sábado, 28 de janeiro de 2012

GUEST POST: UM OUTRO MUNDO NA ÍNDIA

Conheci Jamie em Fortaleza em 2010, já que ela foi uma das tutoras de uma disciplina que coordenei na Educação a Distância. E de repente a Jamie estava na Índia (é ela na foto ao lado, com um saree emprestado)! Ela publicou este post no seu blog e o mandou pra mim. Eu o achei muito interessante e pedi autorização pra colocá-lo aqui, já que ele trata de um choque de culturas que é sempre polêmico. Tendemos a achar que estamos em outro patamar de "evolução", de "civilização", mas Jamie faz a ponte necessária para nos trazer de volta à realidade: até que ponto somos tão menos machistas no Brasil em comparação com a Índia?

Noite de Sábado. Meia noite. Quatro moças e um rapaz ocidentais voltam para casa apertados em um tuk-tuk. As mulheres usam leggings por debaixo das blusas que, em seus países de origem, são vestidos e cobrem os ombros com lenços, embora não esteja frio. O motorista do tuk-tuk resolve animar os passageiros com música tecno no último volume. Um pouco bêbados e bastante animados pela salsa do clube de onde estão vindo (que fecha à meia-noite, como todas as casas noturnas aqui na Índia), todos se divertem com o repertório antiquado, mas divertido, do motorista. As ruas estão praticamente vazias, mas alguns carros e motos ainda circulam pelas ruas. O tuk-tuk cheio de pessoas ocidentais e com música alta chama a atenção e logo motociclistas acompanham o tuk-tuk rindo e dançando. Uma moto acompanha o grupo por mais tempo. O piloto parece ter o mesmo destino do tuk-tuk lotado. O rapaz do grupo começa a prestar atenção à moto que os acompanha e percebe que o piloto pilota com apenas uma mão -- com a outra, se masturba desejando as mulheres do tuk-tuk. O rapaz informa às demais moças do tuk-tuk o que está acontecendo e pede ao motorista que desligue a música, mas ele não o faz. As moças, indignadas, param de rir e evitam olhar para fora do tuk-tuk. O clima, que era descontraído, fica pesado e todos ficam preocupados, pois o piloto continua a segui-los. O alívio só vem quando o piloto desiste e segue outro caminho.
A cena narrada acima não é de um filme ou de ouvir dizer. Eu era uma das moças no tuk-tuk, o rapaz era [meu noivo] Val e somente após muito refletir, resolvi dividir essa história com os leitores do blog. Não dividi antes (isso aconteceu em outubro) pois não queria que vocês tivessem uma ideia equivocada do que aconteceu, que um fato pontual acabasse estereotipando um país inteiro. Preciso explicar, antes que conclusões precipitadas sejam tiradas, que os intercâmbios para cá parem e que minha mãe me mande voltar para casa no próximo voo.
Uma palavra descreve o motociclista que se masturba, a necessidade doentia das mulheres de se cobrirem com todo o pano possível, os assentos dos ônibus separados por gênero, o quão jovem as mulheres precisam se casar, os casamentos arranjados, a presença quase absoluta de apenas homens nas ruas: machismo. Óbvio, constante, alimentado e passado de geração para geração. Sem sequer conversar com as pessoas é possível entender a supremacia masculina. As mulheres daqui são lindas, maquiadas, repletas de joias, sejam bijuteria ou ouro puro. Podem passar fome, podem nem sonhar com estudos, trabalho, viagem, mas não deixam faltar o óleo de amêndoas que passam no cabelo para que ele cresça e fique enorme e brilhante. É claro que falo da maioria, das pessoas nas ruas, das mulheres e de suas filhas dentro de casa e, infelizmente, das pessoas mais pobres, mas não é assim tão diferente na escola em que trabalho. Mulheres que estudaram, que trabalham, que não são inteiramente dependentes de seus futuros ou atuais maridos, demonstram e cultivam um comportamento machista e sequer percebem. Certas mulheres na escola insistem diariamente no uso do saree, roupa tradicional sobre a qual já falei, como se minhas calças ofendessem, como se eu não fosse uma mulher completa caso não me enrole no pano muitas vezes grosso, quente e desconfortável. Para mim, o saree é lindo por ser diferente, brilhoso, roupa de festa cara e por ser a única possibilidade de mostrar um pouco de pele por aqui sem lidar com os olhares tarados dos homens nas ruas, mas está bem longe de ser tão confortável quanto um vestidinho arejado. Porém, o saree, para as gerações atuais, é veementemente recusado. Ele representa o domínio do homem sobre a mulher, é uma exigência dos pais sobre as filhas, dos maridos sobre as esposas. Depende do pai ou do marido a liberação para que a mulher use Churidars ou roupas ocidentais, pois a mulher honrada, digna e, acima de tudo, submissa às vontades da religião, dos gurus e dos homens de suas sociedade, tem como vestimenta diária o saree. É fomentado nas meninas desde pequenininhas a ideia de que precisam ser bonitas, radiantes, pois somente assim serão mulheres de verdade. Não é para elas, não é para que se sintam bonitas, para que se amem -- é para não ficarem para titia.
Exigência alguma é feita aos homens. Eles andam como querem, com as cores que querem, quase sempre fedendo, bebem quando querem, fumam quando querem, olham descaradamente para qualquer insinuação do corpo feminino. A curiosidade para entender como funciona a mente desses homens é tão grande que puxei conversa com um membro da AIESEC (Association Internationale des Etudiants en Sciences Economiques et Commerciales), amigo das meninas do flat que um dia veio por aqui. Ele tentou me explicar e justificar o comportamento dos homens da rua e eu segurei meu nojo em nome de uma mente aberta a opiniões diferentes de um país diferente, mas às vezes dói na alma. A justificativa dele é, se a mulher mostra, o homem tem o direito de olhar, desejar e até tocar. É dever da mulher guardar o corpo, disfarçar as curvas, pois o homem é incapaz de controlar seus instintos sexuais. Essas palavras vieram da boca de uma pessoa razoável, um universitário, um intercambista que já viajou para outros países. Ele diz que, por ter conhecido outras culturas, entende que nem todos os homens do mundo pensam assim e que tal comportamento não é tão forte em outros países, mas não lhes tira a razão. Tentei, em vão, mostrar meu ponto de vista, tentei explicar que não somos animais no cio, tentei questionar o porquê das mesmas exigências não serem feitas aos homens, mas, embora ele ouvisse atentamente e buscasse, assim como eu, entender que venho de uma outra cultura, foi nos olhos dele que vi que nada do que eu dizia fazia muito sentido e, sem perceber, eu já tinha coberto meus ombros que no início da conversa estavam expostos.
Não há um dia sequer em que não me perguntem a razão pela qual ainda não me casei com o Val, quando será a festa, quantos filhos terei. Se elas sonhassem que já fui casada, não teria paz um segundo. Atualmente, estou trabalhando no laboratório de Língua Inglesa. Assumi esse cargo pois a professora anteriormente responsável pela sala precisou demitir-se, e por três dias ela me treinou para o trabalho que eu precisava desenvolver. Ela disse para todos que o motivo pelo qual estava saindo da escola era por seu marido ter conseguido um emprego nos Estados Unidos e que ela precisava ir com ele. A real razão eu só descobri depois quando, angustiada, ela me confessou que, na verdade, estava saindo de um casamento arranjado de 7 anos no qual seu marido a batia, a tratava mal, e estava influenciando seriamente o comportamento de seu filho de 5 anos, que já destratava a mãe como o pai o faz. Ela somente me contou pelo que estava passando por eu vir do outro lado do mundo e depois que comentei com ela que já havia sido casada. Eu sou a primeira pessoa separada que ela conheceu na vida e foi difícil para ela entender que meu casamento não acabou por nenhum dos motivos que ela listou. A família dela não a entende e não aceita a separação, o marido recusa-se a dar o divórcio e apenas um de seus amigos a apoia. O processo de separação por aqui é demorado e doloroso e foi apenas voltando para a casa dos pais, contra a vontade deles, que ela conseguiu ontem separar-se, pelo menos fisicamente, do marido que a subjulgava.
Machismo. Essa palavra, para a maioria das pessoas no Brasil, parece exagero de feministas. Nós, mulheres, alcançamos muito nas últimas décadas, ocupamos cargos de chefia (temos uma mulher no comando no país), temos voz na sociedade, e isso nos dá a impressão de que há igualdade de gênero, mas na verdade, se a gente pensar bem, não há. Ainda ganhamos menos, ainda somos tratadas (e muitas vezes nos tratamos) como produtos eróticos, dançamos na boquinha da garrafa e somos "boladonas". Assim como as indianas, exageramos nos cuidados estéticos, nos desconfortáveis saltos, no gasto absurdo com cosméticos, maquiagem, silicione, academia. Não temos a exigência do casamento tão explícita, mas a exigência existe e é com indignação que muitos reagem diante da afirmação “não quero ter filhos”. E dessa forma, assim como muita gente ainda acredita que racismo no Brasil não existe, seguimos acreditando que está tudo bem, obrigada. Diante de uma sociedade com o machismo tão descarado, reflito sobre o nosso machismo mascarado. Será que estamos realmente tão longe da Índia, tão modernos, tão "evoluídos"? Um homem se masturbando diante de mulheres que estavam apenas se divertindo, mas que para ele estavam passando dos limites e dando “cabimento” para que suas vontades sexuais fossem expostas, é algo que certamente não veríamos no Brasil, mas vi o mesmo espanto nos olhos das estrangeiras que moram comigo quando mostrei os vídeos do É o tchan e das Tequileiras. É degradante, mas a gente, no Brasil, nem nota mais, assim como não é absurdo para ninguém por aqui uma mulher coberta com um grosso pano preto em pleno sol do meio-dia, apenas com os olhos à mostra.

