquilo que se exige da gente.  F*da-se (perdoe-me a palavra!) se sou magro/gordinho, se meu cabelo é crespo/liso, se sou gay ou não, se sou gay passivo ou não, se sou efeminado ou não, se o pinto (perdoe-me a segunda palavra!) é pequeno ou não: eu acho sempre que a gente é mais do que tudo isso. Parafraseio a Dra. Elenita Rodrigues: eu não sou o meu pinto e você não é sua bunda ou magreza. A gente é esse conjunto. 
E viva as subjetividades!

"E se alguém não quiser entender e falar pois que fale /
Eu não vou me importar com a maldade de quem nada sabe /
E se alguém interessa saber sou bem feliz assim /
Muito mais do que quem já falou ou vai falar de mim"
("Resposta" - Maysa)

83 comentários:

Bruxinha disse...

"Até entre os gays o que é visto como feminino é ruim!"


Afff...sempre tudo é culpa das mulheres?!!!!
Realmente os gays podem ser implacáveis quanto à forma física. Já ouvi muitos comentários nesse sentido.
Enfim, a ditadura da beleza se impõe mesmo e causa muito sofrimento a quem não se enquadra.
Gostei do g.post

José Tarcísio Costa disse...

Bom texto eu só não gostei do tom generalista que ele traz. Gays são pessoas como qualquer outra nessa planeta. Logo, existme gays preconceituosos e gay que não o são. Claro que um grupo que sofre tanto com o preconceito deveria ser mais tolerante e menos "rotulista" mas no fim são pessoas.

O que a gente vê é que assim como existe mulher machista, existe gay machista que abomina tudo o que é feminino ou feminilizado. Aí entra o "passiva", o bichinha pão com ovo e etc. Agora, tenhamos muito cuidado em não generalizar. Eu sou gay e já conheci (e conheço) muitos gays que não são tão paranoicos assim com a aparência. Há gays que curtem os mais magrinhos, a gays que curtem os mais gordinhos, que curtem os depilados e por aí vai. A ditadura do padrão de beleza é geral e atinge certa parte do dito "mundo gay" também, mas não é sempre.

Um conselho meu pro autor do post é: se os ambientes "gays" que você frequenta te desagradam, procure outros, procure conhecer outras pessoas. Eu sempre fui o nerd magrelo e nem por isso fui privado de amigos e namorados. A questão é se valorizar, quando você se valoriza você transmite confiança e isso pode ser um fator muito atraente pra muita gente.

José Tarcísio Costa disse...

Existem héteros fúteis e imbecis, por que não existiriam gay assim né? É triste, mas é verdade. :/

Bruxinha disse...

Verdade, José Tarcísio! antes de gays ou héteros, somos gente...e o material humano é terrível!

Bruno S disse...

Não é por se estar num grupo que sofre com opressão e preconceitos que se tem garantia de que esses comportamentos não serão reproduzidos internamente.

São pessoas que cresceram na mesma sociedade que todos e que aprendem desde cedo os mesmos (maus) hábitos.

Nina. disse...

Eu já presenciei situações assim. Sou bailarina e quase todos os meninos no meu grupo são gays. Existe entre eles um rapaz especial: bondoso, conciliador, generoso, muito talentoso e com muitas características femininas. Muito ouvi se falar dele pelo corredor, até que um dia resolvi não mais me calar, virei para um dos gays machões que estava sendo particularmente ofensivo e disse: então existe um medidor para "viadagem"? A "viadagem" só é aceitável até certo ponto? Menos gay que você pode ser, mais gay que você não? Você quer ser a rainha da cocada preta?
Soou preconceituoso, eu sei, mas foi proposital, aí eu continuei: todas as pessoas merecem respeito.

Um dia o modelo andrógino Andrej Pejic disse algo que matou a pau: ele disse que não era ofensivo se parecer com mulheres, que ele gosta disso em si mesmo e não entende porque a sociedade considera tão ruim ser mulher.

Disse isso com 19 anos, que maturidade....ele tem a mesma idade do bailarino de quem falei, que trabalhou duas vezes mais duro, mas enfim conquistou o respeito e a amizade de todos, por seu talento, dedicação e CARÁTER.

Rubens disse...

Tenho muitos amigos gays, mas cara, não vejo tanto preconceito com o que é feminino assim não, bom deve ser a experiencia de cada um.

Mas concordo com o José, existe mulher/homem machista e as suas variações, onde podemos chegar com isso? De que o machismo está impregnado na sociedade e como tal se dilui em todas as esferas, pq os gays seriam uma bolha? Eles estão tão inseridos na sociedade quanto os HT, Bi...enfim.

Eu vejo essa recusa do feminino na galera que ainda não se aceitou muito bem, cai muito naquela questão de gênero, pra começar: O que é "feminino"? Esses recortes de comportamentos moldam muito de nossas aceitações (ou recusas...)

José Tarcísio Costa disse...

E isso é muito visível também na "saída do armário" a maioria dos gays que eu conheço (eu incluso) quando saíram do armário ouviram da sua família que não teria problema em ser gay. O problema residia em "dar pinta", ou seja querem que você via no armário de vidro da heteronormatividade. Pode ser gay, mas não pode se parecer com um. Como sempre, o machismo trazendo muitos males pra nossa sociedade.

Renato Corrêa disse...

Cara, gays são homens que gostam de homens, só isso.

A maioria dos meus amigos gays acham muito feio homens afeminados. Pra mim, um afeminado é algo tão bom ou ruim como sair na rua com a cueca na cabeça e uniforme de escoteiro mirim.

Concordo contigo que os gays se cobram muito mais pela aparência que os héteros. Certo dia, fui andar de bicicleta com um amigo gay e ele ficou reclamando da barriga. Eu disse "po meu, teu abdominal ta muito bom! Como eu queria ter um assim!" Ele me respondeu: "tu é hétero, não precisa se preocupar com essas coisas."

É bom ter um físico legal, ser bonito, se arrumar, etc. Mas paranóia também não dá, faz mal pro próprio sujeito.

Anônimo disse...

Lola, bom dia!

Por favor, comente esse assunto: http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2012/07/06/moda-no-twitter-publicar-fotos-de-mulheres-dormindo-algumas-nuas-454046.asp

beijos!

Fer disse...

O mundo gay é muito semelhante ao mundo feminino. Talvez pela falta de aceitação entre pessoas próximas ou até pela ridicularização gigantesca que existe na mídia em relação aos homossexuais, exista esse pensamento pré-imposto de ver a própria sexualidade como defeito. "Já sou gay, ainda vou ser afeminado/feio?".

Sei bem como é isso pois falo de experiência própria. Sou jovem e bissexual, e no mundo gay não vejo aceitação, pois ainda que aceitem sua sexualidade, parecem exigir que você caiba num molde de perfeição. Até doenças antes consideradas raras entre homens, como a anorexia, são cada vez mais comuns. Claro, aqui não quero generalizar, pois cada indivíduo é um indivíduo, mas não é dificil notar de que assim como grande parte da sociedade, muitos homossexuais seguem o rebanho, se enquadram confortavelmente em um estereótipo e acabam até sendo contraditórios em sua luta contra a homofobia.

É triste, porque isso prejudica toda uma minoria que podia estar unida, lutando junta de forma mais ativa e sem preconceitos, mas isso não é alcançável enquanto não existir uma humanização interna no grupo.

Nyckynha disse...

Ate com as lesbicas maculinas se tem o preconceito,nao sei se dentro da comunidade tambem.
Aqui quando se pensa em gay é em algo efminado,e não generalizado.A grande m**** do esteriótipo.

Sara disse...

