segunda-feira, 14 de março de 2011

GUEST POST: MEU AMIGO FOI AGREDIDO POR BEIJAR O NAMORADO

A Sueli, que é documentadora de software, cantora e estudante de Letras, me enviou um email no sábado contando sua revolta. Um amigo seu foi agredido na sua frente em plena R. Augusta, ao lado do bar O Pescador, a menos de trinta metros de dois dos maiores points gays de SP. O motivo? Ele beijou seu namorado. Compartilho e me solidarizo com sua revolta: “Foi um choque. A Augusta tinha o status de terra da liberdade. Os recentes casos de violência estão aumentando em número, e agora chegaram à banalização. Bater em viado na rua Augusta e imediações agora é justificado, apoiado, e em nome do respeito. Precisamos alertar as pessoas que não são só as lâmpadas fluorescentes, não são só os casos extremos de violência. É a violência 'corretiva'. Às abertas, com pessoas em volta, pra colocar as beeshas 'no seu devido lugar'. É uma forma de opressão e segregação baseada na orientação sexual”. Fiquem com seu relato.

Era uma noite normal de sexta-feira.
Quem me conhece sabe que eu adoro a Augusta. O clima de liberdade, o astral bom de todo mundo reunido, ver emos, homos, girls and boys, drags and queens, black and white sempre me fez pensar que independentemente de quão estranha fosse a natureza humana haveria sempre um local para dar vazão à essa necessidade básica: expressão.
Até que na porta de um bar, meu melhor amigo rouba um beijo no mocinho tímido com quem estava flertando.
O tapa veio e nem sabíamos exatamente de onde.
Olhamos pro lado de onde partira a agressão, um homem branco, de seus vinte e poucos, vestindo roupas normais e boné vociferava juntamente com uma mocinha minúscula que clamava respeito por sua presença, e gritava que era um absurdo os garotos se beijarem ali, na frente 'deles'.
Primeira reação, perplexidade.
Em seguida, raiva. A discussão esquentou, eu estava absolutamente indignada. Foi esse tipo de mentalidade que colocou plaquinhas nos lugares dizendo onde negros não podiam entrar. Que impediu mulheres de votarem até 1930.
“Mas eles eram seis”, alguém disse pra relevar. Acabamos trocando de bar. O mocinho do flerte, assustado e dizendo: "É assim mesmo!".
Já num bar gay ouvimos o que mais me chocou: "O que você esperava? Lá é um bar hetero".
Onde é que estava a maldita placa pra avisar o meu amigo para não demonstrar seu afeto, ou do contrário ações de violência estariam justificadas?
Onde é que estava a placa naquele mesmo bar, gay, onde eu, heterossexual por acidente do destino, fora em busca de compreensão com um amigo?
Me perguntei mil vezes onde estava o movimento GLBT, tão forte e atuante em tantas questões.
Onde estavam os protagonistas das paradas de orgulho? (Pergunto porque sou simpatizante do movimento há anos. A minha dor foi contra a postura geral de imobilidade de 90% dos gays com quem falamos naquela noite. Ali, no Ecléticos lotado e mesmo nas imediações d'A Loca, sabemos que há uma concentração considerável de 'participantes' do movimento, mas a impressão que tivemos foi que como em igrejas, alguns são um tanto não praticantes. Não conseguimos, na hora, a trinta metros, nem dois casais para um beijaço. Tem ideia do impacto disso ali, naquela hora, no momento em que a coisa aconteceu? Seria combater o ódio com uma demonstração em massa de amor. Essa foi a nossa grande decepção, a falta de mobilização, e até a incompreensão de alguns).
Eu fiquei ali ouvindo, pasma, eles dizerem que meu amigo devia ter parado no lugar x e não y. Em nenhum momento a questão da inadmissibilidade da agressão foi levantada. A questão era o lugar. Qual era o lugar dos gays, e qual o lugar dos heteros.
Pessoas agora têm lugares que não podem mais frequentar? Qual era o lugar de alguém como eu que acha que pessoas são só pessoas?
E seguindo a linha simplista da categorização, todo hetero é violento e todo gay precisa se isolar no gueto?
Me perguntava qual das segregações é a pior, a de fora pra dentro, ou a que eles mesmos se impuseram...
Não sei se volto àquele bar, o hetero, não digo que não volto à Augusta, mas um dia temo encontrar plaquinhas only hetero, only black, only drag...
Mas a pergunta é, e o nosso direito de ir e vir? Quem decide onde e quando podemos ir?