62 comentários:

Josiane Caetano disse...

Este texto é ótimo: pior que o machismo escancarado é o camuflado como aqui no Brasil. Continuamos a nos preocupar em ter um parceiro para que sejamos bem vistas por todos, não admitir vontades sexuais para sermos consideradas " mulheres honestas" e darmos conta de tudo - no caso, afazeres domésticos e atenção total aos filhos. E para o homem, tudo continua na paz e no sossego de só trabalhar e chegar em casa para descansar.

Carol disse...

Eu também me mudei para um país de cultura bem diferente há 4 meses. Atualmente, moro na Mauritänia, país muçulmano e africano.

Vim para cá porque recebi uma proposta legal de trabalho. Ficarei 2 anos. Meu então namorado recebeu a proposta junto e casamos 1 semana antes de virmos (tá, o casamento foi mais pras avós, mas já namorávamos há 6 anos e falávamos em casar mesmo).

Apesar de ser um país muçulmano, as estrangeiras não são obrigadas a se cobrir. Uso vestidos de alça e vou à praia de biquini.

Mas o machismo existe. No meu PRIMEIRO dia aqui atendi a um evento social importantíssimo do meu local de trabalho. Sou a única mulher lá, e vim pra ocupar a 2a posição. Fui apresentada a várias pessoas naquela noite. Um dos mauritanos me estendeu a mão para me cumprimentar e eu cumprimentei. Meu chefe viu e ficou furioso. Só depois me explicou que, aqui, um homem pegar na mão de uma mulher é praticamente equivalente a um homem passar a mão na bunda da mulher no Brasil.Foi meu primeiro choque.

O machismo é quase mais escondido que no Brasil, mas existe. E eu percebo. Por exemplo, quando tive que mandar fazer alguns ajustes no meu local de trabalho, coordenar uma reforma. Eu ntendo de construção civil melhor que qualquer um dos meus colegas homens - apesar de ser advogada. E nenhum dos empreiteiros queria me ouvir. Todos insistiam em chamar meu marido, meu chefe, meus colegas. Quando rompi o contrato com três dos prestadores de serviço mais antigo que tínhamos, por conta disso, passei a ser obedecida. Chamada de mal-amada e que meu marido não sabe me impor limites, é verdade, mas pelo menos agora consigo que troquem lâmpadas e pintem paredes sem transformar numa guerra.

O mais interessante é que nenhum dos meus colegas percebe o machismo. Se eu não aponto claramente onde aconteceu, eles não vêem! Somos 4 no emprego: eu e meu marido, o chefe e o colega. O chefe e o colega são homossexuais e moram aqui com seus maridos. E eles não percebem o machismo a que sou submetida diariamente, justamente porque não sofrem preconceito igual aqui.

Carol disse...

Ah, sobre roupas. Na minha primeira semana aqui, em uma reunião com representantes do governo local, me perguntaram quando eu pretendia começar a usar a mahlafa (lembra a vestimenta indiana, é um tecido de 2,5 m que enrola a mulher da cabeça aos pés. Só a cara fica de fora)

Disse que não pretendia, claro, pois isso não influenciava meu trabalho. Quando um respondeu que é uma questão de a mulher se dar ao respeito, eu só informei que assim que minha mudança chegasse, comecaria a ir à praia de biquini. E que, novamente, o respeito me era devido independente do que eu vestisse. Até hoje, nunca tive problemas - mas volta e meia perguntam ao meu marido se ele deixa eu usar vestidos e calças!

Outro caso engraçado que me lembro foi em uma recepção, durante um jantar, meu marido e um representante local discutiam alguma coisa sobre política. Ele deu a opinião dele, e eu dei a minha opinião, completamente contrária. O sujeito olhou sério para meu marido e perguntou se ele PERMITIA que tivesse opiniões diferentes. Meu marido riu e disse que eu é que deixava ele ter opiniões diferentes.

Sim, é uma briga diária comigo mesma pra não criar um incidente diplomático :P

Clarinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Matheus disse...

O seu texto é bem interessante, Jamie. Você abordou questões que eu não conhecia e que, confesso, me deixaram bastante surpreso. Mas preciso contrapor a insinuação que você fez acerca da situação brasileira em relação à indiana.

Concordo que o pilar do machismo (a suposta "superioridade" masculina sobre a feminina) seja basicamente o mesmo em todos os lugares, entretanto discordo que suas conseqüências o sejam. E as conseqüências são fundamentais na mensuração da gravidade e dos efeitos de um determinado fenômeno.

Como o Feminismo advoga a igualdade das relações de gênero, ao meu ver é possível, sim, analisar quais sociedades são mais ou menos igualitárias neste aspecto.

De acordo com o seu texto, casamentos arranjados e a percepção de que mulheres precisam da autorização do pai ou do marido para usar determinada vestimenta são uma realidade bem presente na Índia. No Brasil, contudo, não o são.

Ainda que, no Brasil, muitos homens machistas se achem no direito de dizer grosserias (que acreditam ou fingem acreditar ser música para os ouvidos) a mulheres atraentes ou com roupas curtas, a nossa sociedade e as nossas leis condenam o contato físico não consentido.

O machismo existe no Brasil e precisa ser combatido. As relações de gênero ainda são bastante desiguais no nosso país: temos uma alta taxa de violência contra a mulher, temos disparidades socioeconômicas entre homens e mulheres, e brincadeiras e chavões depreciativos sobre as mulheres são uma realidade no Brasil. Todavia, insinuar que diversas sociedades - em si mesmas diversas - estão num mesmo patamar é, aos meus olhos, negar um problema em nome de um multiculturalismo irreal.

Espero que você entenda que não estou criticando a sua posição de feminista (caso você o seja); estou apenas tentando contrapor a insinuação que você fez e que colocou o meu país no bolo de uma maneira que considerei injusta.

Sou a favor do multiculturalismo, mas toda análise exige parâmetros. No caso do Feminismo, os parâmetros são o nível de igualdade nas relações de gênero. E neste aspecto, penso, o Brasil está à frente da Índia.

Priscila Boltão disse...

Ai, me parte o coração pensar no tanto de mulher sofrendo com isso.
E não acho q seja tão incomum assim ver um cara se masturbando ou tirando o "negócio" pra fora em público no Brasil. Abuso em transporte público é o que mais tem por essas e outras.
Eu fico brava sabe? Justamente pq o machismo aqui é tão mascarado. Pq todo mundo acha que eu sendo feminista to fazendo tempestade em copo d'água, que não tem porque brigar, que não tem nada demais... a falta de empatia é dolorosa.

Carol, vc e seu marido são duas pessoas muito corajosas. Vc por não deixar que te rebaixem pelo seu gênero e seu marido por te apoiar e não se deixar levar por essa gente machista e maluca.

Matheus disse...

Concordo com Clarinha. Machismo é sempre ruim, mas considero o machismo aberto e fanático pior.

Flávia disse...

Estava lendo e lembrei de uma situação que ouvi essa semana. Minha amiga, que tem 30 anos, solteira, está acabando a faculdade de Matemática depois de muita, mas muita luta mesmo para conseguir estudar (mora na área rural de Rondônia! Isso não é pouca coisa) escutou da sobrinha: Tia, eu não quero estudar. - Por que, querida? - Para não ficar solteira igual a senhora.
A garotinha tem 6 anos de idade.
E o machismo se perpetua.

yulia2 disse...

lá o machismo é escancarado... aqui ele é velado.
essa é a única diferença.

yulia2 disse...

