terça-feira, 17 de julho de 2012

ESTUPRO, PROBLEMA COLETIVO. NA ÍNDIA E AQUI

Aconteceu na segunda-feira retrasada na cidade de Guwahati, no estado de Assam, na Índia. Uma estudante procurava um carro com uma amiga numa rua movimentada à noite. Elas tinham ido a uma festa num bar. De repente, uma multidão de cerca de 20 a 40 homens (depende da fonte) ataca as jovens. A amiga consegue fugir (veja vídeo com reportagem de 3 minutos).
Durante meia hora de terror, a estudante é espancada, despida, e abusada sexualmente (o que, pela lei brasileira, desde 2009 já configura estupro). Ela grita, pede ajuda, e ninguém faz nada. Dois repórteres da TV local filmam a cena, o que leva à polêmica de por que ficam só filmando, sem tentar ajudar a menina. A polícia demora pra intervir (é meia hora de violência), mas, se não tivesse intervido, a jovem teria sido estuprada. Um dos repórteres descreve: parecia um gang rape.
Por incrível que pareça, quando a polícia finalmente se intromete (repito: a violência dura meia hora numa rua movimentada), ela não faz nenhuma prisão. Apenas recolhe a moça e a leva para sua família. Na realidade, a polícia só começa a procurar suspeitos 48 horas depois da violência. E isso depois que as imagens do vídeo gravado se espalham.
A notícia ganha repercussão em toda a Índia, e também no mundo. Um jornalista está sendo acusado (não pela polícia) de instigar o ataque. Ele pede demissão do seu cargo. Até agora, oito homens foram presos. Mulheres fazem protestos exigindo que a multidão de estupradores seja punida, e que a violência de gênero tenha fim.
O cineasta Shekhar Kapur (diretor de Elizabeth) declara: “Como sociedade, precisamos assumir responsabilidade coletiva por tornar incidentes como este aceitáveis e recorrentes. O bombardeio constante de imagens femininas como meros objetos sexuais altera a percepção do homem imaturo. O abuso físico de mulheres e até o estupro não é um ato sexual, mas um ato de humilhação e poder de um homem sem autoestima”.
Brinda Karat, líder do partido comunista da Índia, clama para que as pessoas saiam às ruas para protestar, porque o caso passa duas mensagens para as mulheres: que as indianas não estão seguras, e que a polícia não se responsabiliza pelo que acontece com elas. É uma democracia estranha, segundo Karat, se o que rege esta democracia são valores patriarcais que claramente priorizam um gênero sobre o outro.
O número de casos de abuso em Assam dobraram em 2010, em comparação com 2007. A criminalidade contra mulheres naquele estado é o dobro que a média nacional da índia. E olha que a média indiana já é altíssima. De todos os países G-20 (as maiores economias do mundo), a Índia é o pior lugar para as mulheres viverem (o Brasil ocupa a 11a posição).
Quase paralelamente ao ataque em Assam, uma vila de outro distrito bane casamentos não arranjados, e proíbe mulheres com menos de 40 anos de saírem sozinhas, e moças de usarem celular na rua. Tais atos aumentam a criminalidade, juram as autoridades.
Pois é. Mesmo com toda a violência contra as mulheres, tanto os políticos quanto a polícia indiana continuam insistindo que a culpa é delas, das mulheres. Cabe a elas se vestir discretamente e não sair sem a companhia de um homem à noite. Isso é muito parecido com o que uma delegada aqui no Brasil disse esses dias: que as mulheres devem “evitar andar na rua falando no celular ou ouvindo música no MP3 Player, porque os estupradores normalmente abordam mulheres desatentas”.
Foi isso mesmo que você ouviu. Aqui, como na Índia, mulheres não só não têm garantido o seu direito de ir e vir, como a culpa é sua, se algo acontecer. Era você deveria estar prestando atenção. Simultaneamente, vivemos afirmando que estupro é ato de meia dúzia de psicopatas. Às vezes também exigimos mais policiamento. Discutir um conceito de masculinidade falido que incita a violência? Avaliar o que é cultura de estupro? Não, isso é paranoia de feministas.
Uma congressista na Índia se indigna: “É ridículo que nós nos sentemos e digamos que deve haver polícia para cuidar disso. O que aconteceu com a nossa sociedade? Há uma fratura social. Parece haver uma aceitação para este tipo de comportamento. Eles irão quase se gabar, como se tivessem feito algo heróico”.
Quando insistimos que deve-se ensinar os homens a não estuprar, em vez de ensinar as mulheres a não serem estupradas (até porque sabemos de todos esses perigos desde que somos crianças; faz parte do controle social sobre nós), o pessoal que se recusa a discutir o assunto diz que isso é besteira, que é como pedir a um assaltante para não assaltar. Mas não estamos falando de criminosos profissionais. Estamos falando de homens comuns, que acham aceitável atacar uma menina por ela não estar acompanhada por um homem. De homens que veem estupro como forma de socialização entre eles. De homens que confundem mulher sozinha com mulher disponível. De homens que não entendem porque nos revoltamos tanto contra situações assim -– afinal, é só sexo!
Aqui no Brasil, na Índia, em todo lugar, ainda temos muito que combater. Mas a violência sexual contra a mulher só vai diminuir quando a sociedade entender que estupro não é um problema restrito à vítima e seu estuprador. Ou, no caso de Guwahati, a seus estupradores.

154 comentários:

Anônimo disse...

E sem o poder da mídia, internete, informática - Bill Gates, Steve Jobs, FaceBook, Orkut, MySpace e outros cérebros que proporcionam tanto todo acesso ao que antes ficava por debaixo dos panos, nada teria mudado em casos como relata o post. Quero distância até mesmo do caminho que leva para a/s Índia/s

Jac disse...

Gente, que notícia horrorosa! Não vou nem ver o vídeo para não me abalar mais do que já estou.

O que aconteceu com essa indiana, poderia acontecer com qualquer mulher. Quem aqui conseguiria lutar contra 20~40 homens?

Notícias assim me passam uma sensação de que somos reféns da boa vontade dos homens em não nos estuprar.

Sara disse...

É assustador que nem UM só daqueles homens, que pelo vídeo eram muitos, tenham tido consciência da monstruosidade que estava se fazendo ali.
Diante de cenas como essa fica difícil entender que somos da mesma espécie, que não estamos falando de um ataque de feras selvagens.
Embora eu mesma já tenha passado por uma cena semelhante quando tinha apenas 12 anos de idade, ainda é perturbador ver coisas assim.

Priscila Boltão disse...

=/
Faz tempo que não fico triste com um post e fico sem palavras.
No sábado q passou teve Marcha das Vadias aqui em Curitiba. Vi gente apoiando, mas pra cada um apoio que via, tinha dois ou três comentários machistas. Ouvi um "será que pode passar a mão nessas peladas"? Olhei tão feio pro velho que o cara do lado dele ficou sem graça e tentou explicar o que estava acontecendo, o que era a marcha. Pelo menos isso.

Gabriele Albuquerque Silva disse...

Caso horroroso, fiquei mal assistindo ao vídeo. Esse tipo de coisa não pode ser vista mesmo como situação isolada. A cultura do estupro continua, e temos que acabar com ela.

Fabiana Zardo disse...

Apenas um homem ajudou a moça e chamou a polícia. Um senhor, de carro, que apanhou desse bando de mal caráter. Quando chegar em casa, procuro a notícia e coloco aqui.

Rubens disse...

Assim como no caso daquele estupro coletivo no Nordeste, teve pessoas que aproveitaram para destilar seu preconceito contra nordestinos, neste caso da India já tem gente suja destilando seu preconceito contra indianos! Enfim, o foco é sempre fugir do foco. (as vezes com coisas tão absurdas quanto).

Acho que é muito mais eficaz lutar contra o estupro dialogando com os homens e esinando-os que eles não tem o direito de fazer isso, pq é o CORRETO, não é a mulher que tem que ser ensinada a privar sua vida por causa de uma cultura tacanha dessas, que promove o direito de violência de um gênero sobre o outro.

muito triste, quando penso que não dá pra se chocar mais...

Anônimo disse...

Assim como tem o bingo do CMS, deveria ter o bingo da Lola: quanto tempo até fechar a cartela com "culpa da vítima", "vcs querer condenar todos os homens" etc.


NADA em absoluto justifica isso. Tanto tempo de evolução para tipinhos agirem """""""instintivamente"""""""

André disse...

O que fazer então? Quais atitudes concretas podemos tomar para que isso não aconteça mais aqui ou na Índia?

Lord Anderson disse...

Monstruoso

machismo, violencia, falta de empatia, tudo ampliado pelo comportamento de bando.

esses cretinos sentem-se seguros numa turba, sentem-se mais livres, e impunes.

é terrivel.

Rogo pra que isso seja um ponto de virada.

que tenham muito mais protestos e que se torne um mote pra lutar com esse absurdo.

Anônimo disse...

Jac disse...
Gente, que notícia horrorosa! O que aconteceu com essa indiana, poderia acontecer com qualquer mulher. Quem aqui conseguiria lutar contra 20~40 homens?
17 de julho de 2012 11:35

oras, isso aconteceu pq os repórteres que deveriam intervire chamar a polícia imediatamente nada fizeram e nem os transeuntes nada fizeram pela moça e vc acha que acontece assim a torto e a direito? o mesmo pode aconteceer sim em qq parte SOMENTE sem a presença de repórteres e outros homens valentes e de brio. E eu acredito nesses homens.

Anônimo disse...

Ex-atriz pornô vira salva-vidas e causa controvérsia nos EUA
http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/247217_ex-atriz_porno_vira_salva-vidas_e_causa_controversia_nos_eua.html

Iara De Dupont disse...

O ano passado fui assaltada ,voltando da faculdade, as 23 horas.Fui na policia,fazer o BO,porque a viatura não chegou,alegando que não tinha como estacionar em uma via como aquela( Rua Augusta esquina com a Paulista).
O policial me perguntou na delegacia o que eu fazia a essa hora na rua, já que era segunda-feira.Depois me disse que para evitar isso era `melhor sempre sair com o namorado,porque mulher sozinha o povo se aproveita mesmo´.
Graças a Deus foi um simples assalto,mas até nisso se imprime a mentalidade da mulher que não pode sair a rua de noite, já que se ela está na rua com certeza é para procurar encrenca.
Não vejo o que aconteceu na India tão longe assim, recentemente houve aquele episodio em uma festa aqui no Brasil.
Apesar da questão do estupro ser considerado um crime de poder e não sexual (?) mesmo assim sou a favor de penas mais duras e castração quimica.Ah,mas o melhor mesmo seria educar os homens, sim, mas isso pode levar seculos,e quem pode esperar tudo isso?

Paula disse...

Oi, gente
Eu moro na Alemanha, namoro um indiano há 1 ano e meio (claro que ele é do time que defende a igualdade de gênero, senão não estaríamos juntos há tanto tempo - p.s. ele está fazendo faxina nesse momento... hehehe) e o que ele me conta do que acontece com as mulheres na India não está no gibi.

Ele cresceu vendo a mãe apanhar do pai e não ter como defendê-la, pq a sociedade aceita e incentiva a violência doméstica. Ele tem uma irmã e morre de medo do que pode acontecer com ela quando ela se casar - num casamento arranjado, claro, pelo bem da honra da família e da aparência perante a sociedade.

Ele diz que para cada 10 meninos que nascem, nascem 6 meninas por causa do aborto seletivo e infanticídio. Que é "tradição" em vilarejos matar as recém-nascidas por sufocamento com farinha.
Que existem família que vão a falência por causa do dote, que as famílias dos noivos pedem cada vez mais bens e dinheiro.
Que em lugares afastados mulheres chegam a ser queimadas vivas quando não agradam a família do marido (conceito sempre subjetivo).
Que mulheres viúvas são abandonadas, a maioria sem estudo ou profissão, por serem consideradas um fardo para a a família do marido e às vezes até mesmo pelos filhos.
Que as famílias são excluídas da sociedade quando tem comportaments "inadequados" (como casar por amor, por exemplo).

Ele diz que muita dessa mentalidade tá mudando, mas num ritmo glacial, já que a maioria no país é religiosa, intolerante e conservadora.

E isso foi uma pessoa DE LÁ que me disse, não foi corrente de e-mail não!

Tem um programa de TV lá que denúncia esses comportamentos. Alguns episódios tem legendas em inglês.
Para quem se interessar: http://www.satyamevjayate.in/

Um abraço a tod@s!

Gabriela Todd disse...

*ignorando o assunto do post, precisava te dizer isso*

PORRA LOLA! Cê já leu o Skinny Gossip?

http://www.skinnygossip.com/some-changes/#more-2238

‎"For example, people think nothing of telling a thin woman – to their face, in front of an entire group of people – how skinny they are and even to suggest what they should eat. But I’ve never seen the reverse happen to an overweight woman."

Vamos nos mudar para o planeta em que o/a autor/a desse site vive, Lolinha.

Cah disse...

Por coincidência no momento que estava lendo esse post um colega de trabalho me enviou essa matéria a qual ensina o "homem" a ler nossos sinais corporais, completamente ridícula:

http://estilo.ig.com.br/noticia/2009/04/06/entenda+os+sinais+corporais+delas+5203908.html

Marta SP disse...

Post muito bom. Levei muito tempo para entender que estupro, e outras agressões às mulheres, têm a ver com poder, e não com o sexo em si.

Priscila Boltão disse...

Cah - Acabei de ler a matéria sobre "sinais corporais". Fiquei nauseada. É desse jeito que muitos "caras legais" enveredam na violência, pq essa sociedade horrorosa continua dizendo a eles que a mulher quando diz não tá fazendo doce.

Paula - Que coisa horrorosa O_O pior é saber que ngm faz nada.

Lola, vc leu a história daquela mulher que veio do Congo contar a história dela? Eu vi o link no blog da Srta. Bia, de cortar o coração.
Aliás, hj parece o dia das histórias de cortar o coração. Uma das coisas que diz na matéria que mencionei é que a mulher não entende como alguém pode saber que essas coisas acontecem e não reagir. Eu tb não, mesmo vendo todo dia que é isso que acontece.

MonaLisa disse...

Lola, sempre leio seu blog, mas nunca consegui comentar pq diz que pede conta em blog.

Lendo esse post, me lembrei daquele filme Nunca Mais, no qual o ex marido persegue a ex mulher durante o filme todo e a policia diz que não pode fazer nada, ela começa a treinar artes marciais e no final mata ele. Depois ela ta sentada e o policial vem e diz a ela que ela teve sorte por sair viva e que fez o certo. A ironia é a policia parabeniza-la por um trabalho que eles deveriam fazer.