39 comentários:

Rubens disse...

Isso é mesmo lamentável, uma pena que o rapaz tenha sido agredido por ter demonstrado afeto, com certeza o agressor só fez isso para se mostrar "macho alfa" na frente da moça com quem ele estava acompanhado, uma espécie de auto afirmação...

Essas pessoas são doentes, justificam tudo isso como "bom costume" "defesa da moral" e por ai vai. Incrivel como esse tipo de mentalidade só se vale da violencia para justificar-se.

O mais triste é ver homossexuais aceitando a situação! Mas deve ser complicado ter coragem para enfrentar esse tipo de confronto...

É a Augusta já foi tranquila ...

Thiago beleza disse...

A questão das reações a violência são complexas. Depende de uma série de fatores e é um fato que as pessoas tem medo de morrer.

Cansei de ver vizinhos assassinados por discussões idiotas e, de onde eu vim, pra ficar vivo, o segredo era não se meter a besta com ninguém.
Pode parecer bizarro, mas até hoje, sempre imagino que QUALQUER pessoa na rua possa sacara uma arma e me matar ali, por um pisão no pé.

Acho que estes argumentos de que eles não deviam estar ali, são uma forma natural de defesa.. òbviamente é equivalente a dizer a uma mulher estuprada que ela não devia andar com saias tão provocantes, mas isso ocorre. O poder público caga, não pune, não previne... As pessoas se defendem como pode.

Não acho que seja a forma mais correta de agir nesses casos, mas tampouco julgo os que buscam formas de se esconder, de se defender.. no fim, nem todo mundo quer lutar.. algumas pessoas só querem viver suas vidas.. ainda que seja de joelhos...

Samara disse...

É tão bizarro que alguém ainda se sinta "desrespeitado" pela demonstração de afeto alheia. Parece o mesmo princípio pela qual minha geração não beijava os namorados na frente das mães. De uma hipocrisia que me arrepia até a alma.
Realmente uma pena que QUALQUER ato de violência - esse incluído - possa ser justificado. Pena maior que as pessoas aceitem tão passivamente.

Também sou hetero, como diz a moça, por questões do destino. Mas são gays algumas das pessoas que mais respeito e estimo nesse mundo.
Isso me faz temer por eles.
E me faz temer que meus filhos, que ainda não tive, venham a testemunhar uma cena desse tipo ainda - porque, pela minha lógica, tudo isso já devia ter acabado há séculos, mas persiste. Realmente gostaria que eles viessem num mundo em que isso não acontecesse mais. Sejam eles héteros ou gays ou mudem de idéia no meio do caminho.

Aline disse...

Eu fico pensando nesse negócio de bom cotume. Se um casal hetéro estivesse se agarrando ali, a reação seria a mesma? Isso é muito chato e muito complicado.

Volto postar depois.

Beijos
Aline

Jáder disse...

Sinceramente, eu só não me impressiono com o relato deste incidente porque (segundo quem relata) aconteceu na cidade de São Paulo. Cansei de ver, ouvir e ler tanto na internet como na televisão demonstrações de ódio, preconeito, xenofobia e homofobia por parte de paulistanos. Até quero acreditar que nem todos os paulistanos são assim, mas...

Embora eu não ache bonito ver dois homens ou duas mulheres se agarrando em público, é bom lembrar que tem uma praça na cidade de Fortaleza, a praça da Gentilândia, onde gays e lésbicas ficam a vontade pra se beijarem sem serem incomodados. Tem até policiais garantindo a segurança e nenhum caso de violência foi relatado por aquelas bandas (não que eu saiba). E estou falando de praça pública, não de um barzinho fechado.