Flávia, pode ter certeza, ou a mãe ou o pai dessa garotinha fala mal dessa sua amiga pelas costas... tipo assim: ''ta vendo, foi se meter a estudar e trabalhar, ficou ai encalhada... e vc não faça a mesma coisa, case logo, homem não gosta de mulher(que não se dedica ao lar...) '' veio o diálogo deve ser por aí...

Robs disse...

Não acho que devemos julgar as moças que rebolam no ritmo daquelas bandas de Funk.Elas estão ganhando dinheiro do jeito delas,com sua beleza fisica,igual a uma modelo ou uma atriz elas tentam ganhar a vida com o que elas mesmas acham que tem de melhor.Ninguem as obrigou a isso,muito diferente da India onde as mulheres são obrigadas a se cobrir até os pés.Não vamos confundir feminismo com puritanismo e falso moralismo,meninas.
Isso tbm é machista.

Lu-Bau.Blog disse...

Um filme interessante que fala sobre mulheres, cultura diferente, machismo velado (quase não mostra homens, mas mostra situações que nas entre-linhas é sobre machismo) é o filme Caramelo. Assisti na TV cultura e amei.
Fiz até um post no meu blog sobre o filme

Caroline Cardoso disse...

Gostei bastante do texto de hoje. Gostaria de sugerir a leitura de alguns livros de uma escritora indiana, a Thrity Umrigar, que retratam muito bem as diferenças sociais, culturais, étnicas, religiosas e de gênero na Índia.

Veja aqui uma lista com os títulos.

:)

Srta. Vera disse...

Aqui mesmo, em Fortaleza, eu vinha voltando da faculdade quando uma forma humana masculina me perguntou onde era tal bairro. Quando eu me aproximei do carro para explicar, ele disse "olha o que eu tenho aqui pra você." Foi nojento e revoltante. Juro que, se eu tivesse uma pedra ao meu alcance, teria arrebentado a cara dele. Sou fã da Sylvia Thibau, que matou um "machão" para defender a honra feminina.

Juliana Ino disse...

é o Brasil é um "Irã" de fio dental...
Podemos mudar Irã pela Índia...dá no mesmo....

andrea saores disse...

Acredito que as vezes essa expressao do "desejo" masculino - como no caso do relato , onde um homem ve mulheres ousando denunciar sua presenca com vozes e risadas ,na verdade e' mais do que desejo sexual. e' a necessidade subjugar as mulheres, de puni-las por estarem se 'liberando". Entao na verdade nao e'so desejo que esta em jogo mas as regras de dominio social que os homens impoe as mulheres. fico pensando o que iria acontecer se a moca fizesse algo agressivo com o motoclicista, algo como cara de "devassa' ( sabe, tipo pose de filme porno) ou entao baixasse o vidro e cantasse no melhor estilo funkeira: "Ele 'e o famoso bilauzinho, UH, bilaozinho, nao acredito q ele continuar na susa punheta, mais provavel que comecasse a gritar que mulheres assim mereciam morrer, dizer que e' o fim do mundo,etc. Talvez seja mesmo hora de dar um fim nesse mundinho misogino. No mais, Lola adoro seu blog e acho seu trabalho muito importante.

Sara disse...

Talvez minha opinião seja simplória demais sobre o tema que vc escreveu Jamie, e eu esteja apenas refletindo em meus pensamentos a cultura na qual eu estou inserida.
Mas de forma alguma acredito que haja paralelo no grau de machismo presente na cultura indiana com a cultura aqui no Brasil.
Não sei muito sobre a cultura indiana, mas sei que desde que nasce a mulher nesse pais tem que enfrentar obstáculos monumentais, pra começar o primeiro é sobreviver, sempre ouvi dizer que a Índia é um dos países que mais fazem ultrassonografia para descobrir o sexo do bebe, e se for menina são abortadas em seguida, quando se trata de famílias mais pobres sem dinheiro para fazer esses exames, as garotas nascidas simplesmente são mortas, ouvi dizer tb que o método mais usado é dar bebidas ferventes para a bebezinha, porque isso não deixa marcas no corpo e esses “pais”não podem ser punidos.
Havia até a algum tempo atrás um desenho que minhas filhas gostavam muito de ver, se não me engano feito pela UNICEF onde mostrava uma garotinha indiana chamada "Meena” nesse desenho mostrava que as meninas mesmo sendo mais velhas que os irmãos, recebiam bem menos comida, pq isso era tradicional, menos educação que seus irmãos tb.
A mulher nesse pais tem que pagar dote para se casar, e isso muitas vezes resultava em suicídio da mulher , quando a família tinha muitas filhas, pois alem de vergonhoso uma família nessa situação ficaria falida em pagar esses dotes.
Talvez a situação não seja exatamente essa, mas pelo menos é o que já li a respeito da situação nesse pais.
Portanto apesar de concordar com vc que o machismo aqui em nosso pais é bem agressivo, não acho termos de comparação com o que existe na Índia.

LisAnaHD disse...

Nos EUA a mulher pode estudar o que quiser e fazer o que bem entender da vida... a gente se veste como bem entender e ninguém dá a mínima, caso não estivermos nuas... vou ao supermercado usando pijama e me agasalhando com um casaco de mink* e ninguém dá a mínima... em contrapartida todos os sete dias da semana a gente vê notícia de mulher que foi morta pelo marido, pelo noivo, pelo namorado... morta, esquarteja, incendiada... mulher rica e mulher pobre; mulher dependente e mulher independente; prostituta de baixo preço e prostituta da alta elite... gostaria de saber como é na Holanda, na Suécia, na Finlândia, enfim em paises onde crer em Deus é o de menos.

*mink não de verdade
mas parece tão natural que já ouvi xingamentos dos contra pele de animais como roupa... o meu comprei de segunda mão num brechó por 30 dólares.

Sara disse...

Pois é Lisana essa "pratica" de matar mulheres no mundo inteiro, já esta criando uma defasagem no número de mulheres, o que é totalmente contrário a natureza, pois sempre deve haver mais fêmeas do que machos na maioria das espécies, em muitos países como a índia, China e outros já ha um numero muito grande de homens excedentes, que no futuro vão ter muitos problemas, já até ouvi dizer que um chinês mediano tem poucas expectativas de se casar, e também ouvi dizer que o fato de haverem poucas mulheres na China mudou o perfil de comportamento delas, dizem que elas se tornaram verdadeiras tiranas rrrsss.

yulia2 disse...

Acredito que as vezes essa expressao do "desejo" masculino - como no caso do relato , onde um homem ve mulheres ousando denunciar sua presenca com vozes e risadas ,na verdade e' mais do que desejo sexual. e' a necessidade subjugar as mulheres, de puni-las por estarem se 'liberando". Entao na verdade nao e'so desejo que esta em jogo mas as regras de dominio social que os homens impoe as mulheres.[2]

yulia2 disse...

Na China a coisa ta feia pros homens lá. As poucas mulheres disponíveis por lá ficaram HIPER exigentes. Se ela namora um cara e se de repente encontra outro com uma casa ou um carro melhor , ela larga o atual para ficar com esse outro, lá ta bem assim mesmo.

Laulau disse...

Já tinha alguma noção sobre o machismo na Índia,mas não imaginava que era tão escancarado assim ao ponto do motorista se masturbar na presença de mulheres(desconhecidas).
Fiquei impressionada,especialmente sobre a vestimenta. Mulheres tem que ficar encoberta de bijuterias ou jóias,bem lindas e arrumadas,enquanto que os homens se vestem com trapos e andam pra lá e pra cá fedendo.
Quando li essa parte lembrei imediatamente de uma coisa curiosa que ando notando pelas ruas da minha cidade:
De uns tempo pra cá pintou uma certa diferença do modo como homens e mulheres se vestem para sair.
Elas em geral andam bem arrumadas,cheirosas,depiladas,com a pele aparentemente macia,roupas bonitas,cabelos bem "arrumados"(alisado pintado de loiro) e com as unhas bem feitas.
Enquanto que eles andam de qualquer jeito,com o suvaco cabeludo e fedido,com a pele ressecada(parecem não ligar pra isso),com o cabelo raspado ou de qualquer jeito e com as unhas feias,sujas e expostas nos chinelos havaianas.
A impressão que tenho é de que as mulheres tem que ficar lindas e maravilhosas enquanto que os homens podem ficar de qualquer jeito que ninguém liga.
Alias,são as mulheres que tem que se cuidar pra sempre serem desejadas,e os homens...
Fico perguntando se a mulherada gosta disso,pois eu odiaria me relacionar com um sujeito desleixado assim,com o pensamento de que homem não necessita de cuidados,pois vão ter mulheres a seus pés de qualquer jeito.