Eu nem acredito em 'redenção' pra essas bestas feras. Sou a favor das mulheres aprenderem a atirar e acabar com essas coisas, assim pelo menos as outras mulheres ficam em paz.

Carol disse...

Já reparou que muitas pessoas não levam esse assunto a sério? Eu lembro de quando eu tinha uns 6 anos eu estava assistindo TV sozinha (era a Globo) e estava passando uma novela no horário da tarde e numa cena dessa nivela um grupo de homens invadem um festa e seguram uma mulher negra e a força a tirar toda roupa, enquanto a mesma gritava em prantos, foi a coisa mais perturbadora que eu vi na minha infância, especialmente porque era em um horário em que varias crianças assistiam também, alguém sabe que novela é essa?

Blanca Aleks disse...

Como assim Suécia, Dinamarca e Noruega não estão nos primeiros lugares dessa lista de melhores lugares?

Acho que a Suécia é a melhor dentre todas... Não entendi EUA na posição que está.

Que louco.




E esse crime também =/

Ana disse...

Ai galera, relaxa, estupro é coisa de psicopata. É só que na índia a taxa de psicopatia é alta.../ironia

Como se explica essa quantidade absurda de homens envolvida num ato desses? Convenção Internacional de Estupradores?

A mulher foi tratada como uma coisa. E não foi por um cara perturbado qualquer, foi por um bando de 'gente comum'. Uma amostra perfeita do que uma cultura sexista é capaz de fazer.

Achei o comentário do Shekhar Kapur brilhante: "O bombardeio constante de imagens femininas como meros objetos sexuais altera a percepção do homem imaturo". É bem isso aí, altera a percepção. O senso de empatia desse povo está completamente atrofiado.

É como disse o Curinga - "Basta um empurrãozinho". Bem, eu diria que cultura é um senhor empurrão. Basta uma cultura sexista com a intensidade certa pra que absurdos como esse aconteçam. O preocupante hoje é que a coisa está tão torta que as pessoas tem dificuldades ferrenhas em perceber esse sexismo - seja na índia ou aqui. E aí a coisa continua rolando solta, e qualquer um que tente dizer alguma coisa é paranóico.

Aliás, 11º lugar é de chorar.

---

A fala da delegada me lembra uma outra caixa de comentários, na qual um cidadão bateu pé comigo por horas. Ele dizia que as mulheres não tem nenhum motivo especial pra se sentirem ameaçadas quando saem na rua, e que quando eu dizia que tinha que olhar por cima do meu ombro só podia ser mentira (Sério! Porque a XX era EU, mas quem sabia a como uma mulher realmente se sentia era, obviamente, ELE).
Eu lembro que tentei de todas as maneiras possíveis explicar que essa idéia não era minha, que eu não gostava de ficar sempre alerta, mas que isso é inclusive cobrado das mulheres o tempo todo pela sociedade.

Imagino que agora o meu ponto de vista tenha sido provado?

Se a gente está alerta, é paranóica e quer tratar todos os homens como possíveis estupradores sem razão;
Se a gente decide exercer o direito de ir e vir sem se preocupar, estamos sendo desatentas e 'dando brecha' pra que algo aconteça.

Isso, amig@s, chama-se cultura do estupro. É essa na qual a gente esquece de pôr a culpa no lugar onde ela pertence. Essa na qual concentramos todos os nossos esforços em moldar as vítimas ao crime, e não o criminoso à justiça. De novo, percepção completamente alterada.

Podemos até não estar no nível da Índia (não? Queimadas, oi?), mas estamos tão longe do ideal quanto...

To precisando muito que alguém me dê uma boa notícia agora.

Patty Kirsche disse...

Estupro é uma ferramenta de controle, utilizada socialmente para ensinar as mulheres a serem dóceis e obedientes. Tanto que é utilizado de homens contra homens em certas situações, quando um quer exercer poder sobre o outro. Não tem nada a ver com sexo. É apenas uma doença de uma sociedade falocêntrica que constantemente reitera o poder do falo.

Anônimo disse...

cena grotesca, machismo em sua plenitude máxima, eu defendo a castração quimica para selvagens deste tipo, se não podem ,e não sabem viver entre nos, respeitando e tendo empatia por nos, que sejam docilizados a força.

lola aronovich disse...

Blanca, Suécia e outros países escandinavos, apesar de terem ótimos indicativos sociais, são países pequenos. Nenhum deles está entre as vinte maiores economias do mundo. Por isso não fazem parte do G20.

Fabiana Zardo disse...

Como eu tinha mencionado, somente uma pessoa tentou ajudar a moça:

http://news.biharprabha.com/2012/07/meet-the-man-who-saved-guwahati-girl-from-molestation/

“I was slowing down at the traffic signal when I saw this girl running towards my car. Mujhe bachao, (Help Me) she was shouting as she kept running towards my car with the mob following her. I parked the car and held her hand and dialed 100

The people in the mob asked me why I was trying to save her. They abused me, shoved me and even hit me but I was not letting them touch her anymore. She had been already stripped and I could only move around her to hide her modesty.

Eu não consigo imaginar o desespero dessa moça.

Bruno disse...

Me parece que esta expressão "Ensinar os homens a não estuprar" passa a idéia de que todos os homens são estupradores em potencial e devem ser contidos para que não saiam estuprando por aí.

Lanna Pat disse...

Compartilho do desejo do Lord Anderson, para que esse infeliz acontecimento seja "um ponto de virada" para a sociedade indiana, haja vista a repercussão que parece estar tendo nos noticiários.

Anna disse...

"Carol disse...
(...) Eu lembro de quando eu tinha uns 6 anos eu estava assistindo TV sozinha (era a Globo) e estava passando uma novela no horário da tarde e numa cena dessa nivela um grupo de homens invadem um festa e seguram uma mulher negra e a força a tirar toda roupa, enquanto a mesma gritava em prantos, foi a coisa mais perturbadora que eu vi na minha infância, especialmente porque era em um horário em que varias crianças assistiam também, alguém sabe que novela é essa?" fiquei intrigada com esta estoria, em qeu epoca mais ou menos essa novela foi ao ar?

Cora disse...

sem palavras. como disse a Sara no outro post, tristeza infinita.

não verei o vídeo. as poucas notícias que li já foram suficientes pra me fazerem mal.

e sem querer entrar em competição de desgraças, mas pra mim, queimadas foi ainda pior. ainda mais grave.

foi planejado. foi contra mulheres conhecidas e, em teoria, amigas dos estupradores. nem assim houve empatia. e isso parece não ter chocado as pessoas o suficiente.

precisamos discutir isso seriamente. muito seriamente. e no mundo todo. isso é muito assustador. não é problema de um lugar. é mundial!! não é problema de um tempo. acontece há milênios. milênios.

milênios.

e ainda negamos.

século xxi. quando isso deixou de significar um novo mundo?

precisamos conversar seriamente sobre isso.

jornalistas e editores precisam conversar seriamente sobre isso.

o link deixado pela Cah é terrível e traduz a cultura do estupro.

lá o cara (o autor é homem, mas usa uma mulher, psicóloga, pra legitimar o que diz) diz coisas como:

. vc pode descobrir se ela está ou não falando a verdade através dos sinais que o corpo dela denuncia. (gente, isso pode ser muito subjetivo!! podemos ver o que queremos ver!!)

. interpretar o que se passa na complicada cabeça feminina. WTF?

. palmas pra cima  ela está fazendo um convite ou se oferecendo!!!! (WTF?!?!)

. mãos geladas = nervosismo (sempre??) = forte interesse pelo homem (sempre??)

. mexer nos cabelos e roupa = querer impressionar (sempre?? não pode ser desconforto?)

. mãos na cintura = querer ficar a sós com o cara!!!

e usa termos como:

. hora de atacar

. momento do bote

existe linguagem corporal. não nego isso. mas repetir esse tipo de coisa como se fosse tudo muito simples é muito perigoso. e quando isso vem acompanhado da objetificação cotidiana da mulher, é receita pra desastre.

Cora disse...

"The people in the mob asked me why I was trying to save her."

precisa dizer mais?

Carol NLG disse...

Estou chocada com esse caso.

E chocada também com o link que passaram, do IG. O que é aquilo? Depois fica uma meia dúzia de "homens honestos" achando que estavam abafando numa cantada e lvam um fora e ficam chorando friendzone por aí!

Thiago disse...

Num comentario aí em cima disseram que estupro "É apenas uma doença de uma sociedade falocêntrica que constantemente reitera o poder do falo."
Os homens devem sim ser ensinados a respeitar as mulheres (porque 'ensinados a não estuprar' reforça aideia de que todos são estupradores em potencial), mas acredito que as mulheres também devem tomar cuidados. Não acredito que todos os casos de estupro sejam por "poder", há muito de falha da segurança pública também.
Algunma spesoas podem dizer que estou caidno no 'mansplanning', mas se há crimes e violência na sociedade, todos devem ter cuidado, independente de genero. Ressalto que NÃO estou dizendo que a culpa do estupro seja da mulher, e nem negando que o principal responsagel por mudar isso sejam os homens, mas apenas dizendo que numa sociedade como a nossa, com o poder Público falido, infelizente todos estamos em maior ou menor grau entregues a propria sorte, e devemos ter cuidados com nossa propria segurança, por mais que isso signifique abrir mão de algumas coisas.

Lorena disse...

Mais uma vez, mais uma vez, como em todo post sobre o assunto, aprece gente pra falar que a mulher tem que tomar cuidado.
PUTA QUE O PARIU! Me desculpa o palavrão, Lola, mas sério, gente???? Sério??? Qual "cuidado" essa mulher deveria ter tomado pra evitar a violência que sofreu????? Se trancar a sete chaves sozinha num porão tá bom pra vcs????

Não adianta, não adianta mesmo a gente falar até babar. Quando as pessoas não querem entender, isso não faz a menor diferença. Parabéns pra quem ainda tem estômago pra explicar.

MCarolina disse...

A Índia é uma sociedade extremamente machista. Embora existam indianos que sejam contra preconceito de gênero e contra castas, a maioria ainda está presa a isso, querendo ou não. Eu trabalhei um tempo com indianos e mesmo entre os mais viajados e "ocidentalizados" o machismo é muito forte. Por isso eu admirava as mulheres indianas que estavam em cargos altos. Elas não só tinham se esforçado, mas vencido uma sociedade que não as vê como chefes.
Esse vídeo mostra que esse tipo de violência está longe de ser coisa de psicopatas, é apenas cultural. Esses homens são educados aprendendo que isso é aceitável, e as mulheres crescem ouvindo que devem ser submissas. Aqui também existe essa cultura, embora não nesse nível. Por isso se deve ensinar os homens a não abusar, não estuprar. Todos, sem exceção.

Anônimo disse...

A Lola ter postado o link para a cena do esturpo dá credibilidade ao relato. Porém, somente quem gosta de sensacionalismo vai acessar o link e depois vem aqui comentar que ficou horrizada etc etc e tal. Faça-nos o favor.

E antes que interpretem erroneamente meu parágrafo: sim, postar o link mostrando o estupro dá credibilidade ao texto e isso é requerido para um bom texto. Leitores acessando o link e vindo aqui expressando seu horror?! Oras, já sabems que a cena é escabrosamente chocante antes mesmo de terminar a leitura do post.

Anônimo disse...

Márcia:

Obrigada Lola por divulgar a notícia. Desde ontem estou enojada. Não vi o vídeo, mas só de ver as imagens me dá horror.

O triste é ver que neste caso, o estupro foi filmado e televisionado. E quantos outros ocorreram em nem sequer ficamos sabendo?

Neste caso, assim como em muitos outros, temos uma serie de estupradores: quem fez o ato, quem assistiu sem fazer nada (o repórter, o câmera e quem tem a oportunidade de ver pelo o Youtube e simplesmente fechar a página como se isto não tivesse nada relacionado com a sua vida), a polícia que não prendeu ninguém e o restante da sociedade que viu indignada e não batalhou para que este quadro mude.
O pior que pelo o pouco que conheço da sociedade indiana é que até mesmo que muitas mulheres costumam ver o assedio sexual com pouco caso.

Carlos disse...

É que a maioria dos homens estão muito mal acostumados, pois em algum momento na nossa sociedade, "garantia" 1 mulher para cada homem... e ISSO ACABOU. Hoje uma pequena parte dos homens tem acesso a maioria das mulheres... e os 90% rejeitados, não tem controle sobre si mesmo e acabam cometendo essas loucuras.

Obs.: Não venham me dizer que são alguns homens é que fazem isso, se estupro não fosse crime, 99% dos "rejeitados" cometeriam este crime.

Cora disse...

thiago,

mulheres abrem mão de algumas coisas há MILÊNIOS.

MILÊNIOS!

somos obrigadas a abrir mão de algumas coisas. sempre. o tempo todo.

já passou muito da hora da gente falar abertamente sobre a violência contra a mulher NO MUNDO.

não é um problema pontual. desta ou daquela sociedade. É MUNDIAL!!

JÁ TOMAMOS CUIDADO O TEMPO TODO!!

quantas vezes deixei de sair em são paulo pra um simples cinema por não ter companhia?

quantas vezes fiquei apavorada por precisar - PRECISAR - ficar até o final da aula na faculdade à noite? eu SEMPRE saia mais cedo, pra poder chegar mais cedo ao ponto de ônibus, porque se passasse da hora o fiscal ia embora e eu ficava SOZINHA no ponto e ficava APAVORADA?

não quero mais abrir mão de algumas coisas. quero deixar de ter medo.

quero deixar de ler notícias como a de queimadas, como da índia, como todas essas todos os dias.

se te incomoda dizer que homens podem estuprar, junte-se a nós.

precisamos de homens que compreendam o problema pra poder resolvê-lo.

isso não tem nada a ver com o poder público falido.

A QUESTÃO É MUITO MAIS GRAVE DO QUE ISSO.

ABRA OS OLHOS E VEJA. ELA É ESFREGADA NA NOSSA CARA TODOS OS DIAS.

lola aronovich disse...

Publiquei o comentário do Carlos (obviamente um mascu, já que essa ridícula "teoria" de que 10% dos homens conseguem 90% das mulheres é coisa da cabeça fértil de mascus) porque é interessante ver que são eles que dizem que homens não conseguem se controlar e, portanto, são estupradores em potencial (daí o que o Carlos fala: se estupro não fosse crime, 99% do homens estupraria). Eu acho interessante vê-los falando barbaridades assim porque depois eles NOS acusam de misândricas. Imagina se eu escrevesse uma besteira desse tamanho. Mas eles falam isso a toda hora dos homens e tudo bem...

