sexta-feira, 6 de maio de 2011

CRÍTICA: REENCONTRANDO A FELICIDADE / Você tem de ser acima de tudo forte

Isso que a Nicole tá chorando é fichinha perto de mim

É melhor ir ver este filme que estreia hoje no Brasil sem saber nadica de nada, porque eles vão contando a história (que é simples e curta) aos poucos. Prometo que não vou estragar nenhum ponto. Um resumo geral é que é sobre um casal que perde o filho, e o jeito que lida com a perda. É basicamente isso (trailer legendado aqui).Mas que casal! Quem faz a mãe é Nicole Kidman, e o pai, Aaron Eckhart. Ambos estão ótimos. Aaron sempre tá bem e consegue bons papéis (Cavaleiro das Trevas, Obrigado por Fumar, Towelhead). Mas Nicole... Deve ser seu mehor papel desde Dogville, sete anos atrás. E é difícil vê-la sem pensar: por que uma atriz faz isso com o rosto, seu maior instrumento de trabalho? “Isso” a que todo mundo se refere é o botox na testa e o colágeno nos lábios. Não faz sentido pra mim. Atores precisam ter expressões, e rugas e linhas fazem parte. E Nicole é bem jovem ainda, tem 43 anos apenas. Dizem que ela começou a aplicar esses troços em 2003. Pra quê, meu deus? Bom, em Reencontrando sua aparência está melhor, se bem que aqueles lábios inchados ainda incomodam, dependendo do ângulo. Mesmo assim, ela voltou a ser indicada ao Oscar. Merecidamente. Perdeu pra Natalie Portman, também merecidamente, a meu ver.Reencontando a Felicidade é o título mais esquisito em tempos recentes. Tudo bem que o título original, Rabbit Hole (Toca do Coelho), não tem muito a ver, mas colocar a palavra felicidade num drama tão deprê parece piada. Digamos que eu chorei discretamente, chuif chuif, no começo. Mas quando chegou no meio, na cena do supermercado, eu desabei. Tive convulsões. Chorei durante uns quinze minutos ininterruptos. Felizmente não vi o filme no cinema, mas em casa, senão teriam me expulsado pelo barulho. Meu gatinho Calvin veio duas vezes ficar em cima do meu peito pra ver se eu iria sobreviver. No final meu rosto parecia uma panqueca vermelha.E só depois fui saber que o drama é baseado numa peça de teatro (de David Lindsay-Abaire) ganhadora de vários prêmios. Pra mim nunca pareceu uma peça. E Reencontrando não tem absolutamente nada de chato (embora o maridão tenha dormido, e acordado com água até o pescoço por causa do meu dilúvio). Mas não sei pra quem essa adaptação pro cinema é feita. Não é sobre qualquer perda. É sobre perder um filho, algo bem específico, e diferente de perder os pais. Se eu, que nunca tive filhos, chorei feito uma condenada, fico só imaginando alguém que tenha passado por essa situação tenebrosa que é perder um filho. Deve ser complicadíssimo suportar o filme. Se eu recomendaria o filme prum casal que passou por isso? Só se eu fosse sádica. E Reencontrando deve ter algum outro objetivo além de deixar Lolinhas com visão turva e cara inchada por dois dias. De repente é pra que o espectador reproduza a Nicole Experience de ficar com lábios de pato? (Tô sendo cruel, desculpe).
A direção é de John Cameron Mitchell (ator e diretor de Hedwig, musical que eu nunca vi). E, só pra você saber, é um dos filmes mais tristes dos últimos tempos.

13 comentários:

Lord Anderson disse...

Essa deve ser a critica mais curta aqui do blog, heheheh

Bem, eu não tó com animo para ver filme tão depressivo assim, então esse vai para o fim da fila.

Mas sobre a Nicole, é realmente triste que uma mulher tão jovem e bonita se submeta a um procedimento que acaba por "disfigura-la" em termos.

Bruno Stern disse...

Quando eu vi o trailer eu tive a certeza que independente da qualidade do filme, ele era feito para fazer chorar.

Foi um dia que de 4 trailers, dois eram de filmes que falavam de pais que perdem filho. E outro também era sobre uma morte em uma família.

Seleção tristeza estava em alta.

The Buk's On The Table disse...

Todas as críticas que li ou vi - na GloboNews - sobre o filme foram positivas. Esse eu não perco!

ju k disse...

Que ótimo esse post. Me poupou de ver um filme que- não importa o quão maravilhoso seja - não me faria nada bem. Obrigada:)

Vanessa Orgélio disse...

Oi Lola! Passeando pela Net encontrei seu blog! E gosti muito do seu resumo do filme!
Nunca assisti esse filme não, mas fiquei até com medo de assistir... eu sou uma chorona nata! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Já assistiu ao filme: P.S. Eu te amo?
Chorei esse filme inteiro... lagrimas de diluvio mesmo...
e o filme O Óleo de Lorenzo também é um dos filmes mais tristes e emocionantes que já vi. Em geral gosto de drama, mas preiso que tenha no mínimo um final razoávelmente feliz... Fiquei tentada a assistir o filme, vou dar uma procurada por aqui...

Eu também tenho um blog... se quiser ir lá conhece-lo será sempre bem vinda!
Um abraço!

www.minhacasadossonhos.blogspot.com

Pentacúspide disse...

Este ainda não cheguei a ver, mas há um outro que trabalha o mesmo tema, intitulado WELCOME TO THE RILEYS que toca bastante, e puxa pelas lágrimas algumas vezes. Mas isso talvez porque eu sou muito sensível com estas merdas de Hollywood e comociono-me facilmente que até o MATRIX 3 me faz chorar, e... porém... paradoxalmente filmes projectados para fazer chorar geralmente não me tocam.
Eis cá então um desafio.

Vitor Ferreira disse...

Adoro esse filme. A peca ganhou o Pulitzer e era com a Cynthia Nixon, que levou o Tony de melhor atriz. Pra mim a Dianne Wiest teria sido indicada ao Oscar. Talvez o Aaron tambem. A categoria de Melhor Ator tava muito fraca esse ano.

Jan disse...

Nossa, Lola! Após todo o seu relato só tenho a te dizer que estou com uma enorme vontade/curiosidade de assistir ao filme.
=]

Roberta disse...

Lola,que pecado!
Vc TEM que assistir Hedwig,é o melhor musical deste planeta.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Nada a ver com o post, mas acabei de assistir Os homens que não amavam as mulheres e achei muito interessante, tem tanta coisa em comum com as coisas que vc discute no blog. Depois que terminei fiquei pensando que ia ser ótima uma crítica feminista sua do filme, Lolinha (aka a pidona, rsrs).
Bjus e bom fim de semana.

Ághata disse...

Sem ânimo para filme deprimente. Principalmente no meu caso que tenho um grande problema para lidar com morte de entes queridos. Perco completamente o eixo nesses casos ou entro em estado de negação.

lucia latorre disse...

Fui assistir o filme hoje, acompanhada de minhas 2 filhas queridas. Dia das mâes: e elas deixaram -me escolher o filme.

Chorei tb na cena do supermercado.Gostei muito. Apesar das lágrimas....

Boni disse...

Uma dica à Lola: Se você acha que o título Hobit Hole não tem nada a ver, assista ao filme Quem Somos Nós. Tem tudo a ver como a forma que vemos (ou deveríamos ver) a vida e como o adolescente que provocou o acidente consegue "materializar" esse conceito tão abstrato na sua comic book. Não deixe de assistir com a cabeça aberta. Pode mudar a sua vida.