Denise disse...

Quem fala que o machismo do Brasil é pior não consegue entender o que é o machismo na Índia e países afins. Não tem a menor idéia do ue está falando. Por mairo que seja o machismo no Brasil, e é grande, não se compara com o machismo na Ínida!
O interessante é como os homens ocidentais que passam um tempo na Índia meio que absorvem o machismo de lá~e passam a ser mais machista que jamais foram... curioso e irritante.
Eu pareço indiana e com um sari, ninguém diz que sou estrangeira lá. No ano que passei na Índia só tive paz quando usei sari ou o salwar kameez. Se me vestisse como ocidental, todo mundo me olhava com hostilidade. De sari eu era invisível.
Eu tinha uma amiga lá, indiana, que se recusava a se casar. Ela dizia que não iria deixar nenhum homem mandar nela e nem do dinheiro dela. Perguntei se ela era virgem e ela riu de mim. Disse que na Índia tudo é muito escondido, mas quem quer não deixa de fazer o que quer. Depois de um tempo passei a observar isso também.
Não moraria lá de novo nem a pau, mas foi uma experiência muito interessante.

Eu disse...

Qualquer indiano que saiba dessa história vai dizer: Mas as coisas estão mudando...rsrs

Quando eu comecei a ler o guest post, pensei que o caso iria desembocar em um estupro por parte do motorista do auto rickshaw ou coisa que o valha.

O fato de as moças todas serem ocidentais foi o que encorajou o moleque da moto;. Eles pensam que
todas as ocidentais são atrizes pornô...Quanto mais branca, pior.

Os indianos são todos sex starving, são educados para casarem virgens, não escolhem esposa, e por aí vai...(sra. validadora mode on, rs)

Eduardo Marques disse...

Qual é o problema de usar a palavra aportuguesada, "sári"?

Faye Gabriela Maciel Cardoso disse...

Eu assisti um documentário muito interessante chamado Nascidos em Bordéis, fala muito sobre o machismo indiano e racismo também.

Sara disse...

Eu não tenho nem a mais remota vontade de conhecer paises onde o machismo consegue ser até mais exacerbado do que aqui no Brasil.
Com excessão do povoado MOSUO na China, que por incrível q pareça é uma comunidade matriarcal as margens do Lago Lugu não vou nem de graça pra esses paises. Em regiões imensas da Ásia, na Índia, no Paquistão, no Bangladesh, na China. Nas estatísticas, faltavam dezenas de milhões de mulheres.
Essa constatação foi feita 2007 por demógrafos dessa região.

Thays Mossi disse...

" Robs disse...
Não acho que devemos julgar as moças que rebolam no ritmo daquelas bandas de Funk.Elas estão ganhando dinheiro do jeito delas,com sua beleza fisica,igual a uma modelo ou uma atriz elas tentam ganhar a vida com o que elas mesmas acham que tem de melhor.Ninguem as obrigou a isso,muito diferente da India onde as mulheres são obrigadas a se cobrir até os pés.Não vamos confundir feminismo com puritanismo e falso moralismo,meninas.
Isso tbm é machista.

28 de janeiro de 2012 16:19"

Ah, prezado homem, obrigada por nos explicar a diferença... #not

Incrível, sempre tem um!

Lorena disse...

Eu ia comentar que um homem se masturbar em público para um grupo de mulheres não é incomum no Brasil, mas já comentaram. Não é mesmo. Já aconteceu comigo e eu tinha 10 anos na época... Mas, sim, concordo que o machismo na Índia é pior e mais violento do que no Brasil e outros países ocidentais. Isso não quer dizer que aqui tá tudo muito bem, porque não está e a gente sabe disso. Mas é bom ter noção do quanto as coisas ainda precisam mudar muito para a maioria das mulheres do mundo terem o mínimo de dignidade. Porque nós, ocidentais, somos a minoria, infelizmente.

Lendo o que a Sara escreveu não tive como não lembrar de um livro que eu ganhei de Natal da minha namorada, chamado O Livro Negro da Condição das Mulheres. Recomendo a leitura a todo mundo, principalmente aos homens que, por não sofrerem diretamente com o machismo, como nós, podem não ter consciência do quão ruim é a situação do gênero feminino no mundo. Na Índia e China há, mesmo, menos mulheres do que homens, bem menos mulheres do que deveria ser o normal (que é haver mais mulheres, já que nós, geralmente, vivemos mais tempo). A prática de aborto do feto feminino e também de infanticídio contra meninas é uma prática MUITO comum nos dois países, inclusive aceita socialmente (ainda que de forma velada). E aquelas meninas que sobrevivem são menos alimentadas, têm menos oportunidades (ou quase nenhuma), seu destino é se casar e "pertencer" ao marido para sempre, no mais amplo sentido de posse mesmo.
Enfim, é um livro triste de se ler, mas necessário. E quando leio relatos como esse da Jamie, de gente que está lá, vendo e sentindo as coisas na pele, fico ainda mais triste. A Índia pode ser um país lindo, com uma cultura rica e fascinante... Mas tenho a tendência a concordar com a Sara, não tenho vontade de conhecer um país que trata tão mal as suas mulheres.

Bruno S disse...

Aqui no Brasil podemos perceber que a vida das mulheres é bem mais difícil que a de nós homens.

Mais triste é perceber que em boa parte da humanidade, essa diferença se atua bastante.

Carol disse...

O problema de preconceitos velados é que vêm os imbecis dizer que o tal preconceito não existe mais e reclamar de ações que tiram seu direito de discriminar.

Alex disse...

Gostei do post. Ele retrata variações de um mesmo tema, o machismo. É como o racismo. Não é porque o racismo daqui é diferente do americano que ele não existe. Li "Não sonos racistas" e o autor peca por só considerar como manifestação de racismo a violência física, como aconteceu muito nos EUA e pouco aqui. Mas e a violência moral e emocional, não contam? Não causam dor? Não excluem? Quando vou a um shopping fico admirado como as mulheres se submetem a roupas e calçados desconfortáveis só pra agradar aos homens. São bermudas minúsculas e saltos altíssimos. Não acredito que a maioria delas usem essas coisas mais pra agradar a si mesmas do que ao público masculino. Não vejo os homens fazendo sacrifícios pra agradar às mulheres. Os homens estão lá, confortáveis nas bermudas longas que lhes permitem ampla liberdade de movimentos sem a preocupação de mostrar a genitália. Se eu fosse mulher, só usaria calça ou vestido longo, desde que não tão longos a ponto de se arrastar no chão. Nunca li nada sobre a história das roupas femininas, mas acho as saias curtas extremamente machistas: facilitam a cópula, a penetração pelos homens. Na minha opinião, tornam a mulher muito vulnerável. Deve ser muito desconfortável usar aquilo. Se vai a uma escada rolante, corre-se o risco de mostrar a calcinha. Se senta numa cadeira, tem que ficar esticando a saia, pelo mesmo motivo. É muito melhor não precisar se preocupar com essas coisas. Me lembrei de um vídeo muito bonitinho, de uma menina que tem muito pra ser uma futura Lola. Inteligência extremamente precoce: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=BU2Jp3sfb0k .

Hayashi disse...

a"O problema de preconceitos velados é que vêm os imbecis dizer que o tal preconceito não existe mais e reclamar de ações que tiram seu direito de discriminar."

Sim! É a tal "censura" que os machinhos reclamam quando reagimos aos materiais misógenos que eles produzem.

Mas bem,esta convesa toda ,por mais horrenad que sejam os fatos,me deixou satisfeita por ver que muitas de nos não estão mais aceitando aquela desculpa cruiel de que o machismo destas regiões é aceitável porque " a cultura e a religião deles são assim"( apesar de um ter visto auqi um comentário masculino que quase tenteu para este lado,como se o sofromento nosso se abrandasse em sociedades emq ue ele é socialmente aceito).

Outra coisa que a autora observeou: nossa colaboração com o sistema,independente do país que seja.Quem dá esta força estratosférica aos machismo somos nós mesmas.Observem que aqui bem ou mal,temos o direito de estudar,atrabalhar,e quantas mulhers aderem á causa feminista? E qunatas debocham e/ou nos atacam com ofensas?Por que as indianas que as famílias mnadam estudar no exterior(sim,tem ..conheci algumas)não colaboram com alguma coisa para mudar tal mentalidade?

E peloa história do feminismo,não há educação
machista,religião,medicina,filosofia etc que segure mulheres revoltadas.É alemnatável ver que temos nos entregado á uma apatia mortal...