Mihh disse...

"por mais que isso signifique abrir mão de algumas coisas."
Por exemplo, o que?
Do direito de ir e vir?
Do direito de ser livre, sem interferir no livre arbítrio de ninguém, porém não sendo verdadeira a recíproca?

Diz uma coisa pra mim, então. Do que é que os homens estão abrindo mão, em contrapartida? Não basta a mulher ser frequentemente a vítima, tem de ser quem abre mão de coisas porque... ora, as coisas não vão mudar. Se vão mudar, certamente não será através de qualquer atitude dos homens, não é?

Nina. disse...

Aqui, não falo do estupro coletivo, não tenho palavras para isso, mas falo de outros costumes, como restringir horários e companhias das mulheres, ou a imposição de determinada vestimenta. Toda vez que leio algo a respeito do tratamento destinado às mulheres em países orientais penso em uma questão que sempre é levantada nas aulas de direito constitucional, internacional ou de direitos humanos: os direitos humanos são universais ou, seriam uma tentativa de "ocidentalização" das outras culturas? O que vocês pensam disso?
De minha parte, eu ach que são universais. Não se pode relativizar direitos humanos, nem admitir costumes bárbaros pelos quais uma parte da população controla e oprime outra. É inadmissível o que acontece com a mulheres indianas, mas como interferir em um país estrangeiro, que tem sua soberania? Por meio de ONGs? E que poder estas têm sobre a população?

Quanto ao Brasil, a cultura de estupro é assombrosa. Eu concordo com o ponto de não falar no celular nem ouvir MP3 na rua a qualquer hora do dia, independente de gênero (AJUDA a evitar atropelamentos, assaltos, furtos e QUALQUER tipo de violância, não só o estupro - e a população anda mesmo muito desatenta por causa desses brinquedinhos). Quando se fala para as mulheres não se vestirem de determinada maneira, porque isto em tese evitaria o estupro, por outro lado, trata-se de um discurso de legitimação da cultura do estupro e do machismo.

carolinapaiva disse...

Claro que todos devem se cuidar, mas o que acontece é que só a mulher tem seus direitos básicos desrespeitados nesse tipo de discurso.
Fui assaltada recentemente, na porta de casa, com o meu namorado do meu lado. E, aí? Estava na condição ideal da mulher que se respeita (sic) e isso foi inútil.
Ainda bem que não aconteceu nada, o meu medo mesmo era de sermos agredidos.
Não estava sozinha em uma rua deserta. Se "cuidar" não é o suficiente para evitar crimes.
É claro que ninguém quer ser assaltado, agredido, ou estuprado, mas não temos o poder de evitar toda e qualquer situação, mesmo tomando as precauções que julgamos necessárias.
Esse discurso oprime sim, na medida em que coloca a falsa ideia de que se a mulher tivesse feito X ou Y, teria evitado a violência. É uma falsa ideia de controle da situação, que só traz culpa e vergonha para a mulher.
Li aqui a expressão:
"devemos ter cuidados com nossa propria segurança, por mais que isso signifique abrir mão de algumas coisas".
Concordo que devemos ter cuidado com nossa própria segurança, mas o problema é que nós mulheres temos que abrir mão de muito mais coisas do que os homens, e quando fazemos isso, ainda somos chamadas de histéricas e misândricas (pois estaríamos vendo todos os homens como potenciais estupradores).
Que sociedade é essa que acha normal que mulheres tenham que se cuidar mais, que temer mais, que "abrir mão de mais coisas" para sobreviver?
O ódio às mulheres é óbvio, todos reconhecem isso na hora de "aconselhar" mulheres a não saírem sozinhas na rua, mas quando nós dizemos que vivemos em uma cultura machista, magicamente o mundo é 100% igualitário e nós somos as exageradas.

André disse...

Pelo que ele disse seria apenas 89,1% dos homens.

Carlos disse...

Querida autora, não sou mascu, apenas afirmei que os homens não sabem lidar com a rejeição (durante minha adolescência percebi que algumas mulheres vão com teu focinho e outras não, faz parte).

Jac disse...

Para o Anônimo que me quotou:

"oras, isso aconteceu pq os repórteres que deveriam intervire chamar a polícia imediatamente nada fizeram e nem os transeuntes nada fizeram pela moça e vc acha que acontece assim a torto e a direito? o mesmo pode aconteceer sim em qq parte SOMENTE sem a presença de repórteres e outros homens valentes e de brio. E eu acredito nesses homens."

Mas você já parou pra pensar porque os reporteres e os transeuntes não fizeram nada? Se fosse um único homem sendo abusado alí, aposto que a se não a empatia, pelo menos a homofobia ia fazer o povo proteger o homem abusado.

E, de qualquer forma, então quer dizer que eu preciso sempre estar perto de "homens valentes e de brio" para estar protegida? Isso não me faz me sentir menos refém e menos dependente da BOA VONTADE de homens.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

O pior é o pensamento de muitos de que abuso sexual, estupro, é algo distante de todos nós, praticado apenas por meia dúzia de indivíduos que são psicopatas ou têm algum problema mental. Depois falam que não existe uma cultura de estupro, mas não dá pra insistir no discurso do estuprador psicopata depois de assistirem quarenta homens se reunirem em público, fazerem isso com uma mulher com o pensamento de que aquilo é um ato normal ou que não vai dar em nada, com repórteres filmando mais preocupados em terem um furo de reportagem e policiais que apenas chegam pra levar a moça pra casa, sem fazerem nada com quem atacou, como se a culpa fosse dela por estar na rua. A não ser que queiram acreditar que aconteceu a coincidência de uns cinquenta psicopatas se encontrarem no mesmo lugar.
Lamentável isso.

Anônimo disse...

"Não venham me dizer que são alguns homens é que fazem isso, se estupro não fosse crime, 99% dos "rejeitados" cometeriam este crime."

Que horror. Quem tem caráter e empatia por outros seres humanos não estupra, não abusa sexualmente, porque não faz parte de seus princípios, quem não estupra simplesmente porque estupro é crime e porque tem medo das consequências é porque não tem empatia, é porque sente prazer mesmo diante do sofrimento e do desespero alheio, não vê mulheres como seres humanos, mas como objetos, são monstros.
E parece que no mundinho mascu as coisas andam cada vez pior. No tempo que via as bobagens deles no orkut, falavam que era 80% das mulheres pra 20% dos homens, agora pioraram pra 90%. Sinal que tanta porcaria que lêem e compartilham não está surtindo efeito, pelo contrário.

Anônimo disse...

Todo dia é dia de estupro
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/07/todo-dia-e-dia-de-estupro.html

Sara disse...

Nina eu sou uma que acha totalmente incompreensível querer preservar e respeitar culturas. Estados, e religiões que não respeitam os direitos humanos, quase sempre focados no desrespeito a mulher.
Eu gostaria de ver a ONU intervindo nesses estados para fazer valer os direitos humanos, de mulheres que não tem sequer o direito mais básico respeitado, sei que o que eu penso é polemico e já fui agredida a exaustão por alguns aqui mesmo, por pensar assim, mas nem por isso mudo minha opinião.
Acho Tb que se houvessem países onde não existisse mais nem resquícios do machismo, e achassem por bem intervir até mesmo aqui no Brasil, eu seria uma das primeiras a apoiar, ainda que isso significasse passar por cima da soberania do pais onde eu vivo o Brasil.
Acho um dever dos países mais desenvolvidos levar a civilização aos menos privilegiados, e não continuar, a titulo de respeitar culturas, com praticas tão bárbaras um retrocesso para humanidade, que eu da minha parte nunca vou aprovar.

Sara disse...

Esse link do anonim@ 19.03hs ilustra exatamente o que eu quero dizer com meu comentário;

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/07/todo-dia-e-dia-de-estupro.html

Lord Anderson disse...

Bem, tai o Carlos pra representar bem a cultura do estupro.

Eu me recuso a fazer parte desse tipo de homem que ele acredita que existe.

Não sou nenhum ser irracional que entra em descontrole como se isso fosse algo comum.

Muito menos uma criatura tão nojenta e covarde que joga a culpa do crime na vitima.


Estupro não tem nada a ver com rejeição. nada a ver com sexo.

Ja que vc é do tipo que praticaria estupro se não fosse crime, faz um favor pra sociedade e se tranque em algum lugar.

Anônimo disse...

"Isso é muito parecido com o que uma delegada aqui no Brasil disse esses dias: que as mulheres devem “evitar andar na rua falando no celular ou ouvindo música no MP3 Player, porque os estupradores normalmente abordam mulheres desatentas”.
Foi isso mesmo que você ouviu. Aqui, como na Índia, mulheres não só não têm garantido o seu direito de ir e vir, como a culpa é sua, se algo acontecer."

Lola, não acho que a delegada disse e nem ao menos insinuou que a culpa é da mulher. Ela deu uma recomendação para evitar estupro. Não apenas estupro, mas também assaltos e sequestros relâmpagos.

É óbvio que eu gostaria muito que não fosse necessário estar sempre prestando atenção para a violência, mas eu acho que repassar esses conselhos é, sim, válido. Não é culpa da mulher ser estuprada, mas eu não gosto de "dar sorte ao azar".

Rose disse...

Acho que nessas campanhas (risos, pq né?) contra o abuso sexual de mulheres, o foco deveria ser os homens, afinal são eles que estupram.

Cora disse...

peraí, deixa ver se eu entendi bem!


foi um HOMEM que escreveu o comentário abaixo?


"Não venham me dizer que são alguns homens é que fazem isso, se estupro não fosse crime, 99% dos "rejeitados" cometeriam este crime."


cadê o thiago pra ficar revoltado com ele?

Thiago disse...

Lorena,
Desculpe se me expressei mal, como falei (ou ao menos tentei falar), de forma alguma acho que "culpa" do estupro seja da vítima. E não me referia especificamente ao caso do post ao falar de 'cuidados com segurança' (até peço desculpas por ter fugido do tema). O que ocorreu na Índia é um crime gravissimo, uma barbaridade, e alguem teria q ser muito idiota pra dizer que a culpa foi da mulher.
Eu sei que mulheres sempre tiveram que "abrir mão" de muito mais coisas que os homens, só tentei falar que por mais que os direitos existam, ninguem pode sair desprocudado hoje em dia, não importa em que situação. O que tentei (e mais uma vez, desculpem-me se falhei) dizer foi que muito da 'cultura de estupro' acaba sendo decorrencia de um poder publico falido e ineficaz.

Maíra disse...

Sei que estou fugindo do tópico, mas gostaria de saber daqueles que dizem que podemos evitar o estupro evitando certos comportamentos o que deveríamos fazer para evitar o estupro marital ou o estupro de vulnerável quando cometido por homens que fazem parte de nossas relações e nos quais confiávamos.

Cristiane disse...

"Bruno disse...
Me parece que esta expressão "Ensinar os homens a não estuprar" passa a idéia de que todos os homens são estupradores em potencial e devem ser contidos para que não saiam estuprando por aí."

Tem-se que ensinar todos os homens a não estuprar mesmo, simplesmente porque não dá pra saber quem é estuprador em potencial e quem não é; não vem escrito na testa.

Cora disse...

Sara,

defender que outros países passem por cima da soberania de qualquer país é muito perigoso.

mas sou a favor de fazer pressão de verdade, de condenar veementemente qq forma de agressão, impondo, inclusive, sanções e de apoiar a luta de cidadãos desses países contra a violência.

tenho certeza que existem entidades, ongs, fundações, grupos nesses países que lutam contra a violência. e esses grupos deveriam ser muito divulgados, seus trabalhos mostrados em reportagens internacionais. deveriam ser mantidos permanentemente em exposição e qq violência deveria ser divulgada e prontamente condenada.

esse negócio de "levar a civilização" é sempre uma faca de dois gumes.

Maíra disse...

@Thiago 20:07
Porque "culpa"? A culpa do estupro é do estuprador e de todos que perpetuam a cultura do estupro...
Aliás, por favor algumx conhecedorx mais profundo corrija se eu estiver errada, mas o papel do poder público, historicamente exercido por homens, é exatamente manter a cultura vigente, então, do ponto de vista da cultura do estupro, o poder público tem sido bem eficaz.

Anônimo disse...

Um cara me disse uma vez: Se eu for respeitador demais, nunca vou pegar ninguém!

Anônimo disse...

Que asqueiroso esse tal de "Carlos".
Tomara que seja estéril.

Bruxinha disse...

Não somos educadas por nossas mães desde pequenas pra evitar o estupro pq, em tese, todas as mulheres são estupráveis? Então como foi dito acima, eduquem-se TODOS os homens para não serem estupradores!

Sara disse...

"De minha parte, eu acho que são universais. Não se pode relativizar direitos humanos, nem admitir costumes bárbaros pelos quais uma parte da população controla e oprime outra."[2]Nina

Pois é Cora cada um tem sua conciência e modo de ver as coisas, o meu esta mais próximo do que a Nina escreveu aqui.

Cora disse...

não thiago.

a cultura do estupro não é decorrência da falência do poder público. por que ela é mundial. e antiga.

e é importante perceber isso.

a questão é muito mais grave (e por isso tão complicada de resolver). tem a ver com a maneira como a mulher é vista.

fomos, durante milênios (não tô exagerando, são milênios mesmo), confinadas à esfera doméstica.

ao homem sempre pertenceu a esfera pública. e isso significava existir plenamente, pois significava ter voz e, portanto, poder.

daí a sociedade falocêntrica. não tem a ver com o pênis propriamente dito, mas sim com ter voz e poder, percebe?

assim, sempre que a mulher sai de seu lugar e invade o espaço masculino, o espaço público, ela pode ser punida pois não é reconhecida como um ser humano autônomo e pleno, pois não tem voz, aquele não é o seu lugar. uma forma de lembrá-la de qual é o seu lugar é a opressão da violência sexual, passando pelos gracejos de desconhecidos e a objetificação. o lugar dela é em casa, protegida por um homem: pai, irmãos, filhos ou marido.

por isso as recomendações sobre cuidado, vestimentas, comportamento, horário de circulação...

é claro que o homem q estupra não pensa nisso tudo quando comete a violência. mas seu comportamento é legitimado por esta cultura, por esta forma de pensar e ver a mulher.

existem outras pessoas aqui que poderão esclarecer vc melhor em relação a isso. mas, dê uma lida nos posts da Lola sobre o assunto, que vc começa a compreender melhor.

Thiago disse...