Felipe amei seu post e me identifiquei com ele tb, penso bem parecido com vc, não dou a mínima para o que pensem de mim, detesto hipocrisia.
Quando era mais nova até sofri um pouco com criticas e ja quiz agradar as pessoas, até perceber que essa tarefa é ingrata e impossivel.
Eu por ter muitos amigos e amigas gays, ja tinha notado esse machismo em algumas atitudes, ja vi alguns amigos passando por cima dos próprios sentimentos para agradar outros, e me deixaram a impressão de que faziam isso por se sentirem em divida com seus familiares por serem gays, e por isso tinham que se provar muito melhores em outros aspectos.

Anônimo disse...

Oi Lola

Gostei mto do post.
Não sabia que existiam gays machistas, é o fim.


Lana

Maiara Crotch disse...

Realmente esse preconceito existe, mas não é exclusivo dos homens. As mulheres masculinas também sofrem muito proconceito. Pois os homossexuais "pintosos" são os que caem naquela história de "homem querendo se mulher e mulher querendo ser homem". E os próprios homossexuais dizem: pra gostar de homem/mulher não precisa ser viado/sapatão. As pessoas vêem os trejeitos como forma de esfregar na cara de todo mundo sua condição sexual, o que é obviamente errado, já que a homossexualidade não é digna de orgulho, mas sim de ser escondida a sete chaves.
Eu mesma já fui adepta desse preconceito, mesmo sem perceber. Hoje o percebo quando alguém me conhece e diz: "Nossa, você é lésbica? Mas não parece!". Isso em tom de elogio, como se os homossexuais que se enquadram do padrão heteronormativo fossem superiores aos que não se encaixam, e como se nossa postura e trejeitos fossem opcionais. Antigamente minha resposta era: "Sério? ai que bom! Obrigada!" Hoje em dia respondo da forma mais educada possível:"Até onde eu sei, ser lésbica é gostar de mulher, portanto eu pareço sim!"

Binho disse...

Gostei do post. Poucos gays tem coragem de abordar a homofobia, o preconceito e o machismo que existe dentro do mundo gay brasileiro - fragmentado em tribos como ursos, barbies, tios, bichas pão com ovo, quaquaquá, travestis e por ai vai; em um cenário como este, em que todos se ignoram, se repudiam, há pouco ou nenhum espaço para a inclusão e a diversidade. Isso mostra que os gays ainda não amadurecera para se unir e reivindicar os direitos que lhes são negados. Claro que existem exceções,como bem lembrou o Tarcísio, mas o modelo gay que vigora no Brasil, reforçado pela mídia especializada (revistas, sites e blogs) não deixa dúvidas: jovem, belo, malhado, que usa roupas de grife, rico. Há algum tempo, lendo um post de um conhecido blogueiro carioca sobre o carnaval, me deparei com a seguinte afirmação: “No pack, no sex”. A palavra inglesa pack, significa gomo e, junto com a palavra six, é utilizada para definir a barriga de tanquinho (six pack) tão cara hoje em dia, como símbolo de beleza e saúde entre gays e héteros, mesmo que para isso o sujeito tenha que ficar 5 horas por dia numa academia e fazer uso de anabolizantes. Traduzindo: sem barriga de tanquinho, sem sexo. Fiquei me perguntando onde entram qualidades como inteligência, carinho, honestidade, companheirismo na composição do homem que almeje chegar junto do referido blogueiro, que por sinal é malhado,bonito e bem de vida, mas anda atrás de um companheiro há anos e não encontra. Po que será¿ Não é à toa encontrarmos tantos gays infelizes e frustrados, muitos se drogando em boates e outros, que já não suportam uma vida tão vazia, buscando a salvação em igrejas evangélicas. Todavia, esse modelo de comportamento não é muito diferente daquele visto no mundo hétero, afinal vivemos numa sociedade heteronormativa. Mesmo assim, pelo fato de vivermos na pele uma enorme e variada gama de preconceitos, tenho a impressão de que, como gays, estamos perdendo uma grande oportunidade de exercitar a diversidade que tanto defendemos. Creio que o caminho para isso seria, primeiramente, superarmos o obstáculos dos nossos próprio preconceitos para depois seguir adiante. Pode não ser fácil, mas não é impossível.

Anônimo disse...

Bruno S
"Não é por se estar num grupo que sofre com opressão e preconceitos que se tem garantia de que esses comportamentos não serão reproduzidos internamente" - Mto bom.

Não tinha parado para pensar nessa questão que o post trouxe, mas há tantas mulhertes machistas, claro que haveriam gays tbém.

Na minha adolescência tinhaa irmã de um amigo , a caçula, que resolveu assumir-se lésbica, foi um escandalo na cidade, que era pequena, isso há uns 15 anos.

E o que mais incomodava a todos não era a menina ter se assumido como lésbica, mas pq ela usava cabelo curto e tinha trejeitos masculinos.
Muitas pessoas falavam "tudo bem se quer ser lésbica mas não precisa se fingir de homem, não precisa dar na cara"
Então parece que não é bem o gay com caracteristicas femininas que incomoda, pq nesse caso incomodava mais a menina parecer um homem do que assumir sua sexualidade. Quer dizer "tudo bem ser lésbica mas pareça como uma menina hetero dentro dos padrões de beleza hetero". O que parece que incomoda é a mistura entre feminino/masculino, que todos temos, ninguém possui so caraceteristicas masculinas ou femininas, somos yin yang, é a incapacidade de olhar para o ser humano além da aparência.

Essa irmã do meu amigo ouviu que podia ser lésbica mas que ao menos então usasse roupas femininas, fosse uma lésbica "bonitinha e delicada".

O fim da história é que a menina saiu da cidade e foi cuidar da vida dela. E a família toda , incluindo meu amigo, foi pra terapia.

Hoje todos aceitam e convivem bem.


Lana

Flávia A. disse...

No meu trabalho de conclusão de curso fiz ma análise sobre a revista Júnior(uma publicação voltada aos homossexuais masculinos), e nela há realmente uma exaltação da macheza...meus amigos héteros não acreditaram mto quando eu disse, mas "ser macho" era extremamente importante para esses gays, e quando falava-se de afeminados (a tal "bichinha pão com ovo") sempre era com """""""humor""""""",aquele mais pro deboche e desprezo,mesmo...
É bem o que José Tarcísio disse, ok ser gay,super orgulho,maior legal...mas não me vá ser afeminado e dar pinta por aí,que é coisa de "bichinha"! triste,triste!

Maíra Mello disse...

sei lá. Nunca consegui entender o preconceito das próprias "minorias". Como pode um grupo que é tão discriminado, ter algum tipo de preconceito?? É até contraditório isso. E esse comportamento vai além dos homossexuais. Não consigo admitir que negros, mulheres, judeus...e por aí vai, tenham qualquer tipo de preconceito.

Anônimo disse...

felippe, tenho muitos amigos gays. e eu sinto isso que vc falou neles. cueca calvin klein com o tanquinho, bem estilo dos comerciais da marca. perfumes caros, roupas caras, viagens caras. claro que tem os que não têm grana pra isso, mas aí esses têm no imaginário o desejo de ser como os outros.

sim, meus amigos "preferem" (pq eu acho que não é exatamente preferência)homens com pinto grande, sarados... mesmo os que são baixinhos e magros. e "bichinha" é o tipo de palavra que sempre ouvi.

qdo eu digo que existe gente de todo jeito e que, pra ele ser gay, não precisa ser do jeito que ele não acha legal, mas que o outro tem esse direito, já vêm com o discurso de "esses bichinhas queimam os gays na sociedade pq as pessoas acham que todo gay é bichinha". acho triste pq a verdade é que todo mundo devia se unir. cada um no seu quadrado, mas lutando por igualdade e não mais discriminação.

mas tem uma coisa. um dia as pessoas amadurecem e acham seus caminhos. depois disso, muita coisa perde o peso. eu acredito que vc tenha achado seu caminho (senão, já teria dado um tiro na cabeça por extrema solidão). desconfio que vc sabe que isso é uma coisa que não se aplica a todos, mas é ideia corrente no meio. a vida traz maturidade pras pessoas...

eu sei que não estou dentro de padrão de beleza nenhum para mulheres, mas estou em paz e não estou largada às moscas. se o padrão pressiona? sim. mas hj em dia isso é tão menor pra mim...