Robs disse...

Thays,sou mulher rsrsrs
Eu acho isso um fato,que adianta,nós feministas,classificarmos as mulheres pelo trabalho que elas tem ou deixam de ter,que elas fazem ou deixam de fazer com seus corpos?
O machismo já faz suficientemente bem.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Eu fico pensando em possíveis consequências desse modo de pensar exposto pelo rapaz indiano.
Aí se a mulher se mostra o homem tem direito de desejar, olhar descaradamente e tocar (no Brasil, a maioria parece acreditar quase no mesmo, a única diferença é que a maioria não chega a achar que tem direito de tocar, mas dizer coisas agressivas e desrespeitosas, como já sabemos). Aí a mulher é tocada, não gosta e reage, machuca o seu agressor, mas parece que quem vai ser punida é ela, já que na cabeça deles a agressora vai ser ela, que agrediu alguém que estava no seu direito.
Enfim, complicado tudo isso. Mas sou contra esse papo de que devemos respeitar outra cultura se ela tem preceitos que nos desrespeita. Não respeito o quê ou quem não tem respeito por mim. Homens não respeitariam uma cultura que os colocasse inferiores em relação às mulheres, mas parece que até no direito de nos indignarmos e criticarmos somos podadas, sobre risco de sermos acusadas de preconceituosas.
Então não tenho respeito pela cultura alheia que faz isso com as mulheres, da mesma forma que não respeito e critico a nossa.

Hayashi disse...

Olha só o que eu achei falando desta estória de mulher aceitar machismo(se é que é uma mulher memso escrevendo).ela inclusive critica o feminismo,dizendo que é prejudicial quando "vai longe demais".Nota: GOR é cigano(como eles se denominam):

http://www.gorbrasil.com.br/textos/60-gor-e-machismo

glamourização da opressão feminina,disimulaçõ dos coneceitos machismo e feminismo...enfim,"diveirtan-se" Xp!!

Links disse...

"pois sempre deve haver mais fêmeas do que machos na maioria das espécies".
Sara, so pra te falar que na espécie humana, nascem 105 homens para cada 100 mulheres, entao o normal é nascer mais homem memso. Isso quando é feito tudo naturalmente, sem influência humana. Na China e India, sao mais ou menos 120 homens para cada 100 nascimentos de mulheres, mas ai ja nao tem nada de natural...

Links disse...

Nao acho nem por um segundo que o machismo no Brasil seja pior que na India ou na Indonésia. Claro que temos problemas, mas aqui NUNCA ninguém vai te perguntar se se "marido te deixa ter idéias diferente da dele". Talvez no Brasil a mulher seja considerada piranha, safada ou sei la mais o quê, mas ninguém duvida da capacidade mental dela. E no trabalho a mulher pode até ganhar menos, mas quem vai ser idiota de falar para propria chefe "você nao sabe de nada, chame seu marido"?
Falar que o no Brasil é igual ou pior é como passar a mao na cabeça dessas culturas machistas, tipo "aqui é ruim, mas tenho que aceitar porque no meu pa'is é pior".
Fora isso, adorei o post! :-)

morena-flor disse...

Olá Robs, não te conheço e vc também não me conhece. Não sei qual a sua atividade profissional, a única coisa que sei é que você não sabe o que é a profissão de atriz. A atuação existe muito antes da televisão, do rádio e das propagandas de xampu. É uma arte milenar, presente na maioria das culturas primitivas. Eu sou uma das pessoas que estuda e pesquisa essa arte, e além de tudo pratica essa arte. E só posso te dizer uma coisa, dizer que tequileiras, funkeiras e modelos são como atrizes que ganham dinheiro com sua beleza é no mínimo ignorância da sua parte. E já que você ignora este ofício, venho eu defender a maior paixão da minha vida que é o TEATRO. É um ofício dificílimo, muito sensível, pouco paupável e de ordem parcialmente inconsciente, e exatamente por isso exige muito estudo, uma preparação constante e diária e muito amor pelo que se faz. Eu nunca vi uma tequileira ou funkeira que tenha feito faculdade, que tenha estudado culturas profundamente, para que essa comparação seja fundado em algum tipo de argumento crível. Essas mulheres não sabem, em sua maioria, que são usadas pela sociedade como escape social para a crescente brutalização de homens e mulheres brasileiros. Elas não sabem que são tão manipuladas pelos homens como outras mulheres são na Índia. Em graus diferentes, obviamente. Mas essas mulheres ajudam a alimentar a crença que homens tem de que o corpo feminino é um brinquedo erótico.
Portanto, eu, atriz e as funkeiras nos encontramos no fato de sermos humanas e de utilizarmos o corpo como instrumento de trabalho. Mas, querida, eu não trabalho com beleza, muito menos como brinquedo sexual de ninguém. Vale pesquisar antes de emitir opiniões categóricas.

Sara disse...

Links ja ouvi dizer que os genes XY são mais instaveis que os XX, e por isso embora nasçam mais meninos que meninas, a mortalidade infantil masculina é maior, e isso faz com que naturalmente as meninas ultrapassem o número de meninos.
Mas infelizmente por causa do machismo gritante de muitas culturas do nosso planeta essa realidade esta mudando bem rapidamente.

Matheus disse...

Hayashi,

Li o texto cujo endereço você postou e ele é absurdo!

Homens têm tendência à dominação; mulheres, à submissão; e isso não representa uma relação de superioridade-inferioridade? Ai, ai, viu? ¬¬

Já havia lido algo parecido em relação às ditas "essências" do homem e da mulher, mas evocando a mitologia greco-romana para explicar que os homens eram regidos por Marte/Ares, o tal deus da guerra, e por isso eram mais agressivos e dominadores, enquanto que as mulheres - regidas por Vênus/Afrodite, a tal deusa do amor e da beleza - eram mais voltadas à sensualidade e ao amor, portanto, à passividade. Ok... Mas ninguém respondeu onde ficava Atena, também deusa da guerra, mas sobretudo do pensamento racional e estratégico. Por que ninguém fala "Marte dava porrada, mas quem pensava mesmo era Atena"?



Morena-flor,

Assim como há cursos universitários de Dança, há de Artes Cênicas. Da mesma forma que existem dançarinas de funk sem nível universitário, também existem atrizes.

Desculpe-me, mas não acho que dançarinas de funk não saibam que as coreografias e roupas altamente sexualizadas do gênero musical tenham o propósito de aflorar a sexualidade. Tanto sabem que algumas vão até sem calcinha a certos bailes funks do Rio de Janeiro.

Particularmente, não vejo problemas em alguém se utilizar da sensualidade para tentar conquistar outrem. Os problemas que vejo são a tentativa de humilhação e a discriminação de quem é livre em relação à própria sensualidade, sobretudo mulheres.

Pelo que compreendi, Robs estava ressaltando o fato de que, ao contrário do que acontece na Índia, as dançarinas de funk brasileiras têm o direito de escolher se querem ser dançarinas de funk ou não. O ponto principal do argumento dela foi o direito de escolha, não o mérito de ser uma profissão mais ou menos digna.

Vale ter cuidado para não incorrer na postura de arrogância intelectual de que tal profissão é mais ou menos digna que outra. Profissão não define caráter de ninguém.

Assim como, segundo um vídeo postado no Youtube, a talentosíssima atriz Fernanda Montenegro parece menosprezar o México e defender que o Centro-Oeste brasileiro seja administrado pelos Estados Unidos, certamente há dançarinas de funk muito inteligentes.

(http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=K0lrArSZ8lE#! --> O vídeo com a declaração de Fernanda Montenegro)

Matheus disse...

Alex,

Muito bonitinha, eloqüente, inteligente e coerente a menina. Quero uma filha igual! Cadê a receita? XDDD

Robs disse...

Oi Morena-Flor.
Claro,vc pode não trabalhar necessariamente com sua beleza,mas vc usa o corpo como instrumento de trabalho,certo?Vc mesma disse.
Talvez vc tenha entendido errado o que eu escrevi.Tequileiras,funkeiras e etc trabalham com o corpo e são tão dignas de respeito para mim como uma atriz.Para mim não é pq as danças delas tendem ao erotico que são mulheres q não mereçam respeito ou que são necessariamente pessoas grosseiras.Vc ja parou para pensar que sim,elas sabem que mexem com o desejo masculino e por isso aceitaram aquele emprego(fora as que não tem tanta oportunidade de escolher)que elas não são necessariamente burras em sem pensamento proprio?Que elas tem tanto direito de desfrutar do proprio corpo como uma atriz de teatro só que de outro modo?É isso que quero dizer,quando a autora do post postou video de mulheres rebolando para as colegas verem e se horrorizarem talvez ela estivesse tendo a mesma linha de pensamento que um vovô machista que acha terrivel a netinha usar saia acima do joelho para sair na rua.
Então sim,pra mim vc usa o corpo,mesmo tendo estudado pra caramba tecnicas de teatro,tal qual uma dançarina de funk,vcs só optaram por usa-los de maneiras diferentes.
Entende?Para mim as pessoas são dignas de respeito independente de serem atrizes que atuam em Hamlet,uma dançarina de carnaval ou uma atriz porno.
Afinal,as pessoas respeitam os homens seja eles qualquer um que citei acima,mas pq só a moça que rebola num ritmo quente é julgada por machistas e feministas?