Maíra,

Quando usei aspas ao falar culpa, me referi à suposta responsabilidade da vítima que muitos insistem em dizer que existe. Agora, o papel do poder publico não é manter a cultura vigente, é garantir que os cidadãos respeitem as leis estipuladas e garantir a realização dos direitos previsto. E falhando nisso gera a violencia pública, que é uma parcela (talvez não tão expressiva) dos crimes de estupro. Não sei se sou um conhecedor profundo do tema, mas acho que por ser cientista social ao menos algum pitaco no assunto eu posso dar.

Cora disse...

eu concordo com a fala da Nina, Sara.

não se pode relativizar e nem admitir violações aos direitos humanos.

(tô numa discussão no outro blog por conta disso, inclusive)

por isso "levar a civilização" pode ser tão perigoso, porque depende de quem tem mais poder.

é só esta a questão que destaco em relação à sua fala, não sei se me faço entender.

Eliane disse...

Pessoal, vocês viram esta peróla de dicas de relacionamento do Edir Macedo? Machismo, racismo e ignorância. http://www.arcauniversal.com/comportamento/reflexao/noticias/quanto-a-idade-e-a-raca--------13420.html

Anônimo disse...

Bem tambem podemos responsabilizar todas as mulheres pelas que cortaram fora o penis do namorado/marido.

Karla disse...

Aconteceu algo parecido comigo quando eu tinha uns 12 anos. Estava voltando da escola, quando um grupo de adolescentes mais velhos me cercou e começou a passar a mão em mim. Durou apenas alguns segundos, mas eu passava lá todos os dias morrendo de medo. E, é claro, não contei pra ninguém porque não queria preocupar meus pais, ou que minha mãe me proibisse de voltar pra escola sozinha.

É claro que nem dá pra comparar o horror que sofri com o que essa menina passou. Isso é monstruosidade demais, o tipo de coisa que vc jamais imagina que vai acontecer no meio de uma rua movimentada... E é nojento que as prisões só começaram a ser feitas depois da divulgação desse vídeo na internet. Se não fosse por isso, o caso passaria em brancas nuvens pros agressores.

Outro dia tinha uma grande discussão sobre machismo na cultura muçulmana, lembram? Tinha gente achando que os muçulmanos eram apenas a bola da vez que leva a culpa por tudo? Então. Taí: jamais pisaria num país que trata as mulheres desse jeito, não admiro e não devo respeito a uma cultura assim e deveria haver pressão internacional para que o governo indiano desse um jeito de parar com essa barbárie.

Sara disse...

Pra mim pouco importa quem esteja no poder Cora, desde que seja uma estrutura politica que esteja realmente comprometida em defender os direitos humanos de todos, to me lixando com soberania de qualquer pais que não respeite esses direitos de seus cidadãos, inclusive o meu pais, quando for o caso.

Mudando um pouco o assunto mas nem tanto, olha o que a senadora Marta Suplicy disse sobre a Rio+20

Sem citar o Vaticano, Marta afirmou que as “religiões cada vez mais impositivas estão ganhando espaço às custas da saúde da mulher”. Para ela, o retrocesso nos direitos da mulher, na conferencia, foi “além de todos os limites”.

e durma-se com isso, se nós mulheres não nos unirmos pra lutar contra toda a injustiça de que somos vitimas aqui e no resto do mundo, vamos ter q enfrentar o fundamentalismo religioso de varias matizes que estão se fortalecendo no mundo inteiro, sem contar com velho machismo de sempre.
Não quero ser alarmista mas as vezes temo pelo futuro de minhas filhas e mulheres mais jovens, não tenho visto muitos avanços, as vezes tenho impressão até de um retrocesso, não podemos baixar a guarda.

Anônimo disse...

"O que fazer então? Quais atitudes concretas podemos tomar para que isso não aconteça mais aqui ou na Índia?"

O que a Lola está fazendo já é um ótimo começo. Falar no assunto, discutir as causas, mostrar pra certos homens que mulheres são gente, que o corpo feminino não é propriedade pública.

Anônimo disse...

"Um cara me disse uma vez: Se eu for respeitador demais, nunca vou pegar ninguém!"

É, então saia por aí como um misógino idiota soltando cantadas ridículas pra mulheres na rua, apertando peitos e bundas que aparecerem na sua frente, tentando agarrar mulheres que não estão a fim de você. Além de não conseguir nada, tomara que acabe se metendo é em alguma grande confusão.

Anônimo disse...

"Aconteceu algo parecido comigo quando eu tinha uns 12 anos. Estava voltando da escola, quando um grupo de adolescentes mais velhos me cercou e começou a passar a mão em mim."

Não conheço uma única mulher que nunca tenha passado por uma situação parecida.
Sinal que infelizmente o número de homens que acha que só dar uma passada de mão em uma mulher que está distraída ou indefesa, não é pequeno.
Já passei por isso na saída de um show, quando um grupo de adolescentes se aproveitou da confusão pra tentar fazer isso comigo e com uma amiga, e estavam às gargalhadas como se fosse somente uma brincadeirinha inocente, como se tocar no corpo de uma mulher contra a vontade dela fosse algo engraçado.
Acho que nós mulheres também somos criadas pra vermos certos abusos sexuais como algo menor, indefeso ou até motivo de piada.
É como naquela propaganda de cerveja em que homens invisíveis saíam passando a mão em mulheres e em algum momento entravam em um vestiário e faziam algo que fazia todas as mulheres saírem correndo.
A propaganda estava legitimando àquilo como piada, uma coisinha boba que todo homem faz se tiver chance e que nenhuma mulher deve levar a sério.

Maiê F. Rezende disse...

Anônimo das 21:29

Claro que pode... O dia que o número de homens com pênis cortados se assemelhar ao numero de estupros. No Brasil são 15 mil estupros por ano. Na verdade o numero é bem maior, considerando que nem todas as vítimas denunciam.

Lorena disse...

Thiago,

me desculpe se ofendi também, mas é que eu sempre fico muito mal ao ler notícias como essa e fico pior ainda quando percebo, mais uma vez, o quanto a maioria dos homens não têm a menor empatia com as mulheres nessa situação. Eu entendi sua colocação, mas acho que você é que ainda não entendeu o que é a cultura do estupro. A Cora respondeu muito bem, nem tenho muito a acrescentar.

O problema não é ineficiência do poder público, o problema é cultural. Do que adianta leis duras e penas capitais, se o policial te desrespeita, o delegado faz chacota e a sociedade te culpa??? Não adianta nada, porque a lei sozinha não tem força alguma.
O caso não é mudar o poder público, Thiago, o caso é mudar o sistema. Se todo mundo compreendesse que a raiz do problema é tão somente o machismo e a misoginia, e lutasse pra acabar com isso, aí sim estaríamos começando a falar de alguma solução.

Cora disse...

Sara,

quem tem mais poder e não quem está no poder.

falo do poder entre os países. é nesse sentido.

se admitirmos a intervenção “levando civilização”, podemos ser vítima, no futuro, de uma “civilização” que tenha mais poder.

é justamente isso q vc falou: estrutura que esteja comprometida em defender os direitos humanos. e se não for esta a ter o poder? percebe como isso de “levar civilização” pode ser perigoso?

compartilho a sua revolta, Sara.

compartilho a sua preocupação com o futuro.

eu abomino todas as religiões misóginas. todas são muito perigosas, pois são intolerantes.

a defesa dos direitos humanos deve ser sempre incondicional.

mas veja como as coisas são complicadas até mesmo aqui no brasil! nós q aqui vivemos e q com eles convivemos não conseguimos despertar empatia e solidariedade!!

temos que fortalecer a mulher. temos q sair às ruas em massa, no mundo todo. muitas e muitas vezes. temos que rechaçar toda e qualquer atitude machista, por menor e mais “inocente” que ela pareça.

cobrar ações do governo no sentido de condenar veementemente e de apoiar grupos que lutam por direitos humanos nos diferentes países.

vc não mudou de assunto não, Sara!

tá tudo relacionado.

há sim uma força nos puxando pra trás. e sem força para contrapô-la, sem mobilização, sem identificação entre nós mulheres, não conseguiremos frear o retrocesso.

Anônimo disse...

Lola, você viu como alguns comemoraram o dia do homem no facebook?
Compartilhando uma "piada" sobre estupro, morrendo de rir e depois ficando ofendidinhos porque várias mulheres não gostaram, reclamaram e denunciaram.
Coitados. O direito de expressão deles de chamar incitação ao crime de piada está em perigo.

www.facebook.com/photo.php?fbid=391456410907389&set=a.338087779577586.89341.338085569577807&type=1

Sara disse...

temos que fortalecer a mulher. temos q sair às ruas em massa, no mundo todo. muitas e muitas vezes. temos que rechaçar toda e qualquer atitude machista, por menor e mais “inocente” que ela pareça.

cobrar ações do governo no sentido de condenar veementemente e de apoiar grupos que lutam por direitos humanos nos diferentes países.[2] Cora

A única ressalva Cora é que se quem tem mais poder for QUEM mais respeite os direitos humanos de todos, que exerça esse poder sobre todos.

O Guri disse...

Ninguém é dono do seu próprio corpo. Somos donos dos corpos do outros, vemos o que eles tem de errado e sabemos o que deve acontecer com eles por isso.

Fico assustado com notícias assim. Parece que mesmo estando seguro dentro de casa (será?), há uma sombra, como se fosse um dementador dos filmes do Harry Potter, rondando lá fora, esperando que façamos alguma coisa errada, dar um passo fora da linha, que expressemos alguma opinião própria que seja diferente. Essa opinião diferente é tudo o que eles precisam para atacar.

Nos atacar destruindo tudo aquilo em que acreditamos. Como se não tivéssemos valor.

Sinto muito.

O Guri disse...

Tava lendo esse comentário aqui:

Patty Kirsche disse...

Estupro é uma ferramenta de controle, utilizada socialmente para ensinar as mulheres a serem dóceis e obedientes. Tanto que é utilizado de homens contra homens em certas situações, quando um quer exercer poder sobre o outro. Não tem nada a ver com sexo. É apenas uma doença de uma sociedade falocêntrica que constantemente reitera o poder do falo.

Li a maioria dos comentários, não todos, mas esse aqui me chamou a atenção pela razão.

Principalmente em cidades pequenas, como a minha, o homem que é visto como viado é o homem que faz o papel passivo na cama. Falando no popular, o que dá é o viado mas que come não é. O gay é aquele que faz o papel da mulher na hora do sexo. É comum alguns homens, daqueles bem machos, usarem essa desculpa pra comerem outros caras. Tudo em segredo, claro. Há um preconceito muito grande na própria cultura gay sobre essa questão. Há uma certa vergonha em desempenhar o papel do passivo, assim como todos aqueles preconceitos ligados ao sexo anal. Que aliás é o que define o gay. É ele quem tá dando a bunda, é ele quem quer um pau enfiado no cú. Apenas isso.

Todo homem quer, desculpa, comer a bunda da namorada e muitos alegam que como não tem isso em casa procuram na rua. Mas se a mulher faz isso sem casar, ou fora de um relacionamento serio, ela é criticada pelas próprias amigas. Fora que se ela não respeitar um certo prazo, ela é criticada pelo próprio homem. É aquela minha filha, você não pode dar na primeira, tem que esperar um tempo, se não o moço perde o respeito. Cospem no prato em que comem.

O preconceito também está nisso, não é?

Muito bom também o comentário da brasileira que mora na Alemanha e namora um indiano.

Luíza Antunes disse...

Morei por 8 meses na Índia e algumas vezes passei por situações de abuso e machismo. Durante o reveillon eu e um grupo de amigas fomos atacadas repetidamente por vários homens. E não estávamos sozinhas, tinham amigos nos acompanhando. Outras atrocidades como essa também aconteciam em menor "volume", na rua mesmo, à luz do dia.

Quando contei na empresa onde trabalhava, as funcionárias choraram e ficaram muito envergonhadas com a situação. Disseram que seus pais não deixam elas saírem de casa no reveillon para evitar problemas! Um absurdo.

Escrevi sobre isso e outros dados tristes sobre as mulheres na índia no meu blog de viagem...http://www.360meridianos.com/2012/01/as-mulheres-na-india-ou-falta-delas.html

Barbie Furtado disse...

Maiê diz: "No Brasil são 15 mil estupros por ano. Na verdade o numero é bem maior, considerando que nem todas as vítimas denunciam."

Eu digo que dá o triplo disso, e olhe lá. O Brasil é um país MUITO atrasado quando se trata de conscientização da população. A vergonha que passa uma vítima de estupro é imensa. Não existem programas sociais, propagandas do governo, NADA que seja mais "mainstream", por assim dizer. É tudo "underground", sabe? Tem muita mulher que não sabe nem a quem recorrer, a quem pedir ajuda, porque aqui no Brasil NÃO SE FALA em estupro. Quando fala, é pra culpar a vítima, pra dizer que foi culpa dela. Quem vai querer denunciar assim. Complicado pra caralho.

Lise disse...

Para os que ainda acham que mulher dentro de casa está segura, hoje mesmo, em Campinas, uma menina de 14 anos foi estuprada, dentro da própria casa. Where is your god now?

Cora disse...

Sara,

precisamos de algo como marcha negra.

Anônimo disse...

O blog fica muito melhor com a MODERAÇÃO dos comentários; diminui a quantidade, MAS aumenta a (boa) qualidade. Estupro é crime muito sério que envolve aspecto mental e comportamental,quero dizer nem sempre o agressor sofre de problema mental, é o comportamento formado culturalmente, nada a ver com psicopatia ou afins. Existe um treco que a mulher pode introduzir na vagina que é ótima arma contra estuprador... o pênis fica lá dentro preso e só pode ser liberado com ajuda médica e acho que pode até machucar o membro. Uma mulher que inventou/criou/construiu isso e foi muito propagado por volta da Copa do Mundo na África do Sul, alguém se lembra disso ou pelo menos ouviu falar?

Anônimo disse...

Só uma observação: o estupro, nos comentários, é sempre tratado como algo que acontece em um beco escuro, de noite, com um desconhecido. Só que isso não deve representar nem 5% dos casos de estupro. O estupro, em sua esmagadora maioria, acontece dentro de casa, perpetrado pelo pai, irmão, tio, vô, primo, vizinho, (ex) marido/namorado. Por isso esse discurso de "não saia na rua sozinha, não use roupas curtas" é falacioso. Ele engloba apenas o estupro "exceção". Em regra (que horror falar em "regra" quando escrevo sobre estupro), ele acontece DE TARDE, no aconchego do lar. E aí? O que a mulher/menina pode fazer pra """"""""prevenir"""""" um estupro assim?
E não escrevo me baseando em estatísticas da Globo ou da Veja. Trabalho no Ministério Público, e NUNCA vi um caso sequer de estupro que ocorresse nos moldes que as pessoas imaginam serem os "comuns" (noite, rua deserta, mulher sozinha).