A criminalidade em Fortaleza é até grande. Mas nada motivado por homofobia. Até os crimes passionais contras as mulheres tem diminuido. O maxímo que rola são piadas com homossexuais. Mas na terra do humor, todo mundo faz piada com todo mundo. Não é privilégio de homossexuais ou heterossexuais. E ninguém aqui parte pra agressão física contra ninguém por causa disso.

Canso de ouvir gente do sudeste dizer que as capitais do nordeste são atrasadas, que o povo é ignorante etc. Mas ainda estou pra conhecer lugar no Brasil onde se respeita mais a individualidade e a sexualidade de cada um como aqui em Fortaleza.

flexoeslesbicas disse...

Eu não teria tido uma reação como do tipo "quem mandou ir num lugar hetero?", mas entendo por que as pessoas falaram isso na balada gay.

Nós, homossexuais, passamos tanto tempo nos adequando ao ambiente que quase vira insitintivo. Se a gente sai com uma namorada(o), temos que pensar "aqui tem muita gente? pouca gente? estamos só nós duas ou em um grupo? tem um grupo de playboys por perto? qual a idade das pessoas a nossa volta? Tem chances de alguém conhecido do trabalho estar aqui? Há segurança no local? Podemos segurar as mãos, dar selinho ou agir naturalmente como um casal como outro qualquer?"

Oliveira disse...

O único lugar de São Paulo que beijo gay é tolerado na rua é na Vieira de Carvalho; ali o antro gay está sedimentado.

A Augusta é lugar de prostituição feminina. A freqüência é um pouco diferente.

E também,sejamos francos: a bicharada está exagerando um pouco.

aiaiai disse...

São dois fatos tristes: a violência contra o afeto e a acomodação frente ao desrespeito. A indignação da Sueli e de outros que vão comentar aqui é que me fazem ter a esperança de que, em alguns anos, idiotas homofóbicos deixem de existir.

Aproveitando, peço a todos que apoiem a aprovação da PLC 122 que inclui casos de homofobia na lei anti racismo

http://www.plc122.com.br/

Façam pressão para que os seus deputados e senadores votem com a razão e não com a religião.

Lola K. disse...
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Flávia disse...

Olha, Jáder, acho que você tem uma visão idílica em relação à Fortaleza e deturpada em relação à São Paulo...

Nem todos os paulistanos são homofóbicos, embora existam muitos, os quais se proliferam diante da passividade da polícia e da sociedade frente a essas atitudes violentas.

Não conheço Fortaleza, mas assim como o resto do Brasil acredito que há muito a ser feito. Não basta uma praça para dizer que a cidade não tem homofobia... Homos, assim como heteros, devem ter o direito de manifestação de seus afetos em qualquer lugar...

Outro ponto que me incomodou em seu comentário: a questão das piadas. Não se trata de uma violência física como um tapa, mas as piadas também são formas de violência...

Assim, a questão da homofobia não é algo restrito a São Paulo, Fortaleza, Sudeste ou Nordeste, mas uma questão que deve ser refletida em todo país...

Andréia Freire disse...
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Andréia Freire disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andréia Freire disse...

Bicharada? Você que é um bicho, Oliveira. Um ANIMAL, um cara que parou no tempo, parece que vive na Idade Média. Desde quando dar UM SELINHO É EXAGERAR? NA BOA, faz uma favor pra humanidade e pra gente, VÁ SE FODER!

Caralho! Que imbecil dos infernos!

Pois saiba você que tanto hétero quanto homossexual tem DIREITO de dar selinho, beijar, andar de mãos dadas, se abraçar e demonstrar carinho e afeto, seja casual ou não, onde quiser e quando quiser. Ah, vá!

Luiz Fireball disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Slippery Sanity disse...