Anônimo disse...

Lola, já leu?

http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2012/07/why-women-still-can-8217-t-have-it-all/9020/1/

Lana

José Tarcísio Costa disse...

Ai, isso da "cueca Calvi Klein" é uma grande piada. Uma vez conheci um menino que se orgulhava muito de estar usando uma camiseta Armani. Aí ele me disse que tinha juntado dinheiro por muito tempo pra compra-la e log em seguindo completou que estava juntando dinheiro outra vez pra poder uma cueca Calvi Klein.

Eu, sem paciência pra isso, perguntei porque que ele não juntava dinheiro pa comprar livros e o assunto acabou. Depois ele disse pros meus amigos que tinha perdido o interesse em mim porque eu era "entediante". hauhauahau esse são os conceitos...

Anônimo disse...

Sinto um misto de pena com raiva,quando vejo gays e ou mulheres,reproduzindo o discurso machista e heteronormativo,não se dando conta que quanto mais corroboram com ele,mas se afundam,numa tentativa patética e frustada de serem aceitos no clube do bolinha dos homens heteros(o santo graal dos gays mal resolvidos e de mulheres cujo único obejtivo é assegurar um macho ao lado)"ei rapazem olhem pra mim,sou gay,mas sou brother/macho ou sou mulher,mas sou moça decente".

Esse povo tem que levar na cabeça pra aprender e,às vezes,nem assim.

Cética

Iara De Dupont disse...

Sinceramente não consigo ver essa divisão mencionada.Não acredito que problemas aqui mencionados fazem parte de apenas um grupo.
Para mim a questão é bem simples:o ser humano é dubio,o coração humano navega nas trevas,é egoista e segue suas vontades,pensa na suas conveniencias.
Não existe nenhum grupo de seres humanos acima de tudo,moralmente perfeitos,eticamente ideais e sem preconceito.
Já tenho lido muito sobre essa fantasia,as pessoas acham que o mundo gay por ser um mundo que vai em contra do estabelecido é composto de pessoas felizes e realizadas,mas eu tenho amigos gays e eles enfrentam os mesmos problemas que eu, porque todos finalmente somos humanos e ainda estamos limitados por nossas crenças e nossos desejos.
Também gostaria de pensar em um mundo onde as pessoas não sejam julgadas,mas provavelmente isso vai acontecer sem a nossa presença,já que o ser humano independentemente da sua condição social, sexual,moral,educacional,o que for,vai ser sempre de essencia duvidosa e escolhas sombrias e julgamentos infelizes.É o ser humano, fazer o que?

Flavio Moreira disse...

Infelizmente o preconceito grassa em todos os grupos. Além do machismo exagerado, há também, entre muitos gays, a misoginia, sobre a qual já comentei em outro post da Lola.
Houve uma época em que eu tinha preconceito forte contra gays afeminados, travestis e lésbicas masculinas. Hoje tenho muito orgulho dessas pessoas porque elas não reproduzem a hipocrisia de quem quer ser gay dentro do estereótipo da heteronormatividade.
As pessoas são belas pelo que são por dentro, não por seu exterior. A beleza física, como a juventude, é passageira.
Parece haver, sim, entre um grande número de gays masculinos, um culto exagerado a um certo padrão de beleza física (o tal do tanquinho a que se referiram antes). E aí, fica a pergunta: quantas homens, gays ou não, são de fato assim? É o padrão? Ou é uma coisa fabricada, instituída por uma sociedade de consumo cruel e hedonista? Afinal, sem esses padrões, o que seria da indústria da moda, dos produtos de beleza e das academias?
A generalização não é boa para ninguém, mas pode-se perceber uma tendência observando não só grupos, como a própria publicidade voltada para esses grupos. As revistas voltadas para o público gay reforçam sempre esse estereótipo de "corpo malhado", de homens sarados em capas e matérias, tanto quanto as revistas hétero.

Rubens disse...

Gente, vou fazer uma pergunta bem de leigo msm: (se eu ofender, foi sem querer, querendo)

Eu vejo nos meus amigos gays que eles tem uma certa obsessão por ser jovem, o cara passa dos 30(!) e já se considera velho. Pq esse lance? Nenhum deles sabe me explicar, (ou talves não queiram, sei lá). É tipo mais ou menos igual o preconceito que diz que mulher "só presta" "só vale alguma coisa" se for jovem? (nas entrelinhas jovem = bonito(a) ).

É isso?

Dri Caldeira disse...

Não sei pq tanto espanto com isso, pois não importa a bandeira que vc carregue, nem a a batalha que vc tenha que travar pra viver, já tudo isso fica em 2º plano quando se é bonito. Aqui mesmo no blog da Lola, nós vemos feministas "combativas", sempre cheias de frases de efeito, rebelando-se contra a opressão do machismo que não suportam gente gorda. Que morrem de medo de engordar. Que acham que isso é sinal de fraqueza. Eu sempre digo e repito: o maior defeito do ser humano é a vaidade, todos os demais defeitos são consequência disso. Hipocrisia ao alcance de todos. Por isso nada mais me espanta, é uma espécie de "dar o troco": ah sou perseguido por ser gay? Então vou perseguir quem a sociedade entende ser menos do que gay: a gorda, o negro, o aleijado. Só dizer que tenta modificar a forma de ser não basta, seria bem mais nobre não dar palpite à respeito de nada quando se tem preconceito diante de coisas que maltratam, humilham e prejudicam outros seres humanos.

carolinapaiva disse...

Iara

Concordo quando você diz que nós, seres humanos, não somos livres de julgamentos e preconceitos, mesmo fazendo parte de um grupo discriminado.
Mas eu acho que é possível diminuir esse aspecto negativo, fortalecendo a consciência de que não temos o direito de expor nossos preconceitos.

Grão da Noite disse...

Parte 1: Mas que post interessante. Acho que não há um gay que nunca tenha pensado nas questões abordadas. Eu que estou gordinho durante a maior parte da vida sei bem como é o preconceito contra gordos no meio gay. Como sempre fui muito caseiro, o instrumento que eu mais usava pra conhecer rapazes acabava sendo a internet. Nas salas de bate-papo a rejeição era frequente, especial e mais constantemente partindo dos caras que diziam teclar dos bairros mais nobres da cidade, o que me fazia concluir que quanto melhor o nível social, maior a "gordofobia". Os caras que teclavam de bairros mais periféricos costumavam ser mais tolerantes quanto a esse ponto. Embora não se possam fazer generalizações, é notório no meio gay o preconceito contra gordos. Mas enfim, apesar dele, foi na internet que eu conheci meu companheiro, depois de uma busca de mais de dez anos. Tive muita paciência. E como valeu a pena! Hoje em dia acho que meus quilos a mais me protegeram de conhecer gente por quem eu nunca me interessaria, ajudando-me a poupar tempo e energia emocional. Eu também já tinha refletido sobre a homofobia conter muito de machismo.

Grão da Noite disse...