Anônimo disse...

spoddney
I think that convicted killers, rapists and child molesters should be used by the US army as 'scouts' to find land mines in Afghanistan... and give the lovely dogs a break.
1 day ago
from the article "Brazilian inmates reduce sentences by hitting the bike, books"
http://www.cnn.com/2012/07/14/world/americas/brazil-alternative-sentence-reduction/index.html?hpt=hp_bn2

Anônimo disse...

Oii, sempre acompanho o blog, e depois desse post, resolvi comentar.
Bom, isso não acontece só na Índia...me lembro de um fato que ocorreu na cidadezinha onde morava: "10 jovens abusaram sexualmente e mataram uma mocinha de uns 18 anos, desses 10, um assumiu a culpa, foi preso e resolveu "se matar" na cadeia(1 rapaz, não poderia ter feito com a moça, todo o estrago que ele fez, foi horrivel, mas os policiais aceitaram a versão dele)". Na época eu era adolescente, uns 16 anos, e quem mora em cidade pequena sabe como é, todos ficam sabendo de tudo. Enfim, eu conhecia a maioria dos monstros que atacaram a moça, e sempre via eles abordarem qualquer mulher de maneira arrogante e agressiva, como se fossem donos do mundo. Enfim, essas monstruosidades sempre acontecem, porque homem(não 100%) acha que tem poder sobre a mulher, é o que a sociedade ensina, é o que a igreja prega, é a mídia que trata mulher como objeto. E homem só se horroriza com estupro quando é com alguém da família, por exemplo com a mãe, a mulher, a irmã, a filha. Se é com uma desconhecida é sempre a mesma história "ela procurou", "ela não pode sair com essas, tá quase pelada"...Fora mulheres que tambem falam que a culpa é da vítima...
Gislaine Costa

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Após dias circulando, parece que finalmente a imagem com apologia ao estupro - a "piadinha" do dia dos homens - foi retirada do Facebook. Para que isso acontecesse, foi necessária uma onda de denúncias, inclusive à Polícia Federal.

Incrível é que imagens da Marcha das Vadias e imagens sobre amamentação são retiradas do ar com muito mais rapidez. Imagens que mostram movimentos de libertação da mulher são ofensivas e retiradas rapidamente. Imagens de objetificação da mulher e apologia à violência de gênero são toleradas por dias a fio.

E no final, não existe "cultura do estupro", não é mesmo? É tudo paranoia da nossa cabeça feminista e odiadora de homens... triste isso.

Maíra disse...

@Thiago 21:01

Obrigada pela resposta. Não acho que alguém precise de qualificação para dar pitacos, mas, claro, um pitaco qualificado é sempre bem-vindo.
Para mim, não identificar as leis estipuladas e os direitos previstos com a cultura vigente é bem difícil... Sempre penso na Sharia nesses casos e em como, algumas vezes, as leis escritas contrariam as leis que de fato observamos.

Anônimo disse...

Lise disse...

Para os que ainda acham que mulher dentro de casa está segura, hoje mesmo, em Campinas, uma menina de 14 anos foi estuprada, dentro da própria casa. Where is your god now?

Então o jeito é concordar com as feministas separatistas e separar o mundo em dois generos.

lola aronovich disse...

Anônimo das 8:55, não são bem as feministas que são separatistas...
No Spearhead, um dos maiores sites mascus dos EUA (chamados de Men's Rights Activists), o pessoal fantasia em viver em cidades separadas entre homens e mulheres. Só prostitutas e strippers poderiam ir aos bairros machos, mas não poderiam dormir lá. Diz o autor: “Eu adoraria viver numa comunidade apenas de homens só pra evitar a repugnante visão, cheiro, som, e intenções malignas das fêmeas ocidentais”. (e olha, esses mascus não são gays! São só misóginos).
Anônimo, eu poderia perguntar Where is your god now?, mas como vc já perdeu seu deus no outro comentário, vou me ater a dizer que vcs não dão uma dentro mesmo.

Anônimo disse...

debate-se demais o que acontece fora do Brasil,acho que a gente precisava discutir mais o que acontece no próprio país da gente.

Lorena disse...

Pra essas pessoas é mais fácil dividir o mundo em dois gêneros do que mudar a educação e a cultura do estupro??

A gente lê uma coisa dessas vinda de um homem e ainda tem gente que não entende POR QUE nós mulheres vemos qualquer homem como potencial estuprador! Não somos nós que acusamos os inocentes, são os próprios homens/mascus/sociedade que diz que o homem é um ser irracional que não sabe viver em comunidade, que precisa viver isolado. Por favor, homens, lutem contra essa visão! Por favor, digam, mostrem que vocês não são seres movidos por um instinto destruidor, prontos a violentar qualquer mulher que passe por vocês! Não é dizendo aqui que a alcunha é injusta e virando as costas pro problema que vocês ajudam, não. É aceitando que o problema existe, precisa ser discutido e que essa cultura precisa ser mudada, principalmente entre os homens!

Anônimo disse...

A existência da cultura do estupro é validada cada vez que um homem diz "que queremos tratar todos os homens como possíveis estupradores". Eles tem consciência dessa cultura(ainda que não nitidamente) e ao verem isso tendo nome e forma (ESTUPRO) sentem vergonha.

TODAS as pessoas são orientadas a não matarem e não roubarem, porque não se sabe quem vai ser ladrão ou assassino. Por que deveria ser diferente com relação ao estupro?

Carol M disse...

Thiago, qd vc fala em falência da segurança pública vc ignora que 80% dos abusos sexuais são cometidos por amigos, conhecidos, parentes, namorados, etc. Tem mais a ver com ensinar todo garoto desde sempre, que se uma mulher disser não, ele imediatamente vai parar oque estiver fazendo, do que com segurança pública.

Bruna B. disse...

http://www.folhademaringa.com.br/elisa-riemer-blogueira-da-folha-de-maringa-e-espancada-pelo-proprio-irmao/

"A artista plástica e blogueira da Folha de Maringá, Elisa Riemer, foi espancada neste sábado (14) pelo próprio irmão. Segundo relatos de Michelle Riemer, irmã da artista, Elisa recebeu golpes de muay thai nas pernas, costas, barriga e cabeça por Matheus Riemer até perder a consciência. Após ver a irmã desacordada, o agressor continuou a espancá-la com chutes na cabeça e costas, mesmo tendo a mãe dos dois intervindo na tentativa de assassinato. O jovem parou de agredir Elisa e fugiu do local assim que percebeu que sua mãe havia chamado a polícia."


Acham pouco? Agora a mãe está defendendo o marginal.


Lola, ontem soube de uma coisa que me deixou horrorizada. Um vizinho está respondendo a um processo por estuprar sua sobrinha de 9 anos. O desgraçado deu 2 comprimidos de diazepan (medicamento que induz o sono) para a menina e depois estuprou-a.
Foi pego no ato, pela própria esposa.
Como o bandido é rico, o processo corre em segredo de justiça e ele está em liberdade provisória, aguardando julgamento. Só fiquei sabendo do ocorrido porque outra sobrinha do monstro, que é uma grande amiga, contou-me tudo.

E depois, quando digo que tenho muita dificuldade em confiar nos homens, sou chamada de feminazi. A gente é bombardeada por notícias como essas todos os dias; São pais, irmãos, primos, tios, namorados, maridos estuprando, agredindo e assassinando mulheres, o tempo TODO. Tá complicado, em quem a gente pode confiar?
Cheguei a recusar a carona de um conhecido hoje de manhã, por medo de ficar sozinha com ele. Paranoia minha ou não, prefiro não arriscar... Não desejo ser vítima desse tipo de monstruosidade mais uma vez.

Anônimo disse...

Esse caso Elisa Riemer, em q a mãe defendeu o filho, me fez pensar nas diferenças que existem na criação dos meninos e meninas. Eu já vivi isso e amigas que têm irmãos tb viveram: Os pais ( principalmente a mãe ) tratam os meninos de uma forma diferente, protegendo-os mais. São como os reizinhos da casa.
A questão do desrespeito a mulher, começa dentro de casa, por parte dos próprios pais.

André disse...

Lorena,
Opiniões do que vocês chamam de mascus, como a do Carlos de que 89,1% dos homens são estupradores em potencial, não merecem resposta ou indignação porquê são fruto de ignorância e ressentimento. Mas dá para ficar um pouco chateado quando pessoas esclarecidas assumem que todos nós pensamos como eles.
Quanto à opinião da sociedade que se expressa, por exemplo, na forma de vagões exclusivos para mulheres e outros pequenos privilégios, creio que a maioria entende que é o preço a se pagar por viver num país atrasado.
O problema do estupro é factual. Mas como acelerar uma solução se até mesmo a discussão sobre a "cultura do estupro" não consegue ser feita? Como fazer uma mudança cultural? O que impediria que a cultura "evoluísse" na direção desejada pelo Bolsonaro, por exemplo?

Maicon Vieira disse...

Bruna B., e qual foi o motivo dessa agressão?

Anônimo disse...

Bruna B.,

O processo corre em segredo de justiça porque envolve menor de idade, e também porque trata de crime sexual. Nada a ver com o $ do Réu.
Não vamos criticar só por criticar, por favor.

E essas situações são bem mais comuns do que vocês podem imaginar.. A maioria dos estupros aontece dentro de casa, com conhecidos, principalmente familiares.. Vide alguém mais em cima, que falou da menina de 14 anos estuprada dentro de casa, e a história que você acabou de contar..

Lorena disse...

André,

Não acho que todas as pessoas pensem assim, de forma alguma. Estamos todos aqui debatendo o assunto e acredito que a maioria dos comentadores não pensa assim. Quando falo a sociedade, falo a maioria, obviamente. Não vista uma carapuça se ela não te serve, André, por favor. Mas não acho que a opinião descrita pela Lola, ou a opinião do Carlos, seja a da minoria. Quando a sociedade culpa a mulher pela violência que sofreu, quando vemos mais pessoas preocupadas em "alertar" as mulheres sobre os cuidados que precisam ter para não serem estupradas do que focadas no agressor, percebemos que o pensamento do homem como potencial estuprador é social. Não é meu, não é das feministas. Quando alguém diz "também, com essa saia, esperava o que??", está dizendo que é ""natural"" que homens estuprem se houver brecha.

Eu não concordo com isso, de forma alguma. Não acho nada normal, não acho que é instinto nem que é inevitável. É completamente evitável! Homens não são seres bestiais, são seres humanos, como nós mulheres. "Instinto selvagem" quem tem são animais, não seres humanos. Todos somos capazes de conter nossa vontade de cometer um ato criminoso, se quisermos. Então por que o estupro é um crime tão recorrente?? Sem comparar com assalto ou roubo, estamos falando de um crime de lesão, uma agressão física e psicológica. Por que é tão recorrente e tão pouco combatido? Por que não é noticiado como deveria, por que não é debatido como deveria?

Você me pergunta como mudar a situação? Com o debate e a discussão aberta sobre o tema. Com a educação menos sexista. Mostrando às pessoas que mulheres somos GENTE e precisamos ser tratadas como gente. Não adianta falar em leis e penas, como eu já disse, se os agentes envolvidos no processo não conseguem perceber a gravidade dessa violência. Então não tem jeito, temos que falar do assunto, temos que debater o assunto e temos que educar! Só assim pra mudar a cultura.

transfeminismo.com disse...

Lembrando que ainda que usassem o argumento do "é como ensinar assaltantes a não assaltar" teríamos como contra-argumentar que, se o modelo falido machista de masculinidade produz estupradores, o modelo falido de capitalismo (e o próprio capitalismo em si) produzem os assaltantes... Os argumentos de reabilitação são o "ensinar o assaltante a não assaltar", vcs devem lembrar das criticas recente as "prisões de luxo" da Suécia, só que a suécia tem taxa de 20% de reincidência com mais ou menos 70 presos por cada 100 mil habitantes...Logo, podem reclamar o quanto quiserem, mas funciona e muito bem. Então é plenamente possível criar políticas publicas tanto para ensinar o homem a não estuprar, quanto para ensinar o assaltante/criminoso a não cometer crimes...

Anônimo disse...

Anônimo disse...
debate-se demais o que acontece fora do Brasil,acho que a gente precisava discutir mais o que acontece no próprio país da gente.
18 de julho de 2012 09:31

comportamento típico do "brasileiro que se acha" e isso é abrangente se importar mais com o lá fora do que com o cá dentro. acham lindo serem bem informados kkkkkkkk e propagar o lá fora cá pra dentro.

Bruna B. disse...

Maicon Vieira disse...
"Bruna B., e qual foi o motivo dessa agressão?"

Não sei o motivo, algumas pessoas afirmam que foi homofobia... mas enfim, o motivo realmente importa para condenarmos esse tipo de atitude? Por acaso achas que ela deve ter dado um motivo pra ele espancá-la?
O que sabemos é: A moça foi espancada até desmaiar e teria sido morta se a polícia não chegasse a tempo. PONTO.

Uma coisa que me deixou pasma foi a mãe dela afirmar que aquilo foi uma 'briga comum de irmãos' (como se uma tentativa de homicídio fosse algo absolutamente normal) e que 'graças a deus' a filha não ficou com sequelas, mas que nada disso torna o filho dela um homem ruim, o coitadinho é bonzinho e só cometeu um erro.



Anônimo disse...
Bruna B.,
"O processo corre em segredo de justiça porque envolve menor de idade, e também porque trata de crime sexual. Nada a ver com o $ do Réu.
Não vamos criticar só por criticar, por favor."

Não me referi ao fato de o processo correr em segredo de justiça. Quando falei do dinheiro do monstro, apontei para o fato de ele ter sido pego em FLAGRANTE e AINDA estar em liberdade. Garanto que se fosse pobre estaria aguardando o julgamento atrás das grades. Fico aqui imaginando se ele não terá coragem de estuprar mais algumas crianças até que o julgamento ocorra, fico pensando em quantas pessoas nem desconfiam que ele é esse tipo de monstro. E isso me preocupa, MUITO.

E sei muito bem como a maioria dos estupros acontece. Nós, feministas, falamos disso todo dia. Quem faz questão de negar a realidade e afirmar que somente os maníacos-psicopatas-loucos estupram são os machistas/mascus.

Maicon Vieira disse...

Bruna B,, para condenar não, mas é importante saber o motivo.

André disse...