"E também,sejamos francos: a bicharada está exagerando um pouco."

Também acho. Tudo bem tolerar - e eu realmente não sou obrigado a gostar -, mas ver dois marmanjos dando um selinho é ridículo. Exijo meu direito de controlar a vida alheia de acordo com as morais que julgo corretas.

Ju Paiva disse...

"Embora eu não ache bonito ver dois homens ou duas mulheres se agarrando em público, é bom lembrar que tem uma praça na cidade de Fortaleza, a praça da Gentilândia, onde gays e lésbicas ficam a vontade pra se beijarem sem serem incomodados."

Me incomoda mto esse papo "não gosto, não acho bonito manifestações de afeto entre homossexuais" pq, na maioria das vezes tem uma pitada de homofobia aí.
Afinal, quem hj em dia se declara incomodado com beijo hetero em público?!
A nossa sociedade já naturalizou há décadas homem e mulher se beijando na rua, tanto que não se comete o deslize de igualar beijo = casal se agarrando....

Sandro disse...

Mais importante que este mimimi todo, que sair pela rua fazendo estardalhaço e procurando viado pra dar beijaço, o fundamental é que agredir as pessoas, sejam boiolas ou não, é crime. O que a bichinha agredida ou a sua amiga pata choca deviam ter feito é chamado um policial, feito um B.O. e mandado o malvado em cana porque esse negócio de bater em viado na rua é crime, é baixaria, é palhaçada e só vai acabar quando houver punição.

Shey, Sheid, enfim... disse...

Eu não sei pq insisto em ler postagens de gente como o Oliveira ou o Sandro. Dá vergonha de pertencer à mesma espécie, sabe?

Por outro lado, Rubens, Thiago, Samara e outros, bem como a própria Lola me dá esperança...

Gente preconceituosa me dá NOJO, asco, vontade de vomitar. E lugar de gente preconceituosa que manisfeta violência e intolerância é na cadeia.

Victor disse...

Eu concordo com você, mas entendo o lado dos gays que têm MEDO. Não estão errados, são vítimas da discriminação.

Nos meus momentos de loucura, já fui capaz de beijar um garoto numa parada de ônibus lotada e numa praça (com uma forte concentração homossexual, mas, mesmo assim, uma praça bem visível). Hoje não faria mais isso. Por medo. Quem sabe quando vou levar uma pedrada? Já fui parado várias vezes. "Vocês não podem fazer isso aqui." "Tem criança aqui, olha o respeito." "A dona do bar pediu para que vocês parassem." Poxa, é um saco!

Eu acuso quem se omite? Não. O problema não são os medrosos, são os que impõem o medo. Claro que isso só vai ter fim com muita mobilização, mas ninguém pode obrigar ninguém a lutar. Se eu estivesse com você, teria dado razão, juro. E teria me juntado ao beijaço.

Absurdo.

(Quando fui a São Paulo - sou de Fortaleza -, passei pela rua Augusta e adorei! Triste ouvir uma história dessa vindo de um lugar tão legal. :\)

Rubens disse...

KKKKK

Esse Sandro só pode estar fazendo joça.

Ou ele realmente acredita que fazer um B.O e no caso um exame de agressão vai adiantar alguma coisa?

A policia so protege o patrimonio, eles não estão nem ai para integridade fisica do cidadão, se ele for homossexual então, ai que o descaso é pior.

E o outro rapaz ainda exige o "direito" dele de se intrometer na vida dos outros segundos os seus conceitos, torpem aliás.

Por isso que sou à favor de aulas de cidadania para crianças já no primário, para elas aprenderem que devem respeitar o próximo independente das convicções do outro, seja sobre ética, religião, sexualidade, enfim.

Pedro @snoopy_xxx disse...