Também acho que há na aversão a gays um "Como pode alguém que tem o privilégio de nascer homem se rebaixar à condição de mulher?!", como se a superioridade ou inferioridade de alguém estivesse no ter/não ter um pênis ou no usar/não usar esse órgão sexual. Quanta bobagem. O importante é a pessoa ser coerente com seus desejos e dona do seu prazer, não importa se fazendo isso ou aquilo. A maior emasculação é negar-se a si mesmo, ser incoriente consigo próprio só por causa da opinião alheia. No meio gay é terrível o preconceito com os mais "pintosos". Frase do tipo "Pode até ser gay, mas pra quê ser tão afeminado?" é muito comum. Já falei isso num comentário que fiz aqui no blog da Lola e vou falar de novo: tenho grande admiração por quem tem a coragem de ostentar sua homossexualidade. Graças a essas pessoas a homossexualidade se tornou visível, e graças a essas pessoas de coragem, que se prestaram ao papel de para-raios de tanta homofobia e insanidade dos homofóbicos, é que nós gays estamos conquistando cidadania aos poucos. Muitos gays detesteram o personagem "Crô" da última novela das 21h da Globo por não se sentir retratados nele. "Ele é muito clichê", "Precisava ser tão viado?", são coisas que eu ouvi muito. Pois eu gostei muito que um Crô tenha aparecido numa novela. Gays como eles levam os tapas que caras emocionalmente mais frágeis, como eu, não suportariam levar. Nós gays devemos muito a pessoas como ele. Pessoas como ele merecem nosso apoio, não o ostracismo social e a aversão. É por ser gay que me identifico tanto com o blog da Lola. Gays e mulheres, negros e nordestinos, estamos todos num mesmo barco. Estamos todos num mesmo barco mesmo que não nos enquadremos num grupo preferencial do preconceito. Afinal de contas o preconceito é generalizado, embora recaia com maior força sobre determinados grupos. Sofre-se preconceito por ser rico. Sofre-se preconceito por ser pobre. Sofre-se preconceito por ser culto. Sofre-se preconceito por não ser culto. Sofre-se preconceito por se ter um determinado sotaque, ou por torcer por um determinado time de futebol e não por outro. A derrota do preconceito, portanto, não tornaria melhor apenas a vida de gays, mulheres, negros..., mas da sociedade inteira. A propósito, gostaria de encerrar fazendo propaganda do site de Maria Berenice Dias, ex-desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande Sul e uma das mais importantes defensoras dos direitos dos GLBTs atualmente. Que tal assinar o documento de apoio à aprovação do Estatuto da Diversidade Sexual? Tem que assinar e enviar para o endereço que ela indica no site, pois ela está recolhendo assinaturas para iniciar a tramitação do projeto de lei do Estatuto no Congresso Nacional (são necessárias pelo menos 1 milhão de assinaturas...). Mais informações podem ser obtidas no site: http://www.mariaberenice.com.br/pt/home.dept . Gostaria de fazer propaganda, também, do Simpósio Internacional sobre Casamento Civil Igualitário, que vai acontecer no Rio de Janeiro e contará com a presença, dentre outros, de Maria Berenice Dias, Jean Wyllys e o Ministro da Suprema Corte Argentina Eugenio Raúl Zaffaroni, um dos maiores penalistas do mundo. Este evento acontecerá na próxima sexta-feira, dia 13.07.2012. Mais informações: http://casamentociviligualitario.com.br/eugenio-raul-zaffaroni-ministro-da-suprema-corte-argentina-participa-de-seminario-sobre-casamento-civil-igualitario-no-rio-de-janeiro/ . Para finalizer messmo, um muito, muito obrigado a Lola por este guestpost. Nós gays somos muito carentes de espaço. Embora você seja ateia, que Deus lhe pague (em euros ou em barrinhas de ouro, de preferência :).

Nicolle disse...

Lola, você viu isso?

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/07/todo-dia-e-dia-de-estupro.html

É de não querer viver mais.

Anônimo disse...

josé tarcísio, eu sempre bato na tecla de que uma coisa não exclui a outra: é ok ter uma cueca calvin klein e ser um ávido leitor. MAS o problema é essa imposição, sabe? não vejo problema de o cara ter um tanquinho (já falei aqui que um treino bom não deve passar de 50 min a uma hora na academia) pq o músculo não diminui o cérebro.

só acho podre que as pessoas escolham formas pro seu tesão. tesão acontece. isso de dizer que tem tesão por homem assim ou assado é a maior furada. na hora do vamos ver, a realidade bate e vc sente tesão por uma pessoa que, de acordo com suas regras, não deveria sentir. tudo isso que esse pessoal cultua é um imaginário gay imposto talvez até pra vender pra essa parcela da população que costuma gastar muito (daí agências só pra gays e tal).

só te garanto que vc tbem não se interessaria por quem te achou entediante. e, pra gente "entediante" como vc (tipo de julgamento que eu acho absolutamente relativo, né), existem mil interessados... é a vida. não se agrada a todos, né? =)

Anônimo disse...

"(...) um amigo gay e ele ficou reclamando da barriga. Eu disse "po meu, teu abdominal ta muito bom! Como eu queria ter um assim!" Ele me respondeu: "tu é hétero, não precisa se preocupar com essas coisas.""

o male gaze é implacável, mesmo entre gays.

José Tarcísio Costa disse...

Sim, anônimo eu não acho que as coisas em questão sejam excludentes. Eu citei esse exemplo em particular porque o cara só falava disso. E se achava um máximo por ter juntado dinheiro por séculos pra comprar UMA camiseta.

Claro que uma boa forma física é atraente, mas todo mundo mundo é mais do que isso, do que adianta o corpo impecável se o cérebro não trabalha? Acho que tem que existir um equilíbrio. Eu, por exemplo, malho, pratico esportes e etc, mas o faço pela saúde e não pela obsessão com o corpo, tanto que continuo o mesmo magrelo que sempre fui.

A questão é que dependendo do "ambiente" é muito mais provável que o gay da cueca "Calvin Klein" faça muito mais sucesso do que eu, porque ninguém quer conversar. Entretanto, como eu disse nos comentários iniciais, eu nunca me deixei derrubar por isso. Prefiro demorar e encontrar alguém interessante do que ir rodando por aí com quem só sabe falar de proteína Whey e de grifes (que muitos nem podem bancar, mas gostam de fingir que sim).

Enfim, a grande lição que fica é que gays estão inseridos na mesma sociedade que todo mundo e que os mesmos preconceitos, as mesmas buscas, as mesmas futilidades e etc existem entre eles, as vezes bem realçadas, mas isso não é geral. Existem gays e gays...

carolinapaiva disse...

"o male gaze é implacável, mesmo entre gays."

Tudo o que for feminino é visto como inferior e os gays sofrem o mesmo tipo de pressão para se adequar ao padrão de beleza que as mulheres.
Não sei qual é a intensidade desse comportamento entre gays, mas é preocupante que esses padrões de comportamento se repitam.
Gostaria de saber se há uma situação semelhante entre as lésbicas e os bissexuais (que, pelo que já me disseram, sofrem preconceito tanto de heteros quanto de homossexuais).
É triste saber que a misoginia está tão arraigada em nossa sociedade.

Anônimo disse...

josé tarcísio, existem pessoas e pessoas, né? mas ainda acho que a cultura gay propagada em revistas e tal massacra os gays do mesmo jeito que revistas femininas massacram mulheres.

tem gente que fala que mulher não gosta de pornografia pq não curte as revistas de homem pelado. mas essas revistas normalmente repetem esse estereótipo gay de que homem tem qeu ser pintudo e ter tanquinho (muita mulher não liga mesmo pra isso). imagina isso na cabeça de um menino novo gay que ainda tá descobrindo sua homossexualidade? nossa...

eu acho que fui a primeira a falar de tanquinho aqui nos comentários. hahahah. mas é pq é meu calcanhar de aquiles por ser eternamente julgada pelos meus músculos. e adoro discutir sobre whey e outras proteínas (rá!). aliás, o shaker da isopure que eu ganhei tem escrito "we're all more than muscle". ;-)

ah, menino... o que é sucesso, né? talvez o cara da cueca (calvin klein) aparecendo pela calça (diesel) tenha o sucesso dos sinais que envia, o de coisas materiais. e se alguém estiver na mesma vibe que ele, é isso que vai ter.

mas tem muita gente na mesma vibe que vc. tenho um amigo gay que vivia em clubes de altas orgias e tal... até que percebeu que queria namorar de mãozinha dada e não queria mais aquilo. são fases, são estágios de maturidade...