Iara disse...

Gostei muito do texto .
Eu escrevi sobre o outro lado do machismo no meu humilde bloguinho, http://sindromemm.blosgpot.com
Mais do que o machismo do homem o que me surpreende são as mulheres que sem precisarem disso aceitam e querem se expor nuas, como se fossem pedaços de carne.Que seja uma vontade masculina é problema deles,mas quando uma mulher aceita isso, então é problema de todas nós, que lutamos para acabar com uma coisa como o machismo,que só atrasa a humanidade e fere tudo o que encontra pelo caminho.

Clarinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
morena-flor disse...

Queridos que me escreveram, acho que eu encorri num erro. Não quis dizer que o fato da pessoa ser formada ou não define algo. Conheço muitas pessoas dentro de universidades que são completas idiotas. O que eu quis dizer é que nunca soube de nenhuma funkeira que tenha se dedicado e estudado anos a fio para exercer sua profissão, o que não mede dignidade, é claro. Mede apenas falta de exercício crítico sobre a sociedade como um todo. E se somos menos críticos, temos menos informação sobre a sociedade, desconhecemos também o papel que ocupamos nela. É claro que essas mulheres sabem que suas roupas provocam os homens, num geral. O que eu acredito é que elas não sabem é o contexto em que tudo isso está inserido. Massiva falta de escolaridade, de falta de informação, enfim. Eu não acredito que se todas essas mulheres tivessem amplo acesso a uma educação de qualidade elas fariam o que fazem. Não por questões moralistas, e sim por questões éticas. Eu acredito na força da ética pro meu trabalho. Acho que essas mulheres jamais sequer refletiram sobre seus trabalhos mais profundamente. Ética no trabalho artístico pra mim é pautada na sensibilização das outras pessoas, gerar ação dentro da sociedade. É claro que todas essas questões são muito amplas, mas me parece claro que este tipo de trabalho não gera debates, não gera reflexão, apenas contribui para a crença dos homens consumidores deste trabalho que o corpo das mulheres num geral serve como brinquedo sexual. Isso - e muitos outros comportamentos - autoriza, de certa maneira, os homens a se sentirem no direito de olhar, de falar gracinha, de até encostar. Eu luto contra esse tipo de comportamento masculino todos os dias e por isso me sinto no direito de achar ruim qualquer coisa que contribua para piora ou manutenção desse estado de coisas.

P.s.: Quanto a Fernanda Montenegro, respeito o trabalho dela mas não curto muito. Tem muitas atrizes infinitamente mais sensíveis e menos conceituadas. :)

Eu disse...

Fernanda Montenegro é uma verdadeira PhD de interpretação. Eu a vi duas vezes em Lágrimas Amargas de Petra Von Kant e em outras ocasiões no teatro. Nas novelas ela é muito boa também.
Gostaria de saber como se mede sensibilidade. Talento, eu sei.


Tem muitas atrizes infinitamente mais sensíveis e menos conceituadas. :)

Priscila "Six" Rodopiano disse...

Que texto maravilhoso, Lola! Prende a nossa atenção, toca, provoca, desperta... Foi ótima a indicação da leitura e do blogue que já estou seguindo também.
Muito obrigada!
Adorei!

morena-flor disse...

É claro que o que digo, se refere sempre a minha opinião, Eu. Não há critérios, eu acho uma atriz boa quando ela responde a estímulos com sinceridade e prontidão, quando é criativa e pouco óbvia, quando é disposta fisicamente falando enfim, uma série de questões. Mas isso não as coloca num super-ranking. Eu apenas gosto mais de umas do que de outras. :)

Jamie Barteldes disse...

Primeiramente, agradeço imensamente a divulgação do post. Quando um post como o meu é publicado em um blog de muitos acessos, um interessante diálogo começa e não é exagero quando a Lola me disse que o melhor do blog dela (por incrível que pareça) não são os posts, mas sim os comentários e as discussões travadas aqui. É interessantíssimo dividir, entender, contestar e concordar com as opiniões acerca de minha experiência aqui. Buscarei falar um pouco sobre alguns dos comentários.


Josiane, a história da “mulher honesta” é muito forte aqui. Uma mulher honrada precisa seguir uma lista infindável de itens para ser minimamente respeitada e nessa lista vai desde a forma como ela se veste até a forma como ela para os homens. Temos sim muito disso no Brasil, embora com menos força, ou talvez apenas mascarado e é cada vez mais alimentado, principalmente pelas religiões. Não esqueçamos que casar de branco ainda é o “sonho” de muitas mulheres, mas representa a pureza da mulher e sua virgindade. O mesmo não é esperado dos homens.

Carol, acredito que a situação na Mauritânia é bem pior que na Índia, mas esse tipo de comentário, a mulher ser “permitida” a ter uma outra opinião é bem comum na comunidade muçulmana e bem menos incomum na sociedade Hindu. Uma coisa interessante acontece por aqui. Os homens andam de mãos dadas, trocam carinhos, fazem cafuné um no outro e isso em casa e no local de trabalho, mas essa interação é apenas entre os homens. Entre as mulheres nunca vejo tal interação. Entre um homem e uma mulher é um tabu imenso. Para você quer uma idéia, um aluno de 7 anos chegou em minha sala um dia me oferecendo doces para celebrar seu aniversário (outro traço interessantíssimo da cultura indiana). Feliz pelo doce e pelo seu aniverário, resolvi abraça-lo. A criança ficou completamente imóvel, sem entender nada e as professoras que estavam próximas à cena não conseguiram esconder o desconforto. Imagina, entre professora e aluno a coisa é desse jeito, imagina entre homens e mulheres.
Eu concordo com você na idéia de se impor. É o que venho fazendo por aqui. Tem uma hora que você enche o saco de sair enrolada em lenços, com os braços cobertos e você começa a sair com menos roupa, ciente de que os homens vão olhar mais do que o que já olham para você e te julgarão bem mal mas você aperta o botão do foda-se e segue em frente. Aqui na escola onde eu trabalho, a coordenadora do primário vive me dizendo que eu não caia na balela das pessoas que querem que eu me vista assim ou assado. Respeitando o ambiente de trabalho, tá valendo e ela, Indiana, leva essa idéia a sério e constantemente vem ao trabalho com roupas “diferentes”, assim como de vez em quando, vem de saree. Ou você se impõe ou você não curte as coisas boas que o país tem a te oferecer.

Clarinha, é terrível a situação da Indonésia mas se a gente pensar bem tantas brasileiras vivem situações bem parecidas no Brasil! Não por serem virgens mas por qualquer outra besteira...conheço um bocado de gente que sustenta o marido e ainda apanha deles e acha que é normal, “homem é assim mesmo”.

Jamie Barteldes disse...

Mateus,
Minha intenção com o texto foi gerar exatamente discussão e nisso acredito que o objetivo foi alcançado. Não quero dizer que a Índia é mais ou menos machista que o Brasil pois são países com culturas diferentese que possuem manifestações de machismo também diferentes, mas temos essa tendência a achar que o acontece na Índia, na Indonésia, na Mauritânia está distante do que vivemos – o machismo - e não está. Aqui o machismo é aceito, reclamar dele entre os habitantes daqui chega a ser ofensivo – aí, quando se faz alarde sobre o machismo existe alguma ação, mesmo que mínima mas há. O ideal seria nem ter, mas ele existe e, acredite, muita gente acha que é mito, exagero de feminista e está mais forte em nossa sociedade do que imaginamos, só não se manifesta da mesma forma que aqui.