Lorena,

Sinceramente não vejo debate, vejo muito mais concordância elogiosa ou simples indignação. Que existe machismo no Brasil não há dúvidas, mas será que é tudo culpa do machismo? Como se explica que a polícia e a sociedade destratemas vítimas de outros tipos de crimes como assaltos e furtos? Criminalizar o uso de minissaia ou a ostentação de tênis caros não tem, pelo menos em parte, causas comuns? Claro que existem nuances em cada caso, mas eu penso que um diagnóstico correto do problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Como se combate o machismo? Com lentas mudanças culturais? Como se combate a ineficiência policial se essa fica escondida sobre o manto do machismo cultural e não da falha grotesca dos procedimentos? Como evitar os casos que ocorrem no silêncio dos lares problemáticos se a simples cobrança por atenção das pessoas mais próximas das vítimas preferenciais (normalmente mães e tias) já é considerado machismo? Para não ficar apenas na retórica, que medidas você sugeriria como forma de "debater o assunto e educar"?

Lord Anderson disse...

E é um caso mais teneboroso que o outro:

norte-americano finge ser a esposa e coloca anuncios pedindo por estupro:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/07/americano-finge-ser-sua-esposa-e-cria-anuncio-pedindo-estupro-dela.html


Eu não sei que tipo de mentalidade tem um canalha pra fazer algo assim...

Cora disse...

sobre a agressão à Elisa, absurda sob qualquer ponto de vista. o irmão continuou a agressão mesmo depois da moça inconsciente!!!

ela fez este cartaz, mas não sei se a agressão está relacionada à homofobia. a mãe diz que eles começaram a brigar e se agredir sem motivo aparente, o q me parece ainda mais grave. ele mandou a irmã pro hospital!!

Priscila disse...

Eu tenho duas meninas e sou exremamente paranóica, elas não dormem fora de casa nunca, casa de coleguinha nunca. Sou taxada como paranóica o tempo todo inclusive pelas mulheres da minha família.
Minha mãe qdo morava sozinha eu deixei minha filha dormir lá umas 3 vezes pois ela só tem 5 anos, agora que ela tem namorado ESQUECE , não vai ir mais.
Infelizmente a gente tem que resguardar as nossas meninas, orientá-las e protegê-las militando dando exemplo, batendo de frente com os machistas e torcendo para que a realidade mude...
O tomar cuidado infelizmente tem que ser feito, que seja combinado com a luta, mas tem que existir.
EU alerto o tempo todo as outras mães... mesmo que seja contando histórias que eu leio aqui e dizendo o quão importante é a gente mudar a visão que a gente tem das mulheres estupradas pois elas poderiam ser as nossas filhas.

Esse blog tem me feito mudar bastante a minha opinião sobre as mulheres em geral pois eu era daquelas que falava mal se uma colega vinha com algum decote trabalhar, hoje em dia além de não falar mais ainda defendo.

Viva a informação!!!!

Lorena disse...

André,

"Que existe machismo no Brasil não há dúvidas, mas será que é tudo culpa do machismo? "

Não é tudo culpa do machismo, mas no caso do estupro ele tem GRANDE parte da culpa, se não a maior parte. O machismo, além de objetificar a mulher, também é causa da falta de empatia com a vítima, piora a culpabilização da mesma, inibindo as denúncias. Faz com que a mulher (ou o homem) sofra calado, e pior, assumindo uma culpa que não tem. André, neste extamo momento eu estou tendo que consolar uma menina de 17 anos que foi abusada ontem à noite, por um rapaz quase da mesma idade que ela. E ela se sente culpada, mortificada de culpa. Por mais que eu diga pra ela que a culpa NÃO é dela, a sociedade diz que é, e se livrar dessa culpa é um processo longo. Porque, afinal de contas, ela estava em companhia de meninos, se ela não estivesse lá... Não é assim que pensa a maioria?

"Como se explica que a polícia e a sociedade destratem as vítimas de outros tipos de crimes como assaltos e furtos? "

Aí depende muito, André. Qualquer vítima de assalto ou furto é destratada? Você acha que se uma BMW for roubada, ou uma mansão for assaltada, as vítimas desses crimes será destratada? A polícia, em mtos casos, é mal-preparada sim. E outra coisa, não é porque o sujeito se torna policial que deixa os preconceitos dele de lado na hora da atuação profissional. Mulheres vítimas de estupro, homossexuais, travestis, negros e pobres sabem disso muito bem. Qual a solução para que policiais passem a ver essas pessoas como seres humanos que merecem respeito? Educação e conscientização, na minha opinião. Se a pessoa aprendesse a conviver com as diferenças na escola, ainda que não recebesse esse ensinamento em casa, tenho certeza que a situação seria diferente. Se a escola fosse um ambiente menos sexista, que respeitasse minorias, que lutasse contra racismo, homofobia, xenofobia, etc, com certeza a situação seria diferente.

"Criminalizar o uso de minissaia ou a ostentação de tênis caros não tem, pelo menos em parte, causas comuns?"

Estou levando em consideração que esse seu "criminalizar" é metafórico, porque nada disso é crime e nem deveria ser. Se você está se referindo a culpabilização da vítima em ambos os casos, de estupro e de assalto, só podemos aceitar que essa culpabilização tem causas comuns se equipararmos a violação do corpo de um ser humano com o furto de um tênis caro. Eu me recuso a fazer essa equiparação, porque pra mim ela não existe. Não é a mesma coisa. Até porque estupros não ocorrem apenas a mulheres de minissaia. Mulheres de burca são estupradas diariamente. Num país teocrático, o homem que furta pode ter a mão cortada como pena do crime. Um homem que estupra leva a mulher violentada "de brinde", como esposa. Então não, de forma nenhuma têm as mesmas causas.

"Como se combate o machismo? Com lentas mudanças culturais? "

Como você combate o machismo, André?
Eu combato diariamente, informando, educando, dando minha opinião, fazendo as pessoas repensarem suas atitudes, suas palavras... Quando tiver meus filhos, vou fazer questão de dar-lhes uma educação não-sexista. Quando voltar a dar aulas, vou fazer questão de, como sempre fiz, discutir essas questões com meus alunos. Sim, é assim que eu acredito que o mundo pode mudar, eu fazendo a minha parte e você fazendo a sua. A mudança não vai acontecer amanhã, mas se eu não começar hoje, ela não acontecerá nunca.

"Como se combate a ineficiência policial se essa fica escondida sobre o manto do machismo cultural e não da falha grotesca dos procedimentos?"

Essa eu devolvo pra você, como combater essa ineficiência sem passar pela educação dessas pessoas que se tornam policiais???

Lorena disse...

"Como evitar os casos que ocorrem no silêncio dos lares problemáticos se a simples cobrança por atenção das pessoas mais próximas das vítimas preferenciais (normalmente mães e tias) já é considerado machismo?"

Nem sempre as pessoas próximas da vítima percebem o que acontece. E qndo percebem e nada fazem, você não está errado, é machismo mesmo. Não a cobrança, mas a base de toda a situação. Ou porque essas pessoas acham que "é assim mesmo", quando ainda não culpam a criança ou adolescente por "provocar" o agressor. Ou porque são lares onde o homem é o provedor e o opressor da família inteira, inclusive dos parentes que poderiam fazer alguma coisa, mas não fazem por estarem presos nessa teia, etc... Ou simplesmente são coniventes com o crime. Eu estou falando superficialmente, óbvio, porque essa é uma situação com variáveis diversas, muita coisa pode estar envolvida.
Eu não sei como evitar esses casos, eu confesso. Não sei porque estou tão desesperadamente desiludida que não consigo imaginar uma solução. Mas já percebi que prender os agressores não diminui os casos. Então eu só posso dar minha resposta de sempre: educação. Ensinando que o corpo das pessoas não deve ser violentado, em hipótese alguma. É pra amanhã essa solução? Não, não é. Mas, novamente, em algum momento precisamos começar, dar o pontapé inicial.

Qual é a solução que você me dá??

E sobre debater o assunto, sabe o que eu adoraria?? Que a mídia tratasse do assunto de forma séria. Que desse nome aos bois quando fala de violência de gênero, que parasse de usar o termo "crime passional", que parasse de objetificar a mulher na sua programação, nas suas propagandas... Nós sabemos que, pelo menos no nosso país, somos uma população de teleguiados. Acredito que se o assunto fosse debatido na TV, mesmo, de forma séria, muita coisa poderia mudar. Além disso, nas instituições de ensino, volto a frisar (sou professora, não tem jeito) é imprescindível que haja uma educação menos sexista nas escolas. Em casa também, óbvio, mas mudar a população adulta que aí está é mais difícil. Mudemos então o futuro dos nossos filhos! Pra que minha filha ou a sua não sejam vítimas no futuro.

E você, André, que soluções me dá para todas essas questões que levantou??

Cora disse...

André,

declarações de mascus merecem atenção e indignação porque circulam como inocentes. Circulam como verdade. Você viu o link com a “piada” (“mulheres adoram homens com atitude! Estupre!”) que circulou no fb durante vários dias? O garoto que postou a “piada” gastou bastante tempo defendendo a “piada”, dizendo que não é apologia ao estupro, dizendo que é “apenas” brincadeira, dizendo que a indignação das mulheres e de alguns homens era cerceamento da liberdade de expressão!!!!!! Como que dizer que mulheres adoram ser estupradas pode ser considerado piada? Como dizer para os homens estuprarem pode ser considerado liberdade de expressão??

Acontece que o problema existe de fato. Mulheres são estupradas todos os dias no brasil e no mundo. Não é um problema local. Não é um problema desta sociedade. Como que vc diz que estupro é factual? O que vc quer dizer com isso?

Nós não fazemos outra coisa além de tentar discutir a cultura do estupro. Nós, aqui no brasil, e outras pessoas, principalmente mulheres, no mundo inteiro não tentamos outra coisa!!! Precisamos de mais pessoas, homens inclusive, que se disponham a debater sobre isso.

Junte-se a nós, André!

Aqui na Lola nós dizemos o tempo todo que não concordamos com as falas dos mascus!! Tudo o que é dito e feito aqui é o exato oposto do que dizem os mascus. Mas vc está criticando as mulheres daqui e não os mascus!!!

Quando aparece um homem aqui que não pensa como eles esses homens são festejados!!! Vc sabe disso, acompanha os debates aqui.

Então, não entendendo a sua queixa, André, não entendo.

Olha um exemplo de como mulheres são agredidas por serem mulheres, André: Um casal foi vítima de sequestro relâmpago. Violência à qual todos, independente do sexo, estamos sujeitos. No entanto, a moça ainda foi estuprada e, só depois, o casal foi abandonado. Por que o estupro?

E tem ainda essa notícia postada pelo Lord Anderson. Cê tá entendendo o problema?

Como se combate o machismo? Acredito que o primeiro passo seja reconhecê-lo. Só assim podemos mudar atitudes. Mudar a forma de ver a mulher. Entender que o corpo da mulher é tão inviolável quanto o corpo de um homem, não importa quantos anos a mulher tenha, nem o lugar em que ela esteja e nem o seu comportamento ou a roupa que esta vestindo. Mudar a forma de fazer campanhas publicitárias, mudar a forma de fazer piadas.

Sem retórica, André, o primeiro passo é reconhecer que o machismo existe e reconhecer nossas atitudes machistas. De homens e de mulheres. Eu combato atitudes machistas o tempo todo no meu cotidiano. Quando um homem me diz, sem nenhuma intenção, “as mulheres primeiro”, digo sem agressividade alguma, que não é este o tipo de respeito que espero dele. Falo numa boa mesmo, sem cobrança, sem cara feia, mas acho importante eliminar qualquer traço machista de nossas falas e de nossas atitudes. Por menor e mais inocente que ela pareça.

O que a Lola faz aqui é debater e educar.

Junte-se a nós, André!

Cora disse...

André,

como a Lorena, também gostaria de saber o que vc sugere para as questões que levantou.

André disse...

Lorena,
"Não é tudo ..."
Estava me referindo ao combate ao estupro e não sobre o que o causa. O que você chama de machismo eu chamaria de lei do mais forte que ainda impera em contexto sociais degradados.

"Aí depende ..."
Acho complicado misturar a questão social porque torna ainda mais complexo algo já bastante complicado. Mas veja que mesmo as classes ditas privilegiadas, como a classe média, é destratada nas delegacias (mesmo o policial sendo negro ou mulher) e sofre com o preconceito anti-ostentação por parte da sociedade. Até entendo que a sociedade faça isso como um mecanismo de defesa, uma racionalização do imponderável, mas a segurança pública deveria ser tratada com mais rigor metodológico.

"Estou levando ..."
Obrigado por fazer a interpretação mais favorável, as vezes deixamos lacunas no pensamento que se forem preenchidas com má vontade torna o debate impossível. De fato onde eu escrevi criminalização deveria ser culpabilização. Claro que em termos de danos psicológicos um furto é menos grave que um assalto ou um estupro. Mas não é por isso que não podemos colocá-los lado a lado quando se trata de analisar a questão da segurança pública. Também acho complicado misturar realidades distintas como as existentes na Índia, Arábia Saudita e Brasil, porque ao aglutinar muitos casos distintos o que resta em comum tende a mascarar aspectos locais importantes.

"Como você ..."
Eu tento fazer minha parte, educando meus filhos e discutindo o assunto quando ele se apresenta. Mas nessa questão do estupro não creio que combater o machismo seja a solução.

Mais tarde eu completo os demais itens.

Lorena disse...

"Mas nessa questão do estupro não creio que combater o machismo seja a solução."

Combater o machismo é uma das soluções, e disso tenho certeza absoluta, André. Se combatermos a submissão da mulher, a nossa objetificação, se garantirmos os direitos iguais, se ajudarmos a criar gerações menos sexistas... Nossa, como já vai melhorar! Se as pessoas deixarem de ver o corpo de uma mulher como objeto de satisfação sexual do homem, e não como um corpo com vida e direitos, dignidade e vontade próprios, como as coisas já melhorarão!

Aí, talvez, estupro passe a ser realmente coisa de psicopatas que espreitam em becos escuros.

Cora disse...

André,

como você entende o machismo? o que é machismo?

Lorena disse...

Cora, tive a mesma dúvida! rs

André disse...

Cora,
Claro que se deve denunciar sites que pregam o ódio ou incitem crimes, mas ficar aqui discutindo comentários malucos de trolls é contraproducente. Basta clicar no ícone laranja que nem se terá o desprazer de lançar uma visão periférica que seja nas loucuras que esses caras escrevem.