[eu concordo com vc. só que eu conheço gays na faixa de 40 anos e sei que esse oba-oba calvinkleiniano passa...]

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Fato: mesmo dentro de minorias há espaço para preconceitos e discriminação, porque fazer parte de uma determinada minoria não faz com que você seja, automaticamente, imune a preconceitos e discriminações internas.

Por exemplo, e sem querer desviar o foco da questão: durante um bom tempo fui moderador em um fórum de discussão ateísta. A maior parte dos participantes arvorava-se como sendo pessoas racionais e lógicas, mas quando o assunto era igualdade de gênero, o racionalismo ia pela janela. Era chavão machista em cima de chavão machista, a tal ponto que não consegui permanecer lá.

Ou seja: você pode entender que faz parte de um grupo minoritário, e até entender a sua situação como parte oprimida, mas não necessariamente te isenta de preconceitos sobre quem mais faz parte desta minoria.

José Tarcísio Costa disse...

Hehehe, sim você tem toda a razão. E você tocou num ponto importante, o tempo das orgias "calvinkleinianas" passam e eu tenho a impressão que muita gente não percebe isso. hehehe

Eu mesmo tive minhas fases loucuras de balada (nunca fui de frequentar saunas, ou bate papos e etc) saia todo fim de semana e vivia de aventuras...mas essa vida durou pouco primeiro porque eu perdi a paciência bem cedo e segundo que essa vida cansa (o bolso e o corpo, hehehe).

Hoje estou num relacionamento que já dura dois anos e passamos a viver juntos faz uma semana. :) Ele também é um fã das "whey" da vida, mas a grande questão é que esse não é o assunto permanente. Existe muito mais conversa do que a academia e qual vai ser a sua próxima aquisição pro vestuário. :D Enfim, uma vida como a de qualquer um.

Por isso eu disse desde o início que a única coisa que eu não gostei desse texto foi o tom generalista que ele passa. Dá a impressão que todos os gays se encaixam na descrição que ele faz.

Anônimo disse...

no meio das lésbicas (e gays tbem) eu percebo preconceito enorme contra bissexuais. como se os bis não tivessem coragem de se assumir. bom, pra mim, a coisa não funciona assim. mas sei que tem gente que fala que um dia vou me assumir (lésbica). mas eu já sou bem assumida pra mim no que eu sou (bi, sim).

e já senti preconceito com mulheres bem patricinhas que se dizem lésbicas. já ouvi conhecida lésbica dizendo que a menina tava saindo com outra pra atrair mais homem, já que homem tem a eterna fantasia de ficar com duas mulheres ao mesmo tempo.

isso tudo me dá uma preguiça...

todo mundo brigando pra poder existir em paz e tem gente que quer podar a existência alheia? se queremos liberdade no nosso corpo, por que nosso corpo não pode ser como a gente quer? se queremos liberdade na nossa sexualidade, por que podar a sexualidade alheia? sabe? sem saco pra isso...

Niemi Hyyrynen disse...

Olha eu fazendo jabá:

Tenho um Guest post falando um pouco sobre bissexualidade, preconceito e tals. Se quiserem conferir:

Guest Post Niemi

:)

E dica pra quem não entendeu o sentido do post e acha que fala de seu problema pessoal:

Não, o post não tem nada de gordofóbico.

Anônimo disse...

josé tarcísio

ohn, que fofo! então, muitos amigos e conhecidos que eram super rígidos com essas bobagens estão em relacionamentos estáveis há muito tempo. mas os mais novos ainda estão em esquemas de marcas e loucuras na noite. mas passa... super passa... até pq é muito vazio. nem dá pra conversar em boate, né? então é por aí.

a vida real é assim. só esse estereótipo e esse imaginário é que deveriam ser discutidos pra galera entender os motivos de eles existirem. mas não há dúvidas de que a vida real é diferente.

baci, preciso trabalhar. =)

Cora disse...

mulher não curte a pornografia mainstream, feita por um certo tipo de homem, para um certo tipo de homem e que, portanto, submete e desconsidera o feminino, visto como meio pro prazer masculino apenas. em geral, esta pornografia é ultrajante e altamente broxante pra uma mulher. o ser humano é muito visual. mulheres também o são, apesar do que dizem aquelas criaturas (vocês sabem quais).

as revistas de nus masculinos não são feitas para o público feminino. são feitas para homens. não sei porque precisaríamos curtir esse tipo de revista.

Augusto disse...

Não gostei de você pelo texto, vi um certo elitismo e achismos:

"Claro, se eu quiser ter um corpo bonito, por estética (também!) e para me sentir bem comigo e por saúde, eu vou ter."

Diz-se como se todos tivessem ou pudessem ter o corpo que quisesse; isso não é verdade, eu achei seu comentário desmerecedor.

Também não gostei do modo que você rotula os gays que querem ser machões. Tudo é muito mais complexo que isso. Alguns gays querem parecer machões para atrair outros gays, alguns só repetem os preconceitos da sociedade (não acho que sejam culpados, são apenas vítimas do sistema e devem sofrer com isso) e alguns são realmente 'machões'. Os problemas citados por você não são só do universo LGBT, estes problemas estão presentes na vida humana (é importante o estudo da psicologia para que entendamos melhor sobre isso).

Embora tenha ressaltado pontos negativos do seu texto, acho que você fez bem em citar, ao final, que devemos nos aceitar e aceitarmos os diferentes.

Não acho que você tenha mentido em seu texto, mas este foi um pouco generalista e vago em muitos aspectos.

Boa sorte em sua vida.

Carla disse...

O que eu já vi de Gays falando mal de outros gays, não está escrito. Igual a Nina escreveu mesmo, inclusive chamando de "bichinha" e coisas mais.
No entanto, discordo também da generalização. Eu já vi muitos gays gordinhos, magrinhos e super de bem com a vida e que não tem preconceitos também. Mas, do mesmo jeito que eu respondo à altura quando ouço algum comentário machista pro meu lado, acredito que um gay que se sinta na mesma posição deve se encorajar e responder também.
Infelizmente pessoas assim existem em todas as cores, classes sociais e gêneros, cidades, países... cabe a nós não abaixar a cabeça.

Anônimo disse...

Off topic:

preciso de ajuda, minha cabecinha anda confusa: só tenho vontade de ser mãe de menina; não me vejo mãe de menino, quando penso que um dia, quando decidir ter filhos, ter um menino, fico com uma sensação de que vou odiar ser mãe. Adoro bichos de estimação, principalmente cachorros, já tive uma cadelinha que morreu aos 13 anos e agora tenho outra de 7anos. Todas as duas eram femêas!! Eu não queria ter bicho de estimação macho. A mesma coisa acontece em relação a ser mãe, só quero ser mãe de menina, só sinto que vou me realizar na maternidade se for mãe de menina. Será que isso só acontece comigo?? Às vezes me bate um desespero quando penso nisso.

Rosa disse...

Lola, vc já viu este post que gerou polêmica nos Estados Unidos? :

http://www.skinnygossip.com/kate-upton-is-well-marbled/

Esse texto é só uma amostra. O blog inteiro é chocante...