Já contei isso aqui, mas não custa relembrar: Já fui atacado em SP, perto da Rua Augusta, na avenida Paulista (próximo a rua do black dog). Isso porque o agressor viu eu abraçando o meu ex. E olha que era aquele abraço "de lado" sabe? Mas foi o suficiente. Como eu tenho costume de reagir, eu acabei caindo na porrada e me dei mal. Fiquei com o rosto machucado e mancando. A sorte é que o agressor não carregava faca ou soco inglês, se não em nem sei se tava vivo!

Fui atrás da polícia, mas os policiais ao mesmo tempo que foram atenciosos, me desencorajaram de fazer um B.O. dizendo que eu não tinha muitos dados do agressor para fornecer. Aí eu fui perdendo a força de vontade, até porque eu tava mancando e já tinha comprado minha passagem de volta pro Rio.

Eu entendo os gays que tem medo de reagir. Meu ex mesmo nem conseguiu se mexer pra me ajudar, mas confesso que eu também gostaria que os LGBT fossem ainda mais ativos. Que tivessem mais sangue quente para lutar pelos os seus direitos.

Hoje em dia eu vivo tranquilo e me tornei um homem muito mais consciente na luta pelos meus direitos, mas fico bastante nervoso quando sinto que posso estar correndo perigo quando estou na rua. Melhorei como ser humano, mas infelzimente fiquei com as marcas deste episódio tão triste...

c.moura.bh disse...

Olha a qualidade dos guest posts: um é claramente uma falsificação pedante, e outro é sobre "meu amigo"! Daqui a pouco vale escrever sobre o caso que aconteceu com o amigo da cunhada do meu primo de segundo grau?

Lorena disse...

Eu entendo quem tem medo, de verdade. É complicado viver tenso, sem poder relaxar por um instante, porque não sabe se nem quando vai ser agredido. Nem é preciso demonstrar afeto, os casos da Paulista e do Rio de Janeiro, no ano passado, estao aí para provar. Basta um homofóbico desconfiar que alguém é gay e estar afim de bater, que ele vai agredir, sim. Imagina o que é viver com essa expectativa, sempre que sair à rua??

Ainda assim, eu demonstro afeto em público, ando de mãos dadas com a minha namorada, abraço... o beijo já é algo mais "tenso", digamos, porque não é em todolugar que nos sentimos à vontade, dependendo de quem está a volta. Enfim, decidimos que não vamos esconder, que não vamos nos privar, que não é justo conosco. Mas que é um porre viver essa pressão, é triste ver todo e qualquer casal hetero podendo demonstrar carinho em público e vc, sempre tenso, sempre com medo, sempre na expectativa do que pode dar errado... ah, isso é. E muito!

Agora sobre essa praça aí de Fortaleza, vocês não acham que é homofobia dizer "ah, eles tem uma praça só pra eles, ninguém enche o saco ali..." Isso não é discriminar?? Não é a mesma coisa que a autora do texto reclama, a existencia de "lugares gays", ghetos para onde nós somos empurrados, onde podemos "viver em paz"... e nos outros lugares, não posso ser eu mesma?? Tenho que ficar restrita ao "lugar que me cabe", porque sou lésbica?? Que vantagem há nisso??

Victor disse...

Lorena, eu também não acho justo a existência de guetos, claro que não. Mas na nossa sociedade, onde as pessoas não podem mostrar o que são nos espaços de uso comum - as ruas -, a existência de guetos é quase inevitável.

Como, por exemplo, paquerar com um cara na rua sem ter certeza se ele é gay (porque às vezes a gente acha que fulano é gay e ele É HOMOFÓBICO)? Tenho é medo de apanhar. Na minha cidade, por exemplo, os gays se conhecem através de amigos em comum. Mas o heterossexuais, por exemplo, são livres no mundo inteiro para dar em cima de quem quiserem - nunca que um gay vai se sentir ofendido por ter sido confundido com um heterossexual; alguns vão até ficar lisonjeados, vão se sentir menos "anormais". (Que nojo dessa palavra!)

Já que o espaço público não oferece o equilíbrio entre os direitos heterossexuais e homossexuais, sempre aparecem espaços (guetos) em que homossexuais se sintam mais à vontade (e, conseqüentemente, homofóbicos se sintam menos à vontade de discriminar, não que isso apague completamente as chances de atentados contra homossexuais em guetos).