Tenho para mim que machismo é a crença que os homens são superiores às mulheres. Mas esse é um termo muito vulgarizado, já tive colegas pseudofeministas que xingavam de machistas os caras que não praticavam certos cavalheirismos repudiados pelas próprias feministas.

Claro que qualquer preconceito que as pessoas tiverem vai ser refletido em suas ações. Assim como as pessoas racionalizam um assalto usando uma moral católica da pobreza contra a ostentação, outras racionalizam o estupro usando o machismo como muleta lógica. Não creio que seja por maldade que façam isso, é apenas uma mencanismo de defesa para não ter que adimitir a aleatoriedade da vida. O que eu acho é que culpar unicamente o machismo e esperar uma mudança cultural da sociedade é paralizante.

Anônimo disse...

André é mascu e não vai concordar com o mais salutar argumento. Pra começar, dizer que combater o machismo não é uma solução no caso do estupro é negar que estupros ocorrem motivados pelos machismo (ora, o que aconteceu na índia foi motivado pelo que?). Pra continuar, esse discursinho da ostentação do tênis é o mesmo do rolex na favela já foi postado aqui mil vezes por mil mascus diferentes(a mulher de roupa curta seria o rolex; a favela, os homens - sério, coloca a gente toda da favela como possível criminosa e todos os homens como possíveis estupradores, ou seja, não é o feminismo que tem esse discurso). Pra findar, não percam tempo com o André. Gente saudável (porque mascu só pode ser doente) já teria falado sim aos argumentos sensatos de vocês ou, antes, aos fatos.

Alice

Mihh disse...

Não está fácil ser mulher na Índia.

http://f5.folha.uol.com.br/humanos/1122417-indiano-e-detido-por-instalar-cadeado-na-vagina-de-sua-mulher.shtml

E também gostaria de saber o que o André entende como machismo.

André disse...

Uma correção, quando o troll posta como anônimo, mesmo assinando o nome, não dá para suprimir o comentário do infeliz.

André disse...

Alice,
Claro que o fim do machismo e a plena fraternidade entre as pessoas seria a solução de todos os problemas. Mas você está disposta a esperar por isso? Eu não. Minha filha já tem 5 anos, eu quero que algo aconteça pelo menos a médio prazo. Uma redução da impunidade devido a um melhor preparo da polícia e da justiça seria um bom começo. Isso não quer dizer que não devamos lutar por um mundo ideal, mas cuidado com as armas de sua luta, lembre-se apenas que o Bolsonaro vai lutar por um mundo ideal também.

Mihh disse...

André, então diga, o que causa o estupro?

Sério, todos os seus posts são a descrição do homexplicanismo.

O pouco que conheço dos casos de estupro são justificados assim:

- ela provocou
- olha a roupa que ela estava usando
- ela não se deu o respeito
- ela já deu para vários
- qual o problema?
- homens são seres instintivos
- é só sexo
- lugar de mulher direita não é na rua/sozinha/sem seu macho.


[Willy Wonka cético mode on]
Então estupro não é derivado de uma cultura machista. Conte-me mais sobre isso. [/Willy Wonka cético mode off]

E digo tudo só para não reduzir você simplesmente a um mascu.
Se você quer uma mudança no médio prazo para um mundo melhor para sua filha, porque não começa por você mesmo, admitindo que A CULPA É DO MACHISMO SIM.

carolinapaiva disse...

A impunidade nos casos de estupro está diretamente ligada com o sentimento de culpa e vergonha que a mulher sente ao passar por uma violência sexual.
Essa vergonha ocorre porque a mulher se sente suja. O pensamento de que mulheres "perdem o valor" quando fazem sexo é uma das causas dessa vergonha.
Outro motivo é o medo de julgamento, porque as pessoas tendem a colocar a culpa do estupro na mulher, que "provocou", que "andou sozinha", etc.
Outro problema é o modo como essas mulheres são tratadas na delegacia e no hospital. Muitas relatam que foram alvo de deboches e de agressões verbais, além de não terem sido bem informadas sobre seus direitos.
Mudar o pensamento das pessoas é demorado sim, mas temos que começar desde já, e não ficar no eterno fatalismo de que "as coisas são assim e nunca vão mudar".
Para essa gente, qualquer mudança é muito "radical".
A médio prazo, um melhor preparo de delegacias e hospitais é essencial, bem como campanhas alertando para a importância de denunciar a violência e acreditar nas vítimas.
A maioria dos estupros ocorre dentro de casa, por alguém conhecido. É importante também alertar a população para esses dados e o que fazer caso haja suspeita de abuso.
A impunidade nos casos de estupro ocorre pela desinformação e pelo machismo.

Anônimo disse...

Cinco anos de campanhas sobre estupro e abuso sexual relacionadas ao machismo são mais que o suficiente para reduzir significativamente esse tipo de violência. Portanto, no médio prazo, nada melhor que educação igualitária (inclusive dentro das delegacias) para vencermos a violência de gênero.

Cora disse...

André,

não sei qual a situação com as “pseudofeministas” que vc critica. Deixar de ser cavalheiro na concepção do patriarcado é muito diferente de ser babaca.

Sem contar que existem muitas mulheres machistas. Criticar atitudes machistas de mulheres dizendo que são feministas é um equívoco imenso. Não é por ser mulher que se é feminista.

Mas, pensando que vc está aqui criticando as mulheres que estão debatendo problemas e situações reais, num esforço pra mudar mentalidades através do diálogo e colaborar pra tornar o machismo anacrônico, fico imaginando o que deve ter acontecido.

Quando eu percebo que alguém está equivocado, eu falo. Normalmente questiono a atitude ou a opinião, sempre numa boa (estou sempre disposta ao diálogo). É muito melhor do que ficar calada pra malhar depois.

Eu prefiro deixar pulgas atrás das orelhas das pessoas, do que ficar malhando atitudes com as quais não concordo. De certa forma, isso me torna um “alvo”. Qualquer coisa que aconteça, os olhares se voltam pra mim, esperando a minha reação. Às vezes é chato, mas eu não preciso da aprovação de todo mundo pra viver. Sem contar que a minha atitude fortalece atitudes semelhantes de outras pessoas. Rola identificação e, rapidamente, adesão.

O fato das pessoas não saberem o que é machismo, não o torna menos perigoso (ao contrário). Como eu disse, precisamos reconhecê-lo para combatê-lo. Ajude as pessoas com as quais vc convive. É o que eu faço, diariamente. Repense suas atitudes. Faço um esforço imenso pra fazer isso diariamente também.

O machismo não é o único culpado por todas as mazelas do mundo, mas é responsável por muitos dos problemas enfrentados pelas mulheres e pelos homens. Ignorá-lo ou minimizá-lo não o fará desaparecer.

É preciso enfrentá-lo. Do contrário, daremos munição pros bolsonaros, malafaias, macedos e mascus da vida. Vc acha que os mascus não são perigosos? Veja como eles e as “piadas” deles são populares entre os jovens. É isso que devia te preocupar. E não nossas críticas a eles.

Ah! Ainda não entendi o que vc propõe pra questão da violência contra a mulher. Vc poderia ser mais claro?

André disse...

Cora,
Não critiquei as pseudofeministas (pseudo por se chamarem assim e defenderem atitudes machistas), quero crer que um dia irão aprender que machismo não é o contrário de cavalheirismo. Dei um exemplo de como conceitos podem ser confusos.
Não tenho soluções, tenho perguntas e algumas experiências, e reconheço que a luta por igualdade pode ajudar. O que eu sempre critico é apenas a atribuição exclusiva do problema a uma questão social, o que acaba ajudando a esconder as deficiencias de procedimentos e a levando a um campeonato de quem sofre mais, as vítimas de estupro (pela crueldade do crime) ou de assaltos e assassinatos (pela quantidade de vítimas).

Amanda Lirian Gonzalez disse...

Lola, eu adorava o seu blog até ler a besteira que vc falou sobre o comentário daquela delegada. Escuta, eu trabalho na polícia como estagiária e afirmo que a delegada tem razão. Sim, os estupradores e assaltantes atacam as pessoas desatentas. Mulheres não têm o direito de andar desatentas? Não, mas quem tem hoje em dia? Nem os homens têm esse direito! A delegada está certíssima em seu conselho, e você a criticou simplesmente porque ela falou a verdade e deu uma boa dica. Olha, Lola, eu te admirava muito, mas agora você exagerou. Se liga. Preste um serviço mais útil à sociedade e divulgue orientações de segurança ao invés de bater de frente com o mundo e com quem está tentando ajudar. Nem precisa aprovar o comentário, ou respondê-lo, ou seja lá o que for. Você adora esculhambar/cortar todos que têm uma opinião diferente da sua. Quer saber? Vá se danar, Lola. Dane-se você e esse seu blog, que já encheu.

yulia2 disse...

Infelizmente O Brasil não é muito diferente da India.....
aqui também estuprar é ok... é normal pois a culpa é da mulher que estava vestida assim, ou desacompanhada, ou andando alta horas da noite....
a culpa sempre sempre sempre é da mulher. como ja disse alguém... crime é ser mulher.

qual será o dia que homens serão educados a não estuprar???

yulia2 disse...

Amanda Lirian... sua postagem não contribui em nada... vc é mais uma machista validadora da cultura do estupro e nada mais. Sob o falso manto da segurança vc vomitou seu reacionarismo e duvido que algum dia vc tenha admirado o blog ou a Lola...
Se vc leu o tópico todo, ela estava se tratando não somente criminosos comuns mas TODO E QUALQUER HOMEM o homem comum também e estupra e na cabeça dele, TA TUDO BEM!
Não é a gente que tem que se engaiolar em casa é o homem que tem que parar de estuprar e acima de tudo A POLICIA TEM QUE SER MAIS COMPETENTE!!! a gente paga essa porrilhões de impostos pra que então??? E vaza mesmo daqui Amanda (ou AMANDO..vai saber..)ao invés de postar aqui seu machismo, vá ajudar a policia a fazer seu trabalho direito! Preste um serviço mais útil a sociedade vc! AMANDO....

yulia2 disse...

Tenho para mim que machismo é a crença que os homens são superiores às mulheres. Mas esse é um termo muito vulgarizado, já tive colegas pseudofeministas que xingavam de machistas os caras que não praticavam certos cavalheirismos repudiados pelas próprias feministas
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mas o machismo É A CRENÇA DE QUE O HOMEM É SUPERIOR A MULHER.
e não sei da onde vc tirou que essas mulheres são pseudo feministas.... não .. ELAS SÃO MACHISTAS MESMO.
jamais em tempo algum elas foram feministas....

yulia2 disse...

A gente lê uma coisa dessas vinda de um homem e ainda tem gente que não entende POR QUE nós mulheres vemos qualquer homem como potencial estuprador! Não somos nós que acusamos os inocentes, são os próprios homens/mascus/sociedade que diz que o homem é um ser irracional que não sabe viver em comunidade, que precisa viver isolado. Por favor, homens, lutem contra essa visão!
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Isso é patifaria deles!!!
Quando eles querem se controlar , quando INTERESSA se controlar eles se controlam direitinho!!! Não tem essa não.
Quando não interessa... eles vem com esse mimimimi de que são instintivos e o cacete a quatro...
se fosse assim, eles não ocupavam as várias esferas de poder.
A verdade é uma só... É CONTROLE SOCIAL SOBRE O CORPO DA MULHER, e eles querem manter isso a todo custo!!! esse papo de que não se controlam é mentira e uma forma de nos manter ETERNAMENTE acuadas, com medo e sem poder pra nada!

Cora disse...

André,

se defendem atitudes machistas não são feministas. Por isso disse que vc deveria confrontá-las. Não no sentido de brigar, não como desaforo, mas pra mostrar a incoerência mesmo. Estamos todos imersos nessa cultura. Muitas vezes podemos escorregar e errar. Quando uma pessoa percebe e chama nossa atenção (não como bronca, cê tá entendendo, né?), nos força uma reflexão. Passamos a ficar mais atentos às nossas atitudes, às nossas falas, às nossas ideias. Eu faço mesmo isso. E, quando escorrego, gosto que meus amigos ou colegas de trabalho ou debatedores numa caixa de comentários, apontem minha incoerência. Mil vezes repensar algo que disse e melhorar meu entendimento de qualquer assunto, do que continuar cometendo o mesmo erro.

É claro que os conceitos podem ser confusos, por isso devemos pensar e falar sobre eles.

Só pra vc ver como a gente tem muito o que debater ainda, tem muito homem que acha que feministas gostam de ser tratadas com grosseria. Eu não fico discursando por aí e nem proclamando que sou ou não feminista. Mas sempre que questiono qualquer coisa do senso comum em relação aos papéis de gênero (e eu faço isso o tempo todo), sou imediatamente rotulada de feminista. Óbvio que não me incomoda. O caso é que, a partir desse momento, receberei uma série de olhares, indiretas e tratamento “diferenciado”. Não me incomodo com nada disso mesmo, pq sou sempre muito direta e falo pra caramba. Além do que, com o tempo, as coisas sempre melhoram. Mas, se eu ficar quieta só falando pelas costas, não estarei ajudando em nada, compreende? Eu quero contribuir com as mudanças que considero importantes.

Ter soluções é muito difícil. O caso é que criticar as coisas erradas também não ajuda. A Lola tem um blog feminista. Ela debate o feminismo e o machismo. Não dá pra ela também falar sobre os problemas da segurança pública num sentido mais operacional, administrativo, percebe?

Ninguém aqui nega que a estrutura das polícias deve ser repensada. Ninguém aqui nega os problemas de salários. Ninguém aqui nega os problemas de corrupção. Mas a Lola tem um foco de debate. Ninguém aqui diz que o problema é exclusivamente social. Até por isso não discutimos assaltos e sequestros. Isso não quer dizer que estamos minimizando ou ignorando esses problemas. Significa apenas, que estamos focados no machismo e no feminismo. Entendemos que a violência de gênero tem um forte componente machista e estamos tentando atuar nesta frente. Isso não impede nenhuma outra luta e nenhuma outra forma de atuação. É só que não dá pra gente fazer tudo ao mesmo tempo agora.

Você tem uma filha. Eu, além de ser mulher, tenho sobrinhas (bebês ainda). Quero um mundo melhor pra mim, claro, mas faço muito pelo futuro delas, pensando nelas. Não quero que elas escutem que devem se dar o respeito. Quero que sejam respeitadas e ponto.

Você já ouviu alguma vez que tal homem não se deu o respeito e por isso ouviu tal comentário ou sofreu tal violência? Pois então. Essa fala não deve fazer sentido pra mulher também. No dia em que esta fala for um absurdo, as coisas estarão melhores. E temos que começar essa mudança agora. Ou melhor, temos que acelerar uma mudança que começou há muitos anos atrás.