Beatriz disse...

Não importa o q ela diga, pra mim é um site pro anorexia

Paulo disse...

No universo masculino homossexual, homem bonito, forte e "bem avantajado" está no topo da hierarquia social / sexual.

Sara disse...

Anonima 16.05, acho melhor vc não ter filhos se pensa assim, ou então tente uma inseminação artificial.
Se vc deseja ser mãe, acho q é essencial amar o filh@ que vier, um filho não é um objeto que se possa escolher em uma loja.
Talvez a Cher tb tenha desejado ter uma menina e teve, Chastity Bono, só que ela não estava feliz em ser uma menina, e procurou mudar isso.

Mari disse...

Achei um pouco preconceituoso falar de homossexuais de forma tão geral. As pessoas são diferentes, não se pode dizer coisas do tipo "as mulheres são competitivas entre si". Claro que o modelo machista em que vivemos faz com que muitas o sejam, mas não se pode falar que "as mulheres isso", "os homens aquilo"...

Também sou contra a classificação das pessoas pela opção sexual: gay, bi, hetero... pessoas gostam de pessoas.
Mas entendo que em alguns casos, como mulheres, negros, homossexuais, "portadores de necessidades especiais" (não sei como dizer isso) se sintam como um grupo quando são descriminados - acabamos nos juntando em grupos quando nos sentimos atacados, na verdade é o opressor que nos une e, assim, acabamos nos segregando do resto das pessoas, quando na verdade deveríamos nos unir com todos, como pessoas. Somos bem diferentes e, ainda assim, nos consideramos um grupo.
Não sei se consegui ser clara... mas enfim.

Lilian Soares do Nascimento disse...

Excelente g. post!

Eu tenho amig@s gays que já haviam me dito sobre essa "heteronormatividade das coisas".

Que sofrem muitos preconceitos no "mundo homo" os casais que não denotam visualmente quem faz o "papel de quem", ou seja: para ser um casal, um tem que ser mais másculo e o outro mais efeminado, independente se forem homens gays ou lésbicas.

A sociedade machista, patriarcal realmente repudia a feminilidade desde a Grécia Antiga, onde a homoafetividade era algo comum, normal dentro da sociedade.

Eu fico imaginando cá com meus botões se Freud não havia se enganado em sua análise fálica das coisas? O repudio pelo feminino por parte dessa sociedade patriarcal, essa carnificina em cima dos órgãos femininos (seja com plásticas, seja pela violência de gênero) não estaria ligada ao fato de que todo feto nasce com características femininas dadas pelo cromossomos X?

Porque, porra! Não é possível!!

Ramon Melo disse...

E olha que o autor apenas pincelou superficialmente o problema, hein!

Gays afeminados estão entre as criaturas mais preconceituosas, machistas e misóginas que existem. São amigáveis com o sexo oposto apenas quando há alguma representante presente, basta ela virar as costas para o veneno escorrer.

Vejo com frequência também homossexuais reclamando de estarem fora dos padrões impostos de beleza, mas são os mesmos a dispensarem um parceiro pelo mesmo motivo.

Ainda existe um código estrito de comportamento que pune homossexuais que não se encaixam nos padrões aceitáveis de "sofisticação" e "compostura". O interessante é que esses padrões frequentemente se rivalizam de forma pitoresca: não conhecer "Vogue" (Madonna) é absurdo e considerado até rude, mas gostar de "Never Say Never" (Justin Bieber) é subitamente gay demais para qualquer um.

José Tarcísio Costa disse...

Ramon Melo

As vezes essa "padronização" vai tão além, mas tão além que uma vez um cara disse que eu estava mentindo que era gay. O motivo: eu fazia faculdade de física. Pra ele gays faziam moda, teatro e etc. Era outro gay que achava que o "mundo gay" se resumia a estudar artes e ser sensível e se você não se enquadrasse, não poderia ser gay. o.O

Rob disse...

Acho q é um grande erro achar q só pq uma pessoa faz parte de uma minoria ela será um ser iluminado e livre de preconceitos.
Homens gays tem preconceitos com algumas coisas sim.E sabem pq?
Pq eles são humanos.
Lésbicas tbm tem.Ou vc acha q mulheres com um jeito masculino são bem vindas em toda comunidade lesbica?Lola,pede pra alguem escrever post semelhante sobre a comunidade lesbica e chame o comportamento delas de misantropia.
Em geral as lesbicas gostam de princesinhas super femininas alá Disney.
E negros,ó,tbm tem preconceitos.
E deficientes físicos.
E mulheres.
E pobres.
E ateus.
E transpessoas.
E whatever.
Achei meio estranho esse post,ainda mais num blog feminista.
Como se todos os homens gays demonizassem a feminilidade ou algo do tipo.
Gosto é gosto,pessoas são pessoas e todas tem seus olhares julgadores e preferencias sexuais.E falar de machismo num relacionamento gay entre homens é no minimo muito no-sense,honey.
Homens gays não são mulheres.

Edson disse...

Eu sou gay e vejo infelizmente muito preconceito mesmo. Eu particularmente não sinto atração por homens efeminados, mas tbm não saio por aí destilando palavras ofensivas aos mesmos.
Sou magrelo e não exijo perfeição física quando me relaciono com alguém.
Odeio a preocupação por roupas de marcas (sou pobre e pão duro mesmo). Não estou me relacionando no momento mas sei que cada dia é mais díficil encontrar alguém por causa de tantas exigências.

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Primeiro queria dizer que adorei esse post e que me identifco com o autor, também estou completamente fora do padrão de beleza gay, sou feio, gordo tenho cabelo crespo e uso óculos e sei o quanto é chato se sentir excluido onde você deveria se sentir em casa

Queria não me alongar no comentário pra não atrapalhar o post e porque muito do que eu penso já foi dito pelos outros, só gostaria de comentar um conceito que vem se repetindo na maioria dos comentarios e acho absurdo: O de que por fazer parte de uma minoria constantemente vítima de preconceito e agressões (físicas e verbais) torna a pessoa mais tolerante e empática.

Desculpa estourar a bolha de muita gente aqui, mas não há certeza nenhuma quanto a isso, cada pessoa pode reagir de um jeito diferente e em muitos casos em vez de empatia a pessoa passa a sentir antipatia, que foi o que aconteceu comigo e que acontece com a grande maioria dos gays que eu conheci até agora.

Depois da própria pedagoga da minha escola ter dito na minha cara que ser gay era a pior coisa que podia acontecer comigo,(Isso porque eu tava sofrendo bullying e em vez de me defender ela reforçou)eu me tornei uma pessoa implacavel. Eu falava mal de tudo e de todos e fazia o possivel pra deixar a vida dos outros tão limitada e escrota como a minha estava sendo.

Não julguem essas pessoas, se pra alguns é fácil lidar com a própria sexualidade para outros é muito dificil, e as vezes o que entendemos como ataque e alienação, na verdade é uma maneira de se defender nivelando todo mundo por baixo.

Amanda disse...

Essa questão de preconceito nas comunidades gays sempre me incomodou muito. Faço letras e a maioria das pessoas do curso são gays (eu, inclusive). Sempre ouvi e presenciei atitudes preconceituosas, além dessas apresentadas no post, gostaria de destacar outra: Homens gays que têm preconceito com lésbicas. Sempre ouvi piadinhas sobre as mulheres que são lésbicas. Muitos dizem odiar "sapatão", que têm nojo de sapatão. SABE? Não entendo esse tipo de coisa, já que todos fazem parte de um mesmo "grupo". Tanto as mulheres quanto os homens gays estão numa só luta. Esse ódio por pessoas que partilham a mesma luta, que sofrem os mesmos preconceitos da sociedade é incompreensível. Então, quer dizer, mulheres gays são discriminadas pela sociedade, e por uma parte do "movimento" gay. Não sei o que acontece, o que passa na cabeça desse povo... Mas acho que falta coletividade, solidariedade pela dor alheia e, sobretudo, respeito pela individualidade de cada um.
Nem todo gay é assim, nem todo gay tem essa atitude. Mas há,no "mundo" gay, quem tenha esse tipo de conduta.