Lorena disse...

Victor,

não estou falando que a existência desses lugares seja uma coisa ruim, por si só. O que me incomoda é esse tom de que "ah, mas eles têm os lugares deles, estão protegidos ali, tá bom". Não tá bom, nada! Enquanto não tivermos o direito de sermos nós mesmos em qualquer lugar, ainda não está bom!

É claro que entendo porque preferimos frequentar espaços gay friendly, claro. É como eu disse, vivemos o tempo todo sob o perigo de sermos violentados apenas por existirmos, é um perigo real, e cada vez mais agressões do tipo ocorrem, porque cada vez mais estamos nos mostrando. Mas o ideal seria deixar de nos mostrarmos? Fingir que não existimos? Restringir nossa presença aos pouquíssimos lugares que não nos oprimem??(aliás, como a autora do texto salienta, nem mesmo os lugares que são gay friendly, como a Rua Augusta, ou a própria Paulista, estão a salvo de ataques homofóbicos) Isso seria retroceder. O ideal, na minha opinião, é lutar pelos nossos direitos, por leis que nos defendam dos crimes de ódio, e pelo direito de ir e vir, que qualquer cidadão deveria ter.

Pili disse...

é mesmo, CmouraBh,
reclama da "qualidade do "texto", ou então da autoria dele que aí o problema some...
aff

eu poderia ter contado a mesma história. E aposto que muitas outras pessoas também!
O meu amigo, no caso, foi tirado de um bar por estar abraçado com seu amigo. Só isso, não rolou nem selinho pra acusa-los de exagero.
E detalhe, foi na Farme de Amoedo, na altura do posto 9 de Ipanema.
Local publicamente, tradicionalmente, e até turisticamente conhecido justo pelo mote gay. Há décadas.

Jáder disse...

"Outro ponto que me incomodou em seu comentário: a questão das piadas. Não se trata de uma violência física como um tapa, mas as piadas também são formas de violência... "

Flavia, comparar piadas com violência é um grande exagero. Ainda mais em se tratando de convívio social entre adultos, onde o mínimo que se espera de qualquer adulto com um pingo de inteligência emocional é que não fique chorando pelos cantos ou tomando simples piadas como motivo de briga.

Homossexual não é aleijado, não é leproso, não é doente mental nem coitadinho. Da mesma forma que eu já fiz piada, brincadeira, também já fui muito zoado por amigos gays e nem por isso deixamos de ser amigos. Homossexuais também são seres inteligentes.

A mim me preocupa muito mais é que certas pessoas recebam uma brincadeira ou uma piada como se estivesse recebendo um cuspe na cara. Humor não gera violência, falta de espírito esportivo sim.

"Me incomoda mto esse papo "não gosto, não acho bonito manifestações de afeto entre homossexuais" pq, na maioria das vezes tem uma pitada de homofobia aí."

Peraí, Ju! O que é mais importante pra você? Ser respeitada ou que todo mundo seja obrigado a gostar do que você gosta?! Tenho todo direito de não gostar do que eles fazem da mesma forma que gays tem todo o direito de não gostar do que os heterossexuais fazem entre si. Nem por isso vou dexar de respeitar aqueles que tem gostos diferentes do meu. Querer empurrar seus proprios gostos na goela dos outros é o que faz um homofóbico.

Não é porque uma pessoa tem um gosto diferente do seu que você vai desrespeita-la, vai?

Giovanni Gouveia disse...

Na minha vizinhança, quando eu era molecote, tinha dois que chega fazia gosto, vez por outra chegava um machão (às vezes vários) querendo agredir, apanhava mais que massa de pão.
No centro do Recife também tinha uma figura quase lendária, chamada Lolita ( entrevista com ele: http://www.enciclopedianordeste.com.br/nova531.php ) que às vezes a polícia ia pra bater, e ele não abria da parada, quebrava meio mundo de policial, mas quando se via em desvantagem ia logo gritando: "bate nesse corpo que sempre foi teu", aí agressores se sentiam desmoralizados e iam embora...
Não defendo violência, mas às vezes tendo a pensar que auto-defesa é a única solução para todo segmento social oprimido.