Yulia, não acho que seja apenas essa a diferença. Aqui o machismo tem pilares em tradições muito fortes. Homens e mulheres têm papéis bem claros e o papel da mulher é sempre submisso. É taõ forte que ninguém sequer tem coragem de reclamar, ele é aceito como parte da cultura, talvez pelo extremo respeito do Indiano em relação às suas tradições e religiões. Especialmente as mulheres muçulmanas sequer possuem autorização para sair de casa sem um homem. As ruas da Índia são tomadas por homens pois as mulheres devem permanecer em casa com e para os filhos. Uma muçulmana que trabalha com meu namorado me falou que acorda todos os dias às 5 da manhã, prepara o café da manhã e almoço da família inteira, entrega as roupas lavadas e engomadas, vai para o trabalho, quando chega em casa faz o jantar para si e para os filhos e quando o marido chega, prepara um novo jantar, pois o marido não gosta de comer comida requentada. Uma rotina dos infernos, mas que ela faz sem reclamar e contenta-se com as eventuais saídas a restaurantes e com as jóias que ganhou do marido e, acima de tudo, sente-se bem por estar sendo uma mulher de valor. Se você for pro interior do estado do Ceará, que é o que conheço, vai ver a mesma situação, a diferença são os restaurantes e jóias. O machismo no Brasil não é velado, ele só não é tradicional. Se a mulher fizer barulho, talvez ela ganhe a causa. Aqui ela nem tenta. Concordo com sua opinião em relação à Flávia. A garotinha com certeza ouviu de alguém tais opiniões.

Jamie Barteldes disse...

Robs,
Acho que você foi bem infeliz em colocar dançarinas de banda de axé, modelos e atrizes no mesmo angu em muitos aspectos, mas vou ressaltar apenas um deles e talvez o menos importante, mas acho que a morena-flor explicou bem a diferença de uma atriz para uma dançarina do tchan. O aspecto que quero ressaltar é nossa imagem fora do país. Quando uma moça como a Carla Perez rebola na frente de cameras segurando o tchan e amarrando o tchan, ela representa a mim, a você e a todas as mulheres de seu país. Aqui na Índia, tudo o que se sabe do Brasil é biquini, bunda e futebol. O biquini choca por não fazer parte da cultura deles (embora usá-lo em Goa seja aparentemente tranquilo), o futebol por sermos referência mundial neste esporte (como eles são no críquete) mas a bunda, minha cara, a bunda é culpa nossa e muito mais culpa da Carla Perez que minha ou sua. Ela pode achar que está naquela posição por querer, mas é uma sociedade inteira que a alimentou, uma sociedade que diz que a mulher tem que ser sensual, gostosa e ter uma bunda enorme para ser mulher, para atrair o desejo dos homens, essa coisa tão difícil de manter com tanta concorrência, com tantas outras bundas por aí. Quando ela vende a bunda dela na TV, não é a bunda dela. É a minha, a sua e a de todas as Brasileiras. Ela alimenta uma cultura machista e torna-se ícone dela, faz da mulher Brasileira um produto consumível em nível nacional e internacional. A Carla Perez não rebola para mim, ela rebola para os homens, ela rebola e nessa dança dançam vários conceitos anti-machistas que levamos anos para quebrar. Eu não sou um objeto, uma bunda, uma vagina e um anus que precisam ser preenchidos e quando a Carla Perez dança daquela forma, ela se reduz e reduz a todas as outras mulheres a um potinho de esperma. Por isso que podemos, sim, julgar as dançarinas pois elas afirmam o machismo constantemente, isso sem contar no agravante de que o maior público do É o tchan são crianças. A própria Carla Perez agora vive de canções infantis. São pequeno modelos para as próximas gerações, as gerações que podem continuar ou acabar de vez com o machismo em nosso país. Aqui fora nós somos só bunda para os estrangeiros mas isso é por existirem mulheres aí no Brasil que são apenas bunda. E entre culpar a Carla Perez ou a Fernanda Montenegro por isso, com quem você fica?

LisaAnaHD, Sara,

Na Índia tornou-se proibido, há pouco tempo, o exame para saber o sexo do bebê. Não importa quanto dinheiro você tenha, é ilegal querer saber o sexo da criança antes do casamento exatamente por essa prática. Sim, as mulheres aqui morrem antes mesmo de se tornarem mulheres e isso é terrível, mas não esqueçamos do relato sobre os Estados Unidos e os espancamentos e mortes das mulheres brasilieras, muitas vezes por seus próprios pais e maridos. O machismo causa mortes aqui (em um número maior) e aí (muito mais na relação marido-mulher).

Jamie Barteldes disse...

Eu (que nome engraçado, parece que estou falando comigo mesma:) )

Ano passado, essa mesma história que eu contei acabou em um estupro, como você previa. E com uma moça ocidental. Eles pensam, sim, que se foi branca, foi atriz pornô e ainda tem um agravante.

Todas as boates aqui em Hyderabad promovem pelo menos em um dia da semana a Ladies Night, noite em que bebida e entrada é liberada para mulheres. 70% do público feminino é estrangeiro. Eu fui para algumas noites e o que vi é que, como estrangeiro é idolatrado aqui, qualquer mulher, por mais desinteressante que seja, vai arrumar um parceiro até o final da noite. Em seus próprios países, as meninas buscam sair para se divertir e se quiserem, ficam com alguém. Mas como aqui é muito fácil, já que se você é branca, automaticamente é bonita, ficar ou transar com um indiano (muitas vezes rico) é o final da noite da maioria das meninas nessas boates. Já vi casos horríveis...meninas que toparam sair com um indiano e não querer transare e o cara ficar confuso ou até com raiva. As meninas sabem que eles são sex starving, riem disso e acabam se metendo em situações terríveis.
Quem não vai na onda acaba virando farinha do mesmo saco e isso já me fez ter que colocar vários homens em seus lugares por acharem que por eu ser branca e estar em uma festa, necessariamente eu quero transar com ele. Em momento nenhum justifico o estupro até porque nada no mundo justifica uma agressão tamanha porém essa má idéia sobre as mulheres ocidentais surge desse comportamento, achar que por estar em um país estrangeiro e que por aqui ninguém dar conta da sua vid,a você pode fazer coisas que não faria no seu país, até porque o que você faz no seu país é interpretado de uma forma, em um país estrangeiro a interpretação é quase sempre outra.

Às vezes somos convidadas para trabalharmos em casamentos (como garçonetes ou recepcionistas, pois é muito chique ter estrangeiras em festas), constantemente temos que encarar homens nojentos abanando rúpias e mais rúpias nas nossas caras, perguntando a que horas o trabalho acaba. Tem menina que topa. Eu respondo no tapa, um tapa discursivo, mas respondo.
É aquela coisa, o machismo já é pesado, mas a gente vem de outro país e ainda deixa a coisa pior, as próprias mulheres. Por isso que defendo que as maiores divulgadoras e incentivadoras do machismo, infelizmente, são mulheres. Aqui principalmente, mas no Brasil também. Dói quando o preconceito vem de um homem mais dói ainda mais quando vem de uma mulher, como disse a Hayashi.

Eduardo, não conhecia a palavra aportuguesada, só fui ver essa palavra aqui. Obrigada pela informação.

Jamie Barteldes disse...

Sara e Lorena,

Eu não me arrependo de ter vindo para a Índia. Aliás, foi a melhor coisa que podia ter me acontecido. Eu me tornei feminista aqui e pretendo conhecer outros países tão ou mais machistas, principalmente por ser professora. Na escola em que eu trabalho, meninos e meninas não sequer querem sentar juntos sequer para uma atividade de grupo. As meninas são, em sua maioria, tímidas e retraídas. Nas minhas aulas, eu busco sempre mostrar para eles que o machismo não é normal, que em muitos outros países a situação é diferente, a mulher tem espaço e que as meninas não precisam achar que o destino delas é apenas e tão somente se casarem, terem filhos e serem escravas dos maridos, assim como tento mostrar para os meninos que meninas são iguais aos meninos e proibo qualquer manifestação sexista na minha sala. É pouco, quase nada, mas é algo. Quando eu era criança, as professoras da escola me marcaram muito e sei que marcarei para elas também, principalmente por ser de outro país. Quando eu voltar para o Brasil, continuarei a ensinar e, acredite, cada mísera experiência terrrível que eu passar ou ouvir falar por aqui, será propagada no Brasil. Mantenho um blog falando da minha experiência na Índia por isso, para gerar discussão, para gerar diálogo.

Entendo que vocês não queiram dar dinheiro a um país que trata mal suas mulheres, mas a Índia é muito, muito, muito mais que seu machismo e eu não me sinto mal em estar aqui pois estou contribuindo minimamente para que essa situação melhore.