Samuel S. Vitorino disse...

Assim como o José Tarcísio, achei este post muito generalista. Qual é o meio gay em que se destila tanto preconceito? as saunas e boates? Bom, nas boates hétero também existe essa busca e ultra-valorização do padrão dominante de beleza. É um ambiente em que as pessoas estão à procura de possíveis parceiros sexuais, portanto perseguem aqueles que se encaixam nos padrões de "aceitabilidade sexual".

Não nego que exista superficialidade e machismo nos ambientes homossexuais, mas esta é só um reflexo daquela que já existe no mundo héteronormativo. Homens são estimulados desde cedo a serem másculos, pintudos, e terem uma vida sexual hiperativa. A descoberta da sexualidade não anula as pressões que nos empurram.

Tive no Ensino Médio uma professora de História que, a despeito de ter uma visão bastante críticas dos papéis de genero e relações sociais de poder, frequentava Paradas do Orgulho Hétero. O que quero dizer é que muitos ainda estão muito preocupados com seu próprio quinhão, querendo conquistar liberdade para o seu próprio grupo, ou pior, apenas para si mesmos e não percebem que estão perpetuando um discurso arcaico.

Gabi Zampar disse...

Olha amigo, não sei em que "mundo gay" você está vivendo, mas não generalize. Frequento (e muito) os ambientes gays em geral e não vejo tanto o que você disse. obviamente que tem gay que quer seguir a ditadura da beleza, assim como tem hetero que também quer, mas não diria, de maneira alguma, que esses gays são maioria. Aliás, a maioria dos gays que eu conheço, apesar de gostar do padrão "machão", não tem preconceito nenhum e fica numa boa com os "magrelos"!
Sou da mesma opinião de alguns aqui, se os gays que você conhece te tratam assim, procure outros gays e outras pessoas em geral, que você vai ver que não é bem por aí...

Fernanda disse...

Esse post no -falecido rs- Homomento fala sobre preconceitos entre as minorias, achei muito bom:
http://homomento.wordpress.com/category/religiao-2/

Anônimo disse...

e uns muitos saem fazendo arruaça em nome de acabar com o preconceito, tá bom. o preconceito existe, sempre existiu, existará sempre, é cultural, é natural ao ser humano; porém PRECISA e DEVE ser controlado para evitar la discriminación.

enqto os gays eram marginalizados a ferro e fogo viviam bem mehor entre si. bastou conseguirem abertura social e tá dando no que lemos no post. o ser humano é igual e apenas se difere no poder aquisitivo.
Luau

Flavio Moreira disse...

A propósito da ditadura da beleza e do quanto ela influencia pessoas, independentemente de orientação sexual, sugiro a leitura desse texto do site Teaching Tolerance (em inglês), aqui: http://www.tolerance.org/blog/beefcake-images-disturb-boys. O texto fala da experiência de uma professora com alunos adolescentes. Ao ver as meninas comentarem sobre os atores de cinema sem camisa em revistas ela percebeu que os meninos se sentiam constrangidos por não estarem de acordo com aquele padrão. Vale a leitura. Para quem não lê inglês, fiz uma tradução que está no meu blog (alfarrabioseletronicos.blogspot.com).
Abs

Renato Corrêa disse...

Preconceitos fazem parte do ser humano. O problema a ser resolvido é como vamos conviver com isso de uma forma mais harmoniosa pra todos.
Categorizar é um dos hábitos benéficos do processo de conhecimento, mas um subproduto disso é a categorização como forma de separação entre as pessoas.
Os rótulos, que seriam parte desse processo de separação, seriam facilmente superados com a aceitação, com orgulho, do que se é. Não existe constrangi
mento quando nos aceitamos como somos e exploramos a parte positiva do aspecto salientado pelo próprio rótulo.

Anônimo disse...

rob, pelamor, só pq gays são homens que gostam de homens, isso não quer dizer que não sofram com machismo! até homens cis héteros (sei lá mais o quê) sofrem por conta de machismo! mulheres são machistas, nossa cultura é machista! repense...

sobre as pessoas que falam da "vida real" e que conhecem gays gordinhos e tal. eu concordo com isso, mas é a vida real. do mesmo jeito que acham a princesa kate linda e magra e muitas mulheres querem ser como ela, não significa que a maioria das mulheres se esforça pra ser como ela. mas existe essa ideia rondando no imaginário de que aquilo seria algo a se desejar.

padrões de beleza sempre existiram. e nunca disseram respeito a mais do que, sei lá, 1% da população. só que a ideia de que esses padrões são bons e desejáveis é que ronda 100%d as cabeças.

até pq tem bears, tem butches, tem de tudo no meio de relacionamentos e gostos. acaba tendo lugar pra todo mundo.

Renato Corrêa disse...

Não consideraria, a princípio, a valorização e o cuidado com o corpo masculino como machismo, ou sinônimo da cultura machista. É bom que nos aceitemos como somos, mas também é divertido e gratificante termos ideais, metas, desejos, sonhos e que possamos lutar pra realizar isso. A busca por um visual melhor, por exemplo, pode ser vista como um modo e um incentivo para as pessoas lutarem por melhorar a si mesmas.

Rob disse...

Anonimo,machismo até onde eu sabia é dirigido as mulheres.
Repense vc.
Pra q os homens gays sofrem existe outro nome.Homofobia q de vez em quando usa certos lugares comuns para "reduzir" um homem gay a categoria de mulherzinha.
Homofobicos em geral tbm são machista mas uma coisa não tem a ver com a outra.

Anônimo disse...

"A busca por um visual melhor, por exemplo, pode ser vista como um modo e um incentivo para as pessoas lutarem por melhorar a si mesmas."

aí que tá. o que é "melhorar"? isso depende de cada pessoa. acontece que existe um senso meio comum do que é se melhorar e isso agride muita gente. e não me venha com papo de saúde. sou extremamente saudável, treino religiosamente há anos. isso seria desejável, né? acontece que, por eu ser mulher, algumas coisas "não pode". não pode ser forte, não pode "não ser feminina", não pode fazer lutas "de homem". melhor pra quem? pra mim e pros meus médicos, tô ótima. e aí?

Anônimo disse...

e outra: existe querer atingir uma meta e existe gente que sofre, para de comer, se sente um lixo só pq não é como dizem que deveria ser.

Anônimo disse...

Discriminar cala mais forte qdo os próprios discriminados se discriminam entre si.

Anônimo disse...