Jac disse...

Olha, triste, mas eu ri da história da Lolita que o Giovanni contou hahahahahaha

Aline disse...

Nem queria comentar, principalmente por que cada vez que penso nessas coisas me dá revolta.
Quando leio alguns trolls por ai me revolto com os comentários.
Ainda que os anônimos estão desativados, por que se não já viu...
Até escrevi um post sobre os trolls e a lei de godwin, onde se diz que se uma discusão chega ao ponto de uma das partes citar o nazismo, hitler, ou qq coisa relacionada, deduz-se que a parte que fez isso ficou sem argumentos e perdeu.
Isso inclui termos como feminazi e ditadura gay, etc...

Aline

Sheryda Lopes disse...

Um pequeno atenuante do triste acontecido é o fato de que a agressão não foi feita pelo dono ou por algum segurança do local. Talvez isso seja um estímulo para não boicotar o local. Talvez.

Lola, não sei se vc conhece um bar no Benfica conhecido por "O Feitosa". Lá é point de encontro de LGBTT e também de universitários e integrantes de vários movimentos sociais. No ano passado um casal de amigas minhas foi impedido de se beijar no local porque a dona pediu, através de um funcionário. Só que ela deu o azar de fazer essa besteira contra uma das maiores militantes do movimento feminista/LGBTT aqui de Fortaleza. Resultado: rolou uma mobilização muito bacana e fomos tocando tambores até o local. Lá gritamos palavras de ordem e depois fizemos um beijaço. O lugar também foi denunciado junto à Regional, já que aqui em Fortaleza esse tipo de discriminação é crime municipal e pode render multa e até o fechar o estabelecimento.

Um trechinho do funk da solução que cantamos (no ritmo de "cada um no seu quadrado"):

Lésbicas e bi, aqui em verso e prosa! Vamo beijar onde quiser, inclusive no Feitosa!

In-clu-si-ve no Feitosa
Inclusive no Feitosa!
In-clu-si-ve no Feitosa
Inclusive no Feitosa!




Menina da Augusta, organiza um beijaço! As coisas são assim mesmo, mas a gente vai mudar!

Sandro disse...

Sheryda,
Agora eu gostei! Eu sou fã de mulher sapatão! Beijo de mulher sapatão é tudo de bom que existe nessa vida! Eu apóio e assino embaixo esse baijaço com este monte de mulher sapatão e acho que devia ter muito mais disso aí!

Aline disse...

Nossa Sandro, esse seu comentário foi foda e novamente preconceituso... Mulher pode beijar outra mulher, dois homens não podem se beijar? O Movimento na Augusta deveria ser de homens se beijando e de mulheres também, mas para focar o preconceito, não para excitação alheia.

Aline

Flávia disse...

Jáder,

Não duvide quando alguém disser que as palavras têm poder.

Ridicularizar alguém ou um grupo de pessoas em uma piada é o primeiro passo para o preconceito... preconceito esse que leva a atos de violência.

Ou vc acha também normal piadas racistas?

Para mim, o humor deve ser inteligente. Nesse sentido, apelar para estereótipos e preconceitos não tem nada de engraçado...

Pode ser questão de gosto, mas prefiro pensar que é uma questão consciência e respeito ao próximo...

Tigra disse...

Olá, a autora do post se manifesta.

Agradeço a Lola por denunciar a nossa história. Nossa sim, porque presenciar violência também é viver violência.

E não, a polícia que patrulhava por perto não quis nem ouvir nossa história, quanto mais fazer bo. E não estou 'culpando' os movimentos e o beijaço seria misto, gays lésbicas e samambaias de plástico que quisessem aderir seriam muito bem vindos.