Links,

Temos, sim, nossa capacidade mental constantemente questionada. Passamos tanto tempo com homens no poder e só agora temos uma mulher como presidente muito por isso. O machismo, daqui ou daí, subjulga, inferioriza, diminue a mulher em todos os aspectos. Não acho que no Brasil é pior ou melhor, são culturas diferentes, mas nas duas culturas o machismo é presente e manifestado. Para mim, só ser manifestado já basta. Nunca esqueçamos do caso da Maria da Penha, nunca. O machismo aqui é violento e o daí também.
Em momento algum disse que o Brasil era melhor ou pior e nem quero passar a mão na cultura de ninguém, muito menos na minha. A coisa tem que mudar aqui e aí.


Gente, adorei os comentários, adorei a discussão e desculpa se não comentei todo mundo, só vi que o post havia sido publicado ontem à noite. Vamos continuar pensando e refletindo e brigando pois é o único jeito da coisa mudar Lola, obrigada mais uma vez pelo espaço!

Matheus disse...

Jamie,

Sim, eu compreendi que a sua intenção era gerar um debate. O texto, como já a parabenizei, é muito interessante e bem elucidativo.

Reconheço e lamento que o machismo ainda exista no Brasil e que gere tantos efeitos negativos para a sociedade. Como pontuei, ainda precisamos avançar bastante para eliminar a violência contra a mulher, as disparidades socioeconômicas entre homens e mulheres, e as brincadeiras "inofensivas" - que de inofensivas nada têm - que ajudam a perpetuar a desigualdade nas relações de gênero.

Contudo, acredito que existam estágios que o Brasil já tenha superado, como, por exemplo, a necessidade generalizada de uma mulher adulta de pedir autorização ao pai ou ao marido para usar uma determinada roupa, ou de solicitar permissão para emitir uma opinião distinta da do pai ou do marido. E, ao que parece, a Índia, a Indonésia e a Mauritânia ainda não superaram tais estágios.

Não nego o machismo e nem o considero exagero feminista, até porque eu também sou feminista, apesar de ser homem. Inúmeras vezes ouvi - inclusive de mulheres - condenações seguidas de adjetivações pejorativas a mulheres que haviam ficado/beijado/dormido com vários homens. Assim como já ouvi a exaltação de homens que haviam ficado/beijado/dormido com várias mulheres. E, naturalmente, nunca concordei com esse sistema de dois pesos e duas medidas. Se homens podem, por que mulheres não podem?

O que quero dizer é que, com base nas conseqüências do machismo, dá, sim, para avaliar quais sociedades são mais ou menos igualitárias nas relações de gênero. E, julgando pelo seu texto, o Brasil aparenta ser mais igualitário que a Índia no que concerne às relações de gênero.

Reconhecer as deficiências e as qualidades de uma determinada sociedade não implica em auto-negação, ao menos não a meu ver. Auto-negação seria não reconhecer nem as deficiências nem as qualidades.

Lorena disse...

Jamie, obrigada por nos responder. E você tem razão, que bom que você está na Índia! Que bom que está tentando fazer a diferença na vida dessas crianças, e tomara que elas cresçam fortalecidas pelo que aprenderam com você. Eu, quando leio histórias de machismos nos países orientais, fico incomodada demais, mas MAIS porque não vejo solução, não vejo como ajudar essas pessoas... Nossa, que bom que você encontrou uma forma de ajudar!

darkgabi disse...

mt bom o texto... tive umas amigas indianas na época q fazia curso de alemão e apenas uma dela tinha um pensamento diferente de sua própria religião e cultura. aliás, uma menina do grupo tb começou a apanhar do namorado [ele não era turco, mas era de algum lugar ali no final da europa e começo da ásia] e msm assim não largava dele. ela era equatoriana.

concordo em td q vc disse, talvez só concorde menos com as dançarinas de boquinha de garrafa. eu particularmente não gosto e admito q qd elas se vendem, elas estão tb me vendendo. mas eu gosto de olhar no lado positivo: msm q no fundo seja para "agradar" aos homens, ao menos alcançamos um nível onde elas podem fazer isso se quiserem, sem estarem à margem da sociedade.

é tipo akela charge de uma mulher de burca e outra de bikini. a diferença é a escolha. e ela é fundamental, na minha opinião.

pq vc pode escolher ser quem vc quiser, a dilma, a rita lee, a carla perez ou a narcisa tamborideguy. na índia falta a escolha.

talvez o machismo pior dessas dançarinas resida no fato de tod@s nós a reduzirmos a bundas e a não levá-las a sério. ou no fato do resto do mundo aceitar q um evidente esteriótipo descreva cada um de nós em particular.

Sara disse...

Jamie assino embaixo tudo o q a Lorena falou pra vc.
E confesso que acho muito desprendimento de sua parte se dedicar dessa maneira, parabens!!

Dária disse...

"Um homem se masturbando diante de mulheres que estavam apenas se divertindo, mas que para ele estavam passando dos limites e dando “cabimento” para que suas vontades sexuais fossem expostas, é algo que certamente não veríamos no Brasil"

- na verdade vemos sim! Eu ao menos já vi isso... e eu estava de calça jeans e camiseta indo pra faculdade, enquanto um senhor de bicicleta passava pela rua, com algum calção curto e sem cueca, pondo o pênis do lado de fora pela perna do calção e se masturbando... assim, de dia, aos olhos de qlq pessoa.

Matheus disse...

Jamie,

Se as pessoas no exterior só veem as brasileiras como "biquini", "bunda" ou "boquinha da garrafa", a culpa é delas por terem uma visão limitada. Eu realmente me pergunto como um ser humano pode pensar que outro ser humano se resume a peça de roupa, a uma parte da anatomia ou a uma atividade recreativa/profissional.

Não é porque os estadunidenses, os alemães e os italianos estão, respectivamente, no topo da lista dos turistas sexuais do mundo que eu vou enxergar 312 milhões de estadunidenses, 80 milhões de alemães e 55 milhões de italianos como depravados ou pedófilos (levando em consideração que boa parte do turismo sexual se utiliza de menores de idade).

Como Darkgabi falou, o direito de escolha é fundamental. Ninguém é 100% livre em sociedade alguma, mas existem determinadas escolhas pessoais quanto às relações interpessoais-afetivas, à liberdade de pensamento e expressão, às atividades profissionais e recreativas que são mais abertas em umas sociedades que em outras. No Brasil, mesmo quem é comunista-marxista, por exemplo, tem que se inserir na lógica capitalista e trabalhar em troca de um salário (ou de comida, nos casos mais extremos) para sobreviver, a menos que queira morrer de fome, mas tem a liberdade para escolher a profissão a ser exercida.

Se as dançarinas de funk "se vendem" (um termo preconceituoso, por sinal, porque todo profissional vende a sua força de trabalho em troca de dinheiro) para agradar à sociedade machista, ao menos elas tiveram uma mínima liberdade de escolha e optaram por se tornar dançarinas de funk.

Como você mesma esclareceu não ser um biquini, uma bunda nem uma vagina, deve, a meu ver, criticar quem a reduz a isso, não quem destaca essas partes do próprio corpo. Não é Carla Perez quem está dizendo que você é um biquini, uma bunda ou uma vagina; é a pessoa que viu Carla Perez ressaltar a _dela_ e automaticamente generalizou afirmou que você e todas as brasileiras são assim. No seu lugar, eu ficaria chateado com quem me reduzisse a um/a biquini/bunda/vagina, não com quem mostrasse o/a seu/sua biquini/bunda/vagina (ou pênis, já que sou homem).

Como falei anteriormente, não acredito que o problema seja uma mulher (ou mesmo um homem) expor a sua sexualidade para conquistar ou satisfazer alguém. O problema é, na minha opinião, condenar a sexualidade - sobretudo feminina -, rebaixando-a a algo não digno, ou exigir que todas as mulheres façam uso de sua sexualidade, tirando-lhes o direito de escolha.

Quanto a quem culpar pela imagem de bunda no exterior, se Carla Perez ou Fernanda Montenegro... À luz do Feminismo, quem deve ser culpada? A mulher desinibida (para usar um eufemismo), a santa ou quem obriga as mulheres a terem que decidir entre a devassidão ou a castidade?

Não quero ofendê-la, mas o seu discurso culpa a vítima - que se utiliza da sua sensualidade para esse ou aquele fim - e não o agressor - o machismo, que condena a sensualidade, projetando-a como indigna mas ao mesmo tempo exigindo que as mulheres façam uso dela, mesmo contra a vontade.

darkgabi disse...

obrigada, matheus, me senti mt contemplada pelo seu comentário! é bom qd alguém com eloqüência expõe as nossas idéias hahahaha =]

Matheus disse...

De nada, Darkgabi. Fico muito contente quando encontro pessoas capazes de fazer análises que considero justas e objetivas. :)

Obrigado pelo "eloqüente"!