Pessoal,

eu sei que em um primeiro momento, toda essa terminologia assusta. "como assim, cissexual? o que é isso?" "trans com asterisco?" etc.

mas devagar dá pra ir aprendendo tudo.. é só lembrar que é importante pra muita gente sabermos dar nomes confortáveis as coisas. é que nem a polêmica antiga do homossexualismo x homossexualidade. nossos "nomes", como somos denominados, dizem muito sobre nós mesmos; é horrível ser denominado por toda a sociedade de uma forma pejorativa, ou de uma forma que vc não se identifique, mesmo que a intenção inicial da pessoa não tenha sido ruim. por isso não custa nada pesquisar, aprender, abrir a cabeça cada vez mais.

pode parecer só "um asterisco inútil", mas é um asterisco que coloca em evidência muitas e muitas pessoas que não se encaixam nas categorias limitantes "homem/mulher/transgênero".

um exemplo: me considero atualmente uma mistura de coisas, haha.
mas gosto de dizer que "tô numa onda genderfucker".
genderfucker são as pessoas que decidem misturar os gêneros, tanto no comportamento/vestimenta/sexualidade, de uma forma considerada caótica pela heteronormatividade. é um ato político, de propósito, pra chocar mesmo. homens de barba e vestido, por exemplo. peito cabeludo e maquiagem.
"ah, então é gay." "ah, então é travesti".
não, não necessariamente. é um genderfucker, vc nunca vai "adivinhar" só olhando o que um genderfucker é, nunca. o objetivo é justamente esse, mostrar pras pessoas que só olhando, baseadas nos padrões binários atuais, vc nunca vai entender toda a complexidade de que um ser humano é capaz.

eu nasci mulher, com vagina e ovário. atualmente sou casada com um homem, mas não sou heterossexual, já fui casada com mulheres.
atualmente, meu cabelo é quase raspado, sou tatuada no braço e me visto como homem - me identifico com o visual masculino.
todas as pessoas que conheço inicialmente pensam que sou lésbica.
inclusive sofro preconceito por ser lésbica, só porque meu visual é agressivo. quando descobrem que sou casada com um homem, não entendem nada. ficam confusos, doidos pra me rotular. "mas você é hétero então??"

enfim.
sinceramente, se me perguntassem como EU me identifico, não responderia "mulher". nasci mulher, me sinto mulher. mas a sociedade é incapaz de me enxergar como mulher por causa do meu visual e do meu comportamento sexual, não hetero. então, como política mesmo, penso que devo adotar a identidade trans*.

penso, radicalmente, que até mesmo os héteros cissexuais deveriam se levantar e dizer publicamente "sou trans*", querendo com isso dizer : "sou contra a divisão limitada e cruel da sociedade atual, que impede uma enorme parcela de pessoas de serem felizes, realizadas, de terem os mesmos direitos que todos."

beijos, Lola!
Carla

aiaiai disse...

identificar o que se é e o que os outros são tá cada vez mais difícil e também mais divertido...

queria pontuar duas coisas:

1. eu me incomodo profundamente quando alguém se refere aos seres humanos dizendo simplesmente "homens". Podiam dizer "pessoas", "seres humanos" "gente", mas falam ainda em "homens" como se as mulheres não fizessem parte...

2. No texto e na caixa de comentários não aparece nenhuma vez a expressão "metrossexual". É interessante como essa diferenciação não sofre preconceito da grande mídia e nem das pessoas em geral. "metrossexual" é bem visto. Por que será?

Carol M disse...

Rob, machismo é uma forma de pensamento que determina em moldes muito limitados oq é o masculio e o feminino e diz que todos devem agir perfeitamente de acordo com o pré estabelecido para seu gênero. Essa visão limitada afeta de forma negativa homens e mulheres, embora mulheres sejam muito mais afetadas pelo machismo pregar que coisas femininas são ruins e/ou inferiores. Machismo tb é extremamente negativo com quem não se enquadra na visão binária de gênero e sexualidade. Td que limita e rotula é uma merda, vai impedir as pessoas de serem oq elas querem ser. Ficar nessa de "machismo é só algo contra mulheres" é reduzir o dano social que ele causa.

Anônimo disse...

a maioria dos gays que conheço é bem preconceituosa.não gostam de gordos,pobres,outras raças,gente de idade,feia,discriminam mesmo.

Livia Siqueira disse...

Sei q a Madonna não é nenhum ícone feminista para mtas aqui, mas esse guest post me lembrou o começo de uma música dela, "What it feels like for a girl":
Girls can wear jeans
And cut their hair short
Wear shirts and boots
'Cause it's OK to be a boy
But for a boy to look like a girl is degrading
'Cause you think that being a girl is degrading

Madrepérola disse...

Gostei muito do post e até postei no meu face!

Anônimo disse...

carla, qdo alguém pergunta o que eu sou, só tenho vontade de dizer que eu sou eu. uso o termo "bissexual" como atalho pra qdo tô com preguiça de explicar um monte de coisa.

por exemplo, sou delicada e feminina (de acordo com os sentidos mais comuns das palavras), mas tenho bíceps maior que de muito homem. adoro bobagenzinhas de menina (tipo snoopy, nesse - baixo - nível da coisa. hahahaha). mas, qdo fantasio e eu estou na minha fantasia, eu normalmente sou homem.

e sempre foi assim desde criança. e isso, pra mim, é ok.

eu vou adotar o trans* pra escrever. mas, pra dizer, pode ser só "todos os gêneros", né? ou "qualquer gênero". isso é ok?

Anônimo disse...

saíram do armário e se mostram iguais aos preconceituosos de todas as classes de todas as minorias de todas as maiorias.

Samuel S. Vitorino disse...

"a maioria dos gays que conheço é bem preconceituosa.não gostam de gordos,pobres,outras raças,gente de idade,feia,discriminam mesmo."


Então a maioria dos gays que você conhece deve ser magra, classe-média, branca, jovem e bonita, anônimo.

Anônimo disse...

Tenho vários amigos gays e todos dão muito valor a aparencia fisica, grifes e posição social. Tbém têm pensamentos e atitudes misóginas quase sempre. Tenho um amigo homossexual que ao se referir a um casal de namorados homens que conhecemos usa o termo: "os meninos." E ao se referir a um casal de namoradas, usa o termo : "As sapas." Significa?

Anônimo disse...

só quero fazer um protesto aqui: a imagem do batman e do robin fora de contexto. a imagem do jeito que aparece no post leva a interpretações equivocadas sobre a sexualidade dos personagens. batman e robin não tem e nunca tiveram uma relação homoafetiva entre si ou com qualquer outro personagem. a relação deles está mais para mestre e discípulo ou pai e filho do que PARCEIROS SEXUAIS, até porque em nenhuma das histórias publicadas até hoje ouve alguma evidência disso. se eles de fato possuíssem tal relação, se isso fosse um fato confirmado, tudo bem, fatos são fatos. mas não é. eu acho estranho um post que quer discutir preconceito contra homossexuais sendo preconceituoso desse jeito: dois caras de malha justa saindo juntos a noite são efetivamente gays.

enes mel disse...

Muita colocão para um assunto tão simples .gente é ser ou não ser eis a questão .Pois viver em funcão do que acão ou não acão de voce é o fim pois primeiro de tudo e se conhecer e se amar da forma estetica em que se veio .

Anônimo disse...

Já cansei de discutir sobre isso, prefiro tomar... sorvete. Nem Jesus Cristo agradou a todos. Já tentei suicídio por ser magro demais. A solução foi entrar numa academia, apesar de eu ainda continuar magro, mas engordei um pouco. Ser sarado era tudo o que eu queria; assim eu iria arranjar um namorado rapidinho. O mundo gay é igualzinho ao mundo heterossexual, cheio de vaidades, interesses, falsidades, julgamentos. Talvez seja pior por sermos uma minoria, nem tão minoria assim.

Anônimo disse...

Eu sou gay e sou assumido, e nunca sofri nenhum tipo de preconceito de heterossexuais por causa disso. Na verdade, eu só sofri preconceito no momento em que fui tentar fazer parte do mundo gay, quando descobri que não tenho os atributos necessários para isso. Infelizmente eu não sou bonito, não sou baladeiro e não penso em sexo 24 horas -- três coisas extremamente valorizadas pelos gays. Graças a Deus eu descobri que não faço parte deste mundo e desde então não mantenho nenhum tipo de relacionamento com gays. Ser gay não é pra todo mundo e os gays são sim extremamente preconceituosos.