Por isso, eu repito: Junte-se a nós!

Cora disse...

"A verdade é uma só... É CONTROLE SOCIAL SOBRE O CORPO DA MULHER, e eles querem manter isso a todo custo!!! esse papo de que não se controlam é mentira e uma forma de nos manter ETERNAMENTE acuadas, com medo e sem poder pra nada!"

yulia sem meias palavras!

direta e certeira!

por onde andavas, guria?

Bruna B. disse...

Em pesquisas realizadas por Margo Paine, relatadas no livro Body Wars, estas foram as estatísticas coletadas:

8% dos homens universitários já tentaram ou foram bem sucedidos em estuprar alguém.

30% admitiram que estuprariam alguém se não houvessem consequências legais.

Quando o termo “estupro” foi substituído por “sexo forçado”, 54% dos homens admitiram que estuprariam.

83.5% dos homens argumentaram que “Algumas mulheres parecem que estão pedindo pra serem estupradas”

1 em cada 6 mulheres (e um em cada 33 homens) serão vítimas de estupro ou de tentativa de estupro durante suas vidas.

André disse...

Cora,
Quando eu era mais novo me envolvia mais em discussões desse tipo. Nunca fui muito bem sucedido dada minha timidez, se a outra parte levanta um pouco a voz eu prefiro tirar o time de campo porque não acredito que poderá haver algum progresso. Aqui mesmo no blog, onde podemos elaborar um pouco mais as idéias e tentar filtrar ao máximo qualquer agressividade, sempre surge alguém querendo nos calar com acusações de mascus/scum e homexplicanismo/histeria.
De fato, a dona do blog pode fazer a discussão a partir do ponto que ela ache mais relevante. Mas creio que nos comentários seria válido utilizar outros pontos de vista.

yulia2 disse...

yulia sem meias palavras!

direta e certeira!

por onde andavas, guria?
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hehehe , tudo bem? tava estudando demais aí
eu dei uma paradinha para vir aqui ver como andam as coisas e gostei do novo formato, melhorou bem aqui.. pelo menos evita as nessahetes.
bjs!

Cora disse...

André,

não falo de brigas, pegação no pé, discurso panfletário ou pregação, não! Ninguém aguenta isso o tempo todo!! Nem mesmo quem discursa!

Falo daquela pergunta que coloca a pulga atrás da orelha, daquele comentário que revela a impropriedade de uma piada ou de uma fala depreciativa, do exemplo que desmonta um estereótipo, essas coisas. Não fico fazendo discurso não!! Às vezes um simples “por que?” já basta pra semear a dúvida e levar à reflexão. A mudança, se houver, não é imediata. Nunca é imediata. Todos precisamos digerir e processar as informações, os estímulos. Isso tudo leva tempo. Se a outra parte levanta a voz, é melhor recolher as armas mesmo e deixar qualquer outra coisa a ser dita pra outro momento. Mas isso não significa ter perdido. A pessoa pode muito bem pensar melhor depois, e perceber que seus argumentos faziam sentido. Já vi acontecer. Uma vez, depois de uma discussão até meio áspera, a pessoa, um homem, disse, depois de vários dias: ó, pensei no que vc falou e percebi que eu estava errado. Nem sempre a pessoa vai te dizer assim com todas as letras, o que não significa que não tenha pensado naquilo que vc falou.

Acontece direto com a Lola. Ela já contou alguns casos aqui, em que a pessoa percebe o machismo e suas próprias atitudes machistas. Acontece mais com mulheres, mas com homens também, pode crer.

E isso acontece para o bem e para o mal. Estou aqui falando de um discurso que pretende tornar as relações mais igualitárias. Mas para discursos de ódio acontece a mesma coisa. Por isso não podemos ficar calados. Os outros não estão calados. Todos os dias as propagandas dizem que mulheres são objetos, todos os dias os programas de tv e as matérias de jornais dizem que a beleza é fundamental pruma mulher ser feliz, todos os dias as pessoas dizem que a mulher deve se dar o respeito e que isso significa ter não sei quais e tais comportamentos.

Então não podemos ficar caladas.

Vc, muitas vezes, reproduz o discurso dos masculinistas. E seria legal vc reler os seus comentários depois que as pessoas dizem isso. De repente vc percebe qual é o viés que está sendo criticado. Esse pessoal masculinista ainda não consegue perceber que o problema não é dos homens, individualmente, contra as mulheres, individualmente. Isso fica claro no discurso deles, p. ex., mas vc ainda não consegue ver. Mas o problema é de mentalidade, que se reflete, óbvio, nas relações interpessoais.

É bacana outro ponto de vista. Mas quando esse ponto de vista reforça atitudes machistas como corretas, não há novidade, por isso vc é criticado.

Quando vc vem aqui dizer que as mulheres devem mudar seu comportamento para não serem agredidas, só há a visão machista aí. Só há a tentativa de manter o status quo. Nós já fazemos isso, há milênios, e não tem resolvido muito.

Aqui no blog, o discurso tem que ser mais agressivo, pois os textos da Lola (e os comentários) precisam ser contundentes, precisam incomodar mesmo, pra provocar reações e fazer o debate acontecer, precisa fazer pensar. Se a Lola (e os comentários) for muito condescendente, não há incômodo. Se não há incômodo, não há reflexão. Se não há reflexão, não há mudança.

Eu quero um mundo melhor para as minhas sobrinhas. Vc quer um mundo melhor para sua filha.

Então, junte-se a nós!

Anônimo disse...

André 10:16 disse... creio que nos comentários seria válido utilizar outros pontos de vista.

@@@ Amén!

Cora disse...

"83.5% dos homens argumentaram que “Algumas mulheres parecem que estão pedindo pra serem estupradas”"

precisa dizer mais?

Cora disse...

yulia,

o ambiente melhorou muito, mesmo!

aproveitou bem a pausa, heim!

contundente, como sempre.

André disse...

Espero de coração que essa pesquisa esteja errada. Na minha turma de engenharia haveriam 4 estupradores?
E 83,5% é quase os 89,1% do Carlos, será que ele estava certo? É assustador.

Bruna B. disse...

André

Sim, a pesquisa INFELIZMENTE está certa.
Dê uma olhada nos prints abaixo (eles foram retirados do twitter em UM dia, repito, em apenas UM dia uma moça flagrou toda essa carniça):


http://24.media.tumblr.com/tumblr_m7do9hslis1rwv7uko1_1280.png
"se mina de mini shorts não é convite pra estupro o que é?"

http://25.media.tumblr.com/tumblr_m740g7PC3y1rwv7uko1_1280.png
"Essa mina merece ser estuprada pra aprender a parar ser vagabunda mesmo."

http://media.tumblr.com/tumblr_m788kxivDT1rpcy83.png
"Mulher que vira a bunda pra tirar foto e depois reclama que é tratada como objeto. Why?"

http://25.media.tumblr.com/tumblr_m6x0upMlAV1rwv7uko1_1280.png
"Não é considerado estupro se ela tem foto dos peitos no avatar."

http://25.media.tumblr.com/tumblr_m4jvpnCaut1rwv7uko1_1280.png
"è apenas outra vagabunda querendo dar a bunda na esquina e dizendo pros outros que ama o garoto riquinho. Sua vadia, merece estupro."

http://24.media.tumblr.com/tumblr_m6x0oyvK491rwv7uko1_1280.png
"pouco estupro, pra muita vadia querendo ser estuprada"



Mas sabe o que mais me espantou? Foi isso: "Quando o termo “estupro” foi substituído por “sexo forçado”, 54% dos homens admitiram que estuprariam." porque vai de encontro com o que o Carlos disse, que muitos homens só não estupram por que um estupro é crime, porque podem sofrer as consequências legais do ato.

E então, André, também não achas que está mais do que na hora de mudar essa cultura? Cultura que está sendo reproduzida por nossos jovens?

Cora disse...

Bruna,

o twitter consegue ser ainda mais assustador! pessoal se revela!!

não, não. tem coisa mais assustadora ainda!!

olha isso:

http://www.paulopes.com.br/2012/07/muculmano-diz-que-culpa-do-estupro-e-a-vitima.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+blogspot%2FLHEA+%28Paulopes+Weblog%29


é um sacerdote que está dizendo!!!

ele diz: "A legislação canadense dá muita liberdade às mulheres".

e, se vcs seguirem os links no final da notícia, tem mais terror ainda!

isso não tem fim!

Cora disse...

essa notícia sobre o imã no canadá (e as outras que podem ser acessadas a partir desta) corroboram a fala da yulia:

"A verdade é uma só... É CONTROLE SOCIAL SOBRE O CORPO DA MULHER, e eles querem manter isso a todo custo!!! esse papo de que não se controlam é mentira e uma forma de nos manter ETERNAMENTE acuadas, com medo e sem poder pra nada!"

Patty Kirsche disse...

Respondendo ao Thiago:

Mulheres já tomam cuidado. Eu mesma, fui ameaçada de estupro uma vez num ponto de táxi na Vila Olímpia ao sair de uma balada. Um grupo de boyzinhos numa Grand Cherokee parou em frente ao ponto e começou a me insultar e dar ordens, então eu corri para a frente da danceteria. E eu estava com uma amiga.

Eles não fizeram isso porque sentiram um violento desejo sexual por mim. Eles fizeram isso porque aquele não era o meu lugar na mente doente deles. Para eles, uma garota não pode estar sem um homem a seu lado na rua de madrugada.

Como eu não quero ser estuprada, eu de fato evito sair desacompanhada de madrugada. Mas isso não deixa de ser uma interdição, certo?

Um homem se preocupa em ser assaltado ou assassinado, uma mulher se preocupa com tudo isso e estupro.

Outra coisa, por que homens são estuprados na cadeia? Não é porque eles são descuidados, certamente. É porque um quer mostrar para o outro o quanto pode humilhá-lo. É para garantir a obediência do outro.

Quando eu chamei o estupro de ferramenta de controle, eu quis dizer que ele é utilizado para que as mulheres tenham medo de fazer o que desejam. Ou seja: para que tomem cuidado.

Patty Kirsche disse...

Respondendo O Guri:

Bastante pertinente seu comentário.

Justamente, existe uma construção social de que quem tem o ânus penetrado está numa posição de submissão. E esse lugar só cabe a uma mulher, logo, o homem que ocupa esse lugar é inferior. Ou seja, ele é um "mulherzinha".

Então o problema não é um homem transar com outro homem. O problema é fazer o passivo, porque isso é humilhante.

E aquele discurso de que um "macho" não deixa uma mulher tocar o ânus dele? Pensa bem, como um homem seria homossexual por deixar uma mulher tocar uma parte do corpo dele?

Mas é uma construção cultural. Veja bem, não tenho nada contra sexo anal, só estou falando das fantasias criadas em cima dele. :)

Ana Torres disse...

Felizmente, Lola, vc vem fazendo esse trabalho riquissimo de comentar inteligentemente fatos e notícias que acontecem. Adoro muito seu blog e espero que ele seja ainda mais reconhecido! Esse assunto do estupro é mesmo mundial e sua opinião resumiu tudo!

yulia2 disse...

Espero de coração que essa pesquisa esteja errada. Na minha turma de engenharia haveriam 4 estupradores?
E 83,5% é quase os 89,1% do Carlos, será que ele estava certo?
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faça um teste com seus colegas... direcione a conversa... fale assim:
''ah cara essas mina ai que anda de mini saia a noite e é estuprada... na boa, mereceram... né não cara???''

JOGA ESSA pra ele!!! se ele falar: ''po cara , nada a ver e deixa disso''...ok...
agora se o cara concordar com vc.. aí sim ele pode ser um estuprador em potencial, pois só um estuprador defende outro estuprador, mesmo que este ainda não tenha cometido o ato, mas se pensou , ou acha que o outro que foi as vias de fato ESTÁ CERTO... pra mim já é o suficiente.

yulia2 disse...

''Como eu não quero ser estuprada, eu de fato evito sair desacompanhada de madrugada. Mas isso não deixa de ser uma interdição, certo?''

pode cre, isso é uma intervenção direta. vc , se pautando pelo (estuprador em potencial , legal...)
TEM QUE ANDAR acompanhada a noite, ainda que vc não queira.

estupro é HUMILHAÇÃO , apenas e tão somente um ato de humilhar o outro.. NADA TEM A VER
COM DESEJE SEXUAL, nada nada nada.

''Quando eu chamei o estupro de ferramenta de controle, eu quis dizer que ele é utilizado para que as mulheres tenham medo de fazer o que desejam. Ou seja: para que tomem cuidado.''

isso mesmo, para que fiquemos ETERNAMENTE debaixo da sola
do sapatos dos poderosos.

Anônimo disse...

Mais um post perfeito da melhor blogueira da net! eu não entendo os argumentos dos mascus... vamos resumir? nada justifica o estupro! um erro não justifica o outro... vamos supor... uma mulher anda nua na rua... ela está errada(isso e fato) ai vem um cara e estupra ele está errado! mas o erro dela não justifica o dele,afinal se justificasse um cara estupra então eu ganho o direito de mata-lo por diversão, ou seja um erro jamais justifica o outro... que acha lola? e nessa notícia 3 pontos (alem do estupro) 1 20~40 contra 1! os caras são tão podres que nem deram a ela chace de defeza... é patético quando as pessoas nem tem chace de defeza , afinal um homem estuprando um mulher,ja é ridículo, mas sem dar nem a minima chance de defesa?(engraçado, todos sabem que existem muitas mulheres que batem em homems,mas nunca vi ninguem tentar estuprar uma mulher mais forte e nem mais alta que ele) 2 o descaso do pais, não prederem todos na hora... ninguem chamar a polícia que nem aje... 3 o reporter não ter ligado pra polícia, afinal não brigar com 20~40 eu entendo,mas deixar passar foi o cumolo... que acha dos mes pontos lola?

ass arthur nerd fan da lola

Geanfranco Lima disse...

A sociedade do mundo é machista. Basta ver que quando ocorrem guerras, as mulheres são vítimas de estupros, perpetrados por soldados ou até civis que se aproveitam de uma situação como essa. Se um homem ou grupo de homens, estiverem em posição de atacar e violentar uma mulher sem serem condenados, pode-se ter certeza de que o farão sem arrependimento. Mas esses esquecem que existe Deus e que no futuro serão punidos por seus atos. Com uma monstruosidade dessas muitos nem parecem que tem mãe ou irmãs, ou avós e tia. Só pensam no seu prazer. Sou homem e jamais me prestaria a um papel como esse - de abusar de mulheres indefesas.