Agradeço aos trolls, sem gente assim como eles esse post não seria necessário, e agradeço também as palavras de apoio.

Victor disse...

Sheryda, eu sei onde é O Feitosa. Já pediram para eu parar de beijar no Pitombeira e dentro do CH. :P

Fabiana Zardo disse...

ABSURDO! Moro nas imediações e nunca achei que algo assim aconteceria na Augusta. Quer dizer, se estivessem na paralela, a Frei Caneca, aí não tinha problema???

Lorena disse...

Lola, achei essa agressão um absurdo, afinal os homossexuais, assim como os heteros, devem ter seu direito de livre expressão respeitados em QUALQUER LUGAR, e não apenas em lugares reservados ao público gay. E acho importante que os gays se assumam e tenham demonstrações de afeto publicamente, sim.
Eu sou heterossexual convicta e, admito, já fui muito preconceituosa, não conseguia compreender o que levava alguém a se atrair por pessoas do mesmo sexo, achava estranho, feio, chocante... Quando via algum casal gay por perto, eu desviava o olhar, não gostava nem de ver... Mas, com o passar dos anos, fui descobrindo pessoas próximas a mim (amigos, amigas, parentes, etc) que se assumiram, era um choque no início, porém depois passei a encarar com naturalidade e a fazer algumas reflexões... Quem sou eu pra achar que o meu relacionamento hetero é o certo, digno, e os relacionamentos homos são errados, imorais?? Por que o meu amor por um homem é maior ou melhor que o amor entre 2 homens? E esse tipo de coisa é mensurável? Por que eu e meu namorado podemos andar no shopping de mãos dadas e nos beijarmos na escada rolante e um casal gay não pode?
Essa minha visão de mundo e mudança de opinião não aconteceu de um dia pro outro, foi preciso algum tempo, muitas reflexões, muitas conversas e, principalmente, convívio próximo com casais de amigos gays, para eu me acostumar, entender, compreender que existem opções sexuais diferentes da minha e que todas elas merecem ser respeitadas.
Não vou dizer que hoje sou uma pessoa totalmente livre de preconceitos, infelizmente não, mas luto a cada dia pra erradicar esta praga que existe na nossa cabeça, na nossa sociedade.

CACI'S disse...

Bom, faz 10 meses que to namorando, e preconceito só aconteceu duas vezes comigo,Uma foi numa frutaria onde eu e meu namorado iamos SEMPRE, nunca reclamaram se ficavamos abraçados,Maas como nem tudo é perfeito, numa linda noite de intenso calor um funcionario (cunhado da dona) dessa Frutaria chegou bem no meu ouvido e disse que eu tinha que me soltar do meu namorado que lá era um ambiente familiar que tinha crianças e mulheres gravidas (Mentira)Como se as crianças iam sair gritando e as mulheres perdendo seus filhos.(¬¬) Nossa reação? Pagamos nossa conta e saimos educadamente, NUNCA mais voltamos la, nao indicamos pra mais ninguem.
Isso aconteceu em Guarulhos/SP. Foi a primeira vez.
Na Segunda vez, foi num domingo a noite na frente de um bar gay chamado TOTAL FLEX. Ao lado desse bar tem outro, mas é hetero, meu namorado me abraço, nessa chegou um cara com seus amigos e disse que não podiamos fazer isso la. (minha cara de indignado quando ele disse isso pro meu namorado )Motivos da minha indignação: Estou na rua PUBLICA, faço o que quero, e outra, estou na frente de um bar gay e muuito movimentado. Nao quis chamar atenção de outros gays porque prefiro não demonstrar semelhança a gente de mente pequena. Como era um numero grande, decidimos no exato momento ir embora.
Estou comentando isso porque nem mesmo no gueto estamos protegidos, e realmente fico triste, porque é obvio que se em algum bar gay tiver algum casal hetero, nunca que eles serão maltratados, seria legal se fossemos tratados com o mesmo respeito.

By